MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Rui Moreira de Sá

Director Editorial

direccao@jornaldasaude.org

O admirável mundo novo dos serviços de saúde de excelência

 

 

Não foi de um momento para o outro. Demorou. Pelas razões históricas que todos conhecemos. Mas, pouco a pouco, passo a passo, a oferta de serviços de saúde de várias especialidades, com qualidade, tem vindo a surgir, nos últimos anos. Quer a nível público, quer privado. E em todo o país. Tanto nos cuidados primários de saúde, como nos secundários e terciários. Na maioria dos casos, os angolanos, hoje, já não precisam de ser evacuados para o exterior.

Ainda há muita falta de médicos, farmacêuticos, enfermeiros e demais técnicos. Mas as Universidades estão a formar profissionais todos os anos e as respectivas Ordens estão muito activas no fortalecimento e actualização de conhecimentos dos seus membros. O último Congresso dos Enfermeiros, a próxima Semana da Farmácia Angolana, em Setembro, e o Congresso Internacional dos Médicos, em Janeiro, são disso testemunhos, para além das iniciativas regulares das clínicas privadas e hospitais públicos.

O Jornal da Saúde tem acompanhado e procurado informar os cidadãos desta nova realidade, com reportagens nos centros de saúde, hospitais, clínicas e farmácias, quer em Luanda, quer nas províncias. Este mês, relatamos mais um caso de uma unidade de saúde pública moderna, agora reinaugurada, e de um novo centro neurocirúrgico que oferece condições muito melhoradas para o tratamento de crianças com hidrocefalia. Proporcionamos também aos leitores vários artigos educativos, de divulgação científica, sobre temas do maior interesse e actualidade, disponibilizados por especialistas na matéria e por clínicas privadas de referência que oferecem serviços de excelência.

Boa leitura!

 

 

 

 

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Japão inventa equipamento para detetar doenças através da respiração

 

 

Protótipo já conseguiu identificar com êxito a cirrose hepática, ao detetar amoníaco na respiração das pessoas que sofriam da doença.

 

 

Uma empresa de Tóquio desenvolveu um protótipo de uma máquina para detetar doenças através da respiração, um dispositivo que pode permitir, no futuro, a realização de diagnósticos de forma mais rápida e simples.

O protótipo, concebido pela empresa Nihon Dempa Kogyo em colaboração com a Universidade de Kitakyushu, já conseguiu identificar com êxito a cirrose hepática, ao detetar amoníaco na respiração das pessoas que sofriam dessa doença, segundo o jornal Nikkei.

O sistema recorre a "oscilares do quartzo", cujos elétrodos são revestidos de membranas especiais.

Ao serem expostos aos gases presentes na respiração de uma pessoa e, mais tarde, a uma amostra de ar, os osciladores reagem, mostrando se uma determinada substância está presente ou não no hálito do indivíduo.

Segundo a empresa, a vantagem deste sistema de cristais de quartzo é que, ao contrário de outros métodos baseados em semicondutores ou sistemas micro eletromecânicos que detetam gases a partir do odor, a sua sensibilidade é muito maior.

 

 

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“Viagra feminino”

pode ser autorizado

 

 

Se a Agência para a Alimentação e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos autorizar a comercialização, o Flibanserin será o primeiro medicamento à venda no mercado, para aumentar a líbido feminina.

 

Um painel consultivo norte-americano pediu hoje, à agência do medicamento dos Estados Unidos, para aprovar a comercialização do fármaco conhecido por "Viagra feminino", que aumenta o desejo sexual das mulheres.

Se a Agência para a Alimentação e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos autorizar a comercialização, o Flibanserin será o primeiro medicamento à venda no mercado, para aumentar a líbido feminina.

A FDA não é obrigada a acatar o pedido do painel, mas muitas vezes segue as suas sugestões.

A comercialização do medicamento recebeu 18 votos a favor e seis contra do painel de peritos, mas com indicação de algumas medidas de controlo de risco, para garantir que os médicos apenas o prescrevam a pacientes que precisem e que estejam cientes do risco da sua utilização.

O Flibanserin, destinado a mulheres em pré-menopausa, pode ter efeitos secundários significativos, incluindo náuseas, tonturas e sonolência.

Duas tentativas de trazer a droga para o mercado falharam em 2010 e 2013, porque os especialistas descreveram as vantagens como inconclusivas.

Segundo documentos na página na Internet da FDA, as mulheres que tomaram Flibanserin relataram, em média, 4,4 encontros sexuais satisfatórios por mês, contra 3,7 das que tomaram um placebo (medicamento ministrado com fins sugestivos).

 

 

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Na África do Sul.

Jovem que fez transplante de pénis diz ter engravidado namorada

 

Primeira cirurgia mundial feita em Dezembro. Jovem recuperou função sexual passadas cinco semanas.

 

REUTERS

 

Um jovem da África do Sul diz ter engravidado a namorada após ter feito o primeiro transplante de pénis do mundo, em Dezembro de 2014, anunciou este mês o cirurgião responsável pelo procedimento.

O homem de 22 anos, com nome desconhecido, está entre os 250 sul-africanos que todos os anos perdem o pénis depois de terem circuncisões tradicionais mal feitas.

O transplante de nove horas fez parte de um estudo-piloto do Hospital de Tygerberg, na Cidade do Cabo, e da Universidade de Stellenbosch, na cidade de Stellenbosch, na Africa do Sul. Passadas cinco semanas, o jovem já conseguia ter relações sexuais.

“Estamos a cumprir todos os objectivos, este homem pode urinar de pé normalmente, pode ter relações sexuais e o seu pénis recuperou completamente”, disse o cirurgião Andre van der Merwe, que liderou a equipa de cirurgia. “Agora, ter filhos era a última coisa que faltava.”

Segundo o médico, não foi feito nenhum teste de paternidade, mas não há qualquer razão para não acreditar no jovem, que vive e trabalha na Cidade do Cabo.

“Sei que ele pode ejacular normalmente e não há razão para ser infértil. Estava à espera de uma gravidez a uma dada altura, mas não esperava que fosse tão cedo”, comentou o cirurgião.

Todos os anos, centenas de jovens da África do Sul, maioritariamente da tribo Xhosa, perdem o pénis após os rituais de passagem para a idade adulta, que correm mal. Espera-se que a cirurgia pioneira ajude estes jovens a ultrapassar os traumas físicos e psicológicos.

Depois de ter anunciado em Março o transplante que correu bem, a equipa do cirurgião disse que o procedimento poderia um dia ser oferecido a homens que perderam o pénis devido ao cancro ou que têm disfunção eréctil grave. A equipa recebeu pedidos de transplante dos Estados Unidos, da Colômbia e da Rússia. “Acho que vamos fazer um novo transplante no fim do ano”, revelou o cirurgião.

 

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Luanda Medical Center fecha acordo com 13 seguradoras

 

O Luanda Medical Center (LMC) fechou recentemente um conjunto de acordos com 13 seguradoras, das quais oito nacionais e cinco estrangeiras. De acordo com um comunicado do LMC, o principal objectivo destes protocolos “é facilitar a vida dos seus clientes e chegar a toda a população com um serviço de qualidade internacional e em que podem confiar”.

 

 “O objectivo destas parcerias é oferecer o melhor serviço aos nossos clientes em Angola. Somos um centro médico que presta um serviço transparente e onde os clientes têm acesso a uma oferta completa e simplificada, para que paguem apenas os serviços que usufruem. Estas parcerias com seguradoras nacionais e internacionais, como a Unisaúde, Mediplus, MSO, Cigna ou Allianz, são um reforço daquilo a que nos comprometemos fazer, mantendo os elevados padrões de qualidade do Luanda Medical Center e a um preço que o cliente pode pagar”, referiu o director-geral do LMC, Michael Averbukh.

Localizado no coração de Luanda, dispõe de um bloco operatório moderno, diversos consultórios médicos para atender às consultas de especialidade, entre as quais se destacam a pediatria, ginecologia / obstetrícia, medicina geral e familiar e oftalmologia. Conta ainda com uma unidade especializada de gastrenterologia, uma unidade de cardiologia, um centro de diagnóstico completo e um laboratório de análises que servirá tanto o Luanda Medical Center como outras clínicas na área.

No edifício do Luanda Medical Center existe ainda uma clínica dentária e uma clínica de medicina física e reabilitação.

 

One-Stop-Shop

De acordo com aquele responsável, no edifício “os clientes irão encontrar uma oferta global de cuidados de saúde. O Luanda Medical Center foi desenhado para obedecer ao conceito “One-stop-shop”, o qual compreende a disponibilização de um tratamento personalizado ao cliente que vai desde a prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento. Inclusivé temos farmácia”, concluiu,

 

 

 

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Massoxi Vigário

“É necessário instruir os educadores de forma a terem mais atenção aos alunos”

Eurico Chiviculi   

“As palestras, com este perfil educativo, transmitem conhecimentos precisos na área da saúde mental aos técnicos e professores”

Bullying chegou às redes sociais

 

 

n “Com a globalização, tem surgido cada vez mais o bullying cibernético nas redes socais, manifestado através de fotografias, injúrias e outros comentários. É cedo para afirmar quando irá acabar este mal a que todos nós estamos sujeitos”. O alerta foi dado pela Directora Nacional do Programa de Saúde Mental, Massoxi Vigário, numa palestra sobre o bullying na infância e na adolescência promovida este mês pela Direcção Nacional de Saúde Pública, em Luanda, onde participaram estudantes da capital.

Massoxi Vigário defendeu ser “necessário instruir os educadores de forma a terem mais atenção aos alunos”. Esta prática provoca grande mal-estar nas crianças, acarretando consequências nefastas durante a juventude porque provoca alguns transtornos de personalidade que têm impacto ao nível da projecção social que se manifesta na forma de comunicar, de lidar com as pessoas, inclusive a tentativa de suicídio eminente em determinadas situações”.

O bullying ocorre normalmente em crianças que têm a mesma faixa etária e com uma convivência regular em locais isolados. “Muitas destas crianças não aceitam as diferenças das vítimas, como por exemplo, se um indivíduo é alto, baixo, branco, escuro, mestiço, esbelto, magro, forte, gago, albino, se tem deficiência física ou uma tendência sexual diferente. Os agressores acabam por escolher as suas vítimas de acordo com a sua fragilidade”, sublinhou a responsável. O bullying pode ter início na escola, no bairro, em ambientes fechados e arrastar-se para o seio familiar.

 

Promover a educação

da sociedade

O responsável do ensino especial de Luanda, Eurico Chiviculi, afirmou que “foram implementadas novas políticas de inclusão escolar para que algumas crianças com dificuldades na aprendizagem, ou transtornos de conduta, possam ter acesso à escola e sejam mantidas no ensino”. A realização destas palestras, com este perfil educativo, “transmitem conhecimentos precisos na área da saúde mental aos técnicos e professores”, acrescentou.

Um dos alunos presentes na palestra, Imani Jojó, com 10 anos, relatou ao Jornal da Saúde o caso que vivenciou quando, um dia, brincava com os seus amigos. “Entre eles havia um menino que tinha brincadeiras fora do normal: batia, empurrava, e insultava os outros. Brincávamos com ele, mas, a partir de certo momento, o menino começou a insultar os colegas. Maria do Céu, professora do ensino geral, afirmou que “quando ocorre um caso desta natureza, chamam-se as crianças, conversa-se com elas e sugere-se que peçam desculpa para que situações do género não voltem a acontecer”.

 

O que é o bullying

 

O bullying é um termo da língua inglesa que se refere a todas formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objectivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação de forças ou poder. Podemos referir o bullying directo, sendo essa a forma mais comum entre os agressores masculinos, e o indirecto que é mais comum entre mulheres e crianças, tendo como característica principal o isolamento social da vítima. De uma forma geral, a vítima teme o agressor em detrimento das ameaças, ou mesmo da concretização de violência física, sexual ou perda dos seus meios de subsistência. O bullying é já hoje considerado um problema mundial podendo ocorrer em qualquer contexto, seja em escolas, universidades, no seio familiar, mas também entre colegas de trabalho e vizinhos.

Há escolas que não admitem a existência de bullying entre os seus alunos, por desconhecerem o problema, ou por negarem a enfrentá-lo e resolverem. Este tipo de agressão geralmente acontece em locais onde o acompanhamento de pessoas adultas é mínimo ou mesmo inexistente. Muitas vezes, o bullying passa pela utilização de alcunhas pejorativos com o intuito de humilhar os colegas.

 

 

 

 

 

 

 

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“Cada doação de sangue é menos uma vida que se perde”

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

O acto central de celebração do Dia Mundial de Sangue teve como lema “Obrigado por salvar a minha vida” e decorreu no 14 de Junho, em Luanda. Realizado pelo Instituto Nacional de Sangue e a Labconcept, o evento contou com cerca de 500 convidados e chamou a atenção para a importância de doar sangue

 

O dia 14 de Junho foi escolhido como o Dia Mundial do Dador de Sangue por três das mais prestigiadas organizações ligadas à dádiva da doação de sangue: a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, a Federação Internacional das Organizações de Dadores de Sangue e a Sociedade Internacional de Transfusão Sanguínea. O evento realizado em Luanda não pretende substituir outras celebrações de carácter nacional, mas oferecer um contributo para “uma comemoração global, com muita harmonia, e com um grande significado especial que se pareça com o aniversário do Landsteiner, vencedor do prémio Nobel em 1930, que descobriu os sistemas dos grupos sanguíneos ABO que não possuem antígenos”, explicou Luzia Fernandes Dias, Directora do Instituto Nacional de Sangue.

 Apesar de se esperar que este dia encoraje mais pessoas a tornarem-se dadores regulares, o objectivo passa por agradecer a todos os indivíduos que voluntariamente dão o seu sangue para salvar vidas. “Esperamos que a nova geração de dadores de sangue siga os grandes exemplos dos que lhes antecederam, dando sangue para que seja usado onde e quando for necessário. A sociedade angolana tem vindo a organizar-se para aumentar a doação de sangue de forma voluntária e benévola, não renumerada, nomeadamente por entidades públicas e privadas, religiosas, militares, ensino, ONG’s, associações diversas, entre outras”, garantiu Luzia Fernandes Dias.

Luzia Fernandes Dias afirmou ainda que esta comemoração tem como objectivo central agradecer aos dadores de todo o mundo que têm contribuído sem qualquer recompensa material para a sobrevivência de muitas pessoas. A sua recompensa é a sobrevivência de pessoas em todo o mundo. “Os dadores querem que a única oferta seja a salvação de vidas de muitas pessoas anónimas, sem distinção de sexo, raça e enfermidade, rendimento, classe social, religião e etnia”, afirmou.

 

Jovens patriotas

“Muito se tem falado da nossa juventude e na minha opinião os jovens são o que de melhor o país possui porque são verdadeiramente patriotas, não apenas por se prontificarem por esse gesto nobre, mas por fazerem uma demonstração clara de amor ao próximo. O sangue que doam nas unidades sanitárias servem fundamentalmente para salvar vidas e tem sido muito benéfico para dois grandes grupos alvo a nível da população: as crianças e as mulheres na idade adulta. Esta doação está a ser determinante no auxílio da redução da mortalidade infantil e materna”, afirmou, na sessão de abertura, o Secretário de Estado da Saúde, Carlos Masseca. O governante começou por agradecer às igrejas, às empresas, às pessoas singulares e à sociedade civil pelo grande esforço que têm feito no sentido de mobilizar dadores de sangue. “Este é um acto de cidadania merecedor do nosso reconhecimento porque contribui para a melhoria da saúde das populações no país”.

Para dar resposta à qualidade necessária do sangue doado, o Executivo necessitou de transformar o antigo Centro Nacional num Instituto de Sangue para que se pudesse contar com uma maior disponibilização de meios avultados, quer sejam financeiros, como materiais, permitindo dar uma resposta a nível nacional em termos de sangue para contribuir na assistência e saúde de todos os angolanos, independentemente das condições que se encontrem desde que haja necessidades para tal.

 

Construção de centros

de hemoterapia

Luzia Fernandes afirmou ainda que, em Luanda, cerca de 30% dos dadores são voluntários e os restantes 70% são familiares das vítimas. A média do país aponta para 23% de dadores voluntários e 87% tratam-se de familiares. É necessário que os grupos que venham a doar sangue ascendam aos 80% com a meta de se atingir 100% de dadores no ano de 2020. Em Angola, as crianças compõem o grupo que mais faz transfusões sanguíneas, actualmente, seguindo-se as mulheres grávidas com complicações antes, ou após o parto, pessoas que sofreram de outras patologias e vítimas de acidentes de viação.

Luzia Fernandes adiantou que é necessário o envolvimento de todas as forças vivas da sociedade num processo educativo e sensibilizador para a doação do sangue. A directora afirmou que o executivo angolano vai construir centros de hemoterapia, devidamente equipados, ao nível de todos os municípios, apostando também no reforço da capacitação dos técnicos, para se melhorar a qualidade dos serviços possibilitando respostas adequadas.

Além do Instituto Nacional de Sangue, também existem no país 18 centros provinciais, 19 postos avançados de hemoterapia em hospitais de referência e 22 centros de hemoterapia em hospitais municipais.

 

Lema intencional

O representante da Organização Mundial da Saúde em Angola, Hernando Agudelo, saudou os presentes na cerimónia devido ao facto de este acto ser de extrema importância para o país. “O lema deste ano foi escolhido intencionalmente para agradecer os incansáveis dadores de sangue presentes”, disse. O responsável considera que tem de se apostar em mais campanhas de mobilização “de forma a aumentar o número de voluntários que venham a ser os futuros dadores de sangue para que se evite a falta de sangue nos bancos de hemoterapia de vários hospitais”. É também importante “incentivar e motivar as pessoas incutindo-lhes o hábito de doar sangue enquanto um acto de cidadania que demonstra a fraternidade e o amor que se tem pelo próximo”, referiu.

 

Testemunho na primeira pessoa

 

Francisco Domingos Pedro é dador de sangue. Afirmou nesta cerimónia que a “doação de sangue é essencial para promover a eliminação da morte materna e infantil, e contribuir para a diminuição da mortalidade decorrente de acidentes de viação. O Dia Mundial do Dador de Sangue é muito especial pois os dadores de sangue contribuem com este grande gesto de cidadania de ajuda ao próximo”. Considerando que a doação de sangue é uma luta que tem de ser travada, não só pelos dadores, mas por todos os organismos da sociedade para que se possa controlar o défice que se vive ultimamente na área da hemoterapia, lamenta a escassa adesão de jovens nos hospitais para fazer a doação de sangue. “Para quem nunca fez nenhuma doação aconselho que o façam porque cada doação é uma vida a menos que se perde”.

 

 

 

 

 

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Mata uma pessoa a cada 6 segundos

Batalha da diabetes está a ser perdida

Para os angolanos, o risco é real

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

O aumento contínuo dos casos de diabetes no mundo demonstra que a batalha da preservação das pessoas que possuem diabetes e as suas complicações de incapacidades totalmente fatais está a ser perdida, de acordo com a Federação Internacional da Diabetes.  A revelação foi feita durante as primeiras jornadas de diabetes em Angola, realizadas durante dois dias no mês de Junho, organizadas pela Associação dos Diabéticos de Angola (ASDA). Contaram com a presença de participantes nacionais e estrangeiros e permitiram reflectir sobre a importância da criação de estratégias nacionais eficazes no controlo da doença.

 

n O número de mortes originadas por diabetes no mundo aumentou, desde 1985 até à data, de 25 milhões para cerca de 250 milhões. Recentemente, a Federação Internacional das Diabetes alertou para o fardo da diabetes que mata uma pessoa a cada seis segundos no mundo e não pára de crescer.

Os portadores têm em média entre 40 e 59 anos, 80% dos quais vivem em países subdesenvolvidos. O aumento contínuo dos casos de diabetes no mundo demonstra que a batalha da preservação das pessoas que possuem diabetes e as suas complicações de incapacidades totalmente fatais está a ser perdida, confirma a Federação Internacional da Diabetes. Estima-se que existam 347 milhões de diabéticos no mundo.

As autoridades angolanas apostam fortemente na erradicação e no controlo das doenças transmissíveis e na elaboração de estratégias para melhorar e controlar as patologias não transmissíveis.

“As autoridades que tutelam a educação, a comunicação e a saúde devem divulgar vários subsídios sobre o que é mais saudável para as populações quando nos referimos aos hábitos alimentares”, alertou o bastonário da Ordem dos Médicos de Angola (ORMED), Carlos Alberto Pinto de Sousa, na abertura das primeiras jornadas de diabetes em Angola.

“Temos assistido uma grande tendência da diminuição da mortalidade infantil, e a um aumento considerável das causas de morte relacionadas com as doenças crónicas degenerativas, o que é bastante preocupante. Este aumento deve-se sobretudo a alterações nutricionais das populações, ao sedentarismo, ao perfil alimentar e aos hábitos de vida nas cidades que, associados a outros factores sócio-ambientais resultam em grandes problemas epidemiológicos”, disse.

O bastonário da ORMED fez referência a uma das citações do anterior director regional da Organização Mundial da Saúde para África, o angolano Luís Gomes Sambo, ao lembrar que “a epidemia de diabetes está a disseminar-se e já tem uma grande influência na vida e saúde de muitas famílias em várias partes do mundo. A diabetes pode causar taxas muito altas da degradação da saúde, incapacidade e morte prematura dos indivíduos”.

 

Apoios precisam-se!

O principal objectivo das primeiras jornadas da diabetes foi alertar a comunidade e os profissionais de saúde que assistem os pacientes que padecem diariamente com a doença e ensinar a sociedade a lidar com a doença para além de ser importante sublinhar o estado da diabetes no mundo. “Queremos apelar à sociedade em geral, no sentido de apoiar a ASDA, para que consiga criar mecanismos para melhor orientar a formação dos técnicos de saúde afectos a esta patologia e também para permitir ajudar todos os pacientes a apostar na prevenção para que não se registem no país taxas elevadas de mortalidade provocadas pela doença”, afirmou a coordenadora da ASDA, Sabina Cruz.

No debate foram apresentadas as taxas de mortalidade para que se pudesse alertar para o quão grande é a pandemia e de que forma é possível impedir a sua disseminação pelo país. “A ASDA tem apenas alguns associados e não funciona como deveria, porque há falta técnicos de saúde. Estas jornadas serão o grande pontapé de saída que irá incentivar que a Associação venha a adquirir bases para poder orientar os diabéticos e apoiar os profissionais”, acrescentou a responsável. Nos dois dias de realização do evento, o estado da diabetes no mundo esteve em destaque e a organização espera que “a sociedade civil venha a reflectir na realidade que vivem os portadores de diabetes no país para que, em conjunto, se possam traçar grandes estratégias em torno desta epidemia que continua a vitimar muitas pessoas que não possuem condições de assistência que lhes permitam sobreviver”.

Sabina Cruz destacou ainda que estas jornadas foram especificamente direccionadas à comunidade médica, para que seja possível haver grande troca de conhecimentos que venha mudar o estado como se encara a doença no país, a forma como se pode disseminar no território nacional e como se pode melhorar a assistência aos doentes.

 

O que é a diabetes?

 

A diabetes é uma doença crónica que se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar (glicose) no sangue e pela incapacidade do organismo em transformar toda a glicose proveniente dos alimentos. À quantidade de glicose no sangue chama-se glicemia e quando esta aumenta diz-se que o doente está com hiperglicemia.

 

Quem está em risco de ser diabético?

A diabetes é uma doença silenciosa que se pode  desenvolver sem sintomas durante muitos anos. É uma doença em crescimento, que atinge cada vez mais pessoas em todo o mundo e em idades mais jovens. No entanto, há grupos de risco com fortes probabilidades de se tornarem diabéticos:

Pessoas com familiares diretos com diabetes;

Homens e mulheres obesos;

Homens e mulheres com tensão arterial alta ou níveis elevados de colesterol no sangue;

Mulheres que contraíram a diabetes gestacional na gravidez;

Crianças com peso igual ou superior a quatro quilogramas à nascença;

Doentes com problemas no pâncreas ou com doenças endócrinas.

 

Quais são os sintomas típicos da diabetes?

Todas as pessoas em risco devem fazer análises. Quando já tem valores muito elevados, manifesta-se:

Nos adultos - A diabetes é, geralmente, do tipo 2 e manifesta-se através dos seguintes sintomas:

Urinar em grande quantidade e muitas mais vezes, especialmente durante a noite (poliúria);

Sede constante e intensa (polidipsia);

Fome constante e difícil de saciar (polifagia);

Fadiga;

Comichão (prurido) no corpo, designadamente nos órgãos genitais;

Visão turva.

 

 

 

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Reinauguração.

Hospital Geral de Luanda oferece mais e melhores serviços

 

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

O Hospital Geral de Luanda foi ampliado e é três vezes maior que o anterior. Novos serviços ao dispor dos utentes exigem mais profissionais que correspondam às expectativas das populações. n Com as obras de melhoria, novos serviços estarão ao dispor das populações, como a cardiologia, a defectologia (estudo do desenvolvimento e da educação da criança com necessidades especiais), o planeamento familiar, a ortopedia, a ginecologia, a otorrinolaringologia, a optometria, a psicologia, a neurologia, entre outros. É um hospital com serviços personalizados. Como grande novidade pode destacar-se o bloco operatório com camas automáticas monitorizadas com comandos, portas automáticas, sala controlada com videovigilância para o controlo dos pacientes, a enfermaria de pediatria a funcionar devidamente equipada com três gases medicinais, entre os quais, ar comprimido, vácuo, e oxigénio, rede de dados, sistema de voz conectados em uma central sonora. Nesta primeira fase, a unidade sanitária tem cerca de 400 trabalhadores – entre os quais 42 médicos, 150 enfermeiros, 82 técnicos de diagnóstico e terapêutica, 52 técnicos de apoio e 11 administrativos – para iniciar os serviços de pediatria, medicina, consultas externas, imagiologia e cardiologia clínica que já estão em funcionamento. As pessoas “que tinham como referências o Hospital Josina Machel e o Hospital Américo Boavida terão agora oportunidade de receber um nível diferenciado de assistência”, destacou o Ministro da Saúde, José Van Dúnem, durante a sessão de reinauguração do Hospital Geral de Luanda.

Assistência de muita

qualidade e humanizada

A população espera receber uma assistência de muita qualidade, com um atendimento humanizado, próximo dos hospitais de referência que o país possui. “Agradeço ao governo chinês pela doação feita ao nosso país com a responsabilidade de conservar o mais possível a instituição para poder desempenhar o seu verdadeiro papel, de acordo com as normas estipuladas no Sistema Nacional de Saúde”, acrescentou o Ministro. O Hospital Geral de Luanda garante actualmente as condições necessárias, materiais ou de outra natureza, para satisfazer as expectativas dos profissionais e das populações.

“Desejo aos profissionais muito sucesso no trabalho, pois as condições permitem obter ganhos em saúde devido aos aspectos cativantes e motivadores que as novas instalações apresentam”. É de facto uma “unidade hospitalar moderna que irá contribuir para a qualidade dos serviços de saúde dos cerca de seis milhões de habitantes de Luanda”, sublinhou.

Para que a direcção do hospital consiga responder a todas as expectativas das populações será necessário que “os profissionais do sector demonstrem empenho e dedicação”.

 

Reforçar equipas

Segundo o director-geral do Hospital Geral de Luanda, Mário Cardoso, “os serviços serão abertos paulatinamente, à medida que a direcção for selecionando para os quadros os profissionais adequados a cada uma das suas áreas de especialidade. “Foram preparados 1400 técnicos de saúde para essa nova unidade hospitalar. A sua ampliação foi realizada de acordo com as necessidades e a procura de serviços por excelência. A sua modernização virá certamente implicar a introdução de mais pessoal qualificado de acordo com as várias especialidades existentes”, disse o responsável. Na reunião de Conselho de Ministros, no começo do mês de Junho, foram aprovados vários documentos que “formalizam a necessidade de criação de condições para a admissão de mais médicos e técnicos de saúde para o país e que possam beneficiar o hospital geral reforçando assim as equipas existentes”. Desde a abertura do hospital têm vindo a ser recrutados vários funcionários do sector da saúde e profissionais que solicitam transferência das suas unidades para integrarem os quadros do Hospital Geral de Luanda livremente.

“Aguardo com expectativa que venha a surgir alguma orientação, através de decretos do executivo angolano, que autorize a realização de um concurso público com a finalidade de reforçar os serviços com novos profissionais”, concluiu.

 

 

 

 

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Tratamento do cancro: o papel da cirurgia

 

Lúcio Lara Santos

Professor Doutor, oncologista cirúrgico

e assessor do IACC

ONCOCIR-Angola

 

A cirurgia é a forma de tratamento do cancro mais antiga e continua a ser a modalidade mais eficaz para a maioria dos tumores sólidos. Porém, para que a promova a cura da doença, é necessário que o procedimento cumpra determinados princípios.

 

n Os médicos que se dedicam ao estudo, diagnóstico e tratamento das neoplasias malignas, doença vulgarmente conhecida como cancro, são denominados de oncologistas. Estes médicos podem ser Oncologistas Cirúrgicos (quando o tratamento é a cirurgia), Radio-oncologistas (quando a terapêutica que utilizam envolve radiações ionizantes) e Oncologistas Médicos ou Clínicos (quando o tratamento que dominam é o sistémico, isto é, com recurso a medicamentos).

Estes especialistas adquirem formação em oncologia e, adicionalmente, realizam formação específica relacionada com a sua especialidade.

Nos artigos precedentes, os temas tratados foram: o tratamento sistémico e a radioterapia. Neste artigo vamos abordar o tratamento cirúrgico do cancro.

A cirurgia é a forma de tratamento do cancro mais antiga e continua a ser a modalidade de tratamento mais eficaz para a maioria dos tumores sólidos. Porém, para que a cirurgia promova a cura da doença é necessário que o procedimento cumpra determinados princípios que enumeraremos adiante.

A cirurgia implica um procedimento médico em que é necessário realizar uma abertura da pele e dos tecidos subjacentes para podermos alcançar o órgão que está doente. Quando observamos o órgão doente faz-se o tratamento do mesmo. Este tratamento é diferente e está de acordo com a doença. Pode implicar a reparação do órgão, como acontece num intestino que sofreu uma perfuração (situação frequente na febre tifoide complicada), a remoção de um tumor, ou ainda a reparação da fraqueza de tecidos, como ocorre, por exemplo, nas hérnias inguinais.

 

Anestesia

Estes procedimentos só são possíveis se o doente não sentir dores, estiver quieto e tranquilo durante a cirurgia. A anestesia é o procedimento técnico que garante a analgesia (ausência de dores), sedação e a manutenção das funções vitais, como a respiração, durante o procedimento. Durante a anestesia pode ocorrer ausência total de consciência que é induzida e é reversível (anestesia geral) mas pode também provocar-se ausência de consciência de apenas uma parte do corpo, como ocorre na anestesia local ou regional.

Anestesia é um estado farmacologicamente induzido de amnesia, analgesia, perda de reatividade, de reflexos musculares esqueléticos e resposta ao stresse diminuído.

Os medicamentos que causam anestesia podem ser injectados localmente ou por via intravenosa ou ainda inalados (gases que induzem anestesia). O médico que domina esta técnica é o Anestesista e geralmente trabalha com enfermeiros ou técnicos de anestesia. Na anestesia geral é necessário um aparelho específico que permite a administração de oxigénio, de gases anestésicos e tem recursos para avaliar a função respiratória e cardíaca.

A dor após a cirurgia é actualmente muito bem controlada permitindo um pós-operatório confortável. São utilizados medicamentos orais, injectáveis ou, por vezes, os anestesistas colocam um cateter (tubo) na região da coluna perto da medula espinal injectando medicamentos que retiram a dor na área abdominal (analgesia epidural).

 

Bloco operatório

As operações cirúrgicas devem ser realizadas em espaços apropriados conhecidos como blocos operatórios. O bloco operatório é um espaço em que o ambiente é controlado para que não ocorra a contaminação pelos micróbios das feridas cirúrgicas o que poderia causar infecções graves e eventualmente causar a morte do doente. Assim, o chão, as paredes, o mobiliário e as máquinas são lavadas e descontaminadas com produtos adequados. O ar que entra e sai do bloco é controlado e filtrado. Os profissionais de saúde devem estar vestidos com roupas especiais, máscara na face, proteção do cabelo com toucas e luvas para não se contaminarem nem contaminarem o doente.

 

Biopsias

O diagnóstico de cancro é fundamental para se poder programar um tratamento adequado. Para tal, a obtenção de um fragmento de tecido do tumor, chamada de biopsia, é muito importante. Este fragmento pode ser obtido através de uma pequena cirurgia, através de agulhas que removem um pequeno cilindro de tecido (agulha de corte), ou apenas células (agulha fina). Podemos também obter tecido através de exames endoscópicos (estômago ou intestino). As células, ou os tecidos, são posteriormente preparados no laboratório de anatomia patológica, o que permite observá-las ao microscópio. Quando observamos células chamamos ao estudo citologia. Quando observamos um fragmento de tecido o exame deste tecido denomina-se de histologia. As características das células permitem realizar o diagnóstico de certeza da doença e afirmar a existência de um cancro (Figura 1).

 

Cirurgia oncológica

Cerca de 90% dos doentes oncológicos necessitam, em algum momento do seu tratamento, de intervenções da cirurgia. O tratamento cirúrgico em oncologia implica a remoção do tumor, dos gânglios linfáticos que estão envolvidos pela doença maligna, ou que têm um elevado risco de conterem células malignas. São também removidos os órgãos vizinhos envolvidos pela doença. As margens da ressecção devem estar livres de doença. Posteriormente, são reparados os danos para que o doente retome as suas funções normais.

Para que se alcance a cura é fundamental que, após a cirurgia, todo o tecido tumoral tenha sido removido .

Actualmente e em determinadas situações clínicas podemos fazer as cirurgias utilizando instrumentos que permitem que as feridas cirúrgicas sejam pequenas e a recuperação do doente seja rápida. Para este tipo de cirurgia observamos as cavidades do corpo humano, como o tórax ou abdómen, com câmaras de vídeo e estas permitem realizar a cirurgia sem grandes incisões (toracoscopia ou laparoscopia – Figura 2).

Para aumentar a taxa de cura, ou diminuir o risco do reaparecimento da doença, existem situações em que à cirurgia se associa a quimioterapia. Nestes casos introduz-se no abdómen drogas citotóxicas durante a cirurgia. Noutras situações realiza-se radioterapia durante a cirurgia.

A cirurgia oncológica pode ser também realizada para resolver complicações do tumor como obstruções (da traqueia, do intestino), hemorragias, dor, perfurações. Pode ainda ser realizada para colocar tubos que permitem alimentar o doente ou pequenos cateteres com um depósito debaixo da pele, o que permite administrar os medicamentos sem ter que procurar veias permeáveis a cada tratamento e assim assegurar que este seja realizado com segurança reduzindo riscos de extravasamentos.

A evolução técnica da cirurgia oncológica, aliada ao diagnóstico precoce, e à correcta associação a outras armas terapêuticas, como a radioterapia e o tratamento sistémico, tem possibilitado aumentos impressivos na sobrevivência dos doentes oncológicos.

 

Cirurgia oncológica em Angola

 

O Ministério da Saúde tem envidado esforços para dotar o país de recursos cirúrgicos em todas as províncias do país. A formação de especialistas como cirurgiões gerais, urologistas, ginecologistas, ortopedistas, cirurgiões torácicos, otorrinolaringologistas, cirurgiões plásticos, entre outros está em curso. A combinação destes recursos, nomeadamente físicos e humanos (médicos especialistas e a qualificação de outros técnicos de saúde, entre os quais os enfermeiros), aliada à formação específica em oncologia cirúrgica, permitirá uma crescente e competente atenção aos doentes oncológicos no nosso país.

O Instituto Angolano Contra o Câncer, unidade vocacionada para o tratamento do cancro, está a participar activamente neste esforço de formação e no cuidado dos doentes. Existem também unidades de saúde privadas ou de gestão privada que estão a desenvolver esforços em aumentar as suas competências em oncologia.

Os colégios das especialidades cirúrgicas têm incluído no seu programa formativo a formação em oncologia. No entanto, somos da opinião que é necessário um esforço multidisciplinar que congregue todos estas vontades.

 

 

 

 

 

 

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Vacina HPV e cancro do colo do útero. O que deve saber?

 

LUANDA MEDICAL CENTER

 

Vários tipos de HPV

Existem mais de 100 tipos de HPV e grande parte das infeções causadas por este vírus são silenciosas e não provocam sintomas ou problemas significativos.

Alguns desses tipos, porém, originam lesões na pele, normalmente sob a forma de verrugas, que afetam as mãos ou os pés.

Outros tipos de HPV infetam a zona anal e genital (verrugas ano-genitais ou condilomas).

Nas mulheres, os condilomas/lesões por HPV são frequentes nas coxas, vulva, vagina, colo do útero, uretra, ânus ou reto.

 

Transmissão do HPV

A transmissão dos vírus do HPV responsáveis por infetarem a área anal e genital pode ocorrer através do sexo vaginal, oral ou anal ou ainda pelo contacto íntimo com a pele de uma pessoa infetada.

 

HPV e cancro do colo

do útero

Em alguns casos, o vírus pode ser transmitido e estar presente no colo do útero durante anos, existindo situações em que as lesões do aparelho genital provocadas por vírus HPV, sobretudo dos tipos alto risco, podem evoluir para cancro. Na verdade, o vírus do Papiloma Humano está presente em praticamente todos os casos (99,7%) de cancro do colo do útero que é o 2º cancro mais frequente na mulher, logo a seguir ao da mama.

Há, portanto, uma ligação direta e cientificamente provada entre o vírus do HPV e o cancro do colo do útero.

No entanto, o vírus do HPV pode estar também associado a outros tipos de cancros para além do colo do útero.

 

Diagnóstico precoce

A realização regular de exames ginecológicos, a colposcopia e a citologias (ou testes) de Papanicolau são medidas fundamentais para diagnosticar precocemente alterações das células do colo do útero, sendo a periodicidade recomendada, para todos ou parte destes exames, habitualmente, anual.

 

Prevenção e vacinas

Existem neste momento duas vacinas que oferecem proteção em relação aos tipos de HPV de mais alto risco.

A vacina bivalente assegura proteção contra os tipos 16 e 18, os quais provocam cerca de 70% dos casos de cancro do colo do útero.

A vacina quadrivalente protege também contra os tipos 6 e 11, além dos 16 e 18, oferecendo assim uma proteção mais alargada.

Na mulher, a idade ideal par a vacinação e entre os 12 e os 14 anos ou logo após a 1ª menstruação.

Contudo, as mulheres beneficiam sempre, de forma muito significativa, da vacinação em qualquer outra idade, podem vacinarem-se até aos 45 anos. E importante ter também em linha de conta que as mulheres que foram vacinadas contra o HPV devem continuar, igualmente, a realizar anualmente os seus exames ginecológicos, colposcopias e citologias de Papanicolau.

 

Medidas de prevenção

e diagnóstico precoce

É essencial o exame ginecológico periódico (anual). Poderá ainda ser efetuada uma colposcopia, que consiste na observação do colo do útero com um equipamento especial que permite examinar as respetivas células com grande ampliação, assim permitindo verificar a existência, ou não, de áreas com lesões pouco ou nada aparentes apenas à observação visual simples.

A citologia (também designado Teste) de Papanicolau consiste na retirada de células do colo do útero que, posteriormente, são examinadas no Laboratório para determinar a sua natureza.

De igual forma, pode ainda, simultaneamente com a citologia, realizar-se uma pesquiza laboratorial para determinar se existem ou não vírus do HPV, isto é, saber se estes vírus estão ou não já instalados no colo do útero.

Finalmente, o médico ginecologista pode decidir da eventual necessidade de efetuar uma biópsia, isto é, retirar uma pequena quantidade de tecido do colo do útero para que o laboratório possa analisar em detalhe a eventual existência de uma lesão maligna ou pré-maligna.

Independentemente da vigilância e dos exames do médico ginecologista, é crucial para a prevenção da infeção por HPV do uso sistemático do preservativo, ainda que que as zonas que o preservativo não cobre não ficam protegidas. De igual forma, é crucial conhecer e evitar todos os comportamentos sexuais de risco por parte de ambos os componentes do casal

 

Tratamentos disponíveis

O tratamento das lesões vária segundo os casos mas pode envolver tratamentos locais com a aplicação de certas substâncias nas lesões.

Poderá também ser necessário utilizar tratamentos abrasivos, com técnicas diversas: eletrocoagulação, crioterapia ou com laser, entre outras.  É ainda possível que possa estar indicada a “conização” do colo uterino, que consiste na remoção de uma parte do colo onde se encontram as lesões ou o vírus está alojado. É um procedimento relativamente simples e que pode ser realizado em regímen de ambulatório e que não interfere absolutamente nada com a vida sexual ou reprodutiva posterior da mulher.

O LUANDA MEDICAL CENTER disponibiliza às suas pacientes todas as possibilidades humanas e técnicas necessárias ao diagnóstico precoce, á vacinação e ao tratamento.

 

 

 

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A saúde da sua família nas mãos de um especialista

 

Dr. Carel de Lange

Especialista em Medicina Geral e Familiar

Luanda Medical Center

 

Médico de Família é a denominação pela qual é habitualmente conhecido o médico especialista em  atenção básica. Trabalha habitualmente nos Cuidados de Saúde Primários.

São médicos pessoais, principalmente responsáveis pela prestação de cuidados abrangentes e continuados a todos os indivíduos que os procurem, independentemente da idade, sexo ou afecção. Cuidam de indivíduos no contexto das suas famílias, comunidades e culturas, respeitando sempre a autonomia dos seus pacientes.

 

n Os médicos de família reconhecem ter uma responsabilidade profissional para com a sua comunidade. Ao negociarem planos de acção com os seus pacientes, integram factores físicos, psicológicos, sociais, culturais e existenciais, recorrendo ao conhecimento e à confiança gerados pelos contactos repetidos. Exercem o seu papel profissional promovendo a saúde, prevenindo a doença e prestando cuidados curativos, de acompanhamento ou paliativos, quer directamente, quer através dos serviços de  outros, consoante as necessidades de saúde e os recursos disponíveis no seio da comunidade servida, auxiliando ainda os pacientes, sempre que necessário, no acesso àqueles serviços.

 Os médicos de família devem responsabilizar-se pelo desenvolvimento e manutenção das suas aptidões, equilíbrio e valores pessoais, como base para a prestação segura e efectiva de cuidados de saúde aos pacientes.

Por inúmeros factores, é importante que os angolanos consultem um Médico de Família. Isso vai permitir conhecer o histórico da família, bem como de cada membro. Permite-se, igualmente, desenvolver uma relação de amizade para todos os momentos.

Porém, no Luanda Medical Center, o mais novo e moderno centro de medicina em Luanda, esta especialidade, visa, sobretudo, cuidar das famílias angolanas. Através de um plano criado pelo Especialista. É um serviço novo e, ao mesmo tempo, inovador.

Para ter acesso a um Médico de Família, o pai ou a mãe pode entrar em contato com a clínica mais próxima e perguntar se esse serviço está disponível. Na cultura angolana, geralmente, é a mãe que cumpre esse papel.

 

Algumas características desta especialidade

da Medicina

m O modelo “médico – paciente” é longitudinal e leva a uma forma de cuidado em que o contato entre o paciente e o médico não se limita apenas à situação de doença, ou seja, para ver o médico não é necessário estar doente, permitindo o seu acesso por motivos de prevenção e aquisição de hábitos para uma vida saudável.

 

m O conhecimento mútuo que é construído ao longo do tempo entre o paciente e o médico cria um vínculo de confiança e respeito que é uma das mais poderosas ferramentas de diagnóstico e terapêutica, utilizados pelo Médico de Família. A possibilidade de continuar por muitos anos com um paciente permite conhecer as suas preferências, valores, crenças e características individuais, bem como a dinâmica familiar e contexto social.

 

m A capacidade de ajudar as pessoas e famílias em diferentes fases da vida (infância, adolescência, juventude, idade adulta, velhice) tornam possível integrar a dinâmica familiar e, portanto, trabalhar em diferentes etapas ao longo da vida.

 

m Porque é uma especialidade da medicina que abrange transversalmente, o médico de família está disposto a trabalhar em conjunto e coordenar a assistência à saúde de seus pacientes, tendo em conta as habilidades e competências de outros profissionais saúde (médicos especialistas, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas).

 

mEnquanto disciplina científica centrada na pessoa, três aspectos de fundo devem ser considerados como essenciais:

a. Aspectos do contexto: considerando o contexto pessoal, familiar, comunitário e cultural;

b. Aspectos da atitude: baseados nas capacidades, valores e ética profissionais do médico;

c. Aspectos científicos: adoptando uma abordagem crítica da prática clínica, baseada na investigação científica, bem como mantendo-a através da aprendizagem e da melhoria da qualidade contínuas.

Saiba mais:

http://www.lmc.co.ao/pt/corpo-clinico/medicos/carel-de-lange/

 

 

 

 

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Workshop alerta para a importância da saúde e segurança no trabalho.

O trabalhador não deve trabalhar com o pensamento no desconforto

 

Hérnias discais e outros problemas de coluna são apenas algumas

das consequências da má postura

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto e Rui Moreira de Sá

 

“Os problemas surgem a longo prazo, devido ao facto dos trabalhadores passarem horas sentados em cadeiras inadequadas, provocando alterações nos músculos, fruto de más posturas contínuas”, garantiu a directora do Centro de Saúde e Segurança no Trabalho (CSST), Isabel Cardoso. A responsável falava na abertura do workshop que esta instituição realizou este mês, em Luanda, e que reuniu cerca de 400 participantes.

 

“É necessário mudar para que as pessoas trabalhem em condições perfeitas e seguras zelando sempre pela sua integridade. O crescimento de uma dada empresa, com satisfação e zelo, fomenta a melhoria no desempenho e na produtividade. O trabalhador não deve trabalhar com o pensamento no desconforto que determinada postura lhe causa. Por esse motivo, as empresas devem arranjar técnicas inovadoras no sentido de trabalharem de forma mais segura”, disse.

Por sua vez, a fisioterapeuta Vitória Fortunato alertou para o facto de, actualmente, “observarem-se várias lesões adquiridas pelo esforço repetitivo, como por exemplo, hérnias discais, problemas na coluna e outras doenças que poderiam ter sido evitadas caso as empresas tivessem apostado em condições que permitissem suportar melhores posturas no trabalho”. Ainda de acordo com esta especialista “o trabalhador só tem responsabilidade por desconhecimento, mas todas as responsabilidades devem recair no empregador que tem de garantir as condições para que os seus colaboradores desempenhem as suas funções adequadamente”, afirmou.

 

Também com

as crianças na escola

A fisioterapeuta revelou também que “ultimamente, as crianças, nas escolas, sentam-se em cadeiras muito grandes para a sua estatura e têm vindo a adquirir escoliose, o que afecta o seu desenvolvimento. Estes problemas têm surgido porque as carteiras são muito altas, e os quadros baixos, com uma elevação fora dos padrões que ultrapassa o posicionamento dos olhos da criança”. A técnica lembrou ainda que, “devido a um horário preenchido com várias aulas, as crianças são obrigadas a transportar uma quantidade avultada de material. Este peso prejudica gravemente as vértebras que estão em crescimento”. Neste workshop salientou-se a importância de realizar campanhas nas escolas que tenham carteiras desajustadas à idade e estatura dos alunos. “Quando nos sentamos é importante ter os pés bem assentes no solo, a coluna e a as costas encostadas na cadeira de maneira a que a nossa coluna se ajuste à mesma”, recomenda Vitória Fortunato.

 

Produtividade

das empresas

“Temos a noção de que a formação nesta área é um factor estratégico para aumentar a produtividade das empresas, através da melhoria da qualidade das condições de trabalho dos seus colaboradores. Esta é uma das razões que nos motivou a realizar este encontro, no sentido de sensibilizar os agentes do trabalho interessados na mudança do paradigma da desarticulação da segurança, higiene e saúde no trabalho”, afirmou a Directora do CSST, Isabel Cardoso, na abertura do workshop.

Em entrevista ao Jornal da Saúde, a responsável adiantou que o tema em debate no evento era pertinente e fundamental para “motivar os trabalhadores e agentes de trabalho na mudança de comportamentos. O workshop sobre ergonomia teve como objectivo promover o intercâmbio de conhecimentos e despertar a classe trabalhadora. Tem de haver uma postura adequada nos locais de trabalho para trabalharem em condições saudáveis que não sejam prejudiciais para a saúde a sua saúde. Os profissionais habitualmente vêem a ergonomia como algo sem importância”.

 

O que é a ergonomia?

 

 A ergonomia é a disciplina científica que estuda a relação entre o homem e o trabalho e/ou outros elementos de um sistema. Procura desenvolver a integração perfeita entre as condições de trabalho, as capacidades e as limitações físicas e psicológicas do trabalhador e a eficiência do sistema produtivo.

 

 

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Cancro do colo do útero.

O diagnóstico precoce pode salvar vidas

 

Rosalina de la CaRidad QUesadaespecialista em Ginecologia e obstetríciadoutorada em Medicina Clínica MediTeXUma revisão ginecológicaregular e a realização da ci-tologia cervical (Papanico-lau) anualmente constituemduas formas de promover asaúde feminina. Caso o re-sultado faça suspeitar decancro do colo do útero, pe-de-se à paciente a realizaçãode uma colposcopia, umexame não invasivo, não do-loroso e que não requer hos-pitalização, mas que permi-te detectar lesões que ne-cessitem de adequado trata-mento.

 

O cancro do colo do útero éum tipo de cancro frequentenas mulheres que tem ori-gem no anormal crescimentocelular do colo. Quando umamulher se infecta com certostipos de vírus do papilomahumano (HPV) e não eliminaa infecção, podem desenvol-ver-se células anormais norevestimento do colo. Por es-ta razão, se não são descober-tos e tratados numa etapaprecoce, as células anormaispodem converter-se em célu-las cervicais pré-canceríge-nas que por sua vez se trans-formam em cancro.Em que consiste a colposcopia?A colposcopia é uma provaque permite ver de formaampliada a superfície do colodo útero ou cérvix. Serve paraidentificar precocementepossíveis lesões que são iden-tificadas como precursorasde um cancro. Também per-mite colher amostras parabiópsia das zonas suspeitasde forma a estudá-las poste-riormente no laboratório etratar estas lesões de forma asolucionar o problema.Quando se deve fazer umacolposcopia?Geralmente pede-se umacolposcopia quando a mu-lher recebe os resultados deuma citologia na qual foramdetectadas células anormaisque podem ser cancerígenas,ou precursoras de cancro decolo de útero. A citologia cer-vical é o primeiro passo se-guindo-se a coloposcopia sehouver indicação para tal.Por vezes, solicita-se este exa-me se o médico suspeitar dealguma patologia cervicalapós revisão ginecológica.Através do vídeo, a colposco-pia pode-se realizar o trata-mento com “asa diatérmica”das lesões pré malignas queapareçam no exame e quepodem ser despistadas atra-vés de uma biópsia e realizar-se de uma forma menosagressiva para a paciente.Qual a importância da colposcopia?A colposcopia é importanteporque pode detectar o can-cro no colo uterino numa pri-meira etapa apresentandoum valor considerável comoestudo complementar do pa-panicolau normal devido aofacto de que incrementa assuas probabilidades de de-tecção de lesões. Além disso,permite arquivar e imprimiras imagens obtidas, o qualapresenta grande valor nocontrolo e seguimento de le-sões.Como se preparar para uma colposcopia?Não faça lavagens vaginais,não tenha relações sexuaisnem use medicamentos va-ginais durante as 24 horas an-tes da realização da prova emantenha a bexiga vazia an-tes do procedimento.Quando tempo decorre até receber os resultados da colposcopia?De uma forma geral, decorreuma a duas semanas até omédico receber um relatóriodo patologista que examinaas amostras para biópsia etente programar uma consul-ta, o mais tardar, um mês de-pois da colposcopia.Como prevenir o cancro de colo de útero?Uma forma adequada da suaprevenção é o exame anualde Papanicolau, seguido davídeo colposcopia que per-mite que a paciente e o médi-co visualizem directamente ocolo uterino com um aumen-to de até 40 vezes o tamanhoreal e, através de coloraçõesespeciais, ressaltar os tecidosanormais suspeitosos de se-rem cancro ou percussorasda doença. A colposcopiapermite também avaliar apresença de outras lesões nocolo do útero, as paredes docanal vaginal (vaginoscopia)ou da pele vulvar (vulvosco-pia). Este exame melhorasubstancialmente a sensibi-lidade do Papanicolaou.É doloroso?Não. É um exame não invasi-vo, o que significa que o apare-lho não toca na paciente. Rea-liza-se entre 15 a 20 minutos enão requer hospitalização. O videocolposcópio temum aparelho de visualizaçãomagnífica através de um sis-tema de aumentos ópticos euma fonte de luz chamada“colposcópio”. O mesmo en-contra-se conectado a umavideocâmara de alta resolu-ção cujas imagens são trans-mitidas para um ecrã, o qualpermite observar as mesmasdurante a realização do estu-do, tanto pelo médico comopela paciente e de forma dife-rida, através do registo dessasimagens em forma de fotosou colpofotografias.Onde fazer?A Clínica Meditex possui oequipamento e pessoal pro-fissional formado para a rea-lização e interpretação destesexames de diagnóstico e tra-tamento. É muito importante promo-ver a educação das mulherespara alertá-las dos factores derisco e das possibilidades derealizar o diagnóstico preco-ce do cancro do colo do úteroe o tratamento adequadodesta doença. É também fun-damental desenvolver umprograma de rastreio em An-gola, para conseguir diminuiro número de pacientes comdiagnóstico desta patologia

 

 

 

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Progressos no sector da saúde

 

Diniz Simão

Correspondente no Cuanza norte

 

Novos hospitais, centros e postos de saúde têm permitido, ao longo dos anos, melhorar a assistência médica no Cuanza Norte. A construção de uma escola de formação de técnicos de saúde contribuiu para a melhoria da qualidade dos profissionais. No entanto, e apesar dos avanços reconhecidos, algumas patologias são motivo de preocupação bem como o número insuficiente de médicos e enfermeiros.

 

n Os avanços registados no sector da saúde na província do Cuanza Norte, durante os 40 anos de independência, foram realçados, em Ndalatando, pelo director provincial da saúde, Manuel Duarte Varela.

Falando a propósito dos ganhos da independência alcançados pelo sector na região, o responsável referiu que esse período foi marcado pelo crescimento da rede sanitária da região, por via da construção e reabilitação de várias unidades sanitárias, em diferentes localidades da província, fazendo com que a população deixasse de percorrer longas distâncias em busca da assistência médica.

Segundo Manuel Duarte Varela, a província testemunhou, entre 1975 a 2015, “o surgimento de nove hospitais novos, além de diversos centros e postos de saúde, muitos das quais construídos entre 2002 e 2015, após o termo definitivo do conflito armado que devastou o país durante mais de 30 anos”.

Salientou que, até 1975, a província contava com apenas um único hospital (o actual hospital provincial), um centro de saúde nas sedes de cada um dos 10 municípios e com poucos postos de saúde em algumas sedes comunais, uma realidade que acabou por vir a ser invertida com a construção de novos estabelecimentos sanitários.

 

Evolução significativa

O responsável referiu que “o crescimento da rede sanitária da província conheceu uma evolução significativa, entre 2002 e 2014, período em que a província passou a contar com 11 hospitais, 92 postos de saúde e 22 centros, totalizado 132 unidades sanitárias, construídas e reabilitadas, que constituem actualmente a rede sanitária pública local, devidamente equipadas com 1050 camas e outros meios técnicos modernos, além de outras unidades privadas e tuteladas por instituições religiosas”.

Fruto das acções do executivo que visem a melhoria da assistência médica, foram implementadas várias políticas no sentido de aproximar os serviços de saúde aos cidadãos, materializadas pelos  Programas de Investimentos Públicos e de Municipalização dos Serviços de Saúde, permitindo assim o aumento de infra-estruturas e equipamentos sanitários. A rede sanitária da província é assegurada por 85 médicos, entre nacionais e expatriados, 866 enfermeiros, 45 técnicos de diagnóstico e terapeutas, além de outros funcionários administrativos e de apoio hospitalar.

Referiu que, a par das infraestruturas, foi, igualmente, colocado em marcha “um programa de formação de quadros, com especialização de técnicos em vários domínios do sector”.

Destaque ainda para a construção de uma escola de formação de técnicos de saúde na província como um dos factores que está a contribuir para o aumento e melhoria da qualidade dos profissionais de saúde na região.

Dar especial atenção à saúde sexual e reprodutiva

Manuel Duarte Varela apontou “a intensificação dos programas de imunização, o combate as grandes endemias como a malária, VIH-Sida, tuberculose e a oncocercose, assim como os cuidados primários de saúde como as prioridades do sector na região”.

Em função das metas do Executivo e do desenvolvimento do milénio, deve ser dada especial atenção à saúde sexual e reprodutiva no sentido de reduzir a taxa de mortalidade materna bem como a humanização dos serviços de saúde.

Manuel Duarte Varela referiu que o sector da saúde na província conta com o apoio de organizações não-governamentais, tais como, “Médicos del Mundo, Soluções de Higiene e Saúde no Trabalho, Cruz Vermelha de Angola,  World  Vision, entre outras, como parceiras no combate as diversas enfermidades na região”.

A malária, pelo facto de constituir a maior causa de morte no país e, em particular na província, consta entre as patologias que mais preocupam as autoridades sanitárias da região, seguida pelas doenças cardiovasculares (com maior predominância a hipertensão arterial), a diabetes e os traumatismos por acidentes de viação.

Face ao aumento de doenças cardiovasculares, o médico disse que gostaria ver implementados na circunscrição, “os serviços de cardiologia interventiva, nefrologia, hemodiálise, neurologia e cuidados intensivos com todas as suas valências, sem descurar os de fisioterapia permitiriam atenuar as evacuações e os custos do tratamento que acarretam aos pacientes, famílias e hospitais decorrentes de enfermidades que são diagnosticadas e tratadas pelos serviços referenciados”.

Para uma cobertura integral da assistência médica na província e face ao número de infra-estruturas sanitárias construídas nos últimos tempos, Manuel Duarte Varela afirmou que “seriam necessários mais de 70 médicos e 1000 enfermeiros”.

Outra necessidade apontada pelo médico prende-se com o reduzido número de especialistas nas áreas de pediatria na província que conta apenas com  quatro profissionais, seis ginecologistas / obstetras e dois ortopedistas. “As áreas de cardiologia, traumatologia, medicina geral e integrada (MGI), entre outras, carecem também de profissionais”.

No domínio do apoio medicamentoso, Manuel Duarte Varela, assegurou que estão garantidos suprimentos de kits de fármacos para postos e centros de saúde para atender a demanda.

Com uma população estimada em 427.971 habitantes, distribuídos em 10 municípios, a província do Cuanza Norte, cuja sede é a cidade de Ndalatando, localizada a cerca de  190 quilómetros a leste de Luanda, e conta com uma extensão territorial de 20.252 quilómetros quadrados.

 

Falta de dadores de sangue voluntários

 

O secretário provincial do Cuanza Norte da Cruz Vermelha de Angola (CVA), Salvador João Zumba, referiu que a falta de dadores benévolos está a dificultar a implementação de campanhas de doação de sangue para suprir as carências do mesmo nas unidades sanitárias da região.

Falando a propósito do  Dia Mundial do Dador de Sangue, assinalado no passado dia 14 de Junho, o responsável salientou que a CVA, enquanto parceira do governo, tem levado a cabo acções de mobilização para recrutamento de dadores mas, infelizmente, por motivos desconhecidos, não tem encontrado voluntários.

Referiu que presentemente “a CVA tem inscrito, na sua base de dados, 500 dadores benévolos, mas apenas pouco menos de 50 participam em acções de doação de sangue, promovidas pela instituição, enquanto a maioria recusa-se a participar, por alegada falta de apoio social”.

Para si, esta situação espelha bem a perda dos valores de solidariedade que antes caracterizava a sociedade angolana, quando os cidadãos encaravam a acção de doação de sangue como um acto de “salvar vidas”.

Esclareceu que, “até 1992, a CVA no Cuanza Norte tinha uma rede de dadores benévolos integrada  por 1.450 membros, dos quais  apenas restam 500, sendo que só 50 são dadores activos”.

 

 

 

 

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Hospital Municipal da Boa Entrada necessita de reabilitação profunda

 

Casimiro José

Correspondente no Cuanza Sul

Texto e fotografias

 

 

 O passado do Hospital Municipal da Boa Entrada não foi pacífico. Foram muitas as circunstâncias que prejudicaram a unidade, mas nunca suficientes para justificar o fecho das suas portas. Hoje em dia, são 12 mil os habitantes que acedem aos seus serviços e estão a ser realizadas obras de recuperação das áreas mais importantes do hospital.

 

n A unidade hospitalar situada na antiga Companhia Angolana da Agricultura (CADA) foi construída em 1952, sendo uma unidade de referência para dar resposta a todas as solicitações. Actualmente, serve um universo de 12 mil habitantes distribuídos pelas 19 comunidades da região e também os pacientes vindos da cidade da Gabela, sede do município do Amboim e de outras localidades como Quirimbo e Boa Viagem, estas duas últimas pertencentes ao município da Quilenda.

Na era colonial, tinha um estatuto de hospital regional. Manteve essa primazia assistencial até à década de 80, época em que só evacuava doentes para hospitais de referência de Luanda e do Huambo. Daí em diante começou a sentir os efeitos do conflito armado e, aos poucos, ficou à mercê dos ataques militares.

 

Sabotagem e conflito

 armado

Outro factor que destabilizou o Hospital Municipal da Boa Entrada foi a sabotagem protagonizada por desconhecidos que danificaram os equipamentos de radiologia, cirurgia, ortopedia e laboratórios. O velho hospital apresenta ainda instalações com uma excelente estrutura arquitetónica e durante muitos anos os serviços aí prestados eram comparados com outras unidades de referência do país.

Com o conflito armado, o Hospital Municipal da Boa Entrada começou a qualidade devido ao abandono do corpo clínico, na sua maioria, médicos expatriados que tiveram de abandonar a área por razões de segurança. Começava a desenhar-se um cenário desolador para a unidade hospitalar. Mesmo com o abandono do corpo clínico, o Hospital Municipal da Boa Entrada nunca fechou por completo as suas portas, mantendo um funcionamento razoável. As suas estruturas apresentam cansaço, a reclamar por uma reabilitação profunda, principalmente do tecto que não resiste às águas das chuvas.

 

Mãos atadas

Com a conquista da paz, em 2002, a unidade hospitalar deu um ar da sua graça, com a prestação de serviços à altura das suas possibilidades.  As autoridades locais estão preocupadas com o factual cenário que apresenta o hospital, mas estão de mãos “atadas”, porque a sua recuperação está fora do seu alcance, dada a envergadura da obra. Por esse motivo, remeteram a resolução do problema às estruturas centrais.

O Administrador municipal do Amboim, Francisco Mateus, em declarações ao Jornal da Saúde, afirmou que “a administração está actualmente empenhada na elaboração do quadro orgânico da unidade hospitalar que vai ser remetido aos órgãos competentes”. Adiantou que, apesar de ser uma unidade orçamentada, “os valores alocados ao Hospital Municipal da Boa Entrada não satisfazem as necessidades, dada a sua dimensão, ao mesmo tempo, que não permite contratar médicos ou técnicos de saúde para fazer a cobertura”.

 

Funcionamento actual

do hospital

A directora do hospital, Ana Maria Epalanga, disse ao Jornal da Saúde que o estado em que se encontra a unidade hospitalar diminuiu a sua capacidade de atendimento, embora vá funcionando de forma razoável, prestando serviços de medicina geral, pediatria, maternidade, puericultura e pequenas cirurgias. Muitos casos são transferidos para a sede municipal por falta de equipamentos. Ainda assim e mesmo com as enfermarias de medicina inoperantes, o hospital tem 65 camas para internamento.

“O quadro de pessoal técnico é irrisório. Estão em serviço efectivo, um médico e 25 enfermeiros de vários escalões, faltando pessoal auxiliar”, declarou a responsável. O hospital “está a reestruturar-se com a aquisição de equipamentos, no quadro do Programa dos Cuidados Primários de Saúde, cuja recuperação se afigura como uma tarefa inadiável para a unidade sanitária servir as populações”, garantiu.

Ana Maria Epalanga considerou que há esperanças para dias melhores, a julgar pelos esforços que a administração do município do Amboim está a desenvolver em prol da recuperação do hospital. “A realidade actual é promissora, porque estamos a realizar obras paliativas, à altura das nossas capacidades, para recuperarmos áreas mais importantes do hospital”, garantiu.

Fez ainda saber que a unidade hospitalar está erguida numa região com excelentes condições climáticas que, com a sua reabilitação, pode servir para serviços de especialidade ao nível da província e do país, apelando no sentido da sua reabilitação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Inaugurado Centro Neurocirúrgico.

Crianças angolanas com hidrocefalia beneficiam de melhores condições de tratamento

 

Rui Moreira de Sá

com Francisco Cosme

 

Ana Paula dos Santos, na sua qualidade de Presidente da Fundação Lwini, inaugurou este mês o Centro Neurocirúrgico e de Tratamento à Hidrocefalia. Na ocasião, destacou o trabalho da instituição a que preside, agradeceu aos médicos e à BP Angola "um dos patrocinadores fiéis às causas sociais do país".

 

n Um Centro Neurocirúrgico e de Tratamento a Hidrocefalia (CNCTH) foi inaugurado a 30 de Junho, em Luanda, pela presidente da Fundação Lwini, Ana Paula dos Santos, com o objectivo principal de promover a melhoria das condições cirúrgicas correctivas às crianças com espinha bífida e hidrocefalia.

A unidade de saúde vai realizar 10 mil consultas e 1.500 cirurgias por ano a crianças portadoras de dois tipos de hidrocefalia – obstrutiva e não obstrutiva. Conta com 40 camas, duas salas operatórias de rotina e uma para casos infecciosos, três consultórios, um laboratório clínico, duas salas de internamento, dois berçários, espaço de mobilidade psicomotricidade e estimulação sensorial, reservatório de gases, sala de pré-operatório, cuidados intensivos, biblioteca cirúrgica, e a área administrativa.

Ao intervir na cerimónia, Ana Paula dos Santos, destacou a acção social da Fundação Lwini de “juntar-se a pessoas com objectivos sérios e sem medo de trabalhar para poder ajudar o próximo”, facto que levou a instituição ao médico Mayanda Inocente, na sua luta para que este centro se tornasse de referência. Agradeceu aos médicos e aos apoiantes, nomeadamente a BP Angola “um dos patrocinadores fiéis às causas sociais do país”.

O apoio da BP Angola, e seus parceiros do bloco 31, traduziu-se num investimento de USD 680 mil, durante 2013-2014, o que permitiu ao Centro adquirir equipamento médico e ministrar formação adequada aos profissionais de saúde.

 

Orientação emanada pelo Presidente da República

Por sua vez, o ministro da Saúde, José Van-Dúnem, afirmou que a inauguração do centro significa uma grande vontade que existe dentro de cada angolano em poder dar uma oportunidade para se oferecer cada vez mais e melhores serviços de saúde as populações, para se dar uma grande resposta a esta patologia que é a espinha bífida e hidrocefalia.

Destacou o trabalho da Associação de Espinha Bífida e Hidrocefalia em Angola que se uniu voluntariamente para ajudar na resolução dos problemas das crianças que padecem desta doença e respectivas famílias. Na lista de espera para a cirurgia constam 2.869 crianças.

“Para cumprir uma orientação emanada pelo Presidente da República, no seu apelo dirigido a nação com vista ao aumento da solidariedade no país, a Fundação Lwini juntou-se à Associação para criar o elo de ligação com vários doadores para criar condições hospitalares e estruturais que permitiram com que surgisse esta instituição”, concluiu.

Estado poupa

O director do Centro de Neurocirúrgico e de Tratamento a Hidrocefalia, o cirurgião Mayanda Inocente, adiantou que prevê realizar cerca de 10 mil consultas e 1.500 cirurgias por ano, “meta que fará com que o Estado poupe cerca de vinte milhões de dólares”.

Na unidade de saúde poderão ser operados dois tipos básicos de hidrocefalia. A obstrutiva (não comunicante) causada por bloqueio no sistema ventricular do cérebro que impede que o líquido cefalorraquidiano (LCR) flua devidamente pelo cérebro e a medula espinhal. A não-obstrutiva (comunicante) resulta do aumento da produção do LCR, ou diminuição da reabsorção.

 

O que é a hidrocefalia

 

Hidrocefalia é, de forma genérica, a acumulação de líquido cefalorraquidiano (LCR) no interior da cavidade craniana (nos ventrículos ou no espaço subaracnóideo), que por sua vez, faz aumentar a pressão intracraniana sobre o cérebro, podendo vir a causar lesões no tecido cerebral e aumento e inchaço do crânio.

É um problema de saúde que, na maior parte das vezes, está associado ao aparecimento da espinha Bífida. O líquido cefalorraquidiano passa, no cérebro, de um ventrículo para o seguinte (existem, ao todo, quatro) através de canais relativamente estreitos, circulando depois na superfície do cérebro e sendo, finalmente, absorvido pelo sistema sanguíneo. Existe ainda uma parte do líquido que circula ao longo da medula espinhal.

Ora, a acumulação já referida de LCR no interior da cavidade craniana dá-se quando, por qualquer razão, existe uma obstrução à drenagem do líquido para o sistema sanguíneo.

 

 

 

 

 

 

 

 

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