MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Com uma média de três eventos científicos por semana

Saúde: o sector mais dinâmico do país

 

Dificilmente um outro sector social ou económico do país apresenta a dinâmica que o da saúde tem revelado. Um indicador é o número de actividades e eventos científicos que se realizam. No espaço de 30 dias contabilizámos pelo menos 10 acontecimentos. Uma média de quase 3 por semana! Começou com as Jornadas da FESA, a  dia 23 de Setembro, logo seguidas do dia nacional do trabalhador da saúde, a 25 de Setembro, que coincidiu, aliás, com o lançamento da campanha de vacinação contra o sarampo - o que obrigou os dirigentes e responsáveis públicos da saúde, e a comunicação social, bem entendido,  a uma corrida entre o hospital Américo Boavida, a cidade do Kilamba e Viana. Ao fim desse dia houve ainda uma conferência sobre dermatologia  promovida por uma conhecida distribuidora farmacêutica desta especialidade. Sem nos deixar respirar, logo no dia seguinte abrem as jornadas científicas do hospital psiquiátrico. Aqui, o debate sobre ansiedade não terá sido bem interiorizado..., porque ainda mal  tínhamos digerido tanta informação, eis que o Centro Nacional de Oncologia reúne, em Luanda, os especialistas dos Palops, e no mesmo dia - obrigando, de novo, a uma corrida, desta vez entre Talatona e o centro da capital, evitando, é claro, os acidentes rodoviários para não engrossar as estatísticas crescentes desta pandemia - inaugura  o 2º congresso angolano de cardiologia e hipertensão . Ao mesmo tempo, decorre um curso sobre gestão financeira de unidades de saúde. Como se todo este saber científico não bastasse, os farmacêuticos - que não querem naturalmente ficar atrás - comemoram o primeiro aniversário da sua Ordem e realizam a Semana da Farmácia Angolana / ExpoFarma (onde se esperam vários lançamentos), a 7 de Outubro. Para não perdermos a embalagem, vem já aí o seminário da diabetes das Forças Armadas e o Congresso da Girassol, a 21. Tudo exactamente no espaço de um mês. E teremos ainda o II Encontro de Educação Médica da Universidade Agostinho Neto e, dias depois, um curso sobre planeamento e controlo de gestão na saúde. A seguir, as jornadas técnicas do Centro de Medicina Física e de Reabilitação. Pouco tempo antes tínhamos presenciado o Conselho consultivo do Minsa, os congressos da ortopedia e da pediatria - estes nas províncias -,  o da otorrino, e a celebração da recém licenciatura de novos médicos e farmacêuticos. E a contagem decrescente para o congresso da Ordem dos Médicos, em Janeiro, com um mega programa de excelência já começou...!

Quando pensamos que há dois ou três anos atrás, o país organizava dois ou três eventos por ano, concluímos que a dinâmica do sector da saúde não tem igual. Vivê-la, apesar de cansativa, é um privilégio: estamos vivos e a contribuir, cada um à sua maneira, para o bem-estar de todos.

Agora, resta-nos fazer com que toda esta imensa difusão do saber científico, em conjunto com as novas ou reabilitadas infra-estruturas,  resulte em melhorias para a saúde da população.

 

 

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Mulheres africanas ainda morrem em trabalho de parto

 

Apesar dos progressos significativos realizados pelos países africanos na redução das mortes maternas, algumas mulheres em África ainda morrem em trabalho de parto. Estas mortes devem-se a causas bem conhecidas e que podem ser evitadas ou tratadas”, afirmou o responsável da Organização Mundial de Saúde (OMS) para África.

“O acesso limitado aos cuidados de saúde, a existência de unidades de saúde degradadas e os recursos insuficientes são alguns dos maiores desafios que dificultam os progressos na luta para pôr fim às mortes maternas e infantis evitáveis”,adiantou Luís Gomes Sambo, Director Regional da OMS para África, por ocasião do Dia da Saúde da Mulher na Região Africana.

O responsável sublinhou que esta situação é agravada por factores como a pobreza, os conflitos armados, a elevada taxa de gravidez precoce, bem como a pandemia do VIH/SIDA, e que as causas de mortes maternas estão profundamente enraizadas na fraca capacitação das mulheres na Região.

Sob o tema “Acabar com as mortes maternas evitáveis em África”, na comemoração, do Dia da Saúde da Mulher na Região Africana, em Setembro, o responsável da OMS sublinhou que colocar a saúde das mulheres e das crianças em primeiro lugar é uma das seis áreas prioritárias da OMS.

Com efeito, ao longo dos anos, a OMS e os seus parceiros vêm prestando apoio aos países na implementação de várias intervenções para tentar solucionar estes problemas, e Luís Gomes Sambo garantiu que foram realizados progressos mas lamentou que ainda há muito por fazer.

A OMS continua envolvida em campanhas regulares de advocacia para acabar com as mortes maternas evitáveis em África. Os ministros africanos da saúde, que se reuniram na Primeira Reunião Ministerial conjunta da Comissão da União Africana e da OMS realizada em Luanda, Angola, em Abril de 2014, comprometeram-se a reduzir as mortes maternas para menos de 70 mortes maternas por cada 100 000 nados-vivos até 2035.

Entre outras acções, os Ministros também decidiram assegurar que todas as mulheres e crianças são abrangidas por intervenções comprovadas e com grande impacto, sobretudo as famílias mais pobres e que são mais difíceis de alcançar.

Comprometeram-se igualmente a aumentar o investimento nos profissionais de saúde e contribuir para a enfrentar os determinantes sociais, comportamentais, económicos e ambientais da saúde.

Pela sua parte, disse o Director Regional, a OMS continuará a prestar apoio técnico aos países para reforçar as suas capacidades de realizar intervenções abrangentes e de qualidade no domínio da saúde materna, neonatal e infantil, e reforçar as parcerias para maiores investimentos na saúde materna.

A OMS defende o papel crucial das parcerias com outros sectores, uma vez que muitos dos determinantes da saúde da mulher estão enraizados noutros factores, como a educação e o ambiente.

 

 

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Nova esperança para a cura da malária anunciada por investigadores australianos

 

Um antibiótico que poderá curar a malária, através do bloqueio dos mecanismos moleculares que fabricam as proteínas necessárias para o desenvolvimento da doença, foi anunciado esta semana por investigadores do Instituto de Pesquisa Médica Walter + Eliza Hall liderados por Wilson Wong, Jake Baum e colegas.

O Plasmódium, parasita da malária, tem vindo a desenvolver resistência às drogas habituais usadas no seu tratamento, tornando-as cada vez menos eficazes pelo que é cada vez mais urgente o aparecimento de mais soluções.

A malária, também conhecida como paludismo, é uma doença infeciosa transmitida pela picada da fêmea do mosquito anófeles (Anopheles), e é provocada pelos protozoários parasitários do género Plasmodium.

Wong afirmou que o estudo examinou os mecanismos de construção de fabrico de proteína nas células do parasita, chamado ribossoma, visualizando pela primeira vez a estrutura deste “complexo proteico” no parasita da malária.

“O ribossoma é responsável pela construção de todas as proteínas no interior da célula, baseado no seu ADN (ácido desoxirribonucleico) ”, adiantou Wong.

“Antibióticos como a emetina matam o parasita da malária juntando-se aos ribossomas e impedindo o parasita de fabricar as proteínas de que necessita para produzir energia, de forma a crescer e reproduzir-se e para invadir o sistema imunitário.

Wong defendeu que a emetina e antibióticos relacionados, como a pactamicina podem ser a base para o desenvolvimento de novas drogas contra a malária.

Este estudo envolveu a colaboração de Sjors Scheres do Laboratorio de Biologia Molecular de Cambridge, Reino Unido, e do Instituto Bio21de Melbourne,  e foi publicado no Jornal eLife.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a malária afecta 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Todos os anos, cerca de meio milhão de casos de malária são diagnosticados, matando entre um e três milhões de pessoas. A maior parte das vítimas é composta por crianças menores de 5 anos na África Sub-saariana.

Em Angola, a malária é endémica nas 18 províncias do país. O maior índice de transmissão regista-se nas províncias do norte do país como Cabinda, Uíge, Malange, Cuanza Norte, Lunda Norte e Lunda Sul.

Segundo o Programa Nacional de Controlo da Malária, a doença representa cerca de 35% da procura de cuidados de saúde, 20% dos internamentos hospitalares, 40% de mortes perinatais e 25% de mortalidade materna.

 

 

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Milhares de vacinas experimentais contra o Ébola disponíveis em 2015

 

Milhares de doses de vacinas experimentais contra o Ébola deverão estar disponíveis no início de 2015, em alguns países mais afectados pela epidemia, anunciou a Organização Mundial de Saúde (OMS).

 

“Se tudo correr bem, poderemos começar a utilizar estas vacinas em alguns países afectados no início de 2015”, anunciou a sub-diretora-geral da OMS,Marie-Paule Kieny, em conferência de imprensa, em Genebra.

A responsável frisou que não se trata de uma campanha de vacinação em massa devido à diminuta quantidade de doses disponíveis.

“A GSK (GlaxoSmithKline) deverá ter 10 mil doses disponíveis no início do próximo ano. Já a NewLink Genetics, que desenvolveu outra vacina e doou cerca de mil doses à OMS, deverá dispor de alguns milhares nos próximos meses”, adiantou a responsável, citada pela agência de notícias francesa AFP.

As vacinas são ainda experimentais mas a situação de emergência provocada pelo Ébola, que já matou cerca de três mil pessoas e infectou mais de seis mil na África Ocidental, sobretudo Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa, levou a OMS a dar seu o aval ao envio das doses de vacinas experimentais.

A OMS aceitou as vacinas da empresa britânica GlaxoSmithKline (GSK), e do grupo norte-americano NewLink Genetics, e está a “trabalhar juntamente com os dois laboratórios para tentar acelerar ensaios clínicos”, disse Kieny.

Bons resultados

em macacos

As vacinas experimentais, ainda na primeira fase de ensaios clínicos em humanos, obtiveram bons resultados em macacos. Esta fase inicial testa a segurança da vacina em humanos, sendo apenas possível analisar posteriormente a eficácia da imunização dos humanos contra o ébola.

No que se refere ao medicamento experimental ZMapp, que já foi utilizado em pessoas infetadas pelo vírus ébola, os “stocks” estão esgotados mas, segundo a responsável, “algumas centenas de doses” deverão estar disponíveis até ao fim do ano.  A OMS advertiu que a epidemia está numa espiral de "crescimento explosivo” e poderia, na ausência de reforços significativos dos recursos utilizados, contaminar cerca de 20 mil pessoas até Novembro.

 

 

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2º Encontro de Educação Médica

Educação médica à distância e telemedicina serão temas centrais

 

O II Encontro de Educação Médica da Universidade Agostinho Neto (IIEEM) terá lugar nos dias 6 e 7 de Novembro de 2014, na Cidade Universitária em Camama (Luanda), sob o lema “Formar e Assistir Encurtando Distâncias”.

O encontro é uma realização do Centro de Estudos Avançados em Educação e Formação Médica (CEDUMED), com a colaboração da Faculdade de Medicinae apoio da sua Associação de Estudantes, conta com a presença de distintos convidados e peritos nacionais e estrangeiros,e inclui diversas actividades (palestras, mesas redondas, comunicações e posters) dedicadas primariamente aos temas “Educação Médica à Distância” e “Telemedicina”.

A educação à distância tem uma importância crescente no mundo moderno, cada vez mais globalizado, e tem demonstrado a sua relevância mesmo naquelas formações tradicionalmente mais presenciais, como é o caso das ciências médicas (tanto através de cursos inteiramente à distância comocomplementando atividades presenciais, o designado b-learning). A telemedicina - conjunto de tecnologias e aplicações que permitem o contacto entre o médico e o doente e a realização de ações médicas à distância- vem-se tornando também progressivamente mais importante. Tanto a educação à distância como a telemedicina dependem do acesso e qualidade das telecomunicações e recorrem a meios como a Internet, intranets, telefones fixos, celulares, tablets e robôs.

Considerando a tendência e vantagens do funcionamento em redes, as Faculdades de Medicina de Angola e outros actores do sistema nacional de saúde podem explorar mais profundamente as oportunidades que a educação à distância e a telemedicina oferecem para a ligação e actuação entre si, com parceiros externos e com centros de excelência a nível mundial. Desta forma, não só o número de beneficiários (estudantes, profissionais, doentes, etc.) pode aumentarsignificativamente, como é possível fazer economias de escala e melhorar a qualidade das intervenções.

O IIEEM destina-se a estudantes, docentes, técnicos, investigadores, gestores, médicos e outros profissionais de saúde, podendo os interessadosinscrever-se através do website do encontro (www.cedumed.net).

 

 

 

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Campanha de vacinação contra sarampo e poliomielite

Ministro da Saúde apela a pais para que se juntem à batalha contra sarampo

 

O ministro da Saúde de Angola, José Van-Dúnem, apelou aos pais para se juntarem à batalha contra o sarampo e levarem os filhos aos postos de vacinação num “acto de amor e de fraternidade” para com as crianças angolanas e o futuro do país.

“Verificamos ainda surtos de sarampo em alguns municípios do país levando à morte de muitas crianças e, em outras, agravando o seu estado nutricional ou provocando o surgimento de complicações, tais como a pneumonia, a encefalite, surdez e a cegueira, sobrecarregando o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, quando é possível prevenirmos esta doença através da vacinação”, afirmou o ministro.

Dado que “tanto nas campanhas, como na rotina, é difícil vacinar todas as crianças, o Ministério da Saúde pretende superar este desafio envolvendo e responsabilizando toda a sociedade, particularmente os pais”, afirmou na sessão de lançamento da campanha “Juntos pela eliminação do Sarampo”, a 25 de Setembro, na cidade de Kilamba, província de Luanda.

 O objectivo da campanha, que se prolonga até 5 de Outubro, é a eliminação da doença em Angola até 2020, frisou o ministro, sublinhando a importância das crianças serem vacinadas não apenas durante a campanha mas também levadas aos centros de saúde para vacinação de forma rotineira, o que contribuiria para fortalecer os sistemas de vigilância e oferecer um tratamento eficiente.

A primeira etapa da vacinação incidirá exclusivamente na área urbana, inicialmente em creches e escolas e posteriormente nos postos fixos, utilizando equipas de vacinação em zonas de maior concentração de população, previamente acordadas com as autoridades locais.

A segunda etapa visa vacinar crianças nas áreas rurais em postos fixos e escolas, utilizando equipas móveis para as áreas de difícil acesso, disse o ministro.

 

 

 

 

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Garantir a qualidade de medicamentos é prioridade

 

A selecção correcta e criteriosa de medicamentos, a escolha acertada de fornecedores e o meio adequado de transporte que garanta que os medicamentos cheguem às populações em condições exemplares são preocupações dos responsáveis da Saúde de Angola.

Estas preocupações foram espelhadas nas principais conclusões e orientações do “Workshop Sobre Sistema de Logística e Informação”, realizado a 8 e 9 de Setembro na Escola Técnica de Saúde, em Luanda.

O worshop foi organizado pela Direcção Nacional dos Medicamentos e Equipamentos em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e teve como participantes chefes de Departamento de Saúde Pública, responsáveis do Depósito de Medicamentos e Equipamentos, e supervisores dos programas de Medicamentos Essenciais e Saúde Sexual e Reprodutiva, das 18 províncias de Angola.

Tema fulcral do encontro foi a distribuição de medicamentos em viaturas apropriadas, sobretudo para medicamentos que exigem refrigeração.

A formação de técnicos em Farmacovigilância em todas as Unidades de Saúde, com vista a detectar precocemente reacções adversas e a reportá-las a nível nacional, bem como o alerta para medicamentos de baixa qualidade, foram também conclusões deste encontro.

Tendo sido apresentados novos modelos de recolha de informação ligada à saúde sexual e reprodutiva, os participantes sugeriram o aperfeiçoamento dos mesmos e a consequente formação de pessoas que os vão usar.

Em entrevista ao Jornal de Saúde, a representante da UNFPA, Kourtoum Nacro, afirmou que o maior desafio desta agência da OMS (Organização Mundial de Saúde) é contribuir para que a diminuição do índice de mortalidade, o que já tem estado a acontecer, e que o Fundo para a População, que a responsável dirige, consiga que esta redução seja tendencialmente cada vez maior.

Nacro disse ainda que têm sido levados a cabo em Angola vários projectos de impacto social, nomeadamente nas estruturas de saúde, mas também noutras áreas.

Actualmente consta nos estatutos orgânicos do fundo, a criação de um centro de tratamentos de fístulas na Província do Uíge, Município da Damba.

Este projecto surgiu depois de ter sido constactado, recentemente, a existência de muitos casos de fístulas na Maternidade Lucrencia Paim.

A responsável referiu ainda que o workshop se realizou por existir um objectivo comum de que as áreas de logística funcionem em boas condições e possam dar informação fiável, garantindo uma melhor monitorização da gestão dos stocks, em função dos dados de todas as Províncias, para estabelecer melhor o equilíbrio da distribuição dos produtos destas unidades hospitalares.

Face às situações de ruptura de stocks que têm vindo a registar-se, foi atribuído, no evento, e para cada Província, um computador com software moderno de forma a poder ser efectuado um registo melhor dos dados epidemiológicos. Estará à disposição dos técnicos destas unidades, um consultor da UNFPA, no sentido de optimizar o equipamento e mecanismos do sistema de informação e logística.

 

 

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Por ano

Há 12 mil novos casos de cancro por diagnosticar em Angola

 

Os números de casos de cancro diagnosticados, e os não detectados, não são um problema que diga respeito unicamente a Angola. Trata-se de uma questão que também preocupa os responsáveis da saúde dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), que se sentam pela primeira vez em conjunto, à mesma mesa, a 2 e 3 de Outubro, em Luanda.

O encontro – “PALOP, Meeting in Luanda - do qual Angola é o país anfitrião, realiza-se no âmbito da AORTIC (sigla inglesa para Organização Africana de Investigação e Formação de Cancro).

O cancro já é um problema de saúde pública de tal forma são elevados os casos desta doença maligna entre os PALOP. Segundo estimativas calculadas através de modelos matemáticos, há cerca de 12 mil novos casos de cancro, por ano, em Angola, que não são diagnosticados.

No Centro Nacional de Oncologia, em Luanda, foram diagnosticados, em 2013 cerca de 1400 novos casos, alertou o Director-geral do Centro, Fernando Miguel, em entrevista ao Jornal de Saúde.

 

— Qual a importância da AORTIC junto dos países africanos?

— A AORTIC é um órgão de pesquisa e investigação, em termos de ciência, em África, na área da oncologia e formação de investigadores juniores e seniores.

Já tem cerca de duas décadas e, em todas as conferências que realizou, a língua principal de trabalho foi o inglês e o francês, dado o continente angolano ser predominantemente francófono e anglófono.

A AORTIC tem o patrocínio de grandes organizações, como a Sociedade Norte-Americana de Oncologia, o Instituto Norte-Americano de Câncer,e outras entidades como a Organização Europeia de Cancro (ECCO – European Cancer Organisation )

Nós,  os PALOP,  somos um cantinho no continente. Na última conferência da AORTIC, na África do Sul, na cidade de Durban, fizemos questão de pedir à direcção da Organização que a lusofonia também se fizesse sentir.

Por isso vamos realizar a I Conferência dos PALOP com a participação, de Angola, como anfitrião, de Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Portugal e Brasil embora não façam parte dos PALOP são países irmãos, e por isso convidados.

O objectivo principal dos PALOP é promover a língua portuguesa no ensino e na investigação científica na área da oncologia.

— OS PALOP pretendem constituir um grupo dentro da AORTIC?

— Os PALOP são membro dessa organização. Só Angola tem cerca de 14 médicos na organização e, com este evento, haverá a adesão de mais colegas.

Angola vai ter o pontapé de saída para uma maior participação dos PALOP na AORTIC. Podia ser Moçambique ou outros países dos PALOP. Mas nós tivemos a ideia de realizar o encontro magno da AORTIC aqui. Em 2013 o encontro foi na África do Sul, em 2015 vai ser em Marrocos e, talvez daqui a quatro anos, se realize aqui em Angola. Este Meeting agora em Outubro,será o primeiro ensaio do encontro com os PALOP

— Qual a maior expectativa?O que espera que saia desta reunião?

—  No encontro vamos falar do dia-a-dia das doenças oncológicas. Queremos criar um relacionamento entre os países dos PALOP. Esse é o primeiro objectivo.

Vamos falar das doenças malignas que atingem mais a nossa região, nomeadamente o cancro do colo do útero, muito frequente, e que é prevenível, quer por vacina, quer por métodos de diagnóstico precoce.

Iremos ainda falar do cancro da mama, um dos mais frequentes no nosso meio. Muito importante também será falar sobre o registo de cancro (do número de casos declarados e dos que não o são).

Um ponto fulcral será abordar as consultas de decisão terapêutica. Isto é, depois de o doente estar diagnosticado, um conjunto de médicos deve reunir-se e cada um dar a sua opinião, até chegarem a um consenso para que o doente possa ser tratado convenientemente.

— O cancro é o problema de saúde que mais preocupa os profissionais de saúde?

— Estamos numa área do planeta onde se fala pouco de certas doenças, não transmissíveis. Parece que o que nos preocupa mais é o paludismo e cólera e outras doenças que já fazem parte do nosso dia-a-dia de saúde pública. Mas, actualmente, com o fim da guerra e o crescimento económico, as pessoas envelhecem mais. E quando isso acontece surgem as doenças crónicas não transmissíveis, como o cancro, a hipertensão, doenças cardíacas em geral e a diabetes. É dessas doenças que vamos falar, mas, neste caso, será o cancro.

Deixou de ser um problema de países desenvolvidos, como muitos pensam. Hoje, o cancro é um problema de saúde pública que deve ser debatido entre os PALOP, quer pela atitude das próprias pessoas, quer pela atitude das instituições.

O cancro, contrariamente a outras patologias que conhecemos, como as infectocontagiosas, que têm uma causa única que as provoca, nomeadamente o paludismo, que é causado pelo plasmodium, é uma doença cuja causa não conhecemos.

Sabemos que há vários factores de risco que contribuem para o seu aparecimento, e que são comuns aos PALOP, nomeadamente o consumo excessivo de álcool, o consumo de tabaco, a falta de actividade física, a alimentação errada e factores biológicos que também podem influir. Às vezes preferimos tomar uma cerveja do que comer uma laranja, ou uma maçã. Vamos falar destes factores de risco que têm de ser mudados. De facto, olhar para o cancro não é problema só da Europa ou de outros países. Pode ser um problema nosso se não tomarmos medidas hoje.

—  Qual das doenças malignas afecta mais a população?

— Todas. Todas afectam. O cancro provém do próprio organismo. É uma célula que faz parte do nosso corpo e que, por razões que a ciência não explica ainda totalmente, começa a reproduzir-se rapidamente e de forma descontrolada.

Mas do ponto de vista estatístico, aqui, no Centro Nacional de Oncologia em Angola, detectámos que o cancro mais frequente é o da mama, seguido do colo do útero, e do cancro da próstata.

Infelizmente o cancro da mama e do colo do útero afecta mais mulheres em idade reprodutiva. Mas há tratamento disponível para estas doentes. Há dois anos teria de dizer que não porque ainda não tínhamos a radioterapia.

Para tratar o cancro precisamos de três armas. A primeira é a cirurgia. Ou seja, se existe um tumor maligno, tem que se retirar. Obviamente que isto tem critérios próprios. O grupo clínico de decisão, de que já falei, reúne-se para decidir se a operação é urgente ou não.

A segunda arma são os medicamentos, os citostáticos (quimioterapia), que agem em todo o corpo do doente. Introduz-se na veia, circula por todo o corpo, e vai eliminando as células cancerígenas.

A radioterapia, que é o uso de uma máquina que emite radiação, vai destruir as células malignas. Felizmente o país já dispõe dessas três armas.

—  Mas a radioterapia demorou um pouco a chegar a Angola...

— Demorou porque a radioterapia usa energia atómica, e esta energia é um problema em todo o mundo porque é necessário usá-la com cuidado, dado que a radiação não tem cor nem cheiro e pode causar danos. Por isso é necessário respeitar as normas que são ditadas pela Agência Internacional de Energia Atómica AIEA (Agência das Nações Unidas que tem como objectivo a promoção do uso pacífico da energia nuclear e o desencorajamento dos usos para fins militares). Angola é membro da AIEA e por este motivo tivemos que cumprir os pressupostos impostos.

— Esse equipamento já está disponível? Há técnicos para o manusear?

— Está aqui, no Centro e, sim, temos técnicos. Enquanto tratávamos das questões impostas pela AIEA, estivemos, desde 2001 a 2010, a formar técnicos para esta área. Neste momento temos médicos, técnicos, e outros profissionais num total de cerca de 18 pessoas. Mas precisamos de mais.

Actualmente, estamos a efectuar cerca de 60 tratamentos e cinco cirurgias por dia. Os doentes efectuam os tratamentos no Centro mas não ficam cá internados. Primeiro porque só dispomos de 20 camas e também porque estamos num local privilegiado, onde os doentes podem ser enviados para os grandes hospitais, que não nos colocam problemas.

Neste momento não há motivo para se enviar um doente para outro país, salvo raríssimas excepções. A experiência adquire-se com o tempo e, às vezes, surgem-nos casos sobre os quais pensamos não ter ainda experiência suficiente. Nesse caso podemos ter de enviar o doente o exterior.

— Todos eles têm acesso aos tratamentos?

— Sim. Mas, relativamente à cura, qualquer doença, por mais banal que seja, se for tardiamente tratada, tem as consequências que conhecemos.

Para o paciente com cancro, o essencial é ser diagnosticado precocemente. Quanto mais cedo for diagnosticado maior é a possibilidade de cura. Quanto mais tardiamente, mais a possibilidade de cura é diminuta. Isso não significa que um doente que tenha sido diagnosticado tardiamente não tenha possibilidade de tratamento.

O tratamento também pode ser paliativo. Podemos ir reduzindo o sofrimento, temos medicamentos que podem tirar as dores por maiores que sejam, por exemplo a morfina.

No caso de existência de tumores em estado avançado, com necroses, podemos retirar esse tumor de forma a melhorar a qualidade de vida do doente. Podemos, inclusivamente, ser obrigados a amputar um membro.

 

 

 

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PALOP

Encontrar dificuldades e soluções comuns é novo conceito de cooperação

 

Angola apostou na sistematização do conhecimento, formação e investigação na área da saúde. O objectivo é dar à população a informação de que necessita para proceder no dia-a-dia de forma saudável e, aos profissionais da saúde, fornecer conhecimento para terem a capacidade de diagnosticar e providenciar cuidados de saúde corretos.

Em vésperas do Meeting dos PALOP, dias 2 e 3 de Outubro, em Luanda, que tem como lema “A situação actual nos PALOP” no que diz respeito ao cancro, Lúcio Santos, médico oncologista, disse ao Jornal de Saúde de Angola que há uma nova noção de colaboração entre os países.

Actualmente é uma proximidade de dificuldades e de soluções. Como os países dos PALOP têm a mesma língua que Portugal e Brasil,é muito mais fácil objectivar, ultrapassar e mimetizar os problemas e as soluções.

Para este médico do Instituto Português de Oncologia do Porto, em Portugal, e assessor do Centro Nacional de Oncologia de Angola, bem como colaborador da Unidade de Oncologia Girassol e da Unidade de Oncologia da Clínica Sagrada Esperança, há “uma visão diferente de cooperação, que é uma colaboração em continuidade”.

Troca de conhecimentos

Isto significa que os profissionais adquirem conhecimentos no seu país de origem, complementam-no noutros países, e regressam.

Desta forma, não só Portugal e o Brasil ficam a conhecer a realidade dos países africanos como também os países africanos passam a conhecer a realidade de Portugal e do Brasil, e adquirem competências que eventualmente não têm no local.

É esta a ideia do Meeting que vai ocorrer em Angola. O encontro é importante para haver um acordo de troca de conhecimentos. Existem experiências africanas – na radioterapia na oncologia médica – formas de resolver as dificuldades que podem ser partilhadas.

Nesta nova noção de partilha, o clínico referiu situações que Moçambique desenvolveu muito bem do ponto de vista de anatomia patológica e que Angola gostaria de resolver. Mas, ao mesmo tempo, Angola desenvolveu conhecimento a nível da radioterapia que Moçambique está ansioso por conhecer.

Outro exemplo é Cabo Verde, que desenvolveu uma unidade de oncologia médica com farmacêuticos e enfermeiros, formados no IPO do Porto.

Nos Açores, Portugal, Gonçalo Forjaz, presidente do Núcleo Regional da Liga Portuguesa Contra o Cancro,está a apoiar o registo de cancro de Angola e de Moçambique por ter uma vasta experiencia v registo oncológico dos Açores, que também tem as suas dificuldades.

 

Palop na AORTIC

Por tudo isto , disse Lúcio Santos, é necessário que os países africanos se organizem dentro da AORTIC, sigla inglesa para Organização Africana de Investigação e Formação do Cancro, instituiçãonão- governamental que se dedica à investigação e ensino na área da oncologia.

O médico considera que os países africanos de língua oficial portuguesa se encontravam dispersos, sem qualquer intervenção conjunta, apesar de terem uma língua comum.

O próximo congresso da AORTIC é em Marrocos em 2015. Nessa altura será possível criar uma secção dos PALOP, como já existe uma da África do Norte,da África de Leste, África Ocidental e África do Sul. Existe também uma secção da Europa.

A secção dos PALOP será uma visão ou intervenção de apoio Sul/Sul mas que poderá no futuro galvanizar os apoios com outros países da CPLP, nomeadamente Portugal, Brasil, Timor.

Portanto, neste momento a organização está a acontecer de forma inversa. Antigamente a colaboração acontecia muito da Europa para o Sul e agora são os países africanos a organizarem-se no sentido enquadrarem instituições que falam a língua portuguesa.

 

 

 

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X Congresso Internacional dos Médicos em Angola 2015

Os desafios da saúde em Angola no contexto de um mundo em mudança

 

Os argumentos constam de muitos documentos do Ministério da Saúde de Angola (MINSA) e, em particular, da Política Nacional de Saúde e do instrumento que a operacionaliza, o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário.

O que se busca, então, de forma estruturada, é um modelo integrado de desenvolvimento que favoreça a prevenção e que venha valorizar o conceito muito desejado nas políticas de saúde: a promoção da saúde.

O conceito da saúde vive uma nova fase, a “Era da Técnica”. Por um lado, as consequências do desenvolvimento científico e tecnológico em torno da prevenção, da promoção, da cura, da investigação e do ensino são enormes e, por outro, a ética, a bioética e o biodireito, vieram introduzir um factor de equilíbrio na relação dos doentes (dos cidadãos em geral) com os médicos e no envolvimento da sociedade na sua pluridimensão.

Esta evolução da tecnologia na organização e no exercício da profissão médica é algo que, simultaneamente, “apaixona” e “sobressalta” os clínicos.

Por todos estes avanços e complexidades, a Ordem dos Médicos pretende, no Congresso de 2015, trazer à discussão serena, firme e consistente, um conjunto de matérias que possam aumentar a elevada conscientização dos médicos não apenas face à doença, mas, igualmente, face às exigências plurifacetadas que a Medicina provoca pela sua complexidade e riqueza, e aos modelos de organização, de atendimento e de prestação de cuidados.

 

A ideia do mundo

em mudança

Se suportamos a ideia em geral do mundo em mudança, nada mais oportuno do que acompanhar a fenomenologia do ritmo das mudanças que ocorrem no domínio da ciência e da arte médica, da investigação, da tecnologia e, igualmente importante, da participação das cidadãos, no que lhes respeita por força do que está ínsito na Constituição.

Assim, genericamente, afirmamos que é necessário retirar os cidadãos dos seus mundos e torná-los participativos, exigentes com a sua saúde, o que implica a intervenção de vários sistemas sociais, culturais e económicos – não apenas da saúde! – que contribuem para a riqueza de uma nação e o bem-estar das pessoas. Faz sentido analisar o que se refere à educação e à infância, à habitação e ao ambiente, à segurança e à justiça – aspectos defendidos pela Constituição.

Tais intenções vão para além do tratamento e da prevenção – envolvem a promoção da saúde, a literacia.

Também é exigível analisar o que a experiência já demonstra, apesar de iniciada há pouco tempo, e que nos faz reflectir: a municipalização da saúde, incluindo o conceito de saúde em rede – algo que certamente os decisores e os profissionais desejam aprofundar.

Um aspecto que nasce paulatinamente – as PPPs em saúde que urge operacionalizar com moderação e que sejam garantia de sucesso, incluindo aqui a natureza do papel dos médicos.

Uma reunião de médicos com esta dimensão exige uma particular atenção no seu desenvolvimento.

Por isso, tendo como ponto de partida os aspectos referidos, o X Congresso da Ordem dos Médicos de Angola, é subordinado ao tema “Os Desafios da Saúde em Angola no contexto de um Mundo em Mudança”.

A relação entre médico e doente na actualidade: a humanização e a alta tecnologia são compatíveis?

Não deixa de ser motivo para reflexão, pois que as queixas do doente são, em muitos casos, postergadas, sendo substituídas por pedidos de exames inusitados e desproporcionados em detrimento da anamnese. A medicina encontra-se fragmentada e, por causa da medicina defensiva, solicitam-se exames e mais exames em detrimento da observação cuidada. Isto coloca questões de fundo ao nível ético, jurídico, económico e social. Igualmente, é mister que aborde a relação entre doente e instituição.

O Congresso dos Médicos de Angola tem que abrir-se à sociedade, aceite que está a plena conscientização de que este evento é já um marco na história recente da Medicina em Angola. Não podemos parar. Este é o desafio que nos compete, médicos, centrando o debate no cidadão e nas comunidades. Por isso, se revelam importantes os contributos dos médicos nestas áreas. Na verdade, os médicos não podem esconder-se sob a capa do seu saber específico. No nosso ambiente, os médicos devem ser socialmente corresponsáveis.

 

 

 

 

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Tosse: causas e tratamentos

 

A tosse é um reflexo repentino que permite a remoção de agentes irritantes, micróbios e muco das vias respiratórias. Pode ser voluntário ou involuntário. A tosse tem várias causas devendo-se sempre procurar tratar a patologia subjacente à tosse.

 

Tipos de tosse

Dependendo da duração, característica, qualidade e período em que ocorre, podemos classificar a tosse nos seguintes tipos:

- Aguda, subaguda e crónica

-Tosse produtiva ou

húmida

-Nocturna, diurna,

ou ambas

A tosse é considerada aguda, quando dura menos de três semanas; subaguda, com duração entre três e oito semanas e crónica se persiste mais do que oito semanas. Na tosse produtiva ou húmida existe a produção de secreções, ao contrário da tosse seca. A tosse nocturna ocorre durante a noite.

Causas da tosse

Existem variadas causas para a tosse, tais como:

- Infecção

- Asma

- Poluição do ar

- Doença de refluxo esofágico (RGE)

- Corpos estranhos

- Fármacos

- Psicogénica

A infecção é a causa mais comum da tosse. A infecção viral aguda das vias respiratórias superiores, a gripe, é a principal causa de tosse aguda de duração inferior a três semanas. A tuberculose deve ser excluída como possível causa de uma tosse com duração superior a duas semanas, através de exames por Raio-X. A tosse pós-infecção é seca e pode persistir por semanas.

A tosse crónica com pieira, dispneia e constrição do peito, pode estar associada a asma, uma comum causa de tosse em adultos e crianças. Normalmente, existe uma história de alergia nestes doentes.

A bronquite crónica é um tipo de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) na qual está associada uma tosse com produção de secreções durante três meses, por dois anos consecutivos. É muito comum em fumadores.

Dependendo do tipo de poluente, grau de exposição, estado de saúde do indivíduo e respectiva genética, a poluição atmosférica pode constituir uma importante causa para a tosse nas cidades industrializadas.

Um ataque de tosse repentino enquanto estiverem a ser ingeridos alimentos, sem que exista evidência de outras causas, pode ser devido a um corpo estranho no tracto respiratório. As crianças ao brincar, ou, inadvertidamente, podem também inalar algum corpo estranho para o tracto respiratório.

No caso da Doença de Refluxo Gastro Esofágico (REG), o conteúdo gástrico que contém ácidos, volta ao esófago e à boca, provocando uma irritação no tracto respiratório e originando tosse. Esta é por conseguinte, uma possível causa de tosse quando todas as outras estiverem excluídas.

A tosse crónica pode ser uma reacção adversa de medicamentos, como os inibidores da enzima de conversão da angiotensina I ECAs (ex: captopril, enalapril), ou, por vezes, os antagonistas dos receptores da angiotensina II.

Trata-se de um efeito da classe terapêutica que regride depois da paragem do fármaco.

Os beta-bloqueadores podem causar tosse em doentes com asma ou DPOC, por estreitamento dos bronquíolos.

Causas emocionais ou psicológicas podem originar o hábito de tossir. Esta tosse é conhecida como tosse psicogénica. Contudo, todas as outras possíveis causas devem ser excluídas antes de se concluir que se trata de uma tosse psicogénica.

 

Fisiopatologia da tosse

A tosse é um reflexo protector nos indivíduos saudáveis. As secreções das mucosas são normalmente removidas pelo movimento ciliar. Quando este mecanismo de defesa está diminuído, ou se torna insuficiente, face ao aumento das secreções, a tosse passa então a ser um importante mecanismo de remoção dessas mesmas secreções.

A tosse é mais eficaz quando os fluxos expiratórios são grandes (esforço independente) e a compressão dinâmica (dependente de esforço) origina uma redução a jusante da área transversal das maiores vias aéreas. A falência da tosse pode estar relacionada com uma insuficiente taxa do fluxo expiratório (doença pulmonar obstrutiva ou fraqueza muscular inspiratória), com a falência da compressão dinâmica das vias aéreas (fraqueza dos músculos expiratórios ou aumento do risco de colapso), com alterações na geometria das vias aéreas (bronquiectasias), ou com uma anormal quantidade ou qualidade da produção de muco(bronquitecrónica).

 

Diagnóstico da tosse

Uma boa história clínica, com uma investigação adequada, permite um diagnóstico das causas subjacentes à tosse. Os seguintes exames auxiliam o diagnóstico final da causa da tosse:

- Sangue: contagem de sangue total (CST), velocidade hemossedimentação (VHS)

- Radiológicos: Raio-X

- Espirometria: para excluir causas obstrutivas ou restritivas de doença pulmonar.

Complicações da Tosse

Dependendo da gravidade, duração e doença subjacente, a tosse pode desencadear complicações agudas ou crónicas como as descritas:

- Síncope da tosse (desmaio devido a uma redução do fluxo sanguíneo ao cérebro)

- Insónias (sono reduzido ou perturbado)

- Vómitos ou defecação induzida pela tosse

- Incontinência urinária nas mulheres

- Prolapso do útero (saída parcial ou total do útero)

- Hemorragia da subconjuntival (olho vermelho)

- Hérnia abdominal ou pélvica

- Fractura das costelas ou osteocondrite

 

Tratamento da tosse

O objectivo do tratamento é a redução da gravidade e do número de episódios de tosse e a prevenção de complicações. Devem ser evitadas as possíveis causas da tosse, como tabaco, fármacos e factores ocupacionais ou ambientais. A humidificação do ar é as vezes aconselhada em locais particularmente secos. A inalação de ar quente e húmido liquefaz as secreções e tem efeito demulcente. Teoricamente, com boa hidratação formar-se-ão secreções menos viscosas e fáceis de expulsar. Contudo, a água não se incorpora no muco já formado.

 

 

 

 

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Huambo preparou centro de tratamento para receber eventuais casos de ébola

 

— Que estratégias estão a ser delineadas para o caso vírus do ébola entrar na província?

— Pensamos que a possibilidade da entrada do vírus ébola em Angola é real, considerando o livre-trânsito de pessoas e bens e a globalização que existe. Seguindo as medidas já orientadas pelo Ministério da Saúde, o mais importante para a nossa província é educar, informar e alertar a população sobre a existência da doença, os seus sintomas e as medidas de prevenção. Huambo está a dar passos nestes aspectos. A população está a ser informada e as entidades ligadas a saúde estão a ser periodicamente preparadas no sentido de actuarem em caso de manifestação de sinais suspeitos, como febre, vómitos ou diarreia. Que estas pessoas acorram as unidades sanitárias para receberem as orientações necessárias e adoptem as medidas de profilaxia, como seja evitar a acumulação de lixo à volta das casas, evitar que as pessoas, sobretudo as com síndromes diarréicos, defequem ao ar livre e, pelo contrário, utilizem latrinas e casas de banho adequadas, evitar o relacionamento com pessoas estranhas e que venham de outros países, sobretudo se apresentarem este quadro clínico.

— Há uma preparação do corpo clínico que deverá lidar com os casos, na eventualidade de se registarem?

— Nós temos o nosso centro de tratamento de doenças infecciosas, localizado no hospital do CFB, mesmo na cidade do Huambo e que já está preparado para o efeito. Um local que nos meses passados serviu para o tratamento da cólera e está agora em condições de servir para o tratamento da ébola em casos de surgimento da doença na nossa província. Estamos neste momento a promover sessões de formação para  médicos, directores de unidades sanitárias bem como para técnicos, ao nível de todos os municípios, com o objectivo de termos todo o pessoal em prontidão para responder com eficiência aos possíveis casos.

— E qual tem sido o envolvimento dos serviços veterinários, já que a origem do vírus é também animal?

— É fundamental que os serviços veterinários tomem as medidas necessárias porque a doença infecta também animais, principalmente macacos, veados e outros que podem ser portadores desta doença. E aqui chamamos a atenção das pessoas para o risco que correm ao comprarem carne em locais impróprios, sem as mínimas condições exigidas. Chamamos igualmente a atenção dos serviços de veterinários para que façam um trabalho profundo de pesquisa contribuindo para evitar que a população faça consumo de carne imprópria.

— Que outras medidas de prevenção estão a ser passadas?

— Num momento em que se debate muito sobre o ébola, que afecta países vizinhos de Angola, queremos prevenir-nos. Assim, estamos a destacar a higienização e levar a mensagem a população sobre a importância do consumo de alimentos em locais apropriados. Essa é a nossa grande preocupação. Todas as pessoas que frequentam locais públicos devem ter em conta que tudo começa com a lavagem das mãos, a seguir a lavagem dos próprios alimentos e outras medidas de biossegurança, como os equipamentos hospitalares necessários para lidar com os casos.

Uma das características da nossa população é a solidariedade e isso pode colocar-nos em risco tratando-se de casos de ébola. Primeiro porque não se pode tocar os doentes por causa dos fluidos que podem conter os vírus e são a fonte de contágio, apenas os profissionais sabem com lidar com mesmos. Da mesma forma os cadáveres devem ter tratamento de formas a não serem tocados pelos membros da família ou outros.

O Huambo, como disse, tem acompanhando as orientações do Ministério da Saúde, embora não haja registo de qualquer caso do ébola no país. Estamos a reforçar a vigilância epidemiológica, ou seja, estamos em estado de preparação, sempre atentos, nas unidades sanitárias, à ocorrência de qualquer situação anómala; bem como estamos a reforçar a informação, a educação e a comunicação porque se as pessoas estiverem bem informadas e forem conhecedoras de como agir, como se transmite a doença e como proceder para diminuir o risco de serem infectadas  também poderão colaborar para a saúde no que respeita ao vírus do ébola.

— Quais são os sinais e sintomas da doença do ébola?

— A doença provoca uma febre hemorrágica, cujo quadro clínico começa com mal-estar geral, fraqueza, vómitos, diarreia e, mais tarde, hemorragia, que pode surgir através da boca, das mucosas nasais ou dos olhos ou, ainda, dos órgãos internos. O período de incubação é de 2 a 21 dias, tempo suficiente para a sua disseminação ou introdução em qualquer território. Angola e particularmente a província do Huambo não estão de fora, uma vez que se regista livre circulação de pessoas e bens. Daí o redobrar dos esforços conjuntos entre os diferentes sectores da província, no sentido de evitarmos ou controlarmos ou máximo possível os prováveis casos da doença.

Sabemos que não existe um tratamento certificado para o ébola. Que medicamentos estão a ser preparados para o atendimento dos possíveis pacientes?

Não existe um tratamento comprovado ou orientado para a doença do ébola até ao momento. Os medicamentos a serem ministrados serão em função dos sinais e sintomas que os pacientes apresentarem (tratamento sintomático). Ou seja, se estiverem com um quadro de diarreia, febre ou vómitos, os fármacos serão para combater estes sinais.

— Quanto ao material, estão preparados?

— Temos algum material de uso normal (botas, máscaras, gorros e luvas). Porém os contactos com o Ministério já foram feitos e tivemos resposta positiva. Assim sendo, a qualquer momento Luanda enviar-nos-á o material impermeável.

— Sabemos que a formação passada dos técnicos de saúde não visou apenas o ébola...

— Temos estado a realizar workshops e, ao invés de focar a atenção somente no ébola, não queremos esquecer que foi por volta do mês de Novembro do ano passado que fomos assolados por um surto de cólera. Daí ter-se incluído o tema da prevenção da cólera num dos painéis do workshop, no sentido de despertar as pessoas para  continuarem a tomar as medidas preventivas e evitar o aparecimento de novos casos na província. Outro tema em destaque é VIH/SIDA, um tema actual e indispensável, pois deve-se tomar sempre medidas necessárias para evitar a propagação desta doença, que ainda não tem cura. Nós estamos a implementar um Plano de Aceleração Contra o VIH/SIDA desde o ano passado, que já chegou a 71 unidades sanitárias da província. O objectivo é proporcionar condições à população para a testagem, aconselhamento, diagnóstico e seguimento contra o VIH/SIDA. Outra questão não menos importante é a vacinação, por consideramos ser um problema sério de ser resolvido. Cada vez mais aparecem casos de sarampo. Logo, falámos também sobre a prevenção do sarampo e poliomielite através da vacina. Além disso, preocupa-nos igualmente o facto de estamos em presença de mudança de época e quando começam as chuvas surgem as doenças diarreicas agudas. Em função disso, reunimos as autoridades de todos os municípios e comunas da província para, juntos, debatermos todos as medidas preventivas das doenças que tem origem sobretudo no lixo e na falta de higiene.

 

 

 

 

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Familiares nos pátios dos hospitais

Excessiva exposição ao ambiente hospitalar é perigosa

 

Comentando ao Jornal da Saúde o facto de familiares de alguns pacientes passarem noites ao relento nos pátios de unidades sanitárias, com o pretexto de estarem próximo do seu parente doente, o médico desencorajou tal prática, alegando ser desnecessária e que o contacto permanente destas pessoas com o ambiente hospitalar pode representar um risco a sua saúde.

Franco Martins explicou que as pessoas em contacto permanente com estes ambientes estão expostas ao risco de contaminação por infecções nosocomiais, adquiridas nos hospitais e que acabam por ser graves, dada a resistência que os seus agentes causadores apresentam, por se desenvolverem nestes meios.

O director-geral do Hospital Municipal do Cazengo atribuiu tal comportamento a factores culturais e garantiu que os pacientes internados nas instituições hospitalares estão entregues aos cuidados de técnicos de saúde treinados, acrescentando que existem horários apropriados para que os familiares contactarem os pacientes e inteirarem-se da sua evolução clínica.

“É desnecessário ter pessoas a passarem noites fora da instituição, porque os pacientes estão a ser cuidados pelo pessoal de enfermagem”, sublinhou Franco Martins.

O responsável mostrou-se ainda preocupado com a permanência de familiares nas enfermarias, ocupando também camas como se fossem doentes e afirmou que esta prática não é saudável, visto que o hospital é um ambiente para doentes e também um local onde se pode adquirir doenças.

Segundo Franco Martins, estudos indicaram presença de colónias de bactérias nas roupas de camas hospitalares, mesmo depois de passarem pelo processo de esterilização. Por isso, é preocupante observar parentes de pacientes deitados em leitos hospitalares por, alegadamente, estarem a cuidar dos familiares internados nestas unidades.

 

Atenção aos doentes

O director-geral do Hospital Municipal do Cazengo garantiu que os hospitais prestam a atenção devida a todos os doentes, sem descriminação, não havendo motivos para a população se preocupar com o atendimento dos pacientes.

Franco Martins apelou à população para confiar na capacidade de atendimento das unidades sanitárias e no profissionalismo dos seus técnicos, advogando, por outro lado, a necessidade de educar as pessoas para que se abstenham desta prática. O médico responsável defende a criação de gabinetes de utente nas instituições sanitárias, para permitir que quem se sentir mal atendido possa apresentar as suas reclamações e se tomarem as medidas convenientes para evitar situações do género no futuro.

"Temos o dever de informar e de educar as pessoas sobre os riscos destas práticas, mas elas devem também fazer a sua parte e procurar cumprir com as normas de biossegurança impostas pelas unidades sanitárias", concluiu Franco Martins.

 

Noites ao relento

Maria Catunguno, cujo marido está internado no Hospital Provincial do Cuanza Norte, vítima de atropelamento no Zenza do Itombe, município de Cambambe, confessou que tem passado as noites ao relento, no pátio daquela unidade, por não ter onde se hospedar nem recursos financeiros para as viagens.

Segundo esta familiar, muitas outras pessoas, sobretudo as que acompanham pacientes transferidos de unidades sediadas nos municípios do interior da província, preferem passar as noites nos pátios dos hospitais, devido à falta de locais para se hospedarem e de recursos para as constantes deslocações desde a sua área de residência até Ndalatando, sempre que desejam ver o seu familiar internado

Já António Maurício, que acompanha o filho evacuado do centro de saúde da Banga, sugere a criação de centros de hospedagem para abrigar parentes de pacientes internados no Hospital Provincial e evitar que passem noites ao ar livre.

Por sua vez, o enfermeiro André Manuel disse que algumas pessoas recusam afastar-se dos parentes enquanto estão internados em instituições sanitárias, devido à tradição cultural e da lembrança dos tempos em que os hospitais ainda enfrentavam muitas dificuldades, com atendimento médico deficitário.

“Hoje, fruto dos investimentos do governo no sector, a situação é completamente diferente e a população não tem nada a recear relativamente ao atendimento que está a ser prestado ao seu familiar”, rematou André Manuel, acrescentando que todas as unidades sanitárias da província melhoraram os seus serviços e prestam um atendimento de qualidade e humanizado.

Este enfermeiro afirmou que o pretexto de mau atendimento por parte dos enfermeiros não corresponde à verdade, pois é dada atenção a todos os doentes.

 

Atendimento

humanizado

fez aumentar a procura

 O director-geral do Hospital Municipal do Cazengo, José Franco Martins, fez saber que o melhoramento da assistência médico-medicamentosa, bem como o atendimento humanizado dos pacientes fez aumentar a procura dos serviços naquela unidade sanitária.

O responsável destacou o papel dos enfermeiros e médicos que têm primado pela humanização do atendimento aos pacientes. “Agradeço muito aos nossos pacientes por afluírem à nossa unidade hospitalar, o que prova a confiança que os utentes depositam aos nossos profissionais de saúde e nos serviços que prestamos”, salientou.

Segundo José Franco Martins, essa confiança deve-se ainda à cordialidade no atendimento e humanismo dos profissionais, bem como aos novos serviços, permitindo, deste modo, fidelizar os utentes ao hospital.

Neste sentido, Franco Martins apelou aos técnicos de saúde daquela instituição para que melhorem cada vez mais as condições sanitárias, para satisfazer ainda mais as necessidades dos pacientes.

Com 70 camas para internamento, o Hospital Municipal do Cazengo realiza, em média, cerca de 200 consultas por dia. Conta com serviços de urgência, farmácia, consultas externas, medicina, pediatria, ginecologia e obstetrícia, morgue, sala de parto, consulta pré-natal, imunização, cuidados intermédios, laboratório, imagiologia, testagem voluntária e aconselhamento do VIH-Sida. Por inaugurar estão a hemoterapia e o bloco operatório.

Funcionam no Hospital Municipal do Cazengo 188 efectivos, distribuídos por diversas áreas de actividade, entre os quais 12 médicos e 92 enfermeiros.

 

 

 

 

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A funcionar desde Julho com novos serviços e condições ímpares para cirurgias

Hospital da Cela modernizado dispõe de tecnologia de ponta

 

Desde o mês de Julho, altura em que o hospital localizado em Kissanga-Kungo (província do Cuanza-Sul) entrou em funcionamento, “o nível de atendimento aos pacientes é mais digno, fruto das valências de que a unidade hospitalar dispõe”, reconheceu Menezes Manuel, explicando que o Hospital Municipal da Cela dispõe de equipamentos de última geração, capazes de dar resposta às várias necessidades dos pacientes. No passado, a solução quase exclusiva era a evacuação para os hospitais de referência do Cuanza-Sul e da província vizinha do Huambo.

“O Hospital Municipal da Cela está dotado de banco de urgência, consultórios de medicina geral para homens e mulheres, serviços de pediatria, cirurgia, radiologia, laboratório de análises clínicas, ortopedia, maternidade, três blocos operatórios e secção de canalização de oxigénio para as áreas cirúrgicas, sendo a única unidade hospitalar a dispor deste serviço na província do Cuanza-Sul”,disse Menezes Manuel. O hospital dispõe ainda de uma cozinha, refeitório e lavandaria, armazéns, além de outras áreas dos cuidados técnicos.

“Na área das intervenções cirúrgicas”, referiu o director de Enfermagem, “destaca-se o equipamento de laparoscopia”, que permite realizar cirurgias sem invadir desnecessariamente outras partes do corpo e que éum dos equipamentos mais modernos no mercado.

Segundo o responsável de Enfermagem, a capacidade de internamento do hospital é de 176 camas, seguindo padrões internacionais que recomendam a acomodação de quatro pacientes por cada sala de internamento. O corpo clínico que presta serviços nas instalações adaptadas é composto  por 10 médicos, 5 técnicos de diagnóstico e 107 enfermeiros de vários escalões. O atendimento médio diário é de 30 casos, sendo os mais comuns “paludismo, doenças diarreicas agudas e infecções respiratórias agudas, febre tifóide e traumatismos resultantes de acidentes de viação.”

O hospital tem garantia de abastecimento de energia e água durante as 24 horas do dia. As obras de reabilitação e ampliação da unidade hospitalar decorreram entre 2009 e Abril do ano passado, a cargo do grupo israelita Mitrelli, financiadas pelo Programa de Investimentos Públicos (PIP) do Governo angolano.

 

Médicos e população

satisfeitos

Thelmigue Figueredo Hemanes, médico de clínica geral, recordou ao Jornal da Saúde o trabalho que prestou no município da Cela,ao longo de 18 meses,“em condições precárias, pelo facto de a assistência aos pacientes ser feita em instalações provisórias, com vários riscos. O trabalhonos contentores foi um grande desafio, não só para os pacientes mas também para nós. Mas,desde Julho, a situação melhorou muito e agora estamos a trabalhar com condições dignas”, reconheceu.

Também Rosa Moutinho, moradora do Bairro Cinco, nos arredores da cidade do Wako-Cungo, elogiou as condições de assistência postas à disposição e o nível de atendimento recebido no hospital. “O hospital está mais moderno e os médicos já podem trabalhar em condições. Fui bem atendida”, frisou.

O director administrativo do Hospital Municipal da Cela, Domingos Policarpo Fonseca, afirmou que o plano analítico de classificação do pessoal, remetido à Secretaria do Governo da província e adequado à nova estrutura do hospital, define um aumento do quadro de pessoal para 250 enfermeiros, 109 já presentes, indo de encontro à dimensão da estrutura, dos equipamentos e dos diversos serviços que vão ser prestados na unidade hospitalar. O número de médicos necessários situa-se entre os 30 e os 50, de acordo as exigências que forem surgindo. Porém, a realidade actual é de 10 médicos que prestam serviços ao nível do município.

Domingos Fonseca Policarpo adiantou ao Jornal de Saúde que obom funcionamento do Hospital da Cela passa pela actualização do pessoal em relaçãoà utilizaçãodos equipamentos instalados. “Está a decorrer o processo de capacitação dos enfermeiros e outros técnicos sobre o manuseio dos novos equipamentos, para que possam prestar os serviços com a mais elevada competência”, explicou o director administrativo.

 

 

 

 

 

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A função das vitaminas e dos minerais

 

A Organização Mundial de Saúde define desnutrição como "o desequilíbrio celular entre o fornecimento de nutrientes e energia e as necessidades do organismo de forma a garantir o crescimento, manutenção e o desempenho de funções específicas". As mulheres e as crianças são os grupos mais severamente afectados; um quarto a metade das mulheres em idade fértil em África e no sul da Ásia têm um peso abaixo do recomendado, o que contribui para o elevado número anual de nascimentos de crianças com baixo peso.

São descritas duas manifestações de malnutrição proteica e energética (MPE). A distinção entre estas duas formas de MPE é baseada na presença (Kwashiorkor) ou ausência de edema (marasmus). O marasmo diz respeito ao aporte inadequado de proteínas e calorias, enquanto uma criança com Kwashiorkor, apesar de ter um aporte normal em calorias, tem um défice em proteínas.

 

Estatísticas

da malnutrição

A malnutrição é o maior factor de risco para doenças e morte, estando presente em mais de metade das crianças doentes no mundo inteiro. A malnutrição infantil foi associada a 54% da mortalidade nos países em desenvolvimento em 2001.

De acordo com a OMS, dos cerca de 113,4 milhões de crianças com idade inferior a 5 anos, a grande maioria, cerca de 112,8 milhões, vivem em países em desenvolvimento, nomeadamente 70% na Ásia e 26% em África. Para além disso, 165 milhões (29%) de crianças irão ter um desenvolvimento atrofiado no que diz respeito a comprimento/peso relacionado com malnutrição.

Na África Subsaariana, cerca de 30% das crianças têm MPE. Apesar das melhorias significativas a nível mundial na prevalência da malnutrição, as taxas de desnutrição e subdesenvolvimento continuaram a aumentar em África, tendo aumentado de 24% para 26,8% e 47,3% e 48%, respectivamente, desde 1990, com aumentos mais acentuados ocorridos na região oriental de África.Fisiopatologia

A malnutrição pode afectar todos os sistemas de órgãos do corpo. As proteínas que ingerimos através da dieta alimentar, fornecem os aminoácidos essenciais para a síntese de várias proteínas do corpo, essenciais por sua vez, na reparação e construção tecidular.

A energia é essencial em todas as funções bioquímicas e fisiológicas do organismo. Os micronutrientes tais como ferro, ácido fólico, vitamina A e D, iodo e zinco, são exemplo de alguns essenciais em vários processos metabólicos e enzimáticos do organismo.

A malnutrição diminui não só a resposta física e mental do organismo como também a sua função imunitária, podendo assemelhar-se sintomaticamente ao síndrome de imunodeficiência adquirida. A presença de doenças infecciosas gastrointestinais é um factor agravante da situação de malnutrição. As crianças malnutridas apresentam alterações na degradação da gordura pelo fígado, no desenvolvimento do coração, atrofia do intestino delgado e diminuição do volume intravascular, originando hiperaldosteronismo secundário.

 

Diagnóstico

da Malnutrição

As crianças são o alvo mais susceptível à malnutrição devido a múltiplos factores.

História clínica

­— A malnutrição proteico-energética (MPE) apresenta os seguintes sinais e sintomas clínicos:

­— Baixo aumento de peso.

­— Abrandamento do crescimento linear.

­— Alterações comporta-mentais - Irritabilidade, apatia, diminuição da interacção social, ansiedade e deficit de atenção.

­— A deficiência em alguns micronutrientes pode originar os seguintes sinais e sintomas:

­— Ferro - Fadiga, anemia, diminuição da função cognitiva, cefaleias, glossite, e alterações morfológicas das unhas.

­— Iodo - Bócio, atraso no crescimento físico e mental.

­— Vitamina D – Fraco crescimento, raquitismo e hipocalcemia.

­— Vitamina A – Cegueira nocturna, xeroftalmia, fraco crescimento e alterações no cabelo.

­— Folatos - Glossite, anemia (megaloblástica) e defeitos no tubo neural (em fetos de mulheres que não tiveram suplementação de folatos).

­— Zinco - Anemia, nanismo, hepatoesplenomegalia, hiperpigmentação e hipogonadismo, acrodermatite enteropática, resposta imunológica diminuída, dificuldade no processo de cicatrização de feridas.

 

Alterações

morfológicas – físicas

Diminuição do tecido subcutâneo das pernas, braços, nádegas e face. Inchaço das extremidades (mãos e pernas) podendo ser generalizado (anasarca). A boca pode apresentar estomatite angular, queilite, atrofia papilar. As áreas de trauma podem apresentar descamação da pele seca ou hiperpigmentação. As unhas podem ter fissuras ou estrias, podendo ter o aspecto de uma colher no caso de uma anemia ferropénica grave. O cabelo torna-se fino, escasso e frágil, caindo com facilidade, apresentando cor castanha a avermelhada. O abdómen pode estar distendido devido a organomegalias como o fígado, ou devido à fraqueza dos músculos abdominais.

Causas

­— A ingestão inadequada de alimentos é a causa mais comum de malnutrição em todo o mundo. A ausência de saneamento básico constitui um factor agravante para as crianças, aumentando o risco de contraírem doenças infecciosas que não só aumentam as perdas nutricionais como alteram as necessidades metabólicas.

­— As crianças com doenças crónicas têm um maior risco de ter problemas nutricionais devido a uma série de factores: anorexia que leva à ingestão inadequada de alimentos; aumento do processo inflamatório; aumento das necessidades metabólicas com consequente aumento das necessidades calóricas.

­— Qualquer doença crónica que envolva o fígado ou intestino delgado prejudica a o aporte de nutrientes ao alterar a absorção e a função digestiva.

­— Para além das referidas, as seguintes condições são por si um significativo factor de risco no desenvolvimento de deficiências nutricionais.

­— Prematuros

­— Atraso no desenvol-vimento

­— Exposição tóxica uterina (ex. exposição do feto ao álcool)

Investigação

A história clínica e o exame físico devem ser tidos em consideração antes do diagnóstico final. A seguinte avaliação deve ser feita:

­— Contagem completa de sangue (CBC) com índices RBC (glóbulos vermelhos) e esfregaço periférico, ESR, electrólitos no soro, análise de rotina da urina com cultura.

­— Albumina sérica, proteína de ligação ao retinol, pré-albumina, transferrina, creatinina e níveis de BUN (nitrogénio ureico sanguíneo). As proteínas de ligação ao retinol, pré-albumina, transferrina, são melhores indicadores de curto prazo do estado proteico do que a albumina. No entanto, na prática, a melhor indicação da malnutrição de longo prazo é a albumina sérica, devido ao seu longo Tsemi-vida.

­— Análise de fezes com cultura.

­— Níveis de zinco no caso de diarreia; nível de vitaminas e triglicéridos se houver suspeita da doença hepática; níveis de fosforo e cálcio e outros, no caso de existirem problemas renais.

Avaliação prática

nutricional

­— História clínica completa, incluindo uma história detalhada da dieta.

­— Indicadores de crescimento, incluindo peso e comprimento/altura; perímetro da cabeça em crianças com idade inferior a três anos.

­— Exame físico completo.

Indicadores sensíveis do estado nutricional

­— Medidas de altura-para-idade ou peso-para-altura superiores a 2 desvios-padrão abaixo da média para a idade.

­— Medidas de altura-para-idade ou peso-para-altura acima de 2 desvios-padrão e menores do que a média para a idade.

­— Medidas de altura-para-idade inferiores a 95% do valor esperado.

­— Medidas de altura-para-altura inferiores a 90% do valor esperado.

­— Crescimento inferior a 5 cm / y em crianças com idade superior a 2 anos.

­— Índice de massa corporal (IMC)

 

 

 

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Centro Médico Jesus Salva em Luena, Moxico

Humanizar os cuidados de saúde

 

"Os dois novos blocos a construir, dotados de seis gabinetes para consultas, sala de espera, sala para profissionais, sala vacinação e, ainda, uma secretaria, vão permitir melhorar significativamente o conforto dos cerca de 150 pacientes que atendemos diariamente, com mais privacidade, e dar mais atenção a cada indivíduo ", afirma o director clínico, João Emílio Palácio. No mesmo sentido, o director geral do Centro, Jorge Domingos Caiongo, sustenta que "mais espaço útil de atendimento evitará contágios de doenças entre pacientes".

 

O apoio da BP Angola

O apoio a este projecto de ampliação e os benefícios que trará às comunidades está a ser analisado pela equipa do Desenvolvimento Sustentável da BP Angola que se deslocou ao local no dia 30 de Julho.

Na visita que efectuaram, os conselheiros José Fernandes e Joyce José, acompanhados pelo responsável da Conformidade da BP, Sebastião Rocha, tiveram a oportunidade de observar in loco o dia-a-dia do Centro Médico. Constataram o grande afluxo  de utentes - a contrastar com a exiguidade do espaço -, a higiene das instalações, as consultas ininterruptas, o funcionamento do laboratório, a organização do arquivo, a dedicação dos profissionais de saúde e o bom estado de conservação das infra-estruturas construídas na 1ª fase da sua reabilitação, já concluída.  Este primeiro projecto - orçado em USD 117 mil, dos quais USD 110 mil foram financiados pela BP Angola - ¬permitiu construir uma sala de Raio X (que necessita ainda de uma blindagem para a protecção radiológica),   uma sala de formação equipada com projector, uma cantina, uma casa mortuária, adquirir equipamento para o laboratório, um  gerador, levantar um muro em todo o perímetro do Centro, pintar e, ainda, desenvolver uma acção de formação que capacitou 18 enfermeiros e técnicos.

 

Programas sanitários

O Centro Médico IEIA Jesus Salva foi construído em 2002, e reabilitado em 2004, "no quadro das relações institucionais entre as igrejas evangélicas de Angola e da Argentina  para atender às necessidades sanitárias da população do Moxico", segundo o pastor Fernando Rodrigues Saihemba. Actualmente, "desenvolve programas de imunização, mal nutrição, controle pré-natal, assim como de atenção às pessoas com tuberculose e lepra, em articulação com a Direcção Provincial de Saúde", diz-nos a enfermeira missionária Mónica Liliana Diaz.

A malária, a diarreia aguda, a infecção respiratória aguda e as dermatoses são as patologias com maior incidência nas crianças consultadas no Centro. Nos adultos, a malária ocupa também a primeira posição, seguida da hipertensão arterial, diabetes e doenças de transmissão sexual, segundo o seu director clínico, João Palácio.

 

Meios humanos

e materiais

Localizado no bairro Alto Campo, ao norte da cidade de Luena, o Centro Jesus Salva, com uma capacidade de 20 camas de internamento,  atende uma população de cerca de 4.000 pessoas. Conta com cinco gabinetes para consultas externas (quatro de medicina geral e um de gineco-obstetrícia), uma sala de vacinação, laboratório, vestuário, farmácia, arquivo, administração e duas casas de banho.  Dispõe de um banco de urgência com três camas e quatro  salas de internamento com 17 camas (pediatria com sete camas, mulheres com três, homens com três e de observação com quatro).

Para além de um director geral e um administrador, o Centro conta com o trabalho de dois médicos clínicos missionários especializados em doenças tropicais, uma médica missionária ginecologista, 19 técnicos enfermeiros, um técnico de laboratório, dois assistentes médicos , três auxiliares de limpeza e cozinheira, dois trabalhadores de manutenção , dois guardas e dois jardineiros.

O preço das consultas varia entre 500 para a pediatria a 1.500 kwanzas quando se trata de uma especialidade como a ginecologia. Uma consulta norma de um adulto custa 1.000 kwanzas.

A rede sanitária na província do Moxico, e na cidade do Luena em particular, é débil. Consequentemente, o acesso aos serviços de saúde com qualidade é deficiente.  O Centro Médico Jesus Salva responde concretamente a esta necessidade gritante das comunidades beneficiárias. Depois do Hospital Central do Luena (em obras de reabilitação e ampliação), o Centro Jesus Salva é o segundo maior na cidade do Luena.

 

 

 

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O peso global da doença na África subsariana – O perfil de Angola

 

O Peso Global da Doença (PGD) é uma medida usada para avaliar e comparar o impacto relativo de diferentes doenças e lesões nas populações, através da quantificação da perda de saúde devido às doenças e lesões que permanecem após o tratamento, reabilitação ou os esforços de prevenção do sistema de saúde e da sociedade em geral (1). O PGD é uma abordagem sistemática e científica para quantificar a magnitude comparativa da perda da saúde devido a doença, lesões e factores de risco, por idade, sexo e geografia, durante períodos específicos, à escala global.

A mais recente repetição deste esforço foi publicada na revista The Lancet, em Dezembro de 2012 (2). A intenção foi a de criar um bem público global, que pudesse ser útil para informar o planeamento dos sistemas de saúde e o desenvolvimento de políticas de saúde pública. Este instrumento de análise avaliou a morte e a incapacidade prematuras devido a 291 doenças e lesões, a 1160 sequelas (consequências directas das doenças e lesões) e a 67 factores de risco, para grupos de 20 anos de idade e de ambos os sexos, em 1990, 2005 e 2010.

O PGD de 2010 (3) produziu estimativas para 187 países e 21 regiões. No total, o estudo gerou mais de 1 bilião de estimativas de resultados de saúde. O PGD de 2010 foi um esforço colaborativo entre 488 pesquisadores de 50 países e 303 instituições, que teve como coordenador central o Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), ao qual foi solicitada e concedida a devida autorização para uso dos dados na elaboração deste artigo.

Para assegurar que os sistemas de saúde se mantenham adequadamente alinhados com as necessidades de saúde das populações, os decisores políticos devem ser capazes de comparar os efeitos das diferentes doenças que causam incapacidade e mortes prematuras na população.

Os criadores do estudo original do PGD desenvolveram uma medida agregada, a incapacidade ajustada aos anos de vida (DALYs) 1 para quantificar o número de anos de vida perdidos como resultado tanto da morte prematura como da incapacidade.

Este artigo tem como propósito único, tornar acessível aos leitores interessados a divulgação do perfil de doenças que representam as principais causas de morbilidade e de mortalidade na região da África Subsariana e compará-las com o perfil da sociedade Angolana, de forma a fornecer um quadro realista da carga da doença e apreciar as áreas onde a performance dos sistemas de saúde deve melhorar, bem como dar visibilidade dos ganhos de saúde alcançados em ambos os contextos geográficos.

 

O perfil da África

subsariana

Ao longo das duas últimas décadas, o cenário global da saúde passou por uma rápida transformação. A par do crescimento demográfico, as pessoas em todo o mundo vivem mais tempo, pelo que a faixa populacional dos idosos e muito idosos, tem vindo a aumentar gradualmente. Muitos países da região fizeram progressos notáveis na prevenção da mortalidade infantil. Como resultado, o peso da doença é cada vez mais definido por incapacidades (morbilidade) do que pela mortalidade prematura. As principais causas de morte e incapacidade, que nas crianças resultavam de doenças transmissíveis, transitaram para as doenças não transmissíveis (crónicas) dos adultos.

Enquanto existem tendências claras a nível global, há uma variação substancial entre as diferentes regiões e países do mundo, sendo de enfatizar que em nenhuma outra parte do mundo é este contraste mais evidente do que na África Subsariana, onde as doenças transmissíveis, maternas, nutricionais e dos recém-nascidos continuam a ser dominantes. Nesta região, o progresso dramático verificou-se, sobretudo, na redução da perda de vidas resultantes de muitos tipos de doenças transmissíveis da infância, em particular as doenças diarreicas e infecções respiratórias. Estas doenças ainda representam a maior perda de saúde na região mas os seus encargos relativos são muito menores do que há 20 anos. Analisemos, pois, alguns dos principais achados epidemiológicos da África Subsariana [Ver Tabela A da Figura 1]:

—A região Subsariana tem feito um progresso global na redução da mortalidade e no prolongamento da esperança de vida desde 1970; no entanto, alguns países apresentaram elevadas taxas de mortalidade dentro de determinadas faixas etárias e por sexos, entre 1990 e 2010. Moçambique, por exemplo, registou um aumento das taxas de mortalidade nas mulheres entre os 25 e 29 anos.

­—Nos últimos 20 anos, a região conseguiu reduzir a mortalidade prematura e a incapacidade por algumas doenças transmissíveis do recém-nascido, nutricionais e maternas, particularmente, por doenças diarreicas e infecções respiratórias baixas. Em toda a região, as mortes por sarampo e tétano têm substancialmente declinado desde 1990. A malária e o VIH/SIDA foram responsáveis por maiores perdas de saúde em 2010 do que em 1990 mas ambas as doenças atingiram o pico entre 2000 e 2005, na maioria países.

­—Embora os respectivos pesos relativos tenham diminuído, as doenças transmissíveis do recém-nascido, nutricionais e maternas, tais como as doenças diarreicas, infecções respiratórias baixas e desnutrição proteico-calórica, continuaram a ser as principais causas da perda de saúde na maioria dos países da África Subsariana, especialmente nos de baixo rendimento, como o Níger e a Serra Leoa.

­— Entre 1990 e 2010, o peso da doença resultante de muitas doenças não-transmissíveis aumentou entre os países da região com rendimento médio-alto, em particular o acidente vascular cerebral, a depressão, a diabetes e a doença cardíaca isquémica.

­— À medida que muitos países da África Subsariana se tornaram mais desenvolvidos, as lesões por acidentes de viação registaram um crescimento em termos de impacto na saúde das populações. Muitos países experimentaram um aumento dos níveis de violência interpessoal, nomeadamente na República Democrática do Congo e Lesoto. Na Somália e no Sudão, conflitos passados e em curso resultaram em níveis mais elevados de perda de saúde, devido à guerra.

­— Na maior parte da África Subsariana, uma percentagem maior de anos de vida saudável foi perdida por incapacidade em 2010, em comparação com 1990. As principais causas de incapacidade na região, tais como a depressão e a dor lombar, foram bastante consistentes com as principais causas a nível global. Contudo, as doenças transmissíveis como VIH/SIDA e a malária foram responsáveis por uma proporção maior de incapacidades na África Subsariana do que no resto do mundo. Em 2010, as deficiências nutricionais, especialmente a anemia por défice de ferro, contribuiu com cerca do dobro da perda de saúde na África Subsariana, em comparação com os dados globais. Esta tendência foi verificada, principalmente, nos países de baixo rendimento e não foi identificada nos países de rendimento médio-alto da região, como as Maurícias e as Seychelles.

­— A subnutrição e a poluição do ar doméstico figuravam entre os principais factores de risco de morte prematura e incapacidade na África Subsariana. Na maioria dos países, foram feitos progressos substanciais na redução de riscos, tais como o baixo peso na infância, na amamentação sub-óptima e nos défices vitamínicos, de tal forma que o peso relativo de cada um destes riscos diminuiu entre 30% e 50% nos últimos 20 anos. No entanto, estes factores de risco permanecem como os três principais responsáveis da perda de saúde em toda a região, especialmente entre os países de baixo rendimento.

­— O uso de álcool, a hipertensão arterial e o tabagismo também foram os maiores contribuintes para a perda de saúde em muitos países da África Subsariana. Entre os países da região com rendimento médio-alto, como o Gabão e a África do Sul, a glicémia de jejum e o índice de massa corporal elevados foram responsáveis por uma maior perda de saúde. Nos países de baixo rendimento, como a República Centro-Africana, o baixo peso na infância foi o principal factor de risco a condicionar encargos de saúde mais elevados.

Estes dados, na sua globalidade, reflectem progressos no controlo de algumas doenças, ao mesmo tempo que evidenciam o aumento da prevalência de outras, particularmente, os factores de risco e as doenças crónicas que lhes estão associadas, o que suscita o problema de os governos desta região do Globo terem de combater um duplo peso da doença, o que os confronta, certamente, com cenários de escolhas e opções nem sempre fáceis.

 

O peso global da doença

 – O perfil de Angola

Importa, agora, analisar o perfil de Angola (5) no contexto regional em que temos vindo a apresentar os dados [Ver Figura 1 – Tabela B]. Em termos gerais, são notórios progressos similares aos da região.

Perfil global

Quanto ao número de anos de vida perdidos devido à morte prematura (YLLs) em Angola, as doenças diarreicas, a malária e as infeções respiratórias baixas também constituíram as principais causas do PGD classificadas em 2010.

Uma das 25 principais causas do peso da doença medida pelo DALYs, a sífilis revelou a maior descida, caindo cerca de 59 por cento entre 1990 e 2010. O principal factor de risco em Angola é o baixo peso na infância.

 

Causas de morte

prematura

Os anos de vida perdidos (YLLs) quantificam a mortalidade prematura, avaliando as mortes nos mais jovens em detrimento das mortes nos mais idosos. O gráfico “Classificação das 25 causas de anos de vida perdidos (YLLs) de 1990 a 2010, Angola” mostra-nos as mudanças entre 1990 e 2010 nas 25 principais causas de anos de vida perdidos devido à mortalidade prematura. As linhas sólidas indicam que a causa subiu ou permaneceu estacionária na classificação. As linhas tracejadas indicam que a causa baixou na classificação. A cor azul indica como causas de morte as doenças não transmissíveis, a verde as lesões e a vermelha as doenças transmissíveis, neonatais, maternas e nutricionais.

Note-se que a malária teve uma subida na classificação, mas a que teve uma subida mais expressiva no grupo das doenças transmissíveis foi o VIH/SIDA, que subiu da 24ª para a 4.ª posição.

No grupo das doenças crónicas, a doença isquémica cardíaca e a DPOC permaneceram praticamente estacionárias, tendo sido a diabetes a patologia que mais subiu na classificação, de 35.ª para 23.ª, resultados que devem ser encarados como alerta para o planeamento proactivo de programas que contemplem uma apropriada alocação de recursos no futuro.

 

Mortalidade

de todas as causas

A mortalidade de todas as causas [ver Figura 2) sofreu um declínio em todas as faixas etárias. Os pontos mais elevados no gráfico indicam que esses declínios foram mais rápidos nesses grupos etários, entre 1990 e 2010. A maior redução na taxa de mortalidade de todas as causas verificou-se no sexo feminino, nas idades entre 1-4 anos (75%). As mulheres com idade igual ou superior a 80 anos registaram a redução mais baixa da taxa de mortalidade (18%).

 

Anos vividos com

incapacidade (YLDs)

Os anos vividos com incapacidade (YLDs) são estimados avaliando a prevalência de diferentes doenças com base na gravidade. As 5 causas principais de YLDs em Angola foram a depressão major, a lombalgia, a anemia ferropénica, a malária e a DPOC. Na avaliação deste indicador as causas estão agregadas, pelo que, por exemplo, as perturbações músculo-esqueléticas incluem a lombalgia e a cervicalgia.

 

Anos de vida ajustados

à incapacidade (DALYs)

Os anos de vida ajustados à incapacidade quantificam tanto a morte prematura (YLLs) como a incapacidade (YLDs) dentro da população. Em Angola, as três causas principais de DALYs em 2010 foram as doenças diarreicas, a malária e as infecções respiratórias. O VIH/SIDA e as lesões por acidentes de viação figuram nas 10 principais causas de DALYs em 2010, o que não se verificava em 1990.

As 25 principais causas de DALYs [Figura 3] estão classificadas da esquerda para a direita, de acordo com o número de DALYs com que contribuíram em 2010. As colunas para cima mostram a percentagem de aumento do DALYs desde 1990. As colunas para baixo mostram a percentagem de diminuição o DALYs, no mesmo período.

Note-se que, globalmente, as doenças não transmissíveis (crónicas) e as lesões traumáticas sofreram um aumento generalizado, enquanto as doenças transmissíveis, maternas, neonatais e nutricionais com causa de DALYs sofreram um declínio generalizado, sinal positivo de que as políticas governamentais estão a produzir os efeitos preconizados no Decreto Presidencial 162/10, que consigna as estratégias da Política Nacional de Saúde. Mas os números reclamam que se preste uma maior atenção às doenças crónicas de prevalência crescente e que, em conformidade, se definam políticas activas, dirigidas às causas responsáveis pelo seu crescimento, como forma de se conseguir uma redução mais efectiva das suas cargas a médio-longo prazo.

 

Comentários

Este quadro do Peso da Doença em Angola [Figura 3], fornece, inequivocamente, uma base de evidência para suportar as tomadas de decisão estratégicas prioritárias do MINSA e reflecte as estratégias definidas no Decreto Presidencial n.º 162 de 2010, no qual se identificam as patologias que representam o principal peso da doença em Angola.

Importa, contudo, comentar o baixo poder discriminativo da análise na classificação da Tabela A e B [Figura 1], pela ausência da Hipertensão Arterial como entidade nosológica autónoma responsável por anos de vida perdidos (YLLs).

Embora os números variem de estudo para estudo, a prevalência da HTA na África Subsariana é da ordem dos 16,2 por cento, de acordo com uma análise de 11 países da região (6), sendo mais elevada em Angola, de acordo com as limitações (base regional) do único estudo publicado de prevalência da HTA em Angola, estimada em por cento (7).

Assim, ainda que a HTA esteja agregada ao AVC e à doença isquémica cardíaca, a sua relevância epidemiológica nacional justificaria a sua desagregação.

Um comentário semelhante é aplicável ao Índice de Massa Corporal e à obesidade, cujas prevalências estão a aumentar no continente africano (8) e em Angola (9), itens que também não figuram na classificação.

O estudo elege 13 países, entre os quais Egipto, Guatemala, Arménia, Maldivas, Suazilândia, Paraguai e Síria, entre outros, com os quais o perfil de Angola é comparado, posicionando-se Angola no 13.º lugar quanto às taxas padronizadas de mortalidade ajustadas à idade e em 14.º quanto à taxa padronizada de anos de vida perdidos ajustados à idade.

Admitindo que as potenciais fontes de variações verdadeiras entre os países podem incluir não só diferenças na dimensão e estrutura das populações mas também diferenças reais na epidemiologia das doenças ao longo do tempo e nos pesos da incapacidade, a comparabilidade entre estes países suscita alguma perplexidade.

De acordo com Polinder (10), tendo em conta estas limitações metodológicas, os estudos sobre o peso da doença não são comparáveis, pelo que a leitura da classificação exige alguma reserva interpretativa.

 

 

 

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