MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Um marco histórico

A proclamação da Ordem dos Farmacêuticos de Angola

 

O mês de Outubro vai testemunhar um marco histórico de enorme relevância no sector da saúde em Angola: a proclamação da Ordem dos Farmacêuticos e a tomada de posse do seu Bastonário e demais órgãos sociais.

 

E porque é importante?

 

Porque era imprescindível uma entidade que regulamentasse o exercício da profissão farmacêutica que, no país, já conta com 241 profissionais. Que atribuísse o título profissional de farmacêutico. Que os unisse e dignificasse.

 

Porque questões como a ética, a deontologia profissional, a qualidade do medicamento dispensado, são cruciais no actual estádio de desenvolvimento deste sector em Angola.

 

Porque o farmacêutico é um profissional de saúde de formação avançada no uso do medicamento e na avaliação dos seus efeitos.

 

Porque o seu objectivo principal é defender a saúde pública.

 

Porque enquanto profissional que integra o sistema de saúde, o farmacêutico tem a responsabilidade de promover o direito a um tratamento com qualidade, eficácia e segurança, e ao mais baixo preço.

 

Porque deve assegurar a máxima qualidade dos serviços que presta e garantir que a população usufrui de um benefício terapêutico máximo resultante do tratamento com medicamentos.

 

Porque tem como funções fundamentais a dispensa de medicamentos, de outros produtos de saúde e de cuidados farmacêuticos, a dispensa de informação e aconselhamento ao doente, e a monitorização dos efeitos do uso do medicamento.

 

Porque o farmacêutico deve ter conhecimentos, capacidades e atitudes adequados às funções que desempenha. Deve manter-se informado aos níveis profissional e científico, de modo a poder assumir um nível de competência ajustado à prestação de uma prática farmacêutica eficiente.

 

Porque a sua formação deve encontrar respostas adequadas às exigências colocadas pelas sociedades, nomeadamente o comportamento dos cidadãos, as novas tecnologias de informação e a evolução técnico-científica na área da saúde.

 

Porque os seus conhecimentos, capacidades e competências permitem-lhe intervir em todas as fases do circuito do medicamento: investigação e desenvolvimento, produção, controlo de qualidade, regulamentação, distribuição, dispensa e farmacovigilância.

 

Ora, para tudo isto, a existência de uma Ordem actuante e activa é fundamental.

Seja muito bem-vinda!

 

Voltar

 

Declaração de Beijing

Gigante asiático reforça cooperação na área da saúde

 

Os ministros da Saúde de África que participaram no Fórum China-África para o Desenvolvimento da Saúde, entre 15 e 17 de Agosto, consideraram que a Declaração de Beijing produzida neste encontro é uma plataforma importante e um mecanismo eficaz para o diálogo com a República Popular da China.

 

Segundo o documento a que o JS teve acesso, os ministros afirmaram que a Declaração joga um papel importante na promoção da cooperação sanitária, pelo que se propõem a desenvolver esforços para mantê-lo como ferramenta sempre actual e a criar mecanismos para a avaliação das decisões daí emanadas, reforçando assim as relações em matéria de saúde.

O Fórum China-África para o Desenvolvimento da Saúde – Beijing 2013 assinalou o 50º aniversário da cooperação chinesa com a África na área da saúde, que ficou marcado com o envio da primeira missão médica à Argélia no ano de 1963.

A “Declaração de Beijing” salienta que a saúde constitui um elemento importante no âmbito do desenvolvimento social e é fundamental para o desenvolvimento integral do ser humano.

“Os governos devem aumentar os orçamentos para o sector da saúde visando o alcance mais rápido possível das metas de desenvolvimento do milénio”, lê-se no documento.

Trocas de experiências

e bolsas de estudo

Ao ser reafirmada a necessidade do reforço da cooperação sino-africana na saúde, o documento assinala que devem merecer destaque áreas como o desenvolvimento dos recursos humanos, a promoção de trocas de experiências e cooperação entre as várias instituições académicas e de investigação, bem como a atribuição de bolsas de estudo e o estabelecimento de parecerias na área clínica.

A cooperação na área da medicina tradicional, a criação de laboratórios de pesquisa conjunta, a definição de uma conduta ética no domínio da saúde, o convite a jovens investigadores para trabalharem na China e vice-versa, o apoio a políticas e programas de pesquisa para a cobertura universal, bem como o estabelecimento de um sistema de informação em saúde deverão ser igualmente preocupações dos governos da China e de África.

 

Combate à doença

No que concerne ao combate à doença, os participantes ao Fórum China-África comprometeram-se a desenvolver esforços para a prevenção das doenças transmissíveis e não transmissíveis e a reforçar os programas de imunização e a luta contra as enfermidades evitáveis por vacinação.

A “Declaração de Beijing” destaca ainda que a China, sempre que solicitada, deverá construir estruturas sanitárias que se adaptem à realidade africana e as partes deverão incentivar as relações entre empresas chinesas e africanas, encorajar a transferência de tecnologias nas diversas áreas da medicina e da saúde, nomeadamente nos produtos farmacêuticos, vacinas, medicamentos e equipamentos, visando a análise à disponibilidade de tudo isso, com qualidade e a preços competitivos.

Angola participou no Fórum Sino-Africana para a saúde com uma delegação chefiada pelo ministro da Saúde, José Vieira Van-Dúnem, que se fez acompanhar de alguns directores nacionais e técnicos seniores do sector que dirige.

 

Relações crescem

O Ministro da saúde, José Van-Dúnem, considerou, em Beijing, que as relações entre a República Popular da China e Angola no sector da saúde têm crescido significativamente, sobretudo na reabilitação de infra-estruturas e desenvolvimento, facilitando às populações o acesso rápido dos cuidados de saúde.

O governante discursava no Fórum Ministerial China-África sobre saúde e desenvolvimento que decorreu na capital chinesa, de 15 e 17 de Agosto.

“Nós apreciamos muito a contribuição da China para o desenvolvimento do sistema de saúde em Angola, e espero que este Fórum contribua ainda mais no aumento do espírito existente de parceria e de cooperação para o desenvolvimento da saúde entre a China e Angola”, disse José Van-Dúnem.

Na sua intervenção, o Ministro informou sobre os progressos realizados no país. Em relação ao controle do VIH/SIDA, o governante disse que “o nível de prevalência manteve-se abaixo de 2%” e fizeram-se “progressos significativos na expansão da cobertura das intervenções e redução na transmissão mãe-criança de HIV e da prestação de tratamento anti-retroviral”.

José Van-Dúnem disse ainda que tem havido uma redução do peso da malária e uma diminuição significativa da morbilidade e mortalidade relacionadas.

O Ministro afirmou também que há mais de dois anos que Angola é livre da poliomielite, como resultado de grandes esforços e acesso a vacinas de rotina, incluindo a introdução de novas vacinas em conformidade com o Plano de Acção da OMS Vaccine Global.

 

China vai enviar médicos

A vice-primeira-ministra chinesa, Liu Yandong, que presidiu à cerimónia de abertura, prometeu que os acordos assinados pelo presidente chinês Xi Jinping ao visitar o continente africano serão implementados.

No seu discurso, Liu Yandong defendeu que o reforço da cooperação na área de saúde é indispensável para desenvolver um bom relacionamento com a África e é também vital para manter os interesses dos povos chinês e africanos. “A China vai enviar médicos e formar quadros para melhorar o nível das condições de higiene dos países africanos, além de continuar a promover os projectos de tratamento médico”, concluiu.

 

Voltar

 

Angola forma técnicos de saúde em Portugal

Baixar a mortalidade materno-infantil é o grande objectivo

 

O ministro da Saúde, José Van-Dúnem, revelou, em Coimbra, que vão ser formados nesta cidade técnicos de saúde angolanos, no âmbito da estratégia que Angola está a adoptar para reduzir a taxa de mortalidade materna e infantil.

 

O governante falava, o mês passado, numa conferência de imprensa, com o presidente do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, José Martins Nunes, depois de ter visitado o Centro de Simulação Biomédica e a Unidade de Telemedicina do Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar.

Sensibilizado com as possibilidades que o Centro de Simulação Biomédica apresenta, principalmente para resolver um dos problemas com que Angola se confronta, que é a formação rápida de enfermeiras parteiras, José Van-Dúnem adiantou que a formação dos primeiros técnicos angolanos daquela área será iniciada dentro de muito pouco tempo, cerca de 15 dias.

“Temos um compromisso até 2015 e queremos aproveitar este ciclo de quase dois anos” para "acelerar" o combate à mortalidade materno-infantil, sublinhou.

“Queremos formar 240 parteiras, numa primeira fase, e outros técnicos de saúde, mas começamos pelas parteiras” porque essa estratégia “deu bons resultados em outros lados”, como "em Portugal”, e portanto, vão ser replicadas acções que “já funcionaram bem”.

Angola está “a fazer um esforço gigantesco para a reconstrução e a área da saúde é uma prioridade absoluta do executivo”, o que implica “investir na formação de técnicos de saúde”, no caso concreto do combate à mortalidade materno-infantil, de enfermeiras parteiras, que “deverão estender a sua atividade ao longo do país”, sustentou o governante.

A taxa de mortalidade materno-infantil em Angola é de 140 em 1000, uma “taxa muito alta”, reconhece o ministro da Saúde, sublinhando que, no entanto, esse índice já foi superior a 400 em 1000. Na época, Angola “estava em guerra, mais de 70% da rede sanitária estava destruída” e “os profissionais de saúde estavam concentrados” nos grandes centros do litoral, essencialmente por motivos de segurança, explicou o ministro.

“Felizmente a tendência tem sido a redução” daquelas taxas e “queremos acelerá-la”, salientou José Van-Dúnem.

Durante a visita do ministro à Unidade de Telemedicina do Hospital Pediátrico, instalada no “moderno e muito bem equipado” Hospital Pediátrico de Coimbra, decorreu “uma teleconferência” entre este estabelecimento e o “Hospital Pediátrico David Bernardino para discutir um caso de cardiologia pediátrica”, revelou José Van-Dúnem.

Esta “feliz coincidência” revela que “a cooperação” nesta área, entre Coimbra e Angola, “já vem de longe e que se tem vindo a consolidar”, sustentou o governante, manifestando votos para que com esta "visita se acentue essa cooperação”.

 

 

Voltar

 

Laboratórios farmacêuticos portugueses com oportunidades em Angola

 

No âmbito da visita oficial que realizou recentemente a Portugal, o ministro da Saúde, José Van-Dúnem, disse, em Lisboa, que há um grande mercado em Angola para ser explorado pelas empresas farmacêuticas e pelo ramo da saúde privada de Portugal, havendo também oportunidades para os profissionais de saúde.

"A indústria farmacêutica e a indústria dos serviços de saúde (de Portugal) têm muitas oportunidades em Angola", disse o governante.

"Angola quase não produz medicamentos e o mercado está quase virgem. Uma das exigências na produção de medicamentos é que a rotulagem e as bulas sejam em português e quem produz em português já parte com esta vantagem", que Portugal deveria aproveitar, disse Van-Dúnem.

O ministro referiu que Portugal fabrica medicamentos com qualidade e "as pessoas já estão habituadas aos medicamentos portugueses", sendo uma grande oportunidade para a indústria farmacêutica portuguesa essa "preferência da maior parte da população" angolana.

“Por outro lado, as instituições de formação portuguesas poderão ser parceiras importantes para reforçarem situações de formação em Angola. É outra área que temos muitas expectativas", afirmou o ministro

Programa intenso

Durante o evento no Infarmed, foi apresentado o Fórum dos Reguladores de Medicamentos do Espaço Lusófono (Farmed), que foi criado em Maio deste ano, em Luanda, e que terá sua primeira sessão plenária a 28 de Novembro, em Lisboa.

A delegação do Ministério da Saúde de Angola, de que fez parte o director nacional dos Medicamentos e Equipamentos, o director-geral do Instituto Nacional de Emergências Médica e o responsável nacional dos Serviços de Saúde, entre outros dirigentes angolanos, deslocaram-se à Direcção-geral da Saúde, em Lisboa, onde lhes foram apresentados os programas prioritários do Plano Nacional de Saúde e a Linha Saúde 24.

 A delegação angolana visitou ainda, em Lisboa, o Centro Hepato-Bilio-Pancreático e Transplantação do Curry Cabral, a unidade de cuidados materno-infantis do Hospital de Santa Maria, além da referida deslocação ao Infarmed e ao Laboratório de Comprovação de Qualidade dos Medicamentos.

 A comitiva deslocou-se ainda a Coimbra, com uma visita ao Centro Hospitalar e Universitário onde conheceu os detalhes sobre a formação de farmacêuticos, produção de medicamentos e tecnologias de informação aplicadas à saúde. A delegação foi igualmente recebida no Centro Hospitalar de S. João e na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. O ministro José Van-Dúnen visitou também a unidade de radioterapia no Instituto de Oncologia do Porto, o Instituto Nacional de Emergência Médica e o Instituto de Higiene e Medicina Tropical.

 

 

 

Voltar

 

Huambo une esforços contra a hipertensão arterial

 

A Hipertensão Arterial afecta progressivamente camadas mais jovens. As autoridades sanitárias no Huambo unem esforços para travar a crescente incidência que assola preocupantemente as famílias angolanas.

 

Os estudos sobre os riscos e as medidas de profilaxia das doenças cardiovasculares foram minuciosamente abordados na província do Huambo nos dias 23 e 24 de Agosto, durante as 2as. Jornadas de Cardiologia. A actividade foi realizada pela Direcção Provincial da Saúde, em parceria com a Sociedade Angolana de Doenças Cardiovasculares e teve, entre outros, o objectivo de reforçar o alerta à população sobre os riscos das doenças relacionadas com o coração e vasos sanguíneos. O número elevado de jovens entre os 20 e os 30 anos afectados pela hipertensão foi uma das preocupações referidas durante o encontro nomeadamente pelo Director Provincial de Saúde, Frederico João Carlos Juliana, que se mostrou ciente da “susceptibilidade que tem a população africana na região subsariana, e em particular no nosso país, por padecer de doenças não transmissíveis, com destaque para as cardiovasculares, diabetes e cancro.”

O Director Provincial da Saúde avançou que as doenças cardiovasculares continuam a ser das primeiras causas de mortalidade e constituem um factor importante de morbilidade já que causam uma incapacidade permanente, causando assim sofrimento a muitos angolanos e às suas famílias. Destacou o estilo de vida e os padrões de comportamento adequados como sendo essenciais para a prevenção das doenças cardiovasculares, e assegurou que a missão é fazer com que os serviços sanitários estejam o mais próximos possível das populações. Segundo afirmou, vários programas de educação, informação e comunicação para a promoção e prevenção da saúde serão levados a cabo sob sua direcção, tendo como objectivo “criar uma consciência mais clara sobre os factores de risco como o sedentarismo, tabagismo, obesidade, consumo excessivo de álcool, ingestão inadequada de sal, desconhecimento da hipertensão arterial e outros factores de risco cardiovasculares.”

O rastreio teve como principal finalidade informar e educar os cidadãos para a prevenção das doenças crónicas que progressivamente afectam a saúde, de acordo com a coordenadora da Sociedade Angolana de Doenças Cardiovasculares, Yona Assis. Lembrou: “é importante passar a informação e educar as pessoas para que possam prevenir-se. Explicar-lhes como evitar as doenças cardiovasculares e despertá-las para este problema. Quanto aos já afectados queremos que saibam como manter o estado de saúde mesmo tendo alguma patologia do foro cardiovascular.”

 

A hipertensão

mede-se, não se sente

Quanto à hipertensão, segundo Yona Assis, a ausência de sintomas e sinais em indivíduos afectados no estágio inicial da patologia constitui grande dificuldade, pois só se pode aperceber que com ela vive quando aparecem sinais graves como a trombose, entre outros. Por este motivo, a responsabilidade individual deve ser no sentido de periodicamente controlar os níveis da tensão arterial medindo-a regularmente, tendo em conta que indivíduos acima dos 45 anos, sobretudo, devem medi-la quinzenalmente, e quem faz exercício físico deve controlar os níveis de tensão arterial antes e após a actividade. É ainda importante pautar por uma boa conduta nutricional e física, sendo que tanto uma correcta alimentação como a prática de exercício físico são imperativos na manutenção da qualidade de vida. “A hipertensão mede-se não se sente”, concluiu.

 

Actividade de rastreio

As 2as. Jornadas de Cardiologia no Huambo arrancaram com uma actividade de rastreio no centro da cidade que contou com a participação activa de estudantes e professores da Faculdade de Medicina da Universidade José Eduardo dos Santos, do Projecto Sorriso executado pela ONG Amosmid, e da Direcção Provincial da Saúde. Foram feitas medições de tensão arterial, testes de glicémia, medições do perímetro abdominal como medida de atenção à obesidade, e foram ainda introduzidas palestras de prevenção bucal. A aderência ao evento foi de mais de quinhentas pessoas, entre os 20 e 65 anos maioritariamente, e segundo o balanço final foram atendidos mais de 510 pacientes.

 

Balanço positivo

No Huambo, o balanço das Segundas Jornadas de Cardiologia é muito positivo, considerando o número de participantes e o seu envolvimento nas actividades propostas, e o objectivo é que a iniciativa seja estendida a todas as províncias do país. Com actividades do género, a Sociedade Angolana de Doenças Cardiovasculares pretende elaborar um mapa sobre o perfil da população angolana e, posteriormente, ajudar o executivo de Angola na implementação de medidas para a redução das referidas patologias, bem como assistir os doentes de hipertensão e de outras patologias crónicas.

 

 

 

 

Voltar

 

Boaventura Moura, em vésperas da tomada de posse como Bastonário da OFA

“Formação, deontologia e pesquisa científica aplicada são prioridades da Ordem dos Farmacêuticos”

 

O farmacêutico Boaventura Moura vai tomar posse a 20 de Outubro como Bastonário e presidente do Conselho Nacional da Ordem dos Farmacêuticos de Angola (OFA), após a sua recente eleição com 96,23 % dos votos.

 

Em entrevista ao Jornal da Saúde, Moura afirma que a OFA vai dar coesão à classe, defender a dignidade da profissão, promover os princípios deontológicos, emitir pareceres e cooperar na execução da política de saúde, impulsionar a formação e a investigação científica aplicada. “A OFA será o símbolo de identificação do farmacêutico”, garante.

Para o futuro Bastonário, a existência de uma entidade ético deontológica que regulasse o exercício da profissão farmacêutica era indispensável em Angola. “A criação da Ordem dos Farmacêuticos constituía uma necessidade que se impunha há algum tempo, desde que ultrapassámos o número de 100 profissionais”. A nova entidade terá três comissões especializadas, designadamente Legislação, Ética e Deontologia, Assistência Farmacêutica e Ensino e Capacitação.

Atribuir o título profissional de farmacêutico, de farmacêutico estagiário e regulamentar o exercício da respectiva profissão é uma das principais atribuições da Ordem. Na área da formação, será dada prioridade às áreas de “farmácia hospitalar, farmácia clínica, farmacoepidemiologia, vertente regulamentar e registo”. A farmacoepidemiologia visa promover a aquisição / aprofundamento de conhecimentos e capacidades que permitam avaliar o impacto positivo e negativo da utilização de medicamentos pela comunidade.

Segundo Boaventura Moura, “a Ordem dos Farmacêuticos irá colaborar na definição e execução da política de saúde em cooperação com o Estado, elaborar estudos, emitir pareceres e propor soluções em matéria de política da saúde que possibilitem a solução de problemas relacionados directa ou indirectamente com a categoria e o profissional farmacêutico”. Coadjuvar o Estado no exercício da actividade farmacêutica, bem como na disciplina, controlo e uso de medicamentos, meios de diagnóstico, produtos químicos, biológicos e alimentares, cooperar com outras entidades congéneres a nível internacional e colaborar com os países de língua portuguesa no domínio das ciências farmacêuticas, constituem outras das competências.

 

Campo científico e cultural

No campo científico e cultural incumbe à Ordem dos Farmacêuticos manter, organizar e actualizar a biblioteca, editar publicações periódicas, organizar estágios, pesquisas, cursos de pós-graduação, aperfeiçoamento e reciclagem, bem como promover a realização ou participação em congressos, seminários, conferências e outras actividades, contribuindo assim para a actualização dos conhecimentos dos profissionais sobre temas inerentes a actividade farmacêutica e as demais áreas da saúde.

De acordo com o futuro Bastonário, “promover a pesquisa científica aplicada à actividade farmacêutica, credenciar farmacêuticos especialmente qualificados para intervirem em acções específicas, acreditar e creditar acções de formação contínua”, são outras das atribuições.

 

Qualidade nos serviços farmacêuticos

No campo profissional e económico, a OFA irá colaborar com o Estado na certificação de serviços públicos e privados, incluindo o reconhecimento da respectiva idoneidade e coadjuvá-lo na garantia de qualidade nos serviços farmacêuticos prestados, bem como colaborar com o Ministério da Saúde em todos os aspectos relacionados com as farmácias comunitárias, hospitalares, análises clínicas, análises bromatológicas e hidrológicas, indústrias farmacêuticas e ensino farmacêutico, bem como nos estabelecimentos de comércio por grosso de medicamentos de uso humano e veterinário, e ainda em todos os organismos onde sejam praticados actos farmacêuticos.

Finalmente, segundo Boaventura Moura, compete também à Ordem “propor aos órgãos de poder político as medidas legislativas adequadas ao eficaz exercício da profissão e colaborar na sua execução tendo em vista a defesa dos superiores interesses da saúde pública”. Cooperar com o Estado na regulamentação do ingresso e acesso dos farmacêuticos nas carreiras da função pública, emitir e revalidar cédulas profissionais e atribuir títulos de especialidade são outras das competências da OFA.

 

 

 

Voltar

 

Cárie Dentária – Uma doença em crescimento

 

A cárie dentária, por definição, é uma patologia multifatorial, infeciosa e altamente transmissível. No entanto, a sua etiologia e condições de desenvolvimento são, ainda hoje, colocadas em causa.

 

A cárie dentária em África

Os estudos relativos à cárie dentária em África são datados dos anos 70 e 90 e desta forma são considerados desatualizados.

Actualmente, num contexto de globalização mundial, o acesso a alimentos é feito de forma facilitada, mas, por outro lado, a disponibilidade de serviços médico-dentários ainda de caracter exclusivo e selectivo e o deficiente acesso à informação, tornam o perfil da cárie difícil de caracterizar.

 

Etiologia da Cárie Dentária

— Fatores Primários

Como referido, a cárie dentária é uma patologia multifatorial. Logo, é necessário um conjunto de fatores presentes em simultâneo para que a cárie se desenvolva. Estes fatores são:

 

MICRORGANISMOS – as bactérias, especialmente as do tipo Streptococcus Mutans, são as principais responsáveis pelo desenvolvimento da cárie dentária.

 

DIETA – entende-se como sendo tudo o que o indivíduo ingere. Assim, uma dieta rica em hidratos de carbono do tipo refinado (conhecidos por açúcares) será o substrato destes microrganismos.

 

INDIVÍDUO

SUSCEPTÍVEL – é aquele que, para além de apresentar uma estrutura dentária susceptível à dissolução ácida (resultado da utilização dos açúcares pelos microrganismos), apresenta uma saliva incapaz de restabelecer um meio próximo do neutro.

 

—Fatores Secundários

Existem inúmeros fatores secundários. No entanto, os mais importantes são a presença de flúor na cavidade oral, a higiene oral, o estatuto socioeconómico, o estado de saúde geral e a predisposição genética.

 

Desenvolvimento da cárie dentária

O esmalte é o tecido mais mineralizado do organismo humano e reveste exteriormente a coroa do dente. No entanto até o tecido mais duro tem as suas fraquezas e quando as bactérias utilizam os restos dos alimentos (principalmente dos açúcares) e produzem os ácidos forma-se a chamada placa bacteriana – camada amarelada e gelatinosa que se acumula nas superfícies dentárias. Se a placa bacteriana não for removida inicia-se um processo de desmineralização das estruturas dentárias.

Este processo de desmineralização, se não for travado, desenvolve-se e atinge estruturas internas do dente como a dentina e a polpa tornando este cada vez mais vulnerável podendo mesmo levar à perda da peça dentária. A única forma de inverter esta ação é, principalmente, manter uma boa higiene oral.

—Tipos de cáries

Uma das formas de classificar clinicamente as cáries dentárias é quanto ao grau de atingimento dos tecidos. Assim, podemos ter três tipos de cáries. A cárie superficial (1) que atinge apenas o esmalte e inicia-se com uma ligeira alteração de cor (muitas das vezes imperceptível). A cárie média (2) que atinge a estrutura exatamente abaixo do esmalte, a dentina, podendo traduzir-se numa cavidade. Nestas situações o paciente pode já apresentar dor. Por fim a cárie profunda (3) é o tipo mais grave, atinge a polpa (tecido vascularizado e rico em tecido nervoso). Neste caso o sucesso do tratamento e a viabilidade dentária poderão ser postos em causa.

 

Prevenção

Como mais vale prevenir que remediar, e se a cárie se desenvolve pela presença da placa bacteriana, o importante será evitar que esta fique o menos tempo possível em contacto com as superfícies dentárias. Assim, iremos precisar de uma escova de cerdas de dureza média, pasta dentífrica com flúor, elixir de bochecho e, dependendo dos espaços interdentários, fio, fita, ou, ainda, escovilhões (extra-fino, fino, médio e/ou grosso).

Após as principais refeições (três vezes ao dia) ou quando se ingerem doces, devemos iniciar o processo de remoção da placa bacteriana da seguinte forma:

1. Remover os restos alimentares e de placa bacteriana de entre os dentes, onde a escova tem um acesso condicionado sempre com a ajuda do fio, da fita, ou, ainda se necessário, do escovilhão, mas nunca com o palito de mesa.

2. Escovagem de todas as superfícies dentárias respeitando sempre o contorno da gengiva dado se tratar de uma estrutura muito frágil.

3. Bochechar com líquido de desinfeção oral (rico em clorohexidina e livre de álcool) e rejeitar. Não passar a boca por água.

 

Tratamento

O tratamento a realizar, depende sempre da extensão da cárie e quanto mais cedo for travado o seu desenvolvimento, maiores serão as chances de sucesso. Assim, no caso de se tratar de uma cárie superficial apenas com alteração da cor do esmalte, o tratamento passa pela melhoria da higiene oral. No caso de se tratar de uma cárie superficial com atingimento de uma grande extensão de esmalte, ou de uma cárie média, com atingimento da dentina, o tratamento só será possível com a ajuda de um Estomatologista que irá remover o tecido cariado e restabelecer a estrutura dentária perdida com um material resistente e biocompatível.

No caso da cárie profunda, o Estomatologista necessita de avaliar mas pode passar pelo tratamento endodontico.

 

 

Referências

- Melo, P. at al - Cárie dentária – a doença antes da cavidade – Acta Pediátrica Portuguesa (0873-9781/08/39-6/253).

- Moreira, R. S. (2012). Epidemiology of Dental Caries in the World, Oral Health Care - Pediatric, Research, Epidemiology and Clinical Practices, Prof. Mandeep Virdi (Ed.), ISBN: 978-953-51-0133-8, InTech, Available from: http://www.intechopen.com/books/oral-health-care-pediatric-research-epidemiology-and- clinical-practices/epidemiology-of-dental-caries-in-the-world

- http://www.colgate.pt/ oralcare/oral_hygiene_basics/art_how_to_brush.shtml

- http://agendar.no.comunidades.net/index.php?pagina=1158922494_05

 

 

Voltar

 

Os benefícios das vitaminas e dos minerais

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define desnutrição como o "desequilíbrio celular entre o fornecimento de nutrientes e energia e a necessidade que o nosso organismo tem dos mesmos para assegurar o crescimento, manutenção e funções específicas." As mulheres e crianças pequenas são os grupos mais afectados de uma forma adversa; um quarto a metade das mulheres em idade fértil na África e no sul da Ásia têm um peso abaixo do normal, o que contribui para o número de bebés com baixo peso que nascem anualmente.

Kwashiorkor e marasmo são duas formas de desnutrição calórico-proteica (PEM - protein energy malnutrition) descritas. A distinção entre as duas formas de PEM baseia-se na presença de edema (kwashiorkor) ou na ausência de edema (marasmo). O marasmo envolve a ingestão inadequada de proteínas e calorias, enquanto uma criança com kwashiorkor tem uma ingestão calórica relativamente normal mas com uma ingestão inadequada de proteínas.

 

Estatísticas da desnutrição

A desnutrição constitui globalmente o factor de risco mais importante de doença e morte, contribuindo para mais de metade da mortalidade nas crianças a nível mundial; a desnutrição infantil foi associada a 54% da mortalidade infantil nos países em desenvolvimento, em 2001.

De acordo com a OMS, de 113,4 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade, a esmagadora maioria destas crianças, 112,8 milhões, viverão em países em desenvolvimento com 70% destas crianças na Ásia, em particular na região centro-sul, e 26% em África. Adicionalmente, 165 milhões (29,0%) de crianças terão uma estatura atrofiada em consequência da má nutrição.

Na África subsariana, cerca de 30% das crianças apresentam PEM. Apesar de melhorias acentuadas na prevalência da desnutrição a nível global, as taxas de subnutrição e de atrofiamento continuam a aumentar em África, onde estas taxas aumentaram de 24% para 26,8% e de 47,3% a 48%, respectivamente, desde 1990, tendo os piores aumentos ocorrido nas regiões do leste de África.

 

Patofisiolologia

A desnutrição pode afectar todos os sistemas de órgãos no corpo. As proteínas que recebemos na nossa dieta fornecem-nos os aminoácidos que ajudam na síntese de várias proteínas corporais, assim como na reparação do seu desgaste. A energia é essencial a todas as funções bioquímicas e fisiológicas que decorrem no corpo. Os micro nutrientes como o ferro, ácido fólico, vitamina A & D, iodo, zinco, entre outros, ajudam em vários processos metabólicos e enzimáticos do organismo.

Para além da alteração física e mental, a função imunológica é também afectada simulando a SIDA. Para além disso, a diarreia infecciosa associada complica ainda mais o problema.

As crianças mal nutridas apresentam alterações no desenvolvimento, degeneração gorda do fígado e coração, atrofia do intestino delgado e diminuição do volume intravascular levando a hiperaldosteronismo secundário.

 

Diagnóstico de desnutrição

As crianças são susceptíveis a desnutrição por diversas razões.

 

Antecedentes

— A desnutrição calórico-proteica (PEM) apresenta os seguintes sinais e sintomas clínicos:

- Baixo incremento ponderal

-Crescimento linear lento

-Alterações comportamentais - Irritabilidade, apatia, reactividade social diminuída, ansiedade e défices de atenção

— As deficiências de micronutrientes podem levar aos seguintes sinais e sintomas

- Ferro – Fadiga, anemia, função cognitiva diminuída, dores de cabeça, glossite e alterações nas unhas

- Iodo - Bócio, atrasos de desenvolvimento e atraso mental

- Vitamina D – Atraso no crescimento, raquitismo e hipocalcemia

- Vitamina A – Cegueira nocturna, xeroftalmia, atraso no crescimento, e alterações pilosas

- Folato - Glossite, anemia (megaloblástica) e defeitos do tubo neural (nos fetos de mulheres sem suplementação com folato)

- Zinco - Anemia, nanismo, hepatosplenomegalia, hiperpigmentação e hipogonadismo, acrodermatite enteropática, resposta imunitária diminuída e má cicatrização de feridas

 

Exame físico

— Redução do tecido subcutâneo em zonas como as pernas, braços, nádegas e face.

— Inchaço das extremidades (mãos e pernas), podendo haver inchaço generalizado.

— Na boca poderá haver estomatite angular, queilose, atrofia papilar.

— Escamação de pele seca ou hiperpigmentação em zonas de trauma.

— As unhas podem apresentar fissuras ou enrugamento. Poderão assumir a forma de uma colher na anemia grave por deficiência de ferro.

— Os cabelos são finos, escassos, quebradiços, arrancam-se facilmente, e são de cor castanha ou avermelhada.

— O abdómen poderá apresentar-se distendido quer devido a organomegalia, como o aumento do fígado, ou devido a músculos abdominais fracos.

 

Causas

— A ingestão inadequada de alimentos é a causa mais frequente de desnutrição a nível mundial. As condições sanitárias não adequadas acrescem ainda mais ao perigo em que estas crianças se encontram ao aumentarem o risco de doenças infecciosas, as quais levam a um aumento das perdas nutricionais e alteram os requisitos metabólicos.

— As crianças com doenças crónicas apresentam o risco de problemas nutricionais por várias razões, tais como anorexia, a qual leva a uma ingestão inadequada de alimentos, a um aumento da carga inflamatória e a um aumento dos requisitos metabólicos, o que pode aumentar as necessidades calóricas.

— Qualquer doença crónica que envolva o fígado ou intestino delgado afecta a nutrição de forma adversa ao alterar as funções digestivas e de absorção.

— Para além disso, as seguintes situações colocam as crianças em risco significativo de desenvolverem deficiências nutricionais:

- Prematuridade

- Atraso do desenvolvimento

- Exposição a toxinas in utero (i.e., exposição do feto a álcool)

 

Exames complementares de diagnóstico

Deve ter-se em consideração os antecedentes e o exame físico antes de se efectuarem exames complementares de diagnóstico. Podem fazer-se os seguintes exames:

— Hemograma completo com índices dos glóbulos vermelhos e com esfregaço do sangue periférico, taxa de sedimentação eritrocitária, electrólitos séricos, análises e cultura da urina.

— Níveis de albumina sérica, proteína de ligação do retinol, pré-albumina, transferrina, creatinina e BUN. As determinações da proteína de ligação ao retinol, da pré-albumina e da transferrina são indicadores a curto prazo muito melhores do estado proteico do que a albumina. Contudo, no campo, a albumina sérica é uma medida melhor da desnutrição a longo prazo devido à sua semivida mais longa.

— Análises e cultura das fezes

— Na diarreia, os níveis de zinco; na suspeita de doença hepática, os níveis de triglicéridos e de vitaminas; nos problemas renais, os níveis de fósforo e cálcio; e outras análises

— Avaliação nutricional prática

— História completa, incluindo os antecedentes dietéticos pormenorizados

— Medidas de crescimento, incluindo o peso e o comprimento/altura; circunferência da cabeça em crianças com menos de 3 anos de idade

— Exame físico completo

— Medidas sensíveis do estado nutricional

— Medida da altura em função da idade ou do peso em função da altura superior a 2 desvios padrão abaixo da média para a idade

— Medições da altura em função da idade ou do peso em função da altura mais de 2 desvios padrão inferior à média para a idade

— Medições da altura em função da idade inferior a 95% do valor esperado

— Medições da altura em função da altura inferior a 90% do valor esperado

— Menos de 5 cm/ano de crescimento em crianças com mais de 2 anos de idade

— Índice de massa corporal (IMC)

 

Tratamento da desnutrição

 

— As crianças com desnutrição poderão exigir uma ingestão calórica superior a 120-150 kcal/kg/dia para atingirem um aumento de peso apropriado. A fórmula para determinar a ingestão calórica adequada é:  kcal/kg = (DDR para a idade X peso ideal)/peso efectivo.

— As crianças com edema devem ser cuidadosamente avaliadas em termos do estado nutricional efectivo pois o edema pode mascarar a gravidade da desnutrição. Para além disso, quaisquer deficiências de micronutrientes devem ser corrigidas para que a criança possa atingir um crescimento e desenvolvimento adequados. A maior parte das crianças com desnutrição ligeira respondem a um aumento da ingestão calórica oral e a suplementação com vitaminas, ferro e folato. Os requisitos para o incremento de proteínas são tipicamente cumpridos ao aumentar-se a ingestão de alimentos, a qual, por sua vez, aumenta tanto a ingestão proteica como calórica. A adequabilidade da ingestão é determinada pela monitorização do aumento de peso.

— Um estudo da base de dados de Cochrane de revisões sistemáticas (Cochrane Database of Systematic Reviews) revelou que os pós de micronutrientes (micronutrient powders - MNPs), que são saquetas de dose única contendo múltiplas vitaminas e minerais em forma de pó para salpicar sobre quaisquer alimentos semi-sólidos, podem reduzir efectivamente a anemia e a deficiência de ferro em crianças com 6-23 meses de idade.

—  Em casos de desnutrição ligeira a moderada, pode fazer-se a avaliação inicial e intervenção nutricional no enquadramento ambulatório. Em casos moderados a graves de desnutrição pode ser necessário proceder-se a suplementação entérica através de tubos de alimentação entérica, para a qual o doente terá de ser hospitalizado.

 

 

 

Voltar

 

Estratégias actuais de tratamento da diabetes de tipo 2

 

INTRODUÇÃO

A  American Association of Clinical Endocrinologists (AACE) afirma que todo o doente com diabetes de tipo 2 (DM T2) requer um programa de tratamento holístico que tenha em conta as características únicas da história pessoal do doente, o background cultural, o ambiente envolvente, a dimensão comportamental e os factores de risco subjacentes (AACE, Julho 2013).

Várias organizações especializadas na diabetes, incluindo o American College of Endocrinology (ACE), a AACE, a American Diabetes Association (ADA) e a European Association for Study of Diabetes (EASD), têm publicado normas de orientação e declarações de posição em resposta aos padrões de cuidados e à abordagem terapêutica para os doentes com diabetes de tipo 2. (American Diabetes Association.2012); (Rodbard HW, Jellinger PS, Davidson JA, et al. 2009);  (AACE,.2007).

É de realçar que todas estas organizações estão de acordo que a gestão efectiva da diabetes de tipo 2 requer uma atenção particular quanto às modalidades de terapêutica farmacológica e não farmacológica combinadas com a educação terapêutica do doente e a aquisição de competências de autogestão.

À luz da complexidade crescente na gestão da glicémia na DMT2 e da ampla gama de antidiabéticos orais (ADO’s) actualmente disponíveis, a par das incertezas sobre os benefícios do controlo intensivo da glicémia sobre as complicações macrovasculares, a task force conjunta da ADA/EASD pensou em desenvolver recomendações para o tratamento dos diabéticos de tipo 2, sem gravidez, a fim de ajudar os clínicos a seleccionar as melhores opções terapêuticas. O seu objectivo foi o de se considerarem os riscos e os benefícios do controlo glicémico, a efectividade e a segurança dos fármacos utilizados para o conseguir e cada contexto pessoal do doente (Inzucchi SE, Bergenstal RM, Buse JB, et al. 2012).   As novas recomendações conjuntas da European Association for the Study of Diabetes (EASD) e da American Diabetes Association (ADA), colocam as condições do doente, os desejos, as capacidades, e as tolerâncias no centro do processo de tomadas de decisão sobre os objectivos e os métodos de tratamento. Afirmam os autores que “as nossas recomendações não são algoritmos e são menos prescritivas do que as anteriores guidelines”.

As recomendações da ADA/EASD chamam a atenção para o facto de os valores mais baixos da HbA1c não serem os melhores para alguns doentes. Com efeito, a regra do “quanto mais baixo melhor”  não tem  aplicabilidade universal em termos de controlo da glicémia na DMT2, o que realça a necessidade da definição de terapêuticas personalizadas e adaptadas às condições específicas de cada doente, em particular para os doentes com risco cardiovascular acrescido e idosos.

Assim, nestas recomendações a ideia subjacente é a de que o médico e o doente possam combinar a melhor evidência científica disponível com a experiência clínica e as preferências do doente para determinar o plano de tratamento, o qual deve incluir intervenções sobre os estilos de vida, tais como a actividade física, o aconselhamento dietético e os antidiabéticos orais ou injectáveis, incluindo a insulina (ou incretinas).

 

OS PONTOS PRINCIPAIS DA  NOVA ABORDAGEM

As recomendações incidem em 7 pontos principais a saber:

—Alvos glicémicos e tratamentos redutores da glicémia individualizados.

—Dieta, exercício e educação terapêutica como alicerce do programa de tratamento.

—Uso da metformina como fármaco de primeira linha, excepto se contra-indicado.

—Após a metformina, o uso de 1 ou 2 fármacos adicionais orais ou injectáveis, com o objectivo de minimizar os efeitos secundários, sempre que possível.

—Como último passo, a terapêutica insulínica isolada ou associada a outros agentes farmacológicos, se necessário, para manter o controlo da glicémia.

—Nos casos em que tal seja viável, todas as decisões terapêuticas devem envolver o doente, com uma focalização nas preferências, necessidades e valores do doente (prática centrada no doente).

—Uma focalização importante na redução do risco cardiovascular GLOBAL.

Os autores sublinham que vários elementos destas recomendações necessitam de ser aferidos pelas tomadas de decisão sobre os níveis apropriados de esforço dispendidos para atingir os alvos (objectivos) do controlo glicémico. As atitudes do doente e os esforços esperados podem variar desde uma alta motivação com uma elevada taxa de adesão ao tratamento e às competências de autogestão, até uma fraca motivação, com baixa adesão à medicação e às competências de autogestão, que vão influenciar os resultados clínicos pretendidos.    Os riscos potenciais de hipoglicémia e de outros efeitos adversos são outros factores a ter em consideração no processo de tomada de decisão, sendo imperativo identificar os doentes mais vulneráveis para a ocorrência desta complicação desencadeando as medidas preventivas necessárias.

Complementarmente, o American College of Physicians, nas suas guidelines práticas publicadas em 2012, fornece, também, uma ampla revisão das considerações clínicas para a terapêutica oral (Qaseem A, Humphry LL, Sweet DE. 2012)

 

CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS

SOBRE A MEDICAÇÃO ORAL

NA DIABETES DE TIPO 2

Os clínicos devem acrescentar a terapêutica farmacológica oral em doentes com o diagnóstico de DMT2 quando as modificações dos estilos de vida (incluindo a dieta, exercício e perda de peso) falharam em baixar adequadamente os níveis da glicémia. Deverão, neste caso, prescrever a monoterapia com metformina como terapêutica farmacológica inicial , na maioria dos doentes com DMT2, acrescentando um segundo fármaco à metformina nos doentes que mantenham hiperglicémias persistentes, apesar das mudanças nos estilos de vida e da medicação com metformina.  As opções variam, pelo que, é fundamental o domínio do conhecimento e manuseamento do vasto armamentário de ADO’s actualmente disponível.

A boa gestão da DMT2 com os tratamentos farmacológicos e não farmacológicos é, igualmente, importante e inclui a educação terapêutica do doente, a monitorização e a autogestão, tendo em vista a prevenção das complicações microvasculares e macrovasculares de forma a minimizar o risco cardiovascular acrescido destes doentes, bem como outras complicações tardias, como a amaurose, as amputações dos membros inferiores e a disfunção eréctil.

 

AS MODIFICAÇÕES DOS ESTILOS DE VIDA

O estudo DPP [Diabetes Prevention Program] (Diabetes Prevention Program Research Group. 2002) que envolveu 3234 pessoas com risco de desenvolverem diabetes foram aleatoriamente distribuídos por três grupos de intervenção: o grupo do programa de modificação de estilos de vida (dieta e 150 minutos de exercício por semana), o grupo da metformina (850mg 2x dia) e o grupo do placebo. A intervenção nos estilos de vida reduziu a incidência da diabetes em 58% (95% de intervalo de confiança, 48 para 66%) e o da metformina em 31% (95% de intervalo de confiança, 17 para 43%), em comparação com o placebo (Figura 1). De acordo com os resultados deste estudo, as intervenções visando a modificação dos estilos de vida foram, significativamente, mais efectivas do que a metformina na prevenção da progressão para a diabetes.  Este estudo representa, pois, um marco histórico na investigação aplicada à diabetes, tendo os seus resultados contribuído para alterar as guidelines que constituem, hoje, a base de evidência da prática clínica corrente.

 

A DIETA

Apesar do cepticismo de alguns clínicos, providenciar aos doentes informação nutricional tem sido demonstrado tratar-se de uma intervenção com grande potencial de efectividade, ou seja, com impacto positivo na melhoria da glicémia. A Task Force dos Serviços Preventivos dos EUA, constituída por um painel de peritos independentes na área da prevenção e dos cuidados de saúde primários, que procede a revisões sistemáticas da evidência e difunde recomendações sobre a efectividade dos serviços clínicos preventivos, identificou uma sólida evidência de que as intervenções de aconselhamento de intensidade moderada a alta podem produzir mudanças no consumo diário das componentes essenciais de uma dieta saudável (que inclua as gorduras não saturadas, fibra, fruta e vegetais) entre os adultos com risco aumentado de desenvolverem doenças crónicas a partir de dietas inadequadas. (U.S. Preventive Services Task Force. 2003). De acordo com estas recomendações, em vez do  aconselhamento sobre dietas específicas, é mais útil que os doentes se focalizem nos padrões de uma dieta saudável que o doente seja capaz de seguir para o resto da vida.

Num estudo retrospectivo de 125 obesos que tinham critérios de síndrome metabólico inscritos num programa para perda de peso, a perda média de 15% do peso corporal resultou numa diminuição média da glicémia de jejum de 19mg/dl (Case CC, Jones PH, Nelson K et al. 2002). Mesmo as perdas de peso ligeiras, da ordem dos 5% do peso corporal estiveram associadas com uma incidência mais baixa de diabetes e de complicações relacionadas.  Assim, a revisão e a modificação da dieta é um dos passos mais importantes para ajudar os doentes com DMT2 a gerirem a sua doença e a sua perda de peso, quando indicada.

Uma forte evidência disponível mostra que os padrões de dieta que têm calorias de baixa densidade melhoram a perda de peso e a sua manutenção e também estão associadas com um risco muito mais baixo de desenvolver a diabetes de tipo 2 nos adultos (U.S. Department of Health and Human Services and Department of Agriculture, 2010).  O plano alimentar  DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension)  é um exemplo de padrão alimentar baixo em calorias de alta densidade. Para além disto, os doentes com diabetes são aconselhados a consumir menor quantidade de sódio por dia do que as recomendações máximas para os adultos saudáveis (U.S. Department of Health and Human Services and Department of Agriculture, 2010)

Como regra prática, para se induzir uma perda de peso, a ingestão calórica do doente deve ser reduzida em cerca de 500 a 1000 calorias por dia a partir do consumo basal do doente. Doentes com um Índice de Massa Corporal (IMC) entre 27-35Kg/m2 devem  reduzir as calorias totais entre 300 a500 calorias por dia. Os doentes com IMC superior a 35 Kg/m2 devem reduzir as suas calorias totais entre 500 a 1000 calorias por dia. Estas reduções asseguram as perdas de peso recomendadas de 05 kg a 1kg por semana na maior parte dos doentes que cumpram tais restrições.

Porém, para se conseguir atingir estes objectivos é altamente recomendável que estes doentes sejam seguidos numa consulta de diabetes estruturada que obedeça a alguns requisitos organizativos essenciais. Devido às complexidades associadas com a elaboração e os comportamentos relacionados com as dietas e ao facto de o planeamento das refeições ser tão importante na gestão diária da diabetes, a terapêutica médica nutricional deve ser praticada por um dietista ou nutricionista credenciado (American Diabetes Association , 2012); (Morris SF, Wylie-Rosett J. 2010).  A terapêutica médica nutricional é definida como um serviço para o diagnóstico, tratamento e aconselhamento com propósitos de gestão da doença, que é administrado por um dietista ou nutricionista licenciado. Assim, sempre que possível, os hospitais, as clínicas e os centros de saúde devem organizar o serviço de consultas para a diabetes com base numa equipa interdisciplinar que integre um dietista ou nutricionista. Onde os recursos sejam escassos, um enfermeiro com aprendizagem nutricional avançada deverá, sempre, integrar esta equipa e assumir esta responsabilidade. O importante é garantir o acesso de todos os diabéticos ao suporte nutricional nas consultas dedicadas.

 

A ACTIVIDADE FÍSICA

O benefício primário do exercício para as pessoas com diabetes é que a sua prática regular aumenta a utilização da glucose pelos tecidos, promovendo assim uma baixa da concentração da glucose sanguínea (Sigal RJ, Kenny GP, Wasserman DH. 2006).

Também, nas pessoas com DMT2, um programa de exercício regular pode diminuir a resistência à acção da insulina nos tecidos alvo e, deste modo, aumentar a sensibilidade desses tecidos à insulina,  num grau que permita a redução das doses de ADO’s ou de insulina ou mesmo a sua suspensão, dependendo do estadio evolutivo da doença.

Na medida em que as pessoas com diabetes têm um risco aumentado de contraírem doenças cardiovasculares, o exercício tem o benefício acrescido dos seus efeitos favoráveis ao nível do status cardiovascular.  Podemos, pois, sumarizar os benefícios do exercício regular para as pessoas com diabetes, da seguinte forma:

—Melhoria da sensibilidade à insulina

—Redução do peso e da gordura corporal

—Redução na incidência de doença cardíaca

—Melhoria do perfil lipídico

—Aumento das lipoproteinas de alta densidade (HDL- o bom colesterol)

—Melhoria do controlo da hipertensão

—Melhoria da auto-estima

—Redução do stress psicológico

A ADA, de acordo com o estudo DPP acima citado, recomenda pelo menos 150 minutos de exercício aeróbico de intensidade moderada por semana (Sigal RJ, Kenny GP, Wasserman DH. 2006); (Haskell WL, Lee IM, Pate RR, et al. 2007).

Na medida em que os efeitos sobre a redução da resistência à insulina após uma sessão de exercício se prolongam por 24 a 72 horas depois, é aconselhável que o doente não permaneça sem actividade aeróbica por mais de 2 dias consecutivos (Sigal RJ, Kenny GP, Wasserman DH. 2006).

É importante informar os doentes de que assumir um estilo de vida mais activo não significa, necessariamente, que têm de adoptar um programa de exercício estruturado, com personal trainer. Os peritos nesta matéria defendem que os benefícios advêm da incorporação do exercício moderado nas actividades do dia-a-dia. Por exemplo, tornar um hábito o uso de escadas em vez do elevador numa base diária contribui para um estilo de vida mais activo com benefícios cardiovasculares. Igualmente, manter-se activo ao realizar tarefas como passear o cão, varrer a casa ou o jardim, lavar o carro, são também benéficos. Como recomendação prática sugere-se o incremento de 10 minutos por sessão até acumular os 30 minutos ou mais por dia (Haskell WL, Lee IM, Pate RR, et al. 2007), em particular, para as pessoas com limitações físicas ou idosas.

Embora a actividade física possa resultar em benefícios de saúde para a generalidade das pessoas, os indivíduos com diabetes devem solicitar a aprovação do seu médico  se pretenderem iniciar um programa de exercício mais intensivo do que a marcha activa (Haskell WL, Lee IM, Pate RR, et al. 2007). Várias comorbilidades associadas com a diabetes devem ser tidas em consideração antes de se recomendar um programa de exercício mais intensivo a fim de se garantir a segurança do doente e o seu bem-estar. Contudo, o papel da prova de esforço como rotina antes de iniciar um programa de exercício é controverso (Haskell WL, Lee IM, Pate RR, et al. 2007).

Os doentes que utilizam insulina ou sulfunilureias apresentam um risco aumentado de desenvolver hipoglicémias durante ou após o exercício se não se fizerem os ajustamentos adequados. Vários factores influenciam a resposta da glicémia ao exercício, incluindo o tempo, a quantidade e a intensidade do exercício. Os doentes com risco de hipoglicémia são, por isso, aconselhados a monitorizarem cuidadosamente as suas glicémias antes e depois  do exercício para determinar a o seu padrão de resposta a um determinado tipo de actividade física, a fim de se sentirem mais seguros e confiantes na prática das diferentes modalidades.

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRATAMENTO FARMACOLÓGICO

O tratamento da DMT2 deve ser administrado com o objectivo de preservar a massa e a função das células beta, retardar a progressão da doença e prevenir as complicações (Cornell S, Dorsey VJ.2012).  Devido à natureza heterogénea da DMT2 o seu tratamento é complexo. A selecção do melhor ADO deve ser individualizada com base nas características específicas de cada doente. Os níveis da Hb A1c glicada, habitualmente usados para monitorizar o controlo da glicémia a longo prazo, podem ajudar a revelar uma ineficiência da terapêutica em curso e a orientar para a necessidade de um novo ajustamento e/ou associação de fármacos (Cornell S, Dorsey VJ.2012).  Os objectivos da HbA1c glicada variam de acordo com as organizações, mas os níveis mais recomendados são  ≤7% (ADA) ou ≤6.5% (AACE, EASD). Embora as modificações dos estilos de vida, como acima fizemos referência, continuem a ser a base do tratamento da diabetes de tipo 2, esta abordagem pode não ser suficiente para controlar a HbA1c, dependendo do estadio de progressão da doença. Quando é este o caso, as guidelines recomendam a associação de diferentes fármacos de forma a que os alvos terapêuticos sejam atingidos (American Diabetes Association. 2012); (Rodbard HW, Jellinger PS, Davidson JA, et al. 2009). Neste ponto particular do processo de tomada de decisão para a escolha de mais um fármaco é importante lembrar que as guidelines recomendam que as respostas aos tratamentos em curso sejam reavaliadas ao fim de cada três meses. Esta periodicidade é, de facto, um excelente antídoto contra a inércia dos médicos, que tendem a protelar decisões importantes na progressão terapêutica, quando não são atingidos níveis de controlo metabólico aceitáveis durante longos períodos, prejudicando o doente.

Ao seleccionar as terapêuticas é importante ter em mente os seguintes pontos: que a duração da doença se correlaciona com a diminuição da função das células beta,  que a redução da HbA1c glicada deve ter um objectivo individualizado, que a deterioração progressiva da função das células beta exige atenção e selecção de novos fármacos e que o perfil de efeitos secundários dos ADO’s varia substancialmente, devendo ser incorporado nas decisões de tratamento (Cornell S, Dorsey VJ.2012). É também importante considerar a via de administração preferida do doente e qualquer comorbilidade subjacente [e.g., obesidade, doença cardiovascular, depressão ou osteoporose], (Cornell S, Dorsey VJ.2012), factores que podem condicionar as escolhas terapêuticas.

Se estes factores forem, sistematicamente, avaliados pelos médicos, a selecção do tratamento poderá ser mais bem sucedida quanto aos objectivos de tratamento e às preferências do doente.

 

 

Referências

— American Association of Clinical Endocrinologists (AACE) (http://www.guideline.gov/content.aspx?id=34038 Acedido: Julho, 2013).

— American Diabetes Association. Standards of medical care in diabetes—2012. Diabetes Care. 2012;35(Suppl 1):S11-S63.

— Rodbard HW, Jellinger PS, Davidson JA, et al. Statement by an American Association of Clinical Endocrinologists/American College of Endocrinology consensus panel on type 2 diabetes mellitus: an algorithm for glycemic control. Endocr Pract. 2009;15(6):540-559.

— ACE Diabetes Mellitus Clinical Practice Guidelines Task Force. American Association of Clinical Endocrinologists medical guidelines for clinical practice for the management of diabetes mellitus. Endocr Pract. 2007;13(suppl 1):1-68.

— Inzucchi SE, Bergenstal RM, Buse JB, et al. Management of hyperglycemia in type 2 diabetes: a patient-centered approach. Position statement of the American Diabetes Association (ADA) and the European Association for the Study of Diabetes (EASD). Diabetes Care. 2012;35:1364-1379.

— Qaseem A, Humphry LL, Sweet DE, Starkey M, Shekelle P. Oral pharmacologic treatment of type 2 diabetes mellitus: a clinical practice guideline from the American College of Physicians. Ann Intern Med. 2012;156(3):218-231.

— Diabetes Prevention Program Research Group. Reduction in the Incidence of Type 2 Diabetes with Lifestyle Intervention or Metformin. N Engl J Med 2002; 346:393-403.

— U.S. Preventive Services Task Force. Behavioral counseling in primary care to promote a healthy diet: recommendations and rationale. Am J Prev Med. 2003;24(1):93-100.

— Case CC, Jones PH, Nelson K, O'Brian Smith E, Ballantyne CM. Impact of weight loss on the metabolic syndrome. Diabetes Obes Metab. 2002;4(6):407-414.

— U.S. Department of Health and Human Services and Department of Agriculture. Dietary Guidelines for Americans, 2010. Washington, DC: U.S. Department of Health and Human Services; 2010.

— American Diabetes Association. Standards of medical care in diabetes—2012. Diabetes Care. 2012;35(Suppl 1):S11-S63.

— Morris SF, Wylie-Rosett J. Medical nutrition therapy: a key to diabetes management and prevention. Clinical Diabetes. 2010;28(1):12-18.

— Sigal RJ, Kenny GP, Wasserman DH, Castaneda-Sceppa C, White RD. Physical activity/exercise and type 2 diabetes: a consensus statement from the American Diabetes Association. Diabetes Care. 2006;29(6):1433-1438.

— Haskell WL, Lee IM, Pate RR, et al. Physical activity and public health: updated recommendation for adults from the American College of Sports Medicine and the American Heart Association. Med Sci Sports Exerc. 2007;39(8):1423-1434.

— Cornell S, Dorsey VJ. Diabetes pharmacotherapy in 2012: considerations in medication selection. Postgrad Med. 2012;124(4):84-94.

 

 

 

Voltar

 

Conviver com adultos deficientes

 

Caros leitores,

No último artigo publicado tive a oportunidade de escrever sobre a inclusão de crianças com necessidades educativas especiais e realcei alguns aspectos que merecem atenção por parte de políticos e de toda a comunidade educativa. E quando estas crianças crescem? Será que existem estruturas na nossa sociedade para acolherem e viverem socialmente com esses adultos?

Será que o cidadão comum está preparado para lidar com o seu semelhante deficiente? O cidadão deficiente tem alguma hipótese de entrar no mercado de trabalho?

Temos que pensar que não basta educar da mesma forma todos se, no final, não conseguimos dar iguais oportunidades a todos.

 

Atitudes sociais

De acordo com vários estudos, ao longo dos anos pudemos encontrar três atitudes sociais perante as pessoas com deficiência:

— Marginalização – atitude de total descrença na capacidade de pessoas com deficiência, o que gera uma completa omissão da sociedade na organização de serviços para esse grupo da população.

— Assistencialismo – atitude marcadas por um sentido filantrópico, paternalista e humanitário, que buscavam apenas dar protecção às pessoas com deficiência, permanecendo a descrença no potencial destes indivíduos.

— Educação/reabilitação/ inserção – atitude de crença nas possibilidades de mudança e desenvolvimento das pessoas com deficiência e em decorrência disso, a preocupação com a organização de serviços educacionais.

 

Situação em Angola

Em Angola, em que fase nos encontramos?

Existem já em Angola algumas cooperativas de apoio a deficientes criadas pela Associação Nacional de Deficientes de Angola (ANDA) que promovem acções de sensibilização, levantamento de necessidades bem como realização de alguns cursos de formação para a integração do cidadão deficiente no mercado de trabalho.

O meu objectivo primeiro neste artigo é dar ao leitor, cidadão também responsável pela mudança de atitudes, estratégias para lidar com algumas deficiências mais comuns e, desta forma, poder valorizar as potencialidades de cada individuo, contribuindo para a sua integração na sociedade e no mercado de trabalho.

 

Dicas básicas para a convivência com pessoas surdas ou com deficiência auditiva

— Quando quiser falar com uma pessoa surda, se ela não estiver a prestar atenção, acene-lhe ou toque–lhe levemente no braço;

— Se ela fizer leitura labial, fale de frente para ela e nunca cubra a sua boca com objectos ou com as mãos;

— Quando estivar a falar com uma pessoa surda, pronuncie bem as palavras mas sem exageros;

— Use a sua velocidade normal de discurso, a não ser que lhe peçam para falar mais devagar;

— Não grite, pois ainda vai dificultar mais a percepção da sua fala;

— Se souber alguma língua gestual ou dactilologia, tente usá-la. As suas tentativas e esforços serão apreciadas e estimulantes;

— Seja expressivo – as expressões faciais, os gestos e os movimentos do seu corpo serão bons indicadores do que você quer dizer, em substituição ao tom de voz;

— Mantenha sempre o contacto visual – se você desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou;

— A pessoa surda que é oralizada (ou seja, qu aprendeu a falar) pode não ter um vocabulário extenso. Fale naturalmente, se perceber que ela não entendeu, use um sinónimo.

— Nem sempre a pessoa surda que fala tem boa dicção. Se não compreendeu o que ela disse, peça para repetir. Isso demonstra que você está realmente interessado e por isso as pessoas surdas não se importam de repetir as vezes que forem necessárias até serem entendidas;

— Se necessário comunique através de bilhetes escritos ou imagens pré definidas ou feitas no momento. O importante é comunicar, seja qual for o método.

 

Dicas básicas para a convivência com pessoas cegas ou com deficiência visual

— Se a pessoa cega não estiver a prestar atenção , toque no seu braço para indicar que está a falar com ela. Avise quando for embora, para que ela não fique a falar sozinha;

— Se sua ajuda for aceite, nunca puxe a pessoa cega pelo braço. Ofereça seu cotovelo (ou o ombro no caso você ser muito mais baixo do que ela). Geralmente, apenas com um leve toque a pessoa cega poderá segui-lo com segurança e conforto;

— Num local estreito, como uma porta ou corredor por onde só passe uma pessoa de cada vez, coloque o seu braço para trás ou ofereça o ombro, para que a pessoa cega continue a segui-lo;

— Algumas pessoas, sem perceber, aumentam o tom de voz para falar com pessoas cegas. Use tom normal de voz;

— Não modifique a posição dos móveis sem avisar a pessoa cega e tenha atenção para que não fiquem objectos no seu caminho. Avise se houver objectos cortantes ou cinzeiros perto dela;

— Conserve as portas fechadas ou encostadas à parede;

— Para indicar uma cadeira, coloque a mão da pessoa cega sobre o encosto e informe se a cadeira tem braço ou não. Deixe que a pessoa se sente sozinha;

— Seja preciso ao indicar direcções. Informe as distâncias em metros ou passos.

 

Dicas básicas para a convivência com pessoas com deficiência física

— Quando estiver a empurrar uma pessoa sentada numa cadeira de rodas e parar para conversar com alguém, lembre-se de virar a cadeira de frente, para que a pessoa também participe da conversa;

— Empurre a cadeira com cuidado para evitar acidentes e preste atenção às pessoas que caminham à frente;

— Para uma pessoa sentada em cadeira de rodas, é incómodo ficar a olhar para cima por muito tempo. Se a conversa for demorar mais, sente-se ou baixe-se para que você e ela fiquem com os olhos no mesmo nível;

— Respeite o espaço corporal. A cadeira de rodas (assim como as bengalas e muletas) é quase uma extensão do corpo. Agarrar ou apoiar-se nesses equipamentos não é como se encostar a uma cadeira comum;

— Nunca movimente a cadeira de rodas sem antes pedir permissão para a pessoa que a utiliza;

— É mais seguro subir rampas ou degraus de frente. Para descer, é mais seguro de costas;

— Para subir um degrau, incline a cadeira para trás, levante as rodinhas da frente para apoiá-las sobre o degrau; Para descer um degrau, é mais seguro fazê-lo de marcha à ré, sempre apoiando a cadeira, para que a descida seja sem solavancos;

— Para subir ou descer mais de um degrau em sequência, é mais seguro pedir a ajuda de outra pessoa;

— Se você estiver acompanhando uma pessoa com deficiência que anda devagar, procure acompanhar o passo dela;

— Mantenha sempre as muletas ou bengalas próximas à pessoa com deficiência;

— Esteja atento para a existência de barreiras arquitectónicas quando for visitar algum local com uma pessoa com deficiência motora;

— Pessoas com paralisia cerebral podem ter dificuldades para andar, fazer movimentos involuntários com pernas e braços, apresentar expressões estranhas no rosto e ter dificuldade para falar. Não se intimide com isso. São pessoas como você. Geralmente, têm inteligência normal ou, às vezes, até acima da média; Se você não compreender o que a pessoa está a dizer, peça para que repita. Isso demonstra interesse e respeito e as pessoas com dificuldades de comunicação não se incomodam de repetir.

 

 

 

Voltar

 

Como alimentar o seu cérebro

 

Ao acordarmos, depois de um longo período de jejum nocturno, o nosso organismo está ávido de energia e nutrimentos. Devemos satisfazer esta necessidade biológica seleccionando, de forma racional, um conjunto de alimentos para a refeição mais importante do dia: o pequeno-almoço.

Apesar de a maioria dos angolanos reconhecer esta importância, é relativamente frequente omitirem-no ou ser nutricionalmente escasso ou desequilibrado (deve fornecer 20-25% da energia diária). Aqueles que saltam esta refeição justificam-se com falta de tempo ou a incapacidade de ingerir alimentos, particularmente sólidos, neste momento do dia. Outro motivo, em indivíduos que pretendem emagrecer, é acreditarem que ao fazerem menos uma refeição controlam mais facilmente a ingestão energética.

 

Melhoria da precisão

Esta atitude pode ser contraproducente, pois a falta do pequeno-almoço vai ser sobre-compensada com a ingestão, horas mais tarde, de refeições de elevado valor energético. Para além de contribuir para uma melhoria do estado nutricional, sugere-se que as actividades matinais que envolvam a função cognitiva beneficiem com a presença deste episódio alimentar. O seu consumo parece traduzir-se numa melhoria da velocidade e precisão de utilização de informação da memória visual e auditiva a curto prazo.

Como consequências da sua omissão, descreve-se uma diminuição do tempo de reacção, memória a curto-prazo, atenção e fluência verbal. Os que mais parecem beneficiar com a sua ingestão são as crianças e os idosos, especialmente se malnutridos. Alguns programas de implementação de pequenos-almoços em ambiente escolar demonstraram me­lhorar as taxas de assiduidade e, em alunos malnutridos, a performance académica. Oferecer um pequeno-almoço saudável parece ser uma medida efectiva na melhoria da performance, além de promover a sociabilização entre os colaboradores. O team building não se efectiva apenas em fins-de-semana radicais. Lembre-se, o dia corre bem, quando começa bem.

O pequeno-almoço deve incluir, inexoravelmente, uma fonte de hidratos de carbono. A glicose é a fonte principal de energia para o cérebro e, por conseguinte, a sua função depende de um adequado fornecimento. De facto, observa-se um aumento da captação da glicose pelo cérebro quando perante uma desafio exigente e do seu metabolismo nas áreas cerebrais relevantes para a execução dessa tarefa. Indivíduos com níveis mais elevados de glicemia e boa tolerância à glicose (capacidade para captar glicose do sangue para os tecidos) respondem mais eficientemente às tarefas cognitivas (tempo de decisão, por exemplo). Podemos melhorar a tolerância à glicose, ou seja disponibilizar mais eficientemente este combustível ao cérebro, se fizermos regularmente exercício físico e optarmos por refeições ligeiras e mais frequentes.

 

Perfomance cognitiva

Parece ganhar consistência a ideia de que a ingestão de hidratos de carbono influencia positivamente a performance cognitiva, particularmente a memória verbal e a atenção em tarefas mais exigentes. Inversamente, se os níveis sanguíneos de glicose baixarem acentuadamente (hipoglicemia) observa-se uma deterioração do humor (aumento da tensão) e da performance mental, nomeadamente no processamento da informação visual e auditiva e nas tarefas que exijam velocidade e atenção sustentada.

Todavia, em situações normais os níveis de glicose no sangue não oscilam tanto. A função cerebral parece estar defendida das normais flutuações de glicemia entre refeições, pois existe um conjunto de células (astrócitos) que armazena glicose e a disponibiliza aos neurónios em situações de fornecimento deficitário. Esta condição poderá explicar a razão de os efeitos da manipulação aguda da ingestão de hidratos de carbono na performance mental serem altamente variáveis e subtis.

 

Alterações do humor

Apesar de ser simplista assumir que a ingestão de hidratos de carbono resultará, inevitavelmente, numa melhoria da cognição, há, contudo, indivíduos que são mais susceptíveis a alterações do humor e da função mental pela disponibilidade de glicose. É o caso dos homens, pessoas de idade mais avançada e dos diabéticos com pior controlo glicémico, cuja memória beneficiará após o consumo de alimentos ricos em hidratos de carbono mesmo em tarefas não tão exigentes. Em qualquer dos casos, deverão ser presença assídua na primeira refeição do dia alimentos fornecedores de hidratos de carbono como pão, cereais de pequeno-almoço, bolachas simples, tostas ou fruta (e não os seus sumos).

Deve dar-se preferência às versões mais integrais destes alimentos, pois geralmente têm um menor índice glicémico (IG), isto é, que aumentam a glicemia de forma mais lenta e continuada no tempo. O motivo prende-se com o facto deste tipo de hidratos de carbono atenuarem o declínio da memória ao longo da manhã mais eficientemente do que os mais açucarados (e de maior IG). Este tipo de alimentos parece, ainda, induzir menos sonolência e despertar maior saciedade, ajudando na gestão do peso. Se a opção recair sobre cereais de pequeno-almoço, deve privilegiar-se aqueles fortalecidos em ferro, pois há evidência de um desempenho académico inferior, nomeadamente em matemática, em crianças com anemia. Nesta circunstância, a fruta seleccionada deverá ser uma excelente fonte de vitamina C (laranja, kiwi,...), pois esta aumenta a absorção do ferro.

 

Enriquecer com Ómega 3

Culturalmente, o pequeno-almoço dos angolanos integra leite, que é um alimento que disponibiliza, como nenhum outro, um largo espectro de vitaminas e minerais e num baixo valor calórico. Para o propósito deste texto, este deverá ser preferencialmente enriquecido em ácidos gordos da série ómega 3, com é o caso do ácido docosahexaenóico (DHA). O DHA, além de ser fundamental para o desenvolvimento cerebral no período fetal e pós-natal (atenção às grávidas), tem valor para limitar o declínio cognitivo decorrente do processo de envelhecimento. Algumas marcas comerciais co-suplementam o leite com n-3 e magnésio, que é um mineral habitualmente em défice em indivíduos com maiores índices de stress.

 

O papel da cafeína

O açúcar deve ser evitado neste episódio alimentar, pelo que o leite pode ser acrescentado da droga mais consumida no mundo: a cafeína. Para além dos aspectos de sociabilização associados ao consumo de chá e café, a cafeína é valorizada como psicoestimulante, nomeadamente em ambiente laboral. Neste contexto, são práticas consagradas a toma matinal de café para "arrancar o dia", ao longo do dia em pausas para "repor a energia" ou vespertinamente para combater o cansaço e a fadiga mental.

 

 

 

 

Voltar

 

Jogo entre trabalhadores do Petro Atlético do Huambo

 

Trabalhadores da BP Angola e a direcção do clube desportivo do Petro Atlético do Huambo promoveram um encontro de confraternização com os ex-atletas e o corpo directivo do clube.

 

Segundo o Director de Comunicação e Relações Externas da BP, António Vueba, há uma parceria, há mais de oito anos, entre a sua empresa e o clube do planalto central. Este parceria faz parte do apoio que BP, Sonangol & SSI têm dado no âmbito do programa de apoio social do Bloco 18. “Houve um interesse da parte dos funcionários da BP em sentir a dimensão da sua responsabilidade corporativa nesta área e conhecer in loco os impactos dos projectos que a companhia e seus parceiros têm vindo a financiar”, referiu.

A BP Angola valoriza o trabalho que o Petro de Luanda faz fora do relvado. O clube tem-se empenhado na promoção da educação e valores morais e cívicos no seio da juventude do Huambo. Como parte do seu compromisso social com a BP e os associados do Bloco 18, o clube realiza palestras comunitárias sobre tópicos de HIV / SIDA e preservação do meio ambiente.

 

Ascender ao Girabola

Questionado sobre quais os propósitos concretos da BP para com o Petro do Huambo, Vueba admitiu ser um dos grandes objectivos ajudar a equipa a ascender novamente à primeira divisão da competição de futebol nacional. “O Petro do Huambo tem uma equipa juvenil e o nosso interesse é que essa equipa possa catapultar o clube para o Girabola nos próximos anos. A BP está a apoiar para que isso seja uma realidade”.

No segundo dia, a par das visitas, a jornada começou cedo, no período da manhã, com uma partida de futebol entre a velha guarda da BP e o conjunto do Petro Atlético do Huambo, jogo que teve como resultado 2-3 (vitória para os anfitriões). Pelos visitantes marcaram Nando e Rooney, enquanto Muluzi, Edy e Alcino souberam receber a velha-guarda da BP, apontando um golo cada. Partida que ficou por ser “desforrada” segundo prometeram os visitantes.

 

Projecto Futebol e Cidadania

Na parte da tarde a comitiva da BP deslocou-se à localidade de Cambiote (arredores da cidade do Huambo) onde está a ser implementado o projecto “Futebol e Cidadania” dirigido à inclusão social de jovens e adolescentes, apoiado pelo Petro Atlético do Huambo. Na oportunidade, os petizes foram brindados com um donativo composto por material desportivo oferecido pela delegação da BP que ficou sensibilizada com os resultados da ambiciosa iniciativa, segundo avançou um dos integrantes.

Segundo o seu mentor, José Muluzi, o projecto “Futebol e cidadania” objectiva, para além da ocupação dos tempos livres, motivar e inculcar nas mentes das crianças e adolescentes valores de moralidade e comportamento de um verdadeiro cidadão e promover o desenvolvimento da sua consciência. E os resultados são animadores. “Em conversas que temos mantido com os seus pais e encarregados de educação, estes manifestam satisfação por notarem que, ao nível de comportamento em casa e relação com os amigos, os petizes melhoraram bastante: não dizem obscenidades, sabem relacionar-se com os outros e a importância de não deitarem lixo na rua, por exemplo”.

 O pequeno Eufrásio, de 12 anos, manifestou igualmente satisfação por fazer parte do projecto. “Venho cá jogar à bola e aprender outras matérias sobre saúde, cultura geral, e participar das variadas palestras com que nos têm brindado. Hoje estou particularmente satisfeito porque recebemos mochilas e bolas oferecidas pelos nossos amigos da BP” disse visivelmente satisfeito o futuro grande futebolista, segundo promete.

 “Que as outras instituições sigam o exemplo da BP que hoje nos honra com a sua visita e com alguns presentes. Isso ajuda-nos a tirar estas crianças de ambientes menos saudáveis e a dar-lhes mais ânimo” rematou José Muluzi.

 

 

 

 

 

Voltar

 

Jovens de Luanda ganham novo centro de formação profissional

 

A BP Angola financiou a reabilitação do Centro de Formação Profissional Dom Bosco, administrado pelos Salesianos de Dom Bosco de São José de Nazaré, no distrito de Ingombota, em Luanda. Na nova roupagem, o Centro vai formar profissionalmente jovens, habilitando-os a entrarem no mercado de trabalho, através dos cursos de Frio, Soldadura, Canalização, Construção Civil, Informática, Decoração e Hotelaria. A reinauguração, presidida pelo Superior dos Salesianos de Dom Bosco em Angola, o padre Felisberto Rodrigues, decorreu no dia 30 de Agosto.

 

Com capacidade para albergar, por semestre, mais de 300 alunos, o Centro de Formação Profissional Dom Bosco difere de outros congéneres pelo facto de os seus finalistas poderem realizar estágios profissionais em empresas cadastradas pelo Escritório de Encaminhamento ao Trabalho desta instituição.

O responsável do Escritório, Jorge da Silva, referiu que a estratégia adoptada para este encaminhamento profissional resultou da constatação de que uma boa parte dos formandos, nos cursos anteriormente ministrados, tinha dificuldades em conseguir emprego. «Muitos terminavam o curso e não conseguiam aplicar os conhecimentos adquiridos», lembrou.

Diante desta situação, em 2004, criou-se o referido Escritório, com a finalidade de estabelecer parcerias com empresas do mercado para a absorção dos quadros formados pelo Centro. Volvidos que estão nove anos, o saldo consubstancia-se em mais de 600 empresas cadastradas e 3600 alunos finalistas para encaminhar.

O aluno Francisco Lopes ainda não está inscrito na base de dados de candidatos a uma vaga de emprego do Centro. Mas, ao matricular-se no curso de soldadura, que arrancou recentemente, fê-lo pensar que, no final dos seis meses, pode ser um dos seleccionados para emprego. «Estou confiante», disse.

Embora a inauguração tenha sido no dia 30 de Agosto, o Centro Dom Bosco reabilitado já funciona desde Março, em dois períodos. Desde então, ministram os cursos de Frio, Soldadura, Canalização, Construção Civil, Informática, Decoração e Hotelaria básica.

Pela dinâmica que o surgimento dos novos cursos deram ao espaço – até agora subaproveitado – o director pedagógico, Domingos Gabriel, agradeceu o financiamento de 350 mil dólares feito pela BP Angola para a sua reabilitação e apetrechamento. «Sem o apoio da BP, o nosso padrinho, não estaríamos aqui, hoje, a inaugurar este Centro. Agradecemos muito a ajuda prestada. Nós aqui não formamos apenas, mas também educamos os jovens», reforçou.

 A cerimónia de inauguração – que contou também com um desfile de moda com trabalhos realizados por alunos – foi presidida pelo Superior dos Salesianos de Dom Bosco em Angola, o padre Felisberto Rodrigues, acompanhado pelo director-geral dos centros de formação, padre Santiago.

 

Investimento no capital humano

Na ocasião, o Vice-presidente para área de Comunicação e Relações Externas da BP Angola, Paulo Pizarro, falou da necessidade de se apostar na formação dos jovens para que estes possam responder às necessidades do mercado de trabalho angolano, cada vez mais concorrido.

No seu pronunciamento, momentos depois da visita guiada às instalações do novo Centro, Paulo Pizarro referiu que aquela inauguração tinha um significado especial. «É uma sensação de realização depois do esforço que foi feito para a reabilitação. Sentimos que estamos a fazer algo positivo para a comunidade, mas propriamente aqui, a da Boa Vista. É um projecto que visa formar jovens. Jovens que sairão daqui e irão impulsionar o mercado de trabalho, o que é importante porque precisamos de pessoas formadas para executarem as mais variadas tarefas».

Por esta razão, segundo referiu o responsável, a BP Angola continuará a apoiar o projecto. «Vamos continuar a apoiar. O trabalho é importante, precisamos de quadros com competências e habilidades profissionais, e este Centro permite isso. Temos que investir no capital humano para garantir a sustentabilidade do País», concluiu.

Também para o director do Desenvolvimento Sustentável da BP Angola, Gaspar Santos, “o apoio prestado pela BP na ampliação e apetrechamento deste centro, enquadra-se na estratégia da BP de investimento no capital humano. Acreditamos que este projecto vai formar profissionalmente muitos jovens e habilitá-los a entrarem no mercado de trabalho. Este é o nosso modesto contributo para ajudarmos na redução da pobreza e exclusão social, bem como na edificação de um futuro sustentável em Angola”.

 

 

Voltar

 

 

Odebrecht leva “Saúde nas aldeias” à Lunda Norte

 

O Projecto Katata-Lôvua da Odebrecht Infraestrutura lançou, em Agosto, na comuna do Lôvua, Lunda Norte, um projecto denominado "Saúde nas aldeias”, inserido no programa de assistência social às comunidades.

Segundo a responsável para área social da Odebrecht, Virgínia Machado da Silva, o “Saúde nas aldeias” é um programa sanitário dirigido às comunidades na área da educação e promoção da saúde com vista à prevenção de doenças infecciosas.

Entre outras temáticas, destaca-se a higiene infantil – demonstrando às crianças como lavar as mãos e escovar os dentes, por exemplo –, acompanhado da distribuição de kits de higiene. A hipertensão arterial e o seu controle é uma outra área alvo de palestras de sensibilização.

O programa "Saúde nas aldeias", lançado no bairro Mbumba Tembo, é extensivo aos restantes 27 bairros da comuna do Lôvua.

 

 

Voltar

 

Programa Chaleno Kiambote soma resultados na promoção da saúde

 

O programa Chaleno Kiambote, desenvolvido pela Odebrecht Infraestrutura no projeto Aproveitamento Hidroelétrico de Cambambe, somou, nos últimos meses, bons resultados na promoção da saúde e geração de rendimento nas comunidades onde atua.

No final de Julho, a iniciativa formou 28 agentes voluntários de saúde para atuar na prevenção de doenças como o HIV / SIDA, malária, tuberculose e diarreia, nas cidades de Cambingo, Terra Nova, Massangano e Kalenga.

O curso, com a duração de 16 horas, foi ministrado por Jorge Preto, integrante da equipe de Saúde Ocupacional do escritório da Odebrecht em Angola.

"Fomentar a prática de ações preventivas para a saúde familiar, como lavar as mãos, ferver a água antes do consumo, utilizar mosquiteiros e depositar o lixo em lugares apropriados, são hábitos simples que podem proteger as famílias de graves problemas de saúde", destacou Vanessa Silva, integrante responsável pelo Chaleno Kiambote.

O programa foi realizado no âmbito do projeto Bwé Saúde, que, na gíria, quer dizer “muita saúde”. Tem como principal objetivo sensibilizar as pessoas sobre práticas que beneficiem o bem-estar e a qualidade de vida.

 

Voltar

 

Campanha Trânsito Seguro reduz a sinistralidade

 

Mais de 500 voluntários saíram às ruas de Luanda e Ndalatando, província do Kuanza Norte, em Agosto, numa campanha destinada a sensibilizar os utentes da via pública sobre os cuidados a ter, com vista à redução da sinistralidade.

Promovida pelo Projecto Via Expressa da Odebrecht Infraestrutura e a Direcção Nacional de Viação e Trânsito, em colaboração com o INEA, a iniciativa permitiu abordar cerca de vinte mil utilizadores, entre automobilistas e peões.

A campanha foi aberta pelo Director em exercício da Direcção Nacional da Viação e Trânsito, subcomissário Conceição Gomes, que a considerou oportuna. “Esta iniciativa foi realizada numa boa ocasião, uma vez que o número de acidentes nas vias tem sido elevado, o que justifica a consciencialização do cidadão para os devidos cuidados na circulação e no uso dos bens que se encontram na via pública”, afirmou na ocasião.

Por sua vez, o director de Planejamento, Pessoas e Relações Institucionais da Odebrecht, Marcus Felipe, afirmou que é dever da sua empresa ajudar na resolução dos problemas e ainda mais quando se trata de pessoas. “A Odebrecht tem na sua política de responsabilidade social o trabalho com as comunidades. E esta campanha é mais voltada ao peão, na medida em que todo o condutor é um peão, mas nem todo peão é um condutor. Assim, dialogamos e estimulamos os transeuntes no sentido de uma maior tomada de consciência sobre a importância do trânsito seguro, como uma forma de reduzir a taxa de mortalidade no país, para a qual os acidentes constituem a segunda maior causa”, afirmou.

Esta é a quarta edição da Campanha “Trânsito Seguro”, realizada pelo Projecto Vias Expressa da Odebrecht.

 

 

Voltar

 

Luanda combate a cólera

 

Uma equipa de cerca de setenta profissionais, entre médicos, psicólogos, técnicos de saúde e mobilizadores, trabalha regularmente para prevenir a cólera no município de Luanda.

 

A comissão administrativa da cidade de Luanda – que gere os distritos de Ingombota, Kilamba Kiaxi, Maianga, Rangel, Samba e Sambizanga – convidou o JS a acompanhar uma das acções de sua responsabilidade. Como nos conta a técnica de saúde, Paula Oliveira, “distribuímos hipoclorito de cálcio para desinfectar a água nos distritos do município de Luanda. Estamos também a trabalhar com os serviços penitenciários, designadamente com a cadeia central de Luanda, onde se registou um caso de diarreia e vómito,  o que nos levou a desinfectar as casernas e outros compartimentos. Também aplicámos a primeira dose de vacina de  tétano aos funcionários e aos encarcerados  e administramos o albendazol”.

Técnicos fazem palestras e ensinam à população as medidas adequadas a tomar.

Entre 31 de Dezembro de 2012 e 12 de Abril do corrente ano foram notificados 1791 casos de cólera, 177 dos quais em Luanda. Do total a nível nacional foram referenciadas 51 mortes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

Copyright © 2018 Jornal da Saúde Angola. Todos os direitos reservados. Created by Paulo Link