MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Os recursos humanos na saúde

 

Um dos maiores desafios que o sector da Saúde enfrenta é a gritante falta de quadros superiores, médios e básicos para responder às necessidades em todo o território nacional.

A construção de infra-estruturas hospitalares tem sido uma realidade em todo o país.
 Os médicos, enfermeiros e técnicos têm sabido corresponder às expectativas. Empenham-se com afinco e, nalgumas regiões, em condições difíceis para tornar funcional o sector da Saúde e evitar óbitos em milhares de famílias.

Contudo, o número de médicos em Angola é insuficiente para as necessidades, com o rácio de um médico para cada cinco mil habitantes, conforme revelou este mês, em Luanda, o ministro da Saúde, José Van-Dúnem, no Seminário Nacional da Política de Recursos Humanos da Saúde no âmbito da realização do Conselho Consultivo do seu Ministério. Segundo o governante, existem apenas 3.541 médicos, nacionais e estrangeiros, para os cerca de 18 milhões de angolanos. José Van-Dúnem acrescentou que, em Angola, trabalham 34.300 enfermeiros e 6.414 técnicos de diagnóstico e terapêutica, e salientou que, embora aqueles números não cheguem para as necessidades, triplicaram desde 2002, quando a guerra civil terminou no país.

Ainda assim, em muitos municípios existem apenas dois médicos ao dispor da população, situação preocupante. Para reverter o quadro, José Van-Dúnem recomendou a promoção e investimento em especializações médicas.

As prioridades, apontou o ministro, vão para as áreas de ginecologia e obstetrícia, pediatria, cirurgia, medicina interna, médicos de família, cardiologia, ortotraumatologia, patologias, clínicos e anestesistas e técnicos nas áreas de radiologia e cardiopneumologia.

Também neste sentido vai a apreciação do bastonário da Ordem dos Médicos de Angola, Carlos Pinto de Sousa, que preconiza um médico para cada três mil habitantes para que os cidadãos possam receber uma melhor assistência. Para este responsável, esta meta só vai ser alcançada se houver uma aposta séria na formação interna de mais médicos e com melhor qualidade.

A contrastar, temos um orçamento do Estado para 2014 em que a saúde sofre uma redução superior a 53 mil milhões de kwanzas, ou seja uma queda de 14,5% de 2013 para 2014. O seu peso na despesa total diminui em 1,3 pontos percentuais de 5,6% em 2013 para apenas 4,3% em 2014. A única rubrica da saúde que escapa aos cortes em 2014 são os serviços de centros médicos e de maternidade, cujos recursos aumentam 27,7% para 60,5 mil milhões de kwanzas.

Esperemos que as recomendações e subsídios saídos do Conselho Consultivo do Ministério da Saúde sirvam para acelerar as reformas que o sector conhece e que visam assegurar que todas as famílias angolanas tenham a garantia de assistência médica e medicamentosa de Cabinda ao Cunene.

 

 

 

 

Voltar

 

Paz e tolerância

 

A Fundação Lwini lançou o Programa de Intervenção Social “Educar é a Nossa Missão” – ao qual o Jornal da Saúde se associou – conforme noticiado nas últimas edições. O programa promove campanhas de sensibilização para a mudança de comportamento e de boas práticas no seio das famílias e da sociedade. As palestras têm um tema mensal para debate. Convidamos os leitores do JS a desmultiplicarem este esforço junto às suas unidades de saúde, empresas e instituições, promovendo um encontro de divulgação e debate sobre cada tema.

O tema central de Abril é a paz e a tolerância

Paz é geralmente definida como um estado de calma ou tranquilidade, uma ausência de perturbações e agitação, violência ou guerra, como por exemplo paz entre as nações e dentro delas. É um dos grandes objectivos das Nações Unidas.

No plano pessoal, paz significa um estado de espírito isento de ira, raiva, desconfiança e, de um modo geral, todos os sentimentos negativos.

Tolerância significa aceitar um mal menor por um bem maior. Define o grau de aceitação diante daquilo que é contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física. Devemos entender que nem tudo é perfeito. Parte do processo de uma vida exitosa e feliz é buscar sempre o melhor; mas nesse processo por vezes surgem falhas, erros e omissões, pelo que devemos aprender a valorizar a gravidade de uma falta para sancioná-la ou não.

Do ponto de vista da sociedade, a  tolerância é a capacidade de uma pessoa ou grupo social aceitar outrem que tem uma atitude diferente das que são a norma no seu próprio grupo social e comunitário.

A tolerância é necessária para não vivermos de maneira rígida e em excesso. É através da tolerância que podemos chegar ao mesmo ponto, através do consenso. Quando não há tolerância, o dialogo é mais difícil.

 

Temas colaterais para o mês de Abril: Compreensão, Flexibilidade Calma

 

 

 

 

Voltar

 

Feira da Saúde

“Mulher que se ama, se cuida”

 

“Mulher que se ama, se cuida” foi o lema da Feira da Saúde da Mulher, realizada pela Repartição da Saúde do Município de Luanda. O evento decorreu nos dias 7 e 9 de Março, na Praça da Família, para saudar o dia internacional da mulher e  incentivar as senhoras da província a cuidarem da sua saúde, recorrendo aos serviços prestados pelas unidades sanitárias, principalmente a consulta pré-natal e de planeamento familiar.

“Temos notado um grande absentismo das mamãs nas consultas pré-natal. Lamentavelmente, muitas delas não cumprem o calendário e, por vezes, realizam durante os nove meses apenas uma ou duas consultas, o que se traduz  num grande risco”, afirmou ao Jornal da Saúde, à margem da inauguração da feira, a directora da Repartição da Saúde da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda, a médica Vitória Cambuanda. A consequência “é o aumento do índice de mortalidade materno infantil. São consultas extremamente importantes para as gestantes porque ajudam o acompanhamento da gravidez e a preparação do parto. Só fazendo a consulta é que a gestante pode fazer o tratamento intermitente para prevenir o paludismo, doença que causa 25% de mortes neonatal”, enfatizou.

 

Exposição mostrou sala de parto

Durante o evento esteve patente uma exposição da sala de parto e do planeamento familiar, para que as pessoas que nunca tiveram contacto com estes serviços pudessem ver como são e ficar com uma ideia do que aí decorre.  Com o apoio do Centro Nacional de Oncologia foi feito o rastreio do cancro da mama e do colo de útero. Procedeu-se à realização de uma campanha de aconselhamento à testagem voluntária da SIDA, medição da tensão arterial, teste de glicemia – para quem quisesse saber se é diabético –, teste do grupo sanguíneo, desparasitação, consultas de clínica geral, de nutrição, assim como a vacinação de pessoas e animais. A medicação também esteve garantida.

Apesar de se dirigir fundamentalmente à mulher, o evento recebeu também visitas de homens, além de crianças, que beneficiaram dos ensinamentos.

 

 

 

 

 

Voltar

 

Mensagem sobre prevenção de doenças vai ser lançada em livro infantil

 

“A mensagem do Kaluanda-Piô (na prevenção do paludismo, pólio e dengue)” é o título do livro que será lançado no princípio do mês de Abril e que pretende contribuir para uma maior e melhor educação sanitária das nossas crianças, sobretudo das que vivem no meio rural, porque “prevenir uma doença é sempre mais fácil do que tratá-la!”, como afirmou em entrevista ao Jornal da Saúde o autor da obra, o jornalista Kim Freitas (Tio Kim).

Na verdade, já fazia falta na nossa sociedade uma obra que sensibilizasse as crianças para os perigos que estas doenças representam. O objectivo é que elas ganhem consciência de que podem prevenir essas doenças cumprindo regras básicas e simples onde a higiene corporal e do meio onde vivem são factores primordiais.

Segundo Kim Freitas, durante a sua experiência de trabalho em programas radiofónicos infantis, ao longo de mais de 20 anos, constatou que existe um grande desconhecimento, quer da parte das crianças, quer da parte dos pais, sobre a forma correcta de se prevenirem doenças muito comuns, como o paludismo. “O facto é ainda agravado porque nas escolas, onde as crianças passam a maior parte do tempo, alguns professores não ensinam as noções básicas da educação sanitária (nem que seja só para a motivação da aula, não existe esta orientação para as nossas crianças)”, argumentou.

O livro é também um “alerta” para que professores e educadores de infância possam, no seu dia-a-dia, informar as crianças da necessidade de se prevenirem de doenças graves evitáveis, como é o caso não só do paludismo, poliomielite ou dengue, mas também da cólera, tuberculose, tétano, febre tifóide, entre outras.

 

Iniciativa louvável

Para o director nacional do programa da malária, Filomeno Fortes, que prefaciou o livro, “trata-se de uma iniciativa louvável e que encoraja o programa infantil da Rádio Luanda, o Kaluanda-Piô, a afirmar-se como um parceiro forte do Ministério da Saúde na difícil jornada de reduzir a morbilidade e a mortalidade das doenças transmissíveis, em Angola”.

O livro é recomendado às crianças, encarregados de educação, professores, técnicos de saúde, entre outros.

O autor e a sua equipa de trabalho prometem levar a obra ao maior número possível de locais do País (distritos, municípios, aldeias), quer no âmbito da promoção do livro, como da realização de palestras sobre a educação sanitária ou espectáculos musicais com vários concursos ligados a matéria de saúde.

Editado pelo Projecto Ndenguelândia, a obra apresenta-nos uma linguagem acessível, com ilustrações de Armando Eduardo, 32 páginas, impresso pela Damer Gráficas, num total de 2000 exemplares.

 

 

 

 

 

Voltar

 

Gestores públicos destacam importância do Plano Municipal de Desenvolvimento Sanitário na melhoria da assistência médica

 

“A mensagem do Kaluanda-Piô (na prevenção do paludismo, pólio e dengue)” é o título do livro que será lançado no princípio do mês de Abril e que pretende contribuir para uma maior e melhor educação sanitária das nossas crianças, sobretudo das que vivem no meio rural, porque “prevenir uma doença é sempre mais fácil do que tratá-la!”, como afirmou em entrevista ao Jornal da Saúde o autor da obra, o jornalista Kim Freitas (Tio Kim).

Na verdade, já fazia falta na nossa sociedade uma obra que sensibilizasse as crianças para os perigos que estas doenças representam. O objectivo é que elas ganhem consciência de que podem prevenir essas doenças cumprindo regras básicas e simples onde a higiene corporal e do meio onde vivem são factores primordiais.

Segundo Kim Freitas, durante a sua experiência de trabalho em programas radiofónicos infantis, ao longo de mais de 20 anos, constatou que existe um grande desconhecimento, quer da parte das crianças, quer da parte dos pais, sobre a forma correcta de se prevenirem doenças muito comuns, como o paludismo. “O facto é ainda agravado porque nas escolas, onde as crianças passam a maior parte do tempo, alguns professores não ensinam as noções básicas da educação sanitária (nem que seja só para a motivação da aula, não existe esta orientação para as nossas crianças)”, argumentou.

O livro é também um “alerta” para que professores e educadores de infância possam, no seu dia-a-dia, informar as crianças da necessidade de se prevenirem de doenças graves evitáveis, como é o caso não só do paludismo, poliomielite ou dengue, mas também da cólera, tuberculose, tétano, febre tifóide, entre outras.

 

Iniciativa louvável

Para o director nacional do programa da malária, Filomeno Fortes, que prefaciou o livro, “trata-se de uma iniciativa louvável e que encoraja o programa infantil da Rádio Luanda, o Kaluanda-Piô, a afirmar-se como um parceiro forte do Ministério da Saúde na difícil jornada de reduzir a morbilidade e a mortalidade das doenças transmissíveis, em Angola”.

O livro é recomendado às crianças, encarregados de educação, professores, técnicos de saúde, entre outros.

O autor e a sua equipa de trabalho prometem levar a obra ao maior número possível de locais do País (distritos, municípios, aldeias), quer no âmbito da promoção do livro, como da realização de palestras sobre a educação sanitária ou espectáculos musicais com vários concursos ligados a matéria de saúde.

Editado pelo Projecto Ndenguelândia, a obra apresenta-nos uma linguagem acessível, com ilustrações de Armando Eduardo, 32 páginas, impresso pela Damer Gráficas, num total de 2000 exemplares.

 

 

 

 

 

Voltar

 

Primeiros gestores da saúde já estão a introduzir melhorias nas suas unidades

Curso de especialização em gestão da saúde termina com sucesso

 

Sete dias em Portugal, visitando, comparando e analisando os modelos de gestão de diversas unidades de saúde, desde o hospital do Barreiro, ao de Coimbra, passando pelo da Cruz Vermelha, pelo Agrupamento dos Centros de Saúde de Sintra, e pela Faculdade de Medicina de Lisboa, foi a “cereja em cima do bolo” com que os primeiros 14 gestores angolanos de unidades de saúde foram brindados, na semana em que receberam os seus diplomas.

 

Participantes muito satisfeitos

O director do Centro Ortopédico do Negage, Amaral Domingos,  garantiu ao Jornal da Saúde que vai  aproveitar bastante o input apreendido para melhorar a qualidade do seu trabalho, corrigir os erros e aplicar as inovações. “Vou começar pela área dos recursos humanos. Sinto-me feliz por fazer parte deste primeiro grupo e espero que esta especialização não pare por aqui: outros profissionais angolanos precisam de fazer este programa de formação”.

Para o Director do Hospital Militar da Caála, Fernando Vicente, “é preciso que existam profissionais formados e capacitados para que, estando no presente, possam prever o futuro. No que tem a ver com a qualidade, começamos a pensar que estamos em condições. A representatividade a nível das províncias é notória. As nossas comunidades podem contar agora com quadros mais capacitados e sensibilizados para o cumprimento do Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário e, numa perspectiva mais lata, para o próprio desenvolvimento de Angola. As matérias dadas aqui no curso são muito abrangentes, e, quando se fala em inovação, toca-se em vários aspectos”.

De acordo com o director do Hospital Municipal do Negage, Luzaiadio José, “as matérias são valiosas, estou bastante satisfeito porque agora tenho bagagem técnico-científica em gestão. Munidos dessas ferramentas, estaremos em condições de podermos fazer chegar as inovações na área da saúde à província do Uíge”.

Segundo o director do Hospital Geral do Cuanza Norte, Miguel Gaspar Sebastião, “esta formação surge no âmbito do plano global da formação de quadros, representou uma chance de superação e constituíu um privilégio para nós, do interior do país. Espero que os cursos tenham continuidade para que todos os médicos e directores hospitalares possam comungar da mesma ideia. Este curso foi uma mais valia porque fomos dotados de conhecimentos que nunca tivemos e pensávamos que só com uma deslocação para fora do país é que poderíamos fazê-lo”.

Por sua vez, o director do Hospital Materno Infantil do Kuanza Norte, Arão da Silva, garantiu ao Jornal da Saúde já ter “solucionado alguns problemas graças aos conhecimentos que adquiri nos módulos desta formação e que se traduzem na valorização dos profissionais que dela participam. Também sei que, dentro de alguns anos, a muitos directores de hospitais ser-lhes-á pedido, no currículo, formação em gestão de saúde, competências fundamentais para dirigir a sua unidade, sabendo o que está a fazer e sem atropelos”.

 

Expectativas excedidas

De acordo com o director do Indeg, Paulo Bento, “as expectativas foram excedidas. Encontrámos pessoas muito interessadas e uma turma nem demasiado homogénea, nem demasiado heterogénea, pelo que o balanço é muito positivo”.

Na qualidade de professor do último módulo sobre Gestão da Inovação e da Qualidade de Serviços na Saúde, Paulo Bento adiantou que “contrariamente ao que muita gente pensa, existem poucos artigos sobre gestão de inovação na área da saúde e muito menos em português. Este facto foi uma surpresa para os participantes, assim como o facto de as inovações que têm sido introduzidas nesta área também serem em número muito inferior quando comparadas a outro tipo de serviços”.

Segundo o professor, as inovações registadas em outros sectores da sociedade, outras indústrias, é muito superior. “Existem duas razões para que assim seja: uma é que com a saúde não se brinca. Podemos fazer experiências em muitas áreas, mas na saúde, quando há maus resultados, cria-se um problema para os médicos, doentes, para a farmacêutica e para os governos; a outra razão, claramente, é a própria classe.

O primeiro programa de especialização avançada em gestão da saúde, foi desenvolvido em Luanda pelo INDEG / ISCTE, em parceria com o Jornal da Saúde de Angola e empresa angolana Marketing For You.

No total participaram mais de 25 alunos de sete províncias do país, nomeadamente, Uíge, Cuanza Norte, Luanda, Huambo, Malange, Bié e Cuanza Sul.

 

 

 

 

Voltar

 

Reabilitado e com múltiplas valências para assistência médico-medicamentosa

Hospital municipal da Cela abre brevemente ao público

 

O Hospital Municipal da Cela, localizado em Kissanga-Kungo, na província do Cuanza Sul, com múltiplas valências para assistência médico-medicamentosa, fruto das obras de reabilitação e ampliação de que beneficiou, abre brevemente ao público, para a satisfação das autoridades administrativas e da população em geral.

 

As obras de reabilitação e ampliação da unidade hospitalar decorreram entre 2009 e Abril do ano passado e estiveram a cargo do Grupo Israelita Mitrelli, sendo financiadas pelo programa de investimentos públicos (PIP) do Executivo angolano.

Para a abertura da unidade hospitalar ao público decorrem trabalhos de inventariação dos equipamentos por uma equipa de especialistas portugueses chefiada por Luís Matias. Este responsável afiançou ao Jornal da Saúde que os equipamentos instalados são de boa qualidade e que vão garantir uma prestação de serviços mais digna e à altura das necessidades. De seguida, aguarda-se a intervenção de técnicos que estiveram envolvidos nas obras de reabilitação e ampliação para a testagem dos equipamentos, um processo que, de acordo com as autoridades administrativas do município, ocorrerá num curto espaço de tempo.

 

Dependências do Hospital da Cela

No Hospital da Cela estão instalados equipamentos modernos de última geração em todas as áreas: banco de urgências, consultórios de medicina geral, serviços de pediatria, cirurgia, radiologia, laboratório de análises clínicas, ortopedia, maternidade, três blocos operatórios, secção de canalização de oxigénio para as áreas cirúrgicas – é de destacar que esta é a única unidade hospitalar a dispor destes equipamentos ao nível da província do Cuanza-Sul. O Hospital dispõe também de uma cozinha, refeitório e lavandaria, armazéns, entre outras áreas dos cuidados técnicos.

Na área de cirurgias, destaca-se a montagem do equipamento de laparoscopia que permite executar uma cirurgia sem invadir partes do corpo desnecessariamente: trata-se de uma das valências mais modernas em matéria de intervenções cirúrgicas.

O Hospital Municipal da Cela tem capacidade para 176 camas, com base em  padrões internacionais que recomendam a acomodação  de quatro pacientes por cada sala de internamento.

 

Quadro do pessoal técnico

O director administrativo do Hospital Municipal da Cela, Domingos Policarpo Fonseca, afirmou que o plano analítico de classificação do pessoal, remetido à secretaria do governo da província e adequado à nova estrutura do Hospital, define um aumento de mais 250 enfermeiros em relação aos 109 existentes, para compatibilizar a dimensão da estrutura, dos equipamentos e dos diversos serviços que vão ser prestados na unidade hospitalar. Ainda neste quadro, o número de médicos necessários é de 30 a 50, de acordo as necessidades que forem surgindo. Porém, a realidade actual é de  oito médicos que prestam serviços ao nível do município.

 

Capacitação dos técnicos

Domingos Fonseca Policarpo adiantou ao Jornal da Saúde que a entrada em funcionamento em breve do Hospital da Cela vai requerer a actualização do pessoal sobre o manuseio dos equipamentos ali instalados. "Vai decorrer o processo de capacitação dos enfermeiros e outros técnicos sobre o manuseio dos novos equipamentos instalados para que possam prestar serviços com elevada competência", frisou.

O director administrativo do hospital municipal da Cela, Domingos Fonseca, reconheceu que com a entrada em funcionamento do empreendimento, vão ser dadas resposta às várias solicitações dos pacientes, que até aqui eram evacuados para as províncias do  Huambo e Luanda.

"As obras estão concluídas e estamos de parabéns, porque as populações vão deixar de percorrer longas distâncias para os hospitais de referência ao nível do Cuanza-Sul ou das províncias limítrofes, como o Huambo e Bié, uma vez que o hospital da Cela vai dispor de serviços especializados e modernos", garantiu o director administrativo.

 

Administradora Municipal augura dias melhores

A administradora municipal da Cela, Amélia Agria Russo, manifestou o seu optimismo quanto à abertura do Hospital da Cela, já reabilitado e ampliado, e garantiu que a abertura ao público da unidade hospitalar vai responder às necessidades das populações, não só da circunscrição municipal, como também dos municípios limítrofes, como Quibala, Cassongue e Ebo. Quanto aos trabalhos em curso para a abertura do hospital ao público, a Administradora do Município garantiu o empenho total e apoio para que os processos de inventariação e  de testagem decorram o mais breve possível.

"Estamos a apoiar a equipa de especialistas portugueses que está a trabalhar para que sejam ultrapassados os actuais constrangimentos. Pensamos que decorridos os processos de inventariação e de testagem estejamos em condições para a abertura do hospital ao público de forma sustentada", disse.

Amélia Agria Russo disse, por outro lado, que o Hospital Municipal da Cela ainda não é uma unidade orçamentada, estando em curso a sua formalização pelas estruturas centrais para que possa ter autonomia administrativa, financeira e patrimonial para uma gestão mais eficiente, que responda aos desafios da conjuntura actual.

 

Funcionamento actual do Hospital da Cela

Com a entrada das obras de reabilitação e ampliação do Hospital Municipal da Cela, a assistência médica e medicamentosa às populações passou a ser feita em instalações provisórias na parte adjacente do hospital, já com obras concluídas.

Apesar das suas limitações, em termos de comodidade, o hospital provisório presta serviços de banco de urgência, de medicina geral e pediatria, ao passo que os serviços que requerem atenção especial, como a maternidade e análises clínicas, passaram a ser levados a cabo pelo centro materno-infantil, localizado no centro da cidade do Waco Cungu. Porém, a afluência das mulheres em consultas pré-natal criou congestionamento no único centro materno-infantil, pelo que a administradora do município considera que a situação vai ser ultrapassada com a abertura do hospital municipal da Cela, visto que dispõe de uma vasta área para a maternidade.

Actualmente, o corpo clínico que presta serviços nas instalações adaptadas é composto  por oito médicos, sendo dois nacionais e seis expatriados e 109 enfermeiros de vários escalões. O atendimento médio diário é de 30 casos, entre paludismo, doenças diarreicas agudas e infecções respiratórias agudas, febre tifóide e traumatismos resultantes dos constantes acidentes de viação.

No cômputo geral, a rede sanitária do município da Cela compreende um hospital municipal de referência, quatro centros de saúde e 27 postos de saúde. Prestam serviços ao sector oito médicos e 218 enfermeiros de vários escalões.

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

Escola superior de enfermagem em construção no Zaire

 

A província do Zaire vai contar a partir deste ano com uma Escola Superior de Enfermagem que está a ser construída no espaço adjacente ao futuro hospital provincial na localidade de Nkunga-a-Paza, periferia da cidade de Mbanza Congo.

 

O lançamento da primeira pedra para a construção do referido estabelecimento de ensino coube ao ministro da Saúde, José Van-Dúnem, no quadro da sua visita à província, onde aferiu igualmente o funcionamento do sector que dirige.

A escola está a ser projectada numa área de mil metros quadrados e comporta três edifícios, dos quais um para o corpo docente ao passo que os restantes dois contemplam seis laboratórios, salas de aula, além de compartimentos administrativos. As obras cujo orçamento não foi revelado devem durar 18 meses úteis.

O ministro da Saúde considerou o empreendimento de grande valia para o sector e augurou que ele possa transformar-se, no futuro, numa verdadeira Escola Superior de Ciências da Saúde, a julgar pela sua dimensão e a diversidade das especialidades a serem ministradas.

José Van-Dúnem que encabeçou uma vasta delegação do seu Ministério constituída, entre outros técnicos, pelo inspector-geral da Saúde, director-geral da central de compras do CECOMA, do Instituto Nacional de Luta Contra a SIDA e da Saúde Pública, disse ter notado um enorme esforço por parte do governo provincial na construção de infra-estruturas sanitárias, sublinhando mais adiante que a grande preocupação continua a residir na insuficiência de recursos humanos para o seu pleno funcionamento.

“Nesta visita à província do Zaire constatamos um esforço extraordinário na construção de infra-estruturas sanitárias”, referiu o governante para quem a região tinha, num passado não muito distante, muitas carências, como é o caso de vários doentes que dormiam na mesma cama com patologias diferentes.

Este facto, prosseguiu, pressionou o governo da província, em articulação com as estruturas centrais, para a construção de novas infra-estruturas, de modo a que diminuísse ou acabasse a pressão que existia a nível das unidades sanitárias locais.

“O presidente da República orientou no sentido de aproximarmos as unidades de saúde com qualidade às populações, para melhorar os indicadores de saúde e aumentar o sentimento de satisfação das pessoas em relação os serviços prestados”, disse.

 

Conservação de fármacos

 No domínio dos fármacos e da sua conservação, o ministro referiu não notar debilidades na região. Pediu apenas às autoridades sanitárias locais, maior esforço na organização e racionalidade nas compras dos medicamentos no sentido de se alcançar mais e melhores resultados.

“Tem que haver um esforço de organização e de racionalidade a nível das compras, para que possamos utilizar os recursos de uma maneira mais eficiente. Por isso trouxe o inspector-geral da Saúde, o director-geral da central de compras do  CECOMA que marcaram encontros com os colegas aqui no Zaire para realizar acções formativas dentro daquilo que está regulamentado”, advertiu.

O ministro da Saúde lembrou a existência no Zaire de uma equipa cubana denominada “TRI” composta por um médico, um licenciado em enfermagem e um estatístico que trabalham na promoção de acções de formação e supervisão a nível de todos os municípios da província.

Segundo ele, a referida equipa reveste-se de grande importância para o sector no quadro dos esforços em curso para que as dificuldades na formação dos recursos humanos sejam ultrapassadas.

O titular da pasta da Saúde que durante a sua estadia de dois dias no Zaire visitou os municípios do Tomboco e Nzeto acompanhado do governador provincial, Joanes André, admitiu existir um défice de recursos humanos na província, em particular e no país em geral.

“Neste momento há um esforço do Governo provincial e do Ministério para atrair profissionais para virem para aqui. Os profissionais vão para onde forem bem acomodados e com condições de trabalho mais atractivas”, asseverou.

Para ele, a formação, habitação e remuneração, afiguram-se como factores determinantes na fixação de quadros na província. Sublinhou que de momento o sector da Saúde socorre-se da cooperação externa, o que considerou ser insustentável. Defendeu por este facto a necessidade da criação de condições que possam servir de motivação para os jovens médicos trabalharem em todos os municípios.

 

Partos institucionais

 O responsável revelou, na ocasião, que os partos assistidos na província triplicaram entre 2004 e 2013. Eram à volta de quatro mil e passaram a 12 mil institucionais, facto que qualificou de um crescimento exponencial, constituindo, por isso, um motivo de satisfação para a região.

“Este esforço deve servir de catalisador para outro tipo de esforço, mormente formar e continuar a construir unidades sanitárias próximo das pessoas, mas, fundamentalmente, ganhar a confiança dos utentes em relação aos serviços prestados”.

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

Mais de 50% dos indivíduos nunca tinha realizado uma medição da pressão arterial

Um quarto da população é hipertensa e quase metade  pré-hipertensa

 

As doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 17 milhões de mortes anualmente em todo o mundo.1 A Hipertensão Arterial (HTA) é o principal fator de risco de mortalidade, sendo-lhe atribuídas a nível mundial mais de 7 milhões de mortes por ano.2 Estima-se que vivam cerca de 75 milhões de indivíduos hipertensos na África Subsariana, com previsão de crescimento para mais de 125 milhões em 2025.3 Embora existam vários estudos efetuados em países africanos, em Angola não existe ainda um total conhecimento da magnitude deste problema de saúde pública.

 

Num período de transição epidemiológica são necessárias estratégias de prevenção, diagnóstico e acesso a tratamento adequado, sobretudo em países onde se teme que um crescimento económico massivo tenha impacto nos fatores de risco cardiovasculares associados ao estilo de vida.5

O estudo promovido pelo CISA (Centro de Investigação em Saúde em Angola), para o qual se contou com o apoio da FESA (Fundação Eduardo dos Santos), foi publicado em 2013 (Pires J et al.: Hypertension in Northern Angola: prevalence, associated factors, awareness, treatment and control. BMC Public Health. 2013; 13:90) e fornece dados sobre a prevalência de HTA em Angola. Este estudo teve como objetivo a determinação da prevalência da HTA e as suas implicações numa população adulta da província do Bengo, com idade compreendida entre os 18 e os 64 anos.

 

Métodos

Foi realizado um estudo comunitário entre Outubro e Dezembro de 2011, selecionando-se uma amostra aleatória através da base de dados do Sistema de Vigilância Demográfica (SVD) do Projeto CISA, no município do Dande. O SVD monitoriza mais de 60000 pessoas, facultando informação demográfica e facilitando a implementação de estudos epidemiológicos.6,7

A amostra incluiu 35 dos 69 bairros que fazem parte do SVD, com 1464 indivíduos. Os participantes responderam a um questionário relativo a fatores sociodemográficos e relacionados com o estilo de vida (nomeadamente, consumo de tabaco e álcool).

As medições antropométricas (peso, altura, perímetro abdominal e de cintura) foram efetuadas para avaliar variáveis como o Índice de Massa Corporal (IMC) ou obesidade abdominal. Finalmente, a medição da pressão arterial foi efetuada após um período de repouso, sendo definida a HTA quando os indivíduos registavam valores de pressão arterial sistólica acima de 140 mmHg e/ou pressão arterial diastólica acima de 90 mmHg.

Todos os indivíduos identificados como hipertensos foram referenciados para uma consulta de especialidade no Hospital Geral do Bengo (HGB), para confirmação do diagnóstico pelo médico cardiologista. Face ao baixo número de participantes que recorreu à consulta, efetuou-se um inquérito no sentido de perceber as razões que os levaram a não comparecer.

Resultados

Dos 1464 participantes, a maioria (59.1%) foram mulheres. A amostra era em grande parte de proveniência urbana (87.9%), com idade média de 33.7 anos. Mais de um quinto dos indivíduos nunca tinham frequentado a escola e apenas 17.9% tinha ensino secundário ou superior.

No que respeita aos hábitos de consumo de bebidas alcoólicas, cerca de metade dos participantes reportaram consumir com frequência, sendo esta percentagem superior nos homens (58.8% versus 38.2%). Por sua vez, as proporções de excesso de peso e obesidade foram superiores nas mulheres (34.4% versus 17.5%). Em relação ao tabagismo, apenas 11.1% dos indivíduos fumavam.

Cerca de 23% dos participantes deste estudo apresentaram valores compatíveis com HTA, aos quais acrescem 44.8% com valores de pré-HTA (pressão arterial sistólica superior a 120 mmHg e/ou pressão arterial diastólica acima de 80 mmHg).

Dos indivíduos hipertensos, apenas cerca de um quinto estava ciente da sua patologia, 3% estava sob-medicação anti-hipertensora e somente 1% tinha valores de pressão arterial controlados.

Encontraram-se as seguintes associações estaticamente significativas com a HTA:

— Idade: indivíduos com mais de 41 anos apresentaram uma maior prevalência face aos mais jovens (42.9% versus 14.8%);

— Sexo: a proporção foi superior no sexo masculino (26.4% versus 19.8%);

— Nível de educação: os valores foram superiores nos participantes que nunca frequentaram a escola em comparação com os que possuiam o nível médio/superior (35.3% versus 17.9%);

—  IMC: os indivíduos obesos apresentaram valores mais elevados do que os que tinham valores de IMC normais (38.1% versus 20.1%).

— Consumo de álcool e tabaco: os participantes que tinham hábitos etanólicos apresentaram maior prevalência (26.9% versus 19.4%), sendo o mesmo aplicável aos fumadores (35.6% versus 21.4%).

Apenas 27.6% dos participantes identificados como sendo hipertensos recorreram à consulta hospitalar. Os custos associados ficaram a cargo do Projeto CISA e a eventual medicação prescrita foi disponibilizada pelo HGB. As principais razões apresentadas para não comparecimento foram a falta de tempo (41.8%), de dinheiro (40%) ou de transporte (34.5%). Dos que recorreram, a maioria (81.7%) teve a confirmação do diagnóstico.

Após o período inicial de referenciação, a consulta ficou à responsabilidade do HGB, tendo sido os indivíduos incluídos nas listas de doentes seguidos em consulta externa pelo cardiologista.

 

Conclusão

Este inquérito foi o primeiro estudo de prevalência comunitária de HTA e fatores de risco efetuado em Angola, trazendo novos dados no que respeita este problema de saúde pública.

Estima-se que cerca de um quarto da população em estudo seja hipertensa e quase metade dos participantes pré-hipertensos. Foi possível encontrar uma alta prevalência de fatores de risco cardiovasculares (como a obesidade, o tabagismo e consumo de álcool) que terão impacto na prevalência da HTA e complicações associadas, e que ainda não foram detetadas devido ao curto período de exposição. Mais de 50% dos indivíduos nunca tinha realizado uma medição da pressão arterial.

Embora a prevalência de HTA registada vá ao encontro de outros estudos realizados em países da África Subsariana, os valores de consciencialização, tratamento e controlo são extremamente baixos, pelo que, no futuro, se tornará necessário tomar medidas de saúde pública que assegurem o seguimento e tratamento das doenças crónicas não transmissíveis.8 De sublinhar a elevada prevalência dos factores de risco cardiovasculares que futuramente terão que ser alvo de estratégias de controlo com enfoque na educação e promoção para a saúde.

O impacto do recente e rápido crescimento económico em Angola nos fatores de risco cardiovasculares precisa ser considerado.9 Os dados fornecidos pedem a implementação de políticas de saúde que promovam a prevenção primária, diagnóstico preciso e acesso a opções de tratamento eficazes para a HTA. À semelhança de outros países desta região, Angola enfrentará o desafio de alocação de recursos em saúde enquanto a transição epidemiológica decorre e é sentido pelas populações um duplo fardo de doenças (infecciosas agudas versus crónicas não transmissíveis).10,11

 

Perspetivas

Para além dos dados relativos à prevalência de HTA, importa também estimar a sua incidência em populações angolanas, e identificar os indivíduos que têm maior probabilidade de desenvolver HTA a médio e longo prazo. Estimativas corretas da taxa de incidência de HTA e a identificação dos seus determinantes são essenciais para fundamentar o planeamento racional de estratégias de prevenção.

Como tal, após o estudo de prevalência aqui descrito, o CISA, em parceria com o ISPUP (Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto) iniciou no ano de 2013 um estudo de incidência de HTA. O “Estudo de Fatores de Risco Cardiovasculares numa População Adulta do Bengo” pretende não só estimar a taxa de incidência de HTA nesta população, com base na amostra anteriormente estudada, mas também determinar a prevalência numa nova amostra em associação com a análise de outros fatores de risco, como colesterol total e triglicerídeos no sangue, glicemia, presença de proteínas na urina e realização de um eletrocardiograma.

Neste momento já foram avaliados cerca de 900 participantes, estimando-se que o trabalho de campo se prolongue até ao final do primeiro trimestre de 2014.

 

 

Referências Bibliográficas

1- World Health Organization. Global status report on noncommunicable diseases 2010. [Internet] Geneva: WHO; 2011 [cited 2013 Nov 24]. Available from: http://www.who.int/nmh/publications/ncd_report_full_en.pdf.

2- World Health Organization. Global health risks: mortality and burden of disease attributable to selected major risks 2009. [Internet] Geneva: WHO; 2009 [cited 2013 Nov 24]. Available from: http://www.who.int/healthinfo/global_burden_disease/GlobalHealthRisks_report_full.pdf.

3- Twagirumukiza M, De Bacquer D, Kips JG, de Backer G, Stichele RV, Van Bortel LM. Current and projected prevalence of arterial hypertension in sub-Saharan Africa by sex, age and habitat: an estimate from population studies. J Hypertens. 2011; 29: 1243-1252.

4- World Health Organization. Non communicable diseases country profiles 2011. [Internet] Geneva: WHO; 2011 [cited 2013 Nov 24]. Available from: http://whqlibdoc.who.int/publications/2011/9789241502283_eng.pdf.

5- Omran AR. The epidemiologic transition. A theory of the epidemiology of population change. The Milbank Quarterly. 1971; 49: 509-538.

6- Costa M, Rosário E, Langa A, Bendriss A. Setting up a Demographic Surveillance System in the Dande Municipality, Angola. [Internet] Caxito: CISA; s.d. [cited 2013 Nov 25]. Available from: http://www.cisacaxito.org/contents/documents/13039962813261. pdf

7- Sousa-Figueiredo JC, Gamboa D, Pedro JM, Fancony C, Langa AJ, Soares Magalhaes RJ, Stothard JR, Nery SV. Epidemiology of malaria, schistosomiasis, geohelminths, anemia and malnutrition in the context of a demographic surveillance system in northern Angola. PLoS one. 2012; 7: e33189.

8- Joshi R, Jan S, Wu Y, MacMahon S. Global inequalities in access to cardiovascular health care: our greatest challenge. J. Am. Coll. Cardiol. 2008; 52: 1817-25.

9- African Development Bank, African Development Fund: ANGOLA 2011-2015 Country Strategy Paper & 2010 Country Portfolio Performance Review. [Internet] 2011 [cited 2013 Nov 25]. Available from: http:// www.afdb.org/ fileadmin/ uploads/afdb/Documents/Project-and-Operations/ ORSB%20Angola%20CSP%202011%20-%202015%20En%20Rev%20Version%2BMemox.pdf.

10- Damasceno A, Azevedo A, Silva-Matos C, Prista A, Diogo D, Lunet N. Hypertension prevalence, awareness, treatment, and control in Mozambique: urban/rural gap during epidemiological transition. Hypertension. 2009; 54: 77-83.

11- Mathenge W, Foster A, Kuper H. Urbanization, ethnicity and cardiovascular risk in a population in transition in Nakuru, Kenya: a population-based survey. BMC Public Health. 2010; 10: 569.

 

 

 

Voltar

 

Hipersensibilidade dentária

 

Clinicamente, a hipersensibilidade dentária, hipersensibilidade dentinária, ou sensibilidade dentinária, caracteriza-se por uma dor aguda de curta duração, em resposta a um estímulo sobre a dentina exposta – normalmente térmico, evaporativo, táctil, osmótico ou químico – que não pode ser relacionada com qualquer outro defeito ou patologia dentária

 

Mais de 90% das localizações afectadas por hipersensibilidade dentária encontram-se no terço cervical (estrutura dentária junto ao rebordo gengival) das faces vestibulares (faces externas) e linguais/palatinas (faces internas) dos dentes permanentes, sendo o terço cervical da face vestibular o local de eleição para o seu aparecimento. Os caninos são os dentes mais afectados, seguidos, por ordem decrescente, dos primeiros pré-molares, incisivos, segundos pré-molares e primeiros molares.

Fisiopatologia

Embora existam várias teorias que procuram explicar este mecanismo da hipersensibilidade dentária, actualmente a mais conhecida e aceite é a teoria hidrodinâmica da sensibilidade (Gysi, 1900 e Brannström et al, 1950-1960). Esta teoria justifica a sensibilidade como resultado da movimentação rápida do fluido contido no interior dos túbulos dentinários, em qualquer direcção, consequência da aplicação de um estímulo sobre a dentina. Este movimento cria alterações de pressão que, por sua vez, activam fibras nervosas A-δ localizadas em torno dos prolongamentos odontoblásticos no interior dos túbulos ou na transição pulpo-dentinária.

 

Desgaste dentário

O termo desgaste dentário foi introduzido com o objectivo de englobar a perda não cariogénica, ou seja, não provocada pela cárie dentária dos tecidos duros dentários por atrição, abrasão e erosão. Toda a população apresenta algum grau de desgaste dentário durante a vida, mas num grupo de indivíduos este desgaste atinge níveis patológicos comprometendo a estética e função de uma ou várias peças dentárias.

Para melhor compreensão deste tema os três termos referidos anteriormente (atrição, abrasão e erosão) serão explicados separadamente.

 

Atrição

A atrição dentária consiste no desgaste mecânico das estruturas dentárias causado pelo contacto entre dentes antagonistas (opostos) durante a oclusão ou mastigação. A aparência clínica das primeiras manifestações poderá ser um pequeno desgaste localizado na “ponta” ou no “bordo” da cúspide dentária ou, então, um ligeiro achatamento da bordo incisal dos dentes.

Embora natural, dada a sua relação com a função mastigatória, o desgaste dentário resultante da atrição pode alcançar níveis patológicos quando associado a hábitos parafuncionais como o bruxismo.

 

Abrasão

Abrasão é  o desgaste dentário induzido pelo contacto dentário com qualquer material ou objecto, excluindo os contactos interdentários. O estudo da abrasão dentária tem sido centrado sobretudo nos efeitos da escovagem com pasta dentífrica.

As lesões de etiologia abrasiva por escovagem aparentam ter uma relação com a localização das superfícies. Por exemplo, em pacientes destros, as superfícies dentárias das hemi-arcadas esquerdas apresentarão maior desgaste, com predilecção para a região cervical das faces vestibulares dos caninos e pré-molares. A sua posição na arcada dentária leva a que, durante a escovagem, a intensidade das forças aplicadas sobre estes dentes seja superior. No entanto, a utilização normal da escova, isoladamente, não tem efeitos mensuráveis sobre o esmalte.

 

Erosão

A erosão é, dos quatro factores apresentados, o que maior potencial de desgaste dentário apresenta. A erosão define o desgaste dentário resultante da acção química (ácidos), de origem não bacteriana. Esta pode ser classificada como intrínseca ou extrínseca, consoante a origem dos ácidos. Esta pode resultar da ingestão de alimentos ou bebidas ácidos, tais como citrinos, pickles, sumos de frutas, bebidas carbonatadas, vinho e outras bebidas alcoólicas, chás frutados ou cidra.

O desgaste induzido leva à possível exposição da dentina em qualquer localização da coroa clínica dos dentes, particularmente a zona cervical, onde a espessura do esmalte é mais fina.

Assim, face aos dados fornecidos por análises e estudos estatísticos, conclui-se que existe uma forte evidência do papel determinante da erosão ácida na prevalência do desgaste dentário e por conseguinte numa maior susceptibilidade à hipersensibilidade dentária.

Um quarto factor pode actuar como predisponente ou codestrutivo: a abfração. Teoricamente, a abfração sugere que forças oclusais que não respeitam o vector de maior resistência dentária (forças diagonais) levam à flexão das cúspides, levando à acumulação de tensão na região cervical dos dentes e por conseguinte, aumentam a susceptibilidade dos tecidos duros dessa zona à abrasão e/ou erosão.

 

Como distinguir os diferentes tipos de desgastes dentários?

Os três tipos de desgastes dentários apresentados demonstram que a principal área atingida é a superfície vestibular por cervical. Mas então como é possível determinar a sua origem e definir o tipo de lesão? Só o médico dentista/estomatologista o poderá fazer através de uma anamnese completa.

 

Evidências científicas

Dois grupos distintos de investigadores, através da realização de estudos in situ, concluíram que se a superfície dentária – esmalte ou dentina – permanecer em contacto com a saliva sem ser sujeita a fenómenos abrasivos, durante um longo período de tempo, a remineralização pode reverter este processo, devendo a escovagem ser realizada, pelo menos, uma hora depois da ingestão de alimentos e/ou bebidas ácidas. Estas evidências enfatizam a necessidade de evitar a escovagem imediatamente após a ingestão de alimentos e/ou bebidas, devendo ser realizada várias horas após a refeição ou antes das refeições.

 

Recessão gengival

A recessão gengival é o factor etiológico mais frequente da exposição dentinária associada à hipersensibilidade dentária. A subsequente exposição da superfície radicular permite uma exposição mais rápida e extensa dos túbulos dentinários, na medida em que, como referido, a camada de cemento que recobre esta superfície é fina e facilmente removida. Esta última ilação é aplicável a indivíduos com elevados índices de higiene oral e, particularmente, à escovagem, há muito associada à recessão gengival, sobretudo nas superfícies vestibulares.

 

 

 

Voltar

 

No desenvolvimento da fala e da linguagem dos filhos

Os erros mais comuns dos pais

 

Desde o nascimento de um filho, um dos momentos mais esperados dos pais é o surgimento da primeira palavra - e que ela seja, de preferência, “mamã” ou “papá”. Mas, sem saber, frequentemente os pais, com atitudes menos corretas, atrapalham o bom desenvolvimento da fala e da linguagem dos seus filhos. Neste artigo pretendo identificar esses erros para que sejam evitados.

 

Não repita a palavra errada

Um dos equívocos mais comuns dos pais é repetir a palavra errada que o filho disse antes de corrigi-lo. Se a criança disser “pimo” em vez de “primo”, os pais não devem dar respostas como “não é pimo, é primo”. A melhor opção é somente repetir a palavra correta de forma exagerada, silabando-a, repetindo-a com um tom ligeiramente mais elevado e pode mesmo construir uma afirmação com a palavra em causa – “Ah! É o primo! O primo está a jogar à bola! O primo joga muito bem!”. Por outro lado, quando os pais corrigem repetindo a palavra errada, a criança pode se sentir envergonhada ou inibir-se de falar por se sentir constantemente corrigida.

 

Evite a fala “abebezada”

Trocar ou omitir sons, abusar de diminutivos ou utilizar uma entoação demasiadamente infantil, também pode atrapalhar o desenvolvimento da fala e da linguagem da criança.

Os pais funcionam como um modelo de fala para os filhos, quando eles utilizam palavras diferentes daquelas que estão habituados a ouvir, será mais difícil a aprendizagem solida da mesma. Os diminutivos aumentam o comprimento da palavra o que dificulta a sua aquisição e até nos arriscamos a que a criança apenas memorize o sufixo e o utilize como vocábulo. Já há alguns anos trabalhei com uma criança cujo vocabulário estava praticamente restringido às palavras “inho” e “inha”, pois tudo o que a mãe lhe dizia terminava com esses sufixos e eram esses que ele memorizava.

 

Não use palavras substitutas

Falar sempre correctamente com a criança é a melhor escolha que os pais podem fazer, embora às vezes pareça difícil. Os pais têm muitas vezes o hábito de trocar o nome de um objecto por outro que lhes parece mais fácil – como chamar “tété” à chupeta ou “chicha” à carne. Também tenho observado muito o hábito de chamar os animais pelo som que produzam –“é o miau” – para se referirem ao “gato”. Este procedimento irá fazer com que a criança tenha que aprender dois vocábulos para um mesmo objecto, o que pode prejudicar e atrasar o desenvolvimento da linguagem da criança.

 

Não antecipe nem interrompa a criança

Quando a criança está com dificuldades para completar uma frase, não a apresse. Se os pais se habituarem a antecipar o discurso, a criança vai esperar sempre que alguém fale por ela.

Quando a criança está a passar pela “gaguez fisiológica”, muito comum entre os 3 e 4 anos de idade e que se caracteriza pelo aumento repentino de vocabulário em que a elaboração motora não acompanha a elaboração mental da criança, o adulto nunca deve antecipar o que a criança quer dizer ou terminar uma palavra ou frase. Nesta fase, os pais devem deixar a criança falar, sem terminar ou “adivinhar” aquilo que a criança quer dizer. Não lhe devem pedir para que fique calma, pois na maior parte dos casos, quem não está calmo são os pais com a ansiedade de ver o seu filho a gaguejar. Por outro lado, devem os pais proporcionar ambientes calmos e falar de forma pausada com a criança dando-lhe o feedback correto. A própria expressão facial dos pais ao ouvir a criança é de tal forma tensa (deixam de respirar enquanto ouvem o filho) que lhes transmite que algo está errado.

 

Não aceite a linguagem gestual

Muitas crianças usam gestos para conseguir o que querem. A linguagem gestual pode ser uma ponte, mas deve ser superada. Se os pais entregam ao filho um objecto simplesmente quando ela o aponta, a criança vai se habituar e não aprende a pedir o que quer. Este comportamento dos pais é muitas vezes o responsável pela substituição da linguagem oral pela gestual. Os pais devem dar à criança o objecto apontado ao mesmo tempo que verbalizam aquilo que a criança deveria estar a dizer – “pai, dá-me o carro!”

Muitas crianças também associam o choro ou grito ao movimento de apontar para assim serem mais rapidamente atendidas.

 

Não permita o uso da chupeta ou biberon após os dois anos de idade

Tal como foi referido no artigo publicado na edição de Novembro de 2013, a chupeta tem várias desvantagens, entre elas o atraso na fala e na linguagem. A sucção da chupeta deixa os músculos das bochechas, lábios e língua flácidos, sem força. Isso trará prejuízos na mastigação e deglutição. A criança não conseguirá mastigar os alimentos mais consistentes, levando as mães a dar alimentação triturada, levando ao aumento da flacidez de toda a musculatura oro facial. O desenvolvimento da fala também será afetado já que a criança não terá força na musculatura para executar alguns sons. Habitualmente tem dificuldades na produção de todos os sons que impliquem um bom tónus do ápice da língua. Apresentam dificuldades em produzir o /l/, /r/, /t/, /d/, /s/, /z/…...

O uso da chupeta também impede os bebés de palrar, um passo importante na aprendizagem da fala, desincentivando os bebés mais velhos da conversa de que necessitam para desenvolver as competências de linguagem.

 

Não torne a palavra errada uma diversão para a família

Muitas vezes uma palavra dita de forma incorrecta soa tão divertida e engraçada que se torna um entretenimento familiar. Por exemplo, a criança dizer “kistóio” em vez de “escritório”, “ninota” em vez de “azeitona” tem alguma graça e os adultos acabam por usar essa mesma palavra quando falam entre eles ou com a criança. Repetir demais a brincadeira pode trazer problemas, pois prolongar por muito tempo uma forma de fala incorrecta dá, aos pais, um prolongamento do tempo de infantilidade do filho. Quanto mais tempo isso prevalecer, mais complicado será corrigir. Costumo aconselhar os pais a usarem essas palavras apenas quando a criança não estiver presente e as anotarem, para mais tarde as mostrarem aos filhos, pois eles gostam de saber como falavam quando eram “bebés”!

 

Fale à altura da criança sempre que possível

Os pais devem ficar à mesma altura da criança quando comunicam com ela. Baixar-se para conversar e olhar nos olhos da criança é muito importante, para que ela tenha o modelo visual da articulação. Assim a criança vai poder observar os movimentos da boca do adulto, o que beneficia muito a correta imitação e consolidação da postura articulatória correta.

 

 

 

 

Voltar

 

Ligações cerebrais são diferentes entre mulheres e homens

 

Estudo analisou 949 crianças, adolescentes e jovens adultos. Redes cerebrais das mulheres facilitam a memória e as capacidades cognitivas sociais, enquanto nos homens ajudam no desempenho motor e na visualização espacial.

 

O cérebro das mulheres e dos homens é diferente, fazendo com que certas actividades sejam mais fáceis para eles, como o desempenho motor e a visualização espacial, e outras mais fáceis para elas, como a memória e as capacidades cognitivas sociais. A questão subjacente a esta diferença são as redes neuronais, o chamado conectoma humano, que desenvolveu de uma forma diferente nas mulheres e nos homens ao longo do crescimento, mostra um estudo publicado este mês na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

“As diferenças sexuais têm um interesse continuado a nível científico e social devido à sua proeminência no comportamento de humanos e de outras espécies”, lê-se no início do artigo da PNASassinado por uma equipa de cientistas liderados por Ragini Verma, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. “As diferenças de comportamento poderão ser originadas devido a papéis complementares na reprodução e na estrutura social.”

Experiências passadas mostram que as mulheres têm tipicamente mais memória verbal e cognição social, enquanto os homens mostram uma maior capacidade motora, habilidades em actividades que necessitem de visualização tridimensional e uma maior propensão para a violência.

Já foram feitas análises sobre diferenças existentes entre os dois sexos na proporção de partes do cérebro. Mas a equipa de Ragini Verma preferiu olhar detalhadamente para as redes de neurónios, o já famoso conectoma humano. Este conectoma permite, pela primeira vez, determinar as auto-estradas nervosas existentes entre as regiões do cérebro.

Os investigadores analisaram o conectoma de 949 pessoas entre os oito e os 22 anos, de várias origens geográficas, divididas em 521 jovens do sexo feminino e 428 jovens do sexo masculino. Uma das técnicas que utilizaram é a ressonância magnética com tensor de difusão, que realça os caminhos das fibras nervosas entre as regiões do cérebro, graças ao movimento de água nas células.

Os resultados mostram que as mulheres têm mais ligações entre os dois hemisférios (esquerdo e direito) do cérebro, enquanto os homens têm mais ligações dentro de cada um dos hemisférios. Mas no cerebelo, uma região individualizada que fica na base posterior do cérebro, são os homens que apresentam mais ligações entre os dois hemisférios. A região do cerebelo está associada ao pensamento motor.

“Se olharmos para estudos funcionais, a parte esquerda do cérebro está mais associada ao pensamento lógico, e parte direita ao pensamento intuitivo. Por isso, se há actividade que envolva fazer ambas as coisas, parece que as mulheres estão sintonizadas para fazer melhor isso”, explica Ragini Verma, citada pelo jornal britânico The Guardian. “As mulheres são melhores no pensamento intuitivo. São melhores a lembrarem-se de coisas. Quando fala com as mulheres, elas estão mais envolvidas emocionalmente – vão ouvir mais.”

Em relação aos homens, o que está em alta é a desenvoltura motora. “Fiquei surpreendida [que os resultados] tenham correspondido muito aos estereótipos que julgamos ter nas nossas cabeças", diz a investigadora, acrescentando que se for a um restaurante com chefe de cozinha, a maioria deles são homens.

A equipa também quis compreender como se dava a evolução destes conectomas ao longo do crescimento de raparigas e rapazes em homens e mulheres. Por isso, observou separadamente o cérebro de três grupos etários: até aos 13 anos, dos 14 aos 17 e dos 18 aos 22 anos. A equipa descobriu que as diferenças entre raparigas e rapazes eram pequenas até aos 13 anos, mas depois aumentavam.

Ruben Gur, outro dos autores do artigo, e investigador da Universidade da Pensilvânia, defende, citado num comunicado, que os resultados também serão importantes para estudar as doenças neurológicas: “Os detalhes dos mapas cerebrais dos conectomas não só irão ajudar a compreender melhor as diferenças de como os homens e as mulheres pensam, mas também irão trazer uma maior compreensão nas raízes das doenças neurológicas, que muitas vezes estão associadas ao género.

 

 

 

Voltar

 

Conheça mais sobre a fissura labiopalatina

 

A fissura labiopalatina é a malformação craniofacial mais comumente encontrada na espécie humana. Causa, principalmente, perda de continuidade nos tecidos labiais, alveolares e palatinos da maxila, necessitando de procedimentos cirúrgicos para reabilitação estética e funcional.

 

Com qual frequência ocorre?

As fissuras apresentam uma prevalência de 1 caso para cada 700 nascimentos. Trata-se, portanto, de um problema de saúde pública que, partindo-se do pressuposto de uma prevalência global estimada em cerca de 10.000 nascimentos por hora, torna-se possível ter em mente que  a cada 4 minutos aproximadamente, em algum lugar do  mundo, nasce um bebé com fissura (1).

Quando se desenvolve a

 fissura?

Este defeito congénito desenvolve-se no período compreendido entre a  4ª e  a 12ª semana de gestação, ou seja,  entre o final do 1º e  3º mês gestacional devido a falha(s) no fechamento de estruturas faciais e/ou cranianas durante o desenvolvimento embrionário e fetal (1).

 

O que causa a fissura labiopalatina?

Com relação à etiologia das fissura labiopalatinas, os estudos apontam uma forte relação com um padrão de herança poligénico multifatorial, resultante da interação entre fatores ambientais e genéticos (1,2).

Dentre os fatores etiológicos ambientais envolvidos com a fissura, incluem-se a ingestão de bebidas alcoólicas, tabagismo, deficiência de vitaminas e uso de drogas anticonvulsivantes (fenitoína) principalmente. Acredita-se ainda que a cortiscosterona liberada durante o stresse, os medicamentos benzodiazepínicos, o vírus influenza da gripe, o vírus do sarampo, a febre relacionada a estes vírus, radiação ionizante e agentes químicos presentes em pesticidas contribuam para elevar o risco de fissura (2).

Com relação aos fatores etiológicos genéticos, os genes envolvidos na etiologia das fissuras labiopalatinas decodificam fatores de transcrição (proteínas que se ligam ao DNA para que ocorra ligação entre a enzima RNA-polimerase e o DNA, formando assim RNA mensageiro e por fim promove a síntese de proteínas), crescimento (correspondem a substâncias proteicas na maior parte das vezes, que juntamente com hormônios e neurotransmissores, desempenham papel fundamental na comunicação intercelular) e moléculas de adesão celular (propiciam a ligação entre células ou entre células e a matriz extracelular) (2).

 

Como se manifestam as fissuras?

Este tipo de anomalia apresenta-se de diferentes formas, com gravidade e extensões variadas para cada caso. Manifesta-se partindo de formas simples, com a presença de cicatriz no lábio, ou a úvula dividida ao meio apenas, até formas mais graves como ocorre na maior parte dos casos, nos quais se observa uma abertura  na região do lábio, rebordo alveolar e/ou palato. Neste caso, a fissura é denominada de completa em razão do envolvimento do rebordo alveolar (Figuras 1 A e 1B). Além destas, existem outras formas de fissuras mais severas e raras envolvendo outras áreas como nasal, ocular e craniana.  Convém ressaltar que as fissuras podem ocorrer afetando apenas um dos lados bem como os dois, direito e esquerdo simultaneamente, sendo denominada respectivamente de unilateral e bilateral.

Um sistema importante e efetivo empregado para a classificação das fissuras é o de Spina modificado por Silva Filho et al. (1992), o qual utiliza como referência anatómica o forame incisivo, resquício do limite embrionário entre palato primário e palato secundário, aliado a dois princípios fundamentais: a morfologia e a origem embriológica da fissura. As fissuras encontram-se, portanto, classificadas em três grupos principais: fissuras pré-forame incisivo (lábio ou lábio + arco dentário) (Figuras 1A e 1B), fissuras transforame incisivo (lábio + arco dentário + palato) (Figuras 2A e 2B) e fissuras pós-forame incisivo (palato apenas) (Figuras 3A e 3B). O quarto grupo corresponde ao das fissuras raras da face (1).

 

Quais as principais complicações?

Os pacientes com fissura labiopalatina ainda não operados, por sua vez, apresentam prejuízo na formação da pressão intra-oral negativa durante a sucção, com consequente ingestão insuficiente de leite e, muitas vezes, inviabilização do aleitamento materno. Assim sendo, pode haver comprometimento da evolução clínico-nutricional, predispondo a criança a infecções. O palato fendido também leva à comunicação entre as cavidades oral e nasal, prejudicando ainda mais a alimentação do indivíduo, com perdas de alimentos pelo nariz ou aspiração dos mesmos, que causam também infecção respiratória e otites de repetição (1,3).

É também bastante comum neste grupo de indivíduos a ocorrência de anomalias dentárias de número, tamanho, forma, estrutura e posição principalmente nas áreas adjacentes à região da fissura. O achado mais comum consiste na agenesia dentária do incisivo lateral do lado fissurado, sendo ainda comumente encontradas outras alterações como dentes supranumerários, microdentes, dentes natal e intranasal, irrupção dentária ectópica, atrasos na irrupção e formação dentária. Estas alterações dentárias juntamente com as alterações morfológicas e estruturais dos tecidos labiais, alveolares e palatinos contribuem sobremaneira para dificultar a higienização bucal sobretudo dos dentes localizados na região da fissura, refletindo em índices de cáries mais elevados e condições periodontais  agravadas quando comparados a indivíduos sem fissuras (4).

Outro comprometimento importante diz respeito ao processo de produção da fala, fortemente influenciado pela função velofaríngea, com destaque para um número considerável de indivíduos com fissuras completas de lábio ou palato ou apenas de palato apresentando hipernasalidade. O mecanismo velofaríngeo é responsável pela promoção da ressonância entre as cavidades bucal e nasal além do controle da pressão aérea no interior destas cavidades durante o processo de produção da fala. Quando há alterações do mecanismo velofaríngeo, ocorre a chamada disfunção velofaríngea, a qual diferencia-se em dois tipos: insuficiência ou incompetência velofaríngea. A insuficiência velofaríngea ocorre em resposta a um defeito anatômico ou funcional, ou seja, na falta de tecido no palato para promover o fechamento velofaríngeo de maneira adequada. Por sua vez, a incompetência velofaríngea surge quando ocorre movimento velofaríngeo reduzido inerente a falhas na mobilidade das estruturas da velofaringe resultante de causas fisiológicas (5).

 

Conclusão

O tratamento das fissuras requer equipes altamente especializadas, uma vez que envolve tratamentos complexos, de alto custo e tempo de duração variável, iniciando-se ainda quando bebé com a realização das primeiras cirurgias plásticas reparadoras podendo estender-se até a idade adulta. Desse modo, medidas preventivas com ênfase no controle dos fatores ambientais e planejamento da gestação devem ser priorizadas e disseminadas para o público em geral pelos profissionais da área da saúde e veículos de divulgação visando uma futura redução na prevalência desta anomalia no mundo.

 

Voltar

 

Os benefícios da hidrolinfa

 

A Visão Futura oferece consultas de nutrição e psicologia clínica. E, ainda, tratamentos com produtos naturais, suplementos nutricionais, massagens e hidrolinfa. Nesta edição, os especialistas desta empresa explicam aos leitores o que é a hidrolinfa e quais os seus benefícios.

 

Purificação natural do organismo

Processo de desintoxicação através dos pés, pelo estímulo das células e centros nervosos. Evita a acumulação de toxinas e repõe o equilíbrio natural.

 

Vantagens

— Desintoxicação mais rápida    e segura

— Regulação de  substâncias em    excesso (colesterol, ferro, glicose)

— Regulação circulatória ao    remover os excessos dos    vasos sanguíneos

— Sistema de excreção artificial    de impurezas diminuindo    as sobrecargas hepáticas e renais

 

Aplicações da hidrolinfa

— Má circulação deficiente, varizes, varicoses

— Dores menstruais, dores de cabeça e enxaquecas

— Artrite, artrose e reumatismo

— Prevenção das doenças cardiovasculares    (enfarte e trombose)

— Diminuição da celulite

— Pele casca de laranja

— Drenagem rápida em Pés de elefante

— Melhoria no funcionamento do fígado, estômago,   olhos, intestinal, rim e bexiga

— Benefícios sobre os ovários, útero e órgãos   reprodutores

— Desobstrução dos alvéolos atacados pela    poluição e nicotina

— Padecimento de coluna, (hérnia discal, ciática   e lombalgias) e todas as doenças ligadas    a este domínio

— Melhora a qualidade do sono, insónias

— Cansaço nas pernas e dores nos pés

— Ajuda a eliminar e a melhorar as doenças    provocadas pelo acido úrico (processo    inflamatório como gota, artrite úrica, insuficiência   renal aguda e\ou crónica, cálculo renal, etc.)

— Equilíbrio do corpo num todo, o bem–estar

— Stress, depressões e ansiedade

— Diminuição dos diabetes

— Colesterol

— Úlcera

 

 

A VISÃO FUTURA (VF), Lda é uma empresa de direito angolano, constituída em 2001, com actividades no domínio da nutrição, fornecimento de produtos  alimentares, equipamentos hospitalares, prestação de serviços em cuidados médicos e suporte de programa nutricionais.

 

 

Voltar

 

Abertura de seis novas salas de aula na Funda

Mais 300 crianças acedem ao sistema formal de ensino

 

A abertura de seis novas salas de aula, devidamente apetrechadas, na Escola 4024, Nossa Senhora de África, na Funda, vai permitir integrar no sistema formal de ensino mais 300 crianças do município do Cacuaco. “É uma obra de excelência que vem complementar o esforço do Ministério da Educação e viabilizar a entrada de muitos alunos no sistema de ensino”, afirmou a representante do Ministro da Educação, Zita de Sousa, na cerimónia de inauguração, no dia 3 de Fevereiro, naquela localidade.

 

Financiada pela BP Angola e implementada pela organização não governamental, RISE, a obra “vem ao encontro da política do Executivo de combate à pobreza e exclusão social”, garantiu, por sua vez, o director municipal de educação do Cacuaco, Augusto Cabunde.

 

A educação é uma genuína expressão de amor social

A Irmã Emiliana Bundo, Superiora da Congregação das Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus – entidade que administra a escolar –,  assegurou que o estabelecimento de ensino vai formar cidadãos livres, com capacidade para defender os seus direitos e cumprir as suas obrigações “onde se vão outorgar aqueles valores humanos, morais, espirituais sociais e culturais dos nossos ancestrais, entre os quais, o respeito pela dignidade e integridade do outro, responsabilidade, liberdade, maturidade, diálogo construtivo e tolerância pela diferença”. A educação “é uma genuína expressão de amor social” defendeu esta responsável que agradeceu ainda, emocionada, o apoio da BP, e demais benfeitores, citando Floriano Bumba, representante do administrador da Funda, Manuel Escórcio, a administradora do Cacuaco, Rosa Janota, pela sua capacidade de iniciativa a senhora Conne, o responsável da Rise, Adriano Huambo, a responsável das Gembas, senhora Patrícia e ainda ao mais velho Guimarães que “ao ver diminuir as forças para tratar a sua lavra decidiu oferecê-la para a construção da escola”.

Também a representante dos alunos, a jovem Fernanda, de 12 anos, a frequentar a 5ª classe, agradeceu aos presentes, pediu pontualidade aos professores, disse que a escola “é a segunda casa onde aprendem a ler e a escrever”, e foi categórica ao garantir que “não escreveremos nas paredes, nem riscaremos as carteiras e regaremos sempre as plantas”.

 

Parcerias para o desenvolvimento sustentável

Para o director de Comunicação e Relações Externas da BP Angola, António Vueba, a obra foi possível graças ao esforço conjunto com a RISE, a empresa prestadora de serviços Subsea 7 e, naturalmente, com as entidades oficiais, nomeadamente o Ministério da Educação, através da Direcção Provincial e as administrações municipais. “A BP acredita que só com este tipo de parcerias se obtêm resultados sustentáveis nas  comunidades”. António Vueba sublinhou que a empresa “tem a educação como uma das prioridades na sua política de desenvolvimento sustentável e responsabilidade  social corporativa” e “crê que só com uma educação sólida e abrangente o País poderá manter a rota de desenvolvimento económico e social que vem demonstrando nos últimos anos, posicionando Angola como uma das nações mais prósperas do planeta”. Finalmente elogiou a RISE que nos últimos 18 meses conseguiu erguer mais de 40 salas de aula, no quadro da sua parceria com a BP Angola e seus parceiros dos blocos 18 e 31, de norte a sul do país, corporizando  “a paixão pela educação do presidente regional da BP, Martyn Morris”, finalizou.

A escola foi abençoada pelo Mestre de Noviços da Congregação do Verbo Divino, o padre Verbitas, Xavier Lino Castillo, em representação de Dom Antonio Francisco Jaca, bispo da diocese do Caxito. Na oração que precedeu ao corte do bolo comemorativo, fez votos para que os “ alunos aprendam com os seus professores os ensinamentos do Divino”.

Na cerimónia participaram ainda o director do Desenvolvimento Sustentável da BP, Gaspar Santos, a conselheira deste departamento, Luduvina da Costa e o técnico Ekuiki Peliganga.

 

 

 

 

Voltar

 

A partir da humidade do ar

Máquina que produz água pura já disponível

 

Uma máquina capaz de produzir até 30 litros / dia de água pura para beber já está disponível no mercado angolano, pela mão da empresa especializada Energia e Luz. O Instituto Nacional de Saúde Pública, do Ministério da Saúde, analisou uma amostra da água e não tem dúvidas: “É própria para o consumo humano”.

 

O gerador atmosférico  de água capta a humidade do ar e transforma-a em água  pura, saudável e altamente oxigenada. No processo de remoção de humidade, o ar exterior é desidratado e refrigerado o que faz com que seja o ideal para funcionamento em ambientes internos. O sistema usado serve para diversas finalidades: fazer água, tirar humidade do ar, purificar o ar interno.

De acordo com o responsável comercial da empresa, Caetano Baptista, o sistema compacto é ideal para utilização doméstica, hotéis, escolas, edifícios comerciais, conjuntos residenciais, hospitais e aplicações municipais.

Segundo Caetano Baptista “o gerador de água é uma máquina que funciona através da  temperatura. Isto significa que depende  do nível de humidade do ar e da temperatura para produzir a água. O nível de humidade ideal deve ser de pelo menos 55% para se conseguir o melhor desempenho. Mas mesmo em locais com baixo nível humidade, a máquina produzirá água, embora não tão rapidamente. A temperatura ideal é 30º ou superior.

Travessa Almeida Garret, 5º - 13, Vila Alice, Luanda - Caetano Baptista Tel.: 945 625 066 E-mail: amcaetano.baptista@gmail.com

 

 

 

 

Voltar

 

Desenvolvimento Comunitário na Hanha do Norte

A alegria que acompanha a esperança

 

A Odebrecht desenvolve hoje 32 programas sociais para as comunidades próximas das suas obras em Angola. São iniciativas voltadas, sobretudo, à geração de trabalho, rendimento e ao apoio à saúde e à educação.

 

Nesta reportagem, apresentamos um exemplo, com foco na responsabilidade social, capaz de ajudar a compreender o alcance do trabalho realizado no país, com base nos preceitos da sustentabilidade.

Na região de Benguela e Lobito, a Odebrecht já executou várias obras. Agora, constrói a infraestrutura de apoio para a futura refinaria de Lobito, da Sonaref, subsidiária da Sonangol. Ali perto, na comunidade de Hanha do Norte, com 4.100 habitantes, a 30 km do  Lobito, Henrique Pequenino, 25 anos, casado e pai de duas meninas, tem voz ativa no Programa Desenvolvimento Comunitário, lançado em Agosto de 2013 pela Odebrecht, com o intuito de formar jovens para que se tornem empreendedores.

Cultivo de frutas

e legumes a salvo

O Rio Cubal abastece a comuna por meio de um canal de irrigação construído na década de 1960, ainda durante a época colonial. Para tentar ampliar as opções de acesso à água, Poti Malaquias, coordenador das atividades sociais da Odebrecht, motivou jovens – por intermédio da formação em empreendedorismo baseada na economia solidária – a perceberem as dificuldades da realidade local e suas possíveis soluções. Os participantes do programa propuseram-se realizar a limpeza desse canal que abastece toda a comunidade, a estação de tratamento de águas e as lavras de subsistência. Henrique e os jovens, juntamente com a comunidade mobilizada, desobstruíram o canal, e a água voltou a percorrê-lo. A comunidade da Hanha ficou entusiasmada com a proatividade dos jovens: está salvo o cultivo de banana, batata-doce, feijão, milho, mandioca e tomate, com aumento significativo da área produtiva.

 

Formação

socioprofissional

Paralelamente, prossegue o curso de associativismo e de alfabetização de adultos, com 310 alunos, dos quais 80% são iletrados.

Joaquim Jolomba, 51 anos, líder local, prevê: “Com a formação socioprofissional, os jovens poderão trabalhar em obras e na futura refinaria”. Luiza Palanca, 24 anos, quatro filhos, tem aulas de alfabetização e agora vai sempre à praça para receber peixes em troca das batatas que produz. “Meus filhos comem melhor”, diz. Essa acção faz parte do mercado de troca que foi estabelecido na comunidade, o que permite o acesso a outros cultivos. Atualmente, a comunidade mobiliza-se para a construção da casa de moagem, mais uma importante conquista para a geração de riqueza.

Além das acções de formação, um programa de saúde tem papel de destaque na comunidade, conforme destacamos em caixa nesta página.

Altivos e silenciosos, Domingos Kaluvala, Chipunda Unambo e Kangombe Mbongo são sobas. Aprovam a acção social desenvolvida na  Hanha do Norte. “Os agricultores agora produzem mais”, diz Kaluvala.

 

 

 

 

Voltar

 

Copyright © 2018 Jornal da Saúde Angola. Todos os direitos reservados. Created by Paulo Link