MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Saúde em debate.

O mês de Abril foi pródigo em eventos no nosso sector

 

A começar pela celebração do próprio Dia Mundial da Saúde, uma iniciativa da OMS que, este ano, destacou a problemática da alimentação segura. “Do campo ao prato, torne os alimentos mais seguros”, rezava o lema. Neste âmbito, realizaram-se as Jornadas Nacionais de Nutrição, organizadas pela Direcção Nacional de Saúde Pública. Uma oportunidade para alertar e aumentar a consciencialização de todos os intervenientes para a segurança alimentar e o papel que cada um deve desempenhar para que todos tenhamos confiança nos alimentos que chegam à nossa mesa, conforme destacou, na sessão de abertura, o ministro da Saúde, José Van-Dúnem.

 A Multiperfil inaugurou as novas instalações do seu Centro de Formação de Saúde. Dias antes tinha procedido à entrega dos diplomas em enfermagem médico-cirúrgica e em saúde comunitária a 18 especialistas pós-licenciados.

Subordinada ao tema “Um Acto de Cidadania e Dignidade no Cuidar”, realizou-se a Semana da Humanização com o objectivo de reflectir os passos dados e os seguintes para a contínua melhoria dos cuidados de saúde.

Também o Centro de Segurança e Saúde no Trabalho (CSST), em parceria com a Consaude, promoveu um seminário sobre a saúde do trabalhador, durante o qual se debateram as doenças profissionais.

Vacinação – uma dádiva de vida foi o lema da 5.ª edição da Semana Africana da Vacinação, de 24 a 30 de Abril.

Realizou-se igualmente uma jornada de doação de sangue intitulada “Luanda Vermelha – Uma Gota de Sangue, Uma Vida”,  iniciativa da Brigada Jovens Solidários, em parceria com o Instituto Nacional de Sangue.

Alguns responsáveis da área da saúde tiveram ainda de dividir o seu tempo participando como oradores no 1º Congresso Lusófono de Doenças Transmitidas por Vectores que decorreu em Lisboa, em simultâneo com o Congresso de Medicina Tropical.

O mês fechou com o I Simpósio de Dermatologia organizado pelo Colégio Angolano de Dermatologia e Venereologia que objectivou a partilha de conhecimentos e experiências entre especialistas nacionais e estrangeiros, sobre temas relativos à epidemiologia, biologia e clínica das doenças da pele, o planeamento e a organização da formação pré e pós-graduada, bem como a gestão e o desenvolvimento dos serviços de dermatologia e venereologia no país.

Nesta edição, destacamos ainda a inauguração, em Luanda, do novo serviço de quimioterapia, um dos componentes do tratamento integrado  em oncologia, pelas mãos da clínica Girassol.

Boa leitura!

 

 

 

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Enfermagem médico-cirúrgica e em saúde comunitária.

Multiperfil forma 18 especialistas pós licenciados

 

O centro de formação de saúde da Multiperfil realizou este mês de Abril, em Luanda, a cerimónia de outorga de diplomas aos primeiros estudantes finalistas dos cursos de pós-licenciatura de especialização em enfermagem médico-cirúrgica e em enfermagem de saúde comunitária. A cerimónia teve lugar no auditório do Memorial Dr. António Agostinho Neto e contou com a presença do ministro da Saúde.

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

No evento, estiveram presentes representantes de várias entidades angolanas, entre os quais, Agostinho da Silva, vice-governador de Luanda para a área Técnica e Infra-estruturas e Paulo Luvualo, Bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola, estudantes do Centro de Formação, entre outros.

Responsável pela formação, até à data, de 50 médicos e especialistas, a Multiperfil foi fundada em 2002 com o objectivo de  disseminar conhecimentos e dotar o país de uma infraestrutura física, tecnológica e humana capaz de dar respostas às principais necessidades da população, designadamente, nas áreas médicas de maior complexidade tecnológica.

 

Suprir a falta de profissionais de saúde

 

O Ministro da Saúde, José Van-Dúnem, esteve presente na cerimónia e reforçou que “estes técnicos chegaram num bom momento, numa fase em que o país se está a mobilizar para acabar com o problema da escassez de profissionais no sector de forma a melhorar e contribuir para a qualidade de saúde das populações”.

Os novos técnicos do primeiro curso de pós licenciatura de especialização em enfermagem médico-cirúrgica e enfermagem em saúde comunitária, formados pela escola de saúde da Clínica Multiperfil, poderão “vir a suprir o défice da falta de profissionais que existe nas suas localidades e conseguir colocar em prática todos os ensinamentos apreendidos durante oito meses de formação”, acrescentou o ministro.

O Presidente do Conselho de Administração da Clínica Multiperfil, Manuel Dias dos Santos, em declarações ao Jornal da Saúde, adiantou que “pela primeira vez, foram formados 18 técnicos nos cursos pós-licenciatura com estas especializações e que, por este motivo, todo o sector fica a ganhar”. Sublinhou que a instituição que dirige continuará a formar quadros de forma a contribuir para o país no domínio da assistência técnica médica, conforme demonstrado nas estatísticas e nos indicadores divulgados pela Organização Mundial de Saúde.

Francisca Manuel, uma das formadas em enfermagem médico-cirúrgica, mostrou-se “satisfeita mas acima de tudo feliz com o dever cumprido” e prometeu que irá colocar em prática “todos os ensinamentos que recebeu de forma a contribuir para um melhor desenvolvimento da saúde angolana”. O recém-formado em enfermagem de saúde comunitária, João da Costa, acrescentou que irá “implementar o conhecimento adquirido nesta formação para ajudar a saúde das comunidades da qual faz parte”.

 

 

 

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Primeiro serviço privado de quimioterapia inaugurado em Angola

 

A Clínica Girassol inaugurou, no final de Março, o primeiro serviço privado de quimioterapia, um dos componentes do tratamento integrado em oncologia.

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

Com capacidade para atender, em simultâneo, oito pacientes, esta unidade é composta por “seis cadeiras e duas camas, bem como uma farmácia satélite devidamente equipada para a manipulação de fármacos específicos para a quimioterapia que auxiliam no tratamento oncológico”, referiu a enfermeira chefe, Dores Filipe.

Ligado ao serviço de oncologia clínica, o ambulatório de quimioterapia é assegurado por uma equipa especializada e multidisciplinar composta por profissionais nacionais e estrangeiros, de entre os quais, físicos nucleares, enfermeiros, radio-oncologistas, entre outros.

Para a directora de Diagnóstico e Terapêutica da Clínica Girassol, Ana Vaz da Conceição, este novo serviço é “bem-vindo e irá possibilitar a muitos pacientes deixarem de ser tratados no exterior, o que permitirá reduzir os custos” realçando “a qualidade dos técnicos em serviço e a tecnologia evidenciada”. Este novo serviço irá também ajudar o Instituto Angolano do Cancro a equilibrar a procura de serviços que é muito acentuada na instituição pelos pacientes com necessidade de tratamento oncológico com procedimentos de quimioterapia em Angola. Numa primeira fase, a clínica irá tratar dois dos tipos de cancro: o da mama e o da próstata.

 

 

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Saber cuidar passa por humanizar os cuidados de saúde

 

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

A dignidade nos cuidados de saúde esteve em debate no acto central inicial da Semana da Humanização, realizada no início de Abril, subordinada ao tema “Um Acto de Cidadania e Dignidade no Cuidar”, com o objectivo de reflectir os passos dados e os seguintes para a contínua melhoria dos cuidados de saúde.

 

n No evento, marcaram presença, directores das instituições do sector, várias individualidades da sociedade, profissionais, entre outros.

O ministro da Saúde, José Van-Dúnem, na sessão de abertura da Semana da Humanização, defendeu que “não é possível focar na humanização sem que se invista fortemente na qualidade dos serviços e na qualificação dos profissionais e em acções de formação contínua. A resolução dos problemas reflecte-se na atenção dos profissionais, dando-lhes as condições necessárias para promover a resposta equilibrada, que corresponda  à expectativa dos utentes que procuram os serviços de saúde”.

O ministro da Saúde defendeu que “a humanização passa especificamente pela criação de condições laborais que salvaguardam os trabalhadores que estão sujeitos a vários níveis de stress, a várias doenças, colocando à sua disposição meios devidamente equipados que fomentem uma maior interacção entre as equipas”. Para o responsável, os avanços no sector da saúde são enormes e visíveis afirmando, no entanto, que “ainda persiste um desrespeito pelo utente em unidades hospitalares”.

A humanização é um processo que se enquadra “no quadro da procura da excelência, porque só será possível oferecer serviços com a qualidade desejada se se tiver a capacidade de cultivar o diálogo ao nível das equipas, fazendo com que haja uma maior solidariedade entre todas elas tendo por base os princípios de que os que mais sabem devem ensinar os que sabem menos, tendo em conta que objectivo é garantir os cuidados e humanizar os utentes”.

 

Saber cuidar

A directora do gabinete para a Cidadania e Sociedade Civil do MPLA, Fátima Viegas, também marcou presença na Semana da Humanização, destacando o Programa Nacional de Humanização da Assistência na Saúde (PNHAS) que tem como objetivo “promover uma nova cultura de atendimento nos cuidados de saúde e aprimorar as relações entre os utentes e os profissionais, visando a melhoria da qualidade e a eficácia dos serviços prestados pelas instituições”. No que respeita ao tema escolhido, a clínica considera que o mesmo “irá conduzir à reflexão pela complexidade e que despertará a sociedade nas relações entre os que cuidam e os que recebem os cuidados”.

O adequado cuidado de saúde é “um direito humano e quando se pode exercer as actividades profissionais de forma correcta, com respeito pelo outro, respeita-se também o direito da cidadania”, acrescentou. Na humanização de serviços, “estão agregadas as eficiências técnicas e científicas bem como os valores fundamentais: a ética, o respeito, a solidariedade e a dignidade da pessoa humana”, disse.

Na sua missão de cuidar e curar, o profissional de saúde não se ocupa apenas da parte física do organismo, cujas funções estão comprometidas pela doença, “mas também, e não menos importante, de um corpo psíquico, somático, espiritual e vulnerável”, explicou a psicóloga.

 

Envolvimento afectivo

Ao vivermos numa sociedade democrática que zela pela diversidade e pluralidade dos seus cidadãos, “não se deve desumanizar os serviços pela indiferença, intolerância, exclusão social e todas as formas de violência que provocam toda a espécie de mal contra o outro”, esclareceu. Saber cuidar do doente envolve “momentos de atenção, responsabilidade, zelo, tolerância e envolvimento afectivo para com o outro. A essência do cuidado está presente durante toda a vida”.

O hospital tende ainda a viver no centro das tensões do sistema de saúde sendo alvo de várias expectativas por parte dos utentes. “A procura do hospital como tábua de salvação para todos os males, somada a uma série de problemas ao nível de gestão hospitalar, tem acabado por condicionar a eficácia do seu funcionamento e faz com que a sua produtividade seja baixa”, alertou Fátima Viegas.

Para que o caminho em direcção à humanização dos serviços de saúde comece, de facto, é importante acreditar no “saber agir de forma ética e perceber o ser humano como um agente biopsicossocial e espiritual com direitos a serem respeitados. Por isso, é preciso ser capaz de ouvir atentamente, ser sensível ao sofrimento do outro, saber conviver com as diferenças, sem nunca perder o foco profissional”.

Uma das conclusões desta Semana da Humanização diz respeito ao facto de ser cada vez mais urgente dar a palavra do utente, aos profissionais de saúde, de maneira a que possam fazer parte de uma rede de diálogo, que além de reflectir, promova acções, programas, e políticas assistenciais.

Programa do evento

A apresentação e objectivos do Programa foram apresentados pela consultora do gabinete do Ministro da Saúde, Fernanda Baptista Cardoso. O director do Instituto para a Cidadania, Frei Mário Rui, apresentou o tema “ A saúde como um direito: uma prespectiva humanizadora”, a coordenadora do Centro de Formação de Saúde Multiperfil, Helena José, falou sobre “Educação e saúde: responsabilidade na construção de um cuidado humanizado” e o director de enfermagem do Hospital Geral do Bengo, Anacleto José, abordou o tema “Humanização em Enfermagem”. Foram ainda apresentados casos de boas práticas por responsáveis das principais unidades de saúde de Luanda.

A Semana da Humanização  é uma iniciativa a ter lugar todos os anos, com início no dia 6 de Abril, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Saúde (dia 7). A Semana integra um acto central inicial e um acto central final, em províncias a identificar em cada ano pelo ministro da Saúde.

 

 

 

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Seminário defende bem-estar, segurança e saúde dos trabalhadores

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

A directora do Centro de Segurança e Saúde no Trabalho (CSST), Isabel Cardoso, instou os gestores das empresas no sentido de prestarem maior atenção ao bem-estar dos seus funcionários, por forma a garantir uma maior produção e o desenvolvimento das suas organizações.

A responsável falava no IV Seminário sobre a Saúde do Trabalhador, realizado este mês, em Luanda, pelo Centro de Segurança e Saúde no Trabalho (CSST), em parceria com a Consaude, durante o qual se debateram as doenças profissionais.

 

n O seminário contou com a presença de 200 participantes e teve como principais objectivos o debate das doenças profissionais e a abordagem da diferença entre os termos “saúde profissional” e “saúde do trabalho”. No evento, foram apresentadas as estatísticas referentes às principais doenças profissionais e do trabalho em Angola e foi dado o alerta para o encaminhamento do diagnóstico e a confirmação de doenças profissionais para as seguradoras, enquanto entidades reparadoras dos danos decorrentes da sinistralidade laboral.

As doenças profissionais são “lesões corporais de observação funcional desde que se provem as consequências directas da actividade exercida e as mesmas não representem um normal desgaste laboral. Intitula-se uma doença profissional quando surge uma deterioração lenta e paulatina da saúde do trabalhador produzido pela exploração crónica a diferentes situações adversas, sejam elas, associadas ao ambiente em que se desenvolve o trabalho, ou a forma como está organizado”. Por outro lado, a doença do trabalho distingue-se da profissional pelo facto de, na sua origem, ter como factores, as patologias laborais que se obtêm quando se trabalha. Já as doenças do foro profissional têm uma causa / efeito, ou seja, o trabalhador adquire uma patologia depois de estar diariamente exposto a um suposto risco.

O seminário chamou à atenção para a importância de os trabalhadores terem um seguro de trabalho, de doenças profissionais, da responsabilidade do empregador, segundo o decreto de lei n.º 53/2005.

Uma das doenças mais comprometedoras no país e de especificidade crónica é a pneumoconiose adquirida pela inalação do ar em formas de partículas que posteriormente chega aos pulmões.

 

Fomentar uma maior protecção dos trabalhadores

 

Em entrevista ao Jornal da Saúde, a directora do Centro de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), Isabel Cardoso, adiantou que o seminário “não dissociou a segurança, a higiene e a saúde porque todos estes itens influenciam a saúde dos trabalhadores”. É necessário que estes tenham condições saudáveis no trabalho para estarem menos expostos aos riscos que possam causar-lhes as mais variadas doenças associadas ao foro profissional ou aos acidentes de trabalho. O seminário contou com debates que tiveram como objectivo fomentar conhecimentos aos vários intervenientes e relembrar que a saúde dos trabalhadores e a higiene no trabalho foram realçados neste encontro. A responsável argumentou ainda “que todas as empresas devem promover a higiene e segurança no trabalho”.

Uma das responsabilidades do CSST passa por diminuir a sinistralidade laboral através da implementação de algumas estratégias para se poder atingir bases para a aquisição de políticas próprias na nossa sociedade. “É necessário um grande contributo do sector da saúde, do ambiente, das empresas na sua generalidade, que públicas, quer privadas, para que se possam promover projectos que sejam executáveis para que, num futuro não muito longínquo, Angola esteja muito melhor do que hoje”, adiantou Isabel Cardoso. Nesse sentido, tem sido feito um grande trabalho para que se passem estes conhecimentos a todos aqueles que interagem com as empresas no sentido de se actualizarem com vista a discutirem melhor os seus direitos laborais. Ainda existe um grande desconhecimento por parte das pessoas no que respeita ao poderem usufruir destes serviços.

Têm sido realizadas algumas palestras para ajudar a população a entender melhor esta temática.

“A procura deste centro tem aumentando mas ainda não é a desejada por parte dos responsáveis que gostariam que a realidade fosse outra, num futuro próximo, uma vez que existe ainda muito trabalho informal, ou seja, uma grande parte da população activa não tem empregador”, acrescentou Isabel Cardoso.

 

Doenças comuns específicas

 

Por outro lado, o Director do Programa de Doenças Infecciosas do Ministério da Saúde, Filomeno Fortes, afirmou que “justifica-se a realização do certame de forma a serem discutidas as políticas e estratégias que devem ser melhoradas para que o trabalhador possa ter uma maior protecção e para que sejam apurados que cuidados necessitam para se contornar este problema”. Durante a sua apresentação sobre doenças transmissíveis procurou alertar para que, independentemente dos trabalhadores poderem vir a ter doenças profissionais, também estão sujeitos a doenças comuns específicas, como por exemplo, a malária, a tuberculose, o VIH / Sida, sobretudo aqueles que pertencem aos grupos de risco. São eles: trabalhadores da saúde na biossegurança e os que se dedicam à prática de sexo. Foram ainda referidas doenças tropicais normalmente negligenciadas, como, a “esquistossomose,  a tripanossomíase humana africana ou a doença do sono, a oncocercose (“cegueira dos rios”) e as doenças que se transmitem pela água e através dos animais vertebrados, como a febre tifóide, a cólera e as zonoses”.

Em resumo, Filomeno Fortes procurou fazer a abordagem de apresentação de algumas propostas de forma a apurar como é que o país se pode organizar e evoluir nesta matéria, num prazo de cinco anos, quer no plano do desenvolvimento da MAPESS, como do Ministério da Saúde.

 

 

 

 

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Um alerta para a importância da segurança alimentar

 

Francisco Cosme dos Santos com Cláudia Pinto

 

Este ano, o Dia Mundial da Saúde teve como tema principal “Alimentação segura: do campo ao prato, torne os alimentos mais seguros”. Em Angola, realizaram-se as Jornadas Nacionais de Nutrição, a 7 e 8 de Abril, organizadas pela Direcção Nacional de Saúde Pública.

 

n O certame contou com uma exposição de produtos locais, provenientes de 18 províncias do país, para despertar a atenção de todos os presentes para uma boa nutrição. “Esta é uma oportunidade para alertar e aumentar a consciencialização de todos os intervenientes para a segurança alimentar e o papel que cada um deve desempenhar para que todos tenhamos confiança nos alimentos que chegam à nossa mesa”, afirmou o ministro da Saúde, José Van-Dúnem, na sessão de abertura. O evento, com a duração de dois dias, contou com a presença de Afonso Pedro Canga, ministro da agricultura, representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Unicef e da  Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), contando com mais de 200 participantes, entre os quais, directores de instituições do sector e outros profissionais.

O tema escolhido pela OMS para este ano, na opinião do ministro da Saúde, teve como objectivo fazer a população “reflectir sobre a complexidade da cadeia de produção, o processamento, o armazenamento, a comercialização, e o consumo” chamando à atenção para o peso das doenças transmitidas por alimentos em todo o mundo e, particularmente, no continente africano “onde os sistemas de produção agrícola são pouco desenvolvidos, com pouco acesso à mecanização agrícola, regados com água de origem duvidosa e, algumas vezes, com má utilização de fertilizantes orgânicos por desconhecimento, aumentando assim o risco da contaminação dos produtos alimentares e consequentemente a transmissão de bactérias, vírus, parasitas, ou substâncias químicas”.

“Os hábitos alimentares inadequados, as crenças e tabus, a aculturação pela globalização de novos comportamentos e práticas alimentares, criam novos riscos para a segurança nutricional das populações”, reforçou José Van-Dúnem.

 

Criar medidas para uma alimentação segura

A progressiva redução no consumo de legumes, sobretudo por crianças e adolescentes nas áreas urbanas, é uma realidade que preocupa o Ministério. “A introdução da alimentação infantil mal orientada pode ser apontada entre os vários factores da insegurança alimentar e da desnutrição”, sublinhou o responsável. A nutrição e a alimentação são requisitos básicos para a promoção e protecção da saúde e viabilizam a realização plena do potencial de “crescimento e desenvolvimento humano. Deve entender-se a alimentação como um complexo envolvimento de indivíduos e colectivos, desde os processos da produção agrícola, da transformação, artesanal ou industrial, da comercialização e de consumo alimentar, sem esquecer a promoção de mudanças de hábitos alimentares comunitários que proporcionem uma alimentação saudável e segura das populações”, sublinhou o ministro. A malnutrição pode afectar, em larga escala, as crianças, desde tenra idade, sobretudo no que respeita à capacidade de aprendizagem comprometendo o futuro dos jovens relacionado com o ciclo vicioso de pobreza, a baixa capacidade laboral e as fortes influências para o pouco desenvolvimento dos países.

 

Obesidade galopante

O ministro da saúde afirmou que se associou à celebração do Dia Mundial da Saúde e à realização das primeiras Jornadas Nacionais de Nutrição porque, nas últimas décadas, a obesidade surgiu como uma das doenças crónicas não transmissíveis mais graves, tais como a diabetes, a hipertensão arterial e outras patologias cardiovasculares. “O momento de reflexão sobre a situação actual da alimentação e nutrição do país pode constituir a base para a implementação de estratégias mais abrangentes e eficientes”, acrescentou José Van-Dúnem.

Durante a sua intervenção, saudou todos os profissionais do sector e parceiros “por serem os mentores que, no dia-a-dia, participam com coragem e firmeza num conjunto de acções desenvolvidas pelo MINSA, para o desenvolvimento e melhoria da saúde dos angolanos”.

 

 

 

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Malária eliminada em Angola em 2025 se houver grande desenvolvimento socioeconómico e cobertura sanitária adequada

 

Magda Cunha  Viana

 

A eliminação da malária em Angola está dependente de um grande desenvolvimento socioecónomico e um “combate cerrado à pobreza”.

n Condições de saneamento apropriadas, uma cobertura de redes mosquiteiras acima dos 80 por cento, e uma cobertura sanitária superior aos 85 por cento, são também imperiosas para permitir que as componentes técnicas, como o diagnóstico precoce, o tratamento rápido e a prevenção da picada do mosquito possam ser eficazes, afirmou Filomeno Fortes, coordenador do Programa Nacional de Controlo da Malária, em entrevista ao Jornal da Saúde.

 

Desenvolvimento, pobreza e malária

 

“Há uma relação biunívoca entre pobreza e a malária. Se, por um lado, a pobreza é um factor de manutenção, ou de agravamento, da malária, o contrário também é verdade”, adiantou o especialista à margem do 1º Congresso Lusófono de Doenças Transmitidas por Vectores, integrado no 3ª Congresso Nacional de Medicina Tropical que decorreu em Lisboa, Portugal, entre 20 e 21 de Abril.

O responsável sublinhou que um estudo realizado em Angola, em 2006, indicou que o país gastava em média cerca de 150 milhões de dólares por ano com a malária em custos directos e indirectos, quer em termos de tratamentos, internamentos, ou de óbitos relacionados com a doença.

“Para além disso, frisou, a malária tem outras implicações. Provoca, por exemplo, anemia, uma das principais causas de mortalidade em crianças, o que significa que há crianças que não morrem por malária, mas em consequência da anemia ou da má-nutrição provocada por acessos frequentes de malária e anemia”.

“Como se vê, há uma relação muito grande entre desenvolvimento, pobreza e malária”, afirmou.

 

Perspectiva de eliminação da malária em 2025

“A perspectiva de eliminação da malária, na minha óptica, será atingida em 2025, tendo em conta o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS) que está a ser aperfeiçoado e que prevê metas intermédias em 2017 e 2019”, disse.

 

Vacina eficaz contra malária

 

“Tendo em conta os actuais indicadores sociodemográficos do país, não temos condições, antes de 2025, de pensar na eliminação da doença, a menos que surja uma vacina eficaz a nível internacional durante este período, o que não me parece ser o caso. Em Angola a malária continua a ser a principal causa de morbilidade e mortalidade. Afecta todos os grupos da população, mas é mais proeminente nas grávidas e nas crianças com menos de cinco anos”, frisou.

 

Malária distribui-se de maneira diferente no país

 

“A doença não se distribui uniformemente em todo o país. Nas províncias do norte é mais severa, nas províncias do centro é mais estável e moderada e nas províncias do sul, em que a transmissão é mais baixa e a população tem menos imunidade, há riscos de epidemia.

Em função desses estratos de endemicidade – sublinhou Filomeno Fortes – o Programa Nacional de Combate à Malária tem uma estratégia global em que cada componente é mais ou menos intensa em função da zona geográfica”.

 

Componentes técnicas, no geral, de combate à malária

 

O responsável delineou as componentes técnicas para o tratamento da malária, que começam com um diagnóstico precoce, efectuado nas primeiras 24 horas em que o doente começa a sentir febre, e um tratamento correcto e adequado, com base numa combinação terapêutica que contenha uma artemisinina.

 

Uma rede mosquiteira para cada dois cidadãos

 

As medidas preventivas baseadas nas redes mosquiteiras constituem a segunda componente estratégica. O governo pretende distribuir nos próximos cinco anos uma rede mosquiteira para cada dois cidadãos.

“Está em curso uma campanha de distribuição massiva que cobre as províncias de Cabinda, Cuanza Norte, Bengo, Lunda Norte, Lunda Sul e a província do Namibe.

Ainda este ano, o governo pretende cobrir as províncias do Huambo, Benguela, Luanda e começar já uma distribuição universal na província da Huila”, afirmou Filomeno Fortes.

 

Luta contra vector,

luta anti-larvar

Outra componente estratégica é a luta contra o vector, cuja base principal deve ser o saneamento do meio, para o qual é necessário o apoio dos governos das províncias, das administrações municipais, e da própria comunidade.

“Temos implantado em Angola um projecto de luta anti larvar que cobre cerca de 60 municípios do país, e que consiste em controlar as larvas dos mosquitos nos criadores, que podem ser domésticos ou extra domésticos.

No caso dos criadores domésticos – adiantou – há a vantagem de que, além da malária, podem ser também controladas doenças como a dengue e o chikungunya”.

 

Pulverização das casas com insecticida

Outra componente importante em Angola é a pulverização das paredes das casas com um insecticida de efeito residual. Esse insecticida protege as casas durante quatro a seis meses, quer dos mosquitos quer de outros insectos transmissores de doenças como carraças. pulgas etc. Infelizmente as iniciativas neste domínio ainda são muito ténues.

 

Informação, educação e comunicação para a saúde.

“Temos que ensinar a população a agir de imediato perante situações de febre,  a utilizar correctamente a rede mosquiteira, e a efectuar correctamente o tratamento, que deve ser levado até ao fim e nunca abandonado precocemente. A população deve também participar nas actividades de saneamento do meio”, frisou Filomeno Fortes.

 

A pesquisa é fundamental

Angola está a efectuar este ano estudos de resistência aos medicamentos e aos insecticidas. Vai ainda dar início a um inquérito para saber como estão os indicadores do país para se poder fazer uma avaliação e uma adequação ao plano estratégico.

 

Sustentabilidade

dos indicadores

conseguidos face

à redução de meios

“Face à redução do Orçamento Geral do Estado para a área da saúde, o objectivo principal para 2015 é tentar a sustentabilidade dos indicadores que foram conseguidos até à data reforçando-se o rigor da gestão dos meios disponíveis e o lançamento de uma campanha de apoio dos parceiros”, disse.

 

Três milhões de casos

de malária

“Estima-se que em Angola haja menos de três milhões de casos de malária. Devemos andar entre dois milhões e dois milhões e meio, embora as estatísticas apontem para três milhões devido ainda à insuficiente e frágil cobertura do sistema de diagnóstico laboratorial. A orientação actual da OMS é  que nenhum caso de malária deve ser notificado sem ser confirmado com um teste rápido ou com um exame de gota espessa”, alertou.

 

Cerca de 5.500 óbitos por ano em 2014

Em termos de mortalidade, estima-se que em Angola, no ano de 2000, tenha havido cerca de 20 mil óbitos. Em 2009, estava perto dos 11 mil óbitos e, em 2014, foram notificados pouco mais de 5.500 óbitos, o que significa uma redução substancial na mortalidade. Urge a necessidade de se continuar a melhorar a gestão de casos graves a nível hospitalar através da capacitação o permanente dos profissionais da saúde e da melhoria dos meios técnicos para uma abordagem mais eficiente em cuidados intensivos.

 

Pré-eliminação da malária

“Angola está engajada no projecto de pré-eliminação da malária da África Austral denominado “E8”, disse o especialista, adiantando que a estratégia envolve oito países da região da África Austral, dos quais quatro devem fazer a eliminação e outros quatro devem, ao longo das suas fronteiras, colaborar com a eliminação nos quatro países iniciais, e iniciar a pré-eliminação a partir das suas fronteiras.

Os países que estão em fase de eliminação são a Namíbia, África do Sul, Suazilândia e Lesotho. Os países tampões são Moçambique, Angola, Zâmbia e Zimbabué”, afirmou o responsável.

 

Em Angola apenas Huambo e Namibe estão preparadas para a pré-eliminação

 

Angola, nessa perspectiva, tem uma iniciativa “trans-Cunene”  com a Namíbia e uma iniciativa “trans-Zambeze” com a Zâmbia.

Actualmente, em Angola, há apenas duas províncias em condições de iniciar a pré-eliminação da malária – o Huambo e a o Namibe. A incidência de casos nessas duas províncias é inferior a cinco casos por cada 1.000 habitantes.

 A partir da província do Huambo, o programa da malária pretende lançar uma iniciativa de eliminação que cubra os municípios que fazem fronteira com a província do Huambo, nas províncias de Benguela, do Bié e do Cuanza Sul.

 

Prevê-se que, a partir de 2018, metade do país possa estar já numa fase de pré-eliminação

 

A eliminação da malária em países como a Namíbia e a África do Sul é mais fácil porque são nações que possuem condições atmosféricas e situação geomorfológica que não facilitam o desenvolvimento do vector, nem do parasita.

Porém, em Angola - que tem florestas, uma bacia hidrográfica muito grande, uma densidade populacional concentrada em regiões periurbanas, facto que tem implicações com o saneamento do meio – é muito mais difícil controlar o vector.

Por outro lado, as grandes distâncias a que as populações, por vezes, estão das unidades sanitárias faz com que o diagnóstico e o tratamento não sejam feitos atempadamente.

Há ainda uma zona muito grande de fronteira com a África Central, nomeadamente com a República Democrática do Congo, que é um dos países mais endémicos da região centro-africana, e onde há uma grande mobilidade de população de uma área para a outra.

 

Critérios de pré-eliminação e eliminação

 

Os países entram na fase de pré-eliminação quando têm uma prevalência de menos de cinco casos por cada mil habitantes.

É considerado que o país entrou na fase de eliminação quando tem menos de um caso por cada mil habitantes.

E, finalmente, é considerada eliminada quando ao fim de dois ou três anos não tem nenhum caso autóctone. Pode ter casos importados mas não de origem local”.

 

 

 

 

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Ponto da situação da malária na CPLP.

Número de mortes tende a diminuir

 

Apesar da diminuição do número de casos de morte há ainda um longo caminho a percorrer, afirmaram especialistas e responsáveis pelo controlo da doença que participaram numa mesa-redonda sobre a “Pré-eliminação da malária na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”, do 1.º Congresso Lusófono de Doenças Transmitidas por Vectores, que decorreu este mês, em Lisboa.

 

Magda Cunha Viana

 

Em Angola, segundo o coordenador do Programa de Controlo das Epidemias, Filomeno Fortes, embora a mortalidade tenha caído para metade, continua a haver três milhões de casos de malária por ano, de que resultam seis mil óbitos anuais.

Quanto ao cenário no Brasil, é bastante mais animador: de acordo com Paola Marchesini, coordenadora do Programa Nacional de Controlo da Malária brasileiro, “a doença está erradicada na maior parte do país e só existe na região amazónica, segundo dados de 2014”.

A especialista frisou que “o diagnóstico é gratuito e rápido e que o tratamento também é gratuito em casos confirmados”. A responsável adiantou que a malária “é uma doença de notificação compulsória” e que “cada caso gera uma notificação que entra no sistema informático”.

Cabo Verde está, segundo Júlio Rodrigues, coordenador do Programa Nacional de Luta Contra o Paludismo, “em situação de pré-eliminação da doença, o que significa menos do que um caso por mil habitantes”, após várias situações de quase erradicação da mesma, a que se seguiram epidemias, porque “o país se desleixou”.

“Neste momento, adiantou, Santiago e Boavista são as únicas duas ilhas com malária em Cabo Verde", registando 26 casos em 2014, e que "a meta é a eliminação até 2020, definida na Política Nacional de Saúde”, gastando anualmente o Governo cerca de meio milhão de euros.

 

Situação

na Guiné-Bissou

Na Guiné-Bissau, o especialista Paulo Djatá, coordenador do Plano Nacional de Luta contra o Paludismo (PNLP), traçou um retrato mais sombrio da actual situação no país.

“Apesar de o número de mortes devidas à malária ter reduzido para metade, entre 2000 e 2011, a malária é um problema de saúde pública na Guiné-Bissau, onde ainda se regista um elevado número de óbitos ligados à doença”, sublinhou, acrescentando que é a principal causa de internamento e mortalidade, sobretudo nas crianças com menos que cinco anos”.

Djatá precisou que, segundo dados de 2011, dos 174.986 casos notificados, 38,9% eram de crianças menores de cinco anos e que, dos 472 óbitos ocorridos, 45% foram de crianças menores de cinco anos”.

Para este estado de coisas, contribuem factores como “a insuficiência de recursos humanos no PNLP, a fraca comparticipação financeira do Estado e a falta de coordenação das acções dos parceiros no terreno”, entre outros que enumerou.

 

O caso de São Tomé

e Príncipe

Em São Tomé e Príncipe, segundo Hamilton Nascimento, coordenador do PNLP, “a incidência da doença passou de 38,4 por cento, em 2009, para 9,3 em 2014 e a mortalidade passou de 14,3 por cento para zero casos”.

“No Príncipe, a incidência é baixa. São Tomé tem maior incidência, mas varia de região para região”, indicou, acrescentando que o país se encontra “na fase de pré-eliminação” e que “o plano estratégico para 2012-2016 é ter menos que um caso por mil habitantes”.

 

 

 

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Invista no futuro.

Vença o paludismo

 

Matshidiso Moeti

Directora Regional da OMS para África

 

O mundo comemora a, 25 de Abril de 2015, o Dia Mundial de Luta contra o paludismo sob o tema “Invista no futuro. Vença o paludismo”. O tema realça a necessidade de se aumentar os recursos financeiros e humanos, dos produtos e os investimentos em infraestruturas para controlar e eliminar esta doença potencialmente mortal.

 

n  O paludismo pode ser evitado e controlado através do uso de mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração, da pulverização intradomiciliar com insecticidas de efeito residual, tratamentos preventivos para mulheres grávidas, bebés e crianças com menos de cinco anos, assim como testes de diagnóstico e tratamento de qualidade garantida. A maioria dos países expostos ao paludismo ainda está longe de alcançar a cobertura universal das intervenções contra a doença.

 É necessário haver um aumento do financiamento para a luta contra o paludismo para se salvar vidas e alargar ainda mais o acesso aos serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento do paludismo na região. Isto é ainda mais importante dada a necessidade urgente de se combater a resistência aos medicamentos contra o paludismo e outras ameaças emergentes, tais como a resistência dos mosquitos aos insecticidas.

 Estima-se que, em 2013, tenha havido 163 milhões de casos de paludismo na África Subsariana, causando aproximadamente 528 mil óbitos. Entre 2000 e 2013, o número estimado de casos de paludismo na população em risco diminuiu em 34%, enquanto as taxas de mortalidade associadas ao paludismo diminuíram em 54% na região africana. A despeito destes progressos, é pouco provável que os países da região africana atinjam a meta estabelecida pela OMS de uma redução de 66% dos casos de paludismo e dos óbitos resultantes da doença até 2015.

 

 Acesso limitado

O acesso limitado e a fraca utilização das intervenções contra o paludismo disponíveis nos países constituem as principais causas do fardo excessivamente elevado dos casos de paludismo e óbitos. Por exemplo, em 2013, cerca de 33% das casas na região ainda não possuíam nem um único mosquiteiro tratado com insecticida de longa duração e apenas cerca de 29% das casas possuíam mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração suficientes para todos os seus habitantes.

 Existe um consenso geral para reduzir a mortalidade associada ao paludismo, bem como as taxas de incidência da doença em, pelo menos, 90% até 2030, e para eliminar o paludismo. A percentagem das pessoas protegidas por, pelo menos, um método de controlo do paludismo aumentou nos últimos anos. No entanto, o total dos financiamentos só satisfará as necessidades se os doadores, os parceiros internacionais e os governos nacionais derem prioridade ao aumento de investimentos para o controlo do paludismo.

 Apelo aos países

Neste dia em que comemoramos o Dia Mundial de Luta contra o Paludismo, lanço um apelo aos países e às partes interessadas para que direccionem os recursos disponíveis para as localidades mais afectadas pelo paludismo e para as populações e grupos mais expostos ao risco de contraírem a doença.

 Gostaria igualmente de exortar os países e as partes interessadas a investirem nos sistemas nacionais e comunitários para que todos os casos suspeitos de paludismo sejam testados antes que o tratamento seja administrado. Todos os casos confirmados de paludismo deverão também ser documentados e notificados para que se possa determinar as zonas geográficas onde há uma maior prevalência da doença e os grupos populacionais que estão mais em risco.

Por sua vez, o Escritório Regional da OMS para a África vai continuar a prestar orientações baseadas em evidências a todos os países e partes interessadas para melhor direccionarem as intervenções contra o paludismo, reforçarem os sistemas nacionais de saúde com vista à cobertura universal de saúde, e acelerarem os progressos para uma África livre do paludismo.

 

 

 

 

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Vacinação: uma dádiva de vida

 

Mensagem da Directora Regional da OMS para África, Matshidiso Moeti, por ocasião da  Semana Africana da Vacinação

 

Os países da Região Africana comemoram a 5.ª edição da Semana Africana da Vacinação (SAV) de 24 a 30 de Abril. É um acontecimento com duração de uma semana, que se destina a reforçar a sensibilização do público e a procura por serviços de vacinação por parte das comunidades, melhorar o acesso a populações de alto risco e a zonas de difícil acesso na Região, e, ainda, exercer advocacia com vista à mobilização de recursos para a vacinação. A SAV oferece igualmente uma oportunidade para aumentar a procura e a utilização de outras intervenções que salvam vidas, sobretudo aquelas que visam as mulheres e as crianças com menos de cinco anos de idade.

O tema deste ano, “Vacinação: uma dádiva de vida” sublinha o facto de que a vacinação é uma dádiva que protege as pessoas de todas as idades contra as doenças. As vacinas são um dos maiores avanços na história da humanidade. Salvam milhões de vidas todos os anos e contam-se entre as intervenções de saúde com melhor relação custo-eficácia jamais desenvolvidas.

Estima-se que cerca de três milhões de crianças com menos de cinco anos de idade morram anualmente na Região Africana, sendo que um número significativo destes óbitos pode ser evitado através da vacinação. A vacinação de rotina é essencial para se alcançar o nível máximo possível de saúde, sobretudo para que as mulheres e as crianças se possam tornar adultos saudáveis e produtivos.

Reduzir as barreiras

à vacinação

Embora os países da Região tenham feito progressos consideráveis e louváveis na redução das doenças evitáveis pela vacinação, é preciso fazer muito mais. O Plano Estratégico Regional de Vacinação 2014–2020, que foi recentemente aprovado, deverá ser aplicado na prática em prioridades e acções nacionais que se destinem a disponibilizar um acesso universal à vacinação e a outras intervenções que salvam vidas para todos até 2020, sobretudo para as populações vulneráveis.

O êxito da SAV dependerá da capacidade dos países em incluírem a SAV nos seus planos estratégicos nacionais anuais de vacinação e afectarem recursos para a realização de actividades. A consecução deste nobre objectivo exigirá também que se actue para reduzir as barreiras à vacinação e se efectuem investimentos adicionais consideráveis e sustentáveis para reforçar os sistemas de saúde.

Ao comemorarmos a Semana da Vacinação Africana, lanço um apelo aos governos da Região Africana para que reforcem a colaboração multissectorial e mobilizem e afectem os recursos financeiros necessários para reforçar as actividades de vacinação, de modo a se alcançar a cobertura universal da vacinação.

O Escritório Regional da OMS para a África vai continuar a trabalhar com os governos e todas as partes interessadas para reforçar os sistemas de saúde, por forma a se alcançar a cobertura universal de saúde e proteger esse direito humano fundamental que assiste a todos, o direito à saúde.

 

 

 

 

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Tratamento do cancro:

o papel da quimioterapia e os cuidados na sua preparação

 

Lúcio Lara Santos

Professor Doutor, oncologista cirúrgico

e assessor do IACC

ONCOCIR-Angola

 

 

Existem medicamentos que têm a capacidade de destruir as células malignas. Estes medicamentos são geralmente denominados como citotóxicos. No conjunto dos medicamentos citotóxicos utilizados em oncologia existe um grande grupo que mata apenas células que estão a multiplicar-se (conhecidos como medicamentos que só actuam durante o ciclo que leva à multiplicação celular) e existe outro grupo que mata tanto células em proliferação, como células que não se estão a dividir (estes últimos são chamados alquilantes).

 

n Existem outros tipos de medicamentos utilizados para o tratamento do cancro ao bloquear a função de estruturas especiais das células malignas como os receptores da membrana celular, receptores intra-celulares, estruturas intracelulares que transmitem sinais biológicos ao núcleo da célula induzindo a multiplicação celular, ou que ajudam a promover a resposta imunitária. Estes tipos de medicamentos são conhecidos como medicamentos contra alvos biológicos e são mais específicos (Figura 1).

Este conjunto de fármacos que são utilizados para tratar o cancro é denominado vulgarmente por quimioterapia. São utilizados para matar as células malignas que estão no tumor inicial nas suas metástases e nas células malignas que estão em circulação.

Para ter este efeito sistémico (actuando em todo o corpo) a sua administração é geralmente realizada por via intravenosa. Existem situações especiais em que a administração é oral, intra-vesical, intra-abdominal, intra-tecal, intra-pleural e cutânea.

Os medicamentos citotóxicos não matam apenas células malignas. Podem matar células benignas geralmente que estão a dividir-se como as células do folículo piloso (cabelo), unhas, células da mucosa oral, do tubo digestivo e células sanguíneas. Por este motivo, são responsáveis por efeitos indesejáveis conhecidos como os efeitos adversos (Figura 2). Felizmente, existem medicamentos que quando são administrados antes, durante e depois da quimioterapia impedem ou minimizam de forma muito eficaz esses efeitos.

Assim a quimioterapia é uma forma muito importante de tratar o cancro e pode ser usada antes da cirurgia, e ou radioterapia, para diminuir o tamanho do tumor (chamada neoadjuvante), ou após a cirurgia curativa para matar eventuais células em circulação (chamada adjuvante) e para tratar as metástases longe do tumor inicial (chamada paliativa).

Como são medicamentos que vão ser introduzidos na corrente sanguínea dos doentes não podem estar contaminados por micro-organismos. Os profissionais de saúde que preparam ou administram estes medicamentos não devem contactar como os mesmos, seja pela respiração, pela pele, ou pelos olhos, senão vão sofrer os seus efeitos. Por esse motivo a preparação destes medicamentos deve ser realizada em salas especiais e os profissionais de saúde devem utilizar equipamento de proteção apropriado. Essas salas especiais são analisadas regularmente para não haver contaminação e o ar que entra e sai é filtrado utilizando aparelhos especiais (Figura 3).

Em Luanda, recentemente, a Clínica Girassol inaugurou uma sala de preparação de quimioterapia com todos estes recursos e uma sala de administração de quimioterapia adequada. A Clinica Sagrada Esperança está a terminar as obras de construção e o equipamento de uma sala de preparação e de administração de quimioterapia moderna. O IACC (antigo Centro Nacional de Oncologia) já tem um projecto para a reformulação e modernização da sua sala de preparação de quimioterapia e das salas de administração da quimioterapia. Isto significa que grandes passos foram e estão a ser dados no nosso país, para que os medicamentos para o tratamento contra o cancro sejam preparados e administrados com segurança defendendo o doente, os profissionais de saúde e o próprio medicamento.

O Jornal de Saúde de Angola compromete-se, após o seu 5º aniversário, a divulgar com regularidade os aspectos mais importantes sobre as doenças oncológicas e os avanços observados no seu controlo em Angola e no mundo.

 

 

 

 

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Estudo sobre venenos de serpentes em Angola irá permitir produzir um anti veneno experimental

 

Cláudia Pinto

 

É um estudo pioneiro em Angola e surgiu da necessidade de identificar e caracterizar a imunoquímica do veneno das serpentes angolanas e os seus efeitos biológicos. Dos resultados finais, será constituída, em aproximadamente três anos, a base para a produção futura de um anti soro experimental específico de serpentes existentes no território angolano. Para tal, é necessário um grande investimento que representará um passo importante no tratamento dos envenenamentos por mordeduras de cobra, um grave problema de Saúde Pública, responsável pelas altas taxas de mortalidade no país.

 

n No âmbito da preparação do primeiro seminário do doutoramento em Ciências Farmacêuticas, especialidade em Toxicologia, que Paula Oliveira, Vice Decana para os Assuntos Científicos da Universidade Lueji A'Nkonde, em Malanje, está a fazer na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, surgiu a ideia de preparar um tema actual e pertinente. Em simultâneo, e não menos importante, esse tema teria de constituir “uma novidade científica”.

O estudo sobre os venenos e envenenamentos de serpentes em Angola foi iniciado com uma actividade de campo denominada “Expedição Ndala Lutangila (termos utilizados pela população quando se referem à mamba negra que levam a óbito e não deixa sair da lavra com vida quando morde)” que contou com a participação de dois especialistas do Instituto Butantan, instituto de referência de produção de soros do Brasil para a captação das serpentes e conservação e tratamento laboratorial do veneno. “Foram percorridos 3.500 quilómetros entre as províncias de Cuanza Sul, Benguela, Huíla e Malanje e visitados várias comunas de, pelo menos, dois municípios de cada uma, inquiridas mais de 260 pessoas, entre profissionais de saúde e população de áreas de risco, a maior parte, camponeses e pastores”, pode ler-se nos resultados preliminares do referido estudo. Foram apresentadas cinco conferências sobre a importância da problemática nas principais unidades de saúde das referidas províncias e foram colocadas “placas de aviso de perigo de mordeduras de serpentes nas áreas de maior risco, tendo sido ainda distribuídos folhetos e posters sobre como prevenir o aparecimento de serpentes, a prevenção dos acidentes e as medidas adequadas para os primeiros socorro se necessário (ver caixa).” O objectivo passa por reverter o quadro da “patologia mais negligenciada das doenças tropicais”.

 

Benefícios práticos

da investigação

Após alguma pesquisa, a doutoranda Paula Oliveira verificou que esta era uma das áreas que merecia ser investigada e documentada em Angola uma vez que “não existem registos sobre a problemática das mordeduras de serpentes e não há estudos científicos deste tema”, explica ao Jornal da Saúde. Por outro lado, as conclusões retiradas desta investigação poderão ser extremamente benéficas para aquela que é já considerada “uma doença da pobreza e a mais negligenciada das doenças tropicais, segundo a Organização Mundial de Saúde”. Em simultâneo com a captação de serpentes, foi aplicado um questionário onde se verificou que as pessoas não acorrem aos serviços de saúde, o que dificultará em grande medida a possibilidade de se ter uma estatística da problemática. No entanto, há resultados preliminares que importam destacar, como por exemplo, o facto de se ter conseguido “captar serpentes mortas e vivas e extraído o seu veneno para a etapa subsequente e terem sido encontradas vários espécimes de Bitis Gabonica, quer em Benguela, como em Malange, o que não está descrito na literatura toxicológica mundial”, explica Paula Oliveira.

No futuro, quando Angola produzir “os seus soros antiofídicos, o mesmo terá de estar na composição do antiveneno pois agora existe a prova de que esta serpente habita no Sul e Centro do país. Só de Mufuma Selela, uma comuna de Kalandula, captámos 5 exemplares, das quais uma está viva no serpentário do Centro de Investigação e Informação de Medicamentos e Toxicologia da Faculdade de Medicina de Malange da Universidade Lueji (Cimetox)”. Sabe-se que o único e efectivo tratamento do envenenamento sistémico de mordeduras de cobras é o antiveneno, constituído por soros específicos.

 

Estudo pioneiro

Passada a fase da conclusão do estudo, “os resultados da composição imunoquímica dos venenos das serpentes de Angola servirão para elaborar o dito antiveneno experimental. Para a sua produção em grande escala e para satisfazer as necessidades no nosso país, o investimento é muito grande, pelo que o projecto já foi submetido a instâncias superiores, como o Cimetox. Penso que a seu tempo merecerá a devida atenção para começar a ser executado”, esclarece Paula Oliveira. O Cimetox é o único centro de investigação de medicamentos e toxicologia que o país tem. Existe há três anos na Faculdade de Medicina da Universidade Lueji A'Nkonde, mas “não tem orçamento próprio, o que limita muito a investigação que se poderiam levar a cabo, caso tivesse”.

No que respeita à importância do estudo em particular, Paula Oliveira considera que o mesmo representa a sua “modesta contribuição para esta Angola que é de todos e que pode contribuir para a sua reconstrução como produção científica”. Considera-se “feliz” por saber que integra um estudo pioneiro em Angola que irá permitir minimizar um problema de saúde, sobretudo, “entre as populações pobres. É gratificante poder dizer-se que, em Angola, alguma coisa está a ser feita para o combate desta doença”, defende.

 

 

 

 

 

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Conselho consultivo em Ndalatando:

MINSA preconiza reforço da gestão do sector

 

Diniz Simão

Correspondente em Ndalatando

 

O Ministério da Saúde quer um esforço redobrado com vista a assegurar a organização e melhoramento da gestão do sector, para garantir um serviço público de saúde de qualidade.

 

n Com efeito, e de acordo com as conclusões do XXV Conselho Consultivo do MINSA, que decorreu, recentemente, em Ndalatando, sede da província do Cuanza Norte, sob o lema: “40 anos de independência, 40 anos de Serviço Nacional da Saúde”, com o signo de uma “Melhor gestão para garantir a sustentabilidade do serviço nacional da saúde”, foi dado ênfase especial ao ajustamento das despesas aos fundos disponíveis para financiar o sistema.

Para tal, foi preconizado a implementação de medidas estruturais que envolvem a organização dos serviços por níveis de atenção, tendo em conta a redução dos recursos financeiros, originada pela baixa do preço do petróleo, principal fonte de receitas do Orçamento Geral do Estado.

A redefinição das acções prioritárias a serem desenvolvidas harmonizando-as com a alocação de fundos, avaliando a disponibilidade das fontes e alternativas de financiamentos, o tipo e o custo dos serviços necessários, sem contudo, afectar o acesso e a qualidade dos serviços a prestar as populações, particularmente, nas áreas de imunização e atendimento pediátrico e obstétrico, constitui outros dos objectivos pretendidos pelo MINSA.

O referido encontro que foi orientado pelo titular do pelouro, o ministro José Viera Dias Van-Dúnem, manifestou também inquietação com a prevalência e incidência da tuberculose no país, incluindo as suas formas resistentes, tendo por isso, advogado mecanismos que assegurem o funcionamento de unidades sanitárias com capacidades de resposta para este desiderato.

Foi ainda preconizado que, ao lado de cada unidade de tratamento de VIH/sida, exista outra de diagnóstico e tratamento da tuberculose.

O evento, no dizer daquele governante, constituiu uma oportunidade para consolidar o plano de acção para a prossecução dos objectivos e metas fixadas para o sector da saúde à luz do OGE revisto para o ano de 2015.

 

 

 

 

 

 

 

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Vice-governador do Cuanza Norte apela a rigor na gestão financeira face à “petrocrise”

 

Foi nesta senda que o vice-governador do Cuanza Norte para a área política e social, José Alberto Quipungo, apelou aos gestores do sector da saúde a pautarem pelo rigor e austeridade, quanto à gestão financeira pública, para contrapor os efeitos da actual crise económica, provocada pela baixa do preço do petróleo.

José Quipungo ressaltou a necessidade da definição de prioridades visando o alcance das metas preconizadas no âmbito dos programas e projectos que o Executivo tem vindo a desenvolver para a expansão dos serviços de saúde, tendo em vista a melhoria da qualidade da assistência medica-medicamentosa às populações.

Aquele responsável é de opinião que se deve continuar a trabalhar para a garantia do direito dos cidadãos à saúde, a universalização, a equidade e a continuidade dos cuidados primários de saúde, o que vai permitir melhorar os indicadores para o alcance dos objectivos do milénio e da agenda de desenvolvimento sustentável pós 2025.

Considerou ser necessário que, haja dialogo e intercâmbio entre os diferentes actores que actuam no sector visando o reforço do Sistema Nacional de Saúde e do seu impacto sobre a saúde e bem-estar das populações.

“ Um sistema de saúde eficaz é pois um pressuposto fundamental para a garantia da segurança nacional”, sublinhou.

O evento analisou os planos de acção para 2015 dos órgãos executivos centrais e de apoio, dos programas de saúde pública e de assistência hospitalar de referência nacional à luz do Programa Nacional de Desenvolvimento Sanitário 2012/2025 e do OGE revisto, para 2015.

Balanceou também os 40 anos do serviço nacional de saúde tendo ainda se debruçado sobre os novos instrumentos orientadores dos actos inspectivos da saúde, da situação das carreiras e dos técnicos de diagnóstico e terapêutica, a par da situação da tuberculose no país.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Hospital de Quiculungo aumenta consultas

 

O Hospital Municipal de Quiculungo, na província do Cuanza Norte, realizou 2.933 consultas externas, entre Janeiro a Março do corrente ano, mais 209 em relação a idêntico período de 2014.

 

De acordo com o relatório da instituição distribuído este mês, durante o primeiro trimestre do ano foram efectuadas 1.197 consultas de medicina, 1.273 de pediatria, 240 de obstetrícia, 92 de puericultura, 69 de cirurgia, 46 de ortopedia e 16 de ginecologia.

Segundo o documento, o aumento de número de consultas é fruto da intensificação das campanhas de sensibilização sobre educação sanitária, bem como da tomada de consciência dos munícipes em buscar primeiro a assistência médica especializada ao invés do tratamento tradicional.

O relatório informa que a instituição realizou também, durante o período, 1.336 consultas médicas no banco de urgência.

O hospital municipal de Quiculungo possui, entre outros, serviços de medicina interna, banco de urgência, pediatria, centro materno infantil, farmácia e laboratório, vacinação e aconselhamento e testagem voluntária de vih/sida.

A unidade é assegurada por dois técnicos superiores de enfermagem, 14 técnicos médios, 15 auxiliares de enfermagem, nove de apoio hospitalar e 11 administrativos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Assistência sanitária no município do Amboim apresenta bons indicadores

 

Casimiro José

Gabela

 

 A assistência médico-medicamentosa prestada aos habitantes do município do Amboim, na província do Cuanza-Sul, apresenta bons indicadores, fruto dos investimentos feitos, quer seja em infraestruturas, como na qualidade do serviço garantida pelo corpo clínico, garantiu ao Jornal da Saúde a chefe de repartição da saúde desta circunscrição municipal.

 

n Elídia da Conceição Huambo fez saber ao Jornal da Saúde que, como indicador de sucesso, está a adesão massiva de mulheres às consultas pré-natais, o que tem permitido reduzir a taxa de mortalidade materno-infantil no município do Amboim.

 Outro aspecto destacado pela responsável da saúde no município do Amboim consiste no aumento de unidades sanitárias nas zonas de maior concentração populacional, como sendo o factor que propiciou a oferta dos serviços de assistência hospitalar nas comunidades e, ao mesmo tempo, constitui motivação para as populações, sobretudo mulheres, procurarem assistência.

 Elídia da Conceição Huambo reconheceu que o sector que dirige ainda enfrenta problemas da falta de médicos e outros técnicos de especialidade para responder às solicitações nas áreas de obstetrícia, cirurgia e ortopedia. Já no cômputo geral, a responsável da saúde no Amboim adiantou que são necessários mais 300 enfermeiros e 25 médicos para minimizar a carência de pessoal.

 

— Como avalia o sector da saúde no vosso município?

—  A realidade actual do sector da saúde no município revela-se dinâmica, porque as populações já vão acreditando que, quando estão doentes, podem ser curadas nas unidades sanitárias distribuídas pelo município, graças à dedicação dos técnicos, a vários níveis, e das condições de trabalho colocadas à disposição.

Neste aspecto, tenho de destacar a afluência das mulheres às consultas pré-natais o que tem contribuído bastante para a redução da taxa de mortalidade materno-infantil. A par disso, devo referir o fornecimento regular de medicamentos, quer seja através das aquisições locais pelos fornecedores que prestam serviços ao município, quer dos fornecimentos através do Depósito provincial de medicamentos essenciais da Direcção Provincial de Saúde.

Com o ritmo do trabalho neste sector, as evacuações para os hospitais de referência diminuíram substancialmente. Estamos em crer que, nos próximos tempos, teremos que evacuar apenas casos de especialidade, por falta de médicos especializados.

Em suma, a situação sanitária no Amboim melhorou significativamente, quer no domínio das infraestruturas, como dos recursos humanos. O município conta actualmente com uma rede sanitária composta por dois hospitais municipais, seis centros médicos e 14 postos de saúde. Prestam serviço oito médicos e 90 enfermeiros de vários escalões.

— Quais as principais doenças que assolam o município do Amboim?

— Quanto às principais patologias que assolam as populações do município do Amboim, temos em primeiro lugar a malária, seguida das doenças diarreicas e respiratórias agudas, anemia e tuberculose.

Lamentavelmente, continuamos a registar casos em que as pessoas só procuram a assistência sanitária quando estão em estado crítico. Daí a razão de incrementarmos as campanhas de sensibilização e educação para a saúde nas comunidades.

— Quais as principais preocupações que o sector da saúde enfrenta no município?

— A grande preocupação que o sector da saúde enfrenta no município é a degradação das infraestruturas dos hospitais da Gabela e da Boa Entrada que apresentam fissuras no tecto, entre outras. No hospital municipal do Amboim, na cidade da Gabela, a capacidade de internamento foi reduzida de 250 para 150 camas, uma vez que algumas salas não estão em condições para acomodar os doentes. Outra preocupação é a degradação das vias de acesso que ligam a sede municipal às distintas localidades da circunscrição municipal o que dificulta as deslocações para constatar o funcionamento das unidades sanitárias, ou em casos de evacuação de doentes que necessitem de serviços de especialidade.

Outros constrangimentos que enfrentamos consistem nas evacuações das localidades longínquas para o hospital municipal, em que temos de sacrificar a ambulância devido ao mau estado das estradas.

Por outro lado, temos registado com frequência o aparecimento no hospital municipal de casos graves, fruto da negligência das famílias.

— Quais os programas que estão a ser executados para a melhoria da assistência no município do Amboim?

— Os programas em execução do Amboim são os recebidos da Direcção Provincial da Saúde, nomeadamente os referentes à malária – com a distribuição de mosquiteiros e de Albendazol –, a medição da tensão arterial, testes de VIH/Sida e campanhas de vacinação. Além destes, estamos também a executar outros programas, como os de tuberculose e lepra, de vigilância epidemiológica, de educação para a saúde e água e saneamento ambiental. Para surtirem efeitos, a colaboração das comunidades é essencial.

— Quais os desafios os próximos tempos?

— Os principais desafios apontam para a continuidade da superação permanente de técnicos de saúde de forma a respondam às exigências do presente e do futuro. Já estamos a desenvolver um programa de formação intensiva a 50 enfermeiros e 15 técnicos, com a duração de quatro dias, na razão de oito horas. Vamos, por outro lado, continuar a desenvolver esforços no sentido de aproximarmos, cada vez mais, os serviços da saúde nas comunidades, com a extensão da rede sanitária e o melhoramento das unidades sanitárias já existentes. Além disso, vamos melhorar os mecanismos de educação para a saúde das comunidades para diminuir a proliferação das doenças evitáveis, como a malária, febre tifóide, infecções da pele, entre outras.

 

 

 

 

 

 

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Administrador municipal do Amboim, Francisco Manuel Mateus.

“Hospitais municipais vão ser reabilitados”

 

 

O administrador municipal do Amboim, Francisco Manuel Mateus, garantiu ao Jornal da Saúde que  a sua administração vai continuar a priorizar o sector da saúde  com a execução de programas e projectos que visem melhorar a assistência médico-medicamentosa no município.

Entre as acções programadas, no quadro do Programa dos Cuidados Primários de saúde para o ano de 2015, o administrador municipal do Amboim anunciou a reabilitação dos hospitais municipais do Amboim, na cidade da Gabela e da Boa Entrada, e a continuidade dos trabalhos de manutenção dos equipamentos fornecidos às unidades hospitalares para tenham uma acção à altura das necessidades, entre outras.

 Amboim tem uma superfície de 1.027 quilómetros quadrados e conta com uma população estimada em 234.869 habitantes. Administrativamente está dividido por duas comunas, sede e Assango, com três áreas administrativas, nomeadamente, Salinas, Honga e Boa Entrada (ex-CADA).

 

 

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Através da Protecção Civil e Bombeiros.

Trabalhadores da BP Angola doam bens às vítimas das cheias

 

 

A BP Angola soma e segue com a implementação de projectos sociais, no âmbito das suas práticas de responsabilidade social corporativa. Desta vez, no entanto, foram os seus próprios trabalhadores que, imbuídos de um espírito francamente solidário – que, aliás, espelha a cultura da empresa – , tomaram a iniciativa de oferecer roupas, sapatos e material didáctico às vítimas das cheias, através dos serviços de Protecção Civil e bombeiros de Luanda.

 

n O donativo resultou de um apelo que a empresa fez aos trabalhadores de forma a ajudar as pessoas afectadas pelas calamidades naturais que assolam algumas regiões do país e, com alguma acutilância, as vítimas das cheias da cidade de Lobito, na província de Benguela, e também no Cuanza Sul.

O Comissário Paulo Tomás de Sousa, chefe de departamento da logística dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, aquando na recepção dos bens, elogiou “o gesto dos trabalhadores da BP Angola” e explicou que os serviços de Protecção Civil e Bombeiros constituem um órgão multissectorial onde estão envolvidos vários ministérios. “Enquanto operativos, com a responsabilidade de recepcionar os meios que as empresas e particulares com vontade de ajudar trazem. Temos a missão de garantir que os mesmos cheguem aos respectivos destinatários”, reforçou.

A actuação dos serviços de protecção civil e bombeiros é ampla. Acodem às diferentes situações que ocorrem no país, desde as calamidades naturais, às cheias, à seca e aos incêndios florestais.

“Apelamos a toda a sociedade que acompanhem os trabalhos efectuados pela comissão de protecção civil e bombeiros e que façam as suas doações pois as catástrofes naturais são fenómenos que frequentemente provocam uma grande destruição material, perda de vidas humanas e alterações na superfície terrestre”, acrescentou Paulo Tomás de Sousa.

Actualmente, a frequência deste tipo de fenómenos é cada vez maior, sobretudo devido às alterações provocadas pelo ser humano, como por exemplo, as construções não urbanas em zonas de risco, tendo sido já identificadas actividades humanas mal planeadas em conjunto com  factores naturais, como precipitações anormais e natureza dos solos. “Nunca se sabe quando é que acontece connosco, daí a importância de sermos solidários”, esclareceu o responsável, apelando à contínua solidariedade por parte da população.

 

 

 

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