MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Rui Moreira de Sá

Director Editorial

direccao@jornaldasaude.org

Na saúde é assim: quanto mais souber, mais ela melhora

 

Para esta edição, preparámos um conjunto de matérias, algumas com base em entrevistas a especialistas, que julgamos ser do maior interesse para o leitor interessado em melhorar a sua saúde e para o profissional se manter actualizado nas áreas que não são da sua especialidade.

O tema de capa – as queimaduras – reflecte uma realidade que nos é próxima por ser tão frequente. Lamentavelmente, as condições em que vive a maioria da população são propícias a originar acidentes desta natureza, sejam provocados por choques eléctricos, ou por água a ferver, explosões de botijas de gás, velas, enfim uma infinidade de causas. Ainda assim, há precauções que os cidadãos – mesmo das camadas mais desfavorecidas – podem tomar para evitar as ocorrências, principalmente em crianças que são as maiores vítimas.   Em Luanda, o hospital que em primeira linha acolhe os queimados é o Neves Bendinha. Apesar das dificuldades, atende cerca de 20 acidentados por dia e interna seis, para além da prestação de cuidados primários, consultas e urgências em outras áreas, conforme nos relatou a sua directora, Lídia Dembi.

Pedro Albuquerque fala-nos das principais doenças do foro oftalmológico, recomenda a consulta regular a um oftalmologista e defende a tese de que é possível diminuir muitas perdas de visão em Angola caso o país possua mais especialistas pediátricos, de forma a detectar-se precocemente cataratas congénitas em crianças que podem ser operadas até aos três meses de idade. Fique ainda a saber como prevenir as conjuntivites.

As razões que levam os jovens a consumir álcool, drogas e a abraçar a criminalidade é um tema central na sociedade actual. Angola não é excepção. Fomos saber a opinião dos cidadãos e consultámos uma especialista, a psiquiatra Fausta Sá Vaz da Conceição. Aqui ficam algumas pistas para reflexão e investigação posterior.

A problemática da resistência aos antibióticos é abordada nesta edição com um artigo da autoria de três investigadores do CISA.

Finalmente, saiba também quais os exercícios para manter o seu cérebro jovem e activo, os benefícios de uma boa noite de sono e as propriedades e efeitos do limão na saúde.

 

 

 

Voltar

 

 

 

A representante do UNFPA em Angola, Florbela Fernandes, entrega o diploma a uma das profissionais de saúde, Angelina Domingas da Silva. Na mesa do presidium, o director da DNSP, Miguel de Oliveira, a representante da PSI Angola, Anya Fedorova (na imagem) e a directora da Maternidade Lucrécia Paím, Adelaide Carvalho

Com vista à redução de gravidezes não desejadas.

Técnicos de saúde concluem curso de planeamento familiar

 

 Angola passou a contar com mais 11 técnicos de saúde habilitados com conhecimentos teóricos e práticos sobre os diferentes métodos modernos de planeamento familiar, em particular nas práticas de inserção e remoção de implantes e do dispositivo intra-uterinos (DIU), vulgarmente conhecido como “mola”, após terem concluído com sucesso a respectiva acção de formação.

 

O curso “Capacitação / Refrescamento de Formadores em Planeamento Familiar”, com a duração de dez dias, decorreu na maternidade Lucrécia Paím, em Luanda, e foi promovido pela Direcção Nacional de Saúde Pública (DNSP), em parceria com Population Services International (PSI) e o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA).

De acordo com o director da DNSP, Miguel dos Santos Oliveira, “esta formação enquadra-se nos esforços do Ministério da Saúde (MINSA) para que o planeamento familiar seja visualizado como uma importante estratégia para a redução da morbilidade e mortalidade materna e infantil, permitindo o crescimento socioeconómico das famílias e do país”.

O curso é resultado da parceria do MINSA com o Projecto de Saúde da Mulher (PSM) que está a ser implementado pela PSI/Angola, desde Janeiro de 2016, com término previsto para Dezembro de 2018. O PSM tem como principal objectivo contribuir para a redução da mortalidade materna, através do apoio nas acções implementadas para a redução do número de gravidezes não desejadas, por via do reforço da promoção do planeamento familiar.

  A cerimónia de encerramento, no dia 1 de Julho, presidida pelo director da DNSP, Miguel dos Santos de Oliveira, contou com a participação da directora da maternidade Lucrécia Paím, Adelaide de Carvalho, a representante do UNFPA em Angola, Florbela Fernandes e a representante da PSI Angola, Anya Fedorova.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

As técnicas de saúde que concluíram o curso com aproveitamento estão agora mais capacitadas na área do planeamento familiar

Através da Hospitec.

Johnson & Johnson relança a distribuição da marca em Angola

 

Francisco Cosme

com Rui Moreira de Sá

 

A Johnson & Johnson procedeu ao relançamento da distribuição da sua marca em Angola, pela mão da Hospitec, num evento realizado em Luanda, no final de Julho, que contou com a presença de largas dezenas de convidados, entre médicos, responsáveis da saúde e corpo diplomático.

 

Na ocasião, o director executivo dos dispositivos médicos da Johnson & Johnson para África, Christopher Norman, defendeu que é “em momentos difíceis que se deve apostar mais na saúde das populações, e Angola não é excepção”.

O director da CECOMA, Boaventura Moura, que falava em representação da Secretária de Estado da Saúde, saudou “o regresso dos produtos com a marca Johnson & Johnson ao território nacional e reconheceu “os esforços e a confiança desta empresa e da distribuidora Hospitec”.

O responsável da Hospitec, Pedro Perino, salientou que o mercado angolano pode esperar da sua empresa a continuidade de um bom serviço, a formação de mais profissionais, e uma maior aposta no capital humano em várias áreas da medicina.

Durante o evento, o JS falou com alguns dos médicos presentes. Para o ortopedista especialista em cirurgia do joelho e traumatologia desportiva, Alberto Lemos, “já trabalhei com os produtos da Johnson & Johnson, utilizei-os em intervenções cirúrgicas da anca, durante muitos anos, fiz artroplastia e considero as próteses da Johnson de boa qualidade”. Este profissional considera que “o relançamento da Johnson & Johnson em Angola foi uma grande iniciativa da Hospitec, porque sendo uma das melhores empresas do mundo é uma mais-valia para o país, sobretudo para o sector da saúde”.

Também para o cirurgião especialista em ginecologia e obstetrícia, Sérgio Delegado Travessio, “conheço perfeitamente os produtos da marca, desde a minha actividade em Havana, e são os melhores. Até ao momento não existe nenhuma outra marca no mundo que esteja à altura de concorrer com a Johnson & Johnson em todos os seus aspectos”. O médico entende que “o relançamento desta marca em Angola é muito proveitoso, porque a classe médica precisa de produtos com grande qualidade, como fios de sutura, drenos e reservatórios, hemostáticos e outros, que fazem falta no mercado, e até agora eram adquiridos na Europa, ou fornecidos por revendedores que os importavam, o que obrigava os pacientes a pagarem tratamentos mais caros”.

Entre outros, a Johnson & Johnson disponibiliza equipamentos para esterilização a baixa temperatura, desinfecção, neurocirurgia, artroscopia, coluna, traumatologia, maxilo-facial, cirurgia, ortopedia com próteses artificiais para cirurgias da anca e joelho, infertilidade, histeroscopia, urologia e sistema de fechamento da pele (Dermabond).

Na cerimónia estiveram ainda presentes, a responsável comercial da embaixada dos EUA, Júlia Guerreiro, o director regional da companhia, Bassem Bibi e o director em Angola e Palops, Miguel Martins.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

A cerimónia de comemoração do 5º aniversário da Labconcept contou com uma vasta e interessada participação de médicos e outros técnicos de saúde

LABCONCEPT Cinco anos a inovar

 

 

Francisco Cosme dos Santos com Eileen Barreto

 

A Labconcept procura continuamente produtos inovadores na área da saúde, de modo a trazer para Angola meios de diagnóstico e tratamento de ponta, contribuindo assim para o crescente desenvolvimento das técnicas dos seus clientes, bem como para a formação dos quadros. Em declarações ao JS por ocasião da comemoração, este mês de Julho, do seu 5º aniversário, o director técnico e de qualidade, Carlos Vicente, revelou os pilares em que assenta o sucesso desta empresa do sector da saúde: serviços modernos que permitem que os produtos cheguem rapidamente e com segurança aos clientes e a sua proximidade às comunidades, através do trabalho e dedicação de uma equipa técnica especializada.

 

Carlos Vicente lembrou que a Labconcept entrou no mercado da comercialização e distribuição de equipamentos hospitalares, “com o objectivo de trazer para Angola marcas de qualidade em equipamentos e serviços, colmatando assim as fragilidades e indo ao encontro das necessidades do mercado”.

Realçou ainda as parcerias estabelecidas entre a Labconcept e destacadas marcas internacionais como a Abbott, Analyticon, R-Biopharma, Medec, Alere, Atlanticonceito entre outras, “que têm vindo a contribuir para a segurança e qualidade dos procedimentos na área laboratorial e nos bancos de sangue”.  O diagnóstico laboratorial é o ponto principal e exacto para um bom diagnóstico e consequente tratamento por parte do profissional de saúde. “A aposta nesta área permite antecipar e agir de acordo com o necessário, permitindo ao doente um tratamento adequado e ajustado”, garantiu. Os bancos de sangue têm sido uma das grandes preocupações da empresa, à qual tem dedicado grande parte do seu trabalho, conforme o JS tem relatado. “Uma transfusão exige segurança e qualidade e com os equipamentos que comercializamos temos conseguido passar essa segurança para os profissionais da área, garantido um serviço de excelência”, assegurou o director.

Carlos Vicente recordou que a Labconcept surgiu da da iniciativa de três mentores, com o objectivo de desenvolver uma actividade que, para além da comercialização de medicamentos de qualidade, contemplasse a distribuição de produtos e equipamentos laboratoriais e hospitalares, com destaque para as áreas ortopédica e endoscópica, incluindo a prestação de serviços complementares de formação, consultoria e assistência técnica. Avançou que a Labconcept pretende agora investir em duas áreas distintas como a da microbiologia e a do controlo da qualidade das empresas alimentares e de produção de águas.

Entre outras individualidades, marcaram presença na comemoração do 5º aniversário da Labconcept, em Luanda, médicos, profissionais de saúde do sector público e privado, clientes, parceiros e convidados de outras áreas.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Anualmente, 700 mil pessoas morrem por infecções por microorganismos resistentes.

Consumo de antimicrobianos – um problema negligenciado? O CISA procura respostas

 

Joana Cortez1, Carlos Mayer2, Miguel Brito1,3

1 – Centro de Investigação em Saúde de Angola (CISA), Caxito, Bengo, Angola; 2 - Hospital Geral do Bengo, Caxito, Angola; 3 - Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, Instituto Politécnico de Lisboa, Portugal

 

A resistência aos antimicrobianos ocorre mundialmente, comprometendo o tratamento das doenças infecciosas e prejudicando muitos outros avanços na saúde e medicina. Recentemente, o jornal The Economist alertou para o facto de ser uma das maiores ameaças à saúde global: anualmente, 700 mil pessoas morrem por infecções por microorganismos resistentes e, em 2050, podem atingir os 10 milhões1. Os custos associados são elevados e estão relacionados com a maior falência terapêutica, tempos de tratamento e internamentos mais prolongados.

 

Resistência aos antimicrobianos

 

A resistência aos antimicrobianos é um fenómeno que ocorre de forma natural. No entanto, o incorrecto manuseamento de antibióticos nos humanos e animais está a acelerar este processo2. Os hospitais em países de renda baixa e média (LMICs) funcionam como foco de infecções nosocomiais e os antibióticos de primeira linha (tais como a ampicilina e a gentamicina) já não são eficazes em cerca de 70% dos casos3. Este fenómeno pode levar a um aumento irracional na utilização de antibióticos de largo espectro. Combater a resistência aos antimicrobianos é uma prioridade na agenda da Organização Mundial da Saúde (OMS), que inclui campanhas de sensibilização para a boa prática na utilização antimicrobiana pelo público, decisores políticos, profissionais de saúde e de veterinária. A resistência da Salmonella enterica serovar Typhi aos antibióticos de primeira linha está a emergir na África Central4. Não só as estirpes MDR (multidrug resistent – co-resistência à ampicilina, cloranfenicol e trimetoprim / sulfametoxazol), assim como as estirpes com sensibilidade diminuída à ciprofloxacina, têm sido relatadas na S. typhy e Salmonella não-typhi 4,5,6,7. Um genótipo distinto de Salmonella enterica var Typhimurium, ST313, emergiu como uma nova estirpe patogênica na África subsaariana, e poder-se-á ter adaptado, para causar doença invasiva em seres humanos. Esta estirpe multirresistente tem causado epidemias em vários países africanos e impulsionado o uso de antibióticos caros nos mais pobres serviços de saúde do mundo 8.

 

Angola não é excepção

 

Em contraste com a Europa e outras regiões, os dados de uso de antimicrobianos nos LMICs são escassos e Angola não é excepção. Em Luanda, a prevalência de Staphylococcus aureus meticilina-resistente em infecções associadas aos cuidados de saúde é superior a 60% e, actualmente, uma das mais altas na África Subsariana. Na população pediátrica pode até mesmo chegar a 82,4% 9,10.

 

Resistência aos antimaláricos

 

Para além da resistência aos antibióticos, a resistência aos antimaláricos, nomeadamente aos regimes com combinações de artemisina (ACTs) é uma ameaça crescente em território angolano. Um caso clínico recente descreveu um doente com malária a regressar de Luanda a uma região não-endémica no Vietname com má resposta ao artesunato endovenoso, assim como à dihidroartemisina-piperaquina11. Estudos moleculares de genes de resistência feitos na Província do Bengo revelaram que a frequência de polimorfismos pfmdr1 no Plasmodium (marcador molecular de resistência a antimaláricos) foram diferentes dos observados em Luanda, assim como a dominância do alelo N86, presente em mais de 80% das infecções por Plasmodium falciparum 12. Este cenário pode atrasar a fase de pré-eliminação da malária que Angola ambiciona para os próximos 5 anos 13.

 

Sistema de Vigilância de Morbilidade

 

O Sistema de Vigilância de Morbilidade (SVM) é uma plataforma, estabelecida em 2010 no CISA (Centro de Investigação em Saúde de Angola), para a recolha e análise sistemática de informação clínica da população, em idade pediátrica, que é atendida no Hospital Geral do Bengo (HGB). Dados colhidos desde Agosto de 2010 até Maio de 2013 revelaram que a prescrição antibiótica, de forma empírica, em crianças diagnosticadas com malária foi feita com amoxicilina (24,2%), ceftriaxone (20,4%), ampicilina (12,9%) e ciprofloxacina (7%). As crianças diagnosticadas com gastroenterite aguda foram prescritas com co-trimoxazole (42,5%), ceftriaxone (15,7%), amoxicilina (14,8%) e metronidazole (5,5%). As crianças diagnosticadas com infecção respiratória superior foram prescritas com amoxicilina (41,2%), cotrimoxazol (23,6%) e 23,6% com amoxicilina/ácido clavulânico. As crianças a quem foram diagnosticadas infecções do trato respiratório inferior, cerca de metade, 53,1%, foram medicadas com amoxacilina, 14.3% com ampicilina, 12.2% com ceftriaxone e 9.1% foi medicada com penicilina. De acordo com um relatório da OMS14, o consumo de antibióticos é excessivo, principalmente em LMICs, onde até 42% das pessoas revelaram consumir antibióticos, de qualquer classe terapêutica no último mês, comparativamente a 29% das pessoas que vivem em países de elevada renda.

O CISA planeia actualizar no decorrer da 10ª ronda do Sistema de Vigilância Demográfica, implementado no Município do Dande, os dados referentes ao consumo comunitário de antimicrobianos. Com isto, espera que possa ser parte integrante de uma nova linha de investigação na área da antibioterapia, sépsis e choque séptico.

Os estudos sobre a resistência aos antimicrobianos, nas suas diversas componentes, terão impacto na política pública sensata de reservar novos fármacos para emergências, e eventualmente levarão à investigação de novas moléculas por parte das indústrias farmacêuticas.

 

Referências bibliográficas:

1 – The Economist May 21st 2016 When the drugs don´t work

2 -  Holmes AH, Moore LS, Sundsfjord A, Steinbakk M, Regmi S, Karkey A, Guerin PJ, Piddock LJ. Understanding the mechanisms and drivers of antimicrobial resistance. Lancet. 2016 Jan 9;387(10014):176-87.

3 - Erika Vlieghe. The First Global Forum on Bacterial Infections calls for urgent action to contain antibiotic resistance. Expert Rev. Anti Infect. Ther. 10(2), 145–148 (2012).

4 - Lunguya O et al. Salmonella Typhi in the Democratic Republic of the Congo: Fluoroquinolone decreased susceptibility on the rise. PLoS 2012;6(11):e1921.

5 - Phoba MF et al. Multidrug-Resistant Salmonella enterica, Democratic Republic of the Congo. Emerg Infect Dis. 2012 October; 18(10): 1692–1694

6 - Parry CM. Antimicrobial resistance in typhoidal and non-typhoidal salmonellae. Current Opinion in Infectious Diseases 2008,21:531-538

7 - Lunguya O et al. Antimicrobial Resistance in Invasive Non-typhoid Salmonella from the Democratic Republic of the Congo: Emergence of Decreased Fluoroquinolone Susceptibility and Extended-spectrum Beta Lactamases. PLoS 2013;7(3):e2103

8 - Feasey NA et al. Invasive non-typhoidal salmonella disease: an emerging and neglected tropical disease in Africa. Lancet. 2012 June 30; 379(9835): 2489–2499.

9 - Conceição, T., C. Coelho, I. Santos-Silva, H. de Lencastre, and M. Aires-de-Sousa (2014). Epidemiology of methicillin-resistant and -susceptible Staphylococcus aureus in Luanda, Angola: first description of the spread of the MRSA ST5-IVa clone in the African continent. Microb. Drug Resist. 20:441–449.

10 - Conceição, T., C. Coelho, I. Santos Silva, H. de Lencastre, and M. Aires-de-Sousa (2015). Staphylococcus aureus in former Portuguese colonies from Africa and the Far East: missing data to help fill the world map. Clin. Microbiol. Infect. 21:842.e1–842.e10

11 - Van Hong N, Amambua-Ngwa A, Tuan NQ, do Cuong D, Giang NT, Van Dung N, et al. Severe malaria not responsive to artemisinin derivatives in man returning from Angola to Vietnam. Emerg Infect Dis. 2014;20:1199–202.

12 - Fancony C, Gamboa D, Sebastiao Y, Hallett R, Sutherland C, Sousa-Figueiredo JC, et al. Various pfcrt and pfmdr1 genotypes of Plasmodium falciparum cocirculate with P. malariae, P. ovale spp., and P. vivax in northern Angola. Antimicrob Agents Chemother. 2012;56 (10):5271–7.

13 - Fançony et al. Malar J (2016) 15:74.

14 – WHO 2015. Antibiotic Resistance: Multi-country public awareness survey.

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Dormir bem 'reinicia' o cérebro e é essencial para criar novas memórias

 

 A falta de descanso leva a que as ligações neuronais no cérebro fiquem sobrecarregas de atividade elétrica, a ponto de impedir a retenção de novas informações.

 

Cristoph Nissen, psiquiatra da Universidade de Friburgo, liderou um estudo que demonstra pela primeira vez que dormir bem tem um impacto significativo na atividade do nosso cérebro ao longo do dia. Descansar é decisivo para que o cérebro "reinicie" as ligações neuronais para que, no dia seguinte, seja capaz de assimilar nova informação e criar novas memórias.

Quando não se dorme o tempo suficiente, a atividade cerebral torna-se instável, o que provoca um aumento da atividade elétrica e um bloqueio no mecanismo que possibilita às ligações neuronais "reiniciarem". Estas consequências traduzem-se numa maior dificuldade para reter novas memórias.

Cristoph Nissen mostra-se entusiasmado com a sua descoberta, que abra a porta a novos estudos sobre o tratamento de doenças do foro psiquiátrico. Uma das terapias mais eficazes na depressão é da privação do sono, que permite restabelecer as conexões mentais do paciente. O estudo mais recente permite uma compreensão mais profunda sobre o assunto e pode ser adaptado para oferecer melhores tratamentos aos doentes psiquiátricos.

Em declarações ao jornal The Guardian, o especialista afirma que o estudo ilustra "a importância do sono na atividade cerebral e como este não é um desperdício de tempo".

Os resultados são importantes para a Hipótese da Homeostase Sináptica, teorizada pela Universidade de Wisconsin-Madison em 2003, que explica porque é que o nosso cérebro necessita de descansar depois de estar um dia inteiro a processar o mais variado tipo de informações. A hipótese sustenta que, quando estamos acordados, as sinapses – zonas ativas de contacto entre uma terminação nervosa e outros neurónios - fortalecem a ligação entre as nossas células cerebrais, e que estas vão ficando saturadas com a informação absorvida ao longo do dia. O processo consome muita da nossa energia e o cérebro sente necessidade de descansar, de modo a consolidar as memórias e a estar pronto para o dia seguinte.

Na publicação Nature Communications, Nissen descreve a série de testes feitos a 11 indivíduos que foram obrigados a permanecer acordados. Depois utilizou pequenos choques elétricos para fazer disparar a atividade cerebral e percebeu que, quando estamos privados de sono, um pequeno choque é suficiente para os nossos músculos se mexerem, uma prova de que o cérebro se encontra num estado de excitação.

De seguida, Nissen virou-se para a estimulação cerebral com o propósito de copiar a forma como os neurónios disparam quando estão a criar memórias. E constatou que é mais difícil fazer com que os neurónios respondam em pessoas que não tenham descansado o suficiente.

Ao juntar estes dados, o líder do estudo chegou à conclusão que dormir ajuda o cérebro a acalmar e a preparar-se para criar memórias. Em contraste, nas pessoas privadas de sono o cérebro encontra-se num frenesim de atividade elétrica que bloqueia esse processo.

A descoberta poderá ser importante para explicar o porquê de ressonarmos, por exemplo, e pode também ajudar trabalhadores por turnos e militares que lidam com privação de sono a obterem novos medicamentos tendo em vista a normalização da atividade cerebral.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Jejum durante três dias pode regenerar sistema imunitário

 

Apenas três dias de jejum serão suficientes para rejuvenescer todo o sistema imunitário. A conclusão é de um novo estudo da Universidade da Califórnia.

 

Jejuar durante três dias leva o corpo a começar a produzir novos glóbulos brancos, mesmo em idosos. A conclusão é de um novo estudo da Universidade da Califórnia que descreve os resultados como "notáveis".

A investigação, que parece contrariar a ideia comum de que o jejum não é saudável, sugere que não comer "liga um interruptor regenerativo", que estimula as células estaminais a produzir as células que combatem as infecções.

A descoberta, acreditam os cientistas envolvidos, poderá beneficiar particularmente os doentes com sistemas imunitários comprometidos, como os que fazem quimioterapia, ou simplesmente os mais idosos.

Mas segundo Valter Longo, professor de Gerontologia e Ciências Biológicas da Universidade da Califórnia, as boas notícias não ficam por aqui: durante o processo do jejum, o organismo também descarta as partes do sistema imunitário que possam estar danificadas ou sejam ineficazes.

"Se temos um sistema [imunitário] fortemente danificado pela quimioterapia ou pelo envelhecimento, ciclos de jejum podem gerar, literalmente, um novo sistema imunitário", explica.

Durante a investigação, foi pedido aos participantes que jejuassem regularmente entre dois a quatro dias ao longo de um período de seis meses.

"Quando passamos fome, o sistema tenta poupar energia e uma das coisas que pode fazer para poupar energia é reciclar muitas das células imunitárias que não são necessárias, sobretudo as que possam estar danificadas", acrescenta o investigador. "O que começámos a reparar, tanto no trabalho com humanos como com animais, é que a contagem de glóbulos brancos desce com o jejum prolongado. Depois, quando recomeça a alimentação, as células voltam".

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Olimpíadas Rio 2016.

Os atletas estão cada vez mais velhos. Qual o segredo da longevidade no desporto?

 

Mais rápido, mais forte, mais alto e... mais velho. A idade média dos atletas olímpicos aumentou dois anos, de 1988 para 2016.

 

Kristin Armstrong ficou em primeiro lugar na prova de ciclismo de estrada, tem 43 anos; Anthony Ervin venceu o ouro nos 50 metros livre, tem 35 anos; a ginasta Oksana Chusovitina já participou em sete competições olímpicas, despediu-se no Rio, aos 41 anos. Das Olimpíadas de 1988 até 2016, a idade média dos atletas olímpicos passou de 25 para 27 anos, calculou o historiador olímpico, Bill Mallon.

A que se deve esta longevidade no desporto? António Veloso, professor na Faculdade de Motricidade Humana (FMH), onde é responsável pelo Laboratório de Biomecânica e Morfologia Funcional, aposta no conhecimento, como explicação. "Hoje em dia faz-se um enorme trabalho de prevenção das lesões, o que permite prolongar a carreira."

As lesões sempre foram o 'calcanhar de Aquilies' da alta competição. Quer as agudas, como a que aconteceu a Cristiano Ronaldo na final do campeonato da Europa, quer as de esforço, resultantes da sobrecarga dos treinos, como é o caso da fratura do pé que sofreu Nelson Évora. "A acumumulação de carga vai causando microlesões, a nível muscular, do tendão, dos ossos. A maior parte do problemas são as lesões crónicas", nota o especialista.

Para as evitar, é preciso otimizar o treino, conhecer as pequenas fragilidades de cada atleta e individualizar o treino. Tudo isto se tornou possível graças à evolução do conhecimento no desporto, com a ajuda das sofisticadas técnicas de imagiologia, como a ressonância magnética.

O tratamento das lesões também se tornou muito mais eficaz e célere, com a possibilidade de se usar fatores de crescimento que aceleram a regeneração de tecidos.

O especialista, que conhece bem o funcionamento dos gigantes do futebol mundial, dá o exemplo do clube Manchester City, em que cada jogador tem o seu próprio frigorífico, repleto de uma dieta ajustada às suas necessidades específicas. refere ainda aposta numa dieta direcionada para as necessidades de cada jogador. "Fazem-se análises ao sangue dos jogadores para se perceber que nutrientes lhes fazem mais falta. O que permite definir a alimentação mais adequada."

O fator económico também não será de desprezar nesta quetsão. Principalmente no que toca às olimpíadas. Uma maior profissionalização dos atletas também terá o seu peso no prolongamento das suas carreiras, permitindo-lhes continuar a viver do e para o desporto, pela casa dos vinte, dos trinta e até dos 40 adiante.

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Pedro Albuquerque

“Muitas perdas de visão podem ser evitadas em Angola”

 

Francisco Cosme dos Santos com Madalena Moreira de Sá

 

Em entrevista ao Jornal da Saúde, o chefe do departamento de oftalmologia do Hospital Militar Principal, Pedro Albuquerque, afirmou que muitas perdas de visão podem ser evitadas se Angola possuir o número desejável de especialistas pediátricos para detectar precocemente cataratas congénitas em crianças e estas serem operadas, no máximo, até aos três meses de idade. Além disso, é essencial que as pessoas consultem um oftalmologista regularmente e cultivem o hábito de fazer exames periódicos para saber o estado de saúde dos olhos.

 

Pedro Albuquerque salientou também que apenas um número muito reduzido de angolanos tem procurado os serviços oftalmológicos, “o que é muito preocupante”. No entanto, o maior problema encontra-se nas zonas não urbanas, onde existem poucos serviços desta especialidade e os preços praticados são muito altos. Como agravante, em áreas rurais onde não há nenhum especialista, “muitas pessoas são por vezes enganadas por falsos oftalmologistas cujos tratamentos são tradicionais e baseiam-se em práticas não recomendáveis”. É comum, por exemplo, “procederem à lavagem da vista das pessoas que padecem de uma doença oftalmológica com recurso a sal, água, urina e algumas ervas, chegando mesmo a introduzir a língua na córnea do olho”.

As principais causas das doenças oculares no país são as patologias congénitas não detectadas atempadamente, podendo resultar numa ametropia ou cegueira quase total, os traumas devido a agressões físicas e os casos de sarampo em crianças que, sem tratamento, podem contrair conjuntivites. Agravadas, estas provocam opacidade da córnea e, no limite, deficiência visual irreversível.

 

Principias doenças oculares

Actualmente, as doenças oftalmológicas que mais se registam em Luanda são, primeiramente, as conjuntivites, seguindo-se as ametropias (pessoas que têm erros de refracção; engloba a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, entre outras), o glaucoma – com incidências muito altas por falta de conhecimento acerca da doença e da história familiar – e, por último, as cataratas, as quais são frequentemente causadas por retinopatias diabéticas originadas pela diabetes, que muitos cidadãos têm contraído devido à ausência de uma alimentação equilibrada, ao sedentarismo e à prática regular de exercício físico.

 

Factores ambientais

Referiu também que as doenças do foro oftalmológico, principalmente as conjuntivites, com grande incidência anual na capital, serão contraídas com a mesma frequência na época do cacimbo, mas com maiores complicações devido ao fraco saneamento que se observa em Luanda.

Nas zonas periféricas, “as poeiras, as queimadas constantes de grandes quantidades de resíduos sólidos e a falta de higiene e de água nos municípios são tidos como os principais factores que contribuem para o desenvolvimento de doenças do foro oftalmológico, tais como as conjuntivites, que podem transformar-se numa ceratite, que origina a perfuração do globo ocular e a opacidade da córnea, podendo causar deficiência visual permanente”, advertiu.

 

As doenças que se curam e…as que não têm cura

De acordo com Pedro Albuquerque, “quase todas as doenças são passíveis de tratamento, embora possa não ser definitivo. Constituem excepções: as cataratas que têm cura definitiva mediante procedimento cirúrgico, o qual resulta na eliminação da opacidade da córnea e, consequentemente, na recuperação da visão; e o glaucoma que, por ser uma doença crónica, é incurável, podendo apenas ser controlada a sua progressão caso seja descoberta precocemente”.

Dentre as doenças do foro oftalmológico, “o glaucoma, não tendo cura, é uma das patologias que requerem cuidados urgentes, pois pode afectar a visão de forma irreversível”, alertou. A doença é caracterizada pelo aumento de tensão intra-ocular. “Na sua forma crónica, não dá dores nem outros sintomas que façam com que os pacientes se apercebam e procurem um médico, pelo que normalmente apercebem-se quando já estão a perder a visão. As cataratas e o glaucoma são patologias muito comuns em África, sendo esta última a principal causa de cegueira no mundo”, disse.

Entre os vários factores causadores de doenças oculares, encontram-se as retinopatias diabéticas, hipertensivas e outras que podem ser evitadas e tratadas, ainda que não de forma definitiva, se detectadas antecipadamente.

 

Quando fizer 40 anos

Não existe nenhuma idade mais propensa a desenvolver doenças oftalmológicas. No entanto, sabe-se que o glaucoma crónico e a catarata senil ocorrem mais frequentemente a partir dos 44 anos, fase em que determinadas patologias são mais frequentes. Assim, Pedro Albuquerque aconselha que, atingindo os 40 anos, a pessoa deve procurar imediatamente um oftalmologista para se submeter a uma observação correcta dos olhos, para não serem surpreendidos por alguma destas doenças no seu estado avançado.

Lembra ainda que, após o nascimento, as crianças devem ser observadas por um pediatra – e, depois do primeiro ano de vida e na idade escolar, por um oftalmologista – de forma a determinar se possuem alguma má formação congénita ou doença que possa ser operada nos primeiros meses de vida, já que as patologias como o glaucoma e a catarata congénita tornam-se mais difíceis de tratar com o crescimento.

 

Previna as conjuntivites

 

A conjuntivite é uma doença de rápida propagação e de fácil contágio. Assim, o médico oftalmologista apelou para que sejam seguidas algumas medidas simples de higiene que limitam o risco de transmissão.

 

Se for infecciosa, viral ou bacteriana:

- Lave as mãos frequentemente com sabonete e água quente, ou com álcool em gel;

-Evite tocar ou coçar os olhos;

- Limpe ao redor dos olhos várias vezes ao dia e lave as mãos a seguir;

- Não use o mesmo frasco de colírio para o olho infectado;

- Lave almofadas, toalhas e lençóis com água quente e detergente e não compartilhe os mesmos;

 

Se for alérgica:

- Lave o rosto e as mãos frequentemente;

- Evite frequentar locais húmidos e com muita gente;

- Não coce os olhos;

- Troque frequentemente fronhas das almofadas, toalhas de casa-de-banho e sabonetes, ou use toalhas de papel para limpar o rosto e as mãos;

- Enquanto tiver sintomas da doença, não partilhe esponjas ou produtos de beleza;

- Evite banhos de sol e levar crianças muito pequenas ao colo;

- Evite usar lentes de contacto durante este período.

 

Não existem vacinas para prevenir a conjuntivite, nem tratamentos que acelerem o processo de recuperação. O recomendável é, por isso, fazer compressas com água filtrada, ou soro fisiológico, e usar sempre produtos descartáveis – como algodão e gaze – e não usar panos ou toalhas. Ainda assim, Pedro Albuquerque alerta que, sempre que alguém observar uma reacção invulgar nos olhos, deve procurar imediatamente um oftalmologista. O especialista procederá à avaliação do problema e, no caso de se verificar uma patologia, aconselhará quanto ao tratamento mais adequado, evitando, assim, complicações ou sequelas permanentes.

Pedro Albuquerque tem o objectivo de realizar alguns estudos com grande abrangência sobre as patologias conjuntivas, de forma a detectar o principal agente patológico desta doença em Angola e definir um tratamento mais direccionado para a população.

 

Voltar

 

 

 

Quem é Lídia Dembi

Lídia Cavelho Dembi licenciou-se em medicina em 1991, na Universidade Agostinho Neto, em Luanda.  Fez a sua especialidade em Medicina Interna e Intensiva em 2002, no Hospital da Força Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, Brasil.

Foi funcionária do Ministério da Defesa Nacional e trabalhou 22 anos no Hospital Militar principal e Instituto Superior. Em Fevereiro de 2015 assumiu a direcção do Hospital Especializado de Queimados Neves Bendinha.

Lídia Dembi já tem 25 anos de licenciada e 15 anos de especialidade. Quando lhe perguntamos como perspectiva a sua carreira como médica, diz-nos que sente “o dever cumprido em termos de atendimento médico” e que tem feito “o máximo para transmitir a minha experiência ao longo desses anos aos mais novos médicos”. Mas “é claro que não deixo de me actualizar constantemente, participando em congressos internacionais, entre os quais no Brasil, para manter-me a par das inovações, fruto da dinâmica e avanço do saber científico que a medicina tem revelado nas últimas décadas” de forma a adquirir “mais conhecimentos para aplicar na saúde dos angolanos”.

 

Queimaduras: saiba como prevenir e cuidar

 

Francisco Cosme dos Santos com Eileen Barreto

 

“As crianças menores de cinco anos são as maiores vítimas de queimaduras, atingindo cerca de 80 por cento dos pacientes que recebemos nesta unidade”, garantiu a médica Lídia Dembi, directora do Hospital Especializado Neves Bendinha (HGENB), à reportagem do Jornal da Saúde.

 

De acordo com esta responsável, a maior parte dos casos de queimaduras tem origem em acidentes domésticos, sobretudo com líquidos ferventes, explosão de botijas de gás, choques eléctricos (as mais graves), queimaduras por chamas de velas em casa e desatenção por parte dos pais ou familiares que deixam as crianças sozinhas ou com menores.

Lídia Dembi recomenda assim a realização de campanhas de prevenção com conselhos úteis, através dos órgãos de comunicação social, no sentido de alertar e educar a população para os cuidados a terem nas práticas quotidianas. “A queimadura é um dos acidentes mais angustiantes que há, deixando sequelas e deformidades irreversíveis. Causa também elevados custos ao erário público, dado que os pacientes permanecem sob cuidados médicos por muito tempo devido às várias fases de tratamento que envolve, nomeadamente a recuperação volémica, balneoterapia com curativos extensos, cirurgias, recuperação nutricional, aspectos psicológicos e fisioterapia”.

De acordo com a directora, “não obstante a adaptação e melhoria das instalações, assentes no aproveitamento e infraestruturas já existentes na unidade de queimados, como o saneamento básico e as divisões internas, o hospital está ainda longe de possuir os padrões desejáveis para o funcionamento adequado de uma unidade hospitalar especializada e de referência em tratamento de queimaduras e de responder às necessidades da população”.

Também a localização não é privilegiada “por estar situado num bairro suburbano com deficiente saneamento básico, de acesso difícil, com buracos, mercados e paragens de táxis, causadores de uma enorme desordem, situação que tem dificultado de certa forma o trabalho com os doentes, principalmente porque os indivíduos vítimas de queimaduras perdem a sua barreira protectora que é a pele e ficam susceptíveis a infecções”, lamenta a responsável.

“O número de profissionais não é ainda suficiente tendo em conta os casos atendidos diariamente, provenientes de diversos municípios e distritos de Luanda”, diz.

 

São atendidos, em média, 20 doentes por dia vítimas de queimaduras

No entanto, o hospital atende, em média, 20 doentes vítimas de queimaduras por dia e  procede a seis internamentos diários, o que perfaz uma média de cerca de 600 a 700 doentes por mês. Note-se que, apesar de atender doentes vítimas de queimaduras, o hospital presta cuidados primários e realiza consultas externas e de urgência.

 “Tal como as outras unidades hospitalares, o HGENB também sentiu o aperto do surto de febre amarela e a malária. Dos 30 pacientes que atendia diariamente passou a receber entre 180 e 200, com mais de 100 internamentos por dia! Imagine-se a sobrecarga num hospital que só tem 90 camas”, desabafou Lídia Dembi. Neste momento estão internados no hospital cerca de 90 doentes, dos quais 56 são queimados. A taxa de mortalidade situa-se abaixo dos 20 por cento. “Estes óbitos não se devem ao atendimento hospitalar e sim à gravidade do trauma com o qual os pacientes chegaram ao hospital”, defendeu.

O Neves Bendinha possui nove especialidades entre as quais queimados, cirurgia plástica, cirurgia geral, cuidados intensivos, medicina, pediatria, pneumologia, dermatologia e otorrinolaringologia. Os serviços de queimados, medicina e pediatria são os mais procurados.

 

Esforço para proporcionar uma assistência de

qualidade às populações

A directora revelou ainda que, com a ajuda da Organização Não Governamental Kimbo Liombembwa, “o hospital tem evacuado algumas vítimas de queimaduras graves para a Alemanha pois o tratamento requer a doação de pele do próprio doente, sendo que, frequentemente, os enxertos não são possíveis, por desnutrição do paciente ou outras situações tais como a inexistência de pele sintética”. Ora, esta situação “obriga a que sejam evacuados para o exterior do país para aplicação de pele sintética, tratamento que esta unidade hospitalar não possui. Apesar destes casos extremos, o hospital faz cerca de quatro cirurgias de enxertia de pele por dia”.

“O hospital tem enfrentado problemas do ponto de vista financeiro que, julgo, não diferem dos outros hospitais do país”, acrescentou. “Os valores recebidos por parte do Governo, mesmo não sendo o desejável, têm possibilitado a compra de medicamentos, de material gastável e de outros equipamentos e temos feito os possíveis para minimizar as carências existentes e proporcionar uma assistência de qualidade às populações”, concluiu Lídia Dembi.

 

O que é uma queimadura?

 

Uma queimadura  é uma lesão da pele provocada por agentes térmicos, electricidade, substâncias químicas, atrito ou radiação. As queimaduras que afectam apenas a camada superficial da pele são denominadas superficiais ou de primeiro grau. Quando as lesões afectam também algumas das camadas inferiores são denominadas queimaduras de segundo grau. Quando todas as camadas de pele são afectadas denominam-se queimaduras de terceiro grau. Sempre que existirem lesões em tecidos mais profundos, como os músculos ou os ossos, denominam-se queimaduras de quarto grau.

Em todo o mundo, em cada ano, cerca de 11 milhões de pessoas recorrem a tratamento médico devido a queimaduras, das quais 300 mil morrem. O prognóstico a longo prazo depende essencialmente da extensão da queimadura e da idade da pessoa afectada.

 

Voltar

 

 

 

Queimaduras: saiba como prevenir e cuidar

 

A queimadura está entre os acidentes domésticos mais comuns e caracteriza-se por lesões nos tecidos que envolvem diversas camadas do corpo como a pele e suas camadas, cabelos, pelos, músculos e olhos, entre outros. São causadas pelo contacto directo com brasa, fogo, vapores quentes, sólidos superaquecidos ou incandescentes. Mas podem ser causadas também por substâncias biológicas (alforrecas); químicas (ácidos, soda cáustica e outros); emanações radioactivas (raios infravermelhos e ultravioletas) ou pela electricidade.

Portanto, as queimaduras podem ter origem térmica, química, radioactiva ou eléctrica. Saber diferenciar os tipos de queimadura é muito importante para que os primeiros socorros sejam realizados correctamente.

 

Tipos de queimaduras:

 

Queimadura de primeiro grau: a lesão atinge apenas a camada mais superficial da pele (epiderme), apresentando vermelhidão local, ardor, inchaço, calor local e dor. Pode ocorrer em pessoas que se expõem ao sol por tempo prolongado e sem proteção. Quando atinge grande parte do corpo é considerada grave.

Queimadura de segundo grau: a lesão atinge as camadas mais profundas da pele (derme). A característica deste tipo de queimadura é a presença de bolhas, inchaço e dor intensa. Como ocorre perda da camada superficial da pele, que protege contra a perda excessiva de água, pode ocorrer também perda de água e de sais minerais e provocar um quadro de desidratação grave. Esse tipo de queimadura pode ser causada pela exposição a vapores, líquidos e sólidos escaldantes.

Queimaduras de terceiro grau: neste tipo de queimadura, ocorre lesão de toda a pele, atingindo os tecidos mais profundos como os músculos. Curiosamente, este tipo pode não ser doloroso, já que as terminações nervosas que geram a dor são destruídas junto com a pele. A cicatrização geralmente é desorganizada. Normalmente requer a realização de cirurgias, com enxerto de pele retirada de outras partes do corpo.

 

Cuidados básicos com as crianças

 

As crianças menores de 5 anos correm mais riscos devido a vários factores como possuírem pele mais fina, menor tempo de reação, pouca agilidade e, principalmente, a curiosidade. Por isso, alguns cuidados devem ser observados:

- Não prepare alimentos quentes com a criança nos braços ou no colo

- Mantenha as crianças longe da cozinha, principalmente na hora da preparação das refeições. A maior parte das queimaduras causadas por líquidos superaquecidos ocorrem nesse intervalo de tempo

- Não deixe ao alcance das crianças substâncias inflamáveis utilizadas para limpeza, como o álcool. Guarde-as em local seguro. Por produzirem chama, quando em combustão, essas substâncias servem de atractivo para as crianças, especialmente na época de festas

- Não deixe crianças soltar fogos de artifício, principalmente do tipo explosivo. Além das queimaduras, eles causam lesões graves nas mãos, nem sempre passíveis de recuperação

- Não deixe fios e tomadas descobertos porque podem causar lesões graves nas mãos e boca das crianças

- Não as deixe próximas de velas

- Não exponha a criança ao sol por muito tempo, principalmente entre as 10 e as 15 horas.

Crianças abaixo de 1 ano

- Não segure a criança no colo enquanto estiver ingerindo líquido quente ou cozinhando

- Evite aquecer o biberon ou os alimentos no forno de micro-ondas, pois o aquecimento não é uniforme

- Teste a água do banho com o dorso da mão ou com termómetro, antes de molhar a criança

- Mantenha objectos aquecidos, como ferros de passar e pranchas de cabelo, além de cigarros, longe do alcance da criança

- Mantenha produtos de limpeza fora do alcance das crianças

- Use protector nas tomadas elétricas

Crianças com idade

entre 1 e 3 anos

- Nunca deixe a criança sozinha na banheira. Elas podem ligar a água quente, cair ou afogar-se rapidamente

- Ensine a criança a não puxar objectos como toalha de mesa, fios e outros

- Deixar os cabos das panelas voltados para o lado interno do fogão. Não permitir a presença de crianças próximas ao fogão e churrasqueiras

Crianças com idade

entre 3 e 5 anos

- Nessa idade, elas podem começar a ser treinadas na prevenção de incêndios e queimaduras pois já têm idade para reconhecer o som de um detector de fumaça

- Use apenas isqueiros com dispositivo protetor de acendimento acidental

- Ensine à criança as diferenças entre brinquedo e palito de fósforo

Crianças com idade

entre 5 e 12 anos

- Planeie e pratique as saídas em caso de incêndio

- Converse sobre a segurança na cozinha

- Ensine-as como usar o micro-ondas, forno eléctrico e aquecedores

- Mantenha líquidos inflamáveis fora de vista e de acesso

 

 

Cuidados Gerais

 

- Evite fumar, principalmente deitado

- Utilize cinzeiros fundos e com proteção lateral

- Em queimaduras eléctricas, retire o fio da tomada ou desligue a energia geral. Nunca toque na vítima enquanto ela estiver em contacto com a eletricidade. Toda vítima de queimadura eléctrica deve ser levada ao hospital

- Evite manipular álcool próximo a cigarros, charutos, fósforos acesos, churrasqueiras e fogueiras

- Não utilize álcool líquido diretamente sobre o fogo, na forma de jato, devido ao risco de explosão

- Investigue vazamentos de gás. Feche a válvula da botija antes de sair de casa e antes de ir dormir

- Mantenha a botija de gás longe do calor directo e sempre na vertical

- Nunca considere uma queimadura um acidente sem importância

- Fogo e bebida não combinam. Evite.

 

O que NÃO fazer em caso de queimadura

 

- Nunca aplique produto caseiro como sal, açúcar, pó de café, pasta de dente, pomadas, ovo, manteiga, óleo de cozinha ou qualquer outro, pois eles podem complicar a queimadura e dificultar um diagnóstico mais preciso. As soluções caseiras para diminuir a dor e a ardência das queimaduras podem piorar e até causar infecção no local atingido

- Não tente tratar a vítima sem ter o conhecimento médico-científico necessário para a cura da lesão

- Não aplique gelo diretamente sobre o local, pois isso pode piorar a queimadura

- Se houver roupa colada na região da queimadura, não remova. Limite-se a cortá-la ao redor da lesão

- Nunca fure as bolhas

- Não demore em pedir auxílio especializado, em caso de dúvida, procure sempre o hospital. Quando mais tardio for o início do tratamento, pior. Queimaduras na face, genitália, mãos e pés são sempre consideradas graves, devendo ser procurado atendimento hospitalar imediatamente

- Evite também pomadas ou remédios naturais, assim como qualquer medicação que não for prescrita por médicos

- Em caso de ingestão de produtos cáusticos ou queimaduras em boca e olhos, lavar o local com bastante água corrente e procurar atendimento médico imediato

- Não toque na área afectada

- Não respirar o fumo em caso de incêndios. Lembre-se que a inalação de fumo pode causar queimaduras nos pulmões e brônquios, mesmo que não haja queimadura externa visível. Caso o ambiente esteja com muito fumo, pode-se diminuir a inalação com um pano molhado próximo do nariz e boca, movimentando-se agachado, com o nariz bem próximo ao chão, onde a concentração de fumo é menor

- Não cubra a queimadura com algodão

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Quais as razões que levam jovens a consumir álcool, drogas e a inclinarem-se para a criminalidade?

 

A questão das drogas, na contemporaneidade, assume contornos diferentes de outros tempos históricos. O avanço da ciência e da tecnologia, e a própria lógica de funcionamento do modo de produção capitalista, criou condições materiais que levaram ao avanço da chamada economia de mercado que, por sua vez, gerou a sociedade de consumo e a globalização da economia.

O crescimento das estatísticas relativas ao uso e abuso de drogas nos últimos anos, assim como a multiplicação de novas substâncias, tem sido assustador. Os casos de violência que ocorrem em torno do consumo de álcool e outras drogas são cada vez mais comuns.

A reportagem do Jornal da Saúde saiu à rua para saber o que os angolanos pensam sobre as causas desta situação. E falou também com uma psiquiatra, a médica Fausta Sá Vaz da Conceição, para poder transmitir aos nossos leitores uma visão mais científica do problema.

 

Más companhias

Existem vários factores que fazem os jovens desviarem-se e consumirem álcool, drogas, e entrarem para o mundo da criminalidade. Entre outros, constam as más companhias, a influência do meio social e dos amigos, curiosidade, vontade própria, pobreza, falta de coesão e acompanhamento familiar.

 

Antónia Guimarães

Professora

 

Falta de instrução

O que leva os jovens a optarem pelo consumo de álcool, drogas, e ingressarem na criminalidade é, sobretudo, o meio social em que se encontram inseridos, a falta de instrução familiar, educação académica e religiosa, más companhias, influências de várias pessoas da sociedade, quer sejam vizinhos, amigos e outros actores sociais.

 

Camila de Brito Castelo Branco

Funcionária pública

 

Ruptura familiar

No meu ponto de vista, o que leva os jovens a consumirem álcool, drogas e abraçarem a criminalidade é a ruptura familiar, ou a separação dos pais, falta de recursos para se sustentarem, influência dos amigos, falta de incentivos do Estado, emprego e de inserção escolar.

 

Micaela Costa

Vissueca Estudante universitária

 

Lucro fácil

Na minha opinião, o que leva os jovens a consumirem o álcool, drogas, e cometerem crimes é falta de acompanhamento familiar e de emprego, influência dos amigos, entrada e o aumento de estrangeiros no país, convívios não saudáveis com pessoas que optam pelo lucro fácil, e os grupos que são formados nos bairros com finalidades desviantes.

 

Catarina Manuel Joaquim Cristóvão

Funcionária pública

 

Falta de oportunidades

As principais razões, a meu ver, são a pobreza extrema, os problemas sociais, a falta de um dos membros no seio familiar, iniciativas próprias, desemprego, as más companhias, falta de oportunidades, e de políticas do Estado para a inserção dos mesmos na sociedade que é cada vez mais competitiva.

 

Carlos Hardman Lima

Funcionário público

 

Desestruturação das famílias

Os factores são, primeiramente, o desemprego, a falta de vínculo familiar, valores morais, religião e a desestruturação das famílias. Quando se tem uma família estruturada é mais fácil construir uma sociedade saudável.

 

Ylton Hernâni

Ernesto

Técnico de segurança higiene e saúde no trabalho

 

Défice na educação

O que tem impulsionado os jovens a enveredarem pelo consumo de álcool, drogas e a caírem na criminalidade é, sobretudo, a influência do meio onde os indivíduos se inserem e a falta de educação. É do conhecimento de todos que, quando um país tem um grande défice na educação, enfrenta graves problemas sociais.

 

Ayrton Cruz

Estudante universitário

 

 

 

Voltar

 

 

 

A perspectiva científica.

Ilusões, riqueza ilícita, desestruturação familiar e discriminação

 

Fausta Sá Vaz da Conceição

Psiquiatra

 

Na esfera psiquiátrica são inúmeras as razões que levam os jovens a consumir álcool, drogas e a inclinarem-se para a criminalidade. Entre outras, constam principalmente as ilusões que a juventude possui, a riqueza ilícita e o branqueamento de capitais no país. Antigamente, não existiam em Angola negociantes de drogas. Ou se havia eram poucos. Actualmente, o consumo e os comportamentos indesejáveis são crescentes.

Enquadra-se ainda neste leque de factores o querer afirmar-se na sociedade, a desestruturação familiar e a discriminação das pessoas no seio das famílias. Padecendo deste problema, estes indivíduos acabam por se refugiar nas drogas, ou mesmo na criminalidade. Também os menores que sofrem bullying  por parte dos seus colegas, para tentarem ultrapassar esta situação, frequentemente procuram o consumo de substâncias psicotrópicas.

A pobreza não deve ser mencionada, porque, muitos são os indivíduos que cresceram em ambientes de extrema pobreza e não enveredaram pelo consumo de drogas e delinquência. Não devemos assim rotularmos sempre as camadas baixas da sociedade, porque os que mais fazem o uso de drogas não são os mais pobres ou fragilizados, até porque estes não têm dinheiro para consumirem as drogas e suportarem os dispendiosos gastos.

As drogas acarretam problemas nefastos, não só para toda a saúde do ser humano, mas também para a sociedade.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Cancro do colo do útero.

Cerca de 21% de casos de infecção por HPV são de alto risco

 

Dos 1109 casos de mulheres que foram ao Luanda Medical Center (LMC) proceder a um rastreio ao cancro do colo do útero (rastreio HPV), cerca de 21% apresentaram um resultado considerado de “alto risco”. Foram detectados dois casos de cancro em mulheres na faixa etária dos 35/45 anos, numa fase já avançada e com necessidade de começar tratamento de imediato.

Estes resultados constam do estudo apresentado este mês pelo LMC que iniciou a sua primeira campanha de prevenção do cancro do colo do útero em Fevereiro último. As conclusões são reveladoras da importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

“Sabemos que o cancro do colo do útero é a segunda maior causa de morte entre mulheres em todo o mundo e, também, o tipo de cancro mais frequente nas mulheres africanas. Por isso decidimos lançar esta campanha de prevenção. O nosso papel é fundamental o sentido de informar e educar a população para a importância de fazer rastreio precoce” refere Rita Matias, directora de marketing do LMC.

 

Detecção precoce pode ser a salvação

“Existe um enorme preconceito quanto ao rastreio a doenças, sobretudo aquelas que mais matam. É crucial inverter essa forma de pensar, pois a detecção precoce de doenças pode ser a diferença entre a vida e a morte” conclui.

 

Sobre o vírus HPV

 

O cancro do colo do útero é causado pelo vírus do Papiloma Humano (HPV). O seu desenvolvimento é silencioso, pelo que não se deve esperar pelos sinais de alarme. Calcula-se que quatro em cada cinco mulheres são expostas ao vírus em algum momento da sua vida. Na maior parte das mulheres, a infecção pelo HPV é eliminada pelo sistema imunitário, sem nunca ter criado qualquer tipo de sintomas. Porém, em alguns casos, a infecção persiste e o vírus pode provocar alterações nas células do colo do útero, promovendo a sua transformação em células cancerosas.

Qualquer pessoa pode ser infectada com HPV. O HPV é transmitido por contacto sexual. Mesmo que só tenha tido um parceiro sexual o vírus poderá ser transmitido.

É possível prever o risco de desenvolvimento deste cancro e detectar as lesões precursoras através da realização de teste de rastreio. A prevenção através do rastreio regular (Papanicolau) e/ou teste de HPV juntamente com a vacinação é fundamental para evitar o cancro do colo do útero.

Todas as mulheres que já iniciaram a sua actividade sexual devem realizar o PAPANICOLAU e o teste de HPV. Existe a possibilidade de evitar o HPV que desenvolve para cancro através da vacinação. A vacina é recomendada para meninas a partir dos 9 anos.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Nove coisas que as pessoas bem sucedidas nunca fazem

 

O presidente de uma empresa norte-americana que se dedica à inteligência emocional publicou um artigo na rede LinkedIn, no qual identifica vários comportamentos que as pessoas de maior sucesso evitam a todo a custo.

 

Segundo Travis Bradberry, presidente de uma empresa que se dedica à inteligência emocional, a capacidade de gerir as emoções e manter a calma - quando sob pressão - é fundamental para alcançar o sucesso. Mas há mais: depois de analisar mais de um milhão de pessoas, o cofundador da TalentSmart e autor de um best seller sobre o tema concluiu que a inteligência emocional está diretamente ligada ao sucesso. No artigo publicado da rede de ligações profissionais LinkedIn, o especialista identificou nove características comportamentais dos emocionalmente inteligentes.

1. Não viver no passado

Quando se vive no passado, o mais provável é nunca se conseguir seguir em frente. Deste modo, o fracasso pode "minar" a sua autoconfiança e impedi-lo de ser bem sucedido no futuro. "As pessoas emocionalmente inteligentes sabem que o sucesso reside na sua capacidade de ultrapassar o fracasso, e não podem fazer isso ao viverem no passado", explica Bradberry. Apesar dos fracassos já cometidos, é importante as pessoas acreditarem que nada se consegue sem riscos e esforços, acreditando sempre nas suas capacidades de vencer.

2. Não se refugiar nos

problemas

Para Bradberry, o foco da atenção determina o estado emocional, ou seja, quando uma pessoa se fixa num problema as emoções serão negativas e stressantes. Esse tipo de sentimentos vai influenciar de forma negativa o desempenho pessoa. Deste modo, ao invés de se "afundarem" nos problemas, as pessoas emocionalmente inteligentes focam-se em procurar soluções para resolverem o problema.

3. Não se focar

na perfeição

Na pesquisa desenvolvida, as pessoas bem sucedidas não procuravam a perfeição, conscientes de que esta não existe. "Quando a perfeição é o objetivo, a pessoa sentirá sempre a sensação de fracasso, gasta o seu tempo a lamentar o que deixou de fazer e o que poderia ter feito de forma diferente, em vez de apreciar o que era capaz de alcançar", acrescenta Bradberry.

4. Não viver cercados

de pessoas negativas

As pessoas que estão constantemente a queixar-se dos seus problemas e que são negativas representam um perigo para o sucesso dos que as rodeiam; Não se preocupam com soluções, apenas pretendem levar alguém consigo "para a cova", de modo a se sentirem melhor. Por estas razões e mais algumas, afaste-as de si. Mesmo que isso o possa fazer sentir-se mal e insensível, "há uma linha que separa emprestar um ouvido simpático e ser sugado para dentro de uma espiral emocional negativa", defende Bradberry.

5. Não ter medo de dizer "não"

"Dizer não é realmente um grande desafio para a maioria das pessoas", admite o especialista. Contudo, quando é necessário dize-lo, as pessoas bem sucedidas fazem-no sem rodeios, e de forma direta. A investigação concluiu que a dificuldade em dizer "não" está relacionada com o stress e com a depressão. Ao conseguir dizer esta palavra está a assumir os seus compromissos e a defender o que quer, o que lhe permite alcançar o sucesso.

6. Não deixar ninguém influenciar a sua felicidade

Quando as pessoas emocionalmente inteligentes se sentem bem, elas não deixam que os outros estraguem essa felicidade com opiniões e sentimentos destrutivos. E também não comparam felicidades. Não importa o que as outras pessoas pensam ou fazem, a sua autoestima vem de si. Tem de se preocupar com aquilo que faz, não com o que os outros fazem.

7. Perdoar, mas não

esquecer

A investigação concluiu que as pessoas com maior inteligência emocional são rápidas a perdoar, o que não quer dizer que esqueçam. Não ficam a "remoer" o que se passou, mas isso não significa que irão dar hipóteses a um novo erro.

8. Não desistir da luta

Segundo Bradberry, as pessoas emocionalmente inteligentes sabem o quão importante é lutar para viver no dia seguinte. Deste modo, em alturas de conflito, enfrentam os problemas e não se deixam abater pelas dificuldades. Fazem-no com cautela, controlando as suas emoções e capacidades com sabedoria. Esta é a forma mais eficaz de defenderem o "seu território e saírem vitoriosos".

9. Não guardar rancor

Tendo e conta estudos realizados, guardar rancor é, na verdade, uma resposta ao stress. Pesquisadores da Universidade de Emory mostraram que o stress contribui para a pressão arterial e para doenças cardíacas. Ao guardar o rancor está a guardar também o stress, e assim, nunca alcançará o sucesso. Ou seja, aprender a libertar-se do rancor não só o vai fazer sentir-se melhor como também vai melhorar a sua saúde. As pessoas emocionalmente inteligentes sabem que devem evitá-lo a todo o custo.

 

Diga-me a sua profissão e dir-lhe-ei como é a sua saúde

 

Algumas profissões são autênticos atentados à saúde do coração. Parece exagero? Então veja a lista criada pela Associação Americana do Coração.

 

1. Condutores de autocarros, comboios e camiões. Os investigadores notaram que as pessoas com esta profissão tendem a fumar e a passar muito tempo sentadas, o que faz com que tenham um maior risco de sofrerem um AVC.

 

2. Secretários e administradores. Os hábitos alimentares pouco saudáveis e comuns em 68% dos inquiridos fazem desta profissão um atentado para a saúde, uma vez que a este ‘pecado’ juntam-se as horas a fio sem sair da cadeira. As pessoas com empregos sedentários tendem a ter níveis de colesterol elevados, o que impulsiona o risco de problemas de coração.

 

3. Empregados de restaurantes, cantinas e cafés. Lidam com comida todos os dias, mas são os que pior comem, diz a investigação, revelando que 79% dos inquiridos desta área seguem uma dieta má.

 

4. Seguranças, polícias e bombeiros. Seja pelos turnos rotativos, ou pela falta de tempo para comer, estes profissionais têm, na sua maioria, uma má alimentação, sendo que 90% dos inquiridos mostram-se mais propensos a ter peso a mais ou a serem classificados como obesos. Os níveis elevados de colesterol e a pressão arterial alta são outras duas consequências nocivas deste tipo de emprego.

Entre os mais saudáveis, diz a BBC, estão os freelancers, os profissionais de saúde, os atletas e todos os que trabalhem directamente em comunicação, uma vez que são os que mais exercício praticam e os que mais cuidados têm com a alimentação.

O ranking dos empregos mais ‘amigos’ da saúde é liderado pelos profissionais de fitness.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Cérebro: plano de acção para mantê-lo jovem e activo

 

Quando fazemos exercício, vemos a nossa barriga a encolher. Quando paramos de comer fritos, vemos os níveis de mau colesterol (LDL) a baixar. Quando deixamos de fumar, podemos finalmente parar de pigarrear. Resumindo, quando mudamos de hábitos, percebemos de imediato as mudanças no corpo. No que diz respeito ao cérebro, porém, é mais difícil saber como estamos. O cérebro não pode chegar ao ginásio, tirar o chapéu e exibir umas flexões (eh pá! Tens o hipocampo todo roto!). Só que isso não é razão para ignorar o único órgão que lhe dá precisamente o poder de ir ao ginásio fazer essas e outras coisas. O que se segue é o seu programa para construir um cérebro melhor - agora e no futuro.

 

Passo 1:

Exercite o Cérebro

Seja qual for a parte do corpo, quase todas seguem o mesmo mantra: ou são aproveitadas ou são desperdiçadas. Se não usar os músculos, acabarão por ficar moles que nem papas. Se não exercitar o coração, as artérias ficarão mais obstruídas que as ruas de Luanda. E até os urologistas dão o mesmo conselho aos homens no que diz respeito à disfunção eréctil: se quiser continuar a escrever, é melhor afiar o lápis. E com o cérebro não é diferente. Na verdade, devíamos exercitar o cérebro com a mesma regularidade com que fazemos qualquer outro tipo de exercício. Manter o cérebro activo, tanto emocional como mentalmente, ajuda a prevenir a perda de memória.

A primeira coisa que deve evitar é viver em modo de piloto automático - ou seja, ter a mesma rotina dia após dia. Se descobrir maneiras de fazer alongamentos mentais, evitará o encolhimento cerebral. A forma mais clássica de o conseguir é aprender coisas novas - seja aprender espanhol, aprender a tocar algumas melodias numa harmónica ou reconstruir um motor de um carro. O importante é usar partes do cérebro que normalmente não usa. Tal como os músculos, o cérebro cresce quando trabalha fora da sua rotina habitual.

Outra forma de exercitar o cérebro é, como dizem os cientistas, "testar os limites".

Foi concebido um projecto em larga escala para verificar se testar os limites proporcionava realmente o crescimento de novos neurónios e de dendrites (a parte dos neurónios que apanha a informação dos neurotransmissores). Nesse projecto, cada computador era programado para perceber a capacidade de uma pessoa na área da matemática. Depois, o computador programava um teste para essa pessoa de acordo com as suas capacidades. Mas, de cada vez que o computador ultrapassava os limites, os investigadores podiam ver o crescimento de neurónios e de dendrites (nas imagens recolhidas do cérebro dos participantes). A melhor parte da história, porém, é que as pessoas não precisavam de dar respostas certas para obter os benefícios de testar os limites. Bastava fazerem um teste um pouco além das suas capacidades (80 por cento de respostas certas, 20 por cento de respostas erradas) e era o suficiente para desencadear um novo crescimento de neurónios. Posto isto, suponhamos que você consegue fazer as palavras cruzadas que saem no Jornal de Angola à quarta-feira, mas praticamente não completa metade das que saem ao domingo. Se o melhor para o seu ego é continuar a ser o mestre do puzzle de quarta-feira, o melhor para o cérebro será continuar a tentar as palavras cruzadas de domingo (desde que não seja tão frustrante a ponto de perder toda a piada). Tal como um atleta se torna mais rápido ou mais forte quando treina para atingir os objectivos que estão fora do seu alcance, você pode treinar o cérebro para que ele fique mais inteligente e mais vivo.

Outro elemento a ter em conta é, claro, a formação. Quanto mais souber, mais estimulará a capacidade de aprendizagem do cérebro. Um estudo realizado entre umas freiras de um convento é disso um excelente exemplo. Os investigadores analisaram a estrutura das frases de umas composições que as freiras tinham feito antes de entrarem para o convento. Depois, analisaram a sua função cognitiva cerca de 65 anos mais tarde. As que tinham usado estruturas de frases complexas quando tinham entrado eram as que tinham uma boa função cognitiva à medida que iam envelhecendo. (E houve outra descoberta importante: as que eram mais optimistas à entrada apresentavam também uma maior função cognitiva.)

Resumindo e concluindo, todos temos interesses tão diversos que só nós podemos escolher as actividades que irão estimular a mente para além das capacidades normais. Convém escolher algo de que goste; deverá sentir que se trata de uma pausa e não de uma sessão de estudo. De qualquer modo, podemos sugerir outras formas para melhorar o funcionamento do cérebro na vida do dia-a-dia. No trabalho, muitas pessoas seguem a mesma rotina todos os dias: bebem o café, sentam-se, vão ao Facebook, bebem mais um café, vêem o e-mail, vão à casa de banho, tratam do expediente, telefonam ao cliente, engolem o almoço, levam com um sermão do chefe, e por aí adiante. Claro que é o seu chefe que lhe diz como deve fazer o trabalho, mas gostaríamos de sugerir que trocasse a ordem habitual de vez em quando. Ter a mesma rotina todos os dias não estimula o hipocampo - a parte do cérebro que é mais responsável pela memória. Para manter uma mente activa, tente simplesmente variar a rotina no trabalho ou em casa. Comece por telefonar ao cliente ou escreva primeiro o relatório em vez de deixar isso para último lugar. Qualquer que seja a sua rotina, altere a ordem das tarefas.

 

Passo 2:

Alimente o Espírito

Em geral, o que faz mal ao coração também faz mal ao cérebro. Não há nada que enganar: se as batatas fritas de que tanto gosta lhe pesam na balança, o mais grave é que parte dessas batatinhas é lançada pelas artérias acima até chegar ao cérebro. As gorduras saturadas obstruem as artérias que conduzem ao cérebro, aumentando o risco de AVC. Ao contrário, os ácidos gordos ómega 3 (o tipo de gorduras que encontramos no peixe) são benéficos para o coração, porque ajudam a manter as artérias limpas, além de intervirem na formação dos neurotransmissores e diminuírem a depressão.

 

Estes são os melhores alimentos para o seu cérebro:

Frutos secos

Contêm gorduras monoinsaturadas, que ajudam a manter as artérias saudáveis, e percursores de serotonina, para animar o nosso estado de espírito.

Dose Recomendada

28 g por dia é o suficiente; pode ultrapassar um pouco esta quantidade, mas lembre-se – tenha cuidado com as calorias a mais – de que 28 g é o equivalente a 12 nozes ou 24 amêndoas.

Diferença na Idade Real

Homens: 3,3 anos mais

novos

Mulheres: 4,4 anos mais

novas

 

peixe

principalmente salmão, sardinha, pescada,cacusso, bagre, solha, dourado-do-mar.Contém ácidos gordos ómega 3, muito benéficos para a saúde das artérias.

Dose Recomendada

380 g por semana (ou três doses do tamanho do seu pulso)

Diferença na Idade Real

2,8 anos mais novos

 

feijão de soja

Contém proteínas, fibras e gorduras benéficas para as artérias e para o coração.

Dose Recomendada

1 chávena por dia

Diferença na Idade Real

0,4 anos mais novos

 

tomate

sumos, molhos e refogados.Contém folatos, licopeno e outros nutrientes benéficos para a saúde das artérias.

Dose Recomendada

225 g de sumo por dia; 2 colheres de sopa de molho

Diferença na Idade Real

Pelo menos um ano mais novos

 

 Azeite, óleo de frutos

secos, óleo de peixe,

sementes de  linho,

 abacate

Contêm gorduras monoinsaturadas benéficas para o coração.

Dose Recomendada

25 por cento das calorias  diárias devem provir de gorduras saudáveis

 

chocolate

verdadeiro

(feito à base de cacau)

Dose Recomendada

30 g por dia (em  substituição do leite com chocolate)

Diferença na Idade Real

1,2 anos mais novos

 

Passo 3:

Diminua o Stress

De certa maneira, o stress pode ser bom. Trata-se do mecanismo fisiológico que nos ajuda a funcionar. Ajuda-nos a cumprir prazos e a fugir de leões. Ao enfrentarmos uma situação que exige uma reacção da nossa parte, podemos decidir lutar contra ela (acelerar para cumprir um prazo) ou fugir dela (os tais leões de que falávamos).

É a chamada reacção "lutar ou fugir". Quando os factores de tensão atingem níveis extremamente elevados, o stress torna-se perigoso. E isso deve-se ao efeito da hormona do stress chamada cortisol. Quando estamos constantemente sob stress, os níveis de cortisol mantêm-se elevados. O cérebro não envelhece só porque o pneu da bicicleta rebentou ou o pára-choques levou uma batida no parque de estacionamento. Esses Importantes Mas Remediáveis acontecimentos (chamamos-lhes IMR) não nos fazem mais velhos, porque são problemas que podemos resolver. Ao contrário, a doença surge a partir de acontecimentos que nos deixam constantemente em stress, por um longo período de tempo (mesmo que aos olhos de outras pessoas não passem de questões de menor importância). Uma das categorias em que incluímos estes factores de stress é a TCPC - Tarefas Chatas Por Cumprir. Por exemplo, o stress irritante de se sentar numa tampa de sanita que não encaixa bem, e o facto de "deixar andar" esse problema farão nascer-lhe cabelos bancos se for uma daquelas coisas que o remói de cada vez que vai à casa de banho. A outra categoria advém de grandes acontecimentos na vida - como mudar de casa, lidar com problemas financeiros, ou lidar com a morte de um familiar. O stress irritante desgasta, enquanto os factores de stress persistentes são verdadeiros assassinos.

Se diminuir o stress na sua vida, seja através do convívio com amigos, do exercício, ou da meditação, seja através de outros métodos, conseguirá influenciar a sua qualidade de vida e viver mais jovem. Se o fizer, conseguirá reaver 30 dos 32 anos que os acontecimentos marcantes da vida lhe podem roubar. Os nossos métodos preferidos para reduzir o stress são rir e meditar. Rir reduz a ansiedade, a tensão e o stress e pode torná-lo 1,7 a 8 anos mais jovem. Com a meditação, os benefícios são muitos. A meditação ajuda a preservar as células cerebrais e as funções relacionadas com a memória. Além disso, a componente de redução do stress que envolve a meditação contribui para prevenir doenças como a depressão e os distúrbios de ansiedade. Para meditar, tudo o que necessita é de um quarto silencioso. Com os olhos parcialmente fechados, concentre-se na respiração e repita lenta e indefinidamente a mesma palavra ou frase - por exemplo, "óm" ou "um". O cardiologista Dean Ornish inicia esse processo com uma pequena barra de chocolate preto. O processo de repetir a mesma palavra é o que ajuda a clarificar e a relaxar a mente e é o que tem o efeito positivo global na saúde, a não ser que se ponha a repetir "calulu", ou "mufete" :-)

 

Passo 4:

Seja Natural

Seguem-se as principais vitaminas e os principais suplementos que podem beneficiar o funcionamento cerebral, melhorando o humor, a memória e outros aspectos da mente, contribuindo ao mesmo tempo para 'que esta se mantenha jovem.

FOLATOS, B6 E B12  Níveis elevados de homocisteína são perigosos, uma vez que duplicam o risco de AVC. Pensa-se que a homocisteína provoca pequenas aberturas entre as células endoteliais (que constituem o forro interior das artérias), conduzindo à deterioração da parede arterial, à formação da placa aterosclerótica e inflamação. Tomar 800 micro¬gramas de suplementos de folatos por dia, ou 1.400 micro gramas através da alimentação, pode reduzir os níveis de homocisteína drasticamente - o excesso de homocisteína é removido da corrente sanguínea, suspendendo-se assim os seus efeitos do envelhecimento. Isto é importante porque, à medida que envelhecemos, vamos assimilando menos folatos a partir dos alimentos, e consequentemente o teor de folatos no sangue diminui; não será por acaso que esta é a carência vitamínica mais comum entre os mais idosos. Alimentos como espargos, alcachofras, couves de Bruxelas, feijão branco e sementes de girassol contêm folatos. Muitas pessoas apresentam também níveis insuficientes das vitaminas B6 e BI2. Entre os alimentos com vitamina B6 estão o frango, as bananas e a polpa de tomate; com vitamina BI2 temos o salmão, o atum, o borrego, as fibras e os flocos de trigo. Se tomarmos diariamente 800 microgramas de folatos, 6 miligramas de vitamina B6, e 800 micro gramas de vitamina B12 através dos alimentos ou 25 micro gramas através de suplementos (os suplementos de B12 são mais fáceis de absorver), podemos subtrair 1,2 anos à RealAge [Idade Real] em apenas três meses e, provavelmente, 3,7 anos em três anos.

COENZIMA Q10 A coenzima Q10 foi alvo de todas as atenções e conseguiu ter mais destaque do que o casamento de qualquer celebridade - isto tudo porque previne o envelhecimento cardiovascular (para além de ajudar doentes em estado crítico que aguardam por um transplante de coração). Acredita-se que a coenzima Q10 tem efeitos benéficos sobre o coração e que pode igualmente prevenir o envelhecimento cerebral. Presente naturalmente nos órgãos do nosso corpo, a coenzima Q10 estimula os mecanismos de produção de energia a nível celular, particularmente no tecido muscular e nas células dos tecidos nervoso e cerebral. Os nossos corpos produzem naturalmente esta coenzima - mas só quando não temos falta de vitamina C ou das vitaminas do complexo B, como a BI2, B6 e folatos.

ÁCIDO ALFA LIPÓICO E L-CARNITINA Através de experiências realizadas em ratos, ficou demonstrado que estas duas substâncias melhoravam a função cognitiva. Os ratos mais velhos, que recebiam uma dose destas duas substâncias, conseguiam encontrar a comida no labirinto tão depressa quanto os ratos mais jovens - e mais rápido que os ratos que não recebiam dose alguma.

A L-carnitina é um aminoácido que ajuda a transportar energia entre as células e, em estudos realizados com animais, ficou demonstrado que diminui o envelhecimento arterial e melhora a memória. Para pessoas com mais de 60 anos, recomendamos 1.500 miligramas de L-carnitina por dia.

Quanto ao ácido alfa-lipóico (que também ajuda o corpo a produzir energia), acredita-se que contribui para atenuar o envelhecimento do nosso ADN, provocado pela glicose e pelo oxigénio, e que promove a circulação de ambos (glicose e oxigénio) para as fontes de energia do nosso corpo. Actualmente, não foi ainda divulgada informação suficiente, mas, assim que forem publicados novos dados, faremos algumas recomendações. Fique atento.

 RESVERATROL Trata-se de um flavonóide que se encontra no vinho tinto que parece inibir o envelhecimento do ADN na mitocôndria - a fonte de energia da célula. Este flavonóide actua como antioxidante, o que contribui para reduzir o envelhecimento das artérias e do sistema imunitário. Encontra-se sobretudo no vinho tinto porque a pele das uvas contém resveratrol e o vinho tinto esteve em contacto com a pele da uva por mais tempo do que o vinho branco (por isso é que é vermelho). Para obter o máximo benefício (até 1,9 anos mais jovem), consuma álcool com moderação - um ou dois copos de vinho por dia, para os homens, meio copo ou um copo por dia, para as mulheres.

SAM Um aminoácido natural, a S-adenosilmetionina trata a depressão alterando a reacção química dos neurotransmissores associados a esta doença. Algumas autoridades mostram preocupação pelo facto de se receitarem demasiados antidepressivos com efeitos secundá-

rios graves. A SAM parece ter menos efeitos secundários. Se sentir que necessita de um antidepressivo, procure ajuda. Dose normal para a SAM: 800 a 1.200 miligramas diários (em jejum). Muitos estudos focaram a sua atenção no hipericão como antidepressivo; o problema é que ele interage com outros medicamentos. Por exemplo, no caso da pílula contraceptiva, o hipericão aumenta o metabolismo de certas substâncias e a pílula deixa assim de fazer efeito, tornando-se inútil para 25 por cento das pessoas que tomam os dois medicamentos ao mesmo tempo. A SAM é tão eficaz como o hipericão nas depressões menos graves, com a vantagem de não interagir com outros medicamentos.

 

Passo 5:

Pense no Mussulo

Você está numa praia, com uma bebida fresca numa mão e o último livro de Luandino Vieira na outra. A brisa marítima beija-lhe a face enquanto o mar lhe faz cócegas nos pés. Ouve as gaivotas a conversar, as ondas a rebentar e a banda lá ao fundo a improvisar. No ar, o cheiro a água salgada e a óleo de coco. Soa-lhe a paraíso? É muito mais do que isso. Essa imagem que lhe assolou o espírito acabou de estimular o seu cérebro. Sonhar acordado torna a mente flexível. Ao agitar essa parte do cérebro que lida com a imaginação, você põe o pensamento a funcionar fora do seu decurso habitual e isso, como você já sabe, estimula a função cognitiva. Encare o sonhar acordado como uma parte importante do seu plano de acção mental. Só que-remos que a sua mente esteja activa, por isso aquilo com que sonha é exclusivamente da sua conta - seja as praias do Mussulo, nas quedas de Calandula, ou uma noite com a sua vedeta preferida.

 

Passo 6:

Consulte os Profissionais

Tal como não existe nenhum comprimido que nos ensine a falar chinês, ou que derreta a gordura num segundo, também não existe nenhuma panaceia exclusiva para as perturbações da personalidade. Cada pessoa (e cada perturbação) é única, tal como as riscas de uma zebra são únicas. Por isso mesmo, as pessoas que sofrem de perturbações de personalidade precisam de saber como reestruturar o cérebro com ajuda profissional. Já agora, versões moderadas de perturbações de personalidade podem contribuir para o sucesso, se acertarmos na carreira que escolhemos.

 

Passo 7:

 Use o Capacete

Não devia ser necessário, mas já vimos muitas cabeças despidas ao volante de motorizadas para saber que nunca é demais repetir: usem o capacete sempre que andarem de bicicleta, de patins, de skate, moto, sempre que fizerem escaladas ou outros desportos do género. Porque o cérebro tem a consistência de um ovo cozido, qualquer traumatismo craniano, por menor que seja (e por "menor" entenda-se um impacto que nos deixa atordoados, sem nos conseguirmos lembrar bem do que aconteceu) é como se esborrachássemos o ovo, o que pode causar um apagão em partes do circuito eléctrico que estão relacionadas com a memória a longo prazo. Desligar uma central eléctrica com uma cabeçada não pode fazer bem à rede de electricidade, e muitas vezes nem nos apercebemos dos efeitos a longo prazo durante décadas.

 

Mito ou Facto?

O café faz bem ao cérebro?

 

Já se fizeram estudos suficientes para podermos dizer que beber 0,6 litros (duas chávenas grandes) de café fraco por dia contribui para diminuir o risco da doença de Parkinson em 40 por cento e o risco da doença de Alzheimer em 20 por cento. Porquê? Não temos a certeza, mas ao que parece a cafeína tem um efeito benéfico sobre os neurotransmissores. O efeito da cafeína é enorme, seja através do café, do chá ou de bebidas de baixas calorias. Contribui para que você fique três a seis meses mais novo. Atenção: para algumas pessoas, demasiada cafeína provoca palpitações, alterações no controlo da diabetes, indisposições, ansiedade ou enxaquecas; nos homens que sofrem de uma doença da próstata chamada hipertrofia benigna da próstata, a cafeína pode fazer pior, uma vez que pode provocar espasmos na uretra.

 

Mito ou Facto?

Podemos ficar mais inteligentes do que já somos?

 

Para perceber o poder que tem de exercitar o seu cérebro, repare neste estudo que mediu o tamanho do cérebro dos taxistas ingleses. Porquê dos taxistas? Apesar dos habituais insultos aos transeuntes que têm a mania de passar fora das passadeiras, os taxistas têm um trabalho muito desgastante. Além de decorar a complexa disposição das cidades, têm de conhecer os caminhos mais rápidos para chegar aos sítios. O resultado da pesquisa indicou que os taxistas mais experientes - e, por conseguinte, os que continuavam a evoluir para conseguir sempre mais bandeiradas - estavam constantemente a exercitar o cérebro para poderem sobreviver numa indústria tão competitiva e a verdade

é que apresentavam os lobos temporais direitos maiores do que o habitual. O cérebro deles era maior porque era usado todos os dias, a toda a hora

e de muitas maneiras.

 

 

Voltar

 

 

 

Copyright © 2018 Jornal da Saúde Angola. Todos os direitos reservados. Created by Paulo Link