MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Um compromisso de todos

 

Rui Moreira de Sá

Director Editorial

direccao@jornaldasaude.org

 

Damos destaque nesta edição ao XXIIº Conselho Consultivo do Ministério da Saúde que, sob o lema “Mais e Melhor Saúde” e com o tema “A Saúde: um Compromisso de Todos”, teve lugar de 21 a 23 de Março, em Benguela, antecedido pela Conferência sobre a Reforma do Sistema e do Serviço Nacional de Saúde, nos dias 18 e 19.

A Conferência teve como objectivo geral partilhar e debater novas modalidades de financiamento e de funcionamento para optimizer a prestação de cuidados de saúde.

O Conselho Consultivo teve como propósito fazer o balanço dos resultados das acções implementadas, partilhar e consensualizar o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS) 2012-2025, transmitir novas orientações metodológicas, bem como analisar e discutir as perspectivas e linhas de força do sector no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento 2012-2013.

O evento constituiu também uma oportunidade para dinamizar o diálogo e o intercâmbio entre os cerca de 500 gestores e quadros de saúde de todas as províncias, e do nível nacional, Vice-Governadores provinciais, Forças Armadas, responsáveis de outros sectores do Executivo, instituições e parceiros, que partilharam a sua experiência, visão e perspectivas para o reforço do SNS e do seu impacto sobre a saúde e bem-estar das nossas populações.

Face ao anterior Conselho Consultivo realizado em 2010, no Moxico, as comunicações apresentaram um maior rigor técnico-científico e observou-se uma maior coesão e convergência entre os vários actores da família da saúde num momento decisivo de consolidação das políticas, nomeadamente da municipalização.

Agora, há que implementar no terreno, saber aproveitar o aumento das verbas para as províncias e municípios – que beneficiaram de uma fatia de 60 por cento do orçamento total – e encontrar soluções para os constrangimentos, entre os quais o subfinanciamento do sector a nível nacional e a carência de recursos humanos qualificados.

O compromisso é de todos, inclusive de si, caro leitor.

 

 

 

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OMS nomeia novo representante para Angola

 

O responsável considera o apoio à melhoria dos indicadores da saúde de Angola como um dos principais desafios da sua Organização,

O novo representante da OMS em Angola desempenhou nos últimos trinta anos funções como médico em áreas como pediatria, ginecologia, educação para a saúde e assistência técnica internacional para a melhoria dos sistemas de saúde.

Até à sua nomeação para Angola, trabalhou para as ONG’s Médicos sem Fronteiras e Save the Children, e serviu o Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) no Nepal, Cambodja, Madagáscar, Timor Leste e na Jamaica.

Hernando Agudelo é médico cirurgião, nasceu em Cali, Colômbia, em Abril de 1957, e completou os seus estudos nas Universidades Libre da Colômbia, Universidade de Nantes, em França e na London School of Hygienne and Tropical Medicine.

Fala fluentemente o português, inglês, francês e espanhol.

 

 

 

 

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X Congresso Mundial

Farmacêuticos de língua portuguesa reúnem-se em Luanda

 

Angola acolhe o X Congresso Mundial de Farmacêuticos de Língua Portuguesa, de 30 a 31 de Maio de 2013. O evento, promovido pela Associação de Farmacêuticos de Língua Portuguesa (AFPLP), com o apoio da Direcção Nacional de Medicamentos e Equipamentos, reunirá, em Luanda, centenas de farmacêuticos vindos de todo o mundo lusófono.

O Congresso constitui um grande fórum de aproximação entre a comunidade farmacêutica lusófona, para troca de experiências profissionais, culturais e científicas. Este ano, o evento celebrará os 20 anos de trabalho e cooperação da AFPLP que realizará, também, no dia 29, a sua 13ª Assembleia Geral.

 

Programa científico

O programa do Congresso inclui sessões dedicadas à produção e ao circuito de medicamentos, à regulamentação do sector farmacêutico, à intervenção dos farmacêuticos nos sistemas de saúde e à formação pré e pós-graduada. Entre os temas em foco, destaca-se a sessão sobre “Produção de medicamentos como potenciador de desenvolvimento local”.

Estarão presentes representantes da OMS África, do Ministério da Saúde de Angola, dos governos e das instituições dos sectores da saúde e do medicamento de todos os países lusófonos.

 

EXPO FARMA Angola 2013

Em simultâneo, decorre a EXPO FARMA 2013 onde os participantes têm a oportunidade de conhecer as inovações apresentadas pela indústria farmacêutica, de equipamentos, e interagir com os fabricantes e distribuidores, num ambiente profissional.

 

Inscrições congressistas: Capacitarh RH e Eventos

E-mail: capacitarheventos@gmail.com

Tel.: (+ 244) 945 454 490; (+ 244) 927 706 624 Alexandra Telles; (+ 244) 932 860 149 Jenifa.

 

Inscrições expositores e patrocinadores:

Marketing For You / Jornal da Saúde de Angola - Rua Vereador Ferreira da Cruz, Nº 64, Miramar,

Luanda,

Tel: +(244) 923276837, +(244) 928013347, +(244)938210800

E-mail:

mariana.kiano@marketingforyou.co.ao;

maria.luisa@marketingforyou.co.ao

mario.dias@marketingforyou.co.ao

Websites: http://www.afplp.org ; www.marketingforyou.co.ao

 

 

 

 

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Proximidade ao cidadão

Luanda já tem 153 unidades de saúde

 

Falta de profissionais de saúde qualificados é a principal dificuldade

O número de unidades de saúde na provincial de Luanda passou de 76, em 2006, para 153, em 2012, com destaque para os novos hospitais municipais. Os dados foram avançados pela directora provincial de saúde de Luanda, Rosa Bessa, no Encontro Metodológico sobre Gestão da Saúde que decorreu este mês na capital.

De acordo com esta responsável, as pessoas podem agora ser atendidas em unidades mais próximas das suas residências, evitando a deslocação aos hospitais centrais como até agora acontecia.

A redistribuição e a formação dos quadros existentes é a forma encontrada para superar a falta de profissionais de saúde.

Para além da apresentação do relatório de 2012, o Encontro teve como principal objective convergir para a padronização em termos, clínicos, administrativos e financeiros das várias unidades de saúde, para que “possam dar o retorno que a população espera”.

 

 

 

 

 

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Gestão das operações e logística na saúde

 

A gestão das operações e logística na saúde é o tema do 2º módulo do Programa de Especialização em Gestão da Saúde que decorre de 17 a 21 de Junho, em Luanda.

Contempla, entre outros, os seguintes tópicos: gestão logística e da cadeia de abastecimento, gestão dos pacientes (inbound, permanência e outbound dos serviços de urgência), gestão dos materiais e dos fornecimentos e serviços externos na saúde, instrumental de gestão logística usado em prestadores de cuidados de saúde, gestão de stocks na prestação de cuidados de saúde, noções de gestão de filas de espera nos prestadores de cuidados de saúde e layout das infra-estruturas de prestação de cuidados de saúde.

O formador José Crespo de Carvalho é professor catedrático no ISCTE-IUL. Licenciado em Engenharia Civil e Pós-Graduado em Gestão de Projectos (IST), MBA, Mestrado e Doutorado em Gestão de Empresas pelo (ISCTE – IUL). Formações internacionais: MIT, Harvard University, INSEAD, AIF e Cranfield University). Tem 25 livros publicados e variados artigos publicados em jornais internacionais. Consultor em Estratégia, Logística e Gestão da Cadeia de Abastecimento. Foi diretor e administrador de várias empresas nacionais e multinacionais.

A formadora Tânia Ramos é professora auxiliary no ISCTE-IUL. É licenciada em Organização e Gestão de Empresas pela ISCTE Business School, Mestre em Investigação Operacional e Engenharia de Sistemas e Doutora em Engenharia e Gestão (Instituto Superior Técnico – Universidade Técnica de Lisboa). Tem vários artigos publicados em jornais internacionais. Consultora nas áreas de Logística e Gestão da Cadeia de Abastecimento.

O programa de especialização é leccionado pelo ISCTE / INDEG – a Universidade portuguesa número 1 de formação de Executivos –, com o apoio do Jornal da Saúde, e visa o desenvolvimento de competências genéricas e específicas na área da gestão da saúde para quadros que desempenham, ou venham a desempenhar, cargos de gestão nas suas organizações e pretendam obter, ou actualizar, as ferramentas básicas de gestão no mais curto espaço de tempo.

O êxito do 1º módulo sobre gestão dos recursos humanos e mudança na saúde (57,1% dos participantes consideraram Excelente e 42,9 % Muito Bom) obrigou à sua repetição nos próximos dias 27 a 31 de Maio para atender às solicitações dos profissionais de saúde que não puderam participar na primeira edição.

Mais informações: Elizabeth Domingos Tel.: +244 931 298 484 / 923 276 837 E-mail: elizabeth.leonor@marketingforyou.co.ao   www.indeg.iscte.pt

 

 

 

 

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Iº SIMPÓSIO PARA GESTORES DE SAÚDE EM ANGOLA

Biossegurança e sustentabilidade: para onde queremos caminhar

 

Sensibilizar os profissionais de saúde de uma forma geral, e os gestores mais especificamente, para as melhorias necessárias com vista à sustentabilidade das acções de Biossegurança, de modo a criar um ambiente seguro para o trabalhador da saúde e melhorar a qualidade da assistência à população – controlo das infecções relacionadas com a assistência a saúde – constituiu o objective principal do 1º Simpósio para Gestores de Saúde em Angola que, sob o tema Biossegurança e sustentabilidade - para onde queremos caminhar, reuniu a 14 de Março, em Luanda, 110 participantes de 16 províncias.

O Projecto de Biossegurança entrou no seu 6º ano de actividade e apresenta resultados concretos: as cinco acções básicas e as Normas Técnicas de Biossegurança já estão implantadas em 32 hospitais, em 13 províncias.

Entre outros, foram preparados e editados o guia de biossegurança, o regulamento

de biossegurança (Decreto 62/11) e o manual de higienização das mãos.

De acordo com a coordenadora do projecto, Sonia Harter, e com o responsável Laurindo Lukumua Francisco, a cobertura nacional e o início da implementação a nível municipal são as próximas metas a atingir.

A abertura do Simpósio esteve a cargo do Inspetor Geral da Saúde, Miguel dos Santos Oliveira, e o encerramento foi presidido pelo Ministro da Saúde, José Van-Dúnem, que reforçou a importância dos temas debatidos com o enfoque na higienização das mãos como a medida prioritária para a redução da mortalidade materno-infantil.

 

A importância da biossegurança

Entende-se por Biossegurança o conjunto de medidas preventivas destinadas a manter o controlo de factores de risco laboral procedentes de agentes biológicos, físicos ou químicos que podem pôr em risco a segurança dos trabalhadores, pacientes, visitantes ou do meio ambiente.

Recorde-se que o Ministério de Saúde iniciou a reabilitação dos hospitais em 2006 e, com as novas unidades, houve a necessidade de implementar novos procedimentos, entre os quais, em 2008, os de Biossegurança, com objectivo de controlar a transmissão de infecções relacionadas com a assistência à saúde e prevenção de acidentes de trabalho.

A mudança de comportamento na área de saúde é um processo lento e trabalhoso, pois pressupõe a mudança de comportamento dos profissionais envolvendo elementos como a decisão, acção, disciplina, monitoramento por parte dos gestores e lideranças das unidades sanitárias para que as acções tenham sustentabilidade.

 

Conclusões e recomendações

Os gestores presentes participaram activamente no debate.

Com vista à sustentabilidade da Biossegurança, os pontos críticos alvo de recomendações são os seguintes:

Melhorar a oferta de água nos Hospitais 24/24 horas – buscar fontes alternativas de água, pois esta é essencial na questão da higiene e controlo das infecções hospitalares.

Aumentar o conhecimento dos profissionais em relação aos procedimentos de segurança, organização e fluxos de trabalho e processos; investir na formação permanente dos trabalhadores.

Melhor utilização dos insumos e aumentar o investimento na sua aquisição, especialmente na questão da lavagem das mãos.

Imunização dos trabalhadores da saúde contra o vírus da Hepatite B.

Implementação das Normas de Biossegurança de acordo com o Regulamento para mudar a realidade e o benefício da melhoria de qualidade na assistência à população.

 

As 5 acções básicas

— Lavagem das mãos

— Descarte de material perfuro-cortante (EPC)

— Exposição ocupacional

— Máscara N95 (EPI)

— Organização e fluxo de trabalho

 

Quem esteve presente no Simpósio

— 110 participantes de 16 províncias:

— Hospitais Nacionais (8)

— Hospitais Provinciais (15)

— Hospitais Municipais (6)

— Hospitais Privados (Multiperfil e Clínica Girassol)

 

 

 

 

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Renato Palma, director do Hospital Geral do Kilamba

«Queremos potenciar a participação dos munícipes»

 

Integrado na equipa desde a fundação do popular Hospital avô Kumbi, Renato Palma é o responsável máximo da instituição desde Junho de 2007. Médico cirurgião fez um mestrado em administração Hospitalar, uma formação que lhe permite ambicionar transformer esta unidade de saúde em hospital-escola, sujeita a uma gestão com participação da comunidade, através de um conselho consultivo.

 

— Pode falar-nos resumidamente da história do Hospital?

 — O nosso hospital, como muitos outros construídos depois da independência, data dos finais da década de 70, tendo surgido como um centro médico. A cidade estava a expandir-se para esta zona da periferia e houve necessidade de dotá-la com uma estrutura para prestart cuidados de saúde. Posteriormente, introduziu-se a

maternidade, passando a centro materno-infantil, e só depois, devido ao crescimento demográfico, se transformou em hospital polivalente, com quatro valências: medicina, pediatria, ginecologia/obstetrícia e ortopedia.

Em 2005, com a requalificação do sistema de saúde, foi elevado de hospital polivalente municipal a

hospital geral provincial materno-infantil. Eu fui um dos idealistas da fundação deste hospital que, desde o primeiro momento, sempre trabalhou na formação, sobretudo na carreira de enfermagem.

O Hospital do Kilamba é um dos únicos hospitais que mantém o quadro de formação de parteiras actualizado. Tem colaborado com várias entidades, sobretudo universidades sedeadas em Luanda. É uma pretensão nossa que, um dia, se transforme num hospital-escola.

— Hospital-escola?

— Sim, tanto em enfermagem, como nas especialidades médicas que são o nosso forte: materno-infantil e pediatria. Vemos que os quadros formados pelo Hospital Pediátrico são exíguos para atender as necessidades de Luanda e do país. Deveríamos gizar algumas políticas para desconcentrar a formação do Hospital Pediátrico, mesmo que o núcleo permanecesse lá. Se outros hospitais, na periferia, tivessem algumas valências da formação isso permitiria dotá-los de alguns recursos e daria uma visão mais ampla aos alunos no momento de fazer o trabalho social e escolher as suas especialidades.

— Os estudantes sairiam da faculdade e viriam para aqui fazer o estágio? — Um estudante que queira fazer Pediatria pode fazer a propedêutica, a iniciação, num hospital como o nosso. E pode ter aqui prática clínica, para entender melhor os fenómenos da periferia, que são diferentes.

— Conhecer a comunidade…

— Conhecer, envolver-se, ter contacto com as determinantes que o tornariam mais completo do ponto de vista formativo e normativo. A partir do momento em que houvesse aqui formação, os estudantes teriam outra noção da grandeza que tem Luanda. É esta a visão que temos estado a transmitir aos nossos superiores hierárquicos, no intuito de ajudar a contornar este fluxo centrípeto que existe em direcção aos hospitais centrais. As pessoas chegam aqui, vêem que não existe um especialista e, claro, preferem dirigir-se a um hospital central. Mas a estrutura física não dilata. Se tivermos duzentos especialistas numa sala, eles não vão ter o mesmo desempenho. É preciso desconcentrar e mostrar às pessoas que existem especialidades na

proximidade das suas residências.

A participação da comunidade no processo assistencial do hospital é outra componente forte do nosso projecto.

— O envolvimento da comunidade em que se traduz?

— Na primeira reunião do Conselho Consultivo vamos convidar os líderes desta comunidade do Kilamba a escutarem os nossos problemas e limitações para, de uma forma interactiva, poderem aportar as suas soluções e dizerem como gostariam que o hospital respondesse às suas necessidades.

Serão sensibilizados sobre a nossa missão e objectivos no atendimento da comunidade e da Província de Luanda, pois estamos integrados no aparato do Estado. Queremos criar sinergias com a comunidade para que ela fique ligada activamente à gestão da assistência que existe.

Num caso hipotético, saberiam do mapeamento das grávidas do município, poderiam aprender os sinais de alarme numa grávida de risco e seriam eles, familiars ou outros munícipes, a encaminhá-la para o centro médico.

— O que faria em concreto?

— Forneceríamos informação à comunidade para que ela tivesse um ABC de como lidar com o Hospital e isso serviria também para orientá-la a interagir com este Hospital, que está inserido, estrategicamente, numa região paupérrima e cujos serviços prestados são totalmente gratuitos. Não temos comparticipações nem salas de rendibilização. Mas, do ponto de vista empresarial, isto não é rendível. Por isso, temos de começar a participar com a comunidade na consciencialização de que existem alguns serviços que eles vão ter de comprar, entre os quais estão os serviços de laboratório, imagiologia, raios X, serviços que, pela complexidade do seu mecanismo de funcionamento, requerem uma certa dose de auto-financiamento.

— Quantas camas tem o Hospital?

— Temos 70 mas, quando terminar a segunda fase, vamos ter 300 camas.

—E quantos médicos?

— O Hospital está dimensionado para 48 médicos, aproximadamente, e, neste momento, temos apenas 15. E destes 15 apenas cinco são especialistas. No planeamento de quadros para a feitura dos bancos de urgência, há dias em que não temos especialistas. Isto provoca uma avalancha de pacientes em direcção aos hospitais centrais, porque as limitações de conhecimento levam os próprios médicos a terem receio de lidar com alguns casos e transferem os doentes.

— E ao nível da enfermagem?

— Também temos dificuldades. Do ponto de vista numerico estamos bem servidos mas do ponto de vista qualitativo não. Devíamos ter 12 a 15 licenciados em enfermagem e temos dois. Devíamos ter entre 40 e 80 técnicos médios e temos 15.

— Quantas pessoas atendem por dia?

 — Estamos num período de baixa, entre Dezembro e Maio. Na Pediatria, atendemos entre 100 e 125 pacientes por dia, só no Banco de Urgência. Na área da Maternidade são entre 50 e 90 casos diários. Temos um registo de 27 a 35 partos por dia. Não estamos a fazer cirurgias. O Hospital foi reabilitado e estamos na fase de instalação de equipamentos para, ainda no primeiro trimester deste ano, reabrir o bloco operatório.

 

 

 

 

 

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Número de casos da infecção por VIH/SIDA está a aumentar nos escalões etários dos 20 aos 44 anos de idade

Andreia Pereira

 

Maria Lúcia Furtado, directora-geral adjunta do instituto nacional de LutaContra a SidA (inLCS), adianta que é necessário travar o avanço da infecção no país, através da implementação de estratégias dirigidas a grupos-alvo. A médica reconhece que a faixa etária dos 20 aos 44 anos é a mais atingida pela infecção por ViH/SidA, registando-se, nestes escalões, uma predominância de doentes do sexo feminino. Contudo, nem tudo são más notícias e, de acordo com Maria Lúcia Furtado, entre os jovens (15-24 anos) a tendência parece demonstrar uma redução do número de casos de infecção.

 

No parecer da directora-geral adjunta do INLCS, “o desemprego e os níveis de pobreza” estão entre as principais causas da disseminação do VIH/SIDA em Angola. Segundo os dados da ONUSIDA, divulgados em 2011, o país apresenta uma taxa de prevalência de 2,1% em todo o território. A especialista admite que “a prostituição torna-se, por vezes, um dos meios de subsistência” do agregado familiar, o que favorece a propagação da infecção.

Os dados, divulgados em 2010 pelo Instituto Nacional de Estatística, revelam que 20% da população jovem, com idades compreendidas entre os 15-24 anos, indiciaram a sua vida sexual antes dos 15 anos de idade. “Esta situação propicia a prática de relações sexuais transaccionais e interageracionais, com um consequente aumento da taxa de infecções sexualmente transmissíveis e gravidezes indesejáveis”, nota Maria Lúcia Furtado.

Este inquérito do INE revelou, ainda, que 45% da população identificou as principais formas de transmissão da infecção por VIH/SIDA. Porém, segundo lembra Maria Lúcia Furtado, a taxa de analfabetismo no país, associada a barreiras culturais, regionais e à poligamia, além de outros comportamentos de risco, dificultam a implementação de estratégias junto da população. “Não podemos perder a oportunidade de transmitir a informação nas escolas, igrejas e junto da comunidade”, fundamenta a responsável.

Além das estratégias adoptadas pela Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA, Maria Lúcia Furtado admite que “há um compromisso político”, que visa implementar medidas de combate à infecção, como consta, aliás, no Plano Estratégico Nacional 2010/2014, um document que procura “uma política de descentralização no reforço das acções”.

Conforme adianta a directora- geral adjunta do INLCS, além do acesso ao tratamento antiretroviral, disponibilizado gratuitamente desde 2004, o Programa de Transmissão Vertical, que procura reduzir o número de infecções por VIH/SIDA para recém-nascidos, assume-se como uma das prioridades governativas. “O combate ao VIH/SIDA está entre as principais prioridades do Executivo e consta, inclusivamente, do Plano de Governação de 2012-2017. O INLCS é, também, o órgão técnico que executa as políticas traçadas pelo Ministério da Saúde.”

Referindo-se ao panorama actual, Maria Lúcia Furtado lembra que os serviços com valências no tratamento do VIH/SIDA estão presents em cerca de 70% de todos os hospitais (municipais, provinciais, gerais ou nacionais) e em 90% dos centros de saúde. Contudo, esta cobertura ainda é, de acordo com a especialista, manifestamente inferior nos postos de saúde (apenas 20%). “Estes números devem-se, sobretudo, à estratégia de implementação dos serviços em unidades com recursos médicos”, frisa.

 

Serviços de aconselhamento e testagem

No âmbito da prevenção, foram criados, em 2003, oito serviços de aconselhamento e testagem, um número que, até ao final do ano passado, aumentou para 834 serviços. “Nessas Unidades, de Janeiro a Novembro do ano transacto, realizaram-se cerca de 500 mil testes, sendo que a seropositividade foi encontrada em 4.5% dos indivíduos (74% dos quais adultos).”

A especialista recorda que o número de Serviços de Acompanhamento e Atendimento de crianças e adultos registou “um aumento considerável”, estando, neste momento, disponíveis 148 unidades de atendimento de adultos e 136 para acompanhamento de crianças infectadas pelo VIH/SIDA, em todo o país. “ Nestes serviços estão registados e em acompanhamento 108.933 pessoas, das quais 52.347 estão sob terapêutica.”

 

Bié regista o maior número de casos de grávidas infectadas pelo VIH/SIDA

De acordo com Maria Lúcia Furtado, o Programa de Transmissão Vertical preconize a redução do número de casos de VIH/SIDA em crianças, através da informação e do acompanhamento das mulheres grávidas, que, segundo o que está descrito na literatura médica, não devem amamentar, atendendo ao risco de transmissão para o recém-nascido.

A especialista também nota que a percentagem de mulheres sob terapêutica antiretroviral (uma medida que permite controlar a carga vírica e, assim, diminuir o risco de transmissão ao bebé durante o parto) tem registado uma redução progressive desde 2010 (63% de taxa de adesão ao tratamento) até 2012 (menos de 50%). “É necessário fomentar a confiança no profissional de saúde para que o doente adira ao tratamento com antiretrovíricos. À luz das recomendações da OMS toda a grávida que começa o tratamento com antiretrovirais deverá prosseguir a terapêutica após o parto.”

O Estudo de Seroprevalência de 2011, um trabalho realizado periodicamente de dois em dois anos, desde 2004, mostra que a provincial do Bié apresenta o maior número de casos de mulheres grávidas infectadas pelo VIH/SIDA, avaliadas durante a consulta pré-natal. “Esta província, à luz do estudo de 2011, apresentou uma prevalência de 5,8%, ultrapassando o Cunene, que, desde 2004, tem apresentado a mais elevada taxa de prevalência.

Ainda assim, existem 11 províncias com taxas de prevalência (na população de grávidas, avaliadas durante a consulta pré-natal) superiors à mediana nacional (3%). No entanto, segundo as projecções, julgamos que essa taxa se manterá estável (abaixo dos 2,5%) até 2015.”

Segundo Maria Lúcia Furtado, estão previstas algumas metas até ao final do próximo ano, nomeadamente, a “redução da incidência do VIH/SIDA entre gestantes (15-24 anos) de 1,7%, em 2010, para 1%, em 2014”.

Até ao final do mesmo período, também está preconizado “o alargamento da cobertura de mulheres que beneficiam do Programa de Transmissão Vertical, de 20% até 80%”.

“Queremos priorizar as unidades de aconselhamentos e testagem. Tínhamos 808 serviços que faziam aconselhamento e testagem, queremos atingir 1500 em 2015. Em relação à Unidades que fazem a CPN e prevenção da transmissão vertical queremos atingir 800. E em relação ao acompanhamento de crianças queremos atingir as 200 unidades até 2015. As metas são ambiciosas mas acredito que conseguimos chegar. Se nos empenharmos até ao final de 2013 conseguimos criar 153 novos serviços da prevenção datransmissão vertical.”

 

 

 

 

 

 

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Projecto da Nestlé para melhorar a alimentação dos bebés

Começar Saudável Crescer Saudável

 

A Nestlé lançou em Luanda o projecto Começar Saudável Crescer Saudável, uma iniciativa relacionada com a nutrição infantile e que visa formar profissionais de saúde que trabalham em Pediatria e, mais especificamente, com o aconselhamento sobre o aleitamento materno.

 

A Nestlé lançou em Luanda o projecto Começar Saudável Crescer Saudável, uma iniciativa relacionada com a nutrição infantile e que visa formar profissionais de saúde que trabalham em Pediatria e, mais especificamente, com o aconselhamento sobre o aleitamento materno.

O projecto contempla dois aspectos fundamentais: promover o aleitamento materno e o uso adequado de alimentos complementares de crianças até aos dois anos.

A apresentação do projecto teve lugar na Sala Magna da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, com a participação de profissionais de saúde de todos os municípios da provincial de Luanda ligados a esta área. No evento, puderam assistiram a palestras sobre alimentação antes, durante e após a gestação e aleitamento materno, feitas pela ginecologista Aurora Cândido, do Hospital Geral de Luanda, e pela pediatra Esperança da Silva, do Hospital Municipal de Viana.

O projecto é educacional e não está relacionado com as marcas da empresa multinacional. A Nestlé apenas proporciona formação e material adequado para que os profissionais de saúde estejam devidamente capacitados com ferramentas importantes sobre os bons hábitos nutricionais, desde o processo de gestação da mulher até aos dois anos de vida da criança.

O objectivo é que os profissionais possam passar informações nutricionais e sobre o aleitamento materno às mulheres que se deslocam aos centros de saúde e hospitais, no sentido de dotá-las de conhecimentos relevantes sobre questões do dia-a-dia, evitando práticas erradas de nutrição e aleitamento materno.

O projecto da Nestlé está ser implementado em países da região, como Moçambique, Quénia e Zimbabué, desde o ano passado e já está mais avançado noutros países, como o Brasil e a Índia. Em Angola está a começar.

Em Agosto haverá o lançamento oficial do poster com o título “O leite do peito é o melhor”, em parceria com o Ministério da Saúde, e o projecto será estendido às demais províncias do país.

 

Fixe estes sete princípios

1Uma gravidez antes dos 18 ou depois dos 35 anos apresenta mais riscos de saúde para a mãe e para o bebé.

2Para a saúde da mãe e da criança, uma mulher deve esperar até que o seu bebé tenha pelo menos 2 anos de idade, antes de engravidar novamente.

3Os riscos de complicações durante a gravidez e o parto são maiores se a mulher já tiver tido muitas gravidezes.

4Os serviços de Planeamento Familiar oferecem aos homens e as mulheres em idade fértil, o conhecimento e os meios para planear quando começar a ter filhos, quantos filhos a ter, a que interval entre um nascimento e outro e quando parar.

5Existem muitos métodos seguros, eficazes e aceitáveis de planear e de evitar a gravidez não desejada.

6Tanto os homens como as mulheres incluindo adolescentes, são responsáveis pelo planeamento familiar.

7Ambos parceiros precisam de conhecer os benefícios do planeamento familiar e as opções disponíveis nos Centros de Saúde

 

O aleitamento materno

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusive até aos 6 meses de vida e como complemento alimentar até aos 2 anos de idade. Amamentar oferece vantagens para o bebé e para a mãe:

VANTAGENS PARA O BEBÉ

Alimento de fácil digestão e absorção, possui todos os nutrientes nas formas e quantidades que o bebé necessita nos primeiros 6 meses de vida;

Pronto a tomar, sem risco de diluições incorrectas;

Diminui o risco de desenvolvimento de obesidade;

Reforça o sistema imunitário diminuindo o risco de infecções e alergias;

Desenvolve os músculos da face diminuindo as dificuldades da fala;

Promove o contacto físico e a relação afectiva mãe/filho.

VANTAGENS PARA A MÃE

Diminui o risco de hemorragia pós-parto;

Diminui o risco de desenvolvimento de cancro da mama e ovário;

Diminui o risco de desenvolvimento de osteoporose;

Facilita a recuperação do peso corporal prévio à gravidez.

 

Composição do leite materno (100ml)

Energia ................70 kcal

Proteína ..................1,1 g

Caseína:albumina .40:60

Lipídios....................4,2g

Carboidrato ................7g

Vitamina A.........190 mcg

Vitamina D..........2,2 mcg

Vitamina E ..........0,18 mg

Vitamina K ..........1,5 mcg

Vitamina C............4,3 mg

Tiamina ...............16 mcg

Riboflavina...........36 mcg

Niacina..............147 mcg

Piridoxina ............10 mcg

Folato .................5,2 mcg

Vitamina B12 - 0,03 mcg

Cálcio ...................34 mg

Fósforo .................14 mg

Ferro...................0,05 mg

Zinco....................0,3 mg

Água ...................87,1 ml

Sódio .................0,7 mEq

Cloro .................1,1 mEq

Potássio.............1,3 mEq

 

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Travar a tuberculose no nosso tempo de vida

Luís Gomes sambo | Director Regional da OMS

 

O Dia mundial de Luta contra a Tuberculose comemora-se a 24 de março. É um dia em que o mundo inteiro é lembrado sobre o sofrimento que a Tuberculose (Tb) continua a exercer nas pessoas, embora estejam disponíveis medidas eficazes de control da doença. o lema deste ano para o Dia mundial de Luta contra a Tb é “Travar a Tb no nosso tempo de vida”.

 

A TB continua a ser um grande problema de saúde pública na Região Africana que registou 26% dos casos notificados de TB em todo o mundo, em 2011. Calcula-se que a TB tenha vitimado mais de meio milhão de pessoas na Região Africana e que apenas 62% dos casos de TB existentes tenham sido detectados durante esse ano. A situação é agravada pela ameaça da TB resistente aos medicamentos e da TB resistente a múltiplos fármacos, que continuam a ser um grave problema e a complicar ainda mais o tratamento da doença.

Dever-se-á notar que a epidemia da TB em África deve-se principalmente a factores relacionados com a pobreza e os efeitos negativos da co-infecção TB e VIH. As pessoas que vivem com o VIH são mais susceptíveis do que outras a contraírem a TB. Segundo o Relatório Mundial sobre a Tuberculose, de 2012, 46% das pessoas que em 2011 tinham TB eram também portadores do VIH e, infelizmente, apenas 46% destas receberam a terapêutica antiretroviral recomendada pela OMS.

 

Métodos de detecção rápida

Um aspecto positivo a registar nos últimos cinco anos é que os países africanos têm vindo a utilizar cada vez mais novos métodos de detecção rápida que reduzem significativamente o atraso no diagnóstico e aumentam a detecção de casos de TB. Em resultado, a tendência crescente de casos de TB foi interrompida, com a melhoria da taxa de êxito do tratamento. Do mesmo modo, a taxa de mortalidade e o número de pessoas que não completam o tratamento para a TB continua a diminuir.

A despeito destas realizações, não há lugar para complacências, pelo que gostaríamos de frisar a importância

do diagnostic precoce como a forma mais eficaz de prevenir a propagação da TB. Aconselha-se qualquer pessoa com tosse persistente por mais de duas semanas a procurer assistência médica. Travar a TB no nosso tempo de vida vai exigir que os governos e os parceiros do desenvolvimento aumentem e mantenham os compromissos financeiros e políticos para o control da TB. Isto é essencial para garantir que todos possam ter acesso aos serviços de prevenção e tratamento da TB em todos os países da Região. São fundamentais parcerias estratégicas sólidas entre governos, comunidades, organizações bilaterais e multilaterais e o sector privado para combater o flagelo da TB.

Juntos, congreguemos esforços para travar a TB no nosso tempo de vida.

 

Perguntas & Respostas

O que é A tuberculose?

A tuberculose é uma doença infecciosa causada por um Micróbio chamado "bacilo de Koch". É uma doença contagiosa, que se transmite de pessoa para pessoa e que atinge sobretudo os pulmões. Pode também atingir outros órgãos e outras partes do nosso corpo, como os gânglios, Os rins, os ossos, os intestinos e as meninges.

 

Quais são OS sintomas mais evidentes?

– Tosse crónica;

– Febre;

– Existência e persistência de suores nocturnos (dos que Ensopam o lençol);

– Dores no tórax;

– Perda de peso, lenta e progressiva;

– Falta de apetite, anorexia, apatia completa para com Quase tudo o que está à volta.

 

Como Se transmite?

A transmissão do micróbio da tuberculose Processa-se pelo ar, através da respiração, Que o faz penetrar no nosso organismo. Quando um doente com tuberculose tosse, Fala ou espirra, espalha no ar pequenas gotas Que contêm o bacilo de Koch. Uma pessoa Saudável que respire o ar de determinado ambiente Onde permaneceu um tuberculoso pode Infectar-se. Note-se que um espirro de um doente com Tuberculose projecta no ar cerca de dois milhões De bacilos. Através da tosse, cerca de 3,5 mil partículas são igualmente projectadas Para a atmosfera.

 

Todas AS pessoas que entram Em contacto com doentes Tuberculosos podem Ser contagiadas?

Não. A maior parte das vezes o organismo resiste E a pessoa não adoece. Contudo, por vezes, O organismo resiste no momento, mas Continua a albergar o micróbio, motivo pelo Qual quando fragilizado por alguma outra Doença, como a sida, o cancro, a diabetes ou O alcoolismo, acaba por não resistir. Os idosos Têm também mais possibilidades de adoecer Logo após estarem em contacto com um Tuberculoso, ou seja, com o ar que este respira. Entre as pessoas que mais probabilidades Têm de contrair esta infecção, contam-se os Idosos, as crianças e as pessoas muito debilitadas Por outras doenças.

 

Todos OS pacientes com tuberculose Podem transmitir A doença?

Não, apenas os doentes com o bacilo de Koch no pulmão E que sejam bacilíferos, isto é, que eliminem o bacilo no

Ar, através da tosse, espirro ou fala. Quem tem tuberculose noutras partes do corpo não Transmite a doença a ninguém porque não elimina o bacilo De Koch através da tosse. Os doentes com tuberculose que já estão a ser tratados Não oferecem perigo de contágio porque a partir do início Do tratamento este risco vai diminuindo dia após dia. Quinze dias depois de iniciado o tratamento, é provável Que o paciente já não elimine os bacilos de Koch.

 

Que factores facilitam O contágio?

– Estar na presença de um doente bacilífero (aquele que elimina Muitos bacilos através da tosse, dos espirros, da fala);

– Respirar em ambientes pouco arejados e nos quais há predominância De pessoas fragilizadas pela doença;

– Permanecer vários dias em contacto com doentes tuberculosos.

 

Como Se previne?

A prevenção é a arma mais poderosa e genericamente usada Em todo o mundo. É feita através da vacina BCG (Bacilo De Calmette e Guérin), que é aplicada nos primeiros 30 dias De vida e capaz de proteger contra as formas mais graves de Tuberculose. É, por isso, obrigatória e tomada por milhões de Crianças em todo o mundo. Deve ainda tratar-se, o mais breve possível, os doentes Com tuberculose, para que o contágio não prolifere, e procurer Não respirar em ambientes saturados, pouco arejados E pouco limpos.

 

A tuberculose tem cura?

Sim. Se o doente seguir a prescrição do médico e as suas indicações, As oportunidades de cura atingem os 95 por cento. Mas para que assim seja, é fundamental não interromper O tratamento em hipótese alguma, nem mesmo se os sintomas Desaparecerem.

 

Como Se trata?

Quando alguém adoece por causa do micróbio da tuberculose E fica tuberculoso, o tratamento consiste na combinação De três medicamentos: rifampicina, isoniazida e pirazinamida. Este tratamento dura cerca de seis meses e deve ser Sempre acompanhado pelo médico de família do seu centro De saúde.

 

Em que situações é preciso internar Um doente com tuberculose?

Na maior parte dos casos, o tratamento deve ser ambulatório, Ou seja, feito em casa e acompanhado no centro de saúde Ou no hospital da área de residência do doente. Porém, se O diagnóstico não for feito no início da doença e os pulmões Do doente ficarem gravemente afectados, inclusive originando Outras complicações, o médico tem que observar o paciente E decidir se precisa do internamento. Nestas circunstâncias, As pessoas ficam muito fragilizadas e precisam de Muito apoio. No caso de um doente com tuberculose noutras partes do Corpo, cabe ao médico tomar a decisão. Quando o doente Contrai uma meningite tuberculosa tem forçosamente de ser Internado.

 

A tuberculose mata?

Sim. Se uma pessoa com tuberculose não recorrer aos serviços Médicos competentes e se não for tratada atempada e Convenientemente, a probabilidade de vir a Morrer na sequência da tuberculose é muito Elevada. Quando um doente abandona ou interrompe O tratamento que lhe foi prescrito, aumenta Também a probabilidade de vir a morrer Da doença, uma vez que possibilita o Aparecimento de novos bacilos de Koch, resistentes Aos medicamentos actualmente Usados pelos médicos para o tratamento e Controlo da tuberculose.

 

Como Se diagnostica?

Se tossir consecutivamente durante cerca de Três semanas, é recomendável que consulte O médico do centro de saúde da sua área de Residência. Este médico pode pedir-lhe para Fazer o exame do escarro ou baciloscopia e Também uma radiografia ao tórax. Através Dos resultados destes dois exames estará, então, Em condições de avançar com o diagnostic E encaminhá-lo para os serviços Médicos competentes.

 

Se for diagnosticada uma tuberculose, É necessário parar De beber e de fumar?

Sim. Não é aconselhável, como se sabe, a Associação entre medicamentos e bebidas Alcoólicas. Podem até gerar-se outras complicações, Como, por exemplo, o aparecimento De hepatite. É também desejável e necessário Que o paciente pare de fumar, até Porque isso melhorará a sua saúde como um todo e beneficiará A recuperação dos pulmões. Caso persistam dúvidas ou alguma impossibilidade por Parte do paciente em seguir estas recomendações, aconselha-Se conversar com o médico ou com o responsável de Saúde do centro de saúde da sua área de residência.

 

AS grávidas podem Ser tratadas com OS medicamentos habituais para A tuberculose?

Sim, pois os medicamentos costumam ser seguros. Mas também Neste caso se aconselha a consulta e uma conversa Com o médico assistente para esclarecimento de dúvidas, Designadamente as que se relacionem com a saúde da mãe E do bebé.

 

 

 

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Clínica estomatológica Meditex

Um sorriso saudável é a nossa razão de ser

 

 

A Clínica Estomatológica Meditex, situada no Bairro Alvalade, em Luanda, presta serviços com vista à melhoria da saúde bucal da população angolana. Desde o início das suas actividades, esta entidade, onde trabalham estomatologistas cubanos com alta qualificação científica e vasta experiência no tratamento das afecções bucais, com os seguintes serviços estomatológicos.

 

Básicos Especializados de Próteses e Ortodontia

Os serviços estomatológicos básicos incluem restauração dentária, extracções tanto de dentes temporaries como de permanentes, tratamentos endodónticos, profilaxia (limpeza), branqueamento de dentes, radiografias (RX) periapicais e panorâmicas. A Clínica Estomatológica Meditex também presta serviços de urgência como drenagem de abcessos, cura de alveolitis, sangramentos alveolares, cimentação de brackets, bandas e próteses fixas, além de reparações de próteses.

 

O que é a cárie dentária?

A cárie dentária define-se como um processo, ou enfermidade dinâmica crónica, que ocorre na estrutura dentária em contacto com os depósitos microbianos. Devido ao desequilíbrio entre a substância dental e o fluido de placa circundante, obtém-se uma perda de mineral da superfície dentária, cujo sinal é a destruição localizada de tecidos duros do dente. A cárie dentária é uma enfermidade de origem multifactorial, na qual existe a interacção de três factores principais: o hóspede (particularmente a saliva e os dentes), a microflora e o substrato. Além destes três factores, deverá ter-se em conta mais um, o tempo. Para que se forme uma cárie é necessário que as condições de cada factor sejam favoráveis, quer dizer, um hóspede susceptível, uma flora oral cariogénica e um substrato apropriado, que deverá estar presente durante um determinado período.

Uma vez instalada a cárie, torna-se imprescindível um tratamento especializado com o objectivo de eliminar do tecido dentário toda a lesão cariosa e restaurar o mesmo com materiais compatíveis, para manter a vitalidade do dente e, assim, conservá-lo na cavidade bucal. Esta é, precisamente, a missão dos estomatologistas cubanos nesta clínica: devolver o sorriso aos nossos pacientes.

 

O que é a Ortodontia?

A Ortodontia é uma especialidade da Estomatologia dirigida para a resolução dos problemas que afectam a estética dentária, quer dizer a má oclusão dentária, a qual não é mais que a alteração das relações que se estabelecem como resultado dos contactos oclusais entre todos os elementos integrantes do sistema estomatognático. A Ortodontia estuda e atende o desenvolvimento da oclusão e a sua correcção por meio de aparelhos mecânicos que exercem forças físicas sobre a dentição e o seu meio ambiente. Tem como objectivo fundamental o estabelecimento de uma oclusão harmónica e a boa saúde do aparelho estomatognático através do uso de aparelhos para a sua correcção, os quais podem ser fixos ou removíveis. Dentro dos aparelhos fixos, na nossa Clínica, incluem-se os de aço inoxidáveis e os cerâmicos. Antigamente, esta especialidade só podia ser aplicada em crianças. No entanto, com o desenvolvimento da ciência e da técnica, o surgimento de materiais inovadores e a alta preparação científica dos nossos especialistas, estendeu-se a todas as idades.

 

Especialidade de prótese

Na especialidade de Prótese encontram-se os serviços encaminhados para devolver aos nossos pacientes os dentes perdidos por múltiplas causas. A perda de estruturas dentárias, dentes e elementos de suporte não é mais do que a destruição da porção coronária ou radicular dos mesmos, por múltiplas causas que levam à sua exérese (extracção). Uma vez que produziu a perda dentária, se o paciente não se reabilitar, pode trazer consequências clínicas directas sobre o aparelho estomatognático como implicações estéticas, transtornos psicológicos, rápida reabsorção dos rebordes residuais, dificuldades na mastigação que levam a transtornos gastroduodenais, transtornos do sistema neuromuscular e transtornos das articulações temporomandibulares. Para evitar estas implicações clínicas derivadas da perda dentária, no nosso Centro confeccionam-se próteses acrílicas totais e parciais, próteses metálicas tanto superiors como inferiores e próteses fixas elaboradas com materiais de alta qualidade e com um acabamento que demonstra a alta qualificação dos especialistas que aqui trabalham. O nosso principal objectivo é a saúde integral do aparelho estomatognático. Cuide da sua dentição e, perante qualquer incómodo, dirija-se à Clínica Estomatológica Alvalade da MEDITEX.

 

Contactos:

Rua Ramalho ortigão nº. 21 Bairro alvalade, luanda

Tel: 222 32 08 42

E-mail: comeditex@imbondex.net

Horário: de segunda a sexta-feira, das 8:00 às 16:00 horas. no segundo e quarto sábado de cada mês, das 8:00 às 12:00 horas as urgências de noite e fins-de-semana são atendidas na Clínica mEditEx, Rua da missão nº. 52, ingombota, luanda.

 

 

 

 

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Consciência fonológica versus leitura e escrita

O seu filho está preparado para iniciar a aprendizagem da leitura e da escrita

Numa altura em que se iniciou mais um ano escolar e algumas crianças serão confrontadas pela primeira vez com a árdua tarefa da aprendizagem da leitura e da escrita, penso que alguns de vós devem colocar a questão: “O meu filho está preparado para iniciar a aprendizagem da leitura e da escrita?”

 

Denomina-se consciência fonológica a habilidade metalinguística de tomada de consciência das características formais da linguagem. Esta habilidade compreende dois níveis:

— A consciência de que a língua falada pode ser segmentada em unidades distintas, ou seja, a frase pode ser segmentada em palavras; as palavras, em sílabas e as sílabas, em fonemas.

—A consciência de que essas mesmas unidades repetem-se em diferentes palavras faladas. Diferentes pesquisas têm apontado o papel do desenvolvimento da consciência fonológica para a aquisição da leitura e escrita. Estas pesquisas referem que o desempenho das crianças na fase pré-escolar em determinadas tarefas de consciência fonológica é preditivo de seu sucesso ou fracasso na aquisição e desenvolvimento da Leitura e da escrita. Crianças com dificuldades em consciência fonológica geralmente apresentam atraso na aquisição da leitura e escrita, e procedimentos para desenvolver a consciência fonológica podem ajudar as crianças com dificuldades na escrita a superá-los.

A consciência fonológica, ou o conhecimento acerca da estrutura sonora da linguagem, desenvolve-se nas crianças ouvintes no contato destas com a linguagem oral de sua comunidade. É na relação dela com diferentes formas de expressão oral que essa habilidade metalinguística se desenvolve, desde que a criança se vê imersa no mundo linguístico. Diferentes formas linguísticas a que qualquer criança é exposta dentro de uma cultura vão formando sua consciência fonológica, entre elas destacamos as músicas, cantigas de roda, poesias, parlendas, jogos orais, e a fala, propriamente dita.

As sub habilidades da consciência fonológica são:

 — Rimas e aliterações

— Consciência de palavras

— Consciência silábica

— Consciência fonémica

 

Rimas e aliterações

A rima representa a correspondência fonémica entre duas palavras a partir da vogal da sílaba tónica. Por exemplo, para rimar com a palavra SAPATO, a palavra deve terminar em ATO, pois a palavra é paroxítona, mas para rimar com CAFÉ, a palavra precisa terminar somente em É, visto que a palavra é oxítona. A equidade deve ser sonora e não necessariamente gráfica, ou seja, as palavras OSSO e PESCOÇO rimam, pois o som em que terminam é igual, independente da forma ortográfica.

Já a aliteração, também recurso poético, como a rima, representa a repetição da mesma sílaba ou fonema na posição inicial das palavras.

Os trava-línguas são um bom exemplo de utilização da aliteração, pois repetem, no decorrer da frase, várias vezes o mesmo fonema. Os pesquisadores Goswami e Bryant (1997) realizaram estudos a respeito da consciência fonológica e comprovaram que a habilidade de detetar rima e aliteração é preditora do progresso na aquisição da leitura e escrita. Isto ocorre, porque a capacidade de perceber semelhanças sonoras no início ou no final das palavras permite fazer conexões entre os grafemas e os fonemas que eles representam, ou seja, favorece a generalização destas relações.

É comum vermos crianças de 4 ou 5 anos brincando com nomes dos colegas em jogos de rimas como: "Gabriel cara de pastel, Fabiana cara de banana". Mesmo sem saber que isto é uma rima, a brincadeira espontânea das crianças atesta sua capacidade de consciência fonológica.

 

Consciência de palavras

Também chamada de consciência sintática, representa a capacidade de segmentar a frase em palavras e, além disso, perceber a relação entre elas e organizá-las numa sequência que dê sentido. Esta habilidade tem influência mais precisa na produção de textos e não no processo inicial de aquisição de escrita. Ela permite focalizar as palavras enquanto categorias gramaticais e sua posição na frase. Contar o número de palavras numa frase, referindo-o verbalmente ou batendo uma palma para cada palavra, é uma atividade de consciência de palavras. Por exemplo: Quantas palavras há na frase: "O cão correu atrás do gato?" Ao responder corretamente esta questão ou batendo uma palma para cada palavra, enquanto repete a frase, a criança demonstra sua habilidade de consciência sintática.

Além disso, ordenar corretamente uma oração ouvida com as palavras desordenadas também é uma capacidade que depende desta habilidade. Défice nesta habilidade pode levar a erros na escrita do tipo aglutinações de palavras e separações inadequadas. Embora esses erros sejam comuns no processo inicial de aquisição da escrita, como por exemplo, escrever: OGATO (aglutinação) ou SABO NETE (separação), a persistência destes tipos de erros pode ser motivada por uma dificuldade de consciência sintática. Esta habilidade implica numa capacidade de análise e síntese auditiva da frase.

 

Consciência da sílaba

Consiste na capacidade de segmentar a palavras em sílabas. Esta habilidade depende da capacidade de realizer análise e síntese vocabular. A criança só avança para a fase silábica de escrita, quando se torna atenta às características sonoras da palavra, especialmente quando ela chega ao nível do conhecimento da sílaba. Atividades como contar o número de sílabas; dizer qual é a sílaba inicial, medial ou final de uma determinada palavra; subtrair uma sílaba das palavras, formando novos vocábulos, são bastante úteis.

 

Consciência fonémica

Consiste na capacidade de analisar os fonemas que compõe a palavra. Tal capacidade, a mais refinada da consciência fonológica, é também a última a ser adquirida pela criança. É no processo de aquisição da escrita que esse tipo específico de habilidade passa a se desenvolver. As escritas de um sistema alfabético, como o português, o inglês e o francês, por exemplo, permitem que os indivíduos tomem contato com as estruturas mínimas da linguagem: os fonemas; o que não é possível num sistema de escrita silábico ou ideográfico. Desta forma, percebemos que um certo nível de consciência fonológica é imprescindível para a aquisição da lecto-escrita, ao mesmo tempo em que, com domínio da escrita, a consciência fonológica se aprimora. Ou seja, estágios iniciais da consciência fonológica contribuem para o desenvolvimento dos estágios iniciais do processo de leitura e estes, por sua vez, contribuem para o desenvolvimento de habilidades de consciência fonológica mais complexas. Atividades como dizer quais ou quantos fonemas formam uma palavra; descobrir qual a palavra está sendo dita por outra pessoa unindo os fonemas por ela emitidos; formar um novo vocábulo subtraindo o fonema inicial da palavra (por exemplo, omitindo o fonema /k/ da palavra CASA, forma-se a palavra ASA), são exemplos em que se utiliza a consciência fonémica. A consciência fonológica associada ao conhecimento das regras de correspondência entre grafemas e fonemas permite à criança uma aquisição da escrita com maior facilidade, uma vez que possibilita a generalização e memorização destas relações (som-letra).

Crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem de leitura e escrita devem participar de atividades para desenvolver a consciência fonológica, em programas de reforço escolar ou terapias com profissionais especializados, como Terapeuta da Fala ou Psicopedagogo.

Além disso, as escolas podem desenvolver desde a pré-escola, atividades de consciência fonológica com objetivo preventivo, a fim de minimizar as possíveis dificuldades futuras na aquisição da escrita (Guimarães, 2003).

 

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XXII CONSELHO CONSULTIVO DO MINSA

Futuro da saúde debatido em Benguela

 

Sob o lema “Mais e Melhor Saúde” e com o tema “A Saúde: um compromisso de Todos”, realizou-se de 21 a 23 de Março de 2013, na cidade de Benguela, o XXIIº Conselho Consultivo do Ministério da Saúde, que foi antecedido pela Conferência sobre a Reforma do Sistema e do Serviço Nacional de Saúde, nos dias 18 e 19 de Março, com a presença de cerca de 500 participantes.

 

 

A Conferência teve como objective geral partilhar e debater novas modalidades de financiamento e de funcionamento para optimizar a prestação de cuidados de saúde.

O XXII Conselho Consultivo teve como objective proceder ao balanço dos resultados das acções implementadas, partilhar e consensualizar o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS) 2012-2025, transmitir novas orientações metodológicas, nomeadamente sobre a elaboração do Orçamento Geral do Estado 2014, bem como analisar e discutir as perspectivas e linhas de força do sector no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento 2012-2013.

Constituiu também uma oportunidade para dinamizar o diálogo e o intercâmbio entre gestores e quadros de saúde de todas as províncias, e do nível nacional, Vice-Governadores provinciais, responsáveis outros sectores do Executivo, instituições e parceiros, para partilharem a sua experiência, visão e perspectivas para o reforço do SNS e do seu impacto sobre a saúde e bem-estar das nossas populações.

O lema escolhido “Mais e Melhor Saúde” e o tema “ A Saúde: um compromisso de Todos ” propõem-se potenciar um maior envolvimento dos profissionais da saúde e de todos os outros actors com influência directa ou indirecta no processo de reforma da saúde e no desenvolvimento de planos para se atingirem as metas e objectivos traçados pelo Executivo.

A reforma do Sistema e do SNS

A Conferência sobre a Reforma do Sistema e do Serviço Nacional de Saúde decorreu com a abordagem de temas livres e mesas redondas, enquadradas em quatro painéis.

A Conferência abriu com o tema “a Reforma do Sistema e do Serviço Nacional de Saúde” proferida pelo Secretário de Estado da Saúde, Carlos Alberto Masseca. A reforma acontece num contexto de transição epidemiológica e de aceleração do desenvolvimento socio-económico, depois do Sector ter elaborado a Política Nacional de Saúde, em 2010, o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário em 2012, com base no document estratégico orientador “Angola 2025” que traça as perspectivas macro e micro do desenvolvimento económico e social de Angola a médio e longo prazo.

Boukar Traoré, do Escritório Regional da OMS-Afro, focou os processos geracionais da reforma da saúde em África desde Alma-Ata até a Cimeira que definiu os Objectivos de Desenvolvimento do Milenio (ODM) e as perspectivas após 2015. Enfatizou que os processos de reforma da saúde devem ser apropriados e conduzidos pelos países, devem ser regidos pelos princípios de gestão transparente e prestação de contas e que os países da Região podem contar com o apoio técnico da OMS. Por outro lado, devem incidir na melhoria das funções dos ministérios da saúde, nos domínios de financiamento, produção e gestão dos recursos humanos, descentralização e desconcentração de recursos em saúde, bem como a melhoria do desempenho e qualidade da prestação de cuidados.

Foram realizados painéis sobre a Estrutura e Financiamento e outro sobre Funcionamento e Regulação de Sistemas de Saúde. Apresentados temas sobre a ” Intersectorialidade em saúde” e Mesas Redondas que abordaram temas relacionados com a Reforma do Sistema Nacional de Saúde na óptica dos parceiros e sobre modelos de financiamento sustentável e Parcerias Público-Privadas.

Quem esteve presente

Dos cerca de 500 presentes ao evento, destacou-se a presence de convidados, de sete antigos Ministros e vice-ministros da saúde, dezasseis Vice- Governadores Provinciais para a esfera Política e Social, Administradores Municipais, representantes das Ordens e Associações Profissionais, do Decano da Faculdade de Medicina da UAN, membros do Executivo da província de Benguela, representantes das Forças Armadas Angolanas, representantes dos sindicatos , Directores Nacionais do Ministério da Saúde e de outros Ministérios e Directores Provinciais e Municipais da Saúde, Directores Hospitalares, docentes Universitários, Profissionais de Saúde, representantes das Agencias das Nações Unidas, representantes do Sector Privado e parceiros do MINSA, representantes de Bancos e de Seguradoras, Fornecedores de Medicamentos e Equipamentos, Parceiros de Implementação e Peritos Internacionais em Saúde.

 

Os cinco eixos de orientação programática

No discurso de abertura o Ministro da Saúde, José Van-Dúnem, indicou os cinco eixos de orientação programática nomeadamente:

1. Acelerar o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio;

2. Continuar a promover o acesso universal aos serviços de saúde e reduzir as assimetrias;

3. Consolidar a reforma do sector e o reforço institucional;

4. Continuar a melhorar a mobilização, administração e gestão dos recursos, com realce à formação inicial e permanente da força de trabalho, ao abastecimento de medicamentos e equipamentos, ao financiamento em saúde, a cooperação multifacetada como a Cooperação Cubana;

5. Revitalizar a colaboração intersectorial em geral e nos domínios específicos de prevenção e control da cólera, da raiva, do VIH/SIDA, da sinistralidade rodoviária e das mortes maternas. Por outro lado, destacou a necessidade de se continuar a definir políticas transversais, a alinhar o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário com o sector público e privado, parceiros de cooperação bilateral e multilaterais, a promover a coordenação horizontal e vertical, envolvendo os níveis nacional, provincial e municipal com um apoio metodológico e técnico a esses níveis.

 

 

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Plano nacional de desenvolvimento sanitário 2012-2025

Os próximos passos da saúde

 

 

Após a apresentação das suas contribuições, os participantes no Conselho Consultivo chegaram a consenso sobre o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário 2012-2025 (PNDS) e recomendaram:

Reforma do sistema e do serviço nacional de saúde: o aprofundamento do processo através de estudos e de medidas relativas aos modelos de financiamento sustentável, optimização da estrutura e do funcionamento dos mesmos, tendo em conta as contribuições dos diversos apresentadores;

Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário (ora consensualizado com as devidas emendas): a submissão à Comissão Social e ao Conselho de Ministros para apreciação e aprovação;

Planos Municipais e Provinciais de Desenvolvimento Sanitário: as províncias devem iniciar de imediato a sua elaboração, respeitando os prazos estabelecidos, contando com o apoio técnico e metodológico do nível central do Ministério da Saúde e tendo o PNDS como documento de referência;

Processos de planeamento em curso nos diferentes órgãos do Ministério da Saúde e a nível dos Parceiros de Implementação em Saúde: alinhar todas as metas, estratégias e actividades dos seus Planos Estratégicos e Planos de Acção para 2014, ao Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário;

Orçamento da Saúde 2014: cada Órgão e Unidade Orçamentada do MINSA deve elaborar os orçamentos em estrito alinhamento com as metas e actividades previstas no quadro do PNDS;

Execução do Orçamento Geral do Estado para 2013 atribuído aos Municípios (no âmbito da municipalização do Serviço Nacional de Saúde): colaboração estreita entre os Administradores Municipais, os Directores Municipais de Saúde e as equipas provinciais de saúde;

Recursos Humanos: conclusão da elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento de Recursos Humanos para a Saúde 2012-2017 e a organização, nos próximos seis meses, de um Fórum Nacional específico para discussão e busca de consensos sobre o Plano;

Mecanismos de monitorização: a elaboração de relatórios periódicos de progresso, a criação de equipas multidisciplinares de supervisão e a finalização dos instrumentos de monitorização de indicadores indispensáveis para se alcançarem os objectivos traçados.

 

 

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Secretário-geral do Minsa, Manuel Caetano

“O sector da saúde está claramente subfinanciado”

 

Orçamento 2013 é insuficiente para reformar o sector e atingir metas de redução da mortalidade materno-infantil

O quadro actual é claramente de uma situação de subfinanciamento do sector da saúde, com uma tendência para o aumento dos custos de manutenção e funcionamento das unidades hospitalares e de uso inadequado dos recursos financeiros disponíveis”.

De acordo com a comunicação apresentada pelo Secretário-geral do Minsa, Manuel Caetano, no Conselho Consultivo, o orçamento 2013 “é insuficiente para implementação com sucessos das estratégias do Executivo, no período de 2012 a 2017, a saber, a consolidação do processo de reforma do sector e do reforço da sua capacidade de desempenho das mesmas, a redução da mortalidade materna, infantile e infanto-juvenil, bem como a morbi-mortalidade por doenças do quadro nosológico nacional, a capacitação dos quadros da saúde, dos indivíduos, das famílias e das comunidades para promoção e protecção da saúde”.

Entretanto, considerando o facto de ser um orçamento de transição de uma situação de sub – financiamento para uma condição de financiamento sustentável, Manuel Caetano sugere que “no ano de 2013 se faça um estudo aprofundado para determinar o estado actual de sub-financiamento do sector, a fim de permitir que, gradualmente, o orçamento do sector seja ajustado às necessidades reais de funcionamento das unidades hospitalares e dos Programas, com vista a atingir os objectivos e metas traçados”.

 

Diagnóstico da situação actual

Segundo o estudo das Contas Nacionais de Saúde, realizado com o apoio da OMS em 2008, o financiamento público corresponde a 65,2% das despesas totais em saúde, seguido das contribuições das famílias com 22,5%, as empresas públicas e privadas com 8,9% e os parceiros internacionais com 3,4%. O OGE tem recursos da função saúde alocados a todos os prestadores públicos, designadamente, o MINSA, o MININT e o MINDEF.

Os recursos do Serviço Nacional de Saúde são alocados ao Ministério da Saúde, Governos Provinciais e Administrações Municipais, Hospitais Gerais e Centrais, Hospitais público-privados, bem como aos Institutos Públicos, sendo que a maior fatia é atribuída aos Órgãos do Poder Local (Governos Provinciais e Administrações Municipais).

Calcula-se que cerca de 60% do Orçamento é utilizado para os serviços hospitalares. O financiamento privado é feito pelas famílias, através de pagamentos directos ou por via de seguros privados, bem como pelas empresas públicas ou privadas.

De acordo com o Secretário-geral do Minsa, a percentagem do OGE alocada à função saúde subiu de 4,65% em 2006, para 8,38% em 2009, ao passo que em 2010 e 2011 essa percentagem baixou para 5,02%. Lembra que “em 2008 na Conferência de Ougadogou, Angola subscreveu o compromisso de criar um ambiente favorável ao aumento dos recursos afectados para o sector da saúde, de modo a eleválos, progressivamente a, pelo menos, 15 % do Orçamento Nacional.

Tendo em conta a desejada sustentabilidade financeira, essa redução observada no Orçamento para o sector, configura uma série ameaça, numa altura de crescimento da demanda, do aumento da cobertura sanitária e dos crescentes custos dos serviços de saúde, face ao cumprimento da Declaração de Ouagadougou”.

 

O modelo de financiamento futuro

Segundo este responsável, o modelo de financiamento que se pretende para o futuro deverá evoluir de uma situação com financiamento público e ajuda internacional e humanitária para uma situação de pluralidade de fontes de financiamento, mas em que os cuidados primários permanecerão como tendo os recursos públicos e a ajuda como as fontes largamente dominantes de financiamento.

 

Acções prioritárias

Para Manuel Caetano, a prioridade aos cuidados primários de saúde justifica que os mesmos sejam suportados por financiamento público e ajudas internacional, mas numa base de eficiência e qualidade. O mesmo é dizer que o sistema de saúde caminhará necessariamente, a prazo, em particular ao nível de cuidados terciários, para uma pluralidade de fontes de financiamento. “A introdução de comparticipações e de outros modelos de financiamento terá de ser efectuada de forma selectiva e gradual, a fim de não impedir o acesso de pobres e grupos vulneráveis, pela que a sua articulação com o sistema de protecção social é obrigatória”.

 

Princípios do modelo de financiamento

Manuel Caetano defende que o modelo de financiamento deva estruturar-se na base dos seguintes princípios:

A prestação de cuidados primaries de saúde deve ser, pelo menos até 2015, gratuita para os pobres e grupos vulneráveis (refugiados, adolescentes, desmobilizados, reassentados);

Gratuidade de cuidados de saúde em todas as doenças e endemias consideradas prioritárias, como sejam: VIH/SIDA, Malária, Tuberculose e Tripanosomíase;

Gratuidade de cuidados de saúde materno-infantil nas redes primárias e secundárias do SNS;

Introdução de um sistema de pagamentos directos (taxas moderadoras e reembolso de custos), com características de progressividade dos hospitais provinciais aos hospitais centrais e diferenciados, articulando-o com o sistema de protecção social, a quem competirá o pagamento, total ou parcial, dos custos de doença dos beneficiaries dos sistemas de segurança social (regime de doença nos sistemas obrigatórios). Este sistema de pagamentos directos deverá ter regimes de isenção, abrangendo os pobres e grupos vulneráveis;

Promoção de sistemas de partilha de riscos, como seja a mutualização de âmbito nacional, provincial e até local;

Introdução de outros seguros privados de saúde, que vão desde seguros de empresas a seguros individuais, para cuidados prestados nos sistemas público ou privado, com modalidades e custos diferenciados.

Abertura à iniciativa privada, em regime de parceria públicoprivada, de financiamento da reabilitação e expansão da rede terciária.

 

Conclusões e propostas

Para se alcançar as metas e os objectivos preconizados na Estratégia Angola 2025, no Plano Nacional Sanitário e no Programa do Governo 2012-2017, o Secretário-geral do Minsa propõe:

Construir um novo modelo de financiamento, com pluralidade de fontes de financiamento, ampliando ao máximo as respostas de saúde e possibilitando a convergência para as metas de saúde de Angola;

Garantir o financiamento público dos cuidados primários e contribuir para a efectiva distribuição de recursos em função das necessidades, promovendo o acesso universal e a utilização dos Serviços;

Reforçar o modelo de organização e gestão de Serviço Nacional de Saúde, com vista à utilização eficaz e progressivamente mais eficiente dos recursos disponíveis;

Adequar a sustentabilidade financeira do Serviço Nacional de Saúde, aos objectivos e desempenho do Serviço Nacional de Saúde.

O desenvolvimento de um novo modelo de financiamento para o Serviço Nacional de Saúde deverá ter as seguintes componentes:

Estudo de modelos de financiamento e recomendação do modelo conceptual futuro, quer a nível de fontes de financiamento, quer de modelo de distribuição;

Construção do modelo de financiamento das unidades de cuidados de saúde para as várias tipologias, definindo as regras de contratualização, os factores de determinação da remuneração e os mecanismos de controlo do modelo.

 

 

 

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Municipalização: os próximos passos

 

Melhorar a planificação, gestão e monitoria das acções do Sistema Municipal de Saúde, melhorar os mecanismos de coordenação das acções dos parceiros, integrando-as num só plano de acção, incluindo o financiamento, acelerar a integração da promoção, prevenção e tratamento das doenças crónicas não transmissíveis no pacote essencial de cuidados e serviços de saúde do nível primário de atenção e reforçar a liderança e a participação comunitária, deverão ser os próximos passos a dar na municipalização dos serviços de saúde, de acordo com Helga Freitas.

 

As perguntas sacramentais

Neste âmbito, segundo a comunicação apresentada por esta responsável do Ministério da Saúde no Conselho Consultivo, os grandes desafios que se colocam nos próximos anos constituem as respostas às seguintes perguntas:

Como acelerar a elaboração dos Planos de Desenvolvimento Municipais?

Como acelerar o acesso universal aos Cuidados Primários de Saúde, tendo em conta as particularidades do meio urbano e do meio rural?

Como acelerar a operacionalização dos Conselhos de Auscultação Concertação Social e a participação intersectorial?

Como acelerar a capacitação das equipas municipais, incluindo os Administradores, os quadros da saúde e os Agentes Comunitários de Saúde?

Como mobilizar mais e gerir melhor os recursos financeiros a nível local?

 

Helga Freitas conclui que o Sistema Nacional de Saúde a nível municipal assentará numa estrutura sólida de Cuidados Primários de Saúde que encontra no Município o pilar mais forte, por nele se concentrar a convergência das acções intersectoriais, permitindo assim garantir maior acessibilidade, equidade, satisfação das necessidades das populações, bem-estar e redução da pobreza.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um bom sistema de saúde

Uma maior acessibilidade, qualidade, equidade, eficiência e sustentabilidade é o resultante esperado das funções de um sistema de saúde, de acordo com um dos autores citados pela Directora Nacional de Saúde Pública, Adelaide Carvalho.

De acordo com esta responsável, os resultados finais traduzem-se ao nível da promoção da saúde (aumenta os conhecimentos e melhora as atitudes e práticas na população), da saúde materna (aumenta a utilização dos serviços essenciais da saúde reprodutiva e nutrição), da saúde infantile (aumenta a utilização dos serviços essenciais da saúde infantil e nutrição), do VIH/SIDA (aumenta a utilização de respostas sustentáveis para reduzir a transmissão e reduzir o impacto) e das doenças endémicas (aumenta a utilização das intervenções para reduzir a sua ameaça).

Segundo Adelaide Carvalho, um bom sistema de saúde deve responder de forma equitativa às necessidades e expectativas da população, indo de encontro à melhoria do estado de saúde dos indivíduos, famílias e comunidades, à defesa das ameaças à saúde da população, à protecção das pessoas contra as consequências financeiras dos problemas de saúde, garantindo o acesso equitativo aos cuidados e, ainda, promove a participação das pessoas nas decisões que afectam a sua saúde e o sistema.

 

 

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As prioridades da formação

 

A expansão dos internatos de especialidades médica, a formação pós graduada de enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, a especialização para o nível médio e a capacitação em metodologias de investigação constituem as prioridades de formação para o Ministério da Saúde.

De acordo com o Director-geral dos Recursos Humanos, António Costa, os desafios que se colocam no sector que dirige passam pela criação de incentivos para a fixação de profissionais na periferia, a aposta na sua formação, a criação de uma rede de escolas de formação de técnicos de saúde e a revisão e actualização das carreiras existentes. A formação de gestores de recursos humanos da saúde a nível local, a formação de formadores, a criação do sistema de informação de recursos humanos, a consolidação dos internatos médicos nas províncias e a criação de premissas para a extensão das especialidades de nível médio as províncias e para a introdução de novas carreiras no sector são outros dos desafios que este gestor revelou durante o Conselho Consultivo.

Segundo António Costa, verifica-se um desequilíbrio na distribuição dos recursos humanos no país (85% em Luanda e nas capitais provinciais e 15% no restante território), uma débil gestão dos recursos humanos a nível local e dos órgãos tutelados do MINSA e, ainda, escassez de recursos humanos diferenciados.

 

 

 

 

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Hospital Municipal do Bailundo

Bloco operatório à vista!

 

O Hospital Municipal do Bailundo vai ter o seu bloco operatório a funcionar nos próximos dois meses, graças ao aumento do orçamento viabilizado pela municipalização. A garantia foi dada ao Jornal da saúde pelo seu director, Evaristo Paulino Chissende, a braços com a dispersão das infra-estruturas sanitárias pelo município, mas determinado a lutar pelo abastecimento de água potável, energia, princípios de biossegurança, redução da morbimortalidade e por um atendimento humanizado que “permita ao doente chegar ao hospital e sentir-se como se estivesse em casa”.

 

— O hospital municipal do Bailundo funciona em várias infraestruturas, algumas distantes da principal. Porquê e para quando a sua integração?

 — De facto, neste momento o hospital não tem serviços integrados porque alguns estão separados da nossa infra-estrutura principal, fruto da ausência de uma unidade sanitária com dimensões que pudesse albergar todos os serviços. Dispomos de algumas naves que congregam o maior número de internamentos, onde funcionam os serviços de medicina, orto-traumatologia, odontologia, radiologia, laboratório e os serviços de ecografia. Outra estrutura anexa, reinaugurada a 28 de Agosto do ano passado, anteriormente denominado hospital municipal, hoje centro materno infantil, com a mais-valia de estar acoplado ao espaço para o bloco operatório. A missão evangélica do Chilume, a cerca de três quilómetros da vila sede, onde funcionam os serviços de pediatria, nutrição e um laboratório, constitui mais uma unidade anexa ao Hospital municipal do Bailundo. O hospital municipal dispõe de dois laboratórios clínicos: um a funcionar neste momento nas naves e outro no Chilume.

— Qual a capacidade hospitalar actual?

 — Em termos de recursos humanos, dispomos de um efectivo de 549 funcionários incluindo um corpo médico capacitado: dois angolanos e seis estrangeiros, entre os quais dois especializados em obstetrícia. Estes já estão preparados para proceder às cirurgias obstétricas, logo que o bloco operatório entre em funcionamento. Temos ainda uma médica de atenção primária de saúde e duas enfermeiras licenciadas em estatística e enfermagem. As deficiências são em técnicos de laboratório e radiologia. Em termos de material de enfermagem também estamos bem servidos.

O hospital tem uma capacidade de 210 camas. Nas naves estão dispostas 130, no Chilume 50 e no centro materno infantile 30 camas. A principal causa de internamento e de morte hospitalar deixou de ser a malária que passou para o quarto lugar. Neste momento, entre as principais causas estão as broncopneumonias, doenças diarreicas agudas, intoxicações medicamentosas e os acidentes de viação. A reabilitação das estradas facilitou o aumento de número de acidentes… Quanto às intoxicações são essencialmente etílicas.

De salientar que continuamos a receber pacientes que recorreram inicialmente aos cuidados de indivíduos leigos, sem formação, que associam a medicina moderna com a tradicional e tem como resultado o agravamento da doença com a incapacidade funcional dos principais órgãos-alvos, e a quem, por vezes, já não conseguimos dar resposta.

— Quais as prioridades para aplicação do orçamento?

 — O orçamento – que este ano aumentou satisfatoriamente – reparte-se pelo pagamento ao pessoal e aquisição de bens e serviços. A primeira prioridade são as infra-estruturas, de forma a podermos integrar os vários serviços. Constitui outra prioridade a implementação da rede de abastecimento de água potável corrente, de forma a evitar doenças, sobretudo as diarreicas agudas, e implementar os princípios de biossegurança.

Investimos ainda na iluminação eléctrica para que os doentes não deixem de ser consultados por falta de energia.

Também pretendemos, com o aumento orçamental, pôr em funcionamento o bloco operatório dentro de dois meses, de forma a evitar a transferência para o hospital geral provincial dos casos de maternidade que obrigam a cirurgia.

Queremos também personalizar e humanizar os serviços de saúde. O doente tem que chegar ao hospital e sentir-se como se estivesse em casa. Estamos a falar da distribuição de roupas de cama e outro material de higiene pessoal, na melhoria do atendimento do doente no sentido de dar mais privacidade entre o médico e o doente, como exigem as normas.

Os serviços de raio -X e ecografia também carecem de reabilitação.

Estamos também a implementar consultórios ambulantes junto das áreas mais recônditas do município onde não temos instaladas unidades sanitárias.

Importa referir que tem de haver uma gestão participativa, para evitar dualidade de aquisições, trabalhando todos com um único objective que é o melhoramento da prestação do serviço no município.

Os valores estão alocados até Dezembro. Estamos a trabalhar sob orientação da Direcção Provincial da Saúde e do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística do Governo Provincial para que as nossas acções sejam fiscalizadas e acompanhadas.

— Quais são os casos que ainda são transferidos para hospital geral?

— Sobretudo os de maternidade. Não temo o bloco operacional e os partos que não correm em condições na nossa unidade hospitalar temos que fazer a transferência. Outros casos são os de orto-traumatologia, pois além da falta de bloco operatório não temos profissionais na área.

 

 

 

 

 

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Educação inclusiva Projecto Alfa Braille arranca para a 2ª fase

Mais invisuais vão aprender a ler e escrever Braille

 

A segunda fase do projecto Alfa Braille arrancou a 7 de Fevereiro, em Luanda, com uma cerimónia de entrega simbólica pela BP Angola de diverso material e equipamento – entre os quais 40 máquinas de escrever Braille – à Associação Angolana de Cegos e Amblíopes de Guerra (AACAG). O objectivo é reduzir o analfabetismo no seio da comunidade

deficiente visual em Angola, formar 40 cegos e amblíopes em técnica de Braille e 120 familiares em orientação e mobilidade.

 

Na retina de cada angolano ainda estão as imagens que ilustram os piores momentos que Angola viveu durante a guerra. José Capamba é o exemplo de um homem que carrega consigo o fardo do conflito armado. Foi vítima de mina e tornou-se deficiente visual. Mas não cruzou os braços e hoje é o presidente da direcção da AACAG.

Para este responsável, a extensão do projecto, agora denominado “Réplica do Braille aos Cegos”, vai permitir “alfabetizar os cegos em letra Braille o que lhes possibilitará prosseguir os estudos no ensino oficial, aumentar as suas qualificações e consequente inserção social”.

De acordo com o assessor da AACAG, Manuel Diabaca, a acção de formação incluída no projecto, com dois meses de duração e 180 horas de aulas, inicia já este mês e tem como grupo-alvo 40 cegos, beneficiários directos, e 120 familiares. Inclui matérias como a história e noções básicas de Braille, prática educativa para uma vida independente, orientação e mobilidade, educação inclusive e a aprendizagem de leitura e escrita em Braille.

 

Educação é a chave da inserção social

Segundo o representante do Ministério da Assistência e Reinserção Social (MINARS), presente na cerimónia, “a educação é a chave da inserção social” e “este apoio da BP Angola viabiliza a continuação dos estudos no ensino básico, médio e superior e ainda nos programas que estão a ser desenvolvidos pelo Executivo”.

Por sua vez, o Secretáriogeral da Associação Nacional dos Deficientes de Angola (ANDA), Pedro Manuel

Lourenço, lançou o repto para a extensão do Alfa Braille às províncias, recordou que os longos anos passados na guerra impediram os estudos e incentivou os invisuais a engajarem-se agora na aprendizagem do Braille para conquistar empregos.

“Frequentemente, damos mais rendimento no sector produtivo do que as pessoas que não têm deficiências”.

O Comandante da Subunidade dos Deficientes Visuais das Forças Armadas, Francisco Adão Jorge, sublinhou que “este dia significa mais uma vitória para os deficientes visuais” ao criar a oportunidade para a formação em Braille. “Os deficientes visuais não estão amputados das suas faculdades mentais, antes pelo contrário muitos deles têm sobressaído”.

 

O exemplo de Sayovo

“A condição física do indivíduo não deve ser vista como um impeditivo para o seu enquadramento na sociedade e só tendo todas as forças vivas envolvidas no desenvolvimento o país pode crescer com um rumo”, disse, na ocasião, o director de comunicação e relações externas da BP Angola, António Vueba. “Por esta razão, quando a AAGAC nos apresentou o seu projecto não tivemos qualquer dúvida em apoiá-lo. A BP acredita na educação inclusiva”.

A este propósito recordou que a BP patrocinou o Comité Paralímpico angolano e a preparação e deslocação da sua equipe aos Jogos, em Londres. “A única medalha de ouro que o país conquistou foi precisamente a de José Sayovo – um invisual”, rematou.

A cerimónia contou ainda com a presença do director adjunto do Centro de Reabilitação Profissional de Viana, do MAPESS, Manuel Sebastião. Para além das máquinas de Braille, foram ainda oferecidos relógios e máquinas de calcular falantes, medidores de tensão arterial, cartas de jogar em Braille e bengalas, entre outros.

 

 

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Presidente da Federação Angolana de Xadrez, Aguinaldo Jaime

“Xadrez nas escolas melhora o rendimento escolar dos nossos jovens”

 

“O desenvolvimento da inteligência, raciocínio lógico, pensamento estratégico, determinação e disciplina são alguns dos benefícios da prática regular do xadrez, o que se traduz na melhoria significativa do rendimento escolar dos jovens”.

A garantia foi dada pelo presidente da Federação Angolana de Xadrez, Aguinaldo Jaime, por ocasião do lançamento do projecto “Xadrez nas Escolas”, apoiado pela BP Angola, no dia 15 de Março, no Marco Histórico, em Luanda.

Para este responsável, o investimento traduz a genuinidade das práticas de responsabilidade social corporative da BP. “É difícil obter patrocínios para uma modalidade em que o retorno ao nível da visibilidade mediática é inferior à de outros jogos, pelo que é de louvar o esforço desta empresa ao apoiar um programa que permitirá massificar a modalidade – garantia da sua sustentabilidade”.

De acordo com o president da Associação Provincial de Xadrez de Luanda, Domingos Ferraz, a iniciativa abrange, nesta primeira fase, 20 escolas nos municípios do Cazenga, Viana, Cacuaco e Luanda, onde 10 professores, entre os quais o mestre ucraniano Roman Chemerys, darão aulas gratuitas aos jovens estudantes.

O vice-presidente para a comunicação e assuntos governamentais da BP Angola, e jogador de xadrez desde jovem, Paulo Pizarro, afirmou que o projecto está alinhado com a estratégia da BP no apoio à educação no país. “A nossa visão é a de proporcionar a existência de academias de xadrez em todas as escolas, ou bairros, ajudando as crianças no seu desenvolvimento intelectual e social”.

 

O xadrez e a saúde mental

Quando jogamos xadrez estamos, primeiro, a desenvolver a coordenação motora estática, onde colocamos o corpo numa situação de repouso em relação aos movimentos globais. Isto proporciona-nos o sentido da concentração, tão essencial para a leitura e o estudo em geral. Neste estágio conseguimos sair da realidade ao nosso redor trazendo os nossos pensamentos para um estado de simbiose mental produzindo o afastamento dos problemas do nosso quotidiano, o que provoca o relaxamento das outras estruturas cerebrais.

Enquanto jogamos, estimulamos as áreas mentais que desenvolvem a memória, paciência e o autocontrole, a imaginação, criatividade, inteligência, além do raciocino lógico, o espírito de decisão e a coragem – elementos tão essenciais na nossa vida.

A saúde física deve ser cuidada sempre, mas nunca esquecer a saúde mental, fazendo prevalecer a máxima dos filósofos “Mente sã em corpo são”.

 

 

 

 

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Hipertensão arterial - prevenção e tratamento

Sabe qual é a sua tensão arterial?

 

A hipertensão sem tratamento pode aumentar o risco de sofrer um ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC) ou insuficiência renal. Poderá ainda causar cegueira, arritmia ou paragem cardíaca.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) assinala, a 7 de Abril, o Dia Mundial da Saúde. Este ano, a OMS sensibiliza para a importância da prevenção da tensão arterial alta para melhorar os índices de sobrevivência.

Confeccionar refeições com pouco sal, adoptar hábitos equilibrados de alimentação, evitar excesso de álcool e de tabaco, praticar actividade física de forma regular e manter um peso saudável são algumas medidas de prevenção que reduzem o risco da hipertensão.

A hipertensão arterial é um dos problemas medicos mais comuns da população mundial. É muito sério, porque é silencioso e só reconhecido pelas lesões dos órgãos atingidos. É uma doença vascular de todo o organism e deixa "marcas" nos órgãos atingidos: coração, cérebro, rins, vasos e visão.

Há duas formas de tratamento: sem e com medicamentos.

O tratamento sem medicamentos tem como objective auxiliar na diminuição da pressão, e se possível evitar as complicações e os riscos por meio de modificações nas atitudes e formas de viver, são elas:

— Reduzir o peso corporal através de dieta calórica controlada: substituir as gorduras animais por óleos vegetais, diminuir os açúcares e aumentar a ingestão de fibras;

— Reduzir o sal de cozinha, embutidos, enlatados, conservas, bacalhau e queijos salgados;

— Reduzir o consumo de álcool;

— Exercitar-se regularmente 30-45 minutos, de três a cinco vezes por semana;

— Abandonar o tabagismo;

— Controlar as alterações das gorduras sanguíneas, evitando os alimentos que aumentam os triglicéridos como os açúcares, mel, melado, álcool e os ricos em cholesterol ou gorduras saturadas: banha, torresmo, leite integral, manteiga, creme de leite, linguiça, salame, presunto, frituras, frutos do mar, miúdos, pele de frango, dobrada, gema de ovo, carne gorda, castanha, amendoins, chocolate e gelados;

— Controlar o stress;

— Reduzir o sal é muito importante para os hipertensos negros, pois neles a hipertensão arterial é mais severa e provoca mais acidentes cardiovasculares, necessitando controlos medicos constantes e periódicos;

— Evitar drogas que elevam a pressão arterial: anticoncepcionais, anti-inflamatórios, moderadores de apetite, descongestionantes nasais, antidepressivos, corticóides, derivados da ergotamina, estimulantes (anfetaminas), cafeína, cocaína e outros.

 

Tratamento médico

O tratamento medicamentoso visa reduzir as doenças cardiovasculares e a mortalidade dos pacientes hipertensos. Até o momento, a redução das doenças e da mortalidade em pacientes com hipertensão leve e moderada foi demonstrada de forma convincente com o uso de medicamentos rotineiros do mercado. Na hipertensão severa e/ou maligna, as dificuldades terapêuticas são bem maiores. A escolha correcta do medicamento para tratar a hipertensão é uma tarefa do médico.

Na hipertensão arterial primária ou essencial, o tratamento é inespecífico e requer atenções especiais por parte do médico. A hipertensão secundária tem tratamento específico, por exemplo, cirurgia nos tumores da glândula supra-renal ou medicamentos no tratamento.

 

Perguntas que você pode fazer ao seu médico

— O que é pressão alta? Qual o nível da minha pressão?

— Devo fazer verificação da minha pressão em casa?

— O que pode acontecerme se eu não tratar a pressão alta?

— Quais os efeitos colaterais do tratamento?

 

 

 

 

 

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Um exemplo de boas práticas ambientais

Reutilizar garrafas de água em substituição de blocos de concreto

 

O ACREDITAR Angola é um programa de responsabilidade social da Odebrecht que vem fazendo a diferença nas comunidades

Atentos à consciência sustentável, tema emergente e fundamental à preservação humana, a turma 6 do módulo específico de Pedreiro, sob as orientações do formador André Luís e o monitor Mondlane João, desenvolveu no Centro de Formação ACREDITAR PRP, no Zango 4, uma ação focada na reutilização de garrafas de água, em substituição aos blocos de concreto.

A obra consiste na construção de uma base com elevação de degraus que forma uma espécie de “pódium” para os momentos de celebração das certificações das turmas, conforme ilustram as imagens.

Trata-se de uma inovação que pode ser aplicada a diversos empreendimentos que procurem o equilíbrio ecológico, a viabilidade económica e, ao mesmo tempo, uma solução socialmente justa e culturalmente diversa, que a Odebrecht decidiu partilhar com a comunidade, através do Jornal da Saúde. Acreditar é inovar a favor do meio ambiente!

 

 

 

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Os nossos futuros medicos

 

Jovens caloiros participaram activamente nas 10as. Jornadas Científicas e Estudantis da Faculdade de Medicina da UAN. O Jornal da Saúde deseja-lhes um percurso academic pleno de êxitos!

1- O presidente da Associação de Estudantes, Hilário Cassule

2- Valdemar Mateus foi eleito o melhor estudante do ano academicO 2012

3- Nkembi Ferraz recebeu das mãos do Professor Mário Fresta o 2º prémio de melhor estudante do ano académico 2012

4- O Professor Basílio Lopes deu as boas-vindas, felicitou a Associação de Estudantes pela realização das 10as Jornadas e garantiu que o saber estudar é já “meio caminho andado” para o sucesso. “Considero-me um colaborador permanente da Associação”, rematou com humor

 

 

 

 

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Monavie procura distribuidores individuais

 

A Monavie apresentou este mês, em Luanda, a sua gama de bebidas energéticas com base no açaí, entre outros frutos anti-oxidantes. De acordo com o fabricante, os sumos fornecem 26 vitaminas e sais minerais, fibras que promovem a saúde do aparelho digestivo e proteínas de soro de leite que ajudam a manter uma massa muscular magra, ao mesmo tempo que reduz o apetite contribuindo para o controle do peso.

A marca procura empresários(as) individuais para a distribuição e venda directa junto ao consumidor final com a promessa de bons rendimentos.

Contacto: mariaceleste_art@hotmail.com

 

 

 

 

 

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I Congresso de Geografia da Saúde dos Países de Língua Portuguesa

A Geografia da Saúde no cruzamento dos saberes

21 a 24 de Abril de 2014,

Coimbra, Portugal

 

A urbanização crescente, as alterações climáticas, o envelhecimento demográfico, o aumento das desigualdades na saúde e no acesso aos cuidados de saúde, são alguns dos temas que têm motivado o despertar de uma nova consciencialização da importância do território e da Geografia da Saúde.

O Congresso GeoSaude 2014 pretende, numa lógica de abrangência de múltiplas dimensões, oferecer um espaço de encontro, de debate de ideias e de discussão de resultados de investigação em curso na área da Geografia da Saúde, alargando-o a todos os que se interessam pelas temáticas da saúde numa perspetiva geográfica.

A Organização convida todos os investigadores que tenham em curso, ou recentemente concluídos, estudos e trabalhos originais neste domínio a submeterem os seus resultados, sob a forma de comunicações orais ou posters, identificando o eixo estratégico em que se integram.

 

 Temas | Eixos Estratégicos:

1.Abordagens Teóricas e Epistemológicas em Geografia da Saúde

 2. Alterações Demográficas e Saúde Individual e Coletiva

 3. Equidade e Desigualdades em Saúde

 4.Variabilidade Climática e Vulnerabilidades em Cenários de Risco

 5.Urbanismo e Saúde

 6.Avaliação de Impactes na Saúde

 7. A Informação Geográfica e os Sistemas de Apoio à Decisão

 

— Chamada de apresentação de resumos: 1 de Maio de 2013

— Data limite de envio de resumo: 22 de Setembro de 2013

— Para mais esclarecimentos e informações: secretariado.geosaude2014@gmail.com

Paula Santana, Professora de Geografia,

Departamento de Geografia,

Universidade de Coimbra

Telf: (00351) 239 851 349

www.uc.pt/fluc/depgeo/gigs

 

 

 

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Por um médico profundamente humano e consolador - 1ª parte

José Manuel arrobas, Ph. D. | Psicoterapeuta/Investigador

Fundador da Sociedade Portuguesa de Psicoterapia Centrada

Mestre em Pedagogia da Saúde pela Universidade de Munique

Doutor em Psicologia pela Universidade de Bucareste

Investigador em Saúde Mental e em Desenvolvimento Pessoal e Actualização de Potencialidades em Escolas, Universidades e Empresas

O escrito mais importante da tradição acerca do Homem – e comentado até durante a Idade Média – chama-se “peri-psyche”, acerca da alma, um texto de Aristóteles, que não é portanto acerca do homem.

Trata-se pois de uma Psico-Logia e não de uma Antropo-Logia, o que, apesar de tudo, com o meu grupo de reflexão, de pensamento e acção, pretendemos encontrar formas de conjugar, aplicar e desenvolver através do nosso programa PRO|THEOS de desenvolvimento pessoal e actualização de potencialidades, tanto entre as pessoas que ainda estão a estudar, como com as que já estão inseridas na vida laboral.

Vivemos num mundo em transformação e adaptação, daí fazer todo o sentido procurar, e cada vez mais, essa harmonia entre o corpo e o espírito.

Mas é de psicologia médica que neste texto se tenta abordar a relação médicodoente, ou a própria relação médico-doença, nunca esquecendo a relação doente-doença.

Dentro de uma certa abordagem da medicina a que geralmente se chama tecnocientífica, a supremacia dos dados anátmo-clínicos e fisiopatológicos é de tal maneira evidenciada que o trabalho do medico quase leva a crer que fica circunscrito ao tratamento das lesões e das disfunções tentando, e apenas, a sua correcção.

Assim, o médico acaba por deixar de se preocupar com a pessoa doente, para se debruçar unicamente sobre as lesões orgânicas ou sobre tudo o que possa ter desencadeado um desequilíbrio orgânico ou funcional. Por outras palavras, sobre a anatomia e a fisiologia do corpo humano. Mais nada.

Cada vez mais o medico se afasta das suas origens e se torna num engenheiro, especializado ou mesmo micro especializado em tecnologias de vanguarda, sobre determinados aparelhos que rapidamente dão

dados muito importantes sobre órgãos ou funções, relegando para um Segundo ou terceiro lugar a Pessoa em sofrimento que tem à sua frente.

Não se pretende aqui minimizer o imenso que se tem feito ao nível da tecnologia que melhor e mais rapidamente mostra o órgão a tratar ou a disfunção a corrigir, como no fundo já foi dito. Mas o que não se pode esquecer é

a Pessoa.

Ora cada vez mais se tem vindo a sentir a necessidade de reinventar a medicina, e aquilo a que no fundo já há algum tempo se começou a chamar de médico de família. E assim o anonimato do doente/ doença começa a diluir-se e volta a ser partilhado por alguém em quem se confia e de quem se espera.

 

Humano e consolador

É aqui que entra, como factor importantíssimo, a psicologia. E é assim que o médico deixa de ser apenas um mecânico/reparador para voltar a ser, e sobretudo, alguém profundamente humano e consolador.

O Prof. Carlos Caldeira que tenho o privilégio de ter tido como meu mestre – e digo mestre porque realmente conseguiu fazer discípulos – foi o introdutor nos cursos de medicina em Portugal, tanto da sociologia médica, como da psicologia médica (era medico psiquiatra).

Há quem diga que dentro da medicina há um verdadeiro plano de clivagem entre dois domínios: o das ciências ditas experimentais e o da actividade curativa, propriamente dita, levando sempre tudo isto a uma relação humana que nunca poderá ser compreendida fora dos dados psicológicos e sociológicos.

Martin Buber o grande filósofo humanista-existencialista-fenomenologista de fins do século XIX até meados do século XX, não hesitou em contrariar o que vem escrito no Génesis dizendo que “no princípio é a relação”.

E só assim também se poderá continuar a chamar de arte médica ao acto médico, tal e qual os antigos farmacêuticos assinavam depois de feito o compost receitado pelo médico com as iniciais FSA, que quer dizer “Feito Segundo a Arte”.

 

Aspectos subjectivos e intuitivos

E vamos procurar agora entrar mais no título deste apontamento e separar o que na função curativa do médico tem a ver mais com aspectos subjectivos e intuitivos da relação médicodoente.

E este é o campo da psicologia médica que embora esteja num crescendo acentuado em muitos países, em muitos outros não existe ou limita-se e depende simplesmente da própria idiossincrasia do médico.

Esta disciplina fundamental da medicina estuda sobretudo dois aspectos:

— Os aspectos psicológicos e sociais do desempenho da medicina que compreendem as relações inter-pessoais que o médico deve ir estabelecendo com os doentes que o procuram, as relações com os próprios colegas e colaboradores, bem como as relações com as outras instituições médicas de que necessariamente depende (centros de analyses ou de imagiologia avançada, por exemplo) e, por fim, com a sociedade em que está inserido.

— Tudo aquilo que resulta das inter-acções psicológicas, sociológicas e psico-sociológicas da incidência do estado da doença no doente, na família e amigos, e nas próprias instituições médicas. Com a psicologia médica as relações humanizam-se e até o próprio sofrimento em que se possa estar se ameniza. Um dia destes também aqui virei falar sobre a dor, a perca, a solidão, o luto.

A psicologia médica é muito mais importante do que se possa pensar à partida, porque nos faz voltar não só à definição de médico, que se está a perder, como nos faz voltar a sentir pessoas que procuram ajuda para minimizar os seus sofrimentos, e não coisas que como máquinas precisam de ser reparadas.

Como dizia o Prof. Carlos Caldeira “somos pessoas em situação”, e todos nós temos um estatuto, uma função na vida, um sonho, pelo menos, como dizia Martin Luther King. E é munidos disto tudo e desta situação que temos e devemos saber reformularmonos continuamente a nós próprios, que devemos redefinir o médico, o doente e a doença. E as relações entre tudo isto.

A definição médica clássica de doença só tem aqui portanto um peso quase secundário. Em boa verdade só faz sentido enquanto veículo que leva a pessoa da situação de saudável à de doente.

Em Janeiro, vim aqui falar um pouco de psicoterapia. Hoje fica aqui um pouco do que poderei ainda dizer sobre psicologia médica, tudo, no fundo, para tentar contribuir para que as pessoas consigam ser, a pouco e pouco, mais Pessoas.

Leia a 2ª parte na edição de Abril.

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