MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Rui Moreira de Sá

Director Editorial

direccao@jornaldasaude.org

Porque é importante doar sangue

 

O aumento do número de pessoas que dão sangue de modo voluntário e regular é o único meio de assegurar o acesso universal a sangue seguro para todos os doentes que necessitam de uma transfusão sanguínea.

Por isso, nunca é de mais salientar a necessidade de dispormos continuadamente de sangue seguro em Angola. Na origem  da   procura  de   sangue, encontram-se as ainda elevadas taxas de mortalidade materna, pesem embora os significativos progressos conseguidos nos últimos anos. Quase 40% dos óbitos maternos devem-se precisamente a  hemorragias, pelo que a disponibilidade de sangue salva as vidas de muitas destas mães.

Por outro lado, o Relatório Mundial da Malária 2016, da Organização Mundial da Saúde (OMS)  alerta que a doença continua sendo um problema de saúde global. No ano passado, foram registados 212 milhões de casos e 429 mil mortes. A situação é mais grave na África Subsaariana que concentra 90% dos casos e 92% das mortes em todo o mundo. As crianças com menos de cinco anos são mais vulneráveis. Calcula-se que elas representam 70% de todos os óbitos. Em algumas áreas, cerca de 7,5% destas mortes devem-se a anemia grave associada ao paludismo. Uma vez mais, a disponibilidade de sangue ajuda a salvar as vidas de milhares de crianças.

São igualmente prevalecentes no país outras doenças e situações médicas cuja gestão requer transfusões sanguíneas, como a anemia falciforme. A estes factores, vêm acrescentar-se elevadas taxas de acidentes de viação e outras lesões que contribuem para uma grande procura de sangue.

Há assim uma grande necessidade de dádivas de sangue na África Subsariana em geral, e em Angola em particular, como revelou a directora-geral do Instituto Nacional do Sangue, Antónia Constantino, em entrevista que concedeu ao JS. Mas os países enfrentam igualmente dificuldades na selecção dos dadores com baixo risco de infecção, devido à elevada prevalência de doenças transmissíveis através de transfusões sanguíneas.

 

Boa governação

Ora, em 2009, escrevia o então Director Regional da OMS África, Luís Gomes Sambo, o nosso actual ministro da Saúde, a este propósito : “Embora os desafios que se colocam à dádiva voluntária de sangue pareçam muito desencorajadores, não são inultrapassáveis. Além disso, o custo a longo prazo de colher sangue de dadores que não são seguros supera em muito qualquer   investimento  que   tenhamos  de fazer para alcançar esta importante meta. Exorto assim os Estados-Membros a incrementar o reforço dos seus serviços de medicina transfusional, de forma não só a aumentar a quantidade de sangue colhido, mas também a garantir que este provém de dadores voluntários não remunerados, como uma importante intervenção no reforço dos sistemas de prestação de cuidados de saúde”.

É, assim, muito gratificante para o cidadão nacional constatar que, precisamente, o que Gomes Sambo advogava há uns anos quando dirigia a OMS África está agora, enquanto governante, a orientar e a aplicar em Angola, conforme é patente, entre outros, na vasta campanha que o Instituto Nacional do Sangue implementou este ano para celebrar o dia mundial do dador de sangue, a 14 de Junho, mas que está a decorrer desde Maio, portanto durante dois meses, com um programa vastíssimo de actividades de sensibilização em vários locais e províncias mais críticas, e que terá os seus pontos altos no próximo dia 14 de Junho no Seminário  “Sistema Nacional de Sangue: Desafios e  Perspectivas” e na grande marcha a 17 de Junho, conforme nos revelou a diretora-geral deste Instituto na entrevista que publicamos na presente edição.

Um exemplo de boa governação.

 

 

 

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70ª Assembleia Mundial da Saúde.

Ministro Luís Gomes Sambo destaca os progressos registados no domínio da saúde no país

 

O ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, discursou, este mês de Maio, na 6ª sessão plenária da 70ª Assembleia Mundial da Saúde, no debate geral em nome de Angola, tendo expressado a sua apreciação à presidente pela forma elegante e muito efectiva como tem orientado os trabalhos da Assembleia.

 

Na ocasião, o ministro agradeceu, a Margaret Chan pelo seu último relatório como directora-geral da OMS, no qual realça os progressos alcançados no trabalho de programação, governação e gestão de grupos de trabalho visando tornar a OMS mais efectiva, eficiente, transparente e responsável. Ao dirigir-se a Margaret Chan, manifestou o apreço pelos sábios conselhos para o futuro, em particular aos baseados em evidências que ajudarão aos decisores avançar para os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

Também agradeceu à directora cessante da OMS por ter efectuado duas visitas oficiais ao nosso país, uma em 2008 - quando desafiou o Ministério da Saúde a reduzir o índice de mortalidade materna (MMR) e a taxa de mortalidade infantil (IMR) e também para parar a circulação do poliovírus e, novamente, em 2016 durante o pico da epidemia de febre-amarela, tendo nessa altura deixado sensatos conselhos sobre o plano de resposta à epidemia.

 

Progressos registados

Durante a sua intervenção, o governante angolano, aproveitou a oportunidade para anunciar progressos registados no país no domínio da saúde, nomeadamente no âmbito da erradicação do vírus da poliomielite (último caso notificado em 2011), a redução significativa da mortalidade materna e da mortalidade infantil e o final da epidemia de febre-amarela que afectou o país em 2016.

“Estes são alguns dos benefícios que o povo angolano está a usufruir do ambiente de paz e de estabilidade política desde os últimos 15 anos, o que dá oportunidade de mais investimentos domésticos no sector da saúde”, precisou.

Entretanto, o ministro reconheceu que, actualmente, o sistema nacional de saúde é desafiado com questões de qualidade de atendimento, eficiência na gestão de recursos, capacidade reguladora, protecção social e aumento da cobertura de cuidados de saúde de qualidade em todos os municípios do país. “Estas são algumas das principais componentes da agenda de reforma da saúde para construir um sistema melhor para a saúde na era do desenvolvimento sustentável", apontou.

 

Margaret Chan recebe prémio de liderança e dedicação à vacinação

Sob o lema “Alcançar cada pessoa em todos os sítios, com vacinas que salvam vidas” decorreu numa das salas do Palácio das Nações Unidas em Genebra, uma sessão especial à margem da 70ª Assembleia Mundial da Saúde.

Esta sessão analisou o grau de cumprimento do “Plano de Acção Mundial de Vacinação” pelos representantes dos países, dos parceiros-chave e do pessoal do secretariado Técnico da OMS.

O painel de discussão integrou o ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, que falou sobre a execução do Plano de Acção Mundial de Vacinação em Angola, tendo realçado o sucesso na interrupção da circulação do vírus da poliomielite desde 2011, reconhecendo que em relação à cobertura da DTP3 (vacina contra a difteria, tétano e tosse convulsa) estarmos ainda aquém da meta de 90% de cobertura recomendada em 80% dos municípios do país.

 

 

 

 

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Aumentar os investimentos do programa alargado de vacinação

 

 

Luís Sambo reafirmou o compromisso do Ministério da Saúde em colaboração com os Governos provinciais de aumentar os investimentos e desempenho do Programa Alargado de Vacinação, incluindo a compra de vacinas, para compensar a posição de certos doadores tais como a Aliança Global de Vacinas e Imunização (GAVI) que decidiram cortar o financiamento das vacinas, alegando o facto da transição em breve de Angola para a categoria de país de renda média. Para o efeito, recomendou-se um período transitório durante o qual o governo deverá criar um espaço fiscal e respectivo orçamento para o Programa Alargado de Vacinação.

O titular da pasta da saúde assegurou também o compromisso do Executivo angolano em relação à saúde da população e prometeu elevar o nível da cobertura de vacinação de rotina em Angola para 85% em 2020.

Durante a sessão, Luís Gomes Sambo procedeu à entrega de um prémio em nome da Comunidade Mundial para Imunização à então directora geral da OMS, Margaret Chan.

“Nós distinguimos a sua pessoa com este prémio, como sinal do nosso reconhecimento pela sua liderança e dedicação ao plano de acção mundial de vacinação. Assumimos o compromisso de trabalhar arduamente para vencer os desafios que persistem e alcançar cada pessoa, em todos os sítios, com vacinas que salvam vidas”, disse o ministro da Saúde angolano.

A sessão especial sobre vacinas e imunização foi uma oportunidade de partilha de experiências para melhor entender alguns desafios e soluções para se alcançar os objectivos nacionais e mundiais, no quadro do Plano de Acção Mundial de Vacinação.

 

 

 

 

 

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Nova aliança intensifica luta contra doenças transmitidas por mosquitos

 

 

O novo director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, da Etiópia, eleito durante a 70ª Assembleia da OMS. Os outros dois concorrentes eram David Nabarro, do Reino Unido, e Sania Nishtar, do Paquistão. A missão permanente de Angola junto da Organizações das Nações Unidas em Genebra, na coordenação do Grupo africano, teve papel importante na trajectória da campanha do candidato etíope, endossado pelos Chefes de Estado da União Africana.

 

A iniciativa permite que redes nacionais, governos e outros intervenientes possam gerar e aceder a dados e ferramentas em tempo real através da plataforma eletrónica “Environment Live” das Nações Unidas.

 

Uma nova aliança entre organizações de ciência-cidadã e as Nações Unidas-Ambiente foi  lançada este mês num esforço para intensificar a luta global contra doenças transmitidas por mosquitos, responsáveis por milhões de mortes anualmente.

Em 2015, só a malária causou 438 mil mortes, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

A incidência de dengue a nível mundial aumentou 30 vezes nos últimos 30 anos, e aumentaram também o número de países que reportaram o seu primeiro surto desta doença.

Os esforços sustentados de controlo de mosquitos são fundamentais para prevenirem surtos de doenças transmitidas por estes, as quais incluem ainda Zika, chikungunya e febre-amarela.

A nova iniciativa, designada “Global Mosquito Alert”, reúne milhares de cientistas e voluntários de todo o mundo para monitorizar e controlar doenças transmitidas por mosquitos, incluindo Zika, febre amarela, chikungunya, dengue, malária e febre do Nilo Ocidental. A Global Mosquito Alert é a primeira plataforma global que recorre a técnicas de ciência cidadã para abordar a monitorização das populações de mosquitos.

Espera-se que o programa avance como uma colaboração, envolvendo as Associações de Ciência Cidadã Europeia, Australiana e Americana, bem como a comunidade de ciência cidadã em desenvolvimento no Sudeste Asiático.

O acordo para lançar a iniciativa foi alcançado durante um workshop de dois dias, realizado em Genebra no início deste mês, organizado pelas Nações Unidas-Ambiente, o Wilson Center’s Science and Technology Innovation Program (STIP) e a European Citizen Science Association (ECSA).

Jacqueline McGlade, Directora de Ciência nas Nações Unidas-Ambiente, disse: "O Global Mosquito Alert oferecerá, pela primeira vez, uma plataforma partilhada que permite às pessoas no terreno partilhar as suas observações e informações com um vasto conjunto de cientistas de modo a monitorizar tendências de emergência em tempo real e envolvendo a ciência cidadã na vigilância e controlo global de mosquitos transmissores de doenças.

O Global Mosquito Alert será apoiado por um consórcio de provedores de dados e informações, coordenado pelo Environment Live, plataforma dinâmica de conhecimento da ONU, projetada para colher, processar e partilhar a melhor investigação e ciência ambiental do mundo, criada e mantida pelas Nações Unidas-Ambiente. A plataforma fornece acesso aberto em tempo real aos decisores políticos e ao público em geral, usando redes distribuídas, computação em nuvem, big data e funções de busca aprimoradas.

O consórcio inclui: Mosquito Alert, Espanha; MosquitoWEB, Portugal; ZanzaMapp, Itália; Muggenradar, Holanda; GLOBE Observer Mosquito Habitat Mapper, EUA/Internacional e Invasive Mosquito Project, EUA.

As informações disponibilizadas no Environment Live vão permitir aos decisores minimizar riscos e ameaças à saúde, ao mesmo tempo que disponibilizam aos cidadãos interessados a oportunidade de contribuir com suas observações e possíveis soluções. Os dados fornecidos pelo cidadão aumentarão a informação já disponível nas fontes oficiais.

O novo consórcio concordou em partilhar as abordagens atuais utilizadas na monitorização da dispersão das principais espécies de mosquito e seus locais de criação, e avaliar os níveis de incomodidade impostos por estas espécies de modo a apoiar a gestão de riscos para a saúde pública. O grupo também concordou em reunir conhecimento e experiência em programas de ciência cidadã para monitorizar espécies de mosquitos usando as mais recentes técnicas de identificação de ADN.

 

 

 

 

 

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Antónia Constantino

Precisamos de criar uma cultura de doação de sangue na nossa sociedade, o que exige muito trabalho e informação, para que se consiga salvar mais vidas

INS sensibiliza a população para doar sangue e profissionais para aumentar a segurança no processo de transfusão

 

 

Francisco Cosme dos Santos

com Rui Moreira de Sá

 

Com o objetivo de sensibilizar a população para a importância da doação regular de sangue – e não apenas esporadicamente para familiares –, bem como para a necessidade de se implementarem actividades educativas e formadoras visando maior segurança e qualidade em todo o processo de transfusão, o Instituto Nacional do Sangue (INS) programou um conjunto de actividades pelo país que se iniciaram a 3 de Maio e terminam a 30 de Junho. São oito simpósios, um seminário sobre os desafios e perspectivas do sistema nacional de sangue – que se realiza, em Luanda, a 14 de Junho – e uma marcha, simultânea em todas as províncias do país, que decorre a 17 de Junho.

 

A directora-geral do INS, Antónia Constantino, em entrevista ao JS, adiantou que “uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas e, todos os anos, aproximadamente cerca de 93 milhões de bolsas de sangue são colhidas em todo o mundo. Apesar de parecer um número elevado, milhares de pacientes ainda ficam à espera para fazer uma transfusão”, referiu.

De acordo com a responsável, este cenário agrava-se principalmente nos países subdesenvolvidos e de baixa renda. Uma pesquisa realizada em 173 países revelou que as taxas de doações representam menos de um por cento da população, enquanto o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de três a cinco por cento.

No caso de Angola, uma taxa de 1% corresponderia a mais de 257 mil dadores, o que não se verifica. “Este é o grande objectivo que perseguimos”, assegura, “o que representaria uma colheita de 700 unidades de sangue por dia, cerca de 21 mil mensalmente e 258 mil anualmente”.

Para a promoção da dádiva de sangue, a sensibilização da juventude que é um dos grandes desafios do INS. “Precisamos de criar uma cultura de doação de sangue na nossa sociedade, o que exige muito trabalho e informação, para que se consiga salvar mais vidas”, assegurou.

A celebração do Dia Mundial do Dador tem como objectivo aumentar a consciência da necessidade de componentes sanguíneos seguros e agradecer a todos os dadores as suas dádivas voluntárias e benévolas. A celebração da data visa ainda reconhecer a importância e o contributo do dador em salvar vidas e em melhorar a saúde e qualidade de vida de muitos doentes.

A OMS quer expandir este número, encorajando outras pessoas a tornarem-se dadores de sangue. A organização pretende que em 2020 as dádivas de sangue em todos os países sejam completamente benévolas e não remuneradas.

Doar sangue é um acto de amor e solidariedade, refere a directora, considerando ser imprescindível para o funcionamento de muitas unidades hospitalares e outras unidades de saúde com responsabilidade transfusional.

Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas. Com o crescimento da população, o desenvolvimento de novas áreas de saúde, o aumento do número e da complexidade das cirurgias, o atendimento mais frequente de doentes críticos nas urgências, as complicações obstétricas, estimular o crescimento do número de doadores de sangue frequentes é a única forma de garantir a continuidade de processo.

 

Seminário debate as perspectivas do sistema nacional de sangue

Segundo a directora-geral do INS, o seminário que se realiza no Memorial Dr. Agostinho Neto, a 14 de Junho, tem como objectivo fundamental congregar os profissionais da área de hemoterapia para debaterem, partilharem e reflectirem sobre as temáticas que fazem parte do dia-a-dia da medicina transfusional.

A responsável revelou ainda que o evento irá decorrerá em duas partes. A primeira culminará com a homenagem a alguns parceiros e a antigos dadores voluntários de sangue – com mais doações regulares – “que representarão todos aqueles que têm sido fieis à causa solidária de doar sangue”.

A segunda parte é dedicada à apresentação e debate de temas específicos, tais como o sistema nacional de sangue, desafios e perspectivas para Angola, indicações da transfusão em pediatria, complicações hemorrágicas na gravidez, o parto e o papel da terapia transfusional e como usar o sangue em cirurgias cardíacas ou torácicas.

O seminário é aberto para todos os profissionais de saúde ligados à medicina transfusional e outras áreas do saber. Antónia Constantino estima a presença de cerca de 250 participantes. Destacou também a presença de um convidado internacional, a confirmar, o professor brasileiro David Wipi, que vai apresentar uma conferência sobre a importância da hemoterapia na saúde pública.

“Houve a necessidade de levar-se aos debates a reflexão sobre o uso do sangue em cirurgias cardíacas devido a várias doenças do foro pediátrico que, ultimamente, têm afectado as crianças, como é o caso das más formações congénitas, doenças cardiovasculares associadas a febre reumática e suas complicações e outras que têm sido observadas nos hospitais”, revelou.

Antónia Constantino quer que no final do seminário os participantes concluam que “foi possível munir a maior parte dos profissionais com conhecimentos que lhes permitem lidar com situações debatidas e também quanto à importância da racionalização da utilização do sangue, uma vez que se trata de um recurso escasso”.

Acresce que “a interacção entre os profissionais de saúde das unidades com responsabilidades transfusionais e a entidade reguladora do sangue do país, será um ganho recíproco para todos os profissionais que almejam uma saúde melhor para o país”, disse.

 

Situação nas províncias

No que se refere à situação nas províncias, Antónia Constantino referiu que “Luanda apresenta o maior nível de consumo de sangue, devido ao número de habitantes, e, em particular, aos vários casos de anemia severa e malária grave que são diagnosticadas em crianças”. Contudo, “nenhuma província está comodamente sem necessidades de sangue e a sentir-se garantida. As suas necessidades são supridas graças a um grande programa de gestão de sangue que tem sido feito pelos profissionais de saúde ao longo destes anos, e aos apelos que fazem aos parceiros para doar o sangue nos momentos de maior necessidade o que permite gerir o défice com a segurança possível”, declarou.

Realçou também que o défice de sangue que se regista nas províncias da Huíla, Cunene e Lunda-Sul resultam do elevado número de procedimentos médicos, nomeadamente cirurgias e complicações que exigem transfusões de sangue aos pacientes.

 

 

 

 

 

 

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Banco Económico promove campanhas de doação de sangue

 

 

Francisco Cosme

dos Santos

 

O Banco Económico, em parceria com o Instituto Nacional de Sangue (INS), realizou três campanhas de recolhas de sangue nas províncias de Benguela, Zaire e Luanda, que envolveram cerca de 320 dadores, permitindo a colheita de mais de 140 litros de sangue, que poderão ajudar a salvar cerca de 1116 vidas.

 

Na cerimónia de apresentação de resultados, a chefe do Departamento de Promoção da Dádiva de Sangue do INS, Eunice Manico, informou que os maiores consumidores   de sangue são o Hospital Pediátrico e o Instituto Nacional de Oncologia. Ambas as instituições   têm um grande défice de sangue. A médica disse que o Instituto de Oncologia tem sido o maior consumidor de sangue devido ao elevado número de doentes   que necessitam de transfusões. “O Instituto Nacional do Sangue tem sangue armazenado para as emergências mas não devemos deixá-lo esvaziar.”

“Apenas 450 mililitros são suficientes para salvar a vida de quatro pacientes adultos e mais de quatro crianças, por isso, agradecemos a todos os parceiros sociais, em especial ao Banco Económico, por nos concederem esta acção solidária, que vai ajudar a colmatar as necessidades do Instituto Nacional de Sangue”, sublinhou Eunice Manico.

Lembrou que os hospitais estão preparados para todos que pretendam ajudar o próximo. “O Executivo está a trabalhar no sentido de pôr todos os equipamentos necessários de colheita da “gota milagrosa” (sangue) nos hospitais. Precisa-se apenas que as pessoas compareçam nas unidades de saúde para prestarem este acto solidário que é a doação de sangue”.

Afirmou que a parceria mantida com o Banco Económico “é de extrema importância e bem-vinda, pois ajuda a minimizar as necessidades de sangue em alguns hospitais, o que tanto tem preocupado o Instituto, porque as urgências de sangue têm sido constantes”.

E apelou a outras empresas para que sigam o exemplo do Banco Económico.

Por sua vez, a coordenadora da área de responsabilidade social do Banco Económico, Katyana Mil-Homens, disse que a razão que levou o banco a unir esforços com o INS foi sobretudo a falta de sangue que tem se registado nos hospitais do país, pelo que realizaram em conjunto três campanhas de doação de sangue, “para honrarem os valores sociais da instituição”.

“O Banco Económico considera a doação de sangue uma questão de responsabilidade social, para além de um acto de generosidade pessoal, sobretudo de humanidade e solidariedade com os que precisam”.

 

A palavra aos dadores de sangue

 

Na iniciativa participaram também os colaboradores da instituição bancária. Lucrécia Tunguna disse ao Jornal da Saúde que “doava pela segunda vez, pois dar sangue é um acto de extrema importância, de solidariedade, porque salva várias vidas e constitui um gesto de amor ao próximo”. A bancária aconselha a população em geral a cultivar o hábito de doar sangue porque “dar sangue é dar vida”.

Gonçalo Cardoso adiantou que dar sangue “é um acto de ajuda ao próximo, que pode – quem sabe! – ser recíproco, porque amanhã podem ser os outros a terem o mesmo gesto solidário para comigo”, lembrou. Disse também que é muito importante que todos sejam dadores voluntários “para poderem ajudar e contribuírem para o aumento dos stocks de sangue dos hospitais e do Instituto Nacional de Sangue”. Gonçalo Cardoso referiu ainda que, dentro de quatro meses, irá, voluntariamente, doar novamente o seu sangue “para salvar vidas”.

O bancário Hildebrando Sala realçou que “não é correcto perderem-se várias vidas por falta de sangue nos hospitais”. Como “não se fabrica tem que ser doado por todos nós, como seres humanos que somos, independentemente da etnia e da raça”.

Disse também que é necessário que se perca o medo. “Já fiz três doações e não pretendo parar este acto solidário" e que o fará apenas "caso a saúde não me venha a permitir depois dos 60 anos de idade”.

Para aqueles que a prática da doação de sangue é tida como tabu, Hildebrando Sala referiu que “têm perder este preconceito, porque não se deve fazer a doação apenas quando temos um dos nossos familiares a necessitar de sangue e está prestes a falecer. Não esperem por situações limite: façam a doação nas unidades hospitalares com antecedência, sem cobrança alguma, como se tem observado em muitos hospitais a nível do país”, concluiu.

 

 

 

 

 

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Matuba Filipe A surdez é um problema de saúde pública com consequências graves, não só na criança portadora de deficiência, mas também para a família

Dia Mundial da Audição

Cerca de 5% da população mundial vive com deficiência auditiva incapacitante.

Agir contra a perda auditiva: um investimento que soa bem

 

 

O Dia Mundial da Audição deste ano, centrou-se no impacto económico da perda de audição. “Agir contra a perda auditiva: um investimento que soa bem” – foi o lema.

 

Cerca de 360 milhões de pessoas – isto é, 5% da população mundial – vivem com deficiência auditiva incapacitante, sobretudo nos países de rendimento baixo e médio. A perda auditiva ignorada traz um custo elevado à economia mundial. A OMS estima que os custos ascendam anualmente a 750 mil milhões de dólares norte-americanos, o que equivale à despesa anual conjunta com a saúde do Brasil e da China ou ao produto interno bruto dos Países Baixos.

Na região africana, cerca 4,5% da população vive com esta deficiência invisível que, frequentemente, passa despercebida.

 

Impacto nas crianças

Nas crianças a perda de audição pode ter influência na fala e na aquisição linguística, afectando consideravelmente o desempenho escolar e levando à exclusão. Além disso, a produção mundial de aparelhos auditivos é totalmente inadequada e, nos países de rendimento baixo e médio, menos de uma em 40 pessoas que precisam de um aparelho auditivo o consegue.

A boa notícia é que as medidas para enfrentar a perda auditiva têm uma boa relação custo-eficácia, de acordo com a OMS. A detecção e a intervenção precoces são essenciais; metade de todos os casos de perda auditiva pode ser evitada através da prevenção. Outras das medidas de baixo custo consistem em identificar a perda auditiva precocemente através do rastreio dos recém-nascidos, das crianças em idade escolar e dos adultos acima dos 50 anos, e ainda em identificar e tratar rapidamente as infecções nos ouvidos.

 

Matuba Filipe

“A identificação precoce da surdez é crucial”

 

A surdez é um problema de saúde pública com consequências graves, não só na criança portadora de deficiência, mas também na família mais próxima, considerou o médico otorrinolaringologista Filipe Matuba, em declarações ao JS, por ocasião da conferência Conventus Societas ORL Latina.

O especialista avançou na ocasião que a identificação precoce da surdez é crucial para a pessoa atingir um potencial linguístico total e o seu rastreio não deve ser tardio .

Apresentou, como factores de risco de surdez, a hereditariedade , anomalias cromiofaciais, infecções e síndromes .

Apontou também a malária, minigite, sarampo, prematuridade, eclâmpsia , ruído, e ausência de respiração após dez minutos do parto como factores para a surdez.

 

 

 

 

 

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Conferência de imprensa do ministro da Saúde no GRECIMA.

Radiografia do sector da saúde no país

 

 

Pela importância desta entrevista, concedida pelo ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, no início deste ano, no GRECIMA – uma autêntica radiografia ao sector da saúde em Angola, recheada de indicadores e reveladora de perspectivas e tendências –reproduzimos a sua primeira parte, na íntegra, nesta edição do JS. No próximo número, publicaremos as perguntas e respostas dos jornalistas. Os leitores passam  assim a ter ao seu dispor um documento de referência, com informação correcta e actualizada, do sector da saúde no país.

 

Abertura - Director do GRECIMA, Manuel António Rabelais

Estamos aqui para mais uma conferência para o diálogo entre o Governo e o cidadão, hoje especificamente na pessoa do senhor ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo.

A saúde é muito importante para a vida de todos nós. Estamos aqui para dirimir algumas desinformações também. O senhor ministro está presente para responder a todas as questões que tiverem para colocar, a fim de um melhor esclarecimento a todos os nossos cidadãos.

O senhor ministro, como habitualmente, vai fazer uma introdução e, depois, teremos o período de perguntas e respostas.

 

Introdução do ministro da Saúde

“O desenvolvimento sanitário inscreve-se no contexto do desenvolvimento socioeconómico do país”

Muito bom dia a todos. É com imenso prazer que, em nome da Direcção do Ministério da Saúde e de todos profissionais e trabalhadores do Ministério da Saúde, e, sobretudo, em nome do nosso Executivo, nos dispomos a prestar informações sobre a situação do estado da saúde no nosso país, nomeadamente no que diz respeito aos progressos alcançados desde a nossa independência e ao estado de saúde das populações, através dos indicadores disponíveis, e, também, falarmos das perspectivas do reforço para a melhoria do estado de saúde da população do nosso país.

Começaria por dizer que o desenvolvimento sanitário inscreve-se no contexto do desenvolvimento socioeconómico do país.

Existem determinantes políticas, económicas, sociais, ambientais que devemos observar se quisermos ter uma ideia daquilo que são os reflexos da qualidade da vida no estado de saúde das pessoas.

 

Recursos humanos:

esforço para aumentar o número de profissionais de saúde

Os progressos realizados em termos de saúde no nosso país são vários. Eu vou me referir, primeiro, aos recursos humanos, e dizer que houve um grande esforço do Executivo angolano desde a independência para aumentar o número de profissionais de saúde no país e melhorar a sua distribuição de forma a cobrir as necessidades de todos os municípios e províncias que integram o nosso país.

Na altura da independência, tínhamos cerca de 45 médicos. Em 2002, o número aumentou para 1.200 e, em 2014, contamos com cerca de 3.600 médicos. O número de farmacêuticos, que era de cinco, em 1980, passou para 510, em 2014.

Houve também um grande esforço para a formação de enfermeiros gerais e em especialidades. O número, que era de 3.500, em 1975, passou para 13 mil, em 2002, e, actualmente, temos cerca de 33 mil enfermeiros em várias áreas, no nosso país.

 

Reconstrução e a construção de novas infraestruturas de saúde

Falando das infraestruturas de saúde, como sabem, apesar do período de guerra que destruiu e desactivou uma boa parte das unidades sanitárias do país, houve um esforço, depois da declaração da paz, para a reconstrução e a construção de novas infraestruturas de saúde em todo país.

Mas queria recordar que, em 1988, nós tínhamos cerca 1.500 unidades de saúde. Em 2000, o número reduziu para 1.000, devido à guerra. Em 2012, cresceu para 1.300 e, actualmente, nós temos cerca de 3 mil unidades de saúde em todo o país. Estou a falar de hospitais, centros de saúde e postos de saúde, sem contar com o crescimento do sector privado nos últimos anos. Também tem o seu papel importante na cobertura dos cuidados de saúde da população.

 

Orçamento da saúde: é aceitável mas ainda não suficiente

Falando do orçamento, o país tem feito esforços para melhorar as dotações orçamentais para o sector da saúde. Ainda não conseguimos o ideal, mas queria recordar que, em 2001, a saúde absorvia 5 por cento do Orçamento Geral do Estado. Em 2009, conheceu o pico com 8,1 por cento,  mas  neste  momento,  em 2017, o nosso orçamento sectorial representa apenas 4,2 por cento do Orçamento Geral do Estado. Estou a falar de percentagens e não estou a falar de números absolutos, mas o que conta, de facto, é a despesa para a saúde por habitante, por ano, no nosso país. É aceitável mas pensamos que ainda não é suficiente. Temos planos no sentido de melhorar a nossa advocacia junto das instâncias competentes do Governo e do Parlamento para aumentarmos a percentagem do Orçamento Geral da saúde comparado com o Orçamento Geral do Estado. Como disse, o ambiente de guerra e a situação de paz e de reconstrução nacional foram determinantes importantes na evolução do sector.

Também queria dizer que, durante este período, houve um grande esforço de formação de quadros da saúde no interior do país e no exterior. Houve um grande esforço visível de reconstrução, reabilitação e equipamento de unidades sanitárias em todo o país e verificou-se também uma desconcentração e descentralização da gestão dos serviços nacionais de saúde, no âmbito da Lei do nosso Governo sobre o poder de Estado a nível local. E portanto, neste ambiente, registaram-se impactos positivos nos indivíduos, nas famílias e na comunidade em geral. Impactos positivos em termos de saúde. Senão, vejamos a tendência de alguns dos indicadores de saúde do nosso país. Falemos da esperança de vida à nascença. A esperança de vida à nascença era de 41 anos em 1990. Melhorámos para 49 anos em 2000 e os últimos dados que temos indicam que a esperança de vida à nascença do angolano é de 61 anos, figurando entre os melhores indicadores relacionados com a esperança de vida no nosso continente.

 

Mortalidade infantil: indicador melhorou significativamente

Queria referir-me, de seguida, à mortalidade infantil. É um indicador muito importante de desempenho do sistema nacional de saúde. Este indicador, em 1990, era de 258 óbitos por 1000 nascidos vivos. Melhorou para 158 por 1000 em 2007, e actualmente, pelos últimos dados do inquérito mais recente, a mortalidade infantil passou para 44 óbitos por 1000 nascidos vivos. A sua componente de mortalidade neonatal é de 24 óbitos por 1000, e a mortalidade infanto-juvenil também melhorou. Baixou para 68 por 1000. Estes são dados factuais e que reflectem o impacto das políticas e dos programas do Governo na área da saúde e na área social e económica, pois da saúde resulta a qualidade de vida da população. Ainda queria acrescentar, em relação à mortalidade materna, que os indicadores também têm melhorado desde o ano 2000. Na altura o nosso país tinha1400 óbitos por cada 100 mil nascidos vivos. O indicador de mortalidade materna era dos piores. Em 2000, melhorou para 450 óbitos por 100 mil nascidos vivos e os dados mais recentes demonstram que melhorámos ainda mais em termos de mortalidade materna no nosso país. Naturalmente que estas melhorias representam tendências muito positivas, mas os dados actuais ainda não satisfazem. Tanto a população como o governo têm ambições para uma situação ainda mais confortável em termos de estado de saúde da população, pois que a saúde da população é uma determinante importante para o desenvolvimento económico e social do país.

 

“O nosso país é vulnerável a epidemias”

Devo dizer que o nosso país é vulnerável a epidemias. Temos enfrentado epidemias que criam uma situação de sobrecarga no Serviço Nacional de Saúde e que comprometem a saúde e mesmo a vida de alguns dos nossos cidadãos. Recordam-se que, no ano passado, enfrentámos uma epidemia de febre-amarela que atingiu 16 províncias, registando 4.590 casos suspeitos, dos quais 884 foram confirmados no nosso laboratório nacional de referência. Infelizmente, foram registados 384 óbitos durante a epidemia de febre-amarela e uma taxa de mortalidade de 8,3 por cento, o que reflecte um bom desempenho dos cuidados clínicos aos cidadãos que foram atingidos pela doença. Também enfrentámos, no ano passado, uma epidemia de paludismo que foi das piores que eu conheci no nosso país. Registámos cerca de 3 milhões e 300 mil casos, em 2015, com 7 mil óbitos e, em 2016, registámos 4 milhões e 266 mil casos com 15 mil óbitos registados. Foi de facto um drama do nosso país que todos vocês tiveram oportunidade de viver e foram tomadas as medidas para controlarmos, tanto a epidemia de febre-amarela, como a de paludismo. O paludismo continua endémico no nosso país, mas não nas proporções que conhecemos no ano passado. Também temos a epidemia de cólera, que actualmente toca 3 províncias do nosso país com 262 casos e 11 óbitos. Nas províncias do Zaire, município do Soyo, foram registados 174 casos, Cabinda cerca de 70 casos e Luanda 5 casos. Estamos a trabalhar no sentido de alertar a nossa população, as colectividades locais e os órgãos de poder local em relação às medidas de prevenção. As epidemias são preveníveis e é preciso que nós conheçamos quais são as medidas para evitar a eclosão de epidemias. Não posso deixar de falar do zika que é um vírus que provoca uma sintomatologia, sobretudo neurológica.

O zika já foi também diagnosticado no nosso país em 2016. Registámos dois casos. O primeiro foi num cidadão francês, que trabalhou no nosso país durante 30 dias, na província de Benguela e regressou a França e ali foi feito um diagnóstico. O segundo caso, registámos num cidadão angolano no município de Viana e o caso mais recente foi na província do Bengo, a uma cidadã que teve um feto, uma criança com microcefalia. Estamos, neste momento, a reforçar as medidas de segurança para averiguar a magnitude deste problema no nosso país e já estamos a tomar as medidas preventivas e algumas delas são exactamente as mesmas em relação à prevenção da febre-amarela, chicungunya e da dengue. Essas constituem o mesmo grupo de doenças conhecidas como arboviroses e que são transmitidas pelo mesmo mosquito aedis egyptis que nós temos no nosso país. Este mosquito gosta de viver em meios onde há problemas de higiene e saneamento. Não obstante isso, também temos a prevenção da cólera que se relaciona, sobretudo, com o consumo de água imprópria.

Precisamos de melhorar a qualidade da água em torno da nossa população e também educarmos ainda mais a população para que tome medidas de higiene para que a água de consumo seja de qualidade.

 

HIV/SIDA

“O virus também circula no nosso país”

Não queria deixar de falar da grande pandemia do HIV/SIDA que abala o mundo desde os anos 80. O nosso país não foi poupado. O vírus do HIV também circula em Angola. Os índices de seroprevalência no nosso país não são muito elevados. São de 2,1 por cento.

Contudo, a sua distribuição varia no país de província para província e de acordo com os grupos populacionais. Portanto, há certas províncias que estão mais afectadas: província do Cunene, Moxico, Cuando Cubango, Cabinda e, naturalmente, a província de Luanda, dada a sua importância em termos demográficos. Temos de continuar a tomar medidas preventivas, sobretudo para que evitemos o aumento de novos casos de infecção de HIV, sobretudo no seio da juventude que é a faixa da população mais vulnerável e, portanto, os cidadãos do sexo feminino.

Nós temos perspectivas em relação ao desenvolvimento do sector, mas eu ficaria por aqui. Vou dar-vos a palavra para esclarecer um ou outro assunto que seja do interesse para os órgãos de comunicação social e população em geral. À vossa disposição.

 

(Na próxima edição do JS publicamos as perguntas e respostas dos jornalistas presentes na conferência de imprensa)

 

 

 

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BIAL Angola apresenta Malacur.

Um tratamento de primeira linha para malária

 

 

Recomendado pela Organização Mundial de Saúde, e pela primeira vez comercializado em Angola, este é, segundo um comunicado da farmacêutica “um tratamento rápido, eficaz e de longa duração que garante cura clínica e parasitológica da malária não complicada”.

 

O grupo farmacêutico BIAL vai apresentar publicamente em Angola, no início de Junho, o medicamento Malacur (arteminol/fosfato de piperaquina) para a malária não complicada. O evento contará com a presença de António Portela, Presidente Executivo da BIAL.

O Malacur (arteminol/ fosfato de piperaquina) é um medicamento recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como tratamento de primeira linha da malária não complicada.

A malária é uma doença infecciosa, potencialmente fatal e que, segundo dados mais recentes, afectou, em 2015, 212 milhões de pessoas e provocou 429 mil mortes em África, mais de 300 mil das quais em crianças e adolescentes. Em Angola a malária é a principal causa de morte, provocando, anualmente, cerca de nove mil óbitos.

Para António Portela, Presidente Executivo da BIAL, o lançamento deste antimalárico constitui um marco na história de BIAL em Angola. “Estamos certos da diferença que podemos fazer com a introdução deste medicamento no mercado angolano onde a malária continua a ter um peso devastador e é uma das principais causas de morte no país. Lançarmos este medicamento em Angola, que pela primeira vez é comercializado num país lusófono, é reflexo do nosso compromisso com este mercado e do concretizar da missão de BIAL de estar ao serviço da saúde de todas as pessoas, um pouco por todo o mundo.”

De acordo com Nuno Cardoso, responsável de BIAL em Angola, “conhecemos e vivenciamos profundamente a realidade do país e das suas necessidades, concretamente no que respeita aos cuidados de saúde, e este lançamento vem reforçar a presença da empresa em Angola. Temos sido, e queremos continuar a ser, um parceiro dos angolanos na melhoria das suas condições de saúde e qualidade de vida, contribuindo agora para minimizar a mortalidade associada à malária”.

Com a comercialização deste antimalárico, BIAL fortalece a sua gama de medicamentos em Angola, que cobre as doenças infecciosas, a saúde da mulher e materna e doenças neurológicas.

As operações da BIAL em Angola remontam à década de 80, primeiro sob a forma de exportação e, a partir de 2008, através da criação da empresa BIAL Angola, Lda. BIAL Angola figura no TOP 3 das empresas farmacêuticas no país e dispõe de uma gama de 41 produtos.

Com medicamentos disponíveis em mais de 55 países, BIAL mantém como objectivo estratégico o reforço da sua expansão internacional.

 

Sobre o Malacur

 

Recomendado pela OMS como tratamento de primeira linha da malária não complicada, Malacur é uma associação de fármacos em dose fixa – arteminol e fosfato de piperaquina com acção complementar. É um tratamento rápido, eficaz e de longa duração, que garante a cura clínica e parasitológica, com um esquema posológico simples – uma toma por dia durante três dias.

Artenimol é o metabolito activo de todos os derivados da artemisinina, sendo o antimalárico associado à mais rápida resolução dos sintomas clínicos e mais rápida eliminação da parasitémia.

O efeito prolongado da piperaquina permite uma recuperação total e um efeito profilático de 46 dias após o tratamento. A longa semivida de eliminação da piperaquina (22 dias) proporciona um longo efeito profilático pós tratamento, impedindo a reinfecção. Com um bom perfil de segurança e geralmente bem tolerado, foi testado em mais de 10000 doentes, entre os 6 meses e os 85 anos de idade (mediana 8 anos, 48.5% com menos de 5 anos) com uma taxa não ajustada de recorrência de parasitémia sintomática <0.5% ao dia 28.

 

 

 

 

 

 

 

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Biols Pharmaceuticals em Angola.

Multinacional passa a disponibilizar mais de 30 mil referências de 140 laboratórios

 

 

A empresa multinacional distribuidora e comercializadora de produtos farmacêuticos Biols Pharmaceuticals tem vindo a expandir o fornecimento ao nível de medicamentos hospitalares e de farmácia de oficina em Luanda, com alargamento de forma sustentada nas províncias de Angola.

A Biols representa 140 laboratórios farmacêuticos a nível mundial, o que lhes permite disponibilizar uma grande gama de produtos com mais de 30 mil referências. Com operações em vários mercados, entre os quais Cabo Verde e Guiné, para além de Angola, a Biols Pharmaceuticals está agora presente também em Moçambique, reforçando a sua actividade, iniciada em 2014, intensificando as operações dos laboratórios que representa e distribui.

O ponto de partida para o investimento ao nível da internacionalização, que iniciou em Angola, bem como o enquadramento legal que se avizinha em Moçambique, foram os factores determinantes para o reforço das operações da Biols Pharmaceuticals e das operações dos laboratórios por si representadas numa plataforma de distribuição multi-produto do supply chain farmacêutico.

Esteja atento à próxima edição do JS onde publicaremos uma entrevista ao seu director, Vasco Jorge.

 

 

 

 

 

 

 

 

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O evento contou com a presença

de ilustres convidados

Bispo Emílio de Carvalho  É importante e oportuno que haja centros como o Makarismo, onde as pessoas podem tratar as mais diversas enfermidades, com bons serviços terapêuticos

Evelize Fresta, anterior Vice-ministra da Saúde - e então responsável, também, pela orientação editorial do Jornal da Saúde -, acompanhada pelo seu marido, Mário Fresta, director do  CEDUMED, marcaram presença

Madalena Mendes Simões   O Centro Terapêutico Makarismo surgiu de um sonho antigo decorrente do facto de vivermos num ambiente perturbado em que se observam constantemente muitos indivíduos com várias doenças do foro-mental, sobretudo o stress, a depressão, crises familiares, entre outras

 

O casal Fátima Magalhães e Eduardo Magalhães.

Centro Terapêutico Makarismo.

Equilíbrio entre a mente e o corpo é agora mais fácil em Luanda

 

 

O Centro Terapêutico Makarismo, inaugurado em Abril, na capital, vai oferecer serviços avançados de tratamento médico, educação, aconselhamento, recuperação psicofísica, reabilitação e apoio psicossocial a indivíduos e famílias.

 

De acordo com a sua directora, Madalena Mendes Simões, entre outras especialidades oferecidas no Centro Makarismo destacam-se “a terapia familiar e de casais, psicologia clínica para adultos, psicoterapia infantil, psiquiatria, terapia da fala, discalculia (distúrbio caracterizado pela dificuldade em compreender e manipular números), dislexia (distúrbio caracterizado pela dificuldade de leitura), transtorno do défice de atenção, com ou sem hiperactividade (TDA ou TDAH), terapia em grupo para dependentes ( álcool, droga e jogo), terapia em grupo para famílias de dependentes ( álcool, droga e jogo), e ainda outros serviços, como massagens de relaxamento e cursos de preparação de noivos”.

O centro constitui assim um espaço de partilha de vários especialistas do comportamento humano, que, de forma autónoma, desenvolvem as suas práticas terapêuticas, com o objectivo de promover o bem-estar por via do equilíbrio entre a mente e o corpo.

 

Porquê este Centro?

Segundo Madalena Simões “o Centro Terapêutico Makarismo surgiu de um sonho antigo decorrente do facto de vivermos num ambiente perturbado em que se observam constantemente muitos indivíduos com várias doenças do foro-mental, sobretudo o stress, a depressão, crises familiares, etc. Neste quadro, pensou-se numa instituição com uma visão ampla, direccionada aos transtornos de vária ordem que pudesse minimizar todos esses problemas que afectam, quer crianças, quer adultos”.

Referiu ainda que uma das mais-valias do Centro é “sem dúvida, a atenção a todos aqueles que padecem de doenças decorrentes dos referidos distúrbios, de forma a que esses doentes sintam e reconheçam que existem pessoas que pensam neles, nos seus problemas”.

 

Fobias e outros distúrbios

Madalena Simões disse também que o Centro está à disposição de todos os indivíduos que sofrem de fobias (medo ou repulsa persistente de um objeto ou de uma situação), distúrbios alimentares, divórcios, problemas familiares, infantis, mudanças de emprego, perturbações de personalidade, ansiedade, agressividade, entre outras, que são identificados no quotidiano e que requerem um acompanhamento clínico personalizado.

 

Problemática dos casais é uma preocupação

O bispo reformado da igreja metodista unida, Emílio de Carvalho, em declarações ao JS, afirmou que “iniciativas do género não devem ficar por aqui porque é importante e oportuno que hajam centros como o Makarismo, onde as pessoas podem tratar as mais diversas enfermidades, com bons serviços terapêuticos”.

O bispo assegurou que a problemática dos casais é uma das grandes preocupações da igreja, mas que pode ser gerida com o envolvimento da sociedade, como por exemplo através dos serviços de terapia de casais do Centro “que irá certamente propiciar a harmonia e o bem-estar das famílias que têm enfrentado graves problemas de estruturação”.

O Centro está aberto ao público de segunda à sexta-feira, das 9h00 às 20h00, e aos sábados das 9h00 às 12h00, na Rua dos Frescos nº CS4, Talatona, Zona 3, por trás do BANC.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fátima Magalhães dirige-se à audiência

A terapia familiar e de casais, a psicologia clínica para adultos e a psicoterapia infantil consituem algumas das valências do Centro

Os fumadores perdem 15 anos de vida

 

 

Matshidiso Moeti

Directora Regional do Escritório

Regional da OMS para a África

 

Todos os anos, no dia 31 de Maio, comemoramos o Dia Mundial Sem Tabaco, para sensibilizar as pessoas para a saúde e para os riscos e perigos associados ao uso do tabaco e à exposição ao fumo do tabaco. O tema deste ano do Dia Mundial Sem Tabaco é "Tabaco – uma ameaça ao desenvolvimento". O uso do tabaco constitui um grande obstáculo ao desenvolvimento sustentável, com impacto generalizado sobre a saúde, a pobreza, a fome no mundo, o crescimento económico, a igualdade de género, o ambiente, a educação, as finanças e a governação.

 

A nível mundial, o tabaco mata mais de 7,2 milhões de pessoas por ano, dos quais 80% nos países de baixo ou médio rendimento. Na Região Africana, morrem todos os anos aproximadamente 146 mil adultos com 30 anos de idade ou mais, devido a doenças relacionadas com o tabaco. Cerca de metade dos consumidores de tabaco morre prematuramente por doenças causadas pelo tabaco e, em média, os fumadores perdem 15 anos de vida. Isso faz do uso do tabaco um dos principais factores de risco evitáveis de doenças não transmissíveis, tais como doenças cardiovasculares, cancro, doenças pulmonares crónicas e diabetes. É uma ameaça para todos, independentemente do sexo, idade, raça e contexto cultural ou educacional.

 

Custo dos cuidados de saúde

Na Região Africana, o custo dos cuidados de saúde devidos ao fumo do tabaco representa 3,5% da despesa total da saúde por ano. É causa de sofrimento, doenças e morte prematura e empobrece as famílias. Impõe um pesado fardo económico às economias nacionais, através do aumento dos custos dos cuidados de saúde e de uma menor produtividade. O uso do tabaco agrava as desigualdades na saúde e a pobreza, visto que as pessoas mais pobres passam a gastar menos em produtos essenciais, como alimentos, educação e cuidados de saúde. A indústria do tabaco está também a visar cada vez mais as mulheres e as jovens.

 

Plantações de tabaco

Para além disso, as plantações de tabaco contribuem para a insegurança alimentar e a subnutrição apoderando-se de terrenos agrícolas, que poderiam ser usados com maior utilidade na cultura de produtos alimentares. Os cinco principais produtores de folhas de tabaco da Região Africana sofrem de subnutrição e neles a cultura de tabaco coexiste com taxas de subnutrição que oscilam entre 20% e 43%. O tabaco tem igualmente impacto sobre o ambiente, através do fumo, lixo, incêndios e desflorestação, provocando alterações no clima. A simples cultura e produção de tabaco constituem um perigo para a saúde. São as mulheres que se encarregam da maior parte do trabalho nos campos de tabaco e os filhos das famílias que cultivam tabaco são envolvidos no trabalho infantil, o que os expõe à doença do tabaco verde e a perigos sanitários provocados pelos pesticidas e pela inalação de fumo e poeira do tabaco.

 

A luta contra o tabaco é uma solução simples e económica

A luta contra o tabaco é uma solução simples e económica para esses problemas. A Convenção-Quadro da OMS para a Luta Antitabágica (CQLA) é o instrumento mais poderoso a nível mundial para combater o impacto negativo do tabaco sobre o desenvolvimento. Em particular, o aumento dos impostos e dos preços do tabaco são formas comprovadas e eficazes para reduzir a procura do tabaco, dificultando o seu acesso. Isso desencoraja o consumo, melhora a saúde das pessoas e das comunidades e reduz o fardo das doenças e morte.

O controlo do comércio ilícito de produtos do tabaco é igualmente uma política-chave para reduzir o uso do tabaco e as suas consequências para a saúde e a economia. Outras medidas, tais como o apoio a alternativas economicamente viáveis à produção de tabaco e a restrição do acesso de jovens a produtos do tabaco poderão ser eficazes, especialmente como parte de uma estratégia abrangente para reduzir o uso do tabaco.

 

Ninguém será esquecido

Todos os países beneficiam com o controlo bem-sucedido da epidemia do tabaco, protegendo as suas populações contra os malefícios do uso do tabaco e reduzindo os prejuízos para as economias nacionais. O objectivo da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável é garantir que “ninguém será esquecido”. A luta antitabágica é encarada como um dos meios mais eficazes para se atingir a meta 3.4 dos ODS, que consiste em reduzir em um terço, até 2030, o número de mortes prematuras por doenças não transmissíveis.

 

Apelo à luta antitabágica

Hoje, ao comemorarmos o Dia Mundial Sem Tabaco de 2017, apelo aos Estados-Membros para que incluam a luta antitabágica nas suas políticas e planos nacionais, assim como nos quadros de implementação dos ODS. Os países deverão implementar na íntegra a CQLA da OMS, incluindo o aumento dos impostos sobre o tabaco, para reduzir a procura de produtos do tabaco. A receita assim gerada para os governos poderá ser usada para financiar a cobertura universal de saúde, a promoção da saúde e outros programas de desenvolvimento.

Exorto as pessoas individualmente a ajudarem a construir um mundo sustentável, livre de tabaco, quer nunca usando produtos do tabaco, quer abandonando o hábito de fumar. Proteja a sua saúde e a das pessoas expostas ao fumo passivo, incluindo as crianças, outros membros da família e amigos.

A luta contra o tabaco pode quebrar o ciclo da pobreza, contribuir para acabar com a fome, promover a agricultura sustentável e o crescimento económico e combater as alterações climáticas. Apoiemos todos a luta antitabágica, para salvar vidas, melhorar o desenvolvimento e reduzir as desigualdades na saúde.

 

Cerca de 9% das mortes de homens em Angola e 4% das mulheres devem-se ao consumo de tabaco

 

A 31 de Maio comemora-se o Dia Mundial Sem Tabaco. O tema deste ano é "Tabaco – uma ameaça ao desenvolvimento". O uso do tabaco ameaça o desenvolvimento  sustentável,  com impacto  sobre  a  saúde,  a  pobreza,  a  fome  no mundo, o crescimento económico, a igualdade de género, o ambiente, a educação, as finanças e a governação.

A nível mundial, o tabaco mata mais de 7,2 milhões de pessoas por ano, dos quais 80% nos países de baixo ou médio rendimento. Na Região Africana, morrem todos os anos cerca de 146 000 adultos na faixa dos 30 anos de idade ou mais, devido a doenças relacionadas com o tabaco. Os fumadores perdem 15 anos de vida. Isso faz do uso do tabaco um dos principais factores de risco evitáveis de doenças não transmissíveis, tais como doenças cardiovasculares, cancro, doenças pulmonares crónicas e diabetes.

Angola  aderiu  à  Convenção-Quadro  de  Luta  Contra  o  Tabaco  promovida  pela Organização Mundial da Saúde.

Um estudo realizado no país, em 2009, a um universo de 735 estudantes dos 13-15 anos de idade revelou que 20,2% de rapazes e 18,6% de raparigas consomem cigarros ou outros produtos do tabaco. A OMS (relatório de 2008) estima que 9% das mortes que ocorrem em Angola nos homens e 4% nas mulheres são devidas ao consumo do tabaco.

Fontes independentes (Country Fact Sheet, 2013) revelam que a prevalência de fumadores diariamente em Angola ronda os 16,7% (924.900) para homens e 1,6% (92.100) para as mulheres, constituindo uma ameaça permanente à saúde pública dos angolanos.

 

 

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A importância da Vitamina C para a saúdee e bem-estar

 

 

 

A Vitamina C (nomes químicos: ácido ascórbico e ascorbato) é uma lactona de 6-carbonos sintetizada a partir da glucose por muitos animais. Contudo, algumas espécies, como os seres humanos, não são capazes de sintetizar endogenamente a Vitamina C, pelo que o seu aporte terá que ser feito através da alimentação ou suplementação dietética.

A Vitamina C é uma vitamina hidrossolúvel, sendo um sistema redox composto por ácido ascórbico e ácido di-hidroascórbico que actua como um dador de electrões (agente redutor ou antioxidante) para 11 enzimas. Como é hidrossolúvel, esta vitamina não é armazenada no organismo, sendo essencial que haja uma reposição diária. A sua principal função metabólica é a manutenção da formação de colagénio, sendo também um importante antioxidante.

 

 

  1. É essencial no crescimento e reparação tecidular. O colagénio que é uma importante proteína constituinte da pele, cartilagem, tendões, ligamentos e parede capilar, necessita de Vitamina C para a sua formação.
  2. É fundamental na reparação e manutenção das células dos ossos, dentes, gengivas e dos vasos sanguíneos.
  3. A Vitamina C actua como antioxidante, bloqueando o dano causado pelos radicais livres, substâncias oxidantes que lesam o DNA e proteínas. As lesões que resultam da actuação dos radicais livres ao longo do tempo contribuem para o processo de envelhecimento e de desenvolvimento de diversas doenças. Assim, é fundamental incentivar a diminuição do número de substâncias oxidantes, denominadas de radicais livres, evitando o mais possível a ocorrência de stress oxidativo, e, portanto, a ocorrência de processos degenerativos. Para tal a presença de antioxidantes como a Vitamina C é benéfica e crucial.
  4.  É necessária no processo de cicatrização tecidular.
  5. Actua como cofactor em processos enzimáticos e metabólicos. A Vitamina C permite que sejam eficientemente utilizados pelo organismo, hidratos de carbono, gorduras e proteínas.
  6. Facilita a absorção de ferro ao permitir que o organismo absorva ferro de fontes não-heme.
  7. Fortalece o sistema imunológico.

 

A Vitamina C desempenha um papel na protecção contra algumas patologias:

  •  A evidência sugere que a Vitamina C pode ajudar a proteger as artérias contra danos. Alguns estudos - embora não todos - sugerem que a Vitamina C pode retardar a progressão da aterosclerose (endurecimento das artérias). Outros estudos sugerem que a Vitamina C pode ajudar a manter as artérias flexíveis.
  • Estudos baseados na população (que envolvem a observação de grandes grupos de pessoas ao longo do tempo) sugerem que as pessoas que comem alimentos ricos em antioxidantes, incluindo a Vitamina C, têm um menor risco de pressão arterial elevada do que as pessoas com dietas mais pobres.
  • A Vitamina C (500 mg) parece ter um papel, juntamente com outros antioxidantes, incluindo o zinco (80 mg), beta-caroteno (15 mg) e vitamina E (400 UI) na protecção dos olhos contra o desenvolvimento de Degeneração Macular da Idade (DMRI)
  • Alguns estudos sugerem que a Vitamina C juntamente com a vitamina E pode ajudar a prevenir a ocorrência de pré-eclampsia em mulheres de alto risco. A pré-eclampsia, caracterizada por hipertensão e proteinúria é uma causa comum de nascimentos prematuros.

 

Apesar da informação ser ainda limitada, estudos sugerem que a Vitamina C também pode:

  • Melhorar a visão dos indivíduos com uveíte (inflamação da túnica média do olho).
  • Contribuir no tratamento de condições relacionadas com alergias, como asma, eczema e febre do feno (chamada rinite alérgica).
  • Reduzir os efeitos da exposição ao sol, tais como queimaduras solares ou vermelhidão (chamado eritema).
  • Ajudar no tratamento de queimaduras e feridas.
  • Ajudar no tratamento de condições virais, incluindo a mononucleose.
  •  

A Vitamina C é ainda largamente utilizada como cosmético pois ajuda na hidratação e na produção de substâncias que actuam na renovação da pele. O seu poder antioxidante e a sua acção na produção de colágeneo, fazem dela, essencial em tratamentos de rejuvenescimento.

 

Fontes de Vitamina C

 

A Vitamina C está largamente disponível nos alimentos, quer de origem vegetal quer animal, embora as melhores fontes sejam os frutos e vegetais frescos e as chamadas miudezas de aves. Os grãos e as leguminosas contêm elevado teor em Vitamina C, contudo como esta é instável num ambiente alcalino e ao oxigénio, luz e calor, as perdas podem ser consideráveis durante o armazenamento e a cozedura.

 

Todas as frutas e vegetais contêm Vitamina C.

As frutas consideradas as maiores fontes de Vitamina C são: os cítricos, como a laranja, toranja, limão e uvas, o kiwi, manga, papaia, abacaxi, morangos, framboesas, mirtilos e melancia. Entre os vegetais que contêm mais Vitamina C destacam-se os bróculos, couves de bruxelas, couve-flor, pimentos verdes e vermelhos, espinafres, repolho, nabos, batata doce e batata branca, tomate e abóbora.

O processamento dos alimentos pode degradar ou mesmo destruir a vitamina C, assim como a exposição ao ar, a secagem, salga e cozedura. O congelamento geralmente não causa perda de Vitamina C, a não ser que o armazenamento seja muito prolongado.

Para que a dieta alimentar tenha o aporte adequado de Vitamina C, deverão ser tidos em conta estes factores, sendo aconselhável consumir preferencialmente frutas e vegetais frescos, legumes cozidos a vapor ou com apenas uma ligeira cozedura.

 

Níveis de Vitamina C no organismo

 

O conteúdo corporal total da Vitamina C varia de 300 mg (quase escorbuto) a cerca de 2 g. Elevados níveis de Vitamina C (concentrações milimolares) são mantidos nas células e nos tecidos e são mais elevados nos leucócitos (glóbulos brancos), nos olhos, nas glândulas suprarrenais, na glândula pituitária e no cérebro. Níveis relativamente baixos de Vitamina C (concentrações micromolares) são encontrados em fluidos extracelulares, como plasma, glóbulos vermelhos e saliva.

Para aferir do estado em Vitamina C no indivíduo, a concentração de acido ascórbico no plasma sanguíneo ou soro reflecte o recente aporte em Vitamina C, e a este respeito são indicadores mais fiáveis do que a concentração de Vitamina C nos eritrócitos. A concentração de ácido ascórbico nos leucócitos está mais relacionada com a sua função ao nível tecidual, sendo provavelmente o indicador mais sensível do estado de Vitamina CII.  Baixos níveis de Vitamina C têm sido associados a uma série de condições, incluindo pressão arterial elevada, doença da vesícula biliar, acidente vascular cerebral, alguns tipos de cancro e aterosclerose, a acumulação de placa nos vasos sanguíneos que pode levar a ataque cardíaco e acidente vascular cerebral. Obter suficiente Vitamina C da dieta alimentar pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver algumas destas condições, contudo não são conclusivos os estudos de que a suplementação irá ajudar ou prevenir qualquer uma destas condições .III A suplementação de Vitamina C deve ser feita 2 - 3 vezes por dia, com as refeições, dependendo da dosagem. Alguns estudos sugerem que os adultos devem tomar 250 - 500 mg duas vezes por dia para extrair um real benefício. Para dosagens superiores a 1000 mg de Vitamina C diariamente deverá ser consultado o médico ou farmacêutico.

 

Recomendações

 

Devido ao potencial de efeitos colaterais e interacções com medicamentos, os suplementos dietéticos devem ser tomados sob a orientação de um médico, farmacêutico ou enfermeiro.

A Vitamina C aumenta a quantidade de ferro que é absorvido dos alimentos. Pessoas com hemocromatose ou talassémia, não devem tomar suplementos de Vitamina C sem orientação médica. As pessoas com anemia falciforme, bem como as que possuam uma desordem metabólica chamada G6PD, podem ter efeitos adversos sérios com a utilização de suplementos em Vitamina C.

A Vitamina C é geralmente considerada segura uma vez que o excesso não é armazenado no organismo, contudo doses superiores a 2000mg/dia podem provocar diarreia, gases ou dores de estômago. Se tal ocorrer deve haver uma diminuição da dose de Vitamina C.

O aporte diário de Vitamina C é fundamental à saúde das populações. A possível existência de deficiência desta vitamina no organismo de crianças e adultos condiciona a qualidade de vida e o desenvolvimento de doenças, pelo que a OMS recomenda uma alimentação que inclua frutas e vegetais ricos em vitamina C, e recomenda a sua suplementação sempre que houver desequilíbrios no plano alimentar.

Assegurar a dose diária recomendada (DDR) de Vitamina C é fundamental a todas as comunidades, mas um maior cuidado deve ser tido para com grupos populacionais mais vulneráveis e susceptíveis a doenças e estados de subnutrição.

 

 

 

 

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