MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Rui Moreira de Sá

Director Editorial

direccao@jornaldasaude.org

Bio ameaça: lixo nas ruas põe em perigo a saúde de todos

 

Recolha e tratamento do lixo é essencial para a garantia da saúde pública. Expor a população ao lixo e eventuais contaminantes é uma situação de ameaça.

O lixo que se acumula nas ruas da cidade transforma-se num foco de diversas doenças, como a leptospirose, gastroenterite e a hepatite A, tanto para os mais vulneráveis, como moradores de bairros mais pobres com saneamento básico inexistente, como para os que usufruem dos mais altos padrões de vida.

Os médicos infecciologistas e de saúde pública alertam para as doenças que podem ser transmitidas com a decomposição do lixo e a possibilidade de chuvas e alagamentos. A recolha regular de lixo é um dos pilares da saúde pública. Água de qualidade, saneamento básico e recolha de lixo têm interface total e qualquer falha nesta cadeia afecta a saúde da população.

Entre os efeitos do acúmulo do lixo, está a proliferação de roedores e insectos, como o mosquito da malária, Chikungunya e febre amarela.  A chuva traz ainda as temidas cheias e, junto com elas, um elevado risco de leptospirose (ver pág.8). Há ainda o perigo de transmissão da Hepatite  A, que pode atingir por exemplo os moradores mais carenciados que muitas vezes não têm a possibilidade de realizar uma higiene apropriada, e que, por sua vez, podem contaminar outras pessoas, iniciando uma "cascata de contaminação". As infecções intestinais são uma outra gama de infecções.

Na recente visita que efectuou a Luanda, a directora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, foi clara ao dizer que os mosquitos são vectores da febre-amarela que devem ser combatidos com medidas rigorosas de controlo ambiental, dos resíduos e de saneamento público.

 

 

 

 

 

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Semana da Humanização vai ser institucionalizada

 

“A Semana da Humanização vai ser institucionalizada e passará a realizar-se na primeira semana de Abril de cada ano. Aguarda-se apenas a publicação do respectivo decreto no Diário da República”, assegurou ao JS a consultora do MINSA, Fernanda Cardoso

O acto central de abertura da 2ª Semana da Humanização realiza-se no Lubango, Huíla, no próximo dia 7 de Abril.

Contará com uma conferência inaugural proferida por Octávio Serra Van-Dúnem, uma mesa redonda moderada pela Vice-governadora, Maria João , e outra dedicada ao relato de boas práticas das unidades de saúde, entre as quais o Hospital Central do Lubango, a Maternidade e o Pediátrico desta província. Haverá ainda apresentações do Hospital Central do Bié e de Benguela.

O encerramento da Semana terá lugar no dia 15 de Abril, em Luanda. Incluirá uma mesa redonda com a participação do Hospital Josina Machel, Clínica Sagrada Esperança, Hospital Geral de Luanda, Hospital Municipal do Bengo, Centro de Saúde da Samba, Centro de Medicina Física e de Reabilitação, moderada por Maria da Conceição Martins. Uma segunda mesa redonda, coordenada por Avelina Nobre, debruçar-se-á sobre os cuidados de quem cuida.

De acordo com Fernanda Cardoso a humanização é da responsabilidade do colectivo. “É uma cultura de todos – políticos, governantes, técnicos e cidadão comum”, assegurou.

 

 

 

 

 

 

 

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Febre amarela: o que é, como prevenir?

 

A febre amarela é uma doença infecciosa causada por um flavivírus, para a qual existe uma vacina altamente eficaz.

A doença é transmitida por mosquitos. Não existe tratamento específico além da vacinação. É endémica em 44 países, dos quais nove são latino-americanos. Em cada ano são registados cerca de 200 mil casos de febre amarela no mundo, com uma concentração crescente na região da África Subsaariana. Cerca de 15% dos doentes desenvolvem uma forma severa da doença e, entre eles, a mortalidade chega a 50%. Uma pessoa não transmite febre amarela directamente a outra. Para que ocorra, é necessário que o mosquito pique um indivíduo infectado e, após o vírus ter-se multiplicado, pique um indivíduo que ainda não teve a doença e não tenha sido vacinado.

 

A infecção silvática de humanos ocorre quando estes entram na floresta para caçar, recolher alimentos, proceder ao abate de árvores, etc. Os indivíduos infectados na floresta podem dar início a transmissão entre humanos se houver a presença de vectores peridomésticos adequados nas cidades e aldeias. No ambiente urbano, o Aedes aegypti  é um vector extremamente eficaz para o vírus da febre-amarela. Este mosquito é também o principal vector urbano para o dengue e a chikungunya.

A febre-amarela distribui-se a oeste, centro e este de África e na América do Sul, do Panamá à região norte da Argentina. Nunca foi detectada na Ásia. Já foram registadas epidemias catastróficas, com dezenas de milhar de mortes, na África rural.

O vector Aedes aegypti já foi endémico na Europa e responsável por grandes epidemias de febre-amarela e dengue. A razão para o seu desaparecimento após a II Guerra Mundial nunca foi explicada. Ainda está presente nos Estados Unidos e já foi registado em 21 estados. É possível que o vector volte a estabelecer-se na Europa, à semelhança do que aconteceu com outro potencial vector, o Ae. albopictus.

 

Caraterísticas clínicas

O início dos sintomas é súbito, geralmente 3 a 5 dias após a infecção. A doença pode causar um amplo espectro de sintomas, de ligeiros a fatais. Nos casos clínicos verifica-se um início abrupto de febre e dor de cabeça forte, artralgias e dores musculares. Pode surgir icterícia no terceiro dia, o que é possível indicador de caso grave. Neste cenário, podem ocorrer hemorragias espontâneas, falência renal, delírio, coma e morte. A mortalidade destes casos clínicos pode chegar aos 80%, a par de doenças como o Ébola, Marburgo e outras infeções virais hemorrágicas. A convalescença é longa, geralmente com sequelas graves.

 

TransmissãoReservatório

Sendo uma infecção característica de primatas, o vírus circula entre macacos e mosquitos na floresta, e entre humanos e mosquitos nas aldeias e zonas urbanas. Nos macacos africanos a infecção é assintomática ou ligeira; as epizootias são sinalizadas quando os seres humanos adquirem a doença. Por contraste, o vírus é letal nos primatas do hemisfério ocidental; as epizootias são evidentes quando a selva fica silenciosa devido à elevada mortalidade dos macacos uivadores.

 

Modo de transmissão

As picadas de mosquitos infectados são o único modo de transmissão. Os mosquitos adquirem o vírus quando se alimentam de um hospedeiro virémico, após o que (numa espécie susceptível) o vírus infecta muitos tecidos, incluindo as glândulas salivares. Apesar de poder levar semanas (e muitas refeições sanguíneas) até um mosquito ficar infectado, essa infecção é para a vida.

Novas infecções em humanos podem ocorrer quando a saliva do mosquito, que contém o vírus, é injectada num hospedeiro não imune durante refeições sanguíneas subsequentes. O período de incubação extrínseco, ou seja, o tempo necessário para o mosquito se tornar infeccioso, é de cerca de 10 dias, dependendo da temperatura. Também existem provas de transmissão vertical (transmissão diretamente da fêmea adulta via ovos para os adultos da próxima geração).

A virémia atinge o pico mais elevado no dia antes ao início dos sintomas, e geralmente é suficientemente elevada para infectar mosquitos nos 4 dias seguintes. A imunidade é provavelmente para toda a vida.

Todas as pessoas não vacinadas correm risco nas zonas com transmissão activa da doença.

 

Medidas de prevenção

Existe uma vacina atenuada de febre-amarela, considerada segura, eficaz e de baixo custo, que é administrada há mais de 50 anos. Apesar da vacina ser extremamente eficiente, a vacinação por rotina foi implementada em muito poucos países.

Um certificado de vacinação da febre-amarela é agora o único certificado que deverá ser requerido em viagens internacionais.

 

Áreas de incerteza

Apesar da riqueza de informação a nível da ecologia, epidemiologia e patologia da doença, há uma elevada probabilidade de ocorrência de grandes surtos em populações não vacinadas em áreas onde se regista a presença de Aedes aegypti.

Foram registados eventos adversos (viscerotrópicos ou neurotrópicos) após imunização com vacinas da febre-amarela sobretudo em indivíduos idosos e imunocomprometidos. Estes casos terão de ser melhor investigados para reunir e verificar evidências de associação entre a vacina e a doença clínica para poder apoiar decisões em relação à vacinação contra a febre-amarela.

 

Campanha de combate em Angola

 

Francisco Cosme dos Santos

A campanha de combate à doença, lançada em Fevereiro envolveu várias acções de sensibilização das populações para se reforçar as medidas de prevenção, tais como a colocação de óleo queimado nos charcos, a protecção da picada dos mosquitos, a cobertura dos recipientes de água, distribuição de mini doses de Bactivec (desinfectante para água), a eliminação de criadouros de reprodução de larvas dos mosquitos, fumigação intra e extra-domiciliar, e, também, a vacinação, principalmente de crianças.

O ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, anunciou o recrutamento extraordinário de até 2.000 médicos e paramédicos angolanos, recentemente formados, para apoiar no combate às epidemias de malária e febre-amarela.

"Neste preciso momento os hospitais em geral estão a funcionar, mas com dificuldades. Precisamos de mais abastecimento, que está a ser processado, mais medicamentos essenciais, mais reagentes para o diagnóstico das doenças. E também precisam de mais rendimento de pessoal de saúde", admitiu o ministro.

Anunciou, entretanto, a disponibilização de mais 30 milhões de dólares para a compra de vacinas, medicamentos e outro material.

 

O que pode fazer para ajudar

 

Para que sejam desalojados e eliminados os mosquitos de todos os locais que favoreçam o seu desenvolvimento, devem ser bem limpos, secos e tapados os

buracos das paredes das casas. Deve-se também limpar e capinar muito bem o terreno ou o quintal à volta da casa.  As bananeiras e outras árvores devem ser podadas,  porque é ai onde o mosquito gosta de dormir.  Os reservatórios de águas, tambores, fossas ou tanques de água devem ser tapados. No interior das casas as janelas e as portas devem ser vedadas com redes de proteção milimétrica tratadas com insecticidas. Ajude a eliminar o lixo no seu bairro.

 

 

 

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Para a directora-geral da OMS, Margaret Chan.

Os mosquitos que são vectores da febre-amarela devem ser combatidos com medidas rigorosas de controlo dos resíduos e de saneamento público

 

De acordo com  a directora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, os mosquitos que são vectores da febre-amarela devem ser combatidos com medidas rigorosas de controlo ambiental, dos resíduos e de saneamento público. “Muitos tipos de mosquitos que são vectores dessas epidemias são controláveis, daí que se impõe a tomada de medidas no sentido de reduzir o número de insectos com papel activo na propagação da doença”, afirmou durante a visita que efectuou a Luanda.

 

A directora-geral da OMS disse ter recebido garantias do Presidente José Eduardo dos Santos de mais apoio ao sector da saúde, quer em termos financeiros, quer em pessoal. Margaret Chan encorajou as autoridades a prosseguirem com o mesmo empenho e lançou ela própria um repto às empresas para que se associem nessa luta para acabar com a febre-amarela.

Dados do Ministério da Saúde indicam que foram registados em 16 províncias cerca de 1562 casos de febre-amarela, com uma mortalidade de cerca de 14 por cento. A OMS mobilizou 65 técnicos, vindos tanto do escritório regional como da sede, que participam nos esforços empreendidos pelo Governo angolano para combater a febre-amarela.

Acompanhada da directora regional da OMS, Matshidiso Moeti, Margaret Chan esteve em Angola, a convite do Governo angolano, para analisar e apoiar a resposta à epidemia da febre-amarela que afecta o país desde  Dezembro do ano passado. A visita serviu também para acompanhamento dos progressos e desafios na área da saúde em Angola.

O ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo disse que a província de Luanda está à beira de completar a campanha de vacinação contra a febre-amarela e existem perspectivas de se estender a campanha para outras províncias tão cedo quanto possível.

“Fizemos a encomenda de vacina anti-amarílica e já chegou uma parte, cerca de três milhões de doses”, disse o ministro, antes de confirmar o pedido feito à OMS no sentido de facilitar a compra dessa vacina no exterior para que chegue a Angola o mais cedo possível.

 

O papel das famílias

O êxito da campanha está também na mãos das famílias. De acordo com a directora-geral da OMS, cerca de dois terços dos mosquitos vectores da febre-amarela e também da malária reproduzem-se em casa. Daí a necessidade de um engajamento sério de todas as famílias para acabarem com essa doença, através das medidas que recomendamos nestas páginas.

 

 

 

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Ministro da Saúde apresenta plano de resposta com cinco pontos

 

O ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, apresentou à comunicação social o plano de resposta à febre amarela que se baseia em cinco pontos:

 

1. Investigação epidemiológica e laboratorial

 

2. Vacinação. Foi decidido vacinar toda a população, o que implica a disponibilidade da vacina. Até ao final de Março, vacinou-se 88 por cento das pessoas na província de Luanda, com cerca de sete milhões de doses. São precisas mais 18 milhões de vacinas. Há disponibilidade financeira. Contudo, o ministro apelou aos parceiros internacionais para sensibilizarem os fabricantes a produzi-las rapidamente.

 

3. Luta anti-vectorial, contra o mosquito. “Se conseguíssemos eliminar em 90 por cento a população de mosquitos conseguiríamos cortar a cadeia de transmissão”, assegurou o ministro que garantiu o reforço das brigadas de luta anti-vectorial nos municípios.

 

4. Componente clínica, isto é, os hospitais terem meios suficientes para tratar os doentes e reduzir o índice de mortalidade.

 

5. Comunicação e mobilização social para que a população saiba, compreenda, como se transmite a febre amarela e como pode fazer para evitar ser infectada.

 

De acordo com Gomes Sambo, a vacinação contra a febre amarela já fazia parte do plano nacional de vacinação e a cobertura era de cerca de 73 por cento.

 

 

 

 

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A directora nacional de saúde pública, Adelaide Carvalho, foi a anfitriã de um encontro com representantes da Câmara Profissional dos Terapeutas de Medicina Tradicional, Natural, Alternativa e não Convencional de Angola com o objectivo de informar e sensibilizar para a febre amarela

Kitoko Maiavangau

“Face à situação, a Câmara irá levar avante um conjunto de acções de informação e sensibilização junto às comunidades de forma a que a população conheça a doença e se previna”

 

Terapeutas tradicionais chamados a apoiar o combate à febre amarela

 

FFrancisco Cosme dos Santos

 

No combate à febre amarela todas os aliados contam. Neste caso, a Direcção Nacional de Saúde Pública (DNSP) convidou este mês os representantes da Associação que reúne mais de 60 mil terapeutas de medicina tradicional para um encontro de sensibilização. O desafio foi aceite e ganho: o seu presidente,  Kitoko Maiavanga, garantiu à anfitriã, a directora Adelaide de Carvalho, que “face à situação, a Câmara irá levar avante um conjunto de acções de informação junto às comunidades de forma a que a população conheça a doença e se previna”.

 

 No encontro, a directora nacional de saúde pública, Adelaide Carvalho, explicou que o principal causador da febre amarela é o mosquito, e que consiste numa doença que se manifesta com febres altas, dores de cabeça e cansaço. No seu estado avançado podem surgir complicações mais graves como a icterícia, incluindo a coloração amarelada dos olhos. Se a pessoa for de pele clara é mais facilmente reconhecida.

Disse ainda que no caso se a doença estiver avançada pode provocar a lesão de muitos órgãos no corpo, como o fígado, rins e podem levar à morte. No quadro das hemorragias é frequente surgir a hemorragia do tubo digestivo, pelo que a pessoa pode vomitar sangue, defecar fezes com sangue e apresentar urina com sangue.

Na ocasião, a directora alertou os terapeutas no sentido de sensibilizarem os cidadãos a usarem todas as medidas de prevenção que estão ao seu alcance para lutarem contra a chicungunha, febre-amarela e o paludismo “por se tratarem de doenças que são causadas pelo mesmo vector – o mosquito Aedes aegypti”.

Disse ainda que, em Angola, a faixa etária mais afectada pela doença, desde Dezembro de 2015 até Março do corrente ano, foi a dos 15 aos 45 anos, dado “ser constituída por pessoas em idade activa”.

Acrescentou que o Ministério da Saúde quer um envolvimento de todos, sobretudo dos terapeutas, “por terem um papel muito importante na sociedade, o que irá ajudar na implementação de todas as medidas que serão certamente benéficas no controlo da doença no país, dado que atendem nos seus consultórios um número elevado de pacientes que podem apresentar sintomas desta doença”.

 

Alerta máximo

Adelaide Carvalho alegou que deve estar-se em “alerta máximo, e saber quais as medidas certas a tomar para não criar inúmeras complicações prejudiciais para a saúde”.

A directora deixou um alerta à população para não permanecerem com doentes em casa. Aos terapeutas disse também para não manterem no consultório pacientes com febres altas durante três dias porque “podem necessitar de cuidados intensivos, pelo que devem encaminhá-los para uma unidade hospitalar mais próxima”.

 

Vacina eficaz

A responsável garantiu que a vacina é eficaz pois quem estiver vacinado não corre nenhum risco de contrair a doença. Afirmou também que não existe no país a quantidade de vacinas que se pretende, porque são produzidas com antecipação, motivo porque não será possível vacinar de imediato toda a população. “Fomos surpreendidos pelo surto da febre-amarela”, confessou.

+“À medida que forem sendo recebidas as vacinas, iremos estendendo a campanha de vacinação aos municípios onde ainda não houve vacinação”, garantiu. “Não se deve ficar de braços cruzados pois a luta contra o mosquito é importante”, sensibilizou.

A directora recomendou também que “as comunidades se organizem para venceremos esta doença que tanto fragiliza e causa vítimas mortais”.

Terapeutas tradicionais

colaboram

O Presidente da Câmara Profissional dos Terapeutas de Medicina Tradicional, Natural, Alternativa e não Convencional de Angola, Kitoko Maiavanga, disse que o encontro foi bastante satisfatório para todos os terapeutas que exercem a profissão no país. De acordo com este responsável, tratou-se de “um evento que visou instruir o terapeuta no sentido de informar, educar e sensibilizar a população com o intuito de se travar o surto da febre-amarela que abala a sociedade angolana”.

Acrescentou que o terapeuta “não está fora do sistema nacional de saúde, pelo contrário, é um activista que tem e deve contribuir para o combate desta doença, levando a mensagem junto das comunidades”, por se tratar de uma “entidade fazedora de opinião”.

Kitoko Maiavangau garantiu que, “face à situação, a Câmara irá levar avante um conjunto de acções de informação e sensibilização junto às comunidades de forma a que a população conheça a doença e se previna”.

Actualmente, a Câmara dos Terapeutas de Angola, tem cerca de 61 mil membros, dos quais 14 mil no Uíge, sendo a maior parte parteiras tradicionais.

 

 

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Unitel apoia Pediátrico

 

No âmbito da Campanha Stop Malária, e com o intuito de contribuir de forma efectiva para a luta contra esta doença em Angola, a Unitel assinou, em 18 de Março, um Memorando de Entendimento no Hospital Pediátrico de Luanda David Bernardino, o qual prevê um conjunto de acções de apoio da operadora a esta instituição, visando a prevenção e o combate à doença.

 Neste sentido, a Unitel tem disponiblizado ao Hospital Pediátrico de Luanda um conjunto de meios necessários para uma actuação mais eficaz na prevenção e no combate à Malária, nomeadamente no apoio à construção de infraestruturas que promovam um melhor atendimento hospitalar, no apoio à criação e divulgação de campanhas de sensibilização e educação da população sobre temas relacionados com cuidados básicos de saúde e com a prevenção da malária, e da disponibilização de um corpo de voluntários Unitel para apoiar as acções sociais regulares do Hospital, entre outras necessidades.

O memorando foi rubricado pela presidente do conselho de administração da Unitel, Isabel dos Santos, e pela directora do Hospital Pediátrico, Vitória do Espírito Santo.

 

 

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Leptospirose: doença transmitida pelo rato aos outros animais e ao homem

 

Catarina Martins

Médica Veterinária

 

A Leptospirose é uma doença infecto-contagiosa que vamos abordar nesta edição. É mais uma zoonose: doença transmitida pelos animais ao homem e deste aos animais.

 

A família das Leptospira spp tem vários subgrupos. Sob o ponto de vista epidemiológico, as mais importantes (mais comuns e agressivas) para a maior parte dos animais e, também, para o homem são as seguintes: Leptospira icterohemorragiae, L.pomona e L.canicola.

O agente transmissor desta doença é habitualmente o rato (grande expressão nas zonas urbanas). O rato, ao caminhar sobre as superfícies onde vive, defeca e urina com frequência e, como tal, deixa esta bactéria nos locais, através da urina.

As infecções podem ser assintomáticas (com fracos sinais) ou, pelo contrário, os animais apresentarem febre, icterícia, hemoglobinúria (aspecto de sangue digerido na urina – urina muito escura), falha renal, infertilidade, aborto e morte.

Após a fase aguda da doença, e no caso dos animais que não morrem, as bactérias vão localizar-se nos rins, no sistema reprodutivo e são eliminadas pela urina por longos períodos (meses ou mesmo anos). Estas bactérias são resistentes no meio ambiente com a presença da humidade. Vão contagiar outros animais e também o Homem.

A infecção é normalmente contraída pelo contacto da urina com a pele (entrando no organismo por feridas da pele – soluções de continuidade) e com as mucosas (sobretudo conjuntiva ocular e mucosa vaginal) e, também, pela ingestão de água ou alimentos contaminados.

A doença espalha-se rapidamente num efectivo animal.

Os abortos com retenção placentária e infecções posteriores ou partos permaturos (no meio ou no terço final da gestação) são frequentes. Quando as fêmeas sobrevivem, há uma percentagem elevada de infertilidade que se segue.

 

A Leptospirose em espécies animais

Daremos uma breve ideia sobre a Leptospirose em algumas espécies animais:

 

Bovinos

Os bovinos apresentam falta de ar (dispneia), falta de apetite (anorexia) e febre na ordem de 40,5 a 41 graus centígrados. Aparece hemoglobinúria (que não ultrapassa as 48-72 horas). Surge icterícia imediatamente, seguida de anemia.

Nesta fase, se a carne for ingerida mal cozinhada, há forte risco de contágio para o ser humano.

A mortalidade é normalmente maior em animais jovens do que na fase adulta. Nos animais mais velhos, a crise hemolítica (com o aparecimento da icterícia e da anemia) por vezes não ocorre, aparecendo somente abortos e diminuição ou cessação da produção de leite com alteração da cor e consistência (a produção de leite por vezes retorna à normalidade). Este leite deve ser fervido e deitado fora.

 

Suínos

No porco, a manifestação mais evidente da Leptospirose é o aborto habitualmente entre a segunda e a quarta semana de gestação. Os leitões que nascem de porcas com a doença nascem mortos, ou morrem pouco depois de nascerem.

 

Ovinos e Caprinos

A prevalência nestes pequenos ruminantes é menor que nos bovinos.

No entanto, os sintomas são semelhantes aos que ocorrem nos bovinos.

 

Solípedes (cavalos, burros e muares)

Esta doença, nos solípedes, sobretudo nos cavalos, está comumente associada a uveítes (infecções numa parte do olho) e a abortos. A doença sistémica é mais rara.

 

Canídeos

A Leptospirose é uma doença comum nos cães não vacinados. Podem adoecer em qualquer idade. O período de incubação é de quatro a doze dias após a infecção. Aqui, surgem sintomas não específicos, como febre, anorexia (falta de apetite), vómito, dor generalizada e, também, alterações na coagulação do sangue com o aparecimento, por vezes, de pequenas manchas hemorrágicas na pele (petéquias e sufusões). Podem aparecer hemorragias também em alguns órgãos.

Com o passar do tempo, o vómito intensifica-se, surge urémia devido à insuficiência renal aguda, desidratação e aparecimento de úlceras (feridas) na boca. O fígado é também afectado e aparece icterícia. Também pode surgir meningite e uveíte.

 

Diagnóstico

Laboratorialmente, o teste de aglutinação em microscópio (MAT) é o teste serológico mais utilizado. Mede a titulação de anticorpos – IgM (aparecem cerca de seis a doze dias após a infecção) e IgG (aparecem duas a três semanas após a infecção). Os anticorpos persistem por vários meses e valores moderados podem persistir por vários anos. No entanto, estas titulações podem ser originadas pelo processo vacinal, mas nunca atingem valores elevados como os obtidos pela doença activa.

Hoje em dia, já nos podemos servir das técnicas moleculares, como o PCR, que nos fornecem resultados definitivos.

Definitivos são também os resultados obtidos pela observação directa das Leptospira na urina ou nos tecidos infectados. Como a cultura laboratorial destas bactérias não é fácil, é muito importante que o material colhido seja obtido quando há uma forte suspeita da doença, de acordo com o quadro clínico avaliado pelo médico veterinário no acto de consulta.

 

Como controlar

 

Para obtermos o controlo da Leptospirose, temos que tomar medidas profilácticas como a vacinação dos animais e o controlo dos roedores, principalmente os ratos nas explorações.Faz-se com raticídas (tendo o cuidado de precaver a ingestão destes venenos por parte de outros animais da exploração).

Em relação ao ser humano, podemos dizer que a par do acontece com os animais, o contágio dá-se da mesma forma e também pela ingestão de produtos animais infectados. Os sintomas são semelhantes e variam de praticamente inaparentes até às formas fatais. É grave quando ocorre aborto com infecção uterina posterior, insuficiência renal, insuficiência hepática ou uma grave hemólise, com icterícia e anemia graves associadas.

O homem tem que ter o cuidado de manter os seus cães vacinados com a ida periódica às clínicas veterinárias, fazer o controlo dos ratos e manter as mãos sempre bem limpas, sobretudo quando vai manipular alimentos.

Os alimentos também devem ser bem cozinhados.

Quando uma pessoa se sentir doente, deve recorrer rápidamente ao posto médico mais próximo, de modo a ser consultado e devidamente tratado.

Esta é outra doença em que a troca de ideias e as medidas de acção de controlo e tratamento no terreno devem ser devidamente acauteladas entre médicos veterinários e médicos humanos em conjunto.

Mais esclarecimentos sobre a doença no homem deverão ser prestados pelos médicos de medicina humana.

 

 

 

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Stresse: lutar ou fugir?

 

José Soares

 

Imaginemos as seguintes situações: a Inês, que tem uma reunião às nove horas da manhã no centro de Luanda, fica bloqueada no trânsito na estrada da Samba; o Luís está num momento decisivo para a sua empresa tendo que decidir, em minutos, a compra de um imóvel para a nova sede; o Pedro está na linha de partida para uma prova de 100 metros que lhe pode dar os mínimos para o apuramento no campeonato do mundo. Se atentarmos nestas três situações, existe um aspecto comum que os une: o stresse.

 

Esta entidade de que tanto se fala o que é na realidade e onde se localiza? A Inês, o Luís e o Pedro todos tiveram sensações comuns: o coração acelerou, a respiração tornou-se mais profunda, e os músculos ficaram mais tensos. Para além destas reacções, a Inês ficou ruborizada na cara e o Luís sentiu-se a suar e até ficou nauseado, tal era a importância da decisão!

Do ponto de vista biológico, estas manifestações associadas ao stresse resultam da activação de um sistema de alarme situado no cérebro - o hipotálamo. Esta estrutura é responsável por diferentes funções orgânicas tais como a temperatura, o sono e o apetite. Durante uma situação de stresse intenso, o hipotálamo segrega uma hormona - factor de libertação da corticotropina - que "viaja" até à glândula pituitária para ser produzida a hormona adrenocorticotrófica. Esta hormona entra na corrente sanguínea, estimulando as glândulas adrenais para ser libertada adrenalina e cortisol. Estas duas hormonas são responsáveis por fazer "despertar" o nosso corpo para enfrentar o stresse através de uma reacção chamada "luta ou foge" ("fight or flight").

Pelos efeitos da acção do cortisol e da adrenalina poderemos inferir da importância destas substâncias químicas na sobrevivência da humanidade - foram elas as responsáveis pelo estado de prontidão fisiológica que nos tem permitido, ao longo da História, enfrentarmos todas as adversidades da vida. Ou seja, umas vezes escolhemos "lutar", outras "fugir". Na vida selvagem ou nos negócios, o stresse pode ser decisivo na nossa capacidade de enfrentar adversidades. Neste contexto, o denominado "efeito de treino" assume uma relevância particular. Poderíamos resumir o princípio desta lei biológica através da seguinte frase: quando fazemos alguma coisa, alguma coisa acontece! Nenhuma das nossas acções é inócua.

Tal como a terceira lei de Newton - para cada acção há uma reacção oposta de igual magnitude - quando agimos promovemos uma resposta indissociável da sua origem, da sua génese. No caso em apreço, se optarmos por fugir sistematicamente dos problemas, nunca vamos proporcionar ao nosso organismo uma capacidade de reagir a situações que, por diferentes razões, não conseguimos escapar.

O nosso sistema neuro-endócrino (sistema nervoso e hormonal) vai interpretar o confronto com uma situação de stresse como algo de novo e para a qual não está treinado, não está habituado. Tal como numa resposta alérgica, o sistema vai reagir exagerando. E uma resposta fisiológica exagerada, não só é pouco económica, como é muito pouco eficaz. É o princípio do erro. E este está na base da relação entre elevadas quantidades de cortisol na corrente sanguínea e o insucesso na Bolsa descrito num recente estudo publicado no Proceedings of National Academy of Sciences New York.

 

Fuga versus treino

Em oposição à fuga permanente, o efeito do treino diz-nos que se nos expusermos de forma controlada e repetida a situações de stresse, o que acaba por acontecer é como que um reconhecimento (tal como o sistema imunitário identifica um agente agressor conhecido) da agressão e uma resposta adequada e não exagerada. Se pensarmos que a melhor forma de nos protegeremos contra o stresse é vivermos afastados dos possíveis agentes desencadeadores, como diz o efeito do treino "alguma coisa acontece" - desadaptação.

Ainda que se saiba que o stresse crónico tem efeitos devastadores na saúde, será o mais puro engano pensarmos que, na sociedade actual, poderemos sobreviver sem conseguirmos gerir o stresse. Teremos de, através da exposição, aprendermos e fazermos aprender o nosso organismo a encarar estes desafios emocionais como alicerces para uma forma de estar mais actuante, mais predisposta, mais disponível.

É assim com o treino físico - ao fim de alguns dias corridas ligeiras, as nossas pernas parece que resistem melhor às subidas e ao aumento da velocidade. É assim com o treino mental - exercícios de concentração, de "engagement", tornam-nos mais centrados na tarefa, mais produtivos - é enfim, assim com a vida. Não é a "fuga" que nos mantém ainda no nosso planeta como uma espécie que resistiu. Foi a "luta" contra a agrura do clima e do meio. Tal como agora, é a luta, a resiliência, que nos manterá capazes de responder ao stresse dos negócios, ou do nosso emprego, de forma ajustada, controlada e, acima de tudo, eficaz e saudável.

 

Sabia que?

 

Adrenalina:  hormona e também um neurotransmissor com acções de mobilização das funções orgânicas para enfrentar as situações de stresse, através da aumento da frequência cardíaca e da disponibilidade de glicose para os músculos e cérebro. Tem também um papel imunodepressor.

 

Cortisol: hormona envolvida na resposta ao stresse, aumentando a pressão arterial, a glicemia (concentração de glicose na sangue) e diminuindo a nossa resposta do sistema imunitário.

 

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 Presenteísmo: problema do tapete da empresa?

 

Vi há algum tempo uma frase muitíssimo interessante da Editor in Chief do American Journal of Health Promotion, que ditava assim: "A maior parte das empresas gasta mais nos tapetes do que em quem os pisa!" Esta frase, célebre pela mensagem que produz, encerra um conteúdo muito importante: os líderes das empresas preocupam-se frequentemente mais com as condições materiais da empresa do que com os recursos humanos.

Se perguntarmos a um conjunto de PCA se acham que os seus colaboradores seriam mais produtivos se fossem mais saudáveis, mais activos, mentalmente focados nas suas tarefas, se tivessem uma relação saudável com os familiares/amigos e se mantivessem um compromisso com a missão da empresa, estou certo que todos diriam que esse seria o modelo de colaborador que desejariam ter. No entanto, se depois desta resposta, colocarmos a pergunta: "E o que fizeram até agora para isso?" Veremos que as respostas serão muito mais dispersas.

Todos nós facilmente concordamos que, para sermos mais produtivos, teremos de nos sentir bem com o nosso corpo, teremos de ser saudáveis, de estarmos mentalmente focados, emocionalmente ligados e espiritualmente alinhados com a missão e estratégia da empresa. Todavia, quantos de nós fazemos algo para concretizarmos este objectivo? Quantos de nós inscrevemos esta preocupação na estratégia global da empresa?

A este propósito, existe hoje claramente descrita uma nova forma de diminuição da produtividade. Conhecíamos já o absentismo, falamos agora de "presenteísmo". O que significa este novo termo? Diminuição da performance por problemas médicos e psicológicos. Ou seja, o trabalhador está no seu local de trabalho, não falta, mas a sua produtividade é francamente diminuída porque está sem motivação, tem dificuldades físicas (lombalgias, dores de cabeça constantes, astenia etc.) e psicologicamente sente-se mal porque se apercebe que não está a produzir o que deveria.

É um ciclo vicioso que perigosamente se aproxima do "burnout" físico e psíquico. Esta nova entidade, designada aqui por presenteísmo, é já objecto de estudos de impacto económico e social. As empresas não sofrem apenas com a diminuição da performance, mas acabam por ser também oneradas com os custos inerentes à entrada em falência física dos seus colaboradores. Os primeiros dados apontam para prejuízos superiores aos causados pelas faltas dos trabalhadores por doença!

Desta forma, poderemos criar, por um lado, um sistema de alerta para os possíveis casos de presenteísmo e, por outro, envolver esse colaborador num programa que o ajude a ultrapassar e a resolver uma fase menos boa que, detectada e enquadrada a tempo, poderá ser resolvida. Pensar apenas no "tapete" e não em quem o pisa é um erro estrategicamente grave que leva muitas vezes a consequências irreparáveis.

 

 

 

 

 

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Profissionais do Hospital Materno-infantil realizaram mais de três mil partos em 2015

 

O Hospital Materno-infantil de Ndalatando realizou 3.407 partos em 2015 – mais 125 do que no ano anterior –, dos quais cerca de 20% por cesariana.

 

De acordo com nota da Angop – que cita dados do relatório anual desta unidade sanitária – 210 foram nados mortos, o que representa uma taxa de cerca de 6,2 por cento.

Neste período, foram internadas 9.670 crianças, entre recém-nascidos e provenientes de consultas de pediatria, de que resultaram 308 óbitos.

O hospital efectuou 30.164 consultas externas, entre 11.104 de puericultura, 5.435 de ginecologia-obstetrícia e 4.501 de planeamento familiar. De registar ainda 28.894 consultas de urgência, das quais 24.627 de pediatria e 4.267 de ginecologia.

A malária, as doenças diarreicas e respiratórias agudas, malnutrição, a febre tifoide e as cardiopatias foram as principais causas de internamento nesta unidade sanitária. Durante 2015, realizou 937 cirurgias no seu bloco operatório, entre cesarianas e de ginecologia em geral.

O Hospital procedeu, no mesmo período, a 38.054 análises clínicas nas áreas de hematologia, urina, fezes, bacteriologia e serologia.

Vocacionada para o atendimento médico de crianças e mulheres grávidas, esta unidade de saúde comporta 149 camas e dispõe de 170 funcionários, entre enfermeiros, parteiras e médicos que atendem, diariamente, mais de 50 pacientes.

O hospital dispõe de serviços de pré-natal, ginecologia, obstetrícia, puericultura, pediatria e PAV, entre outros.

 

 

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Justino Tchikenje

 “O corpo humano tem um período limitado para o repouso, sendo por isso o movimento constante a melhor opção para manter em funcionamento todos os órgãos, e, desta forma, promover a saúde e o bem-estar”

Médico alerta para os riscos do sedentarismo

 

Demasiado tempo de repouso do corpo decorrente do uso excessivo do automóvel, do sofá da sala, e da falta de exercício físico em geral foi apontado como um dos factores causadores de doenças cardiovasculares e inflexibilidade articular.

 

O alerta foi feito este mês, no Dondo, município de Cambambe, pelo médico Justino Tchikenje. Em declarações à imprensa, o clínico afirmou que a sociedade angolana registou nos últimos tempos uma enorme explosão no que se refere ao uso de meios de transporte, até para deslocações curtas, remetendo muitas pessoas ao sedentarismo, o que pode provocar o disfuncionamento dos diferentes órgãos do corpo humano.

Referiu que demasiado tempo de repouso do corpo leva a um fraco funcionamento do coração, dos rins, bem como reduz a capacidade da pele em eliminar os resíduos resultantes do metabolismo orgânico, prejudiciais à saúde.

Na sua opinião, o uso excessivo de meios rolantes nas deslocações devia ser acompanhado de práticas de exercício físico, para permitir a queima das gorduras nos vasos arteriais que dificultam a circulação sanguínea, responsável por acidentes cardiovasculares.

Alertou para o facto dos indivíduos que permanecem demasiado tempo sentados numa cadeira, em casa, no escritório, ou na viatura, são mais propensos a terem debilidades no funcionamento dos rins, cuja missão é a de eliminar produtos tóxicos do sangue.

Justino Tchikenje explicou que o corpo humano tem um período limitado para o repouso, sendo por isso o movimento constante a melhor opção para manter em funcionamento todos os órgãos, e, desta forma, promover a saúde e o bem-estar.

Chamou, contudo, a atenção para a necessidade do exercício físico ser doseado, de preferência com recomendações de um médico assistente, para evitar o aparecimento de alguma patologia que possa afectar o coração.

“É recomendável aos hipertensos e outros doentes fazerem marchas constantemente, mas sempre em observância da terapia ditada pelo médico, para se evitar a ocorrência de uma trombose”, frisou.

 

 

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Bolongongo regista ganhos em saúde

 

Os serviços de Saúde no município do Bolongongo, no Cuanza Norte, registaram melhorias significativas, nos últimos 14 anos de paz, de acordo como director municipal da Saúde, António Ernesto António.

 

O responsável disse que tal crescimento se deveu aos esforços do Governo com vista à melhoria do atendimento médico e medicamentoso às populações.

António Ernesto António sublinhou que os ganhos são incomensuráveis se se tiver em conta que, até 2004, o município de Bolongongo tinha apenas duas unidades sanitárias, na sede municipal e na comuna do Terreiro, todas elas degradadas em consequência da guerra que se seguiu à proclamação da independência nacional.

Explicou que, ao longo destes últimos anos, o município reabilitou e ampliou o Hospital Municipal e construiu, de raiz, mais 10 unidades sanitárias em várias localidades da circunscrição, o que veio a melhorar significativamente a resposta aos problemas de saúde nas comunidades.

 Outro grande ganho, acrescentou o responsável, consiste na prestação de serviços gratuitos aos pacientes que acorrem às unidades sanitárias do município do Bolongongo.

 

 

 

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Perguntas&Respostas

 

O que é a tuberculose?

A tuberculose é uma doença infecciosa causada por um micróbio chamado "bacilo de Koch". É uma doença contagiosa, que se transmite de pessoa para pessoa e que atinge sobretudo os pulmões. Pode também atingir outros órgãos e outras partes do nosso corpo, como os gânglios, os rins, os ossos, os intestinos e as meninges.

 

Quais são os sintomas mais evidentes?

– Tosse crónica;

– Febre;

– Existência e persistência de suores nocturnos (dos que ensopam o lençol);

– Dores no tórax;

– Perda de peso, lenta e progressiva;

– Falta de apetite, anorexia, apatia completa para com quase tudo o que está à volta.

 

Como se transmite?

A transmissão do micróbio da tuberculose processa-se pelo ar, através da respiração, que o faz penetrar no nosso organismo. Quando um doente com tuberculose tosse, fala ou espirra, espalha no ar pequenas gotas que contêm o bacilo de Koch. Uma pessoa saudável que respire o ar de determinado ambiente onde permaneceu um tuberculoso pode infectar-se.

Note-se que um espirro de um doente com tuberculose projecta no ar cerca de dois milhões de bacilos. Através da tosse, cerca de 3,5 mil partículas são igualmente projectadas para a atmosfera.

 

Todas as pessoas que entram em contacto com doentes tuberculosos podem ser contagiadas?

Não. A maior parte das vezes o organismo resiste e a pessoa não adoece. Contudo, por vezes, o organismo resiste no momento, mas continua a albergar o micróbio, motivo pelo qual quando fragilizado por alguma outra doença, como a sida, o cancro, a diabetes ou o alcoolismo, acaba por não resistir. Os idosos têm também mais possibilidades de adoecer logo após estarem em contacto com um tuberculoso, ou seja, com o ar que este respira.

Entre as pessoas que mais probabilidades têm de contrair esta infecção, contam-se os idosos, as crianças e as pessoas muito debilitadas por outras doenças.

 

Todos os pacientes

com tuberculose podem

transmitir a doença?

Não, apenas os doentes com o bacilo de Koch no pulmão e que sejam bacilíferos, isto é, que eliminem o bacilo no ar, através da tosse, espirro ou fala.

Quem tem tuberculose noutras partes do corpo não transmite a doença a ninguém porque não elimina o bacilo de Koch através da tosse.

Os doentes com tuberculose que já estão a ser tratados não oferecem perigo de contágio porque a partir do início do tratamento este risco vai diminuindo dia após dia. Quinze dias depois de iniciado o tratamento, é provável que o paciente já não elimine os bacilos de Koch.

Que factores facilitam o contágio?

– Estar na presença de um doente bacilífero (aquele que elimina muitos bacilos através da tosse, dos espirros, da fala);

– Respirar em ambientes pouco arejados e nos quais há predominância de pessoas fragilizadas pela doença;

– Permanecer vários dias em contacto com doentes tuberculosos.

 

Como se previne?

A prevenção é a arma mais poderosa e genericamente usada em todo o mundo. É feita através da vacina BCG (Bacilo de Calmette e Guérin), que é aplicada nos primeiros 30 dias de vida e capaz de proteger contra as formas mais graves de tuberculose. É, por isso, obrigatória e tomada por milhões de crianças em todo o mundo.

Deve ainda tratar-se, o mais breve possível, os doentes com tuberculose, para que o contágio não prolifere, e procurar não respirar em ambientes saturados, pouco arejados e pouco limpos.

 

A tuberculose tem cura?

Sim. Se o doente seguir a prescrição do médico e as suas indicações, as oportunidades de cura atingem os 95 por cento. Mas para que assim seja, é fundamental não interromper o tratamento em hipótese alguma, nem mesmo se os sintomas desaparecerem.

 

 

Como se trata?

Quando alguém adoece por causa do micróbio da tuberculose e fica tuberculoso, o tratamento consiste na combinação de três medicamentos: rifampicina, isoniazida e pirazinamida. Este tratamento dura cerca de seis meses e deve ser sempre acompanhado pelo médico de família do seu centro de saúde.

Em que situações é preciso internar

um doente com tuberculose?

Na maior parte dos casos, o tratamento deve ser ambulatório, ou seja, feito em casa e acompanhado no centro de saúde ou no hospital da área de residência do doente. Porém, se o diagnóstico não for feito no início da doença e os pulmões do doente ficarem gravemente afectados, inclusive originando outras complicações, o médico tem que observar o paciente e decidir se precisa do internamento. Nestas circunstâncias, as pessoas ficam muito fragilizadas e precisam de muito apoio.

No caso de um doente com tuberculose noutras partes do corpo, cabe ao médico tomar a decisão. Quando o doente contrai uma meningite tuberculosa tem forçosamente de ser internado.

 

A tuberculose mata?

Sim. Se uma pessoa com tuberculose não recorrer aos serviços médicos competentes e se não for tratada atempada e convenientemente, a probabilidade de vir a morrer na sequência da tuberculose é muito elevada.

Quando um doente abandona ou interrompe o tratamento que lhe foi prescrito, aumenta também a probabilidade de vir a morrer da doença, uma vez que possibilita o aparecimento de novos bacilos de Koch, resistentes aos medicamentos actualmente usados pelos médicos para o tratamento e controlo da tuberculose.

 

Como se diagnostica?

Se tossir consecutivamente durante cerca de três semanas, é recomendável que consulte o médico do centro de saúde da sua área de residência. Este médico pode pedir-lhe para fazer o exame do escarro ou baciloscopia e também uma radiografia ao tórax. Através dos resultados destes dois exames estará, então, em condições de avançar com o diagnóstico e encaminhá-lo para os serviços médicos competentes.

 

Se for diagnosticada uma tuberculose, é necessário parar de beber e de fumar?

Sim. Não é aconselhável, como se sabe, a associação entre medicamentos e bebidas alcoólicas. Podem até gerar-se outras complicações, como, por exemplo, o aparecimento de hepatite. É também desejável e necessário que o paciente pare de fumar, até porque isso melhorará a sua saúde como um todo e beneficiará a recuperação dos pulmões.

Caso persistam dúvidas ou alguma impossibilidade por parte do paciente em seguir estas recomendações, aconselha-se conversar com o médico ou com o responsável de saúde do centro de saúde da sua área de residência.

 

As grávidas podem ser tratadas com os medicamentos habituais para a tuberculose?

Sim, pois os medicamentos costumam ser seguros. Mas também neste caso se aconselha a consulta e uma conversa com o médico assistente para esclarecimento de dúvidas, designadamente as que se relacionem com a saúde da mãe e do bebé.

 

 

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Monografia.

Toxidermia ou cobra seca: revisão da literatura

 

Florentino F. Fernández Cue

Médico

 

A propósito de três pacientes portadores de toxidermia tratados no hospital 17 de Setembro, Sumbe, Cuanza Sul, em 2001-2002 e de um outro paciente fortuito em 2015.

Revisão da literatura até 2010.

 

Na edição do Jornal da Saúde nº 50, de Maio de 20141, publicámos uma experiência na aplicação do aloé vera e mel nos queimados, no Hospital 17 de Setembro, no Sumbe. Entre os pacientes tratados, observámos, no entanto, em três deles, que a sua doença tinha outra etiopatogenia, diferente das queimaduras por inflamáveis. São as denominadas toxidermias: doenças que surgem a partir de produtos químicos, medicamentos e infecções secundárias, ou primárias, sobre tudo a partir do estafilococo aureus. A propósito deste facto, procedemos a uma revisão bibliográfica do ano 2002 que não fora publicada. Entretanto, a partir do conhecimento desta experiência no hospital 17 de Setembro, fui contactado, em 2013, por um familiar de um doente que apresentava lesões similares à toxidermia, ou, como referiu na ocasião, tinha "Cobra Seca".

Ora, este acontecimento levou-nos fazer uma nova revisão deste tema, que, embora pouco frequente, é sumamente grave, e precisa de assistência médica imediata e do nível máximo assistencial. Frequentemente não pensamos nela quando a enfrentamos de início, e, portanto, também se deixam de aplicar as medidas pertinentes assistenciais e de evacuação estabelecidas. Acresce que os terapeutas tradicionais muitas vezes se vêem impossibilitados de gerir adequadamente esta doença, razão pela qual é tão temida no seu seio.

 

PARTE I

 Revisão da literatura até o ano 2000 (nos 10 anos anteriores)

Toxidermias. conceitos e definições de Necrólise Epidérmica Tóxica (NET), Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ), Síndrome da Escaldadura da Pele (SSSS), Eritema Multiforme major (EMm) e outras.

Historicamente, considera-se que a SSJ foi descrita, pela primeira vez, por dois médicos norte-americanos, Stevens e Johnson, em dois jovens do sexo masculino que apresentavam conjuntivites purulentas graves, estomatite associada a necroses da mucosa oral e exantema cutâneo. Contudo, já em 1878 e 1899, respectivamente, Ritter Von Ritterstain e Jonathan Hutchinson haviam descrito quadros clínicos semelhantes associados à toma de certos fármacos.

 A NTE foi descrita a primeira vez em 1956 pelo dermatologista escocês Allan Lyell que relatou quatro doentes com lesões cutâneas semelhantes a queimaduras após a ingestão de fármacos e que ele cunhou de Necrose Epidérmica Tóxica. Esta doença, que veio a ser conhecida por Síndroma de Lyell, foi designada de tóxica porque se pensava, na altura, que os sintomas sistémicos se deviam a toxinas em circulação. Lyell utilizou o termo necrolisis pela combinação das características clínicas de epidermólisis com as características histopatológicas de necrose.

A Síndroma de Stevens-Johnson (SSJ), a Síndroma de Sobreposição (SS) e a Necrolisis Tóxica Epidérmica (NTE) são emergências médicas raras, mas com elevada morbilidade e mortalidade. Estas entidades nosológicas caracterizam-se pelo atingimento difuso da pele e mucosas. A literatura referente às características destas doenças é normalmente escassa.

As relações existentes entre a Necrolisis Epidérmica Tóxica (NET), o Síndrome da Escaldadura da Pele (SSSS2), e a Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e o Eritema Multiforme major (EMm), representam temas da medicina que continuam gerando polémica e controvérsia. No presente trabalho, faz-se uma revisão actualizada da bibliografia disponível no período 1994-2000. Neste período a controvérsia envolve questões conceituais, o que inclui o estabelecimento dos critérios diagnósticos que permitam diferenciar melhor estas entidades nosológicas; também nas questões relacionadas aos factores desencadeantes e mecanismos etipatogénicos, ou ainda nas questões de conduta terapêutica, como por exemplo a indicação/contra-indicação de corticosteróides sistémicos.

Acresce o facto de participarem do atendimento aos pacientes, médicos de diferentes especialidades que analisam os casos de ângulos diferentes: dermatologistas, pediatras, intensivistas, internistas, infectologistas e, mais recentemente, profissionais da área de atendimento a queimados. Cada qual tem uma abordagem própria do tema o que certamente contribui para dificultar um consenso. Uma outra especialidade que também se enrola é a oftalmologia.

Uma questão, que já provocou polémica mas em torno da qual se estabeleceu consenso, é que devem ser separadas a SSSS (Staphylococcal Scalded Skin Syndrome) e NET. Estudos realizados em camundongos permitiram a reprodução da SSSS a partir da injecção de toxina estafilocócica. Estes argumentos levaram a separar da NET o quadro que ocorre em crianças de tenra idade, desencadeado pela toxina bacteriana, o qual tem curso relativamente mais benigno, com recuperação da grande maioria dos pacientes, e que corresponderia à SSSS. Mas, não podemos esquecer a presença da SSSS em adultos imuno suprimidos e que tem curso também relativamente mais benigno. Já a NET é geralmente desencadeada por drogas, ocorre principalmente em adultos, tem curso mais grave e óbito frequente (30 a 40%). Ambas apresentam extensas necroses epidérmicas, de todas as camadas, justos por em baixo da capa granulosa, levando ao aspecto de grande queimado. Igualmente há participação sistémica no paciente apresentando doença muito séria. Em consequência de tantas dificuldades, uma boa orientação seria manter o diagnóstico sindrómico tradicional de Necrose Epidérmica Tóxica (NET), admitindo duas variedades: uma seria do tipo SSSS e a outra simplesmente a denominada “ Síndrome de Ritter –Lyell”.

Uma segunda dificuldade conceptual ocorre quando se procura estabelecer uma linha divisória clara para separar o EMm com lesões cutâneas e mucosas disseminadas, da SSJ. Tanto do ponto de vista clínico, como anatomopatológico, esta diferenciação pode ser impossível. Tanto EMm como SSJ podem apresentar lesões em placas eritemato-edematosas, ou ainda lesões “em alvo”. A participação mucosa será indistinguível. Na microscopia óptica, em ambas as doenças (EMm e SSJ), pode ser encontrado um processo predominante dérmico (edema, vasodilação, infiltrado linfo-histiocitário), com quase nenhuma participação epidérmica; ou, ao contrário, um processo essencialmente epidérmico (necrose de queratinócitos, isoladamente ou em faixas extensas), com menor participação dérmica; também pode haver uma combinação de ambos os aspectos microscópicos. Não havendo elementos seguros para o diagnóstico diferencial entre EMm e SSJ a partir das lesões cutânea-mucosas, seja pela clínica, seja pela histopatologia, o dado principal passa a ser a existência, ou não, de sintomas sistémicos significativos. Na SSJ há febre elevada, persistente, além da marcada prostração, caracterizando uma enfermidade de curso grave, factos que não ocorrem no EMm. Ainda na SSJ outros órgãos podem ser envolvidos, como é o caso do pulmão (pneumonites ocorrem em até 25% dos casos), sobrevindo até mesmo a falência de múltiplos órgãos, o que leva a morte. O prognóstico é então totalmente diferente, em ambas as entidades, com recuperação sem maiores consequências, no EMm, enquanto o curso é grave, com sequelas até mesmo óbitos, na SSJ. Por todos os argumentos apresentados, o conceito actual é separar a SSJ do na EM na sua forma disseminada, dita “major”.

Todo o hospital que recebe estes pacientes tem uma percentagem de casos em torno de 15 a 20% do total de atendidos, onde a separação entre as duas entidades nosológicas é impossível de ser feita. Na experiência pessoal do autor, alinhamos neste modo de ver a questão, pois efectivamente têm sido tratados pacientes em que, até o momento da cura (ou do óbito), não foi possível saber exactamente se eram casos de SSJ ou de NET.

Em último lugar, é preciso considerar as dificuldades decorrentes do facto de uma mesma droga produzir diferentes reacções medicamentosas, o que é particularmente observado com anti convulsivantes. Reacções a esta droga surgem logo nas primeiras semanas de tratamento. Mas há também casos em que há febre, aumento proeminente de linfonodos, com alterações que sugerem um quadro de linfoma, além de alterações hepáticas. Este conjunto de sintomas caracteriza mais a síndrome de hipersensibilidade a drogas, SHD. As manifestações cutâneas e sistemáticas vão se agravando se a droga continuar a ser administrada e, inversamente, a suspensão da mesma é acompanhada de uma melhoria do quadro clínico. Não obstante, há casos publicados em que o início se deu como se fora um EM, mas que, posteriormente, evoluíram para SHD; há também comunicações de casos que iniciaram com as características da SHD e posteriormente evoluíram para SSJ ou para NET. Isto indica que o espectro precisa se alargar um pouco mais, para abranger também a SHD.

É didáctico que todas estas entidades sejam estudadas no conjunto de doenças denominadas como TOXIDERMIAS.

 

EPIDEMIOLOGIA

O conceito epidemiológico começou a mudar a partir dos anos noventa em consequência da constituição de grupos de estudo, em diferentes países, o que permitiu a colecta de dados através de protocolos. Um exemplo desse trabalho é dado pelo protocolo alemão, organizado para colectar dados sobre as três enfermidades que compõem o referido especto. A esse protocolo aderiram 100% das clínicas de queimados, de pediatria, de dermatologia e de medicina interna.

A tendência actual é admitir algo em torno de dois casos de SSJ por um milhão de habitantes / ano, e 1 caso NET para cada dois milhões / ano. Aceitando-se como provável esta incidência anual, para a região da grande São Paulo, com seus 18 milhões de habitantes, a estimativa seria de ocorrem 36 casos de SSJ e 9 de NET, anualmente. Não obstante, estes valores têm de ser aceites com certa reserva, pois resultaram de protocolos voltados para o estudo das severas reacções adversas produzidas por drogas, se levarmos em conta que Mycoplasma pneumoniae é causa frequente de SSJ, é claro que a ocorrência deve aumentar durante as epidemias provocadas por esse microrganismo. Onde a SIDA é fortemente endémica, como em África, deve esperar-se uma ocorrência anual das doenças desse complexo, em níveis superiores à dos países europeus.

 

ETIOLOGIA

As drogas representam o mais importante factor etiológico, no caso da NET. Na SSJ e no EMm elas são importantes, mas aqui ganha relevância a presença de agentes infecciosos.

Em 1994, um levantamento das drogas mais frequentes relacionadas ao complexo NET/SSJ/EMm está reproduzido na Tabela I. Do 1994-2000, além das drogas antes já conhecidas, ganharão relevância as seguintes: o anti convulsivante lamotrigina, o antibiótico Ciprofloxacina e, ainda, a Nevirapine um antiviral empregados no tratamento da SIDA (Tabela II).

Além das drogas, diversos microorganismos podem desencadear os quadros ora estudados. Seu papel etiológico é particularmente importante em EMm e SSJ, sendo de menor relevância na NET. Quanto aos vírus envolvidos, destaca-se o do herpes simples,

Nos infectados pelo VIH, as reacções adversas mais graves são justamente a SSJ e a NET.

O Mycoplasma pneumoniae continua ocupando seu lugar entre os agentes etiológicos de EMm e SSJ, sobretudo em crianças, como responsável etiológico maior.

O Stafilococcus Aureus penicilino-resistente encontra-se nas crianças com lesões dermatológicas que tomam as capas superficiais da pele nomeadamente até o nível dos queratinócitos, o que classicamente é conhecido como Síndrome da Stafilococcus Aureus B-Lactamassa (SSSS).

 

 

Leia na próxima edição a continuação deste artigo – patogenia, diagnóstico, tratamento e a Parte II

 

 

 

 

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José Sayovo.

Como é que eu, um cego, poderia correr?

 

Rui Moreira de Sá

 

Foi esta a pergunta que José Sayovo fez a si próprio quando, um certo dia, em meados de Setembro de 1999, o secretário-geral do Comité Paralímpico Angolano, António da Luz, e o Zé Manuel, treinador dos paratletas, o convidaram para começar a praticar atletismo. Estava internado no Hospital Militar de Luanda, cego há um ano, desde o dia em que uma mina antitanque rebentou debaixo do Kamaz em que seguia em direcção a M’Banza Congo, no Zaire.

 

Decidido a superar-se e a afastar a tristeza e a angústia de perda de visão aos 25 anos, na flor da vida, semanas depois estava a treinar e no mês seguinte a correr a sua primeira prova. Ficou em segundo, porque fumava e perdeu o fôlego com a meta à vista.  Nesse dia largou o tabaco. E as bebidas alcoólicas. Tornou-se num campeão paralímpico. O nosso campeão.

A sua biografia, contada na primeira pessoa, vai em breve ser publicada pela mão de Abílio da Conceição, da editora Manuscritus, com o apoio da BP Angola. “Um testemunho para as futuras gerações de angolanos”, conforme assegura no prefácio da obra o Presidente do Comité Paralímpico Angolano, Leonel da Rocha Pinto.

Enquanto não chega às bancas, com o provável título “O céu pode esperar”, oferecemos aos nossos leitores um breve trecho, com a devida vénia ao autor.

 

A primeira prova

 

A minha primeira prova pedestre aconteceu no dia 20 de Outubro de 1999, cinco dias depois de iniciar os treinos! Foi um percurso de três quilómetros, do Kinaxixi à Rádio Nacional de Angola, para assinalar o aniversário da ADDA. Lembro-me de ter corrido com uns ténis Converse e de vestir uns calções brancos. Colocaram-nos números no peito e tudo! Pareceu-me coisa séria. Como era militar, fumava muito – hábito adquirido nas casernas. Enquanto esperava pelo tiro de partida, acendi um cigarro e pus-me a fumar descontraidamente. Não sabia que, como atleta, não devia fumar. Amador, eu ignorava isso.

Entretanto, senti que alguém me deu uma palmada na mão e o cigarro, um Kingsport, caiu no chão.

– Quem me bateu na mão?! – gritei, enquanto procurava, às cegas, saber de onde veio o ataque.

– Não fume! Vai correr e está a fumar!

Reconheci a voz do treinador Zé Manuel e respondi:

– Oh, treinador, eu sempre fumei na tropa…

Até à data, eu era um fumador mais ou menos compulsivo. O quartel transforma os militares em fumadores compulsivos. Mas o treinador não estava para brincadeiras:

– Você vai correr e, portanto, não pode fumar; isso prejudica, não sabia?!

Não, eu não sabia. Acatei a ordem do meu treinador e agradeci o conselho. Desde o primeiro dia estabeleceu-se uma química entre mim e o treinador Zé Manuel.

O meu último cigarro jazia no chão como uma lembrança de um passado que não voltaria a incomodar-me. A partir daquele dia deixei de fumar.

Não passou mais de cinco minutos, deram o tiro de largada. O meu guia nesta prova foi um certo Nelson. Não voltei a ouvir falar dele.

O Ângelo Londaca, que já treinava há muito tempo, tinha experiência no atletismo paralímpico. Era o paratleta da actualidade e o favorito na prova. Mas, surpreendentemente, eu liderava a competição até faltarem uns duzentos metros para cortar a meta. E foi aí que o fôlego me faltou. Perdi o embalo e não ganhei. O Ângelo, que vinha atrás de mim a uma considerável distância, ultrapassou-me e cortou a meta em primeiro lugar. Eu saí em segundo lugar!

O cigarro fez o seu estrago: perder a corrida a duzentos metros da meta numa prova de três quilómetros foi como morrer na praia. O treinador tinha razão. O tabaco cobrou-me um preço muito alto: perdi a chance de ser o vencedor logo na minha prova de estreia. Por causa do cigarro, fiquei sem fôlego; claudiquei quando tinha a prova ganha, a vitória nas minhas mãos.

A partir desse dia, deixei de fumar. Era a opção certa se eu quisesse fazer carreira no atletismo, se quisesse ser um campeão, um vencedor. Hoje, não fumo, nem bebo bebidas alcoólicas!

No entanto, senti-me um vencedor por ter acabado a prova, por ter chegado à meta com escassos cinco dias de treino. Foi promissora a minha estreia numa competição.

Quando soube dos prémios fiquei regozijado. Não sabia que davam prémios! Até ali, julgava que apenas corria por passatempo, para fugir da rotina e do tédio do hospital. Fiquei muito feliz porque comecei a entender que, afinal, vale a pena sair à rua, correr.

Davam prémios! Isso compensava, era uma forma de contrabalançar os insultos que ouvia nas ruas: “Você é cego porque não vai descansar”; “Está a cansar-se à toa” e outras coisas nada moralizantes para nós.

As pessoas pensavam que cego deve ficar em casa, ou pedir esmolas pelas ruas da cidade. Naquele tempo do pós-guerra civil, muitos ex-militares portadores de deficiência ficavam pelos cantos e ruas da capital a pedir esmolas. A guerra cortou-lhes o caminho de regresso às suas zonas de origem e o destino trocou-lhes os passos e o futuro.

Desmobilizados e mutilados – sem pernas ou sem braços, cegos ou com outro tipo de mutilação – davam uma imagem macabra da guerra civil. Com os seus rostos cacimbados, olham com um misto de fúria e gratidão para as pessoas a quem estendiam a mão pedinte à caridade, pretendendo que elas fossem condescendentes, que lhes dessem a tão almejada esmola.

Podia-se vê-los na Mutamba, no Largo da Independência, nos mercados formais e informais e nas grandes superfícies comerciais. Eles haviam vencido uma guerra e a paz pretendia derrotá-los. (Felizmente, à medida que o país, dia após dia, se distanciava da guerra, os programas do Governo e de determinadas organizações não governamentais permitiram que as famílias se fossem reestruturando e os mutilados começaram a desaparecer das ruas de Luanda.)

 

Cegos de preconceitos

 

A opinião pública nacional, na generalidade, pensava que o destino dos mutilados de guerra, daqueles que se sacrificaram no cumprimento do dever militar, era ficar pelas ruas como pedintes e indigentes. Na altura, dizia-se que no país estavam enterradas cerca de 15 milhões de minas terrestres, mais de uma mina para cada homem, mulher e criança de nacionalidade angolana. Havia minas de todos os tipos e de muitas nacionalidades: israelitas, sul-africanas, chinesas, francesas, russas, coreanas, norte-americanas… O país contava com cerca de 70 mil mutilados, entre civis e militares. A maioria era – claro – militar como eu.

Eu estava a correr, também, contra essa opinião pública e contra o preconceito de certas pessoas. Contra a pobreza de espírito, eu corria, treinava. Não desanimava; pensava no doutor Pedro Albuquerque: “Sayovo, não perca a esperança”.

Cegas de preconceitos, as pessoas nada viam onde eu via um mar de oportunidades, uma saída para acabar com ostracismo social, uma janela para a cidadania. Mais tarde, a todos daria uma convincente lição de superação e de cidadania. Hoje, eu sei por que corria: para a superação e para a cidadania. Sim era uma questão de superação e de cidadania…

Apenas o que chegou em primeiro lugar recebeu um prémio. Quem chegou em segundo lugar, era o meu caso, não levou nada. O Ângelo recebeu um DVD – que ironia! –, um presente de luxo naquela época. Mesmo não recebendo nada, não fiquei desmotivado, antes pelo contrário, fiquei muito incentivado. Recebi apoio e encorajamento de muita gente que esteve no evento. Todos diziam que eu seria, um dia, campeão porque treinava havia apenas cinco dias. O segundo lugar era promissor.

Sim, um dia eu haveria de ser campeão. E comecei a alimentar uma secreta certeza de que um dia desses haveria de conquistar muitos primeiros lugares, prémios e medalhas.

– Desde o primeiro dia, notei que Deus nos havia agraciado: o Sayovo tinha uma fé inabalável na vitória, era movido por uma força de vontade de vencer – garante o guia Victor.

Mas, nessa prova, eu, de certo modo, fui um grande vencedor: larguei o cigarro (e a bebida, de seguida), comecei a treinar todos os dias; impus-me uma disciplina e um ritmo de treino, como se já fosse um campeão. Doravante só poderia pensar no primeiro lugar; só poderia ser vencedor!

 

 

 

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A escola e (o peso) das mochilas

 

Marta Gomes

Fisioterapeuta

 

O transporte de mochilas é hoje em dia um motivo de grande dor de cabeça dos pais e dos jovens.

 

Existem vários estudos acerca do peso das mochilas transportadas que concluíram que cargas superiores a 15% do peso da criança provocam alterações da postura e da marcha.

Com uma carga superior a 15% do peso da criança verifica-se a projecção da cabeça para a frente, os ombros elevados e rodados para dentro, uma menor capacidade em inspirar fundo e expandir a caixa torácica e uma inclinação do tronco para a frente, ou seja, alterações a nível de toda a coluna vertebral.

O peso correcto de uma mochila nunca deve ultrapassar os 10% do peso corporal da criança.

No caso de ultrapassar, os pais devem optar por uma mochila de rodinhas, evitando o peso ao nível das cos-tas.

No entanto, na mochila de rodinhas é muito importante verificar se a alça da mochila de rodas está ao nível da cintura da criança de forma a evitar inclinações do tronco durante o seu transporte. A forma como os materiais são arrumados no seu interior é muito importante sendo que, os objectos mais volumosos e mais pesados devem estar na vertical e o mais próximo possível das costas. Os bolsos da mochila podem ser utilizados para transporte de materiais como porta-lápis e carteira.

O transporte da mochila deve ser sempre feito em ambos os ombros com as duas alças em simultâneo permitindo, assim, a distribuição mais homogénea de peso.

 

Alças ajustáveis

As alças devem ser ajustáveis em altura e almofadadas. O fundo da mochila deve ficar próximo da região lombar, nunca mais de 10 cm abaixo da cintura. Se for possível, a mochila deve ter cinto para prender à cintura ajudando na distribuição de carga por toda a coluna e não só a nível cervical.

Os sacos desportivos de só uma alça produzem uma curvatura lateral da coluna com elevação do ombro o que resulta numa alteração da postura e da marcha nas crianças.

A hipótese neste caso será a preferência por mochilas com duas alças ou com rodinhas. No caso de ter que transportar duas mochilas é importante dividir o peso pelos dois hemicorpos (direito e esquerdo), ou seja, tal como quando carregamos as compras do supermercado, dividir os sacos pelas duas mãos.

É importante que os pais ensinem os filhos a retirar da mochila o material que não necessitam para as aulas no dia seguinte.

A criança deve pousar a mochila durante os intervalos e na viagem.

Os cacifos na escola deveriam ser acessíveis a todas as crianças. As aulas sempre na mesma sala permitem que a criança não tenha que andar com a mochila nos intervalos.

 

 

 

 

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Como prevenir problemas de coluna

 

Rui Garganta

Professor universitário

 

Como dificilmente temos as opções de deixar de trabalhar ou de arranjar profissões "mais saudáveis" ou compatíveis com eventuais problemas de coluna, é fundamental adoptar estratégias de prevenção e de compensação.

 

A maioria das dores nas costas não é provocada por grandes esforços, mas aparece como consequência de atitudes posturais incorrectas ou esforços pequenos mas repetidos. Desta forma, os grandes vilões da nossa coluna são os designados micro-traumatismos de repetição. Estes são provocados por situações repetidas, associadas à nossa profissão ou dia-a-dia, geradoras de traumatismos que, mesmo sendo pequenos, assumem uma enorme proporção quando realizados continuadamente ao longo dos dias, meses e anos.

Vamos apresentar um conjunto de cuidados a ter no local de trabalho que devem ser entendidos como propostas para uma "higiene regular".

Eles são importantes para todas as pessoas, mas essenciais para aqueles que sofrem e procuram evitar crises futuras.

 

Cuidados a  ter para

uem passa muito tempo de pé

Na posição de pé, parada, assumindo que as curvaturas da coluna estão no seu correcto alinhamento, a actividade muscular é quase nula. Neste caso, é o sistema nervoso que a assegura, através do tónus postural - uma força que se opõe ao efeito da gravidade. Os músculos, que nos permitem ficar na posição vertical, praticamente sem fazermos esforço, são designados de anti-gravíticos.

Embora económica, em termos de actividade muscular, a postura de pé não se consegue manter durante muito tempo, pois há músculos que ficam cansados, particularmente os da zona lombar. A alternativa é procurar compensar, isto é, de tempos em tempos, sentar ou, preferencialmente, deitar um pouco, para relaxar a musculatura das costas e das pernas. Chama-se à atenção para a importância de quebrar a rotina, alterando o factor traumático repetitivo.

Postura de pé

Esta postura, quando prolongada, é bem mais exigente do que a posição de sentado.

Na posição de pé, o cansaço leva a que se procurem posturas assimétricas de compensação, que podem dar lugar a desequilíbrios de coluna. Assim é importante ter em conta o seguinte:

– Quando se trabalha sobre uma bancada ou uma mesa, a altura desta deve estar ligeiramente abaixo do cotovelo. Se estiver demasiado baixa, provoca dores lombares; se for muito alta, provoca dores nos ombros e/ou pescoço.

– Quem fica muito tempo de pé, para além dos problemas de coluna, tem grandes probabilidades de ficar com derrames e/ou varizes.

– Procure evitar rotações ou torções de coluna em tarefas como varrer, aspirar, ou passar a ferro. O movimento deve ser realizado com o corpo todo e não apenas à custa da rotação ou torção do tronco pois estas provocam um grande esforço da coluna lombar.

– Sempre que o trabalho exige uma postura estática, deve procurar ficar o menos parado(a) possível, alternando com uns passos, elevando o peso do corpo sobre as pontas dos pés ou fazendo movimentos de reforço e estiramento. As "bombas" que fazem o sangue elevar-se, isto é, responsáveis pelo retorno venoso, estão por baixo dos pés e na região dos gémeos, a barriga das pernas, e, por isso é importante solicitar estas regiões.

– Se tiver de ficar muito tempo de pé e parado procure, pelo menos de vez em quando, encostar-se a uma parede, ou algo semelhante, para descansar os músculos das costas.

– Uma atenção especial deve ser dada ao tipo de calçado que se usa. Se tem problemas de coluna, deve evitar utilizar sapatos de sola dura e, para a mulher, o salto não deve ter uma altura superior a 2 dedos.

 

 

 

 

 

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