MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

A saúde está a mexer

 

Inaugurações de novas clínicas privadas com um atendimento de cinco estrelas, abertura de novas unidades públicas de saúde, centros e laboratórios, de elevada qualidade – como testemunhámos no Huambo, Ndalatando, e as previstas para Luanda (Cazenga), por exemplo –, debate activo entre os profissionais de saúde – só no próximo trimestre teremos as Jornadas Científicas das faculdades de Medicina do Lubango e da UAN, os Congressos da Multiperfil, da Ordem dos Enfermeiros e da Ordem dos Médicos –, a constituição da Ordem dos Farmacêuticos a 25 deste mês, a formação acelerada em gestão da saúde por parte de responsáveis de hospitais, numa iniciativa do Jornal da Saúde em colaboração com o ISCTE, a entrada no mercado de novas empresas farmacêuticas, o aumento da cooperação internacional no sector (OMS, UNICEF e outros exemplos recentes com Portugal, China e Bélgica), são evidências de que a saúde está a mexer. E bem.

 

E não só em Luanda. Conforme reportagem que publicamos este mês, no Conselho Consultivo Alargado no Huambo, o Ministro da Saúde lembrou que, fruto do esforço do Executivo, através da implementação da Faculdade de Medicina e de escolas de formação de técnicos de saúde, esta província registou um aumento progressivo da força de trabalho entre 2010 e 2013, com realce para os médicos que passaram de 127 para 176, os licenciados em enfermagem, de 14 para 45, e o número de enfermeiros de  1.906 para 3.769. No domínio das infra-estruturas, houve igualmente um incremento de 34 novas unidades sanitárias, com realce para o nível primário de atenção, apostando-se, deste modo, num modelo de proximidade.

Embora muito haja ainda a fazer na saúde, estamos, sem dúvida, no bom caminho!

 

 

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Humanizar para melhor cuidar

Congresso da Ordem dos Enfermeiros espera 2.500 participantes

 

O II Congresso Internacional da Ordem dos Enfermeiros de Angola que decorre em Luanda, de  26 a 30 de Novembro,  é aguardado com grande expectativa. De acordo com a Bastonária, Maria Teresa Vicente, o evento “será  uma oportunidade para reflexão, avaliação e debate sobre temáticas ligadas ao exercício da profissão, quer pelo valor social que encerra a sua actividade laboral, quer pelo aprofundamento de orientações estratégicas conducentes à melhoria do estado de saúde e qualidade de vida da nossa população”.

Sob o lema  ″Humanizar para melhor cuidar″, o Congresso vai reunir especialistas na área de enfermagem nos diferentes níveis, estudiosos e profissionais na área da saúde que debaterão com os cerca de 2.500 participantes os seguintes temas centrais: gestão de qualidade em saúde como um processo para humanização no atendimento, política nacional de humanização na visão dos diferentes países (experiências de cada país); humanização como um princípio da assistência em enfermagem; humanização na assistência ao parto; humanização no contexto de saúde: experiência de Angola; a humanização do ponto de vista multidisciplinar na perspectiva da enfermagem, médica, psicológica, religiosa e social; acolhimento aos utentes na atenção primária da saúde, o papel das instituições de ensino em saúde na promoção do atendimento humanizado; qualidade  e  segurança do paciente na assistência domiciliária, entre outros.

 

Expo Enfermagem

Em simultâneo decorre a 1ª Expo Enfermagem, certame que permitirá a milhares de enfermeiros e outros profissionais da saúde conhecerem as últimas novidades em tecnologia de enfermagem, equipamentos, dispositivos e medicamentos. Uma excelente oportunidade também para os fabricantes e distribuidores interagirem face a face com o seu público-alvo, num ambiente profissional.

 

O futuro da profissão

Não perca na próxima edição a entrevista de fundo à Bastonária da Ordem dos Enfermeiros que aborda, entre outros tópicos a formação e o futuro da profissão.

 

 

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Em 2014

Cazenga terá novas unidades de saúde

 

O município do Cazenga, em Luanda, vai ganhar, em 2014, mas um hospital municipal e um centro de saúde de referência, para uma maior cobertura na municipalidade

O anúncio foi feito nesta localidade à imprensa pela directora provincial de saúde de Luanda, Rosa Bessa, adiantando que as unidades serão erguidas nos locais onde foram desactivados os centros de saúde do Hoji ya henda e Asa Branca, em consequência das inundações na época chuvosa.

Rosa Bessa disse que no local onde funcionou o centro de saúde do Hoji ya henda vai surgir um novo edifício, porque o actual tem problemas de drenagem das águas, mas que se tem feito o tratamento.

Sublinhou que os trabalhos na avenida Ngola Kiluanje estão muito avançadas, o que vai permitir que, em 2014, se consiga fazer uma nova unidade com todos os serviços.

“ No Hoji ya henda vai surgir um hospital municipal e no Asa Branca um centro de saúde de referência com todas as condições. Já decorreram negociações com a administração local”, disse.

Quanto à falta de reagentes e ambulâncias no município, disse que algumas questões devem ser solucionadas através dos projectos das administrações locais.

Segundo a responsável, o sector possui políticas para a requalificação de laboratórios que vão ser implementadas com ajuda das administrações municipais, no âmbito da municipalização dos serviços de saúde.

Cazenga é um dos sete municípios da província de Luanda, possuiu uma população estimada em dois milhões de habitantes, distribuídos nas comunas do Tala-hadi, Cazenga e Hoji ya henda.

 

 

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Bolsas de estudo

Curso sobre trauma em Israel

 

Até ao dia 26 de Dezembro, estão abertas as inscrições para o 11º curso “ Developing and Organizing a Trauma System and MCS Organization”.  A formação, em inglês, decorre em Israel, de 23 de Março a 4 de Abril de 2014. Entre os seus objectivos, destaca-se: compreender a continuidade do tratamento de pacientes com traumatismos num sistema de trauma; estudar as estruturas envolvidas nas várias fases de tratamento; desenvolver um modelo de um sistema apropriado para o trauma (país de origem do participante); preparação para vítimas em massa.

O curso destina-se a médicos, enfermeiros e paramédicos envolvidos na organização e no tratamento de vítimas com trauma. Aos candidatos seleccionados ser-lhes-á oferecido pelo Governo de Israel – MASHAV  uma bolsa de estudos que inclui pensão completa (estadia e alimentação) e seguro médico durante o período do curso. A passagem aérea não está incluída e as despesas pessoais são por conta do estudante. Os interessados em obter mais informações devem enviar um e-mail para dcm-sec@luanda.mfa.gov.il

 

 

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Luanda com "olhos nos olhos"

 

Nascida de uma parceria mas também, e acima de tudo, de uma amizade entre Rui Jorge Pereira Africano, Fernando Tomás e Armindo Costa, a Olhos nos Olhos é uma boutique óptica inaugurada recentemente em Luanda.

Convidados para a festa de abertura, testemunhamos  que o lugar é sinónimo de sofisticação e glamour.

Olhos nos Olhos tem para oferecer ao público angolano os cuidados mais avançados para a visão e as últimas colecções de óculos de sol e de prescrição das melhores marcas internacionais.

Serviços de óptica ocular, aconselhamento estético, optometria, contactologia (lentes de contacto com graduação) e oftalmologia, fazem parte do leque da Olhos nos Olhos.

Rui Jorge Pereira Africano, formado recentemente em medicina interna, foi o maior impulsionador para que o desafio desta sociedade se concretizasse, visto ser a sua mãe também médica oftalmologista e pertencer a uma família de médicos conceituados em Angola.

Sobre os objectivos, os responsáveis explicaram-nos que a ideia é promover design, promover estilo, actualização e promover principalmente saúde.

“O angolano é «apaixonista» (sabe o que quer e gosta sempre do melhor), por isso queremos transmitir ao nosso público-alvo que os óculos não são somente um utensílio de estilo ou moda mas é qualquer coisa que melhora a saúde sobretudo com a correcção dos defeitos de visão, que sabemos ser muito prevalentes em Angola”, disse Armindo Costa.

E a garantia da utilização de equipamentos topo de gama para garantir que o teste de rastreio ou de acuidade visual revele todas as necessidades dos olhos, foi dada pelo optometrista, Fernando Tomás.

 

 

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Clínica Multiperfil engajada na qualificação e reforço de competências dos profissionais da saúde

“Queremos fazer deste 2º Congresso um grande evento e um período de festa dos profissionais da saúde”

 

Formar e informar na área da saúde, discutir o sector com todos os seus actores, criar oportunidade de networking e reafirmar o sucesso da primeira edição, são os grandes objectivos da Clínica Multiperfil, organizadora do 2º Congresso Internacional de Ciências da Saúde, a decorrer de 4 a 8 de Novembro, em Luanda. Em simultâneo com o 2º Congresso decorrem o 2º Simpósio de Enfermagem, o 2º Simpósio de Anemia Falciforme e a Expo Multiperfil.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Saúde, o Presidente do Conselho de Administração da Clínica Multiperfil, Manuel Filipe Dias dos Santos, falou também sobre como esta renomada instituição pretende contribuir para a redução das principias causas de morte em Angola.

 

— À medida em que se aproxima a data quais as expectativas para a realização deste 2º Congresso?

— O 2º Congresso de Ciências da Saúde da Clínica Multiperfil está rodeado de grandes expectativas, naturalmente, porque temos organizado eventos em que normalmente participa um grande número de profissionais da saúde. O Congresso é precedido de um período pré-congresso, com a realização de cursos que decorrem de 4 a 6 de Novembro. Vão ser ministrados cerca de 70 cursos pré-congresso para os quais já foram recebidas quase duas mil inscrições.

Além dos cursos pré-congresso, temos o Congresso propriamente dito e, simultaneamente, o 2º Simpósio de Enfermagem, o 2º Simpósio de Anemia Falciforme e, ainda, a Expo Multiperfil onde irá ser exposto equipamento, medicamentos e demais material médico-hospitalar.

Para o Congresso temos previstas cerca de 11 mesas redondas, 5 palestras, 58 temas livres e serão expostos 85 posters eletrónicos.

À data, estão inscritos na Expo Multiperfil 58 expositores e patrocinadores directos que ocupam 74 módulos.

O número de oradores é elevado. São 182, dentre eles, 80 angolanos, 60 brasileiros, 20 portugueses, 20 cubanos e 2 norte-americanos. Portanto, como pode ver, é um evento internacional de grande dimensão que faz jus ao tema escolhido: “Clínica Multiperfil na qualificação e reforço de competências dos profissionais de saúde”.

— Porquê a escolha deste tema?

— Porque pensamos que a qualidade na oferta dos serviços médicos só é possível com a realização de formação contínua dos trabalhadores da saúde.

— Como justifica a realização, em simultâneo, dos 2ºs simpósios de enfermagem e de anemia falciforme?

— A classe de enfermagem é uma classe especial para nós. Damos-lhe uma importância extremamente grande por ser também o nosso grande parceiro. E queremos fazer com que esta classe tenha o lugar que merece dentro da nossa sociedade. É assim que, para nós, é uma honra realizar, no âmbito do nosso Congresso, este 2º simpósio.

Em relação ao simpósio de anemia falciforme, realizamo-lo porque a incidência desta doença é elevada no nosso meio e não gostaríamos que passasse despercebido. Constitui mais uma chamada de atenção às autoridades competentes para que possam desenvolver programas de maneira a prevenir, ou, pelo menos, minimizar, a prevalência dessa doença entre nós.

—  De um modo geral pode destacar a importância deste evento para a saúde em Angola?

— Todos os eventos científicos ligados à saúde têm sempre importância no que se refere à saúde em Angola e este é um deles. Estamos muito direcionados para a formação e, como eu disse anteriormente, só com quadros altamente qualificados na área da saúde é possível prestar um serviço com qualidade.

— Comparativamente ao primeiro Congresso, qual é a grande novidade este ano?

— Comparativamente ao ano anterior e a congressos realizados por outras instituições, a grande diferença reside no número de cursos pré-congresso. Lembro, por exemplo, que no 1º Congresso tínhamos apenas 30 e poucos cursos e este ano temos o dobro. O mesmo se passa em relação a mesas redondas, palestras…Enfim, queremos fazer deste 2º Congresso um grande evento e um período de festa dos profissionais da saúde.

— O que espera dos palestrantes?

— Quer dos palestrantes nacionais, quer dos estrangeiros que foram convidados, esperamos que o seu empenho seja o melhor possível que já nos têm habituado a isso.

— Qual é o grande desafio da Clínica Multiperfil para os próximos tempos?

— Penso não ser só da Clínica, mas de todas as unidades hospitalares do país: o grande desafio reside na melhoria da qualidade dos serviços prestados. E para que haja essa melhoria é necessário que os recursos humanos sejam bem formados. Essa é a nossa grande preocupação: a aposta no homem!

— Sabemos que as duas maiores causas de morte em Angola são a sinistralidade rodoviária e a malária. Como é que a Multiperfil pretende contribuir para a sua redução?

— Procuramos contribuir com a realização deste congresso e de outros. Este ano, a nível da prevenção da sinistralidade rodoviária, vamos, juntamente com a Polícia Nacional, apresentar um painel extremamente interessante onde os nossos convidados, em conjunto com quadros nacionais, irão discutir formas de diminuir essa sinistralidade nas estradas.

A malária – primeira causa de morte em Angola – é um problema de saúde pública. Os doentes chegam até nós em vários estadios, da forma mais leve à mais grave, e são tratados com medicamentos. Entendemos que o problema da malária não é resolvido a nível dos hospitais mas sim, fundamentalmente, ao nível preventivo.

 

SOBRE A EXPO MULTIPERFIL

À data do fecho desta edição, estão inscritos na Expo Multiperfil 58 expositores e patrocinadores directos que ocupam 74 módulos.

Segundo a organização, este evento constitui um salão especializado e profissional no sector dos medicamentos, equipamentos e dispositivos médicos. Vai apresentar aos médicos de todas as especialidades, gestores hospitalares, directores provinciais de saúde, administradores municipais, outros técnicos de saúde e demais autoridades públicas e decisores, toda a oferta do mercado no sector da saúde.

Trata-se de uma oportunidade única para os fornecedores / distribuidores patrocinarem e apresentarem os seus produtos e equipamentos junto dos profissionais de saúde prescritores e decisores muito interessados em conhecer as novas soluções.

Permite ainda identificar e fidelizar clientes, promover a marca e acompanhar a concorrência.

 

 

 

 

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Perspectivas e desafios da educação médica em Angola*

 

Mário Fresta - Médico especialista em fisiologia humana e perito em educação médica, Centro de Estudos Avançados em Educação e Formação Médica (CEDUMED) da UAN, Luanda, Angola. cedumed@fmuan.maxnet.ao

 

Esta apresentação integra elementos de revisão e de opinião sobre o futuro da educação médica em Angola, à luz das respectivas tendências e recomendações locais, regionais e mundiais. A melhoria da saúde de todas as populações, através duma uma gestão inovadora da educação médica, é a principal finalidade da educação médica e os recursos humanos da saúde, onde se incluem médicos e outros profissionais, são consensualmente reconhecidos como um factor crítico para o sucesso dos projectos e programas de saúde. Estão definidos padrões mundiais para a educação médica que promovem a sua qualidade e servem de base aos processos de avaliação e a acreditação.

Quando se fala de África, a situação dos recursos humanos da saúde é quase sempre adjectivada de “crise”, requerendo uma profunda abordagem multissectorial e multidimensional a todos os níveis - incluindo a redução do impacto negativo da globalização - que passa por advocacia, início dum processo de acção nos países, e desenvolvimento de opções políticas para responder à referida crise, bem como acções urgentes identificadas ao nível regional e internacional.

 

Educação médica em África

A educação médica em África foi recentemente objecto dum estudo bastante completo (disponível online na íntegra e sintetizado numa publicação) que documenta o seu considerável crescimento recente, incluindo do sector privado, a escassez endémica de corpo docente, a debilidade das infra-estruturas, a insuficiente coordenação entre os ministérios da educação e da saúde, a incipiente avaliação da qualidade e acreditação, a progressiva focalização nas necessidades de saúde nacionais, a importância da investigação (não só para criação de conhecimento, mas para a própria gestão dos recursos humanos) e as inovações curriculares que estão a acontecer em muitas escolas médicas.

 

Situação nos PALOP

Outra publicação recente analisa os recursos humanos da saúde especificamente em nos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), referindo que – apesar de ser muito difícil obter informação actual e fiável, inclusivamente em Angola – na globalidade dos PALOP há grande carência de profissionais de saúde e estes estão desigualmente distribuídos pelo território (comprometendo acesso e equidade), com uma excessiva dependência de médicos estrangeiros, a capacidade de formação é limitada e pouco avaliada, perdem-se alguns profissionais por emigração e, mais ainda, por brain drain interno, e a capacidade de gestão é globalmente fraca, propondo aquele estudo como solução o reforço dos sistemas de informação, a maior troca de experiências, o desenvolvimento da capacidade de gestão e o fortalecimento da mobilização de recursos financeiros.

 

A actual reforma

A referência mais recente e relevante a nível global, eventualmente desde o relatório Flexner de 1910, é a publicação “profissionais de saúde para um novo século” a qual considera como desafios emergentes dos sistemas de saúde as transições demográficas e epidemiológica, a inovação tecnológica, as demandas da população e a diferenciação profissional. Aquela publicação sustenta que: a actual (terceira) reforma da educação médica é guiada pelas competências locais-globais e acontece em sistemas de saúde-educação, orientando a pesquisa e a educação médica para as necessidades locais; a educação se torna progressivamente interprofissional e transprofissional; a aprendizagem deve desenvolver atributos de liderança que formem agentes de mudança, tendo por objetivo “a educação profissional transformativa e interdependente para a equidade na saúde”.

 

Educação médica em Angola

Quando nos reportamos à situação da educação médica em Angola - com base na experiência pessoal e institucional, suportada pela avaliação da educação médica realizada em 2005-2007 na Universidade Agostinho Neto (UAN), na literatura cinzenta e em trabalhos da comunicação social - confirmamos que se mantêm válidas a generalidade das constatações e recomendações internacionais, particularmente as referentes à região africana, com algumas especialidades do contexto nacional. Angola teve uma única Faculdade de Medicina (pública) desde 1963 até 2000 (sedeada em Luanda e que tutelou um segundo curso no Huambo entre 1981 e 1991), surgindo em 2000 uma segunda Faculdade (privada) e tendo em 2008-2009 sido instaladas mais cinco Faculdades (públicas) dependentes da cooperação técnica cubana e outra Faculdade pública de tutela militar, totalizando oito Faculdades de Medicina legalizadas e funcionantes. Para além dessas Faculdades de Medicina, tradicionalmente dedicadas à educação médica básica (com exceção da mais antiga que preencheu também algum espaço na especialização médica e na pós-graduação académica), os prestadores de serviços de saúde públicos e privados envolvem-se progressivamente na educação médica contínua e pós-graduada, com acompanhamento do Ministério da Saúde e da Ordem dos Médicos no uso das suas respectivas competências. Portanto, existe já uma rede e um mercado nacional, em expansão, tanto de serviços de saúde como de instituições de formação, interessando diversos actores e gerando questões tanto ao nível do sistema como ao nível institucional.

 

Necessidade de articulação e planificação

Entre essas questões coloca-se, em primeiro lugar, a necessidade de articular intimamente a formação com a pesquisa e os serviços, visando sempre a melhoria da saúde das populações; a conveniência de planificar o continuum da educação médica, ao invés das suas várias etapas separadamente, e de conjugar a educação dos médicos com a dos demais profissionais de saúde; a promoção da qualidade mediante avaliação (interna e externa) e a consequente acreditação das instituições e das acções deformação médica, ponderando as recomendações internacionais e o contexto local; a concretização duma “coopetição” frutífera em educação médica, nomeadamente entre as Faculdades de Medicina.

 

 

Aspectos estruturantes comuns dos cursos de medicina

Por fim, mas não menos importante, definir os aspectos estruturantes comuns que devem ter os cursos de medicina oferecidos no País e distingui-los daquelas dimensões ou variáveis em que a diversificação é permissível ou mesmo desejável.

Em relação a esta última questão, propomos como aspectos comuns a reter na educação médica básica: o perfil (nuclear) do profissional a formar; a inclusão dum estágio profissionalizante final; a obrigatoriedade de apresentação e defesa dum trabalho final de curso como carácter de dissertação de mestrado; a duração do curso (seis anos), os ciclos em que o mesmo se organiza (dois ciclos, 3+3 anos) e os respectivos graus académicos (bacharel em ciências sociais e mestre em medicina), assim como a forma e processo de certificação dos graus; a quantificação da aprendizagem em unidades de crédito (no total seis x 60 = 360 ECTS); e a metodologia de avaliação das escolas e dos cursos, bem como da consequente acreditação.

Como variáveis ou especificidades na educação médica propomos, acolhendo a liberdade académica e a autonomia universitária consagradas na lei: o modelo curricular; as unidades curriculares electivas; o desenho do micro-currículo; os métodos de ensino-aprendizagem e de avaliação; e o sistema institucional de controlo de qualidade.

 

Questões em aberto

Como questões em aberto, que devem ser fixadas após profundo e inclusivo debate, propomos a existência dum core curriculum uniforme e a obrigatoriedade dum exame final único (nacional). As escolhas em matéria educação médica devem levar em conta as recomendações internacionais (nomeadamente da organização mundial de saúde e da federação mundial de educação médica) e incluir todas as partes interessadas (a administração central do estado, mediante tutela do ensino superior, da saúde, e da ciência, tecnologia e inovação; as regiões académicas e governos provinciais; as agências ou institutos responsáveis pela avaliação e acreditação; as instituições de ensino superior; a ordem dos médicos; os empregadores; as populações e os doentes organizados; e as organizações da sociedade civil, designadamente envolvidas em questões de saúde.

 

*Síntese da comunicação a apresentar no 2º Congresso de Ciências da Saúde

 

 

 

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Huambo reforça serviços de saúde

 

O Centro de Hemodiálise e os Laboratórios de Pesquisa de Tuberculose e de Entomologia já estão em funcionamento.

Mais um passo foi marcado no âmbito da melhoria e reforço do sistema de saúde na província do Huambo e do seguimento da municipalização do sector. A 26 de Setembro entraram em funcionamento o centro de hemodiálise, o laboratório de pesquisa e cultura do bacilo de Koch e diagnóstico da tuberculose, e ainda o laboratório de pesquisa entomológica – serviços inaugurados pelo titular da pasta no país, o ministro José Van-Dúnem. Segundo destacou, as referidas unidades são exemplos concretos da forte aposta do executivo na melhoria da prestação dos serviços de saúde, e mostram que “nesse seu esforço não quer excluir ninguém.”

O director provincial de saúde do Huambo, Frederico Juliana, afirmou que o centro de hemodiálise – o terceiro implantado no país depois dos de Luanda e Benguela – atende pacientes de toda a região centro-sul angolana. Possui 16 rins artificiais para hemodiálise e 33 profissionais, desde nefrologistas a enfermeiros e outros técnicos que devem velar pela manutenção e superação dos equipamentos. O laboratório de pesquisa e cultura do bacilo de Koch e diagnóstico da tuberculose, igualmente com carácter regional, permitirá também identificar a sensibilidade dos mesmos aos antibióticos, bem como detectar a sua resistência às drogas. Segundo Juliana, cerca de 960 colheitas podem ser examinadas em apenas dois dias pelos três técnicos – formados em Portugal ¬– ultrapassando assim as dificuldades de enviar amostras a outros laboratórios no país ou no estrangeiro, o que demorava até várias semanas. Afirmou ainda que, apesar dos custos, o governo continuará a criar condições do ponto de vista estrutural e de formação de recursos humanos.

O laboratório de pesquisa entomológica será ao primeiro no país com tal dimensão, depois de vários anos em que o Huambo era conhecido além-fronteiras por ter, na altura, no Instituto de Investigação Agronómica um dos maiores insectários laboratórios de entomologia da África Austral, assinalou o ministro da saúde. O serviço permite analisar a eficácia dos produtos usados no combate ao mosquito na fase larval e adulta antes da sua aplicação, e conta com quatro técnicos formados no Zimbabwe. José Van-Dúnem acredita ser com esta melhoria dos conhecimentos que se reúnem as condições para combater o paludismo, apesar de reconhecer o já legitimado progresso do Huambo nesta luta. Os cidadãos entrevistados louvaram a iniciativa governamental e disseram esperar qualidade e eficácia no combate e tratamento da tuberculose, malária e doenças renais.

 

 

 

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10º Conselho Consultivo Alargado

Humanização nos serviços de saúde

 

Cuidar com dignidade e amor é um acto de cidadania que traduz a importância de colocarmos as pessoas no centro da nossa actuação – foi esta a temática do 10º Conselho Consultivo Alargado da Saúde do Huambo que decorreu no final de Setembro.

 

“Confiança e reconhecimento” foram as palavras usadas pelo titular da pasta da saúde em Angola para descrever o sentimento para com a equipa de profissionais da saúde da província do Huambo ao abrir o Décimo Conselho Consultivo Alargado do sector. Confiança na capacidade de trabalho, mesmo em circunstâncias muitas vezes adversas, e reconhecimento por honrarem no dia-a-dia o desafio de manter e levar mais longe o serviço nacional de saúde. Segundo José Van-Dúnem, a realização do evento demonstra a dinâmica que se pretende com as províncias para divulgar e consolidar as prioridades do sector ao nível local. Por outro lado, mostra a vontade e o caminho que a província quer seguir, pois tem já definida uma orientação estratégica “com foco na qualidade dos cuidados para garantir a equidade dos serviços de saúde e a coesão social.” Prova disso é a elaboração do plano de desenvolvimento sanitário provincial e dos planos municipais, medidas que vão de acordo com os desafios do Ministério da Saúde para garantir a atenção primária.

Algumas das questões prioritárias abordadas durante o encontro foram os resultados dos programas de saúde pública, considerações sobre a prevenção e controlo da dengue, da raiva, da schistosomíase, da tuberculose, da mal nutrição e a gravidez na adolescência. Quanto aos progressos alcançados a nível nacional e global, mereceu destaque a redução do número de crianças fora do sistema de ensino, e a redução da morte de crianças antes do seu quinto aniversário e de mães durante o parto. Porém, José Van-Dúnem admite ainda haver muito que fazer e serem necessárias acções mais incisivas para prosseguir o crescimento e acelerar os esforços para o alcance dos objectivos de desenvolvimento do milénio, assim como implementar uma nova agenda de desenvolvimento sustentável em que o sector terá como compromisso a cobertura universal dos serviços de saúde.

 

Ganhos em saúde

O sucesso nacional é construído com base nos ganhos de saúde de todos os municípios e províncias. Dentre os ganhos da província do Huambo foram destacados: aumento progressivo da força de trabalho entre 2010 e 2013, com realce para os médicos que passaram de 127 para 176, licenciados em enfermagem de 14 para 45, quanto aos enfermeiros o número aumentou de 1906 para 3769 e para superar as lacunas ainda existentes foram reforçadas a faculdade de medicina e as escolas de formação de técnicos de saúde. Questões como a formação contínua, carreiras, a motivação, os mecanismos de retenção e fixação dos quadros bem como a remuneração serão aprimorados, segundo o ministro.

No domínio das infraestruturas mereceu destaque o aumento de unidades sanitárias com um incremento de 34 novas unidades de 2010 à 2013 com realce para o nível primário de atenção apostando-se deste modo num modelo de proximidade. Foram criadas mais 22 novas unidades de nutrição entre 2010 e 2013 com objectivo de reduzir a prevalência de 18% de malnutrição da província, uma das mais altas do país, segundo os estudos e projecções realizados em 2012 pelo Ministério da Saúde em parceria com a UNICEF. Como resultado deste esforço, no reforço dos recursos e infraestruturas alguns indicadores de saúde registados na província são muito animadores, nomeadamente o aumento do parto institucional, a redução da mortalidade materna e infantil institucionais, e a redução ou estabilização de incidência, prevalência e mortalidade das doenças endémicas, em particular a malária, a tuberculose e o VIH/SIDA.

 

Saúde reforçada

Além dos acesos debates, o décimo conselho consultivo alargado do Huambo permitiu fortalecer a posição da saúde no centro da agenda de desenvolvimento socioeconómico da província. Durante o certame foram empossados os membros do comité provincial de auditoria e prevenção de mortes maternas neonatais e do comité de discussão das mortes por malária. Foram ainda agraciados 22 trabalhadores mais antigos e no activo das distintas unidades. Ao encerrar o evento, o vice-governador provincial para a área política e social, Guilherme Tuluka, em representação do governador provincial, dirigiu-se aos administradores municipais pedindo que sejam os principais responsáveis pelas políticas de municipalização da saúde, sendo que devem “prestar contas” das actividades desenvolvidas periodicamente ao governo provincial.

 

 

 

 

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A ficção científica torna-se realidade

O futuro da medicina laboratorial

 

Ballarati, AFC. MD. MBA PhD - Presidente do Conselho de Ex Presidentes CONEX. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica. Medicina Laboratorial SBPC/ML imunoballa@yahoo.com

 

Num futuro próximo, com o estudo do material genético, poderemos vir a antecipar as doenças e evitarmos certos tipos de problemas através de uma mudança comportamental, ou mesmo de mudanças ou manipulações de material genético para consertar o nosso DNA*.

 

A medicina laboratorial está em constante mudança e aprimoramento. Surgida no início da prática médica, quando os sentidos dos médicos e suas observações eram a principal ferramenta de análise, tanto dos fluídos corporais, como dos sinais e sintomas, até o surgimento dos primeiros instrumentos de diagnósticos, talvez o principal, o microscópio em 1267 e os avanços na área de microbiologia com Pauster em 1890, notamos uma profunda evolução da área laboratorial que passou de uma fase mais empírica a uma fase mais científica baseada em análises mais acuradas e menos subjetivas.

Com a elaboração dos primeiros laboratórios de análises no início dos anos 1900 na Inglaterra, até os dias atuais, as modificações foram rápidas e em muitos casos extremas. Sem dúvida buscaram sempre realizar o melhor diagnóstico no menor tempo possível para beneficiar o paciente. Nas últimas décadas passamos de laboratórios extremamente manuais, de baixa rotina e técnicas muitas vezes artesanais, a laboratórios de alta automatização com equipamentos de vanguarda levando a pesquisa de simples análises de elementos sanguíneos até a possibilidade de detecção de material genético específico, humanos ou não, e com mais ênfase, recentemente, ao próprio estudo do DNA do indivíduo, no intuito de prever, ou mesmo predizer, que tipo específico de tratamento ou monitoramento esse paciente necessita, criando um novo mundo dentro da medicina, a chamada medicina personalizada.

Este tipo de medicina, num futuro próximo, possibilitará a cada indivíduo ter não só seu diagnóstico, mas também um tratamento cada vez mais preciso, levando a uma melhor chance de cura do paciente, e, principalmente, a prevenção de doenças que podem ser evitáveis, ou que possibilitem melhor sobrevida quando diagnosticadas precocemente.

 

Novas tecnologias

Mas como fica a medicina laboratorial neste contexto? As novas tecnologias ganham cada vez mais espaço no dia a dia da humanidade. Ninguém imaginava que, há vinte anos atrás, teríamos a possibilidade de em um pequeno smartphone acompanhar nossa saúde, seja ela através de dados físicos ou históricos da nossa condição física, ou mesmo com uso de aplicativos específicos para, por exemplo,  monitorar nossa glicemia, ou mesmo fazer diagnósticos em regiões remotas através de análises de fotos tiradas com o celular. Sem dúvida seremos cada vez mais dependentes da tecnologia, ou seja, mesmo na medicina laboratorial estaremos caminhando conjuntamente com os avanços tecnológicos. Estamos passando uma nova era de automação, com equipamentos cada vez mais flexíveis que possuem um menu cada vez mais amplo e que oferecem um resultado de vários parâmetros com quantidades cada vez menores de amostras.

 

Mudança de paradigma

Mas a grande mudança está pautada em alguns aspectos. Talvez os principais sejam a mudança de um paradigma da busca de uma causa para estabelecer um diagnóstico para a elaboração de diagnósticos preventivos através das análises do conteúdo genético das pessoas. Com este estudo do material genético, num futuro próximo, poderíamos antecipar as doenças e evitarmos certos tipos de problemas através de uma mudança comportamental, ou mesmo de mudanças ou manipulações de material genético, para consertar nosso DNA. Ou seja, a ficção científica torna-se realidade.

 

Nova onda

Proteómica, nutreómica e estudos mais apurados do comportamento de proteínas frente às doenças vão ser a nova onda de crescimento do laboratório de patologia clínica, como o indivíduo responde à ingestão de certos alimentos e como isso vai influenciar sua saúde também vão estar em voga no futuro. O uso mais intensivo das técnicas de biologia molecular e dos diagnósticos moleculares com plataformas específicas e uso de chips de diagnóstico vão impulsionar toda a famacogenômica e medicina personalizada, pois cada vez mais este tipo de teste estará presente na pratica rotineira do laboratório.

Equipamentos como especfotometros de massas tandem, cromatógrafos por afinidade e chips diagnósticos estão a deixar rapidamente os laboratórios de pesquisas e entrando na rotina da medicina laboratorial. Esta nova tecnologia que se solidifica tem os preços de testes cada vez mais acessíveis.

Outro aspecto que ganha importância é a descentralização dos laboratórios. Ou seja, ainda teremos laboratórios centrais baseados em uso de altíssima tecnologia com ganho de escala e produtividade e busca para o baixo custo, com menus extremamente amplos e alta resolutibilidade e laboratórios satélites com alta capacidade de ação rápida com exames baseados em testes laboratoriais remotos que ganham cada vez mais eficiência, tornando mais exatos, de manuseio mais fácil e com custo mais acessível.

Esses laboratórios vão apresentar menus de exames mais amplos e diversificados, deixando a ter apenas teste simples como os primeiros testes de monitoramento de glicemia para diabéticos, por exemplo, até os diagnósticos e acompanhamento de funções mais elaborados do corpo humano como coagulação, doenças mais específicas como as infecciosas ou onde o diagnóstico rápido e preciso pode ser o diferencial entre a vida e a morte como, por exemplo, um infarto do miocárdio.

A busca por métodos diagnósticos menos invasivos vai ganhando espaço sendo uma nova tendência, não só na medicina laboratorial, como em toda medicina, onde equipamentos poderão cada vez mais monitorar parâmetros vitais do indivíduo.

 

Impacto na formação das pessoas

Todas estas transformações que se vislumbram no futuro vão impactar também na formação das pessoas que trabalham nos laboratórios. A tendência é uma diminuição do número de pessoas que trabalham no local e a busca de profissionais  com formação mais especializada, principalmente naqueles que farão dos laboratórios centrais e de referências seu ambiente de trabalho. Será, sem dúvida, exigido um conhecimento crescente de informática, além de um domínio maior e melhor de gestão, pois busca de diminuição dos custos ou mesmo sua  manutenção em níveis aceitáveis serão desafios que os trabalhadores e gestores irão se confrontar diariamente. Com todas estas mudanças a caminho veremos cada vez mais o ser humano viver mais e melhor, principalmente mantendo uma qualidade de vida diferenciada, que culminará num envelhecimento mais saudável.

 

*Síntese de comunicação a apresentar no 2º Congresso de Ciências da Saúde

 

 

 

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Introdução da vacina Pneumo-13 no calendário de vacinação de rotina de Angola

 

O Programa Alargado de Vacinação em Angola foi criado em 1979 e tem como objectivo a redução da mortalidade e morbilidade das doenças imunopreveníveis (difteria, tosse convulsa, parotidites, poliomielite, sarampo, tétano) contra as quais foram disponibilizadas vacinas ao início. Posteriormente, foram introduzidas outras, designadamente a vacina contra a febre-amarela em 1980  e a vacina pentavalente em 2006. O impacto da introdução da vacina  pentavalente foi rápido pois houve uma redução drástica dos casos de pneumonia causada por Hemofilus influenza tipo B.

Ao contrário, as doenças causadas por pneumococos e contra as quais ainda não existiam vacinas disponíveis aumentaram. A OMS estima que cerca de 1,6 milhões de mortes anuais em  menores de 5 anos são atribuídas à doença pneumocócica no mundo inteiro. Em Angola, a pneumonia considera-se a segunda  causa de morte em crianças menores de 5 anos. Estima-se que cerca de 132 mil casos/ano de doenças causadas por Streptococus pneumoniae ocorrem em crianças menores de 5 anos e cerca de 18,9 mil  óbitos anuais atribuíveis à mesma bactéria. Face ao quadro epidemiológico acima referido a introdução da vacina contra as doenças causadas por pneumococos (Pneumo-13) é uma estratégia prioritária do plano de desenvolvimento sanitário que visa acelerar a redução da morbilidade e mortalidade de doenças causadas por Streptococcus pneumonia e criar condições para a introdução de outras vacinas. Neste contexto foi introduzida no calendário nacional de vacinação a vacina pneumo, em13 em Junho de 2013.

 

—A vacina contras as diarreias causadas por rotavírus (rotarix);

—A dose zero da vacina contra a Hepatite B - vacinação do recém nascido;

—A 2ª dose da vacina contra o sarampo (tripla viral);

—A vacina contra o cancro do colo uterino (HPV).

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O desafio do acesso universal à prevenção, diagnóstico e tratamento do VIH e SIDA em Angola

 

O melhor conhecimento dos aspectos patogênicos do VIH nas últimas três décadas ainda não foram suficientes para o desenvolvimento de uma vacina segura e eficaz. No entanto, as experiências acumuladas em diferentes estudos clínicos controlados apontam para a possibilidade de controle da epidemia com o aumento do acesso universal à prevenção, combinando factores educacionais, comportamentais e tratamento precoce do VIH com consequente diminuição da transmissão na comunidade.

O diagnóstico precoce deve ser incentivado com campanhas nacionais que sensibilizem a sociedade civil organizada, os cidadãos, as ONG e líderes locais para a importância de identificar portadores do VIH cada vez mais precoce, testando uma grande quantidade de pessoas no período em que a doença pelo VIH ainda não se manifestou e, particularmente, às pessoas que se infectaram recentemente, pois este momento é um dos mais importantes da transmissão sexual do VIH, quando a carga de VIH plasmática e nas secreções é extremamente alta.

 

Simplificação do teste

A simplificação do teste do VIH com a auto-testagem foi avaliada positivamente em estudos realizados na África Subsaarina, particularmene no Malawi. A auto-testagem  no próprio domicílio, entre os familiares, tem-se mostrado atractiva, responsabilizando o próprio cidadão pelo conhecimento do seu estado serológico com o suporte de visitadores domiciliares que confirmam o resultado do teste, orientam e avaliam a possibilidade de início de TARV. O acesso sem restrição das gestantes a testagem do VIH deve aumentar no país para atingir todas as grávidas em consulta pré-natal (CPN), é fundamental e um direito das cidadãs.

 

TARV por toda a vida

A instituição imediata da TARV para estas gestantes impõem-se e a conduta adotada por Angola de manter a TARV por toda a vida é uma medida importante para preservação da saúde da mulher e interromper a transmissão vertical do VIH no país.  Implementar estratégias de combate à epidemia de forma coordenada, com o envolvimento da comunidade, dos profissionais de saúde, dos sectores público e privados actuando em planos integrados, e sobretudo, sua inclusão na rede de cuidados primários de saúde são os desafios nacionais, regionais e municipais. A universalidade, com o pleno acesso da população a todas as medidas profiláticas e terapêuticas, respeitando as diversidades e especificidades regionais e visando minimizar as iniquidades no contexto dos determinantes sociais da saúde são os desafios da próxima década para o controlo do VIH/SIDA em Angola.

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Ginecologia-obstetrícia e saúde reprodutiva nas suas vertentes de planeamento familiar e infertilidade

 

As actividades de planeamento familiar foram integradas nos cuidados primários de saúde em Angola no ano de 1985. Tiveram como seus principais impulsionadores os profissionais de saúde ligados à área de ginecologia e obstetrícia.

Actualmente, os serviços de planeamento familiar estão disseminados em unidades sanitárias de todo o país e constituem um componente essencial da saúde reprodutiva, contribuindo para a garantia do bem-estar da família e autonomia das mulheres, apoiando a saúde e o desenvolvimento das comunidades.

 

Objectivo geral

Descrever a interligação da ginecologia-obstetrícia e saúde reprodutiva com as actividades de planeamento familiar nos seus componentes de contracepção e alterações da fertilidade na vertente de promoção da saúde.

 

Objectivos específicos

 a) Correlacionar os conceitos de Saúde Reprodutiva, Planeamento Familiar, Contracepção e Infertilidade do ponto de vista médico para a promoção da saúde;

 b) Apresentar uma breve revisão bibliográfica de trabalhos efectuados em Angola sobre planeamento familiar, contracepção e infertilidade.

 

Materiais e Métodos

 Pesquisa documental e bibliográfica.

 

Resultados

Apesar das informações disseminadas sobre a importância do planeamento familiar, é baixa a prevalência da utilização de métodos contraceptivos modernos pela população em idade reprodutiva e é crescente a prevalência da infertilidade nesse grupo populacional, com destaque para a faixa etária entre 25-34 anos onde predomina como factor causal feminino as alterações tubo-peritoneais e no masculino a oligospermia.

 

Conclusões

Nas actividades de planeamento familiar, a contracepção com métodos comportamentais e modernos ainda é exercida essencialmente por mulheres, enquanto a componente de infertilidade encontra maior comparticipação de mulheres e homens na sua abordagem prática.

 

Recomendações

 Promover, a todos os níveis, acções de planeamento familiar visando melhorar as oportunidades educativas e de emprego para as mulheres, contribuindo deste modo para os avanços na igualdade de género, produtividade, poupança das famílias, redução da pobreza e desenvolvimento sócio-económico.

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Já não é preciso ir ao estrangeiro para check ups

Clínica Healthgest oferece serviços de excelência

 

Já não é preciso ir ao estrangeiro para efectuar check ups, exames e outras consultas especializadas. Acaba de inaugurar em Luanda, precisamente na Maianga, uma nova unidade de saúde que oferece um serviço de alta qualidade e competência.

De acordo com o director, Luís Távora Tavira, a Healthgest dispõe de uma equipe de médicos e outros profissionais de saúde de reconhecida formação académica e competência profissional, com senioridade comprovada no exercício da medicina. A estes recursos humanos de excelência, alia-se a melhor tecnologia disponível no mundo (Siemens, com apoio técnico e manutenção permanente da equipa técnica residente da Unimed) e procedimentos certificados internacionalmente.

 

Serviços disponíveis

Segundo Luís Távora, entre as diversas consultas possíveis destacam-se as áreas de Clínica Médica / Clínica Geral, Medicina Tropical e do Viajante, Cardiologia, Oftalmologia, Ginecologia e Obstetrícia. O Serviço de Patologia Clínica é dos mais avançados e modernos de Angola e responde a tudo o que for preciso. Possui as valências completas nas áreas de Hematologia, Bioquímica, Imunologia, Auto-Imunidade, Citopatologia, Microbiologia e Parasitologia.

Conjuntamente com o serviço de Consultas e Check-up, a clínica Healthgest realiza conjuntos de análises destinadas a avaliar situações especiais, tais como o risco cardiovascular, dislipidémias, marcadores tumorais, marcadores endocrinológicos, análise de risco fetal (PRISCA), entre outros.

O Laboratório efectua mais de 200 parâmetros analíticos e possui recursos humanos e materiais de grande qualidade.

 

Exames complementares de diagnóstico

Na área dos exames complementares de diagnóstico, destacam-se os exames cardiológicos, incluindo a monitorização Holter electrocardiográfica (mapas) e pressurométrica, as provas de esforço e a ecocardiografia. Efectuam também ecografia ginecológica e obstétrica, abdominal e das partes moles. A Clínica possui ainda equipamento e competências técnicas para exames oftalmológicos e optométricos, audiometria e espirometria.

 

Medicina ocupacional

Na área de medicina ocupacional, a Healthgest propõe módulos de serviços de consultas de medicina de trabalho, auditoria e relatórios de higiene e segurança no trabalho, análise de risco por posto de trabalho e/ou trabalhador, bem como cursos de formação na área da higiene e segurança no trabalho. Estes serviços podem ser prestados na clínica e/ou nas instalações da instituição cliente, para maior facilidade de gestão.

 

A sede fica no Bairro Mártires de Kifangondo, Maianga, Rua 13 casa Nº 127, Luanda, Angola Telemóvel +244 948 025 454 | +244 948 025 555  | +244 915 531 247 | +244 915 531 250; e-mail para contacto: geral@hgest.net   Website:  www.hgest.net

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Doenças cardíacas e derrames: o que são, quais as causas e como evitar

 

De acordo com a OMS, as doenças cardíacas e derrames matam 17 milhões de pessoas por ano. Até 2020, esse número deve aumentar para 20 milhões de vítimas. Em 2030 serão 24 milhões. Em Angola, tem vindo a aumentar significativamente devido aos novos estilos de vida, nomeadamente a alimentação desadequada, o tabaco e a falta de exercício físico. Segundo a OMS, ter uma alimentação balanceada e saudável, ou seja, sem ingestão de açúcar, álcool, doces, embutidos e sal em excesso, é imprescindível para afastar problemas cardíacos.

As doenças cardiovasculares são o resultado da combinação de factores de risco, como tabagismo, colesterol alto, diabetes e pressão alta, durante anos e anos. A prevenção deve começar cedo, pois muitas vezes não aparecem sintomas, a detecção da doença é tardia e o tratamento torna-se apenas um paliativo.

 

As principais doenças do coração

A saúde do coração e do sistema vascular (conjunto de veias e artérias) depende de hábitos saudáveis desde a infância. As doenças cardiovasculares mais comuns são o enfarte, a insuficiência cardíaca, a insuficiência vascular periférica, as arritmias e  o derrame cerebral.

 

O enfarto agudo do miocárdio é uma das doenças cardíacas mais temidas, devido ao alto índice de mortalidade. Metade das pessoas que tem um enfarte não sobrevive a tempo de receber atendimento médico.

O enfarte é provocado pela formação de um coágulo que obstrui totalmente a passagem do sangue em uma artéria do coração, causando morte de uma determinada região do músculo cardíaco (miocárdio). O sintoma mais comum é uma forte dor no peito.

 

A insuficiência cardíaca  ocorre quando o coração não consegue bombear sangue suficiente para o restante do corpo.

A insuficiência cardíaca é dividida em quatro classes, de acordo com a severidade do problema: I (assintomática), II (leve), III (moderada) e IV (grave). A má circulação, chamada pelos médicos de insuficiência vascular periférica, tem como sintomas mais comuns dores nas pernas, que aparecem com frequência durante caminhadas, e que passam durante o repouso.

 

Arritmias  é quando o coração bate de forma irregular, ou muito rápido, ou muito devagar. O coração de um adulto, em repouso, bate de 60 a 80 vezes por minuto. Vale lembrar que é absolutamente normal o coração bater mais rápido em situações de excitação, medo ou durante a prática de exercícios físicos.

 

Derrame cerebral, conhecido no meio científico como Acidente Vascular Cerebral (AVC), é um sangramento no cérebro por causa do rompimento de vasos sanguíneos. Pode acarretar sequelas graves e morte.

Apesar de não ser uma doença cardíaca, o derrame cerebral é uma doença vascular grave e está relacionado aos mesmos factores de risco das doenças do coração.

 

Factores de risco

Colesterol alto

É assintomático e detectado somente através de exames de sangue. O excesso de colesterol é perigoso, porque ele é depositado na parede das artérias, provocando a formação de placas gordurosas. Com o tempo, essas placas obstruem os vasos sanguíneos e impedem a circulação do sangue. Pode acarretar várias doenças, enfarte, derrame e problemas de circulação.

 

Tabagismo

O cigarro contém cerca de quatro mil substâncias tóxicas para o organismo. Entre elas, estão o alcatrão e a nicotina, responsáveis pelo vício. O fumo provoca lesões na superfície dos vasos sanguíneos, favorecendo a entrada e a acumulação do colesterol nas artérias coronárias. Está relacionado ao surgimento e/ou complicação de todas as doenças cardiovasculares. Pode ainda provocar diversos tipos de cancro.

 

Pressão alta

Também chamada de hipertensão arterial, é um dos grandes vilões das doenças cardiovasculares, chamada de "assassino silencioso", porque raramente provoca sintomas. A hipertensão caracteriza-se pelo bombeamento de sangue a uma pressão superior àquela encontrada na maioria das pessoas, de até 140/90 mmHg (milímetros de mercúrio, unidade usada para medir a pressão). Pessoas com pressão arterial acima de 140/90 mmHg correm mais risco de ter problemas no coração, cérebro e nos rins. A acção da pressão alta nos vasos sanguíneos é semelhante a do cigarro, isto é, provoca lesões e favorece a concentração de colesterol.

 

Obesidade e sedentarismo

Pessoas com excesso de peso tendem a ter altas taxas de colesterol no sangue e predisposição a diabetes. Da mesma forma, quem não faz nenhuma actividade física corre mais risco de enfrentar problemas de pressão e colesterol altos. Além disso, os exercícios melhoram o condicionamento físico, a resistência, o humor e a qualidade de vida em geral.

 

História familiar

O aparecimento de doenças cardiovasculares tem um componente genético. Quem possui parentes de 1º grau (pais e/ou irmãos) que desenvolveram o problema antes dos 50 anos (no caso dos homens) e antes dos 60 anos (no caso das mulheres) tem mais chances de também sofrer do coração.

 

Como evitar

Colesterol alto

É assintomático e detectado somente através de exames de sangue. O excesso de colesterol é perigoso, porque ele é depositado na parede das artérias, provocando a formação de placas gordurosas. Com o tempo, essas placas obstruem os vasos sanguíneos e impedem a circulação do sangue. Pode acarretar várias doenças, enfarte, derrame e problemas de circulação.

 

Tabagismo

O cigarro contém cerca de quatro mil substâncias tóxicas para o organismo. Entre elas, estão o alcatrão e a nicotina, responsáveis pelo vício. O fumo provoca lesões na superfície dos vasos sanguíneos, favorecendo a entrada e a acumulação do colesterol nas artérias coronárias. Está relacionado ao surgimento e/ou complicação de todas as doenças cardiovasculares. Pode ainda provocar diversos tipos de cancro.

 

Pressão alta

Também chamada de hipertensão arterial, é um dos grandes vilões das doenças cardiovasculares, chamada de "assassino silencioso", porque raramente provoca sintomas. A hipertensão caracteriza-se pelo bombeamento de sangue a uma pressão superior àquela encontrada na maioria das pessoas, de até 140/90 mmHg (milímetros de mercúrio, unidade usada para medir a pressão). Pessoas com pressão arterial acima de 140/90 mmHg correm mais risco de ter problemas no coração, cérebro e nos rins. A acção da pressão alta nos vasos sanguíneos é semelhante a do cigarro, isto é, provoca lesões e favorece a concentração de colesterol.

 

Obesidade e sedentarismo

Pessoas com excesso de peso tendem a ter altas taxas de colesterol no sangue e predisposição a diabetes. Da mesma forma, quem não faz nenhuma actividade física corre mais risco de enfrentar problemas de pressão e colesterol altos. Além disso, os exercícios melhoram o condicionamento físico, a resistência, o humor e a qualidade de vida em geral.

 

História familiar

O aparecimento de doenças cardiovasculares tem um componente genético. Quem possui parentes de 1º grau (pais e/ou irmãos) que desenvolveram o problema antes dos 50 anos (no caso dos homens) e antes dos 60 anos (no caso das mulheres) tem mais chances de também sofrer do coração.

 

 

 

 

 

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Executivos saudáveis, empresas competitivas

 

As empresas que têm a gestão voltada para pessoas sabem que ao cuidarem da saúde de seus profissionais, cuidam também da saúde do próprio negócio.

 

O stress profissional, a doença do século, está a disseminar-se entre os executivos de todos os escalões e já constituiu uma séria ameaça à saúde das organizações.

Submetidos à tensão gerada pela competição do mercado global, os profissionais estratégicos das empresas são levados, muitas vezes, ao limite da sua resistência física e emocional. O estilo de vida inadequado, associado a níveis intoleráveis de stress, é o cocktail nefasto que abre as portas do corpo e da mente para um sem numero de enfermidades.

No mundo globalizado, este estado grave de fadiga física emocional está a ser diagnosticado como a Síndrome de Burnout (do inglês “burn out”, cuja tradução seria “queimar por inteiro”) e já atinge um em cada quatro trabalhadores europeus. No ambiente laboral esta síndrome manifesta-se através de sentimentos negativos, de baixa autoestima profissional, e resulta no desinteresse e falta de motivação para o trabalho.

No ambiente corporativo, onde a cobrança por resultados é cada vez mais implacável, o estresse é a resposta do indivíduo às dificuldades de relacionamento, à pressão permanente pelo cumprimento de metas, aos riscos de tomada de decisões, às exigências dos clientes, à disputa com os concorrentes e mesmo à insegurança de perder o emprego. Como não conseguem conciliar o desempenho profissional com a preservação da sua saúde estes profissionais sucumbem ao stress.

São homens e mulheres movidas por uma mistura de perfeccionismo, culpabilização, autocrítica implacável, e um sentimento de omnipotência, de querer fazer tudo sozinho. Tudo isso, somado à responsabilidade familiar e, por vezes, as dificuldades financeiras, forma, entre outros, o combustível que abastece o stress profissional. Posteriormente, estes executivos já não encontram no trabalho uma forma de realização pessoal, mas um fardo cada vez mais difícil de carregar. É comum, nesses casos, o sentimento de frustração associado a uma incontrolável apatia. Sem motivação profissional, mas pressionados pelo senso de responsabilidade, o indivíduo tona-se improdutivo.

 

Consequências físicas

Esta patologia tem graves consequências físicas, tais como cefaleias, dores musculares, problemas gastrointestinais, insónias, hipertensão, perda de apetite, dores nas costas e falta de energia, e também não menos sérias consequências psicológicas como irritabilidade, ansiedade, degradação das relações interpessoais, desinteressante, despersonalização, perda de sentido de humor, diminuição de autoestima, insegurança, indecisão, falta de concentração ou hiperatividade. São comuns também, nesses casos, desvios de comportamentos, que descambam para a violência, física ou verbal, e no abuso de consumo de álcool, drogas ou produtos químicos.

 

Antecipação das doenças

Estudos patrocinados por insuspeitas instituições, como Harvard Business School, já atestaram, há tempos, que 80% das consultas médicas estão originalmente ligadas ao stress.  Já nossas pesquisas, realizadas ao longo de duas décadas e sustentadas em mais de 70 mil check-ups médicos, acusam a presença de doenças incapacitantes, por vezes letais, em indivíduos com idades cada vez mais precoces. Para citar um exemplo: se, na década de 1990, o cancro da próstata ocorria em homens a partir de 60 anos, hoje esta doença faz-se presente em indivíduos a partir de 45 anos.

Entre as mulheres as doenças também estão se antecipando. Se, há 20 anos, ainda segundo nossos estudos, a incidência de infarto agudo do miocárdio – e recomendação de cirurgia para revascularização – ocorriam somente após a menopausa, hoje estes eventos são registrados em pacientes já a partir dos 40 anos. Se, há 20 anos, era de dez para um a ocorrência de infarto do miocárdio em mulheres, hoje esta relação no público feminino está de três para um.

 

Saúde das empresas

Este desequilíbrio também traz consequências negativas para a saúde das empresas, pois resultam em erros na tomada de decisões, muitas vezes globais, para além das faltas, licenças médicas e, evidentemente, na redução da produtividade. É, pois, necessário e urgente que se criem estratégias de prevenção e tratamento de intervenção, quer ao nível individual, quer ao nível das organizações.

As doenças derivadas do stress multiplicam-se e são o alto preço pago pelos executivos para continuar atuando no alucinado mercado da competição e gerando resultados. As empresas comprometidas com a sustentabilidade do seu negócio questionam tais resultados – que não se mantêm no longo prazo – face à deterioração da saúde de seus profissionais.

 

Prevenir através do check-up

Afinal, é em torno das suas empresas, mais do que de seus próprios familiares, que estes profissionais passam a maior parte do seu tempo. Por isso, dado que o stress é endémico e com incidência crescente entre os executivos, trata-se de combatê-lo através de sistemas de prevenção. A prática do check-up médico, através de exames periódicos, cada vez mais precisos e abrangentes, detecta precocemente o aparecimento de doenças, não raro letais, em muitos destes profissionais e garante o cumprimento da missão empresarial.

Felizmente, a cultura da prevenção da saúde esta disseminada nas corporações mais modernas e é ferramenta estratégica das que apostam na estabilidade funcional de seus quadros como diferencial competitivo. Nossa experiência com executivos de empresas de todos os matizes tem demonstrado que a busca por resultados não é incompatível com os cuidados com saúde, antes, ao contrario, é a fórmula para alçar a novos patamares no mundo dos negócios. Assim, empresas que têm a gestão voltada para pessoas sabem que ao cuidarem da saúde de seus profissionais, estão também cuidando da saúde do próprio negócio.

 

 

 

 

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A importância dos dentes desde a infância até à idade adulta

 

Dentição decídua mista e permanente

A dentição decídua, vulgarmente chamada de dentição de leite, é assim chamada dada a cor destes dentes ser tão semelhante à cor do leite. Esta é a primeira dentição (conjunto de dentes) a surgir na boca do indivíduo. Estes surgem por volta dos 6 meses com a erupção dos incisivos centrais inferiores e completa-se com a erupção do 2º molar superior por volta dos dois anos (Quadro 1).

A dentição permanente – que vem substituir os dentes da dentição decídua e acrescentar 12 novos dentes – inicia-se aos 7 / 8 anos com os incisivos centrais inferiores e termina por volta dos 11 anos. Aos 12 anos surge a erupção de um grupo de dentes novos, os segundos molares definitivos e entre os 17 e os 30 anos os terceiros molares definitivos, ou dentes do siso (Quadro 2). Assim termina o processo normal de erupção. Depois disto, o indivíduo não sofre mais qualquer tipo de substituição, ou erupção, até à sua morte.

Entre os 6 anos e os 10 / 11 anos a criança apresenta tanto dentes decíduos como dentes permanentes. Por isto é denominada dentição mista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A dentição decídua não é, em altura alguma, menos importante que a dentição definitiva só porque todos estes dentes serão substituídos mais tarde por um homólogo, à excepção dos pré-molares e 3ºs molares que só surgem na dentição definitiva.

Como referido no artigo anterior, a cárie dentária é uma doença transmissível embora possa ocorrer transmissão entre indivíduos através da saliva, a transmissão ocorre muitas das vezes entre dentes do mesmo indivíduo. E é aqui que se coloca o problema pois cáries que ocorrem em dentes decíduos contaminam outros dentes decíduos e dentes permanentes.

Assim uma criança que apresente, por exemplo, o 2º molar decíduo cariado, quando o 1º molar permanente erupciona logo atrás deste, mais tarde ou mais cedo este irá desenvolver cárie se nada for feito contra.

 

Cárie de biberon

Este tipo de cárie é assim chamado pois surge quando existe um contacto íntimo do leite ou líquidos açucarados com a estrutura dentária. Estas cáries estão muitas das vezes associadas ao uso de biberon à noite, quando a criança já está na cama para dormir e não faz a higiene oral após a mamada. A localização destas lesões está associada ao percurso do líquido durante a alimentação. Assim, os incisivos superiores decíduos são, geralmente, os mais atingidos (pela posição da tetina do biberon), seguindo a superfície de mordida dos dentes posteriores (face oclusal) e superfícies livres dos primeiros molares decíduos, caninos e segundos molares decíduos. Raramente atinge os incisivos inferiores decíduos (Corrêa et al.).

 

Como prevenir a cárie de biberon

A melhor forma de controlar e prevenir a cárie de biberon é através dos seus factores etiológicos. Assim, quanto ao factor hospedeiro, a prevenção faz-se com colocação de selantes e flúor. No caso da dieta, a prevenção faz-se reduzindo o consumo de açúcares e/ou refeições pastosas principalmente na última mamada, antes da criança se deitar. Por outro lado, se a placa bacteriana for eliminada com uma correcta higiene oral estamos a reduzir a possibilidade de ocorrer diminuição do pH da saliva e por conseguinte o aparecimento da cárie.

 

Consequência da perda dentária precoce

São incalculáveis as consequências psicológicas da perda precoce, tanto na dentição decídua, como na dentição permanente.

Quanto às consequências físicas, não há perda dentária que mais tarde ou mais cedo não irá ocasionar uma das seguintes situações:

No caso de dentição decídua:

— Encurtamento da arcada (superior ou inferior dependendo do número e local dos dentes perdidos);

— Impactação dos dentes permanente sucessores (dificuldade de erupção dos dentes permanentes);

— Redução da capacidade mastigatória;

— Distúrbios da fonética;

— Aparecimento de hábitos orais viciosos como por exemplo a colocação sistemática da língua no espaço existente. Atenção que a língua é um músculo muito potente que funciona como modificador da posição dentária.

 

 No caso da dentição permanente:

— Inclinação dos dentes adjacentes à perda;

— Migração dos dentes adjacentes para a região da perda;

— Extrusão do dente antagonista (erupção contínua do dente com o qual o dente perdido ocluía);

— Trauma directo à ATM (articulação temporomandibular);

— Distúrbios da fonética;

— Redução da capacidade mastigatória;

— Aparecimento de hábitos orais viciosos como por exemplo a colocação sistemática da língua no espaço existente. Atenção que a língua é um músculo muito potente que funciona como modificador da posição dentária;

— Encurtamento da arcada (superior ou inferior dependendo do número e local dos dentes perdidos);

Infelizmente, na prática clínica diária, é possível confirmar como crianças de tenra idade, com apenas 6 / 7 anos já apresentam, pelo menos 2, 4 ou até 8 dentes decíduos cariados (principalmente os dentes de trás, chamados de molares) e aos 10 / 11 anos pelo menos 2 dentes definitivos cariados. Por se tratar de uma doença tão agressiva e que põe em causa o sorriso, a fala, o relacionamento interpessoal e até a deglutição do indivíduo de forma definitiva, é essencial desde a erupção dos primeiros dentes e sempre de forma regular (2 a 3 vezes por ano) visitar um médico dentista ou um estomatologista. O médico dentista ou estomatologista irá prevenir o aparecimento de novas lesões e/ou tratar as já existentes.

 

 

Bibliografia

http://dentistadacrianca.blogspot.com/2012_10_01_archive.html

http://jornalismodigitalestaciotarde.wordpress.com/2010/06/14/denticao-permanente/

http://gengiva.com/artigos/cronologia-do-nascimento-dos-dentes

http://www.clinicagerminacao.com.br/?p=376

http://www.unimep.br/phpg/editora/revistaspdf/revfol13_1art01.pdf

 

 

 

 

 

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Dia Mundial da Lavagem das Mãos – 15 de Outubro

Quantas vezes já lavou as suas mãos hoje?

 

Pois saiba que as mãos são o principal veículo de transmissão de microrganismos de um indivíduo para outro e que o simples gesto de lavar as mãos de forma correcta torna-se a principal medida de controlo no desenvolvimento de infecções.

 

Cerca de 2,2 milhões de crianças com idade inferior a cinco anos morrem em cada ano vítimas de doenças gastrointestinais (diarreia) e de pneumonia, as duas maiores causas de mortalidade infantil no mundo. Lavar as mãos com sabão sendo um acto simples e acessível pode reduzir substancialmente o número de crianças doentes. Lavar as mãos com sabão pode proteger uma em cada três crianças de adoecer com diarreia e uma em cada seis crianças de adoecer com infecções respiratórias como a pneumonia. Apesar de quase toda a população mundial lavar as suas mãos com água, muitos poucos o fazem usando sabão. Estima-se que em cada momento, mais de 1,4 milhões de pessoas no mundo sofrem de infecções adquiridas nos hospitais (chamadas infecções nosocomiais). Este tipo de infecções afecta de uma forma global países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento.

 

Quando se devem lavar as mãos?

Apesar de ser impossível manter as mãos totalmente livres de germes, é também verdade que a sua lavagem frequente pode limitar a transmissão de bactérias, vírus e outros micróbios, diminuindo assim a ocorrência de infecções.

 

Lavar sempre as mãos antes de:

— Preparar alimentos ou comer.

—  Tratar de feridas, administrar medicamentos, cuidar de doentes ou pessoas debilitadas.

— Colocar ou remover lentes de contacto.

 

Lavar sempre as mãos depois de:

— Preparar alimentos, especialmente carne crua ou aves.

— Utilizar sanitários ou mudar fraldas.

— Tocar em animais, nos seus brinquedos, utensílios ou dejectos.

— Assoar o nariz, tossir ou espirrar para as mãos.

— Tratar de feridas, cuidar de doentes ou pessoas debilitadas.

—  Mexer no lixo, produtos químicos de limpeza ou de jardim, ou qualquer objecto que possa estar contaminado – panos de limpeza ou calçado de protecção.

 

Como deve lavar às mãos

De uma forma geral é melhor lavar as mãos com sabão e água. Proceda desta maneira:

—  Molhe as mãos com água corrente.

— Aplique sabão líquido, em barra ou em pó.

—  Ensaboe bem.

—  Esfregue as mãos vigorosamente durante pelos menos 20 segundos. Não se esqueça de friccionar todas as superfícies, incluindo as costas das mãos, pulsos, entre os dedos e debaixo das unhas.

— Enxagúe bem.

—  Seque as mãos com um toalhete limpo ou descartável, ou com um secador de mãos.

—  Se possível use o toalhete para fechar a torneira.

 

Sabonete Anti-séptico

Lavar as mãos com um sabão anti-séptico proporciona a melhor protecção contra os germes.

Os desinfectantes como o gel alcoólico de mãos geralmente eliminam cerca de 99,9% dos germes. Os desinfectantes com uma base alcoólica não necessitam de água, pelo que são uma alternativa eficaz quando o sabão e a água não estão disponíveis. Ao escolher um desinfectante de mãos certifique-se que o produto contém pelo menos 60% de álcool.

 

 Proceda da seguinte maneira:

— Aplique uma suficiente quantidade de produto na palma da mão para molhar as mãos completamente.

—  Esfregue as mãos uma na outra, cobrindo todas as superfícies. Friccione até secar.

 

Toalhetes ou lenços anti-microbianos são outra opção eficaz. Procure sempre produtos que tenham uma elevada percentagem de álcool.

Fonte: Shalina

 

 

 

 

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“O sonho tornou-se realidade”

Inauguração de escola em Viana, financiada pela BP Angola, e apetrechada pela Subsea7, permite integrar no sistema de ensino mais de 900 alunos

 

“O sonho tornou-se realidade”. Foi com estas palavras que  o director pedagógico do Complexo Escolar Teresiano de Viana, Marcelino Sanana, iniciou a sua mensagem de boas vindas no acto inaugural da nova escola com oito salas de aula apetrechadas, integrada naquele complexo, a 10 de Setembro.

De acordo com este responsável “as novas salas de aula contribuem para o aumento do número de alunos na instituição e melhoram a qualidade do ensino, factor primordial para a formação integral do aluno que por ela passa”.

Segundo Marcelino Sanana “as novas salas vão, para já, acolher alunos de duas turmas de iniciação, três da 1ª classe, uma da 2ª classe e outra da 12ª classe que, até hoje, tinham aulas debaixo das árvores”.

Para a directora, Irmã Domingas, “a ampliação vai responder a necessidades de educação em Viana, ao permitir aumentar o número de alunos, quer do primário, quer do 2º ciclo, podendo chegar a 970, em três turnos”.

Em nome da Companhia Santa Teresa de Jesus, a direcção da Escola agradeceu aos doadores. “A gratidão é uma virtude humana que nos leva a reconhecer o bem que recebemos”, concluiu Sanana.

 

O mais importante são as pessoas

O director do Desenvolvimento Sustentável da BP, Gaspar Santos, lembrou que o mais importante são as pessoas. “Sem recursos humanos qualificados não teremos êxito e as crianças são o recurso mais valioso para o futuro de Angola. Amanhã podem ser quadros da BP ou de outras instituições”. Na mensagem que leu em nome do presidente regional da BP Angola, Martyn Morris, destacou a importância da educação na política de responsabilidade social e corporativa da empresa. “Este é um passo modesto, mas significativo, para a melhoria do acesso à educação de crianças que são o pilar do desenvolvimento sustentável de Angola. Gostaríamos que, um dia, todas as crianças possam ter acesso ao sistema formal de educação e ensino para que o país tenha mais quadros capazes e responsáveis. Só com uma educação sólida e abrangente Angola poderá manter a rota de desenvolvimento económico e social que vem demonstrando nos últimos anos e elevar-se ao nível das nações mais prósperas do planeta”.

Gaspar Santos agradeceu à Subsea 7, parceira do projecto, a oferta de 200 carteiras, armários, secretárias, cadeiras e quadros. Enalteceu também o trabalho da ONG Rise Angola que “nos últimos 18 meses ergueu mais de 40 salas de aulas no quadro da sua parceria com a BP Angola e seus associados dos blocos 18 e 31”.

Concluiu, encorajando a comunidade “a maximizar este investimento para seu benefício, como corolário dos esforços que desenvolve.

 

Perspectivas de continuidade

O Director de Vendas e Marketing da Subsea 7, Fernando Amaral, anunciou que o projecto deverá ter continuidade. “Vamos procurar que a segunda fase do empreendimento seja uma realidade a breve trecho com a construção de um espaço multiusos que permitirá igualmente a prática de desporto”. De acordo com este responsável, “o presente empreendimento é mais um exemplo da valiosa e sustentável parceria que a Subsea 7 tem mantido e desenvolvido ao longo dos anos com a BP Angola, hoje alargada a este projecto de âmbito social de grande importância para a população de Viana, com a criação e melhoria de condições de formação dos futuros quadros do país”.

 

Mais matrículas

A aluna Manuela Basílio, na sua intervenção de agradecimento em nome dos estudantes, testemunhou a carência de escolas em Viana para responder às necessidades. “O índice de analfabetismo ainda é gritante e nestas comunidades suburbanas conseguir uma matrícula exige um sacrifício redobrado devido à escassez de salas de aula”. Estas que hoje aqui se inauguram “vão criar muitas oportunidades na comunidade” e permitir aos que aqui estudam sentirem-se mais acomodados. “Sinto-me tão pequena para exprimir tamanha satisfação e gratidão”, concluiu.

A cerimónia contou ainda com a presença do Padre Pedro que benzeu as novas instalações e do representante da administração do município de Viana e da repartição municipal de educação, Matos Enoqui.

São José é o protector da Escola.

 

Ex-aluno da Escola hoje é engenheiro na BP Angola

A escola Teresiana de Viana fundada em 1997. Em 2012 foi qualificada como complexo escolar. Por aqui passaram muitos alunos, hoje na Universidade, ou já no mercado de trabalho, em posições de destaque nas empresas e administração pública angolana.

No evento de inauguração, fomos encontrar um ex-aluno, Fernando Carlos Elunda, que estudou nesta escola entre 1997 e 2003. Por uma feliz coincidência, está prestes a entrar como engenheiro mecânico na BP Angola, após uma licenciatura obtida na Turquia, com uma bolsa oferecida pela empresa. “A educação nesta escola é muito boa. As irmãs conseguem tornar os homens responsáveis. Considero-me um exemplo”, confirmou.

 

Autor do livro de matemática, Eduardo Mónica, esteve presente

“Temos de estimular o exercício”

Para o professor Eduardo Mónica, autor do livro  Lógica Matemática, patrocinado pela BP Angola, e oferecido aos alunos na ocasião, “a prática frequente de exercícios, a par de um bom livro e de um professor que transmita os conhecimentos com clareza e senso prático, é o segredo para ser bom a matemática”.

De acordo com o professor “no contexto das ciências, a matemática é a base de apoio a todas as outras disciplinas, como por exemplo a física ou  a química”.

O matemático tem já seis obras  editados.  A primeira, com 370 páginas, é sobre números e medição,  “dado que a aritmética é o ponto de partida das matemáticas”. O segundo livro “é a extensão do primeiro, o início da álgebra, com binómios e polinómios”. A terceira obra é dedicada à geometria descritiva, no âmbito da reforma educativa, e dirigida à 11ª e 12ª classe. “Foi preparada a convite do Ministério da Educação”, revelou o autor. Os livros da segunda geração, como classifica Eduardo Mónica, incidem sobre logaritmos, potenciação e radiciação e lógica matemática.

Eduardo Mónica tem 53 anos, é natural do Soyo e professor desde 1985.

 

 

 

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Director Executivo da ONUSIDA, Michael Sidibé

“Queremos que o objectivo de crianças a nascer sem SIDA venha a acontecer até 2015”

 

 “Queremos que o objectivo de crianças a nascer sem SIDA venha a acontecer até 2015” disse o director executivo da ONUSIDA e sub-secretário das Nações Unidas, Michael Sidibé, num almoço de trabalho que decorreu este mês em Luanda, com a presença do Ministro da Saúde, José Van-Dúnem.

O evento, promovido pelo Comité Empresarial da Luta contra o VIH-SIDA, liderado pela Odebrecht Angola, teve como objectivo debater questões concernentes ao controle da epidemia em Angola e contou também com a presença da Diretora do Instituto Nacional da Luta contra a SIDA, Ducelina Serrano, entre outras individualidades.

 Desde 2002 que a Odebrecht tem apoiado e estimulado a prevenção e o controle do VIH em Angola, e desde 2006 participa do referido comité.

A abertura foi feita pelo arquitecto Paulo Campos, responsável pelo Ambiente e Responsabilidade Social do DS-Angola, acompanhado pelo engenheiro Dahia Blando, do DS Angola, pelo responsável por planejamento e pessoas no país, Marcus Felipe, e pelo representante da Odebrecht no Comité Empresarial, Jorge Preto. O evento incentivou outras empresas e instituições a desenvolverem programas alinhados às diretrizes do governo para o controle do VIH – SIDA, estimulando-as a fazerem parte do esforço que o mesmo tem expendido para controlar o VHI, aderindo ao Comité Empresarial da Luta contra o VIH-SIDA.

Para Jorge Preto, representante do Comité Empresarial, “encontros como este, criam sinergias e potencializam boas práticas no sentido de que a resposta contra o VIH-SIDA seja eficiente e contribua para o crescimento sustentável do país”.

A directora-adjunta do Jornal da Saúde, Maria Odete Pinheiro, participou no almoço de trabalho a convite do Comité Empresarial da Luta contra o VIH-SIDA.

 

 

 

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Respira pela boca?

Atenção às possíveis alterações corporais e faciais

 

 “Uma das áreas de intervenção do terapeuta da fala, como já referi em publicações anteriores, é a motricidade orofacial. Esta tem como principal objectivo propiciar a harmonia das funções estomatognáticas (respiração, fala, mastigação, deglutição e sucção), promovendo um equilíbrio miofuncional. Logo, o terapeuta da fala tem um papel fulcral na reabilitação de uma pessoa que respire pela boca (respirador oral).

A respiração, para além de ser uma função vital, proporciona o desenvolvimento craniofacial. Posto isto, o modo de respiração considerado mais adequado é o nasal, pois o nariz tem a capacidade de filtrar, aquecer e humidificar o ar. Todavia, nem sempre este modo é possível, surgindo alguns “bloqueios” nestas vias, como por exemplo, a hipertrofia das adenóides e das amígdalas, sinusite, rinite, entre outras.

Nestas situações o indivíduo irá respirar pela boca, havendo a necessidade de intervenção de uma equipa multidisciplinar, envolvendo o otorrinolaringologista, o terapeuta da fala, o fisioterapeuta, o alergologista e, caso necessário, outros especialistas.

 

Como reparar se é ou não respirador oral?

De seguida estão descritas algumas das características mais comuns. Caso algumas destas sejam presenciadas frequentemente deverá ser observado por um profissional, como os acima mencionados.

— Alterações na fala;

—Alterações na mastigação;

—Otites frequentes;

—Olheiras;

—Alterações do sono;

—Alterações da postura corporal;

—Alterações do rendimento escolar / profissional;

—Alterações do paladar e olfacto;

—Face alongada;

—Alterações da oclusão dentária;

—Palato (habitualmente denominado “céu da boca”) alto e estreito;

—Lábios constantemente abertos e secos;

—Língua flácida e em posição anteriorizada (entre os dentes inferiores e superiores); Flacidez nos músculos da mastigação;

—Tensão no músculo do queixo;

 

As alterações são muitas e algumas delas prejudiciais, fazendo com que haja modificações na musculatura e nas funções estomatognáticas, bem como alterações posturais e de má função nos órgãos fono articulatórios.

 

I – Alterações Crânio

Faciais e Dentárias:

— crescimento crânio facial predominantemente vertical

— palato ogival

— dimensões faciais estreitadas

—  hipo desenvolvimento dos maxilares

— narinas estreitas e/ou inclinadas

— menor espaço na cavidade nasal

— desvio de septo

— Classe II, over jet, mordida cruzada e/ou aberta (alterações da arcada dentária)

—  frequente protrusão dos incisivos superiores

 

II – Alterações dos Órgãos Fono Articulatórios:

—  hipotrofia, hipotonia e hipofunção dos músculos elevadores da mandíbula

—  alteração de tônus com hipofunção dos lábios e bochechas

— alteração do tônus da musculatura supra hioidea

—  lábio superior retraído ou curto e inferior evertido ou interposto entre dentes

—  lábios secos e rachados com alteração de cor

—  gengivas hipertrofiadas com alteração de cor e frequentes sangramentos

—  anteriorização da língua ou elevação de seu dorso para regular o fluxo de ar

—  propriocepção bucal alterada

 

III – Alterações Corporais:

— deformidades torácicas

—  musculatura abdominal flácida e distendida

—  olheiras com assimetria de posicionamento dos olhos, olhar cansado

—  cabeça mal posicionada em relação ao pescoço trazendo alterações para a coluna no intuito de compensar este mal posicionamento

—  ombros rodados para a frente comprimindo o tórax

—  alteração da membrana timpânica, diminuição da audição

—  face assimétrica, visível principalmente em bucinador

—  indivíduo sem cor, muito magro, às vezes obeso

 

IV – Alterações das Funções Orais:

—  mastigação ineficiente levando a problemas digestivos e engasgos pela incoordenação da respiração com a mastigação

— deglutição atípica com ruído, projeção anterior da língua, contração exagerada de orbicular, movimentos de cabeça

—  fala imprecisa com articulação trancada e excesso de saliva; fala sem uso do traço de sonoridade pelas otites freqüentes com alto índice de ceceio anterior ou lateral

—  voz com hiper ou hiponasalidade, ou rouca

V – Outras Alterações Possíveis:

—  sinusites freqüentes, otites de repetição

—  aumento das amígdalas faríngea e palatinas

—  halitose (mau hálito) e diminuição da percepção do paladar e olfato

—  maior incidência de cáries

—  alteração do sono, ronco, baba noturna, insônia, expressão facial vaga

—  redução do apetite, alterações gástricas, sede constante, engasgos, palidez, inapetência, perda de peso com menor desenvolvimento físico ou obesidade

—  menor rendimento físico, incoordenação global, com cansaço freqüente

—  agitação, ansiedade, impaciência, impulsividade, desânimo

—  dificuldades de atenção e concentração, gerando dificuldades escolares

 

Intervenção do terapeuta da fala

A intervenção do terapeuta da fala no respirador oral deve ser realizada após diagnóstico médico e muitas vezes após diagnóstico ortodôntico.

O objectivo principal da terapia ao nível da respiração é fazer com que o individuo perceba que tem condições para a respiração nasal.

O início da terapia dá-se através de um processo de conscientização da problemática. Fazer com que o individuo tenha consciência e conhecimento sobre o que acontece com ele a nível respiratório.

A outra palavra que faz parte do processo de intervenção é a propriocepção, ou seja, perceber a diferença entre respirar pela boca e respirar pelo nariz.

De seguida, deverá ser realizada uma intervenção muscular, para a correcção da tonicidade, postura e movimento de todos os músculos que interferem nas funções estomatognáticas.

 

 

 

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49º Congresso Europeu de Diabetes  2013

Actualizações científicas

 

 “O 49º Congresso Europeu de Diabetes, organizado pela European Association for Study of Diabetes (EASD), decorreu em Barcelona, de 23 a 27 de Setembro. No contexto de uma participação maciça, como é hábito, alargada a todos os países do mundo, registaram-se intervenções de extrema relevância para os profissionais de saúde que tratam diariamente doentes com diabetes de tipo 2 (DMT2), independentemente do contexto onde exerçam as suas actividades médicas. Procuraremos redigir uma síntese das principais intervenções que têm, seguramente, um impacto importante na forma como os  médicos abordam os seus diabéticos no dia-a-dia.

 

O tratamento intensivo imediato após o diagnóstico dadiabetes de tipo 2 é benéfico

Com efeito, já existia a percepção de que os atrasos no início do controlo intensivo da glicémia em doentes com DM tipo 2 poderiam contribuir para um aumento do risco futuro das complicações cardiovasculares. Um estudo prospectivo de larga escala demonstrou que os doentes com Hb A1c, consistentemente, acima de 7%, para os quais se registou um atraso de 6 meses na intensificação do tratamento, tiveram um risco mais elevado de Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM)  (HR: 1.38, 95%CI: 1.16-1.62), de Insuficiência Cardíaca (HR: 1.28, 95%CI: 1.10-1.48) e de eventos cardiovasculares compostos (HR: 1.25, 95%CI: 1.13-1.39), durante os 5 anos de subsequente follow-up. Este estudo baseou-se na análise de uma base de dados de 105.477 doentes adultos ingleses com o diagnóstico de DMT2 que tinham um valor médio de Hb A1c de 8.1% à data do diagnóstico, dos quais, 25% não tinham recebido tratamento intensivo do controlo glicémico (definido como pelo menos dois antidiabéticos orais (ADOs) ou um ADO + insulina).

Após correcção para vários factores de confundimento, como a idade à data do diagnóstico, o sexo, o tabagismo, o uso de medicação cardioprotectora e a história pregressa de eventos cardiovasculares, o atraso no início do tratamento intensivo, nos casos com mau controlo glicémico persistente estiveram associados com um risco cardiovascular mais elevado. Estes efeitos revelaram-se independentes do facto de os doentes já terem experimentado um evento cardiovascular antes do diagnóstico da DMT2.

Estes resultados sugerem e confirmam que o risco cardiovascular a longo prazo é maior se o tratamento intensivo não se iniciar imediatamente após o diagnóstico da diabetes de tipo 2. É importante realçar que estes achados são similares aos do estudo de larga escala UKPDS que mostrou que um melhor controlo glicémico em doentes com o diagnóstico recente de DMT2 esteve associado a um menor risco de EAM e de mortalidade de todas as causas 10 anos após o diagnóstico, o que se convencionou designar como o efeito legado positivo (antigo conceito de memória metabólica).  Outro estudo de larga escala, contudo, não revelou benefícios cardiovasculares em consequência da intensificação do controlo glicémico porque os doentes incluídos já tinham uma DMT2 pré-existente, fazendo pressupor uma função mais deteriorada das células Beta.  Parece, pois, que a intensificação do tratamento em fases avançadas da doença tem um efeito menor, acarretando menos benefícios (efeito legado negativo).  Embora não se possa concluir por uma relação de causa-efeito, ou de que se tratará apenas de um efeito relacionado com as diferenças na qualidade dos cuidados a que estes doentes são submetidos, há uma forte sugestão de que os médicos que tratam diabéticos devem rever as suas práticas no sentido de intensificarem as terapêuticas, o mais precocemente possível, visando uma optimização do controlo glicémico, porque tal mudança de atitude se traduz por benefícios acrescidos para os doentes que tratam. Acresce que, durante o Congresso foi, repetidamente, enfatizada a necessidade imperativa de se individualizarem os tratamentos para minimizar o risco de efeitos cardiovasculares adversos, particularmente, nos doentes com diabetes de longa evolução, com comorbilidades e nos quais as terapêuticas múltiplas instituídas se revelam difíceis em optimizar os níveis da glicémia.

 

Mortalidade mais elevada com a terapêutica de primeira linha da diabetes de tipo 2 com sulfunilureias

Os resultados deste estudo são de particular relevância para o perfil de prescrição de ADOs no contexto angolano e de outros países, onde as sulfunilureias (SU) são, ainda, frequentemente, prescritas, apesar de nenhuma das guidelines actualmente existentes recomendar as sulfunilureias como opção de primeira linha na DM T2.

 Os resultados deste estudo observacional sugerem que o tratamento de primeira linha com as SUs (glibenclamida), em vez da metformina, está associado a um risco de morte mais elevado. Este estudo retrospectivo analisou a base de dados do Clinical Practice Research Datalink (CRPD) que inclui cerca de 10% do total de doentes que são tratados nos cuidados de saúde primários da Inglaterra. Foram incluídos no estudo diabéticos de tipo 2, entre 2000 e 2012, que iniciaram a terapêutica de primeira linha para baixar a glicémia. Foram comparados os doentes tratados com SUs, com os doentes tratados com metformina, em relação ao  endpoint primário que foi a mortalidade de qualquer causa. Após correcção para as diferenças nas características da linha de base entre os participantes, os expostos às sulfunilureias revelaram um risco mais elevado de morte em comparação com os tratados com a metformina (adjusted HR: 1.580, 95%CI: 1.483-1.684), tendo sido encontrados aumentos de risco comparáveis em duas análises de sensibilidade adicionais (Ver Tabela 1). Deste modo, os doentes que foram tratados com SUs em monoterapia têm um risco mais elevado de morte do que os doentes a quem foi prescrita a metformina. Os resultados deste estudo chamam a atenção dos clínicos para reconsiderarem as suas opções terapêuticas quanto à escolha das SUs como terapêutica de primeira linha nos diabéticos de tipo 2. Implicam, igualmente, que as entidades responsáveis pela definição de guidelines terapêuticas locais, quer nacionais, quer institucionais, revejam as suas recomendações de forma a minimizar prejuízos para os doentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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