MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Rui Moreira de Sá

Director Editorial

direccao@jornaldasaude.org

O FMI e a saúde

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) há várias décadas que exige dos governos a aplicação de políticas orçamentais restritivas como condição para prestar auxílio financeiro aos países. Basicamente, traduzem-se em cortes na despesa pública para que as receitas cubram os gastos do Estado.  Estas políticas nem sempre deram bons resultados ao longo da história, em especial nos sectores mais desprotegidos das sociedades onde foram aplicados.

Este mês, um relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) revelou que o aumento do desemprego e os cortes na saúde, consequências da crise, em 2008, teriam contribuído para um aumento da mortalidade por cancro, matando mais de 500 mil pessoas no mundo. "Associamos a recente crise económica a 260 mil mortes adicionais por cancro nos países da OCDE, entre 2008 e 2010, sendo 160 mil delas na União Europeia", afirma o trabalho, publicado na revista britânica "The Lancet". A nível mundial, “são mais de 500 mil mortes além do normal por cancro nesse período de dois anos", disse o médico Mahiben Maruthappu, do Imperial College de Londres, coordenador do estudo. “Verificou-se que o aumento das taxas de desemprego está directamente associado ao aumento da mortalidade por cancro, porque, devido às medidas de austeridade, programas de saúde pública e gastos pessoais com saúde foram cortados”, explicou o investigador.

O FMI vai começar no dia 1 de Junho as negociações com o governo com vista à implementação de um programa de assistência. O renomado economista Alves da Rocha, da Universidade Católica, já alertou e disse esperar "políticas e medidas de ajustamento em baixa das contas do Estado e das contas económicas da Nação", significando "agravamento da austeridade e retração do crescimento do PIB”.

Para além de cortes no orçamento da saúde – já por si insuficiente – um dos nossos receios – compartilhado aliás, também, pelo académico – é, por exemplo, a curto prazo, como é que o Governo vai justificar e defender a contratação anunciada de mais 2.146 trabalhadores para a saúde, entre médicos e enfermeiros – absolutamente vitais para dar resposta às gritantes necessidades de pessoal nos hospitais?

Alerta lançado, resta-nos apoiar o Executivo nas negociações que tem pela frente com o FMI e esperar que o sector da saúde não seja sacrificado.

 

Voltar

 

 

 

Na 69ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra

Ministro Sambo garante todos os esforços para pôr fim ao surto de febre amarela

 

O ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, sublinhou os esforços do governo angolano e seus parceiros no combate ao surto de febre amarela que assola o país, desde Dezembro de 2015.

 

O governante fez este pronunciamento quando intervinha no debate geral da 69ª Assembleia Mundial da Saúde, que decorreu este mês em Genebra, Suíça, sob o tema principal “Transformar o nosso mundo: agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável”.

Na ocasião, informou que o Governo criou um grupo de trabalho com a participação técnica de parceiros e desenvolveu um Plano Nacional de Resposta à Epidemia que inclui cinco componentes principais: vigilância da doença, vacinação, controlo integrado do vector, cuidados clínicos e mobilização social.

O ministro revelou que o governo, que considera o surto como prioridade, disponibilizou cerca de 70 milhões de dólares para cobrir os custos de vacinas de febre amarela, medicamentos essenciais e gastos operacionais.

Deu a conhecer que o executivo angolano decidiu vacinar toda a população, e que cerca de oito milhões de pessoas foram já vacinadas, registando-se neste momento uma tendência para o decréscimo do número de novos casos e de óbitos.

O responsável assegurou o empenho total do executivo angolano na garantia dos cuidados de saúde essenciais à população e nas medidas com vista a pôr termo a epidemia de febre amarela.

 

Escassez de vacinas

Entretanto, manifestou-se preocupado com a escassez de vacinas contra a febre amarela no mercado internacional, já que o stock existente não é suficiente para a demanda mundial. “Contamos com o empenho da OMS e da Aliança GAVI para o aumento da produção de vacinas”, sublinhou.

O ministro Luís Gomes Sambo agradeceu à missão da OMS integrada pela sua directora-geral, Margareth Chan, e a directora regional para África, Moeti, que se deslocou recentemente a Angola para assessorar o governo nas medidas de resposta à epidemia, conforme o JS noticiou.

Em relação à reforma da OMS, disse que aprecia o relatório apresentado, apesar dos níveis variáveis da implementação de cada uma das suas componentes.

“Entendemos que a componente de gestão foi comprometida pelo surto de ébola que afectou a África do Oeste, e que tem colocado sob pressão a estrutura e sistemas da OMS”.

A 69ª Assembleia Mundial da Saúde abordou temas variados, como a “Promoção da saúde através do curso da vida”, “Reforma da OMS”, “Doenças transmissíveis”, “Sistemas de Saúde”, “Programa de orçamento e questões financeiras”, e “Financiamento e programa de orçamento para 2016-2017".

Decorreram painéis subordinados aos temas “Fortalecimento dos sistemas de saúde através de sustentabilidade, preços acessíveis”, “Combater doenças cardiovasculares através de cuidados primários de saúde”, “Enfrentar o desafio global da segurança de medicamentos para melhorar a segurança e qualidade da assistência ao paciente”, entre outros.

A cerimónia de abertura da 69ª Assembleia Mundial da Saúde foi presidida pelo ministro da Saúde de Omã, Ahmed Al-Saidi, na presença da directora geral da OMS, Margareth Chan.

A delegação angolana integrou o representante permanente de Angola junto dos escritórios da ONU, em Genebra, embaixador Apolinário Correia, técnicos do Ministério da Saúde, da missão diplomática e entidades académicas.

 

Voltar

 

 

 

OMS lança parceria para eliminar doenças tropicais negligenciadas em África

 

O Projecto Especial Alargado para a Eliminação das Doenças Tropicais Negligenciadas (ESPEN, na sigla em inglês) foi anunciado pelo escritório da Organização Mundial de Saúde para a região africana, durante uma cerimónia à margem da Assembleia Mundial de Saúde, que decorreu em Genebra.

n O projecto visa ajudar os países do continente a combater as doenças tropicais negligenciadas (DTN), que afectam mil milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria das quais na região africana.

"O ESPEN garantirá que os programas nacionais de combate às DTN tenham a informação, o conhecimento e os recursos financeiros necessários para acelerar o combate a essas doenças", disse a directora da OMS para África, Matshidiso Moeti.

Segundo a OMS, as DTN constituem um obstáculo pesado e constante, principalmente para as comunidades mais pobres, marginalizadas e isoladas do mundo.

A África Subsaariana concentra 40% da incidência global de DTN e, embora possam ser evitadas e tratadas, estas doenças continuam a desfigurar e a incapacitar, destruindo vidas, impedindo as crianças de frequentarem a escola e mantendo as comunidades na pobreza, lamenta a OMS.

O ESPEN irá vigorar até 2020 e deverá prestar apoio técnico e de angariação de fundos aos países endémicos, na perspectiva de que estas doenças são facilmente controláveis, através da administração preventiva de medicamentos nas comunidades afectadas.

Um estudo da Universidade Erasmus, de Roterdão, estima que cumprir os objectivos definidos para 2020 no controlo das DTN permitiria poupar 52 mil milhões de dólares e evitar o equivalente a 100 milhões de anos potenciais de vida perdidos devido à doença, deficiência ou morte prematura na África Subsaariana.

Só em Angola, onde se estima que 12 milhões de pessoas estejam afectadas por pelo menos uma das doenças tropicais negligenciadas, cumprir as metas da OMS até 2020 permitiria poupar 2,8 mil milhões de dólares e 1,9 milhões de anos de vida até 2030.

Em comunicado, a OMS adianta que o projeto conta já com investimentos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), assim como do Kuwait Fund, do Departamento de Desenvolvimento Internacional (DFID) do Reino Unido, da Fundação Bill & Melinda Gates, do END Fund, do Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África, e outras instituições.

Juntas, estas instituições contribuíram com um valor total de 7,4 milhões de euros em financiamento, mas a OMS alerta que serão necessários maiores compromissos financeiros e políticos por parte dos governos africanos para garantir que essas cinco doenças sejam controladas e eliminadas.

 

Voltar

 

 

 

Milhares de angolanos são vítimas

Se for mordido por uma serpente venenosa o que é que faz?

 

Na 69ª Assembleia da OMS,  Angola ratifica e co-organiza evento para que a mordedura volte a fazer parte da lista das Doenças Tropicais Negligenciadas

 

Rui Moreira de Sá

Jornal da Saúde de Angola

rui.moreiradesa@jornaldasaude.org

 

Pois é…provavelmente nunca tinha pensado nisso antes. E repare que não são pequenas as probabilidades de estar tranquilamente a passear, ou a trabalhar, numa zona rural, atravessar-se no caminho de uma mamba negra, de uma bitis, ou de uma naja, e, de repente, sentir no pé, na perna, ou numa mão os dentes afiados de uma destas cobras perigosas, dores, e o veneno a subir pela corrente sanguínea, directo ao coração, com eventual redução da frequência cardíaca, insuficiência renal, vómito, diarreia e necrose no local da picada. Apesar do cenário epidemiológico das mordeduras de serpentes em Angola ser praticamente desconhecido,  aqui mesmo ao lado, na RDC, as estatísticas apontam para 120 a 450 mordeduras por 100 mil habitantes. Feitas as contas, do lado de cá da fronteira, como somos 25,8 milhões, temos entre 31 e 116 mil manos que, todos os anos, sofrem com estes acidentes ofídicos. Entre 1,4 e 5 % não resistem e morrem.

Felizmente, há quem no país pense nestas eventualidades, investigue no terreno, trabalhe e proponha soluções. Mais: levou o assunto à 69ª Assembleia Geral da OMS que se realizou este mês em Genebra, conforme relatamos na página 3, porque “apesar da relevância do problema, as mordeduras de serpentes têm recebido pouca atenção por parte das autoridades de saúde pública”.

Trata-se da professora Paula Regina Oliveira, actual decana da faculdade de medicina de Benguela e coordenadora dos estudos sobre serpentes realizados pelo Centro de Investigação e Informação de Medicamentos e Toxicologia (CIMETOX), em Malanje, que criou e desenvolveu .

Concretamente, esta académica que sai do gabinete e faz trabalho de campo, palmilhando centenas de quilómetros à cata de serpentes para lhes extrair o veneno e estudá-lo, advogou, em nome de Angola, ao lado de 19 outros países, no sentido das mordeduras de serpentes voltarem a fazer parte da lista das chamadas Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN). Integrou a equipa do Minsa que esteve em Genebra e ajudou a ratificar e a co-organizar o evento paralelo “An Integrated Global Initiative to Reduce Snakebite Death and Disability”. Um feito!

“Estou muito satisfeita em poder continuar a dar o meu contributo para o país, porque de nada nos vale fazermos estudos e desenvolver estratégias se não forem politicamente compreendidas e implementadas a nível governamental, pelo que esta ratificação junto da OMS se reveste de suma importância porque demonstra que as autoridades de saúde estão sensíveis e preocupadas, não obstante estarem neste momento focadas com a epidemia da febre amarela”, revelou ao JS.

Antivenenos específicos

“O único tratamento efectivo para os evenenamentos por mordeduras de serpentes é a administração do antiveneno específicos”, diz-nos Paula Oliveira. No entanto, como a sua disponibilidade depende de políticas de saúde pública, o continente africano viu-se a braços com  uma crise de abastecimento no início dos anos 90, acarretando um aumento da morbi-mortalidade por estes acidentes. Não há produção nacional de antivenenos na maioria dos países africanos, cujo acesso à terapia antiveneno somente é possível com a aquisição de produtos fabricados por laboratórios privados que, muita das vezes, nem o veneno das serpentes da flora angolana possuem na sua composição.

 

Estudo sobre tipos de venenos

Actualmente, o CIMETOX encontra-se a conduzir um estudo sobre os tipos de venenos e envenenamentos por serpentes em Angola, fruto de um convénio com o Instituto Butantan (Brasil) que foi iniciado com uma actividade de campo denominada expedição Ndala Lutangila (ver Jornal da Saúde, Abril 2015). Esta actividade de campo teve como objectivos, para além de captar serpentes vivas para a extraccção do referido veneno, pôr em prática uma estratégia para dimensionar a importância dos acidentes ofídicos e divulgar medidas de prevenção junto das populações vulneráveis.

De acordo com os resultados, das 258 pessoas entrevistadas, 151 referiram experiência própria. A faixa etária mais afectada foi a dos 20 aos 49 anos com 51,6%. Os segmentos corporais mais atingidos foram o pé, perna e mão. As serpentes mais frequentemente implicadas nesses acidentes foram as Dendroaspis polylepsis também designada por mamba negra, ou NDALA, com 28,5 % dos casos, seguido da Bitis arientans, com 23, 7%  e da Naja ssp com 20,55 %.

 

Doença da pobreza

As características que fazem com que as mordeduras de serpentes sejam consideradas DTN, e uma doença da pobreza, estão presentes em Angola, dado que o país está situado a oeste da África Subsariana, onde as estimativas da incidência de acidentes ofídicos são elevadas, a população rural, com escassos recursos, é a mais afectada, o acesso das vítimas aos serviços de saúde é limitado, não existem estratégias educativas de prevenção, não é uma doença de notificação obrigatória, não há fornecimento regular de antivenenos adequados ao país e os profissionais de saúde têm pouco conhecimento sobre toxicologia.

 

Cobras atacam a velocidades supersónicas

Uma cobra ataca as presas a uma velocidade tão rápida quanto 40 milissegundos. Investigadores esperam conseguir perceber o fenómeno para poderem usá-lo para benefício humano.

 

As cobras não são animais especialmente fortes e muitas espécies são pequenas e esguias. No entanto, são dos predadores mais mortíferos do mundo. Esta capacidade assassina deve-se não à sua força, mas sim à sua rapidez.

Segundo um estudo publicado em Março de 2016, a velocidade média do ataque de uma cobra é entre os 44 e os 70 milissegundos. Já o ser humano demora 200 milissegundos a pestanejar, o que quer dizer que enquanto uma pessoa pestaneja, uma cobra pode atacar até quatro vezes.

Uma cobra é tão rápida a atacar que, caso o ser humano se deslocasse a tal velocidade, desmaiaria, devido ao aumento da pressão sobre o seu corpo.

David Penning, um dos investigadores responsáveis pelo estudo, referiu numa entrevista à BBC que, na maior parte das vezes, quando atacadas por uma cascavel, as suas presas nem se apercebem que estão a ser atacadas, devido à rapidez do ataque.

Esta velocidade da cobra só é possível porque o réptil tem entre 10 mil e 15 mil músculos, mesmo as espécies mais pequenas. Os investigadores supõem que as cobras retraem estes músculos, até que se soltam, criando um movimento de mola.

 

O que há a fazer

Por forma a reverter a situação das mordeduras de serpentes em Angola, a equipa do CIMETOX propõe:

 

- Definição de políticas do Ministério da Saúde, e governamentais em geral, destinadas ao financiamento para o controlo e prevenção.

- Promoção, junto das populações, de campanhas educativas sobre as medidas de prevenção de acidentes.

- Financiamento e promoção de investigações sobre as serpentes venenosas e os acidentes ofídicos, com vista a determinar a incidência de acidentes, a morbidade e a mortalidade, identificar as espécies que os causam e produzir no país os soros específicos.

- Garantir que os soros importados tenham a composição necessária e sejam adquiridos, conservados e distribuídos de forma adequada.

- Garantir os meios para o tratamento nos locais (postos de saúde) mais próximos das áreas de habitação dos agricultores e pastores, que são as principais vítimas.

- Aprofundar conhecimentos sobre o manuseio e o tratamento das vítimas de mordeduras de serpentes entre os profissionais de saúde.

- Estabelecimento de protocolos para o tratamento de casos nas unidades de saúde.

 

Urgências Cimetox Tlm.: 943 002 006

 

 

Voltar

 

 

 

Zika: risco de microcefalia em fetos varia entre 1 e 13%

 

LEONARDO MUNOZ/EPA

Um feto infectado com o vírus Zika corre um risco de desenvolver microcefalia entre 1 e 13% durante o primeiro trimestre de gravidez, segundo um estudo publicado este mês na revista New England Journal of Medicine.

Os investigadores dos centros norte-americanos de controlo de doenças chegaram a esta estimativa criando um modelo matemático baseado em estatísticas de infeções por vírus Zika e de casos de microcefalia na Polinésia francesa, que sofreu um surto em 2013, bem como no estado da Baía, no Brasil.

O Brasil foi duramente atingido por uma epidemia de Zika, acompanhada de um aumento do número de casos de microcefalia.

Esta malformação congénita irreversível, habitualmente rara, traduz-se em bebés que nascem com o crânio anormalmente pequeno e apresentam um desenvolvimento cerebral incompleto. Normalmente, a microcefalia é rara, verificando-se em 0,02 a 0,12% dos nascimentos nos Estados Unidos.

A frequência de outras malformações de nascença mais habituais, como a trissomia 21, é inferior a 1%. Esta é a primeira estimativa de risco de microcefalia em fetos de mulheres que foram infetadas durante a atual epidemia.

 

Relação causa-efeito

Os investigadores dos centros de controlo de doenças e da Universidade de Harvard determinaram que há uma relação muito forte de causa-efeito entre uma infecção pelo vírus Zika durante o primeiro trimestre da gravidez e o risco de microcefalia no feto, que se torna irrelevante no segundo e terceiro trimestres de gestação.

O Brasil, onde o Zika é maioritariamente transmitido por mosquitos, é o país, até à data, mais afectado pelos casos de microcefalia, mas o cenário poderá repetir-se noutros locais.

“Se o risco de infeção pelo Zika nas mulheres grávidas e de microcefalia nos fetos que carregam é semelhante noutras zonas geográficas onde o vírus ainda não está propagado, podemos esperar muitos casos de microcefalia e outros efeitos cerebrais nefastos”, afirmam os autores do estudo.

No Brasil há registo de cerca de 3.600 grávidas infectadas pelo Zika desde janeiro. Desde o início da epidemia em 2015 contam-se mais de 1.400 casos de microcefalia e de outros problemas neurológicos confirmados

 

 

Voltar

 

 

 

Cientistas descobrem mecanismo celular na origem da infertilidade feminina

 

Uma equipa de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) descobriu, numa experiência com a mosca da fruta, o mecanismo numa estrutura das células que está na origem da infertilidade feminina. A estrutura chama-se centríolo e tem de ser eliminada no óvulo (célula feminina) durante a sua formação, para, quando este for fecundado, gerar um embrião.

Quando o óvulo não perde os seus próprios centríolos, ficando, no momento da fertilização, ao mesmo tempo, com os centríolos transportados pelos espermatozoides (células masculinas), a divisão celular faz-se anormalmente, o embrião não se desenvolve, a fêmea é infértil.

A perda de centríolos na formação do óvulo deve-se à perda do revestimento destas estruturas, que as protegem, porque falta uma proteína reguladora chamada polo. Quando essa proteína é reposta, o revestimento dos centríolos não desaparece e estas estruturas não são eliminadas. O mecanismo foi identificado na mosca da fruta, mas é visível em todos os animais, incluindo os seres humanos. As conclusões do estudo, liderado por Mónica Bettencourt-Dias, do IGC, são publicadas na revista Science.

 

Estruturas fundamentais

Os cientistas sabiam, desde a década de 30, que os centríolos são estruturas fundamentais para a multiplicação das células e que, para darem origem a um embrião, só podem ser herdadas dos machos. “A divisão celular tem de ter um número muito certinho de centríolos”, vincou à Lusa a investigadora Mónica Bettencourt-Dias, coordenadora do Laboratório de Regulação do Ciclo Celular.

Quando tal não acontece, e existem no óvulo centríolos da fêmea e do macho, e, portanto, um número incorreto de centríolos, o embrião não se desenvolve. Em situações normais, os centríolos desaparecem na formação do óvulo porque perdem o seu revestimento, devido à falta da proteína polo.

O grupo de Mónica Bettencourt-Dias descobriu que este revestimento (formado por proteínas) protege os centríolos, impede o desaparecimento destas estruturas. Ao repor o revestimento dos centríolos no óvulo, no momento errado, durante a sua formação, restituindo a proteína reguladora, os centríolos não desapareciam e as células não se multiplicavam.

Para a investigadora, o revestimento dos centríolos pode ser também importante para o estudo da regeneração celular e do cancro, uma vez que, “quando perdem os centríolos, as células estão bloqueadas, não podem proliferar”.

 

Voltar

 

 

 

Parasita da doença do sono vive nas células da gordura

 

Teresa Firmino

 

Equipa de investigadores localizou o principal esconderijo dos parasitas de doença que causa sonolência permanente. Se não for tratada, os doentes morrem. Também afecta o gado. Origina perdas económicas em países de África, entre os quais Angola.

 

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS) é uma das doenças tropicais negligenciadas que atingem populações pobres em África, na Ásia e na América latina e que dificilmente têm acesso a tratamentos e formas de prevenção. Esta de que falamos ocorre em vários países da África subsaariana, nomeadamente em Angola, onde há moscas tsé-tsé que transmitem o parasita que a provoca – oTrypanosoma brucei –, através de picadas. Põe em risco 65 milhões de pessoas. Pensava-se que o parasita da doença do sono, na infecção nos mamíferos (nós incluídos), usava como reservatórios principais o sangue e, mais tarde, o cérebro, onde origina sintomas neurológicos como um estado permanente de sonolência e apatia. Quase sempre os doentes sem tratamento entram em coma e morrem. Agora, uma equipa portuguesa descobriu que o reservatório principal do parasita é outro: o tecido adiposo, ou seja, vive entre as células da gordura.

 

As descobertas

A equipa coordenada por Luísa Figueiredo, do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa (IMM), fez este anúncio na última edição da revista Cell Host & Microbe. O artigo científico – que tem como autoras principais Sandra Trindade e Filipa Rijo Ferreira, também do IMM – relata duas descobertas em relação ao parasita da doença do sono, ou tripanossomíase humana africana, e que poderão traduzir-se em formas mais eficazes de combate a esta infecção.

Eis a primeira descoberta, nas palavras de Luísa Figueiredo: “Antes do nosso estudo, pensava-se que os parasitas da doença do sono se encontravam principalmente no sangue e alguns no cérebro. O que nós descobrimos é que há um tecido em que um enorme número de parasitas da doença do sono se esconde. É o tecido adiposo. A ‘enorme’ quantidade significa que há muitos mais parasitas no tecido adiposo do que no sangue.”

Assim, os espaços entre as células da gordura (adipócitos) são, afinal, o principal esconderijo dos parasitas. Estas são aquelas células que têm sacos de lípidos: quando engordamos, estes sacos são maiores do que quando somos magos. Se antes se pensava que o parasita existia em grande quantidade no sangue e em menos quantidade no cérebro, os novos resultados vêm alterar esta ideia. E podem explicar a enorme perda de peso que costuma estar associada a esta doença.

Assim, na primeira fase da infecção nos mamíferos, o parasita está no sangue e nas zonas entre as células da gordura mais ou menos simultâneo e, numa segunda fase, chega ao cérebro e a outros órgãos. “Mesmo na segunda fase, onde de facto os parasitas estão no cérebro, no coração e nos pulmões, há mais parasitas no tecido adiposo, seguido do sangue.”

Parasitas diferentes

O outro avanço: “A segunda descoberta é que os parasitas que se encontram no tecido adiposo são bastante diferentes dos do sangue”, explica Luísa Figueiredo. “Antes do nosso artigo, a comunidade científica pensava que parasitas no sangue e no cérebro eram iguais. Os nossos resultados mostram que os parasitas se adaptam aos tecidos, por isso é que os parasitas no tecido adiposo e no sangue são muito diferentes. O que nos pode levar a questionar se os parasitas do cérebro também serão diferentes. Isso é que ainda não sabemos.”

E que diferenças são essas? As experiências da equipa, em ratinhos, revelaram que os parasitas obtêm a energia de que necessitam de maneiras distintas, conforme os tecidos onde estão. Os parasitas do sangue obtêm-na apenas de açúcares, enquanto os que se alojam entre as células da gordura usam também os lípidos como fonte de energia. Para sobreviverem no sangue ou na gordura, há mudanças no programa genético. Têm activos genes distintos.

Diga-se ainda que, na molécula de ADN, os genes são instruções de fabrico de proteínas. Essas instruções são “lidas” e “traduzidas” por outra molécula – o ARN –, para que a maquinaria da célula possa fabricar essas proteínas com determinadas funções no organismo. “Quando há mais ARN de um gene, diz-se que esse gene está mais activo”, explica Luísa Figueiredo.

 

Análise do ARN

Foi precisamente através da análise do ARN que equipa conseguiu descobrir que os parasitas do sangue e da gordura eram diferentes. “Tivemos que arranjar uma estratégia que nos desse uma perspectiva global”, conta a investigadora. “Como as proteínas são o resultado da tradução de moléculas de ARN, então se mostrássemos que o padrão de moléculas de ARN era diferente poderíamos saber se as funções (e quais) eram diferentes.” Resultado: “Encontrámos 2000 genes cujo ARN está presente em quantidades diferentes nos parasitas do sangue e da gordura.”

Entre os 2000 genes, a equipa verificou que havia genes do metabolismo: “Nesta grande classe de genes, há os de uma via [bioquímica] específica, a beta-oxidação [de ácidos gordos]. Estando activa, os parasitas do tecido adiposo têm a capacidade de usar gordura como fonte de energia”, acrescenta a investigadora.

 

O mistério das recaídas

A existência de um reservatório do parasita desconhecido até ao momento poderá explicar, por exemplo, as recaídas de alguns doentes tratados no início da infecção e que, segundo as análises clínicas, já estavam livres dos parasitas no sangue. “Perante isto, médicos e cientistas questionavam-se: ‘Onde se escondem os parasitas que não foram eliminados pelo fármaco?’”, especifica por sua vez um comunicado de imprensa do IMM.

Segundo o site da OMS, há cinco fármacos para eliminar o parasita: dois usados na fase em que está no sangue (e causa sintomas pouco específicos, como dores de cabeça, febre, fraqueza, dores nas articulações) e três, que são mais tóxicos e difíceis de administrar, quando já está no cérebro (o sintoma mais característico são as alterações do sono, mas também há alterações de comportamento). “Não há números precisos da percentagem de pessoas em que o tratamento não é eficaz. Os poucos estudos que existem apontam para cerca de 5%, mas o verdadeiro valor pode ser muito diferente, dependente dos fármacos, do estádio da doença, etc.”, explica Luísa Figueiredo. “É importante relembrar que, se as pessoas não forem tratadas, morrem. A doença do sono é mortal, com algumas poucas excepções reportadas recentemente.”

 

Importância das descobertas

Quando se pergunta sobre a importância destas descobertas, a investigadora sublinha precisamente esse aspecto. “Há fármacos que não penetram facilmente no tecido adiposo. Esta pode ser uma das razões por que, por vezes, os tratamentos contra a doença do sono não são eficazes”, diz. “Os próprios parasitas que residem no tecido adiposo, por serem diferentes dos do sangue, podem ser resistentes ao tratamento. Isto pode, mais uma vez, contribuir para o tratamento não ser eficaz.” E acrescenta ainda: “Há um lado novo da biologia do parasita que era totalmente desconhecido e que precisa de ser estudado no futuro, se quisermos compreender a doença na sua totalidade e definirmos melhores métodos de diagnóstico e tratamento.”

Existem medicamentos capazes de eliminar o parasita do tecido adiposo? “Esses estudos ainda não foram feitos. É um dos próximos projectos que queremos desenvolver”, responde a investigadora, acrescentando que as descobertas da sua equipa ajudarão ao desenvolvimento de novos tratamentos. “Provavelmente, os fármacos devem conseguir entrar no tecido adiposo e pelo menos eliminar a maioria dos parasitas. O problema é se ficam lá ‘alguns’. Basta ‘poucos’ para poder voltar a causar doença.”

 

A situação em Angola

De acordo com o director-geral do Instituto de Combate e Controlo da Tripanossomíase de Angola, Josenando Teófilo, entre 2013 e 2014 foram examinadas 253.969 pessoas, das quais 165.907 em campanhas de prospecção activa, tendo sido diagnosticados 104 casos positivos.

De acordo com as estatísticas do Instituto, em 2013 foram diagnosticados 69 casos e em 2014 foram registados 35, enquanto que em 2015, até Setembro, já tinham sido notificadas 22 pessoas infectadas.

 

Voltar

 

 

 

Durante uma consulta médica.

O angolano gosta que o médico o cumprimente, atenda sem pressa, trate com respeito e explique a situação

 

Rui Moreira de Sá

Jornal da Saúde de Angola

rui.moreiradesa@jornaldasaude.org

 

O angolano considera que o mais importante numa consulta é o médico atendê-lo sem pressa, cumprimentá-lo / saudá-lo, tratá-lo com respeito, esforçar-se para lhe explicar bem a situação, zelando pela sua confidencialidade, aconselhá-lo sobre como evitar a doença e demonstrar competência técnica.

 

Estas são algumas das conclusões de um estudo que realizámos recentemente  com base em entrevistas efectuadas junto a uma amostra aleatória da população residente em diversos municípios de Luanda, com o objectivo de conhecer, na perspectiva do paciente, quais os aspectos mais importantes na interacção/comunicação com o médico durante uma consulta. O questionário continha 50 perguntas agrupadas em quatro dimensões: processo, ética, conteúdo e afectiva.

Os resultados revelaram ainda que as pessoas dão especial importância ao facto de o médico informar sobre os riscos, custos e benefícios dos exames complementares de diagnóstico e do tratamento, fazer perguntas sobre as suas queixas, mostrar interesse pelo seu problema, dar-lhe toda a informação a respeito, saber colocar-se “na sua situação”, dar suporte verbal e emocional, manter o contacto visual enquanto fala e dar uma explicação do que vai acontecendo durante o exame/observação.

 

Satisfação durante a última consulta

A investigação pretendeu também apurar o nível de satisfação durante a última consulta realizada, relativamente aos 50 aspectos em análise. Verificou-se que a dimensão ética foi a que gerou maior satisfação junto dos pacientes, designadamente nos pontos “Zelar pela confidencialidade da situação”, “Tratar com respeito” e “Ser conselheiro”.

Segundo concluímos, nenhuma dimensão na relação médico-doente se posicionou como ponto fraco. Porém, é necessário prestar alguma atenção à parte afectiva, pois a satisfação com esta encontra-se no limite para passar a ponto fraco.

O conteúdo é a dimensão que gera menos satisfação, contudo é também a que tem menos importância para os pacientes. Todavia, é necessário não descurar esta dimensão.

Em resumo, tendo em conta os aspectos que são percepcionados como os mais importantes para a comunicação entre médico e doente, verifica-se que a satisfação com os pontos relacionados com a dimensão afectiva e do conteúdo são os que mais necessitam de “atenção”.

 

Ensino médico

O estudo evidencia e chama a atenção para a necessidade de se conhecer as expectativas e necessidades do utente face à comunicação e informação na consulta médica, considerando as suas especificidades pessoais, de saúde e doença.

Sublinha também a pertinência do médico informar a população utente, consumidor dos serviços de saúde, valoriza o papel do paciente e reforça a sua importância como elemento fundamental dentro do sistema de saúde, na adequação e melhoria dos cuidados

Finalmente, chama a atenção para a necessidade de, na formação médica, reforçar as perícias comunicativas em benefício, não só do acto médico, como da humanização do processo e do bem-estar e satisfação do utente.

Em futuros estudos sobre este assunto, recomendamos que a amostra seja maior, tornando-a mais representativa da população.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Problema das válvulas cardíacas - O que é?

 

Adaptação científica:

Carolina Vaz Macedo

Validação científica:

António Vaz Carneiro

Harvard Medical School

 

 

O coração tem quatro válvulas: aórtica, mitral, tricúspide e pulmonar. Tal como as válvulas utilizadas na canalização doméstica, as válvulas cardíacas abrem para permitir que o líquido (sangue) seja bombeado para a frente e encerram para impedir o líquido de refluir para trás. As válvulas cardíacas humanas são constituídas por abas de tecido denominadas folhetos ou cúspides.

 

Os problemas das válvulas cardíacas incluem-se em duas categorias:

Estenose – A abertura da válvula é demasiado estreita, o que interfere com o fluxo de sangue para a frente.

Regurgitação (ou Insuficiência) – A válvula não se encerra adequadamente, apresentando uma fuga que pode causar um refluxo significativo de sangue.

Os problemas das válvulas cardíacas podem ser congénitos, o que significa que estão presentes aquando do nascimento, ou adquiridos depois do nascimento.

Um problema valvular cardíaco é classificado como congénito quando algum factor durante o desenvolvimento fetal leva a válvula a apresentar uma anomalia, o que ocorrem em cerca de um em cada 1.000 recém-nascidos. A maior parte destes bebés apresenta uma estenose da válvula pulmonar ou aórtica. Na maior parte das vezes não pode ser determinada uma causa específica, mas os investigadores consideram que muitos casos são causados por factores genéticos (hereditários).

Esta convicção deve-se ao facto de existir um risco consideravelmente elevado (2 a 6%) de anomalias valvulares nos pais e irmãos dos recém-nascidos afectados, em comparação com um risco global inferior a 1% na população em geral. Em 2 a 4% dos problemas valvulares cardíacos, o defeito cardíaco encontra-se relacionado com a saúde ou factores ambientais que afectaram a mãe durante a gravidez. Estes factores incluem diabetes, fenilcetonúria, rubéola, lúpus eritematoso sistémico e substâncias ou medicamentos ingeridos pela mãe (álcool, lítio, determinados medicamentos para as convulsões).

Tal como já foi referido um problema valvular cardíaco diz-se adquirido se ocorrer numa válvula que era estruturalmente normal na altura do nascimento. Algumas causas comuns de problemas valvulares cardíacos adquiridos incluem:

—Febre reumática, uma doença inflamatória que pode seguir-se a uma infecção bacteriana (estreptocócica) não tratada da faringe

—Endocardite, uma inflamação com infecção das válvulas cardíacas

—Estenose aórtica calcificada idiopática, um problema degenerativo observado nos idosos, no qual as cúspides da válvula aórtica se tornam espessadas, fundidas e infiltradas com cálcio

—Sífilis

—Hipertensão arterial

—Arteriosclerose

—Doenças do tecido conjuntivo, como a síndrome de Marfan

Os problemas valvulares cardíacos afectam cada válvula de uma forma ligeiramente diferente, pelo que faz sentido considerá-las em separado:

 

Válvula aórtica

A válvula aórtica abre para permitir que o sangue passe do ventrículo esquerdo para a aorta, o vaso sanguíneo de grandes dimensões que leva o sangue oxigenado do coração para o resto do corpo. As doenças desta válvula incluem:

Estenose aórtica congénita – Quando uma criança nasce com uma estenose aórtica congénita, o problema é quase sempre uma válvula aórtica bicúspide, o que significa que a válvula tem duas abas em vez das habituais três. Em cerca de 10% dos recém-nascidos afectados, a válvula aórtica é tão estreita que a criança desenvolve sintomas cardíacos graves no primeiro ano de vida. Nos restantes 90%, a estenose aórtica congénita é descoberta apenas quando é encontrado num sopro cardíaco no exame físico.

Estenose aórtica adquirida – Na idade adulta, a estenose aórtica é habitualmente causada por febre reumática ou por calcificação da válvula aórtica. Algumas investigações recentes sugerem que o mesmo processo que causa aterosclerose nas artérias do coração pode contribuir para o desenvolvimento de uma estenose aórtica. Esta doença é responsável por 25% dos problemas valvulares cardíacos nos adultos, sendo 80% dos doentes do sexo masculino.

Regurgitação aórtica – Na regurgitação aórtica, a válvula aórtica não encerra apropriadamente, permitindo que o sangue reflua para o ventrículo esquerdo, ou seja, volte para trás. Por um lado, esta doença diminui o fluxo de sangue oxigenado para a frente através da aorta e por outro acaba por levar a uma dilatação (distensão) do ventrículo devido ao fluxo retrógrado de sangue que nele entra. Nos adultos, cerca de dois terços dos casos de regurgitação aórtica são causados por febre reumática e 75% dos doentes são do sexo masculino.

 

Válvula mitral

A válvula mitral abre para permitir que o sangue passe da aurícula esquerda para o ventrículo esquerdo. As doenças desta válvula incluem:

Estenose mitral – A estenose mitral congénita é rara. O doente adulto típico é uma mulher cuja válvula mitral foi lesada por uma febre reumática.

Regurgitação mitral – Tal como na estenose mitral, a causa é frequentemente a febre reumática, mas o doente geralmente é um homem adulto. A regurgitação mitral pode igualmente resultar de ataques cardíacos ou de qualquer situação que altere o tamanho global e a configuração do ventrículo esquerdo.

Prolapso da válvula mitral – Nesta situação, os folhetos da válvula mitral não encerram apropriadamente. Trata-se de uma doença enigmática que afecta sobretudo mulheres entre os 14 e os 30 anos de idade. A causa subjacente é desconhecida e a maioria dos doentes nunca chega a ter sintomas.

 

Válvula pulmonar

A válvula pulmonar encontra-se localizada entre o ventrículo direito e a artéria pulmonar, permitindo que o sangue pobre em oxigénio flua do lado direito do coração para os pulmões para ser oxigenado. As doenças desta válvula incluem:

Estenose pulmonar congénita – Nos relativamente poucos recém-nascidos com uma estenose pulmonar congénita grave, a criança desenvolve insuficiência cardíaca ou cianose (uma coloração azulada dos lábios, das unhas e da pele) no primeiro mês de vida. Na maior parte dos casos, a válvula encontra-se deformada, com dois ou três folhetos parcialmente fundidos.

Problemas da válvula pulmonar no adulto – Nos adultos, a válvula pulmonar encontra-se mais frequentemente lesada devido a uma hipertensão pulmonar (uma pressão anormalmente elevada dentro dos vasos sanguíneos nos pulmões), geralmente relacionada com doença pulmonar obstrutiva crónica. As lesões secundárias à febre reumática e à endocardite são relativamente raras.

 

Válvula tricúspide

A válvula tricúspide permite o fluxo de sangue da aurícula direita para o ventrículo direito. As doenças desta válvula incluem:

Estenose tricúspide – Esta é geralmente causada por um episódio de febre reumática que habitualmente lesa em simultâneo a válvula mitral. A estenose tricúspide é relativamente rara na Europa e na America do Norte.

Regurgitação tricúspide – A regurgitação tricúspide ocorre tipicamente devido a hipertensão pulmonar, mas pode ser causada por insuficiência cardíaca, enfarte do miocárdio, endocardite ou traumatismo.

 

Sintomas

Muitas pessoas com problemas valvulares cardíacos ligeiros não têm quaisquer sintomas e a válvula anormal é descoberta apenas quando é auscultado um sopro cardíaco no exame físico. Nos problemas valvulares cardíacos mais graves, os sintomas variam ligeiramente dependendo de qual a válvula envolvida:

Problemas valvulares cardíacos congénitos – Um estreitamento acentuado da válvula pode causar um problema denominado cianose, no qual a pele fica azulada, e sintomas de insuficiência cardíaca.

Estenose aórtica – A estenose aórtica geralmente não causa sintomas até a abertura da válvula se estreitar para aproximadamente um terço do normal. Os sintomas incluem falta de ar durante o esforço (dispneia de esforço), uma dor no peito relacionada com o coração (angina de peito) e desmaios (síncopes).

Regurgitação aórtica – Um doente pode apresentar uma regurgitação aórtica significativa durante 10 a 15 anos sem que se desenvolvam sintomas significativos. Quando os sintomas começam, podem ocorrer palpitações, arritmias cardíacas, falta de ar durante o esforço, dificuldade em respirar quando o doente está deitado (ortopneia), falta de ar súbita e intensa a meio da noite (dispneia paroxística nocturna), sudação, angina e sintomas de insuficiência cardíaca.

Estenose mitral – Os sintomas incluem falta de ar com o esforço, falta de ar súbita e intensa a meio da noite (dispneia paroxística nocturna), arritmias cardíacas, especialmente fibrilhação auricular, e emissão de sangue com a tosse (hemoptises). Em alguns doentes, formam-se coágulos de sangue (trombos) na aurícula esquerda, que podem deslocar-se ao longo dos vasos sanguíneos e lesar o cérebro, o baço ou os rins.

Regurgitação mitral – Os sintomas incluem fadiga, falta de ar durante o esforço e dificuldade em respirar quando o doente está deitado.

Problemas da válvula pulmonar – Os sintomas incluem fadiga, desmaios e sintomas de insuficiência cardíaca.

Estenose tricúspide – Esta situação causa geralmente fadiga e sintomas de insuficiência cardíaca. Muitos doentes apresentam simultaneamente sintomas de estenose mitral.

Regurgitação mitral – Esta doença valvular causa principalmente sintomas de insuficiência cardíaca, em particular dificuldade respiratória.

 

Diagnóstico

Se tiver sintomas, o seu médico irá começar por avaliar o risco de problemas valvulares cardíacos e irá fazer-lhe perguntas sobre a sua história familiar de problemas cardíacos, a sua história pessoal de febre reumática, sífilis, hipertensão arterial, aterosclerose ou doenças do tecido conjuntivo e o seu risco de endocardite causado pela utilização de drogas endovenosas ou um procedimento médico ou dentário recente.

Se o doente for um bebé, o médico irá fazer perguntas sobre a saúde da mãe e os factores de risco ambientais durante a gravidez.

O médico pode suspeitar de que tem um problema valvular cardíaco com base nos seus sintomas específicos e na história clínica. Para apoiar o diagnóstico, o médico irá examiná-lo, prestando especial atenção ao coração, com avaliação do seu tamanho aparente (para verificar se está dilatado) e com utilização de um estetoscópio para procurar a existência de sopros cardíacos à auscultação.

Uma vez que alguns problemas valvulares cardíacos específicos produzem tipos próprios de sopros, pode frequentemente efectuar-se um diagnóstico provisório com base no som característico do sopro e na altura do ciclo cardíaco em que ocorre (ou seja, se quando o coração está a bombear ou se em repouso).

Para confirmar o diagnóstico de um problema numa válvula cardíaca e para avaliar os seus efeitos sobre o coração, o médico irá pedir exames diagnósticos que podem incluir um electrocardiograma (ECG), uma radiografia do tórax, análises de sangue para avaliar uma infecção nos doentes com uma suspeita de endocardite, um ecocardiograma, um ecocardiograma com Doppler e um cateterismo cardíaco.

Nas pessoas que não apresentam quaisquer sintomas, os exames diagnósticos podem tornar-se necessários depois de o médico descobrir um novo sopro cardíaco durante um exame físico de rotina.

 

Duração esperada

De um modo geral, os problemas nas válvulas cardíacas persistem ao longo da vida e podem agravar-se gradualmente com o tempo. Os causados por uma endocardite podem por vezes produzir sintomas graves e uma deterioração rápida dentro de alguns dias.

 

Prevenção

Não existe forma de prevenir a maioria dos problemas valvulares cardíacos congénitos. Nas grávidas devem ser programados regularmente cuidados pré-natais e deve ser evitado o consumo de álcool.

Pode prevenir muitas das anomalias valvulares cardíacas adquiridas ao prevenir a febre reumática, para o que, em caso de faringite estrepotocócica (infecção da garganta provocada por um tipo específico de bactéria), deve tomar os antibióticos exactamente conforme prescrição médica.

 

Tratamento

Se tiver um problema valvular cardíaco ligeiro sem quaisquer sintomas, o médico pode simplesmente monitorizar a sua situação. Os investigadores estão a estudar se as estatinas (medicamentos habitualmente usados para diminuição do colesterol em excesso) podem diminuir a progressão da estenose aórtica, mas ainda não existe qualquer evidência de que esta abordagem diminua a necessidade de cirurgia.

Se apresentar sintomas moderados a graves, o tratamento será determinado pela gravidade dos sintomas e pelos resultados dos exames diagnósticos. Embora o médico possa dar-lhe medicamentos para tratar temporariamente sintomas como angina de peito, arritmias cardíacas e insuficiência cardíaca, pode eventualmente ser necessário recorrer a uma reparação ou substituição da válvula anormal. Tal pode ser efectuado de diversas formas diferentes:

Valvuloplastia percutânea com balão (para estenose) – Neste procedimento, é introduzido através da válvula cardíaca estreitada um pequeno cateter com um balão na ponta, que é então insuflado e puxado para trás através da válvula para a alargar.

Valvulotomia utilizando a cirurgia tradicional (para a estenose) – Neste procedimento, o cirurgião abre o coração e separa os folhetos da válvula que se encontram fundidos.

Substituição valvular – As válvulas cardíacas defeituosas podem ser substituídas por uma válvula mecânica, feita de plástico ou Dacron, ou por uma válvula biológica feita de tecido retirado de porco, vaca ou de um dador humano falecido. Depois da cirurgia, os doentes com válvulas mecânicas devem tomar medicamentos anticoagulantes para prevenir a formação de coágulos de sangue.

 

Quando contactar um profissional

Contacte o seu médico imediatamente se começar a sentir quaisquer sintomas que possam estar relacionados com um problema cardíaco, especialmente falta de ar, dor no peito, batimentos cardíacos rápidos ou irregulares ou desmaios.

Se lhe tiver sido diagnosticado um problema numa válvula cardíaca, pergunte ao seu médico se faz parte dos grupos actualmente considerados de risco para endocardite. Em caso afirmativo, irá necessitar de tomar antibióticos antes de ser submetido a determinados procedimentos médicos ou dentários nos quais as bactérias podem entrar no sangue e infectar a válvula anormal.

 

Prognóstico

Nos doentes que são submetidos a tratamentos cirúrgicos para problemas valvulares cardíacos, o prognóstico é bom. Por exemplo, pelo menos 77% das crianças com mais de um ano de idade com uma estenose aórtica congénita vivem durante pelo menos 20 anos após uma valvulotomia. Nos adultos, 80 a 85% dos doentes sobrevivem durante pelo menos cinco anos depois de uma substituição da válvula aórtica e 60% dos doentes vivem durante pelo menos 10 anos depois de uma reparação ou substituição da válvula mitral.

Voltar

 

 

 

Grupo farmacêutico Roche lança teste para anticoagulantes ligados por Bluetooth

 

O grupo farmacêutico suíço Roche anunciou o lançamento de um teste para auto-medição ligado à tecnologia Bluetooth, para facilitar o tratamento ao domicílio de pacientes que tomam anticoagulantes.

 

O sistema, de nome CoaguChek INRange, permite aos pacientes que têm de tomar os anticoagulantes, participar nos testes através de uma simples picada no dedo, indicou, em comunicado, o grupo sediado em Basileia, na Suíça, e presente em Angola.

O teste, com duração de 60 segundos, permite aos seus pacientes, que frequentemente fazem medições, continuar as suas actividades quotidianas normais mantendo em simultâneo a ligação com os profissionais de saúde, via Bluetooth.

Estes testes de auto-medição permitem, por outro lado, aos clínicos, acederem quase em tempo real aos dados dos pacientes e gerirem melhor os tratamentos, tudo isto com redução dos preços de custo.

 

 

Voltar

 

 

 

Como funciona a tiroide?

 

Cláudia Pinto

 

Apesar da grande prevalência de doenças desta glândula, ainda surgem muitas dúvidas sobre este tema. As patologias associadas afectam milhares de angolanos.

 

As doenças da tiroide atingem, em todo o mundo, mais de 300 milhões de pessoas. Números preocupantes, sobretudo se pensarmos que existem poucos endocrinologistas em Angola (apenas 170 em Portugal) e que, apesar das doenças da tiroide serem muito frequentes, são pouco conhecidas e valorizadas. Além disso, muitas pessoas não sabem o que é a tiroide nem reconhecem a sua função no organismo. Comecemos então pelo início.

 

O que é a tiroide?

Sabe o que é a tiroide? Sabia que é uma glândula em forma de borboleta localizada na base do pescoço, à frente da traqueia e abaixo da maçã de adão. Pois é, é aqui que tudo começa. Quando a tiroide aumenta excessivamente a sua produção, estamos perante uma situação de hipertiroidismo, que pode manifestar-se por mais batimentos cardíacos, tremores, transpiração abundante, mais calor, cansaço marcado, emagrecimento e maior número de dejecções.

Por outro lado, sintomas como cansaço, lentificação global, obstipação, rouquidão, pele seca, cabelo quebradiço, podem relacionar-se com a diminuição da produção de hormonas tiroideias, constituindo o quadro de hipotiroidismo. De acordo com a endocrinologista, Isabel Torres, são as mulheres as mais afetadas pelas perturbações do funcionamento da tiroide.

 

Para que serve?

A tiroide controla o metabolismo através da produção de duas hormonas, a triodotironina (também conhecida como T3) e a tiroxina (também conhecida como T4). A T4 tem apenas um efeito ligeiro na aceleração da velocidade dos processos metabólicos do corpo e converte-se no fígado e em outros órgãos numa forma metabolicamente mais activa, a T3. As hormonas tiroideias são essenciais para o funcionamento adequado de todos os tecidos e órgãos.

Estas permitem ao organismo utilizar as suas reservas de energia de modo eficiente, mantendo- o quente e assegurando um bom funcionamento dos músculos. Quando a produção de T3 e T4 pela tiroide diminui (hipotiroidismo), a produção de TSH (hormona estimuladora da tiróide) pela hipófise (glândula localizada na base do cérebro) aumenta.

Pelo contrário, se a tiroide produz hormonas em excesso (hipertiroidismo), a produção de TSH pela hipófise diminui. É deste modo que o organismo tenta regular o funcionamento da tiróide, mantendo os níveis de hormonas tiroideias no sangue dentro dos valores normais.

 

Como se diagnostica?

É importante valorizar devidamente a tiroide pois são muitas as doenças que lhe estão associadas. Felizmente, «são fáceis diagnosticar e de tratar», de acordo com o Jácome de Castro, diretor do Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Hospital Militar Principal, em Portugal, «porque os endocrinologistas têm uma grande capacidade de intervenção», justifica.

Para tal, em primeiro lugar, há que «falar com os doentes para conseguirmos perceber do que se queixam», defende o especialista. Posteriormente, deve-se desmistificar o mito de que são necessários muitos exames para a realização de um diagnóstico correcto. «Temos de agir com parcimónia. Para alguns doentes, a prescrição de uma ecografia é útil mas não valerá a pena solicitar muitos mais exames de imagem», diz-nos.

 

As principais doenças da tiroide

Há dois grandes grupos de doenças da tiroide. Aquele em que a tiroide funciona mal (demais no caso do hipertiroidismo ou de menos no caso do hipotiroidismo) e aquele em que a tiroide cresce de forma desordenada com possibilidade de surgirem nódulos. «Uma análise ao sangue permite avaliar a quantidade de hormonas produzidas pela tiroide, auxiliando o médico no diagnóstico e na definição do melhor tratamento a seguir», explica a especialista.

 

Estas são as principais doenças da tiroide:Hipotiroidismo

É uma doença frequentemente autoimune em que as hormonas da tiroide estão em quantidade insuficiente em circulação e comprometem o normal funcionamento do organismo. «Este começa a produzir algumas substâncias intituladas de anti-corpos que inibem o seu funcionamento. Estima-se que 1% a 2% da população sofra de hipotiroidismo», afirma Jácome de Castro. A lista de sintomas inclui um aumento da sensibilidade ao frio, fadiga, cansaço e queixas neurológicas.

Mas não se fica por aqui, podendo gerar um estado depressivo, prisão de ventre, alterações musculares, formigueiros, aumento de peso, alterações menstruais e/ou diminuição da frequência cardíaca, entre outros. Geralmente, o diagnóstico é confirmado através de um simples exame de sangue. Os valores que ajudam no diagnóstico do hipotiroidismo são a dosagem de TSH e a dosagem de T4 (tiroxina).

O diagnóstico de hipotiroidismo é confirmado quando o paciente apresenta TSH elevado e T4 baixo. «É muito gratificante tratar estes doentes porque conseguimos assegurar-lhes uma melhor qualidade de vida. Para isso, precisamos de diagnosticar, tratar e acompanhar os doentes, com a medicina geral e familiar», defende Jácome de Castro. O tratamento passa pela substituição das hormonas tiroideias.

«Com um bom tratamento, os doentes deverão ser capazes de ter uma vida normal», afirma o endocrinologista do Grupo de Estudos da Tiróide. Quando não tratado, o hipotiroidismo, não só diminui a qualidade de vida, como pode ter sérias complicações, entre as quais um ritmo cardíaco tão baixo que pode levar ao coma, alterações da tensão arterial e dos níveis de colesterol, que podem resultar em doenças cardíacas, infertilidade e doença de Alzheimer.

 

Hipertiroidismo

É uma perturbação causada pelo excesso de hormonas tiroideias no sangue. Ocorre quando a glândula tiroide se encontra hiperactiva. Esta patologia pode adoptar diversas formas que incluem a doença de Graves e o bócio tóxico nodular. Os principais sintomas são o nervosismo, insónias, ansiedade, irritabilidade, o aumento da frequência cardíaca, perda de peso, o aumento de apetite e/ou a intolerância ao calor.

A doença pode ser detectada com um simples teste de sangue para pesquisar os níveis de TSH. Apesar do tratamento ser eficaz, muitos pacientes ainda não estão diagnosticados e continuam a sofrer enquanto os seus sintomas estão a ser confundidos com outros quadros sintomatológicos, podendo passar anos com diagnósticos completamente errados, o que provoca um aumento da gravidade do problema.

Não existe um tratamento igual para todos os doentes com hipertiroidismo. A terapêutica, normalmente, é escolhida em função do tipo e severidade da patologia, da idade e das outras possíveis patologias do paciente. No caso do hipertiroidismo durante a gravidez, «exige uma vigilância muito mais apertada», conclui Jácome de Castro.

 

Dos nódulos ao cancro da tiroide

«Os nódulos com menos de um centímetro não têm significado clínico. A partir desse limite, os doentes devem ser referenciados ao endocrinologista e vigiados regularmente pelos clínicos gerais», indica o especialista. O cancro da tiroide apresenta-se, na maior parte das vezes, sob a forma de um nódulo. Ocasionalmente, sob a forma de gânglio linfático cervical aumentado, rouquidão, dificuldade em engolir ou respirar.

Em 90% dos casos, este tipo de cancro tem um bom prognóstico, pois a cirurgia é, na maior parte das vezes, curativa, não causa dor nem incapacidade e o tratamento de radiação é, geralmente, eficaz. O carcinoma da tiroide é mais frequente em pessoas que receberam tratamento de radiação na cabeça, no pescoço ou no peito. «A esmagadora maioria dos nódulos não são malignos e os que o são podem ser tratáveis na generalidade dos casos», conclui Jácome de Castro.

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

BP Angola. Projectos de investimento social visam capacitar as populações e instituições locais

 

Empresa promove o empreendedorismo para diversificar a economia e diminuir a dependência do petróleo

 

Rui Moreira de Sá

rui.moreiradesa@jornaldasaude.org

 

“A BP Angola, em conjunto como os seus parceiros, apoiam projectos que contribuem para o desenvolvimento e a redução da pobreza e abrangem iniciativas práticas, como melhoria do acesso a serviços básicos (tais como escolas, centros sociais ou hospitais) e ajuda às pessoas na sua vida privada – através do apoio aos menos aptos ou da prestação de serviços de reabilitação”, lê-se no relatório de sustentabilidade da BP Angola que será apresentado no próximo dia 16 de Junho, em Luanda.

 A petrolífera financia uma série de projectos que visam melhorar a saúde comunitária, reforçar a importância da segurança ocupacional e proteger o ambiente natural. Na área da saúde incluíram, em 2015, a remodelação de hospitais e instalações de cuidados de saúde, a realização de exames médicos e consultas em comunidades rurais e o apoio à melhoria de infraestruturas que resultaram no acesso a água potável.

 

Como avaliar o impacto do projecto social

De acordo com o Vice-Presidente para área de Comunicação e Relações Externas da BP Angola, Paulo Pizarro, “começamos por estabelecer cuidadosamente os nossos projectos, assegurando que contêm objectivos claramente definidos. Trabalhamos com parceiros implementadores e outras organizações no desenvolvimento de um projecto, a fim de garantir que este é correctamente direccionado, possui objectivos precisos e realizáveis e tem possibilidades de continuar depois de o nosso apoio terminar”.

Segundo o responsável, “quando um projecto está a decorrer, mantemos contactos regulares com o parceiro de implementação − uma ONG, por exemplo − para saber qual é a situação e recebemos também relatórios de progressos regulares do nosso parceiro.  Após a sua conclusão, certificamo-nos de que a iniciativa é avaliada – o que pode incluir uma avaliação objectiva independente, envolvendo a recolha de informação directamente junto das pessoas afectadas pelo mesmo”, conclui.

O quadro ao lado resume os projectos empreendidos desde 2007, que ainda se encontravam activos em 2015, e destaca novas iniciativas que tiveram início em 2015.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Para combater o tabagismo.OMS advoga uso de embalagens simples, todas iguais, sem marca, nem cor

 

- A Austrália já implementou a medida: taxa de fumo diária diminuiu, em três anos, entre 12,8 e 15,1%

- Em África morrem anualmente 146 mil pessoas por doenças devido ao tabaco

 

O tema deste ano do Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado a 31 de Maio, é “Preparar o uso de embalagens simples”. Embalagem simples significa que todos os maços de cigarros tenham uma cor e apresentação normalizadas, e contenham apenas o nome do produto. Isto é, não tenham os logotipos das marcas, nem cores, nem qualquer informação promocional nas embalagens dos produtos do tabaco.

 

A embalagem simples reduz igualmente o grau de atractividade dos produtos do tabaco e elimina o uso das embalagens como forma de publicidade e promoção do tabaco. Além disso, limita o uso de embalagens e rótulos enganadores e aumenta a eficácia das advertências a favor da saúde.

A Austrália foi o primeiro país a implementar integralmente as embalagens simples, em 2012. O país revelou que a taxa de fumo diária diminuiu entre 15,1% a 12,8%, entre 2010 e 2013.

 

Mensagem da OMS

Pela sua importância, reproduzimos, a seguir, a mensagem integral da directora regional para África da OMS, Matshido Moeti.

“Todos os anos, no dia 31 de Maio, comemoramos o Dia Mundial Sem Tabaco, com o objectivo de realçar os perigos associados ao uso do tabaco e à exposição ao respectivo fumo. Neste dia, também renovamos a nossa advocacia em prol de políticas eficazes para travar a epidemia do tabaco. A razão é que o tabaco continua a ser o único produto de consumo legal que mata, quando é usado como os fabricantes pretendem.

Todos os anos, em todo o mundo, morrem mais de cinco milhões de pessoas por usarem produtos do tabaco. Por outro lado, a nível mundial, morrem mais 600 mil pessoas que não são fumadoras, por exposição ao tabagismo passivo. Na Região Africana, morrem, todos os anos, aproximadamente 146 mil adultos, com 30 ou mais anos de idade, por doenças relacionadas com o tabaco. Isso faz do tabaco um dos principais factores de risco evitáveis de doenças não transmissíveis, tais como as doenças cardiovasculares, o cancro, doenças pulmonares crónicas e diabetes.

O tema deste ano do Dia Mundial Sem Tabaco é “Preparar o uso de embalagens simples”. Embalagem simples de produtos do tabaco refere-se a medidas que exigem que as embalagens de todos os produtos do tabaco tenham cor e apresentação normalizadas, e contenham apenas o nome do produto. A embalagem simples restringe ou proíbe o uso de logos, cores, imagens de marca e informação promocional nas embalagens dos produtos do tabaco.

A embalagem simples reduz igualmente o grau de atractividade dos produtos do tabaco e elimina o uso das embalagens como forma de publicidade e promoção do tabaco. Além disso, limita o uso de embalagens e rótulos enganadores e aumenta a eficácia das advertências a favor da saúde. Trata-se de uma medida baseada em evidências que protege a saúde pública, pode salvar muitas vidas e deve ser usada em combinação com outros métodos, como parte de uma abordagem multissectorial abrangente da luta contra o tabaco.

A Austrália foi o primeiro país a implementar integralmente as embalagens simples, em 2012. A lei australiana exige que os produtos do tabaco sejam vendidos com grandes imagens gráficas de doenças relacionadas com o tabaco; as embalagens podem conter o nome das marcas mas não logótipos. Desde então, a Irlanda o Reino Unido e a França aprovaram leis semelhantes sobre a implementação de embalagens simples e muitos outros países estão a considerar formalmente adoptar legislação a esse respeito.

A experiência da Austrália revela que esta medida está a ter bons resultados, ajudando os fumadores a compreender que todas as marcas de tabaco são prejudiciais. O país revelou que a taxa de fumo diária diminuiu entre 15,1% a 12,8%, entre 2010 e 2013. Até ao momento, nenhum país da Região Africana adoptou legislação sobre embalagens simples.

 

Impacto semelhante

Estamos certos de que, quando os países da nossa Região adoptarem esta medida, o impacto será semelhante.

Ao comemorarmos o Dia Mundial Sem Tabaco de 2016, exorto os Estados-Membros a priorizarem medidas que imponham o uso de embalagens simples. A adopção de uma abordagem multissectorial na luta contra o tabaco é fundamental. Os países deverão adoptar políticas que incluam advertências pictóricas nas embalagens e nos rótulos. Devem considerar a proibição total da publicidade ao tabaco, bem como da sua promoção e patrocínio, no cumprimento das suas obrigações para com a Convenção-Quadro da Luta Antitabágica da OMS.

Exorto igualmente as pessoas, as famílias e as organizações da sociedade civil a juntarem-se a nós para assinalar o Dia Mundial Sem Tabaco, no sentido de sensibilizarmos o público para os benefícios das embalagens simples para a saúde pública.

Trabalhemos em conjunto, para promover e implementar as embalagens simples dos produtos do tabaco, de modo a que possamos diminuir as doenças relacionadas com o tabaco e as mortes prematuras. Preparemo-nos todos, porque é este o momento próprio para a adopção das embalagens simples!”

 

OMS considera baixa prevalência de fumadores em Angola

 

A prevalência de fumadores em Angola é baixa, mas ainda assim deve ser implementada lei que regula o consumo do tabaco, de acordo com o oficial de Informação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Promoção da Saúde, José Caetano, citado pela Angop.

 

 

Parar de fumar em 10 passos

 

  1. Marque um dia concreto para deixar de fumar (no prazo máximo de 15 dias).
  2. Até chegar o dia fixado, faça alguma preparação: enumere as razões que o levam a deixar de fumar e treine pequenos períodos de abstinência.
  3. 3Aprenda a conhecer-se enquanto fumador: identifique os momentos e o número de cigarros que fuma e procure avaliar quais são os cigarros que fuma apenas por “tédio”.
  4. Comunique a decisão às pessoas mais próximas para se sentir mais apoiado.
  5. Durante alguns dias (ou mesmo semanas), pode sentir-se ansioso, inquieto e irritado. Pode também sentir dificuldades em dormir e concentrar-se. Lembre-se que são sintomas passageiros e que já muitas pessoas os ultrapassaram. Você também vai conseguir.
  6. Tenha sempre presentes as razões que o levaram a deixar de fumar.
  7. Faça uma alimentação saudável, para evitar o aumento de peso.
  8. Evite locais com fumadores e afaste objectos que lhe lembrem o tabaco – ex. cinzeiros e isqueiros.
  9. Pratique actividade física, pois ajuda a controlar a ansiedade e permite-lhe estar em boa forma.
  10. Não desista: se tiver uma recaída, fixe uma nova data e recomece a tentar.

 

As substâncias tóxicas de um cigarro

 

Um cigarro contém cerca de 4.000 substâncias com efeitos tóxicos e irritantes, 70 das quais mencionadas como cancerígenos.

 

Alguns exemplos:

 

- Nicotina, responsável pela redução da irrigação sanguínea nos tecidos e no sistema nervoso central;

- Substâncias radioactivas (como Polónio 210 e Carbono 14);

- Metais pesados (como o chumbo e o cádmio) que se concentram no fígado, rins e pulmões;

- Monóxido de carbono que assume o lugar do oxigénio conduzindo à intoxicação do organismo;

- Alcatrão (altamente cancerígeno).

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

7 erros masculinos que também afectam a saúde feminina

 

Leonor Macedo com Nuno Monteiro Pereira (urologista)

e Maria Antónia Frasquilho (psiquiatra)

 

Existem hábitos e comportamentos típicos dos homens que prejudicam o bem-estar deles e o seu. Saiba quais são os que mais irritam as mulheres e veja como os contrariar.

 

Quando os nossos antepassados viviam nas cavernas, a sobrevivência da espécie dependia de uma especialização de tarefas entre os géneros. Os homens caçavam em grupo e as mulheres recolhiam alimentos nas imediações e cuidavam da prole. Pode ter sido esta estrita divisão de ocupações que condicionou algumas diferenças biológicas entre homens e mulheres... Eles têm força corporal para competir com outros, elas usam a linguagem para alcançar objetivos, argumentar e persuadir.

O urologista Nuno Monteiro Pereira indica alguns comportamentos masculinos atuais que afectam a saúde deles e a nossa, enquanto que a psiquiatra Maria Antónia Frasquilho sugere estratégias que podem ajudar. Veja o que pode fazer para enfrentar o problema e saiba qual a melhor forma de motivar o seu parceiro para minorar a situação:

 

1. Não ir ao médico

«Por questões de indisciplina e dificuldades em encarar a realidade, os homens não vão ao médico até aos 50 anos, altura em que consideram a necessidade de uma revisão, como se fossem um carro com 50 mil quilómetros», refere Nuno Monteiro Pereira. «Nessa idade, a saúde da próstata e a disfunção erétil são as principais preocupações masculinas», conclui. Apesar de ser um exclusivo dos homens, também afecta as mulheres.

«Os homens têm dificuldade em assumir a fragilidade humana até que os primeiros sinais de falência surjam ou que, na meia idade, percebam que a vida tem um fim e as doenças podem apressá-lo. O clima familiar pode ficar mais tenso devido às preocupações que motivam», analisa Maria Antónia Frasquilho.

Apelar ao bom senso e responsabilidade do seu parceiro é uma das melhores formas de combater este comportamento. «A boa ou má saúde é cada vez mais uma escolha pessoal. Quanto mais precoce o diagnóstico médico e mais rápido o tratamento, mais longevidade e melhor qualidade de vida», aconselha a psiquiatra.

 

2. Ressonar

Acontece a 40 por cento dos homens a partir dos 30 anos e a 30 por cento das mulheres após a menopausa. Ter excesso de peso, tomar medicação para dormir, dormir de barriga para cima, respirar pela boca e consumir álcool podem agravar o problema. «Impossibilidade de conciliar o sono, péssima qualidade do mesmo e irritação são impactos habituais na pessoa que não ressona. Um incómodo que atinge até quem dorme em quartos contíguos», refere a psiquiatra.

Existem muitas soluções, na maioria simples, que pode adoptar para contrariar esta situação. A especialista aconselha que lhe «demonstre que a procura de uma solução será um bem comum». «Refira um caso conhecido em que o sucesso foi conseguido e ponha o seu marido a falar com essa pessoa», avança ainda.

Para Maria Antónia Frasquilho, a melhor estratégia é só uma. «Como muitos homens duvidam que ressonam faça uma gravação e confronte-o com a evidência. Não critique, mas incentive o comprometimento com a ida ao médico», sugere a especialista.

 

3. Não partilhar sentimentos

«Os homens não gostam de partilhar as suas ideias, nem os seus pensamentos ou emoções. Quando são incomodados com perguntas metem-se na sua concha e, quanto mais insistirem com eles, menos falarão», comenta Nuno Monteiro Pereira. «Quando a comunicação não é fluida, quando só se fala das funcionalidades do dia a dia e a partilha emocional é suprimida instala-se a frustração, o stresse, o desencanto e até a depressão», afirma a psiquiatra.

«Seja compreensiva, neste caso o peso da biologia é forte», aconselha a especialista. «Não desista de conversar, mas sem pressionar demasiado. Seja agradável e exprima de forma adequada as suas emoções e necessidades. Isto motiva a proximidade e a partilha emocional», sugere ainda.

«Mudar comportamentos arreigados é um processo de longa duração e pode ser necessária a intervenção de um perito. Os especialistas de saúde mental (psiquiatras e psicólogos) são a escolha acertada», refere também a especialista.

 

4. Comer muita gordura

«A maioria dos homens não se preocupa muito com o aspecto ou a saúde do próprio corpo e deixa-se engordar até apanhar um susto a nível cardíaco e passar a ser mais disciplinado», reconhece Nuno Monteiro Pereira. Uma barriga proeminente «não é nada atraente e representa um risco sério de doenças fatais ou muito incapacitantes que preocupam toda a família», refere, no entanto, a médica.

«Converse sobre mudanças de estilo de vida (dieta, exercício físico e menos álcool) e incentive-as em família. Disponibilize-se a marcar uma consulta e de o acompanhar ao médico», sugere ainda a especialista Maria Antónia Frasquilho. Não assuma, contudo, o papel de mãe do seu parceiro. «Numa relação entre adultos, as escolhas são individuais. Quando se transforma o outro em infantil e dependente, ele não leva nenhuma mudança a sério», alerta a psiquiatra.

 

5. Fumar

«O fumador viciado fuma em qualquer lado, no carro, em casa... Normalmente, há dois momentos em que os homens deixam de fumar: quando nascem os filhos e quando começam a surgir problemas de saúde em que o tabaco constitui um factor agravante», esclarece o urologista. «O tabaco é fonte de múltiplas doenças, mas o fumo passivo encurta ainda a vida dos que partilham o mesmo espaço», refere Maria Antónia Frasquilho.

«Acresce o odor a tabaco, que entranha tudo e todos», refere ainda a psiquiatra. A especialista aconselha que «utilize todos os argumentos quanto aos perigos diretos e indiretos do fumar, inclusive para a família». «Seja afirmativa e não permita que se fume em sua casa e muito menos no carro», recomenda ainda. «Arranje um mealheiro e desafie-o a depositar o dinheiro que gastaria com o tabaco», propõe Maria Antónia Frasquilho.

 

6. Não beber água

«O facto de 20 por cento da população feminina sofrer de infeções urinárias recorrentes faz com que as mulheres bebam mais água. Por outro lado, o facto de eles não usarem mala, impede-os de andarem sempre com uma garrafa por perto», justifica Nuno Monteiro Pereira.

Para os convencer utilize argumentos como «a  água é fonte de saúde e de bem-estar. Até a pele fica mais tonificada». À refeição, coloque sempre um jarro com água na mesa e sirva de modelo. Prepare uma infusão para si e ofereça-lhe uma chávena.

 

7. Recusar o protector solar

Conceitos enraizados associados à masculinidade podem levá-lo a não aplicar cosméticos. Esta é, contudo, a melhor forma de prevenir um melanoma quando há exposição solar. Dê o exemplo. Proteja-se e proteja os seus filhos e responsabilize também o seu companheiro pelo exemplo que dá aos filhos.

Nuno Monteiro Pereira reconhece que «não é fácil convencer um homem a mudar, mas todas as mulheres sabem que o conseguem por via de dois mecanismos, o massacre ou a sedução». O massacre pode durar meses ou anos e cria mais mal-estar, embora eles possam até fazer o que elas querem só para não as ouvirem. A sedução é mais eficaz porque a resposta é imediata.

 

 

 

Voltar

 

 

 

Copyright © 2018 Jornal da Saúde Angola. Todos os direitos reservados. Created by Paulo Link