MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Rui Moreira de Sá

Director Editorial

direccao@jornaldasaude.org

O presente e o futuro

 

 

A situação não está fácil. Os orçamentos estão em baixa. Mas a saúde avança, registam-se esforços e há factos positivos.

A destacar nesta edição os projectos de investigação de seis jovens médicos angolanos. Põem o dedo na ferida: querem perceber melhor o que causa as doenças que temos no país para que se possa introduzir, ou melhorar, as técnicas para a sua prevenção, ou tratamento.

Também nos próximos dois meses realizam-se, pelo menos, seis eventos científicos na área da saúde, o que revela a dinâmica dos profissionais do sector. Destes, três são na Huíla – Congresso e Jornadas do Hospital Central, aos quais se associaram as Jornadas de Cardiologia. Por sua vez, os farmacêuticos reúnem-se na sua II Semana e a saúde mental estará em foco, já no início de Outubro, com as III Jornadas Científicas do Hospital Psiquiátrico.

Poliomielite zero. Mas as campanhas de vacinação não param. Saiba ainda o que se tem feito no Cuanza Norte e Sul. Leia as notícias da indústria e fique ciente de que há pelo menos um grupo empresarial decidido a abrir uma fábrica de medicamentos no país.

Finalmente, reflicta sobre o que nos diz a anciã – mãe de um dos dadores de sangue mais antigos – que completou este mês 105 anos de vida.

 

Boa leitura!

 

 

Voltar

 

 

 

O director-geral da Medtrónica, Mateus Venâncio, ladeado pela Conselheira Comercial e pela Primeira Secretária da Embaixada de Angola em Espanha, respectivamente Paula Lisboa e Cláudia Liberato, na cerimónia da atribuição do prémio, em Madrid

Empresa angolana na vanguarda.

Medtrónica recebe prémio de excelência internacional

 

 

A Medtrónica, empresa angolana com experiência relevante na área dos equipamentos médicos e hospitalares, entre os quais de imagiologia, tecnologias de informação, consultoria e formação recebeu o prémio internacional Award for Excellence and Leadership, atribuído pela Global Trade Leaders` Club, num cerimónia realizada recentemente em Madrid. A distinção “veio reforçar a necessidade e responsabilidade de apostar na qualidade”, segundo o seu director-geral, Mateus Venâncio.

 

O prémio distinguiu empresas que se destacaram durante o ano pela sua excelência na área do marketing e dos negócios em todo o mundo. “É uma honra estar entre as empresas destacadas e a Medtrónica ter sido notabilizada em termos de liderança de negócio. Foram premiadas 30 organizações de vários países do mundo pelo que é uma distinção muito grande até porque, em Angola, a única empresa que se distinguiu foi a Medtrónica”, assegurou Mateus Venâncio.

 

 

Voltar

 

 

 

 

VICE-GOVERNADORA DA HUÍLA, MARIA JOÃO  CHIPALAVELA  “Todos os nossos municípios dispõem de centros de saúde de referência, as nossas comunas têm posto médico, e a faculdade de medicina formou este ano 74 jovens médicos. A municipalização veio mudar muito”.

Huíla já tem médicos nacionais em todos os municípios

 

 

“Todos os municípios da província da Huíla têm médicos nacionais”, disse ao JS o director provincial da saúde, Altino Matias. A realização de estágios no âmbito do projecto de assistência médica especializada às comunidades foi a fórmula encontrada por este responsável para atrair e conservar os jovens médicos. “Acções no terreno para verem onde é que são mesmo precisos”. Altino Matias continua a sua “busca incessante” de mão-de-obra especializada. “Conseguimos contratar um gastroenterologista, um ortopedista e um ginecologista para o Hospital Central”. A DPS está a finalizar o plano provincial de saúde, “procura um espaço para o centro ortopédico e precisa de apetrechar o psiquiátrico”. Mas a grande aspiração, é a construção de uma unidade cardiológica, com um perfil de formação e mais barata do que as outras duas existentes no país. “Queremos que os médicos angolanos aprendam a fazer e não fiquemos dependentes de estrangeiros. E queremos evitar a necessidade de transferências de crianças para Luanda”, concluiu.

Lubango acolhe, este ano, a celebração do dia do trabalhador da saúde, a 25 de Setembro.

 

Voltar

 

 

 

Expo Farma 2015 em Outubro

 

 

A II Semana da Farmácia Angolana e a Expo Farma terão lugar no início de Outubro, em Luanda. De acordo com o Bastonário da OFA, Boaventura Moura, o programa científico “visa actualizar os nossos conhecimentos, partilhar experiências e debater as grandes questões que se colocam ao sector farmacêutico, à nossa farmácia angolana, à profissão farmacêutica e à saúde em geral, reforçando o compromisso do farmacêutico angolano para com a excelência na prestação de cuidados e serviços de saúde ao utente e à população no seu todo, ao mesmo tempo que fortalece a nossa classe e desempenho profissional”. Em simultâneo, decorre a Expo Farma que vai reunir as principais empresas fornecedoras de medicamentos e equipamentos para as farmácias.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Luanda Medical Center dá saúde a projecto de responsabilidade social

 

 

O centro médico Luanda Medical Center associou-se ao projecto de responsabilidade social “Dá Vida ao Futuro”, da Refriango. O projecto visa melhorar as condições de vida de 166 crianças de centros de acolhimentos, de Luanda, através do apadrinhamento de cada uma delas.

O centro médico irá fornecer cuidados médicos às instituições apadrinhadas por esta iniciativa, onde um profissional de saúde se irá deslocar para fazer um check up mensal a todas as crianças.

“O nosso objectivo com esta parceria é apoiar e acompanhar estas crianças de forma sustentada no tempo. Criar a igualdade num direito que é de todas as crianças, o acesso aos cuidados de saúde. Acreditamos que podemos fazer a diferença no presente, oferecendo o bem mais precioso da vida: a saúde. Sem saúde nenhum sonho é possível. Queremos por isso ajudar a realizar sonhos e construir um futuro”, referiu a directora de marketing do Luanda Medical Center, Rita Matias.

A responsabilidade social consta do ADN do Luanda Medical Center, tendo as crianças como prioridade. “A nossa preocupação principal reside essencialmente em proporcionar o acesso aos cuidados de saúde e ao bem estar físico e emocional de todas as crianças”, concluiu.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

A campanha em números

 

13 mil equipas de vacinação.

26 mil vacinadores.

13 mil supervisores.

Stock de oito milhões de doses de vacinas.

Serão vacinadas cinco milhões de crianças em todo o território nacional e um milhão e trezentas mil em Luanda.

Cada município da capital recebeu 1500 doses de vacinas.

 

Campanha nacional para erradicar a doença no país.

Angola não regista nenhum caso de poliomielite há cinco anos

 

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

É um caso de sucesso em Angola: a poliomielite está praticamente erradicada graças aos avanços na área da vacinação. Mas esta é uma luta à qual não se pode dar tréguas. Por esse motivo, o Ministério da Saúde acaba de lançar a primeira fase de vacinação contra a doença com o objectivo de imunizar todas as crianças menores de cinco anos.

 

 

O município de Cazenga recebeu há poucos dias a sessão de abertura da primeira fase da campanha da vacinação contra a poliomielite por se tratar do local onde se registou o último caso de vírus isolado da patologia, em 2010. Estiveram presentes a Directora Provincial de Saúde de Luanda, Rosa Bessa, representantes da Unicef, Organização Mundial da Saúde, autoridades nacionais e sociedade civil.

Através desta campanha serão vacinadas cinco milhões de crianças em todo o território nacional e um milhão e trezentas mil em Luanda. Cada município da capital recebeu 1500 doses de vacinas. A vacina contra a poliomielite é um serviço básico oferecido pelo executivo angolano disponível durante todo o ano nos postos de saúde, incluída na vacinação de rotina disponibilizada pelo Ministério da Saúde.

De acordo com Rosa Bessa “faltam apenas dois meses para que a Organização Mundial da Saúde declare Angola como sendo um país livre da poliomielite. A vitória sobre o vírus enquadra-se nos ganhos dos 40 anos de independência sobretudo pelo esforço que o executivo angolano tem vindo a fazer através de campanhas de sensibilização para reforço das vacinas de rotina, desde a década de 90”. Foi ainda reforçada a ausência de contraindicações e de dor na administração da vacina. “Apelamos aos encarregados de educação e aos técnicos de saúde para continuarem a apostar na luta contra a poliomielite para bem das crianças. São elas que saem a ganhar”.

 

Nenhuma criança ficará por vacinar

 

 A coordenadora da campanha de vacinação de Luanda, Felismina Neto, garantiu que “graças aos esforços de todos os profissionais e vários outros intervenientes no processo de vacinação, Luanda encontra-se há cinco anos sem notificar nenhum caso do poliovírus selvagem, mas há que continuar as campanhas de rotina para se reforçar e manter o controlo epidemiológico desta pandemia, na capital e em todas as províncias, de forma a adquirir-se a certificação da erradicação da doença no país”. É fundamental que a primeira fase da campanha seja “um sucesso através do envolvimento e da participação activa da população e técnicos de saúde porque a vacina visa aumentar a imunidade dos menores de cinco anos contra as três espécies de vírus assim como manter os métodos que impossibilitam a transmissão da pólio”, acrescentou. No que respeita aos vacinadores, foram recrutados segundo o seu local de residência, contando com a colaboração dos presidentes das comissões de moradores ou coordenadores de áreas, que andarão de casa em casa a certificar-se que nenhuma criança fica sem vacina nos dois dias em que a mesma será administrada. Além desta facilidade, a vacinação ocorrerá ainda em postos fixos e em locais de grande concentração de pessoas, como por exemplo, escolas, igrejas, mercados, paragens de autocarros e táxis.

 

Apoio internacional

“O Sistema das Nações Unidas, em estreita colaboração com a Iniciativa para a Erradicação da Pólio, reafirma o apoio às autoridades angolanas no contributo que o país dá neste grande empreendimento de escala mundial que esta próximo de alcançar uma segunda grande vitória de saúde pública”, declarou Francisco Songane, representante da Unicef em Angola, na cerimónia de lançamento desta campanha.

 

 

 

Voltar

 

 

 

FILOMENA DE OLIVEIRA

"O leite materno fornece os melhores nutrientes possíveis para proteger a criança de doenças"

Aleitamento materno exclusivo até aos seis meses previne doenças infantis

 

É um dever de todas as mulheres mas também um direito. Há que sensibilizar as entidades patronais a permitir que as suas funcionárias continuem a alimentar os seus filhos com leite materno quando a licença de maternidade termina. A Organização Mundial de Saúde defende o aleitamento materno exclusivo até aos seus meses de idade e Angola promoveu algumas actividades para sensibilizar as mães que ainda não o fazem.

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

Promover o apoio multissectorial com o objectivo de informar a sociedade sobre a importância do aleitamento materno foi uma das missões da Semana Mundial da Amamentação, este ano subordinada ao tema: “Amamentar: Direito da Mulher no Trabalho”. De 1 a 7 de Agosto, vários técnicos de saúde realizaram actividades de sensibilização aos cidadãos, entre as quais, palestras nos hospitais municipais da província de Luanda, escolas, igrejas e mercados, abordando as vantagens do aleitamento materno e esclarecendo dúvidas. Foram ainda realizados concursos de fotografia de mães que amamentam os seus filhos a peito, de forma a despertar a atenção de outras recém mães que não cumprem este procedimento para que tenham em conta que o leite materno é o primeiro alimento para as crianças. A comemoração da Semana Mundial do Aleitamento Materno faz parte do reforço das actividades que o Gabinete Provincial de Saúde de Luanda tem vindo desenvolver em prol do aleitamento materno que se estendeu até ao final do mês de Agosto.

Ajudar as mulheres que não têm os seus direitos protegidos depois de adquirida a licença de parto e fortalecer a legislação nacional e a sua implementação envolvendo todos os parceiros directos no processo em defesa da mãe trabalhadora foi também um dos grandes motes da comemoração desta efeméride. Por outro lado, pretendeu dotar as mães de maior responsabilidade no que respeita à amamentação saudável.

 

Crescimento seguro e saudável

 

 “O leite materno fornece os melhores nutrientes possíveis para proteger a criança de doenças e para que cresça saudável e forte. Além de seguro, o aleitamento materno contém vitaminas, anticorpos, proteínas e defende o organismo das crianças da invasão de microrganismos, o que já não acontece com o leite artificial fornecido ao bebé através de biberão que dificilmente se mantém limpo devido ao permanente contacto com bactérias”, explicou Filomena Pinheiro da Oliveira, Chefe do Departamento do Programa de Saúde Infantil e Adolescente do Gabinete Provincial de Saúde de Luanda, no arranque da semana mundial. O leite materno visa a satisfação e o bem-estar das necessidades vitais das crianças, razão pela qual, no tempo quente e de maior calor, satisfaz naturalmente a sede das crianças pois contém percentagens de água na sua composição. “Antes dos seis meses, se forem dados outros líquidos à criança, a mesma mamará menos, o que pode influenciar no seu crescimento e desenvolvimento”, acrescentou a responsável. Todas as crianças que são amamentadas artificialmente podem aparentar “gozar de boa saúde” mas do ponto de vista médico “apresentar ou conter no seu organismo uma quantidade de gordura fora dos critérios regulamentados pela amamentação”, afirmou.

Existem mães que amamentam apenas nos primeiros dias de vida dos bebés e deixam de o fazer após a licença de maternidade alegando que não podem continuar a dar de mamar quando voltam a trabalhar optando pelo biberão. “A melhor forma de amamentar uma criança quando se trabalha é recorrendo à retirada do leite, através de buchas ou de frascos devidamente limpos e secos, conservando-o por um período máximo de seis horas”, explicou Filomena Pinheiro da Oliveira.

 

 

 

Voltar

 

 

 

ANTÓNIA DE SOUSA

"O Hospital Psiquiátrico Luanda tem uma atitude de compreensão e, ao mesmo tempo, de firmeza na assistência da pessoa com doença mental, suas famílias, cuidadores e  sociedade  em  geral"

Antónia de Sousa.

“A maior ajuda que os familiares podem dar à pessoa com doença mental é convencê-la a procurar um especialista”

 

 

 

Texto: Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

Fotos: Paulo dos Anjos

 

Os transtornos mentais mais frequentes no Hospital Psiquiátrico de Luanda servem de mote para a realização das próximas Jornadas Científicas de Saúde desta instituição. Abordar as questões relacionadas com patologias mais frequentes, no sentido de reduzir o sofrimento e o seu número, dotar os participantes com conhecimentos que visem a mudança de consciência para a necessidade da reinserção social e inclusão da pessoa com doença mental e implementar estratégias  para promover a saúde mental e o fortalecimento no atendimento  e nos cuidados são alguns dos objectivos do evento.

 

 

A saúde mental dos angolanos ainda não se encontra num nível aceitável. É sentida a estigmatização, a falta de inclusão da pessoa com doença mental na família e na sociedade. Esta realidade foi sublinhada por Antónia de Sousa, Directora do Hospital Psiquiátrico de Luanda, numa entrevista a propósito das III Jornadas Científicas que acontecerão a 2 de Outubro próximo. Segundo os dados estatísticos do hospital relativos ao primeiro semestre de 2015, foram diagnosticadas várias patologias do foro mental e comportamental. Cerca de 527 dos pacientes apresentaram este tipo de transtornos devido ao consumo excessivo de álcool e drogas, 512 casos foram seguidos devido a esquizofrenia e 427 pessoas apresentaram transtornos mentais orgânicos.

Os números falam por si mas acompanhados da “notável preocupação por parte de algumas famílias sobre esta questão”, assinalou a responsável. Estas doenças apresentam várias causas, desde factores genéticos e ambientais, familiares, sócio-económicos ao stress. “Temos como desafios a educação, a promoção da saúde mental e a intervenção comunitária contando com a ajuda da comunicação social”, alertou. Devido à maior consciencialização das famílias no sentido de acolherem os pacientes em residências de familiares e à maior preparação dos serviços de saúde, no ano de 2014, deu-se um avanço considerável. “Em 2014, foi feita a reinserção no meio sócio-familiar de cerca de 695 pacientes distribuídos por várias províncias do país”, referiu Antónia de Sousa. Por outro lado, actualmente, o número de pacientes internados passou de “400 para 150”. A Directora do hospital referiu que “na realidade, ainda é um debate diário o processo de reabilitação e recuperação, a falta de suporte social e inclusão da pessoa com doença mental, nas famílias e na sociedade, com incidência do agravamento da doença e na hospitalização sistemática”.

Antónia de Sousa adiantou que “o número de profissionais ainda não responde à demanda, mas este mesmo problema tem sido ultrapassado, porque em psiquiatria trabalha-se com uma equipa multidisciplinar, da qual fazem parte médicos, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos e outros”. A equipa multidisciplinar é fundamental para que se consiga atingir os maiores objectivos que garantem o bem-estar físico psíquico da pessoa com doença mental. Além da formação científica, qualquer profissional que trabalhe na área de saúde mental deve ter como requisito o amor ao próximo que se associa à humanização dos serviços de saúde, com níveis elevados de ética e deontologia profissional”. Todos os pacientes que padecem de qualquer doença mental devem ser vistos pelos técnicos como se tratassem de um familiar directo uma vez que são muitas vezes estigmatizados pela família e pela sociedade.

 

III Jornadas Científicas

 

Ajudar a reflectir sobre a saúde mental

Sob o lema “Hospital Psiquiátrico de Luanda Sempre Firme na Assistência da Pessoa com Doença Mental”, as III Jornadas Científicas têm como principais objectivos reflectir e promover a reinserção da pessoa com saúde mental na família e na sociedade e dar a conhecer aos presentes a importância do serviço de psiquiatria na saúde mental. Por outro lado, pretende-se capacitar os profissionais, como médicos de clínica geral ao nível de estratégias para promover a saúde mental e fortalecer o atendimento e os cuidados prestados aos pacientes.

As jornadas realizam-se dia 2 de Outubro e destinam-se a todos os profissionais de saúde, estudantes e todos os interessados mediante inscrição prévia. Os temas a abordar serão o alcoolismo, a abordagem psicológica no transtorno de ansiedade social, o uso de anti-depressivos no Hospital Psiquiátrico de Luanda, a assistência de enfermagem na pessoa com doença mental, a reinserção sociofamiliar, entre outros. É precedido por cursos sobre Oligofrenia, Psicoterapia: enfoque sexual e Transtorno de Aprendizagem na Criança e no Adolescente.

 

Como melhorar a saúde mental?

 

A Directora do Hospital Psiquiátrico de Luanda deixa alguns conselhos.

 

­— As pessoas devem aprender a respeitar o sofrimento alheio e a colocarem-se no lugar dos outros para valorizar a sua dor.

— Há que melhorar a comunicação nas famílias.

— Diminuir as críticas destrutivas apesar dos acontecimentos negativos que se vivem diariamente, como problemas afectivos, laborais, sociais e o aparecimento de doenças.

—  É importante convencer um familiar com sintomas de doença mental a procurar um especialista, tranquilizando-o quanto ao facto de que isso significa estar “doente” e que pedir ajuda quando se tem necessidade é um sinal positivo e não de fraqueza.

— Os doentes não devem ser classificados como “problemáticos ou loucos”. Precisam de ser compreendidos e jamais estigmatizados e classificados como desviantes da sociedade.

—  O doente jamais deve sofrer sozinho.

 

 

 

Voltar

 

 

 

Angola avança com investigação médica que poderá melhorar o diagnóstico precoce e salvar milhares de vidas

 

Magda Cunha  Viana

 

Estão a ser criadas em Angola “oportunidades praticamente únicas” de investigação, as quais poderão permitir uma identificação mais eficaz e precoce das causas de doenças com elevada incidência no país e que anualmente causam milhares de mortes.

 

n O aumento de investigação médica em áreas relacionadas com doenças de maior prevalência em Angola é necessário para poderem ser melhor entendidas as causas das patologias e, assim, serem inovadas ou melhoradas novas técnicas de prevenção ou tratamento.

A constatação desta necessidade levou seis médicos angolanos a apresentar, em Lisboa, projectos de investigação, que serão desenvolvidos em Angola, no âmbito de uma parceria entre a Fundação Eduardo dos Santos (FESA) e a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).

Durante dois meses, os bolseiros integrados na parceria FESA/FCG trabalharam em vários institutos portugueses de excelência.

 

Os projectos poderão lançar pistas para a identificação de outras patologias

«Este projeto é prova do fortalecimento das relações entre os nossos dois países e povos e as nossas instituições», afirmou João de Deus, Director-geral da Fundação Eduardo dos Santos (FESA).

A qualidade dos trabalhos desenvolvidos foi avaliada de uma forma muito positiva por parte dos dois orientadores dos estágios, António Manuel Mendes, investigador do Instituto de Medicina Molecular, e João Lavinha, especialista do Departamento de Genética Humana do Instituto Ricardo Jorge.

Este último, que colabora com Angola, desde 2007, no estudo da anemia falciforme, doença que, segundo a médica Cristina António, poderá atingir cerca de 20% da população angolana, afirmou que se estão a criar em Angola “oportunidades de investigação praticamente únicas”.

Técnicos do Instituto Ricardo Jorge têm-se deslocado, desde 2007, a Luanda e Caxito para fazer formação e contribuir para a transferência de tecnologia que permitirá a clínicos angolanos dar os primeiros passos em investigação, adiantou o especialista, sublinhando que os investigadores médicos estarão certamente melhor preparados para seguir os seus doentes do que um médico que só faz clínica.

António Manuel Mendes, responsável pela seleção dos candidatos, sublinhou que o programa FESA/Gulbenkian permite aos bolseiros familiarizarem-se com o ambiente de um laboratório de investigação de alto nível e, ao mesmo tempo, levá-los a levantarem questões de saúde pública e a procurarem, de forma metódica objetiva formas de diagnóstico e possibilidades de terapias.

«Neste sentido, penso que esta é uma oportunidade muito importante para a formação destes jovens futuros investigadores» que, por esta via, ganham as ferramentas que vão ajudar a determinar a sua carreira, acrescentou.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Anemia Falciforme

 

Cristina António, médica de Clínica Geral e monitora de Bioquímica e Genética da Faculdade de Medicina da Universidade de Katyavala Bwila, de Benguela, alertou para o elevado número de crianças que em Angola morre de drepanocitose (anemia falciforme), muitas das quais sem um diagnóstico.

Na proposta de projecto de investigação designado “Hemoglobinopatias na província de Benguela” Cristina António, que no âmbito da parceria FESA/Gulbenkian, estagiou no Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa, referiu que a sua proposta “trará benefícios para o sistema de saúde do país, por se tratar de um problema de saúde pública e uma doença crónica.

 Além de “aumentar a base de dados científicos sobre Angola, o projecto, pelas inquietações que irão surgir a partir dos resultados obtidos, vai evidenciar a necessidade de criar outros estudos e programas preventivos para a população em condições de pobreza extrema, que tem pouco ou difícil acesso à assistência médica”, disse

“Conhecendo a sua prevalência, fazendo o diagnóstico precoce, que levará a um tratamento atempado da doença, irá ajudar a diminuir a morbi-mortalidade infantil e contribuir para a criação de um programa de aconselhamento para casais de risco, fornecendo informações para que possam decidir se querem, ou não, ter filhos”, adiantou.

As hemoglobinopatias são doenças causadas por mutações ou distúrbios da hemoglobina humana (molécula que, quando normal, se junta aos glóbulos vermelhos e permite o transporte de oxigénio e nutrientes para todas as células do organismo desenvolverem as suas funções).

Em Angola são detectados anualmente nove mil novos casos de portadores de drepanocitose

A especialista referiu que todos os anos nascem, no mundo, mais de 300 mil crianças com anemia das células falciformes, das quais cerca de 75% nasce na África Subsaariana, onde mais de 50% morre antes de atingir os cinco anos de idade por infecção, ou anemia, e muitas vezes sem diagnóstico.

Não temos dados “reais” sobre a prevalência da drepanocitose em Angola mas existem estudos de uma pequena amostra da população de Luanda que revelam uma prevalência de 20% de drepanocitose, disse.

“Ainda existe um elevado número de crianças no nosso país que morre desta doença, muitas das quais sem diagnóstico, devido a problemas socioeconómicos”.

Cristina António pretende determinar a prevalência da drepanocitose especificamente na província de Benguela e investigar outras hemoglobinopatias que possam surgir (por exemplo por rastreio), utilizando algumas técnicas já existentes e usadas no laboratório do Centro de Apoio ao Doente Anémico, localizado no Hospital Pediátrico David Bernardino.

A especialista vai ainda caracterizar o efeito modulador da alfa Talassémia (também é uma hemoglobinopatia) em doentes drepanocíticos – casos específicos, visto que esta (alfa talassemia) é um dos factores benéficos no doente drepanocítico, pelo facto de melhorar o quadro clínico (diminuindo o número de crises drepanocíticas), e os parâmetros hematológicos e bioquímicos”, disse.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

O ferro na infecção da malária pelo Plasmodium

 

“Pela observação posso dizer que, em 10 crianças com malária, cerca de seis a sete têm anemia”, afirma o médico Lumami.O projecto apresentado por Kitenge Emanuel Lumami, licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade Katyaval Bwila, em Benguela, que estagiou no Instituto de Medicina Molecular de Lisboa, pretende identificar a incidência de anemia em crianças dos zero aos 14 anos com malária por Plasmodium falciparum, atendidas na pediatria do Hospital Geral de Benguela durante 6 meses.  Os resultados do estudo servirão para melhorar o serviço de saúde pública, tendo uma estimativa dos casos e a terapia utilizada, evitando o uso desnecessário dos anti anémicos.

As crianças com malária desenvolvem facilmente a anemia pela imunidade reduzida e a fisiopatologia da doença. Durante a fase sanguínea, o Plasmodium falciparum, em forma de esquizonte, rompe os eritrócitos causando a anemia hemolítica.  Muitas vezes a anemia nesta faixa etária complica o quadro clínico, levando ao falecimento da criança.

A classe médica pretende evitar o uso desnecessário dos anti anémicos (com suplementos de ferro) por haver evidência, em alguns estudos científicos, de que o ferro em excesso favorece a expressão clínica da malária em algumas áreas endémicas.

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Malária Cerebral em crianças –tratamento com artesunato ou quinino

 

O “Estudo comparativo das sequelas neurocognitivas em crianças com malária cerebral tratadas com artesunato ou quinino" foi proposto por António Capitão, residente na especialidade de Medicina Interna no Hospital Geral de Benguela. “O objectivo é avaliar os efeitos de regimes terapêuticos anti maláricos no desenvolvimento de défices neurocognitivos e comportamentais em modelos animais e em crianças com Malária Cerebral (MC). Para o efeito serão analisados três grupos de crianças em idade escolar, residentes em Benguela

Um grupo de crianças com MC que foi tratado em internamento hospitalar com artesunato, um segundo grupo de crianças tratadas com quinino, e um terceiro grupo (controlo) de crianças sem história de MC.  As crianças com MC serão avaliadas por testes neurocognitivos no dia da alta hospitalar e novamente passado um mês.  O grupo de controlo será avaliado ao mesmo tempo que os grupos que receberam tratamento, com a realização de duas avaliações, num intervalo de um mês. De acordo com a literatura internacional e a Organização Mundial de Saúde (OMS), a MC é uma das complicações mais letais de malária por Plasmodium falciparum, afectando sobretudo crianças, sendo responsável por uma elevada taxa de mortes relacionadas com malária em África.

Em 2013, estima-se que a malária terá morto 528 mil pessoas, segundo um relatório de 2014, da Organização Mundial de Saúde. A MC é uma causa importante de sequelas neurológicas, especificamente sensoriais, motoras, bem como de défices cognitivos e alterações comportamentais.

Assim, regista-se um défice auditivo e do processamento e velocidade motora da mão dominante, espasticidade, afasia motora, cegueira e epilepsia.  O défice cognitivo inclui alterações severas, tais como a perda da memória visual, da abstração perceptual e da capacidade de aprendizagem.

As alterações comportamentais incluem hiperactividade, impulsividade e défice de atenção, bem como comportamentos agressivos, frequentemente autodestrutivos. Os efeitos colaterais das terapêuticas anti maláricas são conhecidos: o quinino tem efeitos hipoglicemiantes e o artesunato efeitos anti-inflamatórios.   No entanto, é escassa a informação disponível sobre os efeitos das diferentes terapêuticas anti maláricas no défice cognitivo duradouro em crianças com MC. O projecto pretende contribuir para a melhoria dos diferentes regimes terapêuticos estabelecidos para o tratamento da malária cerebral e a prevenção das graves sequelas neuro cognitivas em crianças angolanas.

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Perfuração intestinal por salmonela entérica

 

“Os factores de risco de perfuração intestinal por salmonela entérica na população hospitalar de Benguela” foi a proposta de projecto de António Ramalho Lopes, médico licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade Katyavala Bwila, com estágio ao abrigo do FESA/Gulbenkian no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa.

O objectivo geral do projecto é avaliar factores de risco de perfuração intestinal por salmonela entérica serotipo tiphy.

Os objectivos específicos passam por comparar métodos de diagnóstico para a febre tifoide (reacção de Widal, cultura e proteína C reactiva), determinar níveis de resistência da bactéria aos antibióticos utilizados na primeira linha para o tratamento da doença e, finalmente, determinar a prevalência de pacientes diagnosticados com febre tifoide no Hospital Geral de Benguela (HGB) no período de Janeiro a Dezembro de 2016.

António Lopes avaliará um determinado número de pacientes, independentemente da idade, sexo ou raça, com sinais e sintomas sugestivos de uma febre entérica, sem tratamento antibiótico nos últimos 7 dias.

O tamanho da amostra será calculado com base nos dados de prevalência do ano anterior naquela unidade hospitalar.

O especialista pretende identificar os factores de risco presentes na população de Benguela que justifiquem o elevado número de casos de febre tifoide com perfuração intestinal.

António Lopes sublinhou a importância da utilização de  meios de diagnóstico seguros para poderem ser detectados níveis de resistência da bactéria aos antibióticos mais utilizados na prática clínica, evitando assim o fracasso no tratamento médico e consequentes complicações, como por exemplo a perfuração intestinal.

“Este projecto tem todo o interesse para a população angolana, pois a febre tifoide é uma das principais causas de morte do país, principalmente devido às complicações como a perfuração intestinal, que requer uma intervenção cirúrgica de urgência.

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Hipertensão arterial na população adulta

 

“Caracterização do seguimento clínico da população adulta hipertensa encaminhada na consulta de cardiologia em Angola”, projecto inserido no Estudo dos factores de risco cardiovascular numa população adulta de Angola, do Centro de Investigação em Saúde de Angola, foi a proposta de Justino Caquarta, licenciado em Enfermagem Geral no Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA) da Universidade Agostinho Neto em 2012.

 Os resultados do projecto servirão para traçar as principais estratégias na luta contra as doenças cardiovasculares.

“O projeto tem como objetivo principal caracterizar a adesão ao seguimento clínico da população adulta reencaminhada na consulta de cardiologia nas províncias de Luanda e Bengo, disse o investigador que estagiou no Instituto de Saúde Pública, da Universidade do Porto.

O objetivo final do projecto é identificar as oportunidades para uma melhor prevenção, manutenção e promoção de estilos de vida saudável para doenças cardiovasculares, em particular a hipertensão arterial.

Os casos clínicos específicos a serem estudados serão efectuados no serviço de cardiologia nos Hospitais de Luanda e Bengo.

Neste projeto pretende-se estudar doentes encaminhados para consulta de cardiologia com pressão arterial elevada, doentes a tomar medicação anti-hipertensiva, doentes com valores elevados de glicemia, isto é, mais de 126 mg/dl em jejum ou mais de 180 mg/dl se não estiverem em jejum, colesterol total acima de 200 mg/dl ou triglicéridos acima de 150 mg/dl e com alterações no ECG.

Pessoas com estas características são seguidas ao longo de 10 anos, com follow-up a cada dois anos.

O projeto pretende ser o início do primeiro estudo de coorte prospectivo em Angola de doentes seguidos em consultas de cardiologia. A coorte será recrutada nos Hospitais Américo Boavida, Josina Machel, Clínica Girassol, Clínica Multiperfil e no Hospital Geral do Bengo, entre Janeiro e Junho de 2016.

Com os resultados do presente estudo poderão criar-se estratégias para aumentar ou incentivar a maior participação dos doentes no seguimento clínico da patologia em questão, através do controlo da hipertensão na comunidade, o aumento do nível de conhecimento dos portadores da doença e suas complicações, assim como melhorar a relação profissional saúde-paciente.

 Estudos de base populacional para investigar a adesão e os fatores associados ao tratamento da hipertensão arterial em Angola são escassos.

Angola carece de dados sobre vigilância nacional em saúde, nomeadamente ao nível das doenças cardiovasculares, sendo por isso relevante a realização de estudos sobre hipertensão arterial, a sua evolução e o tratamento ao longo do tempo.

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Estudo do implante osteointegrado

 

Eduarda de Sá da Costa Freire, licenciada em Odontologia pela Universidade Privada de Angola (UPRA), escolheu estagiar na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto por querer aprofundar o “Estudo do controle do implante osteointegrado numa população adulta angolana”.

“Pacientes endentados parcial, ou totalmente, necessitam de enxerto ósseo para reabilitação protética fixa com sucesso”, disse.

Tendo em conta que este procedimento afecta um grande número de doentes da cidade de Luanda, este estudo torna-se importante.

De acordo com Eduarda Freire o objectivo geral “é avaliar o controlo clínico do implante osteointegrado numa população adulta angolana. O objectivo específico é estudar os factores que envolvem a oste integração do implante e a característica da cicatrização”.

Uma semana após a colocação do implante será efectuada a avaliação clínica com remoção de sutura, fotografia padronizada da ferida cirúrgica e radiografia panorâmica. Três meses depois será feita uma avaliação clínica e cirurgia de colocação do parafuso de cicatrização do sítio cirúrgico e radiografia panorâmica.

Uma semana após a segunda cirurgia (colocação do parafuso de cicatrização) será analisada a cicatrização.

Seis meses depois será feita uma avaliação clínica e aplicação das coroas metalocerâmicas,

Ao cabo de 12 meses realizar-se-á a consulta de controlo.

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

“É fundamental que todos, as diversas

organizações do saber em oncologia,

as sociedades científicas, as

universidades, as várias Ordens

profissionais, os colégios de

especialidade, os organismos de

decisão do Estado, agreguem esforços

para que o ensino de oncologia seja

obrigatório, transversal, permitindo a

aquisição de competências e

possibilite a formação das equipes

multidisciplinares”

Ensino de oncologia: o momento é de mudança.

Formar a equipe multidisciplinar

 

Lúcio Lara Santos Professor Doutor, oncologista cirúrgico e assessor do IACC ONCOCIR-Angola

 

O envelhecimento da população está associado a um aumento das doenças crónicas, entre as quais as doenças oncológicas. Estas são hoje a primeira causa de morte nos países desenvolvidos, mas estão em crescendo nos países em desenvolvimento, e já têm um lugar de relevo no panorama nosológico nacional. Quando o diagnóstico é tardio os custos humanos e económicos para o seu tratamento são relevantes.

Um conhecimento sólido sobre os vários aspectos da oncologia é hoje essencial. O diagnóstico e a determinação do estádio da doença oncológica são aspectos basilares, neste domínio. Assim, não só a perícia clínica, como os exames auxiliares de diagnóstico, imagiológicos, laboratoriais, entre outros, são a base para que, de forma correcta, se defina o plano de cuidados.

Conhecer as opções terapêuticas existentes, os seus riscos e benefícios, os custos, os resultados obtidos na prática clínica do centro em que se trabalha são saberes fundamentais para uma decisão clínica adequada e segura.

É fundamental garantir a qualidade dos cuidados prestados nesta área da medicina. A qualidade dos cuidados médicos é tradicionalmente medida com base na sobrevivência global. Em oncologia é também importante conhecer a sobrevivência livre de recidiva. A morbilidade e a mortalidade medem os resultados de um tratamento.

Para que haja qualidade nos cuidados, não devemos ignorar que estes devem ser centrados no doente, seguros, efectivos, realizados em tempo útil, eficientes e equitativos.

A percepção do doente em relação aos cuidados prestados e a sua opinião sobre todo o processo, definindo o que é por ele consentido, constitui outro aspecto crucial. Para a tomada desta decisão, o doente e os familiares necessitam de informação adequada.

Todo este conhecimento não deve ser apreendido apenas com a experiência profissional adquirida durante a prática clínica, pois esta pode ser muito diversa, não é sistematizada e pode não ser reprodutível. Pelo contrário, a aquisição destas competências deve resultar de um ensino organizado, actualizado e avaliado. A unidade curricular  - Oncologia.

 

Equipe multidisciplinar

 

A equipe multidisciplinar é a forma mais fácil e inteligente para que ocorra a maximização do saber, a garantia de qualidade nos cuidados e para que os resultados obtidos sejam os melhores. Esta equipe envolve médicos de várias especialidades, mas também outros grupos profissionais, entre os quais médicos dentistas, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos, físicos, fisioterapeutas, terapeutas da fala, técnicos de radiologia, entre outros. Estes quadros são formados nas escolas de saúde, tanto estatais como privadas.

O ensino de Oncologia, na maioria destes cursos, não ocorre de forma organizada. É muitas vezes esporádica, dispersa, e não visa o ganho de competências e a integração da equipe multidisciplinar. O ensino das especialidades médicas visa muitas vezes as competências específicas, mas a formação em oncologia não é sistematizada.

Estes factos são barreiras reais pois criam dificuldades de comunicação, de cooperação e de referenciação.

Temos que intervir! Há muito a fazer! É nosso dever ajudar a formar quadros. É fundamental que todos, as diversas organizações do saber em oncologia – sociedades científicas, as universidades, as várias Ordens profissionais, os colégios de especialidade, os organismos de decisão do Estado – agreguem esforços para que o ensino de oncologia seja obrigatório, transversal, permitindo a aquisição de competências e possibilite a formação das equipes multidisciplinares.

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

JOÃO DE BARROS

"O reforço da parceria com o Ministério da Saúde, e respectivas autoridades regulamentares, constituem as principais prioridades do Grupo"

África Pharmacy.

Shalina prevê instalar uma fábrica de medicamentos em Angola

 

Francisco Cosme dos Santos com Rui Moreira de Sá

 

A Shalina Healthcare perspectiva abrir uma fábrica de medicamentos e um novo centro de distribuição em Luanda “num futuro não muito distante”, segundo revelou ao JS o director-geral da África Pharmacy, João de Barros, empresa que representa, em exclusivo, esta marca no país.

n De acordo com este responsável “as prioridades do grupo consistem no reforço da parceria com o Ministério da Saúde e as respectivas autoridades regulamentares – Direcção Nacional de Medicamentos e Equipamentos e Inspecção Geral da Saúde –, com a Polícia Económica e o INADEC, em garantir a acessibilidade de medicamentos da maior qualidade e ao melhor preço à população – para, seguindo a estratégia do Ministério da Saúde, proporcionar mais e uma melhor saúde em Angola – e em ajudar, no que estiver ao nosso alcance, no combate à contrafacção de medicamentos, como aliás temos vindo a fazer em Angola e na China onde criminalmente actuámos contra cinco fabricantes, e seus proprietários, que faziam contrafacção dos nossos produtos e de outras multinacionais europeias”.

Há mais de 30 anos em África e há 14 em Angola, a Shalina oferece uma ampla gama de fármacos que “visam suprir as necessidades de tratamento de diversas patologias agudas e crónicas presentes no continente, estando presente em nove países, designadamente na Nigéria, República Centro Africana, Quénia, Camarões, Gabão, Congo Brazaville, República Democrática do Congo, e Zâmbia, para além de Angola, é claro”. No país, opera directamente nas províncias do Uíge, Malange, Lunda Sul, Huambo, Benguela, Huíla e Luanda, “estando em contínua expansão”, refere.

A África Pharmacy disponibiliza medicamentos em diversas categorias terapêuticas, desde os anti-infecciosos, anti-bacterianos, anti-fúngicos, anti-parasitários, anti-helmíticos, anti-maláricos e anti-alérgicos, até a fármacos para o sistema nervoso central, aparelho cardiovascular, geniturinário, locomotor, digestivo, dermatologia e outros usados em afecções otorrinolaringológicas, oculares, hormonais e ainda para o tratamento de doenças endócrinas, enfim, uma panóplia de produtos médicos e hospitalares diversos. Entre estes, os antibióticos, anti-bacterianos, anti-parasitários, anti-helmíticos, anti-maláricos, produtos de nutrição, para o sistema nervoso central, antipiréticos, produtos cirúrgicos e soluções hospitalares, são os que têm tido mais procura. “Nestas e em outras categorias, somos um dos principais fornecedores das unidades hospitalares do país”, assegurou.

 

Concorrência desleal e preços altos

 

Para o director-geral da Shalina, “no mercado farmacêutico constata-se muita concorrência desleal pelo facto de existirem vários operadores que não têm nenhum alinhamento com os requisitos regulamentares do Ministério da Saúde, infringirem as boas práticas de armazenagem e distribuição dos medicamentos e copiarem os produtos da Shalina, optando assim muitas vezes pela infracção ao nível da imagem, de patentes e pela contrafacção. Como parceiros do sector, sempre que constatamos estas situações, denunciamos os infractores às autoridades. A exemplo disso, estão na Procuradoria-Geral da República três processos contra três empresas que infringiram a imagem, patentes e que copiaram alguns dos nossos produtos em Angola”.

Os medicamentos em Angola “são caros porque, na cadeia de valor, desde a produção até à chegada ao paciente, há vários intermediários. Cada um destes adiciona a sua margem de lucro sobre o preço a que adquiriu o produto. E não há ainda, no país, a imposição legal de um tecto máximo. Para nossa satisfação, as autoridades regulamentares do Ministério da Saúde já iniciaram este processo. A agravar, acrescem as variações verificadas na taxa de câmbio, os direitos alfandegários, as crescentes dificuldades na transferência de verbas para a importação de produtos estratégicos, não esquecendo os atrasos de pagamento aos fornecedores, por parte de algumas entidades públicas”, sustenta.

João de Barros apela ao reforço das políticas do Ministério da Saúde que regulam a distribuição de medicamentos e os seus preços, à firmeza no combate à contrafacção, na regulamentação das empresas que operam em Angola e a facilitação das transferências monetárias para o exterior para importação dos produtos. “Com estas medidas, os angolanos poderão aceder com maior facilidade a medicamentos mais baratos”.

A África Pharmacy emprega 180 trabalhadores em Angola. Tem com missão “garantir produtos de qualidade a preços acessíveis disponíveis para as populações, num modelo de proximidade”, conclui.

 

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

A qualidade dos medicamentos da Shalina

 

De acordo com João de Barros, “os produtos da Shalina, produzidos na China e Índia, são extremamente seguros e eficazes para o tratamento das doenças mais comuns. E temos oferta disponível”.

Segundo o director-geral “as nossas instalações fabris regem-se pelas normas das boas práticas de fabricação da OMS - Organização Mundial de Saúde. O nosso sistema de gestão de qualidade foi certificado segundo a norma NS: EN ISO 9001:2008, bem como por autoridades reguladoras do sector farmacêutico de diversos países, como o Quénia (PPB), a Nigéria (NAFDAC), o Gana (FDS) e a República Democrática do Congo (MOH)”, disse.

“Como é mundialmente sabido, a Índia tem qualidade ao nível dos quadros técnicos e da tecnologia diferenciada no sector farmacêutico, razão pela qual a maioria das multinacionais neste sector, quer europeias, quer norte-americanas, adquirem os seus princípios activos e detêm unidades fabris, ou subcontratam a fabricação dos seus fármacos, na Índia e, mais recentemente, na China.

“Controlamos toda a cadeia de valor, desde a selecção e aquisição dos princípios activos, passando pela fabricação, até à fase da distribuição, o que nos permite garantir uma melhor qualidade e preços mais competitivos nos países em que estamos presentes, entre os quais Angola”.

Os nossos produtos são testados em laboratórios internacionais independentes na Índia, China, em Inglaterra (Sellect) e em Portugal (LEF).

Esta realidade é reconhecida e mereceu a confiança das autoridades do País. “Entre as mais de duas centenas de empresas de distribuição de medicamentos que operam no mercado, a Direcção Nacional dos Medicamentos e Equipamentos (DNME) que no processo de registo de Laboratórios Farmacêuticos a operar em Angola, identificou 17 laboratórios farmacêuticos que está a qualificar, entre as quais a África Pharmacy – Shalina Healthcare, com autorização para desempenharem suas actividades comerciais nesta no país”.

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Aproximação dos serviços de saúde às populações reduz taxa de mortalidade materno-infantil em Seles

 

Casimiro José

Correspondente no Cuanza Sul

Texto e fotografias

 

Através da implementação do Programa de Cuidados Primários de Saúde, o município do Seles tem conseguido melhorar as condições de assistência aos cidadãos. Existem, no entanto, desafios pela frente que se prendem com a falta de médicos e técnicos de saúde, a falta de saneamento básico e ambiental bem como a negligência de familiares de doentes que procuram assistência médica tardiamente, ou seja, em estado já muito crítico.

 

A aproximação dos serviços de saúde às populações no município do Seles, província do Cuanza Sul, está a contribuir no melhoramento da assistência médico-medicamentosa às populações,  com impacto imediato a redução da mortalidade materno-infantil, e da diminuição de doenças que assolavam os cidadãos.

O facto foi anunciado ao Jornal da Saúde pelo chefe de Repartição Municipal da Saúde do município do Seles, Genito Segunda Micheiro, que realçou os ganhos alcançados desde o início da implementação do Programa dos Cuidados Primários de Saúde ao nível do município, com destaque para a construção de unidades sanitárias e do seu apetrecho no meio rural, a aquisição de equipamentos, bem como o recrutamento de pessoal técnico para fazer face às exigências. O responsável afirmou na ocasião que “a municipalização dos serviços de saúde é uma paixão, porque traduz a lei do poder local”, tendo manifestado o optimismo quanto ao alcance dos indicadores quantitativos e qualitativos na componente da assistência humanizada nas comunidades.

Genito Segunda Micheiro adiantou ainda que o êxito alcançado deve-se também às campanhas de sensibilização em larga escala sobre as componentes de promoção da saúde e prevenção de doenças nas comunidades. Outro ganho apontado prende-se com “a superação permanente dos técnicos de saúde, com recurso aos cursos de promoção para o escalão médio na Escola de Formação Técnica da província”.

Porém, manifestou preocupação sobre o reduzido número de enfermeiros que está a condicionar no atendimento face à procura dos serviços pelos cidadãos. Considerou ainda que a situação transcende as autoridades do município, passando sobretudo pelos concursos públicos.

 

— Como está a situação sanitária no município do Seles?

—  Em primeiro lugar, devo dizer que a situação sanitária do município do Seles não foge à regra da conjuntura social da província e do país em geral mas está provado e os indicadores mostram que a implementação do Programa Municipal dos Cuidados Primários de Saúde tem permitido vários os ganhos, desde a massificação do acesso à assistência médico-medicamentosa das populações, até à qualidade dos serviços prestados. É, sem sombra para dúvidas, a “varinha” mágica do sucesso que temos registado nos últimos anos.

Devo realçar também que a situação sanitária do município do Seles atingiu altos patamares, e conta com muitas infraestruturas de saúde e uma gama de serviços, prestes a atingir o nível da prestação das grandes unidades sanitárias da província do Cuanza Sul.

É verdade que ainda temos grandes desafios pela frente, para podermos atingir os objectivos, que se relacionam com a aproximação dos serviços de assistência e humanização dos serviços da saúde nas comunidades.

Quanto às infraestruturas e ao corpo clínico, temos orgulho de informar que o município do Seles possui uma rede sanitária composta por um hospital municipal, um centro de saúde materno-infantil e 23 postos de saúde. O sector privado está também presente ao nível da saúde com duas clínicas e um centro  médico, com uma gama de serviços para satisfazer as necessidades dos pacientes.

Quanto aos recursos humanos, a situação clama por um incremento de mais médicos, técnicos de diagnóstico e terapêuticos e enfermeiros de vários escalões, bem como de pessoal auxiliar. No activo, contamos com sete médicos, dos quais três nacionais, sete técnicos de diagnóstico e terapêutica e  78 enfermeiros. Contamos também com 26 efectivos de apoio hospitalar e 13 administrativos.

O Hospital Municipal do Seles presta serviços de Medicina Geral, Pediatria, Maternidade, Banco de Urgência, farmácia, laboratório de análises clínicas e testagem voluntária de VIH/Sida,  RX, Cirurgia, Ecografia, Imagiologia e Bloco Operatório.

— Quais os resultados alcançados com a expansão da rede sanitária no Município da Conda?

— Temos indicadores que nos permitem afirmar que a extensão da rede sanitária em quase todas as localidades do município permite responder às necessidades das comunidades. Com a implementação do programa dos Cuidados Primários de Saúde no nosso município, a taxa de mortalidade materno-infantil baixou de 17 casos para apenas dois, sendo estes por chegada tardia ao hospital municipal. Outro factor que julgamos ter concorrido para o êxito é o melhoramento do abastecimento de água potável nas comunidades rurais, porque só falta construirmos o novo sistema de captação e distribuição de água potável na sede do município, que é um projecto que vai ser executado pela Direcção Nacional de Água e Saneamento do Ministério de Energia e Águas num futuro breve.

Outro motivo que nos orgulha é a participação massiva dos cidadãos aos programas de sensibilização sobre os cuidados primários de saúde, adesão às campanhas de vacinação e a preocupação sobre o tratamento da água para consumo e do uso de mosquiteiros impregnados.

Em termos de construção das infraestruturas, tenho de sublinhar que temos hoje postos de saúde em condições a funcionar nos locais de maior concentração populacional e, em alguns casos, estes postos de saúde são os primeiros desde o alcance da independência do país.

—  E quanto à formação de quadros, qual é o balanço que faz?

­— Neste capítulo, estamos a caminhar bem porque continuamos a encaminhar os técnicos para a sua formação na escola de técnica de formação média do Sumbe. Devo dizer que 17 técnicos de saúde terminaram com aproveitamento a sua formação média e outros 12 estão em formação na mesma entidade mas tenho também a destacar que os 45 técnicos resultantes do Memorando de Entendimento do Lwena foram requalificados para auxiliares de saúde, o que consideramos um ganho acrescentado para elevar a assistência sanitária no município do Seles.

— Podemos então concluir que tudo está bem no Município do Seles?

— Não, porque os desafios para uma assistência humanizada são ainda maiores, o que passa pelo recrutamento de mais enfermeiros e a colocação de médicos de especialidades nos centros de saúde. Aliado a isso, está o problema de saneamento básico e ambiental para conter o surgimento de várias patologias nas comunidades. Em suma, é um desafio permanente.

Por outro lado, temos outros condicionalismos que dificultam as nossas tarefas de salvar vidas e estou a referir-me ao estado de degradação de algumas vias confrontamo-nos com casos de evacuações das localidades longínquas para o hospital municipal, onde temos de sacrificar as ambulâncias pelo mau estado das estradas.

Outras situações também decorrem da negligência de familiares que levam seus familiares às unidades sanitárias já em estado crítico.

Por outro lado, deparamo-nos com défice de pessoal para responder aos desafios presentes e futuros. Necessitamos então, neste momento, de 13 médicos de médicos de clínica geral, cirurgia, ortopedia, pediatria, ginecologia e obstetrícia e 61 auxiliares de enfermagem, 39 técnicos de enfermagem, 14 técnicos de diagnóstico e terapêutica, 11 licenciados em enfermagem e 48 auxiliares de limpeza.

—  Quais os desafios para os próximos  tempos?

— Temos equacionado um leque de actividades que consiste na elevação dos níveis de prestação de serviços nas comunidades, das quais destacamos a revitalização do sector da saúde pública no município, continuidade das tarefas de promoção da saúde e prevenção de doenças, a busca activa de casos nas comunidades e a oferta do pacote essencial às crianças e mães das comunidades. No domínio dos recursos humanos, vamos prestar maior atenção à capacitação  e ao treinamento dos técnicos, enquanto que no domínio assistencial, vamos continuar a advogar junto do ministério de tutela no sentido de flexibilizar o processo de concurso público para ingresso de mais quadros para o sector.

 

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Administração Municipal do Seles vai continuar a trabalhar para melhorar o sector da saúde

 

O administrador do município do Seles, João Daniel Nunes, disse ao Jornal da Saúde que o sector da saúde teve um grande impulso, fruto das acções que incidiram na construção de infraestruturas sanitárias nos centros de maior concentração populacional, como nas comunas, povoações e bairros.

João Daniel Nunes garantiu ao Jornal da Saúde que para o ano de 2015 vão ser executadas acções que proporcionem a melhoria de assistência  médico-medicamentosa nas comunidades.

Por outro lado, considerou a necessidade da criação de condições habitacionais para acomodar os médicos, o que pode facilitar a sua contratação para prestar serviços no município. “Temos um número reduzido de médicos e outros especialistas no nosso município e estamos a trabalhar para invertermos o actual quadro”, disse.

 

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Municípios do Cuanza Norte recebem peça teatral.

Combate ao VIH / Sida mobiliza a sociedade angolana

 

Diniz Simão

Correspondente no Cuanza norte

 

Prevenir a pandemia da sida e informar devidamente a população de forma a desmistificar alguns tabus são formas de lutar contra a doença mais eficazes e menos onerosas do que a compra de antirretrovirais para tratamento da doença. Promover a informação adequada e prevenir comportamentos de risco é uma das formas de atingir a meta de ter zero infecções e mortes por VIH / Sida até 2017.

 

“Omala Veto Veya” é um grupo teatral da província do Bié, criado em 2003, com o propósito de contribuir para a divulgação, educação, informação e sensibilização da população sobre as doenças sexualmente transmissíveis bem como para o desarmamento da população civil. Durante o mês de Julho, o grupo realizou uma digressão pelos dez municípios do Cuanza Norte, onde exibiu peças teatrais do seu reportório, enquadrada na campanha de sensibilização e educação sobre o VIH/Sida que a companhia leva a cabo na província.

As exibições foram gratuitas e visaram aliar a educação do público com o propósito de consciencializar a população para a necessidade da luta contra a pandemia do VIH/Sida.

Uma das peças que se intitulou "Zero é a nossa meta", segundo Dino Kibato, teatrólogo e director do grupo teatral, foi um apelo à população no sentido de acabar com a discriminação dos seropositivos e evitar a associar imediatamente a morte com a seropositividade do individuo bem como uma exortação da juventude no sentido de continuar a lutar contra os estigmas e a torná-la livre do VIH/Sida.

O grupo tem realizado varias actividades de índole educativa e cultural, destacando-se a exibição de peças teatrais comunitárias nos mercados, escolas, hospitais, unidades militares e policiais.

 

Reforço da prevenção

 

 “Para além dos esforços de foro médico, como a compra de fármacos antirretrovirais, seria mais eficaz e menos oneroso se se trabalhasse mais na prevenção da doença”, reforçou o responsável. Combater a desinformação que origina os comportamentos de risco, bem como a promoção de campanhas nas comunidades constitui um dos grandes objectivos do grupo. “A sociedade continua a mobilizar-se em prol do combate à sida” destaca Dino Kibato que defendeu o reforço das acções de luta contra a sida, com vista a tornar mais eficaz o combate a esta pandemia.

Dino Kibato sugeriu a criação de mais grupos de activistas contra o VIH/Sida com o propósito de elevar o nível de informação e conhecimentos sobre esta doença no seio das populações.

Segundo o teatrólogo, a escassez de informação por parte das populações sobre a doença, associada à falta de activistas que abordem permanentemente o assunto, assim como os tabus que ainda existem na abordagem do VIH/Sida promovem a discriminação e o estigma contra os seropositivos.

“Estes factos demonstram a necessidade de mais engajamento na luta contra a pandemia”, sublinhou o director do grupo teatral, acrescentando  que esta realidade constitui um obstáculo para a concretização dos objectivos do milénio sobre o VIH/Sida que preconiza “zero novas infecções, zero mortes por Sida e zero discriminação até 2017”.

“O coordenador da luta contra o Sida no país é o Presidente da República, o que pressupõe que nas províncias sejam os governadores e administradores a incentivar as autoridades sanitárias e demais grupos sociais a trabalharem para o combate da doença”, esclareceu.

 

Aumentar a informação

 

Dino Kibato alertou para a quebra de sigilo dos  técnicos de saúde que leva a divulgação do estado serológico das pessoas portadoras da doença como outro problema que impede a adesão à testagem voluntária, inviabilizando, deste modo, as acções tendentes ao controlo da doença. “Recebemos queixas de jovens que afirmaram não existir sigilo por parte dos técnicos pois estes divulgam os resultados. Esse é um outro obstáculo e constitui matéria de crime à luz do ordenamento jurídico angolano”, advertiu.

O activista desmistificou a sida, dizendo que apesar de ainda não ser conhecida cura é uma doença controlável, e uma das melhores formas de a conter é elevar a informação sobre a mesma  no seio das populações. "A informação é a melhor forma de combater o VIH, e se não existirem activistas que abordem permanentemente este assunto, dificilmente a doença será controlada", alertou, justificando que se gasta menos apoiando um número de pelo menos 30 activistas, por município, do que comprar antirretrovirais para tratar os doentes.

Dino Kibato defendeu ainda a criação de “caixas fortes” nos principais pontos das cidades e vilas, tal como acontece em algumas regiões do país, onde os jovens possam ter acesso a preservativos sem precisarem de ir às unidades sanitárias.

 

 

 

 

Voltar

 

 

 

Direito à amamentação

 

A amamentação no local de trabalho foi tema de uma palestra realizada em Ndalatando, marcando assim  a abertura das actividades da Semana Mundial do Aleitamento Materno, na província do Cuanza Norte,  entre 1 e 8 de Agosto. Durante a semana,  tiveram lugar palestras e debates radiofónicos sobre o aleitamento materno, entre outras acções.

A palestra dirigida a empreendedores, funcionários públicos, gestores de empresas e estudantes visou chamar a atenção da sociedade sobre a violação do direito das  mulheres em  amamentarem os seus bebés, enquanto estiverem nos seus trabalhos.

Promovida pela Direcção Provincial da Saúde, a acção serviu igualmente para consciencializar os empregadores, sobretudo do género feminino, para a observância desse princípio legalmente estabelecido.

No final da palestra, a supervisora provincial de Saúde Infantil, Domingas João Bento, referiu que o encontro serviu para chamar à razão de alguns empregadores que violam sistematicamente os direitos das mulheres, enquanto trabalhadoras, sobretudo o que no que diz respeito ao aleitamento do bebé, condição indispensável para o seu crescimento saudável. “As mulheres da província têm constatado que certos empregadores não dispensam os 30 minutos diários que as mulheres têm por direito para amamentar os seus filhos, sublinhando que uma criança que não é devidamente aleitada durante a infância, não possui o desenvolvimento completo, podendo apresentar sinais de desnutrição e desinteligência. Amamentar é a primeira e mais importante acção para o desenvolvimento saudável da criança, fortalecendo também o vínculo fundamental entre a mãe e o bebé”, afirmou na ocasião.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os bebés recebam exclusivamente leite materno durante os primeiros seis meses de idade devendo depois a criança começar a receber alimentação complementar segura em simultâneo com a amamentação até aos dois anos ou mais.

 

 

 

Voltar

 

 

 

O livro “Angola Meu Amor” é o reconhecimento da BP  às 18 províncias e a todo o seu povo

 

Para assinalar os 20 anos de presença no país, a BP Angola convidou dezoito personalidades, das dezoito províncias, para descreverem qual

o significado que a província onde nasceram tem para cada um deles. Os seus testemunhos, ilustrados por fotografias exclusivas,

oferecem uma visão que capta a verdadeira essência de Angola: a flor de África.

Foi num momento de comoção e partilha de testemunhos que o livro “Angola Meu Amor” foi apresentado, em Agosto, nas Torres

do Carmo, as novas instalações da BP em Luanda. Marcaram presença alguns dos ilustres entrevistados que, com a sua sabedoria

e larga experiência, voltaram a destacar a importância que cada província tem, no contexto da unidade nacional, e, sobretudo, defender

a cultura e as belezas naturais que cada uma apresenta e que pode ser apreciada neste livro.  Reproduzimos a seguir alguns extractos.

 

 

 

Voltar

 

 

 

Bernarda Neves,

105 anos, assegura que a sua boa forma física é resultante dos bons hábitos alimentares cultivados no passado. No Cuanza Norte, onde passou a maior parte da sua vida, toda a sua alimentação baseava-se simplesmente nos produtos do campo, da pastorícia, peixes dos rios da aldeia e animais de caça

Bernarda Neves completou 105 anos de idade

Os sábios ensinamentos de uma anciã do século XXI

 

Entrevista: Francisco Cosme dos Santos

Edição: Madalena Moreira de Sá

Fotografia: Jorge Vieira

 

Bernarda nasceu num tempo em que ainda havia reis e rainhas em Portugal, a abolição oficial da escravatura em Angola era recente, os cuanhamas no baixo Cunene faziam frente ao poder colonial e a população não chegava aos três milhões. Corria o ano de 1910, quando, na modesta comuna de Hady Ya Kiluanje, município de Lucala, no Cuanza Norte, a 16 de Agosto, Bernarda Salvador Manuel Neves viu a luz do dia. Este mês, rodeada dos seus filhos, 24 netos e 10 bisnetos, comemorou 105 anos de idade.

 

Camponesa, viúva, honesta e trabalhadora, dedicou toda a sua vida ao cultivo do campo. Quando as pernas lhe doíam usava raiz do mukumbi. Quanto ao futuro, os pensamentos da anciã recaem sobre a educação, a preservação dos ideais da nação e a recuperação generalizada dos valores e princípios que a sociedade perdeu devido à globalização e à situação de instabilidade que o país viveu.

Do alto da sua provecta idade, a anciã partilha agora com aos mais novos a sabedoria que permeia a sua história de vida, já que são eles os responsáveis por reconstruir uma sociedade que apresenta uma grande parte dos seus valores distorcidos ou mesmo degradados. Adianta que o segredo para uma vida longa se firma na crença em Deus, por ser Ele quem concede a vida, e no amor ao próximo, pelo que deve a sua longevidade ao facto de ser humilde, honesta, respeitosa e, sobretudo, por temer em mexer ou cobiçar as coisas alheias.

 

O papel da avó

Bernarda sublinha a imensa importância do papel da avó na educação das crianças, constituindo mesmo um dos seus grandes pilares. Uma avó contribui com inúmeros ensinamentos para que sejam criados, no seio da família, jovens bem instruídos e com valores associados aos bons costumes que venham a servir bem a sociedade.

Bernarda Neves assegura que a sua boa forma física é resultante dos bons hábitos alimentares cultivados no passado. No Cuanza Norte, onde passou a maior parte da sua vida, toda a sua alimentação baseava-se simplesmente nos produtos do campo, da pastorícia, peixes dos rios da aldeia e animais de caça.

A camponesa lembra que, quando residia na sua terra natal e adoecia, não permanecia acamada por mais de quatro dias. Era o tempo suficiente para restabelecer a sua saúde, com o auxílio de medicamentos tradicionais.

Quando, no passado, era atormentada por uma dor de dentes, tratava-a bocejando água com sal diluído. Se a dor fosse de pernas, usava raiz do mukumbi (lascas de árvore),  que era o tratamento recomendado pelos terapeutas tradicionais e, segundo eles, o único método eficaz. No caso de outras doenças menos frequentes, utilizava dicaxi, kibassa, para a dor de cabeça, Santa Maria, que dava aos filhos para a bronquite, e ndonga, que servia para tratar a inflamação das pernas e outras pestes.

 

A pensar no futuro

Quanto ao futuro, os pensamentos da anciã recaem sobre a educação, a preservação dos ideais da nação e a recuperação generalizada dos valores. Afirma que, hoje em dia, raramente vê indivíduos bondosos, ou mesmo educados, que sirvam como exemplo para as outras pessoas, observando apenas um número crescente dos que se dedicam as más práticas.

Bernarda lamenta que, ultimamente, não seja notória a solidariedade entre os angolanos, que o amor ao próximo se encontre apenas escrito nos livros e que, por receio de sofrerem consequências pela sua honestidade, as pessoas não se sintam confortáveis no momento de aconselhar o outro, preferindo tornar-se testemunhas do seu sofrimento.

 Ainda assim, a centenária aconselha os seus conterrâneos a utilizarem o diálogo, ao invés da violência, como ferramenta fundamental na educação dos seus filhos. Apela ainda aos adolescentes e jovens para não menosprezarem ou desvalorizarem a educação, tanto escolar como em casa, e para não se deixarem impressionar apenas pelos exemplos difundidos através da televisão e de outros meios de comunicação social.

 Viúva de Domingos Francisco Pedro Manuel, com quem teve treze filhos, três dos quais sobrevivem, tem hoje 24 netos e dez bisnetos.

 

 

Voltar

 

 

 

Copyright © 2018 Jornal da Saúde Angola. Todos os direitos reservados. Created by Paulo Link