MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Lina Antunes

 

Transição em saúde

 

A transição de Angola da categoria de país de baixa-renda para país de média-renda, até 2020, deverá implicar também uma transição em saúde.

No âmbito da Epidemiologia, esta transição será caracterizada pelo peso duplo das doenças transmissíveis (decorrentes de deficientes condições de higiene, saneamento e alimentação) e das doenças crónicas (decorrentes dos novos estilos de vida e factores de risco associados às doenças). A componente das doenças crónicas (que se espera ter um peso cada vez maior) é fortemente determinada pelos estilos de vida das populações, cabendo ao Estado e à sociedade civil promover a aderência a boas práticas alimentares, ao exercício físico e ao controlo de saúde regular. No entanto, factores genéticos e o envelhecimento da população (uma realidade esperada nesta transição) irão contribuir para que as doenças crónicas representem um grande peso adicional nos orçamentos hospitalares nos próximos anos, não só por aumento do número global de internamentos hospitalares com maior estadia hospitalar pela natureza das doenças, como ainda por internamentos repetidos por complicações das doenças (por exemplo diabetes mellitus, hipertensão arterial…) nos doentes com baixa renda e sem capacidade de suportar o custo mensal dos medicamentos que devem tomar diariamente.

Seria então concordante que a Saúde mostrasse um aumento percentual na distribuição do Orçamento Geral do Estado. Infelizmente não se verifica essa tendência, permanecendo Angola na cauda dos países africanos com menor percentagem do OGE.

Por outro lado sabemos que não deve caber ao Estado o suporte total dos custos em Saúde. Devemos começar a pensar em alternativas que possam financiar em parte estas despesas. O Plano Nacional de Desenvolvimento em Saúde apresenta no Programa 9, Projecto 56, a possibilidade de se avançar para um seguro de saúde que assegure a protecção social da população mais vulnerável. Outra alternativa será a promoção das parcerias público-privadas no sector da saúde, já contempladas na Lei nº2/11 de 14 de Janeiro, que carece de regulamentação, sendo esta já uma tarefa urgente.

 

 

 

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CEDUMED lança prémio de educação médica

 

O Centro de Estudos Avançados em Educação e Formação Médica, da Universidade Agostinho Neto, anunciou a criação do “Prémio CEDUMED de Educação Médica” com a finalidade de distinguir trabalhos de educação médica em Angola. O prémio inclui duas categorias, a de “investigação científica”, destinada à pesquisa sobre a educação médica, e a de “formação” destinada à oferta de acções de formação e à produção de material didáctico. Para cada uma das categorias será atribuído o primeiro, segundo e terceiro lugares, os quais receberão um diploma, uma medalha e um valor pecuniário.

O prémio é anual, de âmbito nacional, e destina-se a trabalhos dos dois anos anteriores. A Clínica Multiperfil associa-se ao CEDUMED na primeira edição do prémio, pelo que o designado “Prémio CEDUMED de Educação Médica 2017 Clínica Multiperfil” acolherá trabalhos realizados em 2015 e 2016 cujas candidaturas sejam submetidas até ao dia 20 de Dezembro de 2016.

 

 

 

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Orçamento Geral do Estado 2017.

 Sector da saúde ainda longe dos objectivos

 

SUSANA GONÇALVES

Num ano em que a fatia do orçamento atribuída ao sector social atinge os valores mínimos desde o final da guerra, a saúde receberá apenas 4,21% do Orçamento. Verba claramente insuficiente para as necessidades de um sector prioritário.

 

Apresentada no passado dia 31 de Outubro, a proposta de Orçamento de Estado (OGE) para 2017 reserva ao sector da saúde 4,21% do seu valor total. A verba mais baixa desde 2011, muito longe dos 15% do Orçamento Nacional exigidos pelo Compromisso de Abuja, assinado em 2001 e nunca cumprido.

Sendo a saúde um sector estratégico para o desenvolvimento de um país, já que contribui para o desenvolvimento humano, a redução da pobreza e o crescimento económico sustentável, seria de esperar que o investimento nesta área fosse substancialmente maior. Sobretudo quando a situação no sector é reconhecidamente deficitária.

Com um Serviço Nacional de Saúde (SNS) estruturado em três níveis - o terciário que inclui os hospitais especializados; o secundário que inclui os hospitais gerais; e o primário que inclui os postos e centros de saúde - o País conta, de acordo com análise do Orçamento Geral do Estado (OGE) para o ano de 2016 no sector da Saúde, elaborada pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) e pela Unicef, com um total de 2.356 unidades sanitárias. Muitas unidades sanitárias do nível primário não estarão em condições de fornecer serviços básicos, todo o sistema de referência é fraco e há um grande défice em termos de infra-estruturas de saúde, sobretudo nas zonas suburbanas e rurais. Além disso, o SNS enfrenta uma grave escassez de pessoal qualificado. Segundo a Ordem dos Médicos, Angola tem apenas um médico por cada oito mil habitantes e estes estão concentrados nas principais cidades do país, em especial, em Luanda.

 

Para além da saúde

Promover um sistema sólido de promoção da saúde, prevenção e cuidados curativos básicos alicerçado nas próprias comunidades, aliviaria a pressão sobre os serviços prestados nas unidades sanitárias. Mais do que promover a saúde dos angolanos, estas medidas estariam, também, a favorecer a economia do país. De acordo com estimativas globais, cada melhoria de 10 pontos percentuais na esperança de vida à nascença pode reflectir-se num aumento do crescimento do PIB de, pelo menos, 0,4 pontos percentuais por ano (Sachs et al 2001).

 

Redução flagrante

Para o próximo ano, o Governo destinou ao sector da Saúde pouco mais de 310 mil milhões de Kz, valor que regista uma redução, em termos nominais, de cerca de 30 mil milhões de Kwanzas relativamente 2016. Porém, esta redução poderá ser mais flagrante caso a taxa de inflação se mantenha nos índices alcançados já este ano, ou aumente, e a moeda nacional continue a desvalorizar.  Nos últimos cinco anos, o peso da atribuição ao sector da Saúde em relação ao total do OGE não mostra qualquer tendência para aumentar, mantendo-se à volta dos 5%, valores com os quais dificilmente Angola conseguirá atingir objectivos, quer nacionais, quer internacionais, relativos à melhoria dos cuidados de saúde. São também estes valores que a colocam entre os países do continente e do mundo que investem a menor percentagem de recursos públicos na saúde.

 

Orçamento por sub-função

Analisada a distribuição do orçamento da saúde por sub-função, nota-se que a maior fatia (1,72 % do OGE total) vai para os Serviços de Saúde Pública. Seguem-se os serviços hospitalares gerais (1,23%), os serviços de centros médicos e de maternidade (0,65%), e os serviços hospitalares especializados (com 0,44%). Tal como tem vindo a acontecer nos últimos quatro anos,  a rubrica Saúde Pública vê aumentar a receita que lhe é alocada, uma tendência positiva, considerando que esta rubrica contém os fundos para o financiamento aos cuidados primários de saúde, e  está alinhada com os objectivos do Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS) 2012 – 2021, que prioriza os cuidados de saúde primários.  Numa época de dificuldades financeiras como a que o país está a atravessar, dificilmente se conseguirão alcançar as verbas necessárias para dotar o SNS das condições que permitiriam começar a alterar o quadro bastante negativo da saúde em Angola. No entanto, seria desejável que a distribuição dos dinheiros públicos se realizasse tendo em conta que a saúde do próprio país só tem a ganhar com a boa saúde dos seus cidadãos que são, afinal, o seu maior bem.

 

 

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 Iº Fórum de Saúde Comunitária.

Construindo uma saúde global

 

A Clínica Multiperfil realizou, no dia 4 de Novembro, no Centro de Convenções de Talatona, o Primeiro Fórum de Saúde Comunitária, sob o lema “Construindo uma Saúde Global”, evento cuja cerimónia de abertura contou com a presença de inúmeras figuras de destaque da área da saúde em Angola.

Neste fórum, e através de diversas comunicações e mesas redondas, foram abordados temas como os desafios e as responsabilidades em saúde comunitária, o papel do médico de família e do enfermeiro de saúde comunitária, entre outros. Destinado a todos os profissionais e estudantes de Saúde, o encontro teve como objectivo destacar a importância da existência de um número cada vez maior de profissionais especializados neste domínio.

Numa sociedade que se torna cada vez mais global, as necessidades relacionadas com os cuidados de saúde das comunidades também se alteram, com efeitos directos nos sistemas e cuidados de saúde. Estas modificações provocadas pela globalização conduzem a um aumento da necessidade de profissionais altamente capacitados para uma prestação de cuidados segura, efectiva e culturalmente adequada. Desta forma, a saúde global interessa-se por temas e problemas de saúde que transcendem os limites nacionais e que podem ser influenciados pelas circunstâncias ou experiências noutros países, pelo que este fórum também tentou encontrar as melhores respostas para as novas questões, através de acções e soluções cooperativas.

 

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1ª Jornadas de Medicina do Trabalho em Angola.

Profissionais discutem a importância da prevenção e segurança no trabalho

 

Francisco Cosme dos Santos

 

Discutir os temas relacionados com os riscos associados à actividade profissional foi o principal objectivo deste encontro organizado pelo Colégio de Medicina do Trabalho da ORMED. Numa altura em que o desenvolvimento industrial e empresarial regista uma evolução, estas Jornadas ajudaram a alertar os profissionais para a importância da Medicina do Trabalho.

 

O secretário de Estado da Saúde, Eleutério Hivilikwa, recordou, no decorrer das 1ª Jornadas de Medicina do Trabalho realizadas em Angola, que, segundo a Organização Mundial da Saúde, todas as profissões implicam riscos e que, anualmente, 12,2 milhões de pessoas, na sua maioria em países em desenvolvimento, morrem em idade laboral devido a doenças profissionais. Referiu ainda que é necessário e importante que a prevenção e a segurança do trabalho se tornem prioridades e que sejam sempre tratadas como temas da actualidade, assim como é fundamental, igualmente, a actuação de profissionais da área da segurança do trabalho, afim de se estabelecer um processo de consciencialização no dia-a-dia para que se consigam avanços significativos na redução dos números da sinistralidade laboral e na construção de uma verdadeira cultura de prevenção de riscos laborais.

Acrescentou que, apesar do índice elevado deste tipo de doenças, os profissionais não estão capacitados para lidar com os riscos de saúde relacionados com o trabalho. Além da atenção sanitária habitual, todos os trabalhadores necessitam de serviços de saúde que avaliem e reduzam a exposição de riscos ocupacionais, assim como de serviços de vigilância médica, para detecção precoce de doenças e traumatismos ocupacionais.

O secretário de Estado salientou que muitas são as empresas que introduzem modificações nas suas estruturas e processos produtivos para serem mais produtivas e competitivas, mas que essas mudanças, nem sempre incluem acções relativas à segurança e à saúde no trabalho, e que muitos gestores desconhece que a inclusão destes pressupostos permitiria contar com trabalhadores mais saudáveis, que viessem a reduzir, não só os custos associados a acidentes e doenças profissionais mas também o absentismo, contribuindo, deste modo, para o aumento da produtividade e competitividade.

Eleutério Hevilikwa realçou que o evento constituiu uma oportunidade e um espaço para a discussão e análise da problemática da segurança do trabalhador no ambiente de trabalho. Disse também que as Jornadas de Medicina do Trabalho foram um marco importante para se traçarem algumas estratégias de coordenação que permitem o alcance de um maior impacto nos sectores produtivos da economia. Defendendo que a saúde do trabalho é um direito básico de todos trabalhadores, recordou que não há nenhuma actividade humana isenta de riscos, em maior ou menor grau.

 

A saúde do trabalhador, como factor de desenvolvimento

Presente nas Jornadas esteve também o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Alberto Pinto de Sousa, que disse que a saúde do trabalhador, como factor de desenvolvimento, é um tema de extrema importância, estando enquadrado no Plano Nacional do Desenvolvimento Sanitário (PNDS), do Ministério da Saúde. Segundo o bastonário, a Ordem entendeu que, através do Colégio de Especialidade de Medicina do Trabalho, se discutisse e desenvolvesse esta temática, não só no âmbito médico, mas trazendo para o fórum outros profissionais, como juristas, engenheiros, técnicos de segurança, higiene e saúde no trabalho, psicólogos e sociólogos, de forma a fazer uma abordagem mais abrangente, já que este é um assunto que tem vindo a ser debatido em encontros de especialistas a nível nacional e internacional.

Pinto de Sousa alegou que a especialidade de Medicina do Trabalho é importante para Angola devido o desenvolvimento industrial e  empresarial e, uma vez que os trabalhadores devem ser protegidos, a Ordem desenvolveu conceitos de promoção e de prevenção das doenças ocupacionais de risco para vários profissionais, temas que foram debatidos no fórum com o objectivo de aprimorar os instrumentos e os métodos de trabalho de toda da classe trabalhadora.

 

Médico do trabalho

O presidente do Colégio da Especialidade de Medicina do Trabalho, Rui Capo, afirmou que é notório o interesse que demostrado pelas empresas do País em possuírem um médico do trabalho que faça a prevenção dos riscos associados à função dos trabalhadores. Acrescentando que a saúde dos trabalhadores, actualmente, faz parte do contexto das empresas, uma vez que não é possível ter produtividade e rendimento empresarial quando os trabalhadores não estão bem e não se sentem confortáveis, salientou que é da responsabilidade das empresas ou dos empregadores proporcionarem condições de trabalho que acautelam a exposição do trabalhador a todos os males que possam ameaçar a sua integridade, como o contacto com produtos químicos ou explosivos, frio ou calor excessivos, riscos biológicos, ergonómicos e físicos. Referiu Rui Capo que o objectivo destas Jornadas passou pela discussão da problemática da saúde do trabalhador em Angola, num esforço para se promover, nas empresas, condições que venham a possibilitar uma maior preocupação com a saúde dos profissionais.

 

As 1ª Jornadas de Medicina do Trabalho, que decorreram a 21 e 22 de Outubro, em Luanda, foram organizadas pelo Colégio de Medicina do Trabalho da ORMED, e tiveram como lema a saúde do trabalhador como factor de desenvolvimento. Durante este encontro, que contou com a presença de vários profissionais de diversos sectores, como enfermeiros, psicólogos, técnicos de saúde no trabalho e juristas, entre outros convidados, foram debatidos temas de extrema importância para a medicina do trabalhador em Angola, nomeadamente os desafios para o futuro, a ética e profissionalismo médico ou os riscos psico-sociais no trabalho.

 

 

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MIGUEL OLIVEIRA Hoje,

são já 40 as unidades sanitárias com serviços de saúde mental

HERNANDO AGUDELO A OMS continará a apoiar tecnicamente a implementação dos serviços de saúde mental

Workshop.

Jornadas comemorativas do dia mundial da saúde mental

 

Francisco Cosme dos Santos

 

Apesar dos progressos já alcançados, ainda há muito para fazer no que diz respeito à Saúde Mental.  Promover a informação relacionada com o tema e garantir o acesso da população aos serviços da especialidades, foram duas das prioridades apontadas neste workshop.

 

O Director Nacional da Saúde Pública, Miguel de Oliveira, afirmou que desde 2013 e até à presente data foram realizadas, em Angola, 257.625 actividades, entre as quais constam iniciativas para a promoção e prevenção da saúde mental, consultas de psicologia, psiquiatria e defectologia, sessões de psicoterapia, e a inserção de pacientes reabilitados socialmente e entregues às famílias.

Estas declarações foram proferidas no âmbito de um workshop realizado em alusão ao encerramento das Jornadas em Comemoração do Dia Mundial da Saúde Mental, que se realizaram em Outubro, organizadas pela Direcção Nacional de Saúde Pública e sob o lema “Primeiros Socorros Psicológicos”.

Miguel de Oliveira acrescentou que se alcançaram ganhos significativos nesta área já que, até 2013, existiam apenas 10 unidades de referência no País, que estavam associadas aos serviços de psiquiatria e psicologia e, hoje, são já 40 as unidades sanitárias com serviços de saúde mental, que contam com equipas de médicos psiquiatras e psicólogos clínicos.

O responsável afirmou que considera importante aumentar os investimentos e as parcerias em acções de saúde mental, bem como traçarem-se estratégias de voluntariado junto de estudantes, profissionais de saúde e sociedade civil, que contribuam para a redução do estigma, do preconceito e da discriminação associados à doença mental. Promover a inclusão e aumentar a informação da população em relação os cuidados da saúde mental devem ser outras das prioridades dos responsáveis ligados a esta área.

Manter os progresso alcançados nos últimos três anos, a nível provincial e municipal, deve ser outra das preocupações, e as medidas que vierem a ser tomadas devem permitir o acesso aos serviços da saúde mental, com equidade e qualidade.

 

Saltos qualitativos

Por sua vez, o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), Hernando Agudelo afirmou que o programa de saúde mental do País tem dado saltos qualitativos significativos, embora não havendo ainda o número de psiquiatras e psicólogos que se deseja para cobrir todo o território nacional e responder às necessidades, tendo em conta o número de habitantes e o estilo de vida das populações. Revelou também que, face a este progresso, a OMS continuará a apoiar tecnicamente a implementação dos serviços de saúde mental em Angola, com base no Plano Mundial da Saúde Mental que foi estabelecido pela Assembleia Mundial da Saúde para os anos de 2013 a 2020.

Consequências

do alcoolismo

Ainda no âmbito das Jornadas em Comemoração do Dia Mundial da Saúde Mental, foram realizados debates sobre temas como as consequências do alcoolismo e drogas ou da violência sexual sobre a saúde, entre outros. Estiveram presentes nas comemorações representantes de diversas organizações sediadas no País, como é o caso da ONU/SIDA, entidades do Estado, profissionais do sector e convidados.

 

 

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II Congresso da Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Angola (AGOA).

Saúde materna em destaque em encontro de especialistas

 

Reduzir a taxa de mortalidade materna é a preocupação de ginecologistas  e obstetras  que apostam na prevenção de doenças como a pré-eclâmpsia, cuja prevalência está a aumentar no País.

Francisco Cosme dos Santos

 

Estima-se que a taxa de mortalidade materna em Angola ronde, actualmente, uma cifra próxima das 40 mortes por cada 100.000 nascimentos, afirmou o presidente da Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Angola (AGOA), Paulo Adão de Campos. Este profissional salientou que uma das maiores preocupações da associação a que preside prende-se com o aumento do número de mulheres que têm sido diagnosticadas com pré-eclâmpsia no País, sobretudo na província de Luanda, que regista anualmente 300 casos desta doença nas consultas em centro médicos. Paulo Campos referiu também que este aumento de casos obrigou já a que houvesse uma maior preocupação dos profissionais em abordar, nos congressos, o tema das patologias que põem em risco a saúde da mulher e que podem ser prevenidas, como é o caso da pré-eclâmpsia, um problema que ocorre quando uma grávida tem uma pressão arterial elevada (acima de 140/90 mmHg), a qualquer momento após a 20ª semana de gestação. e que, quando não tratado pode agravar-se e degenerar em eclâmpsia, uma condição relativamente rara mas grave,  que provoca convulsões, ou mesmo coma, durante a gravidez. Durante o congresso foi referido que a pré-eclâmpsia continua a ser a segunda causa de mortalidade materna em Angola, logo a seguir às hemorragias na gravidez e parto.

O presidente da AGOA referiu ainda que para se diminuir o impacto da mortalidade materna no País, é necessário que os especialistas se desloquem até às comunidades para que seja facilitado o acesso das populações aos tratamentos.

 

Grávidas com hipertensão

Por sua vez, a cardiologista Filomena Cruz disse que todas as mulheres grávidas que desenvolvem hipertensão podem ter, após o parto, várias complicações, algumas de consequências fatais, devido o mau controlo da tensão que incide, sobretudo, no funcionamento do coração. Garantiu esta especialista que, ultimamente, muitas mulheres que já eram hipertensas antes da gestação têm aparecido com problemas cardíacos, mesmo após o período gestacional.

O II Congresso da Associação  dos Ginecologistas e Obstetras de Angola (AGOA), realizado por esta organização entre 14 e 15 de Outubro, decorreu em Luanda, com o lema “Doenças Hipertensivas na Gravidez: os Desafios de uma Gestação Saudável”. O encontro contou com a presença de vários profissionais do sector e convidados de outras áreas, e incluiu cinco mesas-redondas e um simpósio, tendo sido apresentadas 11 conferências.

 

 

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Estudo no Hospital do Prenda revela.

Diabéticos hospitalizados custaram mais de 45 milhões de Kz num ano

 

Susana Gonçalves

 

Doença típica dos tempos modernos, a diabetes afecta uma fatia cada vez maior da população.  No mês em que se comemora o Dia Mundial da Diabetes, é divulgado um estudo, de 2012, que tenta apurar os custos do tratamento do doente diabético no Hospital do Prenda, em Luanda. Apesar dos dados já terem quatro anos, o trabalho vem ajudar a traçar um retrato do doente diabético na capital angolana.

 

A diabetes mellitus é um síndrome metabólico de origem múltipla que decorre da falta de insulina no organismo e/ou da incapacidade de a mesma exercer adequadamente os seus efeitos, causando um aumento da glicose (açúcar) no sangue. Constitui, actualmente, um problema de grande impacto na morbimortalidade e estima-se que, em todo mundo, afectará 150 milhões de pessoas, cifra que poderá duplicar nos próximos 25 anos, alcançando proporções epidémicas e afectando 366 milhões de pessoas a nível mundial.

Considerada como uma doença emergente, associada ao progresso da sociedade, a sua prevalência cresce paralelamente ao aumento da obesidade e do sedentarismo. Com critérios de diagnóstico bem definidos é de tratamento complexo, uma vez que a sua abordagem, além da terapêutica medicamentosa, envolve uma série de mudanças nos hábitos de vida dos pacientes. Não obstante as dificuldades do tratamento, os avanços terapêuticos têm demonstrado eficácia, já que, com o decorrer do tempo, pode-se observar um aumento da sobrevida dos pacientes. No tratamento do diabetes, os recursos medicamentosos são empregados, geralmente, num segundo momento da terapêutica, diante da incapacidade de controlar os níveis glicémicos através da dieta e pela prática de exercício físico.

Angola não foge à regra e também no País se tem registado um aumento de casos de pacientes diabéticos. No entanto, a real situação da doença é difícil de determinar, uma vez que há poucos estudos ou trabalhos realizados para avaliar, quer a prevalência quer a incidência da diabetes mellitus, e os dados fornecidos pelo Centro de Processamento de Dados Epidemiológicos são escassos e não são abrangentes. Sabe-se que à falta de preparação dos profissionais de saúde se associam as dificuldades dos pacientes ao acesso aos meios de diagnóstico e tratamento, bem como constrangimentos de natureza cultural e económica que levam a que os doentes só procurem ajuda especializada demasiado tarde, atrasando a prestação de cuidados adequados.

O impacto em Angola

Precisamente numa tentativa de calcular o impacto económico da diabetes em Angola, foi agora divulgado um estudo da autoria de António Pedro Kutala Zangulo, da Ordem dos Farmacêuticos de Angola (em co-autoria com o prof. Dr. Mamadu L. Bari e a mestre Maria Isabel Uceda), intitulado “Avaliação de custo do tratamento de pacientes com Diabetes Mellitus internados no Serviço de Medicina do Hospital do Prenda no ano de 2012”. Realizado a partir de dados com quatro anos, este estudo só agora é conhecido pois, de acordo com o seu autor, houve várias dificuldades, nomeadamente a falta de tempo dos próprios autores, que atrasaram a sua publicação. No entanto, António Pedro Cutala Zangulo refere a sua intenção de fazer um estudo histórico, com a comparação de resultados de diferentes anos e que pretende iniciar esse trabalho já a partir de 2017.

Os gastos anuais directos da atenção sanitária à diabetes em todo mundo estão calculados em, aproximadamente, 153 bilhões de dólares anuais e, se as previsões sobre o aumento da prevalência se cumprirem, estarão entre os 213 e os 396 bilhões em 2025, o que se supõe  ser entre 7 e 13% do total de gasto sanitário mundial. Na ausência de dados nacionais, foi com o objectivo de avaliar o custo do tratamento de pacientes com Diabetes Mellitus internados no Serviço de Medicina do Hospital do Prenda, no ano de 2012, que se realizou este estudo observacional analítico retrospectivo. Apesar de relativo ao ano de 2012 e dos resultados apresentados já não corresponderem aos custos actuais, devido à subida da taxa de inflação em Angola que fez disparar, também, os preços de todos os produtos associados aos tratamentos, este estudo reveste-se de especial importância, uma vez que são muito poucos os trabalhos desta natureza realizados no País.

Mais do que estabelecer quanto custa um doente diabético, o trabalho procurou também caracterizar a população em estudo quanto à idade e sexo, identificar o período do tempo com maior número de pacientes internados, determinar o tempo médio de internamento dos pacientes, identificar o seu estado à saída do hospital e identificar os principais recursos utilizados para o tratamento de diabéticos.

A partir do levantamento de dados secundários referentes aos processos clínicos do serviço de Medicina e seus respectivos custos, bem como à identificação de gastos hospitalares num universo de 1213 processos dos pacientes internados com diabetes mellitus, foram seleccionados, de forma aleatória simples, 122 processos (cerca de 10% do total) que constituíram a amostra. Como resultado da análise desta amostra, constatou-se que o sexo feminino foi predominante, com 70 pacientes (57,9 %), número que poderá ser influenciado pela prevalência da população do sexo feminino entre os angolanos (52% da população segundo indica o último censo).

A faixa etária dos 36 e 45 anos foi a mais afectada, com 26 pacientes, ou seja 21,5 % da amostra estudada. Seguem-se a dos 46 aos 55 anos, com 25 casos; o grupo etário dos 26 aos 35 anos, e o dos maiores de 65 anos, com 20 casos cada; e, por último, o grupo dos 15 aos 25 anos, com 8 casos. Assim, observa-se que dos 15 anos e até aos 45 anos há um aumento da prevalência que vai depois diminuindo à medida que a idade aumenta, facto que pode estar associado com a esperança média de vida da população angolana, que está situada, aproximadamente, nos 50 anos.

Em 2012, o mês de Novembro foi aquele que registou maior número de internamentos, cerca de 17, o que corresponde 14 % da amostra. A maioria dos pacientes, cerca de 55 (45,5% da amostra), ficou internada entre cinco e oito dias. No entanto, o tempo médio de internamento foi de cerca de nove dias. Foram 93 os pacientes que tiveram alta por melhorias, o que corresponde a 76,9 %. nesta amostra, tendo-se registado 21 óbitos (17,4%),  resultado que mostra a importância da atenção prestada ao paciente diabético, já que a doença apresenta um elevado índice de mortalidade.

 

Custos da doença

Quanto aos custos da doença calculados por este estudo, os mesmos são expressos em valores de 2012 e tendo em conta que o preço dos materiais utilizados para o tratamento dos pacientes é muito variado, dependendo do fornecedor e da origem. A insulina, seringas, glucofitas, lancetas, algodão, álcool, cloreto de sódio, sistemas e as brânulas, foram os produtos considerados para esta estimativa de custos. Sendo todos eles de uso diário, a sua aquisição implicou um desembolso médio de 31.550,15 Kz, uma vez que o hospital adquire os materiais e medicamentos em retalho e não por unidade. Já o custo directo diário por paciente foi de 4.170,11 Kz. O custo anual de atendimento ao paciente diabético no Hospital  do Prende foi de 45.525.490,9 Kz.

 

Economia da saúde

Vivemos numa época em que a economia da saúde tem vindo a ganhar força como uma área de conhecimento específico. Este ramo da Economia aplicado ao estudo da organização e do financiamento do sector de Saúde, tem modelos e instrumentos que são de grande auxílio na análise e no equacionamento dos problemas do sector. Entre as suas aplicações no sistema de saúde, estão a estimativa do custo da doença e a determinação da eficiência das actividades dos serviços, que proporcionam informações relevantes para a tomada de decisões quanto à alocação dos recursos, muitas vezes escassos, nessa área.

 

A aposta na prevenção

Quando os indivíduos com diabetes constituem uma percentagem desproporcionada e crescente dos pacientes hospitalizados, embora frequentemente esteja subestimada, está na altura de começar a apostar mais na prevenção dos casos que podem ser evitados ou tratados  precocemente de forma a evitar a hospitalização. No tratamento da diabetes, nomeadamente na do tipo II, os recursos medicamentosos são empregados, geralmente, num segundo momento da terapêutica, diante da incapacidade de controlar os níveis glicémicos de forma mais natural, através de uma dieta equilibrada e de exercício físico. Assim, é preciso consciencializar toda a população, e não apenas a que se apresenta como de risco, para a importância de um estilo de vida saudável na prevenção das mais variadas doenças.

 

 

 

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O que “stressa” os angolanos?

 

Francisco Cosme dos Santos

 

Costuma sentir-se stressado? Que motivos o levam a sentir-se desse modo?

E o que costuma fazer para tentar contrariar o stress?

 

É um dos males mais frequentes das sociedades modernas e uma das queixas mais habituais de todos quantos enfrentam quotidianos agitados e exigentes. Fisicamente, o stress é uma reacção do organismo a uma situação de perigo e prepara o corpo para reagir a uma ameaça. Em momentos de pressão psicológica ou angústia, o organismo encara a situação como sendo de perigo e desencadeia os mesmos mecanismos que activa em momentos de risco. Quando estamos constantemente sujeitos a momentos de pressão, o stress deixa de ser uma arma para passar a estar na origem de variadíssimos problemas de saúde que se podem manifestar psicológica ou fisicamente.

A reportagem do Jornal da Saúde foi tentar perceber o que “stressa” os angolanos e o que é que eles fazem para combater os efeitos da ansiedade. Junto da psicóloga clínica Massoxi Vigário, tentámos conhecer, de forma científica, a questão do stress e quais as formas mais indicadas de o combater.

 

Atritos com os vizinhos

Estudante

Universitária,

Maria Pedro

 

Às vezes sinto-me mais ansiosa, quando estou cansada, quando me aborrecem, ou mesmo sem ter grandes motivos. Também acontece se estiver a enfrentar alguns atritos com os vizinhos, problemas de trânsito ou com a forma de gerir o meu tempo, por exemplo. Para controlar o stress tento ter sempre a máxima calma e levar a vida com maior naturalidade possível.

 

 

 

Quotidiano agitado

Estudante do

Ensino Superior,

Hélio

dos Santos

 

Queixo-me de ansiedade, sobretudo, quando o meu dia correu mal ou foi bastante turbulento, ou quando os meus projectos não se concretizam conforme foram projectei. Para controlar o stress tenho por hábito ingerir muitos líquidos, principalmente água, para descontrair a mente, ouvir música e respirar ar puro.

 

 

 

Situação incomodativa

Farmacêutica, Maria António

 

Sinto que estou stressada quando meu temperamento muda repentinamente, o que pode acontecer se houver qualquer situação ou alguma coisa que me incomodam, mesmo que sejam pequenas questões que noutras situações em considerasse serem normais ou passageiras. Para ultrapassar estes momentos, faço caminhadas e procuro estar mais tempo com as minhas amigas.

 

 

 

Demasiadas expectativas

Estudante

Universitário, Bráulio Neto

 

Acho que sou especialmente afectado pelo stress quando espero algo de alguém, sem saber concretamente o que me pode me oferecer ou, então, o que me poderá pedir. Também me sinto mais ansioso nos momentos em que tenho de enfrentar engarrafamentos. Para controlar a ansiedade procuro praticar actividade física.

 

 

 

Planos que correm mal

Farmacêutica,

Maria Zola

Matulona

 

O stress afecta-me mais quando estou aborrecida ou alguma coisa me correu mal. Sempre que sinto que me estou a sentir mais afectada, tento manter a calma, por exemplo em ambientes agitados, ou deixo as coisas fluírem naturalmente. Faço  por tudo para não me enervar facilmente.

 

 

 

Afazeres profissionais

Gineco-obstetra, Matondo

Alexandre

 

Deixo-me afectar pelo stress quando tenho de desempenhar, ao mesmo tempo, várias tarefas de trabalho que envolvem a minha entrega total. Para evitar perder a calma, pratico desporto, aprecio as artes e faço passeios.

 

 

 

 

Falta de tempo

Funcionária

Pública,

Leonilde

Bravo da Silva

 

Costume sentir-me stressada quando o meu nível emocional não está bom, ou se tiver várias questões para resolver e não consigo fazê-lo a tempo e horas. Para tentar controlar as emoções, frequento alguns espaços de lazer, vou ao cinema, à praia e também faço passeios com a família.

 

 

A perspectiva científica

 

Psicóloga Clínica, Massoxi Vigário

 

No contexto sociológico, os indivíduos numa determinada sociedade dizem que estão stressados, ou com stress, quando colocados mediante  uma situação de pressão provocada por estímulos internos ou externos. O stress é uma situação de tensão, física ou psicológica, fora do habitual, que provoca um estado ansioso no organismo.

Pode resultar em perturbações orgânicas e psíquicas provocadas por vários estímulos ou agentes como o frio, uma doença infecciosa, uma emoção, um choque cirúrgico, condições de vida muito activa e outras.

Os estímulos internos baseiam-se, sobretudo, em questões pessoais que acabam por afectar o nosso equilíbrio relacionadas  com metas que queremos atingir, planificação individual, desafios que enfrentamos, necessidades ou carências que as pessoas têm ou possam vir a ter. Estes estímulos ocorrem, muito frequentemente, quando fizemos planos, criámos desejos e idealizámos coisas que não conseguimos alcançar. Muitas vezes, isto acontece porque pretendemos alcançar objectivos que não são possíveis de atingir dentro das nossas possibilidades e que tornam as nossas expectativas muito elevadas. Essas expectativas acabam por ser frustradas, o que acaba por gerar stress.

Os estímulos externos são aqueles que se baseiam em todas as pressões que têm a ver com as nossas vivências e convivências diárias como, por exemplo, ter que andar de táxi ou de transporte público e ficar muito tempo na paragem à espera, as dificuldades que enfrentamos para chegar a um determinado compromisso, quer seja de trabalho ou de outra natureza, não receber salário no final do mês, ser alvo de provocações, entre outros.

Para se controlar o stress deve-se tentar eliminar, em primeiro lugar, os factores de risco que causam o problema.

 

Como evitar

Primando sempre pelo treinamento do auto-controlo e domínio, também se devem evitar conflitos nos ambientes em que estamos inseridos; evitar idealizar um projecto de vida que, sabemos à partida, que não temos possibilidades claras de alcançar a curto, médio e longo prazo; ter a consciência do nosso potencial e de todos os desafios que os nossos planos impõem; fazer exercício físico regularmente; frequentar convívios culturais que nos enriqueçam (dançar, ouvir música, cantar); fazer leituras; aprender a gerir o tempo; procurar companhias agradáveis; integrar-se em grupos religiosos; aprender a lidar com as pessoas; promover diálogos que tragam harmonia à casa ou ao seio familiar; alimentar-se saudavelmente. Se trabalha num ambiente fechado, como um escritório, faça intervalos curtos, de um minuto e meio a dois minutos, para relaxar. E procure ingerir muitos líquidos, preferencialmente água.

 

 

 

 

 

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O consentimento informado em bioética da psiquiatria: para uma compreensão da dimensão ética e jurídica

 

Correia Adelino

Mestre em Filosofia

Doutorando em Bioética

 

 

Reflectir sobre o “Consentimento informado” no âmbito bioético, cuja base se estabelece na tutela da pessoa, afectada por problemas psíquicos, sustentada e fundamentada pela relação de cura, estabelecida pelo médico e coordenada a partir da intencão terapêutica, faz-nos estar em contacto com as inúmeras dificuldades da actividade profissional do psicoterapeuta determinada pelos limites e pelas diversas escolhas no processo da cura médica. Este é ponto de partida e objecto central da nossa reflexão: o fundamento da relacção entre o médico e o paciente afectado, este último, por problemas psíquicos, sem a capacidade de tomar decisões e fazer escolhas no processo de cura, mencionando sua implicação ética e  jurídica da inclinação, do pessoal especializado em psicoterapia clínica, à pessoa humana necessitada de uma mão que a acolhe.

 

O consentimento

informado

Em terapia, quando o psiquiatra decide intervir na vida da pessoa com distúrbios, definidos psíquicos, procura conhecer, de modo responsável e competente, o tipo específico de doença ou trauma. Neste conhecimento, ele estabelece criando um rapport de abertura e de confiança no qual o ambiente é de fazer sim que exista uma aceitação do que acontece, mesmo sabendo das imensas dificuldades, de escolhas a seguir ou não, e a compreensão das mesmas. É este o fundamento do “Consentimento informado”, isto é, que, para dar início às directrizes do e no  processo de cura, se meta em consideração – antes das escolhas – quais decisões tomar, verbais ou escritas. Como afirma J. CLOT, o consentimento informado é “uma decisão voluntária, verbal, e em certas vezes escrita, protagonista de uma pessoa autónoma e capaz, tomada depois de um processo informativo, para a aceitação de um tratamento específico ou experimentação, consciente dos riscos, benefícios e das possíveis consequências”1. Segundo Gianfranco BUFFARDI, em alguns casos, o consentimento “mesmo se requerido, pode ser negado pelo paciente, em qualquer momento alcançado com o tratamento pevisto, em vista à pessoa, à natureza da doença psíquica e à capacidade de intervir sobre si mesmo”2. Porém, em psiquiatria, “a comunicação da informação ao paciente e a compreensão do seu quadro clínico para chegar a uma condivisão e aceitação consciente e voluntária (…) da proposta terapêutica, na presença de uma patologia, não seria eficaz ou não teria um bom término porque ele não é capaz de entender, de querer e de considerar-lhe o significado”3, e nem sequer reagir colaborando imediatamente aos estados de coisa que o circundam: incapaz de fazer seu o que se lhe oferece. Ipso facto, toca aos familiares ou aos legais4, a responsabilidade de confirmar ou não a aceitação do procedimento do protocolo de cura.

Que se cultive num Estado de Direito, como o caso de Angola, em caso de incapacidade psíquica de decidir pelo paciente um modo jurídico e legal de tutelar e proteger as pessoas doentes e afectadas por um handicap, seguindo uma normativa eticamente aceite e correcta, de modo a consagrar, por lei, que o paciente “por causa de um handicap mental, de uma doença, ou por um motivo similar, não havendo a capacidade de dar o consenso a um intervento, este não pode ser efectuado sem a autorização do seu presentante, a autoridade de uma pesssoa ou de um orgão designado por lei”5. Não se trata de uma diminuição do agir profissional do médico, mas de um acto de consciência livre e responsabilidade no processo clínico.

E se considere, profissionalmente, a nível médico que “com um distúrbio mental grave, a pessoa não pode ser submetida a um intervento que tenha por objecto a cura do distúrbio se não quando a falta do tratamento corre o risco de ser gravemente prejudicial para a saúde e com reserva de garantias da tutela prevista pela lei, compreendidos os procedimentos de vigilância e de controlo se não aquelas tidas para o internamento”6.  Portanto, que se fundamente o direito do ser da pessoa doente reconhecendo o bem nela como um fim a atingir, de modo a compreender, respeitar e protegê-la durante os meios que aplicar-se-ão no processo de cura. Assim ter-se-á uma terapia mais benéfica e humana no limite das motivações e vontade decisional do rapport médico-paciente, tendo em conta algumas esperanças do desenvolvimento do quadro clínico em causa.

 

Conclusão

Em suma, o rapport entre o psicoteurapeuta e a pessoa afectada de distúrbios psíquicos deve ser comunicativo e responsável. Por isto me valho da reflexão de R. CARTANESI, F. SCAPATI e O. GRECO, concluindo que  o consentimento informado deve ser pessoal, liberal, espontâneo e consciente,  de modo que, por necessidade ou por obrigatoriedade, o psiquiatra se dedique a estimular a participação activa do paciente ao tratamento (especificando os reais benefícios e riscos), influenciando o seu comportamento e analisando as diversas formas de informar o estado de saúde, gradualmente, no momento oportuno7. Portanto, os aspectos fundamentais e as implicacões jurídicas do consentimento informado trazem à tona a reflexão do valor e significado do indivíduo e em relação ao que a sociedade espera ou pensa sobre a questão. Porém, mesmo sendo uma questão também de carácter social, é da responsabilidade do médico agir em função do seu dever de ser aquilo que é, isto é, curar o paciente como se fosse manifestado um consentimento. Em caso de emergência, na ausência de um legal, se deve intervir no paciente, interessando-se pelo seu bem, fazendo tudo o que for possível em modo proporcional à continuidade e integridade da vida humana.

 

NOTAS

1 Cfr. J. CLOT, Bioética: Uma aproximação, Porto Alegre, 2003, pp. 228.

2 Cfr. G. BUFFARDI, Problematiche bioetiche nell’esistenza psichiatrica in Studia Bioethica,Vol. 3 (2010), n°3, p.12.

3 Cfr. A. TARANTINO, Consenso informato in ENCICLOPEDIA DE BIOÉTICA, http://www.enciclopediadebioetica.com/index.php/todas-las-voces/223-consenso-informato, (consultado aos 05-08-2015, 11h:59’) p. 5-7: em corsivo minha apreciação.

4Familiares e legais que se interem e se actualizem no conhecimento de leis justas á favor da pessoa humana e não aos interesses e á sentimentalismos de terceiros.

5 Cfr.CONVENZIONE SUI DIRITTI DELL’UOMO E SULLA BIOMEDICINA, Capitolo II: Consenso, §3, Oviedo, 4 aprile 1997.

6 Cfr. Ibdem, §7.

7 Cfr. R. CATANESI et allii, Il consenso in ambito psicoterapeutico, in Medicina e Morale,  38 (1988), pp. 435-448.

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Álcool causa mais de 700 mil novos casos de cancro por ano

 

O álcool é responsável por mais de 700 mil novos casos e 365 mil mortes causadas por cancro, a cada ano e em todo o mundo, indicam novas estimativas divulgadas este mês no Congresso Mundial contra o Cancro.

De acordo com os dados apresentados em Paris, os novos casos (especialmente no esófago, colo-rectal, garganta, fígado e mama) surgem principalmente nos países desenvolvidos.

"Uma grande parte da população não sabe que o álcool pode provocar cancro", salientou o investigador canadiano Kevin Shield ao apresentar os dados preliminares do estudo do Centro Internacional de Investigação sobre o Cancro, uma agência dependente da Organização Mundial de Saúde.

O estudo, relativo a dados de 2012, indica que os cancros ligados ao álcool representam 5% dos novos casos e 4,5% de todas as mortes causadas por cancro a cada ano em todo o mundo.

A América do Norte, a Austrália e a Europa, em particular a Europa de Leste, são as regiões mais atingidas. Mas os países em rápido desenvolvimento, como a Índia ou a China, onde o consumo de álcool está a aumentar, poderão juntar-se ao grupo dentro de pouco tempo.

 

Alterações do modo

de vida

Como demonstram vários estudos, a preponderância de casos de cancro ligados ao álcool está estreitamente ligada ao nível de desenvolvimento de um país. O consumo acrescido de álcool que normalmente acompanha o desenvolvimento junta-se também a alterações do modo de vida, de alimentação ou tabagismo, que "multiplicam o risco", considerou o investigador canadiano em entrevista à agência France Presse.

Segundo o estudo, que deverá ser publicado no próximo ano numa revista científica, o cancro do esófago é o mais frequente nos casos de morte associados ao álcool (representando 34% dos 365 mil casos de morte reportados em 2012), à frente do cancro colo-rectal (20% das mortes).

Já entre os 704 mil novos casos de cancro associado a álcool, um em cada quatro (27%) são de cancro da mama, entre as mulheres.

O mesmo investigador já tinha demonstrado num trabalho publicado em junho que mesmo um ligeiro consumo de álcool por dia (menos de dois copos de vinho ou 30 mililitros de bebidas espirituosas ao dia) pode aumentar o risco de cancro da mama de 5% a 10%.

Kevin Shield realçou que não existe um limite de risco [a não ultrapassar], e que "o risco aumenta de forma linear à medida que aumenta a dose ingerida".

Quanto aos mecanismos biológicos que causam os cancros associados a álcool, os investigadores não os conhecem ainda com exactidão. Entre estes poderá estar o etanol, um agente cancerígeno que pode actuar "de diversas maneiras", disse o perito canadiano. No caso do cancro da mama, o etanol pode modificar os níveis de estrogénio, disse.

 

 

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O que sempre quis saber, mas tinha vergonha de perguntar…

 

Diferenças entre VIH, HIV e SIDA

VIH é a sigla para Vírus da Imunodeficiência Humana.

HIV é a sigla em inglês para Human Immunodeficiency Virus.

SIDA significa Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida. É um conjunto de sinais e sintomas bem definidos que podem surgir em indivíduos com a infecção pelo VIH.

Desde o momento em que se adquire a infecção até que surjam sintomas de doença decorre um período de tempo, designado como fase assintomática da infecção pelo VIH, (que pode durar em média 8 a 10 anos) em que a pessoa infectada não tem qualquer sintoma e se sente bem. Nesta fase a infecção pode ser detectada apenas se se efectuarem as análises específicas para o VIH. Esta é a fase da doença em que se diz que o indivíduo é seropositivo.

Na evolução da infecção pelo VIH verifica-se uma destruição progressiva do sistema de defesa do organismo humano (o sistema imunológico) com estabelecimento de um estado de imunodepressão que permite o aparecimento de infecções oportunistas e determinados tipos de tumores. Quando uma pessoa infectada pelo VIH tem uma destas infecções oportunistas ou tumores passa a dizer-se que já tem SIDA.

Quer um seropositivo, quer um indivíduo com SIDA podem transmitir a infecção a outras pessoas através de comportamentos de risco.

 

Pode estar-se sempre no estado de seropositividade sem passar a SIDA?

Sem tratamento específico para o VIH (com os medicamentos anti-retrovíricos) todos os infectados com o vírus virão a ter SIDA mais cedo ou mais tarde. Desde o momento em que a pessoa adquire a infecção até entrar no estadio de SIDA decorre um período de tempo que é, em média, de 8 a 10 anos. Com o tratamento actualmente disponível, é possível modificar a história natural desta infecção, aumentando a duração do período assintomático da doença e prevenindo o aparecimento das infecções e tumores que definem a fase de SIDA. Para que isto seja possível, é fundamental que todo o indivíduo seropositivo tenha um acompanhamento médico periódico adequado

 

Quem tem um teste positivo tem sida?

Ter um teste positivo para o VIH significa que se tem a infecção por este vírus. Quando uma pessoa com o teste positivo já teve ou tem determinadas manifestações oportunistas – infecções e/ou tumores – então, já tem SIDA. SIDA significa Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida. É um conjunto de sinais e sintomas bem definidos que surgem em indivíduos com a infecção pelo VIH

 

Quais os sintomas do VIH?

Quando se adquire a infecção pelo VIH pode não se ter qualquer sintoma ou, então, ter um quadro febril tipo gripal. Em seguida, o doente fica sem sintomas durante um período variável que pode ser de anos, em média de 8 a 10 anos, sentindo-se bem. Nesta fase, como em todas as fases da infecção, existe possibilidade de transmissão da doença a outras pessoas.

Após este período assintomático, surge a fase sintomática da infecção em que o doente começa a ter sintomas e sinais de doença, indicativos da existência de uma diminuição das defesas do organismo. O doente pode referir cansaço não habitual, perda de peso, suores nocturnos, falta de apetite, diarreia, queda de cabelo, pele seca e descamativa, entre outros sintomas. Podem surgir algumas manifestações oportunistas como a candidose oral (infecção da boca por fungos), candidoses vaginais de repetição, um episódio de herpes zoster (“zona”), episódios de herpes simples de repetição (oral ou genital), etc. Mais tarde podem surgir infecções graves, como tuberculose, pneumonia, meningite, entre outras manifestações oportunistas possíveis e indicadoras de uma grave imunodepressão (diminuição acentuada das defesas do organismo humano).

 

Quantos anos de vida tem uma pessoa seropositiva?

É muito variável. A evolução da infecção não é igual em todas as pessoas. Desde o momento em que se adquire a infecção até que surjam sintomas de doença decorre um período de tempo, designado como fase assintomática da infecção pelo VIH, que pode durar em média 8 a 10 anos. No entanto, nalgumas pessoas este período pode ser apenas de dois ou três anos e noutras de 15 ou 20 anos.

Após o aparecimento de uma infecção oportunista, ou seja, após se entrar na fase de SIDA, o tempo médio de sobrevida é de cerca de um ano e meio, na ausência de tratamento anti-retrovírico.

No entanto, com os medicamentos actualmente disponíveis para o tratamento desta infecção a sobrevida dos doentes pode ser muito mais longa desde que se cumpra rigorosamente o tratamento e as restantes indicações médicas. Actualmente existem algumas pessoas que vivem com esta infecção há mais de 20 anos

 

Agora que tenho umresultado positivo o que faço?

Quando se fazem as análises para pesquisa dos anticorpos para o VIH e o resultado é positivo, significa que a pessoa está infectada por este vírus e que pode transmitir a infecção para outras pessoas através de comportamentos de risco. Significa também que essa pessoa tem uma infecção crónica de evolução lenta, para a qual não existe cura, que destrói lentamente as defesas do seu organismo e que, no futuro, poderá ter infecções e alguns tipos de tumores que se associam a uma imunodepressão. Uma pessoa que descobriu estar infectada deve procurar apoio médico para sua orientação. Precisará de consultas médicas e análise periódicas para avaliação da sua situação clínica e da necessidade de efectuar ou não tratamento com medicamentos específicos para o VIH. Esta vigilância médica periódica é essencial para evitar o aparecimento das manifestações oportunistas – infecções e/ou tumores – ou seja, para impedir que a pessoa fique gravemente doente. Qualquer pessoa que sabe estar infectada pelo VIH deverá adoptar comportamentos seguros para não correr o risco de contagiar outras pessoas e, também, não se infectar com outros agentes infecciosos.

 

Porque é que o sexo anal envolve maior risco de contágio?

Durante uma relação sexual anal existe um maior grau de traumatismo do que durante uma relação sexual vaginal. Existe maior probabilidade de ocorrência de pequeníssimas lesões (feridas) na mucosa anal que facilitam o contágio e ocorrência de infecção.

 

Sexo oral é uma formade contágio e porquê?

A quantidade de vírus existente na saliva é pouco significativa. Não existe risco de aquisição da infecção através do beijo. No entanto quando a saliva está contaminada com sangue e existe contacto desta saliva com a mucosa genital, existe uma probabilidade, ainda que pequena de contágio. Se existir contacto da mucosa da boca com secreções vaginais ou sémen infectados, também existe probabilidade de infecção

 

Ao ter relações com o meu/minha companheiro(a) seropositivo o preservativo rompe.

O que posso e devo fazer?

Penso que todo o indivíduo seropositivo que tem um parceiro seronegativo deve discutir este assunto com o seu médico antes da ocorrência de um episódio deste tipo. Actualmente existe indicação para se fazer uma profilaxia pós-exposição, ou seja, uma prevenção da infecção, com utilização de medicamentos em situações deste tipo. Não existe certeza absoluta quanto à eficácia desta medida de prevenção. No entanto, quando existe indicação para a tomar, isso deve fazer-se o mais cedo possível após a ocorrência do acidente. Assim, é aconselhável procurarem ambos o médico que segue a pessoa seropositiva a fim de serem tomadas as medidas mais adequadas a cada situação.

 

 

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