MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

 Literacia em saúde é fundamental

 

Especialistas em saúde, entre médicos, professores universitários e outros, estão de acordo em reconhecer que só através da informação, e do direito de acesso da população à saúde, será possível chegar a um sistema de saúde eficaz e abrangente, conforme as conclusões do recente Congresso Internacional dos Médicos em Angola.

A literacia em saúde é uma importante componente da política do sector sem a qual um sistema de saúde não poderá funcionar bem.

Um nível inadequado de literacia em saúde pode ter implicações muito negativas. Sem a educação e a informação adequadas a população não se previne e dificilmente tomará consciência de sintomas, ou sinais de doença, e da necessidade de se dirigir a um posto de saúde, ou a um hospital. Doenças como a diabetes, o VIH/Sida e a hipertensão, por exemplo, poderiam ser evitadas. O cancro, se detectado numa fase precoce, tem cura.

O Jornal da Saúde – que este mês celebra o seu 5º aniversário – tem procurado contribuir para aumentar a literacia em saúde. Em cinco anos foram mais de 1.800 páginas, distribuídas por 59 edições, lidas mensalmente por cerca de 80 mil pessoas. Nos próximos anos queremos chegar a mais profissionais de saúde, a mais cidadãos, em todo o país.

 

 

 

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Paz e tolerância

 

A Fundação Lwini lançou o Programa de Intervenção Social “Educar é a Nossa Missão” – ao qual o Jornal da Saúde se associou – conforme noticiado nas últimas edições. O programa promove campanhas de sensibilização para a mudança de comportamento e de boas práticas no seio das famílias e da sociedade. As palestras têm um tema mensal para debate. Convidamos os leitores do JS a desmultiplicarem este esforço junto às suas unidades de saúde, empresas e instituições, promovendo um encontro de divulgação e debate sobre cada tema.

 

 

O tema central de Abril é a paz e a tolerância

Paz é geralmente definida como um estado de calma ou tranquilidade, uma ausência de perturbações e agitação, violência ou guerra, como por exemplo paz entre as nações e dentro delas. É um dos grandes objectivos das Nações Unidas.

No plano pessoal, paz significa um estado de espírito isento de ira, raiva, desconfiança e, de um modo geral, todos os sentimentos negativos.

Tolerância significa aceitar um mal menor por um bem maior. Define o grau de aceitação diante daquilo que é contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física. Devemos entender que nem tudo é perfeito. Parte do processo de uma vida exitosa e feliz é buscar sempre o melhor; mas nesse processo por vezes surgem falhas, erros e omissões, pelo que devemos aprender a valorizar a gravidade de uma falta para sancioná-la ou não.

Do ponto de vista da sociedade, a  tolerância é a capacidade de uma pessoa ou grupo social aceitar outrem que tem uma atitude diferente das que são a norma no seu próprio grupo social e comunitário.

A tolerância é necessária para não vivermos de maneira rígida e em excesso. É através da tolerância que podemos chegar ao mesmo ponto, através do consenso. Quando não há tolerância, o dialogo é mais difícil.

 

Temas colaterais para o mês de Abril: Compreensão, Flexibilidade Calma

 

 

 

 

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Luanda.

Autoridades iniciam campanha para combater a raiva. Todos a vacinar os seus animais de estimação!

 

As autoridades sanitárias iniciaram este mês, em Viana, a primeira fase de uma vasta campanha de vacinação contra a raiva visando imunizar cerca de 235.638 animais e controlar o surto que afecta a província de Luanda.

 

Durante esta campanha, pretende-se vacinar 70% da população animal (cães, gatos e macacos), consciencializar a população sobre a importância da vacina, reforçar as acções de vigilância humana e animal e reduzir a zero o número de óbitos causados pela raiva.

Viana foi a área escolhida para o arranque desta campanha por liderar este ano os óbitos (13 um total de 34) por raiva na Província de Luanda, seguindo-se os municípios de Cazenga  (7 óbitos), Cacuaco (6), Belas (3), Kilamba kiaxi (3), Sambizanga (1) e Icolo e Bengo (1). Em todos os municípios de Luanda a taxa de letalidade foi de 100%, e as autoridades estão particularmente preocupadas porque 80% das vítimas abandonam o tratamento.

A iniciativa está a ser coordenada por uma Comissão Nacional contra a Raiva que inclui os Ministérios da Saúde, Agricultura, Polícia Nacional, Forças Armadas, Comunicação Social e as Administrações Municipais, com o apoio técnico da OMS e da FAO.

Segundo a Directora do Gabinete Provincial de Saúde Pública de Luanda, Rosa Bessa, «Estas campanhas passarão a ser anuais até se alcançar o controlo e a eliminação da raiva, como problema de saúde pública».

O Representante da OMS em Angola, Hernando Agudelo, felicitou as autoridades nacionais por esta iniciativa e exortou os proprietários de cães, gatos e macacos a vacinarem os seus animais. «A raiva é uma doença que podemos facilmente prevenir através de campanhas regulares de vacinação e de sensibilização comunitária, mas cujo impacto na vida das populações já te tornou um sério problema de saúde pública», alertou ainda.

O Governador Provincial de Luanda, Graciano Domingos, acentuou igualmente que «a raiva é um grave problema de saúde pública para cujo controlo se exige a interacção dos serviços de saúde, agricultura, serviços comunitários, a polícia nacional, a Sociedade Civil e as comunidades».

 

 

 

 

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Tuberculose em Angola é problema prioritário de saúde pública

 

A tuberculose em Angola, doença que, em 2013, afetou 60.807 pessoas, é um problema prioritário de saúde pública, considerou este mês em Luanda o coordenador do programa de luta contra a enfermidade.

 

Celestino Teixeira fazia o retrato da situação em Angola, no âmbito do Dia Mundial de Combate à Tuberculose, que se assinalou a 24 de Março.

No ano passado, Angola registou um aumento de 11 por cento do número de casos de tuberculose comparativamente a 2012.

Segundo Celestino Teixeira, as autoridades sanitárias estimavam a notificação de 50 mil casos, mas os números ultrapassaram os 60 mil.

"Deste número, 2,3 por cento acabou por morrer", disse Celestino Teixeira, sublinhando que do total de casos destacam-se os de tuberculose extra pulmonar e os retratamentos (reincidências).

O abandono de tratamento é outra situação que preocupa as autoridades sanitárias, focou o responsável, salientando que no total de casos de 2013 há a registar o retratamento de 7.553 doentes.

Considerando o atual quadro da doença, o responsável disse que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima um aumento do índice de tuberculose em Angola até 2017.

 

 

 

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Inaugurado na Universidade Agostinho Neto.

Laboratório de simulação médica melhora ensino da medicina e contribui para diminuir erro médico

 

FRANCISCO COSME

com RUI MOREIRA DE SÁ

 

O seu impacto é significativo na formação e desempenho dos futuros médicos

 

n “O laboratório de simulação médica vai melhorar as habilidades dos estudantes perante situações médico-cirúrgicas que possam ocorrer em determinadas etapas da sua formação e, mais tarde, no exercício da sua profissão, diminuindo o erro médico”. A afirmação é do ministro do Ensino Superior, Adão do Nascimento, na cerimónia de inauguração, a 3 de Março, do primeiro laboratório de simulação médica instalado na Faculdade de Medicina, da Universidade Agostinho Neto, em Luanda.

O laboratório tem várias componentes práticas simuladoras, com as quais os estudantes, com recurso a bonecos (manequins) adaptados a situações clínicas, desenvolvem manobras médicas muitas vezes de alto risco. Os manequins são de alta tecnologia e de programação electrónica avançada, o que lhes permite falar e interagir com os estudantes e técnicos de saúde como se de verdadeiras pessoas se tratassem.

De acordo com Adão do Nascimento “a criação deste laboratório vai aproximar os estudantes, dotados de conhecimentos teóricos, do mundo real da profissão médica”.

Para o ministro “trata-se de um ganho vital que fará a diferença com o passado porque permitirá a melhoria da actividade docente, dado que os formandos terão um espaço à altura e, de maneira organizada, ensaiarão métodos laboratoriais práticos que lhes permite adquirirem conhecimentos no âmbito da medicina, de modo a sentirem-se preparados para, mais tarde, darem o seu contributo nas unidades hospitalares do país”.

Por sua vez, o ministro da Saúde, José Van-Dúnem, que “cortou a fita” conjuntamente com o seu homólogo do ensino superior, disse que o laboratório de simulação médica irá permitir aos estudantes adquirirem maiores conhecimentos e habilidades que farão com que os trabalhos sejam de maior qualidade primando-se na confiança e na diminuição dos erros médicos.

Afirmou ainda ser da maior importância o surgimento do laboratório para o ensino, porque o mesmo constitui “uma mais-valia para os alunos da licenciatura e para os de pós- graduação”.

Agradeceu à BP Angola, à Sonangol e demais parceiros do bloco 18, o patrocínio concedido ao projecto, que ascendeu a cerca de 25 milhões de kwanzas.

 

É sempre mais fácil

experimentar

no manequim

do que no doente

No laboratório vão ser estudados vários quadros clínicos e outras aplicações médicas, como a falta de ar, tensão alta, convulsão, crise de diabetes e trabalho de parto.

O laboratório tem também simuladores que permitem avaliar a evolução de determinado quadro clínico após a ingestão de medicamentos.

No laboratório, o profissional de saúde pode treinar, por exemplo, a canalização da veia para a aplicação de injecção ou introduzir um tubo até ao estômago para fazer a lavagem gástrica.  É sempre mais fácil experimentar no manequim do que no doente. O laboratório de simulação médica, além de melhorar as competências dos estudantes, dos médicos e de outros profissionais de saúde, está também preparado para apoiar cursos diferenciados de formação.

O laboratório conta com seis salas com diversos manequins e dispositivos para possibilitarem a experimentação em procedimentos cirúrgicos e clínicos de entre as quais constam as salas de competência, partos, discussões sobre casos clínicos, cuidados intensivos, consultório e armazém.

 

 

 

 

 

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Província de Luanda vai ter rede sanitária aumentada

 

A melhoria da rede está já em fase adiantada e, ainda em 2015, deverá estar concluído o Plano de Desenvolvimento Sanitário, com a construção do centro de saúde do Zango. O plano é ambicioso e cobre áreas prioritárias.

 

n Em entrevista ao Jornal da Saúde, a directora provincial de saúde de Luanda, Rosa Bessa, apresentou em detalhes as principais vertentes do plano para 2015.

 

Saúde materno-infantil

No âmbito da saúde materna serão realizados seminários de informação para planeamento familiar, doenças sexualmente transmissíveis, incluindo VIH/SIDA, parto e pós-parto, e também produzida informação destinada a parteiras.

Faz parte dos planos dos responsáveis da saúde de Luanda criar condições, nos hospitais municipais, para a realização de rastreio do cancro do colo do útero através de exames citológicos.

“Uma das grandes preocupações é a reactivação dos comités de prevenção de morte materno-hospitalar e municipal”, afirmou a responsável, adiantando que “em relação ao atendimento pediátrico será dada especial atenção à reanimação do recém-nascido e à formação de enfermeiras para uma assistência integrada à criança”.

“Será também acompanhada a obrigatoriedade da vacinação de rotina das crianças menores de um ano e de mulheres em idade fértil, grávidas ou não, que não frequentam as unidades sanitárias”, disse.

“Está nos nossos planos a actualização das normas de tratamento pediátrico para as principais doenças, como a malária, a pneumonia, as doenças diarreicas e a tuberculose, entre outras”, garantiu.

Saúde escolar

Em relação aos programas de saúde escolar, serão cumpridas as campanhas, já iniciadas, de desparasitação, vacinação contra o tétano, expansão da profilaxia e tratamento das afecções bucais, rastreio de doenças micóticas, auditivas e oculares.

 

Meios de diagnóstico e apetrechamento de centros de saúde

Entre as medidas previstas está a criação ou melhoria dos meios de diagnóstico. O aspecto logístico, que inclui o levantamento do número de postos existentes nos municípios e nos hospitais deve merecer atenção.

Formação de quadros

No âmbito da desconcentração proceder-se-á ao levantamento dos quadros de apoio em função da área de residência. Será dada atenção à assistência integrada aos idosos nos centros e nas unidades de acolhimento que já existem.

 

Acidentes rodoviários

Trabalhar nas campanhas de prevenção de acidentes de viação.

 

Doenças crónicas

No Hospital Geral, serão criadas melhores condições para tratamento das doenças crónicas. Estamos a falar de rastreio e prevenção de diabetes, lepra, oncocercose, expansão dos serviços de tuberculose e seu diagnóstico de tuberculose em todos os municípios.

Doenças infecciosas

e prevenção

Em relação às doenças infecciosas, irá trabalhar-se no controlo das normas do tratamento organizado para a malária e a intervenção conjunta com um grupo de luta anti-vectorial na comunidade. Será realizada uma campanha de sensibilização da comunidade para o controlo de vectores que transmitem a malária.

Vamos também trabalhar com as administrações para a melhoria das condições ambientais na comunidade no sentido de uma melhor prevenção de doenças.

 Neste âmbito, há também a necessidade de aumentar a quantidade de água potável a distribuir à população, e a distribuição de mosquiteiros para as grávidas e crianças menores de cinco anos.

 

 

Vigilância activa das unidades de saúde públicas e privadas.

 

Imunização

Realizar as campanhas de vacinação contra a poliomielite, a introdução da vacina da hepatite B no recém-nascido em todas as salas de parto e a introdução da vacina da HPV (vacina contra o cancro do colo do útero) nas unidades sanitárias.

 

Raiva

Trabalhar para baixar a percentagem dos casos de raiva em pessoas através de campanhas de informação generalizada sobre as causas da doença, e incentivar campanhas de vacinação contra a raiva canina.

 

Plano financeiro para a desconcentração administrativa

Trabalhar no controlo da gestão e planificação dos meios financeiros.

 

 

 

 

 

 

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Consultas pré-natais nos hospitais de Luanda aumentaram 60% em 2014

 

O número de consultas pré-natais nos hospitais de Luanda aumentou quase 60 por cento em 2014 face ao ano anterior, ultrapassando as 700 mil

 

Os números, que acompanham o aumento do número de unidades de saúde e de partos na província capital, foram divulgados no III Encontro Metodológico sobre Gestão da Saúde em Luanda, durante a apresentação do Relatório Anual Estatístico de 2014.

O documento, apresentado pela diretora provincial da Saúde de Luanda, Rosa Bessa, refere ainda que em 2014 foram realizados 165.355 partos em hospitais, um indicador do aumento de partos em instituições de saúde.

 

Partos

Os dados das autoridades provinciais de saúde indicam que do total de partos registados no ano passado, 62% foram realizados em hospitais da periferia e 38% nas unidades de referência.

 

Saúde materna

Em termos de saúde materna, aumentou o acompanhamento pré-natal, passando das 442.450 consultas em 2013 para 704.440 em 2014. A malária continua a ser a principal causa de morte indirecta e os acidentes hemorrágicos a principal causa de morte directa nas mulheres grávidas.

 

Malária

No que diz respeito à morbilidade infantil, a malária foi a principal doença reportada nas crianças em 2014, com 561.372 casos, seguida das doenças respiratórias agudas (192.186), doenças diarreicas agudas (91.861), febre tifóide (29.002) e infeções de transmissão sexuais (3.260).

 

Doenças respiratórias, diarreicas

e disenteria

As doenças respiratórias agudas e as diarreicas agudas são as que mais afetam crianças menores de cinco anos, adianta o relatório, salientando que os casos de febre tifóide são mais frequente quando as crianças têm mais idade.

A disenteria predomina em crianças entre os 10 e os 14 anos e vai diminuindo com a idade.

 

Recomendações

Ao nível das recomendações, o documento aponta para o aumento do número de unidades sanitárias na capital angolana, para dar resposta à crescente procura de cuidados de saúde por parte da população.

Luanda tinha até 2014 um total de 158 unidades públicas de saúde, mais cinco do que no ano anterior, sendo 14 hospitais, 65 centros de saúde e 79 postos de saúde.

Luanda contava também com 611 unidades sanitárias privadas, sendo 32 clínicas, 308 centros médicos, 68 postos médicos e 203 postos de enfermagem.

 

Equipamentos de meios de diagnóstico

A necessidade de aquisição de equipamentos de radiografia e ecografia é outra recomendação, bem como a humanização no atendimento, a dinamização das equipas que trabalham para a melhoria da qualidade a nível provincial e municipal.

Aumentar o número de recursos humanos foi igualmente recomendado, solicitando aos órgãos competentes a abertura de vagas nos concursos públicos de ingresso "de forma a colmatar a insuficiência do pessoal de acordo com as necessidades das unidades sanitárias e da expansão da rede".

 

 

 

 

 

 

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Unidades de Saúde de Luanda com normas, metas e programas padronizados

 

Francisco Cosme dos Santos

com Magda Cunha Viana

 

A análise do complexo modelo de desconcentração administrativa que confere maior poder às administrações municipais reuniu em Luanda responsáveis e profissionais da saúde.

Autoridades governamentais do sector e responsáveis e profissionais municipais planearam, no III Encontro Metodológico sobre Gestão da Saúde, realizado este mês de Março, pelo gabinete provincial da saúde de Luanda, a forma de uniformizar o funcionamento da rede sanitária.

 

A redução da taxa de mortalidade materno-infantil e o acesso universal à saúde reprodutiva devem constar da lista de prioridades do sistema de saúde já a partir de 2015, afirmou na abertura do encontro a vice-governadora provincial para a esfera política e social, Jovelina Imperial.

A responsável apontou vários aspectos que envolvem a padronização do funcionamento da rede sanitária, no âmbito clínico, financeiro e administrativo.

Segundo a vice-governadora, o acesso ao serviço universal de saúde reprodutiva que faz parte do sistema único de saúde, deverá contemplar novos desafios como, por exemplo, o combate a situações que põem em perigo a saúde pública.

Para que tal seja possível, os responsáveis devem reforçar as infra-estruturas de saúde, focando o seu trabalho no aumento da produção e qualificação dos profissionais, sem esquecer a sustentabilidade financeira dos serviços de saúde, dando prioridade ao acesso a tecnologias necessárias na saúde.

Para permitir que todos os cidadãos tenham acesso a cuidados de saúde de qualidade, estes deverão beneficiar de gratuitidade.

Jovelina Imperial apelou aos profissionais para se empenharem nas boas práticas deontológicas e ética médicas, sem esquecer a gestão administrativa.

No encontro, o Secretário de Estado da Saúde, Carlos Masseca recomendou uma melhoria na articulação entre as diferentes dependências do Governo da Província de Luanda com a administração central, o que poderia evitar muitos problemas.

 

Unidades de saúde mais

próximas da população

Por sua vez, a directora do gabinete de saúde de Luanda, Rosa Bessa, afirmou que foi efectuado um trabalho amplo para aproximar as unidades sanitárias das populações de forma a permitir uma assistência médica mais abrangente e controlada.

Rosa Bessa adiantou que, devido a este esforço, foram realizadas em Luanda um milhão e quatrocentas mil consultas, e mil cesarianas, na maternidade Lucrécia Paim e Ngangula.

A responsável anunciou que em 2015 será inaugurado o Hospital Geral de Luanda, que conta com 200 camas e um serviço de Tomografia Axial Computorizada (TAC).

 

 

 

 

 

 

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Esteja atento aos sinais do corpo para detectar precocemente o cancro

 

Um estudo realizado por um prestigiado instituto britânico de investigação de cancro, e publicado num jornal de medicina do Reino Unido, concluiu que os sintomas susceptíveis de indiciar algum tipo de doença oncológica são frequentemente ignorados.

 

 

No estudo, realizado pelo instituto britânico de investigação do cancro Cancer Research UK e publicado no jornal britânico de medicina, foram entrevistadas cerca de 1 700 pessoas com mais de 50 anos.

Todos os inquiridos negligenciavam sintomas que frequentemente estão associados ao cancro, tais como tosse persistente, rouquidão, caroços, alterações do funcionamento intestinal, da bexiga, uma ferida que não sara, entre outros.

 

Medo da consulta

Segundo Katriina Whitaker, uma investigadora que participou no estudo, há pessoas que se apercebem dos sintomas mas que têm medo de que uma consulta ao clínico geral confirme os seus receios.

Por outro, existem pessoas que evitam uma ida ao médico para não ouvir do clínico que estão a valorizar algo sem importância.

“Muitas pessoas que entrevistámos tinham sintomas de alerta vermelho mas pensaram que não lhes deviam dar importância e que não precisavam de atenção médica, principalmente se não tivessem dores ou se as dores fossem intermitentes”, disse.

“Outros sentiram que não deviam desperdiçar o tempo do médico com coisas de somenos importância”, afirmou investigadora.

 

Adiar exames

Segundo o estudo, a maioria das pessoas vai adiando os exames e as consultas. São muitos os testemunhos dos participantes que revelam medo.

A investigação conclui ainda que os pacientes precisam de um incentivo para consultar o médico, quer seja o conselho de alguém próximo ou o aparecimento de um novo sintoma.

O questionário que foi apresentado aos entrevistados não mencionava o cancro, mas incluía entre as perguntas uma lista de 17 sintomas, entre os quais 10 alerta de cancro.

Mais de 900 pessoas afirmaram ter tido pelo menos um dos sinais de alerta durante os últimos três meses.

 

Consultar o médico

Os investigadores aprofundaram o estudo e entrevistaram 50 das 900 pessoas com pelo menos um sinal de alarme. Quase metade (45 por cento) não tinha consultado o médico.

Uma mulher com dores abdominais persistentes não efectuou um exame de diagnóstico prescrito.

“Por vezes pensava que podia ser algo de mau …mas quando a dor desaparecia achava que não valia a pena continuar a fazer os exames”, disse esta mulher.

Um homem que sofria de alterações persistentes do funcionamento da bexiga disse que era preciso viver com isso. “Se fosse ao médico demasiadas vezes poderia estar a demonstrar fraqueza”, disse.

Algumas pessoas – afirmou a investigadora – esperam por um outro motivo para ir ao médico e, nessa consulta, mencionam um sinal de alerta.

O médico Richard Roope, do Instituto Investigação do Cancro do Reino Unido recomendou vivamente que, em caso de dúvida, se deve consultar o médico.

Muitas vezes o sinal apresentado pelo doente não confirmará a existência de cancro, mas se for diagnosticada uma doença oncológica, quanto mais rapidamente isso acontecer melhor será para o doente.

Uma boa notícia é que mais de metade dos doentes diagnosticados com cancro sobrevivem actualmente mais de 10 anos após o diagnóstico, informam os especialistas.

 

 

 

 

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Moradores do Kilamba deixam de percorrer longas distâncias para adquirir medicamentos

 

Francisco Cosme dos Santos com Magda Cunha Viana

 

Os moradores do Kilamba passaram a beneficiar de uma nova farmácia, que funcionará 24 horas por dia, deixando assim de percorrer longas distâncias para adquirir medicamentos.

 

n A abertura da farmácia Hanga, pertencente ao grupo Moniz Silva, foi inaugurada com a promessa de fornecimento de medicamentos seguros, a preços competitivos.

Moradores entrevistados pelo Jornal da Saúde afirmaram que a abertura de uma farmácia na localidade “é muito importante”, dado que para adquirir produtos farmacêuticos deixam de ter de se deslocar ao centro da cidade.

 

Responsabilidade social

Segundo o presidente do grupo, Moniz Silva, a farmácia Hanga surgiu para colmatar o défice que existia em termos de infraestruturas farmacêuticas na centralidade, mas também para cumprir responsabilidades sociais.

“Temos que continuar a garantir emprego aos nossos jovens (…) para ajudar a atravessar este momento menos bom”.

A farmácia Hanga “foi uma necessidade que fomos sentindo. Era essencial para que as pessoas não tivessem de ir até à cidade comprar produtos básicos”, disse Moniz Silva, adiantando que a farmácia foi criada no âmbito do projecto de expansão do grupo.

“Nós sabemos que muitos investidores vão cancelar projectos nesta fase que o país atravessa, e despedir pessoal, mas nós queremos dar o sinal contrário.

“Garantimos à população, ao contrário do que dizem outras pessoas, que não há falta de medicamentos no nosso mercado. Houve um momento de uma certa dificuldade nos pagamentos ao exterior (…) mas nós asseguramos que no nosso grupo não sentimos falta de medicamentos”.

O grupo vai continuar a expandir-se, disse Moniz Silva, anunciando a abertura de uma nova farmácia em Viana e, outra, de seguida, em Cacuaco.

Esta 12ª farmácia do grupo orçou os 800 mil dólares e criou 20 postos de trabalhos, dos quais 13 farmacêuticos formados.

A cerimónia de inauguração da farmácia Hanga contou com a presença do bastonário da Ordem dos Farmacêuticos de Angola, Boaventura Moura, funcionários e moradores do Kilamba.

Para Boaventura Moura, a abertura da farmácia no Kilamba “orgulha a classe farmacêutica” e deve ser um exemplo a seguir por outros grupos.

 

 

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Angola eleita para a vice-presidência da Associação dos Farmacêuticos de Língua Portuguesa

 

O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos de Angola (OFA), Boaventura Moura, foi eleito vice-presidente da Associação dos Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa (AFPLP), durante o XI Congresso Mundial, a 26 e 27 de Março, no Maputo.

 

A comitiva angolana, constituída por 22 farmacêuticos, esteve representada ao mais alto nível. Entre outras individualidades, marcou presença o Secretário Provincial da Saúde de Cabinda, Paulo Zengui Alexandre, o Director da CECOMA, Mateus Sebastião Fernandes e o Director Nacional de Medicamentos e Equipamentos, Boaventura Moura.

Na véspera do Congresso, realizou-se a reunião do Conselho Directivo do Fórum das Agências Reguladoras do Espaço Lusófono (FARMED), onde Angola ocupa também a vice-presidência, através do Director Nacional de Medicamentos e Equipamentos. Em 2016, o nosso país passará a deter a presidência desta organização.

Das conclusões destacam-se a recomendação aos países que fazem parte do FARMED para uniformizarem procedimentos no sentido de haver uma base comum, como por exemplo a nível da regulamentação e combate à contrafacção, bem como da partilha de dossiers das avaliações de medicamentos.

Outro aspecto a salientar é a sugestão para que as Direcções Nacionais de Medicamentos dos PALOPs passem a Institutos da Farmácia e do Medicamento, como se verifica em outros países.

Na Assembleia Geral da AFPLP, presidida pelo anfitrião e Presidente cessante desta Associação, eleito na Assembleia de 29 de Maio de 2013, em Luanda, o farmacêutico moçambicano Lucílio Williams, foi apresentada uma proposta de uniformização dos currículos académicos de forma a tornar mais célere, homogénea e harmonizada a formação dos futuros licenciados em farmácia / ciências farmacêuticas nos países de língua portuguesa.

Outro dos pontos altos da Assembleia foi a assinatura de um Acordo de cooperação entre a Ordem dos Farmacêuticos de Angola e a Universidade Lúrio de Nampula, Moçambique, representada pelo seu reitor, Francisco Pedro dos Santos Noa, no âmbito de intercâmbio de experiências científicas e académicas com interesses comuns, tanto no campo da formação, como no da administração farmacêutica, entre docentes, discentes e os farmacêuticos, com o objectivo final de aprofundar a cooperação pedagógica, académica e científica nas ciências farmacêuticas.

De realçar, a aprovação da Carta da Farmácia e dos Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa que a Revista e o website da OFA publica na íntegra.

Da Assembleia Geral da AFPLP resultou o reconhecimento do papel da OFA que, apesar de ser ainda jovem, começa a ter prestígio internacional, tendo sido sugerida a sua entrada como membro permanente da Federação Internacional dos Farmacêuticos (FIP).

No triénio 2015-2017 a presidência da AFPLP é ocupada pelo brasileiro Valmir Santi. Para além da vice-presidência, Angola detém um lugar de vogal no conselho fiscal, através do farmacêutico Mateus Fernandes, Secretário-geral da Associação dos Profissionais de Farmácia de Angola (ASSOFARMA).

 

 

 

 

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Álvaro Malega, director do Serviço de Nefrologia do Hospital Josina Machel. “Insuficiência renal é considerada a epidemia silenciosa do século”

 

Francisco Cosme

com Luís Óscar

 

—Qual o significado da comemoração do Dia Mundial do Rim para os pacientes que sofrem de patologias renais, para os médicos especialistas em nefrologia e para a população no geral?

—Este Dia é um marco que nos permite reflectir acerca das doenças renais em Angola e, mais especificamente, no Hospital Josina Machel. Serve como um ponto de partida para uma reflexão sobre o passado, o presente e o futuro do combate à epidemia que é a insuficiência renal e da assistência oferecida aos doentes afectados por este tipo de patologia.

—O rim é o principal regulador da pressão arterial, no sistema circulatório. Se este órgão estiver com problemas, que maleitas podemos contrair?

—O rim é um órgão que controla uma série de funções relacionadas com o equilíbrio hidroelectrolíquido, que tem a ver com a secreção de uma série de hormonas que participam na homeostase do organismo. O sistema renal contribui para o equilíbrio sanguíneo, permite controlar a quantidade de líquidos que temos no corpo e excretar todos os líquidos de que o corpo não precisa. Se este equilíbrio não for garantido pelos rins, existe o perigo da subida da tensão arterial. Qualquer pessoa que padeça de danos renais corre esse perigo. A tensão arterial precisa de ser controlada, pois é o principal “vilão” nesta história, o principal causador de doenças renais.

—Os principais temas discutidos no âmbito do Dia Mundial do Rim deste ano foram o controlo da tensão arterial, a diabetes e o excesso de peso. Porque que se deu especial atenção a esses três temas?

—Estes três factores - hipertensão, diabetes e excesso de peso - constituem hoje, a nível mundial, as principais causas o dano renal. Todos os diabéticos não controlados acabam por ter que ser submetidos a hemodiálise. Está provado cientificamente que o excesso de peso, por si só, provoca o aumento da pressão arterial. Nós queremos enfatizar o controlo destes três factores.

—Que outros factores podem contribuir para o desenvolvimento de doenças renais?

—Gostaria de evidenciar o descuido no tratamento do paludismo, uma doença que pode afectar os rins e provocar danos renais graves. Existem ainda na periferia diversos casos de doenças que afectam os rins e que são negligenciadas em muitos diagnósticos, assim como anormalidades renais assintomáticas, situações em que a pessoa tem problemas no rim mas não se queixa porque não sente quaisquer sintomas. Podemos ainda sublinhar os quistos renais, as pedras nos rins e os tumores renais.

—Os factores são os mesmos para todas as faixas etárias?

—Nem sempre.  Em relação às crianças, por exemplo, é muito comum sofrerem de doenças congénitas que podem não ser diagnosticadas até aos 10, 11 anos. Isto pode levar a que crianças muito novas tenham já que fazer hemodiálise. Também existem casos específicos de mulheres, relacionados com a realização de abortos clandestinos ou partos mal conduzidos, que desembocam em infecções ligadas ao parto ou à gravidez. Recebem tratamento na periferia, automedicam-se e, apesar de nalguns casos a doença estagnar, em 5 a 10 por cento dos casos a melhoria não é permanente e as infecções voltam mais tarde, evoluindo para insuficiência renal crónica avançada.

—É possível, portanto, que muita gente tenha insuficiência renal sem se aperceber.

—Exatamente. É, até, algo bastante comum, o que nos leva a considerar a insuficiência renal como sendo a epidemia silenciosa do século. É uma epidemia que afecta todos os países, desenvolvidos e subdesenvolvidos. Todos nós estamos ao alcance destes problemas e é essa a razão da existência deste dia: fazer-nos parar e pensar no perigo real que representa esta epidemia silenciosa.

—E que medidas estão a ser tomadas no combate a estes problemas?

—A sensibilização é a principal medida a tomar. O nosso Governo e o Ministério da Saúde, por si só, não são suficientes para sensibilizar com eficácia a população em relação a esta epidemia. Por isso, temos apelado aos parceiros sociais: igrejas, instituições privadas, universidades, associações estudantis, para que possam veicular estas informações junto das massas. A Igreja é um parceiro estratégico especialmente importante, porque congrega muitos cidadãos e é útil para transmitir rapidamente informações de boas práticas em relação à saúde. Por que não sugerir ao pastor chamar um palestrante, de vez em quando, para que este transmita estas informações?

— Já  foi realizada alguma pesquisa sobre o impacte dos problemas renais?

—Em princípio conseguiremos apresentar dados estatísticos concretos relativamente ao Hospital Josina Machel, que possam responder à sua pergunta, por volta de Outubro. De momento, podemos apenas dizer que cerca de 8 por cento dos casos que nós recebemos necessitam de hemodiálise. Fizemos ainda um mini-rastreio nos principais municípios de Luanda e os números obtidos foram preocupantes. Não é ainda possível publicar as nossas conclusões, mas já conseguimos ter uma ideia de que a as doenças renais são um perigo bem real, e todos – Governo, sistemas de saúde, parceiros sociais e institucionais, famílias – temos que estar informados e preparados para combater esta epidemia silenciosa.

—A diabetes tipo 2 e a hipertensão estão a aumentar todos os anos e com isso as doenças renais aumentam. O que está na base deste aumento?

—Bem, a diabetes tipo 2 é uma doença que, antigamente, era considerada tipicamente europeia. Está muito ligada à disfunção do pâncreas, a disfunções dietéticas e nutricionais, mas está também relacionada com a globalização e desenvolvimento do país. O que antes era uma doença extra-Angola é, agora, uma doença que se apresenta bastante relevante no nosso meio. Não temos dados fidedignos em relação ao número de diabéticos no nosso território e essa é a nossa maior luta. Esperamos que as universidades nos possam auxiliar com trabalho de pesquisa e catalogação de dados para que, num futuro próximo, possamos saber  com maior exatidão a percentagem de diabéticos existente em Angola. No entanto, devo dizer que, puramente através das nossas observações e de conclusões informais, chegámos à conclusão de que o número de diabéticos tende a aumentar de ano para ano. Basta olhar para a alimentação típica do angolano hoje em dia e voltamos à questão da globalização. O angolano deixou de comer em casa. Passou a frequentar os restaurantes de fast-food. Este tipo de comportamento tem consequências. E, como observou, com a chegada da diabetes, aumenta a probabilidade dos problemas renais.

—Depois da detecção da insuficiência renal e da necessidade de transplante, que procedimentos são tomados pelo sistema de saúde angolano?

—Antes sequer de falar em transplante é importante focarmo-nos na facilitação do acesso à hemodiálise em Angola. A hemodiálise é um tratamento que pode devolver eficazmente a qualidade de vida ao cidadão. O Ministério da Saúde tem feito um grande esforço no sentido de aprovar a Lei do Transplante. A verdade é que cerca de 65 por cento dos cidadãos que fazem hemodiálise têm indicações para fazer um transplante. O problema é que nós não temos condições para transferir ninguém para o estrangeiro para fazer transplantes, até porque os outros países também têm cidadãos que necessitam de transplantes e, certamente, não vão deixar de realizar transplantes nos seus pacientes para tratar dos pacientes angolanos.

—Quando os pacientes chegam ao hospital, que procedimentos devem seguir para poderem ser submetidas à hemodiálise?

—A porta de entrada adequada para esses pacientes é a de consulta externa. Aí o paciente é avaliado. A maior partes dos doentes que recebemos a necessitar de tratamento para a doença renal já chega num estado relativamente avançado, necessitando de hemodiálise. O nosso hospital dispõe de equipamentos de hemodiálise para auxiliar quem necessite, de facto, desse tratamento. Em casos mais graves, o paciente deve dirigir-se directamente à Urgência do Hospital, onde pode ser, após alguns exames, mais rapidamente reencaminhado para o Centro de Hemodiálise para receber o tratamento necessário.

—O que falta fazer, em termos de sensibilização do povo angolano relativamente à insuficiência renal e à hipertensão?

—A verdade é que, hoje em dia e tendo em conta o programa de intervenção do nosso Governo, a maior parte das doenças que antigamente eram negligenciadas gozam agora de bastante exposição, incluindo a doença renal. No entanto, é necessário que os órgãos de informação se organizem e demonstrem o mesmo trabalho de sensibilização que fazem com doenças como a sida, por exemplo. Os departamentos já estão apetrechados com informações sobre os cuidados a ter, mas a verdade é que a grande generalidade dos angolanos não tem condições económicas para adquirir os medicamentos para o tratamento deste tipo de doenças. Eu defendo a existência de alguns medicamentos de prevenção a serem distribuídos gratuitamente aos pacientes necessitados. O mesmo deveria suceder com os medicamentos para a diabetes. Mais uma vez, faço um apelo para que nas universidades haja mais trabalhos de investigação, fazendo um levantamento acerca das mortes no nosso território, para obtermos dados mais concretos em relação ao número de mortes causadas por hipertensão e insuficiência renal, assim como sobre as outras causas.

—Para finalizar, aconselhe-nos em relação aos hábitos saudáveis que devemos seguir para evitar esta epidemia.

—Antes de tudo, convém sublinhar que estes são hábitos saudáveis que devem ser gerais. O cuidado com a ingestão de sal está estritamente relacionado com uma boa saúde renal e manutenção de uma tensão arterial equilibrada. Nós aconselhamos ao consumo de um máximo de 5 gramas de sal por dia, para a população em geral. No caso de pessoas já afectadas por problemas renais, este número baixa para 1 grama. É difícil medir estes valores no dia-a-dia e, por isso, desaconselhamos a presença do sal de mesa na casa das pessoas e nos refeitórios. Uma sensibilização dos cozinheiros profissionais e dos refeitórios das empresas no sentido de controlarem os níveis de sal nos pratos servidos também seria uma medida bastante positiva para o controlo deste problema. A prática regular de exercício também é um grande aliado no combate à hipertensão, bem como bons hábitos de sono. Todas estas práticas servem também para combater outra epidemia grave que é a da obesidade. Apelamos também à população para que procure realizar exames junto de profissionais médicos, de forma a saber os seus níveis de colesterol e tensão arterial, pois muitas vezes os cidadãos têm estes níveis fora de controlo e só se apercebem disso tarde demais. A ferramenta mais eficaz no combate a esta epidemia silenciosa é a prevenção e controlo frequente da tensão arterial e levar um estilo de vida saudável.

 

 

 

 

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Encontro sobre violência doméstica na perspectiva na saúde.

Consciencializar para prevenir a violência doméstica

 

Francisco Cosme dos Santos

com Cláudia Pinto

 

Realizou-se este mês de Março, uma palestra organizada pelo Ministério de Saúde de Angola com o objectivo de prevenir a ocorrência de actos de violência doméstica e de proteger as famílias que vivem e assistem a este problema. O evento serviu também de alerta aos profissionais de saúde de forma a prestarem melhores cuidados às vítimas de violência doméstica.

 

n A violência doméstica é tida actualmente como uma questão de saúde pública, pela dor, pelo sofrimento físico e psicológico que causa às vítimas, pelo constante aumento da morbilidade e pela sobrecarga dos serviços de saúde. A maioria dos profissionais de saúde tem encontrado inúmeras dificuldades em abordar este problema, muitas vezes, por desconhecimento e falta de formação. Por estes motivos, foi realizada uma palestra intitulada “Violência Doméstica na Perspectiva da Saúde”, onde marcaram presença, directores, gestores e vários profissionais de saúde.

José Van-Dúnem, no discurso de abertura, referiu que este evento se enquadra na responsabilidade do Ministério da Saúde no âmbito da implementação do Plano Executivo de Combate à Violência Doméstica, aprovado pelo decreto nº 26/ 13, de 8 de Maio, devido a políticas e programas que privilegiem o combate à violência doméstica e a consciencialização da família e da sociedade.

 Foi já adoptada a implementação de acções multissectoriais para garantir um atendimento de qualidade, integral e humanizado às vítimas em situações de violência e para “aumentar a mobilização social e o alerta público no combate à violência sexual”. As medidas visam igualmente consolidar, a nível sectorial, os dados estatísticos sobre violência doméstica, contribuindo para uma maior harmonia, estabilidade e coesão familiar.

“Pretende-se com estas medidas dotar os profissionais de saúde com competências e ferramentas adequadas de forma a assumir o compromisso efectivo na melhoria da intervenção na saúde preventiva, na detecção e na resposta à violência doméstica, de forma a reduzir o impacto directo e indirecto, que este fenómeno tem na vida das vítimas e da comunidade em geral”, explicou o ministro da saúde.

Entende-se como violência doméstica, qualquer comportamento violento físico e psicológico, que ocorre em ambiente familiar. Embora este tipo de violência seja exercido, maioritariamente, pelas mulheres, atinge também, directa ou indirectamente, homens, crianças e outras pessoas mais vulneráveis, como por exemplo, portadores de deficiência.

 

Realidade dramática

Em entrevista ao Jornal da Saúde, José Van-Dúnem, adiantou que “na perspectiva da saúde, os profissionais estão actualmente preparados para lidar com os casos de violência doméstica. Este é um problema que afecta cidadãos, chefes de família e profissionais de saúde que, no decorrer do exercício da sua profissão, têm de tratar as vítimas, devendo ser encarado com bastante seriedade, como um problema cada vez mais preocupante, e ao qual tem de se dar maior atenção”.

A realidade é dramática pelo que, no quadro das responsabilidades do Ministério da Saúde, achou-se por bem realçar a temática nesta palestra por ser um problema que afecta todas as franjas da sociedade, onde se incluem mulheres, crianças e idosos. “Por esse motivo, considerou-se oportuno reunir todos os sectores que estão envolvidos para se dar uma resposta mais efectiva possível”.

No que respeita aos números que têm sido apresentados, referiu que “a violência doméstica deixou de ser tabu para passar a ser um problema muito preocupante no país. Enquanto não houver uma reflexão consciente por parte dos cidadãos e persistir uma rejeição social intensa e generalizada, os casos irão ganhar proporções alarmantes, tornando assim difícil o seu controlo, devendo lutar-se cada vez mais contra esta realidade”, adiantou o ministro da saúde.

Por sua vez, a Secretária de Estado para a Família e Promoção da Mulher, Ana Paula Sacramento, afirmou que, segundo os dados respeitantes ao atendimento de vítimas de violência doméstica, “registaram-se no país, mais de seis mil casos de violência doméstica em 2014, destacando-se, entre estes, casos de violência sexual, fuga paterna ou materna, falta de pensão de alimentos, e em alguns casos, o falecimento do esposo em que a família do próprio se apropriou dos seus bens”. Devido ao aumento de casos desta natureza, a responsável realçou que a Secretaria de Estado “está a trabalhar com o plano do Executivo de combate à violência onde constam várias instituições do Estado, para se poder controlar o flagelo que é a violência doméstica”.

Quanto à especificidade dos casos, esclareceu que está a ser feito um grande esforço para que os mesmos sejam encaminhados para as instituições capacitadas para a resolução de qualquer problema associado à violência doméstica. Por ser uma realidade difícil e abrangente, o Ministério da Família e Promoção da Mulher não consegue resolver a problemática isoladamente, recorrendo à Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC) e o Instituto Nacional da Criança (INAC) e outros organismos ministeriais.

 

 

 

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Consultas pré-natais reduzem taxa de mortalidade infantil no município da Quibala

 

Casimiro José

Sumbe

Texto e fotografia

 

n A responsável apontou a construção de mais unidades sanitárias em zonas de maior concentração populacional como sendo o factor que propiciou a oferta dos serviços de assistência hospitalar nas comunidades e, ao mesmo tempo, constitui motivação para as populações, sobretudo mulheres, procurarem assistência.

A chefe de repartição da saúde na Quibala disse ao Jornal da Saúde que a única dificuldade que o município atravessa é da falta de médicos nas especialidades de ginecologia e obstetrícia, pediatria, cirurgia e ortopedia para dar respostas às solicitações de pacientes que acorrem ao Hospital municipal, cujo recurso tem sido a evacuação para os hospitais de referência da província ou na vizinha província do Huambo.

Segundo a chefe de Repartição da saúde de Quibala, a cobertura em termos de infraestruturas sanitárias no município tem sido acompanhada com a componente de recrutamento e formação de técnicos, mas reconheceu que há muitos desafios neste domínio para responder à demanda.

Anabela da Cunha reconheceu, por outro lado, haver localidades que carecem ainda de unidades sanitárias, principalmente nas comunas de Ndala-Kachibo e Lonhe, mas entende que a situação pode ser resolvida nos próximos tempos, no prosseguimento das acções enquadradas no Programa dos cuidados primários de saúde, conforme revela na entrevista que concedeu ao Jornal da Saúde

— Como avalia o sector da saúde no município da Quibala?

— A realidade actual do sector da saúde no Município da Quibala revela-se dinâmica, porque as populações começam a ter uma atitude responsável e acreditam que quando estão doentes podem ter cura nas unidades sanitárias distribuídas pelo município, graças à dedicação dos técnicos, a vários níveis, e das condições de trabalho postas a disposição.

Neste aspecto tenho a destacar a afluência das mulheres às consultas pré-natais o que tem contribuído bastante para a redução da taxa de mortalidade materno-infantil. Para ilustrar o que disse, basta compararmos que, em 2013, registamos 121 casos de mortalidade materno-infantil, enquanto, em 2014, os números reduziram para 72 casos, ao passo que nos primeiros dois meses do corrente ano ainda não registamos nenhum caso. É uma redução progressiva que é promissora e revela que a educação para a saúde nas comunidades está a resultar. No capítulo de assistência materno-infantil temos de destacar o envolvimento de 245 parteiras tradicionais nas diversas aldeias que têm desenvolvido uma prestação aceitável às mães grávidas.

A par disso, devo referir que o fornecimento regular de medicamentos, quer seja das aquisições locais pelos fornecedores que prestam serviços ao município, como dos fornecimentos através do Depósito provincial de medicamentos essenciais da Direcção provincial da saúde e a qualidade de água consumida pelas populações, são outros factores a considerar na diminuição das mortes materno-infantis e das populações em geral.

Face a esta realidade, as evacuações para os hospitais dos municípios limítrofes e das províncias vizinhas diminuíram substancialmente e estamos em crer que, nos próximos tempos, teremos que evacuar apenas casos de especialidade, como por exemplo de traumatologia e cirurgia, entre outros, por falta de médicos dessas especialidades.

Em suma, a situação sanitária no município da Quibala melhorou significativamente, quer no domínio das infraestruturas, como dos recursos humanos. Na componente de assistência medicamentosa tenho a realçar que está em funcionamento na parte adjacente do Hospital municipal da Quibala uma farmácia externa com todos os medicamentos que atende todos os pacientes consultados na unidade hospitalar.

— Quais as principais doenças que assolam o município de Quibala?

— As principais patologias que assolam as populações de Quibala são, em primeiro lugar, a malária, doenças diarreicas e respiratórias agudas, tuberculose, parasitoses intestinais, febre tifoide e desnutrição. Quanto ao acompanhamento hospitalar, prestamos assistência com medicamentos e bens alimentares a 33 casos de má-nutrição e 44 casos de VIH/Sida.

— Como anda a componente de formação dos técnicos que prestam serviços no município?

— Temos vindo a fazer a superação dos técnicos para elevarem as suas capacidades técnicas e adquirirem as competências requeridas. Devo salientar que maior parte de técnicos de saúde que trabalham no município da Quibala são oriundos dos acordos de paz. Foram submetidos aos cursos de superação e, actualmente, estão com uma prestação aceitável. Vamos continuar na senda da formação e superação, através da Escola de formação técnica de enfermagem para adequar os técnicos aos desafios do presente e do futuro.

—  Quais as principais preocupações que o sector da saúde enfrenta no município?

— A grande preocupação que o sector da saúde enfrenta no município da Quibala tem a ver com a degradação das vias de acesso que ligam a sede municipal às distintas localidades da circunscrição municipal que dificulta as deslocações para averiguar o funcionamento das unidades sanitárias, ou em casos de evacuação de doentes que necessitem de serviços de especialidade. Sacrificamos a ambulância devido ao mau estado das estradas. Além disso, temos de reconhecer que há ainda um défice de infraestruturas sanitárias nas comunas de Ndala-Kachibo e Lonhe que, a seu tempo, vamos colmatar com futuras acções enquadradas no Programa dos Cuidados Primários de saúde.

Outra preocupação prende-se com as pessoas que só procuram a assistência sanitária quando estão em estado crítico. Daí a razão de incrementarmos as campanhas de educação para a saúde junto das comunidades.

— Quais os desafios do sector da saúde para os próximos tempos?

— Os principais desafios consistem na continuação da superação permanente de técnicos de saúde para que respondam às exigências do presente e do futuro. Vamos, por outro lado, continuar a desenvolver esforços no sentido de aproximarmos, cada vez mais, os serviços de saúde nas comunidades, com a extensão da rede sanitária e a melhoria das unidades sanitárias já existentes. Além disso, vamos melhorar os mecanismos de educação para a saúde das comunidades para diminuir a proliferação das doenças evitáveis.

 

 

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Sector da saúde necessita de mais 70 médicos

 

Diniz Simão

Correspondente

no Cuanza Norte

Texto e fotos

 

O sector da Saúde no Cuanza Norte necessita de mais 70 médicos de diversas especialidades para assegurar uma assistência sanitária integral às populações dos 10 municípios da província.

 

n O director provincial da Saúde do Cuanza Norte, Manuel Duarte Varela, afirmou que, actualmente, o Cuanza Norte conta apenas com 85 médicos, havendo necessidade de mais clínicos, especialmente de cardiologistas, neurologistas, urologistas e intensivistas, que garantam a cobertura integral da rede sanitária.

O responsável salientou que outras especialidades precisam também de ser reforçadas, designadamente em ortopedia, devido ao elevado número de vítimas de acidentes de viação.

Manuel Varela referiu que a província tem apenas dois ortopedistas - um no hospital provincial e outro no municipal de Cambambe.

A falta de médicos, sobretudo nos municípios, tem contribuído para a concentração de um elevado número de doentes nas unidades hospitalares da sede da província, disse.

As autoridades locais consideram essencial aumentar o número de médicos e têm como objectivo a fixação de 150 clínicos nos próximos anos para uma melhor cobertura sanitária da província.

“Em relação aos enfermeiros, a situação é igualmente preocupante”, afirmou, sublinhando que o quadro orgânico de um hospital prevê pelo menos 150 e que nenhuma unidade da província tem esse número, facto que  “cria sérios constrangimentos”.

“Há hospitais municipais com apenas 16 enfermeiros, há muita carência no quadro”, frisou.

“Esta situação está ainda a dificultar o regular funcionamento das novas unidades sanitárias construídas nos últimos anos na província”, prosseguiu, tendo por isso aconselhado o reforço de recursos humanos mínimos para o bom funcionamento nestas unidades, ao invés de se continuar a construir mais infraestruturas que sofrerão do mesmo problema e contribuirão para agravar a situação global.

 

Resolução breve

Manuel Varela manifestou, por outro lado, a esperança de que este problema venha a ser ultrapassado em breve, com os concursos públicos já em curso e a contratação de alguns técnicos.

Em termos de infraestrutura, o médico asseverou que a província encontra-se bem servida, fruto da entrada em funcionamento de novas unidades e que, por este facto, as populações já não são obrigadas a percorrer longas distâncias em busca de assistência médica.

A província tem 131 unidades sanitárias asseguradas por 85 médicos e mais de 880 técnicos de saúde.

Situada na parte centro-norte de Angola, a província do Cuanza Norte é habitada por 427.971 pessoas distribuídas em 10 municípios e 62 comunas e tem como sede a cidade de Ndalatando, localizada no município do Cazengo, que dista 190 quilómetros da capital do país, Luanda.

 

 

 

 

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Descentralização melhora cuidados primários de saúde

 

O programa de descentralização de verbas destinadas ao sector da saúde está a possibilitar a construção de novas infraestruturas e a melhorar o atendimento médico e o fornecimento de medicamentos à população dos 10 municípios da província.

 

 

Manuel Duarte Varela, director provincial de saúde do Cuanza Norte, afirmou que a implementação do programa permite cumprir as medidas de orientação e monitorização constantes do Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS), entre as quais os 17 projectos aprovados para 2015.

O responsável sublinhou que o PNDS, referente ao quinquénio 2012-2017, inclui acções para o desenvolvimento de projectos na área de recursos humanos, programas de combate a grandes endemias, formação técnica de profissionais e recuperação e reabilitação de infraestruturas de saúde.

“O plano é dinâmico e vai ser actualizado em 2017”, disse, referindo que no documento orientador constam projectos de âmbito municipal, provincial e nacional, tendo sido selecionados entre 15 a 20 projectos em cada um dos 10 municípios, de acordo com as respectivas prioridades.

O objectivo é melhorar a assistência médica e medicamentosa e, por isso, cada município delineou um programa em função das suas necessidades, alguns dos quais já estão em curso.

Para Manuel Varela, a situação relativa a medicamentos, consumíveis e alimentação para os pacientes, deixou de ser um “problema”, dado que o programa atribui às autoridades municipais meios para abastecer hospitais, postos e centros de saúde nas respectivas circunscrições administrativas.

Com uma população calculada de 427. 971 habitantes, o Cuanza Norte dispõe de 131 unidades sanitárias com um corpo clínico constituído por 85 médicos apoiados por cerca de 800 profissionais de saúde, entre os quais enfermeiros e técnicos de diagnósticos. O número de profissionais é, contudo, considerado insuficiente para uma melhor cobertura da rede sanitária da província.

O programa de municipalização dos serviços de saúde, em vigor no país desde 2006, tem como objectivo melhorar a qualidade dos serviços de assistência sanitária, através do reforço das estruturas e capacidades municipais de saúde.

 

 

 

 

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Hospital Sanatório abre as portas à população em Abril

 

O Hospital Sanatório do Cuanza Norte será inaugurado no dia 4 de Abril, no âmbito das comemorações do dia da paz.

 

 “A unidade está construída e equipada. Faltava apenas a disponibilidade de energia eléctrica e água, mas o problema foi ultrapassado e, por isso, vamos inaugurar o empreendimento”, anunciou o director provincial da saúde, Manuel Varela.

O responsável adiantou que o Hospital Sanatório foi inicialmente projectado para o tratamento de doenças infectocontagiosas mas que, dada a proximidade de uma comunidade desprovida de quaisquer serviços de assistência sanitária, irá prestar também cuidados primários de saúde à população local.

Construído de raiz, ao quilómetro 11, arredores de Ndalatando (sede da província) a unidade sanitária, com capacidade para o internamento de 40 pacientes, possui consultório médico, enfermarias para homens e mulheres, laboratório de análises clínicas e serviço de radiologia, entre outros.

O Cuanza Norte conta apenas com um dispensário para o tratamento da tuberculose, instalado no município do Lucala, situação que tem vindo a dificultar as acções de  combate  à doença.

 

 

 

 

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Fibromiomas: tumores benignos comuns que crescem no músculo do útero

 

n Cerca de 30% das mulheres com mais de 30 anos de idade têm fibromiomas e estes geralmente surgem entre os 35 e os 45 anos. Algumas mulheres têm uma maior probabilidade a apresentarem fibromiomas, incluindo as mulheres de raça negra, as mulheres que nunca estiveram grávidas e as mulheres que têm a mãe ou uma irmã com fibromiomas.

A causa dos fibromiomas é desconhecida. No entanto, os estrogénios, que são hormonas femininas, parecem desempenhar um papel na estimulação do crescimento de alguns fibromiomas.

 

Manifestações clínicas

Algumas mulheres nunca chegam a saber que têm fibromiomas, uma vez que não têm sintomas. Noutras mulheres, os fibromiomas uterinos são descobertos durante um exame ginecológico de rotina ou durante os cuidados pré-natais.

Quando os fibromiomas são sintomáticos, pode surgir:

- Dor ou pressão pélvica

- Hemorragias menstruais abundantes

- Hemorragias ou pequenas perdas hemáticas entre os períodos menstruais

- Polaquiúria (micções muito frequentes)

- Aumento de volume abdominal

- Lombalgia durante as relações sexuais ou durante os períodos menstruais

- Fadiga ou falta de energia devido a períodos menstruais abundantes e a hemorragias excessivas.

- Infertilidade, se os fibromiomas estiverem a obstruir as trompas de Falópio

- Obstipação

- Abortos repetidos

 

Diagnóstico

De um modo geral, a mulher não tem consciência que tem um fibromioma até o seu ginecologista o palpar durante um exame ginecológico. Se o ginecologista pensar que tem um fibromioma, podem ser realizados diversos exames para confirmar o diagnóstico:

- Ecografia pélvica — Neste exame imagiológico, um instrumento semelhante a uma varinha será movimentado sobre a parte inferior do abdómen ou pode ser inserido na vagina para visualizar o útero e os outros órgãos pélvicos mais de perto. O instrumento produz ondas de ultra-sons que criam uma imagem dos órgãos pélvicos.

- Histerossalpingografia — Neste exame radiológico é injectada uma substância de contraste no útero e nas trompas de Falópio para delinear quaisquer irregularidades.

- Histeroscopia — Durante este procedimento, um instrumento estreito com uma câmara é inserido no útero através da vagina. Isto permite ao médico observar quaisquer tumores anormais dentro do útero.

- Laparoscopia — Neste procedimento, um instrumento com a forma de um tubo fino, denominado laparoscópio, é inserido através de uma pequena incisão no abdómen para permitir ao médico observar o interior do abdómen.

 

Evolução clínica

O número de fibromiomas, o seu tamanho e a rapidez com que se desenvolvem variam de mulher para mulher. As hormonas femininas estimulam o crescimento dos fibromiomas, pelo que eles continuam a crescer até à menopausa. Os fibromiomas de menores dimensões diminuem frequentemente após a menopausa. No entanto, os fibromiomas de maiores dimensões podem mudar pouco ou tornar-se ligeiramente mais pequenos. Se uma mulher tiver sido submetida a uma intervenção cirúrgica para remoção de fibromiomas, podem surgir novos fibromiomas em qualquer altura antes de ela entrar na menopausa.

 

Prevenção

Não existem medidas comprovadamente eficazes para prevenir o desenvolvimento de fibromiomas. Os estudos mostram que as mulheres atléticas parecem ter uma menor probabilidade de desenvolver fibromiomas em comparação com as mulheres que são obesas ou que não praticam exercício físico.

 

Tratamento

Se os fibromiomas forem pequenos e não causarem sintomas, não necessitam de ser tratados. O ginecologista pode realizar um exame ginecológico com intervalos de seis meses a um ano para se certificar de que os fibromiomas não estão a crescer rapidamente. Em alguns casos, podem ser prescritos medicamentos para controlar qualquer hemorragia anormal e para reduzir temporariamente o tamanho dos fibromiomas.

Os medicamentos utilizados para reduzir o tamanho dos fibromiomas, tais como o leuprolido, criam uma menopausa temporária ao impedirem os ovários de produzirem estrogénios. Quando os níveis de estrogénios diminuem e os períodos menstruais param, surgem afrontamentos típicos da menopausa e os fibromiomas deixam de crescer ou diminuem lentamente de tamanho. Isto ajuda evitar as perdas de sangue devido aos períodos menstruais abundantes e prolongados. No entanto, quando a medicação é suspensa, os períodos regressam, os afrontamentos desaparecem e os fibromiomas que não foram removidos irão recomeçar a crescer. Estes medicamentos são geralmente administrados através de uma injecção intramuscular.

Os fibromiomas podem necessitar de ser removidos devido ao facto de causarem sintomas significativos ou de serem suficientemente volumosos para interferirem com a fertilidade. Os tumores no útero podem igualmente necessitar de ser removidos se for difícil para o médico saber se são fibromiomas ou um cancro. Existem diversas opções para remover os fibromiomas:

- Miomectomia — Isto significa cortar os fibromiomas da parede uterina. A miomectomia permite que a mulher mantenha o útero inteiro no caso de querer ter filhos. No entanto, uma vez que esta cirurgia pode deixar a parede uterina enfraquecida, os futuros bebés podem ter se nascer por cesariana. A cirurgia para remover os fibromiomas por vezes pode ser realizada por laparoscopia, que é uma intervenção cirúrgica realizada através de pequenas incisões na parte inferior do abdómen. Quando os fibromiomas são demasiado grandes ou abundantes para realizar uma intervenção laparoscópica, é então preferida uma abordagem tradicional através de uma incisão maior na zona inferior do abdómen.

- Ressecção histeroscópica — Neste procedimento, um instrumento de visualização denominado histeroscópio é inserido no útero através da vagina. Instrumentos cirúrgicos acoplados ao histeroscópio são utilizados para remover os fibromiomas que crescem no interior do útero. Esta intervenção é, por vezes, realizada em combinação com uma laparoscopia, dependendo do número e da localização dos fibromiomas.

- Embolização da artéria uterina — Num procedimento com controlo radiológico, é injectado material em vasos sanguíneos específicos para os obstruir e para interromper o fluxo sanguíneo para um ou mais fibromiomas. Esta é uma opção numa mulher que pode não ter condições clínicas para ser submetida a uma intervenção cirúrgica ou que não planeia ter mais filhos mas que prefere não ser submetida a uma histerectomia.

- Histerectomia — Até muito recentemente, a maior parte das mulheres com fibromiomas eram tratadas através da remoção do útero (histerectomia). Já não é este o caso. Tanto os cirurgiões como as doentes compreendem agora que existem outras opções disponíveis para tratar ou remover os fibromiomas. As necessidades físicas e psicológicas de uma mulher devem ser consideradas de forma global antes do útero ser removido. No entanto, em alguns casos a histerectomia é preferida quando os fibromiomas são demasiado numerosos, demasiado grandes ou causam hemorragias abundantes e prolongadas e uma anemia grave.

 

 

 

 

 

 

 

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Avaliação de cuidados pediátricos permitirá melhorar e humanizar serviços hospitalares

 

 

Francisco Cosme dos Santos

 com Cláudia Pinto

 

Realizou-se no Hospital Pediátrico de Luanda, de 9 a 13 de Março, o Seminário “Cuidados pediátricos em hospitais de referência”, organizado pelo Ministério da Saúde, pela Federação Russa e pela representação da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Angola. O encontro teve como objectivo capacitar os médicos nas urgências e hospitais municipais que prestam atendimento pediátrico no país.

 

n No evento, foram debatidas matérias, como a melhoria da qualidade dos cuidados pediátricos em hospitais (da teoria à prática), instrumentos de avaliação das doenças comuns, como a tosse ou as dificuldades respiratórias, diarreia, febre, má nutrição, crianças com VIH, entre outras. O mesmo contou com presença de 40 médicos, alguns técnicos da escola de formação e 12 consultores provenientes de 18 províncias do país, entre as quais, Malanje, Luanda Norte, Lunda Sul, Luanda, Bié, Cuanza Norte, Bengo, Cuando-Cubango, Namibe, e Zaire.

A avaliação dos cuidados pediátricos é uma das metas do projecto conjunto entre a OMS, a Federação Russa e o Ministério da Saúde, com vista a reorientar e dotar os médicos com mais informação e conhecimentos sobre cuidados pediátricos para que, posteriormente, possam utilizá-los nas províncias onde trabalham.

A Directora Nacional de Saúde Pública, Adelaide de Carvalho, afirmou que serão feitas avaliações por técnicos de saúde para “permitir a criação de planos de acção que auxiliem a mudança de todos os aspectos negativos encontrados no processo”.

 

Avaliar necessidades

Fazer uma avaliação contínua dos cuidados pediátricos nas urgências hospitalares para se apurarem os serviços que são prestados e perceber quais os problemas que enfrentam é essencial para se apurarem os mecanismos de melhoria no atendimento sanitário de crianças. A monitorização contínua permitirá uma melhoria na prestação de cuidados de saúde que prestam cuidados de saúde pediátricos. “Há que investir na observação de problemas relacionados com os equipamentos básicos, a falta de normas para a malária e a pneumonia, a perícia médica, a fraca capacidade do pessoal, a desorganização dos locais de atendimento, entre outros”, acrescentou a responsável. Os hospitais que forem identificados com estes problemas serão classificados segundo as suas necessidades e estas preocupações serão posteriormente discutidas junto das comissões nas diferentes províncias “para se identificarem as unidades hospitalares que têm mais carências do que outras no que respeita a medicação e a equipamentos médicos”.

 

Humanizar serviços

Os temas abordados neste seminário tiveram ainda como objectivo “assegurar que todos os recursos hospitalares serão gastos de acordo com as necessidades de cada unidade primando sempre na melhoria dos serviços, métodos, responsabilização dos profissionais e no trabalho conjunto com os pediatras”, referiu Hernando Agudelo Ospina, representante da OMS em Angola, presente no evento. O responsável sublinhou o facto de o certame servir para consciencializar os profissionais no seu modo de actuação e para criar condições nos cuidados a prestar nas unidades hospitalares de cada província “de forma a garantir uma melhor assistência pediátrica de forma sistematizada e com maior eficiência”.

Em conclusão, o representante da OMS em Angola, afirmou que é necessário “investir cada vez mais em saúde pediátrica de forma a resolver os problemas do país e a criar protocolos sistemáticos para uma maior humanização dos serviços prestados nos hospitais”.

 

 

 

 

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5º Aniversário Jornal da Saúde

 

 

Foi no dia 11 de Março de 2010, no Centro de Saúde da Ilha do Cabo, em Luanda, que o Jornal da Saúde foi lançado, na presença das mais altas individualidades do Ministério da Saúde, da Ordem dos Médicos de Angola, e demais convidados, entre profissionais da saúde, representantes de empresas e colegas da imprensa. O projecto, inovador em África, constituía um tremendo desafio. Hoje, ao comemorarmos cinco anos de vida, e com um reconhecimento e uma audiência crescente, sentimos que temos cumprido a nossa missão, mas também que ainda temos muito que caminhar  no sentido de levar a informação e o conhecimento sobre saúde a todos os angolanos. Um obrigado e parabéns a todos!

 

 

 

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