MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Rui Moreira de Sá

Director Editorial

direccao@jornaldasaude.org

Salvar vidas

 

Quantas vezes desviamos e paramos o nosso carro para dar passagem a uma ambulância? O JS deste mês dá destaque a um serviço que, embora tenha uma face bem visível – as ambulâncias do INEMA que cruzam as artérias congestionadas de Luanda e demais vias –, o esforço e dedicação dos seus profissionais não é tão conhecido e nem sempre reconhecido. O seu lema “Proibido morrer numa ambulância nossa” é esclarecedor do forte empenho dos técnicos envolvidos nas missões de socorro e auxílio, numa luta diária contra os demorados engarrafamentos na capital e os acessos difíceis entre as diversas localidades, ao mesmo tempo que monitorizam os sinais vitais do paciente.

Pode ler ainda nesta edição como funciona um laboratório de análises 5 estrelas, uma abordagem esclarecedora aos cuidados paliativos – uma necessidade que urge colmatar – e algumas medidas que podem ajudar a combater a infertilidade.

Entretanto, participe na Semana da Farmácia Angolana e nas Jornadas Científicas de Enfermagem, no início de Outubro, e inscreva-se já no XI Congresso Internacional dos Médicos em Angola que, sob o lema “Os médicos e os seus contributos na consolidação social”, vai reunir, em Janeiro de 2016, os clínicos e responsáveis do sector em torno de um vasto programa científico de excelência.

 

 

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BRUNO CARDOSO

O laboratório de análises clínicas da Girassol atende cerca de seis mil pacientes por mês. Tem  uma capacidade instalada para realizar 72 mil exames mensais, 60 % dos quais da área de bioquímica

Análises clínicas na Clínica Girassol.

Resultados fiáveis em 30 minutos conduzem a melhores decisões clínicas

 

Alta tecnologia permite “ver” e medir em minutos o mundo invisível das substâncias químicas, vírus e bactérias.

 

Francisco Cosme

e Rui Moreira de Sá

 

Bastam 30 minutos para lhe dar as boas, ou as más…, notícias. Se a análise for simples, como por exemplo a medição da glicemia, então o veredicto nem chega a um minuto. Este “milagre” que permite uma grande rapidez no diagnóstico médico – por vezes decisivo – é conseguido graças aos equipamentos de alta tecnologia que equipam o laboratório de análises clínicas da Girassol.

 

Bruno Cardoso é chefe do laboratório de análises clínicas. Ele e a sua equipa têm de ver e medir o que é invisível a olho nu: um universo de substâncias químicas, vírus e bactérias de quem a vida humana depende. Trata-se do mundo da bioquímica, da microbiologia, da imunologia e da hematologia. Bruno e os seus colaboradores têm aos seus ombros responsabilidades que contribuem para salvar as vidas dos pacientes: devem fornecer aos médicos, em tempo útil, com qualidade e fiabilidade, as informações de que estes necessitam para fazerem um diagnóstico correcto e tomarem as suas decisões clínicas. Estamos a falar, nada mais, nada menos, do que em 6 mil pacientes por mês e uma capacidade instalada para realizar 72 mil exames mensais, dos quais a área de bioquímica é responsável por 60 por cento. Hemogramas podem atingir 1500 por hora.

Para tanto, precisam de máquinas tecnologicamente evoluídas. Que funcionem bem, sejam rápidas e eficientes. Trabalham com duas grandes marcas mundiais: a Siemens e a Roche. A mais recente aquisição é um equipamento com um nome curioso, mas que faz milagres: cobas 6000.

De acordo com o chefe do departamento de análises clínicas da Girassol, o recém-instalado equipamento cobas 6000, da Roche “tem a capacidade de analisar, ao mesmo tempo, com uma única amostra, parâmetros bioquímicos e de imunologia, é rápido e estável. Responde dois em um. Pode analisar até 600 amostras por hora. O seu poder de resposta é grande: o resultado da análise à glicémia demora, em média, menos de um minuto”.

Na bioquímica, “podemos definir os perfis, nomeadamente o renal, o hepático, entre outros, através da análise de 15 a 20 parâmetros, como por exemplo a bilirrubina, albumina, CK, creatinina, ureia, triglicéridos, HDL, colesterol, troponina, ácido fólico, ferritina, glicemia, magnésio, cálcio, entre vários. Na área de imunologia, avaliamos os marcadores cardíacos, os tumorais, com a análise, por exemplo, à troponina, CK, CA 125 (ovários), CA 15-3 (mama), CA 19-9 (pâncreas), PSA, CEA, AFP, na infectologia o HIV, as hepatites A, B e C, a sífilis, entre muitos outros”, diz à reportagem do JS.

De acordo com este responsável, o laboratório atende diariamente, em média, cerca 110 pacientes externos. Em Setembro, recebeu 1489 doentes internos. O banco de urgência atende uma média mensal de três mil pacientes, o que equivale à medição de cerca de 20 mil parâmetros laboratoriais por mês.

 

 

 

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ANTÓNIO VERGARA

“A instalação do cobas 6000 nesta unidade de saúde permitirá elevar a fasquia no que concerne à qualidade laboratorial em Angola”

Roche aposta no mercado angolano

 

Líder mundial em diagnósticos laboratoriais instala equipamento na Clínica Girassol

 

A Roche, empresa líder mundial em diagnósticos in vitro, acaba de anunciar a sua expansão em Angola, através da instalação do sistema cobas 6000, na Clínica Girassol. O facto desta unidade de saúde ser reconhecida como um espaço de excelência, não só no mercado angolano mas também nos países da região africana, fez dela o candidato ideal para este investimento.

O director geral da Roche Diagnósticos em Portugal, António Vergara, esclarece que “a Clínica Girassol dispõe de um laboratório muito dinâmico e pretende estar equipada com tecnologia de ponta, de forma a satisfazer as necessidades dos doentes. A instalação do cobas 6000 nesta unidade de saúde permitirá elevar a fasquia no que concerne à qualidade laboratorial em Angola, oferecendo uma maior capacidade de processamento, tempos de resposta mais curtos e a qualidade inequívoca dos testes produzidos pela Roche”.

Em funcionamento desde Abril de 2015, o cobas 6000 é um sistema modular de diagnóstico laboratorial para as áreas de química clínica e imunologia. A sua versatilidade permite tempos de resposta mais reduzidos, assim como a realização de testes até agora inexistentes na Clínica Girassol. O equipamento encontra-se  ligado ao sistema informático do laboratório, o que permite a transmissão de resultados em tempo real.

 

Cerca de 70% das decisões clínicas são influenciadas por testes de diagnóstico

O diagnóstico in vitro implica muito mais do que dizer a um médico se um doente tem ou não uma determinada doença. Sabendo que 70% das decisões clínicas são influenciadas por testes de diagnóstico, a Roche pretende contribuir para que os profissionais de saúde identifiquem o tratamento mais adequado para cada doente, recorrendo a testes de diagnóstico específicos que prevêem a resposta a um determinado tratamento e que permitem determinar os níveis mais adequados de dosagem e duração da terapêutica.

 

Investimento em diagnósticos in vitro representa 2% do total a despesa de saúde mundial

“O investimento no mercado angolano insere-se numa estratégia a longo prazo que a empresa tem vindo a implementar, e que passa, não só pela aposta na instalação de equipamentos de última geração em alguns laboratórios de grande potencial, mas também pela sensibilização do  respectivo corpo  clínico para o valor médico dos testes. Os laboratórios têm um papel central na decisão clínica e estão muitas vezes subaproveitados. De acordo com um estudo recente nesta área, o valor gasto em diagnósticos in vitro é de apenas 2% do total da despesa de saúde mundial. Testes inovadores e resultados rápidos e fiáveis conduzem a melhores decisões clínicas, o que tem um enorme impacto na saúde do doente e também significativas reduções de custos”, acrescenta António Vergara.

Representada em Angola pela distribuidora Hospitec, a presença da Roche Diagnósticos no mercado angolano assenta em quatro eixos estratégicos: assegurar a proximidade com os principais stakeholders da área da saúde, conquistar e reforçar a notoriedade da marca, contribuir ativamente para a promoção da formação e desenvolvimento dos profissionais de saúde e entrar em novas áreas de diagnóstico, nomeadamente HIV, oncologia e hematologia.

 

Acompanhamento técnico e mais-valias do cobas 6000

O director geral da Hospitec, João Perino,  explica que “o acompanhamento técnico do cobas 6000 na Clínica Girassol é realizado através da presença regular de profissionais credenciados para o efeito e do apoio à formação dos utilizadores, de forma a garantir uma rápida resposta a qualquer necessidade que surja”. Quanto aos benefícios deste sistema para a Clínica e doentes, João Perino não tem dúvidas em afirmar que “o cobas 6000 representa um salto qualitativo ao nível da inovação, através da rentabilização do tempo dos operadores, controlo dos fluxos de trabalho, capacidade de processar amostras de urgência, testes reflexo-automáticos e simplificação das manutenções”.

O investimento na Clínica Girassol é o maior que a Roche fez até hoje nesta região de África, pelo facto de envolver o investimento em equipamentos, mas também a aposta na qualificação dos técnicos de laboratório, assistência técnica e formação dos profissionais de saúde.

 

 

 

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O alívio do sofrimento, a compaixão pelo doente e seus familiares, o controle dos sintomas e dador, a busca pela autonomia e manutenção de uma vida activa enquanto ela durar são alguns dos princípios dos Cuidados Paliativos cuja importância começa a ser reconhecida em Angola

CUIDADOS PALIATIVOS:

uma necessidade que urge colmatar

 

Lúcio Lara Santos

Professor Doutor, oncologista cirúrgico e assessor do IACC

ONCOCIR-Angola

 

Os doentes com doenças crónicas em quem não há possibilidade de cura, ou mesmo a possibilidade de prolongar a vida, continuam a necessitar de cuidados médicos. Eventualmente, é nesta altura, uma vez que os problemas são variados e em evolução, que mais necessitam de apoio.

No sentido de cuidar estes doentes, nasceu um movimento destinado a melhorar a assistência dada às pessoas, cuja doença deixou de ter uma abordagem curativa, ajudando-os a viver o melhor possível, até à morte.

 

Se o tempo de vida não pode ser aumentado, a sua qualidade deve ser maximizada.

Na década de 60 foi fundada uma instituição para estes doentes conhecida como St. Christopher’s Hospice em Sydenham, numa localidade próxima de Londres, pela Dra. Cicely Saunders. O trabalho desenvolvido naquela instituição provou, claramente, como se podia melhorar significativamente a qualidade de vida, quando se prestava a atenção adequada ao alívio da dor e dos outros sintomas físicos, bem como aos aspectos psicológicos, sociais e espirituais do doente e sua família.

O êxito deste projecto transformou-o num ponto de referência dos cuidados paliativos, permitindo que a sua filosofia se expandisse no mundo.

Mais tarde, a OMS publica um documento em que reconhece a importância dos cuidados paliativos e onde se considera o tratamento da dor e de outros sintomas, como uma das prioridades da luta contra o cancro, a par da prevenção primária, do diagnóstico precoce e do tratamento curativo. Esse documento considera que, durante muito tempo, os cuidados paliativos serão a única solução, ao mesmo tempo humana e realista, para numerosos doentes e que nada é mais importante, para a sua qualidade de vida, que a permanente difusão e aplicação dos conhecimentos já disponíveis sobre o tratamento da dor e dos outros sintomas que atentam contra estes doentes. O número de programas de cuidados paliativos, tem crescido significativamente. Em 1996 existiam em todo o mundo cerca de 3500 a 4000 programas de cuidados paliativos, sendo neste momento uma especialidade médica reconhecida no Reino Unido, Austrália e Canadá.

Actualmente, este tipo de cuidados desenvolvem-se em unidades de cuidados paliativos, através programas de apoio ao domicílio, centros de cuidados prolongados (hospícios) e equipas de cuidados paliativos de apoio a hospitais gerais e a centros de saúde.

Em 2007 existiam 136 hospícios e organizações identificadas com os cuidados paliativos em 15 países africanos, mais da metade na África do Sul. Na sua maioria são dependentes de organizações não-governamentais, de caridade e organizações religiosas.

Alguns países africanos têm suas próprias organizações de Cuidados Paliativos. A Associação Africana de Cuidados Paliativos (APCA), fundada em 2002, apoia a formação nesta área do cuidar e tem um trabalho meritório (http://www.africanpalliativecare.org/).

 

Situação em Angola

Em Angola, existem unidades de saúde que prestam apoio domiciliar ao doente crónico. Várias acções formativas tem tido lugar no país. Em 2006 teve lugar o seminário nacional de capacitação sobre 'Apoio psicossocial e cuidados domiciliares a pessoas portadoras do HIV'. A Clínica Sagrada Esperança realizou, recentemente, um curso de cuidados paliativos em oncologia para médicos e enfermeiros. O Ministério da Saúde tem desenvolvido acções para que o combate à dor crónica seja uma realidade com recursos e equitativa. Assim, é crescente a consciência de que se deve desenvolver, de forma organizada e eficaz, os cuidados paliativos em Angola.

O alívio do sofrimento, a compaixão pelo doente e seus familiares, o controle impecável dos sintomas e da dor, a busca pela autonomia e pela manutenção de uma vida activa enquanto ela durar: esses são alguns dos princípios dos Cuidados Paliativos que, começam a ser reconhecidos, como importantes, em todas as esferas da sociedade angolana.

 

O que temos que fazer?

 

  • Congregar e coordenar os profissionais da área da saúde e de outras áreas do conhecimento interessados na implementação dos cuidados paliativos em Angola;
  • Estimular e apoiar o desenvolvimento e a divulgação do conhecimento científico na área dos cuidados paliativos, promovendo e a capacitação permanente;
  • Estimular iniciativas e obras sociais de apoio ao doente incurável e em fase terminal de vida e possibilitar a cooperação entre as organizações interessadas em atividades educacionais, assistenciais e de pesquisa relacionadas com os cuidados paliativos;
  • Auxiliar os profissionais da área da saúde interessados no tratamento dos principais sintomas e problemas relacionados com os cuidados paliativos, onde a dor crónica se destaca;
  • Estabelecer e manter intercâmbios científicos e convénios com organizações nacionais e estrangeiras, envolvidas no desenvolvimento dos cuidados paliativos;
  • Criar um registo atualizado e conhecido pela população das instituições públicas e privadas que se dedicam aos cuidados paliativos;
  • Patrocinar, promover, apoiar e zelar pelo nível ético, eficiência técnica e sentido social no exercício profissional do cuidado paliativo e o acesso aos algésicos eficazes e a preços suportáveis pela população;
  • Criar condições para que a medicina paliativa possa vir a ser reconhecida como especialidade médica em Angola;

 

Nota: Para os interessados existe disponível na Net um livro muito útil e grátis para quem quer iniciar a sua formação em cuidados paliativos:

 

http://cuidadospaliativos.org/uploads/2011/08/Juego%20de%20Herramientas%20-Portugues-.pdf

 

 

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Directora de Enfermagem da Maternidade Lucrécia Paim, Ema Cunha.

“Se tratarmos um doente com carinho poderemos aliviar muito o seu sofrimento”

 

Lúcio Lara Santos

Professor Doutor, oncologista cirúrgico e assessor do IACC

ONCOCIR-Angola

 

Francisco Cosme

com Eileen Barreto

 

“Se tratarmos um doente com carinho, poderemos aliviar muito o seu sofrimento. Antigamente, esta tarefa de humanização dos serviços era atribuída a freiras e religiosas que a cumpriam por amor e carinho. No entanto, esta responsabilidade deve ser de todos. Devemos saber precisamente o que é humanizar e porque é que humanizamos”. As palavras são da Directora de Enfermagem da Maternidade Lucrécia Paim, Ema Cunha, em vésperas da realização das 2as Jornadas Científicas de Enfermagem que irão reunir cerca de 200 enfermeiros, entre 7 e 9 de Outubro, em Luanda.

 

Consciencializar os profissionais de saúde para um atendimento humanizado, promover a reflexão sobre a assistência materno infantil, trocar experiências entre profissionais a todos os níveis de actuação e proporcionar a interação profissional e valorização da equipe multidisciplinar são os principais objectivos das Jornadas.

Organizadas pela Maternidade Lucrécia Paím, sob o lema “Humanização da Assistência Materna e Perinatal”, e sub-lema “Rumo à Assistência Humanizada para a Promoção da Vida”, o evento procura ainda contribuir para reduzir os indicadores de mortalidade materna e perinatal, reflectir sobre a qualidade da assistência de enfermagem, prestar um contributo científico para a melhoria da prestação de cuidados e responsabilizar o acto de cuidar aos profissionais de saúde.

Em entrevista ao Jornal da Saúde, a Directora de Enfermagem da Maternidade Lucrécia Paim, Ema Cunha, disse esperar que “esta formação – sim, porque as jornadas são sempre uma formação – concorra para melhorar a prestação de serviços de saúde, essencialmente no que diz respeito à humanização. É o nosso tema central e que iremos discutir com várias instituições”.

Para além da Maternidade Lucrécia Paim – que é a unidade de saúde organizadora do evento –  “contamos com todos os hospitais de Luanda e também com profissionais que virão das províncias, como psicólogos e sociólogos que prestarão o seu contributo para a discussão do conceito de humanização”, adiantou.

Os participantes das Jornadas debaterão 53 temas, com maior destaque para os que abordam a humanização na assistência à saúde. Segundo Ema Cunha “os participantes esperam sair capacitados no sentido de uma melhoria nas suas tarefas dentro das instituições no que diz respeito ao tema central que é a humanização na assistência em saúde”.

Para a directora de enfermagem da Lucrécia Paím o “desafio é melhorarmos cada vez mais a nossa prestação de serviço do que diz respeito à palavra com o utente, à palavra com o usuário e à palavra com o próprio profissional. Isto é o que se espera da humanização”, garantiu.

“Pensámos organizar estas Jornadas porque temos identificadas muitas situações relativas ao atendimento. O gabinete de utente regista as queixas e críticas dos nossos usuários sobre a forma como as pessoas são tratadas. Assim, para podermos contribuir para a redução destas queixas, decidimos debater neste tema”, disse.

 

Humanizar é acolher

As sessões vão falar no acolhimento. Humanizar é acolher, segundo a Directora de Enfermagem. Para Ema Cunha “quem acorre aos hospitais são as pessoas que necessitam de ser bem tratadas e não só com medicamentos ou solicitações de exames clínicos. A forma como vamos receber a pessoa ou a forma como vamos falar com esta pessoa, a forma como vamos expressar o nosso sentimento em relação ao problema que a trouxe ao hospital é o mais importante porque a primeira impressão é que fica”, garante. “A humanização começa a partir da porta de entrada. No nosso caso, à porta da entrada estão os seguranças que devem saber falar bem com os utentes, quer venham de carro ou a pé. Logo a seguir, quando chegar à porta do banco de urgências irá encontrar um outro profissional, que, neste caso, é o maqueiro ou o porteiro. Estes deverão saber também como actuar em relação ao utente. Mais à frente, encontrará a nossa triagem e o colega que faz os registos. Este profissional também deverá saber como posicionar-se em relação ao utente. Quando o doente entrar na sala de assistência, já entra com outro ânimo, sente-se em família, perde o medo, a vergonha”, defendeu.

 

A cura começa à entrada

“A cura começa na entrada”, diz-nos Ema Cunha, verdadeiramente imbuída do espírito de Florence Nightingale.  “No caso de ser uma utente, por isso do sexo feminino, vem acompanhada da sua família que também deve ser tratada com muito carinho. Depois de nos entregarem a doente, terão que esperar fora do banco de urgência e não podem ficar preocupados. Têm que saber que a esposa, mãe ou filha está a ser muito bem assistida porque desde a entrada no hospital receberam o carinho que lhes transmitiu confiança”, defendeu.

 

Orgulho da classe

 

Orgulhamo-nos muito desta actividade! Só com formação a classe consegue crescer. Não existe classe profissional que cresça sem formação. É com formação que cada um dos profissionais poderá saber e conhecer os seus deveres e obrigações no que diz respeito ao nosso tema central porque a humanização é algo que vem de há muito. Antigamente esta tarefa de humanização dos serviços era atribuída a freiras e religiosas que a cumpriam por amor e carinho. No entanto, esta responsabilidade deve ser de todos. Devemos saber precisamente o que é humanizar e porque é que humanizamos. Se tratarmos um doente com carinho, poderemos aliviar muito o seu sofrimento. É nesta base que vamos juntar as pessoas para conversar e discutir o nosso tema central.

 

 

 

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Salvar vidas é a maior recompensa para os profissionais do INEMA

 

Francisco Cosme dos Santos com Magda Cunha  Viana

Fotos: PAULO DOS ANJOS

 

O lema do Instituto de Emergências Médicas de Angola (INEMA), “proibido morrer numa ambulância nossa”, é esclarecedor do forte empenho dos profissionais envolvidos nas missões de socorro e auxílio.

O trabalho implica uma luta diária contra os demorados engarrafamentos na cidade de Luanda e os acessos difíceis entre as diversas localidades.

Mas, lutando contra todas as dificuldades, as equipas do INEMA cumprem a sua missão - salvar vidas.

 

Basta um telefonema para o número 116 para que, após uma rápida triagem no centro de coordenação do INEMA, seja de imediato enviada uma ambulância com suporte básico de vida (equipada para prestar assistência adequada a cada caso avaliado na triagem) e uma tripulação constituída por dois enfermeiros e um técnico.

O Jornal da Saúde acompanhou uma transferência intra-hospitalar e entrevistou o supervisor de enfermagem João Brandão, o qual esclareceu que, quando uma ambulância se encontra em serviço, ficam na base duas viaturas de prontidão para chamadas de socorro, de transporte ou de pedidos de auxílio dos postos avançados.

Muitas vezes as viaturas são obrigadas a ultrapassar as dificuldades dos trajectos, principalmente nas zonas periféricas onde, frequentemente, não há energia eléctrica.

O acesso problemático às ruas terciárias e a falta de sinalização são problemas apontados por João Brandão.

 

Os engarrafamentos na cidade atrasam operações de socorro

Devido ao trânsito citadino, um percurso efectuado aos fins-de-semana poderá demorar, em média, trinta e cinco minutos (dependendo da localidade para a qual a ambulância é chamada). Porém, durante a semana, mesmo nos dias em que não há muitos engarrafamentos, pode levar mais de uma hora.

Acidentes rodoviários

As vítimas de acidentes rodoviários são a principal causa de pedidos de socorro para o 116.

 

Traumatismos cranianos e politraumatizados

Os profissionais do INEMA recebem formação para assistir vítimas de traumatismos, desde a chegada ao local do sinistro até à entrada no doente no hospital.

Para fazer face a casos mais graves, as ambulâncias possuem equipamento de imobilização dos membros superiores e inferiores e da coluna, bem como um colar cervical e um bloco para manter a cabeça imóvel.

 

Paragens cardio-respiratórias

É também frequente a transferência intra-hospitalar de vítimas de paragens cardio-respiratórias, ou de pacientes em cuidados intensivos.

As equipas de socorro possuem formação para actuar em conformidade com os diversos quadros clínicos. A preparação inclui formação para operar equipamento de reanimação.

 

Operações de busca e salvamento fora das localidades

As operações de busca e salvamento fora das localidades apresentam ainda mais dificuldades devido à distância a que ficam dos estabelecimentos hospitalares mais próximos.

Ao chegarem a um local onde ocorreu um acidente rodoviário, os socorristas procuram de imediato os sinais vitais da vítima.

Caso se verifique que o sinistrado está a ter dificuldade respiratórias os profissionais do INEMA recorrem a uma pinça para tentarem encontrar e remover qualquer objecto – por exemplo um fragmento de osso quebrado no embate e que esteja a obstruir as vias respiratórias.

 

Cada segundo é precioso

Se este procedimento não resultar poderá ser necessário efectuar uma cricotomia, ou mesmo uma traqueotomia, para permitir a passagem de ar para os pulmões.

O sinistrado, já com máscara de oxigénio e entubado, é colocado na ambulância e segue com a rapidez possível até à unidade hospitalar mais próxima e/ou mais adequada à situação.

O serviço de emergências médicas de Luanda, funciona vinte e quatro sobre vinte e quatro horas. Actualmente conta com a colaboração diária de 51 profissionais repartidos por áreas distintas, dos quais três são médicos, 25 são enfermeiros, 21 técnicos e  três administrativos.

O INEMA conta com 20 ambulâncias (que incluem as de suporte avançado de vida com uma equipa composta por um médico, dois enfermeiros e um técnico) que prestam assistência aos 12 postos avançados criados dentro e fora das áreas urbanas de Luanda.

 

 

 

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Centro de Coordenação do INEMA recebe pedido de auxílio e actua de imediato

 

No dia 16 de Setembro, cerca das 13 horas, foi recebido na base operacional dos serviços de emergências médicas do Bairro Popular, em Luanda, um pedido de auxílio por parte do Hospital do Prenda.

 

Tratava-se de um homem de 48 anos com historial de insuficiência renal, ao qual foi detectada uma elevada taxa de creatinina que poderia indiciar um agravamento da função renal.

 

Começa a corrida contra

o tempo … e o trânsito

 

Pouco depois seguiu uma ambulância do INEMA, mas o trânsito dificultou o trajecto e foram necessárias muitas manobras, pedidos de desvio de outros veículos, sempre com a sirene a emitir o seu sinal de alarme.

 

Apesar de todos os esforços a ambulância só consegue chegar ao local cerca de trinta e cinco minutos depois do telefonema efectuado para o centro de coordenação do INEMA.

 

Concluídos os procedimentos obrigatórios para uma transferência intra-hospitalar, o paciente, que se encontrava sedado, seguiu finalmente para o hospital Josina Machel (Maria Pia).

 

Durante o percurso foram

controlados os sinais vitais

do doente.

 

Cinco minutos depois o paciente chega ao Josina Machel.

 

O doente foi transferido

com toda a segurança

e acompanhamento clínico.

 

Mais uma missão cumprida com êxito.

Mais uma vida salva.

 

 

 

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Noé Mucage, director do hospital municipal de Quiculungo.

“A vacinação é o método mais seguro para prevenir a raiva”

 

O director do hospital municipal de Quiculungo, no Cuanza Norte, Noé Kipezo Zua Mucage, defendeu este mês a intensificação de campanhas de vacinação antirrábica aos animais de estimação (cães, gatos e macacos) como a única via para o controlo da propagação da raiva.

 

n O responsável – que falava a propósito do Dia Mundial da Luta contra a Raiva, celebrado a 28 de Setembro – considerou a vacinação dos animais como o método mais seguro para prevenção da doença e, consequentemente, a morte das vítimas de mordeduras de animais

Lembrou que a raiva é uma infecção viral letal que compromete o sistema nervoso central e é transmitida por mordedura, arranhões e saliva de animais infectados.

Noé Mucage aconselhou as pessoas mordidas a lavarem imediatamente a ferida com água corrente e sabão e, seguidamente, dirigirem-se a uma unidade sanitária para a devida assistência.

Por outro lado aconselhou os donos de cães, gatos e macacos a levarem os seus animais aos serviços de veterinária para serem vacinados, visando evitar situações perigosas.

De Janeiro a Setembro registou-se a morte de dois cidadãos vítimas de raiva.

 

 

 

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Bolongongo.

Eficiência no atendimento hospitalar satisfaz pacientes

 

 Os pacientes internados no centro municipal de saúde de Bolongongo, no Cuanza Norte, manifestaram-se satisfeitos com o trabalho prestado pelos enfermeiros da referida unidade sanitária.

 

Numa ronda realizada pela Angop, a propósito do 25 de Setembro (Dia Nacional dos Trabalhadores da Saúde), sobre o atendimento hospitalar, a maioria dos utentes elogiou os serviços  prestados, tendo considerado de personalizada a assistência dos enfermeiros, fundamentalmente, o respeito no cumprimento do horário estipulado para a medicação dos pacientes internados.

A paciente Maria Diogo, hospitalizada há mais de uma semana por problemas de reumatismo, disse ter sido internada em estado debilitado, mas que agora sente-se recuperada, graças aos cuidados médicos recebidos.

“A unidade sanitária possui fármacos suficientes e dieta alimentar adequada, facto que tem contribuído para a recuperação rápida dos doentes”, explicou.

Uma outra paciente, Rita Congo, exaltou a organização e o funcionamento da instituição sanitária.

Apelou as demais unidades hospitalares da região para seguirem o mesmo exemplo, para o bem-estar da população.

Por sua vez, o director municipal da Saúde, António Ernesto António, esclareceu que a melhoria do trabalho no estabelecimento resulta de campanhas de sensibilização, realizadas pela instituição, no âmbito da humanização dos serviços de saúde e da harmonização da relação doente/enfermeiro, primando pelo respeito à deontologia profissional e amor ao paciente.

Com uma capacidade para internar 52 pacientes, o Centro de Saúde de Bolongongo é assegurado por 20 enfermeiros e atende cerca de 60 doentes por dia. A unidade presta serviços de pediatria, banco de urgência, laboratório, maternidade, farmácia entre outros.

As patologias mais registadas são a malária, doenças respiratórias agudas e hipertensão arterial.

 

 

 

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Motorizadas facilitam assistência sanitaria

 

A administração municipal do Quiculungo entregou este mês um conjunto de motorizadas a técnicos de saúde com o objectivo de facilitar a prestação de serviços sanitários junto às populações.

 

O administrador municipal, João António Gaspar, disse, no acto de entrega, que “as motorizadas atribuídas destinam-se a facilitar a locomoção dos técnicos de saúde, de modo a estarem mais próximos das comunidades em que laboram”.

João António Gaspar manifestou-se ainda satisfeito com o empenho e dedicação dos profissionais da saúde nesta região. “Mesmo diante das dificuldades económicas que o país enfrenta continuam a prestar a assistência de qualidade às populações, facto que está a contribuir para a redução da taxa de mortalidade”, afirmou.

A acção enquadrou-se nas comemorações do 25 de Setembro, dia do Trabalhador da Saúde em Angola, em homenagem ao médico e nacionalista Américo Boavida, morto durante a guerra de libertação nacional na província do Moxico.

O município de Quiculungo tem uma rede sanitária constituída por um hospital municipal, oito postos de saúde e um centro de tratamento de doenças infectocontagiosas, assegurado por 42 técnicos de saúde.

 

 

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A directora da Maternidade provincial do Cuanza Sul, Francisca Kwaya, garante que os esforços financeiros do Executivo estão a propiciar um melhor atendimento na província

Mães que deram à luz numa sala de recobro

Bons indicadores de assistência médica colocam a Maternidade Provincial do Cuanza Sul na vanguarda da saúde

 

Casimiro José

Correspondente no Cuanza Sul

Texto e fotografias

 

A melhoria das condições de trabalho e o empenho de todo o pessoal clínico a diversos níveis permitiu reduzir as taxas de mortalidade infantil no Sumbe. Mais e melhores serviços, formação permanente para responder aos desafios do presente e do futuro em prol do bem-estar da comunidade fazem parte dos resultados conquistados pela Maternidade Provincial do Cuanza Sul.

 

A assistência materno-infantil na maternidade provincial do Cuanza Sul conhece melhorias substanciais, graças à disponibilização pelo Executivo de recursos financeiros e de equipamentos. A garantia é da Directora provincial da Maternidade, Francisca Kwaya, que considerou o alargamento dos serviços prestados na unidade hospitalar e a adesão das mulheres às consultas pré-natais, como sendo outro motivo que permitiu atingir os indicadores quantitativos e qualitativos na província.

Falando em exclusivo  ao Jornal da Saúde, a directora da Maternidade afirmou que, “fruto da melhoria da assistência às mulheres, a taxa de mortalidade infantil reduziu significativamente traduzindo o empenho dos médicos, técnicos, enfermeiros e pessoal auxiliar afecto à instituição”.

A directora da maternidade provincial assegurou ainda que para “uma prestação à altura das exigências, a direcção da instituição prima pela formação permanente do pessoal para responder aos desafios do presente e do futuro”.

 

— Qual o estado actual da Maternidade que dirige?

— Passámos por distintas fases para atingirmos os níveis que consideramos hoje satisfatórios.

A maternidade provincial surgiu como unidade autónoma em Março de 2002. Anteriormente era uma secção que dependia do Hospital Geral 17 de Setembro do Sumbe. Actualmente, funcionamos em instalações próprias. Temos uma capacidade de internamento de 80 camas e contamos com uma gama de serviços que compreende as especialidades de ginecologia, obstetrícia, neonatologia, imagiologia, bloco operatório, laboratório de análises clínicas, banco de urgência, consultas externas e serviços administrativos.

A maternidade provincial também dispõe de serviços de planeamento familiar, puerpério, Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária  e Plano Global para Eliminação de Transmissão Vertical (PVT), entre outros. O corpo clínico é constituído por 11 médicos, sendo dez expatriados e uma médica nacional, três licenciados em enfermagem, um bacharel, 12 técnicos de diagnóstico e terapêutico e 84 efectivos de apoio, entre maqueiros, vigilantes, copeiros, guardas e condutores, enquanto os serviços administrativos são assegurados por 19 quadros.

— Que avaliação faz dos serviços prestados pela instituição?

— A avaliação é positiva, a julgar pelos indicadores alcançados. Temos dados comparativos que nos levam afirmar que estamos no bom caminho. Por exemplo, no primeiro semestre de 2014 atendemos em obstetrícia um total de 3.651 casos, enquanto no mesmo período no ano corrente atingimos 3.675 casos. No que respeita à Ginecologia, no primeiro semestre de 2014, atendemos 382 casos, ao passo que, em igual período do corrente ano, foram atendidos 441. No que respeita à neonatologia, também registámos progressos, aumentando de 227 para 324 atendimentos no mesmo período.

Quanto aos partos, os avanços foram significativos. Assistimos a 3088 partos, dos quais 22 por cento foram cesariana, aumentando em relação aos 2698 partos assistidos no ano de 2014.

Temos orgulho em anunciar que, fruto das condições de trabalho disponíveis e do empenho do pessoal clínico, a vários níveis, registámos uma redução drástica do índice de mortalidade. No ano passado, a taxa de mortalidade situou-se em 0,3 por cento e, desde Janeiro à presente data, a taxa caiu para 0.1 por cento, enquanto a taxa de mortalidade líquida em 2014 esteve na ordem dos 0,2 por cento e nos oito meses do corrente ano diminuiu para zero. Quanto à neonatologia, temos o registo em 2014 de uma taxa de 7,1 por cento, ao passo que no corrente ano estamos com uma cifra de 1.5 por cento. Estes resultados representam uma grande conquista se atendermos aos múltiplos factores que condicionam o bem-estar nas comunidades.

— Fale-nos dos casos mais frequentes apresentados pelas pacientes que acorreram à maternidade...

— No fórum obstétrico, os casos mais frequentes estiveram relacionados com partos arrastados, hemorragias, hematomas, placenta pélvica, ruptura uterina, hidrocefalia, má-formação, gravidez ectópica. Quanto às hemorragias, as causas resultaram de hipertensão, abortos, malária, entre outras.

Já do ponto de vista ginecológico, os casos tiveram como causas os abortos, gravidez ectópica, molas hidatiformes (massa tumoral formada por tecido da placenta ou das membranas), infertilidade, entre outras.

— Quais os outros factores que concorreram para o sucesso ao nível de assistência que tem referido ao longo da entrevista?

— Em primeiro lugar, devo apontar a alocação de recursos financeiros pelo Executivo que propiciou desenvolvermos programas e projectos que elevaram para bons níveis a nossa instituição. Devo realçar ainda o ingresso de mais técnicos, através de concurso público realizado pelo Governo da província, da formação permanente dos nossos técnicos em serviço, da melhoria do sistema de abastecimento de água potável e a ampliação das nossas instalações. Não consideramos ter alcançado a nossa meta, porque os desafios são enormes para atingirmos a excelência e a humanização dos serviços de assistência.

Por isso, temos como perspectiva a continuidade do processo de formação permanente dos nossos técnicos, melhorar o sistema de comunicação e, como tarefa prioritária, ampliar os serviços de consultas externas sobre o rastreio do cancro do colo do útero e da mama.

— Como avalia o abastecimento de medicamentos e alimentação?

— Não temos razões de queixa, porque somos abastecidos pelo depósito provincial de medicamentos e pelos fornecedores que prestam serviços à nossa instituição. Quanto à alimentação, temos fornecedores que regularmente honram os compromissos assumidos. Por isso, os pacientes têm três refeições garantidas. A água potável também está assegurada, através da rede pública. Quando há falhas temos reservatórios acoplados com sistemas de electrobomba.

 

Quais os conselhos que deixa aos habitantes da província?

 

As pessoas devem ter a noção que a prevenção é melhor forma para evitar o pior. Por isso, deve haver maior adesão às consultas pré-natais, envolvimento de todos nas campanhas de limpeza para eliminar o lixo e as águas residuais, a luta anti-larval e o cuidado a ter com a água para beber e para o banho, evitar a auto-medicação, entre outras medidas.

Outra recomendação prende-se com a melhoria da dieta alimentar para a diminuição de casos de anemia e má nutrição e do saneamento básico para o bem do ambiente, porque se o ambiente morre, também morremos com ele.

 

 

 

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Luanda Medical Center já estabeleceu parcerias com 20 seguradoras

 

O centro de medicina internacional, Luanda Medical Center (LMC), acabou de firmar um contrato com a ENSA. São assim já vinte as seguradoras nacionais e internacionais com quem estabeleceu acordos e protocolos, no quadro do seu plano estratégico de expansão para 2015.

 

De acordo com o LMC “o principal objectivo é chegar a toda a população, através do acesso a uma oferta alargada de serviços de cuidados de saúde de excelência”.

“Somos um centro médico que presta um serviço transparente e onde os clientes têm acesso a uma oferta completa e simplificada, para que paguem apenas aquilo que usufruem. Estas parcerias são um reforço daquilo a que nos comprometemos fazer, mantendo os elevados padrões de qualidade do Luanda Medical Center e a um preço que o cliente pode pagar”, referiu o director-geral, Michael Averbukh.

Como centro de referência, o Luanda Medical Center foi idealizado para prestar cuidados de saúde de excelência aos angolanos, integrando uma equipa médica internacional, com profissionais de saúde de diferentes países, como Israel, África do Sul, Espanha, Portugal e outros.

Localizado no centro de Luanda, o centro dispõe de um bloco operatório moderno, consultórios médicos para atender às consultas de especialidade, entre elas pediatria, ginecologia/obstetrícia, medicina geral e familiar e oftalmologia. Conta ainda com uma unidade especializada de gastrenterologia, uma unidade de cardiologia, um centro de diagnóstico completo e um laboratório de análises que servirá, tanto o Luanda Medical Center, como outras clínicas na área.

 

 

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Vice-governadora da Huíla, Maria João Chipalavela, na Missão do Sendi.

“A nova escola aumenta a taxa de escolarização e garante o direito da criança ao ensino”

 

Rui Moreira de Sá

 

“A inauguraçãodesta escola secundária permite aumentar a taxa de escolarização e garante o direito da criança ao ensino”, afirmou a Vice-Governadora da Huíla para o sector político e social, Maria João Chipalavela, na inauguração da escola secundária do 1º ciclo da Missão do Sendi, no município do Quipungo, em 4 de Setembro de 2015. Para a governante “quando se educa um homem, educa-se toda uma nação, o que significa contribuir para o desenvolvimento socioeconómico do país”.

Financiada pelo bloco 31 – BP Angola, Sonangol, Sonangol Pesquisa & Produção,  Statoil e SSI –, a escola, com seis salas de aula, gabinetes administrativos e casas de banho, está construída numa área de dois mil metros quadrados. Vai beneficiar directamente, por ano, cerca de 500 crianças. Se considerarmos as aulas nocturnas e de alfabetização os beneficiários directos atingirão cerca de mil pessoas. Em particular irá permitir a continuação dos seus estudos, até agora confinados ao ensino primário. O investimento foi de USD 300 mil dólares.

De facto, de acordo com o governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge – com quem a delegação se encontrou na véspera do evento – “as actuais salas de aula são insuficientes”. A província é a segunda mais habitada do país, com 2,4 milhões de habitantes, cerca de 10 por cento do total de habitantes de Angola.

O Presidente Regional da BP Angola, Darryl Willis, afirmou na ocasião ser “um prazer testemunhar e participar na entrega formal da escola à comunidade da Missão do Sendi, pois a BP Angola tem na educação uma das prioridades na sua política de responsabilidade social”. Lembrou que o financiamento do projecto resultou de “uma recomendação da Sonangol” e agradeceu o envolvimento activo do governo provincial e de todos os parceiros.

O vigário de Quipungo, Juliano Kandongo, manifestou a sua satisfação com a “construção de raiz da escola”. O representante dos pais e encarregados de educação recordou, por sua vez, que o Sendi sempre foi uma “área académica, desde a chegada dos missionários em 1927”.

 

Conteúdo nacional

O responsável da RISE - a organização não-governamental construtora -, Adriano Huambo, acompanhado pela directora executiva, Lynn Cole, recordou a parceria de longa data com a BP e as escolas já erigidas em conjunto, em várias províncias. Sublinhou que a obra agora inaugurada foi "totalmente construída por angolanos”. E o “dinheiro do petróleo, um bem nacional, está nesta escola”, lembrou.

A BP Angola, desde 2003, já financiou projectos de construção de 36 salas de aulas nas províncias de Benguela, Luanda, Huambo, Uíge, Moxico, Zaire e Huíla. “Este programa permitiu inserir dezenas de milhar de alunos no subsistema de ensino”, recordou, na ocasião, o Vice-Presidente para área de Comunicação e Relações Externas da BP Angola, Paulo Pizarro, em entrevista à comunicação social.

A política de responsabilidade social e corporativa da BP Angola assenta, essencialmente, na educação e no desenvolvimento empresarial, através da formação e capacitação de quadros.

Com a construção desta escola, a Missão do Sendi conta, doravante, com 15 salas de aula, que albergam mais de 975 alunos, cujas aulas são ministradas por 27 professores.

A delegação da BP Angola ao Lubango foi ainda constituída por Henry Barda, Adalberto Fernandes, Salvador Ferreira, Katia Lopes, Joyce José e Rui Rosa. A cerimónia foi presenciada por Beatriz da Cruz Filipe, do Ministério dos Petróleos, e por Apolónia de Sousa e Nelson Mbonge da Sonangol.

 

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Como a comunicação e o relacionamento melhora a fertilidade

 

Florentino Cue Florecue

 

A infertilidade é um problema que afecta casais que não conseguem procriar ao final de um ano de relacionamento sexual desprotegido. Neste artigo, damos-lhe a conhecer as causas e os factores de risco da infertilidade chamando à atenção para a importância de conhecer bem o calendário fértil. Melhore a sua qualidade de vida rumo ao sonho de ter um filho!

 

n Por definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), inférteis são os parceiros que, ao longo de doze meses de relacionamento sexual sem anticoncepcionais, não conseguem uma gravidez. A infertilidade pode ser a consequência de uma ou várias doenças sendo um problema frequente nos casais que não atingem a concepção depois de um ano de tentativas, ou seja, de relações desprotegidas.

Aproximadamente 20% dos parceiros queixam-se de transtornos na fertilidade. Destes, 90% ou mais poderiam ser resolvidos, mas, para tal, seria necessário fazer um diagnóstico adequado. Por norma, a infertilidade atinge ambos os parceiros e não somente um deles, pelo que é imprescindível estudar o homem e a mulher.

Estudos estatísticos indicam que podem observar-se os seguintes parâmetros percentuais extremamente importantes para esta situação suficientemente conflituosa nas últimas décadas deste milénio:

 

Infertilidade       Categoria Percentagem

Casais inférteis                             10%

Infertilidade de causa masculina   35 a 50%

Infertilidade de causa feminina      50 a 65%

Infertilidade por causa mútua

dos cônjuges                                 15 a 20%

Infertilidade de causa indefinida    10 %

 

O diagnóstico será o primeiro passo para responder ao problema da infertilidade, pois sem esta condicional, o êxito do tratamento será casual, ou seja, pode aparecer de forma espontânea. É fundamental então questionar o seguinte:

­— Quantas mulheres são levadas infrutuosa e não necessariamente a inseminação artificial ou a transferência embrionária?

­—  Quanto dinheiro, tempo e esperança se perdem em fertilizações in vitro em mulheres que não conseguem engravidar?

­—  Quantas mortes ou consequências graves têm sucedido devido à realização de laparoscopias que não seriam necessárias?

­—  Quantos exames com elevados custos não definem diagnóstico algum de forma a encontrar uma solução para o problema da infertilidade?

­—  Quanto tempo leva o casal a procurar uma gravidez sem êxito?

 

O stress: grande

 inimigo

O stress é hoje uma das principais causas das disfunções no nosso sistema psico-imuno-endocrino-lógico. O bom funcionamento dos órgãos reprodutores feminino e masculino, prestes a permitir a conservação da espécie humana, pode desequilibrar os mecanismos homeostáticos que permitem a normal funcionalidade, implicando uma desaceleração no processo reprodutor. O chamado “stress psico-imuno-endo-crinológico” pode mudar os níveis hormonais das glândulas reprodutoras nos seres humanos e constitui a causa de períodos de ovulação irregulares; espasmos nas trompas de falópio que impedem o avanço do óvulo no seu interior; contracções uterinas que podem afectar a implantação dos embriões, mesmo que não sejam levadas em consideração; diminuição na produção de espermatozóides e variações na qualidade e no volume das excreções glandulares prostáticas e uretrais que permitem a vitalidade do gâmeta masculino no percurso vaginal.

Assistimos hoje a um fenómeno de disfunção dos mecanismos internos de auto-regulação ou homeostasia – denominada de fisiologia – ou seja, a perda da harmónica “afinação” entre corpo, mente e emoções, que é devidamente influenciada pelo stress. Embora esta situação seja para alguns especialistas geradora de controvérsia, a associação entre o stress e a infertilidade conjugal pode ser considerada uma condição comum relacionada com outros aspectos além dos puramente médicos e orgânicos (psicológicos, económicos e demográficos ou sociais). No entanto, existe pelo menos uma certeza: a de que os casais sujeitos a exames e tratamentos de infertilidade vivem momentos extremamente stressantes durante todo o processo, o que por si só, multiplica ou potencia ainda mais os factores disfuncionais do eixo psico-imuno-endocrino-lógico.

Como formas adequdas para o adequado relaxamento inclui-se a prática desportiva, o yoga, as massagens e a comunicação entre ambos os parceiros de forma espontânea e permanente conforme a disponibilidade e os padrões impostos no relacionamento conjugal. Existe ainda um outro aspecto que importa considerar e que constitui um fenómeno influente dos padrões de stress e que se relaciona com uma experiência negativa no início do relacionamento sexual que pode levar à penetração inadequada com correspondente dispareunia (dor) ou ejaculação precoce trazendo como consequência a inadequada qualidade e quantidade de espermatozóides e a ausência de clímax na mulher que diminui as possibilidades de vida adequadas ao gâmeta masculino.

Matrimónio “infértil”

A partir do momento em que um casal constitui matrimónio, ou decide viver em conjunto, o objectivo seguinte é o de aumentar a família. O adequado desenvolvimento económico deverá então reforçar esse objectivo, começando aí os conflitos e o sucessivo adiamento da decisão de ter filhos, quando não estão reunidas as condições para tal. Três ou quatro anos depois do casamento, o casal começa a ponderar a chegada “do tão ansiado bebé”. A estabilização do status económico costuma acontecer, nas mulheres, entre os 26 e os 36 anos, e no homem, dos 27 aos 39 anos, e que não infrequentemente pode cursar pela quinta década de vida. Importa então considerar os seguintes factores: na quarta década de vida, dá-se uma diminuição da qualidade dos óvulos, sendo que a mesma se agrava drasticamente na década seguinte, altura em que se dá o climatério. No homem, após os 35 anos, a percentagem de espermatozóides irá cair em decadência progressiva de até 2% cada ano.

Após sucessivas tentativas, não surge a gravidez desejada, surgindo assim a angústia entre ambos. Começa assim o verdadeiro “calvário” para estes casais. É necessário manter o quotidiano, os deveres sociais e laborais adquiridos, a sustentação económica que permite manter e consolidar o status de vida actual. É então necessário o acompanhamento de um terapeuta especializado para assistir às consultas de casais inférteis. Depois de aguardarem a sua vez na consulta e de transmitirem o seu sofrimento, ouvir o médico a explicar o seu caso com algumas explicações nada convicentes e a preencher um volume de receitas para estudos e investigações demasiado prolongadas, o processo torna-se ainda mais tenebroso. A partir deste momento, o matrimónio, também ele “infértil” vê-se envolvido numa série de sentimentos, como a sensação de fracasso, a angústia, a redução da auto-estima, que pode atingir ambos os membros do casal. Sensações de fúria, culpa, frustração, isolamento surgem em conjunto ou vão-se somando, um a um, rompendo-se desta forma a comunicação entre ambos por se sentirem culpados ou mesmo colocarem as culpas no(a) parceiro(a).

 

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A infertilidade em números

 

  • A máxima fertilidade acontece durante as 24 horas antes da ovulação e algumas horas depois da mesma.
  • - A gravidez, num casal fértil, ocorre em 90% dos casais ao fim de um ano, condicionando este número a um relacionamento sexual activo periódico dentro do chamado período fértil sem recurso a qualquer método contraceptivo.
  •  Um casal fértil não tem motivos para se preocupar, à partida, pois as estatísticas demonstram que 90 a cada 100 casais férteis terão o primeiro filho desejado durante o primeiro ano de relacionamento.
  • A probabilidade de conceber, em parceiros férteis normais, com 20 a 30 anos de idade com uma vida sexual activa é de 1:4 cada mês.
  • Cinco de cada 10 parceiros que desejam ter um bebé conseguirão conceber nos primeiros  seis meses de tentativas.
  • São necessários dois ciclos para conseguir a gravidez desejada em 90% dos parceiros que tenham relações sexuais em dias férteis.
  • Em relacionamentos durante o período fértil, admitem-se as possibilidades de gravidez em 70% de cada ciclo.
  • Um em cada 10 casais que procuram ter um filho fracassará.
  • Após seis meses de prática do coito três vezes por semana, as possibilidades de engravidar num casal serão de 5l%. Essa percentagem diminui para 32% quando a frequência é de apenas uma relação sexual semanal.
  • As probabilidades de engravidar no princípio do período fértil rondam os 10% por ciclo e são necessários 24 ciclos para se conseguir uma gravidez em 90% dos parceiros que mantenham relações nesse período.
  • A maior capacidade de fecundação na mulher acontece entre os 20 e os 25 anos e no homem aos 30 anos.
  • O factor mais comum de infertilidade nas mulheres é a alteração ou desordem na ovulação. Outras causas femininas são as alterações anatómicas nas trompas, cuja origem pode estar nas infecções, cirurgias ou endometriose.
  •  O factor mais comum da infertilidade masculina é a diminuição na concentração, mobilidade e número de espermatozóides, por problemas de descensão dos testículos, infecções, varicocel (dilatação de veias presentes dentro do escroto).
  •  Não obstante, existem ainda outras causas desconhecidas.  Assim, 15% dos parceiros que tentam uma primeira gravidez fracassam e 20% dos fracassos são de origem inexplicada, provavelmente relacionados com factores ambientais e stress provocado pela vida urbana.
  •  Mais de 2/3 da população em várias sociedades desenvolvidas associa a infertilidade exclusivamente a problemas da mulher.
  •  1/4 destes entrevistados considera a infertilidade como um problema de pessoas com idades acima dos 40 anos.
  •  ½ dos homens acompanhados em consulta considera que falar de infertilidade masculina é “vergonhoso”.
  • 10% ou mais dos que têm percorrido os caminhos das consultas com os especialistas em infertilidade ainda desconhecem ou não têm prestado a atenção adequada aos  princípios fisiológicos que promovem a fertilidade, aspectos esses considerados fundamentais.

 

 

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Hábitos de vida e fertilidade

 

A avaliação do consumo do álcool e o tabagismo são factores importantes nas condicionantes socias e nos costumes existentes frequentemente encontrados entre os parceiros inférteis.

 

1 - Álcool

O consumo frequente de bebidas alcoólicas ou em doses elevadas prejudica a qualidade da fertilidade nos parceiros.

 

No homem:

  •  Diminui o desempenho e o desejo sexual.
  •  Infertilidade por atrofia das células produtoras de testosterona.
  • wImpotência pelos danos causados à irrigação sanguínea ligada à erecção.
  • Diminui o número e a qualidade dos espermatozóides.
  • Piora a erecção.
  • Comportamento sexual de risco originando doenças sexualmente transmissíveis.

 

Na mulher

  •  Interfere nos hormónios femininos.
  • Diminui a menstruação.
  • Provoca problemas de ovulação.
  • Aumenta o risco de aborto.
  • Interfere na gestação.
  • Potencia comportamentos sexuais de risco originado doenças sexualmente transmissíveis.

 

2 - Tabaco

Tanto o parceiro fumador como o fumador passivo vê a sua fertilidade comprometida.

 

Alguns factos:

O fumo do cigarro tem mais de 4,7 mil substâncias tóxicas.

O alcatrão tem mais de 40 compostos cancerígenos como o monóxido de carbono, a b-Naftilamina e a nicotina enquanto droga psicoactiva.

Estas e outras substâncias tóxicas dificultam a oxigenação por aumentarem os níveis de catecolaminas, diminuem o calibre vascular, causam aterosclerose, elevam as cifras tensionais vasculares e levam a função hipofisária aos seus extremos, através do circuito sistema límbico-tálamo-hipotálamo.

 

Nas mulheres

As mulheres que fumam estão mais propensas a diminuir a probabilidade de engravidar até perto ao 40%.

- A possibilidade de nascimento prematuro aumenta nas mulheres fumadoras.

- Observa-se o aparecimento precoce da menopausa.

- As fumadoras passivas que se encontram expostas ao fumo do tabaco estão mais propensas ao risco durante a gravidez, ao nacimento prematuro ou com baixo peso, ou mesmo de sofrer um aborto.

 

Nos homens

  • Tendência a diminuir a qualidade dos espermatozóides.
  • Relação com a impotência sexual principalmente devido a aterosclerose.
  • Diminui a mobilidade dos espermatozóides.

 

 

A influência da obesidade ou do emagrecimento

  • Se ambos os parceiros são obesos, será 2,74 vezes mais provável conceber após um ano.
  • Se um dos dois parceiros sobre de obesidade, será 1,4 vezes mais provável conceber depois de 12 meses de tentativas.
  • Se um dos parceiros é obeso e o outro muito magro, o casal terá quase quatro vezes mais dificuldades em conceber do que em parceiros com o peso adequado.
  • As mulheres extremamente magras e que ganharam peso viram reduzido o tempo de espera de gravidez, o que reafirma que o emagrecimento excessivo é uma possível causa de infertilidade.

 

 

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Como determinar o período fértil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao se conhecerem os dias prováveis de menstruação e se a regularidade for adequada, será possível determinar o período ovulatório mês a mês com eficiência. Assim, é possível saber o dia da ovulação por um período de três meses, fazendo-se a média entre eles. Posteriormente, faz-se a contagem regressiva até ao dia 14 antes da menstruação a partir do dia da média trimestral do início da menstruação. Assim, obtemos o possível dia da ovulação do mês em curso. Por exemplo:

 

- Se uma mulher menstrua no dia 30 do mês de Maio (mês de 31 dias) e se a menstruação seguinte for entre 28 a 30 de Junho (mês de 30 dias) e a seguir entre 27 a 30 de Julho, a média dos três meses possibilita a previsão da menstruação seguinte a 27 de Agosto. A partir dessa data, faz-se a contagem regressiva de 14 dias, o que significa que a ovulação no mês de Agosto irá ocorrer a dia 13. O período certo de três dias ocorre então entre 12 a 14 de Agosto. Posteriormente, surge o “período seguro” que ocorre durante cinco dias, ou seja, os dois anteriores a 13 e os dois posteriores (entre os dias 11 e 15). Finalmante, o período ovulatório tem a duração de sete dias.  Uma relação sexual entre as 48 e as 72 horas antes da ovulação e/ou entre as 18 e as 24 horas depois da ovuçação poderá resultar na fecundação do óvulo.

 

No que respeita à idade, na mulher, a qualidade e a quantidade de óvulos diminuem progressivamente depois dos 30 anos e drasticamente após os 40. No homem, após os 35 anos, a percentagem da qualidade dos espermatozóides móveis decai aproximadamente 2% a cada ano.

Recorrência a consultas de infertilidade

Num período de aproximadamente dez anos, assistimos a 297 casos de casais infertéis na consulta. Deste total, 31 dos casos não eram consumidores de bebidas espirituosas e também não eram fumadores. Nos últimos 12 meses, mantiveram relacionamento sexual periódico sendo a parceira regular nas suas menstruações. Não eram portadores de doenças sexualmente transmissíveis, postáticas, obstrutivas tubárias ou de doenças sistemáticas agudas ou crónicas.

Pedimos-lhes que referenciassem a idade, o regime laboral, a existência ou não de filhos do relacionamento actual ou anterior, o modo de relacionamento ou convivência e comunicação bem como a periodicidade da vida sexual.

Em todos os casos, na consulta, investigamos os níveis de relacionamento e comunicação entre os parceiros, explicamos o funcionamento fisiológico da maturidade folicular e os mecanismos da fertilização do óvulo, utilizando entre outros o “calendário do período fértil”, o “Método de Billing” para determinar o momento exacto da ovulação, entre outros. Estabelecemos ainda o calendário para o “relacionamento sexual seguro”, o qual é msensalemte revisto, controlando o seu cumprimento. Discute-se igualmente as controvérsias, divergências, critérios com o objectivo de aprender a lidar com os aspectos negativos relacionados com a decisão tardia de ter o filho desejado, utilizando os padrões que consideramos importantes no relacionamento que referimos no livro “Dicas para melhorar e prolongar a nossa qualidade de vida” (ver caixa). Por último, fazemos referência aos conselhos que veiculamos no nosso livro “Os Segredos da Boa Prática do Sexo”.

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Dicas para melhorar e prolongar a qualidade de vida

 

  • Há quem não tenha o hábito de conversar com outras pessoas e não tenha aprendido a partilhar os seus anseios.
  • Há quem tenha medo de desabafar com receio do que os outros pensam não correndo o risco de alguém discordar.
  • Há quem ache que falar não resolve os problemas. Então, para quê comunicar?
  • Há quem considere que as suas ideias não têm valor.
  • Não obter os resultados esperados provocará sentimentos de culpa, frustração, fracasso, isolamento, angústia, redução de autoestima e redução da qualidade de vida.
  • Em momentos de tensão, coisa comum no lar, há que evitar deixar escapar palavras ásperas e desprovidas de amor.
  • Um sábio conselho ancestral: "A menos que controlemos as nossas palavras e os nossos génios, somos escravos da soberbia."
  • Marque um horário para conversar e seja fiel ao mesmo.
  • Não discuta frente aos filhos.
  •  Não brigue em público.
  • Escolha as últimas horas do dia para esclarecer situações diárias.
  • Não discuta quando o outro estiver em actividade.
  • Ao final de cada conversa, esteja pronto para dizer “Desculpe”, “Eu estava errado” e “Eu amo-te”.
  •  A comunicação aberta é essencial para remover todos os preconceitos e barreiras.

 

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