MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Rui Moreira de Sá

Director Editorial

direccao@jornaldasaude.org

Saúde: cambiais para um sector prioritário

 

Os desafios que o novo ministro da Saúde enfrenta não são poucos. É nomeado num momento em que a malária e a febre amarela iniciam a sua escalada, ao mesmo tempo que a crise financeira e cambial do país se agrava. Como resultado, os hospitais “rebentam pelas costuras” com o aumento da demanda, ao mesmo tempo que escasseiam os medicamentos e gastáveis. No meio desta tormenta, a visita oficial a Angola da directora-geral da OMS, Margaret Chan, à qual certamente Gomes Sambo não foi alheio, e o seu encontro com o Presidente da República, revestiu-se de particular importância. Contribuiu para evidenciar a importância crucial da saúde para o país, nas suas várias vertentes, pôs o dedo numa das feridas –  a bio-ameaça causada pela falta de saneamento, ao qual não tem sido dado, ao longo dos anos, a importância devida –, deu visibilidade ao sector, enfim, colocou-o no centro da agenda política, para além, é claro, da chamada de atenção para as acções urgentes com vista a conter a pandemia da febre amarela, incluindo a disponibilidade das vacinas.

Entretanto, a fase mais crítica está a ser ultrapassada e o recente Conselho Consultivo que decorreu este mês em Luanda, e que destacamos nesta edição, sob a batuta do ministro Sambo, serviu para juntar forças, cerrar fileiras, chegar a conclusões e traçar o rumo.

E agora? O futuro? O financiamento? A sustentabilidade? Dos médicos, farmacêuticos, enfermeiros e gestores das unidades de saúde, aos agentes económicos do sector, nomeadamente os importadores e distribuidores de medicamentos e equipamentos, estão, todos, expectantes quanto à evolução a curto e médio prazos. O sector da saúde – como prioritário que é – terá força para ultrapassar os constrangimentos cambiais, negociar com as Finanças, e abastecer-se com os meios necessários para promover a saúde e combater a doença? Os próximos meses o dirão.

 

 

 

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Cientistas vão tentar “ressuscitar” mortos. E o que acontece às memórias?

 

Marlene Carriço

 

Ressuscitar alguém em morte cerebral? Os investigadores estão convencidos que pode ser possível e uma empresa de biotecnologia dos EUA já teve autorização do regulador para avançar com os testes.

 

A Bioquark, uma empresa de biotecnologia norte-americana, conseguiu este mês a autorização ética do regulador de saúde para avançar com uma investigação que envolverá 20 pessoas clinicamente mortas devido a lesões cerebrais. A ideia é verificar se é possível “ressuscitá-las” e perceber que partes do sistema nervoso central se consegue recuperar. Os 20 participantes têm que ter os órgãos a funcionar com o apoio de máquinas de suporte de vida.

Nesta investigação, que será realizada num hospital na Índia, serão combinadas várias terapêuticas como uma injecção no cérebro de células estaminais e um cocktail de peptídeos, com lasers e técnicas de estimulação de nervos já utilizadas em doentes em coma, com sucesso.

Os participantes do ReAnima Project vão ser monitorizados durante meses através de equipamentos de imagiologia para detectar sinais de regeneração no cérebro. E os cientistas estão convencidos que as células estaminais do cérebro conseguem apagar o seu histórico e “ressuscitar” graças ao tecido que as rodeia.

“Isto representa o primeiro ensaio do género e mais um passo em direção à eventual reversão da morte”, afirmou Ira Pastor, CEO da Bioquark, em declarações ao jornal The Telegraph.

Ao jornal Observador, António Jácomo, do Instituto de Bioética da Universidade Católica do Porto, afirmou que esta é uma “matéria recorrente” e que há “um grande desejo de ressuscitar e reanimar corpos”.

O investigador considera que, “do ponto de vista biológico, é perfeitamente possível e acreditamos que o futuro da humanidade caminha para a longevidade com uma capacidade de recuperação cada vez mais elevada”. E entende que estas experiências até agora só não avançaram em humanos por “razões de integridade científica e critérios de investigação”.

“É muito difícil por questões de consentimento e questões éticas na área da investigação científica que alguns ensaios post mortem sejam aprovados. E acredito que, de forma mais pública, não estejam a ser divulgados mais estudos por causa dessas questões.”

 

Será possível recuperar o cérebro a 100%?

 

António Jácomo acredita, contudo, que não será possível recuperar integralmente o cérebro, julgando aquilo que acontece no caso dos doentes com algumas lesões neuronais suscitadas por um coma profundo prolongado ou alguma lesão neuronal com perda de consciência.

Há casos de alguma recuperação não só cognitiva mas também motora. De acordo com a evidência que temos, suspeitamos que o facto de alguém já estar clinicamente morto e ser depois reanimado implicará algumas perdas irreversíveis do tecido neuronal. A recuperação nunca será a 100%”, afirma o investigador.

E se isto acontece em casos de lesões muito específicas, “imaginamos que quando for o cérebro todo as lesões serão muito mais expressivas. Podemos até conseguir ativar algumas áreas, nomeadamente as motoras que são as mais fáceis, mas notamos que há algumas lesões que afetaram a parte cognitiva, emocional e da memória que são mais difíceis de recuperar”.

 

Ressuscitar versus reanimar

 

E é precisamente pela falta de garantias ao nível das funções cognitivas e da memória que se erguem as questões mais filosóficas. Para quê “ressuscitar” alguém em morte cerebral? Qual o objetivo? E a quem se destinaria?

Levanta-se ainda a questão da diferença entre ressuscitar e reanimar”, alerta António Jácomo.

“É possível conseguirmos ter esta activação corporal do cérebro, o problema é que todas as memórias, toda a área do hipocampo, os conceitos guardados no cérebro são guardados activamente. Nós não sabemos se quando acaba a actividade neuronal todos esses referentes serão mantidos ou apagados. Que homem do futuro vamos ter?”, interroga o especialista em bioética.

 

 

 

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Peritos europeus estudam em Angola implicações da epidemia de febre-amarela

 

Peritos médicos da União Europeia (UE) estão em Angola para «compreender» a epidemia de febre-amarela que em cinco meses matou quase 300 pessoas, sobretudo em Luanda, nomeadamente para «avaliar as implicações para a Europa».

 

A informação foi divulgada pela delegação da UE em Luanda, acrescentando, em nota enviada ao Jornal da Saúde, que a missão integra peritos da Alemanha, Portugal e Bélgica, elementos da Comissão Europeia e especialistas do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, ao abrigo do Corpo Médico Europeu (EMC), lançado em Fevereiro deste ano.

Promover uma "melhor compreensão do surto, avaliar as implicações para a Europa, e analisar a possibilidade de um maior apoio especializado para o país" são os objetivos desta missão, que se prolongará por duas semanas, indica a delegação da UE.

A epidemia de febre-amarela que atinge Angola provocou 293 mortos - até ao final de Abril - e 2.267 casos suspeitos em quase cinco meses, segundo o mais recente boletim oficial sobre a doença.

A delegação da UE recorda que a EMC permite que equipas e equipamentos dos estados-membros possam "intervir rapidamente para fornecer assistência médica e especialização em matéria de saúde pública", dentro e fora do espaço comunitário europeu.

"Estamos a destacar uma primeira equipa de peritos na área da saúde pública. Estas acções complementarão os esforços desenvolvidos pelo Governo angolano e serão desenvolvidas em estreita colaboração com a Organização Mundial da Saúde e outros parceiros internacionais no terreno, para lidar com o surto de febre-amarela. Juntos, podemos compreender e deter melhor e mais rapidamente o surto", explica o Comissário Europeu responsável pela Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, Christos Stylianides, citado na nota.

As autoridades de saúde internacionais identificaram casos suspeitos importados de Angola na China, Quénia, República Democrática do Congo e a Mauritânia.

Desde a detecção de casos, iniciou-se uma campanha de vacinação em larga escala com vista a vacinação de 6,7 milhões de pessoas em Luanda, epicentro da epidemia, e que está a ser alargada a outras províncias.

"A equipa de peritos médicos tem como objetivo promover uma melhor compreensão da epidemiologia da doença, avaliar os riscos de propagação regional e internacional, as implicações para a Europa e para os europeus que viajam na região, e analisar formas de transferir conhecimentos mais especializados para Angola, nos seus esforços de atenuação", conclui a mesma nota.

A EMC faz parte da Capacidade Europeia de Resposta de Emergências, também conhecido como reserva voluntária, criado no âmbito do mecanismo de proteção civil da UE.

Angola já registou surtos de febre-amarela em 1971, durante o tempo colonial português, e posteriormente em 1988, sendo o atual considerado o mais grave de todos.

 

 

 

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Os europeus foram negros durante grande parte da sua evolução

 

Miguel Santos

 

Um estudo, publicado este mês na revista científica Nature, concluiu que os primeiros indivíduos de tez clara só surgiram na Europa há 13 mil anos, muito, muito tempo depois de os primeiros Homo sapiens terem chegado ao continente.

 

n É uma viagem ao longo da história da evolução da espécie humana. Uma equipa de investigadores, liderada pelo geneticista David Reich da Universidade de Harvard, concluiu que os europeus tiveram tez escura durante grande parte da sua evolução.

As peças do puzzle da evolução humana são intricadas e vão-se ligando por entre milhões de anos de arranjos genéticos. O que vemos é uma história “com vários momentos em que umas populações substituíram outras, de migração numa escala dramática e num tempo em que as alterações climáticas eram radicais”, explica Reich, citado pelo jornal El País.

O estudo analisou o ADN de 51 eurasiáticos, uma amostra dez vezes superior à utilizada em qualquer outro estudo semelhante, sublinha a publicação espanhola. A primeira conclusão desta investigação — publicada na revista científica Nature — ajuda a reforçar uma ideia já explorada por outros estudos: quando os neandertais e os Homo sapiens se cruzaram, tiveram filhos férteis. No entanto, a percentagem de ADN dos neandertais nestes descendentes decresceu rapidamente de 6% para 2%, o que pode indicar uma certa incompatibilidade evolutiva.

 

A peça do puzzle

Esta é a primeira peça do puzzle. Acredita-se que os primeiros Homo sapiens chegaram ao continente europeu há 45 mil anos. No entanto, a impressão genética desses primeiros indivíduos desapareceu das populações atuais. É preciso recuar 8 mil anos até encontrar as primeiras relações genéticas entre o europeu moderno e os seus ancestrais.

Nessa época, a Europa enfrentava o último período glaciar. As populações do norte da Europa não tinham grandes alternativas: ou migravam ou não sobreviviam. Há 33 mil anos, o “confronto” entre populações deu origem a uma nova cultura.

Próximo salto de uns quantos milhares de anos. Volte-face evolutivo. Há 19 mil anos, o progressivo degelo terá feito com que os indivíduos que fugiram do norte da Europa para o sul se expandissem novamente para o norte do continente, deixando o território outrora ocupado.

Num piscar de olhos de cinco mil anos, chega à Europa uma outra população, de tez escura e olhos claros oriunda do Próximo Oriente, região próxima do Mar Mediterrâneo. Torna-se “rapidamente” dominante e substitui grande parte da anterior. O que influenciaria decisivamente a evolução do homem europeu — antes desta migração, todos os europeus tinham tez escura e olhos castanhos.

Os indivíduos de tez clara só se tornariam mais comuns com a chegada dos primeiros agricultores do Médio Oriente, inaugurando o período neolítico. Como remata o El País, todas as evidências parecem apontar num único sentido: os europeus foram negros durante grande parte da sua história.

 

 

 

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Felismina Neto

 “A vacina protege. Criança vacinada não adoece. É gratuita. A mãe a quem for cobrado, nem que seja um centavo pela vacina, deve denunciar e tomaremos as medidas correctivas”

Vacina da pólio trivalente é trocada pela bivalente

 

Angola procedeu, no dia 28 de Abril, à troca da vacina contra a poliomielite trivalente pela bivalente. A chefe de secção de vacinação do gabinete provincial de saúde de Luanda, Felismina Neto, explicou a razão ao Jornal da Saúde: “A poliomielite era causada por três vírus, designadamente do tipo 1, tipo 2 e tipo 3. Felizmente, o vírus tipo foi 2 foi erradicado no mundo inteiro, desde 1999. Daí que a comunidade internacional tenha decidido definir um dia, em Abril do corrente ano, para trocar a vacina trivalente pela bivalente”, explicou.

“Já recolhemos a vacina trivalente de toda a rede pública e privada, bem como dos fornecedores, no sentido de evitar confusões. A partir de agora, passamos a administrar a vacina bivalente aos nossos bebés: duas gotas via oral”, concluiu.

No mesmo sentido, foram incineradas, em Viana, cerca de 78.100 doses de vacinas pólio-trivalente.

A Semana Nacional de Vacinação iniciou-se a 24 de Abril e terminou a 30. Todos os municípios de Luanda intensificaram a vacinação de rotina, no sentido de aumentarem a cobertura para a prevenção das crianças e das mulheres em idade fértil.

 

Europa ameaçada

Preocupada com o aumento dos contágios de poliomielite nos últimos seis meses na Europa, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou este mês o estado de emergência mundial, pedindo aos diferentes países uma "acção coordenada" no combate à disseminação do vírus.

A detecção de vários casos da doença em mais de uma dezena de países levou a OMS a considerar que estes contágios podem representar uma ameaça à escala mundial, conforme sublinhou este mês o director-geral adjunto da organização, Bruce Aylward.

No final do ano passado, a OMS já tinha confirmado a existência de 223 casos de poliomielite. Cerca de 60% destes casos é resultado de uma propagação internacional, para a qual contribuíram em muito os viajantes adultos, nomeadamente porque a transmissão ocorre rapidamente por via das más condições de higiene, nomeadamente através da ingestão de líquidos ou de comidas contaminadas com fezes. Nesta sequência, dois especialistas alemães em doenças infecciosas alertavam, num artigo publicado este mês na revista médica The Lancet, para o risco de o vírus da paralisia infantil voltar a fazer vítimas, nomeadamente na Europa, que acolhe um grande número de refugiados sírios.

 

O que é a poliomielite?

 

A poliomielite, também conhecida por paralisia infantil, é uma infecção altamente contagiosa causada por um vírus chamado poliovírus. As maiorias das infecções provocadas pelo poliovírus não causam sintomas. Porém, numa pequena percentagem de pessoas infectadas, o vírus ataca células nervosas do sistema nervoso central, particularmente as que controlam os músculos envolvidos nos movimentos voluntários, como a marcha. A destruição destes neurónios causa uma paralisia permanente em um em cada 200 casos.

 

 

 

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Agência europeia dá luz verde a novo medicamento contra Parkinson

 

O opicapone - medicamento destinado aos pacientes com a doença de Parkinson -, desenvolvido pela farmacêutica Bial, recebeu um parecer positivo do Comité de Medicamentos para Uso Humano da Agência Europeia do Medicamento (EMA), recomendando a concessão de uma Autorização de Introdução no Mercado em todos os Estados membros da União Europeia.

O opicapone é o segundo fármaco de patente e investigação da Bial. O primeiro foi o Zebinix (acetato de eslicarbazepina) destinado a tratar a epilepsia, já comercializado em Angola, na Europa – em mercados como a Alemanha, Reino Unido, Espanha, França, Itália e Portugal –, e também nos Estados Unidos.

Em Março, este laboratório apresentou, em Luanda, o fármaco Dormidina que favorece a conciliação do sono, evitando a insónia.

 

 

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Matshidiso Moeti 

“É essencial garantir o acesso aos meios de diagnóstico básicos e aos medicamentos salvadores de vidas, como a insulina, e os agentes hipoglicémicos orais, a todos os níveis do sistema de prestação de cuidados de saúde, incluindo o nível dos cuidados primários”

Prevenir e controlar a diabetes

 

Matshidiso Moeti

Directora Regional da OMS para a África

 

No dia 7 de Abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) juntou-se à comunidade internacional para a comemoração do Dia Mundial da Saúde. O foco deste ano foi a prevenção e controlo da diabetes.

 

 

A diabetes é uma doença duradoura que eleva demasiado o nível de açúcar no sangue de uma pessoa, o que, com o tempo, pode provocar danos graves em órgãos vitais, incluindo gangrena dos pés e, muitas vezes, a sua amputação. A diabetes é uma das principais causas de morte prematura e de incapacidades.

 

Como evitar

A doença pode ser evitada mantendo um peso corporal normal, fazendo exercício físico regular, adoptando dietas saudáveis que incluam o consumo suficiente de fruta e vegetais e evitando consumo de tabaco e de álcool.

O diagnóstico e o tratamento precoce são fundamentais para evitar o desenvolvimento de complicações. Igualmente importante é a necessidade de reforçar a sensibilização das pessoas para a diabetes, com vista a reduzir as possibilidades de desenvolver ou morrer da doença.

 

Acções concretas

São necessárias acções urgentes e concretas para combater o problema crescente da diabetes nesta Região. Por isso, ao comemorarmos o Dia Mundial da Saúde, apelo a todos os governos para que implementem as acções mundialmente acordadas para a prevenção e o controlo da diabetes. O diagnóstico e o tratamento da diabetes devem ser integrados no tratamento das DNT, VIH/SIDA, tuberculose e outras doenças crónicas. É essencial garantir o acesso aos meios de diagnóstico básicos e aos medicamentos salvadores de vidas, como a insulina, e os agentes hipoglicémicos orais, a todos os níveis do sistema de prestação de cuidados de saúde, incluindo o nível dos cuidados primários. Apelo igualmente aos parceiros do desenvolvimento, sociedade civil e sector privado, para que intensifiquem conjuntamente os seus esforços para derrotar a diabetes. A OMS continua empenhada em prestar apoio técnico à formulação e implementação de políticas e estratégias para a prevenção e controlo da diabetes e outras DNT na Região.

 

Tipos de diabetes

Há dois tipos principais de diabetes – o tipo 1 e o tipo 2. A diabetes do tipo 1 caracteriza-se por insuficiência na produção de insulina no organismo. As pessoas com este tipo de diabetes requerem injecção diária de insulina. A diabetes do tipo 2 resulta do uso ineficaz da insulina no organismo. É responsável por cerca de 90% de todos os casos de diabetes e ocorre cada vez mais nos grupos etários mais jovens.  Alguns dos factores que contribuem para a diabetes do tipo 2 são dietas não saudáveis, falta de exercício físico, consumo de tabaco e de álcool, obesidade e excesso de peso.

A nível mundial, o número de pessoas que vivem com diabetes aumentou abruptamente de 108 milhões, em 1980, para 422 milhões, em 2014. Na Região Africana, aumentou de 4 milhões para 25 milhões, durante o mesmo período. Este acentuado aumento é resultado da rápida e descontrolada urbanização, globalização e grandes mudanças no estilo de vida das pessoas, com o correspondente aumento da prevalência de factores de risco associados ao estilo de vida. A diabetes representa um considerável fardo para a saúde pública e socioeconómico, na presença da escassez de recursos disponíveis.

 

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MATEUS CAMPOS

“O crescimento desmedido do número de casos que recebemos complica a funcionalidade do hospital e exige o reforço da equipa de trabalho com mais profissionais”

Hospital do Kapalanga. Médicos exaustos no banco de urgência

 

FFrancisco Cosme dos Santos

 

O aumento exponencial do número de doentes que ocorrem ao hospital municipal de Viana, no Kapalanga, e a insuficiência de profissionais especializados, obrigaram a diminuir de sete para quatro dias os intervalos praticados pelos médicos entre os bancos de urgência o que lhes provoca um desgaste acentuado. A revelação foi feita à equipa de reportagem do Jornal da Saúde pelo director-geral desta unidade de saúde, o cirurgião Mateus Campos.

 

O hospital está a atender, em média, cerca de 900 pacientes por dia, dos quais 400 nas urgências e 500 nas consultas externas e cuidados primários de saúde.  A malária, seguida da febre amarela, constituem as principais patologias. Note-se que o município de Viana regista tantos óbitos por febre amarela quanto a totalidade dos outros 11 municípios e distritos de Luanda.

 “A falta de médicos, enfermeiros e técnicos administrativos resulta do facto de não ser realizado, desde 2013, nenhum concurso público, agravado pelo abandono de trabalho de dois médicos nacionais, por acumulação de faltas, e por dois cubanos se encontrarem de férias”, esclareceu.

“Lamentavelmente por dispormos apenas de 6 médicos para medicina geral, 6 ginecologistas, 4 pediatras, 1 cirurgião e 3 ortopedistas para assistirem às urgências no hospital, e face à inexistência de cuidados intensivos (UTI), ou pós-operatório, obriga a que pacientes com hemorragia interna, e partos complicados, tenham de ser transferidos com muito sacrifício para maternidade Lucrécia Paim, para serem assistidos”, afirmou.

 Por outro lado, “o hospital só recebe 40% do valor do orçamento aprovado por lei, o que não cobre as despesas da instituição, nem permite o lançamento de qualquer programa de acção que garanta o suporte de gestão do hospital com a dimensão do Kapalanga”, assegurou o director-geral.

A instituição, inaugurada em Maio de 2012, foi inicialmente projectada para dispor de 75 camas e 237 funcionários, dos quais 32 médicos, 114 enfermeiros e 91 outros profissionais. Actualmente, conta com 120 camas e 30 médicos, dos quais 16 são cubanos e 14 angolanos.

Contudo, “o crescimento desmedido do número de casos que se registam, dia após dia, complica imenso a funcionalidade do hospital e exige o reforço da equipa de trabalho com mais profissionais. Estamos a negociar com o ministério das Finanças”, declarou.

Neste momento, estão internados cerca de 200 pacientes, devido ao aumento da procura.

 “Ultimamente, para mantermos o atendimento 24/24 horas no banco de medicina e pediatria, temos tido a colaboração de uma equipa de 6 médicos não especialistas recém-formados em Cuba, e de 11 licenciados em enfermagem”, informou.

Serviços especializados

O hospital municipal de Viana – Kapalanga, oferece 14 especialidades, entre as quais, medicina, cirurgia, pediatria,  ginecologia e obstetrícia, estas com banco de urgência, ortopedia, psicologia clínica, psiquiatria, dermatologia, odontologia, fisioterapia, cardiologia, cuidados  primários de saúde com todos os seus componentes, nomeadamente o Programa Alargado de Vacinação (PAV), Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária do VIH/SIDA (CATV), puericultura, planeamento familiar, consultas para os doentes com anemia falciforme, pré-natal e pós-parto. Além destes serviços, dispõe também de outros complementares como a esterilização, morgue, lavandaria, refeitório, e uma incineradora para resíduos hospitalares. Está apetrechado com um bloco operatório, centro cirúrgico composto por duas salas, maternidade com três salas, e laboratório com os serviços de raio X e ecografia que funcionam 24/24 horas.

Comparativamente aos outros hospitais municipais da capital, é a unidade com maior número de serviços especializados.

A sua abertura reduziu, em cerca de 100, o número de pacientes que até então eram assistidos no banco de urgência do Hospital Josina Machel.

 

 

 

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Abandono de cadáveres

 

Ultimamente, mais de três cadáveres, entre adultos, velhos e crianças, são abandonados semanalmente no hospital do Kapalanga. A situação está a dificultar o normal funcionamento desta unidade sanitária que se vê sufocada devido à capacidade limitada da sua morgue. Segundo o responsável, a morgue desta unidade – que, para além de Viana, atende também casos provenientes dos municípios do Cazenga, Belas, Icolo e Bengo, Cacuaco e Quiçama – tem a capacidade de conservar apenas até seis cadáveres. E esta onda crescente de abandono de mortos está a criar embaraços. “A nossa morgue já é bastante pequena. E quando as pessoas abandonam aqui os seus familiares dificultam muito o nosso trabalho, porque ficamos sem saber aonde conservarmos os corpos”, lamenta.

 

 

 

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Conselho consultivo recomenda admissão imediata de profissionais de saúde

 

A admissão imediata de profissionais de saúde, o reforço da cobertura vacinal, as medidas de higiene e saneamento do meio, a luta anti-vectorial e as medidas de luta contra a febre-amarela são outras das propostas.

 

 Os participantes ao 26º Conselho Consultivo do Ministério da Saúde recomendaram este mês, em Luanda, que se proceda de imediato ao processo de novas admissões de pessoal em todas as unidades orçamentadas do sector da saúde no país, devendo atribuir as verbas e abrir os concursos para admissões de acordo com a legislação em vigor, devendo as responsabilidades serem assumidas pelos gestores das respectivas unidades e serviços.

O Conselho Consultivo recomendou também o reforço da cobertura vacinal, as medidas de higiene e saneamento do meio, a luta anti-vectorial e a participação das administrações municipais e comunais locais, para além de intensificar as medidas de luta contra a febre-amarela.

Segundo o comunicado final do encontro que decorreu de 20 a 22 de Abril, deve-se ainda melhorar a capacidade de resposta ao paludismo assegurando os meios de diagnóstico e tratamento clínico, a luta anti-vectorial, formação do pessoal, vigilância epidemiológica e investigação.

A melhoria do sistema de aquisição, armazenamento e abastecimento de medicamentos, vacinas e de outros produtos de saúde essenciais foi igualmente recomendado pelos participantes.

 O Conselho procedeu à auscultação exaustiva dos directores provinciais de Saúde, de forma a actualizar e sistematizar um plano de acção condizente com a realidade do sector em todo o país.

Além da epidemia da febre-amarela e a execução do seu plano de resposta à situação do paludismo no País, o conselho abordou igualmente os temas “orientações metodológicas para novas admissões de pessoal no sector da saúde”, “situação actual e perspectivas da problemática dos medicamentos no País”, “vigilância epidemiológica” e a “reforma do sistema nacional de saúde”.

 Os temas abordados no Conselho Consultivo reflectiram, em grande medida, as grandes preocupações do sector, numa altura em que o país se vê a braços com uma epidemia de febre-amarela e o aumento significativo de casos de paludismo, propiciado por um deficiente saneamento do meio bem como pela rotura dos stocks de medicamentos.

 O Conselho Consultivo é, de acordo com o estatuto orgânico do Ministério da Saúde, um órgão de consulta do Ministro. Reúne, periodicamente, responsáveis a nível central e provincial, directores de hospitais e especialistas convidados para o efeito.

 

 

 

 

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O ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, pretende reforçar os programas das doenças transmissíveis e das crónicas não transmissíveis

Política farmacêutica quer garantir a qualidade dos medicamentos

 

O ministro da Saúde defendeu a criação de uma política farmacêutica, com legislação e regulamentação, que obrigue à homologação e ao registo dos medicamentos que entram no país, para que se garanta a qualidade dos mesmos.

 

Ao discursar na cerimónia de abertura do XXVI Conselho Consultivo do Ministério da Saúde, Luís Gomes Sambo também defendeu uma política que estimule a indústria farmacêutica. O Estado deve desempenhar o seu papel de regulador através das acções normativas e de padronização. O país enfrenta uma rotura de produtos importantes, mas informou que já foram feitas diligências no sentido de se adquirir estes produtos no exterior.

No que toca ao Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, o ministro garantiu que este vai merecer uma maior análise, com vista a melhorar o seu funcionamento, sobretudo a ligação a nível central da saúde, provincial e municipal. “Não devemos ter receio de mudar, sobretudo quando temos a intenção de melhorar”, defendeu o ministro, para quem, no âmbito do sector da saúde, é pontual considerar o sistema social e económico do país.

 

Repensar o paradigma da saúde

As reformas estruturais da economia angolana obrigam a pensar o paradigma da saúde. Isso pressupõe a definição de uma política de financiamento, que garanta a protecção social. Os problemas de saúde pública, como a vigilância epidemiológica, o Sistema de Vigilância, o Programa Alargado de Vacinação (PAV), a luta contra as doenças transmissíveis e as doenças crónicas também devem ser reforçados.

Os aspectos relacionados com o desempenho dos hospitais, sobretudo os que têm função docente ou desenvolvem actividades de investigação, também vão merecer uma maior atenção do sector. “Penso que devemos criar um fórum especial para melhorar e articularmos os esforços do Executivo”, defendeu o ministro. A reforma do sector deve ter em conta o contexto demográfico, macroeconómico e epidemiológico do país. Deve também considerar um processo que seja célere e que permita alcançar melhores resultados o mais depressa possível. A agenda de mudança deve ser para todos os actores, particularmente os participantes no XXVI conselho consultivo do Ministério da Saúde, sem excluir as opiniões de outros sectores nacionais, privados, ONG e outras instituições.

 

Febre-amarela

Sobre a situação da febre-amarela no país, o ministro da Saúde informou que o Executivo assumiu o compromisso de financiar os custos operacionais e de vacina, bem como realizar outro tipo de actividades com vista a mitigar a situação do surto da febre amarela que o país regista desde Dezembro último.

Em termos de cobertura vacinal, cerca de seis milhões de pessoas na província de Luanda já foram vacinadas, cobrindo cerca de 98 por cento da população. No Huambo, 464.300 pessoas estão vacinadas, o que perfaz um total de 48 por cento da população nesta província. Em Benguela já foram vacinadas 627 mil pessoas.

Desde Dezembro de 2015 até ao mês em curso, foram registados 250 óbitos e 1.975 casos suspeitos de febre-amarela. Há casos suspeitos em todas as províncias, mas confirmados estão em apenas 12 províncias.

 

Malária é preocupação

A malária continua a ser uma das grandes preocupações do sector da saúde, afirmou o coordenador do Programa Nacional de Controlo da doença. Filomeno Fortes sublinhou que existem outras doenças a serem combatidas, como a febre-amarela e a chicungunya.

Por este motivo, a Faculdade de Medicina cedeu os estudantes do 5.º e 6.º anos para reforçarem o corpo médico do Hospital Geral e os municipais do Capalanca e Cazenga. “Queremos melhorar a capacidade de atendimento e diminuir o grande fluxo nos hospitais de referência”, disse. Luanda tem registado um aumento de óbitos por malária, tendo como factores deste fenómeno a deterioração da higiene e saneamento do meio ambiente e a problemática do suporte logístico em termos de testes de diagnóstico e tratamento, conforme o Jornal da Saúde destacou na última edição.

 

 

 

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Mário Fernandes.

“Queremos envolver todos os profissionais para controlar a hipertensão arterial na população”

 

FFrancisco Cosme dos Santos

 

O 3º Congresso Angolano de Cardiologia e Hipertensão que se realiza de 29 de Setembro a 1 de Outubro próximo, em Luanda, vai apostar no “envolvimento dos profissionais no controlo da grande endemia que é a hipertensão arterial”, de acordo com o presidente da Sociedade Angolana de Doenças Cardiovasculares, Mário Fernandes.

 

Segundo o cardiologista, “pretende-se que o certame constitua uma plataforma de ajuda a todos os profissionais, quer sejam clínicos gerais, médicos de outras especialidades, enfermeiros e outros que lidam no seu dia-a-dia com estes casos para melhorarem o diagnóstico, acompanhamento e tratamento dos doentes”. No limite, “queremos contribuir também para que os angolanos consigam absorver muitos conhecimentos sobre a doença antes que a mesma possa causar danos irreversíveis à sua saúde”.

Para além da apresentação de temas da especialidade – como a hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, válvulas cardíacas, entre outros – por oradores angolanos, pan-africanos e convidados das sociedades de cardiologia de Portugal e Brasil, a organização do evento vai também associar diversos temas clínicos, como por exemplo a diabetes.

Em simultâneo, decorre o 1º Fórum Angolano de Febre Reumática que vai abordar a doença e propor estratégias a nível nacional que se enquadrem no modelo africano discutido no Fórum Africano desta doença realizado recentemente em Adis Abeba, na Etiópia.

 

Como está o coração dos angolanos?

A saúde cardiovascular dos angolanos não é das melhores. Observa-se, actualmente, um número crescente de hipertensos, atesta o cardiologista Mário Fernandes.

A agravar, o facto de muitos indivíduos não saberem realmente que têm a tensão arterial elevada. “Uma grande parte da população não cultiva o hábito de medir a tensão arterial, bem como de consultar com regularidade um cardiologista para se manter informada sobre o seu estado de saúde”, disse.

De acordo com Mário Fernandes, as principais doenças do coração são da artéria coronária (enfarte ou enfarto), alteração nos batimentos cardíacos (arritmias), parada cardíaca, válvulas cardíacas, congénitas, cardiomiopatias, pericárdios, disfunção da aorta (síndrome de marfan) e vasculares.

Para prevenir estas doenças, o cardiologista disse que os indivíduos devem primar por estilos de vida saudáveis, fazer o controlo do colesterol, diabetes, medir a tensão, consumir bebidas alcoólicas moderadamente, manter um peso saudável, praticar exercícios físicos regularmente e adoptar uma dieta equilibrada.

 

 

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Em mil angolanos, entre 20 e 30 sofrem de febre reumática

 

 A incidência da febre reumática no país deve ser de 20 a 30 casos por cada mil habitantes, segundo afirmou ao JS o cardiologista Mário Fernandes.

 

A febre reumática é uma complicação tardia, não supurativa, que se desenvolve após uma infecção do trato respiratório superior provocada pela bactéria Streptococcus beta-hemolítico do grupo A de Lancefield.  É uma doença multisistémica que pode afectar o coração, articulações, sistema nervoso central, tecido celular subcutâneo e a pele.

Segundo o especialista, a prevenção desta doença deve começar com a educação das famílias: os pais devem estar atentos aos filhos que têm a infecção das orofaringes e amigdalites de repetição, as quais devem ser tratadas convenientemente com antibióticos (penicilina benzatínica) para revenir a infecção pelas bactérias que podem causar a febre reumática e a cardite reumática.

 

Sintomas

O seu principal sintoma é o aparecimento de tonsilas palatinas (massa de tecido linfoide, localizada em ambos os lados da garganta), ou poliartralgia (dores nas articulações). O indivíduo que contrai esta doença pode permanecer assintomático por muito tempo e, vários anos depois, ter sintomas cardíacos, como falta de fôlego ou ar (ao realizar actividades simples), desmaio (tontura), dores no peito (um dos mais comuns do enfarte), palpitação (sentir o coração bater fora do ritmo), dores nas pernas (mesmo depois de parar de caminhar, correr, ou realizar algum outro esforço físico), e outros devido a lesão no coração denominada cardite reumática.

 

Conclusões do Fórum Africano de Febre Reumática

Mário Fernandes participou recentemente no Fórum Africano de Febre Reumática que se realizou em Adis Abeba, Etiópia. “As conclusões deste encontro apontaram para o reconhecimento e o interesse da União Africana em erradicar do continente esta doença típica das regiões com baixo poder económico e definir uma estratégia para este efeito, com base nas normas estabelecidas universalmente”, revelou o cardiologista. Entre estas, destaca-se a pesquisa activa das crianças portadoras de cardite reumática e de febre reumática, a prevenção ou profilaxia através da penicilina benzatínica, e o acesso ao tratamento dos doentes com esta doença que têm sido muitas das vezes submetidos a uma cirurgia cardíaca.

Segundo o médico, outra das recomendações do Fórum consiste “em fazer chegar a prevenção e toda a informação sobre a febre reumática junto das comunidades, mobilizando os professores, a nível das escolas, para transmitirem os conhecimentos sobre a doença às crianças, no sentido de serem identificadas precocemente as que estão em vias de desenvolver esta enfermidade, para evitar que tenham posteriormente uma cardite reumática".

 

 

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Quatro maneiras simples de manter o seu cérebro jovem

 

Adquirir novos conhecimentos, fazer exercícios físicos e até tocar um instrumento musical são formas simples

de manter a vitalidade desse órgão essencial. Em teoria, é fácil manter o corpo em boas condições: basta seguir

uma dieta saudável e fazer exercício físico.

Tais princípios básicos deveriam ajudar a manter o cérebro saudável também. Mas pesquisas científicas recentes revelam segredos sobre outras formas de manter o cérebro jovem por mais tempo. Veja abaixo algumas dicas…

 

1 - Cérebro activo

É fundamental manter o seu cérebro a trabalhar. Mas é bom esclarecer que ler um pouco ou fazer palavras cruzadas não é o suficiente. Aprender algo novo pode fazer uma diferença enorme, por exemplo. Pode até paralisar a deterioração do cérebro. O programa da BBC «How to Stay Young» (Como Permanecer Jovem, em tradução livre) reuniu um grupo de pessoas com mais de 60 anos para aprender a jogar ténis de mesa. O programa descobriu que o desporto teve um efeito poderoso nos seus cérebros - para alguns deles o córtex cerebral ficou até maior. Ao começar um novo hobby que testava os seus reflexos e a coordenação entre mãos e olhos, eles conseguiram estimular o cérebro para criar novas conexões entre os neurónios. Tocar um instrumento musical também pode ser útil, já que a tarefa envolve diferentes partes do cérebro - áreas responsáveis pela coordenação motora fina, audição e visão. Pelo facto de tantas áreas diferentes trabalharem ao mesmo tempo, a parte do cérebro que conecta os dois hemisférios - o corpo caloso - também se exercita. E vale lembrar que nunca é tarde demais para aprender a tocar um instrumento. Um estudo americano concluiu que aprender a tocar piano melhorou a memória e outras funções cognitivas de um grupo de pessoas com idades entre 60 e 85 anos. Actividades físicas também são boas para o cérebro. Uma pessoa pode criar mais células na área cerebral que é importante para a memória - o hipocampo - exercitando-se. E não é preciso correr uma maratona ou levantar muito peso para obter estes benefícios. O programa da BBC descobriu que uma caminhada vigorosa durante uma hora, duas vezes pode semana, pode libertar substâncias que estimulam o crescimento de novos neurónios no hipocampo.

 

2 - Alimentação

Um exemplo é a ilha japonesa de Okinawa, um local onde há um número elevado de pessoas que passaram dos 100 anos de idade e as taxas de demência podem ser até 50% mais baixas do que nos países ocidentais. Alguns cientistas acreditam que um dos alimentos preferidos dos moradores da ilha tem um papel muito importante para toda esta saúde: a batata-doce roxa (que tem essa cor no seu interior e não apenas na casca). Cientistas afirmam que esses legumes ajudam os moradores da ilha a manter uma boa circulação sanguínea, o que faz com que os seus cérebros recebam bastante oxigénio. Levando em conta que deve ser muito difícil encontrar esse tipo de batata em qualquer supermercado, o que devemos comer para ter tanta saúde? Existem outros alimentos com essa cor púrpura e que têm este mesmo ingrediente «mágico», as antocianinas, pigmentos vegetais com poder antioxidante que ajudam na prevenção de doenças cardiovasculares, cancro e doenças neurodegenerativas. Todas as frutas e verduras frescas vão ajudar a manter a saúde, mas frutas roxas como a amora ou verduras roxas como a beringela podem trazer ainda mais benefícios. Outro alimento a ser levado em conta - e muito popular na cozinha japonesa - é o peixe. Alguns especialistas afirmam que o ómega 3, um ácido gordo encontrado em alguns peixes, pode proteger as pessoas contra a demência. A dieta mediterrânea também inclui os peixes que têm ómega 3 e a organização britânica especializada em pesquisa e tratamento do Alzheimer, a Alzheimer Society, recomenda uma dieta neste estilo como uma das formas de reduzir o risco de desenvolver demência. Já os suplementos alimentares com ómega 3 são mais polémicos. Alguns médicos afirmam que são necessárias mais pesquisas para provar que estes suplementos oferecem tantos benefícios como o consumo de peixe.

 

3 - Progressos na medicina

O futuro parece promissor em termos de tratamentos para o cérebro. Por exemplo: investigadores conseguiram melhorar a memória de ratos idosos injectando neles o sangue de ratos jovens. Esta pesquisa já está em fase de testes em humanos. Cientistas da Força Aérea dos Estados Unidos afirmam que uma pequena carga eléctrica aplicada no couro cabeludo parece fortalecer conexões entre os neurónios. E, também nos Estados Unidos, pesquisadores trabalham na criação de um implante que seria colocado no cérebro para ajudar as pessoas com demência a formar novas memórias.

 

4 - Socialização

Os humanos são animais sociais; precisamos uns dos outros para sobreviver. Actividades sociais estimulam o cérebro de uma forma parecida com a de actividades como ler e fazer palavras cruzadas. Assim como aprender coisas novas ou ser fisicamente activo, actividades sociais ajudam a desenvolver conexões entre os neurónios em diferentes áreas do cérebro. E as pesquisas também sugerem que as pessoas solitárias têm o dobro de hipóteses de desenvolver a doença de Alzheimer e outros tipos de demência.

 

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Menos tempo sentado evitaria 433 mil mortes

 

Não será o caso dos camponeses das nossas 18 províncias. Mas quem trabalha num escritório sabe: não é difícil ficar durante oito horas de trabalho sentado. Com esse comportamento, pode estar a aumentar o seu risco de morte e não é pouco. É o que aponta uma investigação realizada na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Federal de Pelotas.

Os doutorandos basearam-se em artigos e inquéritos da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tempo médio de permanência sentado em 54 países e relacionaram esses dados com uma meta-análise publicada na revista científica PLoS ONE. Esta é uma técnica estatística feita para integrar resultados de dois ou mais estudos sobre uma mesma questão de pesquisa.

E o resultado do estudo foi que até 4% das mortes no mundo poderiam ser evitadas se o tempo que as pessoas passam sentadas fosse reduzido em três horas. Isso representa 433 mil pessoas por ano.

Ficar sentado quatro horas, aumenta o risco de morte em 2%; Cinco horas, 4%; Seis horas, 6%; Sete horas, 8%. A partir daí o risco aumenta: oito horas, 13% e nove horas, 18%.

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As «misteriosas» propriedades da cera nos ouvidos

 

As baleias nunca limpam os seus ouvidos. Ano após ano, a cera acumula-se nos seus canais auditivos, deixando para trás um rastro de ácido gordo, álcool e colesterol que pode praticamente contar a história das suas vidas.

 

Esta acumulação acontece em muitos mamíferos, inclusive nós, humanos. Mas a cera que que sai dos nossos ouvidos não é tão interessante. Ela não oferece uma autobiografia nem fica muito tempo parada, já que temos o hábito de limpá-la com frequência. No entanto, a ciência por trás dessa secreção é fascinante.

Para começar, vamos chamá-la pelo seu nome mais «técnico»: cerume. A substância é produzida apenas pela parte externa do canal auditivo, graças a uma concentração de algo entre mil e duas mil glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas modificadas. Acrescente pelos, pele morta e outros detritos corporais, e terá a receita da cera dos ouvidos.

Durante muitos anos, cientistas acreditaram que a principal função da secreção era lubrificar a região. Mas actualmente sabe-se que ela é útil para evitar que insectos invadam as reentrâncias internas da cabeça. Alguns especialistas suspeitam ainda que a cera também actue como antibiótico.

Num estudo realizado na Alemanha em 2011, que analisou a cera de voluntários, foram encontrados dez peptídeos que são capazes de impedir a proliferação de fungos e bactérias. Os seus autores defenderam que as infecções no canal auditivo externo ocorrem quando falha o sistema de defesa proporcionado pela cera.

 

Proliferação de bactérias

Mas outra pesquisa, realizada em 2000 pela Universidade La Laguna, na Espanha, chegou a conclusões opostas. Os cientistas descobriram que a secreção, na realidade, promovia a proliferação de bactérias, principalmente por causa da riqueza de nutrientes que oferece. Não foi o único estudo que colocou em xeque a ideia da propensão da cera a eliminar micróbios.

Uma diferença entre as duas pesquisas pode explicar os resultados tão distintos. Enquanto o estudo de 2011 usou voluntários que apresentavam uma tendência à cera seca, o de 2000 concentrou-se na forma mais húmida da substância.

 

O cerume dos africanos

O tipo húmido é geneticamente dominante, tanto que a cera de ouvido tem sido usada para rastrear os padrões antigos de migração humana. Os descendentes de caucasianos e africanos têm mais probabilidades de apresentar um cerume húmido, enquanto asiáticos do Extremo Oriente apresentam uma variação mais seca. Os dois tipos são mais equilibrados entre ilhéus do Pacífico, habitantes da Ásia Central e indígenas do continente americano.

 

Acumulação de cera

Mas, para a maioria de nós, a questão mais premente no que se refere à cera de ouvido é como removê-la da melhor maneira. No século I d.C., os romanos já faziam referência a métodos como inserir óleo quente ou vinagre, dependendo do tipo de cerume. De facto, hoje em dia, muitos médicos ainda usam óleo de amêndoas ou azeite para amolecer a cera compactada, antes de retirá-la.

A verdade é que algumas pessoas realmente sofrem de problemas com cera de ouvido graves o suficiente para que seja necessária uma intervenção médica. Uma análise de 2004 mostrou que 2,3 milhões de pessoas na Grã-Bretanha visitam os seus médicos a cada ano para solucionar o problema. Cerca de 4 milhões de ouvidos são tratados todos os anos no país.

Os cientistas também notaram que muitos pacientes apresentam o tímpano perfurado, provável resultado da tentativa caseira de remover a cera.

 

O risco das cotonetes

O hábito de limpar os ouvidos com cotonete após o banho tem sido desencorajado por médicos por causa de certos riscos. Às vezes o algodão pode soltar-se e ficar alojado no canal auditivo, por exemplo.

A recomendação é deixar o trabalho a cargo de um profissional, que em geral utiliza um produto amaciador e, em seguida, faz uma irrigação.

Outro procedimento condenado é a terapia alternativa da vela de ouvido, na qual uma vela oca feita de cera de abelha ou parafina é colocada perto da orelha e acesa. A teoria é de que o calor dentro do tubo vazio acabe por atrair o cerume para fora do ouvido.

 

 

 

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O que é que o leite materno tem de tão especial?

 

Vera Novais

No XI Simpósio Internacional de Aleitamento Materno, em Berlim.

 

O leite materno está cheio de bactérias e isso é bom. Além disso, tem muitos nutrientes que têm uma função nutricional, mas também um papel protetor e promotor da saúde.

 

Os benefícios do leite materno, os seus componentes únicos e a importância para os bebés prematuros foram os temas explorados pelo XI Simpósio Internacional de Aleitamento Materno, que decorreu este mês em Berlim. Entre os temas abordados destacam-se a prevenção da obesidade e o desenvolvimento cerebral.

O aleitamento materno é forma mais eficaz de assegurar a saúde e sobrevivência das crianças”, segundo a Organização Mundial de Saúde. “Se todas as crianças fossem amamentadas uma hora após o parto, bebessem apenas leite materno durante os primeiros seis meses de vida e continuassem a beber leite materno até aos dois anos, seria possível evitar a morte de 800 mil crianças todos os anos.”

A amamentação pode ter um papel determinante na prevenção de doenças crónicas não-transmissíveis, como mostrou Donna Geddes, professora na Universidade da Austrália Ocidental. “O aleitamento materno está associado a um risco reduzido de desenvolver síndrome metabólica” – que predispõe os indivíduos para desenvolver diabetes e doença cardiovascular -, assim como “reduz o risco de obesidade”. O leite materno tem várias moléculas bioativas, como hormonas, fatores de crescimento, agentes anti-inflamatórios, entre outros.

 

A descoberta de hormonas

A descoberta recente de leptina e grelina no leite, duas hormonas relacionadas com o controlo do apetite, podem condicionar favoravelmente o controlo do apetite na vida futura da criança. A amamentação pode assim ser uma forma de prevenir excesso de peso, segundo explica a investigadora. No caso da mãe, a amamentação pode, a longo prazo, reduzir o risco de doença cardíaca, de cancro da mama e de cancro do ovário.

Quando as vantagens para a mãe e para o bebé são consideradas em conjunto, a promoção e apoio continuado para a amamentação é, sem dúvida, uma das melhores estratégias custo-eficácia disponíveis”, escreve Donna Geddes no resumo da apresentação.

Outro dos componentes do leite materno é um tipo específico de oligossacarídeos (hidratos de carbono), tão abundante que a concentração chega a superar largamente a quantidade de proteínas no leite humano. Este tipo de açúcares não aparece no leite em pó adaptado para bebés, apesar do seu já conhecido papel na regulação de uma flora intestinal saudável. Mas o impacto dos oligossacarídeos de leite humano vão além disso: pode reduzir o risco de infeções e ajudar a controlar o crescimento das bactérias no intestino e sistema urinário, como apresentou Lars Bode, investigador no Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia.

Os componentes do leite materno, muitos deles não replicados nas fórmulas de substituição, têm um papel importante na formação de mielina, uma substância que envolve as células nervosas (e particular os axónios) e que é responsável pela condução dos impulsos nervosos. As crianças amamentadas, por oposição às que beberam fórmula de substituição, têm um maior desenvolvimento de massa branca do cérebro e uma maior formação de mielina, concluiu Sean Deoni, investigador no Departamento de Radiologia Pediátrica no Hospital Pediátrico (Colorado, Estados Unidos). Esta massa branca está associada a melhorias nos desempenhos cognitivos e comportamentais.

 

E quando não está disponível?

O leite materno é a melhor opção, mas o que fazer quando o leite materno não está disponível? Uma das hipóteses é recorrer a bancos de leite materno. Mas também aqui é necessário aumentar os conhecimentos, porque quando o leite é pasteurizado (para evitar passar uma infeção ao bebé) muitos dos componentes mais importantes do leite são perdidos, incluindo as bactérias.

Recentemente tornou-se claro que o leite humano contém uma grande variedade de micróbios (cerca de 700), muitos dos quais não têm origem na pele da mãe ou na pele da criança. Em alternativa, os dados sugerem que muitos desses micróbios têm origem no trato gastrointestinal da mãe”, referiu no resumo da apresentação Josef Neu, investigador na Universidade da Florida.

Para evitar o tratamento térmico do leite, com vista a uso posterior, Susanne Herber- Jonat, investigadora da Universidade Ludwig Maximilians de Munique, apresentou o caso do banco de leite materno de Munique, onde as dadores extraem o leite materno sob supervisão de uma assessora de aleitamento em condições estéreis. Posteriormente, o leite materno é submetido a um controlo, como o das doações de sangue, e é refrigerado.

As apresentações deste simpósio permitem reforçar a importância do aleitamento materno, não só em termos nutricionais, mas também os efeitos protetivos desse leite.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno, em exclusividade, durante os primeiros seis meses de vida do bebé e depois da introdução dos sólidos até aos dois anos de idade ou mais.

 

 

 

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O aleitamento materno reduz o risco de cancro da mama

 

O aleitamento materno reduz o risco de cancro da mama, defendeu este mês um investigador espanhol, afirmando que permite à glândula mamária completar um ciclo que começa na gestação.

 

O aleitamento materno reduz o risco de cancro da mama, afirmou esta segunda-feira um investigador espanhol, afirmando que permite à glândula mamária completar um ciclo que começa na gestação e que interromper a amamentação pode facilitar o aparecimento do cancro.

“Amamentar os filhos é concluir o ciclo fisiológico funcional da glândula mamária e proteger a mulher do cancro da mama,” assegura o presidente da Fundação Instituto Valenciano de Oncologia (IVO) e vice-presidente da Associação Espanhola Contra o Cancro (AECC), António Llombart, em declarações à agência EFE.

O especialista explicou que a secreção látea “é um produto final do que constitui a função fisiológica da glândula mamária.”

“Interrompê-la no momento em que funciona no seu momento alto de expressão condiciona a aparição de alterações na vida das células da glândula com mortes precoces que podem iniciar fenómenos de mutações oncogénicas,” acrescentou.

Segundo Llombart, o aleitamento materno beneficia não só o filho, que recebe através da mãe uma imunidade que o protege de várias doenças, “como a própria mãe, que vai completar o ciclo da glândula mamária durante a gestação com a secreção láctea.”

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Monografia.

Toxidermia ou cobra seca: revisão da literatura

 

Florentino F. Fernández Cue

Médico

 

A propósito de três pacientes portadores de toxidermia tratados no hospital 17 de Setembro, Sumbe, Cuanza Sul, em 2001-2002 e de um outro paciente fortuito em 2015.

A propósito da doença tradicional “cobra seca”. Revisão da literatura até 2010.

 

(Continuação da matéria iniciada

na edição anterior, de Março)

 

Na edição do Jornal da Saúde nº 50, de Maio de 20141, publicámos uma experiência na aplicação do aloé vera e mel nos queimados, no Hospital 17 de Setembro, no Sumbe. Entre os pacientes tratados, observámos, no entanto, em três deles, que a sua doença tinha outra etiopatogenia, diferente das queimaduras por inflamáveis. São as denominadas toxidermias: doenças que surgem a partir de produtos químicos, medicamentos e infecções secundárias, ou primárias, sobre tudo a partir do estafilococo aureus. A propósito deste facto, procedemos a uma revisão bibliográfica do ano 2002 que não fora publicada. Entretanto, a partir do conhecimento desta experiência no hospital 17 de Setembro, fui contactado, em 2013, por um familiar de um doente que apresentava lesões similares à toxidermia, ou, como referiu na ocasião, tinha "Cobra Seca".

Ora, este acontecimento levou-nos fazer uma nova revisão deste tema, que, embora pouco frequente, é sumamente grave, e precisa de assistência médica imediata e do nível máximo assistencial. Frequentemente não pensamos nela quando a enfrentamos de início, e, portanto, também se deixam de aplicar as medidas pertinentes assistenciais e de evacuação estabelecidas. Acresce que os terapeutas tradicionais muitas vezes se vêem impossibilitados de gerir adequadamente esta doença, razão pela qual é tão temida no seu seio.

Continuamos neste número o artigo iniciado na última edição, de Março.

 

PATOGENIA

Ao espectro clínico do complexo Necrólise Epidérmica Tóxica (NET), Síndrome de StevensJohnson (SSJ), Síndrome da Escaldadura da Pele (SSSS), Eritema Multiforme major (EMm) corresponde também um espectro histopatológico. As lesões microscópicas são encontradas nas camadas inferiores da epiderme e nas camadas superiores da derme (derme subpapilar e derme superficial).

Necrose de cerationócitos por apoptose parece constituir o elemento essencial da patogenia de NET/SSJ. Recorde-se que a apoptose é um dos mecanismos fisiológicos envolvidos na morte programada das células que permite garantir a homeostasia em vários tecidos, através da remoção das células desnecessárias/indesejáveis.

Na pele, a lesão típica é uma pápula eritemato-edematosa que, ao se estender perifericamente, passa a constituir a típica lesão “em alvo”, acompanhada de febre alta. Há presença de vesículas flácidas, “rash” cutâneo eritematoso, levemente edematoso (a pele parece estar sob tensão) que logo será substituído por descolamento típico, como se fosse um grande queimado. O sinal de Nikolsky traduz-se em óbito com facilidade. Tanto em NET podem ocorrer áreas com bolhas, semelhantes as da SSJ, como na SSJ podem se encontrar áreas de pele escaldada nada diferentes do que ocorre na NET. Por isso, aceita-se a presença de “overlap” em muitos destes doentes.

 

DIAGNÓSTICO E DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

As dificuldade clínicas para diferenciar as Toxidermias, principalmente a NET, a SSSS e a SSJ, assim também a SSJ de EMm, e o facto de só dispormos da biopsia como exame anátomo-patológico e método diagnóstico laboratorial e também sabermos que as mesmas alterações histopatológicas podem ocorrer em todo o espectro patológico, limitando assim seu valor diagnóstico diferencial, tem obrigado a consideração clínica actual de um mesmo processo etipatogénicos dentro das toxidermias e inclusive aceita-se a existência do “overlap”.

Em relação à identificação de drogas causadoras de NET/SSJ, os testes epicutâneos, somente em casos isolados foram positivos.

 

TRATAMENTO

A partir da década dos anos noventa foi aceite consensualmente que há necessidade de internar estes pacientes em hospitais de referência, nomeadamente em unidades de atendimento a queimados.

Pacientes com NET/ SSSS /SSJ precisam de receber os mesmos cuidados que são oferecidos aos grandes queimados, a saber: manutenção em ambiente húmido, adequada correcção da perda de electrólitos, garantia de ingestão calórica alta, cuidados preventivos para evitar a septicemia. Além disso, devem ter assistência da equipa multidisciplinar, com enfermagem especialmente treinada e médicos de várias especialidades: clínico, infectologista, intensivistas, dermatologista, cirurgião (desbridamento das lesões) e oftalmologista.

A questão do uso de corticóides continua a gerar polémica (inclusive até 2010), não havendo, todavia, nenhum consenso em torno a seu uso na NET e SSJ. O seu uso, rotineiramente aceite, foi questionado a partir da metade dos anos oitenta, sobretudo pelo grupo do hospital Mondor, de Paris, o qual passou a contra-indicá-los; a posição deste grupo não se alterou, até o momento. Mas na literatura especializada recente os corticóides voltaram a ter muitos defensores. Brand & Ruhr, na Austrália, e o grupo da Northwestern, de Michigan.

Uma linha de investigação terapêutica tem sido tentada com o emprego das imunoglobulinas intravenosas, com comunicações isoladas de sucesso, tanto em SSJ como em NET, o que torna precipitada sua incorporação à prática médica. A pentoxilina foi empregada com sucesso em dois casos de “overlap” NET/SSJ; o emprego de filme sintético para protecção da pele (biobrane), foi útil em três casos de NET.

O uso de ciclosporina A em NET, em dose de 3mg/k/dia, em duas tomadas, permitiu a recuperação mais rápida do que a habitual, praticamente sem efeitos colaterais. Mesmo em pacientes que apresentam quatro órgãos envolvidos, a recuperação foi conseguida, o que justifica a ampliação do emprego de ciclosporinas A, não só em NET, como também em SSJ.

O emprego de plasmaférese não teve sucesso.

Os cirurgiões oftalmológicos afrontaram às sequelas deixadas pelas lesões oculares de NET/SSSS/SSJ, notadamente pelas possibilidades do uso de transplantes e o desenvolvimento de várias técnicas cirúrgicas na recuperação das estruturas oculares danificadas.

 

 

Na próxima edição de Maio leia a II Parte - Revisão bibliográfica até 2010, dos últimos 15 anos. Toxidermias. Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica - Estudo de 20 doentes internados na unidade de queimados do Hospital  São José, nos últimos 15 anos, com o diagnóstico de SSJ, SS ou NTE.

 

Evolução e prognóstico

 

Apesar da adopção de procedimentos mais adequados para o manejo de pacientes com NET/SSJ, a letalidade e as sequelas continuam elevadas. Em NET, o percentual de óbitos vai de 25 a 40%, conforme se pode verificar nas diferentes casuísticas que foram publicadas, enquanto em SSJ é bem menor, variando de zero a 20%. Quando SSJ é desencadeada por infecção prévia pelo M. pneumoniae, a evolução é bem favorável, com recuperação da maioria dos pacientes (65).

Uma experiência de 10 anos, com 39 pacientes de NET consecutivamente atendidos num serviço de queimados (Harvard, Boston), permitiu o estudo de 28 variáveis, sendo definidos como maiores factores de risco: a idade do paciente, o atraso no encaminhamento para o internamento e o aparecimento de trombocitopenia. Interessante destacar que, dez anos antes, os factores de risco incluíam também a idade, o atraso no internamento e a utilização de corticóides.

A causa de morte presumida foi falência de múltiplos órgãos, confirmado pela autópsia, realizada em todos os falecidos. Nos órgãos em falência não foi demonstrada a participação de agentes microbianos.

 No Hospital Modor de Paris, no acompanhamento de 165 pacientes, foram anotados os factores de risco da idade, deslocamento cutâneo acima de 10%, taquicardia, elevação de ureia e/ou glicemia, coexistência de malignidade.

No Hospital Pontevedra, Espanha, no acompanhamento de 203 pacientes, dos quais 113 puderam ser aproveitados para o estudo, 74 NET e 39 de SSJ, todos os pacientes haviam tido quadros desencadeados por drogas. Em 64 casos a droga suspeita foi logo suspensa e, em 49, a suspensão foi tardia. Neste segundo grupo, a ocorrência de óbitos foi significativamente maior do que no primeiro.

A presença de dispneia e/ou alterações gasométricas, mesmo não se tendo apresentado nos estudos referidos a avaliação directa da árvore respiratória, foi encontrada abundante descamação e secreção na árvore respiratória em 10 pacientes. Destes, resultaram sete óbitos!

Pacientes infectados pelo VIH fazem NET/SSJ com maior frequência do que aquela que ocorre na população em geral e, além disso, o percentual de óbitos é elevado.

Quando a evolução é favorável e há recuperação do paciente, ainda restam sequelas a serem tratadas. As mais graves são as oculares. Outros mais esporádicos são: o estreitamento esofágico, hematocolpo resultante de sinequia do intróito vulvar, fimoses, aparecimento de nevos pigmentares múltiplos e dermatite recidivante.

 

 

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Inimigos da actividade física na infância

 

Isabel Loureiro

Professora Doutora

Médica de Saúde Pública, Professora Catedrática, Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa

 

Ana Rita Goes

Mestre Psicóloga, Investigadora, Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa

 

Mestre Gisele Câmara

Nutricionista, Bolseira de Investigação, Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa

 

 

A actividade física é essencial para o crescimento saudável e para o desenvolvimento da criança. Durante a infância, brincar é a melhor forma de fazer actividade física.

 

As crianças são naturalmente activas, logo desde a barriga da mãe. Contudo, nas sociedades actuais, a actividade física tem de disputar o seu espaço nos dias das crianças. A televisão, os computadores e os videojogos estão entre as actividades que competem pela atenção das crianças e acabam por torná-las mais inactivas. Mas a actividade física enfrenta também outros inimigos durante a infância. Saiba quais são os mais comuns e como combatê-los.

 

Inimigo número 1 da actividade física: o ecrã

Qualquer actividade que envolva um ecrã constitui um obstáculo à actividade física. Ver televisão, usar o computador, jogar videojogos ou até mesmo usar um telemóvel são actividades que afastam as crianças de outros tipos de brincadeiras e mantêm a criança sentada ou parada durante longos períodos de tempo. Isto significa que a criança reduz a quantidade de tempo que passa em actividades mais movimentadas e por isso reduz também o seu gasto de energia.

Para além da redução do gasto de energia da criança, que pode contribuir para a obesidade, as actividades que envolvem o ecrã podem ter outras consequências negativas para o desenvolvimento e a saúde da criança. Por exemplo, tem sido demonstrado que ver televisão antes dos 2 anos de idade pode afectar o desenvolvimento da linguagem e também reduzir a capacidade de atenção da criança no futuro.

 

Sugestões para combater este inimigo

O tempo que a criança passa em actividades que envolvem ecrãs é um hábito que se aprende desde a mais tenra idade. Na correria do dia a dia, é fácil que os adultos caiam na tentação de utilizar a televisão como ama enquanto estão ocupados com outras tarefas. Para conseguirem promover um estilo de vida activo e saudável nas suas crianças é necessário ter bem claras as recomendações dos especialistas:

— As crianças com menos de dois anos não devem envolver-se em actividades com ecrãs.

— As crianças com dois a cinco anos devem ter um limite de uma hora para o tempo passado em actividades que envolvam ecrãs, como ver televisão.

— As crianças não devem ter televisão no quarto de dormir.

Não é só o tempo que importa. Os programas que a criança assiste e os jogos ou outras actividades às quais a criança tem acesso também devem ser alvo de supervisão por parte dos pais e de outros adultos que cuidem da criança.

Por outro lado, para manter a tendência natural da criança para ser activa, não basta reduzir o tempo de televisão, é preciso colocar à sua disposição actividades divertidas e condições para se movimentar! Dar o exemplo e participar em algumas dessas actividades, demonstrando o quanto é agradável e divertido ser activo também é muito importante para que a criança prefira uma vida activa.

 

Outros inimigos da actividade física

Para além de competir com as actividades com ecrãs, a actividade física enfrenta outros desafios, como a disponibilidade de tempo, de espaços, ou de segurança.

Disponibilidade de tempo: os horários de trabalho preenchidos dos pais e as longas deslocações entre o trabalho e a casa reduzem o tempo que os pais têm disponível para levar a criança a espaços onde possa movimentar-se livremente.

Sugestões para combater este inimigo: para enfrentar este desafio é necessário incluir a actividade física na rotina da família e garantir-lhe um tempo diariamente. Reservar um ou dois dias por semana para irem ao parque, envolver a criança em tarefas domésticas, usar as escadas, ir a pé para a escola ou à loja do bairro, ou propor à criança actividades que podem ser realizadas dentro de casa, como dançar, são algumas sugestões para enfrentar a falta de tempo.

Disponibilidade de espaço: a falta de espaço em casa ou na vizinhança para a criança se movimentar livremente ou a insegurança dos espaços constituem também obstáculos importantes para a actividade física.

Sugestões para combater este inimigo: mais uma vez o truque é ser criativo! Em casa, a solução é procurar espaços onde possam, por exemplo, afastar uma mesa de apoio por alguns minutos ou até por alguns dias.

Jogar jogos tradicionais que não exijam espaços muito alargados, como o “Macaquinho do Chinês”, pode ser uma solução para conseguirem brincar ao ar livre. Por fim, reservar um tempo nos fins de semana para um passeio mais longo em família também é uma boa medida. Assim, podem encontrar lugares agradáveis para fazerem juntos actividades que envolvam movimento.

Tempo passado em espaços ou equipamentos que limitam os movimentos: actualmente existe uma grande disponibilidade de equipamentos atraentes para transportar ou alimentar a criança ou apenas mantê-la entretida e em segurança. Os parques, carrinhos de passeio, cadeiras de comer ou espreguiçadeiras são alguns exemplos desse tipo de equipamentos. São um bom aliado dos pais porque garantem a segurança da criança mesmo quando os pais não têm a possibilidade de a supervisionar a todo o minuto. Mas podem transformar-se num inimigo quando utilizados por longos períodos ou várias vezes durante o dia.

Sugestões para combater este inimigo: O truque é garantir que a criança não passa muito tempo seguido com os seus movimentos limitados e que os pais ou outros adultos que cuidam da criança vão alternando o tempo passado nesses equipamentos com tempo passado numa manta ou simplesmente no chão a gatinhar ou caminhar.

 

Bibliografia consultada:

1. Hunt Candida; Rudolf Mary. Tackling childhood obesity with HENRY. Leeds, UK: Unite/Community Practitioners’ and Health Visitors’ Association, 2008.

2. Institute of Medicine. Early Childhood Obesity Prevention Policies. Washington, DC: The National Academies Press, 2011.

3. American Academy of Pediatrics. Children, adolescents, and television. Pediatrics 2001; 107: 423-426.

 

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O laboratório de simulação médica financiado pela BP Angola – o único existente no país – foi instalado na Faculdade de Medicina, da Universidade Agostinho Neto, em Luanda, em Março do ano passado. Dispõe de várias componentes práticas simuladoras, com as quais os estudantes, com recurso a bonecos (manequins) adaptados a situações clínicas, desenvolvem manobras médicas muitas vezes de alto risco. Os manequins são de alta tecnologia e de programação electrónica avançada, o que lhes permite falar e interagir com os estudantes e técnicos de saúde como se de verdadeiras pessoas se tratassem. De acordo com o ministro do Ensino Superior, Adão do Nascimento, na cerimónia de inauguração, o equipamento  “vai melhorar as habilidades dos estudantes perante situações médico-cirúrgicas que possam ocorrer em determinadas etapas da sua formação e, mais tarde, no exercício da sua profissão, diminuindo o erro médico”

Os projectos na área da saúde incluem a remodelação de hospitais e instalações de cuidados primários, a realização de exames médicos e consultas em comunidades rurais e o apoio à melhoria de infraestruturas que resultaram no acesso a água potável e melhor saneamento. Na imagem, um técnico do laboratório do hospital Divina Providência, apetrechado pela BP Angola, com amostras de sangue colhidas nessa manhã

A estratégia de investimento social da BP Angola

 

Os projectos de investimento comunitário e social da BP Angola visam contribuir para o desenvolvimento nacional, através da promoção do capital humano nas comunidades e instituições angolanas. De acordo com o relatório de sustentabilidade publicado pela empresa, esta intervenção assenta no pressuposto de que os países e comunidades onde a BP opera devem beneficiar da sua presença – através do petróleo que produzem, os impostos que pagam, a riqueza e postos de trabalho criados, a transferência de conhecimentos, a capacitação e o investimento nas pessoas.

Os investimentos sociais incidem em três grandes áreas:

— Educação

— Desenvolvimento empresarial

— Desenvolvimento institucional

Para além destes, a companhia apoia projectos relacionados com a saúde, segurança e ambiente, em que há uma partilha significativa de benefícios para a BP e as comunidades locais.

 

Um modelo de parceria

Para realizar os projectos e programas, a BP Angola invariavelmente trabalha com parceiros estratégicos que implementam os projectos que financiam. Por outras palavras, procuram envolver os potenciais beneficiários, a fim de os capacitar e promover a sustentabilidade do projecto.

Esta abordagem tem vindo a incentivar a participação de todos os parceiros sociais, tais como implementadores, beneficiários, governo, organizações académicas e religiosas, ONGs e o sector privado. A equipa de redacção do Jornal da Saúde tem acompanhado, ao longo dos últimos anos, os projectos sociais e é testemunha do envolvimento franco e transparente, através do diálogo e consulta com o governo, das comunidades e outros representantes da sociedade civil.

 

Projectos em 2015

Em 2015, a empresa dedicou cerca de 6,4 milhões de dólares no financiamento de 15 programas sociais que beneficiaram organizações e comunidades em 10 províncias. Entre estes destacam-se a implementação de um laboratório de simulação médica na faculdade de medicina da UAN, a conservação das tartarugas marinhas, em parceria com a faculdade de biologia da UAN, os mestrados em direito de petróleo e gás, e em governance e gestão ambiental com a mesma universidade, a construção e reabilitação de três escolas do primeiro e segundo ciclo, num total de 42 salas de aula, o apoio ao Petro Atlético do Huambo, programas sanitários e de água potável, entre outros.

Apesar da conjuntura depressiva que o país atravessa, a BP Angola mantém, em 2016, o seu nível de investimento em projectos sociais. A manutenção do apoio aos nossos atletas paralímpicos nos próximos jogos do Rio de Janeiro é disso um exemplo.

 

 

 

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Capacitar as populações e instituições locais para torná-las mais auto-suficientes

 

Angola continua a enfrentar desafios sociais, incluindo a pobreza e condições de vida que limitam oportunidades para muitas pessoas. Embora existam muitos desafios em áreas urbanas, incluindo Luanda, alguns dos problemas mais graves ocorrem em áreas rurais distantes da capital.

Os projectos que a BP Angola e seus parceiros apoiam procuram contribuir para o desenvolvimento e a redução da pobreza e abrangem iniciativas práticas, como a melhoria do acesso a serviços básicos (tais como escolas, centros sociais, ou hospitais) e ajuda às pessoas na sua vida privada – através do apoio às vítimas de violência ou da prestação de serviços de reabilitação.

Os projectos na área da saúde incluíram a remodelação de hospitais e instalações de cuidados de saúde, a realização de exames médicos e consultas em comunidades rurais e o apoio à melhoria de infraestruturas que resultaram no acesso a água potável e melhor saneamento.

Os projectos ambientais incluíram a iniciativa Namibe Verde, que apoia a plantação de árvores para criar um melhor ambiente e qualidade de vida para a população local, na cidade de Namibe. Também apoiam um projecto para proteger as tartarugas marinhas nas águas angolanas.

Para promover a segurança, a BP investe em projectos de sensibilização sobre a segurança rodoviária na comunidade, tais como, workshops de segurança rodoviária com grupos de automobilistas, feiras ao ar livre, campanhas de sensibilização nas escolas, institutos e universidades. Para além dessas actividades, dispõem de programas internos para melhorar a segurança rodoviária, concebidos para dar cumprimento às normas de condução segura da BP, que estabelecem requisitos para condutores e veículos.

 

 

 

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Diante de um espelho, com braços ao longo do corpo, as mulheres devem comparar as mamas, verificando modificações de contorno e forma, repetindo a mesma observação com os braços levantados e as mãos atrás da cabeça

Estudantes são esclarecidos sobre o cancro da mama

 

Diniz Simão

 

Uma palestra sobre o cancro da mama realizou-se este mês, em Ndalatando, província do Cuanza Norte, inserida no programa de actividades da 3ª edição da "Volta às Terras do Café" em bicicleta, em apoio à luta contra o cancro.

 

Promovida pela da Liga Angolana Contra o Cancro (LACC), a palestra visou elucidar os participantes sobre as formas de prevenção e tratamento da doença.

Na sua dissertação, o secretário para informação e intercâmbio da LACC, Adão Ambrósio Casimiro, aconselhou as mulheres a estarem atentas a sinais que indiciem o surgimento do cancro da mama.

“Diante de um espelho com braços ao longo do corpo, as mulheres devem comparar as mamas, verificando modificações de contorno e forma, repetindo a mesma observação com os braços levantados e as mãos atrás da cabeça”, explicou.

Frisou que o autoexame mensal constitui o método mais eficaz de luta contra o cancro e que deve ser feito com especial realce, caso tenha antecedentes familiares directos com algum tipo de cancro.

Incentivou as mulheres a aderirem às consultas de rastreio do cancro da mama e do útero, uma das causas de mortalidade materna na fase reprodutiva.

Esclareceu a necessidade do autoexame mensal da mama, no oitavo dia após o ciclo menstrual, ou a escolha de um dia certo em caso de ausência da menstruação, para as mulheres com mais de 18 anos.

Apontou como factores concorrentes ao cancro da mama o não ter filhos, ou ter a primeira gravidez depois dos 30 anos de idade, ter a primeira menstruação antes dos 12 anos, menopausa tardia e uso prolongado de anticoncepcionais hormonais.

Salientou que o cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres e corresponde à segunda causa de morte no sexo feminino. Durante o evento, foram ainda dados esclarecimentos sobre outros tipos de doenças cancerígenas com destaque para as da pele, do útero e da próstata.

A palestra que decorreu no anfiteatro da Escola de Formação de Técnicos de Saúde Arminda Faria, em Ndalatando, contou com a participação de estudantes deste estabelecimento de ensino e dos cursos de saúde pública e análises clínicas do Instituto Superior Politécnico do Cuanza Norte.

O programa da 3ª edição da “Volta às Terras do Café” em bicicleta tem como destaque uma corrida em bicicleta, com a participação de 26 ciclistas, que passará pelas províncias do Cuanza Norte, Uíge, Bengo e Luanda, numa iniciativa daquela instituição, em parceria com o Sport Luanda e Benfica.

A província do Cuanza Norte acolhe três das oito etapas da prova, nomeadamente, a primeira, do Dondo a Ndalatando, num percurso de 75 quilómetros, a segunda, que arranca a 15 de Maio, domingo, de Ndalatando à Camabatela, num percurso de 181 quilómetros e a terceira de Camabatela (Ambaca) ao Negaje (Uíge), com 54 quilómetros.

A corrida que decorre sob o lema “Pedalando contra o cancro da pele” vai percorrer 870 quilómetros, em nove dias.

 

Ciclistas solidários

O director desportivo do Sport Luanda e Benfica de Luanda, Carlos Araújo, destacou a participação de ciclista em actividades de apoio a luta contra o cancro da pele no país. Considerou que os ciclistas são ideais para passar a mensagem de prevenção desta doença, pelo facto de treinam em horários que coincidem com o período de maior intensidade do sol e, portanto, mais propensos a contraírem o cancro da pele, também conhecido de melanoma.

 

Diagnóstico precoce

Fez saber que a actividade visou homenagear todos que padecem desta doença e mobilizar apoios da sociedade para esta causa, bem como informar as pessoas que, hoje em dia, há determinadas doenças que, a serem diagnosticadas precocemente, podem ser curadas.

 

 

 

 

 

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Quando as doenças são descobertas precocemente, o seu tratamento é mais fácil e menos oneroso. Por isso, as consultas de rotina são fundamentais para evitar a evolução silenciosa de doenças, como a hipertensão e diabetes

Hospital de Ambaca realiza campanha de rastreio de glicemia

 

O hospital municipal de Ambaca, Cuanza Norte, realizou este mês, no centro da vila de Camabatela, uma campanha de rastreio da glicemia, no âmbito do acesso aos cuidados primários de saúde.

 

A campanha foi liderada por uma equipa médica constituída por quatro técnicos, coordenada por um especialista em clínica geral que, para além do rastreio de glicemia, efectuou também testagem voluntária de VIH/Sida, bem como a medição da tensão arterial, um problema que, nos últimos tempos, tem vindo a preocupar as autoridades sanitárias locais.

Sem precisar números, João Alberto, coordenador da campanha, manifestou-se satisfeito com a adesão da população, facto que demonstra a sua preocupação em saber do seu estado de saúde, visando prevenir e evitar doenças.

O também administrador do hospital de Ambaca disse que quando as doenças são descobertas precocemente, o seu tratamento é mais fácil e menos oneroso. Por isso, as consultas de rotina são fundamentais para evitar a evolução silenciosa de doenças, como a hipertensão e diabetes.

Fez saber que a unidade vê na aproximação dos serviços de saúde, por via de campanhas nas comunidades, como forma de levar as pessoas que não acorrem ao hospital, por não sentirem dores, realizarem testes e saber do seu estado de saúde, acrescentando que, em caso de diagnosticar um problema, o hospital está pronto para efectuar o devido acompanhamento.

 Foram ainda distribuídos cerca de mil preservativos e panfletos sobre a importância de medir a tensão arterial, a glicemia e efectuar a testagem voluntária do VIH/Sida.

 

O que é a glicemia?

A glicemia é a concentração de glicose no sangue ou, mais precisamente, no plasma. A glicose é um monossacarídeo (açúcar simples) usado pelo organismo como principal fonte de energia para o corpo. É obtido através dos alimentos, onde existe em forma de moléculas mais complexas. O nível normal de glicose é abaixo de 110 mg/dl. Quando o seu nível de glicemia está alto (hiperglicemia) poderá sentir qualquer um destes sintomas: boca seca, sede, urinar frequentemente, cansaço e visão turva. Se sentir qualquer um destes sintomas, confirme imediatamente os seus valores de glicemia. A manutenção da glicemia em valores fora do padrão normal, tanto para mais quanto para menos, acarreta em uma série de complicações à saúde, além da diabetes.

 

 

 

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Para além de detectarem o dióxido de carbono, a curta distância, os mosquitos encontram as suas vítimas pelo cheiro do ácido láctico, ácido úrico e amoníaco, entre outras substâncias expelidas através da transpiração, sendo também mais atraídos por pessoas com temperaturas corporais mais altas

Porque é que os mosquitos picam algumas pessoas e não outras?

 

Tipo de sangue, metabolismo, exercício físico, cor do vestuário e até o consumo de cerveja são alguns dos factores que tornam as pessoas particularmente apelativas para os mosquitos.

 

Tradução e adaptação:

Madalena Moreira de Sá

 

Chega a casa, depois de uma caminhada ao fim da tarde, coberto de picadas de mosquito que causam uma comichão insuportável, enquanto os seus amigos declaram inocentemente que não foram picados de todo? Acorda de manhã com os tornozelos e pulsos inflamados de tantas mordidas, ao lado do seu intocado companheiro?

 

Não é o único. Estima-se que os mosquitos considerem 20 por cento da população particularmente deliciosa, pelo que esta percentagem de pessoas é picada de forma mais frequente e consistente. Apesar de a ciência ainda não ter encontrado uma cura para o problema, para além da prevenção através do uso de repelente (ao qual, segundo foi recentemente revelado, alguns mosquitos podem tornar-se imunes), já desvendou alguns factores que poderão determinar a probabilidade de certas pessoas serem mais picadas do que outras. São eles:

 

Tipo de sangue

Não surpreendentemente, já que, afinal de contas, os mosquitos picam-nos com o objectivo de obter as proteínas no nosso sangue, as investigações indicam que certos tipos de sangue são mais apelativos do que outros. Um dos estudos observou que, num ambiente controlado, os mosquitos pousaram em pessoas com sangue do tipo O quase duas vezes mais do que em pessoas com sangue do tipo A. As pessoas com sangue do tipo B ficaram algures no meio deste espectro. Ademais, cerca de 85 por cento da população possui uma predisposição genética para produzir uma secreção, através da pele, que sinaliza o seu tipo de sangue, o que não acontece nos restantes 15 por cento. Os mosquitos sentem-se mais atraídos pelas pessoas que produzem este tipo de secreções do que pelas que não produzem, independentemente do seu tipo de sangue.

 

Dióxido de carbono

Uma das principais técnicas que os mosquitos usam para definir os seus alvos constitui cheirar o dióxido de carbono emitido pela expiração, através de um órgão denominado palpo maxilar, podendo detectá-lo a até quase cinquenta metros de distância. Como resultado, as pessoas que, no mesmo espaço de tempo, expiram maiores quantidades de dióxido de carbono – geralmente, as pessoas de maior porte – atraem mais mosquitos do que outras.

 

Exercício físico

e metabolismo

Para além de detectarem o dióxido de carbono, a curta distância, os mosquitos encontram as suas vítimas pelo cheiro do ácido láctico, ácido úrico e amoníaco, entre outras substâncias expelidas através da transpiração, sendo também mais atraídos por pessoas com temperaturas corporais  mais altas. Já que o exercício físico intenso aumenta a acumulação de ácido láctico e a temperatura do corpo, é provável que contribua para que se torne mais apelativo para estes insectos. Enquanto isso, factores genéticos influenciam a quantidade de ácido úrico, entre outras substâncias naturalmente emitidas, produzida por cada um, fazendo com que certas pessoas sejam mais facilmente encontráveis pelos mosquitos.

 

Bactérias na pele

Outras pesquisas sugerem que os tipos e volume de bactérias encontradas naturalmente na pele humana afectam o quão atractivos somos para os mosquitos. Segundo um estudo realizado em 2011, uma maior quantidade de bactérias na pele torna-a mais apelativa. No entanto, surpreendentemente, uma grande quantidade de bactérias de uma grande diversidade de espécies parece tornar a pele menos atractiva. Pode ser por isso que os mosquitos tendem a picar mais frequentemente tornozelos e pés, pois estes albergam colónias de bactérias naturalmente mais robustas.

 

Consumo de cerveja

Basta consumir uma cerveja pequena, de cerca de 34 centilitros, para que se torne mais apelativo para estes insectos, segundo indica um estudo realizado pela Toyama Medical and Pharmaceutical University, no Japão. Suspeitava-se que isto se devesse ao facto de o consumo de álcool aumentar a quantidade de etanol expelida através da transpiração, ou de este aumentar a temperatura corporal. No entanto, não foi encontrada nenhuma correlação fundamentada entre estes factores e o número de picadas de mosquitos, pelo que a sua afinidade pelos consumidores de álcool permanece um mistério.

 

Gravidez

Diversas pesquisas concluíram que mulheres grávidas atraem aproximadamente o dobro dos mosquitos. Pensa-se que tal suceda devido à infeliz confluência de dois factores: as grávidas expiram cerca de 21 por cento mais de dióxido de carbono e a sua temperatura corporal é, em média, mais elevada.

 

Cor do vestuário

Embora possa parecer absurdo, para além do olfacto, os mosquitos guiam-se pela visão para encontrar os seus alvos, pelo que usar cores que se destacam (preto, azul escuro ou vermelho) pode torna-los mais fáceis de encontrar, segundo afirmou o entomologista James Day, da Universidade da Flórida, num comentário que fez para a rede de televisão NBC.

 

Genética

Estima-se que a predisposição genética constitua, ao todo, 85 por cento da variabilidade entre as pessoas no seu apelo aos mosquitos – independentemente de esta ser expressa através do tipo de sangue, metabolismo ou outros factores. Infelizmente, não foi (ainda!) encontrada uma forma de alterar estes genes. No entanto...

 

Repelentes naturais

Alguns pesquisadores já começaram a explorar as razões pelas quais uma minoria da população parece não atrair praticamente mosquitos nenhuns, na esperança de desenvolver a próxima geração de repelentes de insectos. Através da utilização da cromatografia, para isolar os produtos químicos emitidos por estas pessoas, os cientistas do laboratório de pesquisa Rothamsted, no Reino Unido, determinaram que estas segregam certas substâncias que os mosquitos não consideram apelativas. A potencial incorporação destas moléculas na fórmula de um avançado repelente poderá permitir até a uma grávida com tipo de sangue O e vestida de preto afastar os mosquitos de vez.

 

Autor do texto original: Joseph Stromberg

Publicado em: Smithsonian.com

http://www.smithsonianmag.com/science-nature/why-do-mosquitoes-bite-some-people-more-than-others-10255934/?no-ist

 

 

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