MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Carlos Alberto Pinto de Sousa

Bastonário da Ordem dos Médicos de Angola

XI Congresso Internacional dos Médicos em Angola com um vasto programa científico de excelência

Mais de mil médicos vão debater temas essenciais para a saúde

das populações

 

Ao longo dos últimos anos, por força das reflexões constantes do documento “Política Nacional de Saúde” e o seu instrumento operativo, o “Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário”, a Ordem dos Médicos de Angola (ORMED), no âmbito da realização dos congressos, tem vindo a abordar o papel dos médicos no desenvolvimento social.

Em saúde, é no âmbito médico que se verificam, de maneira mais expressiva, os resultados concretos da transformação positiva pela qual passa a consolidação e ampliação da cidadania mais interventiva quanto ao conhecimento em si mesmo e quanto à efectivação de resultados. Quando a saúde está em debate, o que acontece naturalmente de forma permanente e enriquecedora, a tendência natural está associada ao atendimento médico dispensado aos doentes e famílias, e o resultado, seja satisfatório ou não, decorre desta relação dual.

 

Lema e números do XI Congresso

Nesta conformidade, a Ordem dos Médicos de Angola realiza o XI Congresso Internacional dos Médicos em Angola, a 26 e 27 de Janeiro de 2016, onde reunirá mais de mil médicos, sob o lema Os Médicos e os seus Contributos na Consolidação Social. O programa científico inclui  várias conferências,  painéis, cursos e inúmeros temas livres e posters.

A escolha deste lema resulta da reflexão que a Ordem dos Médicos tem realizado e de que urge fortalecer a ideia de envolvimento e participação dos cidadãos e comunidades, de que a municipalização é um instrumento decisivo, onde se podem materializar os pilares definidos pelo Ministério da Saúde. Refira-se que é no quotidiano das prestações de saúde que faz sentido apelar à mudança comportamental que conduza à consolidação dos pilares mencionados, para incentivar a participação dos cidadãos, de modo que em cada acto médico floresça a ideia de conscientizar, educar e alertar.

É nesta lógica que se enquadram os temas das conferências, dos painéis, dos cursos pré-congresso e das próprias intervenções livres.

Perguntamos: quem beneficiará das acções assentes nesta lógica e se sentirá motivado para levar a cabo esta mudança comportamental como contributo à consolidação social? Decerto: os cidadãos e suas famílias e as comunidades.

 

Temas a debater nos painéis, conferências e comunicações livres

Nos painéis serão debatidos temas relativos às contribuições da epidemiologia para a consolidação dos sistemas de saúde, saúde materna, saúde das crianças, cooperação técnica entre países num mundo global, o ensino médico e saúde, pesquisa científica e divulgação/comunicação, medidas no uso racional de medicamentos, doenças transmissíveis, doenças crónicas não transmissíveis, e intervenções de saúde pública, financiamento da saúde, segurança e saúde no trabalho.

As conferências incidirão sobretudo em temas clínicos, entre os quais as doenças cardiovasculares, oncológicas, hipertensão arterial, diabetes, insuficiência renal, cirurgia hepática, aterosclerose, hiperactividade, fibrose pulmonar, fibrilhação auricular e acidente vascular cerebral e, ainda, problemas relacionados com o consumo drogas, álcool e tabaco entre os jovens, a cirurgia sem sangue, cirurgia robótica, e a importância da estatística em saúde, abordagem cirúrgica às multifracturas das extremidades decorrentes da sinistralidade, neurocirurgia pediátrica, hidrocefalia, a nanotecnologia para diagnóstico molecular, entre outros.

As inúmeras comunicações livres a apresentar centram-se em quatro grandes áreas: doenças transmissíveis – VIH/Sida, malária, doenças diarreicas –, doenças crónicas não transmissíveis – hipertensão, diabetes, cancro, patologias cardiovasculares –, área da cirurgia – cirurgia coloproctológica, técnicas cirúrgicas no tratamento da obesidade mórbida, tratamento cirúrgico de cancro colo-retal, grandes hérnias incisionais, entre outros – e área da medicina, com abordagens às doenças renais, reumatológicas e cuidados paliativos.

Teremos a participação de prelectores provenientes da Argentina, Brasil, Cuba, Holanda, Portugal,  Moçambique, Cabo Verde e, naturalmente, de Angola.

 

A feira profissional Médica Hospitalar  Angola 2016 reunirá meia centena de empresas de 20 países

Em simultâneo, decorre a Médica Hospitalar Angola – 4ª Feira Internacional de Equipamento, Médico-Hospitalar, Tecnologia, Medicamentos e Consumíveis. O objectivo é reunir e mostrar aos médicos, gestores hospitalares e outros profissionais de saúde todas as novidades do mercado apresentadas por empresas credíveis e com qualidade, proporcionando assim uma actualização de conhecimentos. A Médica Hospitalar posiciona-se como a feira especializada de referência no país, ao congregar a procura e a oferta global do sector da saúde, num ambiente profissional. A área exposicional bruta é de 1.800 metros quadrados.

Na última edição, em Janeiro de 2015, participaram 56 empresas expositoras que, por sua vez, representaram cerca de 150 marcas internacionais da indústria farmacêutica, de equipamentos hospitalares, tecnologias e dispositivos médicos, de 20 países.

 

 

 

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Doenças Tropicais Negligenciadas

Para além do controlo do vector

 

Ministro José Van-Dúnem diz que o novo projecto especial alargado

é “um passo em frente no seu combate"

 

Em entrevista ao jornal da 65ª Sessão do Comité Regional da OMS para África, que decorreu em N’Djamena, República do Chade, entre 23 a 27 de Novembro, o ministro da Saúde de Angola, José Van-Dúnem, reconheceu que o novo “projecto especial alargado para a eliminação das doenças tropicais negligenciadas” constitui “um passo em frente” no seu combate. E também porque “quando são trazidas para a agenda mundial há uma oportunidade para que a investigação aumente e os produtores de medicamentos se interessem”.

 

—Qual a posição de Angola ao novo Projecto Especial Alargado para a Eliminação das Doenças Tropicais Negligenciadas (ESPEN)?

—Angola considera que a criação do Projecto Especial Alargado para a Eliminação das Doenças Tropicais Negligenciadas (ESPEN) significa um passo em frente. Isto porque o projecto anterior assentava na distribuição da Ivermectina que cobria uma parte apenas das doenças tropicais negligenciadas, com o foco num tratamento de massas. A nova abordagem não se baseia apenas sobre o vector, adoptando uma combinação que inclui a luta contra o vector, a quimioterapia preventiva, o combate à pobreza, o aumento da produtividade e a melhoria da qualidade de vida nas áreas afectadas. Deste modo, registamos um progresso grande para a luta contra as Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN).

— Como avalia os desafios e a finalidade do ESPEN nos países onde as DTN são endémicas?

—Este conjunto de cinco doenças são tropicais negligenciadas porque não têm o número de medicamentos modernos existentes para as outras doenças. Mas, quando elas são trazidas para a agenda dos países e para a agenda mundial há uma oportunidade para que a investigação aumente e os produtores de medicamentos se interessem, surgindo novas iniciativas que tornam a luta contras estas doenças muito mais efectiva. Isto fará com que estas doenças deixem de ser negligenciadas, passando a ser doenças tropicais que vão passar a ter a mesma atenção que outras como a malária, a tuberculose e outras. A população afectada nestes países é numerosa e as incapacidades que algumas criam são muito graves, afectando significativamente o desenvolvimento dos países e a capacidade de criar riqueza. Este é um passo importante do ponto de vista da saúde e do bem-estar.

—O que espera do RC65 como recomendação, relativamente a esta questão?

—Em primeiro lugar, que nós façamos uma advocacia para que os fazedores de opinião possam ter as ferramentas que lhes permitam ser actores chaves da luta pela difusão de conhecimentos; em segundo lugar, fazer a advocacia para um maior financiamento nacional para a resposta a estas doenças. São doenças cuja resposta assenta muito em doações internacionais sendo necessário, por isso, uma combinação com doações nacionais. Há sectores que poderiam ser envolvidos neste tipo de actividades e que ainda não o são suficientemente. Também, os sistemas nacionais de saúde deverão adaptar-se para uma resposta mais efectiva.

Angola está a desenvolver uma Municipalização dos Serviços de Saúde, no âmbito da expansão e financiamento dos cuidados primários, sob a liderança das administrações municipais, e este processo será um instrumento fundamental para uma responsabilidade mais efectiva, para que as doenças negligenciadas sejam uma prioridade nacional e os sistemas de saúde sejam mais reforçados.

 

ANTECEDENTES

 

As Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN) são um grupo diversificado de doenças transmissíveis que afectam uma em cada seis pessoas em todo o mundo. A Região Africana arca com cerca de 40% do peso global das DTN. Os países da Região progrediram no controlo e na eliminação das DTN com o apoio dos parceiros, da OMS e do Programa Africano de Combate à Oncocercose (PACO).

 

O PACO é uma parceria estabelecida em 1995 com a finalidade de ampliar a luta contra a oncocercose aos países1 que não foram abrangidos pelo Programa de Controlo da Oncocercose2. A sua abordagem centrava-se na administração em massa de ivermectina recorrendo aos distribuidores comunitários. O programa contribuiu significativamente para a eliminação da oncocercose enquanto problema de saúde pública.

 

Nos últimos anos, decorreram algumas discussões envolvendo países endémicos, a OMS e parceiros no âmbito das DTN para identificar formas de acelerar o controlo e a eliminação das DTN. Durante o Fórum de Acção Conjunta que se realizou em Adis Abeba no mês de Dezembro de 2014, países onde as doenças são endémicas, organizações não-governamentais do desenvolvimento (ONGD) e vários doadores do PACO decidiram encerrar o programa em Dezembro de 2015 e criar uma “nova entidade para as DTN” encarregue de supervisionar e apoiar a aceleração da acção contra todas as DTN que respondem a quimioterapia preventiva (QP-DTN)3.

 

Nesse sentido, a OMS convocou uma reunião do Grupo de Trabalho, em Abril de 2015, em Joanesburgo,4  bem como uma Reunião Consultiva das Partes Interessadas, em Julho de 2015, em Genebra5. Essas reuniões produziram um consenso acerca do quadro da nova entidade para as DTN, doravante designado por Projecto Especial Alargado para a Eliminação das DTN (ESPEN) e o Plano de Acção para a Transição relativo a 2016, visando manter as conquistas alcançadas no controlo da oncocercose e das demais QP-DTN.

 

O ESPEN tem por finalidade fornecer apoio técnico aos países onde as DTN são endémicas para controlarem e eliminarem as cinco QP-DTN,6 incluindo a prevenção das doenças e a gestão das incapacidades. Em última análise, a nova entidade contribuirá para reduzir a pobreza, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida das pessoas afectadas na Região. O ESPEN terá uma vigência de cinco anos, de 2016 até 2020, sendo o primeiro ano um período de transição, e ficará sediado no Escritório Regional da OMS para a África.

 

 

1 Angola, Burúndi, Camarões, Chade, Etiópia, Gabão, Guiné Equatorial, Libéria, Malawi, Moçambique, Nigéria, Quénia, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Ruanda, Sudão, Tanzânia e Uganda.

2 O Programa de Combate à Oncocercose, que foi estabelecido em 1974 em 11 países de África Ocidental, centrava-se no controlo do vector.

3  O Programa de Combate à Oncocercose, que foi estabelecido em 1974 em 11 países de África Ocidental, centrava-se no

controlo do vector.

4  Relatório da reunião do Grupo de Trabalho para a criação da Nova Entidade para as DTN, Joanesburgo, Abril de 2015.

5 Relatório da Reunião Consultiva das Partes Interessadas sobre o Estabelecimento da Nova Entidade para as DTN, Genebra, Julho de 2015.

6  Filaríase linfática, esquistossomíase, helmintíases transmitidas pelo solo, tracoma e oncocercose.

 

 

 

 

 

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O Centro de Ciências do Mar (CCMAR) é uma organização privada sem fins lucrativos, situada na Universidade do Algarve, com a missão de promover a investigação  e  educação  nos  processos  que  envolvem  o  ambiente  marinho, dando especial enfâse às interacções biológicas e ao uso sustentável dos recursos.  O  CCMAR  recebeu  em  2014  a  classificação  de  ‘Excelente’  como unidade de investigação, pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

João Cardoso é investigador auxiliar CCMAR, graduou-se em Engenharia Biotecnológica  pela  Universidade  do  Algarve  e  é  doutorado  em  Ciências Biológicas pela Universidade Cambridge (Reino Unido).

Deborah Power é professora catedrática de biotecnologia, na Universidade do Algarve, professora convidada na Shanghai Ocean University (China) e Doutora Honoris Causa, pela Universidade  de  Gothenburg (Suécia).  Rute  Félix é  pós doutorada  no  grupo  de  Endocrinologia  Molecular  e  Biologia  Integrativa  do CCMAR, possui graduação em Biologia pela Universidade de Évora e doutoramento em Ciências Biomédicas pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa.

A equipa do CCMAR possui competências na área do estudo da evolução e função do sistema endócrino em invertebrados e vertebrados. Cardoso liderou o projeto financiado pela FCT que, em colaboração com Silveira, produziu os dados e as bases conceptuais para este estudo.

 

Dieta artificial evita alimentação com sangue humano

Mosquitos vão ter refeição especial

 

Investigadores do Instituto de Higiene e Medicina Tropical e do Centro de Ciências do Mar estão a desenvolver uma refeição artificial para mosquitos que evita a sua alimentação com sangue humano, ou animal, o que levanta problemas éticos e de segurança quando se tem de produzir estes insectos em grande escala para efeitos de investigação científica.

 

 O Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), da Universidade Nova de Lisboa, recebeu uma bolsa  Grand Challenges Explorations, uma iniciativa da  Bill & Melinda Gates  Foundation, para criar uma refeição artificial para os mosquitos, que permita a colocação de ovos e a sua reprodução, sem recorrer à utilização de sangue. O projeto, liderado por Henrique Silveira do centro de investigação GHTM - Global Health and Tropical Medicine do IHMT, é desenvolvido em colaboração com João Cardoso, Deborah Power e Rute Félix do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve e tem como título “Dieta artificial complementada com um fator de sangue humano”.

O programa Grand Challenges Explorations (GCE) financia projectos, em todo o mundo, que possibilitem descobrir novos paradigmas na resolução de desafios relacionados com a saúde global e o desenvolvimento. Este projeto encontra-se entre mais de 50 ideias inovadoras financiadas hoje pela Fundação Bill & Melinda Gates.

Silveira e a equipa do CCMAR identificaram recentemente um péptido que circula no  sangue  humano  que  ao  interagir  com  um  recetor  do  mosquito  induz  a produção de ovos nos mosquitos. Os investigadores querem agora produzir, com recurso a esse péptido, uma refeição artificial que estimule uma produção de ovos idêntica à obtida com a refeição sanguínea. Esta descoberta é importante “porque os mosquitos necessitam de uma refeição sanguínea para produzirem ovos. E se precisarmos de produzir mosquitos em grande escala, em laboratório, para efeitos de   controlo   da   doença   ou   de   investigação   científica,   estamos   sempre dependentes de sangue humano ou animal, o que levanta problemas éticos e de segurança”, explica Henrique Silveira.

 

Sobre o programa Grand Challenges Explorations

O programa  Grand Challenges Explorations é uma iniciativa de 100 milhões de dólares financiada pela  Bill & Melinda Gates  Foundation. Lançada em 2008, já atribuiu cerca de 1160 bolsas a projectos em mais de 60 países. O programa encontra-se aberto a qualquer investigador, em qualquer área e organização. O programa recorre a um processo de atribuição de bolsas rápido e ágil, através da submissão de candidaturas online resumidas, com apenas duas páginas, e sem exigência de submissão de dados preliminares. As bolsas iniciais, no valor de 100 mil dólares, são atribuídas bienalmente. Os projectos bem-sucedidos têm a oportunidade de receber nova bolsa até um milhão de dólares.

 

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Henrique Silveira é professor catedrático no IHMT e o coordenador científico do GHTM. Tem  um  doutoramento  pelo  Imperial  College,  em  Londres,  e  foi investigador pós-doc na London School of Hygiene and Tropical Medicine. A sua investigação  centra-se  no  desenvolvimento  do  Plasmodium  no  interior  do mosquito,  especialmente  na  forma  como  a  imunidade  do  mosquito  pode  ser manipulada para impedir a transmissão da malária. Modelos murinos, estudos in vitro,  proteómica  e  genómica  têm  sido  aplicados  no  seu  laboratório  para compreender os mecanismos envolvidos na resposta do mosquito à infeção e a sua modulação por fármacos anti-maláricos e moléculas imunomoduladoras

Sobre o IHMT e a equipa

 

O  Instituto  de  Higiene  e  Medicina  Tropical  (IHMT)  da  Universidade  Nova  de Lisboa é uma instituição de ensino e investigação que visa o desenvolvimento do conhecimento dos problemas de saúde ligados ao meio tropical. A estratégia de investigação do IHMT encontra-se consolidada no centro de investigação GHTM - Global Health and Tropical Medicine, avaliado como ‘Excelente’, pela FCT. Henrique Silveira é Professor Catedrático no IHMT e o coordenador científico do GHTM.  Tem  um  doutoramento  pelo  Imperial  College,  em  Londres,  e  foi investigador Pós-doc na London School of Hygiene and Tropical Medicine. A sua investigação  centra-se  no  desenvolvimento  do  Plasmodium  no  interior  do mosquito,  especialmente  na  forma  como  a  imunidade  do  mosquito  pode  ser manipulada para impedir a transmissão da malária. Modelos murinos, estudos in vitro,  proteómica  e  genómica  têm  sido  aplicados  no  seu  laboratório  para compreender os mecanismos envolvidos na resposta do mosquito à infeção e a sua modulação por fármacos anti-maláricos e moléculas imunomoduladoras.

 

 

 

 

 

 

 

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Cresce o número de alunos com deficiência

 

Romão Brandão

 

De acordo com o Instituto Nacional de Educação Especial (INEE), a cada ano que passa o número de alunos com deficiência tende a aumentar. Entre as dezoito províncias, a Huíla lidera, seguida pelo Kwanza Sul e Luanda.

 

Pelo menos 28467 crianças com deficiências foram matriculadas em todo país  no  ano transacto,  sendo que  o maior número, 3354, são provenientes da província da Huíla e o menor da província do Huambo (365 alunos).

Segundo o director do INEE, Jorge Pedro, existem mais  alunos  com  deficiência intelectual (8.237), com deficiência auditiva (6990) e física (3134 ). O grande problema prende-se com as infra- estruturas para atender ao número de alunos com deficiência, que cresce cada vez mais, já que  em todo o país existem apenas 20 escolas, sendo que há províncias nas quais não existe alguma unidade escolar para atender esse tipo de alunos.

As províncias de Cabinda e de Malange não têm escola e com a agravante de em Cabinda, todos os municípios registarem casos de alunos com deficiência. “Essas províncias, não tendo escolas especiais, oferecem os serviços de escolas inclusivas”enfatizou.

A outra preocupação dos educadores é que muita gente ainda pensa que a deficiência é uma doença e, por isso, discriminam os seus portadores. “A deficiência, normalmente, é consequência de alguma doença, logo, não é uma doença. Muitos pais negam colocar o seu filho a estudar com alunos com deficiência, por este motivo, é errado”.

É importante que a na grelha de formação de professores, nos Magistérios Primários, exista uma disciplina de ensino especial, segundo o responsável.

Outro desafio do INEE é a aprovação da lei da língua gestual angolana. Tão logo isso  aconteça, será criada a figura do intérprete de língua gestual, que infelizmente ainda não existe no sistema de emprego angolano.

O atendimento aos alunos superdotados, também conhecidos como pessoas com altas habilidades, constitui também motivo de preocupação.

Os  materiais e equipamentos específicos à população com  deficiência são extremamente caros e não existe coerência na obtenção dos mesmos. O ministério da educação, na medida do possível, tem adquirido e distribuído algum. É um problema que precisa de ser resolvido com urgência, por isso está a ser elaborado o segundo volume do dicionário angolano de língua gestual. Para acrescentar, fez saber que já foram traduzidos os materiais da 1ª a 7ª Classe em braille e aguardam por financiamento para a sua reprodução.

Por seu turno, Fernando Agostinho, quadro do  Ministério do Ensino Superior, disse que os ISCED do Uíge e de Benguela ministram o curso superior de educação especial, do mesmo modo que a universidade Lueji A’Nkonde e a Escola Superior de Saurimo.

Cortesia do jornal O País

 

 

 

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"Molécula gigante"contra Ébola pode ser desenvolvida por cientistas

 

Uma equipa europeia descobriu um método para produzir facilmente uma "molécula gigante" potencialmente capaz de bloquear o vírus Ébola, que já custou mais de 11.000 mortes na África Ocidental, de acordo com um artigo publicado na revista Nature Chemistry.

 

"Conseguimos ultrapassar uma grande barreira, a produção de uma mega- molécula", que pode evitar que o vírus Ébola entre nas células, explica o bioquímico Jean-François Nierengarten, um dos líderes da pesquisa conduzidos em França, Espanha e Bélgica.

Testes in vitro mostraram que esta molécula foi capaz de "colar fortemente" no receptor usado pelo vírus assassino para entrar nas células do corpo humano e, assim, de inibir a infecção, de acordo com Nierengarten que dirige o Laboratório de Química de Materiais Moleculares da Universidade de Estrasburgo e do CNRS.

"É um estudo in vitro e ainda não testamos esta família de mega-moléculas in vivo. Este é o próximo passo", comentou, acrescentando que os testes não mostraram até agora "qualquer toxicidade" para a molécula desenvolvida. Alguns vírus como o Ébola usam um receptor presente na superfície da célula para colar nela e, depois, penetrá-la.

Uma estratégias anti-virais é a utilização de uma molécula inofensiva mas capaz de se fixar fortemente na célula "à maneira de um velcro", para evitar que o vírus entre. "Um grande problema com esta abordagem é a preparação de tais moléculas. Isto é tedioso e é difícil produzir estas moléculas em grande escala", explica o pesquisador. Este trabalho mostra que agora é possível "produzir facilmente" essas moléculas complexas.

Esta pesquisa foi realizada por químicos da Universidade de Estrasburgo e do CNRS, em colaboração com a Universidade Complutense de Madrid, a de Sevilha, na Espanha e de Namur, na Bélgica.

O surto de Ébola na África Ocidental, mais grave desde a identificação do vírus em 1976, deixou cerca de 11.300 mortos em Serra Leoa, Libéria e Guiné desde o final de 2013 e cerca de 27.500 pessoas infectadas.

A Libéria foi declarada livre da infecção no início de Setembro e Serra Leoa foi declarada livre da epidemia no sábado, após 42 dias sem um novo caso.

 

 

 

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OMS alerta sobre a resistência aos antibióticos

 

O aumento da resistência aos antibióticos representa "um imenso perigo para a saúde mundial", informou a directora-geral da OMS, Margaret Chan, apresentando a primeira pesquisa da organização sobre o tema. A resistência, afirmou Chan, "atinge níveis perigosamente elevados em todas as partes do mundo".

 

n Durante conferência de imprensa, ela explicou que cada vez mais os governos reconhecem que este fenómeno será daqui para frente "uma das maiores ameaças para a saúde".

"As super-bactérias rondam os hospitais e as unidades de cuidado intensivo do mundo inteiro", alertou Chan, lembrando que se nada for feito o mundo se dirigirá a uma "era pós-antibiótica, na qual as infecções poderão começar a matar". A pesquisa, publicada em Genebra, revela que qualquer pessoa pode um dia ser infectada por uma infecção resistente aos medicamentos.

A resistência aos antibióticos, também chamada resistência anti-microbiana, ocorre quando uma bactéria evolui e torna-se resistente aos antibióticos utilizados para tratar as infecções, segundo a OMS. Este problema global está principalmente relacionado ao uso excessivo de antibióticos e seu mau uso.

Mas quase metade (44%) das pessoas que participaram da pesquisa, que não pretende ser exaustiva e que foi realizada pela OMS em 12 países, acreditam que a resistência aos antibióticos é um problema apenas para as pessoas que abusam desse tipo de remédio.

Dois terços das pessoas entrevistadas também pensam que não há riscos de infecção resistente aos medicamentos nos indivíduos que tomam correctamente o tratamento antibiótico que foi prescrito.

"Na verdade, qualquer pessoa pode a qualquer momento e em qualquer país ser acometida por uma infecção resistente aos antibióticos", ressaltou a OMS, que lança de 16 a 22 de Novembro a primeira "Semana mundial para o bom uso dos antibióticos".

 

Desafio sanitário

Em Abril passado, a OMS lamentou que os serviços de saúde no mundo não actuem correctamente contra o mau uso dos antibióticos, o que conforta a resistência aos medicamentos e leva a mortes causadas por doenças curáveis.

"Um dos maiores desafios sanitários do século XX, que vai precisar de uma mudança mundial de comportamento por parte dos indivíduos como sociedades", lembrou por sua vez o médico Keiji Fukuda, representante especial do director-geral para a resistência aos anti-microbianos. Para chegar a isso, a OMS quer desmistificar as ideias que circulam sobre o assunto.

Três quartos das pessoas entrevistadas acreditam assim que a resistência aos antibióticos ocorre quando o organismo torna-se resistente aos antibióticos. Na realidade, são as bactérias, e não os seres humanos ou os animais, que tornam-se resistentes aos antibióticos e a sua propagação é a causa de infecções difíceis de tratar.

Para acabar com o fenómeno, a OMS recomenda tomar antibióticos apenas quando são prescritos por um médico, sempre fazer o tratamento até o final do prazo determinado, mesmo que o paciente já se sinta bem, não utilizar antibióticos de uma prescrição anterior e nunca compartilhar antibióticos com outras pessoas.

 

 

 

 

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Os resultados do inquérito permitirão conhecer a realidade do País, em termos de saúde da população, fornecendo ainda outros indicadores sociodemográficos, como qualidade da água, e taxa de natalidade, por exemplo

Inquérito à saúde vai permitir-nos conhecer com rigor a realidade do País

 

A amostra é de 16 mil agregados familiares

Para medir a prevalência do VIH/sida são recolhidas e analisadas amostras de sangue Crianças são medidas, pesadas e o seu sangue analisado para avaliar anemia e malária

 

n  “Os resultados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde de Angola (IIMS) permitirão conhecer a realidade do País, em termos de saúde da população, fornecendo ainda outros indicadores sociais, como a natalidade ou violência doméstica”, assegurou o director-geral do INE, Camilo Ceita, este mês, em conferência de imprensa.

O estudo incide sobre 106 indicadores ligados à saúde, incluindo reprodutiva, métodos contraceptivos, prevalência de violência doméstica, indicadores sociodemográficos, como qualidade da água, e taxa de natalidade, entre outros.

O inquérito – que arrancou no passado dia 19 de Outubro e termina a 20 de Fevereiro de 2016 – é realizado por 28 equipas, com quatro elementos cada. Vai ainda recolher elementos sobre educação, violência conjugal, sexual, física e psicológica, bem como desemprego e consumo de álcool e tabaco.

O inquérito custará nove milhões de dólares norte-americanos. De acordo com o responsável, o Governo despenderá 2,3 milhões, a Agência para o Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID) 4,5 milhões, a UNICEF 2,1 milhões e o Banco Mundial entra com o restante.

O inquérito, explicou, abrange entrevistas a cerca de 16 mil agregados familiares “seleccionados com base na cartografia realizada no ano passado no Censo Geral”. Recorre, pela primeira vez, a um novo modelo de obtenção de dados biométricos, incluindo amostras de sangue.

Camilo Ceita lembrou que Angola tem sido apontada internacionalmente como tendo indicadores sociodemográficos “débeis”– nomeadamente, a mortalidade infantil, infanto-juvenil e materna –, pelo que é importante que as análises não sejam feitas de “forma leviana”. Estes indicadores devem ser avaliados “com inquéritos realizados com intervalos de cinco anos”, defendeu.

O último inquérito de indicadores múltiplos realizado em Angola decorreu em 2006, associado ao Inquérito Integrado sobre o Bem-Estar da População (IBEP), e, desde então, “não se realizou mais nenhum e não tínhamos como calcular nenhum destes indicadores. A recolha do sangue, garantiu, é confidencial, ou seja, o nome das pessoas não será conhecido, uma vez que o objectivo é apenas realizar um tratamento estatístico da informação”.

“O inquérito está a ser feito dentro das normas internacionais e com a Comissão de Ética do Ministério da Saúde”

 

Crianças medidas

e pesadas

A coordenadora da Comissão Técnica do IIMS, Rosa Moreira, explicou que as crianças menores de cinco anos são medidas e pesadas, sendo também recolhidas gotas de sangue para a realização de exames à anemia e malária, através de testes rápidos. "Por exemplo, se tiver a hemoglobina menor do que 8, para além da respectiva anotação, encaminha-se a criança ao hospital", esclareceu. Nos casos dos homens dos 15 aos 54 anos e das mulheres dos 15 aos 49, são recolhidas amostras de sangue para testar o VIH/sida, através de picada no dedo. "Neste caso,  a amostra é enviada para o laboratório central, o que significa que a pessoa não recebe o resultado na hora", referiu.

A Directora Nacional de Saúde Pública, Adelaide de Carvalho, sublinhou a vantagem deste estudo para se conhecer, por exemplo, a realidade da prevalência de VIH/sida no País. “Só temos dados sobre sida através dos rastreios feitos a mulheres grávidas, que depois são extrapolados para a população em geral”, concluiu.

 

 

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Principais indicadores do IIMS

O que vamos ficar a saber

 

1. Características Sociodemográficas

1.1 Índice de dependência total

1.2 Índice de dependência de jovens

1.3 Índice de dependência de idosos

1.4 Índice de envelhecimento

1.5 Índice de masculinidade

 

2 Educação e Ensino

2.1 Proporção da população com 15-24 anos de idade que sabe ler    e escrever – ODM

2.2 Taxa de alfabetização

2.3 Proporção de crianças com 5-18 anos      que nunca frequentaram a escola

2.4 Taxa de matrícula (crianças com 5-18 anos)

2.5 Abandono escolar (crianças com 5-18 anos)

2.6 Taxa líquida de frequência do ensino primário (crianças 6-11 anos)

2.7 Taxa líquida de escolarização no ensino primário     (crianças com 6-11 anos de idade)

2.8 Índice de paridade na escolarização das - ODM

2.9 Índice de paridade na escolarização do ensino primário    (crianças com 6 - 11 anos de idade) - ODM

2.10 Taxa líquida de frequência do ensino secundário     (crianças com 11-18 anos)

2.11 Taxa líquida de escolarização no ensino secundário     (população com 11-18 anos de idade)

2.11 Índice de paridade na escolarização no ensino secundário (crianças com 11-18 anos de idade)

2.12 Razão entre a taxa de escolaridade feminina e masculina    na população com 15-24 anos – ODM

2.14 Razão entre a taxa de frequência escolar de crianças órfãs

 e a taxa de frequência escolar de crianças não órfãs – ODM

 

3 Mortalidade

3.1 Taxa de mortalidade das crianças com 0-30 dias/Probabilidade    de morrer durante o primeiro mês de vida/Mortalidade Neo-Natal

3.2 Taxa de mortalidade Pós-Neonatal/Probabilidade de morrer   entre 1-12 meses de idade/ (Mortalidade Pós-Neonatal

3.3 Taxa de mortalidade das crianças com 0-11 meses     de idade/Probabilidade de morrer durante o primeiro ano    de vida/Mortalidade Infantil – ODM

3.4 Taxa de mortalidade das crianças com 12-59 meses     de idade/Probabilidade de morrer entre 12 -59 meses    de idade/Mortalidade Infanto-juvenil

3.5 Taxa de mortalidade das crianças com 0-59 meses     de idade/Probabilidade de morrer antes de completar    cinco anos de vida/Mortalidade Infanto-Juvenil/ – ODM

3.6 Taxa de Mortalidade Materna – ODM

3.7 Taxa de Mortalidade Global

3.8 Esperança de vida ao nascer

4. Nutrição

4.1 Proporção de nascidos vivos nos dois anos anteriores    ao inquérito que pesou abaixo de 2,500 kg

4.2 Prevalência de mal nutrição em crianças com 0-59 meses

4.3 Prevalência do nanismo nas crianças menores de 5 anos

4.4 Prevalência do marasmo (crianças 0–4 anos)

4.5 Prevalência de baixo peso entre as crianças com 0-4 anos

4.6 Proporção de crianças que foram amamentadas     nas primeiras 24 horas após o parto

4.7 Proporção de crianças menores de dois anos não amamentadas

4.8 Prevalência do aleitamento materno exclusivo nas crianças    com menos de 6 meses

4.9 Proporção de crianças menores de 6 meses amamentadas    e bebendo somente água

4.10 Taxa de amamentação continuada      (crianças com 12-15 meses e 20-23 meses)

4.11 Prevalência da alimentação de leite nas crianças     não amamentadas com 6-23 meses

4.11 Proporção de crianças menores de dois anos amamentadas    e consumindo alimentos complementares/Taxa de alimentação    complementar

4.12 Proporção de crianças com 0-12 mesess alimentadas    através do biberão

4.14 Proporção de crianças com 6-59 meses que tomaram dose elevada   de Vitamina A/Cobertura do Suplemento de Vitamina A    nas crianças com 6-59 meses

4.15 Proporção de mulheres com 15-49 anos com parto nos últimos   12 meses que tomaram dose elevada de Vitamina A/Cobertura    do Suplemento de Vitamina A nas grávidas com 15-49 anos

4.16 Proporção de recém-nascidos de baixo peso ao nascer    (abaixo de 2,500 kg)

4.17 Proporção de crianças com 6-59 meses que receberam    desparasitantes

4.18 Proporção de agregados que consomem sal ionizado

 

5. Saúde Infantil

5.1 Cobertura vacinal contra BCG, Pólio 3, DTP 3, Sarampo,    Febre-Amarela e Hepatite B (crianças com 0-12 meses e 12-23 meses)

5.2 Proporção de crianças com 0-59 meses que tiveram diarreia nas duas   últimas semanas/Prevalência de diarreia nas crianças com 0-59 meses

5.3 Proporção de crianças com 0-59 meses que tiveram diarreia    nas duas últimas semanas e tomaram Soro de Reidratação    Oral (SRO) ou outra solução caseira apropriada

5.4 Proporção de crianças com 0-59 meses      com diarreia nas últimas duas semanas que tomaram

 SRO e que continuaram a ser alimentadas durante     a ocorrência da diarreia

5.5 Proporção de crianças com 0-59 meses com Infecção Respiratória   Aguda (IRA) nas duas últimas semanas

5.6 Proporção de crianças com 0-59 meses com IRA nas duas últimas   semanas e que receberam tratamento adequado

5.7 Proporção de crianças com 0 -59 que dormiram protegidas por uma   rede de mosquiteiro tratada com insecticida de longa duração    durante a noite anterior a entrevista

5.8 Proporção de crianças menores de 5 anos que tiveram febre nas duas   últimas semanas e que tomaram antimaláricos apropriados (ACT).

5.9 Proporção de crianças menores de 5 anos doentes com febre    e que receberam tratamento com antimaláricos (ACT) no mesmo   dia ou no seguinte ao início da febre

5.10 Prevalência da anemia moderada nas crianças de 6-59 meses

5.11 Prevalência da anemia grave nas crianças de 6-59 meses

5.11 Proporção de nascimentos ocorridos nos últimos 5 anos    protegidos contra tétano neonatal

5.11 Proporção de grávidas com 15-49 anos de idade que dormiram    debaixo de uma rede de mosquiteiro tratada com insecticida durante   a noite anterior ao inquérito

5.12 Prevalência da malária nas crianças com 6-59 meses

 

6. Fecundidade e Saúde Reprodutiva

6.1 Proporção de mulheres com 15-24 anos de idade actualmente    casadas ou em união de facto

6.2 Proporção de mulheres com 15-24 anos de idade, casadas ou em   união de facto, cujos parceiros são 10 ou mais anos mais velhos

6.3 Proporção de homens com 18 ou mais anos de idade que vivem   com mais de uma esposa

6.4 Taxa de fecundidade na adolescência (mulheres com 15-19 anos)

6.5 Proporção de mulheres que iniciaram a procriação antes dos 18 anos   (entre as mulheres de 25 anos ou mais)

6.6 Taxa de fecundidade (total, específica e na adolescência)

6.7 Idade mediana ao nascimento do primeiro filho

6.8 Proporção de mulheres com 15-49 anos que utilizam

 ou os parceiros  usam algum método contraceptivo

6.9 Proporção de mulheres com 15-49 anos com necessidades    de planeamento familiar não atendidas

6.10 Prevalência de gravidez indesejada

6.11 Proporção de nascimentos nos últimos cinco anos, cujas mães estavam   protegidas pelo tratamento preventivo da malária (tomaram 2    ou mais doses de SP/Fansidar durante a última gravidez)

6.11 Proporção de mulheres com 15-49 anos que fizeram 4 ou mais    consultas pré-natal durante a última gravidez

6.12 Proporção de mulheres com 15-49 anos com filhos nascidos vivos   nos últimos 12 meses, atendidas por pessoal de saúde qualificado   nas consultas de pré-natal,

6.14 Proporção de mulheres com 15-49 anos com filhos nascidos vivos   nos últimos 12 meses em unidades institucionais de saúde

6.15 Proporção de mulheres com 15-49 anos com filhos nascidos vivos   nos últimos 12 meses, cujos partos foram assistidos por pessoal   de saúde qualificado – ODM

6.16 Proporção de mulheres com 15-49 anos que dormiram debaixo   de uma rede de mosquiteiro tratada com insecticida de longa    duração durante a noite anterior ao inquérito

6.17 Idade mediana da 1ª relação sexual (15-49 anos de idade)

6.18 Taxa de prevalência de contraceptivos

6.19 Proporção de mulheres com 15-49 anos com filhos nascidos vivos   nos últimos 5 anos, que fizeram 4 ou mais consultas de pré-natal,   por pessoal de saúde qualificado

6.20 Proporção de mulheres com 15-49 anos de idade, com filhos    nascidos vivos nos últimos 5 anos, protegidas contra tétano neonatal

6.21 Proporção de mulheres com 15-49 anos de idade, com filhos nascidos   vivos nos últimos 5 anos, cujos partos foram assistidos por pessoal   de saúde qualificado

6.22 Proporção de mulheres com 15-49 anos de idade, com filhos nascidos   vivos nos últimos 5 anos, cujo parto foi por cesariana

7. Direito das Crianças

7.1 Proporção de crianças com 0-17 anos de idade órfãs

 de pai ou de mãe (Taxa de orfandade)

7.2 Proporção de crianças com 0-17 anos de idade

 que não vivem com os pais biológicos

7.3 Razão entre a frequência escolar das crianças

 com 10-14 anos de idade órfãs de ambos os pais     e a frequência escolar das crianças não que vivem     com pelo menos um dos pais

7.4 Proporção de crianças com 0-5 anos sem registo de nascimento

7.5 Proporção de crianças com 5-14 anos envolvidas em trabalho infantil

7.6 Proporção de crianças com 5-14 anos de idade envolvidas em    actividades de trabalho infantil e a frequentar a escola

 

8 VIH e SIDA

8.1 Proporção da população com 15-24 anos de idade que identificaram   correctamente as principais formas de transmissão e prevenção   do VIH  e rejeitaram as formas falsas sobre a transmissão    do VIH - ODM

8.2 Proporção da população com 15-49 anos de idade que demonstraram   atitudes de estigma para com as pessoas com VIH/SIDA.

8.3 Proporção da população com 15-24 anos de idade que teve a    primeira relação sexual antes dos 15 anos de idade

8.5 Proporção da população com 15-49 anos que     reportaram ter  tido múltiplos parceiros sexuais     nos últimos 12 meses

8.6 Proporção da população com 15-49 anos     de idade que teve mais de um parceiro(a) sexual    nos últimos 12 meses e usou preservativo na última relação sexual

8.7 Proporção da população com 15-49 anos de idade, que fez teste   do VIH nos últimos 12 meses e receberam os resultados

8.8 Proporção de mulheres com 15-49 anos de idade, com filhos nascidos   vivos nos últimos 5 anos que receberam aconselhamento sobre   o VIH e SIDA durante as consultas de pré-natal

8.9 Proporção de mulheres com 15-49 anos com filhos nascidos vivos   nos últimos 5 anos, que receberam aconselhamento e testagem    sobre o VIH e SIDA durante as consultas de pré-natal

8.10 Proporção de mulheres com 15-49 anos de idade, com filhos nascidos   vivos nos últimos 5 anos que fizeram o teste do VIH e SIDA durante   as consultas de pré-natal

 

9. Violência Doméstica

9.1 Proporção de mulheres de 15-49 anos de idade alguma vez casados   ou em união marital que já sofreram violência conjugal alguma vez   ou durante os 11 últimos meses

9.2 Proporção de mulheres de 15-49 anos      de idade alguma vez casados ou em união marital     que já sofreram de violência emocional alguma     vez ou durante os 11 últimos meses

9.3 Proporção de mulheres de 15-49 anos de idade alguma vez casados   ou em união marital que já sofreram de violência física alguma vez   e durante os 11 últimos meses

9.4 Proporção de mulheres de 15-49 anos de idade alguma vez casados   ou em união marital que já sofreram de violência sexual alguma vez   e durante os 11 últimos meses

9.5 Idade média à primeira agressão sexual

 

10. Uso de Álcool e de Tabaco

10.1 Proporção da população com 15-49 anos     que consome bebidas alcoólicas

10.2 Proporção da população que consumiu      bebidas alcoólicas antes dos 15 anos

10.3 Proporção da população com 15 anos ou mais que fuma cigarro   ou cachimbo

10.4 Proporção da população que consumiu cigarro ou cachimbo    antes dos 15 anos

 

11. Acesso a Habitação, Água e Saneamento Básico

11.1 Proporção de agregados familiares chefiados por mulheres

11.3 Média de pessoas por agregado familiar

11.4 Proporção de agregados familiares com acesso a electricidade

11.5 Proporção de agregados familiares que possuem pelo menos uma   rede de mosquiteiro tratada com insecticida

11.6 Proporção de agregados familiares, cujas habitações foram    pulverizadas com insecticida de efeito residual durante    os últimos 12 meses

11.7 Proporção da população que usa uma      fonte apropriada de água para beber – ODM

11.81 Proporção da população que usa uma instalação sanitária    apropriada – ODM

11.9 Proporção de agregados familiares que utilizam combustível sólido   para cozinhar - ODM

11.10 Proporção de agregados familiares com um lugar apropriado para   a lavagem das mãos

 

12. Uso das Tecnologias      de Informação e Comunicação - TIC

12.1 Proporção da população com acesso ao telefone     da rede fixa

12.2 Proporção da população com acesso ao telefone da rede móvel

 

 

 

 

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A malária é um problema de saúde pública e constitui a principal causa de internamentos e mortes, sobretudo de crianças menores de cinco anos de idade e mulheres grávidas

Técnicos de saúde aprimoram conhecimentos

em Quiculungo

 

Vinte técnicos dos vários postos de saúde do município de Quiculungo, província do Cuanza Norte, participaram, este mês, num seminário de capacitação técnica sobre o novo método de diagnóstico, tratamento e gestão do programa da malária.

 

A acção formativa, promovida pela Direcção Provincial da Saúde, em parceria com a organização humanitária “World  Vision”, teve a duração de três dias e abordou matérias sobre a nova fórmula do tratamento e gestão da malária simples e grave.

A cerimónia de abertura foi orientada pelo administrador municipal adjunto, António Victorino Watica, que adiantou, na ocasião, que a malária é uma doença dinâmica, dada a constante mutação do plasmódio, tendo como consequência a resistência deste parasita aos fármacos, razão pela qual, aconselha-se a superação permanente dos técnicos, com vista fortalecer os conhecimentos e contornar a situação.

Pediu aos formandos maior empenho e dedicação no sentido de absorverem os conhecimentos a serem transmitidos, de maneira a corresponderem com as novas exigências do diagnóstico e tratamento do paludismo.

Por sua vez, o supervisor provincial do Programa de Luta contra a Malária, Gonçalves Tandala, salientou que o perfil desta doença, ao longo do ano, tem tendência a aumentar, facto que leva o sector da saúde na província e parceiros, a envidarem esforços para se inverter o quadro.

Gonçalves Tandala declarou que a malária é um problema de saúde pública e constitui a principal causa de internamentos e mortes, sobretudo de crianças menores de cinco anos de idade e mulheres grávidas.

Com uma rede sanitária constituída por um hospital municipal, oito postos de saúde e um centro de tratamento de doenças infectocontagiosas, o município do Quiculungo registou, durante o terceiro trimestre deste ano,  1.019 casos de malária.

 

 

 

 

 

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Álvaro Zita Viegas   Médico, com o curso de especialização em gestão da saúde, anterior director municipal da saúde, recordou que, até 2009, “a circunscrição tinha como unidade sanitária de referência um centro de saúde que funcionava numa residência adaptada, assegurada por apenas um médico, cerca de 10 enfermeiros e registava uma gritante falta de unidade sanitárias nas zonas rurais, situação que dificultava o atendimento ao público”

Ambaca assinala ganhos da independência no sector da saúde

 

O director municipal da saúde de Ambaca, Cuanza Norte, Caetano José Miguel, assinalou este mês, em Camabatela (sede municipal), o crescimento do sector da saúde nos domínios de infraestruturas e recursos humanos durante os 40 anos de independência nacional, o que permitiu assegurar a assistência médica de qualidade às populações.

 

Em declarações a propósito dos ganhos da independência, Caetano José Miguel, apontou a construção do novo hospital municipal, completamente equipado com tecnologia de ponta, como um dos principais ganhos do sector registado nesse período, o que tem permitido prestar assistência humanizada e condigna aos munícipes.

Sublinhou que a unidade sanitária com múltiplas valências possui uma capacidade de internamento de 70 pacientes e dispõe de serviços como pediatria, gineco-obstetrícia, oftalmologia, cirurgia, ortopedia, diagnóstico por imagem, raio X, entre outros, que permitem a realização das pequenas e grandes cirurgias.

“Ate 2009 a circunscrição tinha como unidade sanitária de referência um centro de saúde que funcionava numa residência adaptada assegurada por apenas um médico e uns 10 enfermeiros e registava-se uma gritante falta de unidade sanitárias nas zonas rurais, situação que dificultava o atendimento ao público”, disse Álvaro Zita Viegas, director municipal da saúde entre os anos 2002 a 2009.

Este médico lembrou que naquela altura o município não dispunha de ambulância para a evacuação de doentes e a unidade sanitária não tinha iluminação pelo que o funcionamento no período nocturno, sobretudo em casos de emergências, era feito à luz de velas, facto que já não se regista nos dias actuais, visto que a nova unidade já conta com ambulâncias e é abastecido de água e energia eléctrica 24/24 horas.

Com uma população calculada em 60.835 habitantes, o município de Ambaca conta actualmente com uma rede sanitária constituída por um hospital municipal e 10 postos de saúde espalhados nas quatro comunas, construídos pelo governo à luz do programa de municipalização dos serviços de saúde que têm permitido a expansão da rede sanitária em todo o município

A rede sanitária do município é presentemente, assegurada por 10 médicos e 50 enfermeiros, fruto do reforço da capacidade do sector em termos de recursos humanos, acrescentou o director municipal de Ambaca da Saúde, Caetano José Miguel.

 

 

 

 

 

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Cidadãos do Quiculungo aconselhados a aderirem os testes de VIH/Sida

 

O apelo foi feito pelo ponto focal do Instituto Nacional de Luta contra o Sida, Domingos Garcia Xita, durante uma palestra que orientou, no comando municipal da Polícia Nacional, subordinado ao tema “Reflexão sobre o VIH/Sida, que antecipou a abertura das jornadas comemorativas alusivas ao Dia Mundial da Luta Contra a Sida, a celebrar a 1 de Dezembro.

Referiu que cada indivíduo deve realizar periodicamente, de três em três meses, testes voluntários com a finalidade de conhecer o seu estado serológico e tomar medidas cautelares em relação a doença.

Por outro lado, declarou que o teste é gratuito e secreto, o resultado é apenas do domínio do técnico ligado ao centro de aconselhamento e testagem voluntário (CATV) e do utente.

Domingos Garcia Xita pediu a solidariedade da sociedade para com os portadores da doença, por forma a não se sentirem discriminados.

Durante a palestra foram ainda abordadas as formas de contágios, manifestações e prevenção da doença.

Actividades do género vão decorrer noutras instituições e locais de maior aglomerado populacional, para sensibilizar e consciencializar os cidadãos, sobre o perigo que representa a enfermidade.

O CATV do hospital municipal do Quiculungo, criado em 2008, diagnosticou, até ao momento, 47 casos de VIH. Destes, oito pessoas portadoras do vírus da Sida são residentes que beneficiam de assistência médica com terapia antirretroviral.

Com uma superfície de 475 quilómetros quadrados, o município de Quiculungo tem uma população de 10.060 habitantes, distribuídos por 29 aldeias.

A sua sede, vila de Quiculungo, dista 138 quilómetros de Ndalatando, capital da província do Cuanza Norte.

 

 

 

 

 

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Directora administrativa, Marta Ngueve

“Com a entrada em funcionamento de novos serviços e equipamentos estamos a trilhar uma nova era, comprometidos com o bem servir os nossos pacientes. Mas necessitamos de mais médicos e enfermeiros”

Hospital Regional da Gabela

Novos serviços elevam capacidade de atendimento ao público

 

 

Casimiro José

Correspondente no Cuanza Sul

Texto e fotografias

 

O Hospital Regional da Gabela, no município do Amboim, no Cuanza Sul, conta,  a partir do corrente mês, com novos serviços, elevando assim a sua capacidade de atendimento ao público da região e áreas limítrofes.

 

Com o corte da fita pelo Governador da província, Eusébio de Brito Teixeira, no quadro das comemorações dos 40 anos da independência nacional, assinalado a 11 de Novembro, entrou em funcionamento o banco de urgências, reabilitado e ampliado, equipado com meios modernos, como camas, monitores, aspiradores e sondas, que vai prestar assistência primária de medicina, pediatria e traumatologia. Ao mesmo tempo, a unidade hospitalar ganhou um laboratório de análises clínicas, construído de raiz,  equipado com aparelhos de bioquímica e de hemograma, capazes de efectuarem exames de ureia, glicémia, colesterol, hemoglobina, leucócitos, plaquetas e fórmula leucocitárias.

O laboratório, que funciona com dez técnicos, tem a capacidade de atender 35 pacientes por dia em condições normais. Foram igualmente  inaugurados novos serviços, nomeadamente o consultório de psicologia clínica, a funcionar pela primeira vez ao nível da província, e o Gabinete de Assistência e Testagem Voluntária (GATV).

A directora administrativa do Hospital regional da Gabela, Marta Ngueve, disse ao Jornal da Saúde que a entrada em funcionamento de novos serviços traduz inovação para bem servir os pacientes. “Com a entrada em funcionamento de novos serviços e equipamentos estamos a trilhar uma nova era, comprometidos com o bem servir os nossos pacientes”, garantiu.

Marta Ngueve salientou que o hospital regional da Gabela enfrenta carências de médicos nas especialidades de gineco-obstectrícia e clínica geral para fazer face à procura na região. Pela sua localização geográfica atende casos provenientes dos municípios limítrofes. “O hospital regional da Gabela tem um carácter regional, porque recebe pacientes não só do município anfitrião, como também dos limítrofes, como Quilenda, Ebo e Conda, por isso deve ser reforçado com mais equipamentos e pessoal médico”, defendeu Marta Ngueve.

 

Instalações clamam por uma reabilitação profunda

Marta Ngueve disse ao Jornal da Saúde que a unidade hospitalar há muito que não recebe obras de reabilitação e com as chuvas frequentes que se abatem na região o estado das suas infraestruturas está a deteriorar-se consideravelmente, principalmente no seu tecto. “Nós temos um hospital com paredes intactas, mas o seu tecto apresenta fissuras, que, nas épocas chuvosas, deixa penetrar água para dentro, situação que nos incomoda e complica o atendimento aos pacientes”, disse.

 Marta Ngueve disse que com a deterioração de algumas salas por causa das águas das chuvas que penetram no interior, a unidade hospitalar dispõe actualmente apenas de 150 camas para internamento, das 250 camas da sua capacidade potencial.

 

Falta de técnicos

Outra preocupação apontada pela directora administrativa do hospital regional da Gabela tem a ver com o reduzido número de técnicos de saúde, de médicos e outros especialistas para atenderem à demanda. “Temos grandes desafios que apontam para o aumento de mais médicos, elevação da capacidade técnica, diversificar os serviços e melhorar a assistência médica e medicamentosa e humanizada, por isso são necessários mais recursos humanos e equipamentos”, frisou.

 Apesar dos constrangimentos conjunturais que afectam a instituição, Marta Ngueve considerou satisfatória a prestação do Hospital Regional da Gabela, salientando que estão operacionais os serviços de medicina geral, gineco-obstectrícia, radiologia, estomatologia, ortopedia, cirurgia, laboratório e hemoterapia, entrando brevemente em cena os serviços de fisioterapia e imagiologia.

 Quanto aos recursos humanos, o hospital conta com cinco médicos, 60 técnicos de diagnóstico e terapêutica e 66 enfermeiros de vários escalões.

Quanto ao pessoal auxiliar, a directora administrativa considerou preocupante, contando com dois catalogadores, igual número de porteiros, um maqueiro e uma vigilante.

 

Falta de médicos e enfermeiros

 A directora administrativa adiantou que o hospital regional da Gabela necessita com urgência de médicos para atenderem as áreas de obstectrícia, cirurgia e ortopedia. No cômputo geral, a unidade hospitalar necessita de mais 300 enfermeiros e 25 médicos.

Sobre os desafios do presente e do futuro, Marta Ngueve adiantou que, entre as acções previstas, pretende-se incrementar a formação técnica dos enfermeiros e outros técnicos, e garantir a humanização dos serviços aos pacientes.

 

 

 

 

 

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Aprovado quadro orgânico do HospitalRegional da Gabela

 

 

O administrador municipal do Amboim, Francisco Manuel Mateus, garantiu ao Jornal da Saúde que a aprovação, este ano, do estatuto orgânico do hospital regional da Gabela constitui um passo importante para a gestão da unidade hospitalar. Referiu que as condições estão criadas para adequar os recursos humanos à altura das necessidades do momento. “Estamos felizes com a aprovação do estatuto orgânico do hospital regional da Gabela, pois assim temos a protecção legal que nos permite recrutar o pessoal, de acordo com as nossas necessidades”, disse.

 Francisco Manuel Mateus garantiu que administração que dirige vai continuar a priorizar o sector da saúde  com a execução de programas e projectos que visem melhorar a assistência médico-medicamentosa no município.

 Entre as acções programadas, o administrador municipal do Amboim anunciou a reabilitação dos hospitais municipais da sede e da Boa Entrada, dando continuidade aos trabalhos de manutenção dos equipamentos fornecidos nas unidades hospitalares.

O Município do Amboim tem uma superfície de 1.027 quilómetros quadrados e conta com uma população estimada em 241.471 habitantes. Administrativamente está dividido por duas comunas, sendo a sede e a do Assango, com três áreas administrativas, nomeadamente, Salinas, Honga e Boa Entrada (EX-CADA).

 

 

 

 

 

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Um grupo de 23 estudantes da pós-graduação em direito de petróleo e gás (LLM) da Universidade Agostinho Neto (UAN) visitou, no final de Novembro, as instalações da BP Angola nas Torres do Carmo, em Luanda, no quadro do apoio que a petrolífera presta à Faculdade de Direito, desde 2007

Tânia Avelino “A sociedade pode esperar de mim uma profissional empenhada e dedicada em mostrar o que aprendi na formação e contribuir com os meus conhecimentos para o crescimento do país. A visita feita à BP permitiu-me enquadrar os ensinamentos teóricos que obtive com a prática profissional”

O objectivo do apoio consiste em formar profissionais angolanos para servir adequadamente os interesses da indústria petrolífera e do Estado, a fim de tornar os contratos de partilha de petróleo benéficos para todos

Apoio da BP Angola à Universidade Agostinho Neto forma quadros úteis ao país

 

 

Francisco Cosme com João Damasceno

 

Alunos da pós-graduação em direito de petróleo e gás, da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, visitam as instalações da petrolífera.

 

Um grupo de 23 estudantes da pós-graduação em direito de petróleo e gás (LLM) da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto (UAN) visitou no final do mês de Novembro, as instalações da BP Angola nas Torres do Carmo. A visita enquadrou-se no âmbito do apoio que a BP Angola presta, desde 2007, à Faculdade de Direito da UAN ao programa de pós-graduação (LLM) em direito de petróleo e gás.

O Vice-Presidente para área de Comunicação e Relações Externas da BP Angola, Paulo Pizarro, lembrou aos estudantes que o objectivo do apoio consiste em formar profissionais angolanos para servir adequadamente os interesses da indústria petrolífera e do Estado angolano, a fim de tornar os contratos de partilha de petróleo benéficos para todos. Paulo Pizarro aproveitou também para partilhar com os futuros especialistas os valores que regem a BP Angola e, sobretudo, as principais operações em curso no país.

Já o Director de Sustentabilidade e Relações Públicas, Adalberto Fernandes, acrescentou que a visita dos estudantes marca o bom nível de relação que a BP Angola desenvolve com a sociedade angolana, especialmente com as instituições de ensino superior. Para esta petrolífera o apoio na área de educação é de extrema importância, pelo facto de a educação ser o pilar da edificação do país.

Os apoios da BP ao ensino superior não ficam só pela pós-graduação em direito de petróleo e gás. A BP patrocina também o mestrado em gestão e governança ambiental da Faculdade de Ciências, além dos apoios à Faculdade de Medicina na aquisição de equipamentos e à Faculdade de Engenharia da UAN, lembrou o responsável.

 

Formação profissional

e vocacional

Segundo Adalberto Fernandes o apoio à educação não se fica somente pelo ensino superior. A BP está neste momento a investir em projectos de formação profissional e vocacional. Com outros parceiros, nomeadamente com a Sonangol, está envolvida na construção de escolas rurais.

Os estudantes tiveram ainda a oportunidade de ficar a conhecer os investimentos que a BP Angola tem feito ao longo dos últimos anos no capital humano, nos projectos de responsabilidade social que tem desenvolvido com as diversas comunidades e, ainda, o que têm feito a nível do ambiente.

Tânia Avelino, estudante da pós-graduação em direito de petróleo e gás, no final da visita disse que a sociedade pode esperar de si uma profissional empenhada e dedicada em mostrar o que aprendeu na formação e contribuir com os seus conhecimentos para o crescimento do país. Acrescentou que a visita feita à BP lhe permitirá enquadrar os ensinamentos teóricos que obteve com a prática profissional.

 

 

 

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Adalberto Fernandes “A visita dos estudantes marca o bom nível de relação que a BP Angola desenvolve com a sociedade, nomeadamente com as instituições de ensino superior”

Marcha pela Diabetes

Faça exercício, combata a obesidade, corte nos doces,sal, equilibre a alimentação e meça a tensão arterial

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

No dia 14 de Novembro comemorou-se o Dia Mundial da Diabetes. Esta doença constitui já um problema de saúde pública inserindo-se no grupo das doenças crónicas não transmissíveis estando relacionada com os estilos de vida não saudáveis. “O número de pessoas que padece desta doença está a aumentar em Angola”, afirmou a Directora Nacional de Saúde Pública, Adelaide de Carvalho, por ocasião da marcha de comemoração deste dia realizada na capital. O evento, promovido pelo Ministério da Saúde e subordinada ao lema “Contra a Diabetes, Excesso de Peso e Obesidade, Mexe-te Angola” percorreu a Avenida 4 de Fevereiro e terminou no Banco Nacional de Angola.

 

Não existe ainda um sistema que permita apurar o número exacto de diabéticos no país. “Existem várias unidades hospitalares, quer do nível primário, quer do secundário e terciário que cuidam da assistência destas pessoas que possuem a doença em todo o país. Estamos a trabalhar arduamente, quer na promoção da saúde, quer no conhecimento da diabetes e na forma de prevenção de forma a influenciar as pessoas a controlar a glicémia (níveis de açúcar no sangue) e a cumprir as orientações dos profissionais de saúde”, acrescentou.

 

Ainda existe um grande desconhecimento por parte da população relativamente a esta doença sendo que muitos pacientes não estão devidamente diagnosticados. A partir do momento em que recebem o diagnóstico é importante que aceitem a nova condição e que tenham os devidos cuidados relativamente à diabetes, como a medição dos níveis de açúcar no sangue, bem como a adopção de medidas preventivas estabelecidas para controlo da doença. “Os factores de risco associados à diabetes são a obesidade, o sedentarismo, a hipertensão arterial e a alimentação pouco equilibrada”, explicou a responsável. Por sua vez, o Bastonário da Ordem dos Médicos de Angola, Carlos Alberto Pinto de Sousa, reforçou que a marcha pelo Dia Mundial da Diabetes serviu como “agente catalisador para alertar a sociedade sobre a prevenção da diabetes e a adopção de estilos de vida saudáveis, como uma boa alimentação e a prática de exercício físico que contribuem para a melhoria da saúde geral dos angolanos”. Só assim é possível controlar melhor a doença neste país. “Face ao aumento de casos de pessoas portadoras de diabetes, o colégio da especialidade da Ordem dos Médicos médicos decidiu fazer acções formativas de forma a ser actualizado o conhecimento desta doença”, salientou. Antes do início do evento propriamente dito, foi possível aos participantes medirem a sua glicémia, bem como assistirem a palestras sobre a doença.

 

 

 

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Detectar a pré-diabetes para prevenir a diabetes de tipo 2

 

João Guerra

Medical Advisor

(Chevron Clinic – Luanda)

Assistente Graduado de Medicina Interna

Mestre em Gestão da Doença

joaoluisguerra17@gmail.com

 

De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) existem actualmente no mundo cerca de 387 milhões de diabéticos, dos quais 80% se encontram nos países  de médio e baixo rendimento. As projecções da Organização Mundial da saúde (OMS) apontam para uma duplicação daquele número em 2030, ou seja, daqui a escassos 15 anos. A missão desta prestigiada organização tem sido a de alertar para a prevenção da diabetes, sempre que possível e, onde e quando tal não for possível, desencadear esforços concertados para minimizar as complicações e maximizar a qualidade de vida. Em perfeita consonância com esta missão, a OMS define as normas e os padrões de cuidados  para estes doentes, promove a vigilância, encoraja a prevenção, aumenta o nível de consciência e da necessidade de se reforçar a prevenção e o controlo da doença por parte das autoridades e dos profissionais da saúde. Este artigo alinha-se por este diapasão e tem como público alvo, não apenas o leitor leigo, mas também as diferentes classes de profissionais da saúde.

 

Características dos tipos de  diabetes

A diabetes é uma doença crónica que ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente para satisfazer as necessidades nutricionais da pessoa, ou quando o corpo não consegue usar eficazmente a insulina que produz. Neste caso desenvolve-se a diabetes de tipo 2, também conhecida como diabetes não insulinodependente, ou diabetes do adulto, que representa mais de 90% dos casos de diabetes.

A diabetes de tipo 1, conhecida como insulino dependente, ou de início na juventude, como o próprio nome indica, resulta da completa ausência de produção de insulina pelo pâncreas, dependendo a sobrevivência da administração de insulina injectável para toda a vida. Infelizmente, até ao presente, não há conhecimento de meios que possam prevenir a diabetes de tipo 1, ao contrário do que se passa com a diabetes de tipo 2.

A insulina é a hormona que regula o metabolismo do açúcar. A hiperglicémia, ou o açúcar elevado no sangue, é o resultado final de uma diabetes não controlada e que, se esse descontrolo se prolongar ao longo de vários anos, acaba por conduzir ao aparecimento de lesões graves em muitos órgãos do corpo, como o coração, os olhos, os rins, os nervos e os vasos sanguíneos, conduzindo à instalação de doenças crónicas e a  mortes prematuras.

Duas diferenças importantes entre estes dois tipos de diabetes devem ser realçadas,  porque têm implicações nas políticas de prevenção e controlo. Enquanto que a diabetes de tipo 1 resulta da interacção de factores auto-imunes e ambientais, não controláveis, a diabetes de tipo 2 tem, subjacentes, factores genéticos e ambientais/ comportamentais como a inactividade física e o excesso de peso, ambos modificáveis através de mudanças de comportamento, tornando a diabetes de tipo 2 uma doença potencialmente prevenível.

 

Aspectos epidemiológicos

Muitos países estão a documentar um número elevado de casos diagnosticados de diabetes de tipo 1, com um padrão semelhante a epidemias de doenças infecciosas, particularmente entre os mais jovens.

Facto mais preocupante, porém, é a recente identificação de um crescente número de casos de diabetes de tipo 2 em crianças e adolescentes, de tal magnitude que, nalgumas partes do globo a diabetes de tipo 2 está a tornar-se o tipo de diabetes com maior prevalência entre as crianças. O aumento global da obesidade e da inactividade física na infância desempenha, seguramente  um papel crucial neste processo. Embora os relatos em África sejam ainda escassos, a diabetes de tipo 2 está a ser reportada em crianças e adolescentes neste continente, devido à ocidentalização dos estilos de vida.

Neste contexto, se os decisores políticos da saúde se deixarem vencer pela inércia e nada fizerem, este sério problema de saúde populacional, vai atingir proporções  incontroláveis nos próximos anos. O marketing social nas escolas, focalizado na promoção da educação para a saúde e estilos de vida saudáveis que incorporem uma dieta equilibrada e incentivos à actividade física regular para manter o peso adequado, pode ser um dos melhores antídotos contra o aumento da prevalência desta doença.  A recomendação para a medição da glicémia a todas as crianças obesas e com história familiar de diabetes de tipo 2 nos postos e centros de saúde deve tornar-se mandatória. Sabemos que a efectividade destas intervenções aumenta substancialmente se forem integradas  num programa nacional.

 

Os sintomas de alerta na diabetes de tipo 1 e 2

Os sintomas incluem a eliminação excessiva de urina(poliúria), sede (polidipsia), fome constante (polifagia), por vezes compulsiva, perda de peso, alterações na visão e fadiga. Estes sintomas podem ocorrer de repente, o que acontece, tipicamente, na diabetes de tipo 1.

Os sintomas na diabetes de tipo 2 podem ser semelhantes aos da diabetes tipo 1. Mas, geralmente, são menos acentuados e, algumas vezes, insidiosos e noutras é completamente silenciosa. Como resultado, a doença pode ser diagnosticada vários anos após o início, podendo os primeiros sintomas resultar de complicações, entretanto, já estabelecidas. Como acima se referiu, até recentemente, este tipo de diabetes era visto apenas em adultos, mas, actualmente, verifica-se também em crianças e adolescentes.

A diabetes gestacional

As mulheres grávidas que nunca tiveram diabetes antes, mas que desenvolvem níveis elevados de glucose no sangue durante a gravidez têm uma diabetes gestacional. De acordo com uma análise de2014 pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, a prevalência de grávidas com diabetes gestacional atinge os9,2%. Nós não sabemos o que causa a diabetes gestacional, mas existem algumas pistas.Com efeito, a placenta suporta o feto enquanto ele cresce e as suas  hormonas contribuem para o seu desenvolvimento. Mas essas hormonas também bloqueiam a acção da insulina da mãe no corpo do feto, sendo este fenómeno designado por resistência à insulina, a qual pode levar o corpo da mãe a uma deficiente utilização da insulina. Assim, a mãe pode necessitar até três vezes mais quantidade de insulina para o corpo poder utilizar a glicose para a produção  de energia. A diabetes gestacional começa quando o corpo da mãe não é capaz de produzir e/ou e utilizar toda a insulina de que necessita para a gravidez. Sem insulina suficiente, a glicose não é consumida pelas células e acumula-se no sangue atingindo níveis elevados (hiperglicémia). A diabetes gestacional não tratada ou mal controlada pode prejudicar o desenvolvimento do feto. Na grávida com diabetes gestacional, o pâncreas trabalha para produzir um hiperinsulinismo compensatório, mas a insulina não consegue fazer baixar os seus níveis de glicose no sangue, por causa da resistência. Embora a insulina não atravesse a placenta, a glicose e os outros nutrientes atravessam-na, expondo o feto a uma oferta exagerada de calorias da glucose, contras as quais ele não tem meios para se defender. Assim, as calorias em excesso são armazenadas como gordura corporal, o que pode levar ao exagerado ganho de peso do feto, resultando na conhecida macrossomia (bebés grandes à nascença, geralmente com mais de 4 kg de peso).

Os sintomas da diabetes gestacional são semelhantes aos da diabetes de tipo 2, mas, ela é mais frequentemente diagnosticada através de testes de despiste pré-natal do que pelos sintomas referidos.

 

O diagnóstico da pré-diabetes

Há várias formas de se diagnosticar a diabetes. Cada um dos métodos utilizados, geralmente, necessita de ser repetido uma segunda vez para se confirmar o diagnóstico de diabetes. Os testes devem, idealmente,  ser realizados no contexto dos serviços de saúde (públicos ou privados), quer nos consultórios médicos, quer nos laboratórios.  A detecção de um valor muito alto de glucose no sangue ou a presença dos sintomas clássicos acima descritos, associados a um teste positivo, pode dispensar a realização de um segundo teste para diagnosticar a diabetes.

 

A hemoglobina A1c

O teste da hemoglobina A1c glicada (HbA1c) mede a média da glucose dos últimos dois a três meses. As vantagens deste método consistem em não ser necessário estar em jejum, nem em ter de beber líquidos açucarados.  O valor normal é abaixo de 5.7%. A pré-diabetes diagnostica-se dentro da margem entre 5.7% a 6.4% e a diabetes é diagnosticada quando os valores da A1c são iguais ou superiores a 6.5%(Figura 1).O uso da HbA1c está a tornar-se  obrigatório para assegurar um bom padrão de qualidade dos cuidados  diabetológicos, devido à evidência científica resultante das investigações científicas nas últimas duas décadas. A HbA1c como reflexo da hiperglicémia crónica também se está a transformar num indicador chave que se utiliza cada vez mais para o diagnóstico da diabetes. Contudo, os profissionais de saúde das regiões rurais dos países de recursos limitados não têm acesso a esta importante ferramenta de diagnóstico e de monitorização do controlo da diabetes, situação que está a ser questionada por estes países. Segundo a Federação Internacional da Diabetes, está a decorrer um estudo multicêntrico, em 10 postos de saúde da Guiné e Camarões, com o objectivo de avaliar a viabilidade e os benefícios  alcançados durante um ano, como consequência da melhoria do acesso à medição da HbA1c e disponibilização imediata da informação aos doentes sobre os resultados relativos ao controlo das respectivas  diabetes.

 

Glucose em jejum (GJ)

Este teste mede os níveis da glucose em jejum. O jejum significa que não se comeu nem bebeu durante as últimas 8 horas antes do teste, pelo que, em geral é realizado antes do pequeno almoço.  O valor normal da glicémia é inferior a 100 mg por decilitro. Valores entre os 100 mg/dl e 125 mg/dl define o diagnóstico de pré-diabetes. O diagnóstico de diabetes confirma-se quando se obtém um valor igual ou superior a 126 mg por decilitro (Figura 2).

 

Prova de tolerância à glucose oral  (PTGO)

A Prova de Tolerância à Glucose Oral (PTGO) é um teste de duas horas (120 minutos) que verifica os níveis de glicose no sangue antes e 2 horas depois de beber uma bebida doce com uma concentração padrão de glucose. O resultado deste teste informa o médico sobre como está o organismo a processar a glucose. Os valores abaixo de 140 mg/dl são considerados normais. Os valores entre os 140 mg/dl e os 199 mg/ dl definem o diagnóstico de pré-diabetes. Com este método a diabetes é diagnosticada quando os valores da glucose no sangue são iguais ou superiores a 200mg/dl às 2 horas após a ingestão (Figura 3).

 

Teste aleatório da glicémia

É um teste realizado a qualquer hora do dia, quando o paciente apresenta sintomas inequívocos de diabetes. Neste caso a diabetes é diagnosticada quando a glucose do sangue for igual ou superior a 200 mg/ dl.

 

O que é a pré-diabetes?

O diagnóstico clínico da diabetes tipo 2 é, quase sempre, precedido pela fase da pré-diabetes, a qual se caracteriza por níveis de glucose no sangue que são mais altos do que o normal, mas ainda não  suficientemente elevados para satisfazer o critério  diagnóstico de diabetes. A pré-diabetes é, muitas vezes, referida como tolerância diminuída à glicose (TDG) ou alteração da glicémia de jejum (AGJ), dependendo do teste que foi utilizado para o despiste da situação. É importante ter em mente que a pré-diabetes, englobando estas duas disfunções metabólicas, acarreta um maior risco de desenvolvimento da diabetes de tipo 2 e de complicações  cardiovasculares.Com efeito, a pré-diabetes não apresenta sintomas típicos, pelo que ela pode estar presente ou já ter complicações, sem a pessoa saber.   O diagnóstico da pré-diabetes assenta em três critérios: 1) uma A1C de 5.7% – 6.4% 2)  uma glicémia de jejum entre 100 – 125 mg/dl e 3) uma PTGO ás 2 horas entre 140 mg/dl – 199 mg/dl (Figuras 1,2 e 3).

Neste sentido e tendo em vista uma estratégia de prevenção precoce do risco cardiovascular intrínseco, a pré-diabetes representa uma condição clínica que deve ser activamente pesquisada pelos médicos, particularmente, nas pessoas com antecedentes familiares de diabetes, obesos e hipertensos e agressivamente  combatida com as modificações terapêuticas dos estilos de vida.

 

A prevenção da diabetes de tipo 2

É importante saber que o fato de uma pessoa ter uma pré-diabetes não implica o desenvolvimento automático da diabetes de tipo 2. Para algumas pessoas, o tratamento precoce, pode, efectivamente, conduzir à normalização da glicémia.  Há uma sólida base de evidência que nos mostra que, as pessoas pré-diabéticas,  podem baixar 58% o risco de se tornarem diabéticas de tipo 2 se perderem 7% do seu peso corporal (6 kg se tiver 85 kg) e se praticarem exercício moderado, tal como a marcha activa durante 30 minutos cinco vezes por semana. Assim as modificações dos estilos de vida recomendadas são:

— Aumento da actividade física.

— Perder peso e mantê-lo no nível adequado.

— Aumento do consumo de fibras na dieta e redução das gorduras, especialmente as saturadas.

 

Terapêutica medicamentosa na pré-diabetes

A terapêutica medicamentosa na pré-diabetes consiste na prescrição da metformina aos que apresentam alto risco de  desenvolver diabetes de tipo 2 e que, apesar das mudanças nos estilos de vida não conseguem baixar a sua HbA1c ou para aqueles que, por doença ou incapacidade física,  estão limitados em comprometer-se nas mudanças comportamentais requeridas. A metformina deve ser iniciada na dose de 500 mg uma vez por dia podendo ser aumentada para 1500 a 2000 mg/dia, se bem tolerada. Estes pacientes devem ter a sua HA1c reavaliada aos 3 meses e caso a HbA1c não baixe, deve ser ponderada a suspensão da metformina.

A prescrição do Orlistat deve ser, também, considerada nos pacientes com alto risco de desenvolver diabetes de tipo 2 que tenham um IMC ≥ 28 e cuja HbA1 não baixe com as intervenções dos estilos de vida ou que sejam, igualmente, incapazes de participar em programas de exercício físico por doença ou incapacidade. A revisão desta prescrição deve ser feita aos 12 meses e, caso o paciente não perca 5% do seu peso, a toma do fármaco não deve ultrapassar esse tempo.

Embora as estratégias recomendadas neste artigo se enquadrem mais no âmbito das actividades dos cuidados de saúde primários, a avaliação do risco de contrair a diabetes de tipo 2 deve ser encorajada e estendida às comunidades, devendo englobar as farmácias, os consultórios de óptica, os departamentos de saúde ocupacional das empresas, instituições públicas (quartéis, prisões, escolas, etc.), entre outros, iniciativas, cuja multidimensionalidade, complexidade e exigências de coordenação, justificam a criação e o desenvolvimento de um programa nacional de controlo da diabetes. Um tal programa tem um inquestionável valor instrumental, ao viabilizar intervenções sobre as causas primárias da diabetes e, desse modo, poder contribuir para uma redução efectiva do peso da diabetes no Sistema de Saúde e na sociedade angolanas.

 

 

 

 

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