MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Rui Moreira de Sá

Director Editorial

direccao@jornaldasaude.org

Mais um passo para a vida

 

 

A introdução no plano nacional de vacinação da vacina (gratuita) contra a Hepatite B é o acontecimento que destacamos este mês. Ministrada nas primeiras 24 horas de vida do bebé impede a transmissão vertical do vírus mãe-filho. Em Angola, é a 10ª causa de morte. Em África, afecta cerca de 100 milhões de pessoas, segundo dados da OMS. No mundo são mais de 350 milhões de portadores crónicos do vírus – que podem desenvolver doenças hepáticas graves. O país acabou de dar assim um passo de gigante no sentido de mais ganhos em saúde.

Outro assunto de destaque são os medicamentos. Concretamente, o esforço para a regulação do seu preço de venda ao público – o mais elevado da SADC. O mercado paralelo é uma das causas. Mas há mais, conforme foi amplamente debatido num encontro que a DNME promoveu este mês. O sector está a mexer. A expectativa para conferência que a Ordem dos Farmacêuticos de Angola promove em Setembro é crescente.

A saúde visual, respiratória, do aparelho gastrointestinal e do fígado são igualmente matérias abordadas na presente edição. Não deixe de ler também como os médicos tomam a melhor decisão multidisciplinar e personalizada em relação a um doente ao qual foi diagnosticado um tumor maligno. Assunto sério.

 

E, quando acabar de ler o Jornal da Saúde, vá fazer exercício. No mínimo, ande 40 minutos. Vai fazê-lo sentir-se melhor e com mais ânimo.

 

 

 

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CLIDOPA  recebe prémio internacional de excelência

 

 

A clínica angolana CLIDOPA foi distinguida, em Frankfurt, com o prémio “International Arch of Europe”, na categoria diamante, pelo seu compromisso com a qualidade, liderança, tecnologia e inovação. Na imagem, a médica Ana Maria Macedo Costa, acompanhada de Manuel Roças da Costa, recebe o troféu das mãos do CEO do Business Initiative Directions (BID), José Prieto, que declarou na ocasião: “A Clidopa faz da qualidade o seu foco central para a melhoria contínua da gestão com vista a manter a liderança no seu sector”.

 

 

 

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Até ao fim do ano.

Ministério da Saúde pretende regular o preço dos medicamentos no mercado

 

Até ao fim do ano, o Ministério da Saúde de Angola pretende regular o preço dos medicamentos que são vendidos no mercado angolano.

 

Num encontro mantido com os representantes dos principais laboratórios farmacêuticos, importadores e distribuidores de medicamentos e equipamentos médicos, a 16 e 17 de Julho, em Luanda, o director da Direcção Nacional de Medicamentos e Equipamentos (DNME) Boaventura Moura, após a abordagem do assunto, solicitou a entrega, no prazo de uma semana, da lista com os preços FOB dos medicamentos aos representantes de laboratórios e dos preços PVA aos distribuidores nacionais. Aqueles preços serão depois convertidos a CIF. Desta forma, a Inspecção Geral da Saúde terá uma base que lhe permitirá fiscalizar os preços praticados nas farmácias.

“O objectivo é garantir maior acessibilidade da população aos medicamentos, sem perca de qualidade e segurança”, declarou ao Jornal da Saúde.

A representante da Sanofi, Rosário Boavida, pediu a intervenção das autoridades no sentido de “resolver o problema do mercado paralelo que faz com que os produtos cheguem a Angola, a preços muito superiores ao que deveria ser”.

Também de acordo com o representante da GSK, Eduardo Carvalho, “há medicamentos à venda nas farmácias cujos preços são o triplo e até o quádruplo dos praticados na origem pelos laboratórios farmacêuticos”. Angola tem os preços mais altos de medicamentos no espaço da SADC, razão porque todos os intervenientes foram chamados a cooperar para se reverter o quadro actual.

Boaventura Moura pediu aos laboratórios farmacêuticos que actualizassem os consentimentos feitos aos importadores angolanos e aos armazenistas exportadores estrangeiros, no âmbito do processo de identificação e qualificação em curso, desde 2011. Segundo o responsável “com a implementação das autorizações das importações, previstas no Decreto Presidencial nº 180/10 de 18 de Agosto, as importações paralelas tenderão a reduzir-se. Este será um passo prévio ao registo e homologação dos produtos, processo que deverá ter início, em breve”.

 

Boas práticas de armazenagem

Para o director geral da MS Internacional, José Moniz da Silva, “para resolver o problema dos preços, há que, em primeiro lugar, fazer cumprir as boas práticas as farmácias e de armazenamento, de distribuição e, com o máximo de rigor, observar a qualidade das estruturas farmacêuticas”, defendeu. “Há grossistas sem condições mínimas para armazenar medicamentos”, revelou. “Temos de começar pelas infraestruturas, com a criação de armazéns com os requisitos adequados, nomeadamente de temperatura e humidade, entre outros, o que permite ter produtos localmente bem mais conservados e de qualidade”, defendeu. Caso contrário, “seremos eternamente o país dependente das triangulações”, concluiu.

 

Dos laboratórios farmacêuticos a operar no mercado, 13 estão qualificados

De acordo com os técnicos da Secção de Registos e Homologação da DNME estão identificados 17 laboratórios farmacêuticos a operar no mercado angolano, dos quais 13 já estão qualificados, designadamente a AstraZeneca, Bayer Health Care, Bial, BluePharma, Dafra Farma, Edol, GSK, Labesfal, Laboratórios Azevedos, Merck Serono, Sandoz, Sanofi e Tecnifar. A Novartis e a Shalina, entre outros, já entregaram o processo.

 

Dos mais de 221 importadores e distribuidores, apenas 20 estão qualificados até à data

De acordo com Boaventura Moura, no mercado angolano operam mais de 221 importadores e/ou distribuidores de medicamentos e dispositivos médicos, dos quais 130 já entregaram os seus processos para qualificação, 86 foram identificados e 47 visitados, dos quais apenas 20 estão qualificados.

O director da DNME solicitou ainda a indicação de um representante dos laboratórios farmacêuticos e um outro representante dos importadores e distribuidores de medicamentos e equipamentos médicos para “integrarem a comissão, que irá trabalhar na regulação destas matérias”. Ao mesmo tempo, incentivou estes agentes económicos a constituírem Associações empresariais, sectoriais, que os representem.

 

Direcções técnicas

Foi ainda veiculado que está em estudo a possibilidade de um laboratório público de controlo de qualidade da China passar a certificar os medicamentos que são exportados daquele país para Angola, conforme já acontece para outros países, inclusive africanos.

Finalmente, no que concerne às direcções técnicas das entidades farmacêuticas no país, estas deverão ser efectivas, ainda que não permanentes, e residir, obrigatoriamente, na área de jurisdição da entidade, em obediência ao disposto no Decreto Presidencial nº191/10, de 1 de Setembro.

 

Expo Farma 2015

Na ocasião, Boaventura Moura anunciou a realização da II Semana da Farmácia Angolana e III Expo Farma 2015, a 15 e 16 de Setembro próximo, em Luanda. “O evento constitui um grande fórum de interacção entre a comunidade farmacêutica para troca de experiências profissionais e científicas”, disse. Na Expo Farma “os farmacêuticos e demais profissionais de saúde vão encontrar inúmeros stands apresentando produtos, serviços e soluções para a farmácia hospitalar e de oficina e irão conhecer os profissionais qualificados que lhes facultarão todo o tipo de informações”, concluiu.

 

Boaventura Moura

“Laboratórios farmacêuticos devem constituir uma Associação”

 

O director da Direcção Nacional de Medicamentos e Equipamentos (DNME), Boaventura Moura, lançou o repto aos laboratórios farmacêuticos presentes em Angola no sentido de constituírem uma Associação empresarial, sectorial, que os represente junto às autoridades do sector.

O desafio foi proposto durante o encontro que este responsável manteve com os agentes económicos do sector, a 16 e 17 de Julho, em Luanda.

“Também é de toda a conveniência a criação de outra Associação empresarial que represente os importadores e distribuidores de medicamentos e equipamentos médicos. Estas estruturas associativas serão convidadas a integrarem as comissões que irão trabalhar na regulação do mercado”, adiantou.

 

 

 

 

 

 

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Pela saúde dos seus olhos

 

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

A saúde visual em Angola tem vindo a melhorar com os anos. Os procedimentos são mais seguros e o grau de complicações pós cirúrgicas tem vindo a diminuir. Por outro lado, alguns pacientes chegam à consulta numa fase tardia e em que a cirurgia é a única solução.

 

 

n Actualmente identificam-se inúmeras doenças raras na província de Luanda, relacionadas com os problemas visuais associados a baixa visão, chegando ao ponto de provocar cegueira aos pacientes. São elas: glaucomas terminais, cataratas com um nível de gravidade elevado e alguns casos de renite pigmentosa ou retinose pigmentar (RP), doença hereditária que causa a degeneração da retina, região do olho humano responsável pela captura de imagens a partir do campo visual. “A RP é uma doença incurável e progressiva tipicamente diagnosticada em adolescentes e adultos jovens. A sua taxa de progressão e grau de perda visual varia de pessoa para pessoa. Geralmente, indivíduos com este tipo de complicação apresentam a perda gradual da visão e entre os sintomas característicos iniciais mais comuns aparece a cegueira nocturna”, alertou    Maria Inês Correia Rodrigues, oftalmologista do Luanda Medical Center (LMC), numa entrevista de antecipação ao Dia Mundial da Saúde Ocular que se assinala no mês de Outubro.

As doenças de foro oftalmológico em Luanda não fogem da realidade de outros países. O que as diferencia é o nível de gravidade com que alguns casos chegam à clínica num estado muito avançado ou de extrema complexidade. “Algumas destas complicações ocorrem em Angola em maior escala e são diagnosticadas frequentemente. Nas famílias com história familiar desta doença são os homens os mais afectados e as mulheres, mesmo sendo da mesma geração, não desenvolvem perda severa de visão”, refere a médica.

 

Importância dos rastreios

No que respeita às cataratas, o tipo que tem sido mais diagnosticado tem sido a “senil” que pode subdividir-se em “nuclear, cortical, ou subcapsular, que ocorre geralmente com o envelhecimento surgindo mais frequentemente após os 55 anos, mas por razões que não evidenciam os traços hereditários. Ultimamente têm vindo a observar-se pessoas com 40 anos que contraem esta doença e que têm indicação cirúrgica urgente, o que é bastante surpreendente”. A exposição aos raios ultravioleta é a principal causa para o surgimento de pacientes com cataratas que ocorrem ao LMC para ter uma consulta. Actualmente, o número de casos que se registam naquela unidade é muito variável sendo atendidos vários doentes de todas as idades. Entre estes, chegam diariamente dois a três pacientes com catarata terminal com necessidade de serem operados urgentemente. “É necessário realizar consultas e rastreios oftalmológicos com regularidade a crianças desde tenra idade de forma a prevenir a contracção de várias doenças, como a ambliopia, que é muito perigosa quando não é detectada até aos 8 ou 9 anos de idade correndo-se o risco de não se recuperar a visão porque quando a mesma ultrapassa o tempo superior previsto para o devido cuidado torna-se irreversível”, defende a oftalmologista.

 

Cirurgia às cataratas

No que respeita aos riscos que os pacientes operados às cataratas, glaucoma e outras doenças têm de desenvolver cegueira total, a médica esclarece que depende do tipo de cirurgia a que é submetida o paciente e que mais recentemente os procedimentos são mais seguros e sem complicações alarmantes. “A perda de visão associada a tratamentos oftalmológicos não tem sido muito comum e a possibilidade de haver infecções também é muito reduzida”, defende. Há que ter em conta que as cataratas apresentam hoje “uma baixa taxa de complicações cirúrgicas que ronda os 2% e que tem sido a patologia com maior número de pacientes operados no mundo com melhorias significativas”.

 

Cuidados a ter

 

• Todas as pessoas devem ir ao oftalmologista com frequência.

• Recomenda-se o uso de óculos para se protegerem adequadamente dos raios ultravioleta independentemente de terem ou não uma doença ocular diagnosticada.

• Usar correctamente o lubrificante ocular.

• Caso seja detectada alguma doença procure tratamento urgente.

 

Como cuidados da saúde dos olhos, a especialista recomenda que todas as pessoas cultivem o hábito de procurarem um oftamologista com frequência.

 

 

 

 

 

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Oncocerquíase.

 Estou em risco?

 

A oncocercose, ou cegueira dos rios, é uma doença provocada por um parasita, a microfilária Onchocerva volvulus. É transmitida através da picada da mosca negra infectada, que se considera ser o vector da doença. A sua prevalência é elevada em zonas perto dos rios e com vegetação densa, sendo endémica em nove das dezoito províncias de Angola.

 

Inês Rodrigues

Oftalmologista no Luanda Medical Center

É a principal causa de cegueira em África, onde ocorrem 99% de todos os casos registados mundialmente. O Programa Africano contra a Oncocercose (APOC) estima que, só em Angola, haja dois milhões e meio de angolanos em risco de contrair a doença, o que equivale a mais de 10% da população.

Uma das características desta doença é o seu longo período de incubação. De nove meses a dois anos após a picada da mosca começam a surgir sintomas que coincidem com o crescimento e maturação das larvas na forma adulta. As larvas alojam-se nos gânglios linfáticos, criando grandes adenopatias (oncocercomas), e migram nos tecidos subcutâneos, provocando prurido severo e alterações cutâneas, que, na sua forma crónica, incluem liquenização, pele em leopardo (despigmentação cutânea) e perda de elasticidade. Ao alcançar o olho, penetram-no, gerando inflamação intra-ocular e alterações na córnea; estas alterações evoluem para fibrose com opacificação (queratite esclerosante), que está na génese da cegueira.

O tratamento definitivo não é possível, uma vez que tem pouco efeito nos parasitas adultos, e actua apenas na microfilária. O antiparasitário de escolha é a ivermectina que se administra em intervalos de 3 ou 12 meses, durante 10 a 12 anos. A distribuição gratuita maciça deste fármaco é feita através do Progama Africano de Combate à Oncocercose (APOC), tendo-se conseguido uma notável redução de 73% na prevalência da doença.

Actualmente, estão em curso oito projectos, lançados pelo governo angolano, apoiados pela Organização Mundial de Saúde e pela APOC, com o objectivo de erradicar a oncocercose de Angola. Apesar de todos os esforços que as autoridades estão a ter e que produziram efeitos preventivos muito positivos, há, infelizmente, a registar um recente surto no município da Quiçama, na província Luanda, e que provocou a cegueira a vinte pessoas.

 

Cuidados a ter

Encontram-se em zonas de risco todos aqueles que vivem nas províncias onde ela é endémica  e em zonas próximas de rios, com vegetação densa, onde a mosca se desenvolve. Se não vive em nenhuma destas zonas mas se viaja para alguma delas, há alguns cuidados a ter em conta: usar roupa que cubra a pele; usar repelente à base de DEET abundantemente nas zonas expostas; aplicar spray de permetrina na roupa e rede mosquiteira com a qual deve cobrir a cama durante o sono.

 

 

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Em Luanda, até ao fim do ano.

Mais de 100 mil recém-nascidos serão vacinados contra a Hepatite B

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

A vacina contra a Hepatite B já está disponível em todas as salas de parto da província de Luanda, de forma a garantir a imunização dos recém-nascidos. O objectivo é equipar todas as unidades de saúde da capital com a vacina que previne uma doença para a qual não é conhecida a cura.  Serão vacinados 106 mil bebés até Dezembro, em Luanda. É gratuita.

 

n No lançamento da campanha de vacinação contra a Hepatite B, realizada recentemente no Centro Materno Infantil Augusto Ngangula, Rosa Bessa, directora provincial de Saúde de Luanda, disse que se prevê a vacinação de 106 mil recém-nascidos, com a primeira dose, até Dezembro deste ano.

Em Angola, a Hepatite B constituiu a 10ª causa de mortalidade, em 2014. Estudos realizados em doadores de sangue, no Bié, em 2008, concluíram que a prevalência na população é de cerca de 8,9 por cento.

A directora do Centro, Lígia Alves, adiantou que “de 5198 grávidas assistidas em consultas pré natais, no primeiro trimestre deste ano, cerca de 5,4% foram diagnosticadas como possíveis portadoras do vírus da hepatite B. Em Janeiro deste ano, foram notificadas 31 portadores deste mesmo vírus da hepatite em 214 doadores voluntários de sangue que ocorreram àquela unidade sanitária”. O Centro Materno Infantil Augusto Ngangula realiza cerca de 1400 a 1500 partos por mês, sendo a média diária de 40 a 50 nascimentos.

“A vacina contra a hepatite B é gratuita e foi indicada para fazer parte do sistema de vacinação para prevenção vertical da doença (de mãe para filho), razão pela qual é administrada ao recém-nascido até 24 horas após o parto”, revelou a coordenadora do Programa de Vacinação da Província de Luanda, Felismina Neto. “De forma a garantir que as mães que têm partos em casa também possam vacinar os seus filhos, estendeu-se a vacina até ao sétimo dia após o nascimento, tanto em Luanda, como em outras províncias do país”, referiu a responsável.

Para suporte da campanha de administração desta vacina foram formados vários técnicos de saúde da capital e de outras províncias para que as metas estabelecidas em cada uma delas fossem cumpridas.

De acordo com a OMS para África, “a hepatite viral é um grave problema mundial de saúde pública, mas que não tem merecido o devido reconhecimento”. Segundo a mensagem da directora regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, por ocasião da comemoração do Dia Mundial da Hepatite, a 28 de Julho de 2015, “na região africana, a hepatite B afecta, aproximadamente, 100 milhões de pessoas”.

 

O que é uma hepatite

 

A hepatite é uma inflamação no fígado. Dependendo do agente que a provoca, pode-se curar apenas com repouso, requerer tratamentos prolongados, ou mesmo um transplante de fígado quando se desenvolvem complicações graves da cirrose como a falência hepática, ou o cancro no fígado, que podem levar à morte.

As hepatites podem ser provocadas por bactérias, por vírus, e também pelo consumo de produtos tóxicos como o álcool, medicamentos e algumas plantas. Existem seis tipos diferentes de vírus da hepatite (Hepatite A, Hepatite B, Hepatite C, Hepatite D, Hepatite E e Hepatite G). Existem ainda as hepatites autoimunes.

 

O vírus da hepatite B é 50 a 100 vezes mais infeccioso do que o VIH

 

A hepatite B, provocada pelo Vírus da Hepatite B (VHB), descoberto em 1965, é a mais perigosa das hepatites e uma das doenças mais frequentes do mundo. Estima-se que existam 350 milhões de portadores crónicos do vírus. Estes portadores podem desenvolver doenças hepáticas graves, como a cirrose e o cancro no fígado, patologias responsáveis pela morte de um milhão de pessoas por ano em todo o planeta. Contudo, a prevenção contra este vírus está agora ao nosso alcance através da vacina da hepatite B que tem uma eficácia de 95 por cento.

O vírus transmite-se através do contacto com o sangue e fluidos corporais de uma pessoa infectada, da mesma forma que o vírus da imunodeficiência humana (VIH), que provoca a Sida. Só que o vírus da hepatite B é 50 a 100 vezes mais infeccioso do que o VIH.

 

 

Carlos Masseca

“Um acto de justiça social”

 

n O secretário de Estado da Saúde, Carlos Alberto Masseca, manifestou-se satisfeito com o início da campanha de vacinação contra a Hepatite B. Defendeu que com a sua introdução no calendário vacinal realiza-se “um acto de justiça social junto a todas as crianças”. Até há pouco tempo, “esta vacina era administrada em unidades sanitárias do subsistema privado de saúde, o que exigia alguma capacidade financeira dos pais. A introdução da vacina gratuita possibilita agora a todos os encarregados de educação cumprirem o calendário de vacinação dos seus filhos”, disse.

 

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Hipertensão arterial.

Comprimido triplo aumenta a adesão à terapêutica

 

 

“Há novas terapêuticas para o controlo da tensão arterial: juntaram-se vários fármacos num só comprimido, o que aumenta a adesão à terapêutica por parte dos doentes, uma noção cada vez mais aceite pela comunidade científica”, garantiu o cardiologista Mário Fernandes ao JS, à margem de um seminário de actualização sobre diabetes e hipertensão que decorreu num hotel de Luanda, em 16 de Julho. Participou também, como oradora, a diabetologista Sabrina da Cruz, que se debruçou sobre a eficácia dos inibidores DPP4. O evento foi promovido pela Novartis.

 

 

 

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A consulta de decisão terapêutica multidisciplinar

 

Lúcio Lara Santos

Professor Doutor, oncologista cirúrgico e assessor do IACC ONCOCIR-Angola

 

Como foi referido nos artigos anteriores, o tratamento do cancro para ser eficaz deve ter em conta vários aspectos:

-Tipo histológico do tumor

-Dimensão da doença

-Estado clínico e social do doente

-Existência de recursos

 

Assim, estas informações devem ser conhecidas antes de se definir o melhor tratamento. A forma de assegurar o melhor tratamento é reunir todos os especialistas que são importantes em cada caso. O tratamento  deve ser preciso e personalizado.

 

Estádio da doença oncológica

Para se determinar a dimensão da doença oncológica devemos estudá-la e classificá-la de acordo com regras precisas, o estadiamento. Estas regras definem o tamanho do tumor, se os gânglios linfáticos também denominados nódulos linfáticos (linfonodos) estão envolvidos pela doença e se existem metástases em outros órgãos.

A classificação usada é conhecida como classificação TNM.

A variável T define o tamanho do tumor no local onde este apareceu (tumor primário), a variável N define se existem e qual é o número de gânglios linfáticos com doença oncológica e a variável M define se existem metástases em locais ou órgãos longe do tumor primário. A associação destas variáveis determina um determinado estádio da doença.

Estádio -0 (inicial), Estádio I, II, III e IV (o mais avançado).

 

 Estado clínico e social do doente

Devemos conhecer como está o doente se este suporta os tratamentos como a cirurgia, a radioterapia ou a quimioterapia, se tem outras doenças, se toma medicamentos, quais são os potenciais complicações, se tem apoio familiar, local onde vive, que dificuldades sociais tem e se consegue comer.

 

Recursos Existentes

Cada unidade de oncologia deve conhecer e determinar os seus recursos, definindo o que realmente pode oferecer aos doentes. Assim, aquilo que é necessário para tratar o doente e não existe na unidade, deve ser referido ao doente e este deve ser transferido para os centros nacionais que tenham esses recursos, de acordo com normas claramente definidas. O tratamento da doença em centros do exterior, quando os recursos não existem no país, deve ocorrer após recurso às instituições do Ministério da Saúde. O doente deve sempre saber o que se deve fazer para tratar a sua doença e o que se pode e não se pode fazer no hospital ou unidade a que o doente recorreu.

 

Consulta de decisão terapêutica multidisciplinar

Estas consultas também são chamadas de conselhos de decisão terapêutica multidisciplinar (CDT). O As Consultas Multidisciplinares dos Tumores (Consultas de Grupo ou CDT), são consultas transversais que envolvem vários serviços cuja missão é a decisão multidisciplinar e personalizada em relação a cada doente com tumor maligno. Integram estas consultas especialistas de vários serviços nomeadamente: Cirurgia Geral (ou outros serviços cirúrgicos de acordo com o tipo de tumor como urologia, ginecologia, etc), Oncologia Médica, Radioterapia, Anatomia Patológica, Imagiologia, Gastroenterologia, Farmácia, Enfermagem, Psicologia, Nutrição e Serviço Social.

A referenciação a esta consulta é feita pelos médicos das várias consultas ou serviços sempre que detetam um doente com um tumor maligno. Esta consulta aceita referenciação de doentes de outros hospitais para consultoria ou segundas opiniões.

Compete a esta consulta realizar a avaliação da extensão da doença e a estratégia terapêutica multidisciplinar que é decidida de acordo com protocolos elaborados e ou aprovados. Estes devem reflectir o estado da arte isto é o que consenso internacional para o tratamento de determinado cancro. Compete-lhe assim a abordagem sistematizada e protocolada, nos planos do diagnóstico, de estadiamento e terapêutico

Devem sempre existir protocolos de estadiamento, terapêuticos e de vigilância.

Após a reunião deve ser produzido um relatório que deve ser assinado pelos especialistas presentes na CDT e entregue ao doente. Este documento é também útil quando o doente é transferido para outro hospital nacional ou no estrangeiro. Esta é a forma de melhor tratar o doente e garantir equidade no tratamento da sua doença.

 

A consulta de decisão terapêutica multidisciplinar em Angola

 

Em Angola, no Instituto Angolano Contra o Câncer (IACC), nas unidades de oncologia da Clínica Girassol e da Clínica Sagrada Esperança, a decisão do tratamento oncológico é usualmente tomada após uma consulta de decisão terapêutica multidisciplinar. É, no entanto, necessário reforçar esta forma de decidir o tratamento a todas as estruturas que tratam doenças complexas, como por exemplo o cancro.

 

 

 

 

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Doença do refluxo gastro-esofágico.

 Azia

O que é? Como prevenir?

 

 

Adaptação científica:

Carolina Vaz Macedo

Validação científica:

Carla Rolanda

Harvard Medical School

 

A doença do refluxo gastro-esofágico (DRGE) é uma doença do aparelho digestivo que envolve o esófago, o tubo que transporta os alimentos da boca para o estômago.

 

Na DRGE, o ácido e as enzimas digestivas do estômago refluem para o esófago, sendo este fluxo retrógrado do suco gástrico denominado “refluxo”. Os sucos gástricos inflamam o revestimento do esófago provocando azia e outros sintomas. Se a DRGE não for tratada pode lesar permanentemente o esófago.

Um anel muscular chamado “esfíncter esofágico inferior” separa o esófago do estômago e, normalmente, apenas se abre quando engolimos, permitindo a entrada dos alimentos no estômago. Durante o resto do tempo, o esfíncter mantém-se contraído para evitar que os alimentos e o ácido do estômago recuem para o esófago.

 

Factores principais

Na maior parte das pessoas com DRGE, o esfíncter esofágico inferior não se encerra firmemente e permanece relaxado entre as deglutições, permitindo que o suco digestivo entre no esófago e irrite o revestimento deste órgão.

Existem muitos factores que podem enfraquecer ou relaxar o esfíncter esofágico inferior, incluindo:

• Tabaco

• Álcool

• Gravidez

• Obesidade (por aumento da pressão dentro do abdómen)

• Determinados alimentos

• Muitos medicamentos

• Hérnia do hiato (deslizamento de parte do estômago para a região acima do diafragma, o músculo que separa o tórax do abdómen)

 Uma exposição prolongada ao ácido pode fazer com que o esófago fique inflamado, diminua de calibre (fique estreitado), ou desenvolva uma úlcera.

 A exposição ao ácido pode conduzir a longo prazo a uma doença denominada “esófago de Barrett”, que aumenta o risco de cancro do esófago.

Manifestações clínicas

Os sintomas de DRGE podem incluir:

• Dor aguda (repentina) ou tipo queimadura no meio do peito (retrosternal), também conhecida por azia ou pirose. Este é o sintoma mais comum de DRGE e pode agravar-se com a ingestão de alimentos, com a flexão do tronco para a frente ou com o estar deitado (estar em decúbito). Para muitas pessoas com DRGE, a azia não é meramente um desconforto ocasional, mas sim um sintoma que constitui um incómodo frequente ou mesmo diário.

•Sensação de aperto no peito ou na parte de cima da barriga (“estômago”); a dor pode acordar o doente a meio da noite.

•Regurgitação, isto é, refluxo de fluidos do estômago para a boca

•Náuseas

•Sabor recorrente ácido ou amargo na boca

•Dificuldade em deglutir (“engolir em seco”)

•Rouquidão, especialmente de manhã

•Dores de garganta

•Tosse, pieira (“gatinhos”) ou necessidade repetida de aclarar a garganta.

 

Diagnóstico

O médico irá perguntar ao doente com que frequência apresenta azia ou outros sintomas de DRGE, se os sintomas se agravam quando se deita ou com a flexão do tronco para a frente e se se sente aliviado pelos medicamentos de venda livre para a azia.

O médico irá igualmente rever a medicação do doente. Alguns medicamentos podem provocar o relaxamento do esfíncter esofágico e agravar a DRGE.

Uma dor semelhante à azia pode ser um sintoma de doença coronária. O médico pode perguntar ao doente se tem sintomas sugestivos de problemas cardíacos e pode igualmente pedir exames para avaliação cardíaca.

Se a única queixa do doente for a azia e o exame físico for normal, o médico pode sugerir alterações do estilo de vida e medicamentos de venda livre que previsivelmente irão aliviar as queixas. Podem não ser necessários quaisquer exames diagnósticos especiais ou tratamento prescritos pelo médico.

Se o doente tiver sintomas mais graves, como azia intensa e prolongada, dificuldades em engolir ou perda de peso, ou se a azia não for aliviada pelos medicamentos, poderá ser necessário realizar exames adicionais.

O exame inicial habitualmente pedido para avaliar este tipo de queixas é a endoscopia digestiva alta. Neste exame, o gastrenterologista visualiza directamente o esófago, o estômago e a primeira parte do intestino delgado por meio de um endoscópio (tubo flexível) que pode ser introduzido através da boca e da garganta. Durante a endoscopia digestiva alta, o médico pode obter uma pequena amostra de tecido para ser subsequentemente examinada num laboratório.

Podem ainda ser requisitados um ou mais dos seguintes exames diagnósticos:

•Radiografia de esófago, estômago e duodeno — radiografia realizada após a deglutição de uma substância de contraste com bário, para visualizar o esófago

•Avaliação cardíaca — para verificar se existe uma doença cardíaca

•Estudos da motilidade ou manometria esofágica — para avaliar os movimentos peristálticos (contracções) do esófago com a deglutição

•Monitorização do pH esofágico — utiliza eléctrodos para avaliar o pH (nível de ácido) no esófago; este exame é geralmente realizado ao longo de um período de 24 horas.

 

Evolução clínica

Sem tratamento, a DRGE é tipicamente um problema a longo prazo.

Os sintomas podem ser aliviados ao fim de alguns dias de tratamento, mas em muitos doentes são necessárias várias semanas antes de os sintomas diminuírem ou desaparecerem e é muitas vezes necessário manter o tratamento durante um longo período. Mesmo com medicação diária, algumas das pessoas com refluxo continuam a ter sintomas.

 

Prevenção

Existem diversas medidas que podem ser adoptadas para prevenir os sintomas da DRGE. Algumas alterações simples do estilo de vida incluem:

•Elevação da cabeceira da cama pelo menos 7,5 cm; se possível, podem ser colocados blocos de madeira sob as pernas da cama do lado da cabeceira ou utilizada uma cunha de espuma compacta sob o colchão do lado da cabeceira; a utilização simples de almofadas suplementares pode não proporcionar alívio;

•Evitar os alimentos que provocam relaxamento do esfíncter durante a digestão, incluindo café, chocolate, alimentos gordos, leite gordo, menta ou hortelã-pimenta (Mentha piperita e Mentha spicata);

•Limitar a ingestão de alimentos ácidos que agravam a irritação quando são regurgitados, incluindo os citrinos e os tomates;

•Evitar as bebidas gaseificadas, pois as eructações de gás forçam a abertura do esfíncter esofágico e promovem o refluxo;

•Ingerir refeições mais pequenas e mais frequentes;

•Não se ir deitar logo depois de comer. Não deve comer durante três a quatro horas antes de se deitar;

•Se fumar, deixar de o fazer;

•Evitar beber álcool, pois este provoca o relaxamento do esfíncter esofágico inferior;

•Perder peso se for obeso; a obesidade pode dificultar a manutenção do esfíncter esofágico encerrado;

•Evitar usar vestuário apertado; o aumento da pressão no abdómen pode abrir o esfíncter esofágico inferior;

•Utilizar comprimidos ou pastilhas elásticas para produzir saliva.

As pessoas com DRGE durante mais de cinco anos devem ser testadas para identificar a presença de um esófago de Barrett. Se esta situação for encontrada, é aconselhável a realização de endoscopias com intervalos regulares, de modo a que eventuais alterações cancerosas possam ser identificadas e tratadas quando o cancro se encontra nos seus estádios mais precoces.

 

Tratamento

O tratamento para a maior parte das pessoas com DRGE inclui as alterações do estilo de vida descritas na secção anterior, bem como medicamentos caso necessário. Se os sintomas persistirem, os tratamentos cirúrgicos ou endoscópicos constituem opções adicionais.

 

Medicamentos

Existem diversos medicamentos que podem ser utilizados para tratar a DRGE, incluindo:

•Inibidores da bomba de protões — Os inibidores da bomba de protões interrompem a produção de ácido pelo estômago e são muito eficazes no alívio dos sintomas. Estes medicamentos bloqueiam a produção de ácido de forma mais potente do que os bloqueadores H2, embora demorem mais tempo a iniciar o seu efeito.

•Bloqueadores H2 — Estes medicamentos, que incluem a famotidina, a cimetidina e a ranitidina, fazem com que o estômago produza menos ácido. A dose de medicamento a tomar dependerá da gravidade dos sintomas.

•Protectores da mucosa — Estes medicamentos revestem, suavizam e protegem o revestimento esofágico irritado; o sucralfato é um exemplo.

•Anti-ácidos de venda livre — Estas substâncias tampão neutralizam o ácido. As formas líquidas destes medicamentos actuam mais rapidamente, mas os comprimidos são mais cómodos. Os antiácidos que contêm magnésio podem causar diarreia e os que contêm alumínio podem causar obstipação. O médico pode aconselhar o doente a alternar os antiácidos para evitar estes problemas. Estes medicamentos resultam em alívio sintomático durante períodos curtos e não cicatrizam a inflamação do esófago.

•Medicamentos que aumentam a motilidade — Estes medicamentos podem ajudar a diminuir o refluxo esofágico, pois ajudam o estômago a esvaziar-se mais rapidamente e, como tal, diminuem o tempo durante o qual pode ocorrer refluxo. No entanto, não são muito eficazes por si só e geralmente são usados em combinação com outras classes de medicamentos.

 

 

 

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Simpósio no Josina Machel.

Fisioterapia respiratória permite cuidar melhor dos pacientes e reduzir custos

 

Olhar para os pacientes com um todo, humanizar os serviços de saúde e apostar em equipas multidisciplinares, foram algumas das prioridades destacadas no primeiro Simpósio de Fisioterapia Respiratória e Motora, da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Josina Machel, realizado este mês.

 

Francisco Cosme dos

Santos com Cláudia Pinto

 

“Saúde faz-se em equipa multidisciplinar” foi o tema deste primeiro simpósio que juntou profissionais de várias áreas que também tiveram a oportunidade de participar num curso básico teórico de fisioterapia direccionado a unidades de tratamento intensivo.

“Com uma boa actuação dos serviços de fisioterapia nos cuidados intensivos do hospital serão dadas as condições para o aumento do número de profissionais e a realização de práticas de imobilização exigidas nestas unidades facilitando, até certa forma, a redução de custos”, explicou Leonardo Inocêncio, director do Hospital Josina Machel.

 “É com muito apreço que testemunho mais uma fase de formação desenvolvida por este Hospital visto que é uma instituição de formação contínua dos seus profissionais com o objectivo de melhorar cada vez mais a atenção e a competência dos mesmos”, acrescentou Óscar Isaltino, representante da Direcção Nacional dos Recursos Humanos do Ministério da Saúde.

 

 

 

 

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Conhecer e avaliar as doenças profissionais

 

O número de doentes profissionais e incapacidades laborais em Luanda não é real uma vez que grande parte não é devidamente notificado às autoridades competentes. Por outro lado, a avaliação da capacidade adequada para o trabalho não é tarefa fácil e exige a participação de uma equipa multidisciplinar.

 

Francisco Cosme dos

Santos com Cláudia Pinto

 

A melhor forma de conferir protecção dos trabalhadores contra riscos profissionais é investir na prevenção. A avaliação das incapacidades laborais permite uma melhor apreciação judicial dos casos por via da mesma melhor protecção e garantia dos direitos das vítimas de infortúnios laborais. É dela que depende a determinação da medida legal exacta da indemnização de vida em cada caso concreto”, afirmou o vice-procurador geral da República para as Forças Armadas Angolanas, general Hélder Pitra Grós, no discurso de abertura das Jornadas Jurídico-Laborais realizadas este mês, em Luanda, sob o lema “Avaliação do dano emergente de acidente de trabalho e doenças profissionais”, numa iniciativa da Procuradoria-Geral da República e o Centro de Segurança e Saúde no Trabalho. Para se evitar discrepâncias no que respeita à rigorosa determinação dos prejuízos sofridos pelas vítimas, os vários especialistas intervenientes no processo de avaliação devem “dominar perfeitamente a metodologia de apreciação dos danos e utilizar instrumentos de medidas fiáveis, que possibilitem um exame personalizado e completo do sinistrado ou do doente”. A avaliação da capacidade adequada para o trabalho não é uma tarefa fácil e não é exclusiva dos médicos uma vez que dependem de vários factores como a idade, a profissão e a robustez física. “É crucial uma intervenção multidisciplinar composta por médicos, psicólogos, técnicos de emprego e de reabilitação profissional, de modo a se ultrapassar, com sucesso, as dificuldades que surgem na avaliação concreta das incapacidades”, acrescentou.

Por seu turno, a directora geral do Centro de Segurança e Saúde no Trabalho (CSST), Isabel Cardoso, realçou que “esta avaliação deve ser feita também por técnicos como engenheiros de segurança, técnicos de segurança e psicólogos”. O CSST assinou recentemente um acordo de cooperação com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das incapacidades laborais dos trabalhadores sinistrados por doenças profissionais adquiridas no exercício das suas funções.

 

Notificar casos

“Estas jornadas constituem o momento propício para traçar novas estratégias com vista a recolher alguns conhecimentos de todos os intervenientes no processo das incapacidades laborais quer médicos, técnicos de segurança, operadores de justiça, entre outros”, acrescentou. O número de acidentes de trabalho que chega à Inspecção Geral do Trabalho e CSST “continua ainda a ser insignificante pois não corresponde à realidade uma vez que a classe empregadora do país ainda não cultivou o hábito de informar acerca do número exacto de sinistrados em acidentes de trabalho e doenças profissionais às entidades competentes”. Só um trabalho conjunto com hospitais públicos e privados, seguradoras e com a Inspecção Geral do trabalho pode permitir fazer o levantamento das doenças profissionais correspondentes à realidade. “Para que isto funcione na prática cada instituição terá uma ficha de inscrição para registar todas as ocorrências de acidentes de trabalho e doenças profissionais”.

As jornadas jurídico-laborais tiveram como objectivo promover a reflexão e discussão sobre a avaliação dos danos emergentes dos acidentes de trabalho ou doenças profissionais; esclarecer aspectos técnicos inerentes à avaliação e graduação das incapacidades laborais e divulgar as atribuições do CSST, enquanto instituição especializada na realização de exames necessários à determinação da natureza e do grau de incapacidades laborais.

 

 

 

 

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Programa de mobilização social reduz mortalidade infantil nas comunidades rurais

 

Casimiro José

Correspondente no Cuanza Sul

Texto e fotografias

 

Implementado na província do Cuanza Sul, o programa tem sido essencial no envolvimento da população nos cuidados de saúde primários, no aumento de consultas pré natais e na diminuição da mortalidade infantil. Ganhos que têm contribuído para que a aposta na redução de doenças na província seja uma realidade do dia-a-dia.

 

Implementado pelos responsáveis e técnicos ligados ao sector da saúde, nos níveis provincial, municipal e comunal, o programa está a permitir uma percepção sobre a saúde preventiva no seio das populações e a redução da mortalidade materno-infantil nas comunidades. Este facto foi anunciado ao Jornal da Saúde por Maria Lussinga, Chefe de Departamento Provincial do Cuanza Sul da Saúde Pública e Controlo de Endemias, que realçou a implementação pelo Executivo do Programa “Água para Todos”, como um outro factor determinante para a melhoria dos níveis de saúde no seio das populações. “A acção de mobilização social, enquadrada no programa de cuidados primários de saúde, permite aos indivíduos ter uma percepção clara sobre a prevenção de doenças, através de campanhas de limpeza, cuidados a ter com alimentos e água de consumo, permitindo a aderência massiva nas campanhas de vacinação, entre outros ganhos”, referiu Maria Lussinga. Destacou ainda a redução de casos de auto-medicação, que tem sido a causa da progressão das doenças negligenciadas e do acesso voluntário das mulheres em consultas pré-natais, acompanhamento e partos seguros, através do envolvimento das parteiras tradicionais, em diversas localidades da província do Cuanza Sul.

Na entrevista concedida ao Jornal da Saúde, Maria Lussinga apontou como principal dificuldade, o número reduzido de técnicos, a vários níveis, para fazer face à demanda, e apelou no sentido de o Ministério da Saúde encontrar mecanismos junto das autoridades competentes para o ingresso de mais técnicos para diversas áreas do sector da saúde.

 

— Que avaliação faz dos vários programas executados e seu impacto nas comunidades?

— É com orgulho que, devido aos vários programas que implementamos ao nível da província, os resultados são animadores, sobretudo a componente de mobilização social, enquadrada nos cuidados primários de saúde. É já uma conquista o facto de estarmos a registar maior envolvimento das populações sobre a saúde  preventiva, através de campanhas de limpeza domiciliar, bem como da aderência massiva nas campanhas de vacinação. Por outro lado, devo realçar o aumento das consultas pré-natais no meio rural, reduzindo a taxa de mortes materno-infantil.

Por exemplo, a Chistosomíase está a ser erradicada no Cuanza Sul. Os municípios do Seles e Libolo apresentavam taxas preocupantes, na ordem de 50 casos cada. Mas a situação está controlada e, ao longo do primeiro semestre do corrente ano, não foi notificado nenhum caso. Isto traduz um esforço das autoridades sanitárias, mas também se deve ao melhoramento do abastecimento de água potável através do “Programa Água para Todos”.

Um outro impacto resultante da mobilização social é da redução do fenómeno de auto-medicação, que foi dos factores que, no passado, mais contribuiu na progressão das doenças negligenciadas. Em suma, devo considerar que a realidade actual nos encoraja a continuar a trabalhar com as comunidades para o objectivo comum, ou seja, o da redução de doenças.

— Quantos programas estão a executar na província? Há constrangimentos na sua execução?

— Temos em execução na província 14 programas, subdivididos em duas secções. A primeira consiste nos cuidados primários de saúde. Compreende os programas de saúde reprodutiva, da criança, nutrição, imunização, água e saneamento, medicamentos essenciais e mobilização social.

A segunda secção – que é a da higiene epidemiológica – compreende os Programas de luta contra a Malária, Tuberculose, Lepra, Sida, Chistosomíase e de Vigilância Epidemiológica. O principal constrangimento prende-se com a falta de recursos humanos para responder à demanda, pois há programas que só funcionam porque, na maioria dos casos, um supervisor acumula dois ou três programas, criando uma subcarga que pode diminuir a sua eficácia. Devíamos ter no mínimo 14 supervisores e mais 14 técnicos para auxiliar os respectivos programas. Mas só temos onze supervisores e cinco técnicos auxiliares. Este défice compromete as nossas aspirações.

Apesar deste condicionalismo, temos trabalhado para servir as populações. Os números demonstram o êxito: durante o primeiro semestre do corrente ano notificámos 4.715 casos de má nutrição atendidos no programa terapêutico para pacientes ambulatórios, através de suplementos. Destes casos, 709 pacientes foram curados, 17 morreram e 221 abandonaram o tratamento. Quanto aos casos de má nutrição severa, foram notificados no mesmo período um total de  990 casos, dos quais 284 ficaram curados, registaram-se 19 óbitos, enquanto 40 pacientes abandonaram o tratamento.

No programa de combate à tuberculose, foram registados ao nível da província, no período compreendido entre o segundo semestre de 2014 e o primeiro semestre do corrente ano, 425 casos, dos quais 213 foram curados, 122 pacientes continuam em tratamento, havendo o registo de dois óbitos e abandono do tratamento por parte de 88 pessoas.

Quanto à lepra, devo dizer que, durante o primeiro semestre do corrente ano, foram notificados 33 casos, em apenas cinco municípios, mas continuamos a trabalhar no rastreio de outros municípios para termos dados abrangentes. Continuamos a prestar assistência a estes pacientes.

Em termos de dificuldades devo acrescentar que os  exames de baciloascopia só são efectuados na sede provincial e no município da Quibala, porque nos outros dez municípios, não há estruturas nem equipamentos para o efeito.

Por outro lado, temos outra situação que nos preocupa e que está ligada à raiva. Durante o primeiro semestre deste ano foram notificados 746 casos de mordeduras de cães às pessoas. Destes casos, 744 foram prevenidos com vacina anti-rábica, enquanto outros dois, por terem procurado as unidades sanitárias muito tarde, acabaram por falecer. É uma realidade que nos leve a pensar na necessidade de  redobrar esforços para contornar a situação.

— Que pode dizer quanto à malária e VIH / Sida?

— De há um tempo a esta parte, debatemo-nos com a ruptura de testes e de reagentes, o que nos leva a não ter indicadores sobre a prevalência destes casos. Mas a situação continua controlada e com tendência de redução dos casos, sendo o principal barómetro o registo de poucos casos nas unidades sanitárias da província.

— Quais outras dificuldades enfrentam diariamente?

— Outras dificuldades que enfrentamos são a degradação das vias de acesso que tem contribuído para a fraca cobertura vacinal no meio rural e o controlo de indicadores de doenças, a falta de pessoal especializado, entre outras. Por isso, aproveito a oportunidade para apelar ao Ministério da Saúde, no sentido de advogar junto das autoridades competentes para reforçar as diversas áreas do sector da saúde na província – e não só – com técnicos de saúde capazes de responder aos desafios do presente e do futuro.

— Qual o apelo que deixa às Administrações Municipais?

— Aos administradores municipais deixo o apelo no sentido de colaborarem em todos os aspectos para o combate das várias doenças. Só assim poderemos ter pessoas saudáveis que podem participar no desenvolvimento das comunidades.

 

 

 

 

 

 

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Hospital Materno Infantil imuniza mais de 800 crianças contra hepatite B

 

Cerca de 881 crianças menores de um ano de idade foram imunizadas, nos últimos três meses, contra a hepatite B, no Hospital Materno Infantil do Cuanza Norte.

 

n O responsável desta instituição hospitalar, Arão da Siva, referiu que os petizes foram imunizados no âmbito de um programa de imunização às crianças nascidas de mães portadoras e não portadoras de vírus da hepatite B para fazer o corte da sua transmissão da mãe para o filho.

Arão da Silva esclareceu que a vacina é administrada aos bebés logo após o parto. Ou nas primeiras 24 horas após o nascimento, quando ocorre no domicílio.

O médico frisou que imunização contra a hepatite B, e outras vacinas, permite à criança um crescimento saudável.

Por seu turno, o responsável da área de cuidados primários de saúde e vigilância epidemiológica da Direcção Provincial do Cuanza Norte, Alfredo Mulanvo, referiu que o programa de imunização contra a hepatite B está a ser implementado em todas as unidades sanitárias da província que possuem serviços de saúde reprodutiva. “O facto de a vacina ser ministrada nas primeiras 24 horas após o parto possibilita o corte da transmissão do vírus da mãe para o filho, caso ela seja portadora”, disse. Lembrou que “após os primeiros dois meses de idade são administradas outras vacinas aos bebés, como a pentavalente.

Alfredo Mulanvo aconselhou as gestantes a fazerem os partos nas unidades sanitárias para beneficiarem de assistência técnica adequada, visando evitar complicações de saúde, para a mãe e o bebé.

 

 

 

 

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Bolongongo melhora saúde

 

O responsável da saúde no município do Bolongongo, António Ernesto António, destacou as melhorias significativas do sector ao longo dos 40 anos da independência.

 

A construção e recuperação de infraestruturas sanitárias nos últimos anos contribuíram significativamente para a melhoria do atendimento médico e medicamentoso das populações no Bolongongo, província do Cuanza Norte.

Quem garante é o responsável da saúde no município do Bolongongo, António Ernesto António. “Ao longo dos anos o município reabilitou e ampliou o centro municipal de saúde e construiu de raiz mais postos, distribuídos em todas as comunas, que permitiram minimizar os problemas de saúde no seio das comunidades”.

Sobre a situação medicamentosa e material gastável, aquele responsável disse que deixou de ser um problema. “O programa de municipalização dos serviços de saúde permite que as autoridades municipais adquiram meios para abastecer as unidades sanitárias”, declarou.

Frisou ainda que a administração municipal tem vindo a implementar mais unidades sanitárias em outras aldeias para viabilizar a assistência médica às populações e evitar a sua deslocação à procura de assistência.

Referiu que, a par das infraestruturas já construídas, Bolongongo vai ganhar outras, cujas obras estão em curso.

Com uma população estimada em 12,6 mil habitantes, Bolongongo   dispõe actualmente de 10 unidades sanitárias, asseguradas por 20 técnicos de saúde.

 

 

 

 

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Consciencialização aumenta aderência as consultas pré-natal

 

O hospital municipal do Golungo Alto, no Cuanza Norte, realizou 2.115 consultas pré-natal, durante o primeiro semestre deste ano, mais 214 do que no mesmo período do ano anterior.

 

O aumento deve-se à tomada de consciência sobre a importância do acompanhamento médico na gestação, de acordo com uma informação emitida pela maternidade municipal.

No mesmo período foram efectuados 315 partos, dos quais oito resultaram em nados mortos, 872 consultas de planeamento familiar – mais 147 que em igual período do ano passado. As mulheres da faixa etária entre os 17 e os 35 anos como as que mais aderem aos cuidados primários de saúde durante a gravidez.

A direcção da unidade sanitária atribui esta tomada de consciência ao trabalho de sensibilização desencadeado pelas parteiras em toda a extensão do município, com o incremento do ciclo de palestras sobre as vantagens das consultas pré-natal e os riscos da gravidez sem acompanhamento médico.

Aponta, todavia, a necessidade da continuação da sensibilização, ao constatar-se ainda a ocorrência de partos domiciliares, cujas parturientes recorrem à maternidade muitas vezes com a placenta presa, cujo recurso, em alguns casos, tem sido a sua evacuação para Ndalatando, a 54 quilómetros de distância.

Com uma superfície de 1.989 quilómetros quadrados que compreendem a sede municipal e as comunas de Cambondo, da Cerca e do Quiluanje, Golungo Alto tem uma população de 29.259 habitantes.

 

 

 

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Vida saudável de mãos dadas com a saúde hepática

 

Daniela Gonçalves

 

A acumulação de gordura no fígado pode gerar doenças hepáticas graves como a esteato-hepatite e a cirrose. Saiba que a adopção de um estilo de vida saudável e uma vigilância regular podem fazer toda a diferença para evitar o problema e o comprometimento da sua saúde hepática.

 

O fígado gordo "representa um conjunto de situações nas quais o fígado sofre por excesso de gordura aí depositada e esse sofrimemto tem várias expressões", explica o Professor Guilherme Macedo, director do Serviço de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital de S. João e membro da direcção da Associação Portuguesa de Estudos do Fígado (APEF). A acumulação de gordura prejudica, por um lado, o funcionamento deste orgão  e, por outro, origina, em certas circunstâncias particulares, inflamação e fibrose. Ou seja: "o processo de cicatrização descontrolada acaba, em certa medida, por condicionar o próprio funcionamento do fígado".

O especialista adianta que a doença inclui vários estádios clínicos, podendo contemplar o fígado gordo por si só ou envolver situações mais graves e complexas, como a esteato-hepatite. "Trata-se de uma inflamação e fibrose provocadas pela gordura no fígado." Importa saber que o indivíduo pode ter "uma sobrecarga ponderal associada a uma acumulação de gordura no fígado, que é uma situação relativamente frequente, segundo os resultados das análises mais comuns do fígado". Como afirma o presidente da APEF, este quadro traduz "o lado mais benigno desse espectro".

 

Quando o fígado começa a sofrer

O fígado gordo, por si só, não constitui um problema grave, mas se não for tratado de uma forma adequada pode gerar doenças graves como a esteato-hepatite, que actualmente ainda não dispõe de uma terapêutica totalmente eficaz, diz o Professor Guilherme Macedo. Quais as  suas consequências? "O fígado gordo pode não induzir nenhuma grave alteração, o problema é que, em alguns indivíduos, esse quadro evolui para inflamação, como seja a esteato-hepatite, a qual pode ter uma evolução grave para doença hepática crónica ou cirrose." O especialista acrescenta mesmo que pode ocorrer o pior dos prognósticos, a falência hepática. "O que faz com que a esteato-hepatite já seja neste momento uma causa importante de transplante hepático." A obesidade constitui um factor de risco muito importante para o surgimento de problemas de fígado gordo e os dados epidemiológicos falam por si. "Pelo menos 40% das pessoas com sobrecarga de peso apresentam alterações nas provas hepáticas, o que significa que têm fígado gordo."

Por isso, o Professor Guilherme Macedo lança o alerta para se estudar bem cada um desses pacientes, a fim de despistar complicações associadas à acumulação de gordura no fígado. A síndrome metabólica e, em especial, a diabetes e os níveis elevados de mau colesterol no sangue (LDL) são factores de risco determinantes. "A prevalência de doença hepática associada a esta síndrome é muito elevada, oscilando entre os 40 e os 60%."

 

Hereditariedade versus saúde hepática

O Professor Guilherme Macedo aponta a hereditariedade como um "co-factor de risco associado às causas que provocam o fígado gordo, bem como doenças mais graves relacionadas com o problema, como a esteato-hepatite e a cirrose". Falamos de situações em que se considera que a "obesidade, a sobrecarga ponderal e a síndrome metabólica têm base genética". O presidente da APEF clarifica a potencial relação entre a história de doença metabólica  familiar e os factores ambientais precipitantes. "Pode haver uma influência poligénica, ou seja, existir várias circunstâncias biológicas, as quais podem resultar de uma transmissão familiar, constituindo, por isso, um território favorável para que – em certas circunstâncias ambienciais – haja a expressão dessa doença."

 

Como se faz o diagnóstico?

As análises clínicas ao sangue constituem o ponto de partida para indicar pistas de que a saúde do fígado pode estar em risco, mas são insuficientes. A realização de provas hepáticas que levem a que se faça "uma avaliação micros­cópica do fígado" abre a porta a um diagnóstico em tempo útil. "Não há uma análise para revelar que a pessoa tem gordura no fígado. A me­lhor maneira para se apurar se existe esta acumulação e, principalmente, se se gerou inflamação, concretiza-se a partir da realização de uma biópsia hepática, num hospital", explica o Professor Guilherme Macedo. "Uma ecografia pode demonstrar que o fígado tem gordura, mas nada garante que o orgão tem ou não inflamação associada, que pode gerar esteato-hepatite ou cirrose."

 

Estilo de vida saudávelcontra a gordura no fígado

O membro da direcção da APEF refere que a terapêutica do fígado gordo "é ainda limitada", embora exista uma clara aposta na investigação nesta área, sobretudo em termos de biologia molecular, para "encontrar soluções de tratamento que evitem a progressão para doenças mais graves". O especialista explica que actualmente quem sofre de fígado gordo deve seguir uma medicação à base de estatinas e emagrecer, com toda a mudança no estilo de vida que isso acarreta. Salienta que o processo de emagrecimento deve estar relacionado com a prática de actividade física, não por questões estéticas, mas pelos efeitos metabólicos demonstrados pela evidência empírica. Isto porque "a prática de actividade física parece ser um factor benéfico e promissor em termos de prognóstico, por interferir com o metabolismo". Segundo o Professor Guilherme Macedo, a adopção de um estilo de vida saudável, com impacto na redução do peso, constitui a melhor arma para proteger o fígado, daí que "a mensagem da sociedade científica assente nessa ideia e no incentivo à não ingestão de álcool".

 

 

 

 

 

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Enjoos, prisão de ventre e azia:

dificuldades comuns na gravidez

 

Investigadora principal:

Isabel Loureiro

Investigadoras:

Gisele Câmara e Ana Rita Goes

Harvard Medical School

 

Durante a gravidez é comum que as mulheres sofram com enjoos, prisão de ventre e azia. Isso acontece devido às mudanças que ocorrem no organismo durante a gravidez. Contudo, a alimentação da mulher pode agravar algumas situações ou contribuir para o alívio dos sintomas e a resolução dos problemas.

 

 As grávidas que sofrem de enjoos, prisão de ventre e azia podem sentir-se preocupadas e cansadas com estas situações. Por vezes, pensam mesmo que o bebé está a sofrer e pode ser prejudicado com isso. Normalmente estas condições não oferecem risco nem para a saúde da mãe nem para a saúde do bebé. Só em casos mais severos pode ser necessária a intervenção médica.

Confira algumas sugestões para ajudá-la a controlar ou amenizar estas situações e aumentar o seu bem estar durante a gravidez!

 

Enjoos (matinais) e vómitos

Os enjoos são comuns durante a gravidez, principalmente no início. Podem ocorrer a qualquer hora do dia e até mesmo o dia todo. Por serem mais frequentes na parte da manhã, são conhecidos como enjoos matinais.

Normalmente os enjoos deixam de acontecer ou melhoram significativamente por volta do 4º mês de gravidez. Até lá, pode colocar em prática os seguintes conselhos para aliviar os seus sintomas:

•Descanse o máximo que puder

•Procure distrair-se

•Procure estar ao ar livre

•Evite os cheiros que habitualmente lhe provocam enjoos e, se necessário, peça que alguém cozinhe por si

•Evite os movimentos e situações que habitualmente lhe provocam enjoos. Por exemplo, andar de carro

•Evite estar com o estômago vazio. Coma pouco de cada vez, mas não deixe de comer. Durante o dia, faça 5, 6 ou mais refeições pequenas, com intervalos de 2 a 3 horas

•Coma algumas bolachas simples, como bolachas Maria ou de água e sal, antes de se levantar pela manhã e procure levantar-se devagar

•Evite beber líquidos às refeições. Mas não se esqueça de beber líquidos entre as refeições!

•Evite alimentos picantes, condimentados, gordurosos e doces e todos aqueles que habitualmente lhe provoquem enjoos.

 

De certeza saberá quais são!

Atenção! Fale o quanto antes com o seu médico se:

•Estiver a urinar pouco e a urina for escura

•Não conseguir manter os líquidos no estômago devido aos vómitos

•Tiver tonturas quando fica de pé

•Sentir o seu coração acelerado

•Vomitar sangue

O seu médico pode recorrer ao uso de medicamentos para reduzir os vómitos ou verificar a necessidade de repor líquidos. Em casos mais severos, pode ser recomendado o internamento para um acompanhamento mais próximo.

 

Prisão de ventre

A prisão de ventre pode acontecer durante toda a gravidez devido às alterações hormonais que ocorrem no organismo da mulher grávida.

Os comprimidos de ferro, muito utilizados para combater a anemia durante a gravidez, também podem contribuir para a prisão de ventre. Contudo, somente o seu médico é capaz de avaliar se pode ou não deixar de tomá-los por este motivo.

Algumas medidas podem ajudá-la a reduzir a prisão de ventre:

•Faça atividade física regularmente. Uma boa caminhada diária pode ajudar!

•Beba bastante água

•Inclua bastante fibra na sua alimentação. São alimentos ricos em fibra: cereais integrais e seus derivados, como pão, arroz, massa, cereais matinais e aveia; frutas frescas e secas, principalmente o kiwi, a manga, a papaia, a ameixa preta, a ameixa seca, e a laranja; frutos oleaginosos, como pinhões, amêndoas, nozes, avelãs; hortícolas leguminosas, como, feijões e lentilhas

Atenção! Não utilize laxantes sem aconselhamento médico. Se o problema persistir fale o quanto antes com o seu médico.

 

Azia

A azia também é comum durante a gravidez e interfere com o bem-estar da mulher grávida. Pode acontecer em qualquer momento da gravidez mas é mais comum no final. É um forte ardor no peito causado pela subida dos ácidos do estômago.

Seguem algumas medidas que podem ajudá-la a contornar este problema:

•Evite chocolate e alimentos gordurosos, principalmente antes de deitar

•Evite café e bebidas à base de cola

•Evite bebidas alcoólicas

•Evite alimentos ácidos e picantes, como o tomate e as frutas cítricas e seus sumos, o vinagre, as pimentas e os molhos picantes

•Evite fumar

•Faça refeições pequenas e mais frequentes

•Evite deitar-se logo após as refeições e nunca faça uma grande refeição antes de ir para cama

•Coma devagar

•Evite beber líquidos às refeições

Mas não se esqueça de beber líquidos entre as refeições!

•Durma com almofadas altas para elevar a sua cabeça e as costas

 

 

 

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Cacimbo. Previna-se de constipações e gripes

 

A constipação (também conhecida por nasofaringite ou rinofaringite) é uma doença viral do tracto respiratório superior que afecta essencialmente a cavidade nasal. Os sintomas incluem tosse, garganta inflamada, rinorreia (muco nasal) e, por vezes, febre. Geralmente, desaparecem ao fim de sete a dez dias. Contudo, alguns dos sintomas podem prolongar-se até três semanas. Existem mais de 200 vírus que podem ser responsáveis por uma constipação, sendo os rinovírus os mais comuns. As infecções do tracto respiratório podem ser divididas por várias áreas. No entanto, uma infecção viral pode afectar várias zonas em simultâneo. A constipação afecta predominantemente a cavidade nasal (rinite) e a garganta (faringite). Eventualmente, pode afectar, mais tarde, os seios perinasais (sinusite). A prevenção mais eficaz é evitar a proximidade às pessoas infectadas, uma vez que a inalação das gotículas de Flügge é a principal via de transmissão. O uso de máscara quando for necessário permanecer em ambientes altamente contaminados, assim como a lavagem das mãos, são bons hábitos de prevenção da doença. Não existe cura para a constipação, contudo os sintomas podem ser aliviados. Um adulto pode ter uma constipação, em média, entre duas a três vezes por ano e uma criança entre seis a doze vezes por ano.

 

A  gripe

A gripe é uma doença infecciosa provocada por vários vírus ARN (Influenza). Os sintomas mais comuns são arrepios, febre, corrimento nasal, dor de garganta, dores musculares, dores de cabeça (cefaleias), tosse, fadiga e uma sensação de desconforto geral. Nas crianças pode ocorrer diarreia e dor abdominal. Apesar de ser normalmente confundida com constipação, a gripe é uma doença mais grave, provocada por um tipo de vírus diferente. Esta infecção é geralmente é transmitida pelo ar, através da tosse ou espirros, que, por sua vez, propagam partículas que transportam o vírus. A gripe pode, portanto, ser transmitida por contacto directo com as secreções nasais ou com superfícies contaminadas. As viroses por Influenza podem ser neutralizadas pelo sol, desinfectantes ou detergentes. Por conseguinte, uma vez que o sabão pode neutralizar o vírus, a simples lavagem das mãos reduz eficazmente o risco de infecção.

A gripe pode ocasionalmente dar origem a uma pneumonia, viral ou bacteriana, mesmo em indivíduos saudáveis.

Existem vacinas para a gripe, sendo a mais comum vacina humana a que inclui material de dois subtipos de Influenza A e uma estirpe de Influenza B. Esta vacina trivalente não apresenta risco de transmissão da doença. Atendendo a que o vírus Influenza se modifica rapidamente, substituindo uma estirpe por outra, pode acontecer que a vacina perca a sua eficácia passado um ano. Recomenda-se portanto uma vacinação anual. Nos casos mais graves de gripe, pode mesmo ser necessário utilizar terapia antiviral.

 

Patologias associadas

Geralmente os sintomas de constipação e gripe estão presentes durante uma semana. Caso se prolonguem e se alterem, pode estar presente uma infecção secundária. Estas infecções secundárias, chamadas de complicações da constipação e gripe são comuns e podem debilitar em muito o doente. Apresentamos algumas patologias e respectivos sintomas diferenciadores, que podem estar associados a complicações da constipação e gripe:

Bronquite – Uma tosse persistente, com duração superior a duas semanas pode estar relacionada com bronquite. Esta infecção pode ser tratada por diversas formas. Portanto, caso haja suspeita de bronquite deverá consultar o médico.

Pneumonia – Uma tosse produtiva, dolorosa, pode ser indicadora de pneumonia. Normalmente ocorre depois de uma infecção como a constipação ou gripe. Procure informação sobre esta doença grave junto do seu médico.

Infecção dos Ouvidos (Otite) - Este tipo de infecção é comum depois de uma constipação ou gripe. Podem ocorrer nos adultos, embora a taxa de incidência seja maior nas crianças. Pode ser bastante dolorosa, estando o seu tratamento  dependente da gravidade e da idade do doente.

Infecções dos Seios Perinasais (Sinusite) – A sinusite ocorre quando o muco fica retido nas cavidades sinusais provocando uma infecção. Este tipo de infecção pode ser muito dolorosa afectando todas as faixas etárias da população.

Recapitulando, caso os sintomas da constipação ou gripe tenham sido alterados, agravados ou não tiverem melhorado no final de duas semanas, o doente deverá consultar o médico. Existem muitas complicações que podem decorrer destas doenças, sendo as anteriormente mencionadas apenas as mais comuns. O médico poderá diagnosticar a origem dos sintomas e estabelecer o tratamento adequado sempre que necessário.

 

 

 

 

 

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Febre de malta nos humanos.

A brucelose transmite-se ao homem. Sintomas. Como evitar?

 

Catarina Martins

Veterinária

 

Neste número vamos abordar outra zoonose. Como já referimos em edições anteriores, as zoonoses são doenças transmitidas dos animais ao homem e deste aos animais. A brucelose á uma doença epidemiologicamente alargada que existe em várias espécies animais e que atinge o ser humano.

 

 

A brucelose é causada por uma bactéria do género Brucella. Dentro do género, encontramos as espécies  B abortus (bovinos), B mellitensis (cabras), B suis (porcos), B ovis (ovinos) e B canis  (canídeos).

Os animais da fauna selvagem são também bastante afectados pela doença, sobretudo os ruminantes ou poligástricos.

Há uma prevalência elevada em muitos países do mundo. Para além de graves implicações a nível produtivo, tem uma seríssima expressão em saúde pública, sobretudo a causada pela Brucella melitensis.

Em todas as espécies pecuárias, os principais sintomas são: a falha reprodutiva, com abortos ou nascimento de crias mal desenvolvidas, ou nados mortos. Os abortos ocorrem frequentemente no último terço da gestação e, sobretudo, em fêmeas primíparas (na primeira gestação). Nos machos, aparece orquite (infecção com inflamação testicular) e epididimite (infecção com inflamação do epidídimo) que originam muito frequentemente esterilidade no macho reprodutor. Também se observa poliartrite (inflamação dolorosa de várias articulações)

 

Transmissão

A doença é transmitida através da ingestão, da penetração pela pele ou feridas existentes, pela conjuntiva (olhos), pelo sémen de machos infectados e verticalmente de mães para filhos durante a gestação.

A cauda de uma fêmea com corrimento uterino contaminado é uma séria fonte de infecção para outros animais do efectivo e para o homem.

A presença no ambiente de fetos abortados, ou de placentas infectadas, são a grande fonte de contágio para os outros animais.

O leite de fêmeas brucélicas é uma fonte de contágio para outras fêmeas (no caso de serem ordenhadas mecânica, ou mesmo, manualmente).

As fêmeas infectadas por via uterina que sobrevivem mantêm-se serologicamente negativas até ao seu primeiro parto, altura em que também começam a eliminar o microrganismo.

A transmissão da doença de um efectivo animal para outro, e de uma região para outra, ocorre pelo transporte de animais doentes de regiões endémicas (com a doença) para outras regiões sem a doença (indemnes).

Isto só acontece quando o controlo sanitário não é eficiente, quando não há rastreios e registos nos boletins sanitários dos animais (dos animais negativos ou vacinados).

 Os animais positivos (diagnóstico confirmado laboratorialmente) serão somente transportados para o matadouro com guia de transporte para abate sanitário e relatório de positividade enviado para a Direcção Geral de Veterinária (DGV) que, por sua vez, informa o Ministério da Agricultura e a World Organization for Animal Health (OIE).

Para tal, há necessidade de se rastrearem os animais dos efectivos com colheitas de sangue e envio para o laboratório.

Todos os animais positivos deverão ser abatidos, com controlo sanitário apertado e com rejeição da carcaça. Os médicos veterinário inspectores deverão fazer o registo de entrada no matadouro dos animais positivos, procederem ao seu abate e destruição da carcaça. Devem depois enviar os respectivos relatórios para a DGV que, por sua vez, está em contacto directo com o Ministério da Agricultura e com a OIE.

A brucelose é uma doença de declaração obrigatória (OIE) e de erradicação.

Sob o ponto de vista económico, as perdas na produção animal são muito elevadas, pela redução na produção de leite, pelos abates sanitários, pelo aumento de intervalos entre partos, pela perda de fetos abortados, pela esterilidade e mesmo por morte de fêmeas que fazem retenção placentária com infecção do útero e posteriormente infecção sistémica (metrite aguda).

A maior parte dos animais tornam-se doentes crónicos e por vezes assintomáticos.

 

A transmissão para o homem

Como já referimos, a brucelose é uma doença transmissível ao homem através do leite, da carne e do maneio dos animais por parte das pessoas que trabalham na pecuária (é uma doença profissional).

A ingestão deste leite cru é a mais importante fonte de contágio para os seres humanos.

Os sintomas que aparecem nos seres humanos são, essencialmente, febre ondulante e normalmente pouco elevada (o sintoma mais comum e bom indicador de suspeição da doença), cansaço, dor muscular, inflamação dos linfonodos (gânglios linfáticos), hepatite (fígado), orquite (testículos), pielonefrite (rim), meningo-encefalite (SNC), artrite (articulações), endocardite (coração) e retinopatias (olhos).

O esclarecimento da doença no homem deverá ser do foro da medicina humana.

 

Que devemos fazer?

Devemos proceder ao controlo sanitário eficaz e responsável, desde a produção, com rastreios e vacinação em zonas endémicas, e, posteriormente, medidas hígio-sanitárias adequadas e rigorosas, nos casos positivos.

Implica um trabalho integrado entre instituições, técnicos de saúde animal e proprietários.

Informar as populações dos riscos e em como poderão evitar o contágio.

Deverão cozinhar bem a carne que ingerem e ferver o leite para ser bebido em natureza ou fazer queijo e outros subprodutos e derivados do leite.

Os restos de abortos ou placentas não deverão ser manipulados sem a protecção de umas luvas. Não deverão manipular o períneo ou a cauda de fêmeas que pariram há pouco e contenham líquidos uterinos.

Quem ordenha as fêmeas que não tenham controlo sanitário deverá ter o cuidado e verificar não ter feridas nas mãos. No caso de haver ordenha mecânica, as tetinas devem ser desinfectadas, de vaca para vaca, com uma solução desinfectante adequada.

 

 

 

 

 

 

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