MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

 

Carlos Alberto Pinto de Sousa

Bastonário da Ordem dos Médicos de Angola

“A profissão é nobre. Nobres devem ser os médicos na plenitude do seu ofício”

O contributo do médico ao desenvolvimento económico e social

 

É com grande satisfação que recebemos os ilustres convidados e participantes, nacionais e estrangeiros, do XI Congresso Internacional dos Médicos em Angola.

 

Nada mais oportuno do que trazer à discussão um conjunto de temas que, incluindo aspectos técnicos e humanos, nos ajudam a compreender a capacidade do médico em dar o seu contributo ao desenvolvimento humano e social – um desígnio proposto pelas distintas organizações de saúde de nível mundial e pelos governos, enfim pela comunidade médica mundial. Significa que a Medicina, nos seus diversos domínios de actividade, assume um papel fundamental na criação de meios para construir uma sociedade equilibradamente saudável em todos os segmentos populacionais.

 

Nos centros de saúde, nos hospitais municipais, provinciais e centrais, na investigação, na educação e no ensino, na investigação, na promoção da saúde, na gestão das instituições – é aqui que o médico intervém, não apenas como cuidador tecnobiológico, mas, igualmente, como agente transformador, construtor, educador, comunicador, humano.

 

Nestas diversas situações, o médico tem a capacidade de discernir sobre as características dos doentes, em função dos determinantes que envolvem a sua actividade.

 

Detentor do conhecimento, imbuído da consciencialização da eticidade dos seus actos, o médico dispõe, graças à sua posição na relação com o doente, de uma enorme capacidade de influenciar o padrão de aceitabilidade das propostas clínicas que coloca aos pacientes.

Temos insistido muito nesta relação de interdependência e de alteridade.

 

A profissão é nobre, nobres devem ser os médicos na plenitude do seu ofício.

 

O Congresso é um espaço de discussão aberta sobre diversos temas tratados por profissionais de envergadura técnico-científica e moral.

Agradeço a presença das mais altas individualidades governamentais, presentes ou fazendo-se representar, emprestando, assim, um concreto e institucional apoio e um significativo incentivo à realização do Congresso, e, muito directamente, às grandes causas da saúde no nosso País.

 

Agradeço a todos os patrocinadores pelo seu envolvimento no Congresso.

 

A todos os participantes – seja a que título for – apresento a saudação de boas-vindas, estando convicto de que será um evento profícuo para a classe médica.

 

Muito obrigado.

 

 

 

 

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2016. O que esperar da saúde

 

O Jornal da Saúde falou com alguns dos principais responsáveis de instituições e unidades de saúde do país para levar aos leitores a sua perspectiva para o ano de 2016. Eis a sua visão, objectivos e metas para o ano que agora inicia.

 

Hospital Josina Machel

Abertura de serviço de queimados e reabilitação da infraestrutura hospitalar são algumas das metas

 

Prevê-se um ano muito dinâmico para o Josina Machel tendo em conta as acções programadas. Apesar da crise económica sentida, a direcção do hospital compromete-se a encetar esforços para melhorar os cuidados à população.

 

Para 2016, o director geral do hospital, Leonardo Inocêncio, destacou ao Jornal da Saúde a continuidade de acções que possibilitarão “a abertura dos serviços de queimados e a reabilitação da infraestrutura hospitalar”. Prevê-se ainda a “dinamização das cirurgias de regime ambulatório, da laparoscopia, a formação contínua e pós-graduada dentro e fora do país, a assinatura de protocolos de investigação sobre o AVC, a melhoria de todo o sistema informático do hospital, a realização de protocolos, a contenção de gastos e a melhoria na prestação de cuidados”. A formação e qualificação de recursos humanos das diversas especialidades para a melhoria dos serviços são também desafios a enfrentar.

“As dificuldades sentidas no ano passado foram sobretudo de âmbito económico e não diferem das sentidas por outros gestores públicos. Estamos a fazer um grande esforço para nos adaptarmos à nova realidade ajustada na contenção de gastos e na maior racionalização dos recursos para permitir melhores cuidados de saúde às populações de acordo com os padrões exigidos internacionalmente”, destacou Leonardo Inocêncio ao Jornal da Saúde. Ainda assim, foram muitos os avanços registados na unidade hospitalar, como por exemplo, a aplicação de próteses auditivas, a realização de cirurgias às cataratas, a implementação do programa nacional de avanços no controlo de infecção hospitalar, o lançamento da formação online para enfermagem e o uso da ozonoterapia. A realização de alguns eventos / encontros científicos, como o I Congresso e Simpósio de Fisioterapia Respiratória, o II Fórum de Psicologia Clínica e as IV Jornadas de Enfermagem, entre outros, também destacados pelo responsável ao Jornal da Saúde.

 

Hospital Pediátrico de Luanda

Abrir um novo banco de urgência

 

O ano que terminou não foi fácil para o hospital, mas as metas a alcançar no presente ano têm como objectivo reverter as dificuldades. Mas foi também um ano em que se avançou na área de cardiologia pediátrica esperando-se, para 2016, a abertura de um novo banco de urgência de forma a dar resposta ao grande fluxo de pacientes e melhorar os cuidados.

 

Espera-se que, em 2016, seja concluída a obra do novo edifício onde irá funcionar o novo banco de urgência do Hospital Pediátrico de Luanda para colmatar a necessidade de mais um espaço para assistir a crianças devido ao grande fluxo de pacientes registado ultimamente. A perspectiva foi dada por Elsa Gomes, directora clinica do hospital, adiantando que se espera um “esforço titânico no sector da saúde no sentido de ser aberto um concurso público interno para a pediatria”. Os objectivos traçados para este ano irão ser “materializados de acordo com as receitas que estiverem ao dispor da instituição, tendo em conta o que é prioritário e a intenção de proceder a melhorias satisfatórias para a população que acorre ao hospital”.

No ano de 2015, o Hospital realizou a formação de técnicos especialistas em pediatria e anestesiologia. Destaque ainda para as cirurgias cardíacas em crianças, pela primeira vez, realizadas na Clínica Girassol em Luanda, com auxílio da equipa médica do hospital. “As dificuldades sentidas no ano passado relacionaram-se com a redução do pessoal da guarda que presta segurança ao hospital, por questões de contenção de custos. Este facto levou, inclusivamente, a algumas agressões a profissionais por parte de familiares de alguns pacientes, bem como o roubo de viaturas no interior do hospitalar. Houve necessidade de fazer um ajuste à dieta alimentar dos pacientes e de ter funcionários a trabalhar até às 15 horas em regime de permanência”, afirmou Elsa Gomes. O hospital ressentiu-se com a falta de profissionais por ausência de transferência de pessoal para outras unidades hospitalares do país bem como pelo falecimento de alguns técnicos, visto que “o hospital já não realiza concursos públicos há cinco anos”, situação que a responsável espera que seja revertida.

 

Hospital do Prenda

Formação especializada e contínua é a prioridade em 2016

 

Ainda que a crise tenha tido impacto nesta unidade hospitalar, a aposta na formação tem sido contínua. A graduação de profissionais de várias especialidades, e a contenção de gastos hospitalares, são metas para o presente ano, em prol de uma melhor assistência da população

 

O Hospital da Prenda, em Luanda, terminou o ano de 2015 com um balanço equilibrado. Quem o garante é o director geral, Rodrigues Leonardo, que destaca, ao Jornal da Saúde, alguns ganhos relativos à reafirmação deste hospital como um centro de “formação de quadros de alto nível resultado do aumento considerável do número de profissionais que integram a área médica e as especialidades técnicas”.

No presente ano, as perspectivas indicam que o hospital irá prestar maior atenção ao programa de formação especializada e contínua, aos recursos humanos e à elaboração de estratégias que venham dar sustentabilidade à crise. “Os desafios mais importantes cingem-se à graduação de vários especialistas do hospital que frequentam o último ano académico, internos ou externos, quer sejam médicos ou técnicos, como, por exemplo, aqueles que fazem formação com o auxílio da Clínica Multiperfil”.

O ano de 2015 ficou marcado no Hospital da Prenda pelas duas graduações nos cursos de promoção e enfermagem bem como a formação de enfermeiros nas diversas especializações, como a instrumentalização, a anestesiologia e os cuidados intensivos. “Destaque ainda para a contenção de gastos hospitalares que tem sido uma mais valia para a unidade, tem contribuído significativamente para o aumento de assistência nas consultas externas e para a redução de casos no banco de urgência”, defende o responsável. Por outro lado, as maiores dificuldades relacionaram-se com o número insuficiente de técnicos em algumas áreas, como a enfermagem, os cuidados intensivos, o bloco operatório e a ortopedia, sobretudo por falta de abertura de concursos públicos no sector. “O abastecimento de alguns materiais hospitalares tem sido minimizado de acordo com as várias políticas criadas pelo Ministério da Saúde e pela direcção do hospital de forma a que estes problemas sejam ultrapassados”, garantiu Rodrigues Leonardo ao Jornal da Saúde.

 

 

Saúde Pública

Programa de doenças crónicas não transmissíveis é uma das prioridades

 

A redução do número de crianças com sarampo, o aumento de contraceptivos e do número de mulheres acompanhadas em saúde materna, a maior atenção à saúde mental e às pessoas com deficiência foram algumas das conquistas do ano de 2015. Para este ano, estão programadas actividades que irão diminuir os problemas de saúde pública que se verificam.

 

Reforçar os recursos humanos para dar resposta ao grande leque de actividades realizadas na Direcção Nacional de Saúde Pública (DNSP) é um dos objectivos para este ano. O ideal é que se totalizem 110 funcionários, seis dos quais para a área administrativa e os restantes para as áreas de diagnóstico e terapêutica, de forma a dar resposta à redução considerável do quadro de pessoal da DNSP, por motivos de falecimento ou de reforma. “Há dois anos que não é aberto um concurso público”, referiu a Directora Nacional de Saúde Pública, Adelaide de Carvalho, em entrevista ao Jornal da Saúde.

Estão a ser programadas e planificadas campanhas massivas de distribuição de medicamentos indicados para o tratamento de doenças tropicais negligenciadas bem como a implementação efectiva do programa das doenças crónicas não transmissíveis. “Temos como prioridade prestar maior atenção ao departamento de Saúde Reprodutiva através do acompanhamento das maternidades provinciais, municipais, e centros de saúde com salas de partos e também manter ou reforçar as acções de vigilância epidemiológica, a melhoria do sistema de informação e comunicação sobretudo no que respeita às doenças e outros problemas que envolvem a saúde pública”, explicou a responsável ao JS.

 

Trabalho contínuo

O enquadramento de Angola no grupo de países que estão a ser avaliados para obter a certificação da “erradicação da poliomielite no país foi um dos ganhos registados pela DNSP no ano de 2015”. Destacam-se ainda alguns ganhos em saúde, como por exemplo “a redução do número de crianças com sarampo e que contraem meningite no país causada pela bactéria Haemophilus Influenzae”. Verificou-se também um aumento de 8% para 13% no uso de contraceptivos e uma cobertura de 80% de mulheres grávidas em consultas pré-natais em comparação com 70% dos anos anteriores.

Foi também em 2015 que se notou uma melhoria no envio de dados da saúde da mulher, tendo sido introduzida a notificação de mortes maternas no Sistema Nacional Epidemiológico, o que tem possibilitado um maior controlo aos óbitos ocorridos nas unidades de saúde do país. “Devemos continuar a trabalhar. Estes indicadores ainda são baixos, pois ainda existem muitas mulheres a perder a vida por complicações na gravidez”, adiantou Adelaide de Carvalho. A DNSP tem registado uma grande preocupação com a saúde mental trabalhando em algumas províncias do país, como Malanje, Huíla, Benguela, no sentido de se reforçar e dar maior sustentabilidade aos cuidados a prestar nesta área. “Desenvolvemos também normas orientadoras e criámos suportes legais para dar resposta à pessoa portadora de deficiência em todo o território nacional, sobretudo no que respeita à reabilitação física”, sublinhou.

 

Kang Ha Guk

Ministro da Saúde da Coreia do Norte visita Angola

 

O ministro da saúde da Coreia do Norte, Kang Ha Guk, efectuou uma visita a Angola, em Dezembro, a convite do homólogo angolano, José Van-Dúnem, com o intuito de reforçar a cooperação do sector entre os dois países.

 

Durante três dias, a delegação do ministro visitou o Hospital Josina Machel, o Hospital Américo Boavida, o Hospital Esperança, o Hospital Geral de Luanda, a Maternidade Lucrécia Paim e o Museu das Forças Armadas tendo ainda participado num encontro com a direcção do Ministério da Saúde de Angola. Reuniu ainda com cidadãos norte-coreanos a residir em Angola.  Na visita ao Hospital Américo Boavida, a directora-geral, Constantina Furtado, destacou a mais valia da visita da delegação coreana ao permitir “uma reavaliação do que tem sido feito bem como a apresentação dos ganhos obtidos nos anos de 2014 e 2015”. Explicou ainda que a infraestrutura destinada à medicina física e de reabilitação foi implementada com o objectivo de resolver os problemas que afligiam os doentes antes da sua construção propriamente dita. “Estou convicta que os dois ministros saíram da visita muito satisfeitos. Apesar da crise financeira que se vive no país, há muito trabalho a ser feito em prol da saúde e do bem-estar dos angolanos”, referiu.

No Hospital Esperança, o ministro da Coreia do Norte tomou conhecimento que a prevenção da transmissão vertical constitui uma prioridade nacional que tem sido prosseguida e que o acesso às mulheres gestantes aos serviços de saúde materna tem vindo a aumentar.

Estima-se que trabalhem cerca de 180 médicos da Coreia do Norte no país, distribuídos em 17 províncias (Cunene é a excepção).  A relação entre os dois países desenvolve-se desde 11 de Novembro de 1975, data da independência de Angola, havendo uma cooperação nos sectores da saúde, da construção e da informação tecnológica.

 

 

 

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XI Congresso da Ordem dos Médicos de Angola.

Tudo o que vai acontecer

 

Apresentam-se, a seguir, os resumos das principias comunicações a apresentar no XI Congresso Internacional dos Médicos em Angola que decorre a 26 e 27 de Janeiro,

em Luanda. Os textos integrais podem ser acedidos, muito em breve, no website www.jornaldasaude.org . Com o seu telemóvel também pode aceder bastando apontar o seu aplicativo QR Reader para o código de barras abaixo. Pode descarregar gratuitamente o QR Reader na loja online da marca do seu telemóvel.

 

 

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Angolanos perdem milhares de anos de vida

 

Só em 3 meses, e medido apenas em um hospital, perderam-se 12.488 anos de vida potencial

Na sua maioria, estes óbitos são evitáveis: basta melhorar as condições de saneamento

básico e reforçar as acções de educação para a saúde

 

Emanuel Catumbela, Gracinda Gomes, Eunice Sebastião e Mário Cardoso

 

A educação para a saúde é um elemento fundamental para que as comunidades desfrutem de saúde. Os óbitos registados na comunidade são sinais da qualidade de saúde que a comunidade possui. O Hospital Geral de Luanda (HGL) serve uma população que vai desde o Kilamba-Kiaxi, município de Luanda, Viana, Belas até ao Bita tanque que dista mais de 30 quilómetros. Para avaliar, de forma indirecta, a qualidade da saúde destes munícipes, fomos analisar os óbitos registados no HGL durante 3 meses de 2015. Trata-se de um estudo transversal sobre todos os óbitos registados no Hospital Geral de Luanda, entre 20 de Agosto e 19 de Novembro de 2015. Os dados foram obtidos a partir dos relatórios do banco de urgência, diariamente, em grelha concebida para o efeito. As variáveis foram grupo etário (pediatria até aos 13 anos, adultos 14 e mais anos), sexo, tipo e diagnóstico de óbito. Foram analisados no SPSS 22ªed, calculados a quantidade de vida potencial perdida, subtraindo a esperança de vida ao nascer para Angola (52 anos) à idade do infeliz por altura do óbito, o tipo de óbito, intra-hospitalar se tiver internado mais de 48 horas e extra-hospitalar se for menos de 48 horas. Durante o período dos três meses foram atendidos nos serviços de urgências do HGL (Medicina, Pediatria, Cirurgia e Ortopedia) 32.010 doentes e registados 451 (1,4%) óbitos. Destes óbitos, 223 (52%) foram do sexo masculino, 230 (51%) de adultos. Os óbitos de pediatria foram 221. Porém, crianças até aos 5 anos foram 170 (77%). Foram perdidos 12.488 anos de vida potencial, e, em média por cada óbito, foram perdidos 28 anos. De acordo ao tipo de óbito, verificamos que 383 (85%) são extra-hospitalares, destes 198 (52%) chegaram já cadáver ao hospital. Quanto as causas, 200 (44%) são de causa desconhecida, a malária 73 (16%), a anemia 54 (12%) e a sepses 30 (7%) foram as três principais causas de óbito. Os doentes na sua maioria chegaram numa fase muito avançada da sua doença ao HGL, depois de frequentarem alguns postos de enfermagem periféricos, ou mesmo vindos do domicílio. Há grande quantidade de vida potencial perdida muito acima de trabalhos feitos em Moçambique[1] e Brasil[2]. É necessário reforçar as acções de educação para a saúde, assim como as condições de saneamento básico nas comunidades, pois, na sua maioria as causas de óbitos são evitáveis e preveníveis.

 

 

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Abordagem cirúrgica às multifracturas das extremidades decorrentes da sinistralidade rodoviária

 

Adriano Martins de Oliveira

 

A sinistralidade rodoviária constitui a segunda causa de morte em Angola, superada apenas pelas doenças transmissíveis. É a principal causa de morte na população jovem, economicamente activa. As extremidades são das regiões anatómicas mais afectadas com lesões que, pelo seu número, gravidade, associação e comorbilidades, impõem muitas vezes um verdadeiro desafio ao traumatologista.

As fracturas das extremidades decorrentes da sinistralidade rodoviária resultam de traumatismos de alta energia, geralmente no contexto de politraumatizado, por associação de lesões de outros órgão e sistemas, ou por associação de múltiplas fracturas que podem pôr a vida, ou o membro, em risco. A sua abordagem deve por isso estar assente nos princípios de atendimento ao doente politraumatizado, tendo sempre em conta que a estabilização hemodinâmica da vítima depende muitas vezes da estabilização das lesões das extremidades.

A abordagem cirúrgica das multifracturas deve ter perspectivas graduais, visando: 1º) a estabilização hemodinâmica com intervenções de emergência que visam salvar a vida da vítima (controlo de danos). O risco maior para a vida da vítima com lesões das extremidades é o choque hipovolémico, por isso, todos os focos hemorrágicos devem ser controlados; 2º) a salvação do membro com intervenções que não agravam o estado clínico da vítima; 3º) o tratamento efectivo das lesões que podem decorrer no contexto de urgência ou diferido; 4º a recuperação funcional. Os aspectos muitas vezes impressionantes  destas lesões não devem desviar a atenção do tratamento das outras lesões que põem a vida da vítima em risco.

O resultado final da abordagem do doente com múltiplas fracturas tem relação com a qualidade do atendimento da vítima nas diferentes etapas assistenciais, desde o local do acidente até a sua reabilitação.

 

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Prevalência e factores de risco.

Asma brônquica em Luanda

 

Margarete Arrais

 

A asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas e constitui uma importante causa de morbilidade crónica e mortalidade em todo mundo. Existem no mundo cerca de 300 milhões de indivíduos com asma e há dados que demonstram que a sua prevalência tem vindo a aumentar, particularmente em crianças. Outras doenças alérgicas como a rinite e o eczema podem estar associadas à asma e constituir factores de risco para o seu agravamento. Os poucos estudos epidemiológicos sobre a asma e doenças alérgicas realizados em África indicam que a sua prevalência também é elevada e tem vindo a aumentar.

 

Material e métodos

Foi realizado um estudo descritivo, transversal, observacional, utilizando a metodologia do ISAAC, na província de Luanda. Foram selecionadas aleatoriamente, por todos os municípios, escolas públicas do ensino primário e do 1º ciclo, do ensino secundário. A amostra foi constituída por 3080 crianças de 6 e 7 anos e 3128 crianças de 13 e 14 anos. Os dados foram processados e analisados no programa SPSS Statistics, versão 22.0.

 

Resultados

A prevalência de asma em crianças de 6 e 7 anos e de 13 e 14 anos, na província de Luanda, foi de 15,7% e de 13,4%, respectivamente, de rinite foi de 19% e 26,9% respectivamente, de eczema 18,4% e 20,2%, respectivamente. Em relação aos factores de risco analisados, a presença de rinite e de eczema, a utilização de ar condicionado do tipo Split como sistema de climatização, a toma frequente de paracetamol e a existência de cão no domicílio, estavam significativamente associadas com a presença de asma.

 

 

Conclusões

A asma e doenças alérgicas relacionadas, como a rinite e o eczema, são um problema de saúde pública nas crianças de Luanda. Medidas preventivas e de controlo devem ser encorajadas. Há a necessidade da realização de estudos semelhantes para uma análise mais detalhada dos factores de risco e de protecção e a sua relação com a etiologia da asma e das doenças alérgicas.

 

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Poderão os Cuidados Primários, incluindo o Hospital Municipal, apoiar a luta contra o cancro? Ficção ou realidade?

 

Lúcio Lara Santos

 

Angola vive um período de transição em termos nosológicos. Mantêm-se prevalentes as doenças infectocontagiosas, mas emergem as doenças crónicas, entre as quais as oncológicas. São vários os programas verticais do MINSA que visam o controlo/erradicação das endemias. Estes programas criaram recursos, formaram quadros e tornaram-se estruturais, embora, por vezes, não dialoguem entre si.

Em termos sociais, diminuíram os fluxos migratórios, as populações organizam-se em aldeias nas áreas rurais e bairros nas regiões urbanas. Nestas, como já acontecia nas áreas rurais, observa-se, ao longo destes anos, um crescendo número de actividades de promoção local que mobilizam e entusiasmam as pessoas que ali vivem. A esse nível outras forças estão presentes como as escolas, organizações sociais e religiosas.

O Estado, com o objectivo de aproximar os cuidados em saúde das populações, criou centros de saúde e hospitais municipais. No sentido de aproximar cada vez mais os serviços públicos essenciais às populações mais vulneráveis, capacitando-as para o seu envolvimento e participação na busca de soluções para os seus problemas, foi recentemente criado uma nova entidade que auxilia o sistema de saúde, o desenvolvimento comunitário e o sistema de gestão municipal: os Agentes de Desenvolvimento Comunitário e Sanitário (ADECOS).

Em 2014, foi criado o Instituto Angolano de Controlo do Câncer (IACC). São atribuições do IACC assegurar a assistência médica e medicamentosa em oncologia, a implementação de políticas, programas e planos nacionais de prevenção, bem como o tratamento especializado.

O número de casos novos de cancro tem vindo a aumentar. O estádio da doença no momento do diagnóstico é geralmente avançado, o que revela que algo pode e deve ser feito nesse sentido até porque as neoplasias mais frequentes permitem que acções de prevenção e de diagnóstico precoce diminuam a sua mortalidade, sofrimento e custos.

Angola conta com peritos em saúde pública, epidemiologia, gestão dos serviços de saúde e oncologia envolvidos em inúmeros projectos de âmbito nacional cujo foco é a comunidade.

Será possível integrar numa rede coerente e sustentável os recursos humanos, programas de saúde e de educação existentes a nível das aldeias e dos bairros, no sentido de promover o conhecimento e o diagnóstico precoce em oncologia? Será esta ideia uma ficção? Será possível organizar um programa de luta contra o cancro a nível municipal?

Ciente das dificuldades existentes em 2016, do sucesso na solução de outros problemas de saúde, a nível municipal, em Angola, dos recursos existentes e o facto de programas semelhantes ao sugerido, terem tido êxito em outros países africanos, apresentamos o esboço de um programa a que chamámos Município Contra o Cancro, no sentido de que este seja alvo de escrutínio por quem de direito e possa ser testado caso seja considerado factível.

 

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O que os doentes gostam de ouvir dos médicos numa consulta

 

Rui Moreira de Sá

 Jornal da Saúde / Marketing For You

 

Comunicação em saúde diz respeito ao estudo e utilização de estratégias de comunicação para informar e influenciar as decisões dos indivíduos e das comunidades no sentido de promoverem a sua saúde.

A comunicação em saúde inclui mensagens que podem ter finalidades muito diferentes, tais como: promover a saúde e educar para a saúde; evitar riscos e ajudar a lidar com ameaças para a saúde; prevenir doenças; sugerir e recomendar mudanças de comportamento; recomendar exames de rastreio; informar sobre a saúde e sobre as doenças; informar sobre exames médicos que é necessário realizar e sobre os seus resultados; receitar medicamentos; recomendar medidas preventivas e actividades de autocuidados em indivíduos doentes.

Assim, a comunicação é um tema transversal em saúde e com relevância em contextos muito diferentes. O trabalho a apresentar no Painel centra-se na comunicação na relação entre o médico e o doente. A investigação teve como   objectivo    central   conhecer,   na perspectiva   do doente,  (1) quais os aspectos  mais importantes   da comunicação médico­doente,   inerentes   ao processo   de  consulta,  (2) qual  o  seu  nível  de satisfação   com  a comunicação,  na última consulta médica e finalmente  (3) se há alguma relação  entre  o grau de importância dos  diferentes  aspectos   da comunicação  e a satisfação do  utente com a consulta.

Elaborou-se   um questionário constituído   por três partes: a I Parte    refere-se   aos aspectos   importantes    na  comunicação   médico­doente (ICM-D); a II Parte refere-se à satisfação com a comunicação  na última consulta  médica (SCM-D); finalmente um questionário socioprofissional e de saúde.

O questionário utilizou uma escala tipo Likert, como técnica de medição das respostas.  A escala ordinal varia entre um e cinco, sendo 1   - "sem nenhuma importância" (ICM-D) / "muito  insatisfeito"  (SCM-D)  e  5   -   "muito   importante"  (ICM-D)   /  "muito satisfeito" (SCM-D). Os dados foram processados e analisados no programa SPSS. Assim, identificaram-se os principais aspectos, sob o ponto de vista da comunicação, que os doentes consideram mais importantes que ocorram durante uma consulta, a sua satisfação durante a última consulta, a correlação linear entre as variáveis sociodemográficas e de saúde com a “interacção / comunicação médico-doente” e com a “satisfação com a comunicação na última consulta”, incluindo a variância. Algumas das conclusões – os aspectos que os doentes consideram mais importantes na comunicação médico-doente são: fazer perguntas sobre sinais e sintomas; tratar o utente com respeito; aconselhar o utente em como prevenir/evitar doenças e manter-se saudável; mostrar competência técnica; atender o doente sem ser apressadamente; informar sobre o diagnóstico,…Espera-se que os resultados possam contribuir para melhorar um dos aspectos mais importantes da qualidade e humanização dos cuidados de saúde – a comunicação.

 

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A diabetes mellitus tipo 2: da fisiologia ao comportamento humano

 

João Xavier Jorge

 

Considerada hoje a maior pandemia do século XXI, a diabetes mellitus é caracterizada por uma profunda alteração no metabolismo dos carbohidratos e das gorduras. A sua associação à chamada síndrome metabólica prenuncia o enorme risco de se transformar num verdadeiro flagelo para a humanidade. Nos últimos anos, a sua frequência aumentou de forma exponencial em todo o mundo, particularmente entre os negros africanos. A sua frequência aumentou de 12%, em 1997, para 16% em 2015 e chegará a 26,6% em 2027, entre os maiores de 25 anos. Na génese da diabetes mellitus tipo 2 concorrem muitos factores. A disfunção da célula beta e a diminuição da sensibilidade dos tecidos à insulina são dois importantes factores envolvidos. Porém, os mecanismos que envolvem inter-relação entre eles não estão ainda bem esclarecidos. Foi identificada uma desregulação humoral, neuro-hormonal, que envolve o tecido adiposo, o sistema imunitário e a interação fisiológica portal/visceral. A secreção de um conjunto de várias adipocitokinas, como a adiponectina, a resistina, o TNF alfa, a Leptina e outros, fortemente reconhecidos como promotoras da insulino resistência, associa-se a outro fenómeno não menos importante que é a deposição excessiva e ectópica de matéria gorda no pâncreas, no fígado e nos músculos. A desregulação do metabolismo lipídico cursa com alterações dos níveis de colesterol e triglicéridos e consequentes alterações progressivas da função hepatocitária. Por último, factores genéticos e heredo-familiares associam-se aos antes citados, agravando o risco nalgumas populações. Entre os indivíduos de raça negra obesos diabéticos, estudos identificaram 68 genes diferencialmente expressos, entre os quais o Myosin X (MYO10), que codifica uma proteína motora a base de actina, fortemente associada com a diabetes tipo 2, e o TBRG1. As alterações dietéticas e dos hábitos de vida entre a população africana, incluindo a angolana, com o consumo excessivo de bebidas açucaradas, desde a tenra idade, o consumo excessivo de carbohidratos, o consumo desmesurado de bebidas alcoólicas sobretudo entre os jovens, o baixo consumo de frutas e vegetais verdes frescos, e o sedentarismo estão fortemente associados a obesidade, a síndrome metabólica e diabetes mellitus. Os custos com o tratamento da diabetes em África, situam-se entre 21 a 47% do rendimento das pessoas e atinge 70% na presença da nefropatia, no sistema público. Com a presente conferência pretende-se reflectir, sobre os mecanismos fisiológicos da diabetes mellitus tipo 2 e a sua relação com o comportamento das pessoas em África.

 

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Pé diabético: o que fazer para evitar a amputação?

 

Anselmo Oliveira Castela

 

A diabetes é uma doença metabólica, crónica, em larga expansão, cujas complicações a longo prazo são um grande desafio para a pessoa com diabetes, seus familiares e equipa prestadora de cuidados, assim como para a sociedade em geral; tal se deve aos elevados custos económicos e sociais que acarretam o seguimento e tratamentos adequados da doença e das suas complicações.

 

Mecanismo de formação de lesões

As alterações que ocorrem no pé resultam da associação dos seguintes factores: neuropatia (alteração dos nervos), doença vascular periférica (alteração da circulação) e susceptibilidade às infecções que podem levar ao aparecimento de lesões, se houver algum traumatismo (mesmo ligeiro), cuja gravidade pode ir até à amputação e mesmo à morte da pessoa com diabetes. Por isso, o objectivo primário e final é prevenir e reduzir as amputações. Para tal, é importante que se faça um grande investimento na prevenção de lesões, constituindo equipas multidisciplinares de avaliação e seguimento. Eis alguns dados epidemiológicos relacionados com lesões do pé de pessoa com diabetes: causa mais frequente de descompensação da diabetes e principal motivo de internamento hospitalar (20 % dos internamentos dos diabéticos); custos elevados com internamento (exames complementares e fármacos); principal causa de amputação não traumática dos membros inferiores (40 a 70 % dos casos); risco de amputação dos membros inferiores 15 vezes mais do que em pessoas não diabéticas; 85 % das amputações são precedidas de úlcera; a educação terapêutica pode prevenir a amputação em 45-85 % dos casos.

 

Factores de risco

Quando abordamos o pé da pessoa com diabetes há uma série de factores que devem ser tidos em conta: factores predisponentes - hiperglicemia crónica, neuropatia e doença vascular periférica; factores precipitantes - traumatismos químicos (calicidas, desinfectantes, pomadas...), físicos (calor/ frio), mecânico (marcha, calçado...); factores agravantes-infecção; factores adjuvantes -condições socioeconómicas, idade, hipertensão arterial, retinopatia, nefropatia, dislipidémia, estilo de vida, estado nutricional, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo.

 

Avaliação e seguimento

Um dos pilares da avaliação do pé é a determinação do seu grau de risco. Para o efeito existem elementos a considerar: existência de deformações do pé, alteração ou redução da mobilidade articular, perda da sensibilidade protectora (teste com monofilamento de Semmes-Weinstein de 10g), presença de calosidades/ hiperqueratoses, diminuição ou ausência de pulso pedioso, história de úlcera ou de amputação, comportamentos de risco para o pé (caminhar descalço, calçado inadequado...), maus hábitos de higiene, baixo nível de formação e cultural, baixo nível económico. Para que seja feita uma boa avaliação e seguimento, deve ser adoptada uma estratégia alicerçada nos seguintes princípios: promoção de um bom controlo metabólico (glicémico, lipídico, tensional...), precocidade na identificação da situação de risco do pé, exame sistemático e frequente dos pés, integração da pessoa com diabetes e respectivos familiares na grande equipa de cuidados, tratamento vigoroso das lesões detectadas e referenciação atempada, tão cedo quanto possível, em caso de complicação. A avaliação clínica pode ser feita a vários níveis. Tal irá determinar a composição da equipa multidisciplinar, como se pode observar a seguir: Nível 1: clínico geral, enfermeira especializada em diabetes e podologista; Nível 2: diabetologista, cirurgião (geral e/ou vascular e/ou ortopédico), enfermeira especializada em diabetes e podologista; Nível 3: centro especializado em cuidados do pé – elementos do nível 2. Independentemente do nível de prestação de cuidados, é importante que se faça uma observação meticulosa, sistemática dos pés em todas as consultas (avaliação em marcha, em posição ortostática e em decúbito); recomenda-se uma boa inspecção/palpação dos dedos, espaços interdigitais, unhas, regiões plantares e dorsais, tipo de meias e de calçado. O objectivo desta avaliação é a detecção precoce de factores de risco e/ou lesões activas que devem ser prontamente tratadas. Para atingir esse grande objectivo é fulcral o papel da educação da pessoa com diabetes e/ou seus familiares ou agentes de instituições sociais no sentido de prestarem atenção aos sinais de alerta (alteração da temperatura e de cor dos dedos/pés, surgimento de gretas/fissuras, bolhas, lesões abertas ou não, com exsudação purulenta ou outra) e contactarem com a brevidade possível as equipas de saúde. Essa educação pode ser feita individualmente ou em grupo, sendo esta última de grande interesse e impacto pela partilha de experiências que proporciona.

 

Quando a prevenção falha

Se forem devidamente seguidos/aplicados os princípios referidos atrás, terá sido dado um grande passo no sentido da prevenção de lesões. Entretanto, as medidas preconizadas podem falhar pelos mais diversos motivos. Se tal acontecer propõe-se a reavaliação do caso e decidir a solução mais adequada à situação clínica. Felizmente, estamos cada vez mais munidos de instrumentos e meios que nos ajudam a melhor resolver os problemas de saúde dos pés das pessoas com diabetes. Tal passa pela observância dos seguintes princípios gerais e específicos de tratamento: alívio das pressões (em zonas com ou sem lesão e/ou hiperqueratose), melhoria da perfusão da pele e tecidos adjacentes, cuidados locais adequados (cicatrização feita em meio húmido), bom controlo metabólico, tratamento vigoroso das infecções, identificação das causas das lesões e prevenção das recidivas (palmilhas, calçado); se houver complicação, referenciar imediatamente. Garantir regularidade das consultas de seguimento.

Se houver infecção, deve ser tratada com a agressividade necessária ao seu controlo, dado o risco de amputação que condiciona, utilizando para o efeito os diversos antibióticos em função da gravidade da lesão e, se possível, também tendo em conta os testes de sensibilidades efectuados. No caso de haver dor neuropática deverão ser utilizados um ou mais fármacos com efeito analgésico, tendo em conta um aumento gradual da dose.

 

 

Recomendações

No sentido de efectivação de um seguimento adequado dos pés das pessoas com diabetes deve ser privilegiada a prevenção como método mais eficaz para a redução da taxa de amputações (sobretudo das amputações acima do tornozelo). Tanto a abordagem preventiva como a curativa exigem que se constituam equipas multidisciplinares. Na sua actuação, essas equipas devem: promover um bom controlo metabólico, fazer a determinação do grau de risco dos pés, garantir um controlo rigoroso e agressivo das infecções, incentivar a participação das pessoas com diabetes e/ou seus familiares na prestação de cuidados adequados, identificar os sinais de alerta e de agravamento para a referenciação imediata em função do respectivo nível de cuidados e da gravidade das lesões. Isso implica que haja um processo de educação contínua e consistente dos elementos envolvidos no processo, porque, tanto a pessoa com diabetes como os seus familiares devem ser parte activa da equipa conjuntamente com os prestadores de cuidados. Se assim não for, o trabalho realizado estará condenado ao fracasso, com prejuízo incalculável para a pessoa com diabetes.

 

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Tem muito sono durante o dia?

 

Maria de Fátima Caetano

 

O crescente aumento da prevalência dos distúrbios do sono e a sua privação crónica aliados ao impacto que acarretam na saúde e na qualidade de vida, torna importante a consciencialização dos médicos quanto à necessidade de maior atenção às queixas relativas ao sono, bem como actualização no diagnóstico e tratamento destes transtornos.

A sonolência diurna excessiva (SDE) é um sintoma complexo e o mais prevalente nos distúrbios do sono, resultante de vários factores que interferem no desenvolvimento de sono normal. Pode estar presente durante as actividades diárias, em situações de risco potencial como na condução de veículos, manuseamento de máquinas profissionais. É uma queixa frequente reportada por 10 a 20% da população geral. Tem repercussões negativas sociais, profissionais e familiares com impacto na qualidade devida.

É definida como incapacidade em se manter acordado e alerta durante os principais períodos de vigília resultando em sonolência e lapsos de sono não intencionais com duração de mais de 3 meses. As principais causas de SDE são a privação crónica do sono (sono insuficiente), a síndrome de apneia obstrutiva do sono, a síndrome de pernas inquietas /movimentos periódicos dos membros superiores, a narcolépsia, os distúrbios do ritmo circadiano, o uso de drogas e de polimedicação. O uso nocturno e excessivo da televisão, do computador e da internet, as exigências de mais horas de trabalho, as longas filas de trânsito, os compromissos sociais, as diversões noturnas causam privação crónica do sono e consequentemente  SDE.

 Os hábitos e queixas de sono devem ser interrogados como: a ocorrência em dias úteis, fins-de-semana e férias, duração dos sintomas, trabalho nocturno e por turnos, horário habitual do sono, tempo do sono e dificuldade em adormecer, despertares durante a noite, qualidade do sono, sonolência diurna, comportamentos indesejáveis durante o sono, uso de medicamentos de tabaco ou de substâncias estimulantes do SNC, sintomas clínicos que afectam o sono, ambiente de sono, hábitos alimentares durante a noite, ansiedade e depressão. A gravidade da SDE é aferida pela escala de sonolência de Epworth (ESE) que faz a avaliação subjectiva em adormecer. É composta por oito questões que apresentam situações de sonolência no dia-a-dia com probabilidade em adormecer.

A polissonografia e o teste de latência múltipla do sono são os exames objectivos para avaliação da SDE. O tratamento da SDE é específico para a causa subjacente. A higiene do sono é a recomendada para a privação crónica do sono.

*Título jornalístico da responsabilidade da redacção. Título original da autora: Sonolência diurna excessiva

 

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Consumo e custo de antibióticos controlados no Hospital Geral de Benguela, em 2014-2015

 

Marlene García Orihuela; Eduardo Kedisobua; Helena Guilherme

 

Um número elevado de pacientes recebe terapia antimicrobiana. É necessário tomar a decisão correcta antes de escolher o fármaco, tendo em conta a dinâmica da ecologia bacteriana, o problema da resistência, a individualidade de cada doente e a significação dos custos a nível institucional e do país. É conhecido que existe um uso inadequado dos antibióticos controlados a nível mundial propiciando um aumento da resistência bacteriana, gastos elevados da atenção sanitária e um aumento na mortalidade. Fez-se um trabalho de investigação de estudo de utilização de medicamentos de tipo consumo com análise de custo, descritivo e de corte transversal. As principais variáveis foram os diagnósticos, tipo de antibiótico indicado e seu custo. A Comissão de Antibióticos analisou cada indicação e, de forma racional, aceitou ou denegou as indicações feitas, tratando sempre de utilizar o antibiótico mais adequado atendendo ao cada caso clínico. Os antibióticos mais utilizados foram as cefalosporinas, predominando as combinações de elas com outros grupos farmacológicos, entre as principais patologias figuraram as infecções respiratórias nosocomiais, infecção de tecidos brandos e meningoencefalite bacteriana. Os principais erros foram combinações inapropriadas de antibióticos, assim como não ter em conta a função do rim e fígado do doente. Logrou-se economizar ao redor de três milhões de kwanzas por conceito de prescrição racional de ditos antibióticos em comparação com igual período do ano anterior.

 

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O aborto clandestino é responsável por 10 a 15 % da mortalidade materna

 

Manual “Educação Sexual dos Jovens e Prevenção da Gravidez Não Desejada”

 

Natércia de Almeida; José R. Molina

 

O aborto clandestino constitui um importante problema de saúde em Angola, estima-se que é responsável por 10 a 15 % da mortalidade materna. Dois factores fundamentais no surgimento do problema: 1) O alto índice de gravidez não desejada devido à pobre educação sexual da população, particularmente dos adolescentes e jovens e 2) A vigência de uma legislação altamente restritiva do aborto. As consequências são óbvias: diante da determinação de interromper a gravidez, as pacientes optam por qualquer recurso para consegui-lo. Apesar da UNESCO ter proclamado como um direito de todos os jovens, demonstrou-se que uma educação sexual bem conduzida promove um comportamento sexual mais responsável, orientado, não somente pelos sentimentos individuais, mas pelos bons costumes e normas da sociedade e não o mero instinto sexual biológico. Como parte de uma estratégia coerente encaminhada a introduzir a educação sexual no âmbito escolar de Angola, elaborou-se um manual como material didático básico de um curso desenhado em uma primeira etapa para estudantes do ensino secundário.

 Este Manual, recomendado pelo Ministério da Educação para todas as instituições de ensino, sobretudo do ensino secundário, virá à luz nas próximas semanas com o selo da Editora Mayamba e forma parte de um projecto de investigação para o doutoramento.

 

 

Os capítulos

O manual, escrito com uma linguagem simples e fluída, consta de uma introdução, seis capítulos e um epílogo. Os capítulos tratam, numa sequência didáctica, os seguintes tópicos:

CAPÍTULO I: Porquê e para quê este manual?

CAPÍTULO II: Anatomia e fisiologia da reprodução humana

CAPÍTULO III: A reprodução humana

CAPÍTULO IV: Aspectos essenciais do desenvolvimento biológico relativo à sexualidade

CAPÍTULO V: Significado e etapas do desenvolvimento da sexualidade

CAPÍTULO VI: Segurança sexual e reprodutiva.

 

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Uso e abuso de antimicrobianos. Política antimicrobiana

 

Andres Mário Acosta; Michael León Rodriguez

 

Os antimicrobianos são as drogas que mais se prescrevem a nível mundial, Em 1997, o gasto por uso de antimicrobianos foi de 17 mil milhões de dólares e, em 1999, aumentou para 31 mil milhões de dólares.  Por outro lado, estima-se que de 10% a 50% das prescrições antimicrobianas são desnecessárias.

Em meados do século XX  pensava-se que as enfermidades infecciosas diminuiriam a sua incidência e deixariam de ser um problema sério para a saúde do homem. Entretanto, a realidade encarregou-se de demonstrar que a luta contra os microrganismos produtores de enfermidades estava longe de ser ganha e que estes microrganismos iriam surpreender-nos de novo. A resistência bacteriana é uma preocupação importante no mundo científico actual, ocasionando danos à saúde humana e à economia. Calcula-se que o custo anual por infecção nosocomial atinge 5 bilhões de dólares. Cerca de 99 mil pacientes morrem, em cada ano, em resultado de padecer por uma sepsis.  A resistência antimicrobiana é um fenómeno emergente.  A qualidade da prescrição dos agentes antimicrobianos constitui um elemento essencial para o seu controlo. A introdução e produção de novos antimicrobianos foi flexionado significativamente desde a década 1990. A directora geral da OMS, Margaret Chan, durante uma conferência de especialistas em doenças infecciosas que se realizou em Copenhaga, Dinamarca, em 2012, afirmou: “Estamos  numa era "pós-antibióticos" em que as operações seriam impossíveis e as lesões simples, como um arranhão, podem ser letais. Estamos à beira do fim da era da medicina segura.  O  decréscimo da efectividade dos antibióticos no tratamento das infecções comuns é preocupante nos anos recentes, e com o aparecimento das enterobacterias carbapenema-resistentes (KPC) estamos a aproximar da era pós-antibiótico”.

O uso irracional dos medicamentos nos hospitais de países em desenvolvimento é um importante problema e pouco se tem publicado sobre o modo de resolvê-lo. Desde meados do século XX começaram a criar-se nos hospitais grupos de trabalho e comissões de política de antibióticos, com objectivo de contribuir, optimizar a utilização dos antimicrobianos.

Em Angola, podemos aplicar estratégias para o uso de antimicrobianos para diminuir a crescente resistência bacteriana. São necessários novos procedimentos terapêuticos como escalar-desescalar, sequenciar, simplificar estes fármacos e a indicação segundo cálculo do filtrado glomerular, de acordo ao peso ideal do paciente.

O uso de antimicrobianos é científico e responsável.

 

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Estudo retrospectivo.

Campos electromagnéticos: fazem mal à saúde?

 

Andres Mário Acosta; Michael León Rodriguez

 

Os antimicrobianos são as drogas que mais se prescrevem a nível mundial, Em 1997, o gasto por uso de antimicrobianos foi de 17 mil milhões de dólares e, em 1999, aumentou para 31 mil milhões de dólares.  Por outro lado, estima-se que de 10% a 50% das prescrições antimicrobianas são desnecessárias.

Em meados do século XX  pensava-se que as enfermidades infecciosas diminuiriam a sua incidência e deixariam de ser um problema sério para a saúde do homem. Entretanto, a realidade encarregou-se de demonstrar que a luta contra os microrganismos produtores de enfermidades estava longe de ser ganha e que estes microrganismos iriam surpreender-nos de novo. A resistência bacteriana é uma preocupação importante no mundo científico actual, ocasionando danos à saúde humana e à economia. Calcula-se que o custo anual por infecção nosocomial atinge 5 bilhões de dólares. Cerca de 99 mil pacientes morrem, em cada ano, em resultado de padecer por uma sepsis.  A resistência antimicrobiana é um fenómeno emergente.  A qualidade da prescrição dos agentes antimicrobianos constitui um elemento essencial para o seu controlo. A introdução e produção de novos antimicrobianos foi flexionado significativamente desde a década 1990. A directora geral da OMS, Margaret Chan, durante uma conferência de especialistas em doenças infecciosas que se realizou em Copenhaga, Dinamarca, em 2012, afirmou: “Estamos  numa era "pós-antibióticos" em que as operações seriam impossíveis e as lesões simples, como um arranhão, podem ser letais. Estamos à beira do fim da era da medicina segura.  O  decréscimo da efectividade dos antibióticos no tratamento das infecções comuns é preocupante nos anos recentes, e com o aparecimento das enterobacterias carbapenema-resistentes (KPC) estamos a aproximar da era pós-antibiótico”.

O uso irracional dos medicamentos nos hospitais de países em desenvolvimento é um importante problema e pouco se tem publicado sobre o modo de resolvê-lo. Desde meados do século XX começaram a criar-se nos hospitais grupos de trabalho e comissões de política de antibióticos, com objectivo de contribuir, optimizar a utilização dos antimicrobianos.

Em Angola, podemos aplicar estratégias para o uso de antimicrobianos para diminuir a crescente resistência bacteriana. São necessários novos procedimentos terapêuticos como escalar-desescalar, sequenciar, simplificar estes fármacos e a indicação segundo cálculo do filtrado glomerular, de acordo ao peso ideal do paciente.

O uso de antimicrobianos é científico e responsável.

 

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Prescrição de medicamentos e erros de medicação

 

Ana Fernandes; Helena Guilherme; Eduardo Kedisobua

 

O prescritor tem a responsabilidade de elaborar uma prescrição de medicamentos que transmita de forma completa as informações para todos os profissionais que utilizam esse documento. Entretanto, o caminho terapêutico a ser adoptado por este profissional está sujeito a várias influências, tais como as concepções sobre o processo saúde-doença, a qualidade da formação técnica, as condições socioculturais e económicas da população que atende, a disponibilidade de medicamentos, serviço em que actua, as fontes de informações às quais teve acesso e o assédio da indústria farmacêutica, entre outros.  A prescrição de medicamentos é uma actividade importante para o processo de cuidados assistenciais aos pacientes e representa acção médica fundamental. Contudo, a grande quantidade de fármacos e produtos comerciais disponíveis no mercado, os frequentes lançamentos e a enorme quantidade de interacções de medicamentos e de efeitos adversos faz com que esta importante etapa do processo de atendimento seja susceptível de erros.

 

Objectivo

Esclarecer as dúvidas mais frequentes para se evitar erros prescritivos que ocorrem no exercício da profissão médica, proporcionando assim uma boa prática de prescrição de medicamentos.

 

Desenvolvimento

A informação acerca dos medicamentos constitui uma condição básica para a adesão ao tratamento. Porém, não se tem prestado atenção suficiente no momento de seu fornecimento nas diversas situações de atendimento ao paciente, incluindo a consulta médica e a dispensa do medicamento em farmácias. As prescrições com falta de muitos desses itens e a letra ilegível dos médicos levam a erros como troca de medicamentos e troca de dosagem. Na busca de soluções para minimizar o número de erros nas prescrições dispensadas nas unidades de saúde, este trabalho propôs-se a esclarecer as dúvidas mais frequentes para se evitar erros prescritivos que ocorrem no exercício da profissão médica, proporcionando assim uma boa prática de prescrição de medicamentos.

 

 

Conclusões

Alguns problemas relacionados com a qualidade foram observados, como, por exemplo, o elevado número de receitas que não continham o tempo de tratamento, ou, ainda, vários medicamentos sem a indicação da concentração a ser utilizada. As orientações e recomendações fornecidas, tanto na literatura, quanto na legislação pertinente, não foram devidamente cumpridas, o que poderia levar a erros na dispensação e no uso dos medicamentos. Concluiu-se que a adopção de medidas simples, como a implantação do novo modelo de receituário podem reduzir os erros relacionados à prescrição de medicamentos e com isso minimizar possíveis riscos, melhorando a qualidade do serviço prestado ao paciente.

 

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Os cuidados de saúde são um direito humano

 

Matshidiso Moeti

Directora Regional da OMS para África

 

Em 5 de Dezembro de 2015, os países da Região juntam-se à comunidade mundial para comemorar o Dia da Solidariedade com os Doentes, subordinado ao lema: “Os cuidados de saúde são um direito humano”.

O tema pretende reforçar a sensibilização do público para que todas as pessoas devam ter acesso a cuidados de boa qualidade e comportáveis, sem receio de discriminação, e exorta os decisores a respeitarem, protegerem e satisfazerem os direitos dos doentes a todos os níveis dos cuidados.

Embora, na Região Africana, alguns países já tenham tomado medidas para garantir cuidados de saúde comportáveis, de elevada qualidade e de fácil acesso para todos, é preciso fazer ainda muito mais.

Muitas pessoas são forçadas a viver abaixo do limiar de pobreza, como resultado das despesas que têm com o acesso aos cuidados de saúde. Consequentemente, os grupos vulneráveis e marginalizados das sociedades tendem a suportar uma proporção indevida de gastos com a sua saúde.

É vital para o desenvolvimento sustentável aumentar o acesso a cuidados de saúde de qualidade para todas as pessoas, independentemente da sua doença ou condição, raça, idade, género ou etnia, contexto geográfico, económico ou sociocultural.

Os cuidados de saúde devem ser prestados de forma a demonstrar respeito pelos direitos dos doentes e organizados em torno das necessidades de saúde e das expectativas das pessoas e não apenas das doenças. Os doentes devem receber a informação e o apoio necessários para conhecerem os seus direitos.

Sem um envolvimento mais inclusivo das pessoas e sistemas de saúde eficientes e equitativos na Região Africana, os países não conseguirão reforçar os programas de prevenção e controlo das doenças, que são necessários para satisfazer as necessidades e as expectativas das pessoas no que diz respeito à saúde.

A saúde é um direito humano fundamental e, no momento em que comemoramos o Dia da Solidariedade com os Doentes na Região Africana, exorto os governos, decisores políticos, profissionais de saúde e prestadores de serviços a porem em prática políticas e serviços que facilitem o acesso equitativo a cuidados comportáveis e de alta qualidade para todos.

Apelo a todas as partes interessadas a advogarem a equidade e os direitos humanos nos cuidados de saúde, com o propósito de melhorar a vida dos doentes.

Juntos, podemos tornar isso uma realidade na Região Africana.

 

Obrigado.

 

 

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Você e ben-u-ron 1gr - uma relação de confiança!

 

“Um acto de confiança dá paz e serenidade.”

Fiodor Dostoievski

 

n O paracetamol (acetaminofeno nos EUA) é um dos analgésicos/antipiréticos mais utilizados a nível mundial. Os múltiplos estudos clínicos e, sobretudo, o seu amplo uso no dia-a-dia, estabeleceram-no como seguro e eficaz nas doses terapêuticas recomendadas (até 4 gramas/dia no adulto). Esta relação de confiança, eficácia/segurança, está suportada por uma miríade de publicações científicas, e constitui a base da recomendação como terapia farmacológica de primeira linha por inúmeras diretrizes internacionais para uma variedade de condições dolorosas agudas e crónicas.

O ben-u-ron® está indicado no tratamento sintomático de situações clínicas que requerem um analgésico e/ou um antipirético, tais como:

• Sintomatologia associada a estados gripais

• Febre

• Reações hiperérgicas da vacinação

• Cefaleias ligeiras a moderadas

• Enxaquecas com diagnóstico médico prévio

• Odontalgias

• Otalgias

• Dismenorreia

• Dores traumáticas, musculares e articulares

• Dores associadas à osteoartrose

• Analgésico antes e após intervenções cirúrgicas.1.

O paracetamol não deve ser tomado quando se consomem bebidas alcoólicas, visto que o fígado, quando está a metabolizar o álcool etílico, não pode metabolizar simultaneamente o paracetamol, aumentando, portanto, o risco de hepatotoxicidade. De forma similar, e para não saturar os mecanismos normais de eliminação do fármaco e do seu principal metabolito, a imina N-acetil- p-benzoquinona (NAPQI), não devem ser ultrapassadas as doses máximas aprovadas. Em condições normais a NAPQI é neutralizada pela acção do glutatião. A acetilcisteína (N-acetilcisteína ou NAC) funciona como antídoto, reduzindo a toxicidade do paracetamol, ao fornecer grupos sulfidrilos (principalmente na forma de glutationa, do qual é um precursor) que neutralizam o metabolito tóxico NAPQI.

Principal diferença

O paracetamol diferencia-se dos anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) clássicos, pois, apesar dos seus efeitos analgésico e antipirético, este fármaco não apresenta ações anti-inflamatória nem anticoagulante significativas. Adicionalmente, em doses terapêuticas adequadas, tem reduzido potencial para induzir efeitos adversos gastrintestinais e renais. 2.

Dado os distintos mecanismos de acção, o paracetamol pode ser utilizado em conjunto com AINE quando necessitamos de analgesia multimodal.  A potência como analgésico é equivalente, quando não há inflamação, à dos AINEs, sempre que a dose de paracetamol seja a adequada. O paracetamol tem um efeito analgésico equivalente ao dos AINEs, por exemplo, na osteoartrite/ osteoartrose.

 

 

 

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Universidade de Coimbra atribui Honoris Causa a Luís Portela, da Farmacêutica BIAL

 

O Chairman da farmacêutica BIAL, Luís Portela, recebeu o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra (UC), no dia 20 de Janeiro, em cerimónia que decorreu na Sala dos Capelos (Sala Grande dos Actos),  por proposta da Faculdade de Farmácia (FFUC).

O candidato teve como “Apresentante” Maria Margarida Caramona e os elogios a cargo do Vice-Reitor Amílcar Falcão e da docente Isabel Vitória de Figueiredo.

Segundo a Faculdade de Farmácia da UC, a distinção «sustenta-se nas características humanas e nível científico do Doutor Luís Portela e ainda na sua relevância profissional e na excelente integração no mundo empresarial farmacêutico.»

 

Quem é Luís Portela

 

Nascido em 1951 no Porto, Luís Portela é licenciado em Medicina pela Universidade do Porto. Exerceu atividade clínica no Hospital de S. João apenas durante três anos e foi docente da Universidade do Porto durante seis anos, onde lecionou a cadeira de Psicofisiologia.

 

Desligou-se da carreira médica e universitária para se dedicar à gestão de empresas. A sua atividade empresarial foi iniciada com vinte e um anos e aos vinte e sete assumiu a presidência dos Laboratórios Bial, cargo que exerceu até Janeiro de 2011, tendo nessa altura passado a presidente não executivo. Também é presidente do Health Cluster Portugal.

 

Sob a sua presidência, em cerca de trinta anos, a Bial tornou-se a primeira empresa farmacêutica internacional de inovação de origem portuguesa, operando atualmente em 58 países. No Grupo Bial criou e desenvolveu dois Centros de Investigação, um na Trofa e outro em Bilbau, onde trabalham atualmente 107 pessoas, das quais trinta e cinco são doutoradas. No centro da Trofa foi criado o primeiro medicamento de investigação portuguesa a ser lançado, a partir de 2009, no mercado global.

 

Em 1994 criou, conjuntamente com os Laboratórios Bial e o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, a Fundação Bial, tendo como objetivo incentivar a investigação centrada sobre o ser humano, tanto sob os aspectos físicos como sob o ponto de vista espiritual. A Fundação teve desde então cerca de 1.200 bolseiros em investigação científica de 25 países diferentes na área das Neurociências. Também atribui um dos maiores prémios europeus de Saúde - o Prémio Bial.

 

Distinções recebidas

Ao longo da sua carreira tem recebido várias distinções: aos quarenta anos foi condecorado pelo Presidente da República como Comendador da Ordem do Mérito e aos cinquenta com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito. Em 1998 foi distinguido com o Prémio de Neurociências da Louisiana State University, nos E.U.A.

 

Em 2007 foi distinguido com a Medalha Municipal de Mérito - Grau Ouro - pela Câmara Municipal do Porto e em 2014 com a Medalha de Honra - Grau Ouro - pelo concelho da Trofa. Em 2008 foi distinguido como “Empresário do Ano” pelo Rotary International. Em 2009 foi eleito Académico Correspondente pela Academia Portuguesa de Medicina. Em 2013 foi o vencedor do Prémio Excellens Oeconomia, promovido pelo Jornal de Negócios e pela PwC, na vertente “Personalidade do Ano“. Em 2015 foi galardoado com o Prémio Lifetime Achievement pelo LIDE Portugal.

 

 

 

 

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Miguel Brito. "O Centro tem vagas e projectos que precisam de investigadores angolanos empenhados"

 

Francisco Cosme dos Santos  com MAGDA DA CUNHA  VIANA

 

A preferência de investigadores angolanos pela formação e investigação no exterior é uma realidade provocada por muitos anos de ausência de investigação em Angola e a dificuldade em publicar os trabalhos existentes.

 

n O Centro de Investigação em Saúde de Angola (CISA) tem tentado, nos últimos anos, “dinamizar a investigação em saúde”, afirmou Miguel Brito, investigador-coordenador do centro.

O responsável falava à margem da conferência "Os desafios da investigação em saúde", promovida pelo CISA, em conjunto com o Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), de Moçambique.

A conferência, que se realizou recentemente em Luanda,  promoveu a troca de experiências entre investigadores e especialistas dos centros de investigação dos dois países, sobretudo na análise de projetos em curso relativos a infeções respiratórias, doenças diarreicas, malária e outras doenças tropicais mais negligenciadas.

A investigação poderá dar “um apoio importantíssimo ao Ministério da Saúde na decisão de linhas de intervenção para melhoria dos índices de saúde da população”, adiantou.

O responsável referiu que a paralisação de várias instituições de investigação durante muitos anos, provocada pela instabilidade politico-social, bem como a dificuldade de publicação, transmitiu a ideia de que não havia investigação em Angola.

Prova da existência de investigadores angolanos são 20 trabalhos científicos com os quais o CISA deverá encerrar o ano de 2015.

 “Na realidade a investigação existe. Dispersa, mas existe. Nos últimos anos encontrámos excelentes investigadores angolanos”, afirmou Miguel Brito.

“Mas precisamos de atrair investigadores angolanos, o que tem sido difícil”, disse.

Segundo o coordenador "o Centro tem vagas e projectos que precisam de investigadores angolanos empenhados".

“Há uma necessidade de apostar nos investigadores angolanos, dotando-os de conhecimentos provenientes das melhores instituições, para que possam partilhar experiências com outras instituições nacionais ou estrangeiras, nomeadamente nas áreas tecnológicas”, afirmou.

O responsável salientou que a investigação tem de ser publicada e partilhada em rede, pois não é produtiva se feita isoladamente.

A partilha de ideias é extremamente imprescindível, porque um investigador tem de estar a par das mais recentes descobertas.

A este propósito referiu que a ligação entre o CISA e o CISM permitirá um intercâmbio de estágios entre os dois países.

A troca de informação, disse, poderá atrair estudantes que tenham terminado a formação académica e que poderão prosseguir os estudos na investigação com tecnologia de ponta.

O responsável afirmou que, neste âmbito, poderá ser demonstrado que o que é feito noutros países em matéria de investigação em saúde pode também ser efectuado em Angola, com a mais-valia da realidade local.

 

A investigação é um processo que se faz caminhando e investindo

Miguel Brito salientou que “a investigação é um processo que se faz caminhando e investindo em laboratórios, equipamento, e na aquisição contínua de mais conhecimentos”.

O CISA possui actualmente vários projectos de intervenção directa, junto da população, com o objectivo de trabalho na área de patologias infecciosas, tropicais negligenciadas, e doenças  não transmissíveis.

Os investigadores estão a estudar a probabilidade de estar a ocorrer em África uma transição epidemiológica de doenças contagiosas para as não transmissíveis.

O centro de investigação em saúde é uma parceria entre o Ministério da Saúde de Angola, o Governo Provincial do Bengo, o Camões-Instituto da Cooperação e da Língua e a Fundação Calouste Gulbenkian.

Este centro angolano funciona há sete anos no Caxito, província do Bengo, e conta com um orçamento anual na ordem de um milhão de dólares (890 mil euros) e 60 profissionais, em várias áreas. Destes, 10 são investigadores, oito em doutoramento (seis angolanos) e dois a terminar o mestrado.

 

 

 

 

 

 

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Apesar das dificuldades houve um aumento significativo de investigação  em saúde nos últimos 10 anos

 

A Reitora da Universidade Agostinho Neto, Maria do Rosário Bragança Sambo, afirmou na conferência “Os Desafios da Investigação em Saúde em Angola” que a investigação científica é uma realidade no país em diversas áreas, o que comprova a aposta do Executivo no universo científico.

“Nos últimos dez anos tem havido um crescimento significativo na investigação na área da saúde em Angola”, disse a responsável, adiantando que o Centro de Estudos de Educação Médica Avançada, esta envolvido numa parceria com Moçambique, Guiné-Bissau, e Portugal, na formação de investigadores.

Maria Sambo referiu que todas as instituições envolvidas na investigação científica, como universidades, institutos e centros de pesquisa, necessitam de um esforço continuado pois ainda não possuem o reconhecimento e estatuto merecidos devido à escassez de publicações de trabalhos de investigação no âmbito do programa TDR (formação em doenças tropicais) que tem patrocínio conjunto da OMS, UNIFEC, UNDP, e Banco Mundial.

Uma das dificuldades da promoção dos trabalhos científicos é a língua, pois a investigação publicada em bases de dados desta área, como a PubMed/Medline, é feita em língua inglesa.

A ausência de bases de dados nacionais construída por investigadores locais, aumenta a dificuldade da publicação dos seus trabalhos. Contudo, nos últimos 10 anos o número de publicações tem vindo a aumentar de forma sustentada.

A responsável destacou a importância de criação de base de dados electrónica de investigadores nacionais e a inserção de títulos de publicações, bem como o reforço da capacidade das universidades angolanas na área da investigação.

São também necessários projectos de investigação em parceria com universidades, institutos e centros de investigação nacionais e internacionais, bem como programas de pós-graduação académica (mestrados e doutoramentos).

Na investigação predominam as temáticas de doenças infeciosas, com grande destaque para a malária.

Grande parte da investigação é epidemiológica, sendo muito pouco expressiva a investigação socioprofissional e económica em saúde, que envolve áreas como as políticas de saúde e gestão dos sistemas de saúde e recursos humanos.

 

 

 

 

 

 

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Centro de Investigação em Saúde de Angola é uma

“enorme mais-valia” para a qualidade de vida dos angolanos

 

“Precisamos de continuar a estimular jovens investigadores e a procurar respostas cada vez mais pertinentes para os enormes desafios da saúde em Angola”, afirmou o ministro da Saúde, José Van-Dúnem.

No discurso de abertura da conferência “Desafios  da Investigação em Saúde”, Van-Dúnem referiu que “a investigação e apoio directo à população, são hoje uma “enorme mais-valia” para a “melhoria da qualidade de vida dos angolanos”.

 

A necessidade de aumentar a investigação e atrair os investigadores angolanos

O responsável frisou que o CISA é uma estrutura que oferece dados ao poder político para a tomada de decisões destinadas a melhorar a qualidade de vida e de saúde dos angolanos, e que o centro irá atrair jovens angolanos que queiram enveredar pela carreira da investigação.

“O CISA pode ser uma constante fonte de respostas”, disse, considerando que estimular jovens investigadores a fixarem-se em Angola fará do Centro uma estrutura com perspectivas de sucesso.

Van-Dúnem anunciou que está a ser encarada a possibilidade de o hospital do Bengo ser o beneficiário directo dos serviços do CISA.

A forma coincidente como Angola e Moçambique prevêem criar ou aumentar a investigação em saúde levou à criação do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), em Moçambique, disse Van-Dúnem.

Este facto “incentiva-nos a ampliar os nossos conhecimentos, através da partilha de ideias sobre a investigação médica entre as duas grandes nações africanas”, adiantou o titular da pasta, frisando que o CISA é uma estrutura igual à de Manhiça, pois também pretende cobrir todo território nacional.

Possuindo uma história similar no que diz respeito à investigação em saúde será mais fácil evitar a repetição de investigações e de erros.

O ministro agradeceu à Fundação Calouste Gulbenkian, Lacaixa, e ao Instituto de Saúde Global de Barcelona, a importância dada ao projecto desde o início que resultou na criação do Centro de Investigação situado no Caxito.

Nos três dias que precederam a conferência, realizada em Luanda, em Setembro, foi efectuado um seminário no centro de estágios da Faculdade de Medicina da Universidade Agostino Neto, Caxito, província do Bengo.

Foram abordados temas como os 40 anos de investigação em doenças tropicais, como levar o laboratório à consulta (com o objectivo do diagnóstico rápido das infecções), e a investigação científica em saúde em Angola.

O seminário pretendeu promover a investigação na área da saúde  e contribuir para um melhor conhecimento das doenças e problemas de saúde que afectam Angola, como a malária, tuberculose, VIH-SIDA, doenças negligenciadas como a schistossomíase, filaríases, e helmintíases, bem como as doenças não transmissíveis, como, por exemplo, as cardiovasculares.

A 60 quilómetros de Luanda, o Centro funciona como catalisador da investigação biomédica, envolvendo investigadores nacionais e portugueses.

 

 

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Um hospital divino

 

Rui Moreira de Sá

 

No hospital Divina Providência respira-se limpeza e organização. Os enfermeiros chamam os doentes pelo nome. O tempo de espera é curto. Bom atendimento. Humanizado. Percebe-se que a gestão hospitalar é de excelência e os profissionais de saúde competentes. São 900 consultas externas por dia – incluindo as específicas a pacientes com tuberculose e HIV – no hospital e nos quatro postos de saúde. A este número somam-se 134 doentes internados, entre os quais 60 crianças. Serve a população do Kilamba Kiaxi, distrito onde se localiza, que tem cerca de 1,5 milhões de habitantes. Ao todo, dispõe de 385 trabalhadores, dos quais 120 com contratos privados. “Um custo mensal muito elevado”, confessa a directora administrativa do hospital Divina Providência, Chiara Giusto. Os restantes colaboradores estão integrados na função pública. Vinte são médicos. Alguns voluntários. “A maioria pediatras, mas temos um de medicina interna e vamos agora acolher um infecciologista”, diz-nos. As consultas custam 400 kwanzas (crianças) e 600 kwanzas (adultos). A unidade sanitária faz parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e está vinculada à Direcção Provincial de Saúde de Luanda. A sua rede periférica é constituída por um centro de tratamento de tuberculose, um centro de VIH/SIDA e quatro postos de saúde  Directora administrativa do hospital Divina Providência, Chiara Giusto “O hospital serve a população do Kilamba Kiaxi, distrito onde se localiza, com cerca de 1,5 milhões de habitantes” distribuídos pelo distrito. Pertence à Obra da Divina Providência, Organização Não Governamental nacional vinculada à igreja Católica, sem fins lucrativos, presente em Angola desde 1985, cujo objecto social é precisamente oferecer assistência à população mais carente.

Em 2016, a administração do hospital quer abrir a maternidade periférica no bairro do Sapu – que já está pronta e apetrechada – e mais o quinto posto de saúde São Marcos. A ampliação do hospital, para aumentar o número de camas e melhorar o diagnóstico, é outro dos objectivos que perseguem a curto prazo com vista a receberem a qualificação de hospital geral, de nível municipal.

Apoio da BP Angola

“Os materiais gastáveis e equipamentos, entre luvas, soro, lençóis, armários, camas, colchões e kits de higiene (escova, pasta de dentes, sabonete e toalhinha) – que fez, aliás, a alegria das mamãs! –, acabados de receber, em dois contentores, da BP Angola, vão beneficiar extraordinariamente os doentes internados”, garante Chiara Giusto.

 “Trata-se aliás da continuidade do programa de apoio desta petrolífera. Anteriormente, já havia patrocinado outros projectos”. Consistiram “na reforma e ampliação do posto de saúde Nossa Senhora da Paz, no Golf 2, que permitiu aumentar o espaço, melhorando a sua estrutura, organização, a qualidade do atendimento e a produtividade e de um programa comunitário de prevenção à má nutrição infantil”. Este incluiu “palestras, peças teatrais, folhetos informativos e cursos de culinária dirigido às mães internadas, onde aprenderam as propriedades das verduras e como preparar refeições saudáveis com poucos recursos, com a colaboração da especialista da Direcção Nacional de Saúde Pública, Maria Futi”, relatou Chiara Giusto.

 

 Boa gestão hospitalar

De acordo com o Vice-Presidente para área de Comunicação e Relações Externas da BP Angola, Paulo Pizarro, “este apoio está inserido na nossa estratégia de responsabilidade social corporativa que assenta nos pilares da educação, desenvolvimento empresarial e capacitação institucional”. Segundo o responsável da petrolífera “nos últimos quatro anos temos vindo a acompanhar esta unidade de saúde dado o grande impacto positivo que tem nesta área com cerca de um milhão e meio de habitantes, a sua boa gestão, um atendimento de qualidade, com cerca de 900 consultas diárias a um preço muito baixo. Trata-se de um bom parceiro, um exemplo de sucesso de uma parceria público-privada, que maximiza os fundos que lhe são disponibilizados, pelo que o projecto deveria ser replicado”, disse”. Finalmente, “julgo que carece de mais apoios  públicos, do município, que lhe garanta água corrente e energia eléctrica mais estável”, concluiu.

O Director de Sustentabilidade e Relações Públicas da BP Angola, Adalberto Fernandes, mostrou-se impressionado com o número de doentes que o hospital atende e com a eficiência na sua administração. Explicou que o valor desta doação de material atingiu cerca de USD 150 mil e foi implementado em parceria com o projecto CURE, uma ONG norte-americana. “Os próximos dois contentores com material destinam-se aos hospitais Neves Bendinha – para apoiar as unidades de trauma e queimados – e dos Cajueiros, no Cazenga, num valor estimado em USD 400 mil”, afirmou.

 

 

 

 

 

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Desafios para 2016.

Aumento da cobertura sanitária em toda a província e construção de mais postos e centros de saúde

 

Casimiro José

Correspondente no Cuanza Sul

Texto e fotografias

 

O aumento da cobertura sanitária em toda extensão da província, com a construção de mais postos e centros de saúde e o alargamento de programas assistenciais, o recrutamento de mais médicos e técnicos, bem como a formação contínua a vários níveis, são alguns dos objectivos para 2016, de acordo com o director provincial da saúde, Abreu Undongo.

 Em 2015, reduziu-se a mortalidade infantil. O grande problema resultou de uma catástrofe natural que obrigou a encerrar o Hospital Pediátrico, em Dezembro.

 

n O sector da saúde na província do Cuanza-Sul teve, ao longo do ano de 2015, uma prestação à altura de dar resposta às necessidades dos pacientes que acorreram às diferentes unidades sanitárias na província. A garantia é do director provincial da Saúde do Cuanza-Sul, Abreu Undongo, que destacou, entre outros factores, “a execução com normalidade do Programa dos Cuidados Primários de Saúde (CPS) em todos os municípios da província”. O responsável, em entrevista ao Jornal da Saúde, fez o balanço das actividades desenvolvidas pelo sector ao longo de 2015. Fez saber que, apesar das limitações financeiras, e face à conjuntura nacional e internacional, foram feitos esforços no sentido de colocar à disposição das populações vários serviços de atendimento, quer seja nas vertentes de prevenção, ou da cura de diversas patologias. Destacou, entre outras acções, a conclusão e a entrada em funcionamento das unidades sanitárias, nomeadamente, um posto de saúde e centro médico na comuna do Condé, município do Ebo e um Centro de Saúde no município da Quibala, totalizando assim 260 unidades sanitárias na província do Cuanza Sul.

Adiantou ainda que, a par da construção das infraestruturas sanitárias, o sector que dirige continuou a prestar atenção especial “à componente de educação para a saúde nas comunidades, à luta anti-larval, às campanhas de vacinação contra a poliomielite, o sarampo, o tétano, bem como à melhoria do abastecimento de água potável nas unidades sanitárias”.

A assistência materno-infantil teve “uma cobertura aceitável, o que se traduziu na redução dos índices de mortalidade materno-infantil”. Neste capítulo, o sector da saúde contou ainda com o empenho das parteiras tradicionais que prestam serviços de acompanhamento às mulheres grávidas nas comunidades.  “Alcançámos em 2015 bons resultados no capítulo da assistência materno-infantil porque temos uma boa cobertura neste domínio com uma rede que integra técnicos de saúde e parteiras tradicionais”, reconheceu.

 

Chuvas obrigam

ao encerramento

do Hospital Pediátrico

O director provincial da saúde considerou a inundação do Hospital Pediátrico da província como sendo o grande embaraço que o sector da saúde no Cuanza Sul conheceu, fruto dos constrangimentos verificados no capítulo da acomodação e assistência aos pacientes que se encontravam internados na referida unidade hospitalar.

“O ano de 2015, na nossa província, terminou com uma catástrofe natural, a chuva, que inundou por completo as instalações do hospital pediátrico do Cuanza Sul. Este foi, quanto a nós, um facto que afectou, em demasia, a nossa capacidade de intervenção”, afirmou. Tal situação levou à necessidade de transferência de 105 pacientes que se encontravam internados na referida unidade hospitalar para o Hospital Geral “17 de Setembro” do Sumbe, para a Maternidade provincial e para os centros médicos do Chingo e da Assaca, constituindo grandes constrangimentos, em termos de uma assistência mais digna.

O director provincial da saúde acrescentou que, fruto desta situação, a província viu reduzida a capacidade de internamento de crianças, mas acalentou esperanças de ver a situação resolvida, o que passa pela “mobilização de esforços tendentes a restaurar a unidade hospitalar das águas pluviais”.

 

Sector da saúde clama

pelo aumento de recursos humanos

O director provincial da saúde manifestou-se preocupado com a falta de médicos e enfermeiros para conformar o número das infraestruturas sanitárias com a componente de recursos humanos. Sem revelar dados relativamente ao pessoal necessário, Abreu Undongo considerou que o sector da saúde na província do Cuanza Sul necessita do reforço do quadro do pessoal médico e de enfermagem, assinalando que, dos 3043 de recursos humanos que a província possuía até recentemente, actualmente conta com 2.876, entre médicos, técnicos de diagnóstico e terapêutico, enfermeiros, pessoal de apoio e administrativo. De acordo com o responsável da saúde, a causa da diminuição deveu-se à morte de 19 funcionários do sector, entre enfermeiros e pessoal de apoio administrativo e hospitalar, passagem à reforma de 143 funcionários e da transferência de cinco enfermeiros para as províncias de Luanda, Malanje e Bié.

Quantos aos desafios para o futuro e metas a atingir em 2016, o responsável anunciou “o aumento da cobertura sanitária em toda extensão da província, com a construção de mais postos e centros de saúde e o alargamento de programas assistenciais, o recrutamento de mais médicos e técnicos, bem como a formação contínua a vários níveis”.

 

Rede sanitária no Cuanza Sul

 

A província conta com 260 unidades sanitárias, sendo dois hospitais provinciais de referência, 15 hospitais municipais, 35 Centros de saúde e 201 postos de saúde.  Sobre os recursos humanos, o director anunciou que prestam serviço ao sector da saúde um total de 139 médicos, dos quais 24 nacionais. “A maior cifra de médicos que prestam serviços na província é assegurada por expatriados. Temos um total de 1.502 enfermeiros, 337 técnicos de diagnóstico e terapêutica, dos quais 77 técnicos e 89 auxiliares, 335 pessoas de apoio hospitalar, entre maqueiros, vigilantes e copeiros e 563 quadros e técnicos administrativos”.

Concluiu que o sector denota ainda “um défice em termos de médicos de especialidades para cobrirem as unidades sanitárias nos municípios do interior, principalmente nas áreas de obstetrícia, cirurgia e ortopedia”. Quanto ao rácio entre infraestruturas hospitalares e população, Abreu Undongo referiu que a “realidade actual aponta para seis mil habitantes por cada unidade sanitária”.

 

 

 

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Francisco Pérez Villaverde, Director-geral da Meditex.

“A qualidade humana e científica dos nossos especialistas está garantida”

 

 

Rui Moreira de Sá

com Cláudia Pinto

 

Está há quase 23 anos em Angola e pauta-se pela qualidade dos mais de 50 especialistas que se dividem em diversas áreas médicas.  A Clínica Meditex tem acompanhado as melhorias registadas no país ao nível da saúde, estando acessível 24 horas durante os 365 dias do ano. Humanismo, ética e profissionalismo são sinónimos da medicina cubana que tem como principal preocupação a saúde e o ser humano, conforme nos garante o director-geral, Francisco Pérez Villaverde.

 

— Gostaria que traçasse uma visão geral da actuação da Meditex em Angola desde o seu arranque…

— A Clinica Meditex - Serviços Médicos e Farmacêuticos, foi fundada em 1993, estando há quase 23 anos instalada no país. É uma clínica cujo objectivo fundamental é a prestação de serviços médicos e paramédicos em praticamente todas as especialidades médicas disponíveis para a população angolana, pautando-se pelo seu profissionalismo e ética.

— Qual tem sido a evolução dos serviços ao longo destes anos?

— A Clínica esta a evoluir conforme as exigências dos tempos. No princípio, quando foi criada, oferecia as especialidades básicas dentro da Medicina, como por exemplo, Clínica Geral, Obstetrícia e Ginecologia, Pediatria… Hoje contamos com mais especialidades, desde as mais básicas às mais evoluídas, como por exemplo, a cirurgia pouco invasiva, oftalmologia – onde inaugurámos um Centro Oftalmológico e prestamos todo o tipo de serviços, como a cirurgia às cataratas, ao estrabismo, etc. – e a estomatologia que inclui o serviço de próteses, de Ortodontia e cirurgia maxilo-facial. Temos desenvolvido o serviço de cardiologia que responde a um grande número de necessidades da população angolana. As doenças cardiovasculares são muito prevalentes em Angola, sobretudo as que se relacionam com transtornos da pressão arterial. Temos ainda o serviço de radiologia e também de neurofisiologia que é muito importante como complemento de outros serviços, como a neurologia, psiquiatria, neurofisiologia, Clínica Geral, entre outros. Estamos a começar a desenvolver o serviço de audiologia e destacamos ainda a dermatologia, a psiquiatria, a endocrinologia, a psicologia, a angiologia, a urologia… Temos todas as especialidades médicas disponíveis para a população.

— O que caracteriza a clínica e a prestação dos serviços médicos?

— Trabalhamos durante 365 dias por ano, 24 horas por dia. A nossa principal fortaleza é a qualidade dos especialistas que temos a trabalhar connosco. Na nossa clínica, todos os nossos especialistas são cubanos e têm uma ampla experiência, tanto em Cuba, como fora do país. A medicina cubana, a nível mundial, tem um amplo prestígio, pelo que fazemos uma selecção muito precisa dos profissionais que trabalham connosco, tanto do ponto de vista humano, como no que se prende com a qualidade ao nível científico. Contamos ainda com profissionais licenciados em tecnologias da saúde que contribuem para a qualidade de serviço que prestamos na clínica.

— Qual a importância da humanização dos serviços para uma medicina de excelência?

— A Medicina humanizada pode ser comparada a um sacerdócio. Quando se estuda Medicina, sabe-se que para tratar, aliviar a dor e curar um doente, há que acompanhá-lo a si próprio e aos seus familiares. É frequente a literatura comparar os médicos a sacerdotes. A escolha de uma especialidade médica implica que a vida seja feita em virtude dos demais. A doença pode aparecer e acontecer a qualquer dia e hora. É nosso compromisso assumir essa responsabilidade para com a humanidade. Para que possa surtir efeito, a Medicina não pode basear-se apenas em medicação. Tem de ser acompanhada de um adequado trato e humanismo. Os doentes sentem essa confiança. Esta é a forma como somos formados e como trabalham os nossos especialistas. A qualidade humana e científica dos nossos especialistas está garantida.

— Como é composto o corpo médico da Meditex?

— Temos um total de 22 especialistas médicos, neste momento, mas contamos ainda com contratos com especialistas cubanos que asseguram as especialidades que não funcionam 24 horas fisicamente na clínica. Se falarmos de corpo médico de toda a clínica, somos no total 59 especialistas, entre médicos, enfermeiros e especialistas licenciados em laboratórios clínicos.

— A clínica dispõe também de internamento…

— Dispomos de 59 camas que se distribuem em quatro andares de internamento. Temos internamento para pediatria e neonatologia, obstetrícia, clínica geral e outras especializações cirúrgicas, bem como serviço de cuidados intensivos para adultos durante 24 horas.

— Como vê a situação de saúde em Angola sob o ponto de vista da prevenção?

— Considero que o nível de saúde da população angolana tem vindo a melhorar de uma forma geral, não só na capital, como em todo o país. As melhorias sociais, ao nível da educação e no que respeita ao Programa do Governo têm repercussão na saúde. Temos contribuído para a formação de profissionais angolanos pois Angola há-de chegar ao ponto em que não necessitará de ajuda de Cuba. Esperamos que o país se desenvolva pouco a pouco. Conheço excelentes cirurgiões cardiovasculares, professores e médicos angolanos que fazem ou fizeram formação em Cuba.

— Quais as perspetivas futuras para a Meditex?

— A Meditex tem de acompanhar o crescimento da saúde em Angola. A clínica faz parte da história da saúde em Angola em quase um quarto de século.

— Como é que esta clínica se articula com outras instituições de saúde em Angola?

— Dentro do Sistema Nacional da Saúde, cumprimos as mesmas directrizes que outras clínicas presentes no país. Enquanto instituição de saúde, é uma entidade privada que cumpre todos os regulamentos e os padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde. É uma entidade angolana mas a nossa força de especialização tem um convénio com Cuba onde adquirimos e trazemos os nossos especialistas. Temos também especialistas angolanos que fazem serviço na clínica na modalidade de sub-contratos e que exercem actividade sempre que necessário e em forma de parceria.

De acordo com a nossa filosofia humanista, atenderemos um paciente que não tem condições económicas e que procura os primeiros socorros. Em primeiro lugar, está a saúde e o ser humano.

 

 

 

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Hospital de Cambambe administra mais de 600 litros de sangue

 

Cerca de 612 litros de sangue foram administrados a pacientes no Hospital Municipal de Cambambe, Cuanza Norte, em 2015, o que representa um aumento de 135 litros, em relação a 2014.

 

 A responsável da área de hemoterapia desta unidade sanitária, Deolinda Domingos, afirmou que as quantidades em causa permitiram a realização de 1.360 transfusões, essencialmente na pediatria, na sala de partos e no banco de urgência.

A responsável precisou que, em relação ao período homólogo de 2014, houve um aumento na ordem dos 135 litros, devido à larga reprodução dos mosquitos que são os principais responsáveis pela anemia, sobretudo em crianças.

Sustentou que o banco de sangue do hospital municipal de Cambambe contou com o apoio de 700 dadores familiares e 90 voluntários, de um universo de 900 apoiantes que acorreram aos serviços, duzentos dos quais foram preteridos, por inaptidão em doarem.

Deolinda Domingos adiantou que se realizam, naquela unidade hospitalar, em média, doze transfusões por dia.

Entre os dadores voluntários destacaram-se as igrejas e as Forças Armadas Angolanas que, ao longo do ano, desenvolveram várias campanhas de doação gratuita, um gesto que a entrevistada “gostaria ver seguido pelos demais grupos sociais locais, visando a redução da falta de sangue com que a unidade se debate”.

Caracterizou o acto de doar sangue como um gesto bastante simples, uma vez que não é prejudicial à saúde, visando unicamente salvar a vida de quem se encontra em perigo.

Pela situação geográfica do município de Cambambe, seria importante que a sociedade se mobilizasse em torno desta causa, uma vez que nessa circunscrição são frequentes os acidentes de viação, para além da concentração de rios, lagoas, charcos e cacimbas que propiciam a reprodução do mosquito, afirmou.

A fonte apontou a necessidade de os diversos organismos públicos e privados cultivarem o hábito pela doação de sangue, e, desta forma, garantir a manutenção dos stocks deste líquido vital, tendo feito lembrar que toda a pessoa está propensa a se confrontar com a necessidade de sangue.

 

 

 

 

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Aumenta número de partos na maternidade do Golungo-Alto

 

Na maternidade municipal do Golungo-Alto, província do Cuanza Norte, em 2015, foram efectuados 663 partos, o que representa um aumento de 69 nascimentos comparativamente a 2014.

 

 

Segundo indica uma nota da instituição, chegada ao JS, 357 dos nascimentos registados foram de bebés do sexo masculino, numa altura em que se verificaram 19 nados mortos, contra 21 do ano anterior.

O aumento do número de partos hospitalares na municipalidade, segundo a nota, deve-se ao trabalho de sensibilização desencadeado pelos serviços de saúde nas comunidades, acerca das vantagens do parto hospitalar, por garantir maior segurança para a parturiente e o bebé.

Ainda assim, tem havido casos de mulheres que optam pelo parto caseiro, recorrendo ao hospital já em caso de complicações durante o processo, o que tem transtornado a actividade da maternidade que, em muitas das vezes, encontra como última solução a evacuação das parturientes para a maternidade provincial, em Ndalatando.

A direcção da unidade garante, no ano em curso, intensificar as campanhas de sensibilização no casco urbano e no meio rural, num esforço tendente a inverter o quadro.

Em 2015, foram realizadas 3.866 consultas pré-natais a grávidas, enquanto 1.523 mulheres aderiram ao planeamento familiar, a maioria com idades compreendidas entre os 17 e os 35 anos, conclui o documento.

 

 

 

 

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Hospital do Ngonguembo regista redução de casos de malária em 2015

 

O Hospital Municipal do Ngonguembo registou, em 2015, cerca de 1.898 casos, menos 564 em relação a 2014.

 

De acordo com o director municipal da Saúde, Raimundo Andrade Sungama, em declarações à Angop, a redução deveu-se ao trabalho de sensibilização para o uso de mosquiteiros e para o saneamento básico nas comunidades.

O responsável adiantou que a instituição registou, no mesmo período, um movimento hospitalar de 815 internamentos, fruto de 8.685 consultas. Ocorreram três óbitos hospitalares.

Em relação ao combate ao VIH/Sida foram diagnosticados dez novos casos, num universo de 663 pessoas testadas.

A assistência médica às populações do Ngonguembo é actualmente garantida por uma rede sanitária constituída por um hospital municipal, com 30 camas, uma maternidade, cinco postos de saúde e um centro materno infantil, assegurados por 56 técnicos de saúde.

O responsável indicou a necessidade de mais 24 técnicos, entre os quais um médico de clínica geral, quatro especialistas de laboratório e 19 enfermeiros.

Com uma superfície de 1.400 quilómetros quadrados, o município do Ngonguembo, cuja sede é a vila do Quilombo dos Dembos, é habitado por 6.865 pessoas, segundo dados do censo geral de Maio de 2014.

 

 

 

 

 

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Farwell. Bem organizada, distribui em tempo útil medicamentos de qualidade

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

A Farwell é uma empresa que se dedica à distribuição de medicamentos. Actua no mercado angolano há mais de doze anos. Sedeada na Maianga, em Luanda, dedica-se também à venda de equipamentos e consumíveis para uso clínico e hospitalar.

 

 

O director da Farwell, Jalaludin Hassanali, adiantou ao Jornal da Saúde que “a empresa tem como objectivo diferenciar-se pela qualidade e pela aposta contínua no desenvolvimento das suas infraestruturas e na optimização e melhoramento dos seus serviços”.

Com os seus mais de 12 anos de experiência no mercado de saúde angolano, pretende acompanhar o desenvolvimento e as crescentes exigências regulamentares deste sector nos próximos anos.

A Farwell trabalha maioritariamente com laboratórios europeus o que, tendo em conta a actual situação económica do país, significa desafiar-se continuamente para conseguir a importação dos produtos e evitar rupturas de stock. “Trabalhamos diariamente para pagar atempadamente aos nossos fornecedores e ter produto para satisfazer as necessidades dos nossos clientes ”, esta é uma preocupação da gerência da empresa, que pretende manter-se como um dos principais players no mercado.

A atividade da empresa está vocacionada para duas áreas distintas: a distribuição farmacêutica, na qual disponibiliza mais de 1500 referências de 150 marcas diferentes, e a área de diagnósticos, em que é representante de várias marcas certificadas de equipamentos, reagentes e consumíveis para laboratórios de análises clínicas.

“A Farwell já conta com uma vasta carteira de clientes desde Luanda até às províncias, tanto pequenas farmácias de bairro como grandes grupos de farmácias e clínicas e hospitais, não só privados, como também públicos”, refere Jalaludin.

A empresa atende, em média, mais de duzentos clientes por dia. Para satisfazer esta afluência diária, para além do atendimento convencional (cliente presente) – muito bem organizado – os clientes podem encomendar por telefone ou até por e-mail. Um call center eficiente está permanentemente disponível durante o horário de expediente.

 

Da importação à distribuição

 

A Farwell conta com um aliado estratégico em Portugal, a quem adquire 90% de todos os produtos que importa. Esta empresa parceira assegura serviços especializados de consultoria financeira, procurement e gestão de logística na importação dos produtos. Como refere Hassanali, “esta parceria permite que a Farwell seja reabastecida em tempo útil, de acordo com as necessidades do mercado”

Os produtos são armazenados nas instalações da empresa, em dois armazéns localizados na província de Luanda, um no município de Maianga e outro no município de Viana, totalizando 1700 metros quadrados de área útil de armazenagem. Recentemente, a Farwell investiu na modernização destas instalações e nos sistemas de controlo de temperatura, humidade e controlo de agentes infestantes, de forma a garantir a qualidade das operações de armazenagem e distribuição.

No sentido de oferecer mais conforto e rapidez ao cliente, a Farwell desenvolveu o seu próprio serviço de entregas, que conta com uma frota própria, com veículos que permitem transportar os produtos até ao cliente, mantendo a qualidade e estabilidade dos mesmos.

“Vamos dar mais um grande passo no desenvolvimento da empresa”, salienta Jalaludin, relativamente ao projecto maturado durante mais de um ano e que, já no início de 2016, permitirá a implementação de um novo e moderno sistema informático. Como explica o director da Farwell, “esta nova ferramenta vai revolucionar os processos de gestão, facturação, rastreabilidade, segurança e controlo da qualidade da nossa empresa.”

 

 

 

 

 

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