MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Menos orçamento, mas mais qualidade

Desafios 2015

 

 

O sector da saúde defronta-se este ano com um grande desafio –um orçamento mais restritivo devido às causas que todos conhecemos –, à semelhança aliás de outras áreas económicas e sociais do país. Só que o nosso sector é de vidas humanas que trata, pelo que a agudeza da situação não é compatível com a tradicional solução de simplesmente cortar a direito. A agravar, provavelmente, seguindo a tendência dos anos mais recentes, haverá um aumento de procura de cuidados de saúde, incluindo obviamente as províncias, onde, fruto das intensas campanhas de sensibilização e da melhoria do atendimento nas unidades sanitárias, a demanda tem aumentado exponencialmente (veja-se, nesta edição, como um mero exemplo, o que relatam os responsáveis por unidades sanitárias no Cuanza Norte e Sul).

 

O dedo na ferida

Em resumo, o dedo na ferida é: temos de fazer mais, com menos recursos. O tempo das vacas gordas – e que aliás nunca foram propriamente gordas na Saúde – acabou! Só há um caminho, conforme aliás o ministro da Saúde apontou durante o Conselho Consultivo: cada um, no seu local de trabalho, deve fazer o seu melhor do ponto de vista de gestão. Ser parcimonioso, procurar ganhos de eficiência, articular com outras áreas e inovar.

 

Nós somos Saúde!

O X Congresso Internacional dos Médicos em Angola, em simultâneo com a feira Médica Hospitalar – o evento de referência do sector da saúde no país – de que damos destaque nesta edição, não podia assim realizar-se em melhor hora: certamente que, juntos, dirigentes, médicos, outros profissionais de saúde e fornecedores, nas suas análises e debates, irão encontrar soluções para enfrentar com sucesso um dos maiores desafios que o sector enfrenta nos últimos anos. E sempre com o cidadão no centro do sistema de saúde.

Nesta hora, há que cerrar fileiras. Estamos (todos) juntos!

 

 

 

 

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Formação de profissionais de saúde e da população

em geral pode trazer uma melhoria na assistência médica

 

 

Especialistas em saúde, entre médicos, professores universitários e outros, estão de acordo em reconhecer que só através da informação e do direito de acesso à saúde da população será possível chegar a um sistema de saúde eficaz e abrangente.

 

No X Congresso Internacional de Médicos em Angola que se realiza este mês em Luanda, oradores de várias especialidades falarão de investigação, da informatização dos sistemas de saúde, da formação contínua de técnicos, de campanhas de vacinação e rastreios, entre muitos outros temas.

O rastreio das diversas patologias, associado à educação e informação, à criação de infraestruturas e à optimização das políticas de saúde poderá proporcionar às populações uma vida mais saudável.

No Congresso, organizado pela Ordem dos Médicos de Angola, que decorre na capital a 26 e 27 deste mês e junta especialistas de 11 países, como o Brasil, Portugal, Bélgica, Cabo Verde, Moçambique, Israel e Estados Unidos da América, serão apresentadas várias visões de gestão de sistemas de saúde sustentáveis, tendo sempre em mente os direitos da população à melhor saúde possível.

Literacia é fundamental

Entre os temas debatidos está a literacia. Trata-se de uma importante componente de políticas nacionais sem a qual um sistema de saúde não poderá funcionar bem.

Um dos oradores do Congresso defenderá que um nível inadequado de literacia em saúde pode ter implicações muito negativas.

Sem a educação e a informação adequadas a população dificilmente tomará consciência de sintomas ou sinais de doença e da necessidade de se dirigir a um posto de saúde ou a um hospital. Doenças como o sarampo e a poliomielite têm vindo a ser alvo em Angola de campanhas de vacinação e de informação, porque estas doenças continuam a matar.

Estas campanhas esbarraram no facto de a população não estar ainda habituada a reconhecer os benefícios da assistência prestada nas unidades de saúde. Daí que muitas pessoas não iam aos postos de vacinação, o que obriga os profissionais de saúde a uma campanha porta a porta.

Também será realçada no encontro a necessidade de reforçar a informação sobre prevenção e tratamento de doenças como a diabetes, a hipertensão, o VIH/SIDA e muitas outras que continuam a registar altos índices de morbilidade e mortalidade.

Doenças como o cancro podem ser detectadas numa fase precoce através de rastreios, como o que foi efectuado em 2014 pelo Instituto Angolano de Controlo de Câncer, em Luanda.

Este Congresso, até pela elevada craveira e prestígio científico dos participantes, está a gerar grandes expectativas nos profissionais e responsáveis políticos da área da saúde, dele se esperando um forte impulso dinamizador para a saúde em Angola.

 

 

 

 

 

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Meningite diminui devido a campanhas

 

 

A redução de casos de meningite deve-se ao programa de vacinação e às campanhas de sensibilização, bem como a introdução da vacina Pneumo 13.

A vacina Pneumo 13 combate a bactéria streptococcus pneumoniae que é responsável por um grupo de doenças, entre as quais a meningite, a pneumonia, sepsis, bacteremia e otite média aguda. Atualmente, as doenças pneumocócicas já matam mais que Malária, sida e Tuberculose juntas.

 

No hospital pediátrico David Bernardino, em Luanda, registou-se em 2014 uma redução de 260 casos de meningite, comparativamente com o ano anterior, afirmou a sua directora clínica, Elsa Gomes.

A responsável referiu que de 2012 a 2013 foram atendidos em média 300 casos por ano e que, depois da introdução da vacina, se registou em 2014 uma redução para 40 casos.

 “Em 2013 foi introduzida a vacina Pneumo-13, no calendário de vacinação, como parte de uma intervenção estratégica do Programa Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS) até ao ano 2025, elaborado para acelerar a redução da mortalidade infantil", afirmou.

Elsa Gomes sublinhou que a vacina, que visa imunizar contra a pneumonia, a meningite e as infecções do ouvido, é ministrada sob a forma intramuscular, em três doses intercaladas (dois, quatro e seis meses de idade).

As vacinas – adiantou - são “ferramentas vitais para proteger a vida das crianças e dar-lhes a oportunidade de crescer e de se tornarem adultos saudáveis e produtivos”.

 

Causas de internamento

A directora clínica informou que, diariamente, o hospital pediátrico observa 260 crianças, ficando internadas, em média, 50. A principal causa de internamento é a anemia severa com 6.786 casos registados e 89 óbitos em 2014.

Nas posições imediatamente a seguir estão a malária com 2.610 casos e 194 óbitos, e doenças respiratórias agudas com 2.503 casos e 245 mortes.

A responsável afirmou que os dados estatísticos de 2014 em relação ao ano a 2013 foram melhores, sabendo-se que em média morrem 3 a 4 crianças por dia, o que é um valor muito elevado, pelo que os profissionais de saúde continuam a trabalhar para a sua redução.

Segundo a responsável, uma das principais causas da mortalidade é a chegada tardia dos doentes, sendo que 50 a 60 porcento deles morrem 48 horas após os primeiros socorros.

Rede periférica

A médica afirmou que o número de crianças internadas diariamente em 2014 diminuiu em relação a 2013. “Em 2013 internámos uma média de 70 crianças, e em 2014 já foram apenas 50, tudo porque existe uma rede periférica que começou a funcionar melhor”.

Para o ano de 2015, o Hospital Pediátrico "David Bernardino" antecipa que os dos dados estatísticos irão revelar melhorias, contando para isso uma colaboração mais estreita com as instituições da rede periférica na formação permanente de profissionais capazes de identificar as situações de emergência, e na redinamização do programa de vacinação.

 

A meningite é uma inflamação das meninges, que são as membranas que envolvem o cérebro. Existem diversos tipos de meningite, e para cada um deles há causas e sintomas específicos.

 

“A maioria dos casos de meningite é provocada por vírus ou bactérias, mas a doença também pode ser transmitida via fungos”, afirmou Elsa Gomes.

Outros factores também podem desencadear um quadro de meningite, como alergias a determinados medicamentos, alguns tipos de cancro e algumas doenças inflamatórias.

 

 

 

 

 

 

 

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Número de novos casos de Ébola está a diminuir

 

 

A epidemia do Ébola, que matou mais de 8.400 pessoas na Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri (África Ocidental), e que chegou também ao Mali, Nigéria, Senegal, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos, com um total de 21.296 casos confirmados, prováveis e suspeitos, está a diminuir, anunciou a OMS.

Até 11 de Janeiro de 2015, foram infectados 843 profissionais de saúde, grande parte voluntários, em todos os países afectados, com um total de 500 mortos.

 

 

A Organização Mundial de Saúde anunciou, no passado dia 14, que o número de infecções semanais causadas pelo vírus do Ébola (DVE) atingiu o menor índice registado em meses nos três países mais afectados pela epidemia – Libéria, Serra Leoa e Guiné.

A Serra Leoa e Guiné somaram o menor índice semanal de casos confirmados desde Agosto de 2014, e a Libéria relatou dois dias sem qualquer nova infecção, isto é, com o seu menor índice semanal desde Junho.

Até meados de Janeiro, a Guiné-Conacri notificou 42 casos confirmados, a Libéria oito casos confirmados (contra mais de 300 nas semanas anteriores) e a Serra Leoa notificou 184 casos confirmados.

Seis países (Mali, Nigéria, Senegal, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos) tiveram um ou mais casos iniciais e transmissão localizada. O Mali manteve os oito casos, sendo sete confirmados e um provável, tendo-se registado seis mortes. No Reino Unido, as autoridades não detectaram contactos de risco relacionados com a enfermeira a ser tratada em Londres e que contraiu a infecção na Serra Leoa.

A resposta à epidemia continua em progresso, em coordenação com a Missão das Nações Unidas para o Controlo do Ébola (UNMEER), com o objectivo de isolar 100 por cento dos casos de DVE e enterrar 100% dos doentes que morrerem com ébola, com segurança e dignidade.

Anteriormente, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que a epidemia pode estar acabada na metade de 2015.

O primeiro caso de Ébola foi diagnosticado na Guiné, a dois de Dezembro de 2013. Emile, um menino de dois anos, morreu e quatro dias morreu também mãe, as irmãs, a avó e uma enfermeira. Cientistas consideram Emile o "paciente zero" e o início da pior epidemia de Ébola da história.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Campanhas de rastreio de cancro estão a salvar

vidas com a deteção de novos casos de doença

 

 

O número de novos casos de cancro aumentaram em 2014 mas este crescimento reflecte um factor positivo: a adesão da população a campanhas de rastreio e de prevenção do cancro.

 

 

A preocupação do governo angolano em melhorar os serviços de saúde através da criação de novas estruturas e melhoria das já existentes só pode ter bons resultados através do lançamento de campanhas de prevenção e informação para os profissionais de saúde e para a população em geral.

Em entrevista ao Jornal da Saúde, Fernando Miguel, director do Instituto Angolano de Controlo de Cancro disse que foram diagnosticados 1.165 novos casos de cancro em 2014, dos quais 256, de um universo rastreado de 9.347 pessoas.

“Nós recebemos de outras unidades de saúde casos de pessoas com suspeita ou com doença de cancro. Houve também pessoas que se deslocaram ao Instituto por iniciativa própria”, disse.

“Das pessoas que se deslocaram ao Instituto foi efectuado um rastreio de um universo de 9.347 individuos, tendo sido diagnosticados 256 novos casos de cancro da mama, próstata e uterino”, sublinhou, frisando que estes dados são provisórios, pois o relatório final só será apresentado no X Congresso Internacional dos Médicos em Angola, a 26 e 27 de Janeiro.

O director do Instituto reconheceu que houve um aumento de novos casos em 2014 mas que pode dever-se a uma maior consciencialização da população, pois não parece haver nenhuma circunstância que leve a um aumento de número de casos.

“As pessoas vão tomando consciência, os nossos próprios serviços vão-se organizando cada vez mais,  isso faz com que nos procurem mais", adiantou o responsável.

“Esses casos já existem no seio da população, o que estamos a fazer é criar condições para que os diagnosticados sejam seguidos de tratamento. Este rastreio foi efectuado no Instituto mas as pessoas não são só de Luanda, pois também vieram de Cabinda ao Cunene. Em cada província temos um núcleo que faz o seu trabalho e dá-nos os dados compilados. Nós damos assistência a pessoas que venham de qualquer parte do país”.

 

Doenças crónicas

Fernando Miguel referiu que o “cancro pertence ao grupo de doenças crónicas não transmissíveis, ao contrario das infecto-contagiosas que têm uma única causa, um único agente que as provoca. Sabemos que o que provoca o paludismo é o plasmódio, que é transmitido através do mosquito, ao passo que doenças como a hipertensão arterial, cancro e uma série de outras patologias que pertencem a esse grupo de doenças crónicas não transmissíveis têm múltiplos factores que as provocam”.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Ter cancro é uma questão de azar?

 

 

Os factores de risco ambientais – e/ou a predisposição genética – têm um papel fundamental no aparecimento de uma série de cancros. Mas noutros são sobretudo as mutações espontâneas, aquando da divisão celular normal, que parecem estar em causa.

 

As mutações aleatórias que podem ocorrer, num dado órgão do corpo, quando as chamadas células estaminais se dividem (garantindo assim a reposição das células adultas em fim de vida nesse órgão), são responsáveis por dois terços dos cancros que as pessoas desenvolvem ao longo da vida, concluem dois especialistas num estudo publicado este mês na revista Science.

Cristian Tomasetti e Bert Vogelstein, da Universidade Johns Hopkins (EUA), analisaram resultados anteriormente publicados sobre a taxa de divisão de células estaminais (saudáveis) em 31 tipos de tecidos diferentes do corpo humano. E, quando compararam esses dados com as estatísticas de incidência do cancro, ao longo da vida, nesses mesmos tecidos, descobriram uma forte correlação entre essa taxa de normal renovação celular e a taxa de cancro no órgão correspondente. Segundo eles, 65% da incidência do cancro nos adultos norte-americanos poderá assim ser, principalmente, uma questão de “má sorte”.

 

Estilos de vida

Quer isto dizer que não vale a pena preocuparmo-nos, por exemplo, em ter um estilo de vida saudável? De todo: há cancros, como o cancro de pulmão dos fumadores (devido ao tabagismo) ou o cancro da pele (consequência do excesso de exposição solar), que estão claramente mais ligados ao estilo de vida do que a uma espécie de roleta russa. Aí, de facto, o número de divisões das células estaminais no tecido correspondente não chega para explicar a frequência dos cancros que atingem esse tecido. E não só: os cientistas fazem notar que, mesmo quando o principal factor de risco é o acaso, os factores ambientais e hereditários só podem fazer aumentar ainda mais esse risco.

“Constatámos que os tipos de cancro que tinham um risco maior do que previsto pela taxa de divisão celular eram precisamente aqueles que seria de esperar – incluindo o cancro do pulmão e o cancro da pele –, bem como os cancros associados a síndromes hereditárias”, diz Bert Vogelstein, citado em comunicado da sua universidade.

Todavia, nos cancros em que o factor sorte surge como predominante, argumenta este cientista, “a melhor maneira de os erradicar será através da sua detecção precoce, quando ainda são operáveis”.

Segundo os autores, estes resultados permitem explicar por que é que o cancro é menos frequente nalguns órgãos do que noutros. “Um exemplo”, diz Vogelstein, é o tecido do cólon, que sofre quatro vezes mais divisões de células estaminais do que o intestino delgado”. Ora, justamente, o cancro surge de forma muito mais frequente no cólon do que no intestino delgado.

Uma limitação do estudo é a não inclusão de certos tipos de cancro muito prevalentes, tais como o cancro da mama ou o da próstata. Os autores justificam este facto pela falta de dados fiáveis sobre a renovação celular nestes tecidos, esperando que este tipo de lacuna venha a ser colmatada no futuro.

 

 

O que provoca o cancro?

 

A ciência não conseguiu até hoje dizer exactamente o que provoca o cancro. Há muitos factores que podem levar ao seu aparecimento. Entre eles, há quatro grandes grupos, mencionados na literatura que são: o estilo de vida sedentário ( falta de exercício físico), a alimentação tipo “fast-food”, o consumo exagerado de alcool e o tabaco.

“Toda a gente sabe que o tabaco mata mas as pessoas continuam a fumar. É uma das drogas mais letais que conhecemos vendida legalmemnte”, frisou.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tuberculose - Perguntas & Respostas

 

 

O que é a tuberculose?

A tuberculose é uma doença infecciosa causada por um micróbio chamado "bacilo de Koch". É uma doença contagiosa, que se transmite de pessoa para pessoa e que atinge sobretudo os pulmões. Pode também atingir outros órgãos e outras partes do nosso corpo, como os gânglios, os rins, os ossos, os intestinos e as meninges.

 

Quais são os sintomas mais evidentes?

– Tosse crónica;

– Febre;

– Existência e persistência de suores nocturnos (dos que ensopam o lençol);

– Dores no tórax;

– Perda de peso, lenta e progressiva;

– Falta de apetite, anorexia, apatia completa para com quase tudo o que está à volta.

 

Como se transmite?

A transmissão do micróbio da tuberculose processa-se pelo ar, através da respiração, que o faz penetrar no nosso organismo. Quando um doente com tuberculose tosse, fala ou espirra, espalha no ar pequenas gotas que contêm o bacilo de Koch. Uma pessoa saudável que respire o ar de determinado ambiente onde permaneceu um tuberculoso pode infectar-se.

Note-se que um espirro de um doente com tuberculose projecta no ar cerca de dois milhões de bacilos. Através da tosse, cerca de 3,5 mil partículas são igualmente projectadas para a atmosfera.

 

Todas as pessoas que entram em contacto com doentes tuberculosos podem ser contagiadas?

Não. A maior parte das vezes o organismo resiste e a pessoa não adoece. Contudo, por vezes, o organismo resiste no momento, mas continua a albergar o micróbio, motivo pelo qual quando fragilizado por alguma outra doença, como a sida, o cancro, a diabetes ou o alcoolismo, acaba por não resistir. Os idosos têm também mais possibilidades de adoecer logo após estarem em contacto com um tuberculoso, ou seja, com o ar que este respira.

Entre as pessoas que mais probabilidades têm de contrair esta infecção, contam-se os idosos, as crianças e as pessoas muito debilitadas por outras doenças.

 

Todos os pacientes com tuberculose podem transmitir a doença?

Não, apenas os doentes com o bacilo de Koch no pulmão e que sejam bacilíferos, isto é, que eliminem o bacilo no ar, através da tosse, espirro ou fala.

Quem tem tuberculose noutras partes do corpo não transmite a doença a ninguém porque não elimina o bacilo de Koch através da tosse.

Os doentes com tuberculose que já estão a ser tratados não oferecem perigo de contágio porque a partir do início do tratamento este risco vai diminuindo dia após dia. Quinze dias depois de iniciado o tratamento, é provável que o paciente já não elimine os bacilos de Koch.

 

Que factores facilitam o contágio?

– Estar na presença de um doente bacilífero (aquele que elimina muitos bacilos através da tosse, dos espirros, da fala);

– Respirar em ambientes pouco arejados e nos quais há predominância de pessoas fragilizadas pela doença;

– Permanecer vários dias em contacto com doentes tuberculosos.

 

Como se previne?

A prevenção é a arma mais poderosa e genericamente usada em todo o mundo. É feita através da vacina BCG (Bacilo de Calmette e Guérin), que é aplicada nos primeiros 30 dias de vida e capaz de proteger contra as formas mais graves de tuberculose. É, por isso, obrigatória e tomada por milhões de crianças em todo o mundo.

Deve ainda tratar-se, o mais breve possível, os doentes com tuberculose, para que o contágio não prolifere, e procurar não respirar em ambientes saturados, pouco arejados e pouco limpos.

 

A tuberculose tem cura?

Sim. Se o doente seguir a prescrição do médico e as suas indicações, as oportunidades de cura atingem os 95 por cento. Mas para que assim seja, é fundamental não interromper o tratamento em hipótese alguma, nem mesmo se os sintomas desaparecerem.

 

Como se trata?

Quando alguém adoece por causa do micróbio da tuberculose e fica tuberculoso, o tratamento consiste na combinação de três medicamentos: rifampicina, isoniazida e pirazinamida. Este tratamento dura cerca de seis meses e deve ser sempre acompanhado pelo médico de família do seu centro de saúde.

 

Em que situações é preciso internar um doente com tuberculose?

Na maior parte dos casos, o tratamento deve ser ambulatório, ou seja, feito em casa e acompanhado no centro de saúde ou no hospital da área de residência do doente. Porém, se o diagnóstico não for feito no início da doença e os pulmões do doente ficarem gravemente afectados, inclusive originando outras complicações, o médico tem que observar o paciente e decidir se precisa do internamento. Nestas circunstâncias, as pessoas ficam muito fragilizadas e precisam de muito apoio.

No caso de um doente com tuberculose noutras partes do corpo, cabe ao médico tomar a decisão. Quando o doente contrai uma meningite tuberculosa tem forçosamente de ser internado.

 

A tuberculose mata?

Sim. Se uma pessoa com tuberculose não recorrer aos serviços médicos competentes e se não for tratada atempada e convenientemente, a probabilidade de vir a morrer na sequência da tuberculose é muito elevada.

Quando um doente abandona ou interrompe o tratamento que lhe foi prescrito, aumenta também a probabilidade de vir a morrer da doença, uma vez que possibilita o aparecimento de novos bacilos de Koch, resistentes aos medicamentos actualmente usados pelos médicos para o tratamento e controlo da tuberculose.

Como se diagnostica?

Se tossir consecutivamente durante cerca de três semanas, é recomendável que consulte o médico do centro de saúde da sua área de residência. Este médico pode pedir-lhe para fazer o exame do escarro ou baciloscopia e também uma radiografia ao tórax. Através dos resultados destes dois exames estará, então, em condições de avançar com o diagnóstico e encaminhá-lo para os serviços médicos competentes.

 

Se for diagnosticada uma tuberculose,  é necessário parar de beber e de fumar?

Sim. Não é aconselhável, como se sabe, a associação entre medicamentos e bebidas alcoólicas. Podem até gerar-se outras complicações, como, por exemplo, o aparecimento de hepatite. É também desejável e necessário que o paciente pare de fumar, até porque isso melhorará a sua saúde como um todo e beneficiará a recuperação dos pulmões. Caso persistam dúvidas ou alguma impossibilidade por parte do paciente em seguir estas recomendações, aconselha-se conversar com o médico ou com o responsável de saúde do centro de saúde da sua área de residência.

 

As grávidas podem ser tratadas com os medicamentos habituais para a tuberculose?

Sim, pois os medicamentos costumam ser seguros. Mas também neste caso se aconselha a consulta e uma conversa com o médico assistente para esclarecimento de dúvidas, designadamente as que se relacionem com a saúde da mãe e do bebé.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Gerir a energia: uma nova aprendizagem nas empresas

 

 

 

Os desafios da situação económica actual, as constantes turbulências dos mercados e a conjuntura obrigam os líderes a um envolvimento cada vez maior nas tarefas profissionais. Hoje o "nine to five" passou a 24/7. O aumento da carga de trabalho implica um desgaste físico e psicológico difícil de suportar com evidentes consequências nas capacidades de decisão dos quadros das empresas e unidades de saúde.

 

 

É habitual vermos os líderes  centrarem a sua principal preocupação na gestão do tempo. Para isso, as agendas electrónicas, os PDAs, os smartphones são instrumentos indispensáveis. Todavia, e apesar dos nossos esforços, o tempo é imutável! Vinte e quatro horas são sempre 24h. O que poderemos alterar é a forma como vivemos esse tempo, ou seja, como gerimos a nossa energia no dia-a-dia.  Tal e qual como um atleta de alto rendimento, um gestor tem de perceber que o seu rendimento profissional está dependente da forma como consegue manipular a sua energia: focando-se nos momentos decisivos, descansando/recuperando entre esforços. É essa a base do sucesso e do progresso das capacidades do atleta e do gestor.

Um quadro de uma empresa tem de iniciar a sua actividade, todos os dias, na plenitude das suas capacidades. Tal e qual como um atleta! Para isso, tem de TREINAR. Tem de TREINAR a gerir a sua energia. Sabendo que as suas competências físicas condicionarão de forma indelével as suas decisões, uma atenção redobrada à forma como gere a sua vida é, na realidade, decisiva. Como podemos imaginar um atleta a tomar um pequeno-almoço em pé, a correr para o treino, a não fazer uma única pausa para recuperar, a almoçar na pista, a tomar um café a meio da tarde, a jantar às 10horas e deitar-se, de seguida, para acordar passadas cinco ou seis horas de sono? Se esta é uma realidade impensável para um elevado desempenho desportivo, porque não há-de ser, também, para um quadro que tem, igualmente, de revelar um desempenho de alto nível?

Esta nova visão da vida de um líder ou de um quadro de uma empresa tem a sua fundamentação no pressuposto que um decisor, tal como um atleta, necessita, para ser produtivo, de estar fisicamente capaz, apto e disponível. Ou seja, de aprender, TREINANDO, a manusear as 4 premissas determinantes da GESTÃO DA ENERGIA FÍSICA:

 

Alimentação

- Repouso

- Recuperação

- Exercício

Alimentação como suporte de um estado de saúde compatível com as exigências profissionais. Hoje sabe-se, por exemplo, que a glicemia não só tem uma interferência decisiva no aparecimento de algumas patologias, como é também fortemente influenciadora de mediadores bioquímicos relacionados com o estado emocional, interferindo, consequentemente, com as nossas capacidades de escolha e decisão.

Repouso como pressuposto para reposição a curto prazo dos níveis de concentração física e psíquica. Um intervalo bem gerido permite uma reposição de energia determinante para o desempenho.

Recuperação como meio de regeneração estrutural e metabólica do nosso organismo. Por mais motivação que tenhamos, por mais vontade que coloquemos nas nossas tarefas, as reservas vão-se esgotando, independentemente decididos que estejamos em continuar a trabalhar ou a negar o tempo de repouso, na medida em que as nossas células necessitam de ser regeneradas. Essa regeneração celular consegue-se através da alimentação e do repouso, ou seja, pela recuperação.

Exercício como meio considerado hoje como indispensável a um estilo de vida saudável e, portanto, mais produtivo. O exercício não tem apenas efeitos na diminuição de factores de risco, mas é também um meio de regular as nossas emoções, de gerir o stress e de repor a nossa energia. Os efeitos do exercício na regulação química do cérebro são hoje bem conhecidos.

 

Vantagens da

gestão de energia física

Cuidar da saúde é cuidar do negócio! Cuidar do corpo, que é, de resto, o instrumento chave da performance, é um factor decisivo para o aumento da produtividade e do envolvimento. Um corpo desgastado, mal tratado, descuidado, não é um corpo produtivo, não é um agente de motivação e compromisso.

Ou seja, não é suficiente pensarmos em ambientes de trabalho acolhedores, open space, com condições óptimas, se não nos preocuparmos com a saúde e o bem-estar de quem lá trabalha!

 

Benefícios da

gestão da energia

física

ENSINAR a olhar para o nosso corpo como o instrumento decisivo para a nossa produtividade profissional e bem-estar pessoal.

ADQUIRIR estratégias de melhoria da nossa performance física.

COMPREENDER a forma como o estado físico condiciona toda a nossa forma de estar na vida, profissional e pessoal.

DESENVOLVER rituais de vida que permitam a gestão da energia física

 

 

 

 

 

 

 

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A educação médica continuada (EMC) e a qualidade em saúde:

que relação?

 

 

O médico (ou profissional de saúde) no início do século XXI, independentemente da área em que pratica, é posto em confronto com problemas de conhecimento, de desempenhos práticos e de relações interprofissionais que são

de facto comuns a todas as especialidades.

 

António Vaz Carneiro (avc@medicina.ulisboa.pt)

-Director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Portugal

-Diretor-executivo da Cochrane Portugal

 

Carlos Alberto Pinto de Sousa (pintodesousa@yahoo.com.br)

-Bastonário Ordem dos Médicos de Angola

-Professor do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, Angola

 

Os desafios da situação económica actual, as constantes turbulências dos mercados e a conjuntura obrigam os líderes a um envolvimento cada vez maior nas tarefas profissionais. Hoje o "nine to five" passou a 24/7. O aumento da carga de trabalho implica um desgaste físico e psicológico difícil de suportar com evidentes consequências nas capacidades de decisão dos quadros das empresas e unidades de saúde.

 

 

É habitual vermos os líderes  centrarem a sua principal preocupação na gestão do tempo. Para isso, as agendas electrónicas, os PDAs, os smartphones são instrumentos indispensáveis. Todavia, e apesar dos nossos esforços, o tempo é imutável! Vinte e quatro horas são sempre 24h. O que poderemos alterar é a forma como vivemos esse tempo, ou seja, como gerimos a nossa energia no dia-a-dia.  Tal e qual como um atleta de alto rendimento, um gestor tem de perceber que o seu rendimento profissional está dependente da forma como consegue manipular a sua energia: focando-se nos momentos decisivos, descansando/recuperando entre esforços. É essa a base do sucesso e do progresso das capacidades do atleta e do gestor.

Um quadro de uma empresa tem de iniciar a sua actividade, todos os dias, na plenitude das suas capacidades. Tal e qual como um atleta! Para isso, tem de TREINAR. Tem de TREINAR a gerir a sua energia. Sabendo que as suas competências físicas condicionarão de forma indelével as suas decisões, uma atenção redobrada à forma como gere a sua vida é, na realidade, decisiva. Como podemos imaginar um atleta a tomar um pequeno-almoço em pé, a correr para o treino, a não fazer uma única pausa para recuperar, a almoçar na pista, a tomar um café a meio da tarde, a jantar às 10horas e deitar-se, de seguida, para acordar passadas cinco ou seis horas de sono? Se esta é uma realidade impensável para um elevado desempenho desportivo, porque não há-de ser, também, para um quadro que tem, igualmente, de revelar um desempenho de alto nível?

Esta nova visão da vida de um líder ou de um quadro de uma empresa tem a sua fundamentação no pressuposto que um decisor, tal como um atleta, necessita, para ser produtivo, de estar fisicamente capaz, apto e disponível. Ou seja, de aprender, TREINANDO, a manusear as 4 premissas determinantes da GESTÃO DA ENERGIA FÍSICA:

 

Alimentação

- Repouso

- Recuperação

- Exercício

Alimentação como suporte de um estado de saúde compatível com as exigências profissionais. Hoje sabe-se, por exemplo, que a glicemia não só tem uma interferência decisiva no aparecimento de algumas patologias, como é também fortemente influenciadora de mediadores bioquímicos relacionados com o estado emocional, interferindo, consequentemente, com as nossas capacidades de escolha e decisão.

Repouso como pressuposto para reposição a curto prazo dos níveis de concentração física e psíquica. Um intervalo bem gerido permite uma reposição de energia determinante para o desempenho.

Recuperação como meio de regeneração estrutural e metabólica do nosso organismo. Por mais motivação que tenhamos, por mais vontade que coloquemos nas nossas tarefas, as reservas vão-se esgotando, independentemente decididos que estejamos em continuar a trabalhar ou a negar o tempo de repouso, na medida em que as nossas células necessitam de ser regeneradas. Essa regeneração celular consegue-se através da alimentação e do repouso, ou seja, pela recuperação.

Exercício como meio considerado hoje como indispensável a um estilo de vida saudável e, portanto, mais produtivo. O exercício não tem apenas efeitos na diminuição de factores de risco, mas é também um meio de regular as nossas emoções, de gerir o stress e de repor a nossa energia. Os efeitos do exercício na regulação química do cérebro são hoje bem conhecidos.

 

Vantagens da gestão de energia física

Cuidar da saúde é cuidar do negócio! Cuidar do corpo, que é, de resto, o instrumento chave da performance, é um factor decisivo para o aumento da produtividade e do envolvimento. Um corpo desgastado, mal tratado, descuidado, não é um corpo produtivo, não é um agente de motivação e compromisso.

Ou seja, não é suficiente pensarmos em ambientes de trabalho acolhedores, open space, com condições óptimas, se não nos preocuparmos com a saúde e o bem-estar de quem lá trabalha!

 

Benefícios da gestão da energia física

ENSINAR a olhar para o nosso corpo como o instrumento decisivo para a nossa produtividade profissional e bem-estar pessoal.

ADQUIRIR estratégias de melhoria da nossa performance física.

COMPREENDER a forma como o estado físico condiciona toda a nossa forma de estar na vida, profissional e pessoal.

DESENVOLVER rituais de vida que permitam a gestão da energia física

 

 

 

 

 

 

 

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A Qualidade da Saúde tem preço?

 

António Correia de Campos

A qualidade da saúde pode não ter preço mas tem sempre um custo muito elevado. O custo da saúde é o somatório de gastos em medicamentos, pessoal de assistência na saúde, meios comprados ao exterior, equipamentos, investimentos, etc.

O preço,  é aquilo que os empresários de saúde, ou o Estado cobram aos utilizadores do Serviço Nacional de Saúde.

Devido à natureza social da mercadoria que se vende na saúde, é muitas vezes necessário que o preço não corresponda ao custo, isto é, que o preço seja nulo, sobretudo no ponto de aquisição, ou que seja diferido no caso dos seguros de saúde.

E, portanto, essa é a ginástica da sustentabilidade financeira do sistema.

Portugal tem vindo a diminuir a parte pública do financiamento da saúde e a aumentar a parte paga pelas famílias e cidadãos.

Não é verdade que a qualidade não tenha preço. Tem, e elevado, tanto “inhouse”, como no exterior. O custo da não-qualidade é difícil de calcular, mas reconhece-se a prazo, e paga-se caro.

As famílias e os cidadãos pagam neste momento 32 por cento do total dos custos com a saúde e o Estado só está a pagar 67 por cento. “Vejo isto com alguma preocupação porque significa que estamos a afastar-nos do carácter universal previsto na Constituição para o nosso Serviço Nacional de Saúde”.

Estamos a caminhar para um peso dominante do sector privado. Infelizmente estamos a deformar a intenção inicial do Serviço Nacional de Saúde na sua universalidade e estamos a levar os cidadãos a ter de pagar cada vez mais os cuidados de saúde.

Eu preferia que o sistema se agilizasse de forma a permitir fazer mais com o mesmo dinheiro.

É possível evitar muito desperdício. Há muitas pessoas a comprar e tomar medicamentos de que não necessitam. São feitos exames de diagnóstico que não são necessários, há muitos outros actos que são desnecessários.

Os hospitais podem funcionar de forma mais eficiente, assistir mais pessoas com os mesmos recursos, ter menos pessoal e pagar melhor aos que fiquem.

Os ganhos de eficiência melhoram a eficácia ou a efectividade do sistema. Se ganharmos eficiência podemos ter um serviço a funcionar melhor. Neste momento estamos a perder nos dois sectores. Estamos a perder eficiência, a gastar mais e a fazer menos. Estamos a perder efectividade.

 

 

 

 

 

 

 

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Rastreio, diagnóstico e tratamento dos cancros do útero e da mama

 

Fernando Miguel

O rastreio do cancro do colo do útero realizado através de exame citológico tem dado “resultados significativos”.

No X Congresso Internacional dos Médicos em Angola serão apresentados dados definitivos sobre o número de pessoas rastreadas no Centro Nacional de Oncologia, bem como o número de novos casos de cancro. Será ainda apresentada a experiência do Centro Nacional de Oncologia.

Cerca de 15 dias antes do congresso, de um total ainda parcial de 9.347 pessoas rastreadas para o cancro da mama, próstata e colo uterino, foram diagnosticados 256 casos de cancro, o que corresponde a 2.7 por cento de casos positivos.

Serão também abordados casos de doenças hemato-oncológicas tratados no Centro Nacional de Oncologia.

 

 

 

 

 

 

 

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A promoção da saúde e a prevenção como pilares primaciais do sistema de saúde

 

Isabel Loureiro

Da saúde como um desígnio dos deuses, passando pela observação empírica e o raciocínio lógico-dedutivo de Hipócrates, à compreensão da sua dependência de medidas políticas, tem sido longo o esforço para o controlo da mesma. A investigação epidemiológica revela a complexidade dos fatores determinantes da saúde e, associada aos direitos humanos, a Promoção da Saúde surge como uma área de estudo e de ação legitimada pelo interesse em desenvolver as potencialidades humanas e promover o bem-estar de todos. Conjugando a educação para a saúde com as políticas públicas e organizacionais que facilitem a adoção de práticas saudáveis e a diminuição das desigualdades, a Promoção da Saúde revela-se como um investimento  que se traduzirá em menos custos para a sociedade, em melhor qualidade de vida e autonomia das pessoas.

A emergência das doenças crónicas, a par da permanência das doenças infecciosas, exige uma maior  atenção para as metodologias de capacitação dos doentes, das famílias e das comunidades para melhor gerirem a sua saúde, assim como para a criação de ambientes físicos e sociais favorecedores de estilos de vida saudáveis. Embora a educação seja fundamental para a escolha de comportamentos, a força das grandes indústrias de produtos nefastos para a saúde, como o tabaco ou o alcool, tem de ser combatida com políticas de regulação e de proteção dos cidadãos. A articulação do setor da saúde com outros parceiros, dando corpo à saúde em todas as políticas, permite acautelar decisões dos vários setores com impacte na saúde.

Redes de boas práticas

O estabelecimento de redes de boas práticas e partilha do conhecimento, como são a Iniciativa dos Hospitais Amigos dos Bébés, a Rede das Escolas Promotoras de Saúde ou a Rede das Cidades Saudáveis, incentiva ao estabelecimento de metas e à adoção de procedimentos reconhecidos internacionalmente como de grande mérito. A participação dos cidadãos nos processos que lhes dizem respeito proporciona uma melhor adequação das estratégias a usar e uma maior motivação, com consequente aumento da probabilidade da sua implementação. A investigação-ação é, cada vez mais, uma abordagem adotada em Promoção da Saúde que, integrando contributos  de várias áreas do saber, permite ímplementar ações relevantes e sinérgicas para ganhos em saúde e para o desenvolvimento humano, económico e social.

 

 

 

 

 

 

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Violência Social: “quo vadis” ? Uma visão médico-legal

 

António Eugénio Zacarias

O termo violência social é polémico porque foram incorporados ao longo da história aspectos biológicos, socioculturais, políticos, económicos, jurídicos e, porque não, morais. Violência social significa comportamentos “normais” por certos segmentos sociais que atentam contra a dignidade humana ou ainda diferentes atitudes de constrangimento económico, moral, verbal, físico e sexualmente explícitos, de um indivíduo ou grupo de indivíduos contra uma pessoa ou grupo de pessoas; em ambiente privado, familiar, público ou laboral; em diferentes contextos social, político, étnico/cultural.

A OMS define violência como “o uso intencional de força física ou poder, em ameaça ou na prática, contra si próprio, outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade que resulte ou possa resultar em sofrimento, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação”, e natureza dos actos violentos é: física, psicológico, sexual, privação e negligência. Esta definição responde do ponto de vista médico-legal a questão o que é violência social.

Para este trabalho emprestamos teorias sobre violência que analisam a conexão entre factores de risco/protecção individuais e contextuais ou macro-sociais da violência social, nomeadamente o modelo ecológico, a teoria de aprendizagem social e a teoria de troca social.

Ao abordar a questão do que é violência social do ponto de vista médico-legal em pleno gozo de um exercício democrático, buscamos dar uma visão ampla de um fenómeno cuja prevenção, intervenção e tratamento necessita de uma articulação transversal, intersectorial, multidisciplinar e com a participação de  todas  forças vivas da sociedade civil que lutam pelos direitos humanos. Esta abordagem como um problema de saúde pública, operacionalizando-a no contexto moçambicano do ponto de vista jurídico-legal, sociocultural, ético-social e económico deu-nos a convicção de que os actos/eventos violentos não ocorreram de forma acidental, não foram falta de sorte nem simples fatalidade. A violência/abuso pode ser enfrentado, prevenido e tem tratamento médico e jurídico-legal adequado.

 

 

 

 

 

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Infertilidade conjugal: a importância do factor masculino

 

Luis Ferraz

A infertilidade conjugal é hoje, em muitos países, um grande preocupação de saúde pública, pois atinge 8 a 10% dos casais em idade reprodutiva. Ela é definida como a impossibilidade de um casal conceber naturalmente após um ano de relações regulares e desprotegidas. Isto implica que, retirando situações particulares em que o estudo se iniciará mais cedo, a avaliação de um casal infértil deve começar imediatamente após passarem esses 12 meses e contemplar, em simultâneo, a avaliação da mulher e do homem. O estudo inicial do homem deve começar, sempre, pela realização de um espermograma. Este exame tem resistido ao longo dos anos e ainda hoje permanece como o “ gold standard” na investigação masculina. Este exame não prediz a capacidade fecundante do espermatozóide mas informa-nos sobre o estado funcional do testículo e da via excretora. Um exame alterado diagnostica um factor masculino e sugere, imediatamente, uma avaliação por um Andrologista no sentido de se investigar a causa dessa alteração. Estas anomalias no espermograma podem ir desde uma diminuição da motilidade dos espermatozóides( astenozoospermia), a uma diminuição na percentagem das formas normais(teratozoospermia) ou mesmo uma diminuição no número de espermatozóides( oligozoospermia). Quando não existem espermatozóides no espermograma estamos perante uma azoospermia. Esta situação é sempre muito angustiante para o casal que julga não haver solução, pelo que o papel do Andrologista é fundamental esclarecendo-os se se trata de uma caso de azoospermia secretora(não obstrutiva) de prognóstico mais difícil, pois aqui há uma falência da espermatogénese ou então estamos perante uma azoospermia excretora( obstrutiva). Neste caso toda a espermatogéneses está conservada havendo apenas um problema mecânico, por isso, uma  cirurgia  de recanalização ou uma cirurgia desobstrutiva pode solucionar o problema do  doente.

Múltiplas causas

O factor masculino representa 50% de todas as causas de infertilidade conjugal pelo que assume uma grande importância na avaliação inicial do casal. O seu esquecimento provoca atrasos que podem ser irreparáveis e condiciona gastos desnecessários. No homem são múltiplas as causas que podem causar infertilidade sendo umas congénitas e outras adquiridas. A preocupação inicial do andrologista é identificar a causa devendo, para isso, começar por colher uma história clínica bem cuidada. Esta deverá começar no momento da concepção, pesquizar todos os fármacos que a mãe tomou, tóxicos com que contactou( trabalho) ou doenças que teve durante a gravidez. Depois, conhecer toda a história desde o nascimento, infância, puberdade até à idade actual particularmente os relacionados com os genitais externos, cirurgias inguinais ou doenças oncológicas. No exame físico o clínico deverá ter uma particular atenção quanto à posição dos testículos( estão nas bolsas?), ao seu volume( 20-22 ml) e consistência. Deverá palpar os epidídimos, confirmar a presença bilateral dos canais deferentes e excluir a existência de varicocelo clínico.

No estudo laboratorial é fundamental que o espermograma seja realizado num laboratório de qualidade e de acordo com as normas da OMS, caso contrário só nos induz em erro.

Estudo hormonal

O estudo hormonal deve incluir, na fase inicial, o doseamento da FSH, a não ser que o paciente apresente sinais de hipogonadismo. Neste caso devem ser doseadas também a LH e a Testosterona. Estes resultados são importantes para distinguirmos um hipogonadismo hipergonadotrófico ( Sindroma de Klinefelter) de um hipogonadismo hipogonadotrófico (p.ex. Sind Kalman).

No estudo genético o cariótipo e o estudo molecular das microdelecções do cromossoma Y deverão ser pedidos a todos os casos de azoospermia secretora assim como a todos os casos de oligozoospermia grave( <5 milhões/ml). Nos casos de azoospermia por ausência bilateral dos canais deferentes deverá ser pedida a pesquisa da mutação dos genes da fibrose cística.

O tratamento pode ser tão simples como suspender um fármaco. Um dos casos mais frequentes é o uso de esteróides anabolizantes pelos nossos jovens que pretendem desenvolver a massa muscular ou estão em competições de culturismo. É preciso alertá-los que estes produtos atrofiam os testículos e causam azoospermia. Noutras situações basta modificar um posto de trabalho, ou porque o doente está exposto a temperaturas muito altas ou porque contacta com produtos com toxicidade gonadal.

Tratamentos

Nos casos de um azoospérmico por um hipogonadismo hipogonadotrófico o tratamento com gonadotrofinas induz a espermatogénese. A duração do tratamento é variável podendo ser de  6, 9, 12 ou mesmo 15 meses.

A cura cirúrgica de um varicocelo, cirurgia simples e realizada em ambulatório, pode corrigir um espermograma e permitir uma gravidez espontânea.

As situações de tratamentos são diversas e devem, por isso, ser sempre analisadas caso a caso, tendo sempre presente a idade e patologias da mulher. Só após a sua ineficácia é que os doentes devem ser encaminhados para a solução de recurso que são as técnicas de reprodução assistida. Enviar os casais para a realização de técnicas de reprodução, sem a avaliação prévia do factor masculino, é má prática médica e deverá ser condenada.

 

 

 

 

 

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A literacia em saЬde О um factor de desenvolvimento

 

Ana Escoval

A promoção de melhores níveis de literacia em saúde das pessoas assume-se como estratégia incontornável para uma melhor saúde, pois nos últimos 15 anos, a literatura tem vindo a demonstrar que um nível inadequado de literacia em saúde pode ter implicações significativas na saúde. Inadequados níveis de literacia em saúde dos cidadãos traduzem-se, por exemplo:

-Numa pior condição de saúde, com maior taxa de morbilidade em doenças como diabetes, hipertensão, obesidade e infecção por VIH;

-Numa utilização menos eficiente dos serviços de saúde;

-Numa menor utilização de cuidados preventivos, como rastreios oncológicos (por exemplo citologia, mamografia, colonoscopia);

- Numa menor taxa de vacinação;

-Numa maior taxa de hospitalizações e de utilização das urgências hospitalares;

-Numa maior susceptibilidade para adoptar determinados comportamentos de risco para a sua saúde, como o fumar ou adoptar uma alimentação desequilibrada;

A base de evidência para relacionar o nível de literacia em saúde e os custos para os sistemas de saúde é ainda limitada. Contudo, a bibliografia disponível sobre o tema, indica que um baixo nível de literacia em saúde acarreta muitos custos para os sistemas de saúde.

Um estudo levado a cabo pela Associação Médica Americana aponta para que inadequados níveis de literacia em saúde representem uma perda económica de 73 mil milhões de dólares por ano aos Estados Unidos da América e um custo nacional entre os 100 e os 200 mil milhões de dólares anuais.

A promoção efectiva da literacia em saúde das populações pode mudar o comportamento das pessoas bem como o seu perfil de utilização dos serviços e recursos de saúde, o que pode significar uma poupança significativa nos gastos em saúde.

 O diagnóstico do nível de literacia em saúde das populações, analisado por grupos específicos (como sejam idade, género, doença e até mesmo local de residência) permite direccionar e alinhar melhor as estratégias e intervenções de literacia em saúde a serem desenvolvidas. Cada vez mais, as estratégias de promoção da literacia em saúde têm de ser encaradas como investimentos sólidos e sustentáveis e incluídas no discurso da promoção da saúde e prevenção da doença em todos os níveis - internacional, nacional mas, muito em particular, ao nível local/municipal.

 

 

 

 

 

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Aumento de doenças infecto-contagiosas  e crónicas em Angola

 

Lúcio Lara Santos

A melhoria das condições de vida, o aumento da esperança de vida ao nascer e a mudança de estilo de vida criam condições para que as doenças crónicas, entre as quais as oncológicas, se tornem prevalentes. Angola tem tido um aumento consistente não só do número de doenças infecto-contagiosas, como também de doenças crónicas.

Os registos de cancro são responsáveis pela recolha de informação de doentes com cancro, de modo a obter os dados necessários à produção de estatísticas descritivas e ao planeamento, monitorização e avaliação dos programas de controlo de cancro. Para além disto, são a base para os estudos sobre as causas da doença, nomeadamente estudos de epidemiologia analítica.

Os registos hospitalares de Luanda, a par com a informação do Registo Civil, são fontes de informação importantes para o Registo de Base Populacional de Luanda sediado no IACC (Instituto Angolano Contra o Câncer), que está a dar os seus primeiros passos.

NO IACC (antigo CNO – Centro Nacional de Oncologia), foram registados, em 2012, 799 novos doentes; em 2013, 1329; e no primeiro semestre de 2014, 434 novos doentes (em dois anos e meio foram admitidos 2561 novos doentes).

Principais neoplasias

Predominaram as neoplasias em estádio avançado. As 10 localizações mais frequentes foram: mama 619 (24,1%) casos, colo do útero 409 (15,9%) casos, próstata 203 (7,9%) casos, sarcoma de Kaposi 115 (4,4%) casos, linfoma de Hodgkin 106 (4,1%) casos, rim e pélvis renal 81 (3,1%) casos, estômago 79 (3%) casos, tecidos moles 77 (3%) casos, olhos e anexos 54 (2,1%) casos e cólon e recto 51 (1,9%) casos. Os restantes 768 (29,9%) casos correspondem a localizações menos frequentes.

O incremento de casos por ano, no IACC, foi de cerca de 66%.

Nos anos de 2012 e 2013, a percentagem de doentes com idade inferior a 19 anos foi de 10,9%. Neste subgrupo de doentes e neste período de tempo, as 6 localizações mais frequentes foram em ordem de frequência os tumores do rim, o linfoma não-Hodgkin, as neoplasias malignas dos olhos, os tumores das partes moles, a doença de Hodgkin e as leucemias.

Para termos uma noção da real dimensão do problema teríamos que somar os dados referentes aos de doentes tratados por patologia oncológica em outros hospitais no país ou no estrangeiro e que não foram contabilizados nos registos do IACC. O Globocan estima para 2015 cerca de 11000 novos doentes, mas estas estimativas são realizadas com base em dados obtidos de registos dos países da região africana onde Angola se insere, podendo não corresponder à nossa realidade.

Controlo do cancro em Angola

Em 2014, em virtude destas alterações nosológicas no país, o MINSA criou recomendações e orientações no sentido de construir uma resposta competente a esta nova realidade. Assim, foi criado o IACC. Foi aprovado o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário – PNDS, em que se definiu, no documento intitulado de projecto 14, a política para a área de oncologia, de forma bastante precisa. Recentemente o Ministro da Saúde no conselho consultivo do MINSA, anunciou investimentos no IACC na área da radioterapia e para descongestionar este centro oncológico, tomou a decisão de criar um Núcleo Regional de Oncologia no Huambo. Adicionalmente informou a intensão de, no futuro e de acordo com as necessidades, estudar a possibilidade de se organizar outros núcleos regionais nos locais onde já existem recursos hospitalares, em que o número de doentes seja considerável e ocorra formação médica, de enfermeiros e de outros técnicos de saúde com recurso às Universidades, criando assim equipas multidisciplinares dedicadas a esta patologia. Ainda, outros centros, como a Clínica Girassol e a Clínica Sagrada Esperança estão a equipar-se e a criar equipas no sentido participar de forma mais abrangente no combate contra o cancro.

Oncologia cirúrgica

Na maioria dos tumores malignos sólidos, o tratamento cirúrgico é fundamental e este, quando realizado em tempo útil e adequadamente, permite a cura da doença ou sobrevivências prolongadas com qualidade de vida. Presentemente, o tratamento oncológico é multidisciplinar e bastante individualizado, isto é, inclui também quimioterapia e radioterapia e deve ter sempre em conta a situação clínica do doente e as características do tumor (morfológicas, moleculares e mesmo funcionais).

O diagnóstico precoce, por um lado, e a congregação inteligente das diversas armas terapêuticas são a chave do sucesso, traduzida numa diminuição da mortalidade por tumores malignos, que ocorre nos países mais desenvolvidos.

Neste contexto, o cirurgião (geral, urologista, ginecologista, ortopedista, ORL oftalmologista, torácico, pediátrico, entre outros) tem o dever de participar nas diversas áreas da oncologia, nomeadamente: no diagnóstico, na definição do estádio da doença, na decisão terapêutica em consultas multidisciplinares, no tratamento cirúrgico adequado em que a resseção com margens livres de tumor e a remoção dos gânglios linfáticos em número e local adequados (nos tumores em que a linfadenectomia é importante) é crucial, na colocação de dispositivos médicos como cateteres, em tratamentos especializados associados à radioterapia e à quimioterapia, na reconstrução de defeitos e reabilitação dos doentes, no diagnóstico precoce e tratamento de eventuais complicações, no seguimento dos doentes e na investigação científica.

Por outro lado, os cirurgiões de todas as disciplinas cirúrgicas têm um papel de relevo na formação de novos cirurgiões e na sua própria formação. Assim, é importante, não só a salvaguarda do conhecimento prévio, como a aquisição de competências na área da oncologia cirúrgica, o que inclui os cirurgiões seniores, juniores e internos de especialidade. O conhecimento dos princípios da oncologia deve ser transversal e a evolução das ciências oncológicas obriga a uma formação continuada.

Muitas vezes, interrogámo-nos sobre como poderemos adquirir estas competências, de forma rápida consistente e sem perder o foco da nossa realidade.

As associações científicas são importantes no apoio que prestam aos colégios de especialidades, ao beneficiar de apoios de associações congéneres experientes.

 

 

 

 

 

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Labconcept automatiza serviços de sangue em parceria com o INS

 

A Labconcept é uma empresa angolana que actua no mercado do país desde 2011. Dedica-se à comercialização de equipamento médico-hospitalar e medicamentos, assistência técnica e projectos na área da saúde.

 

 

 

Tem parceria com várias marcas internacionais que representa em exclusividade, entre outras:

— Abbott Diagnóstico - líder de mercado mundial em equipamentos de banco de sangue e diagnóstico laboratorial;

— Abbott Molecular - equipamento para diagnóstico de biologia molecular, totalmente automatizado;

— R-Biopharm - marca alemã de equipamentos, reagentes e testes de alergias;

— Analyticon - marca alemã de equipamentos de diagnóstico laboratorial;

— Medec - Marca belga de máquinas de anestesia.

A equipa da Labconcept dispõe de quadros altamente especializados na área do diagnóstico médico e técnico que lhe permite desenvolver projectos na área da saúde.

 

Automatização do

Serviço de Sangue (INS)

Juntamente com o Instituto Nacional de Sangue, a Labconcept desenvolveu o projecto de automatização do Serviço de Sangue, colocando os equipamentos Architect i2000 e i1000, da marca Abbott, que permitem fazer a testagem do sangue doado ao INS de uma forma totalmente automatizada e segura, garantido à população a segurança da transfusão sanguínea.

Recentemente, organizou o I Encontro dos Bancos de Sangue (ver Jornal da Saúde, Dezembro 2014) onde estiveram presentes os directores dos hospitais provinciais e responsáveis de serviços de hemoterapia das 18 províncias de Angola. Foi apresentada a solução automatizada para Bancos de Sangue e aferidas as necessidades e dificuldades das províncias, não só a nível da testagem sanguínea, mas também a nível das doações voluntárias. As preocupações e expectativas dos participantes – que foram superadas – residiam, entre outros, nos seguintes aspectos: segurança das dádivas, equipamentos de rastreio e actualizações disponíveis em termos tecnológicos. A Labconcept prevê realizar novos encontros com temáticas do interesse de todos os profissionais de saúde, mantendo e reforçando o lema “Juntos pela Vida!”. A equipa organizadora contou com a participação de Ana Vicente, Cláudia Reis, Renato Lourenço, Carlos Vicente e Jorge Resende pela Labconcept, de Eunice Manico, José Bartolomeu e Silvia Capoco pelo Instituto Nacional de Sangue e Luís Filipe Pereira, Magesh Moonsamy e Lorene Kirby-Smith pela Abbott Diagnostics.

 

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Estou cá com uma dor de cabeça...

 

Magda Cunha  Viana

 

Este é um queixume frequente, e que muitas vezes tem uma resposta quase imediata de alguém que o ouve: “Tenho aqui um comprimido”

 

Uma das preocupações dos profissionais de saúde é alertar a população para o perigo do consumo de medicamentos não prescritos e que passam de mão em mão. Contudo, há certas substâncias que vencem esta barreira por gozarem da confiança da população devido a um percurso terapêutico de várias décadas e à sua reconhecida fiabilidade e segurança.

Não será caso único, mas poderá destacar-se um medicamento utilizado com regularidade e por tantas pessoas que o seu nome é mais conhecido do que o seu princípio activo (paracetamol). Esse nome é ben-u-ron (seja em comprimidos, supositórios ou xarope), e as pessoas pedem-no frequentemente nas farmácias.

A população em geral desconhece o nome da empresa familiar que o fabrica, embora ela tenha sido criada em 1949. Com efeito, a bene Arzneimittel GmbH, com uma fábrica, situada em Munique, Alemanha, além do ben-u-ron, produz o ib- u-ron, Dol-u-ron, Fibrocide, Thrombocid e o Tram-u-ron. Actualmente a empresa é gerida pelos dois filhos do seu fundador.

 

Portfolio virado para a dor

“Temos um portfólio todo virado para a dor”, disse em entrevista ao Jornal da Saúde, Frank Tischler, o director-geral da “bene farmacêutica, Lda”, filial portuguesa da bene-Arzneimittel GmbH, criada em 2009. Contudo, a bene comercializa os seus produtos em Portugal há mais de 40 anos, através de empresas licenciadas.

Entre os seus produtos, os que têm como substância activa o paracetamol ou o paracetamol+codeína e o pentosano polissulfato de sódio (PPS), são dos mais prescritos pela classe médica e dos mais dispensados pela classe farmacêutica portuguesa.

A bene já exporta para Angola “há alguns anos, mas mais nos últimos três porque o mercado tem vindo a crescer”, afirmou o responsável. Por isso, “a empresa quer estar presente em Angola de uma forma estruturada com materiais próprios virados para o mercado angolano”, disse, salientando que “em qualquer farmácia angolana já se encontra o ben-u-ron”.

Para já a empresa não vai abrir uma delegação, ficando a trabalhar com dois delegados e algumas parcerias preferênciais (5 a 6), mas sem excluir todos os outros potenciais parceiros/fornecedores do mercado.

 “Como companhia focada na oferta de soluções terapêuticas para a dor, a bene orientará o seu trabalho no sentido de contribuir para a saúde e bem-estar do povo angolano, em particular no tratamento da dor”, prometeu Tischler.

“Em simultâneo, fará tudo o que estiver ao seu alcance, em colaboração com os profissionais e as autoridades de saúde angolanas, para a elevação dos níveis de conhecimento das populações, pois este é, sem dúvida, o melhor caminho para a defesa de uma vida saudável”, afirmou Tischler.

 

Dor na Internet

Uma das melhores formas de melhorar a eficácia do tratamento da dor é a informação. Por isso, a bene possui na sua página digital um “link” para um portal com informação sobre a dor, e possíveis tratamentos, dirigida a profissionais, mas acessível a todas as pessoas que a ele queiram aceder.

No portal, os seus responsáveis afirmam que “o conhecimento científico na área da dor tem tido uma enorme evolução ao longo dos tempos. A pesquisa de informação científica através dos canais multimédia e internet é uma realidade incontestável. Por estes motivos, a bene farmacêutica, como entidade patrocinadora, acredita ser possível criar um website com informação científica credível e rigorosa, elaborada por profissionais de saúde e investigadores competentes, e que seja um instrumento de pesquisa útil para todos quantos manifestem o seu interesse na área da DOR”.

 A dor “é um dos principais motivos de consulta nos cuidados de saúde primários e também um dos principais sintomas que motivam a procura de ajuda médica, pelo que assume um papel crucial na vida dos doentes e profissionais de saúde”, lê-se no site www.conhecerador.pt.

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Utilização de sistemas informáticos na Saúde? Sim ou Não?

 

O caminho deve ser percorrido de forma planeada, colocando o cidadão no centro das preocupações e envolvendo ativamente os médicos, na convicção de que por aqui passa o futuro, não apenas do sistema de saúde, mas, também, de um país moderno e competitivo.

 

Jose Carlos

Nascimento

A utilização das Tecnologias de Informação (TI) na Saúde é hoje globalmente reconhecida como uma temática importante mas de particular complexidade. A nível mundial, os sistemas de informação na saúde têm-se vindo a desenvolver, em particular nos últimos anos, no contexto de um paradoxo. Por um lado, é notório que os actores da saúde - designadamente gestores e profissionais de saúde - reconhecem o seu imprescindível papel para uma melhor prestação de serviços de saúde mas, por outro lado, continuamos frequentemente a tratar as TI na Saúde de forma acessória, muito isolada e demasiado focada na tecnologia em que é suportada.

É hoje comumente aceite que as Tecnologias e os Sistemas de Informação deverão ser parte integrante das políticas de saúde dos Estados, já que são um importante instrumento para desenvolver e suportar serviços de saúde que estejam cada vez mais centrados no cidadão, para a integração e a continuidade desses serviços, tendo como fundamento a disponibilização de informação aos profissionais, em particular aos médicos, de forma adequada e segura, quando e onde ela é necessária para a prestação informada de serviços de saúde. No fundo, utilizando o potencial das TI na saúde para proporcionarmos aos cidadãos um acesso aos serviços de forma mais fácil, com melhor qualidade e numa adequada gestão dos recursos.

Tarefa complexa

Cumprir estes desígnios é uma tarefa complexa, que exige vontade e coordenação e, sobretudo, a compreensão do papel que as TI podem ter em processos de modernização e desenvolvimento. E é complexa por diversas razões: em primeiro lugar pelas próprias características do sector da saúde, que envolve muitos actores, diversos tipos de profissões muito qualificadas, diferentes tipos de unidades de saúde, múltiplas necessidades ao longo da vida, tecnologias e equipamentos de custos elevados. Complexa porque, como se afirma no relatório "Redesigning Health in Europe for 2020”, da Comissão Europeia: “Nós sabemos que a área da saúde está pelo menos 10 anos atrasada na implementação de soluções de TI, quando comparámos com […] outras áreas da sociedade e esta é uma realidade global”. E complexa ainda porque, quando ainda procuramos resposta para os desafios que temos hoje pela frente, já se avistam novos desafios mas, felizmente, novas ferramentas.

No entanto, como se diz no mesmo relatório “Sabemos hoje, a partir da experiência, que as tecnologias da informação podem revolucionar e melhorar radicalmente a forma como fazemos as coisas e que nelas se basearão muitas soluções para os problemas da área da saúde"

 

Os cinco contributos

Este é assim o nosso desafio: como podem hoje as TI ajudar ao desenvolvimento dos sistemas de saúde? Para esta discussão, que é necessariamente extensa e complexa, apresentam-se 5 contributos, pensados como instrumentos de desenvolvimento de um Sistema de Saúde, eficaz e eficiente, que possa chegar cada vez a mais cidadãos.

O primeiro contributo surge ao nível do modelo de governação das TI, afirmando que é importante ter um modelo de gestão que seja capaz de conciliar aquilo que são as necessidades mais imediatas e locais dos Hospitais e de outras unidades de saúde, com aquelas que são as necessidades globais do País e dos cidadãos. Um sistema que garanta a informatização dos Hospitais e o desenvolvimento das instituições no terreno mas que ao mesmo tempo garanta as necessidades do Estado angolano e a gestão dos repositórios, do património e dos sistemas de âmbito nacional. Com este objetivo, importa que se enquadre as iniciativas das unidades de saúde com reflexões sobre os futuros sistemas de dimensão nacional, como é o caso dos registos nacionais de utentes (“Patient Master Index”), dos registos electrónicos de saúde, dos sistemas de referenciação e de prescrição, dos registos nacionais de patologias, que serão necessariamente projectos de médio e longo prazo, de dimensão considerável e que, por isso, devem ser iniciados com passos firmes. A experiência mostra que, na maioria das vezes, a solução de problemas locais vai criar “ilhas” de informação que serão muito difíceis de integrar no futuro e que se tornam grandes problemas quando pensamos num âmbito mais alargado.

Centralidade do utente

O segundo contributo propõe que, desde muito cedo, se comece a pensar o Sistema de Informação na Saúde também numa óptica de centralidade do utente. Muito do atraso e das dificuldades que se sentem hoje no sector da saúde, nos designados países mais desenvolvidos, resulta do facto dos sistemas informáticos terem sido pensados para ajudar na gestão das unidades de saúde, sem grandes preocupações com o cidadão. Por exemplo, ainda hoje em Portugal é possível saber quais os serviços que foram efectuados numa unidade de saúde do Serviço Nacional de Saúde (ex: vacinas) mas não conseguimos saber quais aqueles que foram prestados globalmente a um determinado cidadão. Conciliar os requisitos das unidades de saúde com as necessidades de um sistema de informação centrado no utente tem de ser hoje a atitude na reflexão sobre novas soluções.

O papel do médico

O terceiro contributo advoga uma maior e mais atempada intervenção dos profissionais de saúde – e em particular dos médicos - na concepção dos sistemas de informação na saúde. A experiência e a investigação mostra que aos profissionais de saúde não falta normalmente a literacia, a motivação ou a disponibilidade para adoptar as novas tecnologias mas curiosamente constacta-se que os profissionais continuam a estar pouco presentes na definição e construção das soluções tecnológicas de que serão os efectivos utilizadores. Sem o envolvimento efectivo e atempado dos profissionais de saúde não haverá sistemas de informação adequados às necessidades das populações.

É por isso importante deixar de olhar para os Sistemas de Informação na saúde como um problema essencialmente tecnológico, da responsabilidade dos serviços de informática, considerando-os antes sim como uma questão de gestão da saúde, que deve envolver os médicos na sua liderança e desde a primeira hora.

Os novos desafios no horizonte

Num quarto contributo, refere-se que, no sector da saúde, é frequente que ainda não se tenha estabilizado uma realidade e que surjam já no horizonte novos desafios. É o caso hoje de iniciativas que aproveitem o potencial das tecnologias e, em particular, das redes de telecomunicações, para levar os serviços de saúde mais perto do cidadão e que terão um grande impacto em países com grandes dispersão geográfica, como é o caso de Angola. É o caso das áreas do “Assisted Living”, da telemedicina e da telemonitorização. É o caso das redes sociais e dos grupos de interesse e de partilha, designadamente entre profissionais de saúde. É o caso dos sítios Internet e dos portais que facilitam o acesso e a partilha de informação, que se mostram imprescindíveis na divulgação do conhecimento entre profissionais, na educação das populações e dos técnicos de saúde e na divulgação e dinamização das políticas de saúde do país. Há hoje um conjunto de novas áreas, no domínio genérico da telemedicina e da telesaúde que importa começar a olhar com atenção.

Como último contributo, mesmo tendo presente que o contexto é o da discussão da área da saúde, importa ter em conta que um Sistema de Saúde que se pretende de qualidade é também função de uma sociedade moderna e competitiva.

 

Dinamização

da competitividade

Por isto, importa ter em conta que a adopção das TI na saúde seja também encarada como um instrumento para a dinamização da competitividade de Angola e para um processo de afirmação da economia nesta área de grande valor acrescentado. Ao dinamizar as TI na saúde, estamos a criar um maior conhecimento e desenvolvimento de quadros nas áreas tecnológicas, estamos a permitir o desenvolvimento e a consolidação de empresas nestas áreas, estamos motivar e a envolver as Universidades e as escolas em domínios de vanguarda, estamos a formar profissionais de saúde e populações mais capazes de lidar e rentabilizar as novas ofertas tecnológicas. No fundo, estamos a contribuir para a dinamização da economia angolana e a criar capacidade para expandir para outros mercados, nomeadamente no continente africano, já que em saúde, cada vez mais, as soluções locais afirmam-se como resposta a problemas globais.

 

Caminho complexo

Sintetizando e concluindo, é hoje fundamental que uma política para as TI na saúde seja parte integrante das políticas de saúde do Estado. Mas importa ter presente que, em todo o mundo e certamente em Angola, o caminho não é fácil nem óbvio e é particularmente complexo. É por isso um caminho que deve ser percorrido de forma planeada e globalmente bem gerida, colocando o cidadão no centro das preocupações, envolvendo ativamente os profissionais de saúde e em particular os médicos, na convicção de que por aqui passa o futuro não apenas do sistema de Saúde mas, globalmente, de um país moderno e competitivo.

Haja saúde, que depois, o futuro, nós construímos!

 

 

 

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“A Multitel é um dos suportes das telecomunicações em Angola”

António Geirinhas anuncia investimentos na área da saúde

 

Francisco Cosme dos Santos

 

Instalada há 15 anos em Angola, com sede em Luanda e filial em Benguela, a Multitel tem como atividade principal a prestação de serviços de telecomunicações, posicionando-se como operador integrador num sistema convergente de comunicações e tecnologias de informação.

 

“A Multitel desenvolve soluções inovadoras, específicas e personalizadas, altamente seguras, com grande qualidade e fiabilidade, para os maiores grupos empresariais”, diz ao Jornal da Saúde o director-geral, António Geirinhas, acrescentando que “a Multitel faz parte das empresas que suportam o sistema das telecomunicações em Angola, facilitando o desenvolvimento da actividade empresarial em diversas regiões do país”.

Todas as províncias estão cobertas com rede de telecomunicações. Nas mais longínquas, a Multitel tem instalado ligações via satélite que proporcionam transferências de dados de grande porte, utilizadas pela banca e outras empresas.

Em Luanda e Benguela, onde há maior crescimento económico e concentração empresarial, a aposta incide em serviços mais sofisticados. A expansão imediata da Multitel passará pela construção de filiais em Cabinda e no Huambo.

Apesar da vocação para o mercado empresarial, António Geirinhas afirma disponibilidade para responder ao interesse de clientes individuais, em qualquer região do país.

 

Saúde é prioridade

O sector da saúde é o que mais beneficiará dos próximos investimentos da Multitel. Está em curso um projecto que ligará o Hospital Pediátrico de Luanda, o de Benguela e o de Coimbra (Portugal), para que os médicos destes três hospitais possam discutir problemas, ver exames das crianças e fazer diagnósticos em conjunto. Posteriormente, a rede será estendida a nível nacional.

“Se houver uma dúvida, com facilidade poderá estabelecer-se comunicação por videoconferência”, explica António Geirinhas realçando as vantagens desta tecnologia, usual em hospitais internacionais.

A Multitel esteve igualmente envolvida na instalação do sistema de internet dos hospitais Américo Boavida e da Cruz Vermelha de Angola, facilitando eventos online de âmbito internacional.

 

Elevado investimento

Durante estes 15 anos de actividade da Multitel em Angola, António Geirinhas destaca a evolução do sector das telecomunicações nos últimos oito, “só possível com o advento da paz, que fortaleceu a classe empresarial. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), a seguir aos serviços bancários, foram a área de maior crescimento no mercado angolano, devido ao esforço dos operadores”, considera o empresário, dando conta do investimento na ordem dos 30 milhões de dólares (3 mil milhões de kwanzas) em todo país.

Ainda no sector da saúde, a Multitel pretende apostar nos sistemas de gestão hospitalar.

Terceira idade

Paralelamente, a Multitel está num projecto conjunto com a Open Idea (empresa de inovação do grupo português Portugal Telecom), destinado a garantir suporte à terceira idade e que já é realidade na Europa.

Foram criadas aplicações de software que permitem o acompanhamento destas pessoas à distância. Elas próprias podem medir a tensão arterial, fazer análises da diabetes e enviar os resultados para uma clínica ou hospital, onde um médico lhes prestará assistência, por videoconferência.

“Este serviço será uma mais-valia para os doentes que têm necessidades de urgência ou mobilidade reduzida, possibilitando que muitas complicações venham a ter um acompanhamento cada vez mais centrado e rigoroso”, antevê António Geirinhas.

 

 

 

 

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Em 2014 - Hospital Materno-infantil realizou mais de três mil partos

 

Diniz Simão

Texto e fotografia

 

O hospital Materno-infantil de Ndalatando, no Cuanza Norte, vocacionado para a assistência a crianças e grávidas, efectuou em 2014 mais de três mil partos,o que representa um aumento significativa face ao ano anterior, sendo 60 por cento de jovens mães, entre os 14 e os 19 anos de idade, disse ao Jornal da Saúde o director da unidade sanitária, Arão Lourenço da Silva.

 

O responsável especificou que foram realizados 3.282partos , dos quais 390 por cesariana. Dos 3.076 partos assistidos, houve 206 nados mortos.

Neste mesmo período, adiantou, foram internados 437 recém-nascidos, dos quais 78 morreram na unidade de neonatalogia e 2.191 em pediatria, onde morreram 140.

Arão da silva esclareceu que a unidade que conta com 170 funcionários, entre enfermeiros, parteiras e médicos, atendeu diariamente mais de 50 pacientes e efectuou 20.115 consultas externas - 10.697 de puericultura, 5.274 de génico-obstetrícia, 4.144 de gineco-obstetrícia e 23. 272 consultas de urgência. O hospital optou pelo internamento de 8. 685 doentes com diversas patologias.

As principais causas de internamento foram a malária (1.582 casos e 92 óbitos), as diarreias agudas (374 casos e 22 óbitos), o sarampo (149 casos e um óbito), as doenças respiratórias agudas (93 casos e sete mortos), assim como o tétano (26 casos, três mortes).

Engrossaram ainda a lista de patologias mais frequentes na instituição, a malnutrição (32 casos e seis óbitos), a febre tifoide (24 casos), a meningite (16 casos e duas mortes), as cardiopatias (quatro e um óbito) e a raiva (dois casos e igual número de mortes).

O Hospital Materno-infantil de Ndalatando dispõe de serviços de ginecologia, obstetrícia, puericultura, pediatria, pré-natal, PAV, entre outros.

 

 

 

 

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Hospitais de Ngonguembo e Quiculungo registam também aumento de partos

 

Este aumento de número de partos hospitalares é justificado por uma melhoria do atendimento nas instituições sanitárias, bem como a intensa campanha de sensibilização das comunidades sobre os riscos de partos domiciliares, tanto para mães como para os recém-nascidos,  afirmou a responsável em exercício da maternidade do Hospital Municipal do Ngonguembo, Suzana Teixeira.

A responsável referiu que a unidade que dirige efectuou em 2014 um total de 136 partos, constatando-se um aumento de 71 partos, em relação a 2013.

Suasana Teixeira sublinhou que neste mesmo período a instituição efectuou 675 consultas de pré-natal, e acompanhou 36 partos domiciliares assistidos pelas 20 parteiras tradicionais treinadas e controladas pela instituição.

A maternidade local assistiu igualmente 209 mulheres no âmbito do programa de planeamento familiar, tendo distribuído 443 pilulas anticoncepcionais a 200 mulheres em idade fértil, bem como foram prevenidas e assistidas contra a malária com Falcidar 429 gestantes.

Foram submetidas a testes de despistagem do VIH/SIDA 22 828 grávidas, três das quais com diagnóstico positivo, tendo outras 331 beneficiado de vacinas anti tetânicas.

A maternidade do Hospital do Hospital Municipal do Ngonguembo conta com cinco funcionários, entre enfermeiros e parteiras e necessita mas necessita de mais 11 profissionais para melhorar o funcionamento da unidade hospitalar.

 

Município do Quiculungo

No município do Quiculungo, Delfina Aguiar Malundo, responsável do centro Materno-infantil do hospital local afirmou que foram assistidos na instituição 186 partos, em 2014, verificando-se um aumento de 18 nascimentos, comparativamente com 2013.

A responsável sublinhou que 178 do total de partos decorrerem como previsto, ao passo que oito foram considerados difíceis, tendo-se registado a morte de seis bebés.

Durante o ano de 2014, 16 gestantes foram transferidas para o hospital provincial, em Ndalatando, pois constituíam situações mais complicadas, como a presença de anemia e a necessidade de realização de ecografias.

Para além dos partos hospitalares, a instituição acompanhou parteiras tradicionais em 183 partos domiciliares.

Delfina Malundo referiu que em 2014, a sua instituição efectuou 905 consultas pré-natais, entre as quais se registaram quatro gravidezes precoces de adolescentes com 14 anos de idade.

Em média, o centro materno infantil de Quiculungo efectua 30 consultas pré-natais e de patologia de mulheres grávidas, no âmbito do acompanhamento diário e mensal.

Planeamento familiar

Ainda durante 2014, aderiram ao planeamento familiar 76 mulheres,  por motivos de saúde, condições económicas e prevenção de gravidez indesejada, sendo que 27 recorreram àquele serviço pela primeira vez, declarou Delfina Malundo.

Duas técnicas asseguram o funcionamento do centro materno infantil que necessita de mais pessoal e manuais de informação, segundo a responsável.

Uma sala de consultas, uma de pré-partos, outra de para partos e uma secção para internamentos com capacidade de nove camas são as principais áreas do centro.

Mas muitas mulheres ainda negligenciam consultas pré-natais, lamentou a responsável.

Por sua vez, a supervisora do programa de saúde reprodutiva da Direcção Provincial da Saúde, Madalena Dicamba Difuma, lamentou o facto de muitas mulheres continuarem a negligenciar as consultas pré-natais e o acompanhamento médico no quadro de acompanhamento de grávidas.

Este factor, frisou, está na origem do crescente número de casos de nados mortos e abortos espontâneos assistidos em várias unidades sanitárias da região.

Muitas adolescentes

A responsável afirmou que a maioria das parturientes que acorreram às unidades sanitárias, particularmente nos municípios do interior, são adolescentes e jovens com idades compreendidas entre os 14 e 19 anos e, por isso, sem preparação suficiente para partos mais complicados.

Madalena Dicamba defendeu a necessidade de uma maior educação sexual das raparigas e um  aumento de diálogo entre pais e filhos, de modo a se evitarem gravidezes precoces que em muitos casos colocam em risco a vida da mãe e do bebé

Dicamba defendeu a necessidade de as grávidas aderirem de forma regular às consultas pré-natais para ajudar a assegurar a saúde dos bebés.

 

 

 

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População de Mussende tem melhor assistência à saúde mas continua com falta de médicos

 

Casimiro José | Porto Amboim

Correspondente  no Cuanza Sul

Texto e fotografia

 

A população do município do Mussende, na província do Cuanza-Sul, tem uma melhor assistência à saúde desde a implementação do programa de cuidados de saúde primários, mas continua a sentir a falta de profissionais do sector.

 

O programa municipal de cuidados de saúde primários permitiu a construção de infraestruturas sanitárias e a aquisição de mais equipamentos e fármacos, disse, em entrevista ao Jornal da Saúde, Domingos Lindo, chefe de repartição da saúde na circunscrição municipal.

Segundo o responsável, apesar dos avanços registados em matéria de infraestruturas, o sector da saúde no Mussende debate-se com a falta de médicos especialistas, como ortopedistas e radiologistas para responder às necessidades das populações.

O aumento de unidades sanitárias nas zonas de maior concentração populacional foi o factor que permitiu a oferta dos serviços de assistência hospitalar nas comunidades e, ao mesmo tempo, motivou as populações, sobretudo as mulheres, a procurarem assistência.

Domingos Lindo adiantou que, quando surgem casos de acidentes de viação a unidade hospitalar vê-se obrigada a enviar os acidentados para a província vizinha de Malanje, num percurso de 128 quilómetros, ou para a cidade capital da província, Sumbe, que dista 315 quilómetros.

 O chefe da repartição de saúde do Mussende considerou que o município, dada a sua densidade populacional, necessita de um hospital municipal de referência, de forma a poder responder à procura.

 

Mais profissionais

de saúde

 Outra situação apontada, que não foge à regra em relação a outros  municípios da província e do país em geral, prende-se com o reduzido  número de enfermeiros e pessoal auxiliar, como maqueiros, vigilantes e  outros.

 O responsável reconheceu que o município do Mussende ainda necessita  de mais unidades sanitárias para uma boa cobertura assistencial, sobretudo nas comunidades afectas à comuna do Kienha que, devido a degradação das vias de acesso, não possui ainda os postos de saúde de que necessita.

 

— Como caracteriza o sector da saúde no município do Mussende?

— O sector da saúde no Mussende conheceu  melhorias significativas, quer no domínio das infraestruturas, quer na própria assistência. Mas é um desafio constante, porque os

 actuais indicadores ainda não são satisfatórios.

Aliás, falar da saúde é algo mais abrangente se tivermos em conta os factores que podem contribuir para o sucesso ou insucesso dos serviços de saúde.

Mas temos orgulho em dizer que, actualmente, o sector da saúde no nosso município ganhou credibilidade, e as populações já vão  acreditando que, quando estão doentes, podem ser assistidas nas unidades  sanitárias distribuídas pelo município.

Para isso também contribui a dedicação dos técnicos e as condições de trabalho de que dispõem. Neste contexto, devo destacar o fornecimento regular de medicamentos, quer sejam adquiridos localmente no município, quer os fornecidos através do Depósito provincial de medicamentos essenciais da direcção provincial de saúde.

Em termos de funcionamento, a rede sanitária no Mussende é composta  por 14 unidades, das quais três Centros Médicos, sendo um de referência  que atende diversas patologias, outro materno-infantil, e um outro construído na Comuna de São-Lucas,  complementados por 11 postos de saúde. Do pessoal clínico fazem parte um médico expatriado, dois técnicos de Diagnóstico e Terapêutica e 104 enfermeiros. O Centro Médico de referência presta cuidados de medicina geral, pediatria, pequena cirurgia, banco de urgências, laboratório de análises clínicas e ginecologia.

—  Quais são as principais doenças que existem no município do Mussende?

— Em primeiro lugar a malária, doenças diarreicas e  respiratórias agudas, parasitoses intestinais e conjuntivites, e outras que fazem parte do quadro de doenças tropicais.

 Infelizmente ainda nos deparamos frequentemente com situações em que as  pessoas só procuram assistência sanitária quando estão em estado  crítico. Daí a necessidade de incrementar as campanhas de sensibilização para a saúde nas comunidades.

— Qual o ponto de situação da formação de técnicos que prestam cuidados de saúde no Município?

—  O nosso município debate-se com a falta de médicos e  técnicos especializados. Por isso, há necessidade de melhorar a competência técnica destes profissionais por forma a adquirirem as capacidades requeridas. É um processo que já iniciámos e que vai continuar.

— Que programas que estão a ser executados para melhorar a  assistência no município?

— Os programas que estamos a implementar são os indicados pela Direcção Provincial da Saúde, nomeadamente a  distribuição de mosquiteiros, de Albendazol, a medição de tensão arterial, testes de VIH/Sida e campanhas de vacinação. Além destes, estamos  também a executar outros programas, como os dirigidos à luta contra a  tuberculose e a lepra, a vigilância epidemiológica, a educação para a saúde, saneamento ambiental e água potável. Para serem bem sucedidos é fulcral a  colaboração das comunidades.

— Quais os desafios de curto prazo no sector de saúde no Mussende?

 —  Temos de melhorar a curto, médio e longo prazos, a assistência às populações, e isso implica a construção de mais postos de saúde e conseguir das autoridades competentes o aval para a construção de um hospital municipal de referência, bem como o aumento do número de enfermeiros.

 Além disso, vamos adoptar outras medidas para melhorar a educação para a  saúde das comunidades, com o objectivo de diminuir a incidência de doenças como a malária, febre tifóide, parasitoses intestinais e outras.

 

 

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 Melhorar o sector da saúde é a prioridade da administração municipal do Mussende

 

A Administradora municipal do Mussende, Joaquina Gabriel, disse ao  Jornal da Saúde que a sua administração vai continuar a dar prioridade ao  sector da saúde, através da  execução de programas e projectos que visam  melhorar a assistência médico-medicamentosa no município.

Joaquina Gabriel anunciou que para 2015 estão programadas mais unidades sanitárias, a contratação de mais enfermeiros, técnicos especialistas e médicos, de forma a alcançar uma assistência mais competente e humanizada.

 No quadro do Programa dos Cuidados Primários de saúde está prevista a conclusão das obras de construção do centro médico na Comuna do Kienha, de um posto de saúde no Bairro da Serração, na Comuna de São-Lucas. Contudo é preciso argumentar eficazmente junto do Ministério da Saúde no que respeita o aumento da mobilidade geográfica de quadros da saúde para os  municípios.

 Joaquina Gabriel adiantou que a administração municipal vai continuar a desenvolver o projecto de saneamento básico na Vila e nos arredores, bem como o saneamento ambiental.

 Com uma superfície de 9.556 quilómetros quadrados, o município do  Mussende possui uma população estimada de 84 mil habitantes, distribuídos pelas comunas sede, São Lucas e Kienha.

 

 

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  Rede de saúde pública aumentada e melhorada mas os problemas são ainda muitos

 

A rede de saúde pública no Huambo foi aumentada e melhorada em 2014 depois da criação de sete novas unidades sanitárias, a ampliação de alguns centros, a contratação de mais profissionais e o aumento de valências no hospital geral da província, entre outras melhorias realizadas, afirmou, durante o último Conselho Consultivo, o director provincial da saúde do Huambo, Frederico Juliana.

 

O número de mortes está a diminuir significativamente. A taxa de mortalidade bruta é de cerca de 5,7 por cento. Relativamente às crianças com menos de um ano, houve uma redução da taxa de mortalidade. No caso de crianças até aos cinco anos registou-se uma redução de letalidade de 32 por cento para 16 por cento.

Contudo, disse, a taxa de mortalidade materna subiu de 272,7 para 280,3 por cada 100 mil  nados vivos, o que significa um aumento de 2,8 por cento.

“Não podemos falar de mudanças sanitárias sem falar do Hospital Geral do Huambo. Trata-se de um complexo hospitalar que engloba muitos outros hospitais, como por exemplo a maternidade, o hospital pediátrico e o psiquiátrico”, sublinhou o director provincial da saúde, realçando que o hospital geral conta com um número total de 820 camas.

“Temos que realçar que o Hospital Geral do Huambo tem um serviço de hemodiálise, com 16 máquinas, um serviço de neurocirurgia, onde realizamos intervenções complexas como tumores cerebrais e patologias da coluna vertebral traumática e endroencefalia”, adiantou.

O responsável referiu que foram transferidos 59 profissionais de saúde de outras províncias para um centro sanitário no Huambo. Actualmente a província tem 5.593 trabalhadores de saúde.

 

A rede sanitária foi reforçada depois de criadas mais sete unidades de saúde e de outras terem sido ampliadas

“Desde o ano passado até agora (Dezembro de 2014) já operámos às cataratas mais de 876 pessoas. Temos um serviço de queimados, de hematologia e de ressonância magnética desde Julho de 2014”, disse.

“No âmbito da saúde mental, estamos em comunicação directa com o hospital psiquiátrico de Luanda. O hospital possui também um serviço de gastroenterologia”, disse o responsável adiantando que as transferências para outras unidades diminuiu significativamente. “Neste momento só são transferidas para o Instituto de Oncologia quem necessita de cirurgia cardiovascular, quimioterapia e retroterapia”, adiantou.

 

O hospital geral atendeu em 2014 um total de cerca 305.165 pessoas. Dessas, ficaram internadas cerca de 40 mil

 

O número de intervenções cirúrgicas aumentou, disse Frederico Juliana , especificando que em 2014 foram operadas cerca de 13 mil pessoas.

“Até Dezembro de 2010, existiam 24 serviços no hospital geral. Criámos mais oito em 2013 e, em 2014, abrimos o serviço de gastroenterologia, fisioterapia e hematologia. No próximo ano vamos abrir endocrinologia e oncologia clínica”, frisou.

“As equipas de saúde primária efectuaram um rastreio de hipertensão arterial e de diabetes, bem como visitas a unidades sanitárias. Organizaram ainda serviços e capacitaram outros, através de formação contínua dos colegas, tendo sido efectuado um cadastramento das famílias”, frisou.

“Por isso, até agora, temos um total de 56.072 pessoas já cadastradas e equipas moveis avançadas através do projecto Uhayele Vimbo e feiras da saúde, com muitas actividades, que este ano aumentaram significativamente”, sublinhou.

Para o programa de vacinação houve um aumento de 57 postos fixos comparativamente com os números de 2013.

A cobertura de pentavalente 10 é de 117 %, a da pólio 3 é de 114%, a do sarampo é de 122 por cento e a do número 13 de 100%. “Sabemos que precisamos de corrigir isto, que ainda não está muito bem”, reconheceu o director provincial de saúde.

Segundo o responsável, as unidades especiais e centros ambulatórios de nutrição aumentaram as suas actividades.

“Relativamente ao VIH/Sida, registaram-se 1.387 novos casos. Tendo em conta a implementação do Plano de Aceleração, abrimos mais unidades com serviços integrados de PTV e de IDASE. Esta incidência e taxa de letalidade está a diminuir”, afirmou Frederico Juliana.

No que diz respeito à prevenção da malária, foram distribuídas 319.842 redes mosquiteiras e estão a ser levadas a cabo actividades de pulverização.

“Diminuímos em 93 por cento o número de casos de mortalidade em relação ao ano de 2010, mas em 2013 subiu um pouquinho: tivemos 21,1 por cento de casos”, afirmou o responsável da saúde provincial, frisando que em 2013 se registaram 13 óbitos e sete em 2014.

 

O que nos preocupa muito é a sinistralidade rodoviária que vitimou em 2013 cerca de 384 pessoas, quase tantas como a malária

Quanto ao sistema de comunicação de dados, o responsável referiu que, com o apoio do Ministério da Saúde, o Huambo elaborou 11 planos municipais de desenvolvimento sanitário e fortaleceu o sistema de informação de saúde, com uma experiência piloto.

“Já temos 40 unidades sanitárias que recolhem informação e nos comunicam os dados através de registos electrónicos”, disse.

“Sobra o Ébola, retivemos a orientação do ministro da Saúde, na reunião dos ministros de Saúde africanos, onde recomendou a sensibilização da população sobre as formas de prevenção da doença”, frisou.

O Huambo recebeu várias orientações do gabinete do ministro, da Direcção Nacional  de Saúde Pública e do Inspector Geral da Saúde sobre a prevenção e diagnóstico da doença. Foi criada uma comissão constituída por todos os responsáveis envolvidos.

“Temos sub-comissões de formação clínica, logística, transporte e estatística, que abrange os óbitos”, relatou.

“Foi criado um centro de tratamento de emergência para fazer face a catástrofes na saúde, como a cólera, o Ébola e outras. O Ministério da Saúde, a Direcção Provincial de Saúde, a direcção médica cubana e a Organização Mundial de Saúde têm levado a cabo várias formações e a distribuição de panfletos com informação. Temos a logística necessária para combater a doença”.

 

Perspectivas para 2015

 

O Huambo quer implementar o sistema de informação sanitária em 51 unidades sanitárias até Julho de 2015, com tecnologia informática e, até Setembro de 2016, em todas as unidades da província.

Perspectivamos também a abertura de um concurso público para substituir os funcionários que faleceram, os que não aceitam transferência para outras localidades e os que são transferidos.

Vamos intensificar as palestras nas igrejas sobre as doenças infeciosas e doenças crónicas não transmissíveis.

Queremos começar com a prevenção da saúde mental nas igrejas, integrar as unidades das Forças Armadas e Polícia Nacional nas igrejas, assim como abrir consultas de saúde mental em todos os hospitais municipais, mas continuar a seguir todos os casos que chegam do hospital psiquiátrico de Luanda, que deverão ser integrados na família e na comunidade.

Queremos formar 1.300 agentes comunitários e facilitar a integração das parteiras tradicionais nas unidades sanitárias.

E, ainda, concluir o incinerador dos resíduos hospitalares do Huambo, construir e apetrechar os hospitais materno-infantis, pediátrico e oncológico; criar e reabilitar o centro de saúde de S. João e Mineira.

Abrir postos fixos de vacinação em todas as unidades sanitárias.

Expandir e intensificar o plano nacional de aceleração para integração do programa de transmissão vertical em todas as consultas pré-natais nos hospitais municipais e centros de saúde materno-infantil.

Começar com um estudo epidemiológico para identificar a incidência do cancro na comunidade

Queremos também  realizar o Conselho Consultivo provincial com uma visão multi-sectorial para 2015.

 

 

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O que são medicamentos genéricos e qual a sua importância na Diabetes Mellitus

 

Os medicamentos genéricos são medicamentos com a mesma substância activa, forma farmacêutica, dosagem, composição qualitativa e quantitativa e com a mesma indicação do medicamento original/marca que serviu de referência e cujos direitos de propriedade da patente (relativos às respectivas substâncias activas ou ao processo de fabrico) caducaram. São, por isso, medicamentos bioequivalentes e com igual biodisponibilidade do que o medicamento original, comprovados por estudos exigentes realizados pelas autoridades competentes. Estes medicamentos seguem, ainda, os mesmos requisitos que são exigidos para todos os medicamentos, possuindo comprovadas características de Qualidade, Segurança e Eficácia. No entanto, é importante seleccionar medicamentos genéricos de empresas certificadas, que cumpram todos os requisitos das entidades reguladoras a nível mundial e que cumpram as Boas Práticas de Fabrico.

 

Redução da despesa

O uso racional de medicamentos genéricos permite uma redução ou controlo do crescimento da despesa com medicamentos, na medida em que os genéricos são menos dispendiosos do que os ditos inovadores. Assim, muitos países estão a adoptar medidas de orientação de prescrição médica para aumentar a dispensa de medicamentos genéricos. Por outro lado, têm sido instituídas vantagens financeiras para os doentes, designadamente, estabelecendo diferenças significativas entre os preços dos medicamentos de marca e os genéricos.

Existem actualmente medicamentos para muitas doenças agudas e crónicas. É importante salientar que a correcta promoção destes medicamentos irá permitir um melhor controlo de doenças na população angolana. Sendo a Diabetes Mellitus uma epidemia a nível mundial, onde se estima que existam 347 milhões de pessoas, dados da Organização Mundial de Saúde, é importante um envolvimento global dos diferentes responsáveis na área da saúde (ministro da saúde, laboratórios, distribuidores, farmácias, hospitais) na promoção e no acesso, bem como, na divulgação das consequências da Diabetes não controlada na população angolana.

 

Controlo da diabetes

O controlo da Diabetes Mellitus implica manter níveis de açúcar no sangue (glicemia) dentro de certos limites, o mais próximos possível da normalidade. Atendendo a vários factores (idade, tipo de vida, actividade, existência de outras doenças), são definidos os valores de glicemia que cada utente deve ter em jejum e depois das refeições.

O melhor modo de saber se o utente mantem a Diabetes Mellitus controlada é efectuar testes de glicemia capilar (através da picada no dedo) diariamente e várias vezes ao dia, antes e depois das refeições.

Os utentes diabéticos podem ter uma vida saudável, plena e sem grandes limitações. Para tal, é necessário ter alguns cuidados com a alimentação, exercício físico, a autovigilância e autocontrolo da glicemia e tomar correctamente os medicamentos prescritos pelo médico.

Os medicamentos genéricos aumentam o acesso à saúde e permitem manter a terapêutica, quando não há disponibilidade económica para adquirir medicamentos originais.

 

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A doença cujos sintomas se confundem com os de outras patologias respiratórias

 

 

Jorge Pires

Especialista de Pneumologia

 

A chamada "pneumonia da comunidade", que no fundo corresponde à pneumonia que vulgarmente conhecemos, pode atingir todas as idades, sendo as crianças e os idosos os mais afectados e aqueles em que as formas da patologia são mais graves.

 

 

É a doença mais frequente em países em desenvolvimento, onde a mortalidade também é maior! Mas afinal o que é uma pneumonia?

Uma pneumonia consiste, essencialmente, numa inflamação do chamado parênquima pulmonar, que é a parte mais distal do pulmão, onde se dão as trocas gasosas, essenciais para a manutenção da vida; os alvéolos e os bronquíolos respiratórios, que se localizam nesse parênquima pulmonar, são preenchidos, no decurso da pneumonia, com um líquido resultante dessa inflamação, deixando assim de estar aptos para essas trocas gasosas e diminuindo a elasticidade do pulmão devido à consolidação das zonas do parênquima.

A pneumonia, tal como vulgarmente a conhecemos, tem uma causa infecciosa, bacteriana ou não, adquirida através da aspiração de bactérias que existem normalmente na parte superior da nasofaringe e que se tornam agressivas em determinadas condições; mas também podem surgir através de inalação de gotículas infectadas provenientes de outros doentes, como no caso das pneumonias virais.

Em casos menos frequentes, a pneumonia surge após a inalação de gotículas infectadas a partir do meio ambiente ou de partículas infectadas com origem em animais.

 

Sinais de alerta

A pneumonia não dá sintomas particulares, específicos, que permitam desde logo fazer o diagnóstico; ou seja, os sintomas que normalmente se observam são comuns a muitas outras doenças do aparelho respiratório e não só! De qualquer forma, os sintomas mais comuns são a febre, muitas vezes elevada, arrepios de frio, tosse com mais ou menos expectoração de cor amarelada ou esverdeada ou cor de ferrugem, dificuldade respiratória ou mesmo falta de ar, dor torácica, dor de cabeça ou dores musculares, entre outros. Estes sintomas instalam-se de forma rápida e podem, ou não, existir todos ao mesmo tempo.

As pneumonias são, por isso mesmo, todas diferentes, até porque os doentes são diferentes entre si e porque os vários microrganismos causadores também são distintos no seu comportamento e na sua agressividade. Daí que a abordagem terapêutica varie consoante o caso.

Exames

de diagnóstico

A radiografia torácica é imprescindível para garantir o diagnóstico de pneumonia e excluir outras doenças que possam dar sintomas do mesmo tipo; mas muitas vezes, pura e simplesmente, não existem condições para se obter a radiografia na hora e a sintomatologia é tão típica que a radiografia pode esperar. Torna-se imprescindível, se não houver melhoria em 48 a 72 horas ou se o doente tem factores evidentes de risco, que seja facilitado o aparecimento de complicações.

O tratamento de uma pneumonia não exige internamento hospitalar.

Na maioria dos casos – talvez uns 80% – o tratamento faz-se em ambulatório e tudo corre bem, mas há situações em que se impõe o internamento, ou porque o doente tem condi­ções próprias, problemas subjacentes ou doenças que assim aconselham, ou porque a evolução da pneumonia não decorre de modo favorável nas primeiras 48 a 72 horas.

 

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Agentes  antiparasitários: o essencial que precisa saber

 

 

Os parasitas humanos incluem protozoários, platelmintos, lombrigas e ectoparasitas como carrapatos, pulgas, piolhos e ácaros. Provocam doenças como malária, tricomoníase, amebíase e leishmaniose, entre outros. Os agentes antiparasitários são fármacos usados para tratar as doenças provocadas por parasitas.

 

Quando falamos em parasitas referimo-nos a protozoários microscópicos unicelulares, helmintas multicelulares que podem atingir grandes dimensões e artrópodes que podem comprometer diversos organismos. Todos são possíveis vectores de doença. Os parasitas podem viver dentro do hospedeiro ou com o hospedeiro, alimentando-se sempre dele. Os parasitas humanos incluem protozoários, platelmintos, lombrigas e ectoparasitas como carrapatos, pulgas, piolhos e ácaros. Provocam doenças como malária, tricomoníase, amebíase e leishmaniose, etc. Os agentes antiparasitários são fármacos usados para tratar as doenças provocadas por parasitas.

 

Objectivos da

terapia antiparasitária

Apesar do número de agentes antiparasitários efectivos ser pequeno relativamente ao vasto leque de agentes antibacterianos, a lista está a ser expandida. Certamente em muitos casos, o objectivo da terapia antiparasitária é semelhante ao da terapia antibacteriana – erradicar o organismo rapidamente e completamente. Em muitos casos, contudo, os agentes e os regimes de tratamento usados para as doenças parasitárias são designados simplesmente para diminuir a carga parasitária, para prevenir as complicações sistémicas de uma infecção crónica, ou para ambas as situações. Assim, os objectivos da terapia antiparasitária, particularmente os aplicados a áreas endémicas, podem ser bastante diferentes daqueles que são habitualmente considerados como terapêutica nas infecções microbianas de países desenvolvidos. Dada a toxicidade significativa de muitos destes agentes, deverá ser em cada caso, ponderada o benefício e a necessidade de tratamento face à toxicidade do fármaco. A decisão de suspender a terapia pode muitas vezes também ser correcta, particularmente quando o fármaco provoca graves efeitos adversos.

Os agentes antiparasitários são anti-helmínticos e anti-protozoários. Tal como os agentes antibacterianos e antifúngicos, os agentes anti-protozoários são geralmente direccionados para células jovens em desenvolvimento que proliferam rapidamente.

Na maioria das vezes, estes agentes têm como alvo a síntese do ácido nucleico, a síntese proteica, ou vias especificas metabólicas exclusivas dos parasitas protozoários (ex. metabolismo dos folatos).

Nitroimidazóis

Os nitroimidazóis incluem o bem conhecido agente antibacteriano Metronidazol, assim como o Tinidazol e Ornidazol. O mecanismo de acção destes fármacos é pouco claro. Tem sido sugerido que inibem a síntese de ADN e do Ácido Ribonucleico (ARN) e que também inibem o metabolismo da glucose, assim como interferem com a função mitocondrial. Os nitroimidazóis têm uma excelente penetração nos tecidos do organismo, sendo portanto particularmente eficazes no tratamento da amebíase disseminada.

 

Metronidazol

O Metronidazol é um fármaco com acção antiprotozoária e antibacteriana, usado essencialmente no tratamento de infecções por bactérias anaeróbias (que não necessitam de oxigénio para crescer) e por protozoários. O Metronidazol, antibiótico da família dos nitroimidazóis, tem um espectro de actividade limitado, abrangendo vários protozoários e a maioria das bactérias anaeróbias Gram-negativas e Gram-positivas. O Metronidazol tem actividade contra protozoários como Entamoeba histolytica, Giardia lamblia e Trichomonas vaginalis, tendo sido aprovado pela primeira vez,  como um tratamento eficaz. O Metronidazol é o fármaco de escolha para tricomoníase e é eficaz no tratamento da giardíase.

­­— O Metronidazol é bactericida. A actividade do Metronidazol contra Trichomonas, Amebas e Giardias é atribuída à interrupção do ADN e à inibição da sua síntese nestes organismos.

­­— O Metronidazol atinge selectivamente bactérias anaeróbias e organismos protozoários sensíveis devido à capacidade que estes organismos possuem, de reduzir o Metronidazol à sua forma activa no meio intracelular.

­­— O tempo de semi-vida do Metronidazol é de cerca de 8 horas, pelo que demora 1-2 dias até que seja totalmente eliminado do organismo.

 

Indicações

do Metronidazol

O Metronidazole está indicado no tratamento das seguintes infecções relacionadas com estirpes sensíveis dos seguintes organismos:

­­— Tricomoníase: sinto-mática, assintomática, assintomática conjugal.

­­— Amebíase: Amebíase intestinal aguda (desinteria amebiana) e abcesso hepático amebiano.

­­— Infecções Bacterianas Anaeróbias.

­­— Infecções Intra-Abdo-minais, incluindo peritonite, abcesso intra-abdominal e abcesso hepático.

­­— Infecções da pele e estruturas.

­­— Infecções ginecológicas, incluindo endometrite, endomiometrite, abscesso tubo-ovariano e infecções da cúpula vaginal pós-cirurgia.

­­— Septicemia Bacteriana.

­­— Infecções ósseas e articulares (como terapia adjuvante).

­­— Infecções do Sistema Nervoso Central, incluindo meningite e abcesso cerebral.

­­— Infecções do Tracto Res-piratório Inferior, incluindo pneumonia, enfisema e abcesso pulmonar.

­­— Endocardite.

O Metronidazol não é eficaz em infecções provocadas por bactérias aeróbias, que vivem na presença de oxigénio. O Metronidazol é apenas eficaz em infecções provocadas por bactérias anaeróbias, uma vez que a presença de oxigénio inibe o processo de redução do azoto que é crucial no mecanismo de acção do fármaco.

 

 

Vantagens do Metronidazol face a outros antiparasitários

 

 

- Variedade nas formulações disponíveis – oral, intravenosa, intravaginal e tópicas.

-O Metronidazol oral é extremamente bem absorvido.

-Actividade bactericida contra anaeróbios obrigatórios.

-Excelente actividade contra bacilos anaeróbios gram-negativos, incluindo B. fragilis que são frequentemente resistentes a outros antibióticos.

-Excelente penetração em quase todos os tecidos corporais e fluidos, incluindo saliva, fluido vaginal seminal e fluido cefalorraquidiano.

-Mínima supressão da flora intestinal normal. Não induz a diarreia associada a antibióticos (colite pseudomembranosa).

-Tem um baixo custo.

-Tem efeitos adversos relativamente ligeiros.

 

 

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