MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Hospital organizado

 

É louvável o esforço que a direcção geral do hospital Américo Boavida tem vindo a desenvolver nos últimos anos no sentido de modernizar uma das mais importantes unidades de saúde da capital e do país e posicioná-la claramente como um hospital nacional, terciário e escola. Para além de apetrechá-lo com equipamentos e dispositivos de tecnologia avançada, e de dar formação contínua aos seus profissionais, tem vindo a afinar processos, implementando normas de orientação clínica que especificam procedimentos. E – essencial! – a fazê-los cumprir.

Acresce que como prestador de serviços “de ponta” – serviços prestados por especialistas diferenciados, médicos, enfermeiros e técnicos com conhecimentos actualizados, com técnicas modernas e consequentemente melhores resultados – é necessário que o hospital tenha investigação científica, faça as suas pesquisas e as discuta com outras instituições e organização de saúde, o que tem vindo a acontecer.

O fruto de todo este esforço pode agora surgir com a certificação de alguns dos seus Serviços pela ISO 9001, norma internacional que atesta a qualidade dos serviços prestados por uma instituição, conforme reportagem que publicamos nesta edição.

Resta sublinhar que o corpo clínico desta unidade de saúde é maioritariamente angolano. É o único hospital nacional que tem esta prerrogativa resultante do tradicional papel de hospital com características docentes, não só para apoio à formação pré graduada (apoio à Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto que foi durante muitos anos a única faculdade de medicina do país), como para a formação de médicos especialistas nacionais.

Uma realidade que honra a memória do médico, nacionalista destacado, e patrono do hospital, Américo Alberto de Barros e Assis Boavida.

Os cidadãos agradecem.

 

 

 

 

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Teste duplo de despiste do VIH e da Sífilis

Uma picada, dois resultados

Seminário dá a conhecer soluções inovadoras de diagnóstico

 

Um novo equipamento que possibilita um teste duplo de despiste do VIH e da Sífilis, com uma única picada no dedo, foi apresentado num seminário, em Luanda, a 22 de Maio.

 

Francisco Cosme

dos Santos  com Cláudia

Pinto e Rui Moreira de Sá

 

De acordo com o responsável da Cicci, James Titelman, o equipamento de diagnóstico Alere SD Bioline de VIH/Sífilis Duo  “é completamente inovador e reduz o tempo de realização do teste: com uma única “picada no dedo” obtêm-se dois resultados”. Por outro lado, “não é necessário utilizar instrumentos, electricidade, equipamento laboratorial, o que facilita o trabalho dos médicos, reduz o desperdício e o tempo de treinamento. O procedimento único é mais simples, facilita a gestão e o registo de resultados”, garante.

Para os técnicos, “haverá o aumento da cobertura dos testes, será mais eficaz em termos de custos e oferece facilidades de armazenamento e logística em geral”. A sensibilidade e a especificidade do teste duplo foi consistentemente elevada em amostras recolhidas em seis países. “No estudo de aceitabilidade efectuado ao teste em dez centros de Ventanilla-Callaao, no Peru, os testes rápidos duplos foram aceites a 100% por serem mais eficazes do que o teste individual”, disse.

O laboratório do INSP/MINSA realizou um estudo com os mesmos resultados. O teste de diagnóstico rápido (TDR) VIH/Sífilis Duo “é um valor acrescentado no diagnóstico de mulheres grávidas, melhorando o rastreamento e prevenção da transmissão vertical de Sífilis e VIH”, garantiu James Titelman.

Na abertura do seminário, o Secretário de Estado da Saúde, Carlos Masseca, revelou que “a conjuntura económica que o país atravessa actualmente leva-nos a procurar soluções que garantam a prestação dos serviços de saúde, com custos razoáveis, pois a sustentabilidade dos serviços sanitários é um dos grandes desafios do Ministério da Saúde”.

O evento contou ainda com a participação do director médico científico da Alere, Luiz Gonzalez – que apresentou uma comunicação sobre os desafios na prestação de diagnóstico precoce infantil com a solução Alere™q –, a directora da Alere para a África Austral, Glynis Davis, e a cientista biomédica do Instituto Nacional de Saúde Pública, Vera Vieira, que falou sobre o novo TDR VIH/Sífilis Duo, incluindo o estudo de eficácia em Angola. O discurso de encerramento foi proferido pelo director do Programa das Grandes Endemias e coordenador do Programa Nacional de Controlo da Malária, Filomeno Fortes.

 

 

 

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Centro de Formação Multiperfil inaugura novas instalações

 

A Multiperfil inaugurou, em Belas, o seu Centro de Formação com equipamento de ponta e capacidade para 450 alunos. O acto foi presidido pelo Ministro da Saúde, José Van-Dúnem.

 

Francisco Cosme dos Santos

 

Com dez salas de aulas, um laboratório de informática, uma biblioteca e uma sala de coordenação, as novas instalações contarão com a colaboração de 17 professores a tempo integral e 18 em horário parcial.

O Centro funcionou desde 2012 em instalações provisórias e formou, até à data, 70 técnicos médios de enfermagem que concluíram as especialidades de anestesia, nefrologia, cuidados intensivos e 18 enfermeiros licenciados com o curso de enfermagem comunitária.

“Este Centro é uma mais-valia para o sector porque irá contribuir bastante para a instrução, capacitação e aprofundamento de conhecimentos dos técnicos de enfermagem”, afirmou o Ministro da Saúde. “É um orgulho saber que as nossas preocupações estão a ser correspondidas satisfatoriamente pelos nossos parceiros, porque ideias como a da Multiperfil garantem-nos que o futuro está a ser construído com prazer e dedicação”.

Segundo o presidente do conselho de administração da Multiperfil, Manuel Dias dos Santos, “o Centro tornou-se mais moderno e inovador no domínio da capacitação de quadros para o país e permitirá promover a investigação científica com o intuito de trazer resultados positivos aos cuidados de saúde de todos os pacientes”.

 

 

 

 

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Hospital precisa de mais 300 enfermeiros

 

Lina  Antunes, directora clínica do hospital universitário Américo Boavida, concedeu ao Jornal da Saúde de Angola algum do seu escasso tempo livre para conversar sobre os sucessos, dificuldades e os objectivos da instituição.

 

n A entrevista decorreu de uma forma fluída e reveladora do entusiasmo e entrega com que a entrevistada se dedica ao seu trabalho.

“Não vamos falar de mim, porque eu aqui não interesso nada”, advertiu, a rir Lina Antunes, que tem um percurso de vida de quase 40 anos de ambiente hospitalar, dos quais 11 como médica militar, exercidos entre 1981 e 1992, no Huambo e no Bié.

A minha maior preocupação neste momento é a falta de enfermeiros.

“O hospital necessita de, pelo menos, mais 300 enfermeiros para poder melhorar o atendimento e tratamento dos doentes”.

“Não temos falta de médicos mas precisamos de enfermeiros”, disse, sublinhando o papel fulcral de um profissional de enfermagem num hospital.

“O enfermeiro está sempre presente. Por isso, tem de interagir com o doente – saber se tem dores, dar-lhe a medicação, fazer os pensos e tantos outros actos do dia-a-dia de um hospital”.

“Temos sempre em mente a satisfação dos doentes relativamente à forma como são atendidos e tratados. Fazemos inquéritos frequentes para nos inteirarmos do seu grau de satisfação”, disse a médica de Medicina Interna, com a sub-especialidade de Cuidados Intensivos, professora universitária e tenente-coronel na reserva.

 

O que é preciso para o doente se sentir satisfeito?

“A equipa médica tem que se certificar de que o hospital garante a segurança do doente. Esta segurança vai desde o mais simples – conhecer o doente pelo nome, fazer um acompanhamento constante do tratamento, da medicação, dos exames de diagnóstico, dos resultados de cirurgias, até outras medidas como a introdução informática de todos estes passos, durante os turnos do dia e da noite”.

 

Identificar o doente pelo nome

É preciso “garantir que não há troca de nomes. Ter a certeza do grupo sanguíneo de um doente antes de efectuar uma transfusão. Para tal, o doente tem de estar identificado não só com uma pulseira, como com toda a informação clínica que lhe diga respeito.

A folha terapêutica tem de estar colocada aos pés da cama do doente.

Todas estas medidas garantem a segurança do doente e a humanização do serviço”, disse a responsável.

 

Consentimento informado

No bloco operatório “é absolutamente obrigatório evitar enganos. Nesse momento, o doente tem de ser identificado novamente e informado sobre a cirurgia a que vai ser submetido.

No dia anterior, o médico tem de conversar com o doente (consentimento informado) e dizer-lhe: ‘Amanhã vamos operá-lo, vamos fazer este tipo de cirurgia, o resultado vai ser este, pode ocorrer algum problema, mas nós estamos prontos para agir’.

“Desta forma – afirmou a directora clínica - o médico actua de forma profissional, com respeito pelos princípios éticos que norteiam o seu trabalho e tranquiliza o paciente.

Além do acompanhamento do doente, tem que nos assegurar de que todos os procedimentos foram cumpridos antes de uma cirurgia. Para isso é necessário garantir que foi efectuado o Raio X, as análises de sangue, a consulta prévia de anestesia, o eletrocardiograma, etc”.

 

No bloco operatório o anestesista deve dizer:

“Vamos operar. Quem é o doente? O que vai fazer o cirurgião? Qual é o lado que vai operar? Já deram o antibiótico que deve ser tomado antes da cirurgia? O doente é alérgico a alguma coisa? ’

“Os profissionais têm que responder às perguntas efectuadas pela anestesista”, disse, acrescentando que poderia dar o mesmo exemplo relativamente a qualquer técnica, como por exemplo uma endoscopia.

 

Seguir o protocolo para a segurança do paciente

“O processo médico tem que estar bem estruturado e ser seguido pelos enfermeiros que, tal como os médicos, têm um protocolo (normas internacionais) a cumprir”.

 

Está tudo informatizado

“No processo do doente tem de constar um diagnóstico de entrada, um relatório contínuo com os resultados de análises e outros exames ou actos médicos efectuados.

Estas exigências e normas muito específicas fazem parte da candidatura de quatro Serviços do hospital à Certificação Internacional ISO 9001.

Por exemplo, um homem entra no hospital com uma fractura do fémur. Tem “x” anos de idade, a fractura é fechada.

O médico vai ao protocolo ver o que está indicado nessa situação, nomeadamente o tipo de cirurgia.

A indicação está toda escrita, ninguém inventa nada. Está tudo protocolado. Posso referir ainda, a título de exemplo, a medicação do doente.

Em relação aos enfermeiros é a mesma coisa. O doente tem uma ferida. Os enfermeiros têm que saber classificar a ferida e o tipo de curativo que farão.

Os protocolos de enfermagem e dos médicos estão uniformizados para que o trabalho seja de equipa”, sustentou.

 

Circulação de documentos e manutenção de equipamentos

“Depois há a preocupação com a circulação de documentos e a garantia do bom funcionamento dos equipamentos, nos quais deve constar a data da última e da próxima visita do técnico de manutenção”, adiantou.

“Não cumpriu a data? Então telefono para a empresa e pergunto porque não estão a cumprir o contrato.

Tem de ser assim!

Tudo tem de ser verificado” – disse, frisando que “cada um tem de assumir a responsabilidade pelas suas falhas”.

Assim, o dia habitual no hospital Américo Boavida começa com uma reunião com o enfermeiro director, os directores dos Serviço clínico, e todos os restantes directores de Serviço do hospital.

“Cada um apresenta o relatório do último turno. Relatam se algum doente se queixou, se houve mortes, quantas cirurgias foram efectuadas, se todo o equipamento esteve operacional, enfim”, disse, “tudo tem de ser revisto”.

“Se houve falhas quero saber porquê.

Nada pode falhar!”, alertou.

 

 

 

 

 

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Hospital Américo  Boavida candidato a certificação internacional de qualidade

 

Magda Cunha  Viana

Fotos: Jorge Vieira

 

O hospital universitário Américo Boavida luta diariamente, há mais de um ano e meio, para cumprir normas de orientação clínica internacionais que especificam, passo a passo, todos os procedimentos que, quer os profissionais de saúde, quer os outros funcionários, são obrigados a seguir para obter a certificação ISO 9001, que atesta a qualidade dos serviços prestados por uma instituição, conforme relatou ao JS a directora clínica, Lina Antunes.

 

A certificação ISO 9001 obriga ao cumprimento de muitos requisitos

 

“Um hospital precisa de estar muito organizado para obter a certificação ISO 9001. Implica a existência de um quadro orgânico e respectivo organigrama, bem como de um quadro analítico e funcional. O hospital tem de elaborar um Manual e um Protocolo internacional com os procedimentos que devem obrigatoriamente ser respeitados por acto médico, o que também implica o registo informático para as doenças mais frequentes”.

No que diz respeito aos enfermeiros existe um “procedimento de enfermagem” que especifica detalhadamente o que fazer em cada fase das várias doenças.

No âmbito do Plano de Melhoria, o hospital elaborou um plano de formação alargada para os enfermeiros e, para o efeito, contratou formadores estrangeiros licenciados em enfermagem, os quais estão já há um ano no hospital.

“A fase inicial do processo de certificação foi a contratação de uma empresa que auxiliou o hospital a organizar-se de forma a cumprir todos os requisitos da ISO 9001. O hospital está actualmente a viver a fase crítica, aguardando para Julho a auditoria externa que validará, ou não, a conformidade operacional do Américo Boavida com as normas obrigatórias para a certificação.

Neste momento são candidatos a Certificação quatro Serviços mas

todos os restantes cumprem as mesmas

directrizes

“Fizemos um estudo para escolher os serviços que teriam maior capacidade para se adaptar mais rapidamente aos requisitos da ISO 9001 e que poderiam ser os motores dos restantes. Escolhemos quatro, um dos quais o de Ortopedia. Este serviço tem uma boa liderança, tanto a nível médico como de enfermagem, um bom desempenho em termos de produtividade, além de uma boa organização e elevado grau de autonomia”, disse Lina Antunes, adiantando que a Ortopedia é “um exemplo daquilo que deve ser um hospital nacional”.

 

Não quero que o Director de Serviço faça só o que a Directora Clínica acha

 

“Os grupos de trabalho de um serviço devem criar linhas de desenvolvimento autónomas e apresentar à direcção uma meta, um plano e os requisitos para a execução do mesmo. Esse plano é discutido e negociado com a direcção clínica e, posteriormente, adaptado ou não, em função do orçamento do hospital.

O Serviço de Ortopedia faz isso. Traçou uma meta, procurou parceiros fora do hospital devido à necessidade de próteses, e organizou formações. É realmente um serviço que tem condições para uma certificação de qualidade”, considerou.

 

Outro Serviço escolhido foi a Unidade de Cuidados Intensivos (UCI). Embora tenha um bom desempenho deve abrir-se mais aos outros Serviços

 

Os médicos dos Cuidados Intensivos estão “fechados no seu mundo (o UCI) e não saem de lá! Nós queremos levá-los a interagir. Queremos, por exemplo, que se desloquem à Urgência, comecem a ir lá buscar o doente, e não fiquem à espera que este chegue à UCI. Têm que ir à Urgência ver os doentes que eventualmente precisem de seguir logo para a UCI pois, embora estejam lá os colegas da Urgência que são extremamente competentes, estão assoberbados de trabalho”.

O problema de comunicação é extremamente importante entre os grupos de trabalho porque,

se falha a comunicação, falha tudo.

“O médico da UCI tem uma visão mais ampla do doente crítico, pode ajudar a estabilizar e preparar o doente mais rapidamente para a UCI. É preciso poupar tempo para salvar vidas. Os médicos da UCI têm de interagir também mais com o bloco operatório. Antes de uma cirurgia complicada, o médico da UCI tem de saber que tipo de intervenção vai ser efectuada porque pode haver complicações que necessitem de cuidados intensivos e, para isso, o médico tem de estar de sobreaviso e ter uma cama disponível, não pode ficar no seu serviço à espera do que vai acontecer!”, frisou.

 

Outro Serviço candidato à certificação é a Urologia

“Este serviço também deu um salto qualitativo muito grande nos últimos dois anos, nomeadamente a nível técnico”, disse, adiantando que “já tem capacidade para realizar as grandes cirurgias urológicas e tem o ambulatório para urologia, o que já permite candidatar-se à certificação de qualidade”.

A triagem, que deve obedecer ao Protocolo de Manchester, é a primeira fase do Serviço de Urgência, e é o quarto candidato à certificação

“Não acredito que na triagem consigamos para já a certificação, mas só o facto de tentarmos já melhorou a qualidade do atendimento, a capacidade de decisão no local e a rapidez da acção.

 “Não é possível candidatar a Urgência no seu todo à certificação”, afirmou, até porque este Serviço recebe 300 doentes por dia.

 

 

 

 

 

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Angolanos adultos que sempre viveram no país desenvolvem frequentemente imunidade à malária

 

Magda Cunha  Viana

 

A malária ainda é uma doença endémica em Angola e a maior causa de morbimortalidade. Por esta razão, o diagnóstico e a abordagem da doença constituem temas que são prioritária e insistentemente abordados durante a formação dos profissionais de saúde. Mas há aspectos da patologia que ainda hoje escapam ao conhecimento dos especialistas.

 

n Uma das questões em aberto é a aparente falta de imunidade à doença grave entre a população adulta que sempre viveu em Angola.

Em declarações ao Jornal da Saúde, a directora clínica do Hospital Américo Boavida, Lina Antunes, referiu haver uma questão que “intriga todos os médicos e que constitui uma preocupação”.

“Temos uma população de uma área africana onde a doença ainda é endémica e relativamente à qual, no caso dos adultos, é consensual a existência de imunidade adquirida após a exposição a vários episódios prévios de malária. Esta imunidade devia traduzir-se pela presença de protecção contra as formas graves da doença. Mas continuamos a ter quadros clínicos muito graves, aos quais chamamos de malária complicada, em pessoas naturais de Angola, que nunca saíram do país e que sempre aqui viveram. E o mais intrigante é que estes doentes apresentam um número muito baixo de parasitas no sangue quando se faz a gota espessa (análise que permite rapidamente fazer o diagnóstico de malária) o que não justifica a gravidade ”, afirmou.

A questão que se põe é “porquê”? Haverá algo mais que interfira para que a malária evolua para estádios tão graves nestes doentes?

Face a esta interrogação, uma equipa do hospital Américo Boavida, liderada por Lina Antunes, efectuou um estudo, de dois anos, com doentes com malária grave e muito grave, provocada pelo parasita P. falciparum, a espécie que praticamente é a única responsável pelas mortes por malária em todo o mundo.

O primeiro passo do estudo foi a selecção de doentes com malária grave que foram admitidos no hospital de forma a serem internados no Serviço de Cuidados Intensivos. A equipa certificou-se de que os doentes cumpriam os critérios de gravidade da Organização Mundial de Saúde (OMS) e que tinham mais de uma disfunção de órgãos, ou seja, que mais de um órgão principal do organismo estava em falência.

Para efectuar o estudo foi escolhida uma escala, o SOFA (Sequential Organ Failure Assessment), utilizada nos cuidados intensivos, e que classifica a gravidade da doença através destas falências de órgãos, dando uma perspectiva do estado do doente: moderadamente grave, grave, muito grave, e, em função disto, o SOFA atribui um prognóstico. Quanto maior a gravidade maior a probabilidade de morte.

“Essa escala está estratificada. Indica, por exemplo, que se o doente tem 12 pontos na escala total de 24, está a meio da escala, e tem mais do que 50 por cento de probabilidade de vir a falecer”, adiantou Lina Antunes.

“No caso dos cerca de 100 doentes do estudo, a equipa verificou que 25% tinham quatro órgãos em falência, por exemplo estavam em coma por malária cerebral, sofriam de icterícia com insuficiência hepática, tinham insuficiência renal e ainda perturbações respiratórias. Trinta e três por cento tinham três órgãos a falhar. Eram, portanto, doentes muito graves ”, adiantou.

Primeiro resultado do estudo: Confirmamos que a maior parte destes doentes graves tinham um número de parasitas muito baixo na gota espessa

“A primeira coisa que nos surpreendeu, e que veio confirmar a nossa primeira hipótese de estudo, foi que doentes com quadros clínicos muito graves tinham a parasitémia periférica baixíssima – quer dizer que o número de parasitas que se viam na gota espessa era baixo”.

Segundo resultado: a mortalidade foi muito inferior, nestes doentes com malária muito grave, do que aquela que era esperada com a aplicação da escala SOFA

“O segundo resultado a que chegámos é que a mortalidade esperada, aplicando a escala SOFA, era superior àquela que observámos. Tivemos muito menos mortalidade do que a que se esperava. Portanto, os nossos resultados foram muito bons”.

Resultado ainda mais interessante: quanto maior o número de órgãos em falência, melhor foi o resultado em relação ao esperado pelo SOFA

“Chegou-se à conclusão ainda mais interessante e muito reconfortante: é que quanto mais falências de órgãos os doentes tinham, melhor foi o resultado em relação àquilo que se esperava”, disse. No grupo de doentes muito graves registamos muito mais sobreviventes do que se esperavam.

“Estes foram os resultados do trabalho, o que quer dizer que muito provavelmente o facto de terem sido realmente bem tratados em tempo oportuno e com a aplicação de técnicas de suporte de vida (por exemplo foram ventilados, fizeram hemodiálise e outras técnicas avançadas), que estavam disponíveis, excederam muito o prognóstico”, afirmou.

O estudo permitiu avaliar se a escala SOFA foi útil para qualificar o estádio da doença e a probabilidade de morte. A equipa verificou que não. “No caso particular desta doença, a malária grave, vamos ter que arranjar outra escala mais fiel”. Esta conclusão vem reforçar outros trabalhos feitos na India que relatam o mesmo.

Por que razão é importante ter uma escala apropriada?

“Nos cuidados intensivos, por vezes temos que jogar com o factor de ´cama livre´. No caso de termos, por exemplo, três doentes graves e uma só cama. Temos que decidir rapidamente qual dos doentes vai ocupar essa cama.

Isso quer dizer que, eventualmente, podemos estar a condenar os outros dois à morte, pois não irão beneficiar de melhor vigilância e, muitas vezes, não poderão ser tratados adequadamente porque não irão beneficiar de uma unidade de cuidados intensivos. Portanto, necessitamos de uma escala acertada para rapidamente identificar o doente com menor probabilidade de sobrevivência. São decisões difíceis mas que têm que ser tomadas rapidamente”, disse.

 

 

 

 

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O essencial sobre a Diabetes

 

Sabrina Coelho da Cruz

Diabetologista

Coordenadora da Comissão de Diabetes do HMP/IS

Coordenadora do Programa de Prevenção e Luta contra a diabetes das FAA/EMG

 

A Diabetes Mellitus é uma doença crónica das células β das ilhotas de Langerhans do pâncreas, em que há uma alteração do funcionamento do metabolismo dos carbohidratos, das proteínas e das gorduras. Ocorre em consequência da diminuição da função e/ ou da quantidade de insulina no organismo. Necessita de cuidados de saúde continuados em equipa multidisciplinar, isto é, médico, enfermeiro, nutricionista, podologista, psicólogo, educador físico, etc, e de “educação” terapêutica do doente, medidas que são importantes para a prevenção das complicações agudas e para diminuir o risco de complicações tardias.

 

 

n Existem dois tipos de Diabetes Mellitus, a Diabetes Tipo1 ou da infância, caracterizada pela ausência total da produção de insulina e a Diabetes Tipo 2, em que o pâncreas produz insulina, por vezes até demais, a que chamamos hiperinsulinismo, mas o organismo resiste à sua acção. Este último tipo de diabetes aparece mais na idade adulta e está frequentemente relacionada com o excesso de peso.

 

Prevalência

A média mundial da prevalência da diabetes no mundo, em 2010, foi de 2,9 % para todos os grupos de idades, segundo dados da OMS.

Por se falar em prevalência, há a necessidade de se fazer o estudo da mesma a nível nacional. Julgo que agora, com os dados do censo populacional feito INE no ano transato, será fácil pensar-se neste trabalho, para que possamos saber qual é o estado da nação em relação a esta pandemia, retirando uma amostra da população de cada região do País, com hábitos e costumes diferentes do ponto de vista alimentar e estilo de vida.

A nível das FAA tem sido feito um trabalho de rastreio desde 2010, em várias províncias do país, não só para a Diabetes, mas também para Hipertensão Arterial (HTA), uma vez que nunca se poderá falar de Diabetes sem se falar da HTA, até porque constitui uma grande preocupação dos responsáveis da saúde militar que traçam estratégias para prevenção e controlo destas duas patologias, em que a taxa de morbi-mortalidade tem estado a aumentar em todo o mundo.

 

Sinais e sintomas

Um diabético não tratado urina muitas vezes e em grande quantidade (poliúria), tem imensa sede – chegando a beber cerca de cinco litros de água em 24 horas (polidipsia) – e muita fome (polifagia). Mas, apesar de comer muito, pode estar magro (perda de peso) e desidratado. As senhoras têm com muita frequência infecções urinárias e prurido vaginal.

A poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso têm sido os sintomas mais frequentes e, por essa razão, também é conhecida como a doença dos 4 “P”. Para além destes sintomas, os doentes também poderão referir outros, como astenia, adinamia, alteração da acuidade visual, disfunção eréctil, lesões dermatológicas, difícil cicatrização das feridas, sensação de queimadura e formigueiro na planta dos pés, cãibras, etc.

 

Como evitar / prevenir

Evitar penso que não será a palavra certa… Prevenir sim, é possível até certo ponto prevenir esta doença crónica. Isto é, poder prolongar o tempo de surgimento uma vez que não nos podemos esquecer do factor hereditário. As pessoas com familiares directos que sejam diabéticos correm maior risco de contrair a doença. Contudo, não quero dizer que o outro grupo de pessoas não corra riscos. Daí falar-se em prevenção que são todas as medidas e cuidados a tomar desde a idade fetal. Portanto, a senhora grávida jovem, ou não, deverá ter cuidados com a sua saúde alimentar, física e social, para que gere bebés saudáveis e, naturalmente, possa transmitir bons hábitos aos seus descendentes.

Toda a sociedade deverá estar engajada nos bons hábitos, desde o infantário até ao topo das formações, como por exemplo com a implementação obrigatória da disciplina de educação física nas escolas, a não ingestão de bebidas alcoólicas antes da maior idade e, depois dos 18 anos, o não exagero destes hábitos. O tabaco e as drogas em menores irá reflectir-se também, com certeza, na idade adulta com danos para a saúde, principalmente nas duas grandes pandemias mundiais, que são a Diabetes e a Hipertensão Arterial.

Portanto a prevenção é a alma do negócio, em que qualquer estado financeiramente gasta menos com a prevenção do que com o tratamento da doença e suas complicações, apostemos na PREVENÇÃO.

 

Como tratar ?

A diabetes, como qualquer doença crónica, sai muito cara ao doente e ao Estado.

Se for uma Diabetes tipo 1 o tratamento é sempre com insulina durante toda a vida, uma vez que o pâncreas não produz insulina nenhuma. Não adianta dar antidiabéticos orais. A nível mundial, a percentagem de diabéticos de tipo 1 é de cerca de 5 a 10% do total de diabéticos. Em relação à Diabetes tipo 2, a percentagem relativamente ao total ronda os 90 – 95%. É exatamente este grupo de diabetes que provoca um grande rombo nos orçamentos financeiros porque a doença aparece numa fase mais avançada da vida em que, a maior parte das vezes, estes doentes, quando são diagnosticados, já trazem outras patologias associadas, tanto pela idade de aparecimento, que é a fase adulta, como pelo diagnóstico tardio.

Debruçar-nos-emos apenas no tratamento da diabetes tipo 2. Normalmente estes doentes deverão iniciar antidiabéticos orais (ADO) e rastrear todas as outras patologias concomitantes (HTA, dislipidémias e/ou complicações tardias) da doença de base. Podemos associar até três grupos de ADO diferentes para melhorar o estado metabólico. Caso não se consiga o bom controlo com estas associações medicamentosas, deveremos passar para a insulinoterapia, que se poderá manter para sempre, ou não. Apenas o clínico decidirá.

O doente diabético bem controlado geralmente faz dois ADO, um antihipertensor para controlo da função renal, mesmo que não seja hipertenso, um dislipidémico para controlo dos níveis de colesterol e ou triglicéridos e um antiagregante plaquetário para melhoria da sua circulação sanguínea.

Para além da terapêutica medicamentosa, deverão sempre ser sensibilizados em grupo, para ser feita a “educação”, explicando a forma como devem fazer as refeições, o que comer, como comer, quando comer,… E salientar a importância da actividade física, também como forma de complemento do tratamento.

As indústrias farmacêuticas, a nível mundial, estão sempre a descobrir novas moléculas para o tratamento desta patologia. Existem vários grupos de ADO que estimulam as células β na libertação de insulina, outros a nível intestinal, das insulinas humanas com muitos anos. Existem também os análogos de insulina, sendo uma mais-valia para os doentes pela diminuição das hipoglicemias em relação às insulinas humanas.

 

 

 

 

 

 

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1as. Jornadas de Diabetes de Angola, a 19 e 20 de Junho

Médicos vão debater a Diabetes

Há, no mundo, cerca de 300 milhões de pessoas com Diabetes. Até 2030 este número vai duplicar.

 

As primeiras Jornadas de Diabetes de Angola constituem o primeiro evento direccionado só para diabetes e patologias concomitantes que se realiza no país. Tem como lema “ Diabetes Mellitus – Um risco real – Um risco mortal”.

 

As Jornadas, com a duração de dois dias, decorrem nos dias 19 e 20 de Junho de 2015, na sala de conferências do Memorial Agostinho Neto, na nova marginal, e têm como objectivos principais:

1-A chamada de atenção para os clínicos não especialistas na área, para o diagnóstico precoce desta patologia, principalmente os que trabalham nos centros de saúde e/ou hospitais da periferia;

2-Alertar mais uma vez a comunidade científica para a importância na partilha de conhecimento na área da diabetologia;

3-Aprender com os possíveis erros.

As Jornadas serão abertas pelo Bastonário da Ordem dos Médicos de Angola, Carlos Alberto Pinto de Sousa. Terão uma conferência inaugural sobre a pandemia mundial, a Diabetes, e apresentação pelo presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), Luis Gardete Corrreia, três simpósios sobre novas terapêuticas da diabetes, duas mesas redondas sobre Diabetes Tipo2 e Complicações Crónicas da Diabetes e temas sobre HTA, organização de consulta, insulinização na diabetes tipo 2 e, por fim, “Educação do doente diabético – Alimentação e o papel da actividade física na prevenção da diabetes”.

Os oradores serão médicos com prática clínica na área, dos hospitais e clínicas da nossa capital. Teremos três convidados estrangeiros: Ellina Tsymbal, da África-Sul, Luís Gardete Correia e Jácome de Castro, ambos de Portugal.

Devem participar nas Jornadas todas as pessoas que estejam ligadas à área da saúde, médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório, psicólogos clínicos, nutricionistas e educadores físicos.

As inscrições podem ser efectuadas, a partir do dia 20 de Maio de 2015, através do link  www.inpromed-angola.com (entrar em eventos médicos e fazer a inscrição), ou ligar para os terminais TM:+244 945 585 089/+244 926 565 550

 

 

 

 

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1º Simpósio Nacional de Dermatologia e Venereologia

Especialistas debatem as doenças da pele que mais afectam os angolanos

Cerca de 30% de todas as patologias examinadas nos centros de saúde são doenças de pele e a maioria tem origem infecciosa.

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

As novas abordagens e perspectivas da Dermatologia em Angola estiveram em debate recentemente num evento que juntou mais de 500 profissionais vindos de vários continentes. Os desafios da especialidade e as oportunidades que se impõem permitirão alargar os horizontes dos médicos e salvaguardar os cuidados de saúde desta especialidade aos angolanos.

 

n O 1º Simpósio Nacional de Dermatologia e Venereologia realizou-se no final do mês de Abril, organizado pelo Colégio Angolano de Dermatologia e Venereologia (CADV). Foi composto por onze conferências, sete comunicações livres, quinze posters, seis mesas redondas e cinco cursos pré-congresso, ministrados no serviço de dermatologia do Hospital Américo Boavida.

O evento teve como lema “Nova Abordagem e Perspectiva da Dermatologia em Angola” e integrou as actividades de formação contínua promovidas pela organização, pelo Ministério da Saúde e pela Ordem dos Médicos de Angola (ORMED). Estiveram presentes mais de 500 pessoas, de entre os quais, profissionais em dermatologia e académicos convidados provenientes de África, América, Ásia e Europa.

As doenças da pele constituem um grande desafio em Angola no contexto hospitalar e no âmbito da saúde pública, pela sua diversidade e por serem causa frequente de morbilidade com grande impacto físico, psicológico e profissional em todas as idades. Cerca de 30% de todas as patologias examinadas nos centros de saúde são doenças de pele e a maioria tem origem infecciosa, fortemente associadas às condições socioeconómicas, à carência e higiene individual e pública, às condições de saneamento, habitação, climáticas, ecológicas e às práticas tradicionais que, muitas vezes, contrariam a implementação das medidas preventivas e curativas promovidas e tomadas pelas instituições relevantes.

Nas últimas décadas, a dermatologia tem vindo a beneficiar com conhecimentos inovadores que influenciam na reflexão diagnóstica e terapêutica, sobretudo no que respeita às genodermatoses, à alergoimunologia, à cirurgia dermatológica e à cosmetologia.

Lídia Almeida Voumard, Presidente do CADV da ORMED afirmou, na abertura do simpósio, que “existem actualmente serviços de dermatologia e consultas diferenciadas em todos os hospitais centrais de Luanda e nos cinco centros hospitalares regionais. Fazem ainda parte deste leque alguns consultórios e hospitais privados que disponibilizam cuidados especializados em dermatologia”.

 

Desenvolver a dermatologia no país

O objectivo do evento foi reunir e mobilizar todos os dermatologistas do país e do estrangeiro para traçarem novas metas e darem seguimento às restantes de forma a fazer crescer a especialidade. O simpósio permitiu a partilha de experiências e de informações científicas, a reflexão crítica, a busca de consensos em volta de temas como a epidemiologia, a biologia e clínica da pele, a tecnologia de diagnóstico e tratamento, o planeamento e a organização da formação pré e pós-graduada, a administração, gestão e desenvolvimento dos serviços de dermatologia em Angola e em outros países.

Dado o grande desenvolvimento da especialidade no país, nos últimos cinco anos, foram criados novos serviços no ano de 2013. Deu-se ainda o início da formação de novos dermatologistas nos centros hospitalares regionais de Cabinda, Malanje, Benguela, Huambo, e Huíla, vinculados aos polos universitários das respectivas províncias. O CADV deseja assim contribuir para a promoção da reflexão e auscultação das doenças da pele no país e para as perspectivas de desenvolvimento da especialidade em Angola. “Espera-se que este simpósio tenha de facto um papel catalisador para influenciar o conhecimento frequente das diferentes patologias. Reconhecem-se e compreendem-se hoje os esforços notáveis dos internos que, na sua maioria, apresentaram pela primeira vez uma comunicação científica ou um poster, porque é evidente que a investigação clínica e epidemiológica em Angola se encontra ainda pouco desenvolvida e deve merecer maior atenção por parte do CADV, do Ministério da Saúde e do Ensino Superior”, acrescentou Lídia Almeida Voumard. É necessário o contributo de todos para o fomento da dermatologia porque a prática clínica deve acompanhar o ensino. Para tal, deve ser promovida a criação de serviços regionais de dermatologia, a descentralização da pós graduação, o recurso a novas tecnologias para o diagnóstico e tratamento das patologias e a formação contínua de pessoal de enfermagem e de laboratório para garantir uma assistência de qualidade.

 

Partilha de experiências

O Ministro da Saúde de Angola, José Van-Dúnem, adiantou que foi oportuna a realização deste primeiro simpósio nacional de dermatologia porque “a resposta epidemiológica não é satisfatória. A existência de doenças transmissíveis, de doenças crónicas negligenciadas tropicais, tais como, a lepra, a oncocercose, as filaríases, impõe uma atenção que vá de acordo com as expectativas das populações”. Afirmou ainda que o país está em reconstrução e que os angolanos estão convictos de que “é possível ter uma saúde melhor” e que todos os esforços que estão a ser feitos exigem “que haja uma resposta do ponto de vista qualitativo em todas as unidades hospitalares”. O sector enfrenta assim desafios enormes mas a realização deste simpósio constituiu uma grande oportunidade de reflexão sobretudo para responder às expectativas de cada angolano relativamente à sua saúde.

“Este simpósio foi uma oficina de partilha de conhecimentos e de experiências porque conseguiu congregar todos os profissionais do país e convidados dos quatro continentes, e possibilitará o alargamento da visão dos mesmos para enriquecerem os actuais e próximos desafios impostos pela dermatologia. Entende-se que o trajecto é longo mas a intervenção deve ser ampla para desenvolvermos todas as áreas dos recursos humanos ao nível do país”, defendeu José Van-Dúnem. Nesse sentido, o Ministério está a reforçar os hospitais regionais com o apoio das Faculdades de Medicina e o recurso a especialistas para darem formação a equipas de médicos e de enfermeiros de forma a serem capazes de dar resposta aos principais problemas de dermatologia que afectam a população.

Uma das grandes preocupações nesta especialidade diz respeito aos casos de lepra que têm surgido nas regiões longínquas ainda que a doença tenha sido erradicada do país, no contexto global, há alguns anos. “Não conseguiremos eliminar esta doença se não nos dedicarmos e se não estivermos capacitados para o efeito. Os profissionais devem estar preparados para enfrentar todas as doenças que constituam uma ameaça séria à saúde pública”, defendeu o Ministro da Saúde. Recomendou aos profissionais que trabalham nos postos de saúde para estarem atentos a alterações da pele, à sensibilidade e às extremidades, de forma a detectar doenças num estádio precoce, sendo assim possível dar uma resposta efectiva e mais rápida.

 

 

 

 

 

 

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Tratamento do cancro: o papel da radioterapia

 

Lúcio Lara Santos

Professor Doutor, oncologista cirúrgico e assessor do IACC

ONCOCIR-Angola

 

O tumor primário resulta da transformação maligna de células de um determinado órgão e da multiplicação desordenada destas células.

 

 

n Nas fases iniciais o cancro é localizado e o tratamento é loco-regional. Assim, a área a tratar deve envolver o tumor primário, as áreas adjacentes e os gânglios linfáticos que drenam a linfa da área tumoral. As opções do tratamento oncológico nos estágios iniciais da doença oncológica são a cirurgia e a radioterapia. Neste artigo abordaremos a radioterapia. Os aspectos da cirurgia oncológica serão abordados no próximo artigo.

A radioterapia é a modalidade terapêutica que utiliza radiações ionizantes capazes de matar as células, para o tratamento do cancro.

O processo de ionização, causa lesões nas células ao afetar o ADN e pode causar a morte celular.

 

Os efeitos biológicos das radiações ionizantes

Os efeitos biológicos das radiações são podem ser directos e indirectos.

— Directos - quando a radiação interage directamente com moléculas importantes como o ADN, podendo causar mutações ou morte celular;

—  Indirectos - quando a radiação divide as moléculas de água. Formam-se radicais livres de oxigénio que podem alterar outras moléculas importantes do nosso organismo. Este mecanismo é muito eficaz, uma vez que o nosso corpo é composto por mais de 70% de água. Os tumores bem irrigados (ricos em oxigénio) são mais sensíveis à radiação, uma vez que mais radicais livres de oxigénio se formam e existe maior probabilidade destas moléculas lesarem as células tumorais. A anemia diminui a eficácia da radioterapia. Existem tumores malignos muito sensíveis à radioterapia, como por exemplo os linfomas; e outros são resistentes como o melanoma.

Como podemos perceber, se utilizarmos a radiação ionizante de forma apropriada poderemos matar células que não são úteis ao nosso organismo, como as células malignas, mas teremos que ter cuidado para não lesarmos as células normais.

 

Radiação ionizante no tratamento do cancro

A radiação ionizante utilizada para o tratamento do cancro é semelhante à utilizada quando realizamos um RX do tórax, mas de elevada energia. Essa radiação é, na sua maioria das vezes, gerada num aparelho chamado acelerador linear (Fig. 1). A maioria destes aparelhos consegue produzir dois tipos de partículas, os fotões e os eletrões. Estas partículas são utilizadas no tratamento. A radiação é medida em unidades denominadas de Gray (Gy) e indicam a quantidade de energia que é absorvida pelo tecido. Um Gray equivale à absorção de um Joule/kg.

A radioterapia pode causar efeitos secundários. Estes podem ser agudos e imediatos (ocorrendo durante o tratamento), iniciando-se entre a 2ª e 3ª semana de tratamento. Estes efeitos relacionam-se com a dose, volume e fraccionamento da radioterapia e da associação com a quimioterapia; o eritema ou a mucosite são as manifestações clínicas dos efeitos agudos e imediatos. Podem também ser agudos e tardios (até 1-3 meses após a radioterapia) como a radiopneumonite, proctite, gastrite. Podem ainda ser tardios (> 3 meses após radioterapia) como fibrose tardia, insuficiência cardíaca progressiva, mielite, enterite.

 

Radiação externa e o planeamento do tratamento

As partículas (fotões e electrões) são disparadas pelo acelerador linear e atravessam o corpo para atingir o tumor primário e áreas adjacentes. Assim a radiação provém de um aparelho externo ao nosso corpo e é conhecida como radioterapia externa.

Para que as radiações atinjam o alvo certo, e os tecidos normais sejam poupados, é necessário planear o tratamento. Exames de imagem como a tomografia computorizada, a ressonância magnética e exames funcionais como o PET são utilizados para planear o tratamento. Os dados desses exames são transferidos para o programa da máquina que controla o acelerador linear e a radiação só atingirá o volume (alvo) que for definido previamente. No processo de planeamento são definidos os campos a irradiar e a poupar (Fig. 2). Existem órgãos que são muito sensíveis às radiações e devem ser sempre poupados como o intestino delgado, a medula espinal o coração.

Outros aspectos importantes são o cálculo da dose diária e total necessária de radiação, o número de fracções em que a dose total é administrada (tempo de libertação da dose), a duração do tratamento e o local a irradiar (volume).

Se girarmos a fonte de radiação externa à volta do doente, o alvo (o tumor primário) pode ser sempre atingido, mas o tecido normal recebe uma dose pequena diminuindo assim o risco de efeitos adversos (Fig. 3).

Braquiterapia

Há situações especiais em que a fonte de radiação é colocada em cavidades naturais do nosso corpo (vagina, esófago), ou no nosso corpo através de agulhas ou a colocação de pequenos tubos dentro dos quais são colocadas as fontes de radiação ionizante (nos tumores da mama, ou tecidos moles). Por fim, existem pequenas “sementes” que emitem radiações e são introduzidas no órgão (próstata) e ali são deixadas. A radiação emitida tem uma capacidade de penetração diminuta de poucos milímetros (ao contrário do que acontece na radiação externa) e, por esse motivo, devem estar muito próximos ao tumor (Fig. 4) mas tem uma eficácia comprovada.

 

Profissionais de saúde que asseguram a radioterapia

Os médicos oncologistas que prescrevem o tratamento de radioterapia são os radio-oncologistas. Os especialistas que calculam a dose adequada de radiação para um determinado tratamento são os dosimetristas e os físicos. Estes também calibram os aparelhos. Os técnicos de radioterapia realizam exames para planeamento e tratamentos de radioterapia externa e colaboram nos tratamentos de braquiterapia. Executam o posicionamento dos doentes e realizam protocolos de verificação da exactidão da administração dos tratamentos planeados. Acompanham quotidianamente o doente, direccionando as suas necessidades para os profissionais adequados à resolução das mesmas. Cumprem diariamente todos os parâmetros técnicos de administração de tratamentos.

 

Indicações para o tratamento com radioterapia

O tratamento com radioterapia pode ter um intuito curativo ou paliativo. O tratamento curativo tem como objectivo destruir a doença e esterilizar as áreas de drenagem linfática.

A radioterapia pode ser efectuada em contexto pré-operatório – radioterapia (neoadjuvante), quando se pretende diminuir o tamanho do tumor aumentando a sua ressecabilidade, erradicar focos subclínicos para além das margens de ressecção cirúrgica, diminuir a capacidade de implantação das células tumorais e de disseminação à distância, ou ainda esterilizar metástases ganglionares. A desvantagem da utilização desta abordagem é o atraso na cicatrização (exemplo cancro do recto).

A radioterapia pode também ser realizada após a cirurgia – radioterapia (adjuvante) quando se pretende tratar o leito do tumor e as áreas de drenagem linfática. A radioterapia pode ser administrada durante a cirurgia (radioterapia intra-operatória) quando se pretende esterilizar as margens cirúrgicas, afastando os órgãos que estão à frente do alvo a irradiar e que são muito sensíveis à radioterapia. A radioterapia pode ser administrada associada ou não a outras modalidades de tratamento oncológico entre as quais a cirurgia e a quimioterapia como ocorre no cancro da mama. Há evidência do aumento da sobrevivência quando a cirurgia é associada à radioterapia – Tabela I. Por vezes, a radioterapia é realizada associada à quimioterapia. A quimioterapia destrói as células mais próximas dos vasos sanguíneos. Posteriormente, as células menos oxigenadas no centro do tumor, e resistentes à radioterapia, ficam mais irrigadas e, assim, tornam-se mais sensíveis às radiações (chama-se a esta quimioterapia de radiosensibilizadora).

Existem localizações em que o tumor não pode ser operado e ou a quimioterapia sozinha não é eficaz. Apenas a radioterapia pode tratar a doença, como por exemplo nos tumores do tronco cerebral ou nasofaringe.

Por vezes, a eficácia da cirurgia e da radioterapia é sobreponível, mas a cirurgia implica mutilações. Assim, é preferível recorrer à radioterapia pois permite a preservação do órgão, como acontece nos tumores da pálpebra, do nariz e da comissura labial.

A radioterapia paliativa tem como objectivo tratar tumores obstrutivos: nos brônquios, no esófago, massas tumorais compressivas da espinhal medula, ou envolvendo vasos de grandes dimensões, como a veia subclávia. É importante pois destrói lesões osteolíticas, ou pode ser utilizada com fins hemostáticos (tratar o sangramento). O objectivo da radioterapia paliativa é o alívio sintomático.

 O tratamento oncológico com radioterapia depende de factores associados à situação clínica, do tipo histológico, da localização do tumor e é delineado na consulta multidisciplinar de decisão terapêutica onde se reúnem os oncologistas cirúrgicos, os oncologistas médicos, também chamados clínicos, e os radio-oncologistas.

Existem ainda indicações para o tratamento com radiações ionizantes de situações benignas como hemangiomas, angiomas vertebrais, da língua ou hepáticos, quistos aneurismáticos do osso, malformações arteriovenosas e queloides.

 

Radioterapia em Angola

No presente momento existem três aceleradores lineares em Angola: dois na Clínica Girassol e um no Instituto Angolano de Controlo do Câncer - IACC (antigo CNO). Dentro de pouco tempo, mais 2 aparelhos serão montados no IACC. Actualmente, o IACC realiza cerca de 60 tratamentos por dia. A clínica Girassol tem recursos para realizar braquiterapia. Já trabalham nestas instituições radio-oncologistas, físicos e técnicos de radioterapia angolanos. A formação de novos quadros está em curso. Os tumores do colo do útero, mama, próstata, recto e o sarcoma de Kaposi são os tumores frequentemente tratados com radioterapia no país. Situações de elevado sofrimento como a dor causada por metástases ósseas, sangramento ou falta de ar por compressão de massas tumorais intra-torácicas são tratadas com eficácia por radioterapia aliviando de forma significativa estes doentes e aumentando a qualidade de vida.

Avanços em radioterapia

Novas máquinas, novas formas de planear o tratamento e de ratar o cancro com radioterapia como a utilização de protões, está a tornar a radioterapia mais eficaz e segura. Têm sido fabricados novos modelos de aceleradores de protões, que são mais eficazes e mais baratos. A emissão de feixes de protões de intensidade modulada permite melhor conformidade da radiação ao tumor com substancial redução da dose fornecida a órgãos saudáveis envolventes (menos complicações), e por último tem havido desenvolvimento de novos detectores para imagiologia com protões. Todos estes factos fazem com que a radioterapia seja uma opção no tratamento do cancro indispensável. 

 

Como actua o mecanismo da radiação ionizante

 

Radiação significa a propagação de energia de um ponto a outro no espaço, ou em um meio material, a determinada velocidade. A radiação ionizante possui energia suficiente para ionizar átomos e moléculas. Ionizar é o processo de transformar átomos, ou moléculas de carga neutra, em seus respectivos iões, ou seja, átomos ou moléculas eletricamente carregados. Ao perder electrões, o átomo ou grupo de átomos ficará com a carga positiva e se ganhar electrões a carga será negativa. Ora a radiação ionizante é o tipo de radiação capaz de ionizar. Partículas como os electrões e os protões que possuam altas energias e são ionizantes. As partículas alfa, partículas beta (electrões e positrões), os raios gama, raios-x e neutrões têm capacidade de radiação ionizante. A energia mínima típica da radiação ionizante é de cerca de 10 eV. As fontes artificiais de radiação são os reactores nucleares, os aceleradores de partículas e os tubos de raios X. As fontes naturais são os radionuclídeos e radiação cósmica. 

 

Tipos de aparelhos de radioterapia externa

 

Equipamentos de Quilovoltagem

São tubos convencionais de raios X. A voltagem aplicada entre os eléctrodos é no máximo de 250 kV. Por essa razão, esses equipamentos são usados principalmente no tratamento de tumores superficiais (lesões malignas da pele), devido à maior parte da energia do feixe ser depositada a apenas alguns milímetros de profundidade. As doses administradas neste tipo de técnica são muito variáveis, podendo ir até algumas dezenas de Grays (Gy).

Equipamentos de Megavoltagem

Nessa classe de equipamentos situam-se os aceleradores de partículas como aceleradores lineares. Num caso típico em que os electrões atingem uma energia de 22 MeV, a dose máxima dos raios-X ocorrerá entre 4 e 5 centímetros (cm) de profundidade, decresce para 83% a 10 cm e para 50% a 25 cm. Portanto, no tratamento de tumores em órgãos mais profundos, como pulmão, bexiga, próstata, útero, laringe, esófago, usam-se radiações de energias mais elevadas no sentido de poupar os tecidos sãos mais superficiais.

Estes aparelhos estão colocados em edifícios especiais os bunkers em que as radiações não conseguem atravessar as paredes e assim as pessoas no exterior não são expostas às radiações.

 

 

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Dia Mundial do Dador de Sangue

Obrigado por salvar a minha vida!

 

Todos os anos, a 14 de Junho, a Região Africana junta-se à comunidade global para celebrar o Dia Mundial do Dador de Sangue. O tema deste ano, “Obrigado por salvar a minha vida” tem por finalidade aumentar a sensibilização sobre por que motivo é essencial para todos os países o acesso oportuno a sangue e a produtos do sangue seguros, e incentiva os dadores a darem sangue voluntariamente e com frequência.

 

Matshidiso Moeti

Directora Regional da OMS para África

 

 

 

As actividades do Dia Mundial do Dador de Sangue são essenciais para garantir que o sangue e os produtos do sangue seguros e de qualidade estão disponíveis quando os doentes mais deles precisam. As transfusões de sangue desempenham um papel vital na prestação de cuidados de saúde, sobretudo para as pessoas vulneráveis, tais como mulheres que sofrem hemorragias durante ou após o parto, crianças que sofrem de anemia grave devido a paludismo ou desnutrição, vítimas de traumatismos ou acidentes e doentes que sofrem de drepanocitose.

Embora os países da Região Africana tenham realizados progressos na colheita de sangue, o número de dádivas de sangue continua a ser baixo na Região. Em 2013, as dádivas de sangue ascenderam a cerca de 3,9 milhões de unidades, o que cobre apenas cerca de 50% do sangue e dos produtos do sangue de que os países necessitam. Actualmente, as reservas nacionais de sangue em 24 países assentam em 80% a 100% de dádivas de sangue voluntárias e gratuitas.

A insuficiência de dádivas de sangue deve-se muitas vezes à falta de infra-estruturas e de profissionais de saúde qualificados, e ainda a dificuldades de comunicação que entravam a organização de colheitas de sangue. Dar sangue é um gesto altruísta e nobre, que devolve a vida e a esperança aos doentes. Manifesto a minha gratidão a todos os dadores por darem sangue com regularidade e às associações de dadores de sangue e organizações não-governamentais que trabalham de forma incansável para disponibilizar sangue seguro às unidades de cuidados de saúde em toda a Região.

Ao celebrarmos o Dia Mundial do Dador de Sangue, lanço um apelo a todos na Região para que sigam este exemplo altruísta dos dadores de sangue e dêem sangue para garantir que existe um abastecimento adequado nas unidades de saúde. Incentivo as autoridades nacionais de saúde a apoiarem e implementarem políticas que permitam alcançar-se uma auto-suficiência de sangue e de produtos do sangue.

O Escritório Regional para a África vai continuar a apoiar os países e todas as iniciativas adequadas com vista a aumentar o acesso a sangue e a produtos do sangue seguro para salvar as vidas dos doentes que deles precisam na Região Africana.

 

 

 

 

 

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Angola e São Tomé e Príncipe estreitam relações no sector da saúde

 

Maria de Jesus Trovoada dos Santos  “A minha visita teve como objectivo promover a troca de experiências entre os dois sectores porque Angola é um exemplo no desenvolvimento dos serviços de saúde, no contexto actual, e, por esse motivo, um parceiro a ter em conta quando se pretende dar saltos qualitativos na assistência médica e medicamentosa”

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

A Ministra da Saúde de São Tomé e Príncipe, Maria de Jesus Trovoada dos Santos, visitou Angola entre os dias 4 e 7 de Maio, no âmbito do estreitamento de relações entre os dois Estados. O ministro da Saúde, José Van-Dúnem, acompanhou a visita e mostrou-se disponível para formalizar novos acordos com o governo santomense.

 

Durante a estadia de três dias no país e na companhia do director geral do Hospital Nacional de São Tomé e Príncipe, Eduardo Monteiro, a governante visitou várias unidades hospitalares em Luanda, como o Hospital Américo Boavida, o Hospital Josina Machel, a Clínica Girassol e a Maternidade Augusto Ngangula. Ambos estiveram ainda na Faculdade de Medicina, no Hospital Municipal do Cambiote, no Hospital Central do Huambo e na feira da saúde no Jardim da Cultura no centro da cidade do Huambo onde testemunhou a entrega de ambulâncias. A visita da Ministra enquadra-se no estreitamento das boas relações entre os dois Estados no que respeita à formação de quadros e troca de saberes com as autoridades sanitárias do país.

No encontro com José Van-Dúnem e com os órgãos do Conselho de Direcção do Ministério da Saúde teve a possibilidade de conhecer de forma detalhada as ferramentas mestras que têm sido utilizadas para assegurar e garantir a saúde aos angolanos. A Ministra da Saúde de São Tomé e Príncipe garantiu que a sua vinda ao país teve como objectivo “promover a troca de experiências entre os dois sectores porque Angola é um exemplo no desenvolvimento dos serviços de saúde no contexto actual e, por esse motivo, um parceiro a ter em conta quando se pretende dar saltos qualitativos na assistência médica e medicamentosa”.

Considerando que Angola está a desenvolver o seu sector da saúde e que por si só existe uma grande diferença entre os dois países no que se refere, por exemplo, aos recursos humanos e equipamentos de tecnologia avançada, Maria de Jesus Trovoada dos Santos reforçou a ideia de que é “importante aproveitar a experiência e a competência profissional de Angola para formar os seus quadros”.

 

Apostar no sector em conjunto

José Van-Dúnem afirmou estar disponível para “a formalização de novos acordos com São Tomé e Príncipe em várias áreas pois só é possível crescer quando existir este tipo de parcerias entre os países. Angola não irá fugir desta realidade”. A nação santomense pode contar com esta parceria na área da saúde. “Todas as dificuldades que estão a ser enfrentadas do ponto de vista da assistência sanitária serão ultrapassadas e esse é o nosso desejo e do executivo de São Tomé e Príncipe. É necessário que se dêem passos precisos e seguros para que se alcancem estes objectivos. É mais fácil vencer unidos do que sozinhos”, adiantou o Ministro da Saúde angolano. Acima de tudo, Angola agradece o reconhecimento que lhes foi atribuído pela nação santomense. “Reitero a minha satisfação, visto que os nossos esforços em prol do melhoramento do Sistema Nacional de Saúde, não são apenas observados pelo povo angolano, mais sim por outras populações que esperam que este feito seja compartilhado em conjunto”, concluiu.

 

 

 

 

 

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Os medicamentos à base de plantas

 

n As plantas medicinais têm sido, ao longo dos tempos, uma fonte de moléculas que foram exploradas para fins terapêuticos.

Considera-se medicinal a planta administrada sob qualquer forma, e por qualquer via, ao homem e que exerce uma acção farmacológica. As plantas podem ser classificadas de acordo com a sua ordem de importância: plantas empregadas directamente na terapêutica, plantas utilizadas como matéria-prima para manipulação e, por último, as utilizadas na indústria para obtenção de princípios activos.

A fitoterapia e o uso de plantas medicinais fazem parte da prática da medicina popular, constituindo um saber geracional transmitido muitas vezes pela tradição oral.

Uma orientação para que haja uma utilização adequada, sem perda de eficácia e sem risco de ocorrência de intoxicações, é fundamental.

A fitoterapia apresenta-se como uma possibilidade de actuar como coadjuvante nos tratamentos alopáticos, desde que sejam levadas em consideração suas possíveis complicações.

 

História

No que diz respeito ao conhecimento humano das plantas medicinais, distinguem-se três grandes períodos ao longo da história. Durante as Antiguidades egípcias, grega e romana acumularam-se numerosos conhecimentos empíricos que foram transmitidos aos europeus, especialmente por intermédio dos árabes. O longo período que se seguiu no Ocidente, a queda do Império Romano, designado universalmente por Idade Média, não foi exactamente uma época caracterizada por rápidos progressos científicos. Os domínios da ciência, da magia e da feitiçaria, confundiram-se frequentemente: drogas como meimendro-negro, a beladona e a mandrágora, foram consideradas como plantas de origem diabólica.

O desenvolvimento das rotas marítimas colocou efectivamente a Europa no centro do mundo, os produtos dos países longínquos abundam e, entre eles, as plantas até aí desconhecidas.

Finalmente, os esforços de classificação culminam, em 1735, com a publicação do Systema Naturae, de Lineu. No final do século XVIII, o rápido desenvolvimento das ciências modernas veio enriquecer e diversificar em proporções extraordinárias os conhecimentos sobre as plantas.

Se fizer uma retrospectiva do caminho percorrido desde as primeiras receitas conhecidas da época da sexta dinastia egípcia, verificar-se-á que foi uma longa caminhada. Contudo, comprovar-se-á que ela sempre se desenvolveu na mesma direção, sem mudanças radicais. O catálogo das plantas medicinais enriqueceu-se, a descrição das características dos simples e a indicação de suas utilizações foram aprofundadas, a classificação das suas espécies foi feita com base científica.

 

Actualidade

O uso de plantas medicinais pela população mundial tem sido muito significativo nos últimos tempos. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que cerca de 80% da população mundial fez uso de algum tipo de planta na busca de alívio de alguma sintomatologia. Desse total, pelo menos 30% foi sob indicação médica.

 

Classificação

É geralmente entendido como «medicamento à base de plantas», qualquer medicamento que tenha exclusivamente como substâncias activas uma, ou mais, substâncias derivadas de plantas, uma, ou mais, preparações à base de plantas, ou uma, ou mais, substâncias derivadas de plantas em associação com uma ou mais preparações à base de plantas.

Os medicamentos à base de plantas devem possuir as seguintes características:

a)Terem indicações exclusivamente adequadas a medicamentos à base de plantas e, dadas a sua composição e finalidade, destinarem-se à utilização sem vigilância de um médico para fins de diagnóstico, prescrição ou monitorização do tratamento;

b) Destinarem-se a ser administrados exclusivamente de acordo com uma dosagem e posologia especificadas;

c) Poderem ser administrados por uma ou mais das seguintes vias: oral, externa ou inalatória;

d) Já sejam objecto de longa utilização terapêutica,

e) Sejam comprovadamente não nocivos quando utilizados nas condições especificadas, de acordo com a informação existente.

f) Possam demonstrar, de acordo com informação existente, efeitos farmacológicos ou de eficácia plausível, tendo em conta a utilização e a experiência de longa data.

A planta medicinal contém um certo número de substâncias que, na maior parte dos casos, agem sobre o organismo humano. É a fitoquímica (química dos vegetais) que se encarrega de estudar estas substâncias activas, a sua estrutura, a sua distribuição na planta, as suas modificações e os processos de transformação que se produzem no decurso da vida da planta, durante a preparação do medicamento e no período de armazenagem. A fitoquímica está em estreita ligação com a farmacologia (estudos dos efeitos das substâncias medicinais sobre o organismo humano, do mecanismo e da velocidade da sua acção, do processo de absorção e eliminação, das suas indicações, isto é, do uso contra determinadas doenças). A farmacologia, por seu lado, é indissociável da medicina clínica.

Os laboratórios farmacêuticos de manipulação preparam os medicamentos à base de plantas com os princípios activos extraídos das plantas medicinais. Quando os princípios activos causam intoxicações no homem ou em animais, as plantas são denominadas venenosas ou tóxicas. A única distinção entre plantas medicinais e plantas tóxicas está nos efeitos, no organismo, dos seus princípios activos.

A natureza química da droga é determinada pelo seu teor em substâncias pertencentes aos seguintes grupos principais: alcaloides, glicosídeos, saponinas, princípios amargos, taninos, substâncias aromáticas, óleos essenciais e terpenos, óleos gordos, glucoquininas, mucilagens vegetais, hormonas e anti-sépticos vegetais.

Um medicamento à base de plantas é aquele obtido de plantas medicinais, onde são utilizados exclusivamente derivados da planta tais como: suco, cera, exsudato, óleo, extractos, tintura, entre outros. Os medicamentos à base de plantas são medicamentos industrializados com legislação própria em muitos países.

Em resumo, uma planta medicinal não é um medicamento. Também não são considerados medicamentos à base de plantas os chás, os medicamentos homeopáticos e partes de plantas medicinais.

Cada produto deve indicar para o que serve e seus possíveis efeitos colaterais. Os dados devem estar em um folheto informativo na embalagem.

 

Mitos sobre

as plantas medicinais

Parte da população acredita que todos os elementos naturais são benéficos e podem ter um efeito terapêutico. Isto não corresponde à verdade e pode ser perigoso pois origina uma utilização abusiva e muitas vezes errada. Muitas plantas podem causar intoxicação ou provocar efeitos adversos graves.

As plantas medicinais têm uma função de prevenir doenças e promover o bem-estar, porém deverá ser o médico a decidir se é necessário um tratamento com medicamentos alopáticos ou não. A existir dúvida deve ser consultado um médico, ou farmacêutico, que poderá encaminhar para um especialista.

Na próxima edição não perca: Lista de plantas usualmente utilizadas em medicamentos

 

 

 

 

 

 

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Hospital Josina Machel realiza

jornadas científicas de enfermagem

 

A iniciativa insere-se no quadro da formação permanente, que tem sido a linha de actuação da instituição todos os anos, segundo as directrizes do sector. Durante dois dias, no mês de Maio, participantes de várias províncias do país e estrangeiros marcaram presença nas VI Jornadas Científicas de Enfermagem do Hospital Josina Machel / Maria Pia.

 

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

Realizado pela direcção do Hospital, o evento contou com uma mesa do presidium constituída por Ana Maria Pascoal, representante do Vice Presidente, Faustina Inglês Alves, deputada da 7ª Comissão da Assembleia Nacional, Mariquinha Venâncio, directora clínica do Hospital, Alberto Paca, ex-director do hospital, Leonardo Inocêncio, actual director, e Francisco Quimbamba.

O tema em destaque “Enfermeiro Cuidador do Mundo” teve como abordagens a carreira de enfermagem, as normas e rotinas da carreira, a enfermagem, a sua ligação a várias especialidades (como, por exemplo, a cardiologia), a humanização na prestação de cuidados, entre outros.

Os objectivos foram concretizados e passaram pela partilha de conhecimentos técnicos científicos entre os profissionais nacionais e estrangeiros, a melhoria da qualidade de prestação de cuidados de enfermagem de forma sistemática e holística, a deontologia e humanismo e o contributo para a redução da morbi-mortalidade na instituição.

Estas Jornadas inserem-se no esforço do Executivo no âmbito de melhoria do sector visando a prestação dos serviços de saúde com qualidade e um grau de humanização ao ponto de responder às expectativas da população. Sendo a enfermagem a classe motora em qualquer instituição que preste cuidados de saúde, o Hospital Josina Machel “não permitirá que não se cumpram os pressupostos relacionados com a atenção e valorização dos profissionais porque se pretende atingir um certo ascendente para que seja visto pela sociedade como uma unidade de referência”, afirmou Leonardo Inocêncio. Para o director, o hospital que dirige, preza-se pela prestação de serviços e pela assistência dos pacientes com qualidade.

 

 

 

 

 

 

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Formação multimédia e escola online

 

O Ministério da Saúde lançou, no Dia Internacional do Enfermeiro, a 12 de Maio, o programa de formação multimédia e escola online com o objectivo de dotar os enfermeiros angolanos de maiores competências e actualização de conhecimentos. A enorme potencialidade das novas tecnologias permite mais e novas oportunidades a estes profissionais. Estes cursos multimédia proporcionam uma aprendizagem mais lúdica e eficaz. O portal da escola online transmite sons e imagens, ensinando os técnicos de saúde, por exemplo, a escolher da melhor maneira possível o tipo de agulha que podem usar para administrar uma injecção.

O ministro da Saúde, José Van-Dúnem, elogiou os trabalhos e o desempenho dos enfermeiros, por serem “os técnicos mais próximos dos pacientes” e lembrou também que são aqueles que representam “a maior classe do Sistema Nacional de Saúde”.

O Ministro da Educação, Pinda Simão, por sua vez, afirmou que “o lançamento do programa de formação multimédia e da escola online é uma grande iniciativa do Ministério da Saúde que deve ser apoiada pelo seu sector porque a formação contínua é a base de suporte de toda uma carreira profissional”.

 

 

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Hospital provincial vai oferecer novos serviços

 

Autópsia, tratamento de queimados, cuidados intensivos e pediatria são algumas das novas valências

 

n O Hospital provincial do Cuanza Norte, localizado na cidade de Ndalatando, capital da província, contará pela primeira vez “com serviços de autópsia, para  determinar as causas da morte, através de exames médicos”, informou  o Director Provincial  de Saúde, Manuel Duarte Varela. Assim, os profissionais de saúde poderão conhecer  as reais causas de morte dos pacientes e com essa informação “prevenirem possíveis óbitos futuros, através de diagnóstico e tratamento preventivo de certas doenças”.

O responsável referiu ainda que “esta inovação faz parte do conjunto de novos serviços que a maior unidade sanitária da província vai beneficiar nos próximos tempos, no quadro do programa de reabilitação e ampliação da infraestrutura, em curso há dois anos”.

Entre os novos serviços que a ampliação da nova estrutura permitirá constam uma unidade de tratamento de  queimados, com 35 camas, cuidados intensivos, com 20 camas, quatro salas operatórias,  uma pediatria com capacidade para  36 internamentos, anatomia patológica, bem como de produção de gases medicinais.

No âmbito da ampliação, o Hospital Provincial vai ainda ganhar um novo bloco para albergar os serviços administrativos, novas enfermarias com 30 camas, assim como nove residências para acomodação de técnicos da instituição. A capacidade de internamento passará de 120 para 250 camas.

 

 

 

 

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População chama-lhe "via aberta", médicos suspeitam de doença diarreica

 

É um tema que está a causar preocupação aos especialistas de saúde. Algumas pessoas, sobretudo nas zonas rurais, optam por tratamentos caseiros em vez de recorrerem a serviços médicos especializados perante sintomas do foro diarreico. Alguns casos são fatais ou chegam num estado muito avançado às unidades de saúde.

 

A população chama-lhe “via aberta”, mas os médicos suspeitam que se trate de uma doença diarreica.

É uma patologia até aqui desconhecida que, segundo a população, apresenta sinais sintomáticos, como a da diarreia, cujo tratamento popular é o tradicional, por via de administração de ervas via anal.

O director geral do Hospital do Cazengo olha com preocupação os muitos casos daquilo que a população dá o nome de “via aberta”.

José Franco Martins reconhece que o assunto está a causar inquietação aos especialistas em saúde, pelo facto de os tratamentos caseiros efectuados para a cura da referida doença terem já provocado a morte de alguns pacientes por intoxicação.

Segundo o médico, a doença é uma patologia ou grupo de patologias, designado pela população por “via aberta”, cujos  sintomas  consubstanciam-se em  dores abdominais e diarreia, levando os especialistas a suspeitar que se tratam de patologias diarreicas.

José Martins esclareceu que “a população dedica-se a práticas medicinais tradicionais com a introdução de materiais vegetais puros no ânus e, em alguns casos, nos órgãos genitais femininos criando um ‘tampão’ para tratarem a doença”.

Esclareceu, sem indicar números, “que foram registados, naquela unidade, vários casos de intoxicação, alguns dos quais resultaram em morte, tendo como causa a referida prática”.

Para o médico, “o ânus é a via mais rápida de absorção de qualquer medicamento. Logo, se a folha utilizada no tratamento for tóxica, a absorção do material vegetal acaba por produzir o quadro que os doentes, nos casos referidos,  têm apresentado, como o estado de coma surgindo outros com dificuldades respiratórias”.

 

Desconhecimento pode ser fatal

Já no município de Ambaca, a 180 quilómetros de Ndalatando, pelo menos 10 pessoas, entre adultos e crianças, foram vítimas, entre Fevereiro e princípios de Maio deste ano, de intoxicação medicamentosa e alergias,  em consequência de tratamentos efectuados com ervas medicinais administrados por terapeutas tradicionais (kimbandas e curandeiros).

A denúncia foi feita  pelo director do Hospital Municipal de Ambaca, Caetano José Miguel, que manifestou preocupação com o facto de as populações, sobretudo as das zonas rurais, preferirem o tratamento tradicional realizado por indivíduos sem preparação para tal em detrimento dos serviços médicos especializados.

Caetano Miguel esclareceu  que, “dos 10 casos de intoxicação registados, 9 surgiram nas comunas do Bindo, Tango e Máua cujos pacientes apresentaram um quadro clínico preocupante, com fortes sinais de desidratação, tonturas e exaustão, fruto do tipo de tratamento a que foram submetidos”.

O médico disse que “não houve registo de vítimas mortais e todos os casos foram tratados naquela unidade sanitária e devidamente controlados, referindo ainda que, se demorassem mais tempo em procurar assistência médica especializada, o desfecho poderia ter sido fatal”.

A fonte apontou a falta de informação e alguns tabus como as causas destas ocorrências, pois,  esta realidade torna as pessoas mais vulneráveis a acções de pessoas de má-fé que têm como motivação extorquir dinheiro.

Caetano José Miguel afirma que “as autoridades sanitárias têm em vista a realização de palestras e campanhas de sensibilização nas comunidades, com maior incidência no meio rural, de forma a desencorajar tal prática e a inverter esta realidade”.

 

 

 

 

 

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Vítimas de mordeduras de animais  sem vacinas anti-rábica

 

O Director Provincial de Saúde no Cuanza Norte, Manuel Duarte Varela, afirmou, em Ndalatando, que a falta de vacinas anti-rábica humana nos hospitais da província está a dificultar o atendimento de pacientes vítimas de mordedura de animais, facto que está a preocupar as autoridades sanitárias da região.

Manuel Varela referiu que, por falta de vacinas, em caso de mordedura de animais, as vítimas que aparecem nas unidades sanitárias beneficiam apenas dos primeiros socorros consubstanciados na lavagem do local da mordedura.

O responsável disse, sem adiantar por quanto tempo o facto persiste, que as autoridades locais  já solicitaram apoio da Direcção Nacional de Saúde Pública no sentido de resolver a situação, aguardando por uma solução.

 “Temos registado casos de mordeduras de animais, mas, por falta de vacina anti-rábica humana, as vítimas de agressões de animais ficam sem imunização”, sublinhou o responsável.

Para atenuar a situação, Manuel Varela disse que as autoridades recomendam aos cidadãos um maior cuidado com os animais, incluindo a sua vacinação, e o cumprimento das normas de higiene, como lavar a ferida com água e sabão mantendo-a asseada, bem como seguirem o comportamento do animal durante os 12 dias subsequentes.

O responsável frisou que “a raiva constitui um problema de saúde pública que envolve uma actuação multi-sectorial do governo, cabendo, na província, à Direcção da Agricultura, a coordenação das acções de combate à doença, através da vacinação dos animais”.

 

 

 

 

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Competição entre universidades angolanas promovida pela BP

Estudantes de engenharia encontram solução para aproveitamento de águas residuais da produção petrolífera

 

Uma equipa de três estudantes de engenharia da Universidade Agostinho Neto venceu este mês uma competição, aberta às universidades do país, com vista a encontrar a melhor solução tecnológica para o aproveitamento da água residual que resulta da produção petrolífera.

 

Sérgio Gonçalves Viagee, Hermenegildo Rangel e Kelson Tomás vão agora participar numa viagem de partilha de experiência com outras equipas vencedoras do Reino Unido, Canadá e Estados Unidos que terá lugar em Trinidad e Tobago,

 

O problema

que resolveram

A produção petrolífera traz consigo um efluente residual, geralmente denominado “água produzida”, que constitui o maior resíduo resultante desta actividade e um factor de grande preocupação quanto ao seu destino, devido às grandes concentrações de materiais poluentes que possui. As petrolíferas gastam anualmente cerca de 40 milhões de dólares para o tratamento desta água só para efeitos da sua descarga.

O projecto apresentado consiste em utilizar a pressão dessa água de injecção para fazer funcionar uma turbina que, por sua vez, acciona um gerador eléctrico que produz energia. Ao mesmo tempo, faz trabalhar uma bomba centrífuga auxiliar para trazer o petróleo bruto, através das tubagens, desde os poços de petróleo no fundo do mar até à superfície.

A energia produzida irá alimentar os mais variados componentes de baixo consumo, como sensores, válvulas e controladores de pressão, entre outros.

De acordo com Sérgio Viaje “a ideia baseou-se em dois princípios da física, nomeadamente a lei de Faraday e a lei da conservação da energia – na natureza, a energia não se cria, nem se perde, apenas se transforma”.

Segundo Hermenegildo Rangel “o projecto melhora significativamente o sistema de produção de petróleo e gás, exclui a necessidade do uso de outras fontes de energia para abastecimento do sistema de válvulas  e sensores submarinos,  permitindo maximizar a produção, ao mesmo tempo que fornece uma solução de bombeamento eficiente e confiável, mantendo os custos de manutenção ao mínimo”.

Para Kelson Tomás “a solução procura também responder às necessidades e desafios  actuais do país, ao aumentar a eficiência sem gerar um excessivo aumento dos gastos, criando assim uma relação gastos/eficiência abaixo do habitual”. A ideia “cumpre ainda todos os parâmetros legais e ambientais em vigor no país”.

Concurso a nível global

De acordo com o director de Comunicação Corporativa da BP Angola, António Vueba, o concurso, aberto a nível global, pretende “aproximar a academia à indústria, procurando soluções tecnológicas inovadoras nas universidades”. Os estudantes angolanos “responderam muito bem e constituem um excelente exemplo”, concluiu.

Esta iniciativa, denominada UFT - Viagem Final de Campo consiste num concurso dirigido a estudantes de ciências, tecnologia, engenharia, matemática e disciplinas associadas. Trata-se do segundo ano em que universidades angolanas participam no evento. A equipa vencedora de Angola em 2014 beneficiou de uma visita de campo, de duas semanas, a Chicago e Alasca, nos Estados Unidos.

O UFT foi lançado no Reino Unido, em 2010, e vai agora na sua sexta edição consecutiva. Participaram um total de 3.849 estudantes até o momento, havendo equipas vencedoras provenientes de universidades do Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Angola.  ”.

 

 

 

 

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“Os jovens começam a ganhar interesse na formação em saúde”

 

Casimiro José

Correspondente no Cuanza Sul

Texto e fotografias

 

 

 A Escola de Formação de Técnicos de Saúde do Cuanza-Sul, instalada na cidade do Sumbe, pretende afirmar-se como uma instituição de excelência, visando responder aos desafios do presente e do futuro, no quadro do Programa de Desenvolvimento Sanitário do Ministério da Saúde para o período 2012/2025. Em entrevista ao Jornal da Saúde, o director da Escola, Crisóstomo Firmino, afirmou que estão em curso algumas actividades, destacando-se a ampliação das infraestruturas desta escola e a formação de docentes.

 

 

n A carteira de projectos da instituição contempla a aquisição de laboratórios de especialização em estomatologia, farmácia e de análises clínicas, além da construção de um lar de estudantes para alojar estudantes vindos do interior da província.

Crisóstomo Firmino manifestou a sua preocupação quanto ao corpo docente da escola, tendo adiantado que a instituição conta com apenas 79 professores dos 215 necessários e considerou que a situação pode ser invertida nos próximos tempos, com a captação de quadros em formação logo que concluam a licenciatura ou o doutoramento. Estes e outros temas em destaque na entrevista que concedeu ao nosso Jornal e que partilhamos consigo nesta edição.

— Qual é a avaliação que faz da prestação da Escola na formação de técnicos de saúde no Cuanza Sul?

A Escola de Formação de Técnicos de Saúde, desde a sua criação, em 1976, tem passado por várias transformações – quer do ponto de vista estrutural, como do figurino curricular. Teve, e continua a ter, um desempenho positivo. Até 2011, a Escola formou apenas técnicos básicos de saúde. Mas, a partir de 2012, até à data, passou a formar técnicos  médios, no quadro da filosofia que o MINSA adoptou em todas instituições de formação de técnicos de saúde.

Desde a sua criação até 2011, a Escola já lançou ao mercado de trabalho, um total de 9.450 técnicos básicos. Após a sua conversão para o curso médio, este ano, 455 técnicos dos cursos de promoção concluíram a sua formação média, o que nos anima bastante. Vamos continuar nesta senda, até que atinjamos a excelência que se pretende.

Para o presente ano lectivo, estão matriculados 1.678 alunos regulares que frequentam diversos cursos ministrados na escola, como o laboratório de análises clínicas e a enfermagem geral. Além destes, frequentam outros 485 técnicos do curso de promoção no Sumbe e no Núcleo do Wako Kungo.

— A estrutura humana e material da Escola na província responde aos desafios actuais?

— Estamos muito a aquém das necessidades e só temos vindo a dar resposta com esforços redobrados. Dispomos actualmente de 43 funcionários administrativos e 79 professores, dos 215 necessários. No quadro docente, as necessidades são maiores com o pessoal existente. Quanto às infraestruturas, também enfrentamos dificuldades, pois temos em funcionamento 11 salas, das quais duas  foram emprestadas pelo Instituto Médio Politécnico do Sumbe, três laboratórios, sendo um destinado à enfermagem geral, outro para análises clínicas e um último destinado à informática. Temos também quatro salas do Núcleo do Wako Kungo, no município da Cela.

Contudo, a situação das infraestruturas vai ser minimizada quando forem concluídas as obras em doze salas em construção na parte adjacente da escola e que vai permitir incluir cursos de estomatologia e de farmácia. Outra valência que vai trazer a entrada em funcionamento das salas em obras é a introdução de cursos de especialização pós-média, privilegiando os cursos de instrumentação, traumatologia, cuidados intensivos e estatística médica. Para isso, devemos prestar atenção na contratação de mais professores, com recurso ao pessoal expatriado e profissionais nacionais que concluam cursos de licenciatura ou doutoramento no ramo de enfermagem.

Em suma, é um exercício muito grande para conseguirmos acompanhar a evolução da instituição e da sociedade.

— Qual é o impacto actual da escola face aos anseios dos jovens a até de adultos que se pretendem formar em enfermagem na província?

— Actualmente, a nossa instituição começa a ter um impacto de realce, na medida em que os jovens começam a ganhar interesse pela sua formação na área da saúde. Isso acontece porque já é possível passar aos cursos de especialização nas diversas áreas. Além disso, a formação foi impulsionada, quer do ponto de vista quantitativo, como qualitativo.

Em termos funcionais, temos já resultados mensuráveis na nossa instituição, como por exemplo, a criação de espaços verdes, de balneários, de biblioteca com um acervo bibliográfico moderno, de livraria, da existência de gabinetes de pedagógico e de coordenação dos cursos, bem como um outro gabinete de inserção da vida activa dos alunos (GIVA) e de um posto de socorro. Destacamos ainda a reestruturação administrativa e técnica do Núcleo do Wako Kungo, entre outras realizações.

Porém, ainda não sentimos o dever cumprido, por se tratar de um processo contínuo.

— O que preocupa presentemente a instituição?

— As preocupações são várias mas podemos destacar a insuficiência de salas, a falta de mais laboratórios, de simuladores para reforçar os já existentes, a falta de cursos de graduação pós-média e da necessidade de 13 docentes para a componente técnica e de oito docentes para a componente sócio-cultural.

— Quais os grandes desafios para os próximos tempos?

— Os principais desafios que temos pela frente, a curto, médio e longo prazos, apontam para a melhoria da escola, a capacitação dos docentes e do pessoal administrativo, a criação de um banco de dados e de serviços de vídeo-segurança. Queremos ainda criar uma enfermaria escola no Hospital Geral “17 de Setembro” do Sumbe, um campo para a educação física e um espaço para actividades culturais. Vamos também assegurar a curto prazo a inclusão curricular dos cursos de estomatologia e farmácia para os alunos regulares.

 

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Projecto sanitário com apoio da BP Angola apresenta resultados encorajadores

Moradores do bairro da Boavistajá sabem o que é viver sem lixo

 

Glória Águas, Luís Óscar e Rui Moreira de Sá

Fotos: Jorge Vieira

 

Em pouco mais de ano e meio,  a situação caótica que envolvia literalmente de lixo, desde o tempo colonial, a população do bairro da Boavista, em Luanda, sofreu uma transformação radical.

 

n Graças ao Projecto de Educação Higiénica e Sanitária, desenvolvido pela Associação para o Desenvolvimento Comunitário (AIDC), com o apoio da BP Angola, a vida dos 4500 habitantes do Bairro da Boavista melhorou de tal maneira que o bairro parece novo.

As características “montanhas” na paisagem do Bairro da Boavista têm, na realidade, a sua origem no depósito de lixo e esgotos produzidos pela população de Luanda, que nunca sofreu qualquer tipo de tratamento e foi-se amontoando.

Até Junho de 2013 nunca houve uma preocupação efectiva com esta situação insalubre, causadora de grandes transtornos na saúde pública, altura em que um conjunto de actores sociais relevantes, motivado pela proposta da AIDC, avançou com o Projecto de Educação Higiénica e Sanitária.

O objectivo era claro: reduzir o lixo que tomava conta do ambiente mas, acima de tudo, conseguir que a população ficasse sensibilizada e envolvida para as questões de saúde pública, concedendo instrumentos de remoção de lixo e locais de depósito.

 

Uma receita vencedora

O êxito alcançado com o projecto no Bairro da Boavista já faz sonhar com a replicação do modelo em outras localidades com problemas similares.

“No início do Projecto, havia dezassete lixeiras grandes, dispersas ao longo das estradas principais deste bairro”, recorda Domingos Jorge, responsável da AIDC e coordenador do Projecto. “Não existia um único contentor que pudesse ajudar a atenuar o excesso de lixo espalhado nestes locais”, lembra o dirigente comunitário para logo de seguida fazer uma ressalva: “Ou melhor, a Sonils possuía um contentor em frente das suas instalações, cuja presença era praticamente irrelevante diante do desafio que existia. Hoje há 26 contentores.”

Partindo deste cenário dramático, foram desenhadas e executadas as actividades do Projecto de Educação Higiénica e Sanitária, no sentido de dar uma resposta concreta e racional à situação.

Criou-se uma dinâmica entre instituições públicas, privadas e filantrópicas, sob a coordenação da administração local, estabelecendo-se um mecanismo de coordenação eficaz, que permitiu a concertação de ideias à medida que o projecto progredia. A parceria envolveu a Administração Comunal, a Comissão de Moradores, o complexo desportivo da Boavista, as empresas Ecoverde, Elisal, Textang, Caminhos de Ferro de Luanda (CFL) e, ainda, a Escola Sol Nascente.

Simultaneamente, foram executados trabalhos voluntários regulares, fundamentalmente aos sábados, reforçados por acções contínuas de mobilização comunitária.

Paralelamente ao trabalho em campo, foram encetadas intervenções de advocacia em prol da instalação de uma operadora que tivesse uma presença mais regular.

Na hora do balanço, um dos mentores do Projecto de Educação Higiénica e Sanitária não tem dúvidas: “Os objectivos foram atingidos. Porém, tem de haver um trabalho constante. Não é fácil as pessoas mudarem de atitude, principalmente se, ao seu redor, existirem ainda montanhas de lixo que ‘desagua’, quando há chuvas”, admite Domingos Jorge.

 

 

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Meia centena de activistas fizeram a diferença

 

Os primeiros passos do Projecto de Educação Higiénica e Sanitária no Bairro da Boavista não foram fáceis.

 

“No início, houve alguns constrangimentos, que foram ultrapassados quando a população percebeu que era para seu bem”, conta Germano Tchitumba, chefe de secção para os Assuntos Comunitários da Direcção Comunal.

Tudo começou com uma campanha e a formação de 50 activistas devidamente certificados. “Ainda temos um mal na nossa sociedade de Luanda. Torna-se muito difícil trabalhar ‘sem nada’, como eles dizem”, explica Germano Tchitumba, referindo-se à dificuldade em recrutar voluntários para a causa.

O obstáculo seguinte revelou-se já no contacto com a população. “Nem sempre os activistas foram muito bem recebidos na comunidade, pois alguns achavam aquilo uma brincadeira e outros gozavam mesmo”, lamenta o dirigente comunal, trazendo à memória os primeiros tempos.

Mas os activistas, bem formados, ultrapassaram a pressão social e prosseguiram a sua missão de sensibilização para a importância da higiene e limpeza da comunidade. Paralelamente, foram efectuadas recolhas de lixo, trazendo maior credibilidade e aceitação por parte da comunidade. Foi quando se deu a entrada em cena da Elisal, assegurando o transporte do lixo.

 

 As antigas condições propiciavam doenças

Germano Tchitumba alinha com Domingos Jorge quando refere que “ainda há muito a fazer em termos de saneamento no Bairro da Boavista, apesar do sucesso deste projecto. É preciso mudar de o patamar de mentalidade”, insiste o responsável comunal.

Mas a verdade é que a chegada dos contentores, objectivo pelo qual a organização deste projecto sempre se bateu, levou as pessoas a começarem a “acreditar”. “Hoje já conseguimos ver ruas inteiras sem lixo no chão e os contentores carregados”, constata Germano Tchitumba.

As contas relativas à melhoria dos indicadores de saúde pública ainda estão por fazer. “Só os técnicos de saúde poderão avaliar e afirmar se houve redução do número de casos de cólera e paludismo”, afirma, cautelosamente, Germano Tchitumba, sem deixar de acrescentar que “no que concerne às condições que propiciam essas doenças, houve uma melhoria das condições, com a redução do lixo”.

 

 

 

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Desporto e limpeza jogam um com o outro a bem da saúde

 

Mais de cem pessoas estiveram envolvidas nas actividades desportivas associadas ao Projecto de Educação Higiénica e Sanitária,.

 “Foi muito bonito. Envolveu muito as crianças. Elas estavam felizes”, diz, entusiasmado, Adriano José Bernardo, responsável pela Cultura, Acção Social e Desporto da Comissão de Moradores.

Futebol, basquetebol, andebol e, por vezes, música, são as actividades que continuam a praticar-se todas as semanas na comunidade, aos sábados, como aconteceu no 1º de Maio, para celebrar o Dia do Trabalhador.

Para o administrador do complexo multiusos da Boavista, Shaff Costa Dias, o projecto envolveu muitos jovens e permitiu “retirá-los da rua e da droga”.

 

 

 

 

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