MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Rui Moreira de Sá

Director Editorial

direccao@jornaldasaude.org

Prevenir a diabetes

 

A Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu oportunamente que o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde e do sistemas de prestação de cuidados de saúde é vital para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio; reconheceu, também, que a diabetes é uma doença crónica, debilitante e dispendiosa, associada a complicações graves, o que representa grandes riscos para as famílias, para os Estados membros e para o mundo inteiro; reconheceu, ainda, a necessidade urgente do empreendimento de esforços multilaterais para promover e melhorar a saúde humana e providenciar acesso ao tratamento e à educação para os cuidados de saúde. Assim, encoraja os Estados-Membros a desenvolverem políticas nacionais para a prevenção, tratamento e controlo da diabetes, em consonância com o desenvolvimento sustentável dos respectivos sistemas de saúde, tendo em conta os objectivos de desenvolvimento, internacionalmente definidos.

Atendendo à necessidade de inverter a tendência de crescimento da diabetes e das suas complicações em Angola seria útil implementar uma estratégia assente na prevenção primária da diabetes, através da redução dos factores de risco conhecidos, incidindo, sobretudo, nos factores de risco vulneráveis da etiologia da doença, na prevenção secundária, através do diagnóstico precoce e do seu tratamento adequado de acordo com o princípio da equidade, na prevenção terciária, através da reabilitação e reinserção social dos doentes e na qualidade da prestação dos cuidados à pessoa com diabetes.

Esta estratégia só terá êxito se for desenvolvida numa sólida infraestrutura de saúde pública que contemple capacidade organizativa, profissionais de saúde com formação necessária para responder às exigências da qualidade dos cuidados a prestar, tecnologias de informação que facilitem o acesso atempado a base de dados e à informação indispensável à gestão do programa.

Todos estes temas serão debatidos no 1º Congresso da Diabetes que a Sociedade Angolana de Diabetologia leva a efeito em Julho e que antecipamos nesta edição.

Trata-se de mais um desafio a somar ao fardo das doenças transmissíveis, ainda não debeladas, que o Executivo angolano enfrenta. O Jornal da Saúde está na primeira linha para dar a sua contribuição ao nível da literacia e educação para a saúde.

 

 

Voltar

 

 

 

Bial oferece material didáctico às crianças do hospital pediátrico

 

A Bial aproveitou o dia mundial da criança, celebrado a 1 de Junho, para doar ao hospital pediátrico David Bernardino um conjunto de jogos e de material didáctico. O seu director, Nuno Cardoso, salientou que a doação procurou ser oportuna “num momento em que todas as crianças precisam de amor e carinho que as ajudem a ultrapassar as várias dificuldades que enfrentam nesta unidade hospitalar”.

Estes actos “devem-se praticar, não só nos bons momentos, como também nas alturas difíceis. Para além da doação, afigura-se-nos importante a interacção com as crianças e os médicos”, realçou o representante da Bial.

O chefe do serviço de neuroinfectologia do hospital, Leite Cruzeiro, disse que o gesto da Bial foi de extrema importância para a instituição, sobretudo para as crianças carentes de materiais de lazer. Sublinhou ainda que os livros didácticos irão auxiliar bastante na educação dos doentes que perdem muitas aulas por motivos de saúde.

De acordo com Nuno Cardoso, “sendo a Bial a distribuidora de produtos farmacêuticos com maior presença no mercado angolano, o acto filantrópico vem testemunhar que a empresa se preocupa não só com a saúde, mas também com o bem-estar das populações, no âmbito das suas práticas de responsabilidade social em Angola e noutros países do mundo onde actua.

 

 

 

Voltar

TVCABO distribuiu presentes e bens alimentares pelas crianças do Lar Santa Isabel

 

Para comemorar o dia mundial da criança, celebrado a 1 de Junho, a TVCABO  presenteou mais de 85 crianças desfavorecidas do Lar Santa Isabel, em Viana, com bens alimentares e brinquedos.

 

“Este acontecimento integra-se na estratégia de responsabilidade social da empresa, cujas práticas decorrem a nível interno e externo. Assim, e sendo as necessidades sociais uma preocupação constante da TVCABO, esta data que celebra o dia mundial da criança e que relembra a importância do bem-estar dos mais pequenos, não poderia passar em branco”, explica o director geral da TVCABO, Francisco Ferreira. “Para a concretização desta iniciativa o trabalho em equipa e a cooperação dos colaboradores da marca foram essenciais. Este tipo de acções é revelador  da preocupação da empresa e das pessoas que nela trabalham em ajudar e contribuir para a melhoria do espaço social onde se encontram inseridos.”

O Lar Santa Isabel – Centro de Acolhimento para Crianças Desfavorecidas localizada em Viana, acolhe cerca de mais de 85 crianças, com idades compreendidas entre os 3 e os 18 anos.

A TVCABO é o único operador por cabo em fibra óptica em triple play, isto é oferecendo pacotes  de tv+net+voz. Recentemente expandiu os seus serviços à centralidade do Sequele, no município de Cacuaco.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

CEDUMED lança prémio de educação médica

 

O Centro de Estudos Avançados em Educação e Formação Médica, da Universidade Agostinho Neto, anunciou a criação do “Prémio CEDUMED de Educação Médica” com a finalidade de distinguir trabalhos de educação médica em Angola. O prémio inclui duas categorias, a de “investigação científica”, destinada à pesquisa sobre a educação médica, e a de “formação” destinada à oferta de acções de formação e à produção de material didáctico. Para cada uma das categorias será atribuído o primeiro, segundo e terceiro lugares, os quais receberão um diploma, uma medalha e um valor pecuniário.

O prémio é anual, de âmbito nacional, e destina-se a trabalhos dos dois anos anteriores. A Clínica Multiperfil associa-se ao CEDUMED na primeira edição do prémio, pelo que o designado “Prémio CEDUMED de Educação Médica 2017 Clínica Multiperfil” acolherá trabalhos realizados em 2015 e 2016 cujas candidaturas sejam submetidas até ao dia 20 de Dezembro de 2016.

 

Para mais informações consulte o regulamento do prémio, aprovado pela Deliberação n.º 9/15 de 30 de Abril da Comissão Permanente do Senado da Universidade Agostinho Neto publicada no Diário da República II série n.º 80, de 30 de Abril de 2015. Para esclarecimento de dúvidas contacte o CEDUMED (cedumed @fmuan.maxnet.ao ou telefone 923636805).

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Número de diabéticos em Angola deve ultrapassar dois milhões

Sociedade Angolana de Diabetologia realiza o seu 1º Congresso em Julho

 

Francisco Cosme dos Santos com Eileen Barreto e Rui Moreira de Sá

 

A Federação Internacional de Diabetes (IDF) estima que a prevalência da diabetes em África seja de 9,7% (2014) e que, em 2030, atingirá cerca de 11,6%. Ora isto significa que, em Angola, entre os seus 25,8 milhões de habitantes, temos hoje cerca de 2,5 milhões de diabéticos. E, destes, pelo menos 42%, isto é, mais de um milhão, não sabe que é diabético!

 

“Estão a diagnosticar-se cada vez mais angolanos com esta enfermidade. Nos próximos 15 anos, 1 em cada 10 adultos terá diabetes”, garantiu a presidente da Sociedade Angolana de Diabetologia (SAD), Sabrina Coelho da Cruz, em entrevista ao Jornal da Saúde.

Nas vésperas da realização do 1º Congresso da Diabetes, a médica considera “este quadro extremamente dramático porque, ultimamente, os doentes que se têm dirigido aos hospitais são diagnosticados com a doença já em fase terminal”. Por este motivo “precisa-se que o executivo dê atenção urgente aos programas de controlo da diabetes do ministério da Saúde e das Forças Armadas para que haja mais soluções e esperança para todos aqueles que tenham, ou venham a contrair, esta doença”, advogou.

Apesar da estimativa do IDF, “não é possível saber ao certo quantos angolanos sofrem de diabetes pois não existem dados actualizados em nenhuma instituição. Será necessário um trabalho de campo exaustivo para se saber concretamente quantas pessoas são portadoras de diabetes no país – que tenham já sido diagnosticadas, ou nem saibam sequer que sofrem da doença”, advogou.

Um dos principais objectivos da Sociedade Angolana de Diabetologia para o próximo ano “é precisamente o estudo da prevalência da diabetes no país, com a aprovação do Ministério da Saúde, para se perceber quantos pacientes existem, quantos estão em risco, e quais as necessidades medicamentosas e de formação a ser supridas para assistência aos doentes diabéticos”, revelou Sabrina da Cruz.

 

Subvenção aos preços

dos medicamentos

A médica considera também ser necessária “uma subvenção por parte do Estado aos preços medicamentos para os diabéticos”, dado que são “doentes com uma patologia complexa que envolvem muitos custos, sobretudo nos gastos com fármacos”.

Sabrina da Cruz reforçou ainda a necessidade de intervenção do ministério na prevenção das doenças crónicas, apostando em reformas que promovam os cuidados de saúde primários. Evidenciou a importância da disponibilidade de profissionais nos postos médicos das zonas urbanas e suburbanas, tal como o investimento em todos os que estão envolvidos na prestação de cuidados da diabetes, como é o caso dos endocrinologistas, diabetologistas, internistas, enfermeiros, psicólogos e nutricionistas, entre outros.

A presidente da Sociedade disse ainda ser “necessário dar maior atenção à investigação epidemiológica da diabetes” e apelou à comunicação social “para divulgar tudo o que se relaciona com esta doença, num combate activo ao alto índice de mortalidade causada pela diabetes e hipertensão arterial no país”.

 

Sinais e sintomas

Relativamente aos sinais e sintomas da diabetes mellitus tipo 1, a médica referiu a vontade de urinar várias vezes ao dia (poliúria), aumento da sede (polidipsia), aumento do apetite (polifagia), perda de peso repentina e fadiga.  Se for diagnosticado em crianças os sintomas são náuseas, fadiga, distúrbio mental, vómitos, dor abdominal, hálito cetónico. Na diabetes mellitus tipo 2, os sintomas são o formigamento nos pés, furúnculos, infecções frequentes na bexiga, rins e na pele, e outros idênticos aos do tipo 1 que aparecem de forma mais subtil, nem sempre ao mesmo tempo, razão pela qual poderão ser confundidos com outras doenças.

 

 Temas em destaque

no Congresso

Os temas em destaque a debater no 1º Congresso Angolano de Diabetologia, que irá decorrer de 7 a 9 de Julho, em Luanda, são, entre outros: o plano de formação médica e de enfermagem do ministério da Saúde, a experiência da clínica Sagrada Esperança na área das diabetes, as emergências médicas na diabetes, a diabetes gestacional, como lidar com a diabetes na prática terapêutica, as infecções nos diabéticos e o papel da psicologia nas diabetes.  Realizar-se-á ainda uma conferência que irá abordar o papel da Federação Internacional da Diabetes em África, dois simpósios e três cursos pré-congresso.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

A importância do autocontrolo da diabetes

Novos sistemas de auto-monitorização

já disponíveis no mercado angolano

 

A presidente da Sociedade Angolana de Diabetologia, Sabrina Cruz, sublinhou a importância do autocontrolo da diabetes. “É o melhor passo, aliás o caminho, para a assistência a qualquer indivíduo que padece com a doença, porque é um excelente meio para saberem os níveis do açúcar, ou glicemia, no sangue em sua própria casa”. A medição é aconselhável ser realizada uma vez ao dia aos que fazem medicação em comprimido e duas a três vezes para os que faz insulinoterapia.

“Actualmente, no mercado angolano, é fácil encontrar sistema de auto-monitorização, os glucómetros, que são aparelhos muito fáceis de serem manejados e que devem ser utilizados na terapêutica dos pacientes. Um deles é o Accu-Chek Performa, entre tantos outros.

 

Como usar o glucómetro

Todos os glucómetros são fáceis de usar porque contém as instruções de como usar e as indicações da quantidade ideal de glicose no sangue, bem como os valores que representam a hipoglicemia e a hiperglicemia.

Em geral, para medir a glicose no sangue em casa, o indivíduo deve dar uma pequena picada no dedo da mão, extrair uma gota de sangue, depositá-la numa fita própria e introduzir a fita no aparelho.

Após alguns segundos, o glucómetro mostra no seu pequeno ecrã a quantidade de glicose no sangue do indivíduo naquele exacto momento.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

O que é a autovigilância

 

É a sua capacidade individual de:

 

• Participar activamente na gestão da doença.

• Agir com base na informação pesquisada.

• Gerir a diabetes de forma responsável, juntamente com a sua equipa de apoio.

 

O que é a medição da glicemia?

É um teste que determina os níveis de açúcar no sangue, permitindo avaliar e monitorizar o controlo da diabetes.

 

Quando deve ser feito o teste da glicemia?

A glicemia deve ser medida diariamente de acordo com as recomendações da equipa de apoio.

 

Como se medem os níveis de glicemia no sangue?

1. Pica-se o dedo com um dispositivo que tem uma agulha ou lanceta – a picada é quase indolor;

2. Coloca-se a gota de sangue numa tira-teste;

3. Com a tira-teste já inserida no medidor de glicemia (glicómetro) ou depois de a colocar no mesmo, surgem, segundos depois, no visor os valores de açúcar no sangue.

 

 

 

Voltar

 

 

 

Anemia das células falciformes vai constar dos currículos académicos

 

O Ministério da Saúde vai definir melhor o perfil epidemiológico da anemia de células falciformes e inserir a matéria nos currículos das escolas técnicas, institutos e faculdades de medicina para gestão do problema a todos níveis do Serviço Nacional de Saúde, informou este mês a secretária de Estado da Saúde, Constantina Furtado. A governante que proferia o discurso de abertura do Dia Mundial da Anemia

Falciforme, a 19 de Junho, sob o lema “Anemia de Células Falciformes, juntos no controlo da doença”, aventou a necessidade do envolvimento de todos técnicos de saúde capacitados na gestão do problema.

 

A secretária de Estado anunciou também o aumento da distribuição, na rede sanitária do país, da hidroxiureia, que é o medicamento utilizado para aliviar o sofrimento dos que padecem de anemia falciforme.

A responsável  pediu às famílias para ultrapassarem os tabus e as práticas que prejudicam a saúde e a qualidade de vida das pessoas com  falciformação e fez uma menção especial aos parceiros, nacionais e estrangeiros, do Ministério da Saúde, empenhados na causa da minimização dos efeitos da doença, nomeadamente, a Fundação Lwini, Chevron, Texas Children's Hospital e Baylor Colllege Medicine.

Os sintomas da falciformação manifestam-se a partir dos três meses de idade, mas a doença já pode ser diagnosticada na primeira semana de vida, através da triagem neonatal, mais conhecida como teste do pezinho.

Entre Junho de 2011 e Maio de 2016 foram rastreados cerca de 141.848 recém-nascidos, dos quais 3.187 diagnosticados com anemia falciforme. També foram diagnosticadas 26.450 crianças com o traço da doença.

O dia mundial da anemia falciforme foi estabelecido a 19 de Junho 2009 pelas Nações Unidas por reconhecer que esta doença é um problema de saúde pública.

 

O que é a doença das células falciformes?

 

Designa-se por "células falciformes" porque os glóbulos vermelhos, que normalmente são redondos e muito flexíveis, ganham a forma de uma lua em quarto crescente ou de uma foice. Na doença das células falciformes, os glóbulos vermelhos não duram tanto tempo no corpo quanto os glóbulos vermelhos normais, e isto conduz à anemia. Os glóbulos vermelhos falciformes também não são tão flexíveis quanto os glóbulos vermelhos normais e nem sempre conseguem passar pelos vasos sanguíneos muito pequenos. Se as células falciformes ficarem presas nos vasos sanguíneos, o sangue não pode circular facilmente, e isto causa um bloqueio e provoca dor na zona afectada. Esta situação é conhecida como uma crise das células falciformes ou crise de dor: é frequente a dor aparecer subitamente e pode durar várias horas ou dias. Os glóbulos vermelhos alteram-se para uma forma falciforme quando se encontram nas veias, porque lhes falta oxigénio.

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Sanofi realiza simpósio sobre diabetes

 

O 1º Simpósio Sanofi Diabetes realizou-se a 22 de Junho, em Luanda, subordinado ao tema principal “O Tratamento do Doente Diabético e o uso da insulina Glargina (LANTUS)". O programa do evento – muito participado – contou com a participação da endocrinologista do Hospital Militar Principal, Rosa Cardoso, que falou sobre “O Perfil do doente diabético - Uso da Glimepirida (AMARYL)”. Seguiu-se a comunicação da endocrinologista do Hospital Militar Principal e Clínica Sagrada Esperança, Manuela Sande, sobre “As dificuldades e angústias no tratamento do Doente Diabético – Uso da Insulina Glargina (LANTUS). O Estado da Arte no Tratamento da Diabetes Mellitus - Uso da Insulina Glargina (LANTUS)  foi o tema seguinte apresentado pelo assistente graduado de endocrinologia do Hospital de S. João, no Porto, Celestino Neves. Finalmente, o cardiologista Mário Fernandes, director de serviço no HAB, debruçou-se  sobre a relação entre a insuficiência cardíaca e a diabetes.

Ao fim do dia, teve lugar a  reunião plenária da Sociedade Angolana de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SAEDM) e da Sociedade Angolana de Diabetes e Nutrição (SADN).

 

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Projecto inovador em África. Famílias angolanas vão receber conselhos de saúde gratuitos por SMS

 

O Ministério da Saúde prevê, para o próximo dia 28 de Julho, o lançamento do SMS Mulher, um inovador sistema informativo sobre saúde reprodutiva com recurso às novas tecnologias de informação e comunicação, designadamente o telemóvel.

As mulheres em idade reprodutiva, os homens e as famílias em geral que subscreverem este serviço gratuito vão passar a receber, uma vez por semana, uma SMS com um conselho de uma médica especialista em saúde pública no que respeita a um conjunto de tópicos, entre os quais: planeamento familiar, pré-natal, parto seguro / crescimento infantil, infecções transmissíveis sexualmente, em particular o VIH, empoderamento da menina e mulher.

Para a subscrição do serviço basta enviar uma SMS para o número 44510 com a palavra DICAS.

A saúde materna, neonatal e infantil são indicadores de avaliação de desenvolvimento e de qualidade de vida de um país e de suas populações. Em Angola, apesar dos esforços significativos realizados para a melhoria da saúde reprodutiva, os principais indicadores apontam para uma situação ainda preocupante.

O Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário 2012-2025 estabeleceu como metas nacionais a redução em 50% das taxas de mortalidade materna e infantil e o aumento em 80 % da cobertura de partos institucionais por pessoal capacitado.

O projecto, financiado pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), foi concebido e implementado para o MINSA pela empresa angolana Marketing For You – editora do Jornal da Saúde e organizadora das feiras Médica Hospitalar e Expo Farma –  que concebeu a solução e desenvolveu a plataforma telemática.  Tem o patrocínio da Movicel, no âmbito das práticas de responsabilidade social desta operadora nacional.

 

Alguns exemplos dos conteúdos das SMS

 

— O meu bebé é bebucho porque mama peito. Ele está protegido de muitas doenças

— O casal adolescente ou adulto, deve conversar sobre o número de filhos que pode ou deve ter

— Para uma mulher ter mais saúde, depois do parto e para criar bem o bebé, só deve engravidar depois de 3 anos

— O preservativo deve ser sempre usado para evitar a transmissão de infecções incluindo o VIH e prevenir gravidezes não desejadas

— No nosso bairro, não há casais que lutem! Fazemos sempre reuniões para evitarmos a violência. É tão fixe!

— Toda hora é ir ao Centro de Saúde! Sim, é por causa da gravidez! Deve-se ir pelo menos 4 vezes. Uma vez só não dá sweg

 

 

 

Voltar

 

 

 

Rui Capo

As empresas e gestores inteligentes consideram a saúde e segurança do trabalho não só uma prioridade mas acima de tudo um valor. Valor como investimento e valor como estratégia de negócio, porque os acidentes de trabalho e as doenças profissionais provocam enormes perdas e envolvem custos directos e indirectos muito altos para as empresas, para o Estado e para a sociedade como um todo.

Rui Capo.

"Queremos promover a cultura da saúde e da segurança nos locais de trabalho."

 

Francisco Cosme dos Santos com Madalena Moreira de Sá

 

Sob o lema “A medicina do trabalho como factor de desenvolvimento”, as 1as Jornadas Científicas de Medicina do Trabalho, a realizar-se em Outubro próximo, pelo Colégio de Especialidade de Medicina do Trabalho da Ordem dos Médicos de Angola, vão debater temas cruciais para a preservação da saúde e segurança dos trabalhadores, controlo de riscos profissionais, prevenção de doenças e aumento da produtividade.

 

As 1as.Jornadas de Medicina do Trabalho “pretendem promover a cultura da saúde nos locais de trabalho, pois os riscos inerentes às actividades das empresas implicam que a segurança dos trabalhadores seja salvaguardada”. A garantia foi dada pelo presidente do Colégio de Especialidade de Medicina do Trabalho da Ordem dos Médicos de Angola, o médico Rui Capo, em entrevista ao JS.

Sob o lema “A medicina do trabalho como factor de desenvolvimento”, o certame realiza-se a 21 e 22 de Outubro de 2016, em Luanda, conforme anunciou este responsável que considera “necessário que nas empresas se adoptem medidas de prevenção e práticas para evitar os acidentes de trabalho e as doenças profissionais” .

O objectivo central das Jornadas “é abordar a importância da medicina do trabalho em Angola, já que esta incide sobre tudo no que se refere à preservação da vida dos trabalhadores, desde a promoção de ambientes de trabalho saudáveis ao controlo de riscos laborais”, afirmou.

Adiantou também que os principais temas a serem debatidos no primeiro dia do evento serão repartidos em três painéis temáticos. No primeiro, serão abordadas a ética e deontologia no exercício da medicina do trabalho; o ensino da especialidade e a formação contínua dos médicos do trabalho; a vigilância sanitária nas empresas e as perspectivas universais no domínio da problemática relativa à saúde dos trabalhadores.

No segundo painel, serão discutidos temas como a medicina do trabalho em Angola, políticas e regulamentos; os desafios dos médicos do trabalho; a regulamentação e organização dos serviços de saúde, segurança e higiene do trabalho.

Os temas abordados no terceiro e último painel do dia serão: factores de risco e doenças relacionadas com o trabalho; riscos psicossociais no trabalho e ergonomia; perdas auditivas induzidas pelo ruído no local de trabalho, entre outros.

No segundo dia, haverá um único painel e dele farão parte representantes de diversas empresas públicas e privadas que irão partilhar ideias e experiências, relativas à gestão de riscos, dos acidentes e das doenças profissionais dos seus trabalhadores, colaboradores e segurados.

 

Quem participa

 

O evento contará com a presença de vários oradores, na sua maioria médicos do trabalho angolanos, que trabalham nos sectores público e privado, e convidados de Portugal.

Poderão participar nas Jornadas os médicos do trabalho e de outras especialidades, enfermeiros, engenheiros e técnicos de segurança, ambiente e sustentabilidade, gestores de empresas, técnicos de recursos humanos, outros representantes de empresas públicas e privadas, seguradoras (lidam com as empresas em torno das questões que envolvem acidentes de trabalho e doenças profissionais), estudantes e todos os interessados.

 

A importância em Angola

 

Rui Capo afirmou que “o trabalho é um importante determinante da saúde, tal como é a alimentação, habitação, saneamento básico etc. Como tal, a importância desta temática, no actual contexto de desenvolvimento económico de Angola, é significativa, pois visa estimular e fortalecer o trabalhador e o trabalho seguro. A melhoria das condições de trabalho permite que o trabalhador sinta que a sua empresa e o seu posto de trabalho oferecem segurança para sua saúde, o que aumenta a sua predisposição para o trabalho e, por esta via, maior produtividade”.

“Por outro lado, os acidentes de trabalho e as doenças profissionais provocam enormes perdas e envolvem custos directos e indirectos muito altos para as empresas, para o Estado, para as famílias e para a sociedade como um todo (horas de trabalho perdidas, salários, assistência às vítimas e tratamento médico, indemnizações, custos administrativos, reparação de equipamentos, perda de competitividade e da imagem das empresas com alta sinistralidade laboral, sofrimento das famílias, custos com a reabilitação física e profissional e, muitas vezes, os altíssimos custos com as incapacidades permanentes dos doentes/ acidentados)”, lembrou.

Por isso, “a implementação de medidas de prevenção de riscos e de doenças responsáveis pela baixa produtividade dos profissionais é impreterível para o crescimento de qualquer organização, ou país”, defendeu.

“A notoriedade da medicina do trabalho tem aumentado no país, mas ainda é insuficiente. Em Angola, embora já seja reconhecida a importância dos seguros de acidentes de trabalho, continuam a ocorrer acidentes, doenças e outras situações laborais, cuja influência no ambiente de trabalho é evidente e que podem ser evitados através de estratégias de prevenção pela engenharia de segurança e da medicina do trabalho”, realçou.

Apesar de existirem “algumas empresas e instituições nacionais e multinacionais que assumem a responsabilidade de salvaguardar o direito dos trabalhadores a conhecerem os riscos presentes nos seus locais de trabalho e inerentes às suas funções, a saúde e a segurança do trabalho ainda não são uma prioridade”, lamentou. No entanto, “as perspectivas futuras para esta área são de crescimento”, adiantou Rui Capo.

 

Nova legislação

 

O presidente do Colégio afirma por isso, ser “preciso que se fale cada vez mais da promoção da saúde e prevenção de doenças e acidentes no âmbito profissional para que a área da saúde e segurança no trabalho no país cresça muito mais. É imperativo que as empresas se adaptem à legislação sobre a matéria e que prestem atenção às exigências dos trabalhadores, pois estes, actualmente, valorizam e procuram trabalhar em ambientes mais seguros, de forma a evitar riscos físicos, químicos, biológicos, ergonómicos e psicossociais no trabalho”.

 

Objectivos do Colégio de Especialidade de Medicina do Trabalho

 

O Colégio de Especialidade de Medicina do Trabalho tem como principais objectivos,  desenvolver a medicina do trabalho no país; promover a avaliação contínua dos médicos do trabalho e a sua participação em eventos nacionais e internacionais e contribuir para que as empresas adoptem as leis em vigor nesta matéria.

Mais especificamente, as suas actividades consistem em apoiar a Ordem dos Médicos em vários assuntos relacionados com a medicina do trabalho, aconselhar as empresas em todas as práticas que envolvem directamente esta área, regular o exercício da especialidade em Angola e estabelecer intercâmbios com diversas organizações internacionais.

É constituído por três comissões de trabalho: a de relações internacionais, comunicação e imagem, a de ensino e pós-graduação e a de ciência e investigação. Os seus principais membros são médicos do trabalho.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Novos desafios e incertezas no futuro

 

Rui Capo

 

Os novos desafios da medicina do trabalho estão sobretudo relacionados com os novos riscos laborais, decorrentes das novas formas de organização das empresas, novos métodos de trabalho e de produção e inovações tecnológicas…tudo isso gravita em torno de um elemento essencial que é o HOMEM. Em menor ou maior escala, ele sempre se fará presente. Por isso é necessário sempre avaliar a forma como ele interage com as inovações no ambiente laboral.

 

Haverá novas ferramentas de trabalho, novos produtos químicos, novas formas de energia, novas posturas, numa só palavra novos riscos ocupacionais. É preciso estudá-los para conhecer, prevê-los e avaliar o impacto que estes riscos podem provocar a curto, médico e longo prazos na saúde física e mental dos operadores destas novas tecnologias. Exemplos:

- Os computadores trouxeram grandes progressos em todas as áreas da nossa vida, mas também trouxeram vícios de postura, lombalgias, tendinites, doenças oculares e até novos crimes!

- Por outro lado as novas formas de organização (por exemplo as fusões entre empresas) incorporaram mais eficiência nos seus processos, mas também reduziram pessoal, estabeleceram novas metas de produção, aumentaram as exigências e demandas cognitivas e as necessidades de diferenciação dos seus trabalhadores que se tornaram multifuncionais, o que aumentou a insegurança dos trabalhadores e a instabilidade nos empregos (despedimentos), diminuiu a coesão social entre os trabalhadores, surgindo assim o chamado risco psicossocial, o assédio moral no local de trabalho, o stress laboral e as doenças mentais relacionadas ao trabalho.

 

Equilíbrio entre

capital e trabalho

Os serviços de saúde, de uma forma geral, e o médico do trabalho, de forma particular, devem estar atentos a todos estes fenómenos de forma a poder interpretá-los correctamente com vista a estabelecer medidas de prevenção, diagnosticar precocemente todos os agravos à saúde do trabalhador resultantes destes novos riscos e estabelecer o nexo de causalidade (relação causa e efeito) com o trabalho.

Mais importante ainda é ajudar os altos decisores das empresas a estabelecerem estratégias organizacionais e corporativas, em que empregadores e empregados possam lidar com estes fenómenos dos nossos tempos, de forma a encontrar um equilíbrio entre capital e trabalho, salvaguardando a necessidade do crescimento económico das empresas, sem pôr em causa a saúde dos trabalhadores.

É por isso que as empresas inteligentes consideram a saúde e segurança do trabalho não só uma prioridade mas acima de tudo um VALOR. Valor como investimento e valor como estratégia de negócio, revelou o especialista.

 

Contactos:

E-mail:

rumacapo@hotmail.com

Tel.: 928120644 / 912518118

 

 

Voltar

 

 

 

Identificar para intervir.

Dislexia é causa de insucesso escolar

 

Vanda Sardinha

Terapeuta da Fala

vanda.sardinha@hotmail.com

 

Um estudante inteligente em cada dez apresenta uma dislexia mais ou menos grave, mas pode tratar-se.

 

A dislexia é, porventura, a causa mais frequente do baixo rendimento e do insucesso escolar. Na maioria dos casos não é identificada, nem tratada correcta e atempadamente. O objetivo deste artigo é dar a conhecer os conceitos básicos desta perturbação, de modo a permitir o encaminhamento destas crianças para uma avaliação e intervenção especializada.

 

O que é a dislexia

A dislexia é uma incapacidade específica de aprendizagem, de origem neurobiológica. É caracterizada por dificuldades na correção e/ou fluência na leitura de palavras e por baixa competência leitora e ortográfica. Estas dificuldades resultam de um défice fonológico, inesperado, em relação às outras capacidades cognitivas e às condições educativas. Secundariamente podem surgir dificuldades de compreensão leitora, experiência de leitura reduzida que pode impedir o desenvolvimento do vocabulário e dos conhecimentos gerais.

Esta definição de dislexia, adotada em 2003 pela Associação Internacional de Dislexia, é, actualmente, aceite pela grande maioria da comunidade científica.

 

Prevalência da doença

Nos Estados Unidos da América, a prevalência da perturbação da leitura nas crianças com idade escolar é de cerca de quatro por cento, segundo a 4ª edição do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais da American Psychiatric Association (DSM-IV).

No entanto, resultados de outras investigações apontam para uma prevalência de cinco a dez por cento. Isto significa que, cerca de um estudante inteligente em cada dez, pode apresentar uma dislexia mais ou menos grave.

Outros estudos referem que, aproximadamente, 30 por cento a 40 por cento dos irmãos de crianças disléxicas apresentam, de uma forma mais ou menos grave, a mesma perturbação. Entre gémeos monozigóticos, as percentagens de concordância aumentam para 68 por cento. Uma criança cujo pai seja disléxico apresenta um risco oito vezes superior à da população em geral.

Alguns estudos reportam, igualmente, a presença de diferenças significativas na prevalência da dislexia entre rapazes e raparigas. O género masculino tende a apresentar uma maior prevalência comparativamente com o género feminino. Outros estudos não observaram a presença de diferenças na prevalência em função do género.

 

Co-morbilidade

Embora a base cognitiva da dislexia seja um défice fonológico, é frequente a co-morbilidade com outras perturbações: perturbação da atenção com hiperatividade (ADHD), perturbação específica da linguagem (PEL), discalculia, disgrafia, disortografia, perturbação da coordenação motora, perturbação do comportamento, perturbação do humor, perturbação de oposição e desvalorização da autoestima. A ADHD merece referencia especial por ser a perturbação que se associa com mais frequência, sendo maior para a dimensão da inatenção do que para a hiperatividade /impulsividade.

 

Características gerais

Em geral, os alunos disléxicos apresentam:

- Dificuldades na psicomotricidade e na lateralidade, isto é, a interiorização da imagem do corpo. Não conseguem reconhecer, sentir o seu próprio corpo, o atrás, o à frente, a direita e a esquerda, entre outros;

- Atraso na orientação espácio-temporal, ou seja, não conseguem situar-se no espaço, num mapa ou no globo terrestre. Não compreendem a orientação dos símbolos gráficos. Não percebem um gráfico, uma tabela de dupla entrada. Não aprendem a ver as horas, a distinguir os dias da semana, os meses do ano, ou a relacionar acontecimentos ordenados no tempo;

- Problemas perceptivos auditivos ou visuais, nomeadamente dificuldades em competências fonológicas, como distinguir sons, reconhecer palavras e seus elementos, não atender a pormenores visuais (podem dar erros graves mesmo nas cópias de textos), não reconhecer palavras já conhecidas e ler com hesitações e alterações, sem ritmo e expressão ou fazer erros na escrita, do tipo confusões, inversões, adições, omissões, ligações, separações ou substituições e desrespeito de regras;

- Atraso nas competências psicolinguísticas, isto é, ao falar poderão alterar a estrutura da frase ou da palavra e a sua linguagem compreensiva e/ou expressiva pode estar muito empobrecida;

- Alteração dos traçados grafo motores, dado o baixo controlo e destreza motora fina;

- Dificuldades de atenção e de memória imediata e/ou de longo prazo. Não recordam, nem retêm, séries sequenciais ouvidas, nem memorizam visualmente símbolos gráficos, palavras ou letras.

 

Sinais de alerta

Sendo a dislexia uma perturbação da linguagem que tem na sua origem dificuldades a nível do processamento fonológico, podem observar-se algumas manifestações antes da aprendizagem da leitura.

Existem alguns sinais que indiciam dificuldades futuras e, se os mesmos forem observados e persistirem ao longo de vários meses, os pais devem procurar uma avaliação especializada. A intervenção precoce é, talvez, o factor mais importante na recuperação dos leitores disléxicos.

Durante a infância:

● Atraso na aquisição da linguagem. A criança começou a dizer as primeiras palavras mais tarde do que o habitual e a construir frases mais tardiamente.

● Apresenta problemas de linguagem durante o seu desenvolvimento, tais como dificuldades em pronunciar determinados sons, linguagem infantilizada para além da idade normal.

● Demonstra dificuldades em memorizar e acompanhar canções infantis, rimas e lengalengas.

● Mostra dificuldade na consciência e manipulação fonológica. Dificuldade em aperceber-se que os sons das palavras podem dividir-se em bocados mais pequenos e em manipular esses mesmos sons.

Na idade escolar:

● Lentidão na aprendizagem dos mecanismos da leitura e escrita. Maior lentidão que o normal na aprendizagem das letras e na leitura das silabas.

● Dificuldade em compreender que as palavras se podem segmentar em sílabas e fonemas.

● A velocidade de leitura é significativamente abaixo do esperado para a idade: muitas vezes silábica e por soletração.

● Bastantes dificuldades na leitura, com a presença constante de alterações e de falhas nos processos de descodificação grafema-fonema e/ou na leitura automática de palavras.

● Dificuldades na compreensão de textos escritos devido à sua fraca qualidade na leitura. Boa compreensão quando as histórias lhe são lidas.

● A escrita surge com muitos erros ortográficos, com trocas fonológicas e/ou lexicais.

● Lacunas acentuadas na organização das ideias no texto e na construção frásica.

● Demora demasiado tempo na realização dos trabalhos de casa (uma hora de trabalho rende 10 minutos).

● Utiliza estratégias e truques para não ler. Não revela qualquer prazer pela leitura.

● Distrai-se com bastante facilidade perante qualquer estímulo. Curtos períodos de atenção.

● Os resultados escolares não estão de acordo com a sua capacidade intelectual. Melhores resultados nas avaliações orais do que nas escritas.

● Dificuldade em memorizar informações verbais.

● Dificuldade na aprendizagem de uma língua estrangeira.

● Não gosta de ir a escola ou de realizar qualquer actividade com ela relacionada.

● Apresenta "picos de aprendizagem". Nuns dias parece assimilar e compreender os conteúdos curriculares e noutros parece ter esquecido o que tinha aprendido anteriormente.

As repercussões da dislexia são muitas vezes consideráveis, quer ao nível do sucesso escolar, quer ao nível do comportamento e estado emocional da criança, originando nestes domínios perturbações de gravidade variável, que importa reconhecer e evitar na medida do possível.

A criança disléxica é geralmente triste e deprimida pelo repetido insucesso escolar e pelo fracasso em superar as suas dificuldades. Outras vezes mostra-se agressiva e angustiada. A frustração causada pelos anos de esforço sem êxito e a permanente comparação com as demais crianças provocam sentimentos de inferioridade.

A dislexia é uma dificuldade de aprendizagem que muitas vezes pode ser devastadora se não tratada. Indivíduos que sofrem de dislexia podem, apesar das dificuldades, vencer o problema e tornarem-se muito bem sucedidos.

 

 

Disléxicos famosos

 

Muitas pessoas famosas sofreram, ou sofrem, de dislexia. No entanto, foram, ou são, grandes actores, cantores, presidentes, empresários, cientistas, compositores e atletas. Podemos entre muitos citar:

– Whoopi Goldberg (actriz)

– Agatha Christie (escritora)

– Ben Johnson (atleta)

– Albert Einstein

– Harry Belafonte (actor e cantor)

– Tom cruise (actor)

– Anwar Sadat (político)

– Dexter Manley (atleta)

– Mark Twain (escritor)

Estes são apenas alguns famosos com dislexia, de entre muitos, que se destacaram em diversas áreas, inclusivamente na escrita. O facto de viverem com dislexia não foi obstáculo para se tornarem ícones e exemplos para os demais. São exemplos para aqueles que consideram a dislexia como um impedimento para alcançar um futuro risonho. Como tantas outras dificuldades, a dislexia também se trabalha e ultrapassa-se. Com a ajuda certa, não limita a realização dos sonhos.

 

 

Voltar

 

 

 

Atletas de "fim-de-semana" põem em risco a saúde

 

Gilberto Ururahy

 

A prática desportiva esporádica traz desvantagens. O ideal são 30 minutos cinco vezes por semana.

 

O primeiro desafio para os que buscam a boa forma e a saúde corporal é vencer a preguiça. Manter uma atividade física regular exige perseverança, força de vontade, disciplina e paciência. Não há fórmula mágica contra o sedentarismo.

Numa reportagem recente, foram entrevistados vários praticantes de desporto para tentar descobrir um padrão de comportamento que explicasse a motivação para a atividade física. Não se encontrou.  Cada um dos entrevistados revelou que tinha um estímulo próprio para se manter em forma.

Nesse afã para incorporar o exercício à vida diária, seja com o objetivo de lazer, saúde, ou mesmo por questões estéticas, muitos praticam exercícios apenas aos fins-de-semana. E, o pior, querem recuperar em semanas a forma física que deveria ser moldada em meses de prática orientada de exercícios e, claro, após avaliação médica especializada.

 

Desvantagens para a saúde

Os atletas de final de semana pagam caro pelo seu imediatismo. Descobrem, depois, que a prática desportiva eventual só traz desvantagens para a saúde. São comuns as contraturas, estiramentos, roturas musculares e de tendões, fracturas, arritmias e, não raro, casos de infarto agudo do miocárdio.

Se analisarmos por uma perspectiva evolutiva, somos obrigados a reconhecer que os padrões de atividade física do ser humano não foram estabelecidos em academias, pistas de corrida ou quadras desportivas. Os nossos ancestrais foram caçadores e nómadas e, dessa forma, a obtenção de nutrientes era adquirido à custa de muito esforço. O homem moderno, ao contrário, tem reduzido progressivamente as necessidades calóricas para exercer suas atividades, ao mesmo tempo em que o acesso aos alimentos ficou mais fácil. Além disso, a escassez de tempo não tem favorecido a prática de exercícios físicos.

 

Estilo de vida do homem contemporâneo

Após realizar mais de 60 mil check-ups médicos em homens e mulheres, ao longo de 22 anos, as nossas estatísticas demonstram que o estilo de vida empreendido pelo homem moderno ainda está longe de ser o ideal:

– 70 por cento convivem com altos níveis de stress no cotidiano;

– 65 por cento estão com excesso de peso corporal;

– 60 por cento são sedentários;

– 50 por cento têm o colesterol elevado;

– 25 por cento são hipertensos.

O resultado desse estilo de vida culminou com o aumento da obesidade e de doenças associadas. Ora, o condicionamento físico é uma resposta adaptativa do corpo. Esse processo de adaptação não é imediato e pode levar várias semanas.

 

Regularidade do treino

A regularidade do treino adequado resulta em várias alterações anatômicas e fisiológicas benéficas. Os ossos, tendões e músculos tendem a fortalecer-se diminuindo a susceptibilidade às lesões. O sistema nervoso autónomo (responsável pelo controle das funções automáticas como a frequência cardíaca e pressão arterial) ajusta-se para atender às necessidades do exercício. O coração e o sistema arterial adaptam-se para atender às demandas do corpo por oxigénio e nutrientes. Os músculos hipertrofiam-se e tornam-se mais eficientes na geração de força. Existe uma alteração positiva no perfil de gorduras no sangue e na utilização dos carboidratos. A resistência à insulina, componente da conhecida “síndrome metabólica” e da diabetes, diminui.

Nenhuma dessas alterações benéficas acontece com a atividade desportiva esporádica. Pelo contrário, o atleta do fim-de-semana tende a “compensar” a falta dos exercícios dos outros dias exagerando na dose. Daí a grande prevalência de lesões e problemas ocorridos na atividade física mais intensa quando executado por um corpo não treinado.

 

O papel fundamental da alimentação

A alimentação tem um papel fundamental nesse processo. No final de semana, a ingestão de álcool e de alimentos com alto teor de gordura, aliada à falta de atenção com a hidratação, pode complicar a situação do “desportista”. Aconselha-se, assim, que se mantenha hidratado, evitando atividades intensas sob o sol forte e abstendo-se de álcool antes do esforço. A atividade física em jejum não é recomendada.  A ingestão de frutas e sucos e carboidratos ajudam a manter o nível de glicose adequado para os músculos com consequente melhora do desempenho. Suplementos apenas quando prescritos por médicos ou nutricionistas.

É importante lembrar que antes de iniciar o treinamento deve ser feita uma avaliação médica para excluir doenças ortopédicas, cardíacas, ou pulmonares. Mesmo os jovens podem ser portadores de doenças cardíacas que permanecem sem sintomas até que a primeira manifestação aconteça durante o esforço.

Com segurança e bom treinamento, o desportista de  final de semana terá melhor desempenho, sem surpresas desagradáveis e mais comemorações. Isto sim é que é marcar um golo na qualidade de vida.

 

Voltar

 

 

 

Como não perder o futebol com os amigos?

Marque um golo na qualidade de vida

 

O argumento mais frequente dos sedentários é a falta de tempo. As pressões crescentes por resultados no trabalho, o trânsito caótico das grandes cidades, a necessidade de dar atenção à família e os afazeres da casa competem entre si por atenção.  Dá a impressão que faltam horas no dia. Como encaixar a atividade física nesse contexto? Talvez caiba uma análise honesta das actividades pouco produtivas do nosso dia.

Os trabalhos científicos que correlacionaram o exercício com a redução do risco cardiovascular consideraram uma pessoa fisicamente activa quando o tempo de treino supera 150 minutos por semana. É possível que a recomendação genérica de 30 minutos, cinco vezes na semana, tenha vindo desse critério. Especulações à parte, já se sabe que um exercício leve a moderado mais vezes na semana tende a trazer mais respostas benéficas, com menos riscos, que um treino intenso praticado poucas vezes. Entretanto, isto não é uma verdade absoluta.

O iniciante que faz uma atividade física não orientada pode sobrecarregar os ossos, músculos e ligamentos mesmo com frequência de treino, principalmente se estiver acima do peso. Nestes casos, é melhor iniciar com três sessões, praticando com intensidade leve e curta duração e ir progredindo à medida que a tolerância ao esforço aumenta. Além disso, o exercício muito intenso tende a diminuir a aderência ao treinamento. É comum ouvir relatos de pessoas que fazem um esforço exagerado no primeiro dia. No segundo, com o corpo dolorido, o entusiasmo é bem menor. No terceiro dia já não há prazer. E, no quarto, a pessoa não vai. Quem sabe outro dia...

 

 

 

Voltar

 

 

 

Ginástica mental

 

A conhecida frase "Mente sã em corpo são", celebrizada pelo poeta romano Juvenal, que remonta aos primeiros séculos da época cristã, ganhou outra dimensão à luz dos conhecimentos trazidos a lume pela neurociência. Mas, muito embora a ciência dê passos largos na descoberta de novos dados, não se pode dizer que o "casamento" entre o corpo e a mente seja uma novidade dos tempos que correm. O conceito de "atleta-académico", surgido na Grécia Antiga, ilustra o grau de importância concedido à actividade física na manutenção de uma boa forma corporal e intelectual.

 

Mais recentemente, os estudos de comportamento animal, - apesar de não demonstrarem dados completamente conclusivos - apontam para os benefícios psicológicos do exercício físico. "Quando sujeitos a paradigmas de stress, os roedores [animais utilizados na investigação] reproduziram modelos depressivos - semelhantes aos dos seres humanos -, que se caracterizam, fundamentalmente, pela apatia e diminuição da actividade, perda de interesse e eficácia intelectual e cognitiva", diz Óscar Gonçalves, professor catedrático de Neuropsicofisiologia da Universidade do Minho. Após um programa de exercício físico voluntário, "verificou-se uma melhoria desses padrões", su­blinha.

Na perspectiva deste investigador, nos seres humanos, o exercício físico - entendido como um "fármaco natural" - pode atenuar os sintomas da depressão. "Embora seja difícil estabelecer um relação de causalidade, o exercício físico pode ser bom regulador dos processos emocionais e um coadjuvante no tratamento da ansiedade e da sintomatologia depressiva", completa. Paralelamente, são conhecidos outros efeitos "acessórios" do exercício físico: despoleta um estado de espírito mais positivo e aumenta a eficácia do funcionamento cognitivo e intelectual.

Na tentativa de encontrar respostas para estes fenómenos, a ciência, através de estudos animais, demonstrou que os benefícios do exercício físico se relacionam com os processos bioquímicos, responsáveis pelo estabelecimento de conexões entre os neurónios. "O exercício físico induz uma maior plasticidade das células nervosas, dos neurónios e das células da glia [células de suporte que ajudam a alimentar os neurónios]. Assim, do ponto de vista cognitivo, a actividade física induz a comunicação entre as células nervosas e facilita a formação de novos neurónios (processo conhecido por neurogénese)", afirma Óscar Gonçalves.

A revista Newsweek, escrevia, numa edição recente, que o processo neuroquímico é desencadeado pela contracção muscular. A cada contracção do bíceps, é activado o envio de uma proteína, designada de IGF-1, que percorre toda a corrente sanguínea até alcançar o cérebro. Chegada ao cérebro, esta substância assume o comando na produção de neutrotransmissores, nomeadamente do factor neurotrófico derivado do cérebro (BDNF, sigla do inglês). Esta molécula é responsável pelo sustento de várias actividades relacionadas com o intelecto. Assim, o exercício físico regular proporciona um aumento dos níveis de BDNF, promovendo, simultaneamente, a produção de novos neurónios - embora em pequeno número na idade adulta - e o desenvolvimento de novas conexões entre as células nervosas.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

O exercício da mente

 

O hipocampo é uma zona cerebral responsável pela aprendizagem e pela memória. O processo de oxigenação e vascularização, derivado do exercício físico, fomenta a formação de novas células e ajuda a reduzir os efeitos do cortisol. Esta substância, produzida pelo organismo, quando presente em doses moderadas, exerce uma acção imunitária. Mas, em excesso, perante uma situação de stress exacerbado, acaba por produzir efeitos tóxicos em diferentes zonas cerebrais. Segundo Óscar Gonçalves, o exercício físico, "como antagonista do cortisol, permite, também, contrariar a resposta aos ciclos do stress". Desta forma, assume-se como um antídoto do stress e da ansiedade.

Apesar do contributo do exercício físico na melhoria dos processos de aprendizagem e memória, o especialista sublinha que a melhor forma de "muscular" o cérebro e produzir uma maior eficiência mental é mantendo uma actividade intelectual regular. "A estimulação cognitiva é o elemento central da produção de novos neurónios e sinapses [conexões] entre os neurónios", considera o especialista, que avança com um exemplo: "O cérebro, à seme­lhança dos músculos [embora estes tenham uma maior plasticidade], necessita de estimulação para se manter em forma. Os neurónios, tal como os músculos, estão dependentes da activação constante."

Na perspectiva de Óscar Gonçalves, "Use it or loose it", à boa moda anglosaxónica, é o princípio que rege o funcionamento cerebral. A inactividade provoca, segundo o psicólogo, uma "atrofia das estruturas e, por conseguinte, uma diminuição da sua funcionalidade".

Melhorar a memória

com 10 minutos de conversa

Um estudo da Universidade de Michigan, publicado no Boletim de Personalidade e Psicologia Social, no passado mês de Fevereiro, indica que 10 minutos de diálogo podem aumentar a capacidade da memória e o desempenho nos testes.

Na perspectiva de Oscar Ybarra, psicólogo da U-M Institute for Social Research (ISR) e co-autor do estudo - em parceria com os psicólogos Eugene Burnstein e Piotr Winkielman -, "o processo de socialização é um dos meios tradicionais mais eficazes no desenvolvimento intelectual". O estudo, que incluiu uma amostra de 3610 indivíduos, com idades compreendidas entre os 24 e os 96 anos, analisou a relação entre a função mental e a interacção social.

"Para o nosso conhecimento, esta experiência evidencia a forma como uma interacção social podem influenciar, directamente, a memória e a performance mental de uma maneira positiva", diz Óscar Ybarra. Estes dados sugerem, ainda, que o isolamento social pode ter repercussões negativas nas capacidades intelectuais, emocionais e de bem-estar.

* Adaptado do Science Daily

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Saúde e desenvolvimento

 

Margarida Gaspar de Matos

Psicóloga, Especialista em Saúde Internacional.

Professora Catedrática na UTL e no Centro da Malária e Doenças Tropicais.

 

Desenvolver, etimologicamente significa "des-envolver", "cessar a confusão" (Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa, vol. I, 2001). Implica um aumento de complexidade mas também de clareza de processos e de possibilidades para todos, na área da saúde, educação e recursos necessários à qualidade de vida. O progresso económico, a nível dos países, não se identifica totalmente com uma melhor situação em matéria de saúde. Os cuidados de saúde são até prejudicados por alguns factores nefastos ligados ao progresso económico. A transição em saúde tem implicações sérias em termos de cuidados e serviços de saúde. Numa perspectiva mundial, a globalização leva a que alguns países tenham um contacto simultâneo com o melhor e o pior dos países industrializados. Associado ao desenvolvimento vem o consumo abusivo de bebidas alcoólicas, o consumo de tabaco e drogas, a alimentação sem qualidade e rica em gorduras, o sedentarismo, os acidentes (nomeadamente sob o efeito de álcool e drogas), os comportamentos sexuais de risco (nomeadamente sob o consumo de álcool e drogas) e ainda o forte apelo ao consumo com um potencial efeito secundário em termos de criminalidade para os mais desfavorecidos.

 

Doenças tropicaise doenças infantis

A ajuda humanitária de emergência em resposta a catástrofes naturais ou a conflitos armados começa muitas vezes por ser assistencial nos casos em que há problemas de fome, sede, abrigo, sanidade básica, mas logo que possível urge uma mudança de estratégia de intervenção mais virada para a capacitação e participação da população, para o desenvolvimento de recursos locais, para acções sustentáveis. Só então se poderá verdadeiramente falar de qualidade de vida das populações. Antes dos anos 70, a intervenção de ajuda externa baseava-se num modelo assistencial em situações limite e não aumentava a competência, a participação e autonomia das regiões nem o desenvolvimento de recursos locais. Nos últimos 40 anos o estudo e investigação na área da Saúde Internacional tiveram dois focos principais - as doenças tropicais e a saúde infantil. O interesse pelas doenças tropicais veio dos antigos regimes coloniais e cresceu com as doenças dos expatriados das colónias que eram raras ou mesmo inexistentes na Europa. O foco em doenças infantis veio da constatação de que a mortalidade infantil em países em desenvolvimento tinha a ver com um pequeno número de doenças contagiosas (em conjunto com peso baixo à nascença, subnutrição e factores ambientais adversos) tornando eficazes processos de vacinação e redução de exposição aos riscos e dando origem ao que agora se chama saúde materno-infantil. Os países foram desenvolvendo programas nestas áreas deixando desprotegida a chamada saúde do adulto: cancros, doenças cardiovasculares, problemas pulmonares crónicos obstrutivos, diabetes, e IST (com excepção do VIH/Sida).

 

Novos riscos, novos

comportamentos

Actualmente, a população-alvo da saúde pública nos países jovens enfrenta uma industrialização e uma urbanização desordenadas, crises económicas generalizadas e, muitas vezes, alguma turbulência e instabilidade política que dificultam uma continuidade na organização dos serviços de educação e de saúde e noutras medidas de promoção da saúde das populações. Esta alteração ambiental acarretou novos riscos, novos comportamentos. A urbanização associou-se a mudanças da estrutura da família, à violência doméstica e duplicou a taxa de alcoolismo. Do ponto de vista da distribuição demográfica, previa-se que, de 1990 a 2025, a população urbana nos países em desenvolvimento iria triplicar de 1400 milhões para 3800 milhões (Relatório das Nações Unidas de19871). A maior parte destas pessoas irá viver em bairros suburbanos descaracterizados, poluídos e com graves perigos para a saúde. As transições em saúde, positivas e negativas, caracterizam as condições do nosso tempo. Com optimismo descreve-se a diminuição da mortalidade infantil, o aumento da esperança de vida à nascença e o desaparecimento ou controlo da maior parte das doenças contagiosas. Uma visão mais negativa aponta o aumento descontrolado do HIV/sida, as perturbações da saúde mental, os conflitos étnicos e o aumento da violência e dos consumos.

 

Generalização abusiva de estratégias de organização de cuidados de saúde

O relatório da Conferência de Alma-Ata promovida pela OMS em 1978 recomenda que os serviços de saúde, nomeadamente os que estão ligados a intervenções transculturais não se obstinem num desenvolvimento impessoal, quando pretendem ir ao encontro da intimidade das populações em questões como a vida, a morte, o amor, a felicidade, a doença. Constata-se que muitos aspectos da vida do quotidiano, das relações entre as pessoas e das pessoas com o ambiente são relevantes para a sua saúde. A generalização abusiva de estratégias de organização de cuidados de saúde a contextos, culturas e religiões diferentes de onde primeiro se implementaram tem custos graves e contornos de  "condescendência e etnocentrismo" entre culturas.  Falando de especificidade cultural verifica-se que várias condições de doença são ainda atribuídas a causas de carácter místico e mágico: o fado, o astral, a má sorte, à violação de um tabu, a espíritos ou bruxaria2 sublinhando o papel das crenças e das expectativas das populações na adopção de medidas de protecção da sua própria saúde e o papel que pode ter a obtenção da sua confiança por interacção com "equivalentes" locais (agentes de saúde local, curandeiros, magos). Hofstede3 refere algumas especificidades culturais  com efeitos nas relações entre as pessoas: a dimensãocole­ctivismo-individualismo (colectivismo mais comum no Panamá e Equador e individualismo nos EUA e Austrália); a distância interpessoal para relações de poder (alta na Malásia; baixa na Dinamarca); o sentimento de ameaça pelo desconhecido, associada à defesa e à agressão (máximo na Grécia e Portugal, mínimo na Dinamarca e Singapura); a dimensão das diferenças feminino-masculino (máximo no Japão e Áustria, mínimo na Suécia e Noruega), a dimensão do curto e longo prazo (mais longo na China e o mais curto no Paquistão e Nigéria).

 

A escolarizaçãodas populações é um pilar fundamental

Os hábitos específicos associados a comportamentos de risco e de protecção para a saúde apresentam alguma estabilidade entre culturas, embora as motivações das pessoas para a protecção da sua saúde só ocorram quando há alguma estabilização prévia dos processos de sobrevivência e segurança pessoais, isto é em geral fora de contextos de guerra ou catástrofe. A escolarização das populações é um pilar fundamental e têm-se vindo cada vez mais a demonstrar os efeitos positivos da educação e formação na melhoria de vida das populações. A educação das mães influencia a saúde dos filhos muito para além da procura e da adesão aos cuidados de saúde, através de práticas domésticas saudáveis no dia-a-dia, do acesso a uma maior diferenciação económica e da maior complexidade verbal e cognitiva. Um complexo e urgente caminho decorre desde a escolarização das mães até uma redução da mortalidade e da fertilidade4 e aumento da escolha e manutenção de estilos de vida com mais saúde. Mas estes factores têm um efeito de acumulação entre gerações e apontam para o futuro.

 

1Phillips, D. & Verhasselt, Y. (1994) Health and Development, NY: Routledge

2Basch, P. (1990) Textbook of International health, Oxford: Oxford press

3Gallois, C. & Callan, V. (1997). Communication and culture. Brisbane: Wiley

4LeVine, R.; LeVine, S.  Richman, A.; Uribe, F. & Correa, C. (1994) Schooling and survival: the impact of maternal education on health and reproduction in the third world, in L. Chen, A. Kleinman & N. Ware (Eds.) Health and Social Change in International perspective (303-338), Boston: Harvard press

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

A água emagrece ou engorda?

 

Muitos profissionais de saúde são diariamente confrontados com perguntas aparentemente simples, mas para as quais a resposta nem sempre é evidente. Existem várias teorias sobre um mesmo assunto, frequentemente até contraditórias entre si.

 

Será que a água emagrece? Será que a água pode, de alguma forma, reduzir o apetite? A água às refeições engorda? Estas perguntas são legítimas, especialmente numa época em que qualquer publicação generalista divulga informa­ções e "dicas" sobre nutrição, que frequentemente carecem de fundamento científico. Então, o que de facto se sabe?

 

A ÁGUA AJUDA A EMAGRECER?

Antes de mais, importa perceber o que significa "emagrecer". Este conceito é frequentemente entendido como "perder peso", ou seja, diminuição de quilogramas (de massa corporal total) na balança. Mas a palavra "emagrecer" pode e deve ser utilizada para referir a redução de massa  gorda corporal ou do perímetro da cintura, sem que isso signifique obrigatoriamente perda de peso. Muitas pessoas que querem "fazer dieta" acreditam que a água faz emagrecer, mas a verdade é que não existem evidências de que a ingestão de água per se tenha um papel activo na redução do peso.

Aquilo que a literatura científica indica é que o que mais contribui para emagrecer é conseguir, por um lado, limitar o aporte calórico total e, por outro, aumentar o gasto energético, através da prática de exercício físico. Neste sentido, a substituição de bebidas calóricas por água está associada a um menor aporte calórico. O aporte calórico é, portanto, uma característica normal da maioria dos alimentos e bebidas, à excepção precisamente da água, que não tem ne­nhum valor energético.

 

A ÁGUA REDUZ O APETITE?

Por não conter calorias, a água tem uma densidade energética de zero. Por isso não contribui, sozinha, para a redução de apetite. Mas existem evidências científicas de que os alimentos naturalmente com alto teor em água e fibras (como os hortofrutícolas), bem como os pratos confeccionados com elevadas quantidades de água (como os ensopados, as caldeiradas, etc.), promovem a saciedade. Nos últimos anos, foram publicados vários estudos que indicam que os alimentos ou bebidas de elevado índice glicémico, como o pão branco e alguns alimentos muito ricos em açúcar, provocam uma maior libertação de insulina, e podem estar relacionados com um maior aporte calórico. Note-se que a água não tem quaisquer hidratos de carbono (nem proteínas, nem gordura) e, consequentemente, não pode provocar picos de glicemia.

 

A ÁGUA ÀS REFEIÇÕESENGORDA?

Com base na literatura científica, a conclusão que actualmente se pode retirar é que a ingestão de água, antes ou durante a refeição, não tem qualquer efeito na ingestão calórica total, nessa refeição ou nas seguintes. Ou seja, para a gestão do peso, é indiferente beber ou não beber água durante a refeição. Pelo contrário, a hidratação é um aspecto importante para a saúde, pelo que a ingestão de água durante a refeição, na medida das necessidades e vontade de cada pessoa, é acon­selhável.

 

A ÁGUA É DIURÉTICA?

As águas são diferentes umas das outras, distinguindo-se sobretudo pela composição físico-química. No caso da existência de edema, a retenção de líquidos dificulta a perda de peso. Assim, as águas mais diuréticas poderão ser uma ajuda num plano de perda de peso, sendo que a ingestão de água per se já estimula a diurese.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Qual o papel da água na perda de peso?

 

A água pode contribuir para a manutenção de um peso saudável, na medida em que:

 

– Alguns alimentos naturalmente com alto teor  de água promovem a saciedade;

– As confecções culinárias que utilizam água  em abundância promovem a saciedade;

– A água tem uma densidade energética de zero;

– A substituição de bebidas calóricas por água  reduz significativamente o aporte energético  diário;

– A água não provoca um aumento da glicemia;

– A água não engorda às refeições ou fora delas;

– As águas mais diuréticas podem ajudar na redução de volume de quem faça retenção  de líquidos.

 

 

 

Voltar

 

EVITAR

PREFERIR

PREFERIR

EVITAR

Como comer e evitar o cancro?

 

João Breda

Nutricionista

 

Escolher uma alimentação rica em produtos de origem vegetal, em particular frutos, legumes e leguminosas, assim como produtos amiláceos e cerealíferos o menos processados possível. Aumentar a quantidade de produtos de origem vegetal, hortaliças, legumes, frutos, cereais e leguminosas (lentilhas, feijão, grão...) e outros alimentos fornecedores de amido, como o pão, as massas, batata, arroz.

 

Evitar défice ou excesso de peso. Manter um peso saudável depende de uma ingestão balanceada de calorias e de um equilíbrio com o exercício físico. As mulheres com peso a mais têm um risco maior de cancro do endométrio e da mama.

 Também existe um risco maior de cancro do rim e, possivelmente, do cólon, assim como um aumento de risco de cancro na globalidade. Os cientistas usam o Índice de Massa Corporal (IMC) para determinar se o peso do indivíduo é, ou não, saudável. Pode calcular o seu Índice de Massa Corporal da seguinte forma: IMC = Peso (kg) /estatura (m) x estatura (m). Exemplo: para uma pessoa com 62 quilogramas de massa (peso) e 1,61 metros de altura, teremos: 62 / 1,61 x 1,61 = 23,9 kg / m2. E pode interpretá-lo no quadro seguinte:

 

Índice de Massa Corporal

Menos de 20 Magreza

20-25 Normalidade

25-30 Sobrecarga ponderal

Mais de 30 Obesidade aumentar a actividade física

 

É muito importante o controle ao longo da vida, de forma a impedir o excesso de peso e proteger dos cancros. Comer mais hortaliças, frutos e legumes em natureza. Comer entre 400 a 800 gramas por dia pode contribuir para uma diminuição do risco de cancro de 20 por cento. Vegetais verdes, cenouras, tomate e citrinos parecem ser particularmente interessantes.

  Os mais eficazes na protecção contra o cancro serão as hortaliças, legumes e frutos muito coloridos e três brancos: maçã, alho e cebola. Ingerir todos os dias entre 600 a 800 gramas de cereais, leguminosas, raízes, tubérculos..., preferindo os alimentos não processados industrialmente e limitar o consumo de açúcar e doces. Os alimentos ricos em amidos e polissacáridos não amiláceos como os cereais e pão integral ou escuro, leguminosas e tubérculos, como a batata, têm uma quantidade apreciável de vitaminas, minerais e complantix (fibras) e estão implicados na redução de risco de cancros.

 

 Carnes vermelhas

Moderar o consumo de bebidas alcoólicas, não ultrapassando o equivalente a um copo de vinho ao almoço e jantar para o homem e um pouco menos na mulher. O risco associado ao álcool é ainda maior quando as pessoas são simultaneamente fumadoras. Limitar o consumo de carne vermelha. Preferir peixe, aves, coelho e animais não domesticados, nomeadamente caça. Comer mais de 80 gramas (uma pequena fatia) de carnes vermelhas, em particular de vaca e derivados, provavelmente aumenta o risco de cancro. As carnes vermelhas e as processadas industrialmente (enchidos, salsichas, fiambre...) são uma fonte de gorduras de origem animal que, por si só, aumenta o risco de cancro do pulmão, cólon e recto, mama, endométrio e próstata. O peixe constitui uma excelente alternativa à carne e deveria ser consumido uma vez por dia. Os peixes gordos como a sardinha, o salmão, as enguias, peixe-espada preto, parecem ter algum contributo na prevenção das doenças cardiovasculares e dos cancros.

 

Alimentos salgados

Limitar o consumo de alimentos gordos ou ricos em gorduras, particularmente os de origem animal. Escolher quantidades modestas de óleos vegetais dando primazia ao azeite.

 Reduzir o consumo de alimentos salgados ou ricos em sal e eliminar o uso de sal de mesa, preferindo ervas e especiarias para condimentar A maioria das pessoas consome mais sal do que o que seria desejável. O seu consumo diário deveria ser limitado a um máximo de seis gramas por dia.

 

Preparação culinária

Ter cuidado com a preparação culinária dos alimentos. Não ingerir alimentos total, ou parcialmente, carbonizados. Consumir fumados e salgados apenas ocasionalmente. Atenção às gorduras na confecção dos alimentos. Não cozinhar excessivamente os alimentos, principalmente o peixe e a carne. É frequente nos grelhados, mas também pode acontecer em fritos e assados, o aparecimento de zonas carbonizadas. As carnes fumadas de forma caseira ou industrial apresentam o mesmo problema já que todas contêm nitritos que se transformarão em carcinogénios no estômago. Algumas gorduras que se utilizam para cozinhar são alteradas pelo calor, caso da manteiga, margarina e óleos, sobretudo os mais polinsaturados.

 Alguns procedimentos simples podem reduzir os riscos de cancro ligados à confecção culinária dos alimentos, como seja: reduzir a quantidade de carne ingerida e, no caso de grelhar, assar e fritar, não deixar carbonizar; ingerir sempre sopa de legumes às refeições principais e acompanhar estes cozinhados com legumes e frutos; usar pequena quantidade de gordura na confecção dos alimentos e preferir azeite, óleo de amendoim ou banha de porco. Nos produtos fumados deve rejeitar-se o invólucro ou tripa, bem como a camada superficial dos enchidos, rejeitando também a superfície negra do presunto.

 

 

 

 

Voltar

 

Como manter um coração saudável. 10 mandamentos para prevenir um ataque cardíaco

Adopte um estilo de vida activo e diminua os factores de risco para uma vida longa.

 

As doenças cardiovasculares

Doenças cardiovasculares são todas as entidades em que existe alteração do sistema circulatório, isto é, do coração e dos vasos sanguíneos, tais como artérias, veias e capilares.

A designação "cardiovasculares" advém de "cardio" (coração) e de vasculares (vasos sanguíneos).

 

Os factores de risco

Factores de risco cardiovascular são factores que geralmente associados possibilitam o desenvolvimento de doença cardiovascular, habitualmente mais comum a partir dos 45 anos de idade.

Por causa dos hábitos erróneos do dia-a-dia, tais como trabalhar sem descanso, fumar muito, consumo de alimentos muito salgados, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, de doces, sedentarismo (pessoas que se movimentam pouco), excesso de peso, cada vez mais cresce o número de doentes independentemente da idade, sexo, raça e nível social. Todos estes factores dependem do comportamento do indivíduo. Existem outros factores que são independentes, isto é, não podem ser modificados, tais como a idade, sexo e história familiar, que também influenciam este quadro dramático.

 

Doenças silenciosas

As doenças cardiovasculares muitas vezes são silenciosas e só se manifestam de forma muito grave. Exemplo desta situação são pessoas aparentemente saudáveis que são levadas às urgências pelos familiares porque têm uma dor forte no peito, deixam de mexer os braços e/ou as pernas, paralisam um lado do corpo, ficam com a boca torta, deixam de falar ou caem ao chão aparentemente sem razão. Quando ainda for possível, o médico diagnostica o que vulgarmente se chama trombose ou ataque do coração.

 

Conselhos para viver mais anos saudáveis

O conselho para viver mais anos uma vida saudável é que tenha tempo para si (não só de trabalho vive o homem; tire férias, dê um passeio), faça exercício físico regularmente sob orientação médica (caminhe pelo menos 30 minutos três vezes por semana), aumente o consumo de frutas, legumes e verduras, ou melhor, opte por uma alimentação diversificada, troque o guisado pelo grelhado, não gaste o seu dinheiro a comprar cigarros e bebidas alcoólicas, tenha o hábito de ir ao médico para saber como está a sua saúde e para ser mais bem orientado, de forma a prevenir situações graves, como doença do coração (insuficiência cardíaca, infarto, etc.), doenças do rim (insuficiência renal), má circulação, acidente vascular cerebral, etc.

Todos os hábitos saudáveis devem começar com as crianças.

Se se sentir cansado, dificuldade em respirar (falta de ar, respiração curta), dor no peito, batimento rápido do coração, dores nas pernas ao andar, inchaço no rosto e nas pernas, urinar pouco, etc., vá ao médico, não fique com o problema em casa, ou procure curiosos, para não atrasar o início do tratamento.

 

mandamentos para prevenir um ataque cardíaco

 

1- Pare de fumar. Se é fumador, parar de fumar diminui muito o risco de ocorrer um infarto do miocárdio (ataque cardíaco). Este risco diminui 50% em dois anos, podendo tornar-se igual ao de alguém que nunca fumou em 7 a 12 anos. O risco relativo de um infarto dobra a partir de 5 a 10 cigarros por dia. Este risco aumenta até oito vezes nos indivíduos que fumam cerca de duas carteiras por dia (40 cigar­ros).

 

2- Faça exercício físico regularmente. Recomenda-se a realização de exercícios físicos aeróbicos (andar, correr, pedalar, dançar, nadar e fazer hidroginástica), pelo menos 3 vezes por semana (5 a 7 vezes para os indivíduos que precisam perder peso), no mínimo durante 30 minutos, com uma intensidade moderada (ao fazer o exercício, fica um pouco ofegante, mas consegue dizer frases inteiras). As actividades físicas do dia-a-dia (ex.: caminhar durante 15 minutos para ir ao trabalho e mais 15 minutos para voltar do trabalho) também trazem resultados positivos.

 

3- Alimente-se de uma forma saudável. Procure ingerir uma quantidade de calorias diárias que lhe ajude a atingir um peso adequado. A ingestão diária de fruta, verduras e legumes ajuda a prevenir um infarto do miocárdio. Limite a ingestão de sal em menos de 6 gramas por dia (cerca de 6 colheres rasas de chá de sal, ou seja, 4 colheres rasas de chá de sal para o preparo dos alimentos mais duas colheres de sal próprio dos alimentos). Evite os alimentos ricos em colesterol (ingira menos de 300 mg de colesterol por dia), os quais são exclusivamente de origem animal (derivados do leite com alto teor de gordura, gordura aparente das carnes, gema dos ovos, pele das aves, miúdos, embutidos e certos frutos do mar).

Evite também as gorduras saturadas (frituras) e as gorduras trans ou hidrogenadas, que se encontram em alguns produtos industrializados, como molhos, sorvetes, bolos e certos biscoitos. Procure ingerir peixe, principalmente os ricos em ácidos graxos ómega-3 (sardinha, truta, salmão e bacalhau), pelo menos duas vezes por semana. Os fitoesteróis são substâncias antioxidantes de origem vegetal que podem ser encontradas em margarinas enriquecidas, uma óptima opção para substituir a manteiga ou as margarinas com gorduras hidrogenadas. Procure ingerir alimentos ricos em fibras (cereais, fruta, verduras e legumes). Derivados da soja, grão, integrais, nozes, assim como outros alimentos, apresentam efeitos comprovadamente benéficos sobre as gorduras do sangue e a aterosclerose (leia as páginas sobre alimentos funcionais).

 

4- Procure ingerir bebidas alcoólicas moderadamente. A ingestão regular de bebidas alcoólicas, como o vinho tinto, não deve ser estimulada, com o objectivo de prevenir um infarto do miocárdio. Se é homem e costuma beber, procure restringir a ingestão de álcool em 30 g de etanol por dia (700 ml de cerveja = 2 latas de 350 ml, ou 300 ml de vinho = 2 taças de 150 ml, ou 100 ml de destilado = 3 doses de 30 ml). Se é mulher, essa ingestão deverá ser de 15 g de etanol, ou seja, 50% da quantidade aconselhada aos homens. Lembre-se: o álcool é calórico, pode aumentar os níveis de açúcar, ácido úrico e triglicerídeos, além de poder causar dependência física e psíquica (alcoolismo).

 

5- Persiga o seu peso ideal. Um índice de massa corporal (IMC = peso dividido pela altura ao quadrado) inferior a 25 kg/m2 e uma circunferência abdominal inferior a 94 cm nos homens e 80 cm nas mulheres são as metas a atingir quando o assunto é peso e medidas. Para uma perda de peso, uma dieta hipocalórica e a prática diária de exercícios físicos são fundamentais. A utilização de medicamentos poderá ser útil. A cirurgia bariátrica pode ser indicada para casos seleccionados.

 

6- Não deixe de ir a consultas médicas periódicas. Consulte regularmente o(s) seu(s) médico(s) de confiança. Retorne ao consultório para as reavaliações clínicas dentro do tempo estipulado pelo seu médico.

 

7- Realize todos os exames complementares solicitados pelo seu médico. O resultado destes exames será fundamental para a avaliação do seu quadro clínico e, consequentemente, para a definição de um plano de prevenção e tratamento adequado a si.

 

8- Não deixe de usar as suas medicações de uso contínuo. Para o combate dos factores de risco para o infarto do miocárdio (como a hipertensão arterial, as dislipidemias, a diabetes mellitus, a obesidade, o hábito de fumar, entre outros), poderá ser necessária a utilização de medicamentos. A maioria destas drogas será de uso contínuo e indefinido. Use regularmente as medicações prescritas pelo seu médico. Não pare de usá-las sem a permissão do mesmo. Evite trocas no balcão das farmácias.

 

9- Combata o stress e a depressão. Se está stressado ou até depressivo, procure o seu médico de confiança. Estas duas situações aumentam o risco de sofrer um infarto do miocárdio. Provavelmente será necessária a avaliação de um profissional especializado na área, como um psiquiatra ou psicólogo. Exercícios físicos, técnicas de relaxamento, psicoterapia e uso de medicamentos poderão ser necessários.

 

10- Dedique pelo menos um dia

da semana totalmente para si e para o convívio junto dos seus familiares. Permaneça a maior parte do tempo possível junto das pessoas que ama. Procure viver em paz e harmonia com o mundo que está à sua volta.

 

 

 

 

Voltar

 

10

mandamentos

para prevenir um ataque cardíaco

Copyright © 2018 Jornal da Saúde Angola. Todos os direitos reservados. Created by Paulo Link