MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

A Declaração de Luanda

 

A Declaração de Luanda é o documento final em que os ministros africanos da saúde, reunidos este mês na capital do nosso país, se comprometem a implementar, com eficácia, os seis compromissos adoptados no encontro, designadamente:

 

­— A cobertura universal de saúde

­— A criação da  Agência Africana dos Medicamentos

­— A prevenção do risco comum associado às doenças não transmissíveis em África

­— Acabar com as mortes maternas e infantis em África

­— A criação do Centro  Africano para o Controlo e Prevenção das Doenças

­— A implementação de um mecanismo de Responsabilização para avaliar a implementação dos compromissos acima descritos

 

Tratou-se de um evento histórico, não só por ser a primeira vez que a reunião dos ministros africanos da saúde é conjuntamente organizada pela Comissão da União Africana e pela Organização Mundial da Saúde, como por ter sido a cidade de Luanda o palco escolhido para acolher este importante certame.  E, não menos importante,  porque a seriedade com que os temas foram ponderados e tratados e o calor das discussões, que acompanhámos durante os quatro dias de trabalho, espelharam bem o reflexo do interesse dos governos e dos participantes da reunião em melhorar a situação da saúde no continente, como aliás bem observou, na sua intervenção final, o ministro da Saúde de Angola, José Van-Dúnem, o anfitrião que conduziu exemplarmente os trabalhos.

 

 

 

 

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Amizade e Confiança

 

A Fundação Lwini lançou o Programa de Intervenção Social “Educar é a Nossa Missão” – ao qual o Jornal da Saúde se associou – conforme noticiado na última edição. O programa promove campanhas de sensibilização para a mudança de comportamento e de boas práticas no seio das famílias e da sociedade. As palestras têm um tema mensal para debate. Convidamos os leitores do JS a desmultiplicarem este esforço junto às suas unidades de saúde, empresas e instituições, promovendo um encontro de divulgação e debate sobre cada tema.

O tema central de Maio

é a  Amizade e a Confiança

A amizade significa partilhar ideias, sentimentos e experiências. É uma relação afectiva entre duas ou mais pessoas. Num sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo. Afeição, lealdade e altruísmo.

 

 

A amizade é uma das mais comuns relações inter-pessoais que a maioria dos seres humanos tem na vida. A amizade tem sido considerada pela religião e cultura, como uma experiência humana de vital importância. Salomão escreveu a sabedoria da amizade nos seus provérbios dizendo: “Em todo o tempo ama o amigo e na angústia se faz o irmão”.

Confiança significa estar seguro em obter o que se espera. A confiança está depositada no que sabemos, no que queremos e para o que queremos. Mas é preciso saber esperar, porque tudo tem o seu tempo. Quer isto dizer que a confiança tem a ver com a paciência. É o acto de confiar na análise se um facto é ou não verdadeiro, devido a experiência anterior, entregando esta análise à fonte de estatísticas e opiniões de onde provém a informação e simplesmente confrontando sempre com outras informações, o chamado cruzamento de informações. Refere-se a dar crédito, considerar que uma expectativa sobre algo ou alguém será concretizada no futuro.

 

 

 

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Prémio Inovação para África

Vencedor cria primeiro substituto de enxerto ósseo injectável

 

Osteoporose aumenta em África porque as mulheres dedicam mais atenção ao seu peso, com impacto negativo na densidade dos ossos.

De acordo com a Fundação Nacional para a Osteoporose da África do Sul (NOFSA), a osteoporose está a aumentar no continente, especialmente entre as mulheres africanas, devido à urbanização e a uma falta de conhecimentos generalizada, entre outros factores. As mulheres mais preocupadas com a sua linha dedicam cada vez maior atenção ao seu peso, com um impacto negativo na densidade dos ossos e aumentando o risco de contrair doenças ósseas. A Fundação Inovação para África (AIF)  nomeou Nicolaas Duneas e Nuno Peres, da África do Sul, entre 700 candidaturas de 42 países, como os vencedores do Prémio Inovação para África  de 2014 pela Matriz Óssea Osteogénica Altis (Altis OBM TM), o primeiro dispositivo médico BMP de origem porcina injectável do mundo - um produto inovador para o tratamento de lesões e vazios ósseos através da utilização de um implante biológico regenerador.

Antes da invenção da Altis OBM, os doentes com traumas ósseos graves ou degradação óssea teriam de suportar a remoção de tecido óssea das suas próprias ancas, ou de dadores falecidos, na esperança de serem submetidos a uma cirurgia de enxerto com êxito, sendo ambas as intervenções métodos muito invasivos. A injeção da OBM promove um processo de cura rápido, seguro e eficaz de lesões ósseas problemáticas, conduzindo ao restauro completo e natural do osso, incluindo a medula óssea. A OBM é o único substituto de enxerto ósseo com proteínas ósseas de desenvolvimento extraídas naturalmente, com uma elevada eficiência e encontradas em mamíferos, fazendo com que o seu custo de produção seja bastante económico. entre 700 candidaturas de 42 países

O IPA de 2014 também reconheceu dois vencedores adicionais pela sua contribuição para a inovação de África.  Na categoria de potencial de negócio, Logou Minsob (Togo) recebeu 25 mil dólares pelo seu Foufou Mix, um processador de alimentos concebido para substituir o almofariz e pilão utilizados para a preparação do Foufou, uma iguaria popular na África Ocidental. Na categoria de impacto social, Melesse Temesgen (Etiópia) recebeu 25  mil dólares pelo desenvolvimento do Aybar Broad Based Furrow Maker (BBM), um dispositivo agrícola de baixo custo utilizado para escoar facilmente o excesso de água de campos alagados.

“O Prémio Inovação para África deste ano mostra como os africanos conseguem encontrar soluções para os desafios africanos”, afirmou o fundador da Fundação Inovação para África e do IPA,  Jean-Claude Bastos de Morais. “Encorajamos os parceiros dos setores público e privado a trabalhar de uma forma coerente para apoiar a inovação africana”, disse.

Photo: http://www.photos.apo-opa.com/index.php?level=picture&id=1038

 

 

 

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Clínica Multiperfil inaugura Pediatria

 

Kandengue é o nome da nova unidade para crianças na estrutura do hospital luandense

 

O Ministro da Saúde, José Van-Dúnen, inaugurou a 1 de Abril a Pediatria da Clínica MultiPerfil, em Luanda, na presença de Simão Helena, Secretário do Presidente da República para os Assuntos Sociais, e do Chefe do Estado-Maior-General Adjunto das Forças Armadas, Egídio de Sousa Santos.

José Van-Dúnen disse que, com este serviço de urgência pediátrica, a capital do país vai diminuir a taxa de mortalidade infantil.

O presidente do conselho de administração da Clínica MultiPerfil, Manuel Filipe Dias dos Santos, fez a apresentação da nova unidade hospitalar, que conta com 14 médicos pediatras, 37 técnicos de enfermagem, 11 dos quais licenciados, duas catalogadoras e 4 maqueiros.

Com uma área construída de 800 metros quadrados, a unidade de Pediatria tem duas salas de acolhimento e classificação de riscos, três pequenas salas de colheita de material biológico, um laboratório de análises clínicas, sala de estabilização, sala de curativos, sala de medicação, enfermaria, unidade de cuidados intensivos e uma sala de observação.

O objectivo da nova unidade é dotar a Clínica de melhores serviços e práticas de assistência, aumentando a qualidade do serviço prestado, a humanização e segurança dos pacientes.

O Secretário do Presidente da República para os Assuntos Sociais, Simão Helena, considerou a inauguração da Pediatria como um dos grandes ganhos da paz e da reconciliação nacional, contribuindo para o bem-estar da população que, doravante, vai beneficiar de serviços modernos e de qualidade.

 

 

 

 

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Bié com mais 35 parteiras  especializadas

 

O Bié conta agora com mais 35 parteiras especializadas, após terem concluído com sucesso o curso com a duração de 18 meses na Escola de Formação Técnica de Saúde  desta província.

A entrega dos diplomas teve lugar a 24 de Março, numa cerimónia presidida pelo Vice-governador para a área de Política Social do Bié, Carlos Ulombe Esperança da Silva, e pelo Director Provincial de Saúde, João Campos de Nascimento Cacungula.

O curso – que teve início em Julho de 2012 – representa um reforço significativo dos recursos humanos da província que contava apenas com três enfermeiras  parteiras  especializadas para um total de 76 salas de parto. A população estimada de grávidas é de 112 mil,  em 2014 .

A acção de formação foi realizada no âmbito do convénio "Fortalecimento dos serviços de saúde pública em áreas de intervenção da Cooperação Espanhola, Angola e Moçambique”, financiado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) e implementado por Medicusmundi.

Na ocasião, a EFTS anunciou a realização em breve de um novo programa de formação de enfermeiras especializadas “para cumprir de forma progressiva as necessidades de todas as salas de parto da província”.

 

 

 

 

 

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Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, na 1ª Reunião dos Ministros Africanos da Saúde

 "Conseguiremos implementar programas de melhoria dos cuidados de saúde em África"

 

O Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, disse estar na sala “a capacidade técnica e a vontade de mudança que nos guia, de mãos dadas, rumo à universalização da cobertura sanitária em toda a África". O governante falava na sessão de abertura da 1ª Reunião dos Ministros Africanos da Saúde que Luanda acolheu, entre 14 e 17 de Abril. Manifestou também o desejo do Governo em acolher no país o futuro Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, uma das principais deliberações do encontro.

 

Na intervenção que fez, em representação do Presidente da República, Manuel Vicente considerou 16 de Abril um dia histórico para o continente africano, “e em especial para a história de Angola, visto que, pela primeira vez a reunião dos ministros africanos da saúde é conjuntamente organizada pela Comissão da União Africana e pela Organização Mundial da Saúde, tendo o palco escolhido para acolher este importante certame sido a nossa cidade de Luanda”.

“Falar de saúde em África é falar, explicitamente, sobre a situação actual dos povos africanos e, implicitamente, do futuro que desejamos para as nossas gerações vindouras, para as nossas infra-estruturas de saúde e para o nosso continente no seu todo”, disse o Vice-Presidente.

Referindo-se aos efeitos nefastos da guerra, Manuel Vicente acrescentou que “Angola, como membro da União Africana e da Organização Mundial da Saúde, hoje um país efectivamente em paz, reconhece que a guerra civil criou atrasos consideráveis no seu desenvolvimento e ocasionou a destruição massiva de hospitais, aproximadamente um milhão de mortos, milhares de mutilados e órfãos, milhões de deslocados e refugiados e uma cicatriz na história da nossa saúde pública”.

“Com base nesta amarga experiência, nada benéfica, apelamos à intervenção de todos os participantes neste encontro para que, juntos, envidemos esforços para solucionar, de modo permanente, os confrontos armados no nosso continente, inegável que é o facto de os danos humanos e económicos causados por conflitos de tal natureza serem irremediáveis”, pediu, fazendo fé que “a preocupação com a prevalência de endemias e de outras urgências de saúde pública que o nosso continente vive deverá passar a ter os seus dias contados com a conclusão desta reunião, sendo que, daqui sairemos com estratégias mais bem delineadas para a alteração do actual quadro”.

 

Vontade de mudança

Elogiando a plateia, Manuel Vicente disse estar na sala “a capacidade técnica e a vontade de mudança que nos guia apresados, de mãos dadas, as primeiras linhas, rumo à universalização da cobertura sanitária em toda a África. Com o conhecimento que temos das nossas reais necessidades de recursos humanos, de infra-estruturas de formação e de serviços médicos, conseguiremos comensurar e definir as diferentes etapas de implementação ou revitalização de programas de melhoria dos cuidados de saúde em África, com equipas de saúde locais e apoiadas por países parceiros conscientes do seu papel de partilha de conhecimento.”

“Como base sustentadora do sucesso destes programas temos os cuidados primários de saúde das zonas periurbanas e rurais, considerando que a ausência desses serviços obriga as populações a migrarem massivamente para os centros urbanos, o que origina e/ou agrava o subpovoamento das regiões rurais e o acréscimo das assimetrias regionais”, identificou Manuel Vicente, antes de se referir à experiência angolana: “Em Angola, o Quadro Nacional de Desenvolvimento Sanitário definiu a descentralização do financiamento dos serviços de saúde bem como a municipalização da gestão desses serviços com o objectivo primário de se estar cada vez mais próximo da realidade do utente.”

Resultados da política

O êxito da política fica comprovado com números avançados pelo Vice-Presidente da República: “Em 2014, no âmbito da municipalização dos serviços de saúde relativamente à luta contra o VIH/sida, campo em que Angola tem melhorado continuamente a sua taxa de seroprevalência, actualmente cifrada em cerca de 2 por cento, será finalizado o Plano Nacional de Eliminação da Transmissão de Mãe para Filho, bem como serão integrados os Serviços de Prevenção de Transmissão Vertical e de tratamento com anti-retrovirais no Programa de Atenção Materna e Cuidados Primários de Saúde.”

“O Executivo angolano, na sua auto-avaliação, estima o processo de descentralização e municipalização como positivo no seu cômputo geral mas reconhece a necessidade de melhorar os seus meios de monitorização”, admitiu Manuel Vicente.

“Julgamos ser esta reunião a plataforma acertada para partilha de experiências que poderão apoiar Angola e demais países africanos a melhorar continuamente os respectivos cuidados primários e assistência sanitária. Este é o momento certo pois, como já alguns oradores referiram, o crescimento económico africano compele-nos a um crescimento social sustentado. Repito: este é o momento certo para, unidos, exigirmos mais de nós mesmos no que respeita ao nascimento. Porém, por razões de vária ordem, este momento único na vida do ser humano passou a ser também um momento de sobressalto, de dor e de luto na região da África subsaariana que continua com indicadores pouco satisfatórios de saúde materno-infantil”, reconheceu Manuel Vicente.

 

Evolução dos indicadores

Segundo dados fornecidos pelo próprio Vice-Presidente da República, no ano transacto, Angola apresentou uma razão de mortalidade materna de 450 por 100 mil nascidos vivos comparada com 1400 por 100 mil em 2001, enquanto que, no tocante à mortalidade em menores de 1 ano de idade, apresentou uma razão de 116 por mil nascidos vivos comparada com 150 por mil alcançada em 2001.

Adicionalmente, no que concerne à saúde infantil, Angola continua livre da pólio há mais de 28 meses, tendo consolidado a imunidade das suas crianças menores de 5 anos com campanhas nacionais periódicas e as de rotina contra a poliomielite.

“A melhoria dos indicadores da mortalidade materno-infantil na nossa região é, assim, uma realidade”, concluiu Manuel Vicente, acrescentando que, “de qualquer modo, a nossa satisfação será manifestada de modo efusivo apenas quando os óbitos evitáveis forem extintos em África. Escusado será dizer que a redução do actual cenário constitui a principal agenda dos governos dos países africanos como, aliás, a adesão a esta reunião técnica pode comprovar.”

Manuel Vicente recordou a comemoração a 7 de Abril do Dia Mundial da Saúde sob o lema “Doenças causadas por vectores – Pequenas picadelas, Grandes ameaças”. “Um tema de grande importância, uma vez que, em Angola, como em outros países africanos, a malária continua a ser a maior causa de doença e de morte, o que nos leva a realçar a necessidade da elaboração e implementação de programas intersectoriais, com medidas concretas, que promovam a prevenção de doenças como o paludismo, a tripanossomíase africana ou doença do sono, a cegueira dos rios ou oncocercose, a bilharziose, a leishmaniose, a febre amarela e a dengue”, lembrou o Vice-Presidente da República.

Antes de declarar aberta a reunião ministerial, Manuel Vicente elogiou a organização e deixou o repto de se assistir “a sessões de trabalho produtivas e com resultados objectivos, que promovam mais saúde e, consequentemente, desenvolvimento humano e económico e uma maior equidade”.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Curso de gestão capacita responsáveis da saúde

 

Os directores do Hospital Geral do Huambo, dos Hospitais Municipais e os chefes de repartições municipais da província do Huambo frequentaram a primeira formação em gestão de saúde realizada pela Direcção Provincial do sector. Durante dez dias, os responsáveis abordaram temas relacionados com a direcção e administração hospitalar, com objetivo de aprimorar os conhecimentos relacionados com a melhoria da organização das unidades sanitárias e consequentemente dar resposta cabal aos utentes desses serviços.

Espera-se que, com este primeiro curso, os formados estejam à altura de também participar como protagonistas de outras sessões de formação para beneficiar os demais responsáveis ao nível das instituições hospitalares, referiu o vice-governador provincial para a área política e social, Guilherme Tuluka, à margem do encontro.

Para o governante, administrar uma unidade sanitária exige conhecimentos específicos. “A complexidade da gestão ou direcção hospitalar obriga a ter noções sob o ponto de vista administrativo (planificação e controlo do equipamento patrimonial ou administração dos medicamentos), humanitário (que priorize a satisfação dos utentes ou pacientes) e a gestão social (tendo em conta o enquadramento das unidades sanitárias dentro das comunidades)”.

Ao encerrar o curso Tuluka solicitou que todos os conhecimentos resgatados e aprendidos no primeiro seminário de gestão em saúde constituam a responsabilidade para fazer mais e melhor e contribuir para que a população se sinta satisfeita com o serviço.

 

Iniciativa louvável

Alguns recém formados sublinharam a importância do certame. Para o responsável da saúde do município da Tchicala-Tcholohanga, Carlos Baltazar, o seminário é o começo de uma nova organização para o seu município na vertente sanitária e que os conhecimentos adquiridos serão passados para todos os responsáveis de postos e centros de saúde.

“É uma iniciativa bastante louvável pois, muito do que fazemos, fazemo-lo sem os parâmetros da gestão em saúde. Porém, doravante, faremos de tudo para levar a bom-porto o sector em todas as unidades sanitárias. Além de capacitarmos também os dirigentes dos postos e centros, procuraremos sempre ir de acordo com os cinco papéis fundamentais para uma boa gestão tal como acabamos de aprender: a planificação, a organização, a regulação, a avaliação e o controlo das actividades de saúde. Sem nos esquecermos da gestão do tempo”.

Por seu turno o Chefe da Repartição Municipal da Saúde do Tchinjenje, Luís Cunha Cachequele, considerou que com a formação poderá adequar o aprendido à realidade no seu município. “Este curso vai permitir moldar os conhecimentos que já trazemos. E é importante que as sessões de formação continuem de modos a melhorarmos cada vez mais e que consigamos responder positivamente as exigências e necessidades dos pacientes e não só.

Já a Directora-Geral do Hospital Municipal de Kambiote, Djamila Sozinha, afirmou que o momento foi oportuno com abordagens de “como liderar uma instituição” e “como proceder com os funcionários”, o que poderá contribuir para uma mudança positiva na instituição. “Lidamos com administração e aprendemos o que fazer nos momentos decisivos” concluiu.

 

 

 

 

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Farmácias privadas do Huambo preparadas para diagnosticar e tratar a malária

 

Foi lançado no mês de Abril na província do Huambo o primeiro projecto de introdução de testes rápidos de diagnóstico da malária em farmácias privadas, protagonizado pela Direcção Provincial da Saúde e a organização não-governamental americana Population Services International (PSI).

Trata-se de um projecto-piloto ao nível do país para o qual foram selecionadas 50 farmácias de todos os municípios da província, sendo 2 farmacêuticos formados para cada farmácia.

A província do Huambo é destacada ao nível do país no combate ao paludismo pois apresenta, segundo um relatório da saúde, o índice de incidência de malária mais baixo. Os dados apontam até 2002 quase 600 mil novos casos de malária todos os anos, mas em 2013 o registo foi de 40 mil casos. Até 2002 registava-se não menos de 5 000 mortes anualmente por malária e em 2013 morreram 19. Ainda em 2013 lamenta-se apenas uma morte materna vítima da doença.

O director provincial da saúde, Frederico Carlos Juliana, atribui as causas destes resultados à paz estabelecida no país o que possibilitou a contratação de técnicos para todas as localidades, a circulação de pessoas e bens e o abastecimento de medicamentos e testes rápidos de forma regular em todas unidades sanitárias da província.

Segundo o responsável, a mudança de comportamento da população foi decisiva neste passo tão importante. “Ganhamos a consciência de que nos primeiros sinais e sintomas devemos acorrer às unidades sanitárias para o devido diagnóstico e tratamento”, além dos profissionais que ganharam a consciência de que nem tudo o que causa febre é paludismo como faziam crer, acrescentou.

Para Juliana só o sector público é insuficiente para continuar a baixar os casos de malária no Huambo motivo pelo qual foi implementado o novo projecto.

 

Técnicos prontos

Por sua vez os técnicos mostraram-se prontos para a nova tarefa. Segundo Victor Mateus além de elevar os seus conhecimentos, a actividade vai permitir lidar directamente com o diagnóstico e prescrição do Coartem o que aumenta a responsabilidade tratando-se de vidas humanas.

“Ao resultar em positivo o teste, ofereceremos o Coartem gratuitamente devendo ser cobrado apenas 150 kwanzas pelo teste. É difícil trabalhar com vidas humanas porque qualquer erro pode ser fatal” arrematou.

Outra técnica diz estar mais preparada não só para opinar como também para medicar com certeza. “Agora vamos tratar a malária com certeza, antes o principal indicador era apenas a febre, mas aprendemos que outras patologias também apresentam este quadro clínico. Então temos de testar e medicar com certeza. Quanto aos procedimentos, inicialmente devemos perceber a preocupação do paciente, identificar os sinais e sintomas, testamos de seguida, após 15 minutos, resultando positivo devemos oferecer o Coartem com as explicações devidas sobre a dosagem. E, em caso de negativo, encaminhamos à unidade de saúde mais próxima para melhor diagnóstico e tratamento. Valeram apenas os 4 dias de formação”.

Apesar da prontidão manifestada, os técnicos farmacêuticos foram advertidos pelo director provincial sobre a disciplina para a nova actividade “exortamos a todos esses técnicos de farmácia para que não se considerem enfermeiros pois estão formados exclusivamente para a testagem da malária, devendo primar pela disciplina limitando-se na sua importante função de explicar como são os medicamentes, efeitos secundários e sua dosagem”.

 

Gestão integrada

Já a responsável pelo programa da Agência dos Estados Unidos da América para o Desenvolvimento (USAID) em Angola realçou que a importância do Huambo é particular no combate à malária pelo esforço governamental em reduzir progressivamente os casos da enfermidade e a USAID quer participar na diminuição de casos em  80% até 2015. “Segundo os indicadores do inquérito da malária, em 2011 houve uma redução de 40% em crianças menores de 5 anos. No entanto, a fim de alcançar a nossa meta de redução de 80% até 2015 precisamos de considerar outras intervenções como a gestão integrada de casos ao nível da comunidade e do sector privado”.

Pela primeira vez no país há o serviço de diagnóstico e tratamento da malária através de uma rede de farmácias privadas. Assim, no Huambo, a enfermidade é diagnosticada e tratada fora das unidades sanitárias.

 

 

 

 

 

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Municipalização dos serviços de saúde  reduz índice de mortalidade materno-infantil no Ebo

 

Quem o diz é o chefe de Repartição municipal da saúde do Ebo, Carlos Pedro, que realçou os ganhos alcançados desde o início da implementação do programa ao nível do município do Ebo, com destaque para a construção de unidades sanitárias no meio rural, a aquisição de equipamentos, bem como o recrutamento de mais técnicos para a cobertura da municipalidade.

O responsável da saúde no Ebo manifestou optimismo quanto ao alcance das metas preconizadas sobre a melhoria da assistência médico-medicamentosa, sobretudo no meio rural, fruto das verbas cabimentadas ao programa dos cuidados primários de saúde que permitem a melhoria da assistência sanitária ao nível do município.

Quanto aos recursos humanos, Carlos Pedro reconheceu o défice que o sector atravessa no município por causa de muitos técnicos terem passado à reforma e outros por falecimento.

Quanto à realidade actual do sector da saúde no município do Ebo, Carlos Pedro disse não haver comparação possível entre o passado e a realidade actual, quer em termos de infra-estruturas sanitárias, como da quantidade de técnicos e seu nível de prestação nas comunidades. E lançou o desafio de estender a rede sanitária nas localidades mais recônditas do município para satisfazer as necessidades das populações, conforme defende na entrevista que concedeu ao Jornal da Saúde.

 

— Senhor Chefe de Repartição da Saúde, Carlos Pedro, que leitura faz sobre a realidade da situação sanitária no Município do Ebo?

— Em primeiro lugar, quero agradecer a oportunidade de falar sobre a situação sanitária do Município do Ebo, um dos que foi mais afectado durante o conflito armado que quase destruiu tudo.

Mas hoje tudo se inverteu, graças à municipalização dos serviços de saúde.

É verdade que ainda temos grandes desafios pela frente para podermos atingir os objectivos que consistem na aproximação dos serviços de assistência e humanização dos serviços da saúde nas comunidades.

Quanto às infra-estruturas e corpo clínico, devo  dizer que o município do Ebo possui uma rede sanitária composta por 18 unidades sanitárias, sendo um Hospital municipal de referência, três centros médicos e 14 postos de saúde. Prestam serviços no sector ao nível do município do Ebo dois médicos, três técnicos de diagnóstico e terapêutica e 42 enfermeiros de vários escalões.

No capítulo dos recursos humanos temos um grande défice, sobretudo de enfermeiros. Muitos passaram à reforma e outros faleceram. Necessitamos da sua substituição porque a realidade actual exige mais técnicos de saúde para respondermos à demanda.

— Quais os resultados do Programa de Municipalização dos serviços de saúde no município do Ebo?

— Os indicadores de que dispomos permitem-nos afirmar, com realismo, que o Programa dos Cuidados Primários de saúde no nosso município permitiu reduzir  0,50% a taxa bruta de mortalidade, porque existe uma cobertura sanitária  ao nível das comunidades. Quanto à taxa de natalidade, registamos  um aumento de 5%, graças à adesão das mulheres às consultas pré-natal e respectivo acompanhamento médico, antes, durante e pós-parto. É uma conquista porque o tabu anterior - o das mulheres terem parto em casa - já faz parte do passado.

Aliado a isso, temos de assinalar a participação massiva dos cidadãos aos programas de sensibilização sobre os cuidados primários de saúde, adesão às campanhas de vacinação, da preocupação sobre o tratamento da água para consumo e do uso de mosquiteiros impregnados.

Em termos de construção das infra-estruturas, sublinho que hoje temos um posto de saúde em condições a funcionar nos locais de maior concentração populacional. Em alguns casos, estes postos de saúde são os primeiros desde o alcance da independência do País. E, quanto aos recursos humanos, o programa dos cuidados de saúde permitiram  aumentar o número de técnicos que prestam serviços no hospital municipal, centros médicos e postos de saúde.

Em suma, temos vindo a registar avanços significativos sob o ponto de vista quantitativo e qualitativo.

—  Como está o abastecimento em medicamentos e equipamentos?

— Estamos bem porque o programa dos cuidados da saúde prevê verbas para a aquisição de medicamentos, através de fornecedores previamente seleccionados por concurso público.

Não temos razões de queixa porque as necessidades têm sido supridas com abastecimento regular de fármacos e de equipamentos.

—  Pode-se dizer que em termos de saúde está tudo bem no município do Ebo?

— Não posso dizer que está tudo bem, porque a vida é um desafio constante em que muitos factores condicionam o que se quer fazer bem.

Temos barreiras que importunam as nossas tarefas de salvar vidas.

Refiro-me às vias de acesso, secundárias e terciárias, que dificultam o nosso trabalho. É frequente confrontarmo-nos com casos de evacuações de localidades longínquas para o hospital municipal, onde temos de sacrificar a ambulância pelo mau estado das estradas.

Mas nem tudo está associado ao mau estado das vias. Por vezes notamos que os pacientes chegam às unidades sanitárias em estado crítico por negligência das famílias.

Outro aspecto que nos preocupa é o facto de o nosso quadro do pessoal, sobretudo dos enfermeiros, dispor de apenas três técnicos médios e o restante técnicos básicos que necessitam de actualização permanente.

Em termos técnicos, precisamos de mais meios de transporte, dos equipamentos para os serviços de cirurgia, ortopedia, oftamologia, urologia, entre outros, cujos serviços já justificam pela densidade populacional do município do Ebo.

—  Quais são as patologias mais frequentes no Ebo?

— A malária, doenças diarréicas agudas, infecções respiratórias agudas, parasitoses intestinais e  as infecções de transmissão sexual, incluindo o VIH/Sida.

— Quais os Programas que estão a ser executados para a melhoria da assistência no Ebo?

— Estamos a executar  os programas que, de uma forma geral, são da orientação da Direcção provincial da Saúde, nomeadamente os de distribuição de mosquiteiros, de Albendazol, medição de tensão arterial, testes de VIH/Sida e campanhas de vacinação. Além destes, estamos também a executar outros programas, como de tuberculose e lepra, de vigilância epidemiológica, de educação para a saúde e água e saneamento ambiental. A colaboração das comunidades é essencial para que surtam  efeitos.

 

 

 

 

 

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Administração municipal do Ebo com plano de melhorias da saúde

 

O administrador municipal do Ebo, Rui Feliciano Miguel, garantiu ao Jornal da Saúde que em 2014 vão ser executadas acções que proporcionam a melhoria de assistência  médico-medicamentosa nas comunidades.

Rui Feliciano Miguel salientou a necessidade de se criarem condições habitacionais para acomodar os médicos, o que pode facilitar a sua contratação para prestarem serviços no Ebo. "Temos um número reduzido de médicos no nosso município e estamos a trabalhar no sentido de contratarmos mais médicos, sobretudo de especialidade. Para o efeito, temos de criar as condições de habitabilidade para trabalharem condignamente", frisou.

No capítulo das infra-estruturas, o administrador do Ebo garantiu que no presente ano vão ser construídas novas unidades sanitárias, com prioridade no meio rural e concluídas as obras de ampliação do hospital municipal do Ebo que vai passar de 50 a 80 camas.

O município do Ebo tem uma superfície de 2.520 quilómetros quadrados, conta com uma população estimada em 182.707 habitantes distribuídos por 141 aldeias. Administrativamente, o município divide-se em três comunas, nomeadamente, a sede, Condé e Kassanje e a área administrativa da Chôa.

 

 

 

 

 

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Habitantes do Kindege com assistência médica mais próxima

 

A infra-estrutura sanitária aberta por ocasião das celebrações dos 12 anos de paz em Angola, assinalados a 4 de Fevereiro, constitui um motivo de satisfação para os habitantes locais que, antes, percorriam 110 quilómetros até à sede municipal do Nzeto para receberem cuidados básicos de saúde.

Segundo o director provincial da saúde no Zaire, João Miguel Paulo “Joveth”, o empreendimento, construído à luz do programa de combate à fome e à pobreza, oferece aos utentes vários serviços, entre os quais, pediatria, medicina geral, laboratório e área de atendimento à saúde reprodutiva. Conta com um corpo clínico constituído por oito enfermeiros e um médico.

Durante a cerimónia de inauguração do centro de saúde, o governador provincial do Zaire, procedeu à entrega de kits de medicamentos essenciais e uma ambulância para a evacuação de doentes com complicações que requerem de cuidados médicos especializados.

 

Aproximar os serviços de saúde das populações

Joanes André referiu, na ocasião, ser propósito do Executivo angolano continuar a criar condições para a melhoria da qualidade de vida das populações.

“O nosso Executivo está engajado na construção de hospitais e centros de saúde para garantir a saúde aos cidadãos”, disse Joanes André, para quem o centro de saúde do Kindege possui condições que permitem dar resposta à demanda.

 

“Estamos a trabalhar para ir melhorando as condições básicas das populações, conforme a orientação do nosso presidente, por isso inauguramos aqui na comuna do Kindege este centro de saúde que vai fazer com que deixem de percorrer longas distâncias”, referiu.

O governador do Zaire fez saber aos habitantes do Kindege que o sector da saúde é prioritário para o seu governo que inseriu no Plano de desenvolvimento da província projectos da construção de centros de saúde e hospitais nos seis municípios, Mbanza Congo, Soyo, Nzeto, Tomboco, Cuimba e Nóqui.

A ideia, segundo ele, visa o cumprimento das orientações do líder do Executivo angolano que têm a ver com a necessidade de aproximar os serviços de saúde junto das populações para, deste modo, permitir a redução do impacto das doenças frequentes como a malária e febre tifóide.

No quadro destas políticas do Executivo existem na província do Zaire cerca de oito clínicas móveis que asseguram a assistência médica e medicamentosa aos cidadãos nas distintas localidades do interior da região.

 

 

 

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Distribuídos 700 mosquiteiros impregnados em Calambata

 

Setecentos mosquiteiros impregnados com insecticida foram distribuídos à população da comuna de Calambata, município de Mbanza Congo, pelo departamento provincial da saúde pública e controlo de endemias, no âmbito do 25 de Abril, dia internacional de combate à malária.

Na ocasião, a administradora municipal de Mbanza Congo, Isabel Nlandu Morena, que presidiu ao acto, aconselhou a população local para o uso correcto e constante de mosquiteiros tratados para o combate à enfermidade.

Informou que durante o primeiro trimestre do corrente ano foram registados no município de Mbanza Congo cerca de 7.782 casos de malária, contra 7.553 ocorrências no período anterior, tendo causado 13 óbitos.

De acordo com a administradora, o ligeiro aumento de casos de malária deve-se à expansão da rede sanitária em diversas localidades do município sede permitindo, deste modo, um diagnóstico de mais casos desta doença.

Considerou a malária como a principal causa de morte e internamento de pacientes nos hospitais e centros de saúde.

Além da distribuição de mosquiteiros, o acto foi marcado pela realização de uma feira da saúde que proporcionou aos habitantes  locais serviços integrados de saúde pública nas áreas de puericultura, pediatria, vacinação, HIV/SIDA e consultas pré-natal.

A comuna de Calambata situa-se 30 quilómetros a este da cidade de Mbanza Congo.

 

 

 

 

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Mortalidade infantil baixou de 50 para 20 óbitos por mil nascidos vivos

 

De acordo com este responsável, esta significativa diminuição é fruto dos investimentos do governo da província no sector, consubstanciados na construção e reconstrução de infra-estruturas de atendimento materno infantil. "As autoridades locais estão apostadas na criação de condições visando a redução da taxa de mortalidade infantil em crianças menores de cinco anos", garantiu.

Acrescentou que, entre os indicadores que conheceram evolução nesta área, nos últimos três anos, consta ainda a diminuição da taxa de mortalidade em crianças menores de cinco anos, que baixou significativamente neste período.

O responsável esclareceu que concorreram para esta redução o aumento de unidades sanitárias com serviços materno infantil, o incremento da cobertura de vacinação de rotina e de campanha bem como a melhoria do sistema de informação sanitária, através da capacitação de agentes comunitários.

“As crianças já não morrem tanto antes de completarem cinco anos de vida, temos menos mortalidade materna, porém, ainda há muito por fazer e, para tal, são necessárias acções mais intensivas no sentido de continuarmos a crescer e acelerar os esforços para o alcance do compromisso da cobertura universal dos serviços de saúde”, sustentou.

 

Unidades sanitárias

Manuel Varela esclareceu que, até 2010, a província dispunha de 87 unidades sanitárias das quais apenas 30 ofereciam serviços de consulta pré natal e pós parto, 8 com serviços de planeamento familiar, 26 com serviços de partos, 23 com postos fixos de vacinação e 19 tinham serviços de puericultura.

Em 2013, segundo disse, a província dispõe de 130 unidades sanitárias todas com serviços de puericultura,  32 dos quais oferecem consultas pré-natal e pós parto, 12 com serviço de planeamento familiar, 28 com salas de partos, 52 com unidades de vacinação geral, além de duas maternidades e um hospital materno infantil. A província conta com uma população estimada em 438.659 habitantes distribuídos em 10 municípios.

 

Humanização dos serviços

Para si, o Executivo da província está comprometido com a manutenção dos serviços de saúde, porquanto a melhoria das condições de vida dos cidadãos depende, essencialmente, do acesso a este sector, incluindo as acções de promoção, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação de infra-estruturas.

Manuel Varela citou também os esforços que têm sido desenvolvidos no domínio da humanização dos serviços de saúde, através da promoção e desenvolvimento de uma nova cultura que fortaleça o respeito e a valorização da cidadania.

Para tal, disse ser necessário um trabalho conjunto entre as várias instituições do sector público, de modo a procurar soluções para as questões estruturantes com vista ao desenvolvimento dos recursos humanos do país, com base na formação contínua, promoção das carreiras profissionais, motivação, mecanismos de fixação e retenção de quadros, bem como a remuneração.

Precisou que, com o resultado deste esforço, sobretudo o aumento dos recursos humanos e infra-estruturas, muitos dos indicadores na província do Cuanza Norte têm sido animadores, nomeadamente a redução da mortalidade materna e infantil, diminuição da mortalidade por doenças endémicas, em particular a malária, tuberculose e Vih/Sida.

 

 

 

 

 

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Tratamento preventivo da malária na gravidez abrange mais de 17 mil mulheres

 

Cerca de 17.402 grávidas beneficiaram, em 2013, no Cuanza Norte, de tratamento médico preventivo intermitente da malária, no âmbito dos esforços das autoridades sanitárias da província visando a redução da mortalidade materna na região.

De acordo com o director provincial de Saúde do Cuanza Norte, Manuel Duarte Varela, que avançou a informação, comparativamente ao ano anterior, constatou-se um incremento  de 1.242 gestantes que beneficiaram de assistência.

Esclareceu que, no período em referência, foram tratadas com Fansidar (medicamento anti-malárico), 9.880 grávidas com a primeira dose do referido fármaco, 7.330 com a segunda dose, enquanto que a terceira beneficiou 192 mulheres.

No quadro destes esforços, prosseguiu, foram ainda distribuídos 5.103 mosquiteiros impregnados com insecticidas a mulheres grávidas, contra os 1.636 no período anterior, bem como vacinadas contra o tétano 20.769 gestantes.

Realizaram-se 37.743 consultas pré-natal normais, entre as quais 9.549 pela primeira vez e as restantes de retorno. Foram igualmente efectuados neste período 5.736 partos institucionais que se saldaram em 243 nados mortos e 29 mortes maternas associadas às diversas complicações, disse.

Entre as complicações e causas de mortes maternas destacam-se as hemorragias, eclâmpsia, rotura uterina, infecção puerperal, aborto, malária, hepatite e gravidezes utópica, aclarou.

 

 

 

 

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Pequenas picadelas, grandes ameaças

 

O Dia Mundial da Saúde foi celebrado este ano sob o tema: “Doenças causadas por vectores: pequenas picadelas, grandes ameaças”. Esta comemoração pretende promover a sensibilização para a ameaça que representa um grupo de doenças transmitidas por insectos ou outros vectores. Mosquitos, moscas, carraças e caracóis de água fresca são alguns dos vectores que espalham doenças como paludismo, tripanossomíase humana africana ou doença do sono, cegueira dos rios (oncocercose), bilharzíase, elefantíase, leishmaniose, febre-amarela, dengue e chikungunya.

 

Na região africana, o impacto das doenças transmitidas por vectores na saúde e na economia é bastante elevado e as comunidades pobres e rurais são as mais afectadas, conforme sublinhou o director regional da OMS para África, Luís Gomes Sambo. "Só em 2012, houve um número estimado de 564 mil  e 36,5 mil mortes causadas por paludismo e pela doença do sono, respectivamente. Mais de 45 milhões de pessoas estão em risco de contrair elefantíase e a oncocercose continua a ser predominante em 20 países, onde existem 15,7 milhões de pessoas infectadas e 500 mil deficientes visuais em resultado desta infecção".

 Os factores que contribuem para a carga das doenças transmitidas por vectores incluem as alterações ambientais e climáticas. As condições precárias de habitação aumentam o risco das doenças transmitidas por vectores. Para além disso, a resistência dos vectores aos insecticidas constituem uma séria ameaça ao seu controlo.

 Gomes Sambo adiantou, contudo, que "é encorajador notar que se estão a fazer progressos louváveis na Região Africana para combater as doenças transmitidas por vectores. Por exemplo, estima-se que, entre 2001 e 2012, tenham sido evitados 337 milhões de casos de paludismo. Do mesmo modo, a oncocercose já não é um problema de saúde pública nos países da África Ocidental".

 

José Van-Dúnem

"Queremos uma sociedade mais envolvida e actuante na luta antivectorial"

Em entrevista ao Jornal da Saúde, à margem do acto central, em Luanda, o Ministro da Saúde, José Van-Dúnem, adiantou que o Dia Mundial da Saúde é de grande importância para o mundo, particularmente para Angola e outros países do continente africano, sobretudo a região austral. "Visa a consciencialização da população e vai ao encontro das preocupações do executivo no que se referem as doenças transmitidas por vectores como o paludismo, tripanossomíase humana africana ou doença do sono, cegueira dos rios (oncocercose), bilharzíase, elefantíase, leishmaniose, febre-amarela, dengue e chikungunya".

Sublinhou também que só contando com uma sociedade cada vez mais envolvida e actuante na luta antivectorial haverá uma diminuição significativa das doenças transmitidas por vectores. "O processo não é meramente institucional, é aberto e necessita da inclusão da população para que saíamos vitoriosos".

Disse ainda que requer um esforço mútuo, quer na formação, quer  na informação e na capacidade de transmissão dos conhecimentos adquiridos. "Cada pessoa deve participar como um elemento activo para que se lute contra este grande desafio que é a diminuição das doenças transmitidas por vectores".

 

Saneamento básico

O responsável salientou que a intensificação da luta antivectorial primará nas mudanças de comportamentos para que se evitem as práticas que contradizem os anseios do sector e fragilizam a saúde das populações, como por exemplo a defecação ao ar livre e a exposição do lixo em locais não apropriados. "A melhoria do saneamento básico em todas suas vertentes, especificamente a construção de balneários públicos, distribuição dos depósitos de lixo em todas as áreas que carecem,a melhoria do abastecimento da água potável, a recolha e o tratamento do lixo, são medidas que farão com que os vectores tenham um ambiente desfavorável para a sua multiplicação".

 

A paz e os avanços mais significativos na saúde

Os ganhos na saúde trazidos pela paz são incomensuráveis. "O país teve 70% de toda sua rede sanitária degradada devido ao conflito. Actualmente, conta com mais de 40% da rede reabilitada. Procedeu-se ao enquadramento de vários  profissionais com o auxílio de quadros cubanos e de outras nacionalidades em quase todos os municípios. Conseguiu-se materializar o Plano Nacional de Saúde de cada município o que conduziu a uma melhoria satisfatória nos serviços primários de saúde", garantiu.

O ministro lembrou ainda que diminuiram significativamente as razões de evacuações de pacientes para o exterior, face ao progresso registado nos grandes hospitais, aumentou-se o número de instituições que oferecem serviços de hemodiálise, cirurgias cardíacas, como no hospital Josina Machel, cirurgia plástica para o tratamento das  queimaduras e outras doenças como lábio leporino no Hospital do Prenda,  na ortopedia cirurgias para substituição da cabeça do fémur, cirurgias da hérnia discal. "Todo este crescimento a nível da saúde só foi possível com a paz".

José Van-Dúnem deixou ainda uma palavra de apreço a  "todos os que trabalham em condições menos favoráveis e que tem desempenhado suas funções com muito entusiasmo e uma atitude construtiva, fraterna, de solidariedade e profunda humanização".

 

 

 

 

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Campanhas em Luanda

Intensificação das medidas de prevenção acaba com a cólera

 

"Desde o lançamento da campanha de acção preventiva de combate à cólera nas escolas, no primeiro trimestre de 2013, que se registou apenas a notificação de um caso, no distrito da Samba, prontamente controlado pelos técnicos". A garantia foi dada ao Jornal da Saúde pela directora da repartição de Saúde da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda, a médica Victória Cambuanda, por ocasião do relançamento da nova fase da campanha, a 1 de Abril, no bairro da Camuxiba. Sob o lema "Com educação e saúde diga não à cólera nas escolas" o evento reuniu mais de 500 crianças, professores, responsáveis e técnicos de saúde.

 

Victória Cambuanda recordou que a campanha de acção preventiva de combate a cólera nas escolas foi criada por orientação do presidente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda, José Tavares, numa reunião de emergência epidemiológica, quando, no primeiro trimestre de 2013, se registou um surto de cólera, com cinco casos, no Cazenga.

Disse ainda que foram os resultados positivos e motivadores alcançados no evento  anterior que fizeram com que se intensificasse a prevenção, envolvendo outros segmentos, como o da criança. "É,  por natureza, o ser  mais vulnerável ao contágio do vírus colérico pelo que se considerou mais acertado trabalhar com a educação que é o sector que alberga um número  bastante significativo de petizes para a realização da campanha".

A campanha consiste na sensibilização das crianças sobre as medidas preventivas para evitar a cólera, tais como a lavagem das mãos, a desinfestação da água, principalmente no consumo de alimentos não adquiridos,  ou os comprados na via pública. "Estes hábitos não saudáveis constituem um grande risco para a saúde. Tem-se observado, com frequência, um grande número de negociantes que não fazem as suas vendas em locais condignos e apropriados e expõem uma boa parte dos  produtos em condições de conservação inaceitáveis e em temperaturas ambientas não aconselháveis, ou por cima de resíduos sólidos e em áreas com poeira, o que pode contribuir para a existência do vírus e o alastramento do surto da cólera", esclareceu.

O certame serviu de "alerta para os pais, no sentido de incutirem nos pequeninos as medidas de prevenção, seja em casa, seja  em todos os locais onde estejam", concluiu.

 

Como evitar a cólera

 

> Evitar o contacto directo com águas de enchentes e alagamentos

> Evitar a ingestão de água não tratada, o consumo de frutas e verduras como as hortaliças sem serem convenientemente bem lavadas

> Lavar as mãos depois de utilizar o quarto de banho

> Defecação ao relento

> Não comprar alimentos na rua

> Reaquecer a comida antes de ser consumida

> Cozer bem os alimentos

> Em geral, tomar medidas que melhorem as condições de higiene

 

 

 

 

 

 

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Antidiabéticos orais: Sulfonilureias

 

Noventa e cinco por cento dos diabéticos são do tipo 2, e oitenta por cento destes são obesos. A hiperglicemia da diabetes tipo 2 no obeso é causada preponderantemente pelo defeito integrado no receptor insulínico do tecido periférico. Dá-se o nome de “resistência periférica da insulina”.  Está já consagrado que o risco de complicações micro e, de modo menos evidente, macro vasculares se encontra relacionado com a glicemia, conforme avaliado com base nas determinações da HbA1c e, assim, esta situação continua a ser um dos principais focos da terapêutica. A realização de estudos clínicos aleatorizados e prospectivos documentaram as reduções das taxas de complicações micro vasculares nos doentes com diabetes tipo 2 tratados para alvos glicémicos mais reduzidos (1, 2). Recentemente (2012) foi publicada a Declaração de Posição (Position Statement) para o tratamento da diabetes tipo 2, elaborada e discutida por peritos da ADA (American Diabetes Association) e da EASD (European Association for the Study of Diabetes). (3)

À luz das recomendações da ADA/EASD, qualquer terapêutica farmacológica deve ser precedida da modificação do estilo de vida: alimentação saudável, controlo de peso e actividade física. A correcção do estilo de vida deve ser promovida ao longo de toda a evolução da doença assim como a educação da pessoa com diabetes.

 

Antidiabéticos orais

Os antidiabéticos orais podem ser separados em: medicamentos que incrementam a secreção pancreática de insulina (sulfonilureias e glinidas); reduzem a velocidade de absorção de glícidos (inibidores das alfaglicosidases); diminuem a produção hepática de glicose (biguanidas); e/ou aumentam a utilização periférica de glicose (glitazonas).

No entanto, com finalidade prática, os antidiabéticos orais podem ser classificados em duas categorias principais: os que aumentam a secreção de insulina (hipoglicemiantes) e os que não aumentam (anti-hiperglicemiantes).

Na diabetes tipo 2 (atendendo ao perfil diversificado dos doentes) não é possível estabelecer recomendações com base em normas técnico-administrativo e algoritmos rígidos (1,3). Está preconizado que, na esmagadora maioria dos casos, a metformina deve ser administrada ab initio. Este é, aliás, um consenso generalizado em todas as directrizes. Nas situações de intolerância ou contra-indicação à metformina, devem equacionar-se outras alternativas terapêuticas (3).

Em segunda linha, e em associação com a metformina, temos as sulfonilureias, as glitazonas, os inibidores DP-4, os agonistas do receptor GLP-1 e a insulina basal (4). Dispomos de várias possibilidades terapêuticas, sendo que a preferência farmacológica obedece a critérios de eficácia, segurança, risco de hipoglicemias (5), efeitos colaterais do tratamento, ganho de peso e custos. Estes parâmetros influenciam a escolha do segundo agente, após a administração da metformina, a qual deve obedecer a algumas características farmacológicas e ao tipo de doente. Se não se atingirem os objectivos poder-se-á fazer uma associação tripla, entre estes fármacos e até doses múltiplas diárias de insulina.

 

Sulfonilureias (SU) no tratamento do DM 2

Teoricamente, algumas SU poderiam ter melhor perfil CV que outras, quer pela selectividade para receptores pancreáticos (gliclazida, glipizida), quer pela não interferência no pré-condicionamento miocárdio (glimepirida) (6, 7). Recentemente, alguns estudos de corte retrospetivos parecem sugerir que a gliclazida (e eventualmente a glimepirida) possa ter um perfil de risco CV mais favorável comparativamente às outras SU.

Um estudo ucraniano sugere uma mortalidade total mais baixa para a gliclazida e Glimepirida vs. Glibenclamida (HR 0.33, IC 95% 0.26 – 0.41) e (HR 0.605, IC 95% 0.413 – 0.886), respetivamente e redução da mortalidade CV com a gliclazida vs glibenclamida (HR 0.29, IC 95% 0.21 – 0.38). (8)

Um estudo norte-americano em 11.141 doentes apontou no sentido de aumento na mortalidade total com a glipizida (HR 1.39, IC 95% 0.99 – 1.06) e com a glibenclamida (HR 1.36, IC 95% 0.96 – 1.91) relativamente à glimepirida em doentes com doença isquémica coronária. (6)

Uma publicação canadiana de 2011 afirma que a estratégia com melhor relação de custo-efetividade é, indubitavelmente, a utilização de SU sobre todas as outras opções (I. DPP-4, inibidor da α-glucosidase, TZD, insulina, meglitinidas, insulinas). (9) Uma orientação do NICE de 2012 aponta como segunda linha preferencial as SU (excluindo a glibenclamida) e, em determinadas circunstâncias, as TZD ou os inibidores DPP-4. (10)

Na terapêutica oral da diabetes mellitus tipo 2, a opção de segunda linha melhor fundamentada em dados de eficácia, segurança e custo é, presentemente, uma SU. Destas, a gliclazida é a escolha preferencial em adição à terapêutica com metformina; em alternativa, poderá ser equacionada a glimepirida. (11) A utilização de outros antidiabéticos orais só deve ser equacionada mediante documentação do risco de hipoglicémia clinicamente relevante.

 

Quando os níveis de glicose

 não podem ser

adequadamente controlados

 por meio de dieta alimentar,

 exercícios físicos e redução

de peso

Glimepirida é indicada para o tratamento oral da DM Tipo 2 ou diabetes do adulto, quando os níveis de glicose não podem ser adequadamente controlados por meio de dieta alimentar, exercícios físicos e redução de peso. Glimepirida pode ser associada a outros antidiabéticos orais que não estimulam a secreção de insulina, como a metformina. Glimepirida pode ser associada a metformina quando os níveis glicêmicos (níveis de açúcar no sangue) não podem ser adequadamente controlados por meio de dieta alimentar, exercícios físicos e uso de glimepirida ou metformina em mono terapia (uso de apenas um medicamento). Glimepirida também pode ser utilizada em associação com insulina.

A dose inicial usual é de 1 mg de glimepirida diariamente. Se necessário, esta dose diária poderá ser aumentada. Recomenda-se que tal aumento se faça de acordo com o controle do nível de glicose no sangue e de forma gradual, em intervalos de 1 a 2 semanas, de acordo com as seguintes etapas: 1 mg, 2 mg, 3 mg, 4 mg e 6 mg. A dose inicial usual para pacientes com diabetes bem controlada é de 1 a 4 mg de glimepirida ao dia. Doses diárias superiores a 6 mg (até 8 mg) somente são eficazes para uma minoria de pacientes; portanto doses superiores não devem ser utilizadas.

 

Conclusões

Na prática, um paciente pode comparecer a primeira consulta, no início da evolução do DM2, quando predomina a insulinorresistencia ou, então, com muitos anos de evolução da enfermidade, em que a principal característica é a insulinopenia. A melhor terapia dependerá muito da capacidade secretória do seu pâncreas.

 

REFERÊNCIAS

1. Duarte R, Silva Nunes J, Medina JL; pelo Grupo de Trabalho para as Recomendações Nacionais do Tratamento da Hiperglicemia na Diabetes Tipo 2. As Recentes Guidelines para o Tratamento da DiabetesTipo 2 - Base para as Recomendações Nacionais da SPD. Revista Portuguesa de Diabetes. 2012;7:129-48.

2. Stratton IM, Adler AI, Neil HA, et al. Association of glycaemia with macrovascular and microvascular complications of type 2 diabetes (UKPDS 35): prospective observational study. BMJ. 2000;321:405-12.

3. Inzucchi SE, Bergenstal RM, Buse JB. Management of hyperglycaemia in type 2 diabetes: a patient-centered approach. Position statement of the American Diabetes Association (ADA) and the European Association for the

Study of Diabetes (EASD). Diabetes Care. 2012;35:1364-79. Diabetologia. 2012;55:1577-96.

4. Kabadi UM, Kabadi M. Comparative efficacy of glimepiride and/or metformin with insulin in type 2 diabetes. Diabet Res Clin Practice 2006; 72: 265-70

5. Andreas Holstein A, Plaschke A, Eick-Hartwig E. Lower incidence of severe hypoglycaemia in patients with type 2 diabetes treated with glimepiride versus glibenclamide. Diabetes Metab Res Rev 2001; 17: 467–73

6. Pantalone KM. The Risk of Overall Mortality in Patients With Type 2 Diabetes Receiving Glipizide, Glyburide, or Glimepiride Monotherapy. A retrospective analysis. Diabetes Care 2010; 33:1224–9

7. Cleveland JC. Oral sulfonylurea hypoglycemic agents prevent ischemic preconditioning in human myocardium. Circulation 1997; 96:29–2

8. Khalangot M. Glibenclamide-related excess in total and cardiovascular mortality risks: data from large Ukrainian observational cohort study. Diabetes Res Clin Pract 2009; 86:247-53

9. Klarenbach S, Cameron C, Singh S, Ur E. Cost-effectiveness of second-line antihyperglycemic therapy in patients with type 2 diabetes mellitus inadequately controlled on metformin. CMAJ 2011. DOI:10.1503/cmaj.110178, 2011.

10. NICE Pathways. Blood-glucose-lowering therapy for type 2 diabetes. 2012.

11. Weitgasser R, Lechleitner M,  Luger A, Klingler A.  Effects of glimepiride on HbA1c and body weight in Type 2 diabetes: results of a 1.5-year follow-up study. Diabetes Research and Clinical Practice 2003;  61: 13-9

 

 

 

 

 

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O que é isto da perturbação de hiperactividade e défice de atenção?

 

É diversificada a terminologia pela qual é conhecida esta problemática. Termos como hiperactividade, hiperquinésia, disfunção cerebral mínima, síndrome hiperquinético, problemas de comportamento, dificuldades de aprendizagem, problemas de atenção com hiperactividade, entre outros,  são usados.

 

Segundo a APA (2002), a Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção, vulga PHDA, é um dos problemas de desenvolvimento da infância e da adolescência, que é usado para referir indivíduos que apresentam comportamentos hiperactivos, que têm dificuldade em prestar atenção às tarefas e que têm tendência para ser impulsivos. É um padrão persistente de falta de atenção e/ou impulsividade-hiperactividade, com uma intensidade que é mais frequente e grave que o observado habitualmente nos sujeitos com um nível semelhante de desenvolvimento.

Esta patologia é também considerada como um distúrbio neurobiológico que se caracteriza por um inadequado desenvolvimento das capacidades de atenção e, em alguns casos por impulsividade e/ou hiperactividade.

Durante muito tempo julgou-se a hiperactividade como a característica principal da PHDA. hoje em dia sabe-se que não é bem assim, existindo segundo o DSM-IV (2002) e Antunes (2009), três tipos de PHDA:

1) Tipo Predominantemente Desatento - predominância de sintomas de desatenção;

2) Tipo Predominantemente Hiperactivo - Impulsivo: onde existe um maior número de sintomas de hiperactividade – impulsividade;

3) Tipo Combinado -  existindo uma combinação entre sintomas de hiperactividade – impulsividade e desatenção.

 

Características da  PHDA

Défice de Atenção

As crianças têm muita dificuldade em se manterem atentas por longos períodos de tempo, apresentando mais dificuldades de memorização e de seguir instruções.

De acordo com o DSM–IV da APA (2002), os sintomas que são indicadores de falta de atenção, se ocorrerem com frequência e forem verificados pelo menos seis deles, são os que se apresentam no quadro abaixo.

Quadro 1 – Critérios de diagnóstico para a falta de atenção.

a) Não presta atenção suficiente aos pormenores ou comete erros por descuido nas tarefas escolares, no trabalho ou noutras actividades lúdicas;

b) Parece não ouvir quando se lhe dirigem directamente;

c) Não segue as instruções e não termina os trabalhos escolares;

d) Tem dificuldade em organizar-se,

e) Evita ou está relutante em envolver-se em tarefas que requeiram um esforço mental prolongado (ex.: trabalhos escolares);

f) Perde objectos necessários a tarefas ou actividades (ex.: brinquedos, livros, lápis, exercícios escolares...);

g) Distrai-se com estímulos irrelevantes;

h) Esquece-se das actividades quotidianas;

i) Tem dificuldade em manter a atenção nas tarefas ou actividades lúdicas.

 

Hiperactividade

As crianças com PHDA apresentam uma actividade superior à média, quer ao nível motor quer ao nível vocal. Ao nível motor é comum mexerem excessivamente as mãos e as pernas, apresentarem uma dificuldade em estarem quietas ou simplesmente descansarem e sobretudo exibirem estes movimentos em momentos inadequados.

Segundo o DSM-IV da APA (2002), uma criança hiperactiva deverá apresentar persistentemente os seguintes sintomas:

 

Quadro 2 – Critérios de diagnóstico para a hiperactividade.

a) Movimentar excessivamente as mãos e os pés e mover-se quando está sentado;

b) Levantar-se na sala ou em outras situações em que se espera que esteja sentado;

c) Correr ou saltar excessivamente em situações em que é inadequado fazê-lo;

d) Ter dificuldade para se dedicar tranquilamente a um jogo;

e) Agir como se estivesse ligado a um motor;

f) Falar em excesso.

 

Nota-se que, embora a agitação varie muito de uma criança para outra, elas são mais activas que as outras crianças em todas as suas actividades e, na maior parte dos casos, mesmo durante o sono. Mas o que realmente as distingue é a incapacidade de controlar o seu grau de actividade e mesmo quando têm consciência disso continuam incapazes de reprimir essa necessidade de movimento permanente

 

Impulsividade

A impulsividade pode ser definida como um fracasso na inibição de comportamento tendo manifestações a nível emocional e cognitivo.

De acordo com a APA (2002), este factor manifesta-se por impaciência, responder antes de ouvir a pergunta, dificuldade em esperar, interromper os outros, dificuldade em seguir instruções, fazer comentários inoportunos, partir objectos sem querer ou mexer nas coisas dos outros.

Uma criança impulsiva, perante o DSM-IV da APA (2002), deverá apresentar persistentemente os sintomas abaixo apresentados:

 

Quadro 3 – Critérios de diagnóstico para a impulsividade.

a) Ter dificuldade em esperar pela sua vez;

b) Precipitar as respostas antes que as perguntas tenham acabado;

c) Interromper ou interferir nas actividades dos outros.

 

A criança, para ser referenciada, terá que manifestar estes sintomas antes dos sete anos de idade. Devem manifestar-se em pelo menos duas situações (casa, escola), interferir no funcionamento social, académico ou ocupacional e  não devem resultar de uma outra desordem de foro psiquiátrico

 

 

Referência bibliográfica:

American Psychiatric Association (2002). Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios psiquiátricos (DSM-IV) (4ª ed.). Porto Alegre: Artes Médicas.

 

 

 

 

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1ª Semana da Farmácia Angolana agendada para Outubro

 

A 1ª Semana da Farmácia Angolana realiza-se em Luanda, a 24 e 25 de Outubro de 2014. O evento, promovido pela Ordem dos Farmacêuticos de Angola (OFA),  reunirá, na capital, centenas de farmacêuticos, profissionais de farmácia e outros técnicos de saúde provenientes de todo o país e ainda convidados do mundo lusófono. As intervenções irão promover o conhecimento e potenciar a actividade farmacêutica, a farmácia e a saúde, através do debate de ideias. O programa poderá ser consultado, em breve, no site www.ordemfarmaceuticosangola.org

 Em simultâneo, decorrerá a  Expo Farma onde vai poder encontrar inúmeros Stands recheados de produtos, serviços e soluções para a farmácia hospitalar e de oficina.

 

 

 

 

 

 

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Bocoio ganha escola do 2º ciclo

Impacto estruturante na comunidade

 

O município do Bocoio, na província de Benguela, conta, desde 24 de Abril, com uma moderna escola do 2º ciclo, com 12 salas de aula e recinto desportivo. Financiada pela Sonangol, BP Angola e associadas do bloco 18, o empreendimento tem um impacto estruturante na região: oferece a 2.500 jovens a possibilidade de continuarem aqui os seus estudos e é consentânea com a nova centralidade projectada para esta localidade. Para o governador Isaac dos Anjos, "a obra vai contribuir para elevar o Bocoio de vila a cidade".

 

De acordo com o governador provincial de Benguela, Isaac dos Anjos, que presidiu à inauguração, a nova escola é "o produto da acção social desta empresa, a BP, que opera no sector dos petróleos" e vai "contribuir para elevar o Bocoio de vila a cidade no prazo de dois anos", beneficiando as comunidades. "Ao Bocoio já começou a chegar um bocado do petróleo de Angola", rematou.

"Nunca tivemos um empreendimento tão grande. Esta é a escola mãe do 2º ciclo de ensino", revelou-nos o administrador municipal em exercício, Herculano Neto, em entrevista à margem da cerimónia. "A BP não vacilou quando, na sua visita inicial, viu a estrutura que tínhamos com apenas três salas de adobe e dispersas. Hoje, dispomos de um edifício escolar com uma dimensão e qualidade que não difere das que vemos em Luanda, o que para nós é uma grande satisfação e permite-nos almejar a elevação a cidade". Segundo o administrador Neto, a escola terá três períodos de aulas que irão acolher cerca de 2.500 alunos. "É um ganho", garantiu. "Não vieram apenas gerar rendimentos, mas olharam para a componente social", concluiu, referindo-se à petrolífera.

 

Conteúdo nacional

O responsável da RISE - a organização não governamental implementadora -, Adriano Huambo, recordou a parceria de longa data com a BP e as escolas já erigidas em conjunto, quer na província de Benguela - na comunidade de Lumela, município do Balombo, Caimbambo e Chimbassi, no município do Cubal -, quer em outras províncias. Salientou que a obra inaugurada foi "totalmente construída por jovens angolanos formados pelo INEFOP, aquando do seu programa de formação móvel".

Por sua vez, o Vice-presidente para área de Comunicação e Relações Externas da BP Angola, Paulo Pizarro, lembrou que a educação e o desenvolvimento empresarial são os pilares da estratégia da responsabilidade social corporativa da companhia em Angola. "Nos últimos sete anos, a BP apoiou vários projectos sociais em Benguela, entre os quais o microcrédito Grande Plutónio que beneficiou dezenas de associações agrícolas e cooperativas em quatro municípios da província". Ao mesmo tempo "investimos seriamente no conteúdo nacional. Esta escola, por exemplo, foi erigida por trabalhadores locais, tal como uma boa parte da infraestrutura submarina que utilizamos nos blocos de exploração petrolífera que operamos foi construída, ou montada, em unidades da Sonamet e da Angoflex no Lobito".  Concluiu sublinhado que a construção da escola -- financiada pelo bloco 18 constituído pela BP, Sonangol e SSI --, só foi possível "graças ao empenho do Governo da província e do Ministério da Educação".

A delegação da BP foi constituída pelo director do Desenvolvimento Sustentável, Gaspar Santos, o director de Marketing e Media, Amílcar Costa, o director de Relações Governamentais, Adalberto Fernandes, os conselheiros Luduvina da Costa, José Fernandes e os técnicos Tonta Mucage e Luciano João. A Sonangol foi representada por José Luciano.

 

 

 

 

 

 

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Bwé Saúde: melhorando a vida nas comunidades

 

Sensibilizar as comunidades do vale do Médio Kwanza sobre práticas que beneficiam o bem-estar e a qualidade de vida é o principal objectivo do Bwé Saúde, programa focado na promoção da saúde familiar, desenvolvido pela Odebrecht Infraestrutura no contrato de modernização e ampliação do Aproveitamento Hidroeléctrico de Cambambe, no Kwanza Norte.

 

“Bwé Saúde - que na gíria local quer dizer muita saúde - materializa o desejo de melhorar a saúde e a qualidade de vida nas comunidades. Fomentar a prática de ações preventivas como lavar as mãos, ferver a água antes do consumo, deixar o entorno das casas limpo, utilizar mosquiteiros e deitar lixo em lugares apropriados, são hábitos simples que contribuem para a prevenção de doenças”, explica Vanessa Silva, responsável pelo programa de Responsabilidade Social.

Desenvolvido desde 2012, além de promover a difusão de conhecimentos referentes a hábitos e práticas de prevenção de doenças e promoção da saúde familiar, o projecto estabelece parcerias com as repartições de saúde da região para facilitar campanhas de imunização e a implantação de melhorias sanitárias nas comunidades.

Neste sentido, o programa capacitou 29 agentes de saúde comunitária que actuam nas comunidades de Cambingo, Terra Nova, Massangano e Kalenga. Uma forma de fortalecer o voluntariado, o compromisso com o coletivo e o apoio ao próximo. Actualmente, cerca de 254 famílias cadastradas recebem orientação para a prevenção de doenças como o HIV-Sida, Malária, Tuberculose, diarréia, saúde da mulher, entre outras.

Em acréscimo, com o apoio da equipa de Saúde Ocupacional do AH Cambambe, é realizada a fumigação (aplicação de fumacê) na Vila de Cambambe, como parte das ações de controle da Malária, e são promovidas campanhas educativas de controle de enfermidades e a entrega de preservativos, mosquiteiros, repelentes e cloro para purificação da água.

 

 

 

 

 

 

 

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A propósito do dia internacional do consumidor

A importância do direito do consumidor

 

O Direito do consumidor é um tema de importância relevante no quadro das relações de consumo, adquire um pendor especial no desenvolvimento do comércio como segmento e prática decisiva à sustentabilidade da economia num ambiente em que a sociedade é, simultaneamente, o ponto de partida e de chegada de todos os processos inerentes ao desenvolvimento humano.

 

Tida como o centro de toda a dinâmica social, a relação de consumo está implicada em todos processos cujo destino é o homem como ser social e actor central de todas as dinâmicas atinentes ao desenvolvimento e à prosperidade.

Como toda e qualquer prática social virada para o bem comum, o comércio, mesmo desde tempos ancestrais, sempre foi desenvolvido sob o signo de normas e regras tácitas que lhe garantissem uma prática sustentável e um desenvolvimento moralmente dignificante, para que a concorrência e a competitividade, que lhe são transversais, conhecessem uma estruturação dignificante para o destinatário inicial e final, o consumidor, em suma, o ser humano.

É nesse condão que, na relação de consumo, encontram-se leis e pressupostos normativos decisivamente incontornáveis, sem os quais a actividade económica seria um terreno fértil a condutas desonestas e lesivas à própria condição fundamental do homem, a vida. Os actos de venda e compra de bens e serviços requerem o respeito escrupuloso das leis  relativas à preservação da vida  humana nas suas diversas vertentes. E o cumprimento dessas leis deve ser o pressuposto central de quem produz e/ ou vende produtos atinentes à subsistência humana. Em Angola, a lei 03/15, lei de Defesa do Consumidor é um exemplo destes instrumentos jurídicos que devem ser respeitados.

 

Terreno tentador

Porque a venda de bens e serviços é um terreno tentador para os amigos do lucro fácil, os consumidores precisam de estar imunes a essas práticas lesivas aos seus direitos. Para o efeito, o Estado e a sociedade criam, permanentemente, meios e serviços vocacionados ao ordenamento e à normatização dos serviços de prestação económico-comercial e atinentes às diversas necessidades materiais do homem, visando um ambiente comercial determinado pelos marcos da ordem e da preservação da integridade humana.

Tanto que, face à crescente necessidade de desencorajar todas práticas relacionadas com a fraude comercial, através de instituições comerciais, de fiscalização das actividades comerciais e económicas, instituições de defesa dos consumidores, associações de consumidores e comerciantes, vai crescendo um amplo movimento de desencorajamento e de punição da fraude comercial, revestida de formas diversas, como por exemplo, a burla e a contrafacção. Mesmo assim, a apetência dos sujeitos das supracitadas práticas é tamanha cujos seus métodos e truques se aprimoram permanentemente. As suas manhas são tais que encontram sempre vítimas entre os mais honestos consumidores.

 

Direitos de cidadania

Por isso é que o Estado angolano tem-se organizado permanentemente, fazendo socorrer-se de leis e de mecanismos tangíveis para instaurar um ambiente económico-comercial cada vez mais moralizado e humanizado, em que todos os actores e operadores da sociedade humana desenvolvam uma dinâmica conjunta na luta contra a violação do direito do consumidor. Essa acção enquadra-se também no leque dos direitos de cidadania a que assistem os cidadãos angolanos, numa altura em que a reconstrução nacional e a reestruturação económica nacional conhecem uma dimensão cada vez maior. Urge, para tal desiderato, que se consolide um pacote jurídico que impulsione uma acção de contenção e de punição à ilegalidade e outros crimes comerciais, aliado a uma acção de sensibilização e educação no seio da sociedade, visando a divulgação das leis e dos conteúdos referentes aos direitos do consumidor em Angola.

Com efeito, sendo uma problemática de capital importância para a vida dos angolanos, o direito do consumidor aparece numa altura em que, no quadro dos direitos básicos do homem, ganha um espaço muito sensível no âmbito da segurança e da ordem pública, assim como o respectivo combate ganha a dimensão de soberania nacional, pois que, implicitamente, está atinente à defesa da integridade diversa dos cidadãos, numa sociedade em que a lei e a ordem são o primado de toda e qualquer prática que tenha o cidadão como sujeito e objecto decisivos.

 

Educação e informação

Para alcançar os desideratos fundamentais à criação de um ambiente permanentemente fortalecido na senda da defesa dos direitos do consumidor, paralelamente à vertente penal, a vertente da educação, da sensibilização e informação da sociedade, constitui um passo decisivo no combate à violação do direito do consumidor, aos crimes económicos e de fraude económica. As instituições de defesa do consumidor, os sindicatos e os organismos, as associações camarárias e empresariais, têm um papel preponderante a desempenhar para esse fim, dando vida a uma sociedade comercial e económica livre da violação do direitos dos consumidor.

 

INADEC apela ao cumprimento da lei de defesa do consumidor

DIRECTOR GERAL ADJUNTO DO INADEC, BENDINHA DE FREITAS, NO DIA MUNDIAL DO CONSUMIDOR "O INADEC apela aos vendedores de bens e serviços a cumprirem com os prazos de garantia plasmado na lei de defesa do consumidor. Os produtos e serviços devem trazer rótulos com informações claras e completas em língua portuguesa, nomeadamente suas características, qualidade, quantidade, composição, preço, garantia, prazo de validade, nome do fabricante e endereço, riscos que possam ser apresentados à saúde e à segurança do consumidor que pode, ainda, exigir manuais de instrução também em português”.

O Director-geral adjunto do INADEC lembrou que a publicidade é o meio de divulgação e incentivo do consumo  de bens e serviços que eventualmente o consumidor pode adquirir  mediante essa informação prestada pelo fornecedor. “A correcta informação sobre o produto ou serviço objectiva uma maior confiança  a todos os consumidores,  produzindo o binómio segurança e qualidade”.

 

 

 

 

 

 

 

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Pais com diferentes nacionalidades e bilinguismo

“Mãe, where is my sapato?”

 

Actualmente, em Angola, muitas crianças estão expostas a ambientes em que se falam duas línguas. O bilinguismo é bom ou atrasa o desenvolvimento da linguagem?

 

Nos dias atuais, é muito comum as crianças serem expostas a ambientes bilingues, isto é, meios em que se falam duas línguas. Com a expansão da diversidade cultural é habitual pessoas de diferentes nacionalidades passarem a viver juntas, ou então, cada vez mais, os pais procurarem escolas bilingues para que os seus filhos possam aprender, desde cedo, uma outra língua. O chavão “quanto mais cedo, melhor”, aplica-se também à aprendizagem de uma segunda língua.

Apesar de intuitivamente se saber que expor um bebé, ou uma criança pequena, a uma outra língua poderá trazer muitos benefícios, ainda existem muitas dúvidas sobre este tema e poucos estudos ainda foram realizados.

Os pais com diferentes nacionalidades muitas vezes questionam:

Qual língua que deve ser usada com a criança?  A criança terá a habilidade de aprender duas línguas ao mesmo tempo?  Se forem faladas duas ou mais línguas, no ambiente familiar, não será confuso para a criança? Ou será melhor usar a mesma língua falada na escola? O bilinguismo não irá atrasar o desenvolvimento da fala e da linguagem da criança? Ora, para muitos casos, o ambiente bilingue não é  uma escolha, mas sim uma necessidade!

Uma criança pode aprender uma segunda língua de formas diferentes: simultaneamente à aquisição de sua língua materna ou nativa (até os 3 anos de idade), ou por aquisição sucessiva (quando ocorre após os 3 anos, por exemplo, com o ingresso em uma escola bilíngue).

Alguns estudos discutem e apresentam as vantagens do bilinguismo, tais como: contribuição para o desenvolvimento cognitivo; desenvolvimento das habilidades metacognitivas; maior flexibilidade cognitiva; maior habilidade para aprender novas palavras; maior habilidade para discriminar informações relevantes das irrelevantes; aumento da capacidade de processamento da linguagem, principalmente quanto ao processamento fonológico e sintáctico.

 

Desenvolvimento

da fala e da linguagem

Um bebé comunica basicamente por meio do choro, que, de indiferenciado, vai gradativamente tornando-se diferenciado. Aos 2/3 meses aparecem as vocalizações, seguidas do balbucio e do início da produção de segmentos silábicos, até culminar, nas primeiras palavras, por volta dos 12/13meses. Essa fase pré-linguística é importante para o desenvolvimento da oralidade. Nesta fase  a criança é mais receptora e está atenta aos estímulos que recebe do meio onde vive.

Ouvir músicas é uma forma importante de estimular o desenvolvimento da linguagem. A música activa mais regiões do cérebro do que a linguagem. Isso significa que as crianças têm maior facilidade de aprender novas palavras através da música. Este argumento explica o facto de se usar de forma sistemática a música em escolas que ensinam línguas estrangeiras para crianças.

 

Existe uma idade ideal

 para expor as crianças

a uma segunda língua?

Se o ambiente familiar é bilingue, a criança pode, desde o nascimento, ser exposta a duas ou mais línguas. Já existe um estudo apontando que, ainda na gestação, os bebés já podem ser sensíveis linguisticamente ao bilinguismo. Quando não for, uma opção aos pais são as escolas bilingues – bilinguismo sucessivo, após os 3 anos de idade. Quanto mais cedo é a  exposição, maior o domínio que a criança poderá ter da língua. Inclusive, estudos comparando a actividade cerebral de crianças monolingues e bilingues mostram que nas bilingues as regiões da área da linguagem no cérebro se sobrepõem, ao contrário de falar duas línguas quando adultos, onde áreas cerebrais diferentes são activadas. O cérebro infantil sintoniza-se com os sons das línguas durante este período sensível no desenvolvimento. Ou seja, os bebés são mais capazes de distinguir os sons das diferentes línguas.

 

O bilinguismo pode

causar um atraso no

desenvolvimento

da fala e da linguagem?

Uma criança com desenvolvimento normal da linguagem começa a falar por volta de 1 ano. Aos 2 anos já pode iniciar pequenas frases. Não existem, até o momento, evidências científicas de que o bilinguismo pode ocasionar atraso no desenvolvimento da linguagem. Muitas crianças são bilingues e o desenvolvimento da fala aparece no período em que é esperado mesmo, sem atrasos.

O processo de aquisição e desenvolvimento da fala e da linguagem de uma criança ocorre por fases e etapas. Existem as variações, aquilo que as pessoas, comumente, comentam ao dizer que cada criança tem o seu ritmo próprio. E isso acontece mesmo. Mas essas variações, geralmente, são de dois a quatro meses. Não mais do que isso. O importante é os pais saberem que, apesar de existir as variações individuais, existem marcos, os períodos onde certos desempenhos são esperados. Quando isso não ocorre é importante  observar mais atentamente. E, na dúvida, sempre procurar uma ajuda profissional.

Sobre a hipótese que uma criança que fala uma segunda língua poder demorar mais, é preciso considerar o que é esse “demorar mais”. Pensar em dois ou até três meses mais tarde, pode ser justificado pela variação individual da criança, mas muito mais que isso pode ser que esteja a existir uma confusão.  Muitas  crianças  têm uma dificuldade específica do desenvolvimento da linguagem e, muitas vezes, isso é atribuído ao bilinguismo. Nestes casos, devemos estar atentos e procurar ajuda de um profissional pois a causa não será o bilinguismo e essa criança, mesmo sendo monolingue, teria sempre dificuldades.

Existe uma condição clínica, a Perturbação  Específica da Linguagem (SpecificLanguageImpairment), que se  caracteriza por uma dificuldade específica para adquirir e desenvolver a linguagem. Geralmente, são crianças normais que ouvem bem, que são inteligentes, que podem ter uma compreensão adequada. No entanto, a fala não se desenvolve conforme o esperado, é uma dificuldade na linguagem expressiva. A criança que possui uma predisposição para apresentar um transtorno para o desenvolvimento da linguagem irá manifestar as dificuldades linguísticas, independente de quais e quantas línguas são utilizadas. Os pais devem estar atentos a isso, senão o que é de facto uma dificuldade pode ser atribuído erroneamente ao bilinguismo.

Se for detectado algum tipo de atraso ou “dificuldade”, deve  ter algum tipo de cautela em relação à aprendizagem de uma segunda língua?

Conforme já referido, as crianças podem apresentar uma dificuldade no desenvolvimento da fala, independente da língua utilizada.

O cuidado que os pais devem ter é o de, ao observarem alguma dificuldade, procurarem uma orientação profissional – um terapeuta da fala pode fazer uma avaliação e dar as orientações necessárias.

Quando uma criança apresentar um “erro”, não corrija excessivamente, pois isso pode inibir o desenvolvimento natural da língua. Uma das estratégias mais efectivas é retomar/repetir o que a criança disse, fornecendo o modelo correto.

Também é importante lembrar que crianças que “misturam” as línguas durante uma conversa, por exemplo, “Mãe, where´s my sapato?” não é sinal de confusão, ou de problema. É comum em ambientes bilingues.

 

Deve uma nova língua

 ser ensinada na escola?

Desde muito cedo pode ser ensinada uma nova língua na escola primária, ou mesmo no jardim de infância. Este ensino que, habitualmente, se resume a uma ou duas horas semanais, não pode ser nunca  equiparado a um bilinguismo. Tal como já foi referido anteriormente, este ensino deve ser feito oralmente, através de actividades lúdicas e cantigas. Nunca deve ser ensinada uma nova língua de forma escrita, quando a criança ainda não adquiriu a leitura e escrita da sua língua materna.

O ensino da leitura e escrita de palavras em inglês a crianças que frequentam o 1º ano de escolaridade é uma prática muito comum. No entanto, pode causar grandes confusões e atrasos, mesmo na aquisição da leitura e escrita da língua materna.

Na aquisição da leitura ensinamos à criança que um grafema (letra), muitas vezes corresponde a dois ou mais fonemas (sons)  diferentes. Quando existe o ensino da leitura de uma língua estrangeira, surge uma nova informação: esse mesmo grafema agora corresponde a outro fonema ainda diferente dos dois anteriormente ensinados….. As confusões são inevitáveis quando a leitura e escrita da língua materna ainda não se encontra automatizada.

 

 

 

 

 

 

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