MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

VIH e SIDA em Angola

ZERO é o nosso objectivo!

 

 

Sob a coordenação do Instituto Nacional de Luta contra a Sida (ILNS), o Ministério da Saúde elaborou um documento que se destina a orientar a aceleração da resposta ao VIH e SIDA até 2015.

Aconteceu em Luanda,  no início do mês, um encontro entre as equipas de saúde das províncias e o INLS para apresentar e debater as novas orientações.

Eliminar novas infecções pelo VIH em crianças, garantindo que 90% das gestantes seropositivas, logo após o diagnóstico, recebam tratamento  antiretroviral e assregurar que 90% dos adultos, adolescentes e crianças infectadas pelo VIH elegíveis ao tratamento, tenham acesso aos TARV, são os principais objectivos a atingir a curto prazo.

Foram duas semanas de trabalho intenso, de partilha de preocupações e experiências, mas também de esperança nos resultados do empenhamento de todas as  Direcções provinciais de Saúde em atingir os objectivos desejados por todos, sabendo que não é caminho fácil, face às imensas dificuldades de sensibilização da população, não só no que se refere à prevenção, mas também à necessidade da continuidade dos tratamentos, muitas vezes abandonados logo no início.

O Jornal da Saúde esteve lá e acompanhou com apreço estes dias de trabalho, pautado pelo espírito de equipa e partilha de conhecimentos a todos os níveis, que tiveram como único fim,  atingirmos um dia,  que se deseja não muito longínquo, ZERO de vítimas do HIV e SIDA!

 

 

 

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Generosidade significa dar sem esperar nada em troca

 

 

A Fundação Lwini lançou o Programa de Intervenção Social “Educar é a Nossa Missão” – ao qual o Jornal da Saúde se associou – conforme noticiado na última edição. O programa promove campanhas de sensibilização para a mudança de comportamento e de boas práticas no seio das famílias e da sociedade. As palestras têm um tema mensal para debate. Convidamos os leitores do JS a desmultiplicarem este esforço junto às suas unidades de saúde, empresas e instituições, promovendo um encontro de divulgação e debate sobre cada tema.

O tema central de Março é a generosidade

Generosidade significa dar sem esperar receber nada em troca. É a virtude que uma pessoa tem quando acrescenta algo ao próximo; é a prática do desapego. Não se limita apenas aos bens materiais. Generosas são as pessoas que se sentem bem em dividir um tesouro com mais pessoas porque isso as faz sentir bem.

Vivemos numa época em que as pessoas estão mais preocupadas consigo próprias e com as questões materiais, resultando no egoísmo e no individualismo. Vivemos com pressa. Não temos tempo para nada nem para ninguém. Não nos peocupamos com o que pode acontecer. Não comunicamos com os nossos vizinhos e nem sequer os cumprimentamos, a não ser aos nossos familiares mais próximos.

Ser generoso não é dar o que nos sobra, mas sim dar de acordo com as necessidades da outra pessoa.

Ajudar alguém que nos causou danos, indubitavelmente exige muito esforço. Isso é generosidade. Assim como perdoar. E quando alguém é generoso de verdade não o proclama e demonstra humildade.

Temas colaterais para o mês de Março: gratidão, poupança, perseverança, criatividade.

 

 

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Aceleração da Resposta ao VIH e SIDA em Angola até 2015

Directores provinciais de Saúde vão passar a liderar o programa

 

Mara Mota com Francisco Cosme

A liderança da gestão do programa de luta contra o VIH/SIDA por parte dos Directores provinciais de Saúde – introduzindo-o nos planos municipais e não delegando toda a responsabilidade nos pontos focais –, o reforço dos comités técnicos provinciais de luta contra a SIDA e grandes endemias, e uma maior advocacia junto dos líderes políticos, religiosos e tradicionais, foram as principais recomendações que saíram do Encontro sobre a Aceleração da Resposta ao VIH e Sida em Angola até 2015, que decorreu de 27 de Janeiro a 7 de Fevereiro, em Luanda

 

Presidido pelo ministro da Saúde, José Vieira Dias Van-Dúnen, acompanhado pela directora-geral do Instituto Nacional de Luta contra a Sida (INLS), Dulcelina Serrano, e a representante das Nações Unidas, Maria Val Ribeiro, o evento contou com a participação muito activa e intensa dos Directores provinciais de Saúde, chefes de departamento de saúde pública, pontos focais do VIH e supervisores da saúde sexual e reprodutiva, além de outros quadros ministeriais, de organizações internacionais, ONGs e de associações da sociedade civil.

“Vamos sair daqui com a garantia de que nenhuma criança venha a nascer com VIH, que não haja mais mortes relacionadas com a SIDA e que todos os infectados sejam tratados com dignidade e sem discriminação, ou seja, que possamos, até 2015, alcançar zero novas infecções, zero mortes relacionadas com a SIDA e zero discriminação”, exortou o ministro José Van-Dúnen na sessão de abertura.

A directora do INLS, Dulcelina Serrano, explicou ao Jornal da Saúde os dois grandes objectivos do encontro: 1.º A eliminação de novas infecções pelo VIH em crianças, garantindo que, logo após o diagnóstico, 90 por cento das gestantes seropositivas recebem tratamento anti-retroviral (ARV); 2.º Garantir que 90 por cento dos adultos, adolescentes e crianças portadoras do VIH/sida, elegíveis para o tratamento, tenham acesso ao ARV.

As metas traçadas no encontro foram autónomas pois cada província fez a sua abordagem, de acordo a sua realidade, e aplicará a sua estratégia, para que se cumpram todas obrigações do plano.

“A prevalência, o diagnóstico precoce, a estimativa, serão os grandes desafios pois conhece-se poucos casos atempadamente, o que tem dificultado o tratamento. Sendo assim, todas as províncias irão procurar melhorias face à situação epidemiológica e passar a prestar uma informação real e fidedigna de todos os dados referentes ao VIH”, salientou Dulcelina Serrano.

No final do encontro, os participantes chegaram à conclusão de que constituem barreiras à aceleração da resposta ao VIH/SIDA o consentimento da realização dos testes, a insuficiência de recursos humanos, a dificuldade de acesso aos municípios distantes e rurais e a incompatibilidade dos dados epidemiológicos das províncias.

Por isso, as recomendações apontam sobretudo para que os directores provinciais liderem a gestão do programa e não deleguem toda responsabilidade nos pontos focais e para que se reforcem os Comités técnicos de Luta contra a Sida e grandes endemias. Foi também pedido que o plano de actividades para aceleração da resposta ao VIH/Sida até 2015 seja introduzido no plano municipal de desenvolvimento sanitário e que se faça mais acções de advocacia e sensibilização junto dos líderes políticos, religiosos e tradicionais.

 

 

 

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CPLP

Angola antecipa-se às tendências

 

O ministro da Saúde, José Van-Dúnem, garantiu, durante III Reunião Ordinária de ministros da saúde da CPLP que decorreu este mês no Maputo, que o sector que dirige tem procurado responder, de forma cada vez mais pertinente e eficaz, aos desafios, bem como antecipar-se às tendências que se desenham para o futuro, adaptando e modernizando a sua estrutura, o seu modo de funcionamento, os seus planos e programas.

 

"Actualizámos a nossa Política Nacional de Saúde e estamos a finalizar o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário até 2025 (PNDS 2012-2025), bem como a elaboração da Política e do Plano Nacional de Desenvolvimento de Recursos Humanos 2013-2025, que são orientados por comissões multisectoriais, traduzindo de forma eloquente e concreta o papel importante dos outros sectores sobre as determinantes sociais da saúde”, afirmou.

José Van-Dúnem assegurou igualmente que a cooperação nacional e internacional está nitidamente mais integrada e alinhada com os objectivos traçados, principalmente com a atenção primária e com o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário.

No domínio da colaboração intersectorial e da sinergia com os parceiros, cresceram acções conjuntas com outros Ministérios, instituições académicas, organizações profissionais, organizações internacionais, regionais e sub-regionais, entre outras.

A paz, a democratização, o fortalecimento da sociedade civil, a descentralização política e administrativa, a liberalização económica, a urbanização crescente, os progressos no domínio da educação, o crescimento da classe média, a natureza pluralista do sector da saúde, a transição epidemiológica, as novas tecnologias, a globalização, entre outras mudanças, transformam, a cada dia que passa, a vida das sociedades.

"Entre muitas implicações, essas mudanças contribuem para um aumento das expectativas e exigências das nossas populações em relação aos nossos sistemas de saúde, particularmente ao nível local", concluiu.

 

 

 

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Lepra controlada

 

No encontro, o coordenador do Programa de Tuberculose e Lepra, Filomeno Fortes, esclareceu que se tem registado um caso da doença em cada dez mil habitantes, mas que o Ministério está a desenvolver estratégias no sentido de erradicar definitivamente a doença.

O especialista recordou que o tratamento da lepra é gratuito e que existe um programa nacional do sector que visa formar e sensibilizar as pessoas sobre as causas, consequências e prevenção desta enfermidade.

 

Saiba mais sobre a Lepra

A origem da lepra confunde-se com a história da humanidade. Lepra, hanseníase, morfeia, mal de Hansen ou mal de Lázaro é uma doença infecciosa crónica com um grande período de incubação. Os bacilos, que podem ser milhões, reproduzem-se lentamente. A lepra ataca essencialmente a pele e os nervos. Quando ataca os nervos, provoca uma anestesia (o doente passa a não sentir dor).

Em 1873, Hansen, um jovem médico norueguês, conseguiu detectar em matéria orgânica retirada dos doentes de lepra uns estranhos filamentos que a ciência confirmaria depois como sendo os agentes causadores da doença, mais tarde apelidados de bacilos de Hansen. A descoberta teve, naturalmente, grande alcance histórico e médico.

Hoje a lepra é bastante mais fácil de tratar. Mas, na maioria dos casos, os seus portadores não podem suportar os custos dos medicamentos necessários. Daí a importância deste Dia Mundial para sensibilizar as populações e os governos para a necessidade de apoiar estes doentes.

Uma importante medida de prevenção é a informação sobre os sinais e sintomas da doença, uma vez que, quanto mais cedo for identificada, mais fácil e rápida será a cura. Uma outra medida preventiva é a realização do exame dermato-neurológico e a aplicação da vacina BCG nas pessoas que vivem com os portadores desta doença.

 

 

 

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A relação entre o meio ambiente e a saúde

 

A exploração intensiva dos recursos naturais para satisfazer as necessidades crescentes das modernas sociedades de consumo tem sido assinalada como um perigo real para a humanidade, devido aos danos ambientais que daqui resultam.

 

Como parte integrante da natureza, o homem não dispensa um meio ambiente saudável para, ele próprio, poder ter uma vida sã.

Danos no ambiente têm implicações na saúde pública e vice-versa. Esta relação é fácil de comprovar. O vibrião da cólera, por exemplo, é transmitido pelo contacto directo com a água ou pela ingestão de alimentos contaminados.

Más condições de saneamento básico, hábitos de higiene deficientes e as condições precárias de vida são factores ligados ao meio ambiente e que se revelam decisivos para a transmissão da doença.

As preocupações, contudo, não podem centrar-se nas tentativas de remediar os danos ou curar as doenças que resultam da degradação da natureza. Muito mais eficaz é agir antes, prevenindo e precavendo, o que se consegue preservando e conservando o meio ambiente.

 

Dia do Ambiente

O Dia Nacional do Ambiente, que se assinalou a 31 de Janeiro, é um alerta para a necessidade de se adoptar padrões de vida sustentáveis, que promovam uma gestão equilibrada dos recursos naturais.

Este ano, a data serviu para encorajar as pessoas a pensarem no ambiente de uma maneira mais abrangente, pois ainda há necessidade de se proceder a melhorarias que influenciam a vida das populações.

Campanhas de plantação de árvores, limpezas nos principais focos de resíduos e palestras de sensibilização da sociedade para contribuírem para um ambiente mais puro fizeram parte das actividades. Os alertas no sentido de se proteger e preservar o ambiente foram dirigidos às populações e aos governantes.

 

 

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Saúde bem melhor na província

 

 A paz alcançada, em 2002, com o calar das armas, está a possibilitar a remoção de vários obstáculos que a guerra impunha ao desenvolvimento do Cuanza Norte, permitindo o alcance de inúmeros benefícios para as populações.

 

Com esta possibilidade, é cada vez mais visível o aumento da oferta de bens e serviços públicos à população da região, facto demonstrado, a título de exemplo, com o crescimento da rede sanitária desta parcela do território nacional, tornando assim a assistência médica cada vez mais próxima dos cidadãos.

Várias são as unidades que foram construídas ou reconstruídas em diversos aglomerados urbanos e aldeamentos da província do Cuanza Norte, o que fez com que a população deixasse de percorrer e aturar longas distâncias e filas de espera em busca do tratamento médico.

O Director provincial de Saúde do Cuanza Norte, Manuel Duarte Varela, destacou o “boom” no crescimento da rede sanitária da província, em termos de infraestruturas.

Segundo o médico, a província testemunhou, no período entre 2005 a 2013, o surgimento de 51 novas unidades sanitárias de distintos escalões, construídas em diversos municípios, comunas e aldeias, no âmbito dos programas de investimentos públicos e de municipalização dos serviços de saúde, uma realidade que está a garantir à população da província uma assistência médica de qualidade.

Com tudo isso, prosseguiu o médico do serviço nacional de saúde, a capacidade de internamento de pacientes registou um incremento na ordem dos 61,5 % ao passar de 402 camas, em 2005, para 1.050, em 2013, fruto dos investimentos consubstanciados na colocação à disposição das comunidades de mais hospitais, centros e postos de saúde para a satisfação dos munícipes.

Com quatro hospitais em 2005, a província contou, até 2013, com 10 unidades hospitalares, além dos 96 postos de saúde e 21 centros, todos devidamente equipados com meios técnicos modernos e humanos.

Actualmente, estão em funcionamento no Cuanza Norte, 128 unidades sanitárias com 1.050 camas hospitalares disponíveis, asseguradas por 84 médicos, 947 enfermeiros de nível médio e 47 técnicos superiores de saúde.

 

Mais investimentos na saúde

 Mais investimentos do governo local a nível deste sector estão a alterar significativamente o quadro funcional do sector da saúde, se comparado aos anos anteriores, com vista à melhoria da assistência médica às populações e, consequentemente, à redução substancial da taxa da morbi-mortalidade na província, disse ainda o Director provincial de Saúde.

Entre os referidos investimentos, contam-se os trabalhos, em curso, destinados à ampliação, reabilitação e modernização do Hospital Provincial, visando incrementar a sua capacidade de internamento, o que vai permitir o aumento do número de camas na instituição de 140 para 270 leitos hospitalares e  a  instalação de novos serviços, como unidades de tratamento de queimados, infecciologia,  cuidados intensivos,  produção de oxigénio, entre outros, facto que vai contribuir para o reforço da assistência médica e medicamentosa prestada às populações.

Manuel Varela acrescentou que o sector tem ainda em perspectiva, para este ano, a reabilitação e apetrechamento do Hospital Municipal de Kambambe, a construção de uma unidade similar com 57 camas no município do Samba-Cajú, postos de saúde nas comunas do Terreiro e Quiquiemba, no município do Bolongongo.

Consta ainda da aposta do sector, para 2014, a reabilitação e ampliação dos Centros Municipais de Saúde da Banga e Bolongongo, facto que vai elevar a capacidade de internamento destas unidades de 30 para 60 camas.

 Segundo acrescentou, estão igualmente previstas a entrada em funcionamento, dentro de alguns meses, de duas novas unidades sanitárias designadamente o Hospital Sanatório de Ndalatando, capaz de internar 40 pacientes, e o Centro Materno Infantil do Lucala que estará equipado com 30 camas e um bloco operatório.

No domínio do apoio medicamentoso, Manuel Varela assegurou que estão garantidos suprimentos de kits de fármacos para postos e centros de saúde para atender a demanda até, pelo menos, Setembro próximo.

 

Novos técnicos reforçam

o sector da saúde

 Em simultâneo com a construção e melhoria das infraestruturas, o sector da saúde na província apostou “tendenciosamente” na contratação de mais técnicos com vista a dar resposta ao crescimento da rede sanitária da região e fazer com que algumas doenças, principalmente as endémicas, fossem combatidas com mais acutilância.

Manuel Varela sustentou que, em 2005, o sector contava com o concurso de apenas 28 médicos (entre nacionais e expatriados) e 550 enfermeiros para atender perto de 450 mil habitantes distribuídos em 10 municípios e 30 comunas. “Hoje, assinala-se um quadro diferente, podendo agora o sector da saúde na província contar com 84 médicos, 947 enfermeiros de nível médio e 47 técnicos superiores de saúde”, frisou.

 Prosseguiu, sublinhando que, fruto do investimento na formação de quadros, o número de enfermeiros de nível superior na província, conheceu um aumento “fenomenal” de um único especialista, em 2005, para 47 técnicos superiores nesta mesma área.

 “De modo geral, pode dizer-se que o programa de expansão da rede sanitária do Kwanza-Norte trouxe imensuráveis benefícios sociais e económicos às populações propiciando uma saúde bem melhor com menor custos”, frisou o responsável.

 Localizada a 257 quilómetros de Luanda, passado pelo Dondo e a 190 pela via da trombeta, nas estradas números 230-A e 230-B, respectivamente, a província do Cuanza Norte conta com uma extensão territorial de 24.110 quilómetros quadrados e uma população estimada em cerca de 500 mil habitantes, distribuídos por 10 municípios.

 

 

 

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Melhoria da qualidade dos serviços prestados às comunidades é prioridade

 

Em entrevista ao Jornal da Saúde, à margem do Encontro Sobre Aceleração da Resposta ao VIH e SIDA até 2015, que decorreu no final de Janeiro, em Luanda, o Director provincial de Saúde do Huambo, Frederico Juliana, adiantou que a estratégia implementada no âmbito da municipalização é a expansão dos serviços primários de saúde em todos os municípios, focalizando-se na assistência médica e medicamentosa e suprindo todas as insuficiências sanitárias, com base nos critérios do Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário. De acordo com este responsável, “a descentralização financeira e administrativa são ganhos importantes que atribuem às estruturas locais autonomias decisivas que facilitam a implementação e solução dos seus problemas”.

 

Apontou a melhoria da qualidade dos serviços prestados às comunidades nos 11 municípios e o melhor enquadramento das políticas médico-sanitárias como os principais objectivos no quadro da municipalização.

“Dar uma saúde assistida e adequada às populações, gerindo os recursos  de forma racional, fazendo com que todos beneficiem a nível das comunidades, são desafios que tendem a ser alcançados”, referiu.

Recorde-se que, no biénio 2012-2013, entraram no sistema de saúde desta província mais 8 médicos nacionais e 12 estrangeiros, mais 10 novos enfermeiros licenciados, maioritariamente de nacionalidade angolana, e mais de 500 enfermeiros gerais, enquadrados por concurso público e transferidos de algumas províncias para o Huambo, perfazendo um número de trabalhadores que ultrapassa os 6000, o que se traduz num significativo acréscimo em relação a 2012, altura em que existiam apenas 5312.

 

Malária a baixar,

cólera controlada,

mas acidentes

rodoviários a subir

No que se refere à redução da incidência de malária, o Huambo foi considerada a província mais eficiente em termos nacionais, ao registar apenas 18 óbitos em 2013 (em 2012 foram 31).

Se a cólera também está controlada, os acidentes rodoviários são já um grave problema de saúde pública na província. De acordo com Frederico Juliana, “em 2012 morreram 312 pessoas e em 2013 os óbitos ascenderam a 423. Para além disso, por cada pessoa que morre, pelo menos 12 ficam feridas, das quais cerca de 4 apresentarão sequelas permanentes”. Cerca de 80 a 90% dos acidentes são causados por mototaxistas. No fim de semana 22 e 23 de Fevereiro, procuraram o Banco de Urgência do Hospital Geral do Huambo, durante o fim-de-semana, 83 feridos. Destes, 42 (mais de 50 %) eram vítimas de acidentes de viação, de acordo com o supervisor da unidade hospitalar, Arnaldo José Francisco, citado pela Angop.

Saúde materno-infantil

Na província a mortalidade materno-infantil, em menores de 1 ano, decresceu de 21,6% em 2012 para 14,9% em 2013 e em menores de 5 anos baixou de 41,1 para 16,6%.

De realçar também a abertura do bloco operatório do hospital municipal do Bailundo no final do ano passado, pelo que as cesarianas deixaram de ser motivo para a transferência de pacientes para o hospital geral do Huambo. Em menos de três meses foram efectuadas 76 cirurgias. Esta unidade dispõe de dois blocos cirúrgicos com salas anexas, designadamente a de reanimação, com a capacidade de cinco leitos. Em termos de recursos humanos, conta com dois médicos especialistas obstétricos, duas médicas especialistas anestesistas, quatro instrumentistas e quatro anestesistas, além de outras equipas de enfermagem e maqueiros para o serviço de apoio.

Finalmente, recorde-se que, em Setembro último, entraram em funcionamento o centro de hemodiálise – com 16 rins artificiais e 33 profissionais –, o laboratório de pesquisa e cultura do bacilo de Koch e diagnóstico da tuberculose, e ainda o laboratório de pesquisa entomológica – serviços inaugurados pelo titular da pasta no país, o ministro José Van-Dúnem.

 

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Sensibilização contra a cólera

 

Os moradores do bairro São José, arredores da cidade do Huambo, foram sensibilizados sobre as formas de prevenção da cólera, durante a realização de mais uma edição do projecto Uhayele Vimbo, promovido pela Direcção provincial de Saúde, no dia 28 de Fevereiro. O evento, de acordo com a chefe do departamento de saúde pública, Georgina Figueiredo, superou as expectativas, tendo em conta o número de pessoas que beneficiaram dos serviços médicos e medicamentosos disponibilizados durante a actividade. Informou que os técnicos de saúde presentes no bairro, auxiliados por agentes comunitários de saúde da organização não-governamental Amosmid, percorreram e vistoriaram 373 casas, tendo detectado 19 casos característicos de cólera que foram prontamente medicados no local.

Georgina Figueiredo disse terem sido projectados, ao longo da actividade, cinco filmes que abordam as formas de contágio e prevenção da cólera e distribuídos 200 folhetos informativos para elucidar os riscos desta doença. Foram ainda distribuídos aos moradores do São José 600 litros de hipoclorito de cálcio, 2000 comprimidos e 500 litros de lixívia para o tratamento da água que consomem.  A responsável do departamento de saúde pública na província do Huambo apelou à população para combater a cólera que, desde Novembro, afecta alguns bairros periféricos desta cidade, eliminando os focos de lixo.

 

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Director Provincial de Saúde,  Abreu Undongo

“Municipalização contribuiu para a extensão da rede sanitária e aquisição de equipamentos”

 

O sector da saúde na província do Cuanza-Sul está a conhecer melhorias significativas, quer ao nível das infra-estruturas, quer do quadro de técnicos — já satisfatório — que prestam serviços nas diversas áreas de atendimento às populações.

A garantia é do Director provincial de Saúde do Cuanza-Sul, Abreu Undongo, que considerou o programa de municipalização dos serviços de saúde como sendo o principal factor que contribuiu para a extensão da rede sanitária e aquisição de equipamentos que garantem uma assistência médico-medicamentosa mais condigna.

Em entrevista ao Jornal da Saúde, este responsável fez um balanço positivo das acções e programas executados ao nível da província, e apontou como principais desafios o aumento da cobertura sanitária em toda extensão da província, com a construção de mais centros e postos de saúde, o alargamento de programas assistenciais e a formação contínua, a vários

níveis, para garantir uma assistência com competências requeridas.

 

— Como caracteriza o sector da saúde na província do Cuanza-Sul?

—  Bem, começo por dizer que a situação sanitária na província do Cuanza-Sul está a conhecer melhorias tanto nos domínios das infraestruturas hospitalares, como do pessoal que presta serviços ao sector. À medida em que a rede sanitária aumenta, também acompanhamos com o recrutamento de mais médicos e enfermeiros para responderem à demanda. Mas devo assinalar que na classe de médicos ainda dependemos, em grande escala, de quadros expatriados, situação que, ao longo do tempo, se pode inverter com a formação contínua que decorre em todo o país e que a província não foge à regra.

Quanto à realidade actual do sector da saúde no Cuanza-Sul, a província  conta com 245 unidades sanitárias, sendo dois hospitais provinciais de referência, 13 hospitais municipais, 31 centros de saúde e 194 postos de saúde. Prestam serviços ao sector da saúde um total de 136 médicos, 1.631 enfermeiros, 171 técnicos de diagnóstico e terapêutico, 473 pessoas de apoio hospitalar, entre maqueiros, vigilantes e copeiros e 517 quadros e técnicos administrativos.

No entanto devo dizer que o sector ainda denota um défice em termos de médicos de especialidades para cobrirem as unidades sanitárias nos municípios do interior, principalmente nas áreas de obstectrícia, cirurgia e ortopedia.

— Como está o abastecimento em medicamentos e equipamentos?

— Em termos de medicamentos estamos bem servidos, com a disponibilidade de fármacos diversos, adquiridos através da Direcção Nacional de Medicamentos e de outros fornecedores.

Quanto aos equipamentos, a situação é razoável porque persistem algumas necessidades em adquirir mais equipamentos de radiologia para serem instalados em todos os municípios. Actualmente, temos em funcionamento equipamentos de RX apenas nos municípios do Sumbe, Porto Amboím, Amboím e Quibala e pensamos instalar esses serviços em todos os municípios da província.

— Qual é o quadro da evolução das principais patologias na província?

— A malária continua a preocupar as autoridades sanitárias da província do Cuanza-Sul, com maior foco nos municípios do litoral, como Sumbe e Porto Amboím, mas também do interior, como os do Amboím e da Conda. Mas a situação está sob controlo das autoridades, o que nos permite planificar e distribuir testes e respectivos medicamentos de combate à malária.

Em seguida, estão as doenças diarréicas agudas (DDA) e infecções respiratórias agudas (IRA), bem como as doenças crónicas como diabetes e hipertensão arterial que também constituem outras causas de vítimas mortais nas comunidades.

— Quais os ganhos que podem ser mensurados ao nível do sector da saúde no Cuanza-Sul?

— Desde o início da implementação do programa de municipalização dos serviços de saúde, temos alcançado bons resultados, sobretudo no domínio das infraestruturas sanitárias. A extensão da rede hospitalar ao nível da província já é uma realidade – e com sustentabilidade! – porque também foram construídas residências para enfermeiros, facto que permite uma prestação mais actuante no meio rural.  Um ganho que devo realçar é o da reabilitação e ampliação do Hospital geral da Cela que comporta serviços mais modernos.

Ainda não abriu as portas ao público, mas já constitui um orgulho das autoridades sanitárias e do Governo provincial. De notar também que o início do seu funcionamento vai dar resposta a muitos dos casos clínicos que, até agora, exigiam evacuações.

— Quais os Programas que estão a ser executados para a melhoria da assistência às populações?

— São vários e cada um com a sua especificidade. Temos o programa de controlo da malária que consiste na distribuição universal às famílias de mosquiteiros tratados com insecticidas de longa duração e que é complementado com o saneamento do meio. O programa de imunização que permite a cobertura de vacinação rotina com todo os antigenos, o programa de VIH/Sida para a prevenção, o corte vertical e oferta universal de medicamentos e acompanhamento às pessoas infectadas. Além destes que enumerei, executamos outros, como o da tuberculose e lepra, saúde materno-infantil, nutrição, medicamentos essenciais, vigilância epidemiológica, educação para a saúde, água e saneamento ambiental. São, de facto, programas transversais porque a sua eficácia  depende muito da colaboração das comunidades.

 

QUAIS OS DESAFIOS DO SETOR NA PROVINCIA?

Os desafios são enormes, a julgar pela dimensão das questões que ainda temos por resolver. Em primeiro lugar, enfrentamos o desafio de aumentar a rede hospitalar em toda a extensão da província e a consequente melhoria da assistência médico-medicamentosa. A par disso, temos consciência de que a formação técnica constitui a mola impulsionadora para alcançarmos as metas preconizadas, entre as quais a humanização dos serviços de saúde. Neste particular devo dizer que decorre o processo de formação dos técnicos básicos que funcionam nas unidades hospitalares para adquirirem o nível técnico médio e a formação de novos técnicos neste nível. Outros frequentam formação superior em Luanda. Pensamos assim que, nos próximos tempos, disporemos de quadros mais competentes para os desafios do presente e do futuro.

No domínio das infraestruturas temos preconizado a construção de três centros de saúde, com capacidade para trinta camas, nos municípios do Seles, Porto Amboím e Ebo, bem como a requalificação de postos de saúde que funcionam em regime provisório nos municípios de Cassongue e do Ebo.

Outro desafio para o corrente ano e para os próximos tempos consiste no aumento da cobertura do programa de aconselhamento e testagem do VIH/Sida em todos os municípios da província.

Por outro lado, temos de realizar encontros periódicos entre os técnicos de diversas áreas para o manuseio eficaz de equipamentos, troca de experiências sobre a assistência aos pacientes, gestão de recursos humanos, sobre os desafios a ter em conta para a aproximação dos serviços de saúde nas comunidades, redução da mortalidade materno-infantil e redução de mortes por malária.

Entre todos os desafios acima apontados, temos de destacar a necessidade de se apetrechar as unidades sanitárias da periferia para descongestionar os hospitais provinciais. Isso passa pela melhoria de assistência mais digna e disponibilidade de equipamentos que respondem às solicitações nas zonas rurais. É um desafio que, pelos actuais indicadores, temos a certeza que é possível vencer e atingir essa meta.

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Sector da saúde no Zaire com dias melhores

 

As condições de assistência médica e medicamentosa no Zaire vão, nos próximos tempos, conhecer melhorias significativas com a construção, pelo Executivo, de numerosas unidades sanitárias. Destaque para o hospital provincial com capacidade para 377 camas, cujas obras decorrem a ritmo acelerado na localidade de Kunga-a-paza, arredores da cidade de Mbanza Congo.

 

O Director provincial de Saúde do Zaire, João Miguel Paulo “Joveth”, informou que o sector é um dos que mais cresce em termos infra-estruturas, facto que demonstra a vontade do Governo em ver melhoradas as condições de assistência médica e medicamentosa dos habitantes da região.

João Miguel Paulo fez saber que o actual mapa sanitário da região contempla 89 unidades hospitalares em funcionamento, distribuídas nos seis municípios.

O interlocutor asseverou que o referido mapa sanitário, elaborado em 2009, carece de adequação à realidade actual, caraterizada pelo surgimento de novas construções hospitalares distribuídas pelas 25 comunas da província.

O responsável acrescentou que muitas destas infra-estruturas, entre postos e centros de saúde, construídas com o propósito único de aproximar os serviços de saúde das populações, aguardam apenas a sua entrada em funcionamento.

O Director de Saúde no Zaire sublinhou que a abertura das unidades sanitárias a nível das comunas vai contribuir, em grande medida, na redução das enchentes que os hospitais de referência têm registado.

Avançou que os serviços de saúde na província são assegurados por 55 médicos, entre expatriados e nacionais, 628 auxiliares de enfermagem e 239 técnicos de enfermagem de distintas especialidades.

 

Perfil epidemiológico

“Temos um défice em termos de recursos humanos. Do total de médicos existentes, muitos não fazem trabalhos clínicos”, realçou o director da Saúde antes de apresentar o perfil epidemiológico da província que, segundo ele, é predominado por doenças respiratórias, diarreicas agudas, malária e febre tifóide.

Em 2013, prosseguiu, foram registados 74.815 casos da malária, 280 dos quais resultaram em óbitos, sendo as vítimas maioritariamente crianças e mulheres grávidas.

“Vamos continuar a trabalhar afincadamente no combate à malária, de acordo com a estratégia definida pelo Ministério da Saúde”, declarou, acrescentando que o caminho passa pela realização de acções de informação, educação e comunicação junto das comunidades, intensificação das campanhas de pulverização intra-domiciliar e limpeza das zonas residenciais com água estagnada, para evitar a reprodução de larvas de mosquitos.

 

Ganhos em saúde

João Miguel Paulo disse que o seu pelouro tem igualmente levado a cabo campanhas de distribuição, a nível da provincial, de mosquiteiros impregnados com insecticida de longa duração às mulheres grávidas, durante as consultas pré-natal.

O Director provincial de Saúde no Zaire afiançou que os principais ganhos do sector têm a ver com o aumento gradual do número de infra-estruturas, facto que, segundo ele, não está a ser acompanhado com a formação de técnicos nas mais diversas especialidades. O médico enumerou vários desafios para os próximos tempos, com destaque para a promoção dos quadros e a redução dos índices de mortalidade materno-infantil.

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Mortes maternas: evitáveis ou não evitáveis?

 

Nicolás Lázaro Serrano Varela

Médico Especialista em Ginecobstetrícia

 

O objectivo deste trabalho é dar o nosso contributo para o empenhamento actual das autoridades angolanas na diminuição da mortalidade materna  e motivar os profissionais a aprofundarem o diagnóstico e a gestão das hemorragias obstétricas.

 

A morte de uma mulher grávida ou ocorrida nos 42 dias seguintes após terminar a gestação, independentemente do tempo de gestação ou da localização da mesma, é o que denominamos “morte materna”. As mortes maternas podem estar relacionadas directamente com uma complicação própria da gravidez (morte materna directa) ou relacionadas com outras causas não directamente ligadas à gravidez (morte materna indirecta).

Diariamente, acontecem 800 mortes maternas em todo mundo. A maioria destas mortes ocorrem em países de baixos rendimentos e a maioria delas são evitáveis. Por isso, esta alta taxa de mortalidade é inaceitável.

Angola, tal como Guiné-Bissau, Afeganistão, Níger, Serra Leoa, Libéria e Somália, encontravam-se entre os dez países com maior risco de morte materna, segundo reportou a UNICEF em 2005.

Dados divulgados pela anterior vice-ministra da Saúde, Evelize Fresta, durante a abertura do seminário sobre as principais causas de morte materna em Angola, em Luanda, em Maio de 2012, apontavam para a redução da mortalidade materna no país de 610 por cada 100 mil nados-vivos para cerca de 450 por cada 100 mil. Segundo esta responsável, a redução deve continuar e atingir, em 2015, um valor entre 250 e 400 por cada 100 mil. Para alcançar tal objectivo, além do apoio financeiro, é vital uma correcta preparação técnica de todo o pessoal envolvido no processo de atenção à mulher grávida.

 

As hemorragias

obstétricas

A tríade mortal clássica, que contribui com maior número de mortes maternas, é integrada pelas hemorragias, os transtornos hipertensivos e as infecções, sem esquecer outras condições como os abortos perigosos ou clandestinos e uma enfermidade que aumentou sua incidência nas últimas décadas: o VIH/sida.

As hemorragias obstétricas e, em especial, as hemorragias pós-partos, além de serem a mais frequente causa de mortalidade materna, são também, pelo seu curso clínico, um dos fenómenos mais dramáticos e que obriga os profissionais de saúde a atuarem com rapidez e segurança. É por isso que pretendemos abordar alguns dos aspectos mais salientes e críticos da hemorragia obstétrica.

As hemorragias podem aparecer antes do parto, inclusive em estádios muito precoces da gestação, como é o caso dos abortos (espontâneos ou provocados) e da gravidez ectópica. Também podem aparecer próximo do término ou durante o trabalho de parto (placenta prévia, desprendimento prematuro de placenta normalmente inserida ou ruptura uterina).

Outra possibilidade é aparecer uma hemorragia depois do parto, quando ocorre atonia uterina, lacerações do canal do parto, retenção placentária, etc. Algumas condições favorecem a aparição destas hemorragias pós-parto, como as infecções e alguns transtornos hematológicos (coagulopatias).

 

Factores de risco

Existem alguns factores de risco que propiciam estas hemorragias e sobre os quais é possível actuar, como as infecções ginecológicas, os abortos desnecessários e a multiparidade. Embora pareça uma tarefa difícil, não devemos deixar de insistir nos métodos de planeamento familiar e na educação sexual da população em geral.

A correcta atenção pré-natal e o parto (parto institucional, de forma ideal) também podem causar impacto positivo na diminuição das mortes maternas em geral e, em particular, das mortes por hemorragia.

Uma prática muito difundida, e cujo uso diminui a incidência de hemorragia pós-parto, é o chamado parto assistido, ou gestão activa do 3.º período, que consiste na administração de oxitocina no momento da expulsão fetal acompanhada de tracção controlada do cordão e massagem uterina. Esta prática diminui em 50 a 60 por cento a incidência de hemorragia pós-parto.

 

Hemorragia pós-parto

Considera-se “hemorragia pós-parto” a perda aguda de sangue de mais de 500 ml. Esta estimativa é subjectiva e, no caso de hemorragias leves, existe pouca repercussão na hemodinâmica da paciente. Por isso, as variações das constantes vitais são pouco evidentes.

A perda aguda de sangue suporta a diminuição do volume circulante efectivo (choque hipovolémico) que, quando é prolongada ou intensa, está normalmente associada a um prognóstico fatal. Por outras palavras, a mortalidade do choque hipovolémico está relacionada directamente com a magnitude e duração da agressão isquémica.

Dependendo da perda sanguínea, o choque divide-se em quatro classes, que vão desde perdas mínimas de sangue (primeira classe), até à perda maciça de sangue e grande compromisso da perfusão, representando um sério perigo para a vida da paciente (quarta classe).

 

Estancar o sangramento

Em todas as hemorragias, além das medidas gerais e complementares, deve-se, simultânea e urgentemente, estancar o sangramento e fazer a reposição do volume de sangue.

A detenção do sangramento depende da causa do mesmo e pode obter-se com tratamento medicamentoso, fundamentalmente drogas uterotónicas ou oxitócicos, mas, nalguns casos, requer tratamento cirúrgico especializado, que inclui curetagem terapêutica, sutura de rasgão, operação cesariana, laparotomia, histerectomia e ligadura das artérias hipogástricas.

A reposição do volume depende do cálculo da volemia da paciente e da estimativa das perdas. Com esta informação calculamos o orçamento mínimo inicial. A quantidade de líquidos a administrar e o tipo de solução (cristalóides-colóides) depende da quantidade das perdas e da sua repercussão na hemodinâmica da paciente (pulso, tensão arterial, frequência respiratória, diurese, pulso capilar, estado de consciência) e a reposição deve ser realizada de forma imediata, utilizando ao menos duas vias endovenosas.

Em alguns casos de perdas severas é necessário o uso de aminas e outros medicamentos.

 

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Ozonoterapia já é possível em Angola

 

O primeiro centro especializado na utilização do ozono como agente terapêutico num grande número de patologias já funciona em pleno, em Luanda. Trata-se de uma terapia totalmente natural com poucas contra-indicações e efeitos secundários mínimos, sempre que se realize correctamente, conforme o Jornal da Saúde pôde constatar na entrevista à responsável administrativa do Centro Médico Cardiozono, a especialista Yanisley Martin Serran.

 

— Quais os principais serviços que oferecem e a que se destinam?

— O Centro Médico Cardiozono é um centro especializado nas áreas de ozonoterapia, cardiologia, clínica geral, urologia, ginecologia e obstetrícia, ortopedia, nutrição, pediatria, ecografias, análises clínicas, microbiológicas e citológicas.

— Quando foi constituído?

— O Centro foi constituído em 18 de Março de 2013. É uma instituição médica autorizada pela Inspecção Geral de Saúde, do Ministério de Saúde de Angola, através do decreto Nº 48/92, de 11 de Setembro, publicado no D.R. I Série Nº37, para funcionar como Centro Médico, com o registo nº 1129. Tem como objecto social serviços de saúde clínicos e farmacêuticos. Está situado no Bairro Militar, Projecto Nova Vida, Rua 3, Casa 1, Golf II, Município Belas, e pertence ao Grupo Céspedes & Santos Lda, uma empresa de direito angolano.

— Qual a missão do Centro Médico Cardiozono?

— A nossa missão é prestar serviços clínicos, com especial enfase na aplicação da terapia com ozono, pioneira em Angola, visando satisfazer com eficácia e eficiência as necessidades  de um crescente número das pessoas que dela necessitam:

- Serviços clínicos em  medicina geral e de especialidade.

- Serviços especializados de aplicação de ozono: efectuando tratamento com ozono por todas as vias de administração cientificamente conhecidas. Contribuir com a ozonoterapia no tratamento de patologias sem esperança de cura.

Eficiência: produtos e serviços de qualidade ao menor custo possível.

Eficácia: entrega de produtos e serviços conforme os requisitos do cliente em tempo, quantidade e qualidade.

Ozonoterapia: tratamento especializado com recurso ao uso de ozono.

— O que é Ozonoterapia e quais as vantagens deste tipo de tratamento?

— O ozono é um composto químico de três átomos de oxigénio (O3), um composto altamente energético do oxigénio atmosférico normal (O2). Em condições normais, o ozono é um gás incolor com um odor característico perceptível, por exemplo, após temporais, em altas altitudes, ou próximo ao mar.

Seu nome é de origem grega, do ozein, “o que emite cheiro”, e foi descoberto em 1840 pelo químico alemão Friedrich Christian Schönbein (1799-1868).

Por ser um agente de oxidação extremamente poderoso e um desinfectante altamente eficaz, é também usado em todo o mundo para esterilizar as instalações de tratamento de água que fornecem a água para consumo.

— O que é Ozonoterapia?

— É o uso do ozono para fins medicinais. O ozono medicinal é sempre uma mistura de ozono e de oxigénio puro, produzido por um gerador de ozono.

O ozonoterapeuta, um médico especialmente treinado para isso, determina a dosagem completa de acordo com a indicação médica e a condição do paciente.

— Quais as propriedades da ozonoterapia?

— O ozono medicinal tem propriedades altamente bactericidas, fungicidas e antivirais (é virustático). É usado extensamente para desinfectar feridas, assim como em doenças bacterianas e virais. A sua capacidade de estimular a circulação é usada no tratamento de problemas circulatórios e na revitalização de funções orgânicas de modo geral.

 A aplicação do ozono medicinal é extremamente útil para a activação imunológica em pacientes com um status imune baixo e/ou imunodeficientes.

Desta forma, são activados os sistemas antioxidantes e removedores de radicais livres (“scavengers”) do próprio corpo. Assim torna-se possível compreender o motivo do ozono ser usado nas doenças que envolvem inflamações crónicas.

Em resumo, o ozono tem propriedades anti-inflamatórias, é antiálgico, antioxidante, estimula a glicólise, germicida, inmunomodulador, oxigenante, regenerador e revitalizante.

— Em que medida contribui para saúde dos angolanos?

— Contribui em grande medida já que é benéfico para o tratamento de múltiplas doenças muito frequentes na maior parte do país. Constitui  uma  alternativa para os  problemas de saúde de pacientes cuja esperança de tratamento de determinadas patologias, ou traumas, pareciam não ter mais solução.

— Como perspectivam o futuro?

— Gostaríamos que Angola se convertesse, em África, o que é Cuba na América: um país de referência no tratamento com utilização do ozono e que possa assistir pacientes de outros países africanos que pretendam fazer esta terapia em Angola.

 

Doenças para as quais o tratamento com ozono é idicado:

Doenças de origem ortopédica

e traumatológica

- Artroses (cadeira, joelho, tornozelo,   coluna)

 - Epitrocleites, epicondilites,    trocânterites, dedo em resort,   bursites

- Síndrome de túnel carpiano,    esporão calcâneo

- Hérniadiscal

Doenças Cardiovasculares

- Hipertensão arterial

- Doença isquémica cardíaca,    angina de peito

- Arritmias, cardioscleroses

- Aterosclerose obliterante dos   vasos das extremidades inferiores

Doenças músculo-esqueléticas e do tecido conjuntivo

- Artrites reumatóide, artrites gotosa

- Fibromialgia ou síndrome de   cansaço crónico

Doenças endócrinas-metabólicas

- Diabetes Mellitus, úlceras em neuro   angiopatia diabética

Doenças respiratórias

- Bronquites crónicas (obstrutiva e   não obstrutiva)

- Asma bronquial

Doenças gastrointestinais

- Gastrites crónicas, úlcera gástrica   e duodenal, colites

- Divertículos e pólipos intestinais

- Constipação, hemorróidas    e fissura anal

- Hepatites agudas e crónica,    cirroses hepática, esteatoses    hepáticas

Doenças ginecológicas

- Inflamação pélvica (anexites,   endometrites)

 - Vulvites por bactérias    e fungos

Doenças neurológicas

- Doença cerebrovascular (AVC)

- Enxaqueca, cefaleias, doença   de Alzheimer, Parkinson

- Formas crónicas das insuficiências   cerebrovasculares

- Polineuropatias de diversas origens

- Escleroses múltipla

Doenças dermatológicas

- Acne, psoríases, micoses, herpes   zóster, herpes simples

- Úlceras tróficas e escaras

- Formas ulcerosas das vasculites   cutâneas

- Dermatites seborreicas (caspa)

- Celulites

Doenças oftalmológicas

- Glaucoma

- Blefarites,     conjuntivites

- Retinose pigmentaria, retinopatia   diabética

Doenças otorrinolaringológicas

- Otites, rinites, sinusites,    amigdalites

Doenças Odontológicas

- Gengivites, periodontites,    feridas da boca

- Cáries, halitoses

Doenças de origem oncológica

- Cancro

Doenças hematológicas

    - Traço falciforme (Sicklemia)

Outras

- Infertilidade

- Disfunção sexual     (impotência em homem e frigidez   na mulher)

- VIH

- Microvarizes     (aranhas vasculares)

- Anti-envelhecimento

 

 

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O risco cardiovascular na diabetes tipo 2

Gestão da hiperglicemia nos diabéticos de tipo 2 com doença cardiovascular: o papel dos inibidores da DPP-4 (Gliptinas)

 

A Doença Cardiovascular (DCV) e a diabetes são duas doenças reconhecidamente devastadoras que continuam a soar a toque de finados para milhões de doentes em todo o mundo. Uma abundante e sólida evidência científica indica que estas duas doenças estão intrinsecamente relacionadas, quer do ponto de vista dos mecanismos fisiopatológicos, quer nas suas consequências clínicas finais (Shannon R. P., 2012). Como foi claramente declarado nas guidelines da European Society of Cardiology em 2012, “A DCV é a principal causa de morbilidade e de mortalidade nas pessoas com diabetes mellitus” (Perk J., De Backer G., Gohlke H. et al., 2012). Esta sinistra declaração é amplamente suportada por dados estatísticos igualmente inquietantes. Com efeito, é sabido que os diabéticos têm uma probabilidade duas a quatro vezes maior de desenvolver uma DCV, quando comparados com os não diabéticos (American Diabetes Association. 2014). Sabe-se, também, que quase 80% dos diabéticos de tipo 2 desenvolverão DCV (Buse J.B., Ginsberg H.N., Bakris G.L. et al., 2007) e que mais de 60% destes doentes morrerá de DCV (Duckworth W., Abraira C., Moritz T. et al., 2009).

Vários estudos epidemiológicos têm demonstrado que a diabetes tipo 2 (DM2) é um importante factor de risco para o desenvolvimento de todas as manifestações de DCV, incluindo enfarte do miocárdio, o acidente vascular cerebral, a doença vascular periférica e a insuficiência cardíaca (Addison D., Aguilar D., 2011). Infelizmente, dados recentes sugerem que a proporção de DCV atribuível à diabetes está a aumentar (Fox C.S., Coady S., Sorlie P.D. et al., 2007), facto que deve suscitar uma preocupação prioritária por parte das autoridades de saúde e dos médicos que tratam estes doentes.

Assim, com a crescente prevalência da DM2, também é expectável que o peso global das doenças cardiovasculares venha a aumentar. Analisemos alguns dados epidemiológicos que suportam estas afirmações. As DCVs são um importante factor contribuinte para a morbilidade e mortalidade dos doentes com DM2, estimando-se que sejam responsáveis por 50% a 70% de todas as mortes nos diabéticos de tipo 2 (US Centers for Disease Control and Prevention. 2011), (World Health Organization. 2014).

No estudo de coorte de Norfolk, que incidiu em torno da Investigação Prospectiva Europeia sobre o Cancro e Nutrição (EPIC- Norfolk), verificou-se que cada aumento de 1% na hemoglobina glicada (HbA1c) esteve associado a um aumento de 40% na mortalidade por doenças cardiovasculares em diabéticos de tipo 2 (Khaw K-T., Wareham N., Luben R. et al., 2001). Uma recente meta-análise de 102 estudos prospectivos com cerca de 700.000 pessoas relatou que a diabetes conferiu um aumento aproximado de 2 vezes no risco de doença cardíaca coronariana e de AVC, independentemente de outros factores de risco cardiovasculares convencionais (Sarwar N., Gao P. et al., 2010). Noutro estudo de base populacional, em 1.091 diabéticos de tipo 2 do Sul do Brasil, 10,1% da mortalidade por doenças cardiovasculares e 13,1% do total das DCVs foram atribuídas à diabetes tipo 2 (Moreira L.B., Fuchs S.C., Wiehe M. et al., 2009). Estes dados, no seu conjunto, ajudam a enfatizar a magnitude e importância da problemática das DCVs dos doentes diabéticos, facto que conduziu à categorização da diabetes como equivalente de risco de doença cardíaca coronária (National Cholesterol Education Program – NCEP. 2002). De modo a reduzir o impacto na saúde dos diabéticos de tipo 2 é, pois, consensual que se torna necessária uma estratégia mais agressiva de prevenção e de tratamento das doenças cardiovasculares nos doentes com diabetes de tipo 2 (Addison D., Aguilar D., 2011). Consequentemente, é particularmente importante que os diabetologistas e os cardiologistas reconheçam a necessidade de uma estratégia de gestão conjunta e proactiva das questões subjacentes ao risco cardiovascular global dos doentes com diabetes, em prol da redução do peso da DCV destes doentes.

 

Prevenção da DCV

nos Diabéticos de Tipo 2

e a selecção dos ADOs

 para o controlo

glicémico

O impacto da redução intensiva da glucose sobre os resultados CV tem sido um tema controverso e intensamente debatido nos últimos vinte anos (Giorgino F., Leonardini A., Laviola L., 2013). Embora exista uma evidência epidemiológica a favor dos efeitos adversos de um mau controlo da glicemia nos eventos cardiovasculares, os ensaios clínicos de intervenção são menos conclusivos acerca desta questão. Com efeito, os resultados do estudo prospectivo UKPDS do Reino Unido (United Kingdom Prospective Diabetes Study) revelaram uma redução dos eventos microvasculares no grupo dos doentes submetidos ao controlo intensivo da glicemia, mas os efeitos no risco da DCV foram modestos e sem significado estatístico (UK Prospective Diabetes Study –UKPDS. 1998). Mais recentemente, três estudos prospectivos de larga escala, o ADVANCE (ADVANCE Collaborative Group. 2008), o ACCORD (Action to Control Cardiovascular Risk in Diabetes Study Group. 2008) e o VADT (Duckworth W., Abraira C., Moritz T. et al., 2009), não mostraram efeitos benéficos do controlo intensivo da glicemia nos endpoints cardiovasculares primários nos diabéticos de tipo 2. Contudo, as análises de sub-grupos de doentes forneceram evidência sugestiva de que o potencial efeito benéfico depende, largamente, das características do doente, incluindo a idade, a duração da diabetes, o nível de controlo prévio da glicemia, a presença de DCV e o risco de hipoglicemia (Giorgino F., Leonardini A., Laviola L., 2013). Argumenta-se que o benefício do controlo intensivo da glicemia sobre os resultados cardiovasculares e a mortalidade pode, na verdade, ter sido prejudicado pela extensão e frequência dos eventos hipoglicémicos que poderiam ser melhorados se utilizássemos ADOs capazes de exercer efeitos cardiovasculares favoráveis. Este aspecto conduz-nos à necessidade de procedermos a uma análise do perfil de risco/benefício dos fármacos antidiabéticos orais que prescrevemos no dia das nossas práticas clínicas e, por extensão, ao conceito de individualização das terapêuticas, com base numa avaliação cuidada das características de cada doente e numa definição personalizada dos objectivos de tratamento ajustados àquelas características.

Assim, as tiazolidinedionas (TZDs), por exemplo, estão associadas a uma retenção de volume que acarreta o risco de ganho de peso e de descompensação dos doentes com insuficiência cardíaca; neste grupo, a rosiglitazona tem sido associada a um risco aumentado de enfarte do miocárdio. Como é bem sabido, as sulfunilureias (SUs) estão associadas a um alto risco de hipoglicemias (Inzucchi S.E., Bergenstal R.M., Buse J.B. et al., 2012) e, também, ao ganho de peso. O estudo ACCORD revelou uma incidência de hipoglicemias três vezes superior no grupo do tratamento intensivo em comparação com o grupo de tratamento padrão. Estes são detalhes importantes a ter em consideração na selecção dos ADOs às características pessoais de cada doente.

Neste sentido, à medida que a prevalência das comorbilidades cardiovasculares aumenta nos doentes com diabetes de tipo 2, as estratégias de optimização do tratamento para os doentes de alto risco devem aumentar em paralelo. É do conhecimento geral que a metformina é amplamente reconhecida como sendo o ADO de primeira linha, recomendada para doentes com DMT2 em todas as guidelines (Inzucchi S.E., Bergenstal R.M., Buse J.B. et al., 2012). Existem alguns dados que suportam o benefício CV da metformina, pelo que este fármaco pode ser uma droga eficaz em diabéticos com doença arterial coronária (UK Prospective Diabetes Study –UKPDS. 1998).  Perseguindo a estratégia recomendada de optimização do controlo glicémico dos doentes diabéticos que acompanhamos no ambulatório, quando seleccionamos uma combinação de 2 ou 3 fármacos anti-hiperglicemiantes para controlar a glicemia de um doente em monoterapia que não atingiu os alvos terapêuticos desejados, é indispensável avaliar o efeito dos diferentes medicamentos hipoglicemiantes no risco cardiovascular global (Giorgino F., Leonardini A., Laviola L., 2013). Neste esforço, não pode jamais ser esquecido que a prevenção das hipoglicemias em diabéticos de tipo 2 com história de doença cardiovascular é particularmente crítica, na medida em que a hipoglicemia pode agravar a isquemia miocárdica e causar arritmias (Desouza C.V., Bolli G.B., Fonseca V., 2010); (Snell-Bergeon J.K., Wadwa R.P., 2012). Note-se que a preocupação da minimização das hipoglicemias deve, também, ser extensiva ao contexto dos doentes internados, em particular nas unidades de cuidados intensivos médicas ou cirúrgicas. Esta recomendação é suportada pelos dados do estudo NICE-SUGAR  (Normoglycemia in Intensive Care Evaluation–Survival Using Glucose Algorithm Regulation) que demonstraram que a mortalidade foi maior no grupo dos doentes com tratamento intensivo (alvo glicémico de 81-108 mg / dL [ 4,5-6,0 mmol / L ] ) em comparação com os do  tratamento convencional (alvo glicémico ≤ 180 mg / dL [ 10,0 mmol / L] ). Neste estudo, 6,8% dos doentes tratados intensivamente experimentaram hipoglicemia grave, enquanto apenas 0,5% dos doentes tratados convencionalmente tiveram hipoglicemia grave (NICE-SUGAR Study Investigators, Finfer S., Chittock D.R. et al., 2009).

Estes dados chamam a atenção para a necessidade de uma precaução acrescida quando os médicos prescrevem combinações medicamentosas associadas a um risco aumentado de hipoglicemia, incluindo as SUs e insulina, pelo que tais associações devem ser cuidadosamente ponderadas nos doentes ambulatórios com DMT2 e, em particular, aqueles que apresentam uma história ou factores de risco para DCV, bem como em qualquer doente médico ou cirúrgico internado que careça de tratamento da sua hiperglicemia (NICE-SUGAR Study Investigators, Finfer S., Chittock D.R. et al., 2009).

Monitorização

cuidadosa

Realça-se, ainda, que ao utilizarmos associações de fármacos que comportem um risco aumentado de hipoglicemia, a monitorização cuidadosa e a educação do doente são imperativas. As TZDs, por exemplo, na medida em que estão associadas à retenção de líquidos, devem ser evitadas em doentes com história de insuficiência cardíaca, qualquer que seja o estádio evolutivo. O ganho de peso e a obesidade são conhecidos fatores de risco independentes para as doenças cardiovasculares, pelo que se torna favorável evitar hipoglicemiantes que causem ganho de peso, tanto quanto possível, em particular as SUs (Giorgino F., Leonardini A., Laviola L., 2013; Inzucchi S.E., Bergenstal R.M., Buse J.B. et al., 2012). É conhecido que o uso das TZDs com a insulina pode estar associado ao ganho de peso em doentes diabéticos de tipo 2, pelo que tal associação deve, igualmente, ser evitada. Foi também sugerido que a insulina, particularmente em doses elevadas, pode ser aterogénica (Defronzo R.A., 2006). Contudo, os resultados do grande estudo de intervenção com a insulina glargina, ORIGIN (Outcome Reduction with an Initial Glargine Intervention ), que envolveu 12.537 diabéticos (ORIGIN Trial Investigators, Gerstein H.C., Bosch J., et al., 2012) não demonstrou um aumento do risco para eventos cardiovasculares nos doentes tratados com insulina glargina (adicionada ao seu regime de tratamento com ADOs), em comparação com os submetidos ao tratamento padrão.

Nos últimos anos, porém, têm vindo a ser desenvolvidos novos ADOs para ajudar a resolver alguns dos desafios associados com os anti-hiperglicemiantes tradicionais e que têm um efeito positivo sobre os factores de risco cardiovasculares (Giorgino F., Leonardini A., Laviola L., 2013). Integram este novo grupo de fármacos antidiabéticos as designadas incretinas. As incretinas são factores derivados do intestino que aumentam a secreção de insulina dependente da glucose, cuja designação é um acrónimo das palavras INtestine seCRETion Insulin (La Barre J., Still E.U., 1930). As terapêuticas baseadas nas incretinas, de que fazem parte os inibidores da enzima dipeptidil peptidase -4 (DPP-4), e os agonistas dos receptores do Glucagon Like Peptide 1 (GLP- 1) proporcionam reduções clinicamente importantes da HbA1c, sem aumentar o risco de hipoglicemia (Inzucchi S.E., Bergenstal R.M., Buse J.B. et al., 2012). Os agonistas dos receptores do GLP-1 só existem na forma injectável e são conhecidos por conseguirem atingir maiores reduções na HbA1c do que os inibidores da DPP-4, estando estes disponíveis na forma oral. Enquanto o GLP-1 modula diversos processos envolvidos na homeostase da glucose, os receptores do GLP-1 são, também, encontrados em todo o corpo, incluindo o sistema cardiovascular. Como resultado, o impacto da sua acção não se resume apenas à diminuição da glicemia, mas a vários outros efeitos CV potenciais que podem ser observados (Fonseca V.A., 2010; Jose T., Inzucchi S.E., 2012; Ussher J.R., Drucker D.J., 2012). Neste contexto, tem sido demonstrado que os agonistas dos receptores do GLP-1 diminuem uma série de biomarcadores de risco cardiovascular, demonstram efeitos cardioprotectores e vasodilatadores e proporcionam benefícios nos factores de risco CV, incluindo a redução de peso, da pressão arterial e dos níveis de lípidos (Vilsbøll T., Garber A.J., 2012; Johansen O.E., Neubacher D., von Eynatten M. et al., 2012; Cook W., Bryzinski B., Slater J., Frederich R., Allen E., 2013).

Outra vantagem dos agonistas dos receptores do GLP-1 e dos inibidores da DPP-4 é que o seu efeito redutor da glicemia é glucose-dependente, isto é, apenas funcionam na presença de hiperglicemia, cessando a estimulação pancreática da insulina logo que se atinge a normoglicemia. Decorre deste mecanismo o seu considerável potencial na redução do risco de hipoglicemia. Focalizemos, agora, um pouco mais a nossa atenção sobre os inibidores da DPP-4 orais, na medida em que estão disponíveis no mercado Angolano e são mais acessíveis à prescrição no contexto ambulatório do que os seus congéneres injectáveis.

Apesar de um pouco mais limitados, os dados demonstram efeitos CV benéficos com a inibição da DPP-4 em doentes com DM T2, incluindo melhorias na disfunção ventricular esquerda isquémica, redução de marcadores inflamatórios, redução do stress oxidativo e melhoria da função endotelial (Scheen A.J., 2013).

 

Necessidades

de estudos adicionais

Os efeitos dos inibidores da DPP-4 sobre os factores de risco cardiovascular, incluindo a pressão arterial e os níveis de lipídios, contudo, têm sido modestos (Jose T., Inzucchi S.E., 2012). Daí a necessidade de estudos adicionais para determinar os efeitos a longo prazo da inibição da DPP-4 sobre os factores de risco CV (idem, 2012). Na prática clínica diária, a principal vantagem dos inibidores da DPP-4 é o controlo glicémico sem ganho de peso, um conhecido factor de risco CV e sem hipoglicemias, um potencial factor precipitante de um evento cardíaco ou de uma arritmia (Fonseca V.A., 2010; Jose T., Inzucchi S.E., 2012). Visto que a segurança CV de vários ADOs disponíveis tem sido, recentemente, posta em causa, há uma necessidade de assegurar que qualquer novo medicamento para a diabetes de tipo 2 lançado para o mercado não esteja associado a efeitos deletérios sobre os resultados cardiovasculares. Os dados reunidos numa meta-análise de estudos com inibidores da DPP-4 não mostraram qualquer aumento nos principais eventos cardiovasculares adversos e, de facto, sugerem um potencial efeito cardioprotector com a sitagliptina, vildagliptina, saxagliptina, linagliptina e alogliptina, em comparação com o placebo ou outro comparador activo prescrito para a redução da glicemia (Scheen A.J., 2013; Johansen O.E., Neubacher D., von Eynatten M., Patel S., Woerle H.J., 2012; Cook W., Bryzinski B., Slater J., Frederich R., Allen E., 2013). Por exemplo, numa meta-análise de 70 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 41.959 doentes com um seguimento médio de 44,1 semanas, Monami e colegas (Monami M., Ahrén B.,Dicembrini I., Mannucci E., 2013), demonstraram que o tratamento com inibidores da DPP-4 reduziu o risco de eventos cardiovasculares (enfarte do miocárdio) e particularmente da mortalidade por todas as causas, em doentes com diabetes de tipo 2 (Monami M., Ahrén B., Dicembrini I., Mannucci E., 2013).

Estudos de larga escala sobre a segurança CV a longo prazo dos inibidores da DPP-4 foram, recentemente, concluídos. Estão em curso outros que certamente fornecerão mais detalhes sobre o impacto CV do tratamento com os inibidores da DPP-4 em doentes com DMT2 (Jose T., Inzucchi S.E., 2012; Scheen A.J., 2013). Dos estudos já concluídos, quer os resultados do SAVOR-TIMI com a saxagliptina (Scirica B.M., Bhatt D.L., Braunwald E. et al., 2013), quer os do EXAMINE (White W.B., Cannon C.P., Heller S.R. et al., 2013), não  registaram um aumento de eventos cardiovasculares adversos do tratamento com estes inibidores da DPP-4 em comparação com o placebo, embora a taxa de internamentos por insuficiência cardíaca tivesse sido significativamente maior no tratamento com a saxagliptina no SAVOR -TIMI  (Scirica B.M., Bhatt D.L., Braunwald E. et al., 2013; White W.B., Cannon C.P., Heller S.R. et al., 2013). Os estudos adicionais ainda em curso com outros fármacos desta classe visam confirmar a segurança CV dos inibidores da DPP-4 e determinar o seu potencial para reduzir a carga de DCV nos diabéticos de tipo 2 (Tabela A). Se estes pressupostos vierem a ser confirmados nestes estudos de larga escala, tal representará um avanço importante que irá influenciar positivamente a gestão da diabetes tipo 2 nos anos vindouros. Estejamos, pois, atentos à futura divulgação dos seus resultados, sobre os quais procuraremos dar-vos notícia nestas páginas.

 

 

Referências

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Contrafacção de Medicamentos

Uma violação ao Direito do Consumidor

 

O tráfico de falsos medicamentos, em todo o mundo, representou um volume de 75 mil milhões de dólares em 2010 (cerca de 55 mil milhões de euros), o que representa um aumento de 90% em relação a 2005, indicam os últimos dados do centro norte-americano que acompanha o mercado paralelo.

De acordo com os números recolhidos pelo Center for Medicine in the Public Interest, uma associação sem fins lucrativos parcialmente fundada pela indústria farmacêutica, só o laboratório Pfizer estima para a Europa, em 2010, valores na ordem dos 10,5 mil milhões de euros em contrafacção de medicamentos da sua marca, cita a AFP. Em 2013, a Interpol anunciou que, através da operação “Pangea 6”, conseguiu apreender um grande número de medicamentos falsificados, num total de dez milhões de unidades. A investigação abrangeu 99 países, incluindo sites de venda de medicamentos e permitiu que o material confiscado ascendesse a 41 milhões de dólares (cerca de 30 milhões de euros).

Em África, um novo relatório do International Policy Network e patrocinado pela IMANI, Centro de Política e Educação, publicado em 2013, apresenta dados chocantes. Segundo o documento, em países menos desenvolvidos, pelo menos 700 mil pacientes de malária e tuberculose morrem por consumirem medicamentos falsos.

O documento diz que metade dos medicamentos vendidos em Gana, Nigéria, Burundi, Congo, são desclassificados, cerca de dois terços dos medicamentos (anti- malária) em Laos, Myanmar Camboja e Vietnam não contêm ingredientes activos. A maioria dos medicamentos falsificados em África é originária da China e da Índia, embora já existam países como a Nigéria onde esta prática já é uma realidade.

 

Protecção em  Angola

Operação “Jibóia”

apreende 86 toneladas de medicamentos

impróprios e detém

55 falsos farmacêuticos

 

A contrafacção de medicamentos é um problema transfronteiriço, afectando a segurança sanitária, debilitando a economia dos países e os direitos do consumidor.

Assim, de acordo com o Lei de Defesa do Consumidor (nº1, alíneas a) e b) do artigo 4.º da Lei nº15/03 de 22 de Julho), o consumidor tem direito “à qualidade dos bens e serviços, à protecção da vida, saúde e segurança física contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de bens e serviços considerados perigosos ou nocivos”. Para fazer valer a lei, o Ministério do Interior, Saúde, Comércio, INADEC e Finanças, desenvolveram uma operação, denominada “Jibóia”, em Outubro último, que visou o combate e prevenção a contrafacção de medicamentos.

A operação decorreu nas províncias de Luanda, Benguela, Malanje, Bengo, Kuando Kubango, Kwanza Norte, Kwanza Sul, Uíge, Cabinda, Zaire, Huambo, Cunene, Namibe, Huíla, Bié, Lunda Sul e Moxico. Foram fiscalizadas 295 instituições, nomeadamente farmácias, unidades hospitalares e pontos fronteiriços. Como resultado, foram apreendidos 86.905 kg de medicamentos impróprios ao consumo e detidos cinquenta e 55 falsos farmacêuticos, para além de outras apreensões e detenções.

 

 

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Como pode ajudar o seu sistema imunitário?

 

O elemento energético de reforço do sistema imunitário FUTURE LIFE é um composto formulado cientificamente com vitaminas e minerais, proteínas, aminoácidos e ModuCare criado para reforçar o sistema de seu corpo e proporcionar-lhe uma energia prolongada. Os restantes produtos no kit de suplemento energético para o sistema imunitário funcionam de uma forma complementar para lhe proporcionar o suplemento de que necessita para a prática de atletismo de resistência, trabalho até a tarde, lidar com situações de tensão, combater problema como vírus de constipações ou gripe, assim como ajudar o corpo a lutar contra infecções graves como HIV e tuberculose.

O QUE PODE ESPERAR

DO FUTURE LIFE?

 

— Uma fonte equilibrada de nutrientes, vitaminas, minerais, aminoácidos e briófitos

— Um sistema imunitário saudável

— Prevenção contra doenças

— Saúde reforçada

— Mais energia

— Melhor desempenho nos estudos, atletismo e trabalho

— Recuperação mais rápida após estar doente

— Apoio adicional

— Para atletismo de resistência

— Quando esta sob tensão

— Quando esta fazer uma dieta

— Quando esta convalescer

— Durante a menopausa

Saúde reforçada,

vida prolongada

A VISÃO FUTURA (VF), Lda é uma empresa de direito angolano constituída em 2001, com actividades no domínio da nutrição, fornecimento de produtos  alimentares, equipamentos hospitalares, prestação de serviços em cuidados médicos e suporte de programa nutricionais.

Localizada na Rua Francisco  Sotto Mayor, no Bairro Azul, em Luanda, a VF é a representante exclusiva dos produtos alimentares e suplementos nutricionais da marca Future Life, um novo alimento energético, cereal enriquecido com minerais e vitaminas, produzido para reforçar o sistema imunitário e fornecer energia de forma saudável e nutritiva.

 

COMO FUNCIONA O KIT DE SUPLEMENTO FUTURE LIFE?

 

Aloe Vera: ajuda a limpar o seu sistema – sente-se muito feliz e mais forte e tem mais energia

Lifeforce: Alimento energético com reforço do sistema imunitário ajudam a equilibrar o seu sistema imunitário-garante que obtém todos os nutrientes de que necessita e que podem não existir na sua dieta

Suplemento B, Superdefence e Nutripower - aumentam a sua resistência à ameaça; sente-se bem durante todo dia.

 

 

 

 

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Dicas importantes

Como detectar medicamentos contrafeitos

 

A venda de medicamentos falsos é uma realidade inquestionável em quase todo mundo. Saiba como identificar um remédio falsificado.

 

1 Compre somente medicamentos em farmácias, nunca nas ruas e nas praças, pois comprando em farmácias, em lugares apropriados, poderá estar seguro em caso de anomalias no produto;

2 Verifique sempre na embalagem

do medicamento:

a. Se consta a data de validade do produto.

b. Se o nome do produto está bem impresso e pode ser lido facilmente.

c. Se não há rasgos, rasuras ou alguma informação que tenha sido apagada ou raspada.

d. Se consta o nome do farmacêutico responsável pela fabricação e o número de sua inscrição no Conselho Regional de Farmácia.

e. O registo do farmacêutico responsável deve ser do mesmo país onde a fábrica do medicamento está instalada.

3 Soros e xaropes devem vir com lacre. Isso é obrigatório para todos os medicamentos líquidos. Não compre medicamentos com embalagens amassadas, lacres rompidos, rótulos que se soltam facilmente ou estejam apagados e borrados.

4 O prospecto não pode ser uma cópia. Se não for original, não aceite o produto;

5 Exija sempre uma factura da farmácia. Nela deve constar o nome da farmácia, o carimbo, assinatura, o nome do medicamento e o número do lote. Guarde a factura, a embalagem e a cartela ou frasco do medicamento que está sendo usado. Eles são seu comprovante, em caso de irregularidade, para poder apresentar queixa.

6 Evite a automedicação. Trata-se de uma prática perigosa. Pode ter efeitos imprevistos ou até agravar uma doença por tomar um medicamento errado ou sem efeito.                         fonte: inadec

 

 

 

 

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Kwanza Sul

Comunidades do Amboím beneficiam de onze novas infraestruturas sociais

 

As comunidades de cinco localidades do município do Amboím, no Kwanza Sul, foram brindadas, a 10 e 11 de Fevereiro, com a oferta de onze infraestruturas sociais, entre as quais quatro escolas, cada uma com quatro salas de aula, três casas para os professores, dois postos médicos, casas para os enfermeiros, e um centro pastoral da criança.  O investimento foi dos parceiros do Bloco 18: a BP Angola, como operadora, a Sonangol e a SSI.

“É para nós um sonho termos recebido uma estrutura destas na comunidade. As crianças estudavam debaixo das árvores, sentadas em latas de azeite”, revelou, comovido, o responsável dos encarregados de educação da comunidade do Burvil, Filipe Afonso Tomás. “Estivemos décadas e décadas sem uma escola que facilitasse a formação da nova geração. Vivemos hoje um momento ímpar”, confessou.

Também a estudante, Joaquina Francisca Antónia, sublinhou, na sua apresentação em nome dos alunos, estarem muito emocionados “por ser a primeira vez que testemunhamos a inauguração de uma escola, desde que se alcançou a independência”.

As palavras daquele pai e desta jovem tocaram os corações e não caíram no esquecimento. O Vice-governador para os Serviços Técnicos e Infraestruturas do Kwanza Sul, António da Gama Teixeira, recentemente empossado no cargo, presidiu às inaugurações, ouviu, reconheceu “ser triste” só ao fim de tantos anos as populações disporem de escolas condignas, e garantiu que a obra não ficará por aqui. Agradeceu aos doadores que “se juntam aos esforços do Presidente da República na busca constante da melhoria sustentável das condições de vida das populações, através dos programas municipais integrados de desenvolvimento rural, de combate à fome e à pobreza”.

 

Mais educação

De acordo com o administrador municipal do Amboím, Francisco Mateus, que falava na Gabela, “este apoio vai contribuir para integrar no sistema formal de ensino uma parte das 9.500 crianças que ainda estão de fora”, revelou. Agradeceu à BP e Sonangol as onze infraestruturas sociais edificadas em cinco localidades do município que administra”.

O presidente regional da BP Angola, Martyn Morris, demonstrou muita satisfação com a inauguração destes projectos sociais, e falou com particular entusiasmo da educação como uma das prioridades, no quadro da política de responsabilidade social e corporativa da empresa. “Só com uma educação sólida e abrangente o País pode prosseguir a sua rota de desenvolvimento económico e social que vem demonstrando nos últimos anos”, afirmou.

Nas cerimónias participaram ainda o chairman do Bloco 18, Américo Oliveira, o Vice-presidente para área de Comunicação e Relações Externas da BP Angola, Paulo Pizarro.  A delegação da BP que acompanhou a comitiva integrou o director do Desenvolvimento Sustentável, Gaspar Santos, o director de marketing e mídia, Amílcar Costa, os conselheiros José Fernandes e Eunice Fonseca, e o responsável pela segurança, Rui Rosa. Do lado da Sonangol, a técnica do gabinete de qualidade da direcção dos serviços sociais, Assunta Comba, e o técnico de comunicação Sari Sari.

 

Mortalidade infantil é de um terço dos nascimentos

“Através de palestras sobre higiene e saúde durante a gravidez, ministradas duas vezes por semana por médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde às mães gestantes, vamos prevenir e reduzir a mortalidade materno-infantil ainda muito elevada na nossa paróquia”, garantiu o padre António Sebastião Kusseta, na inauguração do novo Centro Pastoral da Criança, na Gabela.

De acordo com o pároco “esta obra tem uma grande importância pois vai ajudar a colmatar muitas dificuldades e baixar a mortalidade. Hoje, muitas mamãs perdem a vida durante o parto e, em cada 1495 crianças que nascem, cerca de 500 morrem antes de atingirem os cinco anos”, revelou.

 

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Kwanza Sul

 Odebrecht promove curso de Ergonomia para fisioterapeutas

 

O sector de saúde da Odebrecht Angola promoveu este mês, em Luanda, o Curso de Ergonomia para Fisioterapeutas, ministrado pela responsável pelo programa de ergonomia da empresa, a

fisioterapeuta do trabalho, Cristina Lopes da Silva. Participaram do curso 20 alunos, entre finalistas e formados em fisioterapia pela Universidade Jean Piaget.

 

O objetivo central da formação foi difundir conhecimento em ergonomia, uma vez que a oferta de cursos  desta especialidade ainda  é  pequena em Angola.

Após a formação, os participantes iniciaram o processo seletivo do Programa  Jovem Parceiro Odebrecht para atuarem na área de ergonomia dos projetos em andamento.

Os alunos foram acompanhados pela Coordenadora do Curso de Fisioterapia da Universidade Jean Piaget, Rossana Nogueira, e pela docente da mesma universidade, Rosa Afonso.

 De acordo Cristina Lopes da Silva “qualificar  fisioterapeutas para atuarem com  ergonomia na prevenção de doenças osteomusculares nos nossos projetos reforça o compromisso da Odebrecht com a promoção da saúde e qualidade de vida de nossos integrantes, e inicia uma parceria com a comunidade científica”.

 

 

Prioridade à Saúde

Ocupacional

Encontros mensais, treinamentos corporativos e cursos de capacitação dos profissionais de saúde dos contratos fazem parte do Programa Integrado de Saúde da Odebrecht Angola. Desde 2011, a coordenadora da Saúde Ocupacional da empresa, Paloma Baiardi Gregório, tem apostado na propagação da cultura da prevenção das doenças ocupacionais e dos riscos de acidentes de trabalho como forma de obviar a inexistência de cursos desta especialidade nos centros académicos de Angola. Em Janeiro de 2013 teve início o I Curso de Capacitação em Saúde Ocupacional, com duração de nove meses e participação de 25 profissionais.

O Projeto de Implementação do Programa de Ergonomia arrancou em Janeiro de 2013, envolvendo as equipas de Saúde e Segurança do Trabalho. O arranque deu-se com os projectos PRP-Programa de Realojamento das Populações – Casa Zango, AHE Cambambê e Desvio do Rio – AHE Laúca. Na segunda quinzena de Fevereiro de 2013, a fisioterapeuta Cristina Lopes ministrou o módulo de Capacitação em Ergonomia aos participantes no Curso de Medicina Ocupacional visando a actuação com eficácia na prevenção de doenças osteomusculares e a promoção da qualidade de vida no ambiente de trabalho.

 

O que é a ergonomia

Ergonomia é a ciência que estuda a relação entre o Homem e o trabalho que executa, procurando desenvolver uma integração perfeita entre as condições de trabalho, as capacidades e limitações físicas e psicológicas do trabalhador e a eficiência do sistema produtivo.

Objetivos da ergonomia

• Aumentar a eficiência organizacional (e.g., produtividade)

• Aumentar a segurança, a saúde e o conforto do trabalhador

Objetos de estudo alvo de análise pela ergonomia com o objetivo

de diminuir os perigos e prevenir erros e acidentes

• Posturas adotadas pelos trabalhadores

• Movimentos corporais efetuados

• Fatores físicos ambientais que enquadram o trabalho

• Equipamentos utilizados

Tipos de intervenção

da ergonomia

• Conceção de postos e métodos de trabalho, ferramentas, máquinas e mobiliário

• Correção de problemas identificados através de metodologias próprias

Sensibilização, informação e formação sobre os métodos e técnicas mais adequados para realizar as suas tarefas

 

Posto de trabalho ergonómico

 

Princípios e regras gerais

As duas principais dimensões a ter em conta na concepção de postos e locais de trabalho são a variabilidade humana e natureza da tarefa. Com base neste conhecimento prévio é possível definir um conjunto de princípios e regras para um posto de trabalho ergonómico:

• Assegurar um correto dimensionamento   do posto de trabalho

• Assegurar uma postura de trabalho    confortável

• Eliminar ou reduzir o mais possível    esforços físicos excessivos

• Proceder à organização dos tempos de   trabalho, com existência de pausas

• Reduzir ou evitar a excessiva repetitividade  de tarefas e movimentos

• Assegurar uma boa acessibilidade ao posto   de trabalho, equipamentos e ferramentas

• Disponibilizar ferramentas e equipamentos   que obedeçam aos critérios ergonómicos

• Assegurar a movimentação e alternância   de gestos e posturas

• Assegurar condições ambientais (ruído,   iluminação, temperatura) confortáveis    e isentas de risco

 

 

Orientações para posto

de trabalho sentado

• Tronco, cabeça e membros numa posição   natural e relaxada

• Alterações frequentes  de posição

• Superfície de apoio ampla

• Altura do assento ligeiramente inferior ao   comprimento da perna

• Pé completamente apoiado no solo   ou num apoia-pés

• Joelho fletido em ângulo recto

• Cadeira com encosto regulável e apoio  de braços

 

 

Orientações para posto

de trabalho de pé

• Evitar inclinações do corpo

• Peso do corpo igualmente distribuído    pelos pés

• Altura da superfície de trabalho ajustável   à altura do trabalhador

Controlos e objetos necessários posicionados a uma altura inferior à dos ombros.

 

 

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