MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Medicamentos falsificados

Ameaça à saúde pública

 

Os estudos indicam que a produção e distribuição de medicamentos falsificados é, aproximadamente, 15 vezes mais rentável que o tráfico de cocaína. É um crime organizado e poderoso. Sendo o risco de detecção relativamente baixo, quando comparado com os potenciais ganhos económicos, é um negócio mais do que apetecível e que tende a crescer em todo o mundo.

Sabemos que a saúde dos pacientes tem sofrido em consequência da toma de medicamentos falsos, ou impróprios para consumo. Muitos morrem.

Quando se fala em medicamentos falsificados referimo-nos a uma panóplia de parâmetros que podem apresentar-se de forma distinta do medicamento original. E a ameaça aumenta com a similaridade que existe entre o medicamento original e as cópias que são encontradas no mercado.

De acordo com a OMS, os medicamentos falsificados representam um pouco menos de 1% do valor de mercado em países desenvolvidos, onde há mecanismos de controlo mais eficientes, mas mais de 50% em sites anónimos na Internet. Os países em desenvolvimento têm áreas em que mais de 30% dos medicamentos à venda são contrafeitos.

Para além da fiscalização (a operação “Jibóia” inspeccionou recentemente, em Angola, 295 instituições, entre farmácias, unidades hospitalares e pontos fronteiriços,  apreendeu 86 toneladas de medicamentos impróprios e deteve 55 falsos farmacêuticos), o combate à contrafacção de medicamentos exige consumidores informados e capazes de reconhecer os produtos ilegais.

Damos destaque nesta edição à iniciativa da Inspecção Geral da Saúde que, este mês, reuniu a comunicação social para uma palestra sobre o assunto. Uma actividade de louvar.  A repetir.

 

 

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Vacina rotavirus vai salvar a vida a mais de 10,5 mil crianças por ano

 

A vacina Rotavírus, destinada a reduzir a morbilidade e a mortalidade por doenças diarreicas agudas em crianças menores de cinco anos de idade, foi lançada no último dia de Abril, no Huambo, pelo ministro Saúde, José Van-Dúnem, e pela coligação de parceiros do governo angolano para a vacinação infantil.

O Ministro da saúde destacou, na ocasião, que a vacina contra o rotavírus terá benefícios para a sobrevivência infantil, esperando-se uma redução do número de óbitos superior a 10,5 mil por ano, assim como  uma redução anual do número de casos de diarreia em cerca de 147 mil, além da poupança nos custos de tratamento de casos calculada em 8,8 milhões de dólares anualmente.

Em Angola, a taxa de mortalidade em menores de cinco anos é estimada em 164 por cada mil nados vivos. Destes, cerca de 17,2 mil  a 21,3 mil óbitos anuais são atribuídos à infecção por esta doença.

José Van-Dúnem considerou que esta iniciativa constitui «um ganho considerável e também um testemunho do compromisso político do governo contra as doenças imuno-preveníveis, em cada uma das 18 províncias», reforçado com o facto de o Ministério da Saúde ter introduzido, em 2013, a vacina Pneumo-13 no seu Programa Nacional de Vacinação.

Ao discursar em nome da Aliança GAVI e dos parceiros, o chefe da equipa de vacinação da OMS em Angola, Jean-Marie Kipela, felicitou a decisão do governo de Angola de introduzir a vacina contra o rotavírus no programa nacional de vacinação e realçou os seus benefícios na redução das mortes por diarreia grave.

Com estas acções, os parceiros da Aliança GAVI estão a contribuir substancialmente para o alcance do Objectivo 4 do Desenvolvimento do Milénio (MDG 4), o qual consiste na redução da morbilidade e da mortalidade infantil e também para o alcance do Objectivo 5 de Desenvolvimento do Milénio (MDG 5), sobre a melhoria da saúde materna.

A Aliança GAVI é uma parceria público-privada que presta apoio à vacinação infantil, integrando países em desenvolvimento, governos doadores, a Organização Mundial da Saúde, a UNICEF, o Banco Mundial, a indústria de vacinas, agências técnicas, a sociedade civil, a Fundação Bill & Melinda Gates e outros parceiros do sector privado.

 

 

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II Simpósio de Cardiologia e Cirurgia Cardíaca é já este mês

 

Cardiopatia reumática, síndrome coronária aguda, diagnóstico por imagem em cardiologia, tratamento percutâneo da estenose aórtica e tratamento percutâneo da estenose aórtica, são alguns dos temas a serem debatidos no II Simpósio de Cardiologia e Cirurgia Cardíaca, promovido pelo Hospital Josina Machel, em parceria com a Intercontinental Trading Company e o patrocínio do Ministério da Saúde, nos dias 30 e 31 de Maio no hotel Epic Sana, em Luanda. De acordo coma organização, o objectivo é o de "dar continuidade à educação médica  e proporcionar a troca de  experiência entre todos os profissionais que estão a actuar nesta área da medicina no país”. Recorde-se que cerca de 60% das mortes que ocorrem hoje no mundo são causadas por doenças crónicas não transmissíveis, como a obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Desses óbitos, cerca de  80% ocorrem em países  em desenvolvimento.

 

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Novos gestores de recursos humanos na saúde

 

FOTO DE FAMÍLIA Os profissionais de saúde que terminaram este mês, com sucesso, o módulo de “Recursos humanos e mudança na saúde”  que integra a  2ª edição do Programa de Especialização em Gestão da Saúde, acompanhados pelas professoras e  responsável executiva. Da esquerda para a direita:  Armando Dala; Maria Fernanda João; Márcia da Costa; João Mateus Donga; Malungo Muanza; Maria Fernanda da Conceição;  Alzira Duarte (professora);Francisco Narciso; Amaral Justino Domingos; Rodrina Júnior António; Generosa do Nascimento (professora); Mateus Lopes; Mário Martins; Teresa Bessa; Lwena Correia; Maria do Céu Simba; Luzaiadio José; Mbiavanga Alves

O próximo módulo sobre Operações e logística na saúde decorre de 28 de Julho a 1 de Agosto, em Luanda.

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Militares melhoram a gestão e liderança nos hospitais

 

Cerca de 30 militares da Direção dos Serviços de Saúde das Forças Armadas terminaram, este mês, o curso de Administração de Hospitais Militares, que teve como objectivo actualizar os conhecimentos dos gestores e contribuir para a implementação de melhorias na gestão e liderança dos hospitais em Angola.

O curso, que se realizou nas instalações da Clínica do Exército, foi organizado pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) da Universidade Nova de Lisboa em parceria com a Direcção dos Serviços de Saúde das Forças Armadas.

«O IHMT mantém uma relação estratégica com os Serviços de Saúde das Forças Armadas angolanas que se reflecte na presença do seu director, o general médico  Aires Africano,  no Conselho do nosso Instituto», referiu o Director do IHMT, Paulo Ferrinho. Acrescentou que a colaboração entre as duas instituições se traduz «em inúmeras inscrições de militares desse Serviço nos programas de especialização, de Mestrado e Doutoramento do IHMT».

O curso de Administração de Hospitais Militares que agora terminou foi coordenado pelo coronel Hilário Rolo, por parte das Forças Armadas angolanas, e por Carlos Andrade, pelo IHMT. O término deste curso coincidiu com o início de um outro, na área da Clínica Tropical, frequentado por 24 médicos e que visa proporcionar formação e treino em ambiente hospitalar, bem como desenvolver redes interactivas de clínicos com competências várias: microbiologia, parasitologia, clínica médica, infecciologia, medicina das viagens, saúde pública e epidemiologia. O curso de Clínica Tropical é coordenado, em Luanda, pelo coronel Humberto Morais e, em Lisboa, por Jorge Seixas e Kamal Mansinho, do IHMT, e terá a duração de quatro meses.

Recorde-se também, conforme informamos oportunamente, que um conjunto de médicos do hospital militar, entre os quais Filomena Neto, Rosa Cunha, Humberto Morais e Fernando Vasconcelos, frequentou igualmente, no ano lectivo de 2013/14, o Programa de Especialização em Gestão da Saúde, constituído por sete módulos, e ministrado em Luanda por uma das melhores escolas de gestão portuguesa – o Indeg/Iscte.

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Problema de saúde pública. Consumo de tabaco vai ser controlado

 

A directora do Instituto Nacional de Luta contra as Drogas, Ana Graça, considerou o tabagismo  um problema de saúde pública que deve merecer a atenção de todos para o seu combate.

Em declarações à imprensa à margem do workshop para apresentação e discussão da proposta sobre o "plano estratégico do controlo do tabaco em Angola", que se realizou a 29 de Maio, em Luanda, Ana Graça referiu que o país  ainda não possui estatísticas referentes  ao número de fumadores, mas que está a ser feito um trabalho para se saber o quadro actual desta problemática.

Acrescentou que o tabaco, além de fazer mal a saúde, traz consequências ambientais, por isso deve-se trabalhar para se evitar que aumente o número de fumadores no país, sejam activos ou passivos.

Disse que a falta de espaços apropriados para fumadores também tem sido uma das preocupações da instituição, mas que estão a ser trabalhar para a sua resolução.

O encontro teve como objectivo reunir todas as unidades ligadas a matéria para discutir a proposta de plano estratégico para o controlo do tabaco em Angola.

 

Situação actual

O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilião e 200 milhões de pessoas, sejam fumadores.

Por ano morrem 4,9 milhões de pessoas devido ao tabaco, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia. Em Angola, o cigarro ordinário que qualquer popular pode comprar e consumir custa 5 kwanzas, preço muito inferior a 1 kg de açúcar ou 1 litro de leite.

Em Luanda os fumadores surgiram em 1876 após a abertura da primeira grande unidade fabril de tabaco. Naquela época, esta indústria era sustentada por matéria-prima (folhas do tabaco) plantada principalmente nas províncias de Cuanza Norte e Malanje.

 

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Inspectora farmacêutica ensina a reconhecer medicamentos falsificados

 

O combate à contrafacção de medicamentos exige consumidores informados e capazes de reconhecer os produtos falsificados, entre os quais se encontram a maioria dos que são impróprios para consumo e prejudiciais à saúde.

Por iniciativa da Inspecção Geral da Saúde, a inspectora farmacêutica Júlia Simão conduziu uma palestra onde apresentou algumas definições relativas aos medicamentos,  seus tipos e características. Aspecto  importante é também a distinção entre os medicamentos de referência – produtos inovadores, cuja eficácia foi comprovada cientificamente – e os medicamentos genéricos, que partilham a mesma substância activa que os medicamentos de referência, mas que só podem ser produzidos quando a patente do medicamento de referência expire. São medicamentos totalmente intercambiáveis em relação ao de referência.

Júlia Simão salientou a importância do número de registo que só é conferido aos (medicamentos após estes passarem por testes de controlo de qualidade. Estes números de registo são atribuídos a cada medicamento de forma específica  e qualquer outro laboratório que apresente medicamentos com o mesmo número de registo estará a incorrer em falsificação, como explicou a farmacêutica. Refira-se que quem atribui os números de registo é a entidade reguladora do país onde se regista o medicamento, como o INFARMED Portugal, ANVISA Brasil. Em Angola, quando o processo iniciar, será a DNME.

 A importância do número de lote foi também referida, pois é um dado fundamental para a rastreabilidade durante o ciclo de vida do medicamento e permite a localização e retirada de algum medicamento impróprio para consumo.

 Durante a exposição que efectuou a 9 de Maio, Júlia Simão referiu que os Serviços Nacionais de Farmacovigilância (SNF), “são responsáveis por monitorizar a segurança e qualidade dos medicamentos ou reacções adversas não previstas e pondo em prática medidas de segurança, sempre que necessário.

São os SNF que recebem todas as notificações relativas a reacções adversas de qualquer medicamento e que depois reencaminham os medicamentos para laboratórios, que analisam o produto e verificam se realmente existem irregularidades com o mesmo. Vale lembrar que a Farmacovigilancia visa melhorar a qualidade e segurança dos medicamentos, em defesa do utente e da saúde pública, através da detecção, avaliação e prevenção de reacções adversas a medicamentos.

 

Folheto informativo

O folheto informativo que deve vir em todas as embalagens, é fundamental para que os consumidores percebam as características e os efeitos de cada medicamento específico.

Segundo Júlia Simão, os medicamentos contrafeitos podem, muitas vezes, ser identificados através do folheto, que não obedece às especificações técnicas para o efeito, contendo  informação  pouco legível ou ilegível e, noutros casos, sem a plenitude das informações necessárias para o consumidor .

Os medicamentos contrafeitos (medicamentos falsificados que são enganosos em relação à sua identidade e/ou origem) podem ter doses do princípio activo alteradas ou simplesmente não ter princípio activo, datas de validade incorrectas ou que podem ser vendidos em embalagens falsificadas, praticamente iguais às embalagens reais, mas que contêm  produto sem princípio activo nenhum.

A farmacêutica alertou para o facto de existirem medicamentos de má qualidade, impróprios para consumo, a circular pelos mercados ilegais, alguns destes medicamentos  são “roubados de fábricas e embalados com embalagens falsas ou até de outros medicamentos” ou até medicamentos que não obedecem as BPF (Boas Práticas de Fabrico),  intencionalmente.

A par dos medicamentos contrafeitos existem os medicamentos impróprios para consumo nomeadamente aqueles que não são mantidos nas condições de armazenamento necessárias, muitas vezes a temperaturas desajustadas, ou expostos a más condições de higiene ou ainda mal acondicionados.

 Medicamentos

para disfunção

eréctil no topo

da contrafacção

De entre todos os medicamentos a circular no mercado angolano, aqueles que são mais susceptíveis à contrafacção “são os analgésicos, antimaláricos, antibióticos antirretrovirais, anti-hipertensores,  tuberculostáticos, e citostáticos, assim como os anabolizantes e medicamentos para  “emagrecimento”, elencou a palestrante.

Júlia Simão apresentou a lista dos medicamentos que são “campeões” da contrafacção em Angola. Para além dos acima referidos destacam-se “os medicamentos para o tratamento da disfunção eréctil, como o Viagra, o Ciales ou o Levitra. Estes são os que mais encontramos falsificados no mercado.” Não obstante, continuam a ser também os medicamentos mais vendidos.

Existem alguns parâmetros para confirmar se os medicamentos são verdadeiros. “O número do lote (número impresso na parte de fora da caixa) deve ser igual ao que vem no frasco ou blister. Se os números não coincidirem, é porque algo não está bem. A data de validade do produto não deve estar expirado e deve estar presente tanto na caixa como no blister. O número de registo e endereço do fabricante também devem estar sempre presentes na embalagem”, explicou Júlia Simão.

O lacre de segurança também é um indicador importante para a credibilidade de um medicamento, segundo a farmacêutica angolana. “Se um xarope não estiver bem lacrado significa que já foi usado e até pode já ter sido diluído com outros componentes”, explicou.

A terminar a sua apresentação, Júlia Simão lembrou que “a publicidade e propaganda a qualquer medicamento sem aviso prévio é expressamente proibida”.  As autoridades fiscalizadoras do sector farmacêutico e judiciais podem interditar a venda e ordenar a apreensão e o confisco dos medicamentos e dispositivos médicos, bem como a apreensão e destruição dos objectos usados para a publicidade.

 

Como saber se

um medicamento é verdadeiro?

 

Na hora da compra verifique na embalagem do medicamento:

— Número do lote: o número impresso na parte de fora da caixa deve ser igual ao que vem impresso no frasco ou no blister.

— Data de validade do produto:

— Número de registo do produto:

— Endereço do fabricante

— Lacre de segurança, inclusive para soros e xaropes

 

 

 

 

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Miguel de Oliveira, inspector-Geral da saúde, quer toda a população mobilizada para vencer uma grande ameaça para a saúde pública

“Precisamos que o consumidor faça a sua parte não comprando medicamentos em mercados ilegais”

 

As autoridades angolanas estão preocupadas com a existência de um mercado paralelo de medicamentos, sem qualquer garantia para o consumidor. Miguel de Oliveira, Inspector-Geral da Saúde, admite que 80 por cento dos medicamentos vendidos nos mercados de rua  são impróprios para consumo.

 

— Fala-se de medicamentos impróprios para consumo e de medicamentos contrafeitos. Qual é a diferença?

— Os medicamentos contrafeitos são produzidos de forma errada, são falsificações criadas apenas com o objectivo de fazer lucro fácil e podem, evidentemente, ser danosos para a saúde. Já os medicamentos impróprios para consumo são aqueles que sofreram falhas em qualquer ponto do processo, que vai desde a produção até ao consumo. Qualquer falha no transporte do medicamento, no acondicionamento ou até na venda pode tornar o medicamento impróprio para consumo. Os medicamentos contrafeitos, vendidos em mercados ilegais, estão quase sempre sujeitos a más condições de armazenamento e transporte, o que os torna, também, na generalidade, impróprios para consumo.

— Qual é o papel da Inspecção-Geral de Saúde (IGS) no combate à venda destes medicamentos?

— A nossa missão é acompanhar e fiscalizar todo o ciclo de vida do medicamento, desde a produção, chegada ao país, até ao destino final, que é o consumidor. Queremos também informar as pessoas acerca destes medicamentos que podem ser prejudiciais para a saúde.

— Como vai fazer chegar a mensagem a uma população com um índice de analfabetismo que ronda os 40 por cento?

— A realização de palestras informativas é uma ferramenta importante. Quero também salientar a importância dos jornalistas, que são nossos parceiros na rede de transmissão de informação. Pretendemos interagir com os jornalistas, para conseguirmos tornar estas informações perceptíveis para o consumidor comum.

— De que forma podem as pessoas certificar-se da legalidade dos estabelecimentos?

— Se o consumidor for a uma farmácia e ficar com dúvidas acerca da legalidade da mesma, apenas tem que pedir para ver as licenças do Ministério do Comércio e do Ministério da Saúde.

— Qual a proveniência dos medicamentos contrafeitos?

— Angola não produz medicamentos, porque não temos fábricas para o efeito. Felizmente, não temos informação de que existam fábricas clandestinas no nosso país. No entanto, existe uma grande quantidade que entra de forma camuflada, vinda de países como a RD Congo ou através do contrabando.

— Quais os medicamentos mais falsificados?

— Antimaláricos, analgésicos ou medicamentos para combater a disfunção eréctil. Vêm de países africanos que nós sabemos não terem laboratórios reconhecidos pela OMS e pelas autoridades locais.

— Como poderá ser feito o controlo da entrada desses medicamentos vindos dos países vizinhos?

— Tem que haver um intercâmbio de informação para que, sempre que se detectem medicamentos contrafeitos, esta informação chegue aos outros países, para que estes possam implementar um controlo de forma sincronizada. Temos realizado algumas iniciativas neste sentido, nomeadamente a operação Pangeia, que abrangeu toda a África Austral. Só assim conseguiremos desmobilizar as várias redes de falsificação de medicamentos presentes em África.

— O mercado dos Kwanzas já foi considerado um dos maiores mercados a céu aberto de medicamentos. Qual é o ponto de situação?

— Está mais controlada, através do Decreto 191/10, que prevê que ninguém possa transportar medicamentos como bagagem nem vender medicamentos ou importá-los se não tiver licença para o efeito.

— A procura destes medicamentos não se deve ao facto de não existirem nas farmácias legais?

— Não, hoje essa questão não se coloca. Se passarem por qualquer farmácia percebem que está apetrechada, não só com equipamentos mas também medicamentos. O que se vende na praça é o antimalárico, que podem encontrar nas farmácias; o analgésico, que está na farmácia; e os medicamentos para o tratamento da disfunção eréctil, que também podem ser encontrados na farmácia.

— A causa poderá residir nos preços?

— Recentemente fui fazer essa comparação. Fui a uma farmácia ilegal e, posteriormente, a uma farmácia legal. Fiquei surpreendido quando percebi que na farmácia legal os medicamentos eram, efectivamente, muito mais baratos do que na farmácia ilegal. Eu posso confirmar isso.

— E o que nos pode dizer da retirada de medicamentos do mercado, por parte da IGS?

— Não retirámos medicamentos do mercado. Retirámos lotes de medicamentos. Nenhum medicamento está proibido. O que pode estar proibido é um lote ou dois lotes de um medicamento. Houve um caso específico em que suspendemos um medicamento mas não o proibimos. Havia um alerta internacional por um fabricante na Índia, que fabrica o princípio activo desse medicamento, ter deixado que o mesmo fosse contaminado com um outro agente mortal. Morreram pessoas no Paquistão, Índia, Brasil, etc. O que nós fizemos foi suspender o produto todo. Retirámos tudo o que havia no mercado, fizemos o controlo de qualidade e os lotes que se revelaram próprios voltaram ao mercado, enquanto os que se revelaram impróprios foram retirados definitivamente.

— Todos estes problemas não ficariam resolvidos se existisse um registo dos medicamentos?

— É um processo muito complexo. Envolve identificar correctamente quem fabrica o medicamento e implica identificar quem o adquire lá fora e o fornece ao importador. Depois, há um conjunto de vários itens que devem ser analisados: este medicamento vai ser vendido só em Angola ou lá fora também? Este importador é licenciado, ou não, pela OMS? Temos alguma lei, ou não, que regula o registo de determinados medicamentos? Pode haver um conjunto de várias falhas neste processo... Já estão identificadas as empresas que têm condições para importar medicamentos. São empresas que têm condições para armazenar, transportar e conservar os medicamentos correctamente. Também já está definida a lista de medicamentos que cada uma destas empresas vai poder importar. Está feito todo o trabalho preliminar. Agora estamos na fase final.

— E há alguma data já prevista para termos, efectivamente, o registo de medicamentos?

— Isto ainda leva o seu tempo. Eu acredito que mais uns seis meses e podemos concluir este processo. Agora, isto não dá garantias de que não haverá mais medicamentos contrafeitos ou medicamentos impróprios para o consumo no mercado. O registo vai reduzir de forma considerável os medicamentos contrafeitos mas, continuando a existir falhas no longo trajecto desde a fábrica até ao consumidor, há sempre chances de o medicamento se tornar impróprio para ao consumo.

— Não se consegue proibir a importação de países como a Nigéria ou a RD Congo, responsáveis pela entrada de medicamentos contrafeitos?

— É possível proibir essa importação mas a nossa fronteira terrestre é tão extensa que acaba sempre por existir passagem ilegal. No ano passado realizámos a operação Jibóia, (operação de fiscalização da fronteira) e detectámos um importador que importou uma grande quantidade de medicamentos do Congo mas que, durante todo o processo, dizia que estava a importar colunas de som. E vieram, de facto, colunas de som. Só que dentro das colunas não havia material electrónico. Estavam repletas de medicamentos. A melhor maneira de apanharmos este tipo de contrabando é através de denúncias. É um processo muito difícil.

— Qual é a percentagem de medicamentos que são inspeccionados e quais são os critérios para as inspecções?

— Todos os medicamentos que entrem em Angola de forma oficial – a maioria que entra pelo Porto de Luanda e todos os que entram pelo Aeroporto 4 de Fevereiro –, são vistos pelas nossas equipas permanentes. É feita uma inspecção à chegada, com elementos da IGS, da polícia económica, da polícia fiscal e alfândega. Além disto, a documentação é enviada previamente, para ser analisada. A inspecção é feita abrindo o contentor ou a embalagem para verificar as condições de acondicionamento e de transporte dos medicamentos e vários outros parâmetros.

— Os medicamentos são todos vistos?

— Todos os que chegam a Angola legalmente. Os medicamentos contrafeitos não são sujeitos a quaisquer inspecções, a não ser que sejam descobertos.

— Que percentagem dos medicamentos que circulam em Angola são impróprios para consumo?

— Através das nossas inspecções, chegamos à conclusão que 80 por cento dos medicamentos que circulam no mercado negro são impróprios para consumo. Quanto mais sensibilizarmos os consumidores acerca destes medicamentos vendidos ilegalmente que são impróprios para consumo mais rapidamente vamos acabar com esse negócio.

 

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Como os medicamentos falsificados entram na cadeia legal e ilegal de abastecimento

 

Quando se fala em cadeia legal de abastecimento seria fácil de pensar que esta cadeia não poderia ser afectada pela entrada de medicamentos falsificados, pois é um caminho bastante regulamentado e fiscalizado. Mas a realidade apresenta-se de forma   diferente.   Nos   últimos   anos,   tem-se   vindo   a   notar, em todo o mundo,  um   acréscimo   de medicamentos falsificados na cadeia legal que se baseiam sobretudo em medicamentos inovadores essenciais para salvar vidas como antineoplásicos, medicamentos de uso psiquiátrico, medicamentos para doenças cardíacas e medicamentos para o tratamento de doenças infecciosas.

A cadeia ilegal de abastecimento é hoje uma grande preocupação. Um dos meios mais utilizados no mundo - e que em Angola deverá crescer -  para a circulação de produtos falsificados é a Internet. É um meio extremamente difícil de controlar para as autoridades fiscalizadoras de cada país, pois a legislação não prevê estas situações e, desta  forma,  é  difícil  poder  agir.  Enquanto  que  na  cadeia  legal  o  grupo  de medicamentos falsificados detectados são essencialmente medicamentos essenciais à sustentação da vida humana, na cadeia ilegal surgem grupos de medicamentos diferentes, que aparecem por razões também elas diferentes. Já na cadeia ilegal os medicamentos falsificados são maioritariamente medicamentos anabólicos (esteróides), analgésicos, anti-infecciosos, antibióticos, produtos auxiliares de emagrecimento e medicamentos para o tratamento da disfunção eréctil, sendo que este último lidera em Angola. As razões que levam os utilizadores a procurarem a Internet é principalmente a vergonha. O utilizador não quer ser confrontado com perguntas ou tão pouco que façam juízos de valor devido ao produto que necessita. E para este tipo de pessoas a Internet tem uma característica que poucas  vias  têm:  é  impessoal,  ou  seja,  não tem de  falar  com ninguém ou deslocar-se a lado nenhum. Encomenda em sites o que pretende, e na maior parte das vezes o que se verifica é que as encomendas são entregues na casa.

 

 

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Projecto comunitário de saúde beneficia mais de sete mil famílias do município de Cazengo

 

Cerca de 7.183 famílias de diversos bairros do município de Cazengo, província do Cuanza Norte, participam, desde Março deste ano, num projecto comunitário de saúde que se consubstancia na mobilização dos munícipes com vista à adopção de medidas de higiene colectiva para a prevenção de doenças e manuseamento correcto dos resíduos sólidos.

A informação foi prestada pela coordenadora do projecto de saúde da empresa SHS no município de Cazengo, Giovana Barros Ribeiro, referindo que a referida acção está a ser implementada em parceria com a Direcção Provincial de Saúde,  abrangendo um total de 32.702 cidadãos que beneficiam diariamente de informações práticas sobre cuidados primários de saúde e prevenção de doenças nas comunidades.

Giovana Barros disse que no quadro do projecto de saúde, em curso no Cazengo, a SHS promoveu, durante o mês de Abril último, 86 acções de sensibilização das comunidades sobre os métodos de prevenção de doenças, seguidas de campanhas de recolha de resíduos sólidos, construção de latrinas e aterros sanitários domésticos e colectivos.

Referiu que a acção abarcou ainda a mobilização dos cidadãos sobre o tratamento correcto a dar ao lixo visando a prevenção de doenças, sobretudo a malária, as doenças diarreias agudas, febre tifóide, entre outras.

 

Palestras

De acordo com a responsável, as palestras dirigidas aos populares abordaram, principalmente, matérias relacionadas com a importância da fervura ou tratamento da água com lixívia, cuidados preventivos da malária, importância do aleitamento materno para a saúde da mãe e do bebé e controlo pré-natal, de modo a motivar as comunidades para mudança de comportamento, promoção da saúde individual e colectiva.

Giovana Barros disse que as acções realizadas têm estado a contribuir para o desenvolvimento do censo crítico individual e colectivo dos cidadãos, em torno das medidas ou comportamentos a adoptar para a prevenção de doenças no seio da família e da comunidade.

 

Faltam enfermeiros

O município de Cazengo conta com um projecto comunitário de saúde desde 2011.

Cazengo é o município sede da província do Cuanza Norte, constituído por uma extensão territorial de 1.793 quilómetros quadrados e conta com uma população estimada em mais de 150 mil habitantes distribuídos por duas comunas, nomeadamente, Ndalatando (sede)  e Canhoca.

O reduzido número de enfermeiros condiciona o acesso aos cuidados de saúde com qualidade.

 

 

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Presidente da Associação Nacional dos Enfermeiros de Angola, Adelaide Nobre

"O acesso equitativo aos serviços de saúde exige enfermeiros formados, motivados e em número suficiente"

 

A presidente da Associação Nacional dos Enfermeiros de Angola (ANEA), Adelaide Nobre, afirmou recentemente, em Ndalatando, que o acesso equitativo aos serviços de saúde com qualidade não pode ser conseguido sem que haja um número suficiente e adequadamente preparados de enfermeiros que trabalhem com responsabilidade.

A responsável fez esta afirmação quando participava das 6as. Jornadas Científicas de Enfermagem decorridas de 10 a 12 de Maio, em Ndalatando, referindo que trabalhadores adequadamente formados, em número suficiente e motivados, são essenciais para a saúde da população.

Adelaide Nobre destacou, igualmente, o papel e a responsabilidade do enfermeiro na melhoria da saúde da população, assim como a sua contribuição para o alcance dos “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” (ODM).

“Os enfermeiros são os profissionais de saúde que se encontram em todo o território e, muitas vezes, os únicos trabalhadores da saúde disponíveis para a população”, disse.

Planificação dos recursos

humanos

Adelaide Nobre considerou de extrema importância a necessidade da planificação dos recursos humanos, tendo em atenção o seu vínculo com a segurança do paciente, bem como a medição da carga de trabalho dos enfermeiros.

Acrescentou que a carência de profissionais não se resolve apenas com o recrutamento de mais técnicos, mas também é necessária mais formação e a melhoria das suas condições de trabalhos com vista a aumentar a segurança dos pacientes e a qualidade dos cuidados de saúde.

Afirmou que o enfermeiro desempenha um papel de extrema importância no campo da assistência, não só em presença das doenças, mas também no ensino das medidas sanitárias que muito poderão ajudar na conservação da saúde e na prevenção contra as doenças.

As 6as. jornadas científicas de enfermagem recomendaram, entre outras, a formação contínua dos profissionais de saúde, em especial enfermeiros, para que se possa cobrir o sistema nacional de saúde.

 

Plano de formação

Incentivar o recrutamento de novo pessoal de enfermagem, a todos os níveis, tendo em conta as necessidades de cada região bem como a elaboração de um plano de formação especializada para os profissionais de enfermagem a nível médio e superior foram outras das recomendações saídas do fórum.

As 6as. jornadas de enfermagem contaram com a participação de mais de 100 profissionais das 18 províncias do país, tendo abordado aspectos ligados a acesso e constrangimentos ao exercício da actividade de enfermagem em Angola.

 

Melhoria da prestação

dos cuidados de saúde

Na ocasião, o director provincial de Saúde do Cuanza Norte, Manuel Duarte Varela, disse que o evento vai contribuir para manter os enfermeiros cada vez mais capacitados, organizados e valorizados.

Esclareceu que o executivo definiu a redução da mortalidade infantil, da morbi mortalidade por doenças infecciosas, atenção e controlo das doenças não transmissíveis, bem como a melhoria da qualidade da prestação dos cuidados de saúde, como principais metas a atingir neste domínio.

Lembrou que para alcançar este desiderato o enfermeiro terá sempre uma palava a dizer, pois está inserido em todos os níveis de intervenção de assistência sanitária.

Dia mundial do enfermeiro

O evento inseriu-se nas celebrações do Dia Mundial do Enfermeiro, comemorado a 12 de Maio, tendo este ano decorrido sob o lema “Enfermeiro, uma força para a transformação, um recurso vital para a saúde”.

O Dia Mundial do Enfermeiro é celebrado a 12 de Maio em homenagem à cidadã britânica Florence Nightingale, um marco da enfermagem que ficou conhecida como "A Dama da Lâmpada", por percorrer os leitos de soldados durante a noite em tempos de guerra.

 

Unidades de saúde

De realçar que a rede sanitária da província do Cuanza Norte é constituída por nove hospitais, 96 postos e 21 centros de saúde todos devidamente equipados com meios técnicos modernos.

Em termos de recursos humanos, 72 médicos, entre nacionais e expatriados, e 885 enfermeiros asseguram o funcionamento do sector na província que conta com um uma população estimada em cerca de 438.659 habitantes, distribuídos em 10 municípios.

 

 

 

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Técnicos de saúde aprendem a manusear aparelho de laboratório que conta as células

 

Víctor Mayala

Correspondente no Zaire

 

Técnicos de laboratório provenientes dos seis municípios da província do Zaire participaram, durante cinco dias, num seminário de capacitação sobre o manuseamento do Pima-CD4, um aparelho utilizado para a contagem de células de defesa do organismo humano.

 

O Pima-CD4 apresenta a capacidade de fornecer o resultado de exame de sangue em apenas 20 minutos e permite prestar melhor acompanhamento aos pacientes com Sida.

Aos participantes foram ministrados vários conteúdos, entre os quais o perfil epidemiológico do VIH/Sida em Angola e no Zaire, a utilização do novo aparelho Pima-CD4 e suas vantagens, cistometria do fluxo do CD4/CD3, controlo de qualidade e biossegurança, colheita de amostras de sangue com lancetas e trabalho de mãos.

O director provincial da Saúde no Zaire, João Miguel Paulo, referiu, no encerramento da acção formativa, que a utilização do referido aparelho - que constitui uma inovação tecnológica -, permite obter resultados de diagnósticos fiáveis para o melhor tratamento médico e medicamentoso dos pacientes.

O médico acrescentou que o aparelho Pima-CD4 tem valências que permitem proporcionar assistência de alta qualidade aos doentes. O responsável solicitou, por isso, aos formandos a transmitirem com destreza os conhecimentos adquiridos aos demais colegas nos respectivos municípios.

O seminário que decorreu na escola técnica básica de saúde, foi orientado pelos especialistas da direcção provincial da saúde do Zaire.

 

Promoção

dos enfermeiros

 A Ordem dos Enfermeiros de Angola na província do Zaire está preocupada com a situação dos seus membros enquadrados no sector da saúde como técnicos básicos que trabalham há anos, sem qualquer promoção.

A ausência de uma escola de enfermagem de nível médio na região constitui o principal impasse existente o que dificulta aos “homens da seringa” dar continuidade dos estudos.

A preocupação foi manifestada pelo presidente da Ordem dos Enfermeiros no Zaire quando falava à margem dos festejos do dia internacional dos enfermeiros, assinalado a 12 de Maio.

Nsakala Mpasi Hiberto informou que esforços estão a ser junto do governo provincial para encontrar mecanismos que possam viabilizar a realização de um curso com duração de dois anos, para permitir a promoção de todos os enfermeiros.

“Todo os técnicos básicos da saúde que possuem habilitações literárias até a 10ª classe devem inscrever-se no curso para aumentar o seu nível profissional”, disse Nsakala Mpasi Hiberto para quem existe vontade por parte do Governo provincial em transformar, ainda este ano, a escola técnica básica da saúde, localizada em Mbanza, num Instituto Médio da Saúde.

O presidente da Ordem dos Enfermeiros no Zaire revelou que o seu pelouro controla a nível da província, 824 enfermeiros, sendo 637 técnicos básicos e 175 técnicos médios.

A rede sanitária, prosseguiu Nsakala Hiberto, é constituída por 27 centros de saúde, seis hospitais municipais, alguns dos quais de referência em termos de capacidade instalada, e um hospital provincial localizado na sede provincial, Mbanza Congo.

O médico louvou, na ocasião, os esforços desenvolvidos pelo Governo local na construção, expansão e modernização dos serviços da saúde em todos os municípios. O facto, avançou, permitiu a melhoria das condições de trabalho dos enfermeiros locais.

Nsakala Mpasi Hiberto adiantou que neste momento decorrem os trabalhos de restauro e ampliação do actual hospital provincial com a edificação de mais duas naves, onde passam a funcionar os serviços pediátricos e maternidade. Com a ampliação das infra-estruturas, a capacidade de internamento cresce para 189 camas.

 

 

 

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Número reduzido de técnicos de saúde condiciona a assistência sanitária nas comunidades da Quilenda

 

O número reduzido de enfermeiros condiciona a assistência dos cuidados primários de saúde no Município da Quilenda, província do Cuanza-Sul, revelou ao Jornal da Saúde o chefe de Repartição da Saúde no município, Paulo André.

O responsável da saúde naquele município considerou preocupante o reduzido número de enfermeiros, na ordem de 47 técnicos, dos quais apenas um de nível médio, em detrimento do aumento exponencial de novos postos de saúde, construídos nos últimos anos, no quadro do programa de combate à pobreza e dos cuidados primários de saúde.

Paulo André referiu que os 12 Postos de Saúde funcionam com apenas um enfermeiro que se vê “afogado” com as enchentes que as respectivas unidades sanitárias registam, principalmente nas épocas de transição de estação seca para as chuvas e vice-versa. Preocupado, Paulo André considera ser uma questão que tarda a ter solução, uma vez que os últimos concursos públicos forneceram poucas quotas ao município e apela  às estruturas competentes no sentido de flexibilizarem o ingresso de novos quadros para o sector da saúde.

 

Infraestruturas

aumentam

Apesar deste condicionalismo da falta de técnicos da saúde, Paulo André faz uma avaliação positiva em termos de infraestruturas sanitárias no município da Quilenda, tendo assinalado que, em 2002, a Quilenda possuia apenas um Centro de Saúde de referência e três postos de saúde. Desde 2009 foram construídos mais unidades sanitárias, cujo quadro actual compreende um hospital municipal com capacidade para 63 camas de internamento e 12 postos de saúde, distribuídos nas localidades de maior concentração populacional.

Caros leitores, sigam a entrevista que o Chefe de Repartição da Saúde do Município da Quilenda concedeu ao Jornal da Saúde:

— Senhor Chefe de Repartição da Saúde, no Município da Quilenda, Paulo André, faz-nos uma caracterização da situação sanitária no vosso município?

— O município da Quilenda cresceu significativamente, em termos de infraestruturas sanitárias, porque a Administração implantou em quase todas as localidades de maior concentração populacional postos de saúde, com o intuito de aproximar a assistência sanitária junto das comunidades. Actualmente, o município da Quilenda tem poucas localidades sem uma unidade sanitária. A boa notícia é que vão ser contempladas no corrente ano. Estou  a referir-me das localidades de Cahana, Banza Quilenda, Hombo e Quilonga. A par destes esforços ainda temos grandes desafios pela frente para podermos atingir os objectivos que são  aproximar, cada vez mais, os serviços de assistência e humanização dos serviços da saúde nas comunidades.

A realidade actual do município da Quilenda em infraestruturas e do corpo clínico, compreende uma rede sanitária composta por 13 unidades sanitárias, sendo um Hospital municipal de referência, e 12 Postos de saúde, dos quais um vai ser elevado à categoria de Centro, dada a valência da sua estrutura. Esta unidade sanitária está localizada na sede da Comuna do Quirimbo.  Prestam serviços ao sector ao nível do município da Quilenda um total de três médicos, dois técnicos superiores de enfermagem e 47 enfermeiros. Quanto aos meios rolantes, temos três Ambulâncias operacionais. Destas, uma  foi atribuída ao posto da comuna do Quirimbo. Na área dos recursos humanos temos uma grande preocupação, porque o número actual não responde as necessidades em termos de cobertura.

Para minimizar a situação são necessários mais 36 enfermeiros para cobrirmos as lacunas que existem nas unidades sanitárias que funcionam com apenas um enfermeiro. É uma situação  preocupante porque, Imaginemos, o único enfermeiro adoece. Então o posto fecha o que é desabonatório.

— Qual é a estratégia da repartição municipal da Saúde da Quilenda para gerir as situações que acabou de mencionar?

— Em termos de recursos humanos temos vindo a fazer a superação dos técnicos para elevarem as suas capacidades técnicas e adquirirem competências para exercerem a profissão com as competências requeridas. É assim que estão a participar no curso de superação que decorre na Escola Técnica de Enfermagem da província, sete enfermeiros que, terminado o curso, vão possuir o nível médio, processo que vai continuar até que todos beneficiem desta formação.

Quanto à expansão da rede sanitária ao nível do município,  a Administração continua a priorizar a construção de mais unidades sanitárias nas localidades que carecem das mesmas. É um processo que vai continuar até que o nosso município tenha infraestruturas sanitárias à altura de atender as populações.

O programa dos cuidados primários de saúde tem propiciado a execução de projectos com impacto directo nas

comunidades, quer seja no capítulo de atendimento aos munícipes, como no melhoramento dos serviços nas comunidades. Estamos a adoptar um mecanismo que conta com o envolvimento das autoridades tradicionais e líderes comunitários para, em tempo oportuno, aferirmos indicadores qualitativos e quantitativos, sobre as taxas de natalidade e mortalidade ao nível do município. Como é do domínio de todos, consideramos a adopção deste mecanismo porque em muitas localidades os partos são feitos fora das unidades sanitárias e muitos casos fogem do nosso controlo.

Outra compnente da nossa estratégia é de massificar o programa de educação para a saúde nas comunidades, campanhas de vacinação, luta antí-larval, sobre o tratamento da água para consumo e do uso de mosquiteiros empregnados.

— Como está o abastecimento em medicamentos e equipamentos?

— Quanto ao abastecimento de medicamentos, estamos bem porque o programa dos cuidados da saúde permite adquirir, através de fornecedores, medicamentos e víveres, além dos medicamentos essenciais fornecidos pela Direcção provincial.

Não temos razões de queixa porque as necessidades têm sido supridas com abastecimento regular de fármacos e dos equipamentos.

— Qual a maior preocupação que o sector da saúde enfrenta no município?

— A grande preocupação é o surgimento de doenças resultantes do consumo de água imprópria, como febre tifóide, schistosomíase, amebíase, infecções urinárias e da pele. Tudo isso resulta da falta de água potável, sobretudo na periferia da Vila da Quilenda. Dispomos de uma estação de captação e tratamento de água, construída entre 2010 e 2011, no quadro do Programa de Investimentos Públicos (PIP),  mas está parada e já estamos a sentir as consequências.

Outra preocupação que afecta o sector da saúde no município é da falta dos serviços de ortopedia, cirurgia, radiologia e bloco operatório e, com isso, os respectivos médicos. Por isso, recorremos a evacuações para Gabela ou Sumbe sempre que surgem casos destas especialidades. Mas a explosão demográfica na Quilenda justifica a existência dos referidos serviços. A degradação das vias de acesso que ligam a sede municipal às distintas localidades da circunscrição municipal constituem outros constrangimentos que enfrentamos. Muitas vezes nos confrontamos com casos de evacuações das localidades longínquas para o hospital municipal, onde temos de sacrificar a ambulância pelo mau estado das estradas.

Por outro lado,  registamos com frequência casos graves que aparecem no hospital fruto da negligência das famílias.

— Quais os Programas que estão a ser executados para a melhoria da assistência no Município da Quilenda?

— Os programas em execução na Quilenda são aqueles que são baixados pela Direcção Provincial da Saúde, nomeadamente os de distribuição de mosquiteiros, de Albendazol, medição de tensão arterial, testes de VIH/Sida e campanhas de vacinação. Além destes que mencionei estamos também a executar outros programas, como de tuberculose e lepra, de vigilância epidemiológica, de educação para a saúde, água e saneamento ambiental. A colaboração das comunidades é essencial para surtirem

efeitos.

— Quais os desafios para os próximos  tempos?

— Os principais desafios apontam no sentido da continuidade da superação permenente de técnicos de saúde para que respondam às exigências do presente e do futuro. Vamos, por outro lado, continuar a desenvolver esforços no sentido de aproximarmos, cada vez mais, os serviços da saúde nas comunidades, com a extensão da rede sanitária e o melhoramento das unidades sanitárias já existentes. Além disso, vamos melhorar os mecanismos de educação sanitária das comunidades para diminuir a proliferação das doenças evitáveis, como a malária, febre tifóide, infecções da pele, entre outras.

No domínio da formação, sempre que notificados pela Direcção Provincial da Saúde, vamos enviar quadros para a sua superação permanente.

 

 

 

 

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Hospital Provincial do Sumbe. A nossa experiência na aplicação de aloé e mel nos queimados

 

O caso que decidimos partilhar com os colegas constitui uma tentativa terapêutica nascida das circunstâncias em que se vivia no Hospital 17 de Setembro, no Sumbe, Cuanza Sul, face às dificuldades na disponibilidade de medicamentos e curativos, assim como à impossibilidade de isolamento dos pacientes queimados, nos idos tempos de 2001 e princípios do 2002.

 

Os resultados obtidos não representam uma pretensão de inovação na terapêutica existente para as queimaduras, não obstante os dados considerados não sejam depreciáveis.

O nosso objectivo é somente dar relevância às possibilidades que existem em qualquer lugar de resolver um dos problemas de saúde de maior urgência e prioridade numa população com poucos ou aparentemente mínimos recursos ou instituições médicas.

Tomando como referência a experiência existente da aplicação do aloé e mel desde os tempos remotos, prática retomada pela ciência moderna, iniciámos a terapêutica com ambos os produtos, aplicando-os directamente na pele.

 

O aloé

Diz Aristóteles: “Quando se cortam umas suculentas folhas de aloé, produz-se uma rápida cicatrização da sua superfície, cuja finalidade é evitar que se perca o precioso suco que contém. A lógica natural diz-nos que, se a planta é capaz de regenerar eficazmente a superfície danificada das suas próprias folhas, também actuará cicatrizando as feridas dos seres humanos que estejam em contacto com elas”.

“As feridas de Jesus Cristo foram tratadas, ainda que já depois de morto, com aloé e mirra (uma outra planta) ”, in Capítulo 19 do Evangelho Segundo S. João.

Soldados gregos, gladiadores romanos e guerreiros de diversos impérios foram tratados com aloé.

Existem mais de 200 espécies de aloé, sendo as mais utilizadas o Aloé Barbadenses e o Aloé Vera.

Das suculentas folhas de aloé extraem-se dois produtos principais: o alcibar e o gel.

O aloé pertence ao grupo das plantas xerófilas, capazes de fechar os estomas das suas folhas logo que se produza qualquer corte ou ferida. Deste modo, evitam a perda de água.

O Instituto de Ciências e Medicina LINUS PAULING, de Palo Alto, na Califórnia, o Instituto Weissmann de Israel e a Universidade de Oklahoma nos E.U.A., apoiados por provas de laboratório e experiências químicas, mencionam as seguintes propriedades desta planta:

O aloé bloqueia as fibras nervosas periféricas até aos planos mais profundos, inibindo pelo bloqueio a condução dos impulsos nervosos, embora o faça de modo reversível.

O aloé penetra profundamente nas três camadas da pele (epiderme, derme e hipoderme) graças à presença de Ligninas e Polissacáridos, restituindo os líquidos perdidos naturalmente ou por deficiências do equilíbrio osmótico na homeostasia ou por danos externos.

Conteúdo da folha do aloé

O aloé contém glicósidos, polissacáridos, enzimas, minerais, inúmeras vitaminas e aminoácidos essenciais e secundários.

No suco do aloé localiza-se o acemanann.

Propriedades do aloé de acordo com os estudos científicos antes referidos:

—Inibidor da dor

—Anti-inflamatório

—Queratolítico

—Coagulante

—Bactericida

—Purgativo drástico

—Regenerador celular     (emoliente)

—Antiparasitário (vermífugo)

—Energético e nutritivo

—Anti-colesterolémico

—Digestivo

—Desintoxicante

—Reidratante e cicatrizante  (queimaduras)

—Regularizador nas dismenorreias

—Abortiva

—Colagogo

—Emenagoga

—Limpador natural  de superfícies (presença de saponinas)

—Penetrante nos tecidos  (pela lignina)

—Anestésico (presença da lignina)

—Bactericida

—Anti-viral

—Vermífugo (tricomoníases,  giardíases, teníases,  etc.)

—Anti-séptico

—Coagulante  (anti-hemorrágico)

—Anti-inflamatório

—Anti-prurítico

—Hidratante natural

—Aumenta o fluxo  no leito capilar

—Ajuda a neutralizar  os venenos neuro-paralisantes e necrotizantes

O acemanann

O acemanann é um produto que existe no nosso corpo até à puberdade, aumentando a resistência imunológica contra parasitas, vírus e bactérias. Localiza-se principalmente na casca verde do aloé, mas também no gel interior. Alcança um alto teor no suco do aloé.

 

 

O mel

É o melhor adoçante utilizado pelo homem, visto que é o único que contém proteínas e vitaminas. É obtido através do néctar das flores que as abelhas recolhem e transportam para a colmeia, onde o transformam, armazenam e desidratam. O mel é utilizado pelo Homem desde tempos remotos como alimento e também de forma terapêutica, pelas suas propriedades imunológicas, bactericidas e expectorantes. Perde-se no tempo a origem da sua utilização para as mais variadas finalidades. Gregos e Romanos, antes de Cristo, seguiam um provérbio: “mel no interior e óleo no exterior”. Hipócrates, na Grécia, costumava prescrever mel para acalmar a ansiedade dos noivos antes do casamento, o que originou a expressão de “lua-de-mel”.

 

Composição do mel

Açúcares naturais:

Frutose 41%; Dextrose 34%; Enzimas e vitaminas 3 %; Água 18%

Cinzas 2%; Proteínas 2 %

Vitaminas: A, B1, B2, B5, B6, C , E, K,PP.

Sais minerais: Ca, P, S, K, Cl, Na, Mg, Fe, Mn, Cu, Si, B, N e outros, presentes em menores quantidades.

Ácidos: málico, cítrico, fórmico, tânico, cúprico, oxálico, fosfórico, butírico, acérico, láctico, valeriânico e propiónico.

Outros elementos: lípidos, fermentos, histamina, maltosa, dulcitol, aldeídos, clorofila, carotina, tanino, albumina e vários óleos.

 

Propriedades terapêuticas conhecidas do mel:

—Energético, bactericida, anti-séptico, anti-reumático, vasodilatador, diurético, digestivo, hiperglicémico, tonificante, antiespasmódico, sedativo, vermífugo.

—Tonifica e rejuvenesce a pele e os músculos.

—A cor do mel mantém-se na íntegra graças ao ácido fórmico e à inibina, excelente bactericida.

 

A nossa experiência

Foram tratados 35 pacientes queimados e internados no Hospital, ao longo do período anteriormente referido.

Foram classificados a partir da Classificação da American Burn Association, de 1980; a Classificação de Gomes de 1995, para estabelecer a gravidade; a Classificação de Boyer 1992, Berhmann 1994 e O´Sullivan 1993, para determinar a profundidade da lesão.

 

Preparação, aplicação e conservação da mistura de aloé (80%) + mel (20%)

Para a aplicação do produto nos pacientes queimados, foi utilizado o suco de aloé  barbadenses silvestre (encontra-se em grandes extensões na província).Cortados os bicos e bem lavada a folha, foi triturado, moído e coado, até se conseguir extrair o máximo do mesmo.   Adicionámos ao suco de aloé 20% de mel natural da região (1 porção em 5 porções). A conservação do produto curativo para a pele dos queimados era constituída por aloé (80%) + mel (20%). A mistura foi mantida em refrigeração a 4ºC. ou com “acumuladores” congelados numa caixa térmica. O produto foi utilizado, estando conservado à temperatura descrita, durante os 7 dias posteriores à sua preparação. A mistura foi aplicada em toda a extensão da queimadura por meio de uma gaze simples humedecida. Posteriormente, encobria-se a lesão com as restantes capas de gaze para a isolar. Na face, também tentámos encobrir a maior parte das lesões com a gaze humedecida. Também se aplicava directamente na queimadura nos lugares impossíveis de serem encobertos. Os curativos faziam-se em dias alternados: às segundas, quartas e sextas-feiras.

 

 

 

 

 

 

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Compreender o Cancro da Próstata

Diagnóstico precoce e conduta terapêutica actual

 

Na primeira consulta, o médico interno realizou o check-up de rotina e determinou o valor de PSA (Prostate-Specific Antigen): 6.3 ng/ml (nanogramas por mililitro).

O urologista levou a cabo o DRE (Digital Rectal Examination), ou toque rectal (TR), a ecografia, a biópsia da próstata, avaliando a situação: grau 6 na classificação de Gleason e estádio prostático T1c (Tumor identificado por biópsia).

De momento, o urologista pretende praticar a prostatectomia radical; um outro médico urologista prefere a criocirurgia. O oncologista radioterapeuta fala de radiação com acelerador (IMRT - Intensity-Modulated Radiotherapy) , enquanto outro radioterapeuta propõe o implante de sementes. Um terceiro oncologista sugere a radiação com alta taxa de dose (HDR - High Dose Rate) .

 

O que é a próstata?

Aproximadamente dois terços (2/3) da glândula prostática são formados por células prostáticas normais. O restante terço (1/3) é constituído por vários elementos: a uretra, os músculos da próstata que rodeiam a uretra, o tecido fibroso que mantém a próstata unida, os vasos sanguíneos e os canais ejaculadores. A próstata produz o fluido seminal, que se mistura com o esperma e dá origem ao sémen.

 

Onde se situa

a glândula prostática

e qual a sua função?

A glândula prostática encontra-se por trás dos ossos púbicos, na bacia. Acima encontra-se a bexiga e abaixo da glândula está o recto. O seu tamanho normal é de 20 a 25 cc (centímetros cúbicos), aproximadamente a dimensão de uma noz.

Apresenta dois lobos laterais: direitƒo e esquerdo, e uma cápsula similar à casca de um ovo. A uretra passa pelo centro da próstata. Os canais mais pequenos, chamados ejaculadores, vão de cada testículo até ao interior da próstata e esvaziam-se na uretra, no centro da glândula. A glândula é ainda composta por dois nervos pélvicos, produtores de erecção, laterais à próstata.

 

Compreender

o cancro da próstata

Como em muitos outros tipos de cancro, a detecção e tratamento precoce do cancro da próstata aumentam as perspectivas de cura. Este é um tipo de cancro que evolui lentamente. Mais de 90% dos casos são detectados através do PSA e do DRE. Quando aparece na fase final da vida, como é frequente, a repercussão da doença pode ser mínima. Muitos homens portadores de ADC P morrem devido a causas não relacionadas com o cancro.

A frequência do cancro da próstata aumentou de forma explosiva nos últimos anos, consternando a ciência médica e os homens em geral. Notícias e reportagens inundaram os meios de comunicação, com duas consequências imediatas: os homens estão mais conscientes dos problemas da próstata, o que é bastante positivo; mas informações desencontradas têm gerado preocupações desnecessárias e inadequadas, o que tem consequências negativas. É importante ter em conta os riscos de se discutir publicamente este tema, pelas suas muitas controvérsias técnicas ainda não resolvidas.

É a segunda ou terceira forma de cancro mais comum nos homens, depois do cancro da pele. É a segunda principal causa de morte por cancro nos homens, depois do cancro de pulmão. Tem uma incidência universal de 100,4 casos por cada 100 000 homens.

 

Diagnóstico do Cancro

da Próstata (ADC P)

Para obter um diagnóstico fiável, devem realizar-se os seguintes procedimentos, pela ordem indicada:

— DRE (Toque Rectal);

—  PSA (Antígeno Específico da Próstata);

— Ecografia Transrectal;

— Avaliação na classificação de Gleason;

— Classificação por Estádios: T1, T2, T3,T4;

— Classificação por Etapas A, B, C, D;

— Avaliação de PSA depois do tratamento.

 

Exame rectal digital

da Próstata (DRE -

Digital Rectal Exam)

Todos os médicos determinam o estado da próstata a partir do exame da glândula prostática, através do toque rectal digital inicial.

Existem alguns factores de risco associados ao cancro da próstata, nomeadamente os antecedentes familiares (pai, irmãos, tios) deste tipo de cancro; a exposição ao cádmio no local de trabalho (soldadura, baterias ou electrótipos). Nos homens casados parece existir maior risco do que nos solteiros. Por outro lado, a dieta rica em gorduras pode também aumentar o risco de padecer deste problema. Por fim, os homens submetidos a vasectomias também são mais afectados pelo cancro da próstata do que os que não passaram por esse processo.

 

Classificação do cancro

da próstata pela

gravidade da doença

T1a, T1b - DRE normal numa amostra TURP - Raro

T1c  - DRE normal , PSA superior a 4,0 ng/ml - 64%

T2a - Tumor pálpavel do cancro da próstata que compromete metade ou menos de um lóbolo prostático - 16%

T2b - Tumor pálpavel do cancro da próstata que compromete mais de metade de um lóbolo prostático - 12%

T2c - Tumor pálpavel do cancro da próstata que compromete ambos os lóbolos prostáticos - 4%

T3 - Tumor pálpavel do cancro da próstata que compromete um ou ambos os lóbolos prostáticos e também um tumor fora da próstata que o cancro invadiu ultrapassando a cápsula - 4%

T4 - Bexiga e recto comprometidos - Raro

Dos homens que recebem este diagnóstico, a maioria (64%) apresenta cancro T1c.

 

Classificação

por Estádios

Estádio A - Tumor oculto, não palpável ao toque.

Estádio B -Tumor dentro da próstata, palpável.

Estádio C - Tumor na camada exterior da próstata.

Estádio D - Tumor com focos em outros órgãos.

 

PSA

PSA significa “Prostate Specific Antigen”, ou “Antigénio Específico da Próstata”. Trata-se de uma enzima cuja função consiste em tornar o esperma líquido. Todos os homens têm uma pequena quantidade de PSA no sangue – um aumento dessa quantidade pode indicar problemas na próstata, não necessariamente cancerígenos. A quantidade de PSA no sangue é medida em nanogramas (a bilionésima parte de um grama) por mililitro de sangue (ng/ml). Através de uma análise sanguínea é possível medir os níveis de PSA no sangue, permitindo a detecção de ADC P clinicamente significativo, em idade avançada, e elevando o potencial de detecção de cancros curáveis em pacientes mais jovens. A célula cancerígena prostática produz 10 vezes mais PSA do que a célula normal.

O valor do PSA aumenta com a idade do paciente. Para homens até aos 60 anos, o nível normal rondará os 2.5 ng/ml. Em pacientes com mais de 60 anos, os valores são considerados normais se não ultrapassarem 4.0 ng/ml. Em média, os homens diagnosticados com cancro da próstata apresentam valores na ordem dos 7.2 ng/ml. Contudo, 15% dos homens com ADC P revelam um PSA considerado normal, inferior a 4.0 ng/ml. Quando o valor ultrapassa os 10 ng/ml, há 66% de probabilidade de se tratar de um diagnóstico de ADC P. Entre 25 a 30% dos pacientes com um PSA inferior a 4.0 ng\ml apresenta cancro de próstata.

 

Classificação do ADCP

 segundo o PSA

É possível apresentar um PSA superior a 4.0 ng/ml e não ter desenvolvido cancro na próstata. Metade dos homens com 60 anos de idade ou mais tem uma próstata de maior dimensão, como resultado de outra doença, a BPH (hiperplasia prostática benigna), que eleva o PSA acima dos 4.0 ng/ml. Também a inflamação da glândula prostática, a prostatite, pode ser responsável pela subida do nível de PSA.

 

A classificação Gleason

A classificação de Gleason indica a rapidez do desenvolvimento do cancro e varia entre os graus 2 e 10. Um terço (1/3) dos homens com um grau entre 2 a 6 na classificação de Gleason poderão acusar um grau entre 7 a 10 na amostra de prostatectomia radical no microscópio.

 

O nível mais baixo

(nadir) de PSA

O nadir de PSA é o nível mais baixo atingido pelo PSA após o tratamento, podendo avaliar o seu sucesso e indicar a probabilidade de voltar a desenvolver cancro da próstata. Trata-se da mais importante e única medição imediatamente depois do tratamento.

O nadir compreende dois passos: determinar o PSA mais próximo de 0.2 ng/ml (PSA zero); e a sua permanência nesses valores.

É, portanto, o elemento que qualifica a terapêutica estabelecida para o doente.

 

Manifestações clínicas

O cancro da próstata não produz sintomas nas fases iniciais. Com o decorrer do tempo, podem surgir problemas relacionados com o processo de micção, nomeadamente: dificuldade para iniciar ou terminar esse processo, jacto urinário fraco, aumento do número de micções, sobretudo nocturnas, e gotejo no final da micção. Pode ainda detectar-se sangue na urina, assim como retenção urinária. Outro sintoma prende-se com a dor na ejaculação e as dores acima das coxas, na zona sacrolombar e suprapúbica.

 

Meios diagnósticos

do ADC P

O diagnóstico de cancro da próstata torna-se mais exequível quando provém da combinação dos exames de toque rectal (DRE) e de PSA. O exame de toque, por si só, apresenta uma taxa de falha na detecção do cancro de cerca de 30% a 40% dos casos; o exame de PSA pode falhar em cerca de 20% dos casos – de sublinhar que valores elevados de PSA não representam obrigatoriamente a presença de ADC P; mas a execução conjunta dos dois exames permite identificar esta patologia em mais de 95% dos pacientes.

O toque rectal é extremamente importante para o diagnóstico do cancro da próstata, visto que é através deste exame que o médico percebe se a glândula apresenta uma forma irregular e de consistência endurecida.

A Ecografia Transrectal é um exame muito utilizado na avaliação da próstata, essencial para a orientação e sistematização das biópsias desse órgão. Contudo, não é totalmente fiável enquanto exame isolado para o diagnóstico de cancro, falhando em 60% a 70% dos casos. Conjuntamente com um toque rectal ou valores elevados de PSA, pode fornecer dados adicionais importantes para o diagnóstico.

A biópsia é a melhor forma de diagnosticar, definitivamente, o cancro da próstata. Falha em menos de 5% dos casos, não existindo ainda outro exame que seja tão fiável a ponto de se poder dispensar a realização da biópsia.

 

Que tipo de paciente deve ser alvo de uma biópsia prostática?

A grande indicação para realização de biópsia prostática coloca-se quando há a hipótese de estarmos perante um cancro da próstata. Ela deve ser levada a cabo quando os dados relativos ao doseamento sanguíneo do PSA e à sua velocidade de aumento, as alterações na consistência ou forma da próstata, ou ambos os elementos se verifiquem.

 

Colheita de amostra

para Biópsia Prostática

através da Ecografia

Transrectal

Na ecografia transrectal, o médico insere uma sonda no recto para detectar zonas anómalas. A sonda envia ondas sonoras (ultra-sons) que são reflectidas na próstata e um computador usa os ecos para criar uma imagem - a ecografia. A sonda permite avaliar a glândula prostática e identificar áreas específicas para serem alvo de biópsia. Ela contém, ainda, um tubo no seu interior - o guia da agulha – que é apontado para partes específicas da próstata, libertando uma agulha com o objectivo de efectuar biópsias de diferentes partes da glândula.

 

Incidência

(morbilidade

e mortalidade)

O cancro da próstata atinge os homens na sua fase mais socialmente produtiva, ou seja, a partir da quinta década da vida (a partir dos 40 anos), sendo que se verifica um aumento da patologia com o avanço da idade. Aliás, ela manifesta-se em quase 50% dos indivíduos com 80 anos, sendo que não poupa nenhum homem que viva até aos 100 anos.

Sabemos que 10% dos pacientes diagnosticados nos estágios A e B não necessitam de tratamento. 13% deles apresentam um carácter indolente, não se manifestando clinicamente – os seus portadores morreram com o cancro, mas não por causa dele.

O cancro da próstata manifesta-se em numerosos indivíduos sem lhes causar qualquer problema: 24% dos homens entre os 60 e os 70 anos apresentam focos cancerosos e faleceram sem doença prostática aparente. Cerca de 11% apresentaram, em vida, problemas com o cancro da próstata. Com a prostatectomia radical, aproximadamente 15% dos homens não atingem a cura.

A maioria dos casos de ADC P localiza-se na parte posterior da próstata, perto do recto.

Em Portugal, o cancro da próstata mata aproximadamente 1800 homens por ano.

 

Factores de risco

I - Factores hereditários

Os antecedentes familiares aumentam a probabilidade de desenvolver a doença e de esta ser mais precoce. Nos parentes de primeiro grau (pai ou irmão), os riscos aumentam 2,2 vezes quando afectam um parente de primeiro grau; 4,9 vezes quando atingem dois parentes de primeiro grau; e 10,9 vezes quando três parentes de primeiro grau sofrem de cancro da próstata.

II - Factores Ambientais ou Dietéticos

A incidência do cancro da próstata é muito  alta em países escandinavos, intermédia no Brasil e nos Estados Unidos, e baixa em países do Extremo Oriente, diferenças talvez explicadas pelo consumo de gordura animal - a ingestão de  alimentos com alto teor de gordura é elevada na Escandinávia e baixa no Extremo  Oriente. Por outro lado, sabemos que o cancro da próstata é 10 vezes mais comum em norte-americanos do que em japoneses residentes no Japão; mas essa taxa torna-se equivalente quando falamos de japoneses que vivem nos EUA. Podemos, então, pensar que estes dados se explicam por factores ambientais ou dietéticos, e não hereditários.

 

Diagnóstico Precoce

do Cancro de Próstata

ADC P por meio de

Exame Preventivo

Periódico (EPP)

Este é o exame médico periódico a que todos os homens com idades compreendidas entre os 40 e os 45 anos se devem submeter, no sentido de se diagnosticar precocemente o cancro da próstata (ADC P). Os homens com antecedentes familiares desta doença devem realizar o EPP a partir dos 40 anos de idade. Aos homens sem factores de risco hereditários recomenda-se o EPP a partir dos 45 anos.

 

Fases de Definição

do EPP para

diagnosticar

o Cancro da Próstata

 (ADC P).

Numa primeira fase, deve levar-se a cabo o Exame Preventivo Periódico anual, baseado na Classificação Internacional de Sintomas Prostáticos e nos Exames de Toque Rectal (DRE) e PSA Total. Por outro lado, importa apostar na Educação para a Saúde.

Se o resultado for positivo na primeira fase, a segunda compreenderá a obtenção de um diagnóstico, por meio de uma ecografia e uma biópsia transrectais, também alvo de classificação por etapas e estádios.

A terceira fase é terapêutica, dependendo do estádio verificado: se for A ou B, existe a hipótese de uma avaliação terapêutica radical (cirurgia ou radioterapia) ou de outra terapêutica não radical. Se a classificação for de C ou D, a avaliação terapêutica é paliativa, envolvendo quimioterapia, radioterapia e cirurgia. A quarta fase refere-se ao acompanhamento da evolução do paciente, controlando o nadir (ponto mais baixo) de PSA ao longo de 5, 10 e 15 anos: trimestralmente no primeiro ano (se não variar); semestralmente no segundo e terceiro anos (se não variar); e anualmente, depois disso.

 

 

Tipos de Tratamento

 por Estádios e Etapas

Com base na avaliação do estádio do cancro, é possível determinar o tratamento mais apropriado. Podemos dividir o cancro da próstata em quatro estádios: A, B, C e D, ou I, II, III e IV, em que os estádios A e I correspondem ao grupo de tumores localizados e de prognósticos mais favoráveis; e os grupos D ou IV seriam os relativos aos casos de cancro mais avançado e de prognóstico mais grave.

Assim, nos estádios A e B, que atingem os lóbulos, as opções de tratamento podem incluir a cirurgia ou radioterapia.

 

ETAPA I (Estádio A)

Nesta fase, o tumor está oculto, não sendo possível detectá-lo através do toque. O seu tratamento pode incluir observação cuidadosa sem necessidade de tratamento. Não provoca sintomas ou problemas. E/ou pode ter um crescimento lento. Pode também ser proposta radioterapia, cirurgia (prostatectomia radical) e radioterapia após a cirurgia. Por outro lado, são também usadas terapias radioactivas dentro ou à volta do tumor, assim como formas de radioterapia com novas técnicas de investigação. Existem outras provas clínicas.

 

ETAPA IIa (Estádio B)

Nesta etapa, o tumor apresenta dimensões muito diminutas, mas pode ser detectado visualmente ou através do toque. Implica observação cuidadosa sem tratamento, caso não cause sintomas e apresente um ritmo de crescimento lento. Por outro lado, pode implicar radioterapia, cirurgia (prostatectomia radical), com ou sem dissecção dos gânglios linfáticos pélvicos, e radioterapia após a cirurgia. Podem existir substâncias radioactivas dentro ou junto ao tumor, pelo que é importante realizar um ensaio clínico de radioterapia com novas técnicas, assim como outros ensaios clínicos, tais como a terapia hormonal seguida de prostatectomia.

 

ETAPAS IIb e IIc

(Estádio B)

Nesta etapa, o tumor está confinado à próstata e pode ser detectado visualmente ou através do toque. O seu tratamento envolve prostatectomia radical, com ou sem técnica preservadora dos nervos; com ou sem dissecção dos gânglios linfáticos pélvicos; e com ou sem radioterapia após a cirurgia. É possível que também implique radioterapia. Pode não se aplicar qualquer tratamento, apenas seguindo a situação de perto, se não apresentar sintomas ou outros problemas e o seu crescimento for lento. O tratamento pode envolver substâncias radioactivas colocadas dentro ou junto ao tumor, assim como ensaios clínicos com novas técnicas de radioterapia ou ensaios clínicos mediante criocirurgia. Outros ensaios clínicos, como terapia hormonal seguida de prostatectomia, podem ser equacionados.

 

ETAPA III (Estádio C)

O tumor localiza-se na camada exterior da próstata. Esta fase implica tratamento radioterapêutico, nomeadamente terapia hormonal e radioterapia. Exige, ainda, cirurgia (prostatectomia radical) e deve ser considerada a dissecção dos gânglios linfáticos pélvicos e/ou a radioterapia após a cirurgia. É essencial que se proceda a uma observação cuidadosa (sem necessidade de tratamento), se não houver sintomas ou o crescimento for lento.

De referir os tratamentos paliativos, que aliviam os sintomas do cancro (como as dores relacionadas com a micção, as dores ósseas, etc.). Neste caso, o paciente não pode ser submetido a cirurgia ou radioterapia radical. Pode, contudo, receber radioterapia paliativa, terapia hormonal ou uma cirurgia RTU (ressecção transuretral). Existirão substâncias radioactivas dentro ou à volta do tumor, pelo que serão usadas ainda outras provas clínicas e ensaios clínicos de criocirurgia.

 

ETAPA IV (D)

Neste estádio, o tumor atinge órgãos adjacentes e distanciados da próstata. O tratamento baseia-se em hormonas e/ou na castração. O paciente poderia receber um dos seguintes tratamentos: terapia hormonal, radioterapia e/ou cirurgia, de forma a aliviar os sintomas. Deve ser observado cuidadosamente se existe uma doença mais grave, se não se revelam sintomas e se o tumor apresentar crescimento lento. Pode haver lugar a uma orquiectomia, assim como a um ensaio clínico de quimioterapia sistémica.

 

Cancro de próstata

recorrente ou recidiva

O tratamento dependerá de vários factores, não só do tratamento recebido anteriormente. Assim, se o paciente se submeteu a prostatectomia e o cancro surge numa área pequena, pode receber radioterapia. Se o tumor se disseminou, deve usar-se terapia hormonal. É ainda comum a administração de radioterapia ou quimioterapia para aliviar sintomas como dor nos ossos ou outras. Pode, também, realizar-se um ensaio clínico de quimioterapia ou terapia biológica.

 

Resumo das Terapias

 Invasivas no Cancro

da Próstata

1.Prostatectomia Radical: efectuada nos estádios A e B, apresenta como principais complicações a incontinência urinária, em 32% ou mais dos pacientes; e a perda da função sexual (25 - 90%). No geral, não se realizam prostatectomias radicais em pacientes com mais de 70 anos.

Universidade Johns Hopkins, Memorial Sloan Kettering, Northwestern University

(Dr. Catalona), Cleveland Clinic, Mayo Clinic, etc.

2.A Criocirurgia ou Prostatectomia por Congelação

3.A Radioterapia, com uma gama de métodos de tratamento: a radioterapia externa, a braquiterapia e suas combinações, além das terapias hormonais usadas antes, durante ou depois da Radioterapia.

4.A Cirurgia Paliativa:

a.Orquiectomia, o método mais simples e eficaz de reduzir as hormonas androgénicas. Combinada com o tratamento anti-androgénico, esta cirurgia melhora substancialmente a qualidade de vida. A taxa média de sobrevivência após a orquiectomia é de 55% num período de 40 meses; e perto de 25% dos pacientes sobrevivem 5 anos ou mais.

b.TURP, ou Ressecção Transuretral da Próstata, é a extirpação ou abertura do canal uretral prostático para aliviar os transtornos da retenção urinária. Leva-se a cabo quando o paciente não pode ser submetido a prostatectomia radical devido à sua idade ou a outra enfermidade.

Prognóstico do Cancro

da Próstata Após a

terapia invasiva

Num total de 1819 pacientes submetidos a prostatectomia radical (746 casos), radioterapia externa (340 casos) e braquiterapia (732 casos), verificou-se, após 10 anos, que entre 80 a 90% dos pacientes sujeitos a prostatectomia radical se curaram, sendo que 65 a 85 % dos que experienciaram radioterapia externa também ficaram livres da doença no mesmo período de tempo. Após sete anos e sem associação terapêutica, os três métodos mostraram os mesmos resultados (Cleveland Clinic e Memorial Sloan Kettering).

A experiência e a capacidade do médico são muito mais importantes do que o método terapêutico que se utiliza.

Tratamentos

Hormonais do ADC P

 Avançado com

Metástases e Recidiva

ESTÁDIOS C e D

a) Análogos da LH-RH, hormona que controla a produção da LH. A administração de um análogo da LH-RH bloqueia a produção de testosterona nos testículos. O tratamento com Zoladex (Goserelin) produz, na primeira semana, um aumento brusco da testosterona, o que pode intensificar os sintomas.

b) Anti-andrógenos são substâncias que bloqueiam a acção da testosterona que ainda circula no sangue. Utilizam-se no bloqueio androgénico máximo (MAB): Androcur – ciproterona; Flutamida.

c) (MAB): Flutamida + Goserelin

d) Antagonista de LH-RH: pode ser utilizado em vez do análogo desta hormona (LH-RH), com algumas vantagens, como a não existência da elevação transitória da testosterona que acompanha o início da terapêutica com os análogos.

e) Estrogénios: a hormona feminina provou ser eficaz na neutralização dos efeitos da testosterona e retardar o crescimento do cancro da próstata.

f) Tratamentos Secundários: em caso de fracasso na terapêutica com hormonas, revelam-se importantes na produção de estrogénios.

g) Quimioterapia - os tratamentos normais do cancro melhoram os sintomas, mas não necessariamente a sobrevivência.

h) Corticosteróides, para reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida. Pode diminuir os níveis de PSA e elevar a sobrevivência.

i) Imunoterapia: explora o sistema imunológico para retardar ou interromper o crescimento maligno.

j) Outros Agentes

k) A terapia hormonal intermitente, que minimiza os efeitos colaterais da perda de testosterona e, ao mesmo tempo, maximiza o efeito terapêutico da terapia hormonal, tem demostrado benefícios em termos psicológicos.

Todas as terapias de privação androgénica aumentam o risco de osteoporose.

 

REFERÊNCIAS

Dr. Francisco Estévez Carrizo. 2000. MEDICINA GENERAL. 25: 568-572.

MUSÉ, Ignacio e SABINI, Graciela, Revista Médica del Uruguay. 2001; 17: 5.

Radiotherapy Clinics of Georgia

ProstRcision en RCOG

Teléfono Local: 404-320-1550

Línea Gratuita: 800-952-7687

Grupo de Competências em Patologia Prostática da SEMG. Revista Médica del Uruguay. 2001; 17: 10-16.

Wilson J.M.G., Jungner G.: Principles and practice of screening fordisease. Public Health Papers 34. Genebra. Organización Mundial de la Salud, 1968.

Consejo de Europa, Comité de Ministros: «On screening as a tool of preventive medicine», Recomendación nº R (94) 11, Estrasburgo, Consejo de Europa, 1994.

Centro internacional de investigación del cancro (International Agency for Research on Cancer). Bases de datos sobre a incidencia del cancer, EUCAN 1995 (dados extraídos a 13 de outubro de 1999).

 

Recomendações alimentares preventivas para o cancro da próstata

Algas: são depurativas, ricas em minerais e vitaminas e contêm fibra. Recomenda-se para ajudar a eliminar os efeitos secundários do tratamento com quimio e radioterapia pelos seus efeitos reforçativos do sistema imunitário.

Arroz integral: contém inibidores da protéase, que parecem atrasar o aparecimento do cancro o resveratrol. No farelo de arroz existem substâncias anti-cancerígenas que parecem proteger do cancro do cólon, da mama e da próstata.

Frutos secos: as nozes, avelãs, amêndoas e sementes de girassol: fonte de vitaminas B e E, assim como de minerais como o magnésio, manganésio, selénio e zinco. Com uma pequena quantidade garante-se um bom aporte de antioxidantes.

Soja: os alimentos que contêm isoflavonas inibem a produção de testosterona e retardam o crescimento do tumor.

As gorduras: é recomendável ingerir alimentos com baixo teor de gordura animal, na proporção de apenas 15% do total de calorias.

A ingestão abundante de tomate (pró-vitamina A) e seus derivados diminuiria em 35% os riscos de cancro da próstata, de acordo com a Universidade de Harvard.

— Vitamina E (800 mg ao dia).

— Selenium (200 µg ao dia), por recomendação do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova Iorque.

— Finasterida, substância anti-androgénica, ajuda na prevenção dos tumores malignos da próstata, segundo o National Cancer Institute, nos Estados Unidos.

Cartilagem de tubarão: as suas propriedades anti-angiogénicas ajudam a prevenir que os vasos sanguíneos alimentem os tumores, dificultando o seu crescimento.

A semente de abóbora (muteta) pode ter acção benéfica pelas suas propriedades anti-inflamatórias e descongestionantes da próstata.

O chá verde, assim como o preto, pode atrasar o crescimento das células cancerígenas, de acordo com o Experimental Biology 2004, da Sociedade Americana de Ciências Nutricionais.

O vinho tinto contém resveratrol, que diminui e/ou atrasa o aparecimento do crescimento do cancro. Os médicos recomendam que os homens se limitem a uma média de dois copos por dia.

 

 

 

 

 

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Como se fazem os campeões

Projecto "Futebol e Cidadania" já começou a dar frutos

 

Não é todos os dias que se vê um jovem de um bairro popular dos subúrbios de uma cidade de província, saído do nada, começar a treinar futebol e, em menos de três anos, consagrar-se como o segundo melhor marcador no campeonato nacional de juvenis.

Chama-se Nilson. Não tem apelido, como nos confessou. Tem 16 anos. Frequenta a  9ª classe. Vive no bairro do Cambiote, subúrbios do Huambo.  "Há três anos disseram-me que havia a possibilidade de treinar". E começou.  Com determinação. Todos os dias. Hoje é campeão! Foi o segundo melhor marcador no campeonato nacional de juvenis pelo Petro Atlético do Huambo. "Os meus colegas ficaram felizes", disse-nos.

 

Palestras

sobre ética

A história podia ficar por aqui. Mas não fica. O mais relevante é que, ao mesmo tempo em que joga à bola, frequenta palestras sobre ética, moral e saúde. "Aprendi a comportar-me, a respeitar os mais velhos e a prevenir-me do VIH/Sida", revelou-nos sem complexos.

Esta é uma história verídica. E só foi possível graças ao projecto "Futebol e Cidadania" dirigido à inclusão social de crianças e adolescentes, promovido pelo Petro Atlético do Huambo e patrocinado pela BP Angola. Segundo o seu mentor, José Muluzi, o projecto “Futebol e cidadania” objectiva, para além da ocupação dos tempos livres, motivar e inculcar nas mentes dos jovens valores de moralidade e comportamento de um verdadeiro cidadão e promover o desenvolvimento da sua consciência. E os resultados são animadores. “Em conversas que temos mantido com os seus pais e encarregados de educação, estes manifestam satisfação por notarem que, ao nível de comportamento em casa e relação com os amigos, os petizes melhoraram bastante: não dizem obscenidades, sabem relacionar-se com os outros e a importância de não deitarem lixo na rua, por exemplo”, garante.

 

Selecção nacional

e carreira internacional

"Quero jogar na selecção nacional e seguir uma carreira internacional", sublinha Nilson.  Nesta frase demonstra, porventura sem ainda saber, duas características dos campeões: querer ser um vencedor e acreditar em si próprio.

E, com os ensinamentos que recebe em simultâneo aos treinos, aprenderá certamente que na vida de um campeão sempre haverá algumas derrotas, assim como na vida de um perdedor sempre haverá vitórias. A diferença está em que, enquanto os campeões crescem nas derrotas, os perdedores acomodam-se com as vitórias.

 

 

 

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Com um objectivo informativo e educativo

BP organizou exposição tecnológica em Benguela

 

O governador de Benguela, Isaac dos Anjos, inaugurou a exposição tecnológica "Mundo BP - uma emocionante viagem ao mundo do petróleo e do gás", em 16 de Maio, na Mediateca da capital da província.

O objectivo do evento - que decorreu até ao dia 21 - foi o de mostrar à população as avançadas tecnologias usadas na pesquisa e extracção de petróleo, como se garante a segurança, a protecção ambiental, quais os recursos humanos necessários e, ainda, quais os projectos sociais em benefício das comunidades.

O evento antecedeu a consulta pública sobre o programa de perfuração exploratória do Bloco 24, na região costeira de Benguela, que se realizou no dia 21.

 

"Somos todos estudantes"

"Nesta viagem ao mundo do petróleo e do gás somos todos estudantes" afirmou o governador de Benguela, Isaac dos Anjos, no acto oficial de inauguração. "Eu próprio estou interessado em saber como operam em águas profundas para podermos esclarecer a população de Benguela em várias ocasiões", referiu. Agradeceu à BP esta iniciativa que considerou"louvável pois vai permitir um melhor conhecimento do que será o futuro".

Por sua vez, o Vice-presidente para área de Comunicação e Relações Externas da BP Angola, Paulo Pizarro, falando na cerimónia de abertura, fez uma breve caracterização da empresa a nível mundial, em Angola e descreveu sumariamente os conteúdos da exposição. "Consideramos importante que as pessoas saibam como funciona a indústria do petróleo, como é feita a sísmica, a prospecção, o desenvolvimento, a produção, a comercialização do petróleo e gás, as oportunidades que há para quadros e empresas angolanas e quais os benefícios para o país e suas comunidades".

De acordo com Paulo Pizarro "embora a maior parte da produção petrolífera esteja localizada na bacia do baixo Congo, as empresas operadoras estão já a iniciar os seus programas de prospecção nas bacias do Kwanza e de Benguela". Concretamente, a BP "vai iniciar o seu programa  prospecção no Bloco 24, com a Sonangol Pesquisa e Produção como parceiro, o qual  se situa em águas profundas de Benguela. Já fizemos o estudo de impacto ambiental, como manda a lei, e vamos fazer a consulta pública no dia 21", concluiu.

A exposição recebeu a visita de milhares de pessoas, em particular de jovens estudantes que foram guiados e elucidados por técnicos da BP presentes no local.

 

 

 

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Em 11 aldeias na hidroeléctrica de Laúca

Odebrecht combate a malária junto das comunidades

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a malária afecta 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Todos os anos, cerca de meio milhão de casos de malária são diagnosticados, matando entre um e três milhões de pessoas. A maior parte das vítimas é composta por crianças menores de 5 anos na África Subsaariana.

 

Em Angola, a malária é endémica nas 18 províncias do País e continua a  ser a primeira causa de morte. O maior índice de transmissão regista-se nas províncias do norte do país como Cabinda, Uíge, Malange, Cuanza Norte, Lunda Norte e Lunda Sul.

Segundo o Programa Nacional de Controlo da Malária, a doença representa cerca de 35% da demanda de cuidados curativos, 20% de internamentos hospitalares, 40% das mortes perinatais e 25% de mortalidade materna.

Para a prevenção desta doença, é necessário fazer o controlo do vector da malária, reduzindo tanto o numero, como a taxa da infecção parasitária do caso clínico, controlando o mosquito portador da malária e assim reduzindo e/ou interrompendo a transmissão da doença.

Nesta senda, o Projecto de Aproveitamento Hidroeléctrica de  Laúca, em parceria com as administrações municipais de Cambambe e Cacuso,  promoveu, de 23 a 25 de Maio,  uma campanha de prevenção contra a  malária.

 A campanha foi realizada em  11 aldeias que se encontram no entorno da obra. O evento serviu para sensibilizar as populações destas aldeias sobre a necessidade de se prevenir contra o mosquito usando repelentes, ou mosquiteiros impregnados, bem como a limpeza das áreas onde moram. Durante os três dias de campanha foram ao  terreno 15 técnicos e médicos providenciados pelos municípios de Cacuso e Cambambe e cerca de 52 voluntários, dos quais 40 da Odebrecht e 12 das empresas subcontratadas, nomeadamente da Epos, Intertec, Hulesi e  Angoreal.

As equipas apoiaram a  realização de palestras, distribuição de mosquiteiros impregnados, testes rápidos, vacinas em crianças de 0-10 anos de idade e em mulheres grávidas, consultas pediátricas e clínica geral.

 

Resultados

alcançados

 

No total foram realizados:

 

612 testes rápidos. Destes 168 foram positivos (27,4%) e 444 negativos (72,6%);

300 mosquiteiros

impregnados  distribuídos;

600 folhetos informativos, 700 camisolas

e 200 bonés;

273 crianças vacinadas (sarampo, febre amarela, BCG, pentavalente

e pneumo);

158 crianças de 0 - 10 anos de idades atendidos na consulta pediátrica :

 

Tipos de Patologias

Malária

71 casos

Parasitária intestinal

33 casos

Infecções respiratórias agudas

35 casos

Patologias inespecíficas

19 casos

Assistência medicamentosa foi feita de acordo com o tipo de patologia e os casos positivos de malária foram tratados com Coartem de acordo com a faixa etária do paciente.

 

 

 

 

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Intervir na Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção

 

“Todo o comportamento é comunicação! É impossível deixar de comunicar! (…) O silêncio, a recusa de prestar atenção ao outro, o cortar a palavra contém em si o valor de uma mensagem. Difícil se torna por vezes compreender a mensagem (…). Mais difícil ainda é descodificá-la num contexto relacional, que garanta a transmissão e a retransmissão desta mesma mensagem”. (Falardeau, 1999:8)

 

Ana Rita Alves

Docente de Educação Especial

e Formadora

 

No artigo anterior debruçamo-nos sobre o que é a PHDA e quais as suas principais características. Hoje reportamo-nos a várias formas de intervenção.

 

Tal como já referido, a PHDA é uma doença crónica não existindo cura ou tratamento eficaz: dietas sem açúcar, doses exageradas de vitaminas entre outras teorias semelhantes não passam de mitos.

Devido à heterogeneidade de crianças com comportamentos hiperactivos considera-se que a melhor das terapias é a multidisciplinar apesar de existir consensualidade ao se afirmar que o tratamento farmacológico bem como a terapia de comportamento costumam ser os mais eficazes.

 

Os tratamentos

mais frequentes

para a PHDA são:

1) Tratamento comportamental – assente em técnicas de mudança da conduta.

O objectivo das terapias comportamentais é o de reduzir a frequência de comportamentos inadequados e aumentar a frequência de comportamentos desejados.

As estratégias de modificação do comportamento habitualmente mais usadas têm por objectivo induzir respostas adequadas, isto é, aumentar probalidade de que um comportamento desejável se repita e diminuir a probalidade de aparecimento de comportamentos inadequados, levando-os à extinção.

Segundo Vásquez (1993, cit. in Bautista, 1997), é ainda recomendado que à criança seja facultado um ambiente de aprendizagem estruturado, treino de relaxação (que a ensine a controlar-se), actividades que desenvolvam o seu nível de atenção/concentração e jogos educativos.

2) Tratamento cognitivo-comportamental – baseado em técnicas cognitivas e comportamentais que ajudam a fomentar o auto-controlo. Pretendem fomentar uma maior interiorização das normas, maior planificação das tarefas e maior auto-controlo, sendo algumas delas: o treino de comportamentos sociais, o programa de auto-controlo de kendall, a aprendizagem e o treino da auto-aprendizagem de Meichembaum e a técnica da tartaruga de Schneider & Robin. Quando combinadas com o tratamento farmacológico têm mais sucesso (Bautista, 1997).

3) Tratamento farmacológico – baseado em psicofármacos.

A PHDA é caracterizada por um abrandamento da actividade do cérebro provocada pela dificuldade das células cerebrais segregarem um transmissor neural. Como tal, uma forma de tratar este distúrbio será actuar sobre as células cerebrais. É justamente por esta razão que se usam medicamentos que intervêm positivamente na atenção continuada e na persistência nas actividades, sendo os mais utilizados os estimulantes, os tranquilizantes e os antidepressivos (Bautista, 1997).

As crianças medicadas, na maior parte das vezes, ficam menos impulsivas, menos agressivas, fazem menos ruído, têm menos problemas de adaptação e menos atitudes destrutivas, por isso se percebe o porquê de cada vez mais se optar por esta alternativa.

No entanto, contrariamente ao que se possa pensar, a medicação não lhes aumenta a inteligência, “…mas sim a capacidade de aprendizagem e a capacidade de evocação e rememoração.” (Lopes, 2003: 241).

No que diz respeito a efeitos secundários, estes estão relacionados com as doses que cada criança toma, ou seja, quanto maior a dose maior a probabilidade de surgirem efeitos colaterais. Lopes (2003), aponta como alguns desses efeitos a diminuição do apetite, insónias, tiques nervosos e psicose temporária.

Importa salientar que nem todas as crianças hiperactivas têm de ser obrigatoriamente medicamentadas, devendo a prescrição medicamentosa ser realizada apenas quando a criança esteja em situação de fracasso escolar relativo ou de fracasso social.

Nesta mesma perspectiva Schweizer & Prekop (2005), apresentam formas de psicoterapia complementares, tais como:

- Terapia do apego – acompanhamento terapêutico com vista ao expressar de sentimentos de aversão pela criança, bem como, resolver conflitos de interacção familiar;

- Terapia familiar sistémica – acompanhamento terapêutico que procura resolver os problemas da criança partindo do pressuposto que estes têm origem no seio familiar (problemas de comunicação intra-familiar);

- Cinesiterapia – tratamento que procura melhorar a interligação entre o hemisfério direito e o hemisfério esquerdo;

- Terapia pelo jogo – assente na psicanálise e com uma perspectiva lúdica, a criança é envolvida no jogo colectivo para que desenvolva competências relativas à aquisição de regras/rotinas, desenvolva a área da socialização bem como a auto-estima;

- Musicoterapia – terapia que procurará desenvolver, através da música, dos seus elementos constituintes e da dança (expressão corporal), a percepção, a atenção e a concentração. Possibilita ainda à criança o desenvolvimento da capacidade de comunicação, auto-estima, criatividade, motricidade, coordenação motora, socialização e organização.

- Psicomotricidade – visa melhorar a habilidade motora, a organização do esquema corporal, o comportamento social e o desenvolvimento da personalidade.

 

Referência bibliográfica:

— Bautista, R. (1997). Necessidades Educativas Especiais. Lisboa: Dinalivro.

— Falardeau, G. (1999). As Crianças Hiperactivas. Mem Martins: CETOP.

— Lopes, J. (2003). A Hiperactividade. Coimbra: Quarteto.

— Schweizer, C. & Prekop, J. (2005). Crianças hiperactivas. Porto: Âmbar.

 

 

 

 

 

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Terapia da Fala e Ortodontia

A importância de um trabalho em conjunto

 

O principal objectivo do trabalho entre terapeutas da fala e ortodontistas é a resolução de problemas do sistema estomatognático, que engloba um conjunto de estruturas orais que desenvolvem funções comuns com a constante participação da mandíbula. Este sistema mostra-nos claramente a necessidade de um trabalho conjunto entre estes dois técnicos, pois dele fazem parte dois grupos de estruturas: as estáticas/passivas (dentes, maxila, mandíbula e ossos cranianos) e as dinâmicas/activas (músculos mastigatórios, supra e infra-hioideus, cervicais, faciais e linguais). Equilibradas e controladas, elas serão responsáveis pelo funcionamento harmonioso da face (Marchesan, 2005). As estruturas passivas serão responsáveis pela forma e as estruturas activas serão responsáveis pela função, sendo que existe uma relação constante entre forma e função. Para as relacionar, é necessário existir um conhecimento prévio do crescimento, desenvolvimento e relação entre as estruturas do sistema estomatognático, assim como da relação entre as diferentes estruturas e funções. É essencial, ainda, relacionar as características craniofaciais (oclusão, tipo de face) com o padrão muscular.

As funções do sistema estomatognático são comportamentos realizados a partir das estruturas que compõem este sistema. Assim, uma alteração nestas estruturas pode conduzir a alterações ao nível da deglutição, respiração, mastigação, fala e sucção.

 

Hábitos orais

deletérios/ nocivos:

 — sucção digital ( chuchar no dedo)

 — sucção labial

 — sucção  lingual

 —  uso prolongado de chupeta e/ou biberão

 — onicofagia (roer as unhas)

 — alimentação pastosa prolongada

 — bruxismo (hábito de ranger os dentes)

 — briquismo (hábito de apertar os dentes)

Estes hábitos poderão influenciar negativamente o desenvolvimento da face, a forma das arcadas dentárias e conduzir, igualmente, a alterações na fala, mastigação, deglutição e respiração.

Deste modo, é importante o trabalho conjunto entre ortodontista e terapeuta da fala nas alterações das funções do sistema estomatognático, na medida em que o ortodontista deverá ser o responsável pelo acompanhamento craniofacial e pelas alterações oclusais (sendo importante ter em conta as recidivas), enquanto o terapeuta da fala será o responsável pela terapia mio funcional, que permitirá a reeducação das estruturas oro-faciais (forma) e, consequentemente, das funções estomatognáticas (função).

 

Já ouviram falar

em recidivas

pós-tratamento

ortodôntico?

Já todos nós ouvimos comentários do tipo: “Afinal o aparelho não resultou”, ou “assim que retirei o aparelho voltou tudo ao mesmo”.

Nessa situação, o terapeuta da fala, em conjunto com a equipa médica, trabalha para resolver a maior parte dos problemas relacionados com o posicionamento de língua em repouso ou na fala, problemas de respiração oral, deglutição infantil ou atípica, alterações de mastigação e outros hábitos nocivos que actuam de forma oposta à do aparelho.

 O trabalho conjunto entre o ortodontista, o otorrinolaringologista e o terapeuta da fala é fundamental para que exista sucesso no tratamento ortodôntico.

Em tom de conclusão, pode referir-se que as funções trabalhadas na Terapia da Fala, como a respiração, a mastigação, a deglutição e a fala podem interferir com a arcada dentária. Em contrapartida, considera-se que as alterações estruturais da arcada dentária podem interferir no desempenho destas funções.

Tendo em conta tudo o que foi referido, torna-se fundamental uma relação entre dois especialistas de modo a subsistir um adequado equilíbrio entre forma e função, verificando-se resultados estéticos e funcionais harmónicos e estáveis.

 

 

 

 

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