MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Nova vacina Pneumo pode evitar mais  de 18 mil óbitos em crianças

 

As autoridades sanitárias angolanas e os parceiros da vacinação infantil lançaram este mês, em Luanda, a nova vacina Pneumo para uma maior protecção das crianças menores de um ano de idade. Esta vacina previne doenças como a pneumonia, meningite e as inflamações de ouvido.

A introdução da vacina contra o pneumococo faz parte da estratégia do governo de Angola para acelerar a redução da mortalidade infantil por pneumonia e meningite, esperando-se que contribua igualmente para o alcance dos Objectivos de  Desenvolvimento do Milénio.

O Ministro angolano da Saúde, José Van-Dúnem, disse que,  ao introduzir a nova vacina PNEUMO,  o Governo reitera o compromisso de reduzir o peso das doenças infantis  sobre o Sistema Nacional de Saúde e de fortalecer, em especial, a vacinação de rotina em toda a rede sanitária.

A Pneumo é uma intervenção estratégica do Programa Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS)  até ao ano 2025, elaborada para acelerar a redução da mortalidade infantil», realçou.

O ministro reconheceu ainda que embora a pneumonia constitua a segunda causa da mortalidade infantil no país, o seu Governo espera inverter drasticamente esta situação nos próximos anos. «A nova vacina constitui mais um marco na oferta de cuidados básicos e vai permitir salvar a vida as crianças que dela necessitam», acrescentou.

Segundo estimativas do Ministério da Saúde (MINSA),   a introdução da vacina Pneumo  poderá evitar anualmente aproximadamente 18.900 óbitos em crianças menores de um ano se for alcançada uma taxa de cobertura superior a 85% em crianças nessa faixa etária.

Com a nova vacina, as autoridades sanitárias esperam igualmente uma redução anual em termos de  custos de tratamento de casos de pneumonia, no valor de cerca de 7,3 milhões de dólares.

Por sua vez, o representante da Organização Mundial da Saude em Angola, Hernando Agudelo, assegurou que «a OMS vai continuar a prestar apoio técnico ao Ministério da Saúde e a trabalhar estreitamente com os parceiros do sector saúde, para  reforçar o sistema de vacinação de rotina a nível nacional de forma que os importantes investimentos realizados nesta área permitam melhores resultados em prol da saúde e bem-estar da população.»

«As vacinas são uma ferramenta vital para proteger a vida das crianças e dar-lhes a oportunidade de crescer e se tornarem adultos saudáveis e produtivos que contribuem para o desenvolvimento económico do seu país", observou Seth Berkley, director executivo do Fundo da Aliança Global para Vacinas e Imunização (GAVI).

 

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Iniciativa da Clínica Multiperfil

2º Congresso de Ciências da Saúde com programa científico de excelência

Mais de 60 cursos pré-congresso já confirmados

 

O 2º Congresso de Ciências da Saúde, organizado pela Clínica Multiperfil, sob o lema “Na qualificação e reforço das competências dos profissionais de saúde”, realiza-se, em Luanda, de 4 a 8 de Novembro de 2013.

 

O programa é rico e diversificado, com um excelente conteúdo científico, englobando não apenas assuntos voltados directamente aos médicos e enfermeiros, mas também a outros profissionais da área de saúde e não só, que terão oportunidade de interagir com renomados cientistas, pesquisadores, clínicos e gestores de saúde. Entre outros temas, destaca-se o politrauma, grandes endemias, diabetes, hipertensão arterial, saúde do homem, da mulher e da criança.

 

Em simultâneo, decorre o 2º Simpósio de Enfermagem, o 2º Simpósio de Anemia Falciforme e a Expo Multiperfil, onde participam empresas fornecedoras de medicamentos, equipamentos e dispositivos médicos. De salientar ainda a realização de mais de 60 cursos pré-congresso, em diversas áreas clínicas.

 

O médico patologista clínico, doutor em Patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Carlos Ballarati, o médico e Professor titular de Cirurgia do Trauma, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Dario Birolini, o Director da Global Robotics Institute e Director do Programa de Oncologia Urológica, do Hospital da Florida, Vitul Patel, e o Director do Hospital Pediátrico de Luanda, Luís Bernardino, são alguns dos oradores confirmados.

 

De acordo com o seu Presidente, Manuel Filipe Dias dos Santos, “o Congresso reafirma o compromisso da Clínica Multiperfil em promover e disseminar o conhecimento técnico e científico a todos os profissionais da saúde, bem como o seu desenvolvimento e afirmação profissional”.

As inscrições podem ser efectuadas na Clínica Multiperfil, nas brigadas móveis nos principais hospitais, para o e-mail secretariado@multiperfileventos.com ou online no site www.multiperfileventos.com

 

 

 

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Saúde já tem gestores habilitados em logística

 

Vinte responsáveis de unidades de saúde de Angola concluíram, com sucesso, o 2º módulo sobre Operações e Logística, ministrado pelos professores doutorados Crespo de Carvalho e Tânia Ramos, do INDEG/ISCTE, no âmbito do programa de Especialização em Gestão da Saúde que decorre em Luanda.

Provenientes de Luanda e de outras províncias do país, são eles os médicos Ana Maria Samuel, Álvaro Zita Viegas, Aarão Lourenço da Silva, Eliseu Chimbanjela, Ester Mussole Katuiya, Fuankenda Munkama, Isaac Malassa, Isidro João Sobral, João Pedro M. Oliveira, João de Sousa Fernandes, José Huote Quibulucuto, José Manuel Lima, Luzaiadio José, Manuel R. Silva Escórcio, Maria João de Matos, Maria José P. dos Reis, Mariana Fernandes, Miguel G. A. Sebastião, Tomás Dembe Chianga e Valentino Sukuakueche.

Estes profissionais de saúde ficaram habilitados a proceder, nas suas unidades de saúde, à gestão logística e da cadeia de abastecimento, gestão dos pacientes (inbound, permanência e outbound dos serviços de urgência), gestão dos materiais, fornecimentos e serviços externos, utilizando o instrumental técnico mais recente de gestão logística, gestão de stocks, gestão de filas de espera, entre outros.

O primeiro módulo teve como tema Recursos Humanos e Mudança na Saúde, onde também participaram, com aprovação, os médicos Alberto Chungo, António Nobre, Carla Miranda, Filomena Burity Neto, Filomena Lima Neto, Francisco Paiva, Luiz Conceição Varanda, Virgílio Guilherme Jacinto, Silvandira Lacerda.

O programa de Especialização em Gestão da Saúde, constituído por sete módulos de uma semana cada, distribuídos ao longo de um ano, ministrado pelo ISCTE/INDEG – a Universidade portuguesa de topo na área da gestão –, em colaboração com o Jornal da Saúde e a sua editora, a empresa angolana Marketing For You, concede o diploma a quem tiver frequentado, com aprovação, cinco dos sete módulos. Um oitavo módulo, opcional, consiste num estágio em hospitais portugueses.

Os próximos módulos, ainda com algumas vagas, são os seguintes: Gestão da Inovação e da Qualidade de Serviços na Saúde, Gestão de Marketing e Comunicação na Saúde, Planeamento e Controlo de Gestão na Saúde, Gestão Estratégica e Governance na Saúde e Gestão Financeira de Unidades de Saúde.

 

Mais informações: Márcia Costa (923276837) e Elizabeth Domingos (931298484)

 

 

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Agenda dos próximos eventos

 

II Congresso  Nacional de Ortopedia e Traumatologia – Luanda, 5 a 10 de Agosto de 2013

Web: www.saot.co.ao

E-mail: aletellesvr@hotmail.com

Curso Gestão da Inovação e da Qualidade de Serviços na Saúde – Luanda, 23 a 27 de Setembro de 2013

Web: http://indeg.iscte.pt/Cursos/programas-exterior

E-mail: elizabeth.leonor@marketingforyou.co.ao

Curso Gestão de Marketing e Comunicação na Saúde – Luanda, 21 a 25 de Outubro de 2013    Web: http://indeg.iscte.pt/Cursos/programas-exterior

E-mail: elizabeth.leonor@marketingforyou.co.ao

III Congresso Angolano de Veterinária e V Congresso dos Veterinários Africanos – Lubango, 29 a 31 de Outubro de 2013     Web: www.congressovetangola2013.comunidades.net

2º Congresso de Ciências da Saúde e Expo Multiperfil – Luanda, 4 a 8 de Novembro de 2013

Web: www.multiperfileventos.com  E-mail:secretariado@multiperfileventos.com

Curso Planeamento e Controlo de Gestão na Saúde – Luanda, 25 a 29 de Novembro de 2013

Web: http://indeg.iscte.pt/Cursos/programas-exterior           E-mail: elizabeth.leonor@marketingforyou.co.ao

IX Congresso Internacional dos Médicos em Angola e 2ª Feira Médica Hospitalar – Luanda, 24 e 25 de Janeiro de 2014 Web: www.ordemdosmedicosdeangola.org   www.medicahospitalarangola.com

40º Congresso Conventus Societas ORL Latina (Otorrino) – Luanda, 1 a 5 de Setembro de 2014

E-mail: mario.dias@marketingforyou.co.ao   aletellesvr@hotmail.com

 

 

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Ordem dos Médicos de Angola

Luzia Dias preside ao novo Colégio da especialidade de Hematologia e Imuno-hemoterapia

 

 médica Luzia Fernandes Dias preside ao novo Colégio da especialidade de Hematologia e Imuno-hemoterapia constituído, este mês, pela Ordem dos Médicos de Angola.

Na cerimónia, que contou com a presença do bastonário da Ordem dos Médicos de Angola, Carlos Alberto Pinto de Sousa, foram ainda nomeadas Eunice Manico para Vice-presidente, Sabrina Coelho, Maria Alice Mussano e Teresa Mateus para, respectivamente, tesoureira e assessoras.

Entre outras atribuições, a direcção do Colégio irá promover a especialidade junto às faculdades de medicina no sentido de sensibilizar os estudantes a seguirem esta área muito necessária ao país.

 

 

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Angola precisa de 140 mil dadores voluntários de sangue

 

Com as altas taxas de sinistralidade rodoviária que se registam no país, o início das cirurgias cardiotorácicas e outras doenças a exigirem, cada vez mais, transfusões sanguíneas, a direcção do Centro Nacional do Sangue tem dificuldade em responder à demanda.

 

Nas celebrações do dia do dador, o apelo das autoridades presentes no acto central, realizado em Luanda, é no sentido de continuar com o gesto de quem já o faz e estimular a prática junto daqueles que, tendo condições, ainda não o fazem.

A informação de que várias vítimas de um acidente de viação ocorrido no município de Viana estavam a perder a vida por falta de sangue levou Madalena de Oliveira, 49 anos, a interessa-se por uma questão que, até então, nada lhe dizia. «Dador voluntário de sangue é o quê?!», questionou na altura. A resposta de que o nome era atribuído às pessoas que, de livre e espontânea vontade, davam parte do seu sangue para salvar a vida a desconhecidos comoveu-a e fez com ela também repetisse o gesto.

Na altura em que decidiu ser dadora, a efeméride não existia. Mas, organizações como a Federação Internacional das Organizações de Dadores de Sangue (FIODS), a Federação Internacional da Cruz Vermelha e das Sociedades do Crescente Vermelho, apoiadas pela Sociedade Internacional da Transfusão Sanguínea (ISBT), olhando para o gesto destes voluntários, decidiram propor à Organização Mundial da Saúde (OMS) a instituição do dia mundial do dador de sangue.

A proposta foi aceite pela OMS e, na Assembleia Geral realizada em Maio de 2005, com os ministros da saúde do mundo, subscreveu-se uma declaração unânime de apoio à dádiva de sangue não remunerada. Escolheu-se o dia 14 de Junho, data do nascimento do cientista e médico austríaco  Karl Landsteiner, precursor da transfusão sanguínea, para a comemoração.

Desde então, a data tem sido aproveitada para realizar actividades de sensibilização e consciencialização sobre a necessidade de se dispor de sangue e de produtos do sangue seguros. E, por outro lado, para agradecer aos dadores voluntários, não remunerados, que todos anos salvam milhões de vidas humanas em todo mundo com o seu oferecimento.

Dadores voluntários

Na cerimónia realizada no Cine Atlântico, onde foram homenageados os dadores angolanos, a Directora do Centro Nacional do Sangue (CNS), Luzia Fernandes Dias, não deu boas notícias. Dados avançados referem que, em Angola, 80 por cento das reservas existentes no banco de sangue são de familiares, sendo que, apenas 10 por cento são de voluntários. Luanda e Benguela são as províncias com mais dadores, enquanto as do Kuando Kubango e Bengo são as que registam o menor número.

Para a responsável, os números preocupam. «Procuramos dadores voluntários, pelo que sensibilizamos e mobilizamos pessoas de boa vontade para que possam estender o seu braço e darem sangue para salvar vidas, sem que seja necessário receber alguma coisa em troca», explicou a médica.

Para suprir a carência, o Centro Nacional de Sangue precisa de 140 mil dadores voluntários. Ou seja, mais pessoas que se comovam com o sofrimento alheio como a Madalena Oliveira e o cidadão Carlos Alberto, que, há mais de 42 anos, repete o gesto da doação de sangue. «Se não tivesse a idade que tenho continuaria a dar e assim ajudar os que necessitam», lamentou o ancião.

Apelo às organizações da sociedade civil

Ciente dos transtornos que a situação tem acarretado, o Secretário de Estado da Saúde, Carlos Alberto Masseca, que presidiu o acto, em representação do Ministro da Saúde, apelou ao envolvimento da sociedade para inversão da situação. «Precisamos de dadores permanentes e não usar apenas sangue familiar. Por esta razão, estendemos o nosso convite às organizações da sociedade civil, em particular às juvenis, no sentido de abraçarem esta causa nobre e justa».

Por sua vez, o representante da OMS em Angola, Hermano Agudelo, na sua intervenção, lembrou as autoridades da necessidade de melhorar as infra-estruturas ao nível nacional «para ter bancos de sangue em quantidade suficiente no país».

 A meta de Angola é fazer com que, em 2020, as doações sejam 100 por cento voluntárias.

 

Eles fazem a diferença

Não há nenhum perigo

Madalena Pereira de Oliveira,

Professora, 49 anos, dadora há 10 anos

 

«Quando comecei a ver que muitas pessoas perdiam a vida por falta de sangue, decidi partilhar. No princípio, temia. Receava contrair alguma doença no acto da doação. Mas informei-me melhor e constatei que não havia perigo. Antes pelo contrário, só há vantagens, porque renova as células e deixa-nos mais felizes por saber que estamos a salvar vidas. Doo três vezes ao ano. Vou de livre vontade porque tenho uma meta a atingir».

 

 

Aconselho os jovens a doar sangue

Carlos Alberto Octávio (Calabeto)

Funcionário dos Caminhos de Ferro de Luanda, 77 anos, dador há 42 anos

 

«Um colega de gabinete doava. Um dia convidou-me a acompanhá-lo. Aceitei e comecei a fazer as doações. Felizmente, ao longo destes 42 anos nunca precisei de uma transfusão sanguínea, nem adoeci. Se não tivesse a idade que tenho continuaria a dar o meu sangue para ajudar a salvar a vida de outros que necessitam. Olhando para trás, sinto-me satisfeito e aconselho os jovens a continuarem com o gesto. Tenho feito exames médicos e garanto: estou bem e a doação não causou nenhum dano na minha saúde».

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O circuito do sangue

 

Os cientistas continuam em busca de uma solução alternativa ao sangue. No entanto, enquanto se aguarda pela descoberta, o recurso tem sido mesmo a doação, uma solução que tem ajudado a salvar a vida de várias crianças, mulheres e homens. Reconhecendo a importância do sangue, Eunice Manico, médica, especialista em imuno-hemoterapia, responsável do laboratório de separação dos componentes sanguíneos do CNS, falou ao Jornal da Saúde sobre as implicações do acto.

 

- Quem pode doar sangue?

-Para ser dador de sangue há determinados requisitos a serem cumpridos, uma vez que o nosso objectivo não é prejudicar, nem o dador, nem o receptor. Os requisitos são ter idade compreendida entre os 18 e os 60 anos. No caso de pessoas que já tenham feito alguma doação na vida, pode estender-se até aos 65. Pesar pelo menos 50 quilos. Não ter comportamento de risco, isto é, as pessoas que se relacionam com vários parceiros têm tendência para contrair doenças sexualmente transmissíveis, razão pela qual não são indicadas para a doação do sangue. Neste grupo inclui-se também as trabalhadoras de sexo e os utilizadores de drogas. Todos os que têm uma tatuagem com um tempo superior a 12 meses podem ser dadores. As senhoras não devem estar grávidas, nem  a amamentar.

- Como é o processo de retirada do sangue?

- O dador faz a inscrição no nosso serviço, ou outro similar. Segue-se um exame laboratorial para medirmos o nível da hemoglobina e a situação de malária. Passa, de seguida, para a triagem clínica, efectuada por médicos ou  enfermeiros capacitados para este efeito. Ultrapassadas estas fases, o dador está em condições de fazer a doação. A doação dura, em média, 10 a 12 minutos. Retiramos do braço 450 mililitros do seu sangue. Em seguida, oferecemos um lanche reforçado. Ele alimenta-se na nossa presença, em princípio, para “repor” aquilo que foi retirado. Mas, o objectivo principal é que permaneça connosco algum tempo para verificar se não há nenhuma reacção adversa à transfusão. Uma vez confirmado o seu estado, retira-se do nosso serviço e nós ficamos com a unidade de sangue.

- O que acontece à unidade de sangue?

-Com a unidade de sangue em mãos, colocamo-la no que denominamos saco mãe. Este, por sua vez, é acoplado a sacos satélites. De seguida, separamos o sangue em componentes. Ou seja, o saco mãe é centrifugado a uma temperatura que nos permite obter os outros componentes. Numa primeira fase separamos o concentrado de eritrócitos (glóbulos vermelhos) (1) e o plasma fresco (2). Deixamos repousar o concentrado de eritrócito e voltamos ao plasma. Fazemos uma segunda centrifugação e tiramos daquele plasma o concentrado de plaquetas. Uma vez feito este processamento, conservamos o concentrado de eritrócitos num banco de sangue que, na realidade, mais não é do que um frigorífico específico para este efeito regulado a uma temperatura de 2 a 6 graus centígrados, ou 8 graus, dependendo da literatura usada. O concentrado de plaquetas repousa durante uma hora. Seguidamente, colocamo-lo no agitador de plaquetas que constitui o seu meio de conservação permanente, para se evitar a agregação plaquetária, a uma temperatura de 20 a 22 graus centígrados. Este derivado tem a validade de cinco dias. O concentrado de eritrócito dura até 40 a 45 dias dependendo do anticoagulante que tiver. O plasma é congelado durante uma hora e conservado numa congeladora a uma temperatura de - 70 graus. Depois é colocado numa arca congeladora com temperatura de  - 30 graus. Este plasma pode durar até 5 anos, dependendo da doença que pretendemos tratar.

Simultaneamente, quando colhemos o sangue para o saco mãe, depositamos 10 mililitros num saquinho pequeno, acoplado. Este serve para enchermos dois tubos. Um serve para o laboratório das doenças transmissíveis, onde procedemos aos testes de VIH, Hepatite B e Sífilis. O outro tubo segue para a imuno-hematologia, onde fazemos a grupagem sanguínea e a prova de compatibilidade. Antes de procedermos a uma transfusão, fazemos uma simulação em tubo denominada prova de compatibilidade. Uma vez estabelecidos os procedimentos e em devidas condições o sangue está conservado aguardando a sua distribuição. O sangue que tiver alguma alteração é destruído. Nestes casos, o Centro Nacional do Sangue tem a obrigação de convocar a pessoa que fez a doação para repetir os exames e, em função do resultado, proceder ao aconselhamento.

-Quais os produtos utilizados nas transfusões?

-Depende da patologia do paciente. Por exemplo, se for um indivíduo com anemia, é recomendado o concentrado de eritrócitos. Nos casos de hemorragia, sobretudo em maternidades, onde se precisam de factores de coagulação, damos o plasma. As plaquetas são usadas principalmente em pessoas com hemorragia.

-Nos casos de acidente de viação, que derivados os doentes precisam?

-Para os acidentes de viação, se o paciente tiver perdido muito sangue, o que se precisa mesmo é de sangue fresco. Ou seja, aquele que obtemos do dador, que não tenha mais de 8 horas e não tenha sofrido nenhum processo de refrigeração. Aqui aproveitamos os factores de coagulação para sanar a hemorragia. Se não dispusermos de sangue nestas condições, usamos os todos os derivados para estancar a hemorragia.

-Quantos dadores são necessários para cada caso?

Depende. Há pacientes que podem levar 30 unidades de sangue. Não é o nosso caso porque ainda não se fazem transplantes. Contudo, a nossa preocupação é crescente porque já temos cirurgias cardiotorácicas, hemodiálise, e a sinistralidade rodoviária aumenta significativamente. Trata-se de situações que já exigem muito sangue. Se tivermos em conta que cada dador oferece aproximadamente meio litro de sangue, estamos a ver a quantidade de dadores precisamos. Um exemplo: se um indivíduo de 70 quilos precisar de uma transfusão de plaquetas, são necessárias sete unidades de plaquetas, o que corresponde a sete dadores. Daqui se vê o quanto precisamos de dados voluntários para termos sempre sangue suficiente.

- O que acontece ao dador depois da doação?

-Sabemos que, a cada 120 dias, o glóbulo vermelho desaparece. Morre e é substituído por outro. Mas, para o indivíduo que faz a doação este processo é ainda mais rápido. Ao dar os 450 mililitros, a medula óssea repõe a quantidade retirada. Não há prejuízo nenhum para o dador de sangue. É por esta razão que as doações acontecem de três em três meses para os homens e de quatro em quatro meses para as mulheres.

 

Notas da redacção:

(1) Eritrócito é um componente celular do sangue, também designado por hemácia ou glóbulo vermelho. Os eritrócitos são as células mais numerosas do sangue. A cor vermelha que apresentam, quando maduros, é devida à presença, no seu interior, de uma proteína com estrutura quaternária, à qual está associada um grupo heme, com átomos de ferro - a hemoglobina. Os eritrócitos desempenham funções de transporte de gases respiratórios, principalmente oxigénio, que se liga de um modo reversível à hemoglobina. No ser humano adulto existem cerca de 5 milhões de hemácias por ml de sangue, com um tempo médio de duração de 120 dias. Findo este tempo, são eliminadas no fígado e no baço e substituídas por outras idênticas.

 

(2) Plasma sanguíneo é o componente líquido do sangue, no qual as células sanguíneas estão suspensas. O plasma é um líquido de cor amarelada e é o maior componente do sangue, compondo cerca de 82% de seu volume total. Ele pode, também, dissecar bactérias. O plasma contém água (90%), fibrinogénio, globulinas, albumina e outras substâncias dissolvidas, como gases, nutrientes, excretas, hormónios e enzimas. Entre as proteínas presentes no sangue, a mais abundante é a albumina.

 

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Angola organizou o maior Congresso de sempre dos farmacêuticos de língua portuguesa

 

Angola acolheu X Congresso Mundial de Farmacêuticos de Língua Portuguesa, entre 29 e 31 de Maio. E realizou o maior evento de sempre na história da entidade promotora – a Associação de Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa (AFPLP), com um programa de excelência e mais de 800 participantes. Um marco histórico para um sector sensível e fundamental no nosso país, onde foi também anunciada a criação da Ordem dos Farmacêuticos de Angola.

 

Assinalando este vigésimo aniversário, a AFPLP, em conjunto com as delegações de São Tomé e Príncipe e de Angola, promoveu a organização de quatro eventos memoráveis, sob o lema “Juntos em Defesa da Saúde”:

— O Simpósio Satélite, em São Tomé e Príncipe, no dia 27 de Maio de 2013.

— A 13.ª Assembleia Geral da AFPLP, em Angola, no dia 29 de Maio.

— A primeira Expo Farma Angola, em Luanda, nos dias 29, 30 e 31 de Maio.

— O X Congresso Mundial de Farmacêuticos de Língua Portuguesa, também em Luanda, nos dias 30 e 31 de Maio.

 

Conclusões

Simpósio satélite

O Simpósio Satélite decorreu em São Tomé e Príncipe, no dia 29 de Maio.

Concretizou-se, assim, uma ambição de longa data da AFPLP e dos colegas de São Tomé e Príncipe, de realizar um evento neste país.

O debate de ideias gerado pelas intervenções permitiu potenciar a atividade farmacêutica e promover o conhecimento em torno da farmácia, do medicamento e da saúde.

Nesta sessão, que contou com mais de 120 participantes, estiveram presentes diversas entidades oficiais dos países lusófonos que integram a AFPLP.

A sessão solene de encerramento do Simpósio foi presidida pelo Ministro da Juventude e Desportos de São Tomé e Príncipe, Albertino Boa Morte Francisco.

Os farmacêuticos de São Tomé e Príncipe anunciaram, em primeira mão, que está em análise a possibilidade de o País adoptar a Resolução da AFPLP sobre Boas Práticas de Farmácia, à semelhança do sucedido em Angola e em Cabo Verde.

Realizou-se, ainda, uma sentida homenagem ao farmacêutico santomense Emílio Sardinha dos Santos, exemplo para as gerações futuras de farmacêuticos, ao qual se deve a estrutura farmacêutica do país.

 

13.ª Assembleia Geral  da AFPLP

A 13.ª Assembleia Geral da AFPLP realizou-se em Luanda, no dia 29 de Maio.

Foi aprovada por unanimidade uma Resolução sobre “Prestação de Serviços pelas Farmácias”. Desta resolução será dado conhecimento à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), aos Governos e à população.

Foram eleitos os novos órgãos sociais para o biénio 2013-2014, cuja presidência do Conselho de Administração foi assumida por Moçambique, na pessoa de Lucilo Williams.

Finalmente, foi deliberado que o próximo Congresso será realizado em Moçambique, em 2015.

 

EXPO FARMA ANGOLA

A primeira Expo Farma Angola, realizou-se em Luanda, nos dias 29, 30 e 31 de Maio.

A feira contou com 70 módulos de exposição de 50 empresas nacionais e estrangeiras que apresentaram a sua oferta de produtos e serviços destinada aos profissionais de saúde.

 

X Congresso Mundial  de Farmacêuticos de  Língua Portuguesa

O X Congresso Mundial de Farmacêuticos de Língua Portuguesa, decorreu em Luanda, nos dias 30 e 31 de Maio.

A sessão solene de abertura tivemos contou com a presença do Secretário de Estado da Saúde de Angola, Carlos Alberto Masseca, que, em nome do Ministro da Saúde de Angola, José Vieira Dias Van-Dúnem, proferiu o discurso de abertura.

Nesta sessão, os participantes foram também agraciados com dois belos momentos de dança e espectáculo, apresentados pelo grupo de ballet tradicional Kilandukilo.

 

Qualificação e formação farmacêutica

O farmacêutico é um profissional de saúde de formação avançada no uso do medicamento e na avaliação dos seus efeitos.

O objetivo principal do farmacêutico é defender a saúde pública.

Enquanto profissional que integra o sistema de saúde, o farmacêutico tem a responsabilidade de promover o direito a um tratamento com qualidade, eficácia e segurança, e ao mais baixo preço.

O farmacêutico deve assegurar a máxima qualidade dos serviços que presta e garantir que a população usufrui de um benefício terapêutico máximo resultante do tratamento com medicamentos.

São funções fundamentais do farmacêutico a dispensa de medicamentos, de outros produtos de saúde e de cuidados farmacêuticos, a dispensa de informação e aconselhamento ao doente, e a monitorização dos efeitos do uso do medicamento.

O farmacêutico deve ter conhecimentos, capacidades e atitudes adequados às funções que desempenha. Deve manter-se informado aos níveis profissional e científico, de modo a poder assumir um nível de competência ajustado à prestação de uma prática farmacêutica eficiente.

A formação dos farmacêuticos deve encontrar respostas adequadas às exigências colocadas pelas sociedades, nomeadamente o comportamento dos cidadãos, as novas tecnologias de informação e a evolução técnico-científica na área da saúde.

A formação do farmacêutico exige conhecimentos, capacidades e competências que lhe permitam intervir em todas as fases do circuito do medicamento: investigação e desenvolvimento, produção, controlo de qualidade, regulamentação, distribuição, dispensa e farmacovigilância.

Deve ser dada especial atenção à proliferação de cursos de ciências farmacêuticas que nunca deverão descuidar a qualidade dos conteúdos programáticos, tendo de investir mais na qualidade da formação do que na quantidade da mesma.

Igualmente, deve ser prestado o devido cuidado na unificação dos planos curriculares.

Os farmacêuticos de língua portuguesa assumem o desenvolvimento profissional contínuo na procura incessante da excelência do seu desempenho.

 

Regulamentação como meio para o desenvolvimento sustentado da farmácia e do medicamento

É necessário instituir regras que demarquem o normal funcionamento da farmácia e do medicamento, de modo a assegurar a saúde individual e coletiva.

Através de uma estratégia de intervenção adequada, cada país deve adotar políticas nacionais com vista ao desenvolvimento sustentado da farmácia e do medicamento.

As condições de funcionamento a que devem obedecer as farmácias devem ter como prioridade a qualidade do serviço prestado, indo ao encontro das necessidades reais das populações.

Cada país deve desenvolver e implementar sistemas de registo e aprovação de medicamentos, bem como um sistema de farmacovigilância.

A garantia da qualidade dos medicamentos adquiridos pelas populações é um ponto crucial, desde a fase de produção até à toma do medicamento pelo doente.

O sector farmacêutico de cada país deve procurar munir-se das condições necessárias para corresponder às exigências organizativas e de recursos imprescindíveis à prossecução das políticas nacionais de saúde.

Neste sentido, é desejável uma maior articulação e cooperação entre as autoridades reguladoras dos nossos países, que deverão trabalhar em rede.

A Organização Mundial de Saúde considera que a contrafação de medicamentos é um problema significativo e em crescimento.

A problemática da contrafação de medicamentos é de caráter global, atingindo todos os países, independentemente do seu estadio de desenvolvimento.

Neste sentido, os farmacêuticos de língua portuguesa estão disponíveis e empenhados para implementar, em todas as fases em que intervêm no circuito do medicamento, sistemas de boas práticas, de acordo com os mais elevados padrões internacionais de qualidade.

Assim, é importante regular, educar e comunicar.

 

Perspectivas do circuito do medicamento e resultados em saúde

A indústria farmacêutica contribui com a inovação terapêutica que permite contínuos ganhos em saúde e a diminuição da morbilidade e mortalidade.

O aumento da esperança de vida deve-se a outros factores, mas, particularmente, ao medicamento.

A articulação de empresas nacionais em iniciativas colectivas, como a PharmaPortugal, permite fomentar sinergias potenciando os resultados em saúde.

O sistema de distribuição grossista em Angola tem registado uma evolução notável nos últimos tempos, nomeadamente através da criação da Central de Compras e Aprovisionamento de Medicamentos e Meios Médicos (CECOMA), do Ministério da Saúde de Angola.

As farmácias no Brasil estão a migrar para um modelo mais focado na actividade farmacêutica e no desenvolvimento de serviços de cuidados farmacêuticos.

Na farmácia hospitalar de Moçambique pretende-se garantir que todas as prescrições seguem os protocolos terapêuticos já aprovados.

O crescente número de farmacêuticos neste país permite aumentar a colocação destes profissionais nos serviços hospitalares.

No final do primeiro dia de trabalhos foi assinado um protocolo de cooperação entre o Ministério da Saúde de Cabo Verde e a Ordem dos Farmacêuticos de Portugal.

 

Produção de medicamentos como potenciador de desenvolvimento local

A produção local de medicamentos é um vector estratégico para o desenvolvimento da saúde e da economia.

Dado o estadio de desenvolvimento dos diferentes países, considerou-se importante a partilha da experiência e dos conhecimentos adquiridos.

Foi constituído o FARMED, um importante Fórum das Autoridades Reguladoras de Medicamentos do espaço lusófono, cujo objectivo é cooperar e harmonizar aspetos de carácter regulamentar, registo de medicamentos, licenciamento e inspeção.

Igualmente, foi assinado um Protocolo de cooperação entre a Direção Nacional de Medicamentos e Equipamentos / Ministério da Saúde de Angola e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

Realizou-se, ainda, uma homenagem ao farmacêutico pioneiro de Angola, N’Singui António, que, entre outras actividades de relevo, se dedicou à valorização da fitoterapia, cadastrando mais de 600 plantas medicinais em Angola.

Foi anunciada a criação da Comissão Instaladora da Ordem dos Farmacêuticos de Angola. Um momento marcante para todos nós e de que muito nos orgulhamos de ter sido anunciado no Congresso da AFPLP.

Esta Comissão será liderada por Boaventura Moura e integra ainda António Zangulo, Helena Vilhena e Pombal Mayembe.

Esta comissão tem 90 dias para criar condições para a proclamação da Ordem dos Farmacêuticos de Angola (OFA).

 

Agradecimentos

De acordo com a Comissão organizadora, o evento foi marcante para AFPLP.  Tratou-se do maior Congresso de sempre, contando com cerca de 800 participantes.

Por ocasião da leitura das conclusões, o director nacional de Medicamentos e Equipamentos de Angola, Boaventura Moura, agradeceu o apoio dado pelo Governo de Angola, a participação e colaboração dos colegas de Angola, na pessoa do Presidente cessante da AFPLP, Daniel António, a todas as delegações e participantes dos diferentes países de língua portuguesa, aos expositores e patrocinadores, à Marketing for You / Jornal da Saúde, CapacitarhEventos, Glintt, a Luísa Miranda, da TopAtlântico, e a Filipe Infante, da Associação Nacional das Farmácias.

 

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Expositores reconhecem que o mercado está cada vez mais competitivo

Reportagem de Maria Ribeiro

Edição de Madalena Moreira de Sá

madalena.moreiradesa@gmail.com

 

A primeira edição da Expo Farma, realizada nos dias 30 e 31 de Maio, em Luanda, permitiu aos farmacêuticos lusófonos, reunidos no seu X Congresso, interagir com os fabricantes de produtos farmacêuticos e conhecerem as últimas novidades. Os principais fornecedores reconheceram à reportagem do Jornal da Saúde que o mercado angolano está a ficar cada vez mais competitivo.

 

Kátia Paulo, directora da Farmácia Central, considera que eventos deste género, não só são bem-vindos, como também constituem importantes oportunidades de expansão de negócio, dado o contacto com muitos potenciais parceiros e clientes. Dário Martins, assistente comercial do Grupo Costa e Baptista, partilha uma opinião semelhante, reiterando que “a feira é uma montra por excelência para empresas que trabalham nesta área. Nós não poderíamos deixar de cá estar. Toda a empresa que quer ter sucesso na área da saúde tem que estar nas zonas de influência e de visibilidade.” Deolinda João, directora da Farmácia Coqueiros do Grupo Moniz da Silva, pretendeu, ao expor no certame, dar a conhecer o grupo e também apresentar a linha de produtos de puericultura da Tigex, como biberões e utensílios para bebés. A Expo Farma é um evento de particular interesse para empresas recentes que se pretendem afirmar no mercado, como a Lisfmar, cujo secretário-geral, Manuel Morais da Silva explica ser uma empresa há dois anos no mercado que se dedica à gestão de resíduos hospitalares, oferecendo ainda materiais hospitalares.

A presença da Australpharma, patrocinadora platina do evento, teve em vista, segundo o seu director executivo, Gonçalo Marques, “para além da visibilidade, dar apoio aos farmacêuticos de língua oficial portuguesa, apresentando ainda a sua estrutura, equipa, e o grupo empresarial do qual fazem parte”. De acordo com este responsável, “as grandes áreas de foco da empresa – que trabalha, basicamente, como grossista – são três: a dos medicamentos e cosméticos para a farmácia, a do diagnóstico – com tudo que seja reagente e consumíveis de laboratórios de análises químicas –, e a dos produtos de ortopedia e consumíveis hospitalares, gastáveis de uso clínico”. O director garante que “a Australpharma está em Angola para ficar, para ser um parceiro de referência, permanente e sistemático no sector da saúde.”

A iniciativa contribui também para o bem-estar dos angolanos, como refere Zay da Costa, responsável do armazém da empresa Afangola que, no certame, expôs cadeiras de roda, canadianas e máscaras, entre outros. A Expo Farma incluiu também a oferta de produtos para a modernização e o desenvolvimento do sector das farmácias na área do equipamento. Foram exemplo as farmácias modulares apresentadas pela Glintt, cujo responsável dos projectos, João Abreu, explicou tratar-se de um produto 100% chave na mão, já que inclui o espaço, a infra-estrutura interna e o mobiliário, assim como o hardware e software. O modelo é vantajoso pois permite “uma rápida implantação em qualquer lugar. Estamos a apresentá-lo também nas províncias”.

Antónia Camilo Bwanga, responsável do armazém da Concentra, exprime igualmente interesse no desenvolvimento da saúde no país, particularmente na área dos medicamentos: “Estamos a apresentar materiais gastáveis e alguns equipamentos para o banco de urgência. Temos também kits de primeiros socorros para as urgências e partos.” A Omnifar, representada na Expo Farma pela directora Marina da Costa, “é uma empresa vocacionada à importação, armazenamento e distribuição de medicamentos que está no mercado há mais de 10 anos e que pretende, com a sua presença, expandir o negócio. Representa três laboratórios, a Novartis, GSK e a Merck Serono”.

A Cicci Angola partilha desta consciência. Trabalha há 15 anos no combate à malária, entre outras doenças. Na feira apresentou produtos como o filtro de água familiar para o meio rural, de baixo custo e com a duração de três anos. O seu representante, James Titelman, garante não ser necessário “pôr lixívia, nem ferver a água, é só colocar qualquer água não tratada no filtro que fica purificada.” Adiantou ainda que são “distribuidores exclusivos dos testes rápidos de malária, sífilis, e de uma grande variedade de doenças infecciosas como hepatite B e C, e de várias doenças negligenciadas, testes de gravidez e de VIH.” A empresa “está a desenvolver o estudo de um novo teste combinado de VIH e sífilis para as mulheres grávidas”, revelou.

 

Resposta positiva

A resposta por parte dos expositores é positiva e a satisfação geral, como reitera Dusky Diu, gestor de encomendas do depósito de medicamentos Padre Quirino Houdik. A empresa, que está há 14 anos no mercado angolano a trabalhar com os hospitais públicos e clínicas fazendo importação e comercialização de medicamentos, pretende aumentar a carteira de clientes e angariar parceiros nacionais e internacionais. Da mesma forma, Maurício Caculo, da Trading Comércio Geral e Serviços, CTC, avalia positivamente a feira, tendo tido oportunidade para dar a conhecer os serviços de depósito de medicamentos e fornecimento a clínicas, farmácias e hospitais. José da Câmara Falcão, Director Técnico da Socitec, expõe o seu contentamento face ao evento, que deseja que aconteça mais vezes “para se poder mostrar as potencialidades dos angolanos que actuam neste ramo da saúde.” Micaela Mangunda, representante e enfermeira da Crisav - Serviços de Saúde, Lda, empresa vocacionada à comercialização de materiais para reabilitação física, medicina do desporto e materiais ergonómicos para os doentes acamados, ficou também surpreendida com a feira como plataforma para conhecer o mercado.

A Farmalab, há um ano no mercado, está na área de medicamentos, equipamentos, mobiliário hospitalar e equipamento de farmácias, e o seu balanço, fornecido pelo assistente administrativo Hélder Soares, é que “foi uma participação positiva pelo número de visitas e contactos colhidos”, ainda que esperassem fazer mais contactos.

 

Equipamentos de última geração

A Acail Angola apresentou na expo aparelhos de anestesia de última geração, um ecógrafo 4D, mesas de bloco operatório e aparelhos para TAC. Segundo Paulo Almeida Cunha, “um dos lemas da Acail é fornecer equipamentos aos hospitais e prestar assistência técnica”, para além de formar colaboradores e clientes. Fernando Sacava, responsável das contas da Astra Zeneca – que actua no fornecimento de medicamentos para as áreas de cardiologia, gastrologia e doenças infecciosas –  diz que esperava mais da feira e sentiu que ainda existem muitas pessoas que desconhecem os produtos da empresa.

 

Internacionalização

Já a Bluepharma, que começou em Coimbra em 2001, logo com projectos de internacionalização, e chegou ao mercado angolano em 2012, não esperava “encontrar um conjunto tão grande de expositores e uma feira tão bem organizada,” como afirmou o administrador Miguel Silvestre. Com as expectativas excedidas esteve também a Generis Farmacêutica SA. Segundo o seu business development and export manager, Nuno Miguel Cabral, “a empresa é a número um em vendas em Portugal”, tendo também “o maior portfólio disponível no mercado.” Esperam replicar este sucesso em Angola, disponibilizando medicamentos para a área de ambulatório e sector hospitalar. A Neofarma considerou importante a diversidade de sectores presentes da feira, onde apresentaram um teste da dengue. Para o seu gerente comercial, Fabiano Ângelo Leal, este teste “chegou recentemente a Angola e poucos distribuidores o têm”. Também impressionado com a organização, esteve o director geral da Galeno, Rui Vaz, que admirou a afluência e o número de visitantes. “É uma prova de que o mercado está activo”, disse.

 

Encontrar parceiros

A Farmalog vendia produtos anteriormente a partir da NBC Medical de Portugal, mas desde há um ano que está presente em Angola. Trabalha na área de venda de equipamento, medicamentos e dispositivos médicos, e têm já, segundo a directora técnica, Iraceuma Pinto da Costa, uma muito boa carteira de clientes. Ainda assim, pretendem encontrar novos parceiros, e partilhar o exercício farmacêutico com mais pessoas. A Ecomar, que está no mercado angolano desde 1952, embora na área da saúde esteja apenas desde 2002, teve na feira uma participação institucional, apresentando a marca como depósito de medicamentos, como contou a directora da saúde, Teresa Catarina Vicente. Também firmemente estabelecida no mercado angolano há mais de vinte anos e no da saúde há dois, a Elnorpharma “é uma grande parceira do Ministério da Saúde e comercializa mobiliário hospitalar, consumíveis, medicamentos e dispositivos médicos”. O director-geral, Munir Sabjaly garantiu que a Expo Farma foi uma boa e muito interessante aposta com bons momentos, tal como uma excelente oportunidade de promoção da empresa.

 

 

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Controlo de infecções relacionadas com a assistência à saúde

 

O Ministério da Saúde de Angola realizou, de 10 a 12 de Junho, no Hospital Josina Machel, a formação “Noções Básicas de Controlo de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde”, com a presença de 31 participantes de hospitais de Luanda, Benguela e Huíla.

Os temas abordados nesta formação foram: História e programa do controlo de infecções hospitalares; Principais agentes e cadeia epidemiológica de transmissão das infecções hospitalares; Precauções e isolamentos; Principais infecções hospitalares e medidas de prevenção; Vigilância epidemiológica e legislações em Angola.

As infecções relacionadas à assistência à saúde desafiam constantemente a qualidade da assistência prestada, pois aumentam a taxa de morbi-mortalidade, elevam o sofrimento dos pacientes e familiares e aumentam excessivamente os custos hospitalares. Torna-se assim um grande desafio e faz-se necessária a actualização e reforço dos conceitos e conhecimentos de controlo da infecção hospitalar para a sua prevenção, tendo em vista um dos objectivos de desenvolvimento do milénio, designadamente a redução da mortalidade.

Com apoio científico da assessoria técnica do Ministério da Saúde de Angola, este encontro constituiu o primeiro passo para a mudança e início da vigilância de infecção de sítio cirúrgico.

 

 

 

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A Saúde em números

 

“Angola em Números 2012”, publicado recentemente pelo INE, veio revelar a fotografia actual do país. Dados que certamente podem auxiliar no esforço da implementação das políticas económicas e sociais e na municipalização dos serviços de saúde.

­— Benguela é a província mais saudável do país.

­— No fim da tabela está o Bengo, onde cerca de 35 % da população se queixou

 de doença nos últimos 30 dias.

­— Os mais velhos, acima dos 60 anos, e as crianças até aos quatro anos,

 são os mais vulneráveis.

­— Luanda é a província onde os doentes consultam mais os médicos.

­— Uíge e Lunda Sul cuidam menos das suas mamãs grávidas.

­— Os jovens não se preocupam muito com a Sida: apenas 16,8 % já fizeram o teste.

­— Talvez porque desconhecem onde fazê-lo: 45% não sabe onde se dirigir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A gestão da doença

Um novo paradigma na abordagem das doenças crónicas

 

A gestão da doença é uma proposta aliciante, com um elevado potencial para ajudar a resolver a fragmentação das componentes dos cuidados de saúde. E reduz os custos.

 

As pessoas com doenças crónicas (DC) não são, frequentemente, bem sucedidas no modelo tradicional da prestação de cuidados de saúde. Este tem sido um sistema orientado para consultas breves destinadas a abordar as doenças agudas, no qual a procura dos serviços é, regra geral, desencadeada pelo doente, sendo a resposta destes serviços de natureza, essencialmente, reactiva. Este tipo de ambiente está estruturado para cuidados episódicos (volume e fluxo de doentes elevado) que conduzem a consultas rápidas e à escassez de tempo para assegurar a continuidade de cuidados ou uma educação significativa do doente (1).

Historicamente, e enraizados no referido modelo, os cuidados de saúde têm sido prestados numa base de «gestão da componente», isto é, os aspectos parcelares dos cuidados (consultas, internamento, cuidados domiciliários, cuidados paliativos) funcionam mais ou menos separados uns dos outros, incidindo o foco da atenção sobre a doença num contexto específico (internamento ou consulta), sem uma efectiva coordenação funcional entre serviços e sectores dos cuidados, aos quais o doente tem de recorrer pelas necessidades impostas pela evolução da(s) sua(s) doença(s). Há, muitas vezes, um défice de comunicação entre os vários prestadores (médicos dos cuidados de saúde primários e especialistas hospitalares, público e/ou privados), não existindo registos clínicos comuns. Em cada sector, ou serviço de saúde, os custos dos outros serviços, ou sectores, não são, geralmente, considerados, encarando-se cada parcela dos cuidados como uma peça autónoma do sistema. A ênfase na «gestão da componente», tipicamente, concentra-se mais no tratamento de doenças individuais do que na prevenção das mesmas. A «gestão da componente» parece, pois, criar a ideia de uma poupança de dinheiro devido a uma deslocação dos custos, não sendo, contudo, aparente uma redução nos custos do sistema global da saúde. Além disso, o custo por doente é, sobretudo, mais elevado quando há duplicação de serviços, ou seja, nas situações em que a monitorização contínua do estado da doença crónica está em falta, nos casos em que o doente crónico saíu do radar do sistema de saúde, ignorando este qual o estadio de gravidade da doença, voltando o doente a reentrar no sistema, apenas quando tem uma agudização potencialmente catastrófica, como um evento cardiovascular major. Sem coordenação e integração de serviços torna-se fácil deixar passar em branco um aspecto importante dos cuidados de saúde que, se não abordado de forma proactiva, pode resultar em complicações mais difíceis e dispendiosas de tratar, como, por exemplo, um enfarte do miocárdio, ou um AVC tratado num serviço de urgência, que poderia ser evitado com um adequado e estruturado acompanhamento.

A gestão da doença (GD), conceito que é a tradução literal do inglês disease management, é uma proposta aliciante com um elevado potencial para ajudar a resolver esta fragmentação das componentes dos cuidados de saúde. A sua metodologia está desenhada para aumentar e complementar os esforços dos cuidados de saúde primários, a fim de melhorar a saúde das populações com doenças crónicas, garantindo o apoio e a continuidade necessárias (1).

 

Origens do conceito de gestão da doença

A GD é um processo que consiste em gerir uma doença específica numa população de doentes. Implica a identificação dos doentes e das pessoas em risco de contrair uma determinada doença crónica, através de um diagnóstico exacto e o desenvolvimento de um trabalho sistemático para prevenir ou diminuir a incidência das suas complicações, controlar exacerbações e optimizar o estado de bem-estar. A GD requer um esforço coordenado de diferentes elementos da equipa prestadora de cuidados, que funcionam interactivamente para melhorar os resultados do doente.

Paradoxalmente, o conceito de GD foi iniciado pela indústria farmacêutica e não por médicos. Em 1990, a GD foi definida como «uma abordagem sistemática baseada na população, para identificar pessoas em risco, intervir com programas de cuidados específicos, e medir resultados clínicos e outros». Mas a expressão só adquire estatuto oficial em 1993, quando a Boston Consulting Group publicou o relatório «The Changing Environment for US Pharmaceuticals» (2). Neste relatório ficou demonstrado que cerca de  80 por cento dos custos globais dos cuidados de saúde de uma instituição são imputados às doenças crónicas.

Actualmente, começa a emergir a evidência de que a GD reduz, efectivamente, os custos. Num ensaio de gestão da insuficiência cardíaca em idosos com alta hospitalar, dirigido por enfermeiros, as taxas de readmissão e os custos médicos foram, significativamente, mais baixos no grupo de intervenção, do que no grupo de controlo. Bons programas para a gestão da insuficiência cardíaca congestiva e da asma podem, rapidamente, reduzir as taxas de admissão nos serviços de Urgência e nos internamentos hospitalares. Em contraste, os programas para a hipertensão têm custos elevados para a sua implementação e produzem poupanças apenas numa perspectiva de longo prazo (3). Em relação à diabetes há, igualmente, evidência de que os custos globais (directos e indirectos) se reduzem significativamente, sobretudo para os doentes mal controlados (4).

Naquela definição de trabalho ficam subjacentes vários princípios, um dos quais diz respeito ao facto de que a GD trata da prestação de todos os aspectos dos cuidados de saúde, no contexto mais apropriado do continuum de cuidados, e tenta prevenir problemas adicionais ao custo mais baixo.

A GD é um conceito actual que é frequentemente utilizado nos cuidados geridos (managed care), não devendo, contudo, confundir-se, na medida em que aqueles visam apenas componentes isoladas dos cuidados e não a doença no seu todo. Este conceito disseminou-se rapidamente devido à convicção de que os programas de gestão da doença (PGD) diminuiriam as ineficiências dos cuidados e a utilização inapropriada dos serviços. Actualmente, várias doenças crónicas têm disponíveis PGD.

Assim, a GD é um processo de identificação e gestão de uma doença numa determinada população de doentes. A GD é «uma abordagem global, integrada de cuidados e de reembolso, baseada no curso natural da doença» (5).

A Associação Americana de Gestão da Doença define a GD como «uma abordagem multidisciplinar baseada no continuum da prestação de cuidados de saúde que, proactivamente, identifica populações com ou em risco de contrair condições médicas estabelecidas e que:

1. Apoia a relação médico/doente e o plano de cuidados;

2. Enfatiza a prevenção de exacerbações e complicações utilizando guidelines práticas custo-efectivas, baseadas na evidência e estratégias de empowerment, tais como a educação para a autogestão;

3. Avalia e mede, continuamente, os resultados clínicos, económicos e humanísticos, com o objectivo de melhorar a saúde global», após terem ocorrido as intervenções do programa (6).

Assim, ao contrário dos cuidados tradicionais prestados por médicos, individualmente, a GD é um modelo organizacional em que os membros da equipa de cuidados de saúde trabalham em conjunto, de uma forma coordenada e colaborante, para melhorar os resultados em doentes com uma doença crónica específica, criteriosamente diagnosticada.

As doenças-alvo

As populações de doentes, frequentemente, envolvidas em PGD são aquelas que padecem de doenças crónicas, as quais devem reunir determinadas características para serem alvos elegíveis para a abordagem baseada na GD.

Os PGD são, geralmente, implementados para doenças de elevada prevalência (p.e., as doenças cardiovasculares, a depressão), ou doenças complexas associadas a uma significativa variação nas práticas clínicas (p.e., a diabetes), ou para doenças compreendendo um grande volume (p.e., gravidez de alto risco) ou custos elevados (p.e., insuficiência renal crónica terminal, insuficiência cardíaca congestiva). As doenças seleccionadas para PGD devem ter disponíveis intervenções efectivas e possuir um elevado potencial para tratamento, autogestão e modificações comportamentais para melhorar os resultados (7).

 

O processo de gestão

da doença

O curso natural destas doenças pode ser alterado por uma gestão consistente, sistemática e de alta qualidade. A assumpção básica do conceito de GD é que o sistema de cuidados pode ser instituído de forma a induzir uma melhoria nos resultados. Estes resultados incluem a prevenção e/ou a diminuição das agudizações, complicações ou outros problemas relacionados com a doença crónica, mantendo-se ao mesmo tempo as preocupações de elevada qualidade e de um controlo dos custos, isto é, se queremos gastar menos com os nossos doentes crónicos, temos de tratá-los melhor. A ênfase na GD reside na gestão ambulatória da doença através de uma detalhada educação do doente e de uma monitorização contínua do seu estado de saúde, culminando numa alteração do padrão de utilização dos serviços de saúde, de que resultam menos internamentos e atendimentos  em serviços de Urgência. No continuum dos serviços disponibilizados pelos Sistemas de Saúde, aqueles representam os serviços de custos mais elevados e são os principais controladores de custos (cost drivers) das DC. Por isso, o principal foco de intervenção é colocado na maximização da função, apesar da doença, e em aumentar a recuperação através do melhor uso dos recursos e serviços disponíveis. A GD preocupa-se em garantir que o doente recebe e beneficia, efectivamente, das intervenções de que o seu estado de saúde necessita e que estejam programadas no seu plano de cuidados, isto é, obedecendo a um rigoroso plano de estratificação de risco. Para que não haja falhas nem omissões, é vital a integração dos diferentes sectores de cuidados num sistema coordenado de cuidados crónicos.

Segundo Hunter (8), a teoria subjacente ao conceito de GD estabelece que a alocação de recursos (incluindo serviços clínicos e domiciliários, educação, testes diagnósticos etc.), se baseia nas necessidades do cliente (pivot do sistema), para um estado específico de doença. Por exemplo, terá que haver verba e recursos necessários para viabilizar a realização das fundoscopias anuais para detecção de retinopatias nos doentes diabéticos. Genericamente, a GD envolve a provisão de cuidados de qualidade, através de todos os sectores dos cuidados de saúde. As linhas de orientação são desenvolvidas tendo em conta os cuidados de saúde primários e os especialistas hospitalares, quer nas consultas quer no internamento à medida das necessidades do doente. A continuidade de cuidados é, absolutamente, vital! Isto implica uma eficiente comunicação entre os prestadores e uma excelente coordenação entre os diferentes sectores dos cuidados de saúde e uma menor ênfase nos cuidados agudos. Uma única organização conduz a prevenção, despiste dos indivíduos em risco, diagnóstico, tratamento e seguimento de uma doença particular (9).

Todo o doente identificado com uma DC e inscrito num PGD recebe, tipicamente, mailings gerais e educação relacionada com a sua doença, e pode, também, receber alertas para obter cuidados recomendados. Os doentes de alto risco recebem intervenções específicas, tais como educação intensiva, gestão de caso ou cuidados domiciliários. Os planos de saúde providenciam aos prestadores relatórios identificando os membros inscritos no PGD e o estado dos serviços recebidos por esses membros. Os prestadores também recebem educação relacionada com as alternativas actualizadas, mais custo-efectivas, de tratamento da doença.

A GD, em termos de processo operacional, é muitas vezes confundida com a gestão de caso (case management), com a gestão de utilização (utilization management), com a gestão da procura (demand management) e com a educação para a saúde. Porém, a GD é uma estratégia abrangente que incorpora cada uma destas actividades, com o propósito de promover a coordenação e a continuidade de cuidados.

A combinação e coordenação das diferentes peças do puzzle de cuidados, como a educação do doente, as guidelines práticas, consultas apropriadas e aprovisionamento de fármacos e serviços são a essência da GD.

Na visão de Todd W.(10), «a GD continua a evoluir. O rápido crescimento do campo tem contribuído para a confusão acerca do que a GD é (e não é). À medida que o campo se desenvolve, os programas têm-se tornado mais bem definidos e mais compreensivos». Segundo o mesmo autor, os PGD da primeira geração ofereciam simplesmente um ou mais serviços que estavam fora dos cuidados médicos típicos e que podiam ser úteis no controlo de uma doença; os PGD da segunda geração tinham como alvo os doentes mais graves e os que apresentavam maior risco em termos de indução de elevados custos; os da terceira geração integravam, plenamente, os cuidados e o reembolso, apresentavam já uma base populacional e visavam identificar todos os doentes com a doença ou em risco de a desenvolver, aplicando-se estratégias diferentes em função do risco; os PGD da quarta geração representam o estádio mais desenvolvido da evolução do conceito de gestão da doença e visam a transformação em verdadeiros modelos de gestão de saúde, focalizando-se mais na optimização da saúde do que no tratamento da doença. Neste último estádio de desenvolvimento da gestão da doença, os prestadores preocupar-se-ão mais com o quadro de saúde total das populações (gestão da saúde populacional) do que com a focalização de cada doença em separado.

 

Gestão da doença e os stakeholders

A GD envolve vários stakeholders, que são os doentes, profissionais de saúde, farmácias, companhias de seguros e da Indústria Farmacêutica, organizações prestadoras de cuidados e de doentes, políticos, companhias vendedoras de PGD (realidade ainda inexistente no nosso Sistema Nacional de Saúde). São, claramente, diferentes as necessidades e expectativas de cada uma destas partes, no contexto da GD (10). Mas, hoje, a nova conjuntura de políticas de Saúde, que engloba as parcerias público-privadas, pode permitir aos diferentes parceiros uma mais correcta avaliação dos custos de oportunidade em relação às actuais abordagens das doenças crónicas, posicionando-se a GD, de facto, como uma alternativa de valor estratégico e operacional a ser tida em conta por qualquer organização ou Sistema de Saúde que se confronte com o peso crescente das doenças crónicas. Ela é mesmo encarada como um novo paradigma na abordagem deste grupo de doenças.

 

Recursos e competênciasbásicas para a gestão da doença

Este processo de GD (13,14) requer a existência de competências e de instrumentos operacionais como condição para o sucesso. Os elementos básicos do processo de GD são:

1 — Conhecimento clínico e médico sobre o uso apropriado dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica disponíveis, intervenções terapêuticas e preventivas, de forma a compreender-se a melhor via para gerir uma doença particular e daí definir-se o que são as melhores práticas clínicas.

2 — Tecnologia de informação — a GD é um processo baseado na informação e o seu sucesso depende da capacidade de colher dados, analisar e monitorizar correcta e continuamente o resultado das intervenções no doente.

3 — Prestação do serviço e prática da organização — a prestação eficiente de serviços é de importância vital, como, por exemplo: provisão de fármacos, programas de despiste, educação e modificação comportamental para a saúde e estratégias preventivas.

4 — Avaliação de resultados de qualidade, clínicos e económicos. Gerir os aspectos financeiros da prestação de cuidados é um aspecto chave do processo de GD. Nesta análise, ao contrário da lógica tradicional da avaliação por componentes (custo dos fármacos, dos internamentos, etc.), a doença é, de facto, a unidade central da avaliação dos custos, o que torna a GD propícia aos sistemas de reembolso por capitação.

Em conclusão, a Gestão da Doença deve ser encarada como um instrumento de valor para implementar mudanças efectivas na reforma dos cuidados relacionados com as doenças crónicas que tenham um elevado potencial de autogestão e que, se adequadamente operacionalizada, pode traduzir-se por ganhos efectivos para todos os stakeholders, numa genuína relação win-win, em que os principais beneficiados são os doentes.

 

Referências

1- Parham, W. «Taking a disease management approach to migraine». American Journal of Managed Care, 1999; 5, S104-S110.

2 - Meyer PR. The changing environment for US pharmaceuticals. Pharmacoeconomics. 1994;6 Suppl 1:80-4.

3 - Bodenheimer T. «Disease management — Promises and Pitfalls». NEJM, 1999; 340: 1202-1205.

4 - Dall TM, Roary M, Yang W, Zhang S, Chen YJ, Arday DR, et al. Health care use and costs for participants in a diabetes disease management program, United States, 2007-2008. Prev Chronic Dis 2011; 8(3):A53

5 - Zitter M. «New Paradigm in Health Care Delivery: Disease Management». Disease Management — A Systems Approach to Improving Patient — Outcomes, Warren E. Todd, David Nash; American Hospital Publishing, 1st ed., 1997.

6 - Disease Management Association of America (2002). New Definition. www.dmaa.com.

7 - Gurnee, M., Da Silva, R. Constructing disease management programs. Managed care. 1997; 6, 67-70, 75-76.

8 - Hunter J.D. «Disease management: has it a future?» BMJ, 2000; 320:530.

9 - Hunter J.D., Fairfield G. «Managed care: Disease management». BMJ, July 1997; 315:50-53.

10 - Todd WE, Thomas Mc. «Choosing a Disease Management Strategy». Drug Benefit Trends 1998; (9): 35-40, 46.

11 - Joshi, M. & Bernard, D. «Classic CQI integrated with comprehensive disease management as a model for performance improvement». Journal on quality Improvement, 1999; 25, 383- 395.

12 - Burns, J. «Disease management in a hospital setting». In J. Burns and M. Spikoff (eds.), Disease Management Sourcebook; 1999 (pp. 91-104). New York: Faulkner and Gray.

13 - Nelson, E., Mohr, J., Batalden, P. & Plume, S. «Improving health care, part 1: The clinical value compass». Journal on Quality Improvement. 1996; 22, 243-258.

14 - Nash D.B. «Disease Management Programs: Where Do We Go From Here?». Drug Benefit Trends, 1999; 11 (5): 68-71.

 

Objectivos da gestão de doença

Resumidamente, são os seguintes os objectivos da GD, materializados num PGD (11,12):

 

1Aumentar os cuidados e diminuir os custos globais da saúde, através da identificação de doentes portadores de doença crónica que representem custos elevados, ligando os doentes a prestadores, intervenções e tempo apropriados.

 

2 Abordar as doenças crónicas com intervenções de máxima efectividade, baseadas na evidência e com recursos apropriados, em tempo adequado à trajectória evolutiva da doença (estratificação de risco), num contexto de serviços apropriado, donde possa resultar um maior impacte positivo.

 

3 Educar o doente, os familiares e os prestadores de cuidados sobre os protocolos em vigor e sobre as linhas de orientação baseadas nas melhores práticas para a gestão de uma doença particular, envolvendo todos os membros da equipa de cuidados de saúde.

 

4 Promover o planeamento correcto do diagnóstico e do tratamento da doença, lidando com todo o espectro da doença (desde os factores de risco e seu despiste, até aos estádios terminais de evolução da doença).

 

5 Eliminar intervenções de efectividade nula ou desconhecida, ou cuidados desnecessários.

 

6 Eliminar a duplicação de esforços e actividades.

 

7 Melhoria contínua dos resultados do processo e do próprio processo — o registo sistemático dos resultados do programa é um factor crítico de sucesso, sendo a sua inexistência reconhecida e aceite como a principal causa de insucesso dos PGD.

 

8 Garantir que todas as intervenções recomendadas são, efectivamente, aplicadas aos doentes, em todos os contextos do continuum de cuidados de saúde.

 

 

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Hospital Municipal da Caála

Reforço em traumatologia, anestesiologia e reanimação é aguardado com entusiasmo

 

A Direcção Provincial da Saúde no Huambo está a investir, cada vez mais, na melhoria e expansão da rede sanitária em todo o território da província.

Elsa Inakulo - Correspondente no Huambo

 

 

Depois da implementação de blocos operatórios nas unidades sanitárias municipais, a prioridade é agora o reforço das equipas cirúrgicas, a iniciar na Caála. A informação foi avançada ao Jornal da Saúde pelo Director Provincial de Saúde, Frederico Juliana.

 

O processo terá início no município da Caála que, no final do mês de Junho, mereceu uma visita de auscultação do Governo Provincial liderada pelo Vice-governador para a Área Política e Social, Guilherme Tuluka. Durante o encontro, em que participaram funcionários das 27 unidades sanitárias daquele município, além da troca de experiências entre os funcionários do hospital municipal e das unidades periféricas, foram apresentadas as principais preocupações dos trabalhadores e anunciados os projectos. Nas edições passadas mereceram visitas as unidades sanitárias de Cambiote, Bailundo e o Hospital Central do Huambo.

Segundo Frederico Juliana, a localidade beneficiará em breve de mais profissionais, nomeadamente em ortopedia e traumatologia, “para fazer face ao elevado número de pacientes que acorrem ao hospital municipal apresentando sérios traumatismos por acidentes rodoviários que o corredor Huambo-Caála-Tchinjenje tem vindo a registar. Está a caminho outro especialista em anestesiologia e reanimação e um técnico de anestesiologia e reanimação, todos de nacionalidade cubana e que, dentro de sessenta dias, estarão já na referida unidade de saúde”.

Para o responsável, há condições para se converter o Hospital da Caála na segunda unidade sanitária mais importante da província em termos de cirurgia, pois o equipamento disponível no local é compatível com a demanda de pacientes. Conta já com um cirurgião geral de nacionalidade haitiana e dois especializados em ginecologia obstetrícia, um dos quais assistiu ao último caso bem sucedido de parto quadrigémeo por cesariana. Com a chegada de mais três, vai ser fortificada a equipa e aumentado o número de cirurgias a realizar, prestando assim maior assistência à população.

 

Inquietações dos trabalhadores

As inquietações dos trabalhadores, apresentadas pelo Chefe de Repartição Municipal da Saúde, Albino Dumbi, prendem-se com o número insuficiente de profissionais tendo em conta os objectivos do milénio. A repartição administra 419 trabalhadores, dos quais 3 médicos angolanos e 11 estrangeiros, 32 técnicos de diagnóstico e terapêutica, 24 de apoio hospitalar, 21 técnicos administrativos e outros 303 de enfermagem. O hospital tem capacidade de 200 camas e 19 serviços, especificamente: oftalmologia, dois blocos operatórios, gabinete de saúde mental, morgue, estomatologia, ortopedia, cirurgia e serviços de neonatologia. Precisa contudo de mais recursos humanos, sobretudo especializados, pois a instituição possui dois blocos operatórios para dois anestesistas, dois especialistas em gineco-obstetrícia, o que leva ao baixo rendimento destes serviços.

 

Governo empenhado

O Director Provincial da Saúde admite que ainda não foi feito “o reajuste salarial de todos os trabalhadores da função pública da saúde do país, dado que o decreto presidencial 254/10 considerou apenas o enquadramento da carreira de enfermagem, faltando de momento o enquadramento dos técnicos de diagnóstico e terapêutica.” Porém, face às dificuldades apresentadas, entende que o governo está a procurar encontrar alternativas para a sua melhoria. Além de estarem a ser consideradas residências para técnicos, serão levadas em conta a falta de meios de transporte e também a questão dos trabalhadores-estudantes, que poderão ser enquadrados como bolseiros, enquanto outros poderão beneficiar-se de uma escala mais especial para continuarem com os estudos sem abandonar as áreas em que prestam assistência.

Os funcionários da saúde foram encorajados a trabalharem cada vez mais e melhor, com humanismo e patriotismo e garantiu que o governo não está alheio às inquietações dos trabalhadores e tudo faz para a rápida inversão do quadro. Os técnicos foram ainda incentivados a reforçar a sua responsabilidade social de promover o bem-estar dos pacientes. Já aos utentes dos serviços hospitalares ficou a promessa de que tudo se fará para continuar a prestar serviços de qualidade melhorando cada vez mais os indicadores de saúde que têm a ver com o combate da malária, redução da morbilidade por doenças respiratórias e diarreicas agudas, acidentes de viação, e continuar a melhorar o índice de mortalidade.

O Huambo já tem a melhor e menor incidência de malária do país e, assegura conclusivamente o Director Provincial da Saúde, o povo pode estar consciente de que o governo não poupará esforços para oferecer serviços de qualidade.

 

 

 

 

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QUALIDADE E SUSTENTABILIDADE EM SAÚDE E SEGURANÇA DO DOENTE

Crievant investe na melhoria da prestação de cuidados de saúde

 

A CRIEVANT iniciou a suaactividade em 1992, estandoimplantada na área médica,comercializando e prestando assistência técnica em

Angola, Cabo Verde e Moçambique.Com mais de 20 anos de experiência, “a CRIEVANTconta com uma equipade colaboradores, técnicose aplicacionistas qualificadosquer na área da saúde,quer na área da informática”, conforme relata o seu director Samir Bhanji em entrevista ao JS.

 

 

— O que pode ser alterado/implementado para melhorar a prestação de cuidados de saúde no país?

— As intervenções para uma melhoria na prestação de cuidados de saúde podem incidir em várias áreas. Existem modelos de optimização logística que permitem melhorar a produtividade dos serviços de apoio bem como diminuir os custos com material clínico e farmacêutico. Existe também cada vez mais uma procupação com a segurança do doente e, nesse sentido, há um conjunto de procedimentos que podem ser melhorados com a implementação de novas tecnologias, nomeadamente a nível da administração de medicação e transfusões de sangue.

— Como conseguem diminuir os custos com material clínico e farmacêutico?

— Ao implementarmos um modelo de optimização logística, criamos condições para a existência de um inventário online onde os gestores sabem exactamente a quantidade de cada produto em cada Serviço do Hospital. Isto aliado a um aumento de frequência de reposição permite reduzir substancialmente os stocks nos Serviços possibilitando ainda uma maior gestão das rupturas de stocks até então quase impossível. Ou seja, obtém-se uma melhor utilização dos recursos disponíveis. Em todos os projectos já implementados houve sempre numa redução do valor de consumo superior a 5%. Estes resultados baseiam-se em instalações já efetuadas em hospitais portugueses de referência, como o Hospital de Santa Maria, o Hospital do Espírito Santo de Évora, o Centro Hospitalar Barreiro Montijo, o Centro Hospitalar de Setúbal e o HPP de Cascais, entre outros.

— Estes projectos são apenas uma mudança nos processos, ou envolvem também novos equipamentos e software?

— Na maioria dos casos são necessários novos equipamentos e software. No entanto, o primeiro passo para uma implementação de um projecto desta natureza é sempre a avaliação da situação actual de cada Hospital. O nível de investimento que propomos é sempre sustentável e permite um retorno do investimento no máximo em 24 meses. Os equipamentos propostos são sempre uma mais-valia para o Hospital e podem ir desde  terminais portáteis para leitura de códigos de barras até armários para arrumação dos produtos.

— Qual o vosso papel na segurança do doente?

— Para a segurança do doente desenvolvemos dois sistemas de controlo muito económicos com base na identificação inequívoca do doente, utilizando pulseiras  com códigos de barras e fazendo a leitura destes mesmos códigos em medicamentos e nos componentes sanguíneos a transfundir. Isto aumenta a segurança nestes procedimentos através da prevenção de erros muito prejudiciais ao doente, com custos marginais.

— Como é possível gerir de forma eficiente os doentes que chegam às Urgências Hospitalares?

— O modelo de referência a nível mundial é o modelo de Triagem de Manchester. Este modelo permite atribuir um grau de urgência a cada doente que chega ao Hospital definindo assim qual o tempo máximo admissível para que esse doente seja tratado. Este modelo baseia-se na atribuição de uma pulseira com uma cor que vai do verde ao vermelho consoante o grau de urgência do doente permitindo uma identificação visual do estado de todos os doentes na urgência. Trata-se de um sistema bastante económico que permite uma organização fácil, promovendo a qualidade do serviço e a segurança do paciente.

— Considera que os profissionais de saúde vão receber bem estas alterações?

— Não temos dúvidas que sim! Além do aumento de eficiência das suas tarefas, os novos métodos aliados aos novos equipamentos e software são um estímulo para todos os profissionais. O feedback é sempre bastante positivo em todos os projetos que já implementámos.

— Caso os profissionais de saúde interessados desejem saber mais sobre estas soluções, o que poderão fazer?

— Poderão sempre contactar-nos e nós teremos todo o gosto em fazer uma apresentação, com demonstração do próprio software, sem qualquer encargo ou complicação. Esta é uma maneira muito interessante de ficarem a conhecer bem o produto e a perceber todas as suas funcionalidades e vantagens.

 

 

 

 

 

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Vacinação contra a pólio chega a 6,9 milhões de crianças

 

A 2ª fase das Jornadas Nacionais de Vacinação contra a Pólio decorreu este mês. Em Luanda, o acto provincial teve lugar no  bairro da Camuxiba, município da Samba. Presentes, a Directora Provincial da Saúde de Luanda, Rosa Bessa, a Coordenadora Provincial do Programa de Vacinação de Luanda, Felizmina Neto,  o Chefe da equipa de vacinação da OMS em Angola, Jean-Marie Kipela, e assessores internacionais do MINSA, envolvidos no processo de municipalização dos serviços de saúde.

As autoridades sanitárias da Província de Luanda definiram como meta a vacinação de 1,8 milhões de crianças, entre os dias 14 e 16 de Junho, com o apoio da OMS, UNICEF e outros parceiros. Esta campanha está a ser realizada em todas as províncias do país, com uma meta total de 6,9 milhões de crianças menores de cinco anos.

 

O que é a poliomielite

A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença infecciosa viral aguda transmitida de pessoa a pessoa, principalmente pela via fecal-oral.

 O termo deriva do grego poliós que significa "cinza", myelós "medula"), referindo-se à substância cinzenta da medula espinal, e o sufixo -itis, que denota inflamação, isto é, inflamação da substância cinzenta da medula espinal, embora infecções graves possam estender-se até o tronco encefálico e ainda para estruturas superiores, resultando em polioencefalite, que provoca apneia, a qual requer assistência mecânica, como o uso do pulmão de aço.

Embora aproximadamente 90% das infecções por pólio não causem sintomas (são assintomáticas), os indivíduos afetados podem exibir uma variedade de sintomas se o vírus atingir a corrente sanguínea. Em cerca de 1% dos casos, o vírus alcança o sistema nervoso central, preferencialmente infectando e destruindo neurónios motores, levando à fraqueza muscular e à paralisia flácida aguda. Diferentes tipos de paralisia podem ocorrer, dependendo dos nervos envolvidos. A pólio espinal é a forma mais comum, caracterizada por paralisia assimétrica que, com frequência, afeta as pernas. A pólio bulbar cursa com fraqueza dos músculos inervados pelos nervos cranianos. A pólio bulboespinal é uma combinação das paralisias bulbar e espinal.

 

Poliovírus identificado

A poliomielite foi reconhecida pela primeira vez como uma condição distinta por Jakob Heine, em 1840. Seu agente causador, o poliovírus, foi identificado em 1908 por Karl Landsteiner. Embora grandes epidemias de pólio sejam desconhecidas até o final do século XIX, a pólio foi uma das doenças infantis mais temidas do século XX. As epidemias de pólio causaram deficiências físicas em milhares de pessoas, principalmente crianças. A pólio existiu por milhares de anos silenciosamente, como um patógeno endêmico até os anos 1880, quando grandes epidemias começaram a ocorrer na Europa; pouco depois, as epidemias espalharam-se nos Estados Unidos.

 

Vacina contra a pólio

Por volta de 1910, grande parte do mundo experimentou um aumento dramático dos casos de poliomielite e as epidemias tornaram-se eventos comuns, principalmente nas cidades durante os meses de verão. Essas epidemias — que deixaram milhares de crianças e adultos paralíticos — incentivaram a "Grande Corrida" em busca do desenvolvimento de uma vacina. Desenvolvida na década de 1950, a vacina contra a pólio reduziu o número global de casos da doença por ano de centenas de milhares para menos de mil. Os esforços pela vacinação, apoiados pelo Rotary International, Organização Mundial da Saúde e UNICEF devem resultar na erradicação global desta doença.

 

 

 

 

 

 

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Prevenção rodoviária

BP Angola oferece alcoolímetros à DNVT

Sinistralidade rodoviária é um problema de saúde pública

 

Cerca de 8 % dos 17 mil acidentes rodoviários que ocorrem anualmente em Angola resultam de condutores alcoolizados. Agora, com a utilização dos dispositivos que medem o nível de álcool no sangue, a acção fiscalizadora e dissuasora das autoridades é reforçada.

 

 “Os alcoolímetros que a BP Angola entregou hoje à Direcção Nacional de Viação e Trânsito (DNVT) têm um elevado significado e importância, pois permitirão aumentar a nossa capacidade operacional de fiscalização e, em especial, de prevenção da sinistralidade rodoviária”.

A afirmação é do Director Nacional Adjunto de Viação e Trânsito, subcomissário Conceição Gomes, no acto de entrega simbólica de 160 dispositivos para medir o nível de álcool no sangue, a 27 de Junho, na Unidade Operativa em Luanda, no âmbito da campanha Paz na Estrada, apoiada pela BP Angola.

De acordo com este responsável, “os condutores envolvidos numa parte dos acidentes que ocorrem no nosso país estão alcoolizados. Há muitos automobilistas com um grau alcoólico superior ao permitido pelo código da estrada, principalmente ao final de semana, quer nas cidades, quer nas ligações inter-provinciais, nacionais e internacionais”.

De acordo com o subcomissário Conceição Gomes, “o condutor alcoolizado não é um homem consciente. A sua capacidade intelectual é deturpada pelo álcool. Os órgãos sensoriais não têm capacidade de reacção imediata. Daí a importância de utilizarmos estes instrumentos que servem, não só como método de regulação, mas também como dissuasor para que todo o utente da via tome consciência e mude a sua atitude pela positiva”.

 

Sinistralidade rodoviária cresce em Angola

De acordo com o conselheiro do Comandante Geral da Polícia Nacional, Comissário José Manuel, em 2012 registaram-se 17.057 acidentes, dos quais 8% sob influência do álcool. Destes acidentes resultaram  4.425 mortos, cerca de 16.265 feridos e um número elevado de danos materiais.

De Janeiro a Junho de 2013, ocorreram mais de sete mil acidentes que provocaram mais de mil mortos e um número superior a sete mil feridos.

“Além do estado do veículo e da via, o álcool contribui para os acidentes de viação. O código da estrada proíbe mais de 0,6 gramas de álcool por mililitro de sangue. Os acidentes podem ser evitados. A BP Angola vem responder a esta necessidade de prevenção”, afirmou.

Salvar vidas: uma questão de responsabilidade social

O vice-presidente para a comunicação e assuntos governamentais da BP Angola, Paulo Pizarro, presente na cerimónia, lembrou que “muitos de nós temos familiares, amigos e colegas que foram vítimas de acidentes de viação. O país, hoje, tem mais estradas e viaturas em circulação, pelo que a prevenção rodoviária é essencial. Os motoristas ao serviço da BP Angola já fazem uso de alcoolímetros”.

De acordo com este responsável, “para além da protecção aos nossos colaboradores que sofrem directa, ou indirectamente, com os acidentes, é nosso dever, como empresa socialmente responsável, apoiar campanhas que ajudem a salvar vidas”.

Paulo Pizarro revelou que o investimento da BP Angola em campanhas de prevenção rodoviária já atingiu cerca de 1,3 milhões de dólares norte-americanos. O valor inclui a verba de USD 290 mil destinada a este projecto específico dos alcoolímetros, no valor de USD 290 mil.

Segundo o vice-presidente da BP Angola “a capacitação das pessoas e a educação é fundamental”. Daí uma parte significativa do apoio destinar-se à educação nas escolas. “As nossas crianças jogam um papel importante. Quantas vezes ouvimos expressões como “Papá esqueceste o cinto de segurança!”, “Papá estás a conduzir muito depressa!”... A responsabilidade é de todos nós, sociedade civil, e não só da Polícia Nacional”, concluiu.

 

 

Como funciona um alcoolímetro?

O princípio de detecção do grau alcoólico no corpo humano baseia-se na avaliação das mudanças das características eléctricas de um sensor, sob os efeitos provocados pelos resíduos do álcool etílico no hálito de um indivíduo.

O condutor sopra, com força, através de uma boquilha que conduz o ar dos seus pulmões para um analisador que contém uma solução ácida de dicromato de potássio. A concentração de álcool no hálito das pessoas está relacionada com a quantidade de álcool presente no seu sangue, dado o processo de troca que ocorre nos pulmões.

O sensor é um elemento formado por um material cuja condutividade eléctrica é influenciada pelas substâncias químicas do ambiente que aderem à sua superfície. A sua condutividade eléctrica diminui quando a substância é o oxigénio e aumenta quando se trata de álcool. Entre as composições existentes num sensor, destacam-se as que utilizam polímeros condutores, ou filmes de óxidos cerâmicos, como óxido de estanho (SnO2), depositados num substrato isolante.

A correspondência entre a concentração de álcool no ambiente, medida em partes por milhão (ppm), e uma determinada condutividade eléctrica é obtida mediante uma calibração prévia onde outros factores, como o efeito da temperatura ambiente, o efeito da humidade relativa, regime de escoamento de ar, entre outros, são rigorosamente avaliados.

O alcoolímetro foi inventado, em 1974, pelo britânico Tom Parry Jones, que nasceu na pequena localidade de Menai Bridge, no País de Gales.

 

 

 

 

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Fórum Empresarial

Empresas reforçam empenho na luta contra a SIDA

 

A Odebrecht realizou este mês, em Luanda, um Fórum Empresarial com o objectivo de sensibilizar o sector privado a aderir ao Comité Empresarial Contra o VIH e a SIDA (CEC).

 

A iniciativa, acompanhada pelo Jornal da Saúde, foi do Instituto Nacional de Luta Contra a SIDA (INLS), com apoio da USAID. Sob o lema “Juntos Podemos Mudar o Rumo da Epidemia” teve como principal objectivo a mobilização do sector privado para a adesão ao Comité Empresarial Contra o VIH e a SIDA (CEC).

 

Na abertura do Fórum, a diretora do INLS, Dulcelina Serrano, exortou os representantes das empresas presentes a criar sinergias para que o sector privado colabore de maneira coordenada no sentido de mudar o rumo da epidemia.

 

O coordenador da ONUSIDA, Maurício Cysne, e a directora da Missão da USAID, Teresa McGhie, expressaram a necessidade do envolvimento de todos na luta contra o VIH e a SIDA.

 

O representante do MAPESS, Mário Pinto, falou da Lei nº 8, de 2004 que orienta as empresas a desenvolverem programas de prevenção ao VIH, tendo sublinhado a importância do seu cumprimento integral.

 

Várias empresas filiadas no CEC apresentaram as suas experiências e práticas dirigidas à prevenção do VIH e a SIDA no local de trabalho. A Esso descreveu a sua campanha “Laço Vermelho”. A Climed apresentou o seu ‘Programa Vida’ e a Odebrecht partilhou com os presentes a sua “ferramenta” empresarial para a manutenção da saúde do trabalhador, redução do absenteísmo e garantia da produtividade – o “Grupo de Ajuda Mútua (GAM)”.

 

No encerramento do fórum, o director de   Planejamento, Pessoas e Relações Institucionais da Odebrecht, Marcus Fernandes, reforçou o empenho e o comprometimento da construtora com as metas estabelecidas pelo governo “para que, juntos, possamos garantir o desenvolvimento sustentável de Angola”.

 

O que é o CEC

O Comité Empresarial Contra o VIH e a SIDA (CEC), constituído em Junho de 2006, tem como missão mobilizar o sector empresarial para a promoção das práticas de responsabilidade social, fortalecer as parcerias com instituições governamentais, ONGs e Nações Unidas e compartilhar experiências visando o controle da epidemia de VIH em Angola, no seio dos trabalhadores, e seus familiares, das grandes, médias e pequenas empresas.

 

 

 

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Transtorno do défice de atenção com hiperactividade

Conheça para puder ajudar

 

O Transtorno do Défice de Atenção com Hiperactividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, com relevante participação genética, que tem início na infância e pode persistir na vida adulta, comprometendo a actividade da pessoa em vários sectores da sua vida. Caracteriza-se por três grupos de alterações: hiperactividade, impulsividade e desatenção.

O TDAH é a condição crónica de maior prevalência em crianças de idade escolar. Estima-se que 3 a 6% da população em idade escolar possa ter TDAH. É o distúrbio neurocomportamental mais comum na infância.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sintomas clínicos do TDAH em adultos

 

Frequentemente:

- Tem dificuldades em manter a atenção em tarefas;

- Parece não ouvir quando lhe falam directamente;

- Tem dificuldades em prestar atenção a detalhes, ou engana-se por discuido em tarefas e actividades;

- É relutante ou detesta realizar tarefas que necessitam de um esforço mental mantido por muito tempo, por exemplo, projectos profissionais de longo prazo;

- Distrai-se facilmente por estímulos externos;

- Demonstra inquietação.

 

Dicas para lidar com portadores de TDAH

Sente-se com a criança ou o adolescente a sós e peça sua opinião sobre qual o melhor método para a sua aprendizagem. Frequentemente ele dará sugestões valiosas;

Sinalize ao aluno, sempre que possível, a sua evolução e sucesso. Ele já convive com tantos obstáculos que precisa de todo estímulo positivo que puder obter;

Procure resolver os problemas na hora. Não adie para depois. No mínimo, deixe anotado numa lista de actividades em aberto para poder consultar. Mas, atenção: restrinja ao máximo tal lista para não fazer tudo o que vem à cabeça;

Use estratégias e recursos de ensino mais flexíveis até perceber o estilo de aprendizagem do aluno. Isto irá ajudá-lo a atingir um nível de desempenho escolar mais satisfatório;

Desenvolva um método para auto-informação e monitorização. Ao final de cada semana, reserve alguns minutos para uma conversa com a criança/adolescente para saber como se sente na sala de aula. Ouça a sua opinião sobre o progresso e dificuldades: é necessário que ele seja agente activo no processo de aprendizagem;

Faça força para que não se envolva com um monte de coisas e projectos diferentes ao mesmo tempo. Estabeleça prioridades na sua vida;

Recomende a prática de actividades físicas ao longo do dia ou da semana. Ajudam a manter o equilíbrio nas demais actividades do dia, especialmente as mais aborrecidas;

Procure afixar, num lugar visível, as regras de funcionamento em sala de aula. Os alunos sentem-se mais seguros sabendo o que é esperado deles;

Avalie as tarefas executadas, mais pela qualidade, e menos pela quantidade. O importante é que os conceitos sejam aprendidos;

Para atenuar os sintomas de TDAH proponha estratégias para o trabalho, tais como: agenda electrónica de bolso (daquelas que tocam um alarme), ou mesmo uma agenda de papel, onde deve anotar tudo que for relevante no âmbito de compromissos pessoais e profissionais;

Crie um caderno “casa-escola-casa”. Isto é fundamental para a melhora da comunicação entre os pais e professores;

Descubra como “funciona melhor” para estudar e trabalhar. Trace um plano de trabalho que melhor se adeque à sua vida.

Escrever a mão é uma tarefa difícil para muitas destas pessoas. Considere possibilidades alternativas, como, por exemplo, digitação em computador;

Lembre-se que as regras devem ser breves e claras. Use uma linguagem adequada para o nível de desenvolvimento do aluno. Evite frases muito longas;

Sempre que possível, transforme as tarefas em jogos. A motivação para a aprendizagem certamente aumentará;

Estimule o portador do TDAH a tomar notas dos pontos mais importantes de cada conteúdo e do que está a pensar a respeito. Isto ajudará a organizar-se melhor;

Elimine ou reduza a frequência de testes cronometrados. Dificilmente, na vida real, a criança terá de tomar decisões tão rápidas. Estes testes apenas estimulam a impulsividade destes alunos;

 

 

CECANA

 Centro de Capacitação e Atendimento Neurológico de Angola

Bairro Operário, Prédio nº 35, 2º andar, Apart. J, Luanda

Tel.: + (244) 912 868 123

E-mail: geral@cecana.org           www.cecana.org

 

 

 

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O essencial que precisa saber sobre o Dengue

 

Como é o mosquito?

• O Aedes aegypti é um mosquito doméstico, que vive dentro ou nas proximidades das habitações;

• Além da dengue, este mosquito também pode transmitir a febre-amarela;

• É preto com listras brancas no corpo;

• É menor que um pernilongo comum;

• Pica durante o dia;

• Desenvolve-se em água parade e limpa

 

O que é dengue?

É uma doença transmitida por um mosquito (Aedes aegypti) que pica apenas durante o dia, ao contrário do mosquito comum que pica de noite.

 

Como é transmitida?

• O causador da dengue é um vírus, mas seus transmissores – denominados vetores - são mosquitos do género Aedes;

• A dengue não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra, ou seja, não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com uma pessoa sadia, nem de fontes de água ou alimento;

• Para ocorrer a transmissão é necessário que ocorra a picada da fêmea do mosquito que esteja contaminada com o vírus da dengue. Além disso, cerca de metade das pessoas que são picadas pelo mosquito que tem o vírus não apresenta qualquer sintoma da doença;

• Uma pessoa pode contaminar o mosquito um dia antes do início da febre até o sexto dia da doença.

• O mosquito vive cerca de 45 dias e pode contaminar até 300 pessoas, durante sua vida.

 

Como é o ciclo de vida do mosquito?

• De ovo a adulto dura 10 dias;

• Os ovos são colocados próximos à água e a larva desenvolve-se dentro da água;

• A posição da larva do Aedes aegypti é vertical. A posição da larva do pernilongo comum (Culex sp.) é inclinada.

 

 

Sintomas da doença?

• Começa com febre alta, dor de cabeça e nos olhos, muita dor no corpo;

• É comum a sensação de intenso cansaço, falta de apetite e, por vezes, náuseas e vómitos;

• Podem aparecer manchas vermelhas na pele, parecidas com as do sarampo ou da rubéola, e coceira no corpo;

• Pode ocorrer, às vezes, algum tipo de sangramento (em geral no nariz ou nas gengivas).

 

Período de incubação

Varia de três a quinze dias após a picada, sendo em média de cinco a seis dias.

Como evitar a dengue?

A única maneira de evitar a dengue é eliminar o mosquito.

O inseticida pulverizado em ultra baixo volume é útil para matar os mosquitos adultos, mas não acaba com os ovos. Por isso, deve ser empregado apenas em períodos de epidemias, com o objetivo de interromper rapidamente a transmissão. O mais importante é procurar acabar com os criadouros dos mosquitos (lugares de nascimento e desenvolvimento das larvas). Adote as seguintes medidas:

• Não deixe a água, mesmo limpa, ficar parada em qualquer tipo de recipiente;

• Lave bem os pratos de plantas, passando um pano ou uma bucha para eliminar completamente os ovos dos mosquitos. Não adianta apenas trocar a água, pois os ovos do mosquito ficam aderentes às paredes dos recipientes. Uma boa solução é trocar a água por areia molhada nos pratinhos;

• Lave bebedouros de aves e animais com uma escova ou bucha e troque a água pelo menos uma vez por semana;

• Guarde as garrafas vazias de cabeça para baixo;

• Jogue no lixo copos descartáveis, tampinhas de garrafas, latas e tudo o que acumula água;

• Utilize água tratada com água sanitária a 2,5% (40 gotas por litro de água) para regar bromélias;

• Não deixe acumular água nas calhas do telhado e lajes;

• Não deixe expostos à chuva pneus velhos, latas, garrafas, cacos de vidro, embalagens vazias, baldes e qualquer outro recipiente que possa acumular água;

• Acondicione o lixo em sacos plásticos fechados ou latões com tampa;

• Tampe cuidadosamente caixas de água, filtros, barris, tambores, cisternas, poços, etc.

• As piscinas devem ser tratadas com cloro e limpas frequentemente.

 

Tratamento

• Procurar uma unidade de saúde, ou um médico, logo no começo dos sintomas. Diversas doenças são muito parecidas com a dengue, e têm outro tipo de tratamento.

• Os remédios são usados apenas para aliviar a febre e as dores, e devem ser indicados por médicos, pois todos os medicamentos podem ter efeitos colaterais e alguns podem até piorar a doença.

• Não tomar nenhum remédio para dor ou para febre que contenha ácido acetil-salicílico, que pode aumentar o risco de sangramento.

 

Governo de Luanda reforça programa de combate à dengue e à malária

O Governo Provincial de Luanda vai reforçar o combate à dengue e à malária com a fumigação e pulverização, durante três meses consecutivos, em todos os municípios e distritos da capital angolana. Segundo a directora provincial da Saúde de Luanda, Rosa Bessa, o Governo pretende, em parceria com a cooperação cubana, na luta anti-larval, diminuir a população de mosquitos transmissores da malária e dengue.

Sob orientação do governador provincial de Luanda, Bento Bento, a abertura da campanha foi no dia 24 de Maio, no Marco Histórico 4 de Fevereiro, no município do Cazenga.

Apesar dos trabalhos desenvolvidos pela equipa técnica cubana de luta anti-vectorial, a colaborar desde Janeiro de 2009 e cujo trabalho é realizado principalmente de dia, o Governo Provincial de Luanda pretende reforçar essas actividades com as equipas de pulverização que vão trabalhar ao final da tarde para o combate aos mosquitos adultos.

A pulverização incidirá em áreas com charcos de água, ou seja, de maior concentração de mosquitos, enquanto a fumigação nas residências.

Para o efeito, vão ser utilizadas viaturas e motorizadas com condutores equipados com pulverizadores portáteis, permitindo uma melhor penetração nos bairros.

Os produtos utilizados são biolarvicidas, visando a redução do impacto de químicos no ambiente, como o bactivec e grislesfsão, usados para o tratamento de criadores domiciliares e extra domiciliar.

Rosa Bessa apela às famílias no sentido de abrirem as portas e janelas para beneficiarem da fumigação domiciliar, pois o insecticida utilizado não prejudice a saúde humana.

 

 

 

 

 

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Ginástica mental

 

A conhecida frase "Mente sã em corpo são", celebrizada pelo poeta romano Juvenal, que remonta aos primeiros séculos da época cristã, ganhou outra dimensão à luz dos conhecimentos trazidos a lume pela neurociência. Mas, muito embora a ciência dê passos largos na descoberta de novos dados, não se pode dizer que o "casamento" entre o corpo e a mente seja uma novidade dos tempos que correm. O conceito de "atleta-académico", surgido na Grécia Antiga, ilustra o grau de importância concedido à actividade física na manutenção de uma boa forma corporal e intelectual.

 

Mais recentemente, os estudos de comportamento animal, - apesar de não demonstrarem dados completamente conclusivos - apontam para os benefícios psicológicos do exercício físico. "Quando sujeitos a paradigmas de stress, os roedores [animais utilizados na investigação] reproduziram modelos depressivos - semelhantes aos dos seres humanos -, que se caracterizam, fundamentalmente, pela apatia e diminuição da actividade, perda de interesse e eficácia intelectual e cognitiva", diz Óscar Gonçalves, professor catedrático de Neuropsicofisiologia da Universidade do Minho. Após um programa de exercício físico voluntário, "verificou-se uma melhoria desses padrões", su­blinha.

Na perspectiva deste investigador, nos seres humanos, o exercício físico - entendido como um "fármaco natural" - pode atenuar os sintomas da depressão. "Embora seja difícil estabelecer um relação de causalidade, o exercício físico pode ser bom regulador dos processos emocionais e um coadjuvante no tratamento da ansiedade e da sintomatologia depressiva", completa. Paralelamente, são conhecidos outros efeitos "acessórios" do exercício físico: despoleta um estado de espírito mais positivo e aumenta a eficácia do funcionamento cognitivo e intelectual.

Na tentativa de encontrar respostas para estes fenómenos, a ciência, através de estudos animais, demonstrou que os benefícios do exercício físico se relacionam com os processos bioquímicos, responsáveis pelo estabelecimento de conexões entre os neurónios. "O exercício físico induz uma maior plasticidade das células nervosas, dos neurónios e das células da glia [células de suporte que ajudam a alimentar os neurónios]. Assim, do ponto de vista cognitivo, a actividade física induz a comunicação entre as células nervosas e facilita a formação de novos neurónios (processo conhecido por neurogénese)", afirma Óscar Gonçalves.

A revista Newsweek, escrevia, numa edição recente, que o processo neuroquímico é desencadeado pela contracção muscular. A cada contracção do bíceps, é activado o envio de uma proteína, designada de IGF-1, que percorre toda a corrente sanguínea até alcançar o cérebro. Chegada ao cérebro, esta substância assume o comando na produção de neutrotransmissores, nomeadamente do factor neurotrófico derivado do cérebro (BDNF, sigla do inglês). Esta molécula é responsável pelo sustento de várias actividades relacionadas com o intelecto. Assim, o exercício físico regular proporciona um aumento dos níveis de BDNF, promovendo, simultaneamente, a produção de novos neurónios - embora em pequeno número na idade adulta - e o desenvolvimento de novas conexões entre as células nervosas.

 

O exercício da mente

O hipocampo é uma zona cerebral responsável pela aprendizagem e pela memória. O processo de oxigenação e vascularização, derivado do exercício físico, fomenta a formação de novas células e ajuda a reduzir os efeitos do cortisol. Esta substância, produzida pelo organismo, quando presente em doses moderadas, exerce uma acção imunitária. Mas, em excesso, perante uma situação de stress exacerbado, acaba por produzir efeitos tóxicos em diferentes zonas cerebrais. Segundo Óscar Gonçalves, o exercício físico, "como antagonista do cortisol, permite, também, contrariar a resposta aos ciclos do stress". Desta forma, assume-se como um antídoto do stress e da ansiedade.

Apesar do contributo do exercício físico na melhoria dos processos de aprendizagem e memória, o especialista sublinha que a melhor forma de "muscular" o cérebro e produzir uma maior eficiência mental é mantendo uma actividade intelectual regular. "A estimulação cognitiva é o elemento central da produção de novos neurónios e sinapses [conexões] entre os neurónios", considera o especialista, que avança com um exemplo: "O cérebro, à seme­lhança dos músculos [embora estes tenham uma maior plasticidade], necessita de estimulação para se manter em forma. Os neurónios, tal como os músculos, estão dependentes da activação constante."

Na perspectiva de Óscar Gonçalves, "Use it or loose it", à boa moda anglosaxónica, é o princípio que rege o funcionamento cerebral. A inactividade provoca, segundo o psicólogo, uma "atrofia das estruturas e, por conseguinte, uma diminuição da sua funcionalidade".

Melhorar a memória

com 10 minutos de conversa

Um estudo da Universidade de Michigan, publicado no Boletim de Personalidade e Psicologia Social, no passado mês de Fevereiro, indica que 10 minutos de diálogo podem aumentar a capacidade da memória e o desempenho nos testes.

Na perspectiva de Oscar Ybarra, psicólogo da U-M Institute for Social Research (ISR) e co-autor do estudo - em parceria com os psicólogos Eugene Burnstein e Piotr Winkielman -, "o processo de socialização é um dos meios tradicionais mais eficazes no desenvolvimento intelectual". O estudo, que incluiu uma amostra de 3610 indivíduos, com idades compreendidas entre os 24 e os 96 anos, analisou a relação entre a função mental e a interacção social.

"Para o nosso conhecimento, esta experiência evidencia a forma como uma interacção social podem influenciar, directamente, a memória e a performance mental de uma maneira positiva", diz Óscar Ybarra. Estes dados sugerem, ainda, que o isolamento social pode ter repercussões negativas nas capacidades intelectuais, emocionais e de bem-estar.

* Adaptado do Science Daily

 

Endorfinas: o "ópio" do corpo

As endorfinas - substâncias químicas libertadas durante o exercício físico - funcionam como "opiáceos" internos do organismo. Devido à falta de consenso científico, "não se pode confirmar se a sensação de euforia e bem-estar, que decorre do exercício físico, advém da libertação das endorfinas", diz Óscar Gonçalves. A oxigenação cerebral e, por conseguinte, uma maior nutrição dos tecidos é outra das eventuais explicações avançadas para justificar a regulação emocional que ocorre no período pós-exercício físico. Nesta matéria, existem alguns mitos que aliam a "dependência" do exercício físico à libertação de endorfinas. Contudo, o especialista desmistifica esta teoria: "A dependência do exercício físico pode estar

associada ao estado de conforto e bem-estar que se obtém no momento posterior ao esforço. Raramente um indivíduo relata sensações de euforia ou prazer durante uma actividade intensa."

 

 

 

 

 

 

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