MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Angola e oÉbola

 

As doenças transmissíveis, como a do vírus Ébola, sobre as quais existe um compreensível receio, levou o Jornal da Saúde a decidir publicar um “Especial Ébola” para fornecer toda a informação disponível à população, a profissionais da saúde e a voluntários que se apresentem para ajudar, no caso de haver em Angola uma infecção pelo vírus do Ébola, o que até agora não se verificou.

O Jornal da Saúde contactou todos os intervenientes no processo de prevenção, despiste e tratamento de pessoas contaminadas pelo vírus do Ébola, e com responsáveis pelas instalações de saúde já de prontidão para qualquer eventual caso que possa surgir.

Os doentes infectados pelo vírus do Ébola estão divididos em três grupos: os prováveis, os suspeitos e os confirmados. Por isso, quando a comunicação social cumpre o seu dever de informar a existência de um caso suspeito de contaminação é necessário ter em conta a elevada probabilidade de ser apenas um caso provável, pois a febre, arrepios, dores de cabeça e dores musculares são sintomas comuns a muitas doenças, como uma simples constipação.

Os sintomas do Ébola incluem febre, dores de cabeça, nas articulações e musculares, fraqueza, diarreia, vómitos, dor estomacal, falta de apetite e, em alguns casos, hemorragia. Este vírus só é “transmitido por contacto directo com pessoas doentes, ou através do sangue ou outros fluidos corporais, tecidos, órgãos, secreções ou excreções de pessoas infectadas, tais como urina, fezes,  vómito, saliva, suor, sémen, secreção vaginal, ou ainda através de ferimentos com objectos cortantes, ou perfurantes, como agulhas, bisturis, lâminas, tesouras e pinças contaminadas", segundo a Direcção Nacional de Saúde Pública.

Angola pôs em prática um sistema de prevenção que inclui vigilância no aeroporto, onde a temperatura dos passageiros é medida no pavilhão auricular. As autoridades sanitárias colocaram também mesas de teste do Ébola, próximas dos locais de embarque e desembarque, nos aeroportos, nos postos fronteiriços terrestres e portos. Foram também tomadas medidas de rastreio nos meios de transportes oriundos de regiões com ocorrência de casos de ébola assim e montados postos avançados de atendimento em diversas localidades.

O Jornal da Saúde de Angola procurou cumprir o seu objectivo de informar a população e os profissionais de saúde sobre as medidas tomadas pelas autoridades angolanas e estará sempre atento a avanços sobre este assunto.

 

 

 

 

 

CMFR. Jornadas Científicas alertam para a reabilitação multidisciplinar precoce

 

 

Sob o lema "Uma visão de reabilitação multidisciplinar", o Cento de Medicina Física e de Reabilitação (CMFR) realiza as I Jornadas Científicas nos próximos dias 2 e 3 de Dezembro, em Luanda.

 

Entre outros temas em debate, destaca-se a "Importância da reabilitação respiratória em doentes com sequelas de lesão raqui-medular,  AVC isquémico e hemorrágico, Fisioterapia na espasticidade, Neuroplasticidade, Hidrocefalia, Intervenção psicopedagógica em pacientes com afecções neurológicas,  Importância da utilização de orteses em pacientes com PCI, Importância do manuseio do traumatizado no local do acidente e Incidência de fracturas em politraumatizados por acidente de viação". Serão ainda apresentados casos clínicos como a "Lesão vertebro medular" e "Fisioterapia no amputado".

De acordo com a directora-geral do CMFR, Armanda da Conceição,  "espera-se que os debates em torno dos temas das Jornadas traduzam a natureza científica que deve presidir a abordagem dos problemas e, em simultâneo, alertem para a necessidade de reabilitação precoce, com a actuação coesa de uma equipe multidisciplinar".

 

Exposição técnica

Em simultâneo, decorre a 1ª edição da Exposição Técnico-Científica de Equipamentos, Medicamentos e Serviços para Reabilitação Física, que permitirá aos médicos e demais profissionais conhecerem  os mais recentes avanços técnicos e científicos no sector dos medicamentos, equipamentos, tecnologia, dispositivos médicos e serviços.

 

 

 

 

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O Ébola já é um vírus “global”

 

A Nigéria e o Senegal, países da África Ocidental, foram elogiados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) por terem posto fim ao surto do Ébola, depois de se registarem 21 casos e 8 mortes no total dos dois países.

O primeiro, e até agora único caso declarado no Mali, uma menina de dois anos, não sobreviveu à doença. Na mesma área geográfica, nos três países mais afectados pelo Ébola, a Libéria, Guiné-Conacri e a Serra Leoa, morreram 4.992 pessoas.

Uma nota da OMS refere que “a reacção do Senegal (com um caso declarado e nenhuma morte)  é um bom exemplo daquilo que um país deve fazer quando confrontado com um caso importado de Ébola”.

Depois do Senegal, também a Nigéria (com 20 casos e oito mortos) conseguiu pôr fim à propagação do Ébola,  após o cumprimento de 42 dias sem qualquer novo caso, período determinado pela OMS para a declaração do êxito no combate ao vírus.

“A epidemia na Nigéria foi derrotada. É um êxito espectacular que mostra ao mundo que o Ébola pode ser contido”, afirmou Rui Gama Vaz, representante da OMS para a Nigéria.

"Se um país como a Nigéria, cheio de problemas sérios de segurança, consegue fazer isto (...), então qualquer país no mundo com casos importados pode limitar a transmissão futura a um grupo reduzido de casos", afirmou a directora da OMS, Margaret Chan.

 

Países mais afectados

A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, pediu uma resposta "do mundo inteiro" na luta contra uma doença que teve início na Guiné-Conacri mas "não conhece fronteiras".

Na Libéria morreram 2.413, entre os 6.535 casos registados. Na Guiné-Conacri, onde se registaram 997 mortes, foram infectadas 1.906pessoas. Na Serra Leoa morreram 1500 pessoas entre os 5.235 casos. Nestes três países morreram 4.910 pessoas entre 13.676 casos registados.

Europa e EUA

Na Europa, terminou a quarentena das 11 pessoas que estiveram em contacto com a primeira infectada de Ébola em Espanha. Todas estas pessoas receberam alta do hospital de Madrid, onde estiveram sob vigilância 21 dias sem manifestar sintomas de infecção. Entre os que agora regressam à vida normal estão o médico e o marido de Teresa Romero, a auxiliar de enfermagem contagiada, que foi o primeiro caso de Ébola na Europa.

Em Nova Iorque, nos Estados Unidos, um médico que tratou pacientes com Ébola na África Ocidental foi este mês internado numa unidade de isolamento de um hospital nova-iorquino, tornando-se o primeiro caso registado  na cidade. Ao todo, foram diagnosticados quatro casos de Ébola nos Estados Unidos: um liberiano, que morreu este mês num hospital do Texas e duas enfermeiras que trataram dele e do médico de Nova Iorque.

 

 

 

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Angola realiza o seu 1º Congresso Internacional de Toxicologia eventos

 

O Centro de Investigação e Informação de Medicamentos e Toxicologia (CIMETOX) realiza o 1º Congresso Internacional de Toxicologia de 24 a 27 de Novembro próximo, em Malanje.

 

O evento tem como objectivo abordar as questões mais importantes da Toxicologia no desenvolvimento científico e seu impacto na vida económica e social do nosso país.

De acordo com o Vice-Presidente da comissão organizadora e Decano da Faculdade de Medicina de Malanje, André Pedro Neto, "o acontecimento constituirá uma oportunidade para trocar experiências entre os participantes numa perspectiva de ciência no domínio da saúde, ambiente e cultura, assim como para construir, fortalecer a amizade entre os profissionais da região e do mundo em geral e alcançar uma nova concepção da Toxicologia em África.

 

Temáticas

- Toxicologia, Investigação. Educação e Sociedade.

- Desastres Tecnológicos e Intoxicações Massivas. Bioterrorismo e Resposta NBQR (Nuclear-Biológico-Químico-Radiológico).

- Toxicologia forense e drogas de abuso.

- Toxicologia Avançada e Novas Tecnologias (Nanotoxicologia, Transgénicos e Toxicogenómica).

- Animais Peçonhentos e Plantas Tóxicas.

- Pesticidas e Segurança Alimentar.

- Toxicologia Ambiental e Avaliação do risco.

- Toxicologia Clínica e Toxicovigilância.

 

Perfil dos participantes

Toxicólogos e outros profissionais e técnicos relacionados com o campo da Toxicologia fundamentalmente: médicos de clínica geral, pediatras, farmacêuticos, internistas, neurologistas, gastroenterologistas, nefrologistas, intensivistas, psiquiatras, psicólogos, sociólogos, enfermeiros, estomatologistas, epidemiologistas, bioquímicos, biólogos, químicos, veterinários, agrónomos, informáticos, bioestatísticos, criminalistas, nutricionistas, especialistas em alimentos e outros.

 

Cursos pré-congresso

- Actualização do Planeamento NBQR em situações de desastres massivos e de  bioterrorismo.

- Animais peçonhentos. Caracterização de espécies venenosas. Actualização clínica e terapêutica dos acidentes por venenos de ofidios.

- Avanço no diagnóstico e tratamento das intoxicações mais frequentes em Angola.

- Estratégia para a prevenção dos acidentes provocados pela exposição aos pesticidas.

- Actualização sobre alcoolismo agudo. Um problema em Angola.

- O desenho experimental em nanotoxicologia.

 

Mais informações: Universidade Lueji A`Nkonde, Faculdade de Medicina de Malanje, Centro de Investigação e Informação de Medicamentos e Toxicologia (Cimetox). E-mail: congresso.toxicol.angola@gmail.com

Facebook.com/cimetox.centrodetoxicologia

TE. 251 235 531/ 2 / 3 /4 TM. 912 225 301 / 912 225 304 / 943 002 006 / 934 607 575

www.ulan-cimetox.net

 

 

 

 

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Hipocoagulação no século XXI.

O que há de novo com os novos anticoagulantes orais?

 

 

Miguel Mendes

Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental – Hospital de Santa Cruz

Lisboa/Carnaxide, Portugal

 

Desde que os antagonistas da vitamina K (aVK) foram introduzidos na clínica desde há mais de 6 décadas, a anticoagulação oral (ACO) crónica passou a integrar a medicação de vários grupos de doentes, como nos portadores de próteses valvulares mecânicas, de fibrilhação auricular (FA) isolada ou associada a valvulopatia, após enfarte do miocárdio anterior extenso (com ou sem trombo intracavitário), miocardiopatia dilatada, após embolia pulmonar ou trombose venosa profunda.

 

A instituição de ACO no contexto de FA é um gesto terapêutico mandatório para diminuir a probabilidade de eventos embólicos, nomeadamente do acidente vascular cerebral (AVC). Sabemos actualmente que cerca de 1/5 dos AVCs isquémicos são atribuíveis à FA e que 5% dos doentes que estão em FA sofrem anualmente um AVC isquémico, percentagem que é mais elevada nos idosos. OsAVCs associados à FA estão relacionados com hospitalizações mais prolongadas, maior incapacidade residual e maior mortalidade. Uma percentagem importante dos AVCs criptogénicos também está associada a FA paroxística ou não diagnosticada.

O estudo FAMA, realizado em Portugal continental, publicado em 2012, revelou uma prevalência média de 2,5% de FA na população acima dos 40 anos, atingindo valores de cerca de 7 e de 10%, respectivamente entre 70-79 e acima dos 80 anos.

Apesar deste conhecimento estar razoavelmente difundido, há uma percentagem significativa de doentes que não estão anticoagulados por falta de prescrição médica, por patologias associadas que o contraindicam ou por má adesão à medicação.

Até ao aparecimento dos novos anticoagulantes orais (NACO) no final da década passada, apenas estavam disponíveis os aVK, de que são exemplos a varfarina e o acenocumarol.

Estes fármacos têm um início de acção lento, com um período de latência de pelo menos 2 a 3 dias e exigem monitorização frequente do seu efeito farmacológico através da realização de uma análise laboratorial, o INR(anteriormente designado como tempo de protrombina ou TP) para acertos da dose. Têm uma margem terapêutica estreita, oscilando facilmente entre a insuficiência terapêutica (risco de fenómenos embólicos) e o efeito excessivo (risco de hemorragia).

A dificuldade de obter níveis terapêuticos estáveis com os aVK atribui-se em partes variáveis à má adesão dos doentes por toma irregular do fármaco, à necessidade do controlo laboratorial periódico, a diferenças genéticas na metabolização das moléculas e a interações significativas com várias classes de outros medicamentos (anti-inflamatórios, analgésicos, tuberculostáticos, antiepilépticos, anti-fúngicos, macrólidos, digoxina, amiodarona, dronedarona, diltiazem, verapamil, entre outros) e com a ingesta de vegetais ricos em vitamina K, como os brócolos, alface e couves.

 

 Novos anticoagulantes

orais

Os NACO, que actuam na cascata da coagulação por inibição da trombina (dabigatran) ou do factor Xa (rivaroxaban, apixaban e edoxaban), começaram por ser testados na prevenção da trombose venosa profunda e da embolia pulmonar no contexto pré-operatório de intervenções do foro ortopédico. Posteriormente foram ensaiados no contexto de FA não valvular em estudos randomizados com populações com dimensão superior à dezena de milhar, tendo demonstrado uma diminuição do AVC e dos episódios embólicos em cerca de 20%, com menores taxas de hemorragia cerebral, quando comparados com a varfarina. Os NACO só se comparam negativamente com a Varfarina em hemorragias digestivas, pelo que a sua prescrição deve serassociada à deum inibidor da bomba de protões.

Os NACOs têm um início de acção curto (cerca de 3 horas) e mantêm o seu efeito durante 12 a 24horas. Embora não estejam isentos de interações farmacológicas, têm um efeito mais previsível que os aVK e não exigem monitorização laboratorial. O dabigatran tem uma eliminação renal em 80% pelo que não está habitualmente indicado, nas doses habituais do estudo Re-Ly, quando a taxa de filtração é inferior a 40 ml/min. O rivaroxaban e apixaban têm um metabolismo predominantemente hepático, pelo que têm menor risco quando prescritos em doentes com compromisso da função renal, mas recomenda-se precaução no contexto de doença hepática. O edoxaban tem uma eliminação equilibrada, sendo metabolizado em 50% em cada uma das vias principais.

 

Cuidados a adoptar

A decisão de iniciar ACO, com aVK ou com NACO, exige uma ponderação do risco embólico e o hemorrágico, com avaliação em simultâneo das pontuações obtidas por cálculo dos scores CHA2DS2VASC (risco embólico) e o HAS-BLED (risco hemorrágico), associada a uma avaliação da potencial adesão do doente à medicação. A ACO não deve ser iniciada sem que antes seja realizado o ensino do doente e, se possível, dos seus familiares mais próximos, relativamente à vigilância a observar com a nova terapêutica bem como com os cuidados a adoptar face a hemorragias visíveis ou a intervenções cirúrgicas, mesmo quando de baixo risco tal como nas extracções dentárias.

Qualquer que seja o fármaco escolhido, mesmo no caso de um NACO que dispensa a realização periódica de estudo laboratorial, o doente deve ser seguido periodicamente, preferencialmente em clínica de ACO, para avaliação da adesão à medicação, observação clínica regular, rastreio de eventuais hemorragias, monitorização periódica do INR (apenas nos aVK) e da função renal ou hepática (nos NACOs). Sendo a adesão à terapêutica decisiva para se obter a desejada protecção dos AVCs e dos eventos embólicos relacionados com a FA, para mais em doentes polimedicados deve ser equacionada a escolha de um fármaco bem tolerado do ponto de vista digestivo e de toma única diária como, por exemplo, o rivaroxaban.

Os NACOs, como anticoagulantes, embora mais seguros que os aVK, também têm risco hemorrágico inerente. Em situação de hemorragia deve ser adiada ou suspensa a toma seguinte e adoptadas as medidas gerais de 1ª linha recomendadas nestes casos: compressão mecânica, transfusão de eritrócitos e/ou de plaquetas. Nos casos mais graves poderá ser necessário recorrer a técnicas de hemodiálise (dabigatran), a infusão de complexo protrombínico ou de factores da coagulação.

No contexto de uma cirurgia programada, deve interromper-se o NACO entre 24 a 72 horas antes, consoante o risco hemorrágico da intervenção e a função renal do doente.

 

 

 

 

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 Angola sem casos de Ébola mantém profissionais de prontidão

 

 

FRANCISCO COSME DOS SANTOS

com MAGDA  cunha  VIANA

 

Os profissionais de saúde estão na linha da frente do combate clínico a doentes infectados pelo temível vírus do Ébola. São estes médicos e enfermeiros que correm riscos, embora controlados, mas de elevada periculosidade, para despistar a infecção e, caso seja necessário, tratar de doentes contagiados com o vírus.

 

 

Até ao momento, não surgiu nenhum caso, mas os profissionais de saúde do hospital Josina Machel, à semelhança de outros colegas em várias unidades de saúde do país, estão formados e equipados para lidar com casos suspeitos de contágio pelo vírus do Ébola, que já matou 4.992 pessoas e afectou 13.703, tendo havido a confirmação de infecção de metade dos doentes.

O Jornal da Saúde visitou o hospital e percorreu o trajecto efectuado pelo doente eventualmente contaminado, bem como os passos que dá o profissional de saúde até chegar ao paciente para realizar os procedimentos adoptados pelo hospital, de acordo com as directrizes do Ministério da Saúde e da OMS.

A chefe de equipa, a epidemiologista Angelina Odete Fila, afirmou que, caso surja algum paciente suspeito de estar contaminado pelo vírus Ébola (DVE), o paciente entra por uma porta destinada especialmente a estes doentes. O suspeito não passa pela serviço de urgência, entrando directamente para a sala de “descarte” onde troca de roupa, sendo depois levado para a sala de “precaução de contacto” (isolamento).

No caso de se confirmarem as suspeitas, o paciente fica na sala de isolamento à qual têm acesso apenas os profissionais devidamente formados e equipados para evitar o contágio, e onde o paciente é submetido a uma avaliação para a obtenção de um diagnóstico.

Os profissionais envolvidos no atendimento e tratamento destes doentes – o médico, o enfermeiro e um auxiliar – entram na área destinada a esses pacientes por uma única porta que dá para a sala de serviço. Seguem depois para a sala de “paramentação” onde se despem e envergam o fato protector, luvas, máscaras e se munem de demais equipamento necessário para a não contaminação. O próximo passo é a entrada na sala de precaução de contacto onde têm o primeiro contacto com o doente.

Angelina Odete Fila salientou que o fato de biossegurança (equipamento) é utilizado apenas pelo médico e o enfermeiro autorizados a actuar e seguir os procedimentos terapêuticos adequados.

O hospital Josina Machel tem vindo a dar aos profissionais de saúde desta unidade hospitalar formação em biossegurança e epidemiologia, para que e possam responder às necessidades de infectados pelo vírus Ébola, sem se contaminarem.

Os elementos da equipa que entram na sala de isolamento têm um auxiliar que os ajuda, depois do contacto com o doente, a despir o equipamento para tornar mais seguras as medidas de precaução.

Angelina Fila afirmou não existir receio de contágio, uma vez que os profissionais estão preparados para controlar qualquer eventualidade que possa surgir.

A responsável salientou que quando é aberta a porta da sala de isolamento não existe nenhuma possibilidade de propagação do vírus porque este não se transmite pelo ar. A epidemiologista adiantou que para haver contaminação é necessário que haja um contacto directo com o paciente, ou através do sangue ou outros fluidos corporais, tecidos, órgãos, secreções ou excreções de pessoas infectadas,   ou ainda através de ferimentos com objectos cortantes, ou perfurantes.

Na sala de isolamento – adiantou a responsável - as medidas de prevenção são as usuais: a lavagem constante das mãos e a desinfecção do pessoal e da área da sala de isolamento. Outro procedimento obrigatório é não ter qualquer contacto com um eventual cadáver de pessoa infectada.

O lixo removido do quarto do paciente (sala de isolamento) e o fato de biossegurança, depois ser retirado pelo técnico (na sala de descarte), são encerrados num saco de plástico e colocados num contentor que é posteriormente recolhido por uma equipa especializada que procederá à sua incineração, adiantou a especialista.

 

 

 

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Semana da Farmácia Angolana e Expo Farma 2014.

Muitos avanços, muitos desafios...

 

Francisco Cosme,  Magda Cunha Viana e Rui Moreira de Sá

 

A criação da Ordem dos Farmacêuticos de Angola (OFA), em 2013, e a subsequente regulamentação da actividade, bem como o combate à contrafacção de medicamentos são importantes avanços do sector e contribuem fortemente para uma melhoria da saúde da população angolana. Uma forte conquista é, certamente, a formação de novos profissionais, que actualmente são 459. Contudo, este número de profissionais é insuficiente para uma população de cerca de 24,4 milhões.

 

A política farmacêutica implementada no país é ainda recente - com pouco mais de quatro anos de existência – e são muitos, e ambiciosos, os desafios lançados. Os farmacêuticos pretendem acompanhar o desenvolvimento tecnológico e ser a porta de entrada do doente para o Serviço Nacional de Saúde. Por isso, querem aconselhar o cliente da farmácia e fornecer medicamentos em condições de excelência. A criação da farmácia galénica, onde os medicamentos são fabricados “in situ”, e a monitorização do transporte de medicamentos, com a devida refrigeração e armazenamento, constituem também desafios que o sector pretende vencer.

Estas questões, e muitas outras, foram abordadas na Semana da Farmácia Angolana/ExpoFarma, realizada pela OFA, que decorreu este mês, em Luanda, sob o lema “Acesso ao Farmacêutico é Acesso a Saúde”.

O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos de Angola, Boaventura Moura, afirmou, em entrevista ao Jornal da Saúde, que o evento constituiu uma oportunidade de promover o sector farmacêutico angolano e fortalecer as relações entre profissionais. O responsável referiu ainda que, de acordo com a política farmacêutica implementada no país em 2010, surgiu um forte crescimento do sector, com a colaboração de farmacêuticos, grossistas e retalhistas.

Boaventura Moura salientou o esforço feito na formação de farmacêuticos que passaram de 27 para 459, e sublinhou o crescente conhecimento relativamente ao processo que vai desde a aquisição à venda de medicamentos.

 “A garantia de qualidade da cadeia logística de produtos farmacêuticos e a especialização de todos os profissionais” é fulcral para que possam ser atribuídas responsabilidades caso surja qualquer problema com um medicamento ou erro cometido no exercício da profissão, acrescentou.

“Incutir nos quadros a necessidade de aplicação prática da política nacional de saúde, reactivar a produção de medicamentos no país, controlar, por registo, todos os produtos de índole farmacêutica que entram no território angolano, e educar as populações para um maior cuidado quando adquire medicamentos”são também preocupações da OFA discutidas durante o evento, de dois dias.

A abertura do evento foi presidida pelo secretário de Estado Carlos Masseca, na presença de vários participantes do sector farmacêutico, de todas as Províncias do país, e de convidados nacionais e dos PALOP (Países Africanos de Língua Portuguesa), nomeadamente, de Cabo Verde, Moçambique, para além de Portugal e do Brasil.

Durante a semana decorreu um “workshop”, jornadas técnicas e científicas de ciências farmacêuticas, e uma exposição de produtos farmacêuticos e equipamentos hospitalares, com a participação de 35 expositores de empresas nacionais e estrangeiras.

 

A palavra aos farmacêuticos

 

A Semana da Farmácia Angolana/Expo/Farma foi um evento de extrema importância porque serviu para elucidar os profissionais sobre o novo contexto farmacológico, que se observa noutros países, e que Angola pretende alcançar para fortalecer o sector, defendeu a farmacêutica Aida Cristina Moura em entrevista, ao Jornal da Saúde

O encontro veio contribuir também – sublinhou - para a valorização dos farmacêuticos, dando-lhes a possibilidade de se munirem de ferramentas que reforçarão as áreas técnicas e científicas do sector.

Para esta profissional, o evento fomentou uma maior proximidade entre os vários intervenientes na área farmacêutica, ao envolver e incentivar a classe na luta pela mesma causa - a revitalização do sector farmacêutico do país.

Com a ExpoFarma (feira de exposição farmacêutica) os expositores de farmacêuticos, distribuidores, e laboratórios, como a BIAL, a BAYER, e a BLUEPHARMA, foi possível ver e antever o desenvolvimento da inovação da farmacologia angolana, considerou Cristina Moura.

De entre os vários debates, a farmacêutica destacou o tema que tratou da actuação farmacêutica, pois permitiu-lhe “aprender o verdadeiro papel e as funções que são atribuídas aos farmacêuticos”.

“É bom estar presente nos eventos farmacêuticos de grande dimensão porque são uma mais-valia e uma oportunidade para aprender sempre coisas novas, que poderão posteriormente contribuir para a valorização da carreira de qualquer profissional”, frisou.

A farmacêutica Violeta Chimuco Issenguel considerou muito oportuna a Semana da Farmácia Angolana/Expo/Farma, por constituir uma oportunidade para actualizar os profissionais sobre novos conceitos farmacêuticos já em vigor noutros países.

“Os certames deste género contribuem para o desenvolvimento da classe farmacêutica do país por facilitarem também a obtenção de conhecimentos aprofundados sobre novas tecnologias farmacêuticas”, afirmou, em entrevista ao Jornal da Saúde.

Violeta Issenguel considerou que eventos deste tipo fazem com que os profissionais estejam cada vez mais habilitados a responder às exigências do mercado, e que, além disso, constituem um incentivo para a humanização dos serviços prestados à população, em hospitais e farmácias, sejam públicas ou privadas.

Dos assuntos apresentados no encontro, o que mais a preocupou foi o número de produtos farmacêuticos falsificados que entram em Angola. Já a abordagem à qualidade dos medicamentos foi o que destacou como tendo sido mais do seu agrado.

A farmacêutica considerou que deveriam ter sido debatidas as farmácias hospitalares por também fazerem parte dos serviços de atendimento à população.

 

 

 

 

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Caminho a percorrer para tratamento de mordeduras de serpentes é longo e difícil

 

O CIMETOX - Centro de Investigação e Informação de Medicamentos e Toxicologia participou na semana de 24 a 26 de Outubro num seminário internacional sobre mordeduras de serpentes da Bio Snake Farm na cidade de Watamu, no Quénia.

Esta foi a primeira vez que um país da África Austral se fez representar num encontro desta importância que teve a participação de especialistas internacionais.

A vice Decana para os assuntos científicos da Faculdade de Medicina de Malanje, e  delegada angolana a este encontro, Paula Oliveira, afirmou "sentir-se muito honrada por poder estar com especialistas da área e trocar ideias e contactos para projectos futuros que o CIMETOX está a iniciar agora e que têm a ver com esta problemática que tanto aflige as populações rurais de Angola".

Referiu ainda que há um caminho árduo a percorrer de educação e consciencialização, na medida em que as pessoas ainda usam tratamentos tradicionais para as mordeduras de serpentes que podem causar infecções e originar demora na procurar de auxílio de um médico. Frisou que é importante que os profissionais de saúde saibam reconhecer os diferentes síndromes de intoxicação por mordeduras de serpentes para o seu tratamento correcto.

Recorde-se que se vai realizar em Angola o 1º Congresso Internacional de Toxicologia, com um vasto programa científico, conforme notícia que pode ler na página 3 desta edição.

 

 

 

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Profissionais de saúde já não aceitam a permanência da dor.

O que é a dor? Como tratar a dor?

 

A dor é um sintoma ou consequência de doença, sendo actualmente consensual que deve ser eliminada, principalmente no caso de doentes crónicos ou terminais, onde esta é absolutamente não aceite.

São diversas causas da dor que poderão chegar, em casos extremos, à doença crónica ou terminal. Mas a dor é também um sintoma de situações patológicas que requerem cuidados de saúde. Independentemente do quadro clínico na qual se encaixa, a dor pode e deve ser tratada.

 

De acordo com a Associação Internacional para o Estudo da Dor (International Association for the Study of Pain), a dor é uma experiência multidimensional desagradável, envolvendo não só um componente sensorial mas também um componente emocional, e que se associa a uma lesão tecidular concreta ou potencial, ou é descrita em função dessa lesão.

Isto significa que: a dor não é apenas uma sensação mas sim um fenómeno complexo que envolve emoções e outros componentes que lhe estão associados, devendo ser encarada segundo um modelo biopsicossocial; a dor é um fenómeno subjectivo, cada pessoa sente a dor à sua maneira (da minha dor só eu sei); não existem ainda marcadores biológicos que permitam caracterizar objectivamente a dor; não existe relação directa entre a causa e a dor; a mesma lesão pode causar dores diferentes em indivíduos diferentes ou no mesmo indivíduo em momentos diferentes, dependendo do contexto em que o indivíduo está inserido nesse momento; por vezes existe dor sem que seja possível encontar uma lesão física que lhe dê origem

 

O tratamento da dor deve ser feito fundamentalmente nos cuidados de saúde primários, ou seja, nos centros e postos de saúde.

Estes profissionais de saúde estão habilitados a diagnosticar e tratar a grande maioria das patologias dolorosas (a título de exemplo, todos os estudos epidemiológicos indicam que a dor crónica mais frequente é a lombalgia ou seja as vulgares dores de costas), dispondo para o efeito de um vasto leque de opções terapêuticas, que vão desde os medicamentos analgésicos anti-inflamatórios não esteróides, até aos opióides fortes, ou outro tipo de tratamentos como a fisioterapia e outras terapêuticas complementares.

Tão ou mais importante que o tratamento da dor é a prevenção da dor crónica, através por exemplo do tratamento adequado da dor aguda ou evitando os factores de risco associados às lombalgias que, como acima referido, são a principal causa de dor crónica.

 

Dor  aguda

 

A dor aguda é uma dor que, até certo ponto, tem consequências benéficas para o organismo. É um sinal de alarme que avisa da ocorrência de um traumatismo, uma queimadura, um derrame articular ou uma úlcera gástrica, por exemplo.

Neste contexto, é um sintoma muito importante para o diagnóstico de várias doenças, sendo a principal causa de procura de cuidados de saúde pela população em geral. A importância da dor aguda está bem patente em doentes que padecem duma patologia rara, em que há uma deficiência congénita da sensibilidade dolorosa.

Estes indivíduos, que não sentem dor, têm uma esperança média de vida muito inferior a um indivíduo normal, precisamente porque lhes falta esse mecanismo sinalizador que a dor representa.

Embora a dor aguda seja útil em muitas circunstâncias, ela deve ser combatida por forma a não se perpetuar e a não se tornar eventualmente numa dor crónica. Além disso, existe um tipo de dor aguda que é provocada pela própria intervenção dos profissionais de saúde, por exemplo nos procedimentos de diagnóstico ou nas terapêuticas cirúrgicas, a chamada dor aguda pós-operatória. Neste caso, é fundamental controlar a dor, não só por razões éticas e para evitar o sofrimento desnecessário, como também para reduzir o risco de complicações pós-operatórias como as infecções respiratórias ou as tromboses venosas dos membros inferiores, e ao mesmo tempo reduzir o tempo de internamento dos doentes. O mesmo se aplica à dor associada ao trabalho de parto.

 

Dor crónica

 

A dor crónica é geralmente definida como uma dor persistente ou recorrente durante pelo menos 3-6 meses, que muitas vezes persiste para além da cura da lesão que lhe deu origem, ou que existe sem lesão aparente.

A dor crónica não tem qualquer vantagem para o doente, pelo contrário, para além do sofrimento que causa, tem repercussões na saúde física e mental do indivíduo, levando por exemplo a alterações do sistema imunitário com uma consequente diminuição das defesas do organismo e aumento da susceptibilidade às infecções.

No campo da saúde mental, a dor crónica provoca frequentemente insónias, ansiedade, depressão, podendo mesmo levar ao suicídio. Há pois uma tendência actualmente para encarar a dor crónica não como um mero sintoma mas, muitas vezes, como uma doença por si só, com enormes repercussões sobre o indivíduo e a sociedade pelo sofrimento e custos sócio-económicos que lhe estão associados.

 

 

 A dor no idoso

 

TERAPÊUTICA FARMACOLÓGICA

Os objectivos principais da terapêutica farmacológica são o controlo da dor e a melhoria da capacidade funcional e da qualidade de vida.

O modo habitual do tratamento da dor em idosos é farmacológico e deverá ser balanceado em função dos riscos e dos benefícios. A efectividade do tratamento farmacológico é maior quando combinada com formas de tratamento não farmacológico.

Devido à heterogeneidade dos idosos na resposta à terapêutica farmacológica a dose óptima e os efeitos secundários dos medicamentos são difíceis de prever. As doses devem ser ajustadas em avaliações frequentes, de modo a optimizar o controlo da dor e minimizar os efeitos secundários.

O controlo da dor implica a utilização de associações medicamentosas que são potencialmente geradoras de efeitos colaterais. Contudo, a polimedicação pode ser necessária para minimizar os efeitos secundários específicos de cada fármaco. A combinação de pequenas doses de diferentes grupos de fármacos, com os ajustes apropriados às alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas induzidas pela idade, permite obter o controlo da dor com menor risco de desencadear efeitos secundários.

 

Orientações específicas para os profissionais de saúde

1. Os idosos com dor crónica moderada a intensa são candidatos a tratamento farmacológico que segue os mesmos princípios e tipo de analgésicos que as pessoas mais jovens, mas com os ajustes necessários às suas particularidades.

2.  Nos idosos que se apresentam mais sensíveis às reacções adversas, a maioria dos

analgésicos são eficazes e relativamente bem tolerados quando usados com precaução, e o efeito analgésico obtido será o melhor indicador da dose e do ritmo de administração, não esquecendo que a via de administração deverá, sempre que possível, ser a menos invasiva, portanto a via oral.

3.  O tratamento da dor em idosos deve ser orientado de acordo com a escada analgésica da OMS, tendo em consideração as particularidades dos idosos para os diferentes grupos de fármacos

 

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Cuanza Norte regista 554 novos casos de VIH-Sida em nove meses.

Autoridades da província têm projectadas acções de combate a novas infecções através da implementação de programas de sensibilização

 

Diniz Simão

Correspondente no Cuanza Norte

Texto e fotografia

 

 As autoridades sanitárias da província do Cuanza Norte anunciaram que de Janeiro a Setembro deste ano foram notificados 554 novos casos de infecção por  VIH-Sida,  segundo o responsável local do Programa de Luta contra a pandemia, Mateus Manuel Gaspar.

 

Em testes efectuados a um universo de 32.852 pessoas constam, entre os casos diagnosticados, 410 mulheres, 125 homens e 19 crianças, adiantou.

Mateus Gaspar referiu que as autoridades da província têm projectadas acções de combate a novas infecções através da implementação de programas de sensibilização dos cidadãos, sobretudo no que diz respeito a métodos de prevenção, riscos e consequências da referida pandemia.

Depois do lançamento do Programa de Luta contra a pandemia na província, em Maio de 2006, o Cuanza Norte passou a contar com centros de aconselhamento, testagem e acompanhamento de pessoas infectadas com VIH-Sida em todos os municípios.

No período em referência não foi notificada qualquer morte relacionada com a doença

 

Autoridades reforçam mobilização num alerta para riscos do VIH-Sida

 

 No âmbito destas iniciativas foram distribuídos, entre Junho e Agosto, 2.400 preservativos nos municípios de Bolongongo e Golungo-Alto.

A iniciativa contou com o apoio da empresa de supervisão de saúde (SHS), e incluiu a testagem voluntária de 800 cidadãos, tendo sido detectados cinco casos positivos que mereceram o devido aconselhamento e posterior encaminhamento ao hospital para terapia com antirretrovirais.

A mesma acção realizou-se no município do Ngonguembo através de uma campanha de testagem voluntária e mobilização massiva dos cidadãos relativamente aos riscos e consequências do VIH-Sida. Esta acção foi complementada pela distribuição de cerca de 600 preservativos masculinos.

No âmbito da feira de saúde, promovida pelas autoridades sanitárias locais em parceria com a empresa SHS-Soluções de Saúde, foram feitos testes de VIH-SIDA a 62 pessoas, todos com resultados negativos.

Rita Oliveira, assistente da empresa SHS no município do Ngonguembo, e coordenadora desta acção, referiu que a mesma englobou a realização de 51 consultas diversas, e testes de malária a 51 munícipes, dos quais resultaram seis casos positivos, tendo ainda sido administradas vacinas contra a pólio, sarampo, tétano, febre-amarela e BCG a várias crianças da região.

A feira visou promover a assistência médica à população na sede municipal do Ngonguembo, e aumentar os conhecimentos dos munícipes sobre cuidados primários de saúde e prevenção de várias doenças, adiantou a responsável.

 A comuna da Aldeia Nova, no município da Banga é outra das localidades que também reforçou o seu programa local de mobilização dos cidadãos contra o VIH-Sida e efectuou testes a voluntários, tudo no âmbito de uma parceria entre as autoridades sanitárias locais e a empresa de consultoria de saúde (SHS).

No quadro da referida iniciativa, a sede da comuna já acolheu uma feira da saúde que incluiu a realização de uma campanha de testes contra a Sida a voluntários, que contou com a adesão de um número considerável de munícipes, não tendo sido registado qualquer caso positivo da doença.

Esta acção foi ainda marcada pela realização de uma campanha massiva de mobilização dos cidadãos sobre a importância da prevenção, riscos e sintomas do VIH-Sida, acompanhada da distribuição de mais de 100 preservativos masculinos.

A coordenadora técnica da empresa SHS, Nely Raquel, responsável pela iniciativa, referiu que a mesma foi promovida com a contribuição de funcionários de saúde pública e marcada pela realização de testes rápidos, precedidos da oferta de preservativos.

Nely Raquel afirmou que, no quadro do reforço do referido programa, foram mobilizados no município da Banga, 30 agentes comunitários de saúde, coordenados por três supervisores e um gestor de cuidados, os quais, além da mobilização de combate ao VIH-Sida actuam na divulgação de informação aos munícipes relativamente aos cuidados primários de saúde e prevenção de doenças, nas comunidades, através da criação de aterros sanitários, construção de latrinas e outras medidas colectivas.

Desde o lançamento do Programa de Luta contra a pandemia na província, em Maio de 2006, o Cuanza Norte conta actualmente com centros de aconselhamento e testagem voluntaria (CATV) de VIH/SIDA nos 10 municípios.

 

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Cidadãos preocupados com a ilegibilidade da caligrafia dos médicos

especiais

 

Os cidadãos de Ndalatando, capital do Cuanza Norte, manifestam-se actualmente preocupados com a dificuldade de legibilidade da caligrafia adoptada pela maioria dos médicos na prescrição de medicamentos aos pacientes, situação que tem causado sérios transtornos na aquisição dos fármacos e em alguns casos na compra de medicamentos errados.

Cidadãos de Ndalatando questionados sobre esta situação manifestaram a sua inquietação, visto que a caligrafia ilegível do médico pode conduzir à compra de medicamentos diferentes daqueles que estão prescritos e assim representar um atentado à saúde e vida do paciente.

A mesma preocupação é também manifestada por enfermeiros e farmacêuticos que relatam problemas no atendimento, ou orientação, de doentes devido à dificuldade de decifrar a letra do médico.

O enfermeiro Afonso José Francisco referiu que o problema da ilegibilidade da caligrafia em receitas médicas está a causar sérios transtornos para os enfermeiros, farmacêuticos, pacientes e até mesmo médicos que também encontram dificuldades em decifrar a prescrição dos seus colegas.

A letra ilegível em receitas, para além de causar dificuldades aos enfermeiros e farmacêuticos na identificação correcta de medicamentos prescritos, impede também que médicos de outras especialidades façam um diagnóstico correcto do quadro clínico do paciente.

A enfermeira Maria Manuel defendeu a necessidade de os directores clínicos de unidades sanitárias abordarem o problema da caligrafia nas reuniões clínicas, sobretudo com os médicos estrangeiros, defendendo mesmo a adopção de medidas conducentes à informatização das receitas médicas.

 Por sua vez, as farmacêuticas Zeza José Alberto Coelho e Eva da Conceição Félix referiram que várias vezes se recusaram a atender alguns clientes, devido à ilegibilidade da caligrafia do médico, obrigando-os a voltar ao clínico que escreveu a prescrição para identificar o nome dos medicamentos.

 Manifestaram-se também preocupadas com o facto de alguns adultos enviarem crianças à farmácia para comprar medicamentos, atitude que caracterizaram de irresponsável, por apresentar sérios riscos de troca de fármacos com possíveis danos para a saúde do paciente.

 

 

 

 

 

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Assistência Sanitária em Porto Amboim condicionada pela degradação das estruturas do hospital municipal

kuanza

 

Casimiro José | Porto Amboim

Correspondente  no Sumbe

Texto e fotografia

 

O hospital municipal de Porto Amboim, no município com o mesmo nome, na província do Cuanza Sul, necessita de uma reabilitação urgente e profunda, dado o estado avançado da degradação das estruturas, situação que preocupa os seus responsáveis em termos de segurança dos profissionais que aí trabalham, e dos pacientes.

 

O director clínico do hospital Porto Aboim, Nelson João Cardoso Camilo, disse ao Jornal da Saúde que existe um plano para a reconstrução das instalações hospitalares, mas que, dada a sua dimensão, as obras dependem da cabimentação financeira, no âmbito do Programa de Investimentos Públicos (PIP).

“A reabilitação do nosso hospital é bem-vinda, mas o estado em que se apresenta a estrutura, associado às implicações do lençol de água no subsolo, seria desejável a construção de outras instalações”, frisou, acrescentando que não há muito tempo foi feita mais uma acção de reabilitação no referido estabelecimento hospitalar.

Cardoso Camilo manifestou o receio de possíveis problemas, com as chuvas que se avizinham e solicitou às autoridades competentes uma intervenção pontual com vista a evitar que o pior aconteça.

“Estamos a trabalhar com vidas humanas e não é bom que esse trabalho seja feito numa estrutura que não oferece confiança tanto para os pacientes, como para o corpo clínico e, por isso, uma intervenção pontual afigura-se como prioridade”, advertiu.

Para prevenir outras situações decorrentes da degradação das infraestruturas do único hospital de referência, Nelson Camilo disse que as autoridades do município decidiram transferir os serviços de Banco de Urgências, Pediatria e Medicina geral para o Centro Materno-Infantil que, pela sua especifidade, não responde às exigências de um hospital para atender as necessidades das populações.

 “Tivemos que transferir os serviços essenciais para o Centro Materno-Infantil, como a única saída para mitigar os efeitos da degradação do Hospital municipal, mas é uma solução provisória porque o estabelecimento não tem as condições necessárias”, frisou.

O responsável referiu que nas instalações degradadas do hospital municipal permanecem os serviços de ortopedia e maternidade, pelo facto de o centro não dispor de mais espaço para a sua instalação.

 

Falta de médicos

de especialidade

Nelson Camilo referiu que outra preocupação que a unidade hospitalar enfrenta é a falta de médicos das especialidades de clínica geral, cuidados intensivos, ginecologia e obstetrícia, cardiologia, pneumologia e cirurgia, para responderem as necessidades dos pacientes.

Outra situação apontada prende-se com a falta de pessoal auxiliar, como maqueiros, vigilantes, barbeiros, cozinheiros e catalogadores para o funcionamento cabal do hospital municipal.

O director clínico referiu que o Centro Materno-Infantil dispõe de dois consultórios, três salas de internamento, salas de pré-partos e pós-partos, berçário, laboratório de análises clínicas, duas casas de banho, uma farmácia e outras estruturas de apoio. Nelson Camilo defendeu, por outro lado, o apetrechamento dos postos de saúde da periferia como uma das saídas possíveis para descongestionar o afluxo de doentes ao hospital municipal.

 

Necessidade de um

novo Hospital Regional

O responsável afirmou que a cidade de Porto Amboim liga o Norte ao Sul e, dada essa localização geográfica, deve beneficiar de uma unidade hospitalar de carácter regional, para responder às necessidades de cada momento. Disse ainda que “a cidade de Porto-Amboim clama por um hospital de referência, com carácter regional, porque se serve de uma estrada nacional que liga o norte ao sul do país e, daí, ser alvo de muitas solicitações, principalmente em casos de acidentes de viação e outros de várias origens”.

 

 Funcionamento

do hospital

de Porto Amboim

O hospital municipal de Porto Amboim presta serviços de banco de urgência, medicina geral, pediatria, consultas pré-natais, gene-obstetrícia, CATV, ortopedia, farmácia e laboratório de análises clínicas. Possui um corpo clínico composto por 15 médicos, dos quais três são angolanos, 13 técnicos de diagnóstico e terapêutica, 43 enfermeiros e 71 auxiliares hospitalares.

Quanto ao abastecimento de fármacos e equipamentos, o director clínico assegurou que o hospital de Porto-Amboim não enfrenta dificuldades de maior, contando com o apoio do depósito provincial de medicamentos usando fornecedores contratados para o efeito.

Apesar dos vários constrangimentos, Nelson Camilo, fez uma avaliação positiva quanto ao desempenho dos médicos e enfermeiros e garantiu que a chave para o sucesso vai incidir na formação contínua dos enfermeiros, a vários níveis, para responderem aos desafios do presente e do futuro.

O director clínico revelou que os principais casos que dão entrada ao hospital municipal estão ligados a malária, doenças diarreicas e respiratórias agudas, traumas resultantes dos acidentes de viação, tuberculose, hipertensão arterial e febre tifoide.

 

Administradora

preocupada com

o sector da saúde

 A administradora municipal de Porto Amboim, Ednnes Wassuca, manifestou-se preocupada com o avançado estado de degradação do hospital local que ameaça a integridade física dos pacientes e dos profissionais de saúde.

Falando ao Jornal da Saúde, Ednne Wassuca considerou que o atendimento aos pacientes no hospital se tornou um desafio face aos eventuais problemas futuros caso eles não sejam resolvidos através da construção de uma nova infraestrutura. “As infraestruturas estão demasiado degradadas, mas somos obrigados a utilizá-las embora com grandes riscos”, alertou.

Edne Wassuca disse que as autoridades competentes já têm conhecimento da situação, que se arrasta há vários anos, e considerou preocupante o facto de não constar do Programa de Investimentos Públicos (PIP) de 2015, por razões que desconhece. “Estamos preocupados porque, contra as nossas expectativas, a obra do hospital municipal não consta da empreitada do PIP de 2015, o que nos entristece”, lamentou.

O défice no abastecimento da água potável às populações é outra preocupação apontada pela administradora de Porto-Amboim, facto que considerou estar na origem de várias doenças. “O nosso município, sobretudo nas áreas rurais, enfrenta uma estiagem de três anos. A falta de água causa várias doenças e, para contornar a situação, estamos a executar o programa operativo de mitigação dos efeitos da seca que consiste na construção de tanques reservatórios de água para abastecer as populações”, disse.

O melhoramento do saneamento básico na cidade e nas zonas periurbanas foi apontado como algo que tem vindo a diminuir a propagação de doenças.

Referiu que a rede sanitária do município de Porto Amboim conta com um hospital municipal com 95 camas para internamento, 3 Centros médicos e 15 postos de saúde.

O município de Porto Amboim tem uma superfície de 3.311 quilómetros quadrados, com uma população estimada em 118.564 habitantes que vive maioritariamente da pesca, criação de gado e da agricultura.

Administrativamente o município de Porto-Amboim está dividido em duas comunas, sendo a sede a de Capolo.

 

 

 

 

 

 

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Campanha Nacional de Segurança Rodoviária lançada no Cuíto.

“Malembe, malembe”... devagar se vai ao longe

 

Malembe, malembe é o lema das campanha nacional de prevenção rodoviária, lançada a 24 de Outubro, no Cuíto, Bié, numa cerimónia presidida pela Vice-governadora provincial,  Ana Maria Mvuayi. A dirigente disse, em entrevista à margem do evento, "a BP Angola tem-se notabilizado na província, não só pelo apoio a esta campanha de transcendental importância, mas também pelo seu patrocínio a outros projectos de âmbito social, nomeadamente na área da educação". Na sua intervenção, Ana Mvuayi sublinhou a necessidade dos condutores cumprirem as regras de trânsito, em particular os motoristas das carrinhas  com menos de 20 lugares "que fazem o transporte de pessoas a altas velocidades" e os "motociclistas que não usam o capacete".

O comissário Hilário Timóteo, comandante da Brigada Especial de Trânsito (BET), em representação do comando geral da Polícia Nacional, lembrou que os índices de sinistralidade rodoviária crescem de dia para dia, "ceifando vidas e perdendo-se futuros quadros valiosos que poderiam ter dado muito à nossa economia".

O comandante provincial da Polícia Nacional no Bié, comissário Eduardo Cerqueira, apelou a todos os angolanos para não ficarem como espectadores sentados na bancada à espera que a polícia resolva o problema da sinistralidade rodoviária. "Cada um de nós é um actor para a prevenção de acidentes, seja como condutor, seja como peão", sublinhou.

De acordo com Eduardo Cerqueira, os factores humano, social, veículo e via andam todos interligados e concorrem para os acidentes. E exemplificou: "A utilização de veículos com vidros laterais dianteiros fumados, o excesso de álcool, de velocidade, a falta de prudência, do uso de capacete, são algumas das causas deste estado de coisas. É também essencial que o INEA tenha meios para tapar os buracos nas estradas. É ainda fundamental que os sobas reforcem a vigilância perante os constantes roubos das placas sinalizadoras que são subtraídas da via pública e levadas para casa dos prevaricadores - porque são fluorescentes, reflectem a luz e os seus lares parecem ter mais iluminação! ".

Ameaça

ao desenvolvimento

O director do departamento de desenvolvimento sustentável da BP Angola, Gaspar Santos, defendeu que "o lançamento do programa nacional contra o excesso de velocidade e segurança rodoviária é de alta importância para a nossa nação em vias de crescimento, pois a perda de vida humanas e os danos materiais causados pela sinistralidade na estrada  constituem uma  potencial ameaça para o desenvolvimento de Angola".  Para este responsável "a segurança no trabalho é o primeiro valor da BP em Angola e a nível mundial", sublinhou.

Gaspar Santos disse que a "frota de viaturas da BP Angola viaja mais de 1 milhão de quilómetros por ano para apoiar as operações no país e nós pretendemos manter os nossos passageiros, e todos os que partilham a via pública connosco, seguros". Ora, este esforço "exige um investimento na formação, disciplina e respeito ao regulamento do trânsito, razão pela qual a BP apoia a polícia Nacional e a Direcção Nacional de Viação e Trânsito no sentido de educar e regular os utentes da via pública, enquanto condutores e peões".

A cerimónia de lançamento da campanha contou ainda com a actuação dos cantores Bessa Teixeira e Justino Handanga, uma peça teatral e  um exercício na estrada que exemplificou a diferença na distância de travagem de um veículo que circule a 60 e a 100 quilómetros à hora e o perigo de atropelamento que representa para os pedestres.

Estiveram ainda presentes , o juiz presidente em exercício do tribunal do Bié, Hélder Silva, membros do governo da província, membros do conselho consultivo do Ministério do Interior, do comando provincial, autoridades tradicionais, efectivos da polícia, do exército, escuteiros, membros da Amotrang representados por moto taxistas, e inúmeros  populares da área do Kukema que acompanharam entusiasmados o decorrer do evento durante cerca de três horas.

Gaspar Santos foi assessorado pelo conselheiro sénior José Luís Fernandes.

 

 

 

 

 

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 A incrível história da descoberta do ébola

 

Um dia, em Setembro de 1976, um piloto de uma companhia aérea belga entregou a uma equipa de cientistas, uma carta de um médico de Kinshasa, antigo Zaire, e um termos azul-brilhante. O recipiente continha uma amostra de sangue de uma freira de Yambuku, aldeia remota no norte do país, e que, subitamente, contraíra uma doença misteriosa, escrevia o médico, que pedia aos investigadores para a testarem para a febre-amarela.

 

Os investigadores desconheciam por completo o vírus com o qual estavam a lidar, e a dimensão da tragédia que poderia provocar. Peter Piot, então com 27 anos, integrava uma equipa de investigadores da cidade de Antuérpia, na Bélgica, que identificou o vírus do Ébola, em 1976, afirmou em entrevista à revista semanal alemã “Der Spiegel”.

“Em 1976 descobri o Ébola – agora receio uma tragédia inimaginável”

Actualmente, com 65 anos, e director da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, Piot recorda as condições de segurança da altura: "Não tínhamos ideia de que o vírus era tão perigoso, e não havia laboratórios de alta segurança na Bélgica. Vestíamos apenas as nossas batas brancas de laboratório e as luvas protectoras”.

“Quando abrimos o termos, o gelo no interior do recipiente estava quase todo derretido e um dos frascos tinha-se partido. Sangue e pedaços de vidro flutuavam na água gelada. Retirámos o frasco que estava intacto e começámos a testar o sangue para patogéneos, utilizando os métodos habituais da altura”, adiantou Piot.

Efectuaram testes para a febre de Lassa e tifoide mas ambos deram negativo.

O que poderia ser então?

“As nossas esperanças dependiam da possibilidade de isolar o vírus da amostra de sangue. Para isso – disse o cientista - injectámo-la em ratos de laboratório e outros animais. À primeira vista, e durante vários dias, nada aconteceu. Pensámos que talvez o elemento patogénico tivesse sido danificado por falta de refrigeração no termos. Mas depois, um após outro, os animais começaram a morrer. E morreram todos. Começámos então a recear que a amostra contivesse algo bastante mortífero”.

Por essa altura chegaram de Kinshasa outras amostras do sangue da freira, que entretanto já tinha morrido. Quando estavam quase a examinar o vírus sob um microscópio de electrões, a Organização Mundial de Saúde deu-lhes instruções para enviar todas as amostras para um laboratório de alta segurança, em Inglaterra.

“Mas o meu chefe da altura – relata Piot -, queria a todo o custo descobrir o que era aquele vírus. Pegou num frasco com a amostra do vírus para a examinar, mas a mão dele tremia de tal forma que o deixou cair. O frasco estilhaçou-se em cima do pé de um dos colegas!”.

Aterrorizados, desinfectaram imediatamente tudo. “Felizmente – Piot lembra-se bem – o colega tinha calçado grossos sapatos de cabedal. Não nos aconteceu nada”.

Mas, por fim, a equipa conseguiu uma imagem do vírus, utilizando o microscópio de electrões. A primeira reacção ao verem a imagem foi: "Mas que raio é isto?”

O vírus que tinham passado tanto tempo a pesquisar era muito grande, muito comprido e parecia uma lombriga. Não tinha qualquer semelhança com o vírus da febre-amarela, parecia-se mais com o mortífero vírus de Marburg que, tal como o Ébola, provoca febre hemorrágica. Na década de 60 do século XX, esse vírus causou a morte de vários técnicos de laboratório, em Marburg, na Alemanha.

Piot, que nas últimas décadas se dedicou à investigação do VIH/SIDA e ao ensino, recorda que, na altura, não sabia nada sobre o vírus de Marburg.

“Quando hoje conto aos meus alunos, eles acham que eu devo ter vindo da Idade da Pedra”, gracejou Piot. “Mas – adianta – a verdade é que tive que ir à biblioteca e procurar num atlas de virologia o que era o vírus de Marburg. Pouco tempo depois foi o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, de Atlanta, nos Estados Unidos (CDC) que anunciou que se tratava de um outro vírus aparentado com o Marburg.

A equipa de investigadores soube entretanto que em Yambuku - localidade de onde viera o termos com a primeira amostra de sangue da freira belga - e em zonas limítrofes, centenas de pessoas tinham sido infectadas e morrido.

O pequeno hospital missionário de Yambuku era dirigido por freiras belgas. Por isso, quando o governo belga decidiu enviar um especialista à localidade, Piot voluntariou-se de imediato. Com os seus 27 anos sentia-se um pouco como o seu “herói de infância, o Tintim”. E tinha a esperança de encontrar algo totalmente novo, recorda.

E assim foi.

A equipa seguiu para a aldeia com os fatos protectores disponíveis na altura e luvas de latex. Sabiam que estavam a lidar com uma das doenças infecciosas mais mortíferas até então conhecida no mundo, e não sabiam que se transmitia através de fluídos corporais. Poderia transmitir-se por picada de mosquitos, por exemplo.

Piot conseguiu sangue de cerca de 10 doentes infectados pelo vírus misterioso. O seu receio era picar-se acidentalmente com uma das agulhas, e ficar também infectado.

“Em Junho, tornou-se claro, para mim, que havia algo de muito diferente naquele surto. Já não estava circunscrito, tinha-se espalhado para países maiores, devido à maior mobilidade de pessoas - o que acabaria por facilitar a sua propagação”, sublinhou.

Mas, apesar de tudo, o cientista belga pensava que o vírus do Ébola não representava um problema tão grande, porque “os surtos eram sempre breves e localizados”.

Por essa altura, a organização dos Médicos Sem Fronteiras fez soar o alarme.

As freiras que trabalhavam no hospital em Yumbuko costumavam dar injecções de vitaminas às mulheres grávidas, utilizando agulhas não esterilizadas. A equipa avisou----as do erro que estavam a cometer. Olhando para, trás Piot considera que talvez tenham sido demasiado cuidadosos na escolha das palavras, que não foram suficientemente convincentes. As freiras não cumpriram as regras e infectaram muitas mulheres em Yambuku.

Infelizmente – sublinha Piot – no actual surto de Ébola, na África Ocidental, os hospitais cometeram, inicialmente,  o mesmo erro.

 

Ébola, o nome de um

 rio perto de Yambuku

“Um dia reunimo-nos até altas horas da noite para discutir o assunto - tínhamos bebido um pouco. Não queríamos dar ao novo patogeneo o nome ´vírus de Yambuku´ porque iria estigmatizar a localidade para sempre. Havia um mapa pendurado na parede e o nosso líder da equipa norte-americano sugeriu-nos que procurássemos no mapa o rio mais próximo da localidade. Cerca das três ou quatro da manhã encontrámos um nome. Rio Ébola. Mas o mapa era pequeno e estava incorrecto. Soubemos depois que o rio mais próximo era outro. Mas ´Ébola´ é um bom nome, não é?”, interrogou Piot, recordando aqueles importantes dias.

 

Da tragédia à epidemia

Trinta e oito anos depois destes acontecimentos, Piot refere-se ao actual surto como o resultado de uma “tempestade perfeita: quando cada uma das circunstâncias é um pouco pior do que o normal e todas se unem para criar uma calamidade.

E com esta epidemia, houve muitos factores que foram desvantajosos desde o início. Alguns dos países atingidos acabavam de sair de terríveis guerras civis, muitos dos seus médicos tinham fugido, e os seus sistemas de saúde colapsaram. Em toda a Libéria, por exemplo, havia apenas 51 médicos em 2010, e muitos deles morreram vítimas do Ébola”.

O facto de o surto de Ébola ter começado nas regiões fronteiriças (densamente povoadas) entre a Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria, também contribuiu para a catástrofe por essas populações terem grande mobilidade, tornando-se mais difícil do que o habitual encontrar quem esteve em contacto com pessoas infectadas. E, como os mortos são tradicionalmente enterrados nas localidades onde nasceram, havia cadáveres altamente contagiosos a viajar de um lado para o outro das fronteiras em carrinhas de caixa aberta e em táxis. O resultado foi o surgimento de focos da epidemia em diferentes locais.

Em grandes cidades, especialmente em bairros de lata, é impossível encontrar quem esteve em contacto com infectados, defende Piot, preocupado com a Nigéria, onde há grandes cidades como Lagos e Porto Harcourt. Se o vírus chega a esses locais, o cientista considera que “seja uma catástrofe inimaginável”.

 

O controlo

da epidemia

está perdido?

Piot afirma-se como eterno optimista e diz que, actualmente, não há outra solução senão tentar tudo, absolutamente tudo.

“Os Estados Unidos e outros países estão finalmente a ajudar – critica – mas a Alemanha e a Bélgica, por exemplo têm de fazer muito mais”.

E alerta: “Deve ser bem claro para todos nós que isto já não é apenas uma epidemia mas sim uma catástrofe humanitária.

Não precisamos apenas de voluntários médicos, mas também de peritos em logística, camiões, jipes e alimentos.

Esta catástrofe pode desestabilizar regiões inteiras. Gostaria de pensar que seremos  capazes de controlar a epidemia. Nunca imaginei que pudesse chegar a uma situação tão má”.

 

 

 

 

 

 

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Perguntas frequentes sobre a doença do virus Ébola

 

1. O que é a doença

do vírus Ébola?

A doença do vírus Ébola (até há pouco tempo conhecida como febre hemorrágica de Ébola) é uma  doença  grave,  muitas  vezes  fatal,  com  uma  taxa  de  mortalidade  de  até  90%.  A  doença  afecta seres humanos e primatas não-­humanos (macacos, gorilas e chimpanzés).

Esta  doença  surgiu  pela  primeira  vez  em  1976,  em  dois  surtos  simultâneos,  um  numa  povoação situada perto do rio Ébola, na República Democrática do Congo, e outro numa área remota do Sudão.

A  origem  do  vírus  é  desconhecida,  mas,  com  base  nas  evidências  disponíveis,  os  morcegos  frugívoros  da  família  Pteropodidae  são  considerados  o  hospedeiro  natural  mais  provável  do vírus Ébola.

 

2. Como é que as pessoas

ficam infectadas com

o vírus?

No  surto  actual  na  África  Ocidental,  a  grande  maioria  dos  casos  ocorreu  como  resultado  de  transmissão homem-a-homem. Geralmente, o início da cadeia de transmissão está associado a um primeiro contacto de um indivíduo com um animal infectado pelo vírus Ébola.

A infecção ocorre por contacto directo, através de pele não íntegra ou membranas mucosas, com  o  sangue,  ou  outros  fluidos  corporais  ou  secreções  (fezes,  urina,  saliva,  sémen),  de  pessoas  infectadas.  A  infecção  também  pode  ocorrer  se  a  pele  não  íntegra  ou  membranas mucosas  de  uma  pessoa  saudável  entrarem  em  contacto  com  ambientes  ou  objectos  contaminados  com  fluidos  infecciosos  de  um  doente,  como  roupa  suja,  roupa  de  cama  ou agulhas usadas.

Mais  de  100  profissionais  de  saúde  foram  expostos  ao  vírus  Ébola  enquanto  prestavam  cuidados  a  pessoas  infectadas.  Este  facto  ocorre  quando  estes  profissionais  não  utilizam equipamento de protecção individual (EPI) adequado ou não aplicam correctamente todas as medidas  de  prevenção  e  controlo  de  infecção  ao  cuidar  dos  doentes.  Os  prestadores  de  cuidados  de  saúde,  a  todos  os  níveis  do  sistema  de  saúde  (hospitais,  clínicas  e  postos  de saúde), devem ser informados sobre a natureza da doença, e o modo como ela é transmitida, e seguir estritamente todas as precauções de controlo de infecção recomendadas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda que as famílias ou as comunidades cuidem nas suas casas dos indivíduos que se apresentem com sintomas da doença do vírus Ébola.  Em  vez  disso,  devem  procurar  tratamento  num  hospital  ou  centro  especializado  de  tratamento  com  equipas  de  médicos  e  enfermeiros  qualificados  e  equipados  para  tratar  as vítimas do vírus Ébola. Se, no entanto, a única opção for cuidar de seu ente querido em casa, a OMS recomenda vivamente a notificação da autoridade de saúde pública local e a procura de treino  adequado,  equipamento  (luvas  e  outro  EPI)  para  o  tratamento,  instruções  sobre  a  remoção e disposição adequada daquele equipamento e informação sobre como evitar novas infecções e a consequente transmissão da doença para si mesmo, outros membros da família ou da comunidade.

Adicionalmente,  a  transmissão  tem  ocorrido  na  comunidade  durante  os  funerais  e  rituais  associados. As cerimónias fúnebres nas quais os enlutados têm contacto directo com o corpo da pessoa falecida têm desempenhado um papel significativo na transmissão do vírus Ébola. As pessoas  falecidas  devem  ser  manuseadas  com  vestuário  de  protecção  e  luvas,  devendo  ser  sepultadas  de  imediato.  A  OMS  aconselha  fortemente  que  o  falecido  seja  manuseado  e sepultado por profissionais treinados, correctamente equipados.

As pessoas permanecem infecciosas enquanto o vírus permanecer no seu sangue e secreções. Por esta razão, os indivíduos infectados recebem acompanhamento cuidadoso por parte dos profissionais  médicos,  sendo  submetidos,  antes  de  voltar  para  casa,  a  exames  laboratoriais  para  garantir  que  o  vírus  já  não  se  encontra  em  circulação.  Quando  os  profissionais determinam que é seguro o indivíduo voltar para casa, este já não é infeccioso, não podendo portanto  infectar  qualquer  outra  pessoa  na  sua  comunidade.  No  entanto,  os  homens  que  recuperaram da doença do vírus Ébola podem ainda transmitir o vírus para os seus parceiros sexuais através do sémen, até sete semanas após a recuperação. Por esta razão, é importante que  estes  homens  se  abstenham  de  manter  relações  sexuais  durante  pelo  menos  sete  semanas após a recuperação ou, no caso de isto não ser possível, usem sempre preservativo durante as relações sexuais nas sete semanas após a recuperação.

 

3. Quem está mais

em risco?

Durante um surto, os indivíduos que apresentam maior risco de infecção são:  os profissionais de saúde; os familiares ou outros em contacto estreito com pessoas infectadas; e as pessoas que, ao participarem em cerimónias fúnebres, tiveram contacto directo com os corpos dos que faleceram.

Mais dados serão necessários para compreender se alguns grupos de indivíduos, por exemplo, imunocomprometidos  ou  com  outras  doenças  subjacentes,  são  mais  susceptíveis  à  infecção  pelo vírus.

A exposição ao vírus pode ser controlada através da implementação de medidas de protecção em clínicas e hospitais, locais públicos de reunião ou em casa.

 

4.Quais os sinais e sintomas típicos da infecção?

São  sinais  e  sintomas  típicos  o  aparecimento  súbito  de  febre,  a  fraqueza  extrema,  dores  musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Seguem‐se vómitos, diarreia, exantema cutâneo, falência renal e hepática e, nalguns casos, hemorragias internas e externas.

Os  resultados  laboratoriais  incluem  contagens  baixas  de  glóbulos  brancos  e  plaquetas  e  enzimas hepáticas elevadas.

O  período  de  incubação,  ou  intervalo  de  tempo  entre  a  infecção  e  o  aparecimento  de  sintomas,  é  de  2  a  21  dias.  O  doente  torna-­se  contagioso  quando  começa  a  apresentar sintomas. Não é contagioso durante o período de incubação.

As infecções pelo vírus Ébola só podem ser confirmadas através de testes laboratoriais.

 

5.Quando se deve procurar ajuda médica?

Se  alguém  esteve  numa  zona  geográfica  onde  existe  doença  do  vírus  Ébola  ou  em  contacto  com  uma  pessoa  que  tem  ou  é  suspeita  de  ter  a  doença  e  começa  a  ter  sintomas,  deverá procurar ajuda médica imediatamente.

Quaisquer casos de pessoas suspeitas de terem contraído a doença deverão, sem demora, ser declarados à unidade de saúde mais próxima. Uma pronta assistência médica é essencial para aumentar a probabilidade de sobrevivência. É igualmente importante controlar a disseminação da doença, sendo necessário iniciar de imediato os procedimentos de controlo da infecção.

 

6.Qual é o tratamento?

Os  indivíduos  gravemente  doentes  necessitam  de  cuidados  de  suporte  intensivos.  Estão  frequentemente desidratados e necessitam de fluidos intravenosos ou de reidratação oral com soluções de electrólitos. Actualmente, não existe tratamento específico para curar a doença.

Com cuidados médicos adequados, alguns doentes recuperam.

No  sentido  de  controlar  a  disseminação  adicional  do  vírus,  as  pessoas  suspeitas  de  ter  a  doença, bem como os doentes confirmados, deverão ser isoladas de outros doentes e tratadas por profissionais de saúde usando precauções estritas de controlo da infecção.

 

7.O que posso fazer?

Posso evitar a infecção? Existe uma vacina?

De momento, não existe nenhum medicamento ou vacina licenciados para a doença do vírus Ébola, mas existem vários produtos em desenvolvimento.

8.Formas de evitar  a infecção e a transmissão

Enquanto os casos primários de doença do vírus Ébola se devem ao manuseamento de animais infectados  ou  seus  cadáveres,  os  casos  secundários  ocorrem  por  contacto  directo  com  os  fluidos  corporais  de  doentes,  através  de  práticas  não  seguras  de  manejo  de  casos  ou  dos cadáveres durante os funerais. Durante este surto, a maior parte dos casos de doença ocorreu por  transmissão  entre  humanos.  Há  várias  medidas  que  podem  ser  tomadas  para  ajudar  a  prevenir a infecção e limitar ou impedir a transmissão.

— Compreender  a  natureza  da  doença,  como  é  transmitida  e  como  se  pode  evitar  que continue a ser transmitida (para mais informação, ver por favor as “Perguntas frequentes sobre a doença do vírus Ébola” anteriores).

—Ouvir e seguir as recomendações feitas pelo Ministério da Saúde do seu país.

—Se suspeitar que alguém seu conhecido ou da sua comunidade contraiu a doença do vírus Ébola,  deverá  imediatamente  encorajá-lo  e  ajudá-lo  a  procurar  tratamento  médico adequado numa unidade de cuidados de saúde.

—Se  escolher  cuidar  de  uma  pessoa  doente  na  sua  própria  casa,  notifique  os  técnicos  de saúde pública da sua intenção em fazê-­‐lo para que estes possam fornecer-lhe formação e EPI  apropriados  (luvas,  batas  impermeáveis,  botas  ou  sapatos  fechados  com  protecções impermeáveis descartáveis, máscara e protectores oculares contra salpicos), assim como instruções sobre como cuidar adequadamente do doente, protegendo-­‐se a si próprio e à sua família, e como descartar adequadamente o EPI depois de usado. NOTA: A OMS não recomenda cuidar em casa de doentes do vírus Ébola e aconselha vivamente os doentes e os seus familiares a procurarem cuidados profissionais num centro de tratamento.

—Quando  visitar  doentes  no  hospital  ou  estiver  a  prestar  cuidados  domiciliários,  é recomendado que lave as mãos com água e sabão sempre que tocar no doente, entrar em contacto  com  os  seus  fluidos  corporais  ou  tocar  em  objectos  ou  superfícies  nas  suas imediações.

—Todos  os  cadáveres  de  indivíduos  que  morreram  da  doença  do  vírus  Ébola  devem  ser manuseados  apenas  utilizando  EPI,  sendo  de  imediato  sepultados  por  profissionais  de saúde pública treinados para a realização de práticas fúnebres seguras.

Para além disto, todos os indivíduos devem minimizar os contactos com animais com elevado risco  de  infecção  (i.e.,  morcegos  frugívoros,  primatas  não-­‐humanos)  nas  áreas  afectadas  da  floresta tropical. Se suspeitar que um animal está infectado, não lhe toque nem se aproxime. Os produtos derivados de animais (sangue e carne) devem ser muito bem cozinhados antes do seu consumo.

 

9. E os profissionais

de saúde?

Como se devem proteger quando estiverem

a tratar os doentes?

Os profissionais de saúde em tratamento de doentes com suspeita ou confirmação de doença do vírus Ébola têm um maior risco de infecção que outros grupos. Durante um surto, há um conjunto  de  medidas  que  podem,  não  só  reduzir  ou mesmo  parar  a dispersão  do  vírus,  mas  também ajudar a proteger os profissionais de saúde e outras pessoas em contexto profissional (unidades de saúde). Estas medidas são genericamente conhecidas por “precauções padrão e outras precauções adicionais” e são recomendações baseadas na evidência reconhecidas como úteis  para  evitar  a  disseminação  de  infecções.  As  perguntas  e  respostas  que  se  seguem  descrevem estas precauções em pormenor.

 

10. Os doentes com suspeita ou confirmação de infecção com o vírus Ébola devem ser isolados dos restantes doentes?

Recomenda-se  o  isolamento  de  doentes  com  suspeita  ou  confirmação  de  infecção  por  vírus  Ébola em quartos individuais de isolamento. Quando não houver disponibilidade de quartos de isolamento,  é  importante  garantir  que  haja  áreas  destinadas  a  casos  suspeitos  e  casos  confirmados, separadas entre si e dos outros doentes. O acesso a estas áreas deve ser restrito, equipamento necessário deve estar estritamente dedicado a estas áreas, e pessoal médico e não médico deve ser escalado exclusivamente a quartos de isolamento e a áreas destinadas a estes doentes.

São permitidas visitas nas áreas onde os doentes com suspeita ou confirmação de doença do vírus Ébola estão internados?

Recomenda-se que não haja visitas nas áreas onde os doentes com suspeita ou confirmação de doença do vírus Ébola estão internados. Se isto não for possível, deve ser dado acesso apenas aos visitantes necessários ao bem-­estar e cuidado de doentes, tais como aos pais de crianças internadas.

11. É necessária a utilização  de equipamento de  protecção individual na prestação de cuidados às pessoas infectadas?

—Para  além  das  precauções  padrão  na  prestação  de  cuidados  de  saúde  a  qualquer indivíduo,  os  profissionais  de  saúde  deverão  empregar,  de  forma  estrita,  as  medidas  de controlo da infecção recomendadas, de forma a evitarem a exposição a sangue e fluidos infecciosos,  ou  a  ambientes  ou  objectos  contaminados,  como,  por  exemplo,  roupas  de cama sujas ou agulhas usadas.

—Todos  os  visitantes  e  profissionais  de  saúde  deverão  utilizar,  escrupulosamente,  um conjunto de equipamento designado de equipamento de protecção individual (EPI). O EPI deverá incluir, pelo menos, luvas, uma bata impermeável, botas ou sapatos fechados com protecções impermeáveis descartáveis, uma máscara e protecção ocular contra salpicos, sob a forma de óculos ou escudos faciais.

12.A higiene das mãos é considerada importante?

A higiene das mãos é essencial e deverá ser realizada:

— antes  da  colocação  de  luvas  e  do  restante  EPI,  à  entrada  dos  quartos/zonas  de isolamento;

— antes da realização de quaisquer procedimentos de limpeza ou de assepsia num doente;

— após  qualquer  exposição  potencial,  ou  efectiva,  a  sangue  ou  fluidos  corporais  de indivíduos infectados;

— após se ter tocado (ainda que potencialmente) em superfícies contaminadas, utensílios ou equipamentos na proximidade de indivíduos infectados; e

— após a remoção do EPI, aquando da saída da área de isolamento.

É importante fazer notar que negligenciar a higiene das mãos após a remoção do EPI contribui para reduzir, ou mesmo, suprimir, a protecção oferecida por este equipamento.

Na higiene das mãos deverá utilizar-se uma solução de desinfecção à base de álcool ou sabão e água  corrente,  utilizando  a  técnica  correcta,  recomendada  pela  OMS.  Sempre  que  as  mãos  estejam visivelmente sujas, é muito importante proceder à sua higiene usando sabão e água corrente.  As  soluções  de  desinfecção  à  base  de  álcool  deverão  encontrar-se  disponíveis  em  todos os locais de prestação de cuidados de saúde (quer à entrada, quer nos quartos/zonas de isolamento  de  doentes);  água  corrente,  sabão  e  toalhas  descartáveis  devem  também  encontrar-se sempre disponíveis.

 

13.Que outras precauções  são necessárias nos  locais de prestação de cuidados de saúde?

Entre as precauções padrão, destaca-se a realização, em segurança, de injecções ou colheita de sangue, incluindo a gestão segura de objectos cortantes e perfurantes, a limpeza regular e rigorosa  dos  ambientes,  a  descontaminação  das  superfícies  e  equipamentos  e  a  gestão  de  roupas de cama sujas e de resíduos.

Adicionalmente,  é  importante  garantir  o  processamento  laboratorial  seguro  de  amostras  biológicas de doentes com infecção confirmada, ou suspeitos de doença por vírus Ébola, e o manejo, em segurança, dos cadáveres ou restos humanos para autópsia ou preparação para enterro. Quaisquer profissionais de saúde, ou outros profissionais, encarregados da realização destas tarefas relativamente a indivíduos suspeitos ou confirmados com doença do vírus Ébola deverão utilizar EPI adequado e seguir os procedimentos recomendados pela OMS.

 

14. O que dizer dos

rumores sobre certos

alimentos poderem

evitar, ou mesmo tratar, a infecção?

A OMS recomenda, com veemência, a procura junto das autoridades de saúde pública locais de aconselhamento de saúde credível sobre a doença do vírus Ébola.

Como  não  existe,  até  ao  presente,  qualquer  medicamento  específico  contra  o  vírus  Ébola,  o  melhor tratamento disponível consiste no tratamento de suporte intensivo a nível hospitalar, providenciado  por  profissionais  de  saúde  devidamente  treinados,  utilizando  procedimentos  adequados  de  controlo  da  infecção.  A  infecção  pode  ser  controlada  através  da  adesão  às medidas de protecção recomendadas.

 

15. De que forma a OMS

protege a saúde durante os surtos?

A  OMS  providencia  aconselhamento  técnico  aos  países  e  comunidades  de  forma  a  preparar  uma resposta adequada face a um surto da doença do vírus Ébola.

As acções da OMS incluem:

­ ­— vigilância  da  doença  e  partilha  de  informação  proveniente  de  diferentes  regiões,  no sentido da detecção rápida de novos surtos;

­— assistência técnica para investigar e conter ameaças à saúde quando estas ocorrem, tais como  ajuda  no  terreno  na  identificação  dos  indivíduos  doentes  e  na  caracterização  dos padrões de dispersão da doença;

— aconselhamento sobre as opções de prevenção e de tratamento disponíveis;

­— destacamento  de  peritos  e  distribuição  de  materiais  de  apoio  (tais  como  EPI  para  os prestadores de cuidados de saúde) quando estes são requisitados pelo país afectado;

— emissão de comunicados para aumentar o nível de consciencialização sobre a natureza da doença e as medidas de protecção da saúde a utilizar para o controlo da transmissão do vírus; e

— activação  de  redes  regionais  ou  globais  de  peritos,  tendo  em  vista  a  prestação  de assistência,  se  solicitada,  e  a  mitigação  de  potenciais  impactos  na  saúde  a  nível internacional e na disrupção das viagens e das trocas comerciais.

 

16. Durante um surto, o número de casos comunicados pelos  responsáveis do sector da saúde pode aumentar e diminuir? Porquê?

Durante  um  surto  de  Ébola,  a  autoridade  de  saúde  do  país  afectado  comunica  o  número  de  casos  de  doença  e  de  óbitos.  Estes  números  podem  variar  diariamente.  O  número  de  casos inclui  tanto  os  casos  suspeitos  de  doença,  como  os  que  já  foram  confirmados  laboratorialmente e, por vezes, são comunicados separadamente. Assim, os números podem mudar entre casos suspeitos e confirmados.

Analisar,  ao  longo  do  tempo,  as  tendências  de  evolução  do  número  de  casos,  complementando  com  informação  adicional,  é  geralmente  mais  útil  para  a  avaliação  da situação em termos de saúde pública e a determinação da resposta mais adequada.

 

17. É seguro viajar durante um surto? O que

aconselha a OMS?

Durante  um  surto,  a  OMS  revê  regularmente  a  situação  de  saúde  pública  e  pode,  caso  seja  necessário, recomendar a implementação de restrições a viagens e ao comércio, informando as  autoridades  nacionais  sobre  estas  recomendações,  de  modo  a  que  estas  possam  ser  implementadas.  A  OMS  encontra-se  actualmente  a  rever  as  recomendações  sobre  viagens  e espera poder emitir novos conselhos muito brevemente.

Se bem que os viajantes devam estar sempre vigilantes em relação ao seu estado de saúde e também ao daqueles que os rodeiam, o seu risco de infecção é muito baixo, uma vez que a transmissão  pessoa-a-pessoa  resulta  do  contacto  directo  com  fluidos  corporais  ou  secreções  de um indivíduo infectado.

 

18.É seguro viajar com

pessoas com

a doença do vírus

Ébola?

Tal como sucede com qualquer outra doença, é sempre possível que uma pessoa que tenha sido exposta ao vírus Ébola decida viajar. Se o indivíduo ainda não tiver desenvolvido sintomas (ver Pergunta Frequente nº 4), não pode transmitir a doença do vírus Ébola aos que o rodeiam. Se o indivíduo apresentar sintomas, deve procurar ajuda médica imediata logo que surjam os primeiros sinais de indisposição. Isto pode requerer a notificação da tripulação do avião ou do navio no qual viaje ou a procura de ajuda médica imediatamente após a chegada ao destino. Os viajantes que mostrem sintomas iniciais de doença do vírus Ébola devem ser isolados para prevenção  de  futuras  transmissões.  Embora  o  risco  para  os  companheiros  de  viagem,  numa  situação  deste  tipo,  seja  muito  baixo,  a  identificação  e  localização  de  contactos  são recomendadas nestas circunstâncias.

19.É seguro viajar para

a África Ocidental,

em negócios ou para

visitar família

e amigos?

O  risco  de  um  turista  ou  homem/mulher  de  negócios  contrair  a  infecção  com  o  vírus  Ébola  durante uma visita a áreas afectadas e desenvolver a doença após o regresso é extremamente baixo,  mesmo  que  a  viagem  inclua  a  visita  a  áreas  onde  os  primeiros  casos  foram  comunicados.  A  transmissão  requer  o  contacto  directo  com  sangue,  secreções,  órgãos  ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas, vivas ou mortas, ou de animais, sendo que não é  provável  que  o  viajante  típico  se  exponha  a  estes  riscos.  Em  todo  o  caso,  os  turistas  e  viajantes são aconselhados a evitar todo este tipo de contactos.

Se  visitar  a  família  ou  amigos  em  zonas  afectadas,  o  risco  é  igualmente  baixo,  a  menos  que  mantenha contacto físico directo com uma pessoa doente ou que tenha morrido da doença. Neste caso, é importante notificar as autoridades de saúde pública e participar no rastreio de contactos.  A  identificação  e  localização  de  contactos  são  utilizadas  para  confirmar  que  a  pessoa em causa não esteve exposta à doença do vírus Ébola e para evitar a propagação da mesma através de monitorização.

 

20.Conselhos gerais

da OMS para viagens

— Os viajantes devem evitar qualquer contacto com pessoas infectadas.

— Os profissionais de saúde em viagem para áreas afectadas devem seguir estritamente as recomendações de controlo da infecção emitidas pela OMS.

—Qualquer  pessoa  que  tenha  permanecido  em  áreas  onde  foram  comunicados  casos recentemente, deve estar ciente dos sintomas de infecção e procurar auxílio médico ao primeiro sinal de doença.

—Os  clínicos  que  prestam  cuidados  de  saúde  a  viajantes  que,  regressando  de  áreas afectadas,  apresentem  sintomas  compatíveis,  são  aconselhados  a  considerar  a possibilidade de doença do vírus Ébola.

—Se pretender obter conselhos adicionais sobre viagens, leia, por favor, a “Avaliação de risco de viagens e transportes: Recomendações para as autoridades de saúde pública e para o sector dos transportes”, em http://who.int/ith/updates/20140421/en/.

Tradução de: Aida Esteves, Ana Abecasis, Celso Cunha, João Piedade e Ricardo Parreira do Instituto de Higiene e Medicina Tropical ‐ Universidade Nova de Lisboa

 

 

 

 

 

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Jornadas de saúde mental a decorrer até 8 de Novembro para pôr fim a estigma

 

Francsico Cosme

com Magda Cunha Viana

 

As pessoas com problemas de saúde mental têm que viver não só com a doença e as consequências psíquicas, físicas e laborais que ela acarreta, como ainda com o preconceito e o estigma causados por deficiente informação de profissionais da saúde, de familiares, amigos e da comunidade em geral.

 

A história, o diagnóstico e os tratamentos da doença mental têm passado por diversas teorias, desde os filósofos da antiga Grécia, à psicanálise de Sigmund Freud, chegando agora às neurociências.

 

O cérebro tem ainda

 muito para ser

explorado e explicado.

Talvez por isso, por haver ainda um certo desconhecimento da comunidade científica e, por maioria de razão, da população em geral, o portador de uma doença mental seja por vezes colocado à margem pela comunidade.

O ministro da Saúde, José Van-Dúnem afirmou, na abertura de uma conferência sobre saúde mental, por ocasião do Dia Mundial da Saúde Mental, sob o lema “Vivendo com a Esquizofrenia, um Desafio para a Sociedade”, que a saúde mental consta das prioridades do ministério que tutela.

 “A saúde mental é tão importante quanto a saúde física, pois ambas concorrem para o bem-estar dos indivíduos, famílias e da sociedade”, sublinhou.

Na mensagem do diretor Regional da OMS para África, Luís Gomes Sambo, lê-se que “a esquizofrenia se desenvolve frequentemente na adolescência ou na idade adulta precoce, havendo entre a população africana cerca de um por cento de pessoas com esta doença.

 

Programa

de saúde mental

Por sua vez, a coordenadora do Programa Nacional da Saúde Mental, Massoxi Vigário, referiu em entrevista ao Jornal da Saúde que “o país está a cumprir todas as directrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS) e que “esta medida fará com que os profissionais e a sociedade encarem com mais atenção e responsabilidade a doença mental quando lidarem com os pacientes”.

Para prevenir e evitar que esta doença atinja proporções alarmantes a responsável disse que o Sistema de Saúde Mental foi implementado a nível nacional, tendo sido criadas redes de saúde mental nas províncias de Malange, Benguela, Huambo, Huíla, Luanda e Cabinda.

O programa de saúde mental tem como objectivo atender os pacientes nos centros de saúde e nos hospitais mais próximos. “Com a criação das redes de serviço de saúde mental foi possível efectuar uma reforma com reflexos na humanização dos serviços e na redução de pacientes internados no Hospital Psiquiátrico de Luanda”, sublinhou.

Em Angola já foram reintegrados no seio familiar mais de 200 doentes que estavam internados”, afirmou Massoxi Vigário.

As redes de serviços de saúde mental permitem que os doentes sejam tratados sem terem de se deslocar a Luanda, e pôr fim à noção antiga de que devem estar internados em hospitais psiquiátricos.

 

Fragilidade

dos sistemas de saúde

Já a representante de Angola no Comité Regional Africano da OMS (AFRO), Raquel Mahoque, disse ao Jornal da Saúde que a fragilidade dos sistemas de saúde de vários países africanos, bem como a falta de medicamentos, são a principal causa do tratamento deficiente destas doenças.

A responsável sublinhou ainda que a Organização Mundial da Saúde está a incentivar os governos dos países africanos a darem maior importância a essa área e a reorganizar os seus programas de forma a inclui-la.

Segundo a médica, os centros de saúde mental devem ser atribuídos às comunidades, dando formação e informação aos técnicos comunitários para que possam tratar e integrar os pacientes num primeiro esforço para reduzir os 80% da população africana com problemas de saúde mental que não tem acesso a medicamentos.

 

 

 

 

 

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Desafiador de envelhecimento.Novo suplemento alimentar para a pele

 

A Visão Futura acabou de lançar no mercado um novo suplemento alimentar para a pele. De acordo com um comunicado da empresa, o Crystal Tomato Alisa "dá brilho e mantém o tom da pele". Funciona também "como um protector solar natural contra os raios UVA e UVB, anti‐oxidante, contém propriedades anti‐inflamatórias contra feridas e os danos UV, inibe a síntese de melanina, para prevenir a formação de manchas de pigmentação, reduz a melanina presente nas células para um efeito anti‐envelhecimento e anti‐foto do envelhecimento, incluindo as marcas escuras deixadas pela acne, as sardas, a pele escura nas axilas e manchas da pele devido à idade, evita danos ao DNA, promove o balanço do tom da pele, a tez radiante, protege e aumenta a eficácia de outros ingredientes activos e as suas funções".

Segundo o distribuidor, basta tomar um comprimido por dia. Para mais informações:

 

VISÃO FUTURA LDA.

Rua Francisco Sotto Maior nº 5, 1º Dto – Ingombota, Luanda. Contactos: Tel. Fixo 00244 222 350 777

Tel. Móvel 00244 933 569 506 / 912 506 323

Email: visao.futura15@gmail.com

 

 

 

 

 

 

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